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PRIMEIRO PARÁGRAFO EDIÇÃO 2

INDICE

5

HOMESCHOOLING o que é educação familiar

9

LIVROS NA PRATELEIRA Deuses Caídos- Gabriel Tennyson As Crônicas de Olam- L. L. Wurlitzer

11

THE BLACK PAGES Com J RR Tolkien

20

ENTREVISTA

26

3 PALAVRINHAS SÓ O Corpo, o café da manhã e o leito conjugal

Jonh PIper

28 BREVE TRATADO SOBRE LITERATURA AFRICANA

Canal Tolkien Talk30

RESENHA A Menina Submersa: Memórias

Jannyffer Almeida

33

KALEVALAA Epopeia Nacional da Finlândia

EDITORIALGutox Wintermoon

Se você chegou até aqui, significa que Gandalf te deixou passar porque você é uma boa pessoa. A partir de agora você terá um bom e aconchegante passeio entre estas páginas. Vai entender como educar seus filhos em casa, se quiser, claro; poderá pegar alguns livros que estão na prateleira, ler um breve tratado sobre a literatura africana e conhecer mais autores nacionais (hoje temos três). Por falar em numeral, favor: não confundir com Numenor, teremos 3 palavrinhas para você. E além de tudo isso, vai conhecer sobre a literatura finlandesa, a qual também serviu de inspiração para Tolkien e seu universo literário. E por falar em Tolkien, temos um papo muito bom com o pessoal do Tolkien Talk, e um especial nas páginas negras com o Pai de Iluvatar,

E aqui vão meus agradecimentos especiais a Jannyffer Almeida, Gabriel Vaz Bueno, Igor Mendes e Matheus Almeida, que colaboraram para esta edição. Boa leitura!

O QUE É EDUCAÇÃO DOMICILIAR

Homeschooling, Unschooling, Home Education, Ensino Doméstico, Ensino Domiciliar. Muito provavelmente você já leu ou ouviu algum(ns) destes termos. Em nossos dias existem muitas idéias, conceitos e definições sobre o que é Educação Domiciliar, de fato. Mas se pensarmos que cada família, cada lar e cada criança são únicos, como vamos definir um conceito para o fato de se educar um filho fora da escola convencional?

A Educação Domiciliar ocorre quando os pais assumem por completo o controle do processo global de educação dos filhos. Vamos explicar melhor: É senso comum que os pais são os responsáveis por educar os filhos em primeira instância Desde que a educação escolar se tornou obrigatória, a nossa sociedade fez uma espécie de divisão de papéis. Os pais ou responsáveis deveriam ter a responsabilidade de ensinar valores, costumes, hábitos, moral e crenças, ou seja, eles fariam uma parte da educação dos filhos.

A outra parte, que seria o que chamaremos aqui de educação acadêmica, ou instrução formal, ficaria a cargo de instituições próprias, que chamamos escolas. Em outras palavras, os pais contratam ou delegam essa parte da educação dos filhos a profissionais que supostamente estariam mais capacitados para esse tipo deensino, ou seja, os pais terceirizam essa parte da educação dos seus filhos.

AS TRÊS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO DOMICILIAR:

1. Educação integral

Em geral, todos os pais ensinam em casaalguma coisa aos seus filhos. Mas existem paisque ensinam mais em casa do que outros. NaED, Os pais se responsabilizam por todos osaspectos da educação dos filhos: valores,condutas, formação do caráter, questõesafetivas e também a instrução formal ou o saberacadêmico.

2. Educação em todo o tempo

Mesmo que haja um período do dia específicodedicado aos estudos, a ED ocorre o tempotodo. Tudo pode ser oportunidade paraaprender. Se você está na cozinha fazendo umbolo, se está na rua, passando em frente um

monumento histórico ou se depara com umapasseata, ou ainda num parque observandoplantas e pássaros, por exemplo... Basta umsimples questionamento e pronto! Uma novagrande oportunidade para aprender sobre aquímica da fermentação do bolo, a matemáticadas medidas de massa e capacidade, sobre osmovimentos sociais da nossa história, abiologia da nossa fauna e flora. Então, emborachamemos “domiciliar”, essa modalidade deeducação não ocorre apenas no domicílio masno seio da própria família (no lar, na rua, navizinhança, em passeios, etc.).

3. Treino para o aprendizado

E esta é uma questão é muito importante,que tem assombrado alguns pais queestão se propondo a optar pela EducaçãoDomiciliar.Portanto, o papel do pai na ED, não é o deum professor, mas de um facilitador. NaEducação Domiciliar, os pais sãomediadores entre seus filhos e oconhecimento. Dessa forma, o papai e amamãe não precisam entender de todos osassuntos. Precisam apenas estar um passona frente dos seus filhos. Precisam levá-losa questionar, pesquisar, buscar oconhecimento. Ensiná-los a pensar deforma lógica, conduzi-los aoautodidatismo, à autonomia.É preciso lembrar qual é o nosso modeloescolar é um modelo fast food. Tudo jáestá bem definido no cardápio, e vem emcombos. Esse modelo produz passividade.O seu papel é levar o seu filho a ser sujeitodo conhecimento. Lembre-se que ocurrículo de ensino não pode ser maisimportante do que o seu filho. Praticar aeducação domiciliar, assim, não significasomente tirar os filhos da escola.Tampouco é trazer a escola para dentro dacasa.Os conteúdos, é claro, têm sua

importância. Aqui está uma chave muito importante. Os pais Mas seu filho, além da aquisição de que compreenderam bem esse aspecto, já saberes, precisa de: captaram qual é a verdadeira essência do trabalho

*Desenvolvimento do intelecto; que precisam realizar com seus filhos.

