Pandemia volta a limitar programação das Festas do Bodo Testemunhos de quem trabalha na linha da frente do combate à Covid-19 Pombal é o concelho do ACES Pinhal Litoral com menos casos de infeção Emigrantes de regresso: saudades da família sobrepõem-se ao receio de contágio
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Pombal ComVida - Edição Especial 2021
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Editorial
O
mês de julho é (ou costumava ser!) sinónimo de festa e de grande folia e animação nas ruas de Pombal, com a realização das tradicionais Festas do Bodo, que, todos os anos, por esta altura, atraíam à cidade milhares de forasteiros, provenientes de várias regiões do país. Uma grande parte deles emigrantes, gente que se viu obrigada a deixar o seu país em busca de melhores condições de vida e de trabalho, mas que não esquece as suas origens. E, sempre que chega o verão, é vê-los, de malas e bagagens, de regresso às suas aldeias natal para gozar as tão merecidas férias e matar saudades da família e amigos. E há melhor ponto de (re)encontro do que o Bodo?! Uma festa que celebra a saudade, a partilha e as conversas intermináveis à mesa de um café ou de uma qualquer esplanada da cidade. Aquele que é (ou era!) o maior e o mais apreciado evento do género no concelho de Pombal abre hoje as suas portas, mas, e tal como já acontecera em 2020, longe de se equiparar ao bulício e frenesim que tivera num passado recente e ao qual estávamos habituados, assente num formato bem mais contido, discreto e intimista, sob a designação de ‘Em Dias de Bodo’. As restrições impostas pela Direção Geral de Saúde (DGS) assim o exigem, ou não estivessemos nós em tempo de pandemia. Um tempo de enormes desafios, dúvidas, medos e angústias, mas também de aprendizagem, renovação, esperança, de gestos solidários e de agradecimento e reconhecimento a empresas, instituições, homens e mulheres que, neste último ano e meio, muito deram de si aos outros, demonstrando toda a sua coragem, resiliência e capacidade de superação por amor e solidariedade ao próximo. Merecem aqui destaque os profissionais de saúde que
Ficha Técnica estiveram, e continuam a estar, na linha da frente do combate à pandemia de Covid-19, numa luta desigual contra um inimigo invisível, mas tão destruidor da Humanidade, que teima em querer distanciar-nos de quem queremos por perto e privar-nos do que de mais valioso temos: a saúde e a liberdade. É essencialmente a eles, médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, bombeiros, farmacêuticos, técnicos de análises clínicas, terapeutas (e tantos outros!), que dedicamos as páginas desta edição especial ‘Pombal ComVida’. Publicação, de distribuição gratuita, cuja designação assume-se como um convite para se visitar o concelho, pois, apesar das adversidades inerentes aos tempos desafiantes que atravessamos, Pombal continua a ser um concelho cheio de vitalidade e pujança social, económica e industrial. ‘Pombal ComVida’ pretende também dar eco às nossas comunidades de emigrantes, espalhadas por esse mundo fora, e a quem teve que se reinventar, e fazer reinventar as suas crenças e os seus negócios, para (sobre)viver aos efeitos físicos, espirituais e mentais da pandemia. Tanto ficou por escrever! As 24 páginas desta publicação são manifestamente diminutas para abordar uma temática tão complexa e sensível como o é a pandemia de Covid-19. Quem sabe, numa próxima edição... quando todos tivermos recuperado dos efeitos colaterais causados pelo fantasma deste vírus e em condições sociais para voltarmos a festejar, todos juntos, as Festas do Bodo. A todos os que connosco colaboraram, das mais diversas formas, tornando possível a publicação desta edição especial ‘Pombal ComVida’, o nosso MUITO OBRIGADO!
Patrícia Ribeiro
PROPRIEDADE: B7 Agência de Publicidade & Factos Studio
REDAÇÃO: Patrícia Ribeiro
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PAGINAÇÃO & GRAFISMO: Factos Studio
IMPRESSÃO: LUSOIBÉRIA – Av. da República, n.º 6, 1.º Esq. 1050-191 Lisboa Telf.: +351 914 605 117 Distribuição Gratuita Edição pontual isenta de registo na ERC, ao abrigo da Lei de Imprensa 2/99, 13 de Janeiro, artº 9º, nº 22 3.500 exemplares
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Pombal assinala o Bodo dos amigos, da solidariedade e do convívio numa primeira lógica houve mais preocupação de acudir a situações mais prementes, entendemos que o trabalho mais importante que se faz agora é o preventivo. Em termos práticos, a nossa intervenção não foi muito diferente daquela que fez o resto dos municípios portugueses”, acrescenta. Notório é o impacto económico provocado pela pandemia e sentido nas empresas e nas famílias. A Câmara Municipal garante que desde o primeiro momento “tem estado atento e a acompanhar todas as situações, quer das famílias, quer das empresas instaladas no concelho”, sublinhando que “todas as necessidade merecem uma apreciação atenta e interessada, com vista a serem minimizadas”.
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e não vivêssemos num contexto de pandemia, Pombal era por estes dias uma cidade engalanada para celebrar as suas seculares festas anuais. O Bodo dos Amigos, da solidariedade, do convívio, de Nossa Senhora do Cardal e da festa maior. Contudo, um elevado e cuidadoso critério de segurança e saúde pública levou a Câmara Municipal, pelo segundo ano consecutivo, a assinalar a data com um programa de atividades “Em Dias de Bodo”. As festas da cidade estão intimamente ligadas a uma praga de gafanhotos, simbolizada num exemplar que se encontra exposto no Largo do Cardal, que “é também uma oportunidade de agradecermos, mais uma vez, a todos os profissionais e voluntários que durante esta pandemia se devotaram aos outros e celebraram esse amor ao próximo, à vida e à solidariedade”, refere a Câmara Municipal, frisando que “é também a raiz do Bodo, do apoio ao próximo e à celebração do dom da vida num período de festa e alegria”. A autarquia presidida por Diogo Alves Mateus recorda “o Bodo em que os mais novos se reuniam e recebiam amigos, mostravam o que somos, jantavam e festejavam até de manhã, orgulhavam-se
de apresentar aos de quem mais gostam, a sua Terra, a nossa Terra”. “Os mais antigos, porque repartiam uma arca de memórias, de episódios, da evolução das festas e de Pombal e do seu crescimento económico, social, demográfico e prosperidade que, muitas vezes vivemos. São também os garantes da genuinidade da festa. Da alegria de acolherem a Mãe de Jesus nas nossas ruas, de agradecerem favores, intercessões e ajudas, de se sentirem Pombalenses, reconhecidos e também, orgulhosos”, adianta. Para este ano, tal como aconteceu em 2020, a Câmara Municipal preparou um conjunto de atividades, que “cumprem as orientações e determinações das autoridades de saúde pública”. “Perante as restrições impostas foi necessário reformular todos os eventos inicialmente programados, realizando os espetáculos em auditórios fechados, e adiando outros para outras datas incluindoos na programação cultural do município”, explica. “O foco terá de estar sempre a segurança e saúde dos nossos concidadãos, o cumprimento de todas as determinações
das autoridades, pelo que apresentamos um programa que pretende trazer à memória de todos o Bodo”, refere a Câmara Municipal. Apesar de todas as limitações e cuidados a ter, a data do Bodo nada mais é do que uma manifestação de generosidade e de partilha desinteressada, uma forma singela de ser e estar perante os outros, designadamente os amigos, a família, os vizinhos e todos os seus pares. “É também tempo de reencontros, de viver amizades e cumplicidade, recordar memórias, juntar famílias e reforçar as energias que a distância, o trabalho e a saudade tanto consomem”, afirma a edilidade pombalense.
Empresas apoiadas com meio milhão de euros a fundo perdido Questionada como tem feito face à pandemia, a autarquia refere que “de um modo geral, os municípios portugueses têm estado muito atentos ao assunto e têm sido muito equilibrados na afetação de recursos este problema”. “Se
“Para além das linhas de apoio e das medidas disponibilizadas pelo Governo, a Câmara Municipal lançou várias iniciativas de auxílio, como por exemplo uma campanha de incentivo às compras no designado comércio tradicional, para além de disponibilizar à própria Associação Comercial e de Serviços de Pombal um conjunto de meios para que pudesse, de forma direta, apoiar os comerciantes do concelho. Quanto às famílias, foram implementadas várias medidas de apoio, umas de forma mais direta, como a redução, ou mesmo isenção, da fatura de água, recolha de resíduos sólidos e saneamento, mas também a redução da carga fiscal municipal, mantendo a taxa mínima do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a redução do imposto em razão do número de dependentes dos agregados familiares e a redução da percentagem a cobrar no IRS, o que representa uma despesa fiscal global para o município na ordem dos 4,2 milhões de euros, que ficam nas próprias famílias. Também na área da Ação Social Escolar, foram implementadas algumas medidas de apoio, abrangendo por exemplo refeições escolares, aquisição de material escolar, transportes escolares, componente de apoio à família e atividades de enriquecimento curricular”. Por
outro
lado,
a
Câmara
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Municipal de Pombal instituiu o Fundo Extraordinário de Recuperação Económica “Pombal Apoia”, que resultou no apoio a cerca de duas centenas de agentes económicos do concelho, com uma verba global de meio milhão de euros a fundo perdido. Enquadrada nas medidas extraordinárias de apoio à economia das micro empresas e empresários em nome individual, esta iniciativa teve como principal objetivo disponibilizar um apoio extraordinário ao tecido empresarial do concelho, contribuindo para a valorização das empresas do concelho e para a mitigação dos efeitos económicos provocados pela pandemia Covid-19.
Um dos melhores níveis de execução nos últimos anos Quanto a projetos e investimentos, a autarquia liderada por Diogo Mateus garante que não houve nenhuma suspensão, enaltecendo que o ano de 2020 foi encerrado com “um dos melhores níveis de execução nos últimos dez, 15 anos”. “Foi um ano que, nesse aspeto, correu muito bem com um atingimento de níveis muito significativos da execução do nosso Plano de Atividades Municipais, no Plano Plurianual de Investimentos”, refere, adiantando que em 2020 foram
lançadas obras: só no saneamento lançaram-se quatro grandes obras que ultrapassarão seis milhões de euros, sem financiamento comunitário garantido, tivemos de nos socorrer de financiamento bancário”. Também investimentos no que diz respeito à educação, “esses com comparticipação comunitária, seja para preparar a receção das competências da administração central para a local em termos educativos, seja na adequação e na conclusão da rede dos polos escolares. Todas as empreitadas foram lançadas e estão a decorrer dentro dos calendários estabelecidos”, sublinha.
