Page 1

25

IPHAN-DF

Concurso Público de Projetos para a Sede do IPHAN Outubro de 2006

Apresentação O presente Concurso tem por objeto a seleção em etapa única, dentre as propostas apresentadas, da solução de anteprojeto arquitetônico mais adequada para realização de projeto básico e executivo para o sede do IPHAN em Brasília .

Nome oficial do concurso Licitação Pública Nacional na modalidade Concurso de Projeto para a Sede do IPHAN em Brasília

Diretrizes projetuais: Com este concurso o IPHAN espera uma resposta arquitetônica equilibrada entre os aspectos de atendimentos ao programa, qualidade estética, inserção urbana no Plano Piloto tombado, viabilidade da tecnologia e materiais propostos e, em particular, a austeridade compatível com uma instituição governamental pública.

•Enfoque do julgamento: Na discussão sobre o Regulamento e as Bases do Concurso, a CJ destacou como determinantes para a avaliação dos trabalhos os seguintes critérios: objetividade; clareza; atendimento ao programa de necessidades; atendimento às normas do GDF e do tombamento federal de Brasília; qualidade estética; inserção urbana no Plano Piloto tombado; construtibilidade; viabilidade da tecnologia adotada e dos materiais propostos e austeridade compatível com uma instituição governamental pública (conforme indicado no Item 6.3. do Regulamento do Concurso). Destacou ainda a importância da flexibilidade dos componentes da infra-estrutura do conjunto arquitetônico, de forma a facilitar a sua adequação aos eventuais ajustes futuros do programa (Item 7 do Termo de Referência). •Terreno: A sede do IPHAN em Brasília será construída no lote 1 do SCE - Sul – Setor de Clubes Esportivos Sul – trecho 3 – Projeto Orla - Pólo 8 em terreno com cerca de 28.900,00 m² e com uma previsão de construção de aproximadamente 13.000,00 m².

BASES GERAIS •Unidade Promotora: IPHAN •Unidade organizadora: Direção Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB • Data: 19 de Outubro de 2006 •Local: Brasília •Área total: 13.000 m²


25

IPHAN-DF

Prêmios 1° lugar

Autores: Leonardo Pinto de Oliveira e Rogério Pontes Andrade Colaboradores: Otto Brill, André Marques e Ivan Fachinetti Distrito Federal

A sede do IPHAN em Brasília abre a oportunidade de questionar a atual configuração de um setor em consolidação, marcado por intervenções que não se articulam, nem entre si, nem com o parque bucólico, constituindo edifícios isolados, cercados e auto referentes. Neste sentido, vislumbramos na ocupação do primeiro lote deste conjunto uma possibilidade de reflexão acerca de contradições típicas do modelo urbanístico ali estabelecido. Numa dessas contradições, a inexorável hierarquia viária somada à ampla extensão dos lotes, gera múltiplas frentes, algumas caracterizadas pelo sistema viário de acesso e outras por sua condição de exposição às vias principais. Freqüentemente, o sistema viário local restringe o acesso a uma face pouco visível da construção, distinguindo o acesso principal do edifício de sua imagem mais característica, voltada para as vias de maior circulação. Consideramos então, a possibilidade de a ocupação do terreno estabelecer uma dupla interface, pela divisa sudeste com a via principal, onde se daria o desembarque do transporte público e, pela divisa noroeste com as vias locais do conjunto, onde se daria o acesso de veículos particulares. Uma praça com circulação liberada para os pedestres, ligaria esses dois extremos do terreno, estabelecendo um portal de acesso ao novo setor, alternativo ao acesso formal pelo sistema viário projetado. Como é típico no urbanismo moderno, as circulações de veículos e de pedestres atendem à lógicas distintas, buscamos então satisfazer suas peculiaridades: a menor distância para os pedestres e a adequada disciplina viária para os automóveis. Desta maneira, estariam configuradas duas frentes acessíveis, com seus respectivos tratamentos, peculiares, mas relacionados. Esta praça inauguraria no setor uma oportunidade de diálogo e articulação entre as ocupações e o espaço público circundante.