*Sociabilidade;*Espiritualidade.

A educação brasileira é essencialmente conteudista. Repleta de matérias, disciplinas, *Equilíbrio emocional;assuntos e temas diversos. E diante de umcurrículo tão extenso, um dos questionamentosmais frequentes que os pais nos fazem é: “Comovou ensinar aos meus filhos assuntos sobre osquais eu sei pouco ou nada, ou até mesmo jáesqueci?”

*Formação de habilidades;

MOTIVAÇÕES PARA A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO DOMICILIAR

Desejo de proporcionar aos filhos uma formação que preserve os princípios morais da família; Desejo de proporcionar aos filhos uma socialização mais ampla, qual seja, com indivíduos de todas as idades; Entendimento de que a educação formal vincula-se às outras dimensões do processo educativo, e, por isso, pode ser melhor realizada no ambiente do lar, onde o indivíduo terá igual acesso ao suporte pedagógico, emocional e à disciplina, elementos indispensáveis para uma formação integral; Insatisfação com a qualidade do ensino escolar, com um padrão massificado de aprendizagem;

Insatisfação com o ambiente escolar, motivada por eventos de violência, insegurança e exposição dos filhos a amizades indesejadas pelos pais; Discordância quanto à postura de determinados professores, especialmente na eleição de temáticas que contrariam os princípios morais defendidos pela família; Desejo de oferecer uma educação e qualidade para os filhos, explorando ao máximo o potencial dos mesmos.

BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO DOMICILIARO PERFIL DOS PAIS EDUCADORES

*Proporciona maior amadurecimento; *Desenvolve a disciplina de estudo; *Desenvolve o gosto pelo aprendizado; *Desenvolve estratégias de aprendizado; *Produz adultos seguros e com uma autoestima sólida; *Favorece o empreendedorismo; *Produz excelentes resultados acadêmicos;

A EDUCAÇÃO DOMICILIAR TAMBÉM PODE RESGUARDAR OS FILHOS DE MALES COMO:

*Pressões sociais inadequadas; *Privação do convívio familiar; *Retardo do processo de aprendizagem; *Passividade no processo de aprendizagem; *Desinteresse por aprender.

Pais dispostos a investir tempo e recursos na formação intelectual dos seus filhos, que desejam participar ativamente deste processo; Pais preocupados com a formação do caráter dos seus filhos, que supervisionam e selecionam quais valores as crianças vão agregar; Pais que acreditam na “formação integral” dos seus filhos, e que decidem assumir a total responsabilidade por essa formação.

Fonte: Associação Nacional de Educação Domiciliar https://www.aned.org.br/educacao-domiciliar/ed-sobre/ed-conceito

LIVROS DAPRATELEIRA

Deuses Caídos- Gabriel Tennyson

Um serial killer com poderes paranormaisestá assassinando evangelistas famosos

― e os vídeos de cada um deles sendotorturados ganham cada vez maispúblico na internet. O assassino seproclama o novo messias, e ospecadores devem temer sua justiça. Oque a Sociedade de São Tomé teme, noentanto, é que ele acabe com o trabalhode séculos de manter o sobrenatural bemafastado da consciência da população,embora seres mágicos povoem osubmundo da cidade.

Para garantir que o assassino sejacapturado e o máximo de discriçãomantida, a Sociedade convoca JudasCipriano ― um padre indisciplinado,descendente de são Cipriano e herdeirode alguns poderes celestiais. Veteranonesse tipo de caso, o padre é enviadopara trabalhar como consultor da PolíciaCivil e fica responsável por apresentar àjovem inspetora Júlia Abdemi o ladomístico da cidade.Para resolver o caso ― e sobreviver ―, osdois precisarão de toda ajuda quepuderem encontrar...

O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca. Com protagonistas cativantes, um vilão extraordinário e criaturas sobrenaturais reinventadas de maneiras sombrias, Deuses caídos une o melhor do thriller e da fantasia urbana em uma investigação vertiginosa com um final épico. [1]

[1]AMAZON

As Crônicas de Olam- L. L. Wurlitzer

Em busca de vingança, o líder da mais poderosa classe de guerreiros de Olam invade uma cidade proibida, atrás da cortina de trevas, e enfrenta uma terrível criatura. Sua atitude quebra um antigo tratado de paz e dá início a uma contagem regressiva para a guerra entre o império dos shedins e o reino de Olam. Após dois mil anos de relativa paz e segurança, uma guerra de proporções e consequências imprevisíveis estava para estourar. LUZ E SOMBRAS SE ENFRENTARIAM MAIS UMA VEZ… O futuro do reino pode estar na distante e atrasada cidade de Havilá, onde Enosh, um misterioso lapidador de pedras shoham, vive com o seu aprendiz, o jovem Ben, apelidado de “o guardião de livros”.