Núcleo de Formação do Politécnico de Leiria A Câmara de Pombal destaca, ainda, o protocolo de cooperação recentemente assinado com o Politécnico de Leiria para a abertura de um Núcleo de Formação na cidade, que vai entrar em funcionamento já no próximo ano letivo 2021/2022. Neste primeiro ano o Núcleo de Formação de Pombal vai ter a oferta de seis Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP), sendo esperada a colocação de aproximadamente 120 estudantes. A cerimónia, realizada a 2 de julho, foi presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
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Os seis cursos TeSP que vão estar em funcionamento no Núcleo de Formação são de três Escolas Superiores do Politécnico de Leiria: Comunicação Digital e Intervenção Social e Comunitária, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS); Inovação e Tecnologia Alimentar e Marketing Digital no Turismo, da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM); Secretariado Clínico e Gerontologia, da Escola Superior de Saúde (ESSLei). Para Rui Pedrosa, presidente do Politécnico de Leiria, “esta parceria com o Município de Pombal não se resume aos cursos TeSP, pois tem também a intenção de oferecer a curto/médio prazo pós-graduações e cursos curtos, dirigidos particularmente à requalificação de profissionais e à qualificação de profissionais ao longo das suas carreiras”, sublinhando a matriz distintiva da instituição a nível nacional no que respeita aos cursos TeSP. “Este é um casamento que tem todas as condições para resultar perfeitamente. Há um compromisso da nossa comunidade. Sentimos que era um passo que Pombal precisava de dar há muitos anos. E, acima de tudo, que as nossas empresas sentem como absolutamente necessário. Aqui damos um passo para melhorarmos as condições para as nossas empresas e para o nosso país”, considerou, na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Pombal.
Pedro Pimpão – Presidente da Junta de Freguesia de Pombal Estes tempos de pandemia permitiramnos conhecer melhor a fibra e resiliência dos pombalenses, assim como a importância de reforçarmos a intervenção social de proximidade para apoiarmos os mais vulneráveis. Em todo este período, não temos a menor dúvida que os nossos profissionais de saúde têm sido uns heróis de uma guerra desigual, enfrentando, de forma destemida, um inimigo invisível que teima em não dar tréguas. A todos os profissionais de saúde que arriscaram a sua vida para garantir a nossa segurança e bem-estar, agradeço todo o brio e profissionalismo que nos fazem acreditar no potencial humano que temos nas nossas instituições.
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Reconhecimento aos milhares de Pombalenses que se dedicam aos outros
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m novembro do ano passado, o Município de Pombal, fez um reconhecimento aos milhares de Pombalenses que se dedicam aos outros. “A todos os que asseguram o normal funcionamento de todos os serviços públicos, empresas, escolas, forças de segurança, bombeiros, instituições de solidariedade social, hospital, unidades de saúde, associações e os muito voluntários que, de modo anónimo e discreto, apoiam, alimentam, acompanham e ajudam centenas e centenas de cidadãos e famílias”, como referiu, na ocasião, o presidente da Câmara Municipal. Diogo Alves Mateus enaltecia os “60 corajosos que trabalham no Hospital de Pombal, os 927 dedicadíssimos colaboradores que estão nas IPSS, os nossos 166 bravos Bombeiros, os preocupados e generosos 160
profissionais de saúde que estão nas USF, UCSP e serviços de cuidados de saúde primários, os mais de 600 dedicados colaboradores do Município, Juntas e Uniões de Freguesia, os 136 atenciosos colaboradores que estão nas farmácias do concelho, as largas dezenas de empenhados militares que integram a Guarda Nacional Republicana e a Policia de Segurança Publica”. “E as mais de uma centena de dedicadas assistentes que asseguram o funcionamento de escolas, cantinas, atividades de enriquecimento curricular, componentes de apoio a família, creches e pré-escolas públicas, do sector social ou empresas, espalhadas por todo o concelho”, acrescentou.
que estão há meses em situação particularmente critica e, mesmo assim disponíveis para nos alegrarem em concertos com público mais reduzido, nas redes sociais ou na internet”, e os “colaboradores das empresas que nos abastecem, transportam, cultivam, colhem, distribuem, vendem, compram, contratam, encomendam, empregam e, de facto, asseguram que nada possa faltar e que, apesar de tudo, as vidas de muitos possam continuar a decorrer com a normalidade possível”, bem como “aos conhecidos e desconhecidos, aos grandes e pequenos, aos novos e menos novos, às empresas e aos serviços públicos, aos que tratam e aos que transportam, aos que produzem e aos voluntários”.
Mas também “os profissionais de restauração, de hotelaria, da cultura e do mundo do espetáculo
O reconhecimento público consistiu na colocação de uma placa de homenagem em pleno
Jardim do Cardal aquando da comemoração do Dia do Município, 11 de novembro. Um reconhecimento pela “importância da função, pela distinção do empenho e pela riqueza dos gestos”, disse Diogo Mateus. “O tributo que prestamos e a memória que queremos que ele perpetue ficará assinalado com um elemento escultórico a desenvolver e que testemunhará este nosso gesto simbólico e a nossa gratidão aos Pombalenses. Que a nenhum falte forças, que todos sintam esperança e que o esforço daqueles que hoje justamente homenageamos nos sirva de inspiração e fortaleza para os tempos difíceis que ainda poderemos ter de enfrentar”, disse.
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TESTEMUNHOS NA LINHA DA FRENTE
Sílvia Dias - USF Marquês Ao fim de 25 anos de profissão, quando pensava que estava preparada para tudo…. Descobri que estava tão, mas tão enganada…. Ao longo destes 25 anos, aprendi que ser enfermeira é muito mais do que o que se aprende na Escola Superior de Enfermagem. Ser enfermeira, é saber dar e saber receber. É estar lá para o outro. É ouvir, é cuidar. É ajudar a nascer e “ajudar” a morrer… E como dói “ajudar” a morrer… Quando a pandemia chegou até nós, o primeiro sentimento que tive foi medo. Muito medo. Medo que o sistema nacional de saúde não tivesse capacidade para cuidar de todos, medo de ficar doente, medo de infetar os meus, medo de perder alguém... Passei a ter insónias e pesadelos. Nos primeiros dias fazia o percurso do trabalho para casa a chorar de medo e angústia. Perante as circunstancias, decidi que teria que por de lado o medo e fazer parte integrante da luta contra a pandemia. Como enfermeira sabia que teria de continuar a promover o acesso aos
cuidados de saúde, assegurar a promoção da saúde e a prevenção da doença. Foi (e ainda é) preciso um enorme esforço de reajuste, flexibilidade e capacidade de adaptação. Tivemos todos de nos reinventar, planear e agir de forma a manter o foco na segurança de todos: profissionais, utente/doentes e famílias. A informação escassa no inicio, foi dando lugar a normas, circulares informativas e orientações de trabalho que chegavam a cada momento e foi sendo necessário gerir toda essa informação e agir em conformidade. Muitos processos foram melhorados e inevitavelmente ajustados e otimizados para dar resposta às novas necessidades. O primeiro impacto foi com a necessidade de uso de equipamento de proteção individual (EPI). Equipamento que como é óbvio conhecia, mas que até então era usado de forma pontual e de um dia para o outro passou a fazer parte da indumentária diária. E as máscaras? … as máscaras sendo fundamentais para nos proteger e proteger os outros, roubaram-nos os sorrisos. Senti que me tornei irreconhecível, senti falta do toque. Tudo isto criou distância e de certa forma alterou a abordagem e a forma como cuidava dos meus utentes/ doentes. Foi preciso parar, para repensar, reinventar e ajustar a minha prática na realização de procedimentos junto dos utentes. Mas sobretudo foi necessário aprender a reajustar o olhar, para continuar a ver e a escutar para além dos óculos e viseiras embaciadas e manter o foco no utente de forma eficiente e empática. As salas de espera que antes estavam cheias tornaramse espaços quase vazios, limitados por fitas. As consultas presenciais deram lugar a
contactos telefónicos. A terceira vaga (em janeiro), intensificou essa necessidade. Foi muito gratificante perceber o quanto era importante o meu telefonema aos utentes com covid, um simples telefonema que para além de fazer o necessário acompanhamento clínico dos doentes infetados, era uma forma de quebrar o isolamento que doença obriga. O obrigado que me dirigiam no fim de cada chamada telefónica, deume forças para continuar nesta luta desigual. Durante os vários confinamentos, enquanto uns reclamavam por ficar em casa, eu ia cuidar dos meus utentes/doentes porque todas as outras doenças continuavam a existir, havia tratamentos e consultas por realizar, havia vacinas a administrar e cuidados aos doentes dependentes a realizar no domicílio. E não o deixámos de fazer…
"Quando bateram palmas aos profissionais de saúde, senti-me grata, por serem também para mim, mas não pude deixar de pensar em toda a ingratidão, e comentários maldosos, que nos eram também dirigidos" Trabalhamos sempre, muitas vezes fiz horas a mais porque assim era (e ainda é) necessário, mas, na verdade a maior dificuldade que senti, foi ler os comentários menos simpáticos que eram feitos nas redes sociais sobre os cuidados de saúde primários… Quando bateram palmas aos profissionais de saúde senti-me grata por serem também para mim, mas não pude deixar de pensar em toda a ingratidão e comentários maldosos que nos
eram também dirigidos. As dúvidas e os medos dão agora lugar à esperança. Com a vacinação contra acovid19, temos a arma contra esta pandemia e acredito piamente que vamos conseguir ganhar esta guerra. Foi implementada a maior campanha de vacinação da história mundial e nós enfermeiros dos cuidados de saúde primários, fomos chamados à frente de batalha e avançamos com confiança e determinação. Estamos a desdobrar-nos entre os cuidados a prestar nos centros de saúde e a administração de vacinas contra a covid19 nos centros de vacinação, uma vez que apesar do acréscimo significativo de trabalho não houve contratações de novos profissionais. Várias horas por dia (às vezes 12 ou 13h), sete dias por semana no Centro de vacinação e outras tantas no Centro de Saúde para contactos telefónicos para agendamento das mesmas, muitas vezes fazendo aquilo que tão bem sabemos: ensinos para a saúde sensibilizando para a importância de ser vacinado, ajudando a desfazer dúvidas e medos. Não tem sido fácil, sinto-me exausta, mas tenho a certeza que irá valer todo o esforço, de forma a destruir efetivamente a cadeia de transmissão comunitária deste vírus. No entanto, enfrentar e ultrapassar todos estes desafios tem-me dado ânimo e força para continuar, todos os dias a lutar pela dignificação da enfermagem e da melhoria da qualidade de vida daqueles de quem cuido. Desejo com todas as forças que ainda me restam, poder voltar a ser a enfermeira de família dos “meus” utentes, e deixar para tras as condicionantes que esta pandemia veio impor.