Principais Diretrizes Projetuais: • Proposta de ligação dos dois extremos do terreno por uma praça; Partido definido em um bloco principal paralelo à praça reunindo maior parte •Partido do programa;

Essencialmente, a nossa proposta determina três massas: 1. Um bloco paralelo à praça, a sudoeste, que reúne os setores de interação: 1 Auditório, sala de reuniões, exposições e biblioteca, que chamaremos de bloco cultural. 2. 2 Outro bloco paralelo à praça, a nordeste, reunindo os laboratórios, a administração da sede e o restaurante, denominado bloco de serviços. 3. 3 Uma lâmina perpendicular ao maior sentido da praça, apoiada nos dois blocos anteriores e assim suspensa, onde estarão reunidas as diretorias, coordenações e atividades predominantemente administrativas, chamada de bloco de escritórios.


25

IPHAN-DF

Prêmios 2° lugar

Autores: André Prado e Bruno Santa Cecília Colaboradores: André Oliveira e Carina Guedes Belo Horizonte – MG

O projeto tem como conceito arquitetônico básico a idéia de, através de um edifício aberto em todos os sentidos, marcar simbolicamente e de maneira afirmativa uma instituição que pretende construir para si um novo direcionamento, aproximar-se da sociedade dividindo com ela a tarefa de zelar pelo patrimônio cultural do país. Além disso, a proposta busca também: Criar uma edificação que proporcione um ótimo funcionamento das atividades técnicas e administrativas da autarquia, através do correto entendimento das condições físico-climáticas da cidade de Brasília e da geração de micro-climas corretivos em seu entorno e no seu interior. Pensar na arquitetura de maneira republicana propondo um edifício em função da cidade, ao invés de colocar a cidade em função do edifício. Estratégia que o diferencia da arquitetura comercial média e que convém a um prédio público. Materializar no edifício o caráter urbano de Brasília a partir da conciliação de suas quatro escalas, Monumental, Gregária, Cotidiana e Bucólica. A escala monumental se expressa nas formas adotadas para o edifício, cuja imagem forte e pregnante pretende fazer elevar a sede do IPHAN à condição de m arco urbano; sua composição plástica e volumétrica intenciona fazer com que o edifício mantenha sua força expressiva mesmo a grandes distâncias. A escala gregária realiza-se ao nível do chão: o desenho do território delimita uma praça rebaixada que, a um só tempo, cria espaços de reunião e encontro e distingue-se da via pública. A escala cotidiana faz-se presente acima do nível do solo, nos pavimentos que abrigam as atividades técnico-administrativas, além dos espaços de uso coletivo como restaurante e biblioteca; todos estes espaços se conectam a praça através da fruição visual. Por fim, a escala bucólica faz-se presente no paisagismo vegetal e aquático que ambienta os espaços internos, tornando tanto a permanência nas áreas de trabalho como a circulação entre eles, mais agradáveis.

Principais Diretrizes Projetuais: • Marcação simbólica da Instituição através do projeto; Partido racional, coerente com o programa e com premissas projetuais •Partido bioclimáticas; bioclimáticas Forte relação com o entorno e seu microclima. •Forte

Gerar um grande espaço aberto, uma praça, para abrigar atividades culturais que vão além do programa proposto, capaz de receber manifestações de caráter mais livre e popular, sem, no entanto, fazer com que esta adição ao programa básico proposto represente um incremento no custo da implantação da instituição. Resolver a questão de frente/fundo do edifício uma vez que o acesso principal ao mesmo não poderia, de acordo com o regulamento e a legislação distrital, fazer-se pela avenida principal de onde ele será mais visto. Foi trabalhado um fazer conceito que diferencia claramente duas frentes: a frente visual, o lado do prédio que fica voltado para avenida principal, caracterizado por uma imagem marcante percebida a grandes distâncias e pela paisagem do cerrado que separa o prédio da via e contorna a praça. Do outro lado, na via interna da quadra onde se encontra o acesso principal, optou-se por criar uma frente funcional, caracterizada por uma grande rampa de entrada e por um grande vazio no encontro dos dois blocos principais que marca a entrada à maneira de um grande pórtico.