À medida que se aproxima o desfecho na pior de todas as batalhas, outros conflitos muito mais íntimos seguem sem solução para Ben. A reaproximação com Leannah, os mistérios que ainda envolvem sua identidade, seu direito a usar Herevel despertam nele sentimentos contraditórios. Será que, finalmente, o Olho de Olam e Herevel vão agir conjuntamente, ou novos desencontros os colocarão em posição oposta? [2]

[2] cronicasdeolam.com.br/

THE BLACK PAGES

JRR TOLKIEN: O HOMEM, O MITO, O LIVRO DA MESA DE CAFÉ!

J E F F L A S A L A *

De junho a outubro de 2018, uma rara exposição dos muitos trabalhos de JRR Tolkien estava em exibição nas Bodleian Libraries da Universidade de Oxford . É um tesouro de mapas desenhados à mão, ilustrações e rascunhos de livros - muitos dos quais nunca foram apresentados publicamente antes - todos em exposição, juntamente com uma variedade de acessórios maravilhosamente nerd e decididamente hobbitianos como a escrivaninha de Tolkien, lápis, cadeira, e cachimbos. E alguns de nós estão muito animados com a mesma exposição que chega à Morgan Library & Museum, em Nova York, em janeiro de 2019. É um verdadeiro equivalente de alta fantasia e elfo da Edgar Allan Poe Cottage no Bronx ou na Mark Twain House. em Connecticut.A exposição é chamada de Tolkien: Criadorda Terra-média e pelo que estou ouvindo, éum prazer de qualquer geek da Terramédia.Mas também é finito. Em meados demaio do próximo ano, todas essas obrasoriginais serão fechadas uma última vez,como as Portas de Durin, no estilo Watcher,e depois levadas de volta para os cofres decolecionadores particulares, a TolkienEstate, a Marquette University e a própriaBodleian.

Mas para aqueles fãs que não conseguem ir a museus distantes e ainda querem experimentar um pouco dessa maravilha ... bem, há um livro para isso!

THE BLACK PAGES

Tolkien: Criador da Terra-média , como a exposição, é sobre o próprio homem. O que significa que isso é realmente mais sobre apreciar a profundidade do ser humano por trás das histórias que amamos. Agora, para possuir este grande livro de mesa de café, você provavelmente gostaria de ser alguém que ama os livros - talvez também os filmes, mas esses são menos importantes - porque o material aqui é como uma edição ampliada do livro. conto do próprio professor. O que é: um relato convincente e extraordinariamente rico da vida e da história literária de JRR Tolkien, intercaladas entre trezentas imagens, todas elas imagens de manuscritos, fotografias, esboços originais - até rabiscos! - e pinturas em aquarela de sua própria criação. Sem mencionar algumas cartas divertidas escritas por ele, por ele ou por ele ... como o cartão de presente de Natal escrito à mão por Wanild Toekins (transcrito foneticamente por sua mãe, Mabel) e supostamente entregue por Papai Noel a seu pai, “Daddy Toekins.” Isso foi quando Ronald, de 2 anos de idade, costumava pedir “penkils & paper” para escrever. Para começar, existem seis ensaios escritos por renomados estudiosos de Tolkien: JRR Tolkien: Um Esboço Biográfico - Escrito pela arquivista da Biblioteca Bodleiana Catherine McIlwaine (que também colocou todo este livro junto), este relato nos dá a vida de Tolkien em poucas palavras: sua juventude, suas muitas perdas, sua esposa, Primeira Guerra Mundial , seus filhos e o gênio criativo e lingüístico que percorreu tudo isso.

Tolkien and the Inklings - Escrito pelo estudioso de Tolkien John Garth ( Tolkien e a Grande Guerra , e outros), este se concentra na camaradagem do famoso grupo de discussão literária e círculo social do qual Tolkien era um membro-chave.

Embora esses acadêmicos se tenham conhecido no pub Eagle & Child em Oxford, os Inklings começaram muito antes em salas privadas e espaços informais - e mais oficialmente lançados quando Tolkien fundou um clube de livros destinado especificamente a “mostrar aos professores de Oxford a leitura das sagas islandesas medievais. na original língua nórdica antiga poderia ser divertido. ”(Sim, isso mostrou a eles!) Sua amizade com CS Lewis, é claro, aparece proeminentemente neste ensaio, assim como a brincadeira, o nervosismo bem-humorado, e até mesmo o brutal crítica que definiu o círculo social.Faërie: Terra Perigosa de Tolkien - Escritapelo autor e especialista em mitologia VerlynFlieger ( Splintered Light , et al.), Estamergulha na obsessão de Tolkien com aquelemundo indescritível além dos mundos:Faërie, um conceito que pode ser tão difícilde definir quanto Ela explica como as seçõesdas obras mais conhecidas de Tolkien, comoas que se encontram na Floresta das Trevas ena Floresta Velha, podem ser seu tratamentomais reconhecido de Faërie, mas suasqualidades misteriosas e de outro mundopodem ser encontradas em toda a sua vida.legendarium.