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Pombal é o concelho do ACES Pinhal Litoral com menos casos de infeção por covid-19 Virgílio Lopes – Presidente da Junta de Freguesia das Meirinhas Reconhecemos o esforço e dedicação de todos os profissionais de saúde na linha da frente desta pandemia, que prescindiram muitas vezes da sua vida pessoal e familiar em prol dos doentes, embora nem sempre devidamente reconhecidos pelo governo português. Todos nós temos um papel neste contexto pandémico e podemos ajudar os profissionais de saúde se colocarmos máscara, mantivermos o distanciamento social e tivermos todos os cuidados de higiene recomendados pela DGS. Um bem-haja a todos os profissionais, técnicos e auxiliares que trabalham na área da saúde!
Nelson Pereira – Presidente da Junta de Freguesia da Pelariga A Junta de Freguesia de Pelariga agradece a todos os profissionais de saúde toda a dedicação e esforços que têm feito no combate a esta pandemia provocada pelo COVID-19.
Odete Mendes, Médica Coordenadora da Unidade de Saúde Pública do ACES Pinhal Litoral
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os cinco concelhos que constituem o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Pinhal Litoral, a saber Pombal, Leiria, Batalha, Marinha Grande e Porto de Mós, Pombal é o que, neste momento, menos casos de infeção por covid-19 possui, contabilizando, à data de 20 de julho, apenas 51 casos ativos, de um total de 463 registados no conjunto. Associados a esses 51 casos ativos, encontram-se sob vigilância 101 pessoas, por serem consideradas contactos de alto risco em contexto familiar ou de trabalho. Ainda em comparação com os restantes municípios do ACES Pinhal Litoral, Pombal é também, neste momento, o concelho com a mais baixa taxa de incidência, cifrada em 85 casos por 100
mil habitantes, sendo a taxa de incidência da Zona Centro de 207.9. No que toca a mortes por covid, os dados são também bastante animadores, sem registo de óbitos nos últimos tempos, sendo que os 107 registados até agora no concelho de Pombal ocorreram, maioritariamente, na fase inicial da pandemia, em surtos nos lares, quando a população idosa, por não se encontrar vacinada, apresentava-se muito mais vulnerável. Destas informações deu-nos conta a médica coordenadora da Unidade de Saúde Pública do ACES Pinhal Litoral, Odete Mendes, realçando que Pombal encontrase em situação pandémica de “não risco”, sendo, atualmente, o concelho do ACES Pinhal Litoral
que “menos trabalho dá” e “menos preocupação causa” às autoridades de saúde, em matéria de covid-19. “A situação neste momento é esta, mas, de hoje para amanhã, tudo pode mudar!”, alertou, referindo, ainda, que a faixa etária mais afetada em termos de infeções e transmissão é a dos 20 aos 40 anos. Facto que atribui a diversos fatores. “Em 1º lugar, porque a população mais velha, neste momento, já se encontra vacinada e, ainda que possa adoecer, a morbidade e a gravidade dos sintomas é muito menor. Depois, estamos a falar de uma população ativa, que circula mais, quer por razões profissionais ou sociais, e que também já começa a evidenciar algum cansaço do confinamento, se bem que esse sentimento é geral! Neste momento, estamos todos muito cansados da pandemia!”, reconheceu. Ainda assim, e apesar do cansaço e desgaste físico e emocional, alerta que “ainda não é tempo de baixar os braços”, até porque, segundo frisou, a estirpe atualmente em circulação no país (a Delta) é “de muito maior facilidade na sua transmissão”, característica que não existia na fase inicial da pandemia, obrigando-nos, por isso, a redobrar os cuidados. “Rapidamente, em contexto familiar ou de proximidade com um caso positivo, resultarão outros casos positivos. O que acrescenta aqui alguma preocupação aos profissionais de saúde”, disse-nos. Preocupação essa, que tende a aumentar com a chegada dos emigrantes, que estão de regresso à sua terra natal para passar férias e matar saudades da família e
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amigos. “Já temos os números a crescer no âmbito da nossa área geográfica e Pombal, em particular, é um concelho com muita população emigrante, ansiosos pelos encontros e festas familiares. Só hoje (20 de julho), no total dos cinco concelhos do ACES, tivemos 50 novos casos positivos, o que significa que a transmissão por covid-19 está a acontecer, estamos em curva ascendente, num processo em que os números vão continuar a subir”, fez saber aquela responsável, pedindo à população apenas “compreensão” e “sentido de responsabilidade”. “Todos nós temos direito à diversão, às férias, a estar com a família e com os amigos. Portanto, se cada um de nós cumprir a sua quota de responsabilidade, assumindo que grande parte da população já está vacinada e o risco de infeção é menor, mais depressa chegaremos à imunidade de grupo, que é, no fundo, o que todos desejamos”. E, por “sentido de responsabilidade”, subentendese, desde logo, a restrição nos encontros familiares e de amigos, sendo que, a acontecerem, que sejam feitos “em número mais reduzido, em espaço exterior, com afastamento social e utilização da máscara”. O mesmo vale para as festas, nomeadamente casamentos e batizados. “Que se cumpram sempre as orientações da Direção Geral de Saúde (DGS)”, aconselhou. Depois, na eventualidade de algo correr mal, Odete Mendes apela também ao “princípio da verdade”
. “Quando contactamos as pessoas para os inquéritos epidemiológicos, o nosso objetivo não é fiscalizar, nem penalizar ninguém, até porque existem entidades com esse dever. O que pretendemos, enquanto profissionais de saúde preocupados com o bem estar da população, é que as pessoas sejam o mais transparentes possível na divulgação dos seus contactos de risco, para tentarmos travar a cadeia de transmissão e evitar o descontrolo da situação”, explicou, apelando, por último, também à vacinação, que considera ser, neste momento, “a maior arma que temos disponível para travar a pandemia”. “Acreditem e confiem nos serviços de saúde! Se as vacinas tivessem riscos imensos e o benefício não fosse maior, ninguém vacinaria, porque aquilo que os profissionais de saúde mais querem é o bem estar de todos. Por isso, à medida que forem sendo chamados para vacinação, digam sim! Acreditem que a vacina tem muito menos risco do que uma infeção por covid-19”, garantiu.
Pensamento positivo nesta luta que é de todos Ainda longe de atingirmos a imunidade de grupo, facto que só acontecerá quando a grande maioria da população já estiver vacinada, e não obstante todas as adversidades, desde as limitações de recursos, sobrecarga de trabalho e o desgaste e cansaço físico e psicológico acumulados, transversal a todos os profissionais de saúde (muitos a trabalhar há 18
meses consecutivos, sem férias!), Odete Mendes garante que o pensamento positivo continua a ser característica comum a todos os que estão na linha da frente no combate à pandemia, mantendo “a mesma energia, garra e determinação” nesta luta que é de todos. Tanto mais, porque, ao fim de ano e meio de pandemia, acreditam ter, hoje, muito mais motivos para sorrir e olhar em frente do que num passado recente. “O percurso maior já foi feito e as maiores complicações ficaram para trás. Neste momento, a dimensão e a gravidade do problema não é tão grande e também já conhecemos melhor o serviço e a própria patologia”, justificou-nos a coordenadora da Unidade de Saúde Pública do ACES Pinhal Litoral, consubstanciando a sua análise não só na redução da gravidade da infeção, mas também na diminuição do número de óbitos e internamentos em cuidados intensivos. “Ainda que saibamos que este verão ainda não vai decorrer com a tranquilidade que desejaríamos, esta evolução favorável faz-nos pensar e acreditar que as coisas estão no bom caminho e, devagarinho, chegaremos a bom porto”. Que é como quem diz: “ao momento em que as infeções por covid-19 quase já não existirão” e poderemos voltar a sonhar com um futuro mais livre, tranquilo e risonho, ainda que, na pior das hipóteses, tenhamos que aprender a conviver com este vírus.
Manuel Nogueira Matos – Presidente da União de Freguesias de Santiago, S. Simão de Litém e Albergaria dos Doze Em nome de todos aqueles que represento e em nome pessoal, em primeiro lugar deixo uma mensagem de gratidão aos profissionais de saúde pela coragem e disponibilidade que demonstraram ao enfrentar um “inimigo” desconhecido para salvar vidas, e minimizar o desastre social e económico, mesmo impondo a si mesmo e aos mais próximos um elevadíssimo sacrifício pessoal e familiar. Em segundo lugar, reafirmar os grandes guerreiros que foram e são. Merecem todo o reconhecimento, também pelo exemplo que deram e que deveria ser imitado por todos os responsáveis do mundo. Um grande, grande, obrigado a todos.
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Farmácia Torres & Correia
Aquela luz que nunca se apagou, mesmo no auge da pandemia
Parte da equipa da Farmácia Torres & Correia
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ão é a mais antiga farmácia da cidade mas é, seguramente, uma das que mais vende e que tem a maior carteira de clientes em Pombal. Situada na Avenida Heróis do Ultramar, próximo do Hospital e do Centro de Saúde, a Farmácia Torres & Correia conta já com mais de meio século de existência, estando há quase 40 anos sob a alçada do casal Luís António Torres Correia e Maria José Torres. Os quais, em tantos anos de gerência, nunca haviam sido tão postos à prova, no exercício das suas atividades, como em março e abril do ano passado, altura em que o país entrava, pela primeira vez, em confinamento geral devido ao elevado risco de propagação do novo coronavírus. “Foi, sem dúvida, o maior desafio das nossas vidas pessoais e profissionais. Nosso e de toda a quipa”, dissenos Maria José Torres, referindo que, desde o surgimento da pandemia, nada mais foi igual na vida e no funcionamento do estabelecimento que gere.