25

IPHAN-DF

Prêmios 3° lugar

Autores: Thiago de Andrade e Carlos Henrique Magalhães; Colaboradora: Camila Aparecida de Oliveira Distrito Federal O primeiro gesto construtivo foi assinalar um corte no terreno, tendo dois edifícios posicionados em suas porções finais, e um bloco transversal que os conecta ao nível do primeiro pavimento. O gesto cria um interstício propício à ocupação, convertendo o que antes era espaço em lugar. Com isso, faz-se possível, ao centro do lote, duas das escalas mais caras à instituição: a escala gregária no subsolo, que é a escala do encontro e do funcionamento do edifício em plena atividade, e a escala monumental, que tende ao cívico, ao encontro organizado e institucional de grandes grupos, às celebrações e à percepção invariável de conjunto. À maneira da estética do Plano Piloto de Brasília, especialmente o ocorrido na Praça dos Três Poderes, a escala bucólica está sempre inserida no diálogo com o monumento. Seja ele distante, visual, imagético ou plano de fundo, seja ele aproximado, com necessidade de fruição e ação, ou seja, movimento. Isto ocorre no vislumbrar do horizonte vendo a borda da chapada e o Lago Paranoá no contínuo do cerrado, e, de modo próximo, no bosque criado no interstício entre os dois edifícios. A gradação de natureza das atividades entre público e privado permite que se faça uma descrição da implantação e de como ela articula as atividades programáticas e de trajeto. O bloco paralelo à via externa ao Pólo 08 do Projeto Orla, abriga as funções de caráter mais público. O auditório se mostra como um bloco sólido, recuado das empenas, ocupando três níveis do corte. Os espaços expositivos estão situados na outra porção do acesso ocupando: subsolo, onde está situada reserva técnica; o nível térreo que abriga o acervo permanente do IPHAN; e no nível superior onde há espaço para as exposições temporárias. Essas exposições se abrem para um teatro de arena configurado como escadaria que se conecta a um jardim, local que o Instituto pode utilizar para eventos de diversas naturezas, e cujo terraço serve para a necessária contemplação de um dado considerado para o tombamento do Plano Piloto: as visuais horizontais que vislumbram a borda da chapada onde termina a depressão em que se encontra implantado o projeto de Lucio Costa.

Principais Diretrizes Projetuais: • Estabelecimento de duas escalas: a gregária e a monumental; •Inserção Inserção da escala bucólica; •Oposição Oposição formal e plástica entre os três edifícios.

Sobre os interstícios ocasionados pelo trabalho do terreno está posta uma laje solta 40 cm do chão e que também dá a cobertura para as atividades que se encontram no subsolo. Seu desenho permite que os trajetos proporcionados tenham clara continuidade com o território público que aqui se almeja, e cujos amplos planos resultantes, e eixos perspectivos e de experiência possam remeter a certo decoro, à escala monumental desejada. Contíguo ao desenho dessa laje, está um amplo gramado arborizado de maneira a criar ali espaço propício à permanência. Faz-se assim, um trecho que se põe em par com os caminhos e que possa servir a eventuais atividades ao ar livre. Situamos uma caixa d’água nesse gramado, de tal forma que ela possibilitasse uma delimitação intelectiva do mesmo, como que realizando um limite onde aparentemente não o há, mas se pode intuí-lo.


25

IPHAN-DF

Menções

Autores: Guilherme Lemke Motta e Victor Paixão Colaboradores: Ana Maria Lindenberg, Miguel Felipe Muralha, Jorge Hauy São Paulo – SP

