ESPECIAL
A sunga abunda! – Uma história por Filipe Chagas e Marcos Rossetton
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erão chegando. As ideias de curtir uma praia, pegar um bronzeado e mergulhar ganham força. Com isso, as sungas* se preparam para sair das gavetas. Sinônimo tanto de liberdade quanto de constrangimento, este item do armário masculino completa 90 anos em 2022. Mas a história é bem mais longa: esse traje masculino acompanhou a evolução do comportamento social, das práticas de recreação e liberdade de expressão do homem.
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A Antiguidade Clássica deixa bem claro que nudez não era problema. Os banhos romanos nas termas públicas (thermae) tinham diversas finalidades, entre as quais a higiene corporal e a terapia pela água com propriedades medicinais. Em geral, as manhãs eram reservadas às mulheres e crianças e às tardes aos homens. As mais antigas termas de que há conhecimento datam do século 5 a.C. em Delos e Olímpia. Posteriormente com o desenvolvimento do Cristianismo no Império Romano, a prática de banhos públicos foi associada ao paganismo, resultando em sua proibição. A hidroterapia, entretanto, ressurgiu no período renascentista europeu, associada a práticas de sauna, sobretudo nas regiões nórdicas e de fronteira com a Ásia**. Foi também pudor cristão fez com que os portugueses se espantassem com a nudez dos nativos brasileiros. Porém, a Europa protestante era bastante liberal – quer dizer, com nudez – aos hábitos de banhos em público (para homens somente, claro) até o século 18.***
** No Oriente, o uso de tanga (como o fundoshi japonês) era comum em saunas públicas.
*** Leia sobre a Cultura do Corpo Livre na Alemanha no artigo sobre Naturismo da edição 21.