"Tentávamos sorrir com os olhos, mas não é a mesma coisa!" A começar pelo acolhimento dos clientes, que, segundo nos deu conta, tornou-se “mais frio e impessoal”. “Um bom acolhimento começa pelo sorriso de boas vindas e, com a utilização das máscaras, o sorriso passou a ficar escondido. Tentávamos sorrir com os olhos, mas não é a mesma coisa! E, depois, não foi só o sorriso que acabou. Deixou de haver, também, o beijinho à chegada, o toque, toda aquela proximidade que tanto preservávamos e que os clientes,
sobretudo os de mais idade e com quem já tínhamos alguma confiança, tanto gostavam. Este afastamento ao nível humano foi, de facto, o pior e o mais difícil de ultrapassar desta pandemia e não sei se, alguma vez, voltaremos a conseguir estar em grupo, sem medo”, duvidou. Para esse afastamento social muito contribuíram, desde logo, as barreiras físicas criadas no seio do estabelecimento para travar a propagação e disseminação do vírus. Entre elas, o atendimento ao postigo, implementado em março de 2021, que dificultou, e muito, a comunicação com o cliente, prejudicando, por conseguinte, também a adesão à terapêutica. Levantado o primeiro estado de emergência, que colocou termo à venda ao postigo, impuseramse as normas da Direção Geral de Saúde (DGS), nomeadamente a instalação de acrílicos nos balcões de atendimento, o recurso a equipamentos de proteção individual (máscaras) e uma higienização constante e regular de todas as superfícies de contacto. Medidas que ainda intensificaram mais esse afastamento social e as dificuldades de comunicação. Em particular, para as pessoas com perda auditiva. “Com o uso das máscaras, as pessoas não nos conseguiam ler os lábios, então, para nos fazermos entender, tínhamos que gritar! Foi muito complicado”, recordou.
"Jamais imaginei vender uma máscara a 10 euros a unidade!" Não menos difícil diz ter sido gerir a falta de equipamentos
de proteção individual, designadamente máscaras e álcool gel, pelos quais houve uma grande procura logo no início da pandemia. “As pessoas pediam-nos e nós não tínhamos, sequer, para nos protegermos”, lamentou-se, admitindo ter-se sentido “ridícula” pelo “valor exorbitante” que chegou a cobrar pelos referidos materiais. “Jamais, em tempo algum, imaginei vender uma máscara a 10 euros a unidade! Mas nós não estávamos a ganhar dinheiro algum com essa venda. Apenas aplicávamos o preço de custo para não perder dinheiro. Era um absurdo!”, considerou a farmacêutica que, por mais do que uma vez, chegou a oferecer das suas máscaras a clientes que precisavam de acompanhar os familiares nas ambulâncias, para irem fazer tratamentos de quimioterapia no IPO. “Ninguém lhes dava uma máscara, porque não havia! Ficávamos perplexos perante estas situações e muitas vezes me deu vontade de chorar. Sentíamo-nos completamente impotentes”. Também os recursos humanos tiveram que ser geridos em função da nova realidade, passando a ser constituídas equipas, a trabalhar por turnos, de forma a minimizar os contactos. “Uns vinham de manhã, outros à tarde e, assim que uma equipa saía, deixava tudo desinfectado. Os que vinham a seguir voltavam a desinfectar tudo antes de reiniciar o trabalho. Era de loucos!”, recordou.
Distribuição de medicamentos ao domicílio O receio de interrupção nas cadeias de abastecimento acabou
por criar outro constrangimento: a deslocação à farmácia de um grande número de pessoas para adquirirem as receitas na totalidade. Facto que acabou por levar à rutura de stock de muitos medicamentos, sobretudo para tratar doenças crónicas, ‘obrigando’ o estabelecimento a apostar na distribuição ao domicílio (serviço que já existia mas não era muito divulgado), para que as pessoas, sobretudo as mais idosas e com menor mobilidade, não tivessem que se deslocar à farmácia, muitas vezes em vão, por falta de medicamentos. “A dada altura parecíamos uma autêntica central telefónica. O telefone estava constantemente a tocar e nós a registar os pedidos para, depois, os irmos entregar pessoalmente. Houve um dia em que fiz 70 km!! Fiquei a conhecer o concelho como nunca!”, disse-nos Maria José Torres.
"obrigou-nos a pôr à prova todos os nossos recursos e capacidades" Não obstante todos estes constrangimentos e as mudanças bruscas e radicais a que foram sujeitos no exercício das suas funções, em momento algum a sua equipa de trabalho baixou os braços, enfrentando a pandemia sempre com “profissionalismo e resiliência”. “Os farmacêuticos foram, se calhar, dos profissionais que melhor se adaptaram à nova realidade e de forma muito rápida, porque conseguiram fazer tudo sem nunca encerrar ao público, mesmo nos piores momentos”, enalteceu, acreditando estarem, hoje, melhor preparados para enfrentar os desafios futuros. “Que não venha outro como este, porque nos obrigou a pôr à prova todos os nossos recursos e capacidades, mas, se vier, acho que sim, estamos muito melhor preparados!” Recorde-se que a Farmácia Torres & Correia encontra-se a funcionar com horário alargado desde outubro de 2019, estando aberta de segunda a sexta-feira, entre as 9h e as 21h, e ao sábado, das 9h às 19h.
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Emigrantes sem receio de visitar Portugal este verão O
mês de agosto está mesmo aí à porta e, com ele, o regresso a Portugal de milhares de emigrantes espalhados por esse mundo fora, que anseiam pela visita ao seu país natal para gozar as tão merecidas férias e matar saudades da família e amigos. Era assim, pelo menos, antes da ‘Era Covid-19’, em que poucos eram os que cá não vinham nesta altura do ano. A pandemia acabou por alterar um pouco essa realidade. Pelo receio de contágio, pela perda de rendimentos ou pelos constrangimentos impostos pela atual legislação em vigor, são muitos os que que optaram, este ano, por não fazer férias em Portugal, ficando, em segurança, no seu país de acolhimento ou viajando para outros países onde o risco de infeção por coronavírus é muito menor. É o caso de Liliana Silva, natural dos Casais de Além, na freguesia do Louriçal, mas atualmente a residir na Austrália WA, que viu novamente adiado o seu regresso a Portugal devido à pandemia de covid-19. “Já não vou a Portugal há dois anos. Por muito que eu quisesse ir, infelizmente, ainda não poderia ser este ano. Ainda não se pode viajar para fora da Austrália, ainda existem muitas e rigorosas medidas de confinamento, implementadas pelo governo australiano, para evitar contágios entre pessoas, nomeadamente a obrigatoriedade de, no regresso, ficar, uns dias, em quarentena num hotel reservado para o efeito. Outra razão é que as companhias aéreas ainda não disponibilizam voos para lazer com datas específicas”, explicou-nos a emigrante, de 38 anos, que, com tantas limitações impostas, acabou por trocar Portugal por umas férias mais tranquilas numa zona balnear, situada no Western Austrália. “É caso para dizer que vou de férias cá dentro”, gracejou.
"Existe algo mais importante do que ter família e saúde?"
Questionada sobre o que mais sente falta neste momento, Liliana Siva responde sem hesitar: “Sinto falta de ir a Portugal, de ver e estar com os meus entes queridos. Existe algo mais importante do que ter família e saúde?”, rematou.
Liliana Silva Dessa opinião comunga, também, Ândrea Pascoal, de 38 anos, que considera que, pela família e amigos que deixou em Portugal, vale a pena correr o risco. “É o sonho de todo o emigrante chegar o verão para poder estar com a família e os amigos. As saudades são mais fortes do que o receio de contágio”, disse-nos. A viver na Suiça há 17 anos, para onde emigrou, ainda jovem, em busca de melhores condições de vida e de trabalho, Ândrea Pascoal costuma vir todos os anos a Portugal, onde tem casa em S. João da Ribeira,
na freguesia de Almagreira. E, este verão, não será exceção, tencionando por cá permanecer três a quatro semanas, com alguns cuidados redobrados, é certo, mas sem grandes alterações na planificação das suas férias. “Vão ser umas férias como todas as outras: visitar a família mais chegada, ir à praia, à piscina, tentar fazer umas férias normais dentro das regras impostas”, contou-nos. “Normais”, mas sem as tradicionais festas populares, os bailaricos e, claro, as Festas do Bodo, que tanto apreciava, aliás, como todos os emigrantes. Eventos dos quais se vê novamente privada devido à covid-19. “Os nossos filhos estão a começar a esquecer um pouco a nossa cultura, porque como está tudo fechado ou com restrições, acabam por não poder ir aos sítios que nós íamos”, lamentou-se, fazendo votos para que, rapidamente, a pandemia seja uma “página virada” nas nossas vidas.
Ândrea Pascoal
Vacina: a indiferença de uns e a esperança de outros Quem também tenciona vir de férias a Portugal e aqui fazer uma vida “minimamente normal”, mas “com a consciência do respeito pelos outros”, é Frederico Duarte, também ele emigrante na Suíça, que, no último ano, viu quatro viagens ao seu país natal serem adiadas por culpa do novo coronavírus. O mesmo que o obriga, agora, à realização de um teste antigénio inferior a 48h e a outros procedimentos específicos, caso pretenda sair da Suíça. Nada que o faça, no entanto, demover do seu objetivo e ânsia de visitar a família, que por ele também aguarda, com muitas saudades, na freguesia de Carnide. “Visitar e estar com a família é a minha prioridade”, disse-nos o jovem emigrante, de 32 anos, que, embora sinta falta da “liberdade de uma vida sem restrições”, não deposita na vacina grande esperança para a alcançar. “Não é uma vacina desenvolvida em tempo recorde que me vai fazer sentir mais seguro, pois nem mesmo os investigadores que
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a conceberam estão certos das suas capacidades”, considerou.
emigrante em França, que tenciona vir passar o mês de agosto à sua aldeia natal, na freguesia de Vermoil. “O receio de contágio é de considerar, mas, por outro lado, também sentimos a falta de estar com os nossos”, disse-nos.