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O estimado Flieger - que, a propósito, foi recentemente entrevistado em The Prancing Pony Podcast ( totalmente digno de atenção ) - tem um profundo e duradouro investimento no mundo de Tolkien: ela leu The Fellowship of the Ring em 1956, antes de ser mundialmente fenômeno é agora.

Inventando Élfico - Escrito pelo cientista da computação da NASA Carl F. Hostetter ( Legendarium de Tolkien , et al.), Este ensaio mostra a própria paixão do autor pelas línguas, explorando o verdadeiro coração dos mundos de Tolkien: Élfico, seu “vício secreto”, o que mostra o professor realmente era uma palavra nerd primeiro e um autor de fantasia segundo. Enquanto os leitores casuais de O Senhor dos Anéis conhecem os modos de élfico apenas em algum diálogo disperso, nas Portas de Durin, ou dentro do Um Anel para Regulá-los Todos, ele forneceu a estrutura sobre a qual a Terramédia se uniu.

Tipo, como a história que conhecemos como Beowulf era apenas um obscuro poema que um médico finlandês do século XIX encontrou por aí e decidiu publicar. Então houve aquela época em que um erudito dinamarquês no século XVII divulgou uma obra literária do século XIII, The Prose Edda . E isso, por sua vez, ajudou a introduzir um grande número de elementos nórdicos no mundo em geral: Os contos mitológicos da Prosa Edda , em particular, logo se tornaram "virais": todos agora conhecem Ragnarök e Valhalla, Thor, Odin e Loki. Arte Visual de Tolkien - Escrito pelo casal acadêmico de Tolkien, Wayne G. Hammond e Christina Scull ( O Senhor dos Anéis: Companheiro de Leitor , et al.), Este ensaio amplia os esforços do próprio professor como um amador, ainda que mais impressionante, ilustrador. Desde que os desenhos e pinturas em aquarela de Tolkien complementam suas histórias, e já informaram muitos artistas desde então, esse assunto é central para o propósito do livro.

Falando nisso, vamos falar sobre algumas das imagens específicas em mãos. Claro, há algumas excelentes fotografias de John Ronald Reuel em todas as fases de sua vida - como o retrato de família na página 115 tirado na África do Sul quando Tolkien tinha apenas dez meses de idade, “[n ]ually, em um país marcado por divisões raciais… também incluíam os empregados domésticos. ”Ou a foto de Ronald, de 3 anos, com seu irmão mais novo, Hilary, ambos vestidos em trajes vitorianos“ feminino ao olho moderno ”na página 121. Mas honestamente, não faz sentido simplesmente listando-os. Existem muitos.

Realmente, você deve simplesmente pegareste livro se puder arcar com o custo. Dascentenas de ilustrações, aqui pelo menostrês são em particular que se destacampara mim.Considere este desenho que ele fez com a idade de 12 anos, quando Ronald e seu irmão foram temporariamente separados depois que sua mãe, Mabel, adoeceu (diabetes, sendo quase intratável em 1904). Enquanto ela foi hospitalizada, ele foi enviado para ficar com um tio em Brighton. Como muitos garotos fazem, ele esboçou as coisas ao seu redor que refletiam suas circunstâncias; então ele mandou esses desenhos para sua mãe como pequenos cartões postais.

Este mostra o jovem Tolkien consertando roupas com seu tio na frente de uma lareira (uma imagem hobbitish em si mesma, não é?), Passando e fazendo coisas normais por necessidade na ausência de sua mãe. É charmoso e simples (apesar de ser um bigode!), Mas é o título que Tolkien dá a ele que fica comigo: O que é um lar sem mãe {ou uma esposa}Os leitores de O Senhor dos Anéis veemmuito pouco da maternidade no trabalhode Tolkien. Claro, sabemos que há algumasmães - Belladonna Took, Gilraen,

Biblioteca Bodleiana, MS. Tolkien Desenhos 86, fol. 5. © The Tolkien Trust 1992

até mesmo Galadriel -, mas nunca vemos alguém ser mãe. A mãe de Aragorn pode ser a única exceção, mas enquanto a história dela é muito tocante, ela está escondida nos Apêndices.