A proposta arquitetônica para a construção do edifício-sede do IPHAN indiscutivelmente deve refletir a alma brasileira. Nesta direção, procuramos não perder o significado poético do conteúdo de nossa história; uma realidade que deverá estar contida na concepção do espaço arquitetônico. Como disse Argan – “...O que é história? A história é antes de tudo memória. O que é imaginação? A imaginação... O que é a memória? É a imaginação do passado. O que é imaginação? É a memória da posteridade”. Assim, nos propusemos relacionar em um contexto atual e único - o edifício guardião da memória brasileira, as peculiaridades da cidade de Brasília e sua situação geográfica; sem comprometer a força do caráter histórico, mas expressando através de uma atitude contemporânea, as virtudes da nacionalidade cultural de nosso povo. Virtudes estas, profundamente ligadas à formação de um país que se construiu com as mãos das mais diversas etnias e que, por ser “novo” e descomprometido com as tradições estrangeiras do Velho Mundo, nos possibilitou uma flexibilidade e inventividade ímpar. Portanto, tomando como premissa, o instigante conteúdo que resume a concepção de um edifício-sede responsável pelo Patrimônio Histórico Nacional, entendemos que a arquitetura deve ser simples, porém diversificada, objetiva, mas deixando aberto os caminhos da imaginação. Para abrigá-lo do clima quente e seco, recorreu-se à construção de uma grande sombra sobre um pátio que abriga todas as funções públicas. Esta sombra é constituída de um edifício longilíneo que acolhe os programas funcionais da instituição. Um grande “muxarabi” reveste o edifício protegendo-o do intenso calor do Sol. Funciona como um grande chapéu que cobre a cabeça do sertanejo, assim como resgata o frescor das grandes varandas das residências coloniais. O muxarabi disposto em um só bloco cobre toda a extensão do edifício, trazendo a unidade, magnitude e a austeridade necessária a um edifício que celebra a memória da arquitetura brasileira; deixa ver também, através de sua qualidade translúcida, a diversificada natureza construtiva que orienta e determina as funções dos blocos instalados em seu interior.

Principais Diretrizes Projetuais: Geração de uma grande sombra constituída pelo bloco horizontal longilíneo •Geração que acolhe o programa; Releitura de materiais vernaculares –muxarabis. •Releitura

Estes blocos (Diretoria – concreto; Coordenadorias – madeira, aço e alvenaria; Administração – alvenaria azulejada) dispostos sobre duas alvenaria grandes vigas apoiadas sobre pilares, filtrados pela beleza das tradicionais luzes propiciadas pelo muxarabi, distinguem em sua expressividade técnica, a materialidade e os vários momentos experimentados pela arquitetura brasileira.


25

IPHAN-DF

Menções

Autores: Rodrigo Adonis Barbieri e César Dorfman Colaboradores: Carlos Fraga, Andreoni Prudêncio, Rogério Malinsky, Ana Paola Brugalli, Daniele Tubino Porto Alegre – RS

1. Busca de solução em que inequivocamente possa ser percebida a intenção de inserir o projeto em linha evolutiva a partir do Modernismo brasileiro usando conceitos de plasticidade presentes no conjunto edificado de Brasília. Com isto fazer com que o significado seja de “mais um”, integrando-se à imagem da cidade e não como oposição ou objeto raro. Ressalva-se a postura crítica incidindo mais fortemente sobre os aspectos funcionais, técnico-construtivos e de conforto ambiental. 1.2. Esta solução pretendida deve passar obrigatoriamente pela conjugação de forma racional, apropriada ao setor burocrático associada com forma livre, cabível nas funções de caráter público, auditório, biblioteca, museu, exposições, numa oposição dialética e recorrente (Corbusier,Richar Meyer). 1.3. O limite de altura,12 m, imposto pela legislação,ao mesmo tempo em que indica e obriga solução horizontalizada,aponta a uma provável excessiva ocupação do terreno,para nós indesejável.O uso do sub-solo se apresenta como alternativa em que o terreno se amplia por sobre a construção. 1.4. O uso de sub-solo pode ser enriquecido pela inserção de praça rebaixada centralizando as funções de público e facilitando o controle com limitação de acesso. .5. Algumas indicações de implantação: 1.5.1. o acesso principal pela rua interna de acordo com a legislação; 1.5.2. a colocação dos estacionamentos descobertos junto à divisa com o lote lindeiro; 1.5.3. a intencionalidade de uma face voltada para a rua interna, institucional, do dia-a-dia e outra voltada para a via de ligação com força simbólica.

Principais Diretrizes Projetuais: Busca de solução em que inequivocamente possa ser percebida a intenção de •Busca inserir o projeto em linha evolutiva a partir do Modernismo brasileiro usando conceitos de plasticidade presentes no conjunto edificado de Brasília. Condicionamento térmico natural. •Condicionamento

Concurso IPHAN DF  

Caderno Síntese - Concurso de Projetos

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you