"Enquanto não estivermos todos vacinados, o problema continuará a persistir" Frederico Duarte Também Lídia Gomes, de 42 anos, natural da freguesia de Abiúl, mas a residir há 3 anos na Suíça, é da opinião que a vacina “não é a solução para o problema” e, por isso, tal como Frederico Duarte, também ela ainda não foi vacinada. Mas nem por isso se diz sentir menos segura em viajar para Portugal. País onde já não vem desde dezembro de 2020, depois de ter sido impedida de viajar por duas vezes: uma devido ao cancelamento dos voos e a outra por imposição da realização de testes, os quais “ficavam mais caros do que os próprios bilhetes”, contou-nos.
Lídia Gomes E se, para Frederico Duarte e Lídia Gomes, a vacina é irrelevante, Virgílio da Ponte, de 69 anos, vê nela o passaporte para a liberdade que tanto ansiamos. “Enquanto não estivermos todos vacinados, o problema continuará a persistir”, considerou o
Vírgilio da Ponte E é desses entes queridos, que deixou em S. Simão de Litém, que Lúcia Abreu, emigrante em França, mais sente saudades. As quais espera poder colmatar, em breve, quando rumar, com o marido e os dois filhos, ao seu país de origem. “Receio de contágio, não tenho, até porque já tive covid duas vezes, mas as incertezas, as mudanças constantes de medidas e as burocracias ligadas à covid-19 incomodam-me um bocado”, admitiu. Por isso, nestas férias, tenciona ficar um pouco “mais sossegadinha do que habitualmente”, sem grandes deslocações nem passeios, para minimizar o risco de contágio.
Restringir as visitas aos familiares mais próximos e os passeios a “locais mais calmos e com poucas pessoas” é o que pretende também fazer Ana Francisco, emigrada há quase 10 anos na Polónia, que pondera vir de férias a Portugal por uns dias, apenas para que os filhos possam passar algum tempo com os avós. Caso contrário, admite que não viria, já que da última vez que aqui esteve, em setembro de 2020, não se sentiu confortável. Não por insegurança, mas por se sentir rejeitada por ser emigrante. “Ao fim de dois dias, já estava com vontade de sair de Portugal”, dissenos, justificando: “Apesar da pandemia, consegui viajar em alguns países, mas em Portugal foi o único país onde senti uma total rejeição por ser emigrante; onde falar inglês com os meus filhos na rua me causava desconforto por ver a reação das pessoas. Ao verem um emigrante, era como se estivessem na presença do próprio vírus”, lamentou-se. Questionada sobre o que mais sente falta, responde “o poder fazer planos”. “Neste momento, tudo é incerto, sendo impossível planear seja o que for”. A esse respeito, e em jeito de conclusão, faz todo o sentido invocar aqui a célebre frase de DalaiLama: “Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver!”
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Paulo Duarte – Presidente da Junta de Freguesia da Redinha A situação vivida com a pandemia foi, sem dúvida, o pior momento por que o Mundo passou !!! Sofrimento, Dor, Perda... Hospitais sem capacidade de resposta para tantas situações gravíssimas. Contudo, os Profissionais de Saúde, Médicos, Enfermeiros, Técnicos e Pessoal Auxiliar não se renderam ao cansaço, à tristeza, ao desespero! Foi e está a ser uma luta infindável. Entendemos que, a nível de Unidades de Saúde, e apesar dos esforços feitos, não houve essa aproximação com o doente. Assistimos a consultas à janela!!! Todos os que estivessem por perto ficariam a par do porquê daquela necessidade...sem privacidade! Passou-se à consulta por telefone. E os idosos, com alguma dificuldade em ouvir e compreender o que lhes era colocado!?As consultas presenciais são, sem dúvida, as que melhor respondem à necessidade da população. Por exemplo, hipertensos e diabéticos sem controle analítico como é exigido!!! Apesar do Pessoal de Enfermagem continuar a dar o apoio possível, tanto na Unidade como nos tratamentos ao domicílio, não é o suficiente para as necessidades da população envelhecida. Por vezes sem apoio administrativo, o que dificulta ainda mais. O apoio administrativo tem que ser repartido por outras Unidades de Saúde, faltando na nossa Unidade!!! É este elemento importantíssimo para, numa primeira abordagem, orientar quem procura ajuda. Felizmente a Vacinação: mais um esforço acrescido dos Profissionais de Saúde. Todos na luta para que possamos ter algum alívio… mas com a responsabilidade de Todos em cumprir com as regras da DGS.
Lúcia Abreu
Ana Francisco
A TODOS os profissionais de Saúde deixamos o NOSSO sincero reconhecimento e agradecimento por todo o ESFORÇO que estão a fazer para o bem da Humanidade.
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Unilabs chegou a Pombal em novembro de 2020
Cristina Silva | Coordenadora da Unilabs da Região Centro
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oi em janeiro de 2006, com a aquisição de 85% da Medicina Laboratorial Dr. Carlos Torres, que a Unilabs líder nacional de diagnóstico clínico - se instalou em Portugal, dispondo, atualmente, de uma vasta rede de unidades/ laboratórios dispersos por todo o país, especializados em análises clínicas, anatomia patológica, cardiologia, gastrenterologia, genética médica, medicina nuclear e radiologia. A Pombal chegou em novembro de 2020, através da Cristomed Prestação De Cuidados De Saúde, Lda, empresa pombalense, que, dada a dimensão e consistência do grupo, sedeado na Suiça mas com presença em 17 países e 3 continentes, optou por uma parceria com a Unilabs.
"Neste momento, temos até mais análises clínicas do que covid!" A funcionar na Avenida Heróis do Ultramar, a unidade de Pombal conta, atualmente, com os serviços de anatomia patológica, cardiologia, análises clínicas e covid-19 (teste de deteção e teste anticorpos), sendo estes dois últimos os que mais procura têm registado, conforme nos deu conta a enfermeira Cristina Silva, coordenadora da Unilabs ao nível da Região Centro. “Neste momento, temos até mais análises clínicas do que covid! Embora ainda haja poucas consultas presenciais, nota-se que os doentes já começaram a ter
mais acompanhamento médico depois da fase de confinamento, porque há muito mais pedidos para a realização de análises”, disse-nos, realçando, também, a elevada procura ao nível de testes de rastreio à covid-19: uns resultantes de surtos e muitos por causa das viagens de turismo. “Sim, porque as pessoas não pararam de viajar! Pelo contrário, cada vez viajam mais!”, lamentou-se, referindo que, até finais de janeiro, a unidade de Pombal contabilizava 11 mil testes realizados, sendo que, neste momento, as suas expetativas apontam para mais de 30 mil, grande parte deles com resultado positivo. “São mais do que se fala”, asseverou-nos. Embora haja cada vez mais infeções por covid-19 no país, havendo
concelhos da região também em situação muito preocupante, casos de Leiria e Alvaiázere, Cristina Silva considera que, no concelho de Pombal, a situação pandémica, neste momento, até está “relativamente calma e controlada”. Em resultado, no seu entender, da estratégia “mais ou menos bem feita” que tem sido implementada para travar a propagação e disseminação do vírus. “Desde o dia 7 de julho que as regras apertaram um pouco mais e agora a regra é: há uma suspeita de surto numa turma, a turma toda vai para casa e é testada ao 5º dia depois do contacto. Fica em casa 5 dias. Se estiver negativo regressa à escola e isto serve também para a população em geral”, fez saber, realçando, por outro lado, “alguma consciencialização” por parte dos pombalenses. “As pessoas em Pombal até são mais ou menos responsáveis. Acho que já passámos a pior fase nesse aspeto. Agora o problema é a comunidade de emigrantes, alguns dos quais oriundos de países onde as coisas já estão controladas e vêm para cá com esse comportamento de grande à-vontade, quando a situação por cá ainda está longe de ser a melhor! Mesmo em tempo de pandemia, há emigrantes a vir a Portugal quatro vezes por ano!”, surpreendeu-se, não poupando críticas a quem deveria limitar essas viagens (Governo) e não o faz.
"São vírus que gostam da noite e de espaços confinados"
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Ainda para mais, frisou, quando estamos perante uma estirpe (Delta) “ainda mais virulenta”. “É verdade que não causa tantos danos, nem tantas notícias de morbilidade nos hospitais, porque é uma estirpe da população jovem e os jovens, por norma, têm um nível de resistência superior, mas é uma variante muito chata e com uma carga viral muito grande”, garantiu-nos, acrescentando: “São vírus que gostam da noite e de espaços confinados. A falta dos ultravioletas ativa-lhes a virulência, daí, também, os espaços noturnos continuarem fechados! Não é só pela proximidade das pessoas. É também porque, à noite, aumentam os perigos. Desde logo, diminuem as concentrações de oxigénio e aumentam as de dióxido de carbono; depois, inconscientemente, respiramos um pouco mais depressa; estamos mais juntos e não há agressões contra o vírus, pois os ultravioletas também são uma agressão para eles, se bem que este Delta veio contrapor um bocado isto. É indiano, está habituado ao calor”.
"São vírus muito criativos e facilmente adaptáveis" Ainda sobre as características
deste tipo de vírus, em tudo semelhante ao da gripe, aquela responsável diz que são vírus “muito criativos e facilmente adaptáveis”, possuindo uma fase de amadurecimento de, sensivelmente, ano e meio. “Esta 4ª vaga já estava prevista por nós, Unilabs, em Maio, altura em que o vírus atingiu a maturidade, tornou-se adulto e, por isso, vai fazer connosco aquilo que quiser e nós deixarmos”, explicou.