Os leitores do The Silmarillion sabem que existem mais algumas mães nela, mas eles geralmente são envolvidos em tragédias ou infortúnios, como na Elf Míriel, mãe de Fëanor, que escolhe morrer depois de ter dado à luz seus lendários filho; a Maia Melian, mãe da incomparável Elfmaiden Lúthien, que perde sua filha para a própria mortalidade; e Morwen, mãe de Túrin, o malfadado herói de Men, que manda seu filho embora quando ele tem oito anos e, apesar de ambos os esforços, nunca mais o vê.Infelizmente, Tolkien perdeu sua mãe nomesmo ano em que ele fez este desenho -um desenho que mostra que ele pensavano mundo dela, e sentia falta dela, e estavatentando colocar um rosto corajoso em suaausência fazendo coisas normais. Paraalguém com tal imaginação, que passou amaior parte de sua vida ilustrando coisasfantásticas, a cena do jovem realismo deTolkien é pungente.

THE BLACK PAGES

Vamos seguir em frente no tempo. De todos os mapas deste livro, o que mais me empolguei a ver de perto é o primeiro mapa do Silmarillion de sempre! Revelado pela primeira vez em 1986, The Shaping of Middle-earth , apenas na edição de capa dura, já foi visto assim antes. Aqui é bom e claro e colorido, sendo o primeiro mapa de Beleriand (que Tolkien chamava de “Broseliand”, naquele momento), o canto noroeste da Terra-média onde todos os eventos do Silmarillion acontecem antes de sua destruição no final da Primeira Era.

Tolkien elaborou esse mapa no final dos anos 1920 ou início dos anos 1930. estava elaborando tantas histórias em sua cabeça durante esse tempo, embora nós não soubéssemossobre isso até pelo menos 1977. Tipo, quem diabos eram os filhos de Fëanor para qualquer outra pessoa em meados da década de 1920? (Veja a seta apontando para o leste.) E veja como é essencial tanto a geografia quanto a história que o rio denominou Sirion. Bom e velho Sirion.

Dito isso, minhas características favoritas deste mapa são:

· Angband, a fortaleza da montanha de Morgoth, é mostrada e rotulada aqui. Nenhum dos habituais mapas publicados de Beleriand nos deu isso, deixando-nos a deduzir sua localização.

· Uma “estrada-anã” é puxada, indo dealgum ponto da página (leste) até as “MilCavernas” (de Menegroth) no bosque élficode Doriath.

Em O Silmarillion , esta estrada é muito mais curta e termina bem antes de chegar à floresta. Isto é indicativo de uma iteração muito diferente dos eventos da Primeira Era, onde os Anões parecem ter maior acesso às terras dos Elfos. Mais de acordo com os eventos do livro de contos perdidos .

· Gnomos em todo lugar! Escrito várias vezes. "Gnomos" sendo a primeira palavra de Tolkien para os elfos, mais tarde conhecidos como os Noldor.

· Huan, o melhor cão em todo o universo de qualquer mitologia, é rotulado aqui, indicando seu território. Nos primeiros dias desta versão da Terra-média, ele era um agente independente e de livre circulação, mantendo a terra a salvo do predecessor de Sauron, o covarde Príncipe dos Gatos, Tevildo.

Não é coincidência que as regiões cobertas neste mapa sejam fortemente traficadas pelos três contos centrais sobre os quais Tolkien estivera trabalhando e que, com o tempo, se transformariam em bolas de neve no próprio Silmarillion . Isto é, os “Grandes Contos” de Os Filhos de Húrin , Beren e Lúthien e A Queda de Gondolin .

THE BLACK PAGES

Agora, precisamos falar sobre Glaurung, o primeiro dragão criado pelo Lorde das Trevas, Morgoth - ou melhor, Glórund, como ele foi chamado pela primeira vez em O Livro dos Contos Perdidos . Ele é a ruína da existência dos Elfos na Primeira Era, pelo menos até que o herói mortal Túrin Turambar ponha um fim a ele - mas não antes de Glaurung transformar a vida do sujeito em um pesadelo vivo (na verdade, muitas outras coisas contribuíram para o homem miséria - como o próprio Túrin Turambar). Em 1927, Tolkien fez a seguinte ilustração. Note que isto é dez anos antes da publicação de O Hobbit .É isso mesmo: antes mesmo que ele pensasse em Smaug, o Tremendo, Maior e Maior das Calamidades, havia esse sujeito Glórund ...

A tinta preta de Tolkien e a ilustração em aquarela de Glórund são notáveis - não, fabulosas! - e não menos importante, porque ele transformou este terrível formigueiro em amarelo. Bem, para ser justo, ele era chamado de "o dourado" e o pai dos dragões, e seus olhos podiam atrair qualquer um que olhasse para eles. Tanto Túrin quanto sua irmã, Nienor, são assim assolados por seu olhar quando encontram Glaurung pela primeira vez e são enviados para um caminho ruinoso em suas vidas.

Como um dragão quente e pesado, ele obviamente tem pouca semelhança com o Smaug alado que estamos mais familiarizados. Glórund foi o primeiro dos dragões da Primeira Era, mas também o maior daqueles dias: mas os mais fortes são quentes e muito pesados e lentos, e algumas chamas de arroto, e o fogo cintila sob suas escamas, e a luxúria e ganância e astúcia maligna destes é a maior de todas as criaturas.