"A minha geração, a geração dos 50, falhou muito em termos de vacinação" Para o impedir, só mesmo a vacina, que considera ser o “passaporte” para a nossa tão almejada liberdade. “É fundamental! Não há volta a dar”, afiançou-nos, lamentando a resistência que ainda existe relativamente à vacinação. “A minha geração, a geração dos 50, falhou muito em termos de vacinação e, pior, é que são mais pecaminosos que os mais novos, os quais usam mais máscara e cingem-se muito mais ao grupo deles”, rematou. Embora acredite na eficácia da vacina, não tem dúvidas de que ainda vai demorar algum tempo
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até nos vermos completamente livres da máscara e do álcool gel. “Desde há três meses para cá, nota-se uma falsa segurança entre as pessoas, por pensarem que, ao estarem vacinadas, já estão livres de perigo e podem fazer a sua vida normal! E não é à toa que os casos têm vindo a aumentar! Por isso, mesmo vacinados, não deixem de usar máscara, de restringir os contactos e de manter os cuidados”, aconselhou a gerente da Unilabs de Pombal. Unidade que gere o Drive Thru instalado na Cruz da Areia, em Leiria, e que se prepara para abrir, em breve, outro em Ansião. Entre os projetos que tem a curto prazo consta, ainda, o lançamento, em Agosto, de check-ups especificos para determinados problemas de saúde, nomeadamente o cardiovascular, anemia, colesterol, diabetes, homem + 50, mulher + 40, essentials e advanced. “Vários laboratórios já disponibilizam estes pacotes com vários exames incluídos, mas nenhum é tão completo como o nosso e a preço acessíveis”, rematou Cristina Silva. Refira-se que a Unilabs de Pombal encontra-se a funcionar de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, e ao sábado, das 7h30 às 12h, disponibilizando serviço gratuíto de deslocação ao domicílio, para pessoas com limitações motoras severas.
Humberto Lopes – Presidente da Junta de Freguesia de Almagreira A todos os profissionais de saúde que, de todas as formas, estiveram e continuam a ajudar neste combate ao COVID 19 presto a minha homenagem pela dedicação, resiliência e profissionalismo demonstrados. São a prova que temos dos recursos humanos melhor preparados do mundo, em quem podemos confiar. Que não vos faltem condições de trabalho para terminar o combate. Obrigado pelo vosso humanismo e amor ao próximo. Contem connosco, que nós continuaremos a contar convosco.
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Sem atuações há mais de um ano, Graciano Ricardo pondera regressar à construção civil
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ra um dos teclistas mais requisitados pelas Comissões de Festas da região para animar as noites de verão, com a agenda sempre lotada de espetáculos musicais, mas desde março de 2020, altura em que teve a última atuação, em Paris, que Graciano Ricardo nunca mais subiu a um palco para fazer o que mais prazer lhe dá na vida. “Estava em França quando a pandemia rebentou. Tinha acabado de dar um concerto em Paris e ia dar outro no dia seguinte, quando, de repente, comecei a receber telefonemas de todo o lado, a cancelar atuações. Naqueles dias o telefone não parava de tocar, mas hoje não toca mais!” A culpa é da pandemia do covid-19, que trouxe mudanças imensuráveis à vida profissional de Graciano Ricardo. À dele e à de outros músicos que, tal como ele, tinham na música a sua única fonte de rendimentos.
"Eu nem sequer abria a caixa do teclado. Não tinha motivação" “Já levo mais de 30 anos de carreira musical, os últimos 10 a viver exclusivamente da música. Era o meu único rendimento e quase o da família também! Tinha mais de 100 trabalhos por ano, com todos os fins de semana ocupados, sobretudo durante o verão, e, de um momento para o outro, fiquei sem o meu ganha-pão. É complicado!”, lamentou-se o teclista, de 45 anos, residente em Barrocal, na freguesia de Pombal, que ficou de tal forma frustrado com o sucedido que, durante dois meses, não conseguiu, sequer, pegar no teclado para ensaiar. “Foi um sentimento muito estranho! Eu nem sequer abria a caixa do teclado. Não tinha motivação!”, disse-nos.
Inicialmente, achou que iria ficar parado apenas três ou quatro meses, mas não tardou a perceber que, afinal, essa paragem forçada iria durar bem mais tempo do que imaginara e, neste momento, já não tem ilusões. “É mais um verão parado em termos de trabalho”, afirmou, conformado, o conhecido músico pombalense que, para fazer face às despesas diárias, tem recorrido às poupanças amealhadas ao longo da vida, contando, também, com alguns apoios financeiros por parte do Governo, os quais estão prestes a terminar também. “É uma ajuda? É! É pouco? É! Mas a partir do final de agosto até isso vai acabar e depois ficarei por minha conta e risco”. Sem atuações há mais de um ano, com os apoios a findar e sem previsões para regressar aos palcos, Graciano Ricardo já pensa em alternativas fora do setor para ganhar rendimentos, podendo a solução passar por voltar a trabalhar na pintura da construção civil, área em que chegou a trabalhar quando era mais novo. “Não vou dizer que estou numa situação de desespero. Nada disso! Mas começa a ser incomportável em termos financeiros ficar em casa à espera que isto passe! Não posso ficar parado durante muito mais tempo”, admitiu-nos. Tanto mais, porque as despesas, para além de não poderem esperar, são cada vez maiores. “Embora não esteja sempre a comprar material, os equipamentos são caros e requerem manutenção. Há sempre despesas! E, depois, também tenho um filho a estudar na Universidade e é uma despesa tremenda por mês! Eu próprio também ando a estudar e, quando
vejo as poupanças de uma vida inteira a desaparecer de mês para mês, criase um certo sufoco, que vou tentando gerir com equilíbrio e pensamento positivo, mas não é fácil!”, desabafou. Um dos motivos por que ainda não pôs em marcha o seu plano B é, precisamente, o facto de andar a estudar, em regime diurno, encontrando-se no 2º ano de licenciatura em Serviço Social, no Instituto Politécnico de Leiria. “O curso surgiu na minha vida numa fase em que tinha algum tempo livre durante o Inverno. Então, também inspirado por um amigo, pensei: porque não voltar a estudar?! Notese que nunca vou deixar a música, será sempre a minha grande paixão. Agora se, futuramente, conseguir conciliar a música com um trabalho na área social, seria perfeito!”, afirmou-nos.
"Sinto falta da música, mas sinto ainda mais falta do público" Quando questionado sobre o que sente mais falta neste ano e meio de privações, responde sem hesitação: “Sinto falta da música, mas sinto ainda mais falta do público, de trabalhar na música e de tirar daí o benefício do meu trabalho”. Um trabalho que, seguramente, sairá beneficiado desta pandemia, já que estes longos meses de afastamento dos palcos permitiram a Graciano Ricardo modernizarse em termos musicais. “Aproveitei a pandemia para estudar, para inovar
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e me adaptar a um novo teclado, mais sofisticado e com mais potencialidades, que já tinha em casa há um ano, mas, por falta de tempo, ainda não lhe tinha conseguido pegar para fazer essa transição de um para o outro, para ajustar sons e volumes. E acho que o meu trabalho melhorou substancialmente. Isto foi o bom que a pandemia me trouxe”, reconheceu, ansiando por um regresso, aos palcos. “Há colegas meus a dizer que nem para o próximo ano começaremos a trabalhar, mas eu não sou assim tão pessimista. Tenho esperança de que, para o final deste ano, já haja condições para trabalhar. O Governo não pode confinar o país durante muito mais tempo! Seria incomportável para a nossa economia e saúde mental!”, considerou.
"Isto vai deixar marcas para sempre!"
Agora, se as coisas vão voltar a ser como eram antes da pandemia do covid-19, particularmente no que toca a festas populares e bailes de arraial, o músico não alimenta ilusões: “Isto vai deixar marcas para sempre! Há pessoas que, pelo avançar da idade, ou porque, simplesmente, neste último ano e meio, se desabituaram dos bailes, vão deixar de ir. Há Comissões de Festas que, por dificuldades económicas (e não só!), também vão acabar por deixar morrer as tradições e, tal como aconteceu com
muitos estabelecimentos comerciais, que tiveram que encerrar as portas, também muitas festas vão acabar. É inevitável!”, vaticinou, para logo concluir: “Eu e os meus colegas não vamos deixar de ter trabalho, mas, inevitavelmente, vamos passar a ter menos trabalho. Lá para o final do ano, julgo que já haverá condições para voltarmos à nossa atividade, mas vai demorar muito tempo a ser parecido com o que era! Parecido, porque igual nunca mais vai ser!”
José Manuel Marques – Presidente da Junta de Freguesia do Louriçal Enquanto Presidente da Junta de Freguesia do Louriçal quero aqui deixar uma palavra de admiração e agradecimento a todos os profissionais de saúde que, durante estes quinze meses de pandemia, se mantiveram na linha da frente e continuam em defesa das populações, enaltecendo a sua total entrega neste que considero um serviço de missão e amor ao próximo. Ficará para sempre na memória de todos nós a luta, sem precedentes, que por eles foi travada a fim de salvar vidas humanas. Um bem-haja a todos.
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Padre João Paulo Vaz em entrevista
Não estão, nem estiveram, na linha da frente do combate ao novo coronavírus, mas em momentos de grande escuridão e desolação, como o foi esta pandemia, foi a eles que, muitas vezes, os fiéis recorreram para pedir ajuda espiritual e manter viva a chama da fé, como forma de ultrapassar o caos e o turbilhão de emoções que estávamos (estamos) a viver. Em entrevista ao ‘Pombal ComVida’, o padre João Paulo Vaz, que tem a seu cargo a Paróquia de Pombal, falou-nos, entre outros assuntos, do que mudou na vida da Igreja com a chegada da Covid-19, quais as alternativas encontradas para chamar fiéis à Igreja e que ensinamentos poderemos retirar de tudo o que aconteceu. Convidando-nos a refletir sobre a importância dos sacramentos, a repensar o caminho da nossa fé e a fazer crescer o amor e a solidariedade ao próximo.
Daniel Ferreira – Presidente da Junta de Freguesia de Vermoil OBRIGADO! Que outra palavra podemos utilizar para agradecer aos Profissionais de Saúde?! Nesta oportunidade que nos está a ser proporcionada para agradecer o imenso esforço que os profissionais de saúde tiveram, ao ponto de colocarem a sua própria vida em risco, é imperioso enaltecer o seu esforço, dedicação, empenho, profissionalismo, humanismo e amor ao próximo. Sem estas características não teria sido possível ultrapassarem os vários obstáculos da Pandemia, desde logo, o desconhecimento da doença, a falta de material de proteção, assim como a falta de equipamento e de recursos humanos. Em todas as más experiências, existem sempre pontos positivos, e esta Pandemia não foge à regra, conseguimos valorizar ainda mais o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) e perceber que o mesmo está dotado de excelentes profissionais, no qual todos contaram e todos contam. Deixamos um apelo às entidades competentes para proporcionarem uma resposta ativa e proactiva às necessidades presentes e futuras do SNS, quer a nível humano, quer a nível material. Torna-se imperioso fortalecer o SNS. A Junta de Freguesia de Vermoil, assim como todos os Vermoilenses, deixam aqui registado o profundo agradecimento a todos os profissionais de saúde.
O que mudou na vida da Igreja com a chegada da covid-19? Padre João Paulo Vaz (JPV): Estruturalmente nada mudou! A Igreja continua assente nos seus princípios cristãos e o que é de Deus é imutável, pleno e completo. Agora, na forma de vivermos a fé e de a manifestarmos, com todas estas contingências e limitações nas manifestações da vida cristã, naturalmente que há muitas coisas que ficaram condicionadas. Nomeadamente, ao nível das celebrações, vivência e acesso aos sacramentos, igrejas fechadas... houve, de facto, uma alteração dos hábitos. Portanto, à pergunta o que mais mudou na vida da Igreja, diria, talvez, a consciência da necessidade de nos renovarmos, não propriamente só de nos adaptarmos, mas de aceitarmos as condições que a vida da Humanidade nos traz;
mudou, talvez, a forma de estar perante as dificuldades sanitárias que dizem respeito a toda a Humanidade, não só à Igreja; mudou uma consciencialização da solidariedade que nos une e esta cumplicidade no bem de todos, valores que a Igreja sempre preconizou. Com as missas presenciais a serem suspensas temporariamente e, posteriormente, limitadas a um determinado número de pessoas, que alternativas encontrou para chamar fiéis à Igreja? JPV: Com as igrejas fechadas e as celebrações suspensas temporariamente, procurámos criar novas formas de fazer chegar ao coração das pessoas a Palavra de Deus, alimentar a vida espiritual, propondo a oração como caminho, a escuta atenta da Palavra, a leitura da
Palavra, os momentos de encontro familiar, tirando proveito dos meios digitais. Numa fase posterior, com a possibilidade de voltarmos a celebrar juntos, embora com um número limitado de pessoas, obrigou-nos, também, a alterar os hábitos, a alterar, até, o número de celebrações, a forma de distribuir as celebrações por cada dia, principalmente ao domingo, e a aumentar o número de celebrações para podermos responder ao maior número de pessoas possível. Muitos, também com medo, deixaram de se fazer presentes e a alternativa passou por apostar, sobretudo, nos meios digitais e telemáticos, para manter viva a chama da fé. Algo que, no fundo, até já fazíamos, mas, agora, de uma forma mais acentuada. Essa adaptação aos novos tempos foi um processo pacífico ou houve muitos
Pombal ComVida - Edição Especial 2021 fiéis que deixaram de ir à missa devido às alterações introduzidas? JPV: Passado este ano e meio da pandemia e de confinamento social, chego à conclusão que os fiéis deixaram de ir à igreja não por causa das alterações introduzidas ou pelas alternativas propostas, até porque, na verdade, a Igreja soube reiventarse para poder responder aos anseios e necessidades das pessoas. A pandemia veio é trazer uma realidade diferente: fez-nos perceber que aquilo que agora se precipitou, no fundo, já estava a acontecer antes. O que nos obriga a perspetivar, a reestruturar e a renovar, a partir dos fundamentos da vida cristã. Acha que, algum dia, voltaremos à realidade que tínhamos antes da pandemia ou as mudanças introduzidas, ao nível da Igreja, vieram para ficar? JPV: Em primeiro lugar, há que questionar quais foram as mudanças introduzidas, porque, na verdade, estamos todos ainda a pespetivar. A não ser ao nível prático, não há ainda mudanças introduzidas nas manifestações da fé ou na orientação pastoral da vida de cada paróquia ou comunidade. Portanto, estamos a perpetivar novas formas pastorais de chegar às pessoas, de as ajudar a viver e a manifestar a fé, a crescer espiritualmente.
"Com a pandemia temos uma janela de oportunidade para vivermos, muito mais intensamente, a nossa fé" Por outro lado, também temos que questionar que realidade era essa que tínhamos antes da pandemia? A realidade de tradições que, por si só, não nos alimentam completamente a vida espiritual? A realidade do
número de celebrações que tínhamos com o número de padres? A realidade de uma catequese escolarizada, de um número de celebrações a cumprir, sacramentos a atingir só por objetivos? Se é dessa realidade que estamos a falar, a qual, de alguma forma, já estava debilitada, então espero, sinceramente, que não voltemos a ela! Com a pandemia temos uma janela de oportunidade para vivermos, muito mais intensamente, a nossa fé e assumirmos, muito mais responsavelmente, o nosso crescimento interior e espiritual, propondo novas formas de vivência, uma catequese e uma vivência dos sacramentos muito mais consciente, assumida na sua verdade, em vez de estarmos presos às tradições ou àquilo que sempre se fez. Porque, se é para voltarmos somente àquilo que sempre se fez, mesmo não percebendo o que isso é, então é preferível não se voltar a essa realidade que tínhamos antes da pandemia e optar por percorrer novos caminhos. A maior parte dos casamentos e batizados acabaram por ser adiados por não haver condições para serem realizados em segurança. Acha que isso poderá levar à desmotivação das pessoas, resultando, no futuro, na consequente diminuição deste tipo de cerimónias? JPV: No que respeita a casamentos e batizados, já estávamos a assistir, nos últimos anos, a uma diminuição da procura e celebração destes grandes momentos. O batismo ainda era procurado, muito por tradição, mas os casamentos já não tanto, ao invés das uniões de facto que estão a aumentar. É verdade que a pandemia veio diminuir ainda mais a realização deste tipo de celebrações religiosas, mas não foi a única responsável. Há que pensar no que é que gera o processo da não procura e não foi uma questão de fé ou de debilitação da fé! A maioria dos casamentos e batizados foram adiados porque não havia condições para se relizar aquele momento que sucede a celebração proprimente dita, que é a boda, a refeição, o encontro familiar. Por isso,
a desmotivação, a existir, tem mais a ver com essa dimensão cultural e social do que, propriamente, com a questão religiosa. O problema é que a questão religiosa está dependente da questão social e, daí, verificar-se essa diminuição. Quem, convictamente, acredita no batismo e procura o batismo como um início de vida nova em Cristo, e quem olha para o matrimónio como o compromisso da união diante de Deus, da Igreja e do mundo, continua e irá continuar a procurar os sacramentos. Com as cerimónias fúnebres também limitadas, inicialmente, a um número muito reduzido de pessoas, como reagiram os familiares e amigos que não se puderam despedir dos seus entes queridos? Acha que encontraram na fé algum tipo de conforto? JPV: Esta é uma questão muito frágil e dolorosa, porque a despedida dos que partem e o acompanhamento na sepultura é, também, um momento profundo de manifestação da fé. Reveste-se sempre de uma dimensão fraterna e da presença amiga, pelo que, não podendo ser feito com a presença fraterna dos amigos, a dor é muito maior. O luto depois continua, mas aquele acompanhamento nas exéquias que, de alguma forma, traz alguma paz a quem se despede e a quem perde alguém, é essencial e ficou muito limitado. Esta é, de facto, uma área da Igreja que terá que merecer uma atenção muito grande, porque as pessoas não puderam despedir-se dos seus entes queridos, não puderam fazer o seu luto, não sentiram que puderam entregar nas mãos de Deus aquele que partiu, porque não foi feito o que normalmente é feito em termos celebrativos. Para além disso, os familiares mais próximos sentiram-se muito sozinhos no acompanhamento. É muito doloroso perceber que, no acompanhamento final de alguém que parte, nem sequer se tem a companhia dos amigos próximos. Significa quase um abandono, quer dos familiares enlutados, quer, também, do que deixou a vida terrena. Esta área tem que nos merecer mais atenção. Não vamos recuperar nada,
19 mas podemos ajudar a caminhar no sentido de não perder esta esperança e esta certeza de que há uma vida que Deus oferece e há, de facto, um Deus que nos ama e nos acolhe. Acredita que a Humanidade ficará diferente após esta pandemia ou acha que vamos retirar dela poucos ensinamentos? JPV: Confesso que, no início da pandemia, quando confinámos pela primeira vez, olhei para tudo isto com muita esperança, apesar de ser muito mau, doloroso e incerto o que estava a acontecer, mas senti, verdadeiramente, que isto nos levaria a uma maior cumplicidade, a uma maior preocupação uns com os outros, a olhar mais para os outros e a unirmo-nos na construção da Humanidade e na defesa da vida.
"Com a pandemia sinto que nos tornámos mais individualistas e egoístas" Com o decorrer do tempo, à medida que foram surgindo outras vagas e novos confinamentos, apercebi-me que, infelizmente, cresceu também o egoísmo entre as pessoas, o cada um por si e de apenas nos preocuparmos connosco próprios. Claro que houve, e continua a haver, muitos exemplos maravilhosos de caridade, de cuidar do outro, de amor ao próximo, mas sinto que nos tornámos mais individualistas, mais egoístas, os ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres mais pobres, cresceram as desiguldadades e tudo isto tem que nos fazer pensar! Não tem a ver só com a Igreja, mas também com a nossa Humanidade. Ainda tenho esperança de que possamos aprender muito e tirar daqui bons ensinamentos, que possamos envolver-nos muito mais uns com os outros, caminhar muito mais juntos, mas também reconheço que não estamos a dar esse passo. Teremos que crescer muito mais no amor uns com os outros.