Nesta cena, Glórund está emergindo de seu lar nas ruínas da cidade-elfo de Nargothrond, que ele mesmo havia saqueado com um exército de orcs. Glórund foi chamado pelo seu mestre, Melko (o nome antigo de Melkor / Morgoth) para procurar Túrin novamente depois que o mortal ressurgiu alguns anos depois de sua primeira reunião. E assim ele rasteja para fora do túnel e atravessa o rio, lento e pesado, mas terrível.

Então, o que devemos fazer com o tamanho de Glórund baseado na caverna da qual ele está saindo?E aqueles olhos loucos de óculos de sol dele? E por que alguns dos artistas de Tolkien não modelam suas ilustrações de Glaurung depois desta? Por que raramente vemos dragões da Terra-média de corpo amarelo e cabeça verde que parecem ter sido enganados em qualquer outro lugar? John Garth, o estudioso que mencionei acima, explica em seu blog porque não devemos procurar muito realismo nesses originais:

Os quadros de Tolkien não podem ser tomados como evidência empírica. Eles são muito estilizados, como convém a uma história com conotações medievais ou lendárias / conto de fadas. Então, freqüentemente, são seus escritos da Terra-média.Tolkien admitiu que seu Bilbo em' Conversa com Smaug ' não érepresentado em escala.'O hobbit na fotodo ouro, Capítulo XII, é claro (além de sergordo nos lugares errados) enormementegrande. . .

Retrato de JRR Tolkien por Donato Giancola Originalmente publicado em outubro de 2018.

É claro que a imagem que "Glorund propõe procurar Túrin" é ainda menos provável de representar proporções reais: é explicitamente medieval em grande estilo, onde "Conversa com Smaug" tem mais em comum com a clássica ilustração infantil do final do século XIX. início do século 20 - Arthur Rackham, Edmund Dulac e assim por diante. Para mim, é o cenário desta peça que é indiscutivelmente a melhor parte disso. Embora ele fosse humildemente auto-depreciativo sobre suas próprias ilustrações, Tolkien (eu acho que a maioria de nós concordaria) invoca o reino de Faerie em sua arte. Você não pode olhar para seus céus e paisagens, florestas e rios, casas e torres e não sentir como se estivesse olhando para outro mundo. Mas ainda assim ... aqueles olhos! Talvez Glórund tenha acabado de nos deixar entra... Então você tem isso. Este foi apenas um breve vislumbre de um livro incrível e cheio de histórias.Tolkien: Criador da Terra-média é o livro além da exposição, que perdura até mesmo enquanto o outro diminui e navega para o

Ocidente. É certo que enriquecerá a apreciação de qualquer fã por Tolkien, o Homem mortal, que, apesar de ter deixado este mundo , pelo menos deixou para trás outro de sua própria criação. Um mundo vasto, crível, alienígena ainda que familiar e de alguma forma ainda pouco habitado: a Terra-média, que parece ser metade da Terra que conhecemos e metade da Terra que não conhecemos. Um que está mergulhado em Faerie.

Em última análise, JRR Tolkien era apenas um cara que adorava estudar e criar idiomas, adorava a poesia medieval, amava sua esposa, escrevia histórias para seus filhos e acabou sendo bastante brilhante em tudo isso - para nosso grande benefício. Ele era apenas um sonhador que escreveu totalmente nessa margem , e estou muito feliz por ele ter feito isso.

* Jeff LaSala , a pessoa louca por trás de The Silmarillion Primer , não deixará a Terra-média bem sozinha. Tolkien geekdom à parte, Jeff escreveu um romance do D & D indicado ao Prêmio Scribe, produziu algumas histórias de cyberpunk e agora trabalha para a Tor Books. Ele às vezes viaja no Twitter .

Fonte:https://www.tor.com/2019/01/03/j-r-rtolkien-the-man-the-myth-the-coffee-table-book/

THE BLACK PAGES

Um Guia rápido para a

Terra-Média de Tolkien

Kristin Masters*

"Eala Earendel, engla beorhtast ofer middangeard monnum sended" "

A citação acima vem de uma linha de poesia anglo-saxônica. JRR Tolkien, lingüista e estudioso da cultura anglo-saxônica, encontrou a linha em sua pesquisa e ficou fascinado com a palavra "earendel". Embora o seu dicionário anglo-saxão traduzisse a palavra como "luz brilhante", Tolkien acreditava que a palavra soava como se viesse de uma língua "muito além do inglês antigo". Aquela única palavra anglo-saxônica foi o provável ímpeto para a criação de uma história fictícia por Tolkien, que compensaria a falta de mitologia e folclore anglo-saxônicos. Daí ele inventou Arda, um mundo imaginário onde a maioria de seus contos acontece. O continente mais central de Arda é onde a Trilogia de Anéis acontece.