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TESTEMUNHOS NA LINHA DA FRENTE
Sílvio Santos – Presidente da Junta de Freguesia de Carnide A Junta de Freguesia de Carnide vem por este meio agradecer a todos os médicos, enfermeiros e todos os outros profissionais de saúde que têm feito esforços, por vezes sobre-humanos, neste momento tão difícil que vamos atravessando há mais de um ano. Esta pandemia veio realçar as vossas qualidades já existentes. Queremos assim dar os parabéns a todos os que todos os dias saem de casa revestidos de força e coragem para enfrentar grandes inimigos. Lutam contra a doença, contra a adversidade e também contra os seus próprios medos, sem baixarem a cabeça ou equacionarem desistir. Parabéns por terem escolhido uma profissão que tem como missão cuidar de todos nós, estando presentes nos momentos de fragilidade dos doentes e trabalham todos os dias pelo bem-alheio com esforço e dedicação. Parabéns por todo o sentimento que empregam nas suas nobres funções. Não é apenas o conhecimento que têm, as habilidades que adquiriram ou as técnicas que usam no exercício da vossa profissão. É também o amor que nunca deixa de estar presente, a sua preocupação constante e a forma terna como olham para cada pessoa. Porque vocês são os heróis desta guerra e os anjos de bata branca que lutam todos os dias pela saúde de quem mais precisa, deixamos aqui a nossa gratidão e merecida homenagem.
Hugo Lopes Médico especialista em Medicina Geral e Familiar - USF Marquês Durante toda a minha experiência com a pandemia COVID, os meus maiores receios prenderam-se inicialmente com a família. Quer a família próxima, quer mais distante. O receio de sermos nós os portadores da doença, pois contactámos de frente com o COVID, e “responsáveis” por transmiti-la a um ente querido era algo atormentador. Tinha um ritual de retirar toda a roupa que utilizei para ir trabalhar (não usada no local de trabalho) mal chagava a casa e não contactar com ninguém até estar devidamente higienizado. Por outro lado, o receio que tínhamos (e ainda temos!) por todos os nossos utentes. A população que mais frequenta o Centro de Saúde é a população mais idosa, com quem, pelas suas patologias, temos um número superior de consultas. O facto de estarmos mais tempo com estas pessoas e nos conhecermos melhor faz com que, com o tempo, começamos a desenvolver algum carinho que vai além da normal relação médico-doente. Ora, eram exatamente estas pessoas que tinham maior risco de desenvolver doença grave por COVID e, em último caso, de falecer.
Por último, também tinha receio do COVID. Talvez pela minha idade não tivesse tanto receio, mas tinha de tomar todas as precauções necessárias para nos protegermos e aos nossos colegas mais próximos. Neste ponto, todo o Centro de Saúde, em conjunto com ACES e Câmara Municipal, organizou um local em que se conseguia prestar apoio a todos os enfermos com necessidade de avaliação médica, com toda a segurança para quem os prestava – o ADC Comunidade. Este foi o local onde se observavam, numa fase inicial, utentes suspeitos e portadores de COVID. Aqui o receio aumentou pela exposição a que estávamos sujeitos, mas pelo trabalho excecional de todos os envolvidos também senti grande segurança.
"O receio de sermos nós os portadores da doença era algo atormentador" As principais dificuldades sentidas foram conseguir transmitir para a população que servimos (cerca de 11 mil pessoas), informações quer de segurança, quer de funcionamento da unidade e/ou Centro de Saúde. Enquanto que com a população mais próxima era relativamente simples (utilizámos também as redes sociais para esse efeito), existiam sempre pessoas que vivem em locais remotos, a quem foi até difícil explicar que existia um vírus potencialmente letal em circulação e que teriam de ter alguns cuidados. Como qualquer outro português aquilo que senti mais falta, e, de certa forma, ainda sinto, é de socializar. Jantar e ir ao cinema, sem estar de máscara ou estar com aquela preocupação constante se toquei em alguma coisa ou se as pessoas à minha volta também usam máscara... acho que o termo mais correto é estar à vontade. A minha vida profissional foi
totalmente alterada, desde o horário de trabalho à consulta propriamente dita. Por via de reduzir o número de utentes simultaneamente na unidade de saúde familiar, vimo-nos forçados a ter horários alternados com os outros colegas, tempos de consulta maiores e a introduzir um tipo de consulta que não utilizávamos antes: a consulta telefónica. Esta, apesar de não ser do meu agrado, teve uma importância preponderante nesta fase, pois permitiu manter um número de consultas diárias elevado, prestando assistência a quem delas necessitava, com a vantagem da sua rapidez e praticabilidade, mas com a desvantagem de não se poder observar a pessoa no momento. Tudo isto requer adaptação, principalmente quando já estamos rotinados no esquema habitual de consultas. Neste ano e meio de pandemia, realço uma história, passada logo no início, que serviu para “abrir os olhos” em relação ao que realmente era a pandemia COVID. Certo dia, ao contactar um utente que, conjuntamente com a sua esposa se encontravam contaminados com COVID, este me informa que apesar da sua idade e da idade da sua esposa, encontravam-se bem de saúde e apenas com sintomas muito ligeiros. Desliguei a chamada, informei que os iria contatar novamente e, tranquilamente, segui o meu trabalho. Para meu espanto, no dia seguinte, fui informado que a esposa deste utente tinha falecido durante a noite, tendo desenvolvido sintomas graves de forma rápida e súbita. Esta história serviu para me mostrar a diferença que existe entre este vírus e os demais, e permitiu-me também alertar todos os utentes que avaliei posteriormente para os perigos deste vírus e a forma súbita como ele pode surgir.
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A visitar, em segurança, no concelho de Pombal
Parque Aventura e Lazer de Albergaria dos Doze
Praia do Osso da Baleia e Mata Nacional do Urso
Parque Flandes
Parque infantil, um ginásio ao ar livre, arborismo, parque de merendas com churrasqueiras, WC e zonas verdes
Parque de estacionamento, WC, Acesso a pessoas de mobilidade reduzida, Posto de Socorros, Bar, Parque de Merendas
Circuito pedestre, ciclovia, parque de merendas, parque infantil, sanitários públicos e ainda diversos pontões de pesca
Verde
do
Açude,
Gonçalo Ramos – Presidente da União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca
Castelo de Pombal
Parque de Lazer da Ilha
Casa Varela - Centro Experimentação Artística
de
Horário: Abril a setembro: 10h00 às 13h00 | 14h00 às 19h00 Encerra à segunda-feira e feriados de 1/Janeiro, 1/Maio e 25/Dezembro
Amplo parque com uma zona de merendas com sombra, um parque infantil e uma pequena lagoa.
Local de exposições e Centro de Experimentação Artística. Horário “Em dias de Bodo”: das 10h00 às 13h00 e das 16h00 às 20h00.
A mensagem que quero deixar aos profissionais de saúde que estiveram, e continuam a estar, na linha da frente do combate à pandemia é, naturalmente, uma mensagem de reconhecimento pelo papel decisivo que assumiram (e ainda assumem) quando mais precisámos. Aquilo pelo que passaram, o que viveram no dia-dia e todo o contexto a que estiveram sujeitos certamente que não lhes sairá das suas memórias. Mais do que isso, não sairá das nossas, enquanto estas vigorarem! A todos, mesmo a todos, OBRIGADO!
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TESTEMUNHOS NA LINHA DA FRENTE
Fernando Ferreira
Bombeiro Voluntário de Pombal
Sandra Barros – Presidente da Junta de Freguesia de Abiul Agradecer é a palavra de ordem neste momento difícil que atravessamos. Os nossos médicos, enfermeiros e todos os outros profissionais de saúde que estão na linha da frente, estão num esforço contínuo, como nunca estiveram e merecem o nosso agradecimento. Vocês são incríveis, autênticos e lutadores, as pessoas que nos salvam e nos ajudam a viver melhor. Um agradecimento sincero e votos de sucesso nesta batalha que enfrentamos, nesta luta que só terá fim porque vocês são os melhores profissionais deste mundo.
Enquanto bombeiros voluntários, todos a prestar serviço na 4ª companhia dos Bombeiros Voluntários de Pombal, o nosso maior receio, apesar das regras apertadas, foi, e continua a ser, a possibilidade de contagiarmos alguém ou sermos contagiados e levarmos o vírus para o nosso ambiente familiar. As dificuldades e constrangimentos acabam por surgir quando nos apresentamos/ chegamos ao local da ocorrência e nos aproximamos das vítimas, munidos dos equipamentos de proteção individual (EPI’s), acabando por criar nelas algum sentimento de desconforto por se tratarem, muitas das vezes, de pessoas idosas, para as quais
João Santos
Bombeiro Voluntário de Pombal o contacto físico e visual é muito importante.
"O chegar a casa e os teus filhos te quererem dar um abraço e tu evitares esse contacto para os proteger, é desolador!"
Desde o surgimento da pandemia que o nosso dia-a-dia não voltou a ser o mesmo, muita coisa mudou. Desde logo, a higienização dos equipamentos e ao nível pessoal, que se tornou mais rigorosa na parte do socorrista, de estar junto à vítima a comunicar dados e o colega não estar junto a nós, facto que nos provoca alguma ansiedade. Passámos também a ter medo de nos aproximarmos da nossa família, o chegar a casa e
Gonçalo Oliveira
Bombeiro Voluntário de Pombal os teus filhos te quererem dar um abraço e tu evitares esse contacto para os proteger, é desolador! Sentimos tanto a falta, também na nossa vida particular, daquela liberdade de outrora. Esta pandemia veio alterar o quotidiano dos transportes não urgentes e urgentes. Nos urgentes, os EPI’s, constituídos pelo fato de proteção integral, bata descartável, máscara, proteção ocular, luvas, cobre botas e touca, tornaram-se obrigatórios, sendo que, após a sua utilização, temos que retirar estes equipamentos de forma cuidadosa, para não nos contaminarmos, nem a quem nos rodeia. Isso causa-nos um desgaste enorme.
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Ana Tenente Gonçalves – Presidente da Junta de Freguesia de Vila Cã A todos os que estiveram e continuam a estar na linha da frente no combate à pandemia, que estão esgotados por lutar silenciosamente todos os dias com extrema ansiedade, stress intenso, que pensam que estão sozinhos e que os problemas deles não têm significado, gostava de lhes transmitir força, coragem e um infinito agradecimento pelo excelente trabalho que têm desenvolvido. Muito Obrigado a todos estes Homens e a todas estas Mulheres, que todos os dias salvam as nossas vidas! Bem Hajam!