Tolkien chamou o continente de "Terra-média", um nome que ele derivou do "middangeard" inglês antigo que foi traduzido para o inglês médio como "midd-erd"ou "middel-erd". Esses termos representavam a tradução em inglês do grego "oikoumene", ou "lugar de permanência dos homens", isto é, o mundo físico e não o mundo invisível. Os povos antigos se referiam ao mundo como a Terra-média porque acreditavam que estava localizado entre a terra dos gigantes (abaixo) e a terra dos deuses (acima). Tolkien adaptou essa cosmologia para tornar a Terra-média um lugar fisicamente no meio de dois mares. Ele disse a Henry Resnick diretamente que sua Terra-média é a Europa.

LÍNGUAS DA TERRA MÉDIA

Línguas da Terra MédiaGraças a suas tendências filológicas, Tolkien se comprometeu a esboçar linguagens para os diferentes povos em seus contos. A língua de Avarin só tinha seis palavras, enquanto Entish era impossível de traduzir graças a seus tons complexos e duração. Mas Tolkien desenvolveu completamente o Quenya e o Sindarin. Ele começou a trabalhar em quenya como hobby em cerca de 1915 e continuou trabalhando até a sua morte. Essa linguagem dos elfos estava próxima da língua original falada pelos elfos. O sindarin, por outro lado, divergiu do quenya e diferiu drasticamente.

As línguas Westron e Rohirric eram duas línguas faladas pelos homens da Terra-média. Tolkien representou-os com outras línguas. Westron foi traduzido para o inglês moderno, enquanto Rohirric foi representado com o inglês antigo. Tolkien escolheu estes não porque as duas línguas eram relacionadas umas às outras, mas porque ele queria indicar o sabor arcaico de Rohirric.

O TEMPO DA TERRA-MÉDIA

Tolkien oferece muitas evidências que podemos usar para determinar os prazos para seus contos. Com base nesses detalhes e no comentário de Tolkien, as histórias abrangem aproximadamente 21 mil anos, desde o primeiro mito de Tolkien até o fim da Trilogia de Anéis.Estes são divididos em idades. A quarta e última, a Era do Homem, ocorre depois que as histórias são concluídas e marca o tempo em que elfos, anões e outras criaturas diminuem. Tolkien diz que cerca de 6.000 anos se passaram desde o começo da Era do Homem até os dias modernos.

THE BLACK PAGES

A complexidade e magnitude da Terra-média de Tolkien colocaram Tolkien à parte como um dos maiores contadores de histórias do século XX.

Outras importantes obras de Tolkien que lançam luz sobre o mundo que ele criou incluem os volumes em seus escritos "História da Terra Média" . Você pode procurar muitos deles aqui .

Kristin Masters*

Você pensa, ela escreve, nenhum bom pensamento permanece não publicado. Polvilha pó mágico no Google+, newsletters, blog, facebook, twitter e tudo mais.

Fonte: Books Tell You Why https://blog.bookstellyouwhy.com/bid/245422/a-quick-guide-to-jrr-tolkien-smiddle-earth

Entrevista

Enquanto eu estava indo para Gondor encontrei com César e Sérgio do canal Tolkien Talk e aproveitamos pra conversar um pouco., O papo foi tão bom que deixei registrado pra compartilhar com vocês.

PS: Matamos uns orcs, comemos lembas e bebemos vinho.

GUTOX WINTERMOON

*Primeiro Parágrafo- Quais as principais fontes que vocês utilizam para criar o conteúdo do canal?

Tolkien Talk- Nossa primeira fonte são os livros publicados por Tolkien quando ainda estava vivo, ou seja, O Hobbit e O Senhor dos Anéis, pois como o próprio autor os “deu à luz”, são considerados o “cânone” principal. Em seguida, vamos para os livros póstumos, especialmente aqueles editados por seu filho Christopher Tolkien (afora o autor, esta é a pessoa mais qualificada sobre a obra do pai que existe), ou seja, livros como O Silmarillion, Contos Inacabados, Os Filhos de Húrin e os volumes de A História da Terra-média. Também estamos sempre consultando As Cartas de J.R.R. Tolkien, já que, em suas correspondências, o autor revelou muito sobre seu mundo sub-criado, e até olhamos alguns extintos periódicos linguísticos (pois muitos desses que se propuseram a estudar a obra tolkinienana acabaram por vezes publicando textos até então inéditos do escritor). Alguns livros de estudiosos, chamados tolkienistas, também são consultados, como O Atlas da Terra-média, o The History of The Hobbit ou o The Annotated Hobbit. Em resumo: os livros do próprio autor (incluindo os póstumos) e as fontes secundárias de pessoas que estudam sua vida e obra.

PP- É fato que Tolkien influenciou e ainda influencia a literatura fantástica mundial, como todo e qualquer escritor tem seus fãs e os haters. Como vocês veem a influencia do professor na vida de vocês? Ela permanece somente no âmbito literário ou ultrapassa esse limite?

TT-Certamente, a influência vai além do campo literário, pois a obra tolkieniana é capaz de transmitir valores universais e eternos que moldam o caráter da pessoa. Entender sua vida é também parte de nossos estudos e, quanto mais aprendemos sobre a pessoa John Ronald Reuel Tolkien, mais o admiramos e vemos como era um homem diferenciado. A começar pela reverência a sua mãe, a qual ele considerava uma verdadeira mártir, passando pelo amor a sua esposa e dedicação aos filhos. Além disso, tudo o que Tolkien fazia passava por sua devoção a Deus e à Igreja Católica. Não é raro encontrar em suas Cartas sinais da devoção divina e respeito pelo Criador.

PP-Vocês são um dos principais divulgadores do trabalho do professor no

Brasil. Chegaram um dia acreditar que chegariam no patamar que estão hoje?

TT- Obrigado pelo elogio. Na verdade, nossa intenção inicial foi apenas criar um espaço dentro de uma plataforma há muito negligenciada pelos estudiosos de Tolkien: o YouTube.

É fato que o crescimento dessa ferramenta foi exponencial nos últimos anos; no entanto, os estudiosos de Tolkien parece que não o acompanharam, reservando seus conhecimentos, principalmente, para o meio escrito. Pensando neste vácuo, tivemos a ideia de criar o canal no YouTube. Nossa meta era conseguir 10.000 inscritos. Hoje, contamos com mais de 40 mil em apenas 03 anos de atividade. Parece que realmente estávamos certos ao ver que o público estava carente desse tipo de material.

PP- Quando foi o primeiro contato com as obras tolkenianas e qual foi o primeiro livro dele que leram?

TT-O primeiro contato foi com o filme “A Sociedade do Anel”, de 2002. Antes de sair o 2º filme, já tínhamos lido O Hobbit, os 3 volumes de O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Ou seja, a porta de entrada foi o filme, mas os livros vieram logo em seguida e hoje já perdemos as contas de quantas vezes relemos aquelas obras. No meu caso (Sérgio) comecei “pelo começo” mesmo, lendo O Hobbit. Inclusive, recomendo a todos os novos leitores que também comecem por ele. Já o Cesar começou pelo mais difícil, O Silmarillion.

PP-Qual a importância de Tolkien para a cultura pop do século 21?

TT-Ainda não houve outro autor que chegasse perto de Tolkien no quesito fantasia, mas sua influência é ampla: desde bandas de rock e heavy metal (como Led Zeppelin e Blind Guardian) a artistas plásticos e escritores famosos (George R.R. Martin, Neil Gaiman, Stephen King, entre outros). Filmes, games e até cientistas bebem da fonte tolkieniana. Praticamente tudo o que foi feito de fantasia após Tolkien tem alguma coisa que remete a ele: desde os Elfos belos e altos ao Senhor Sombrio mal e obscuro em seu trono. “Tolkieniano” virou um verbete do OED (Oxford English Dictionary). O Papa Francisco citou O Senhor dos Anéis numa homilia antes de assumir o Pontificado. Ou seja, Tolkien está presente nos mais diversos meios e situações, bastando que tenhamos o olhar atento para perceber.

PP- Diferente de Lewis que escreveu As Crônicas de Nárnia como uma alegoria bíblica, mostrando Jesus na personagem Aslam e diversos elementos cristãos em sua obra, Tolkien não gostava de utilizar esse método para criar seu universo, porém em algumas passagens, principalmente em “O Silmarillion” na criação de Arda podemos ver algo semelhante ao Genesis bíblico. Podemos afirmar que a criação católica que ele teve o influenciou para por estes elementos em suas histórias?

TT-Sem dúvidas. Tolkien era contra alegorias, então por isso optou por não colocar referências religiosas explícitas em sua obra. Mas isso não quer dizer que elas não existam.

Na verdade, existem às centenas. Para começar, ele mesmo revelou numa de suas cartas que “O Senhor dos Anéis obviamente é uma obra fundamentalmente religiosa e católica; inconscientemente no início, mas conscientemente na revisão”. Quando perguntado a respeito de Jesus em sua história, reconheceu que ele não está presente em apenas um personagem, mas que ele pode ser reconhecido em mais de um em momentos diferentes: Frodo em sua figura sacerdotal, Gandalf como o Profeta e Aragorn como o Rei. Portanto, ao contrário de Lewis, a referência religiosa de Tolkien existe, mas ela é sutil ao leitor mais desavisado, sendo mais evidente àquele mais atento. Com a criação católica que recebeu da mãe e depois de seu tutor, o Padre Francis Morgan, Tolkien realmente acreditava no Criador e sua posição como criatura era de “sub-criar”. Contos de fadas, assim, são sub-criações que revelam as verdades divinas. Muito de seu pensamento a respeito pode ser encontrado no seu Ensaio sobre Contos de Fadas, que faz parte do livro Árvore e Folha.

PP- A religiosidade dentro das obras do mestre tem/teve alguma relação dentro do cultural cristão europeu na dos lançamentos dos livros? Hoje o pensamento é diferente?

TT- Tolkien era uma exceção em seu próprio tempo de Oxford, e hoje continua sendo mais ainda. Já na época em que começou a lecionar na prestigiada Universidade de Oxford e frequentou o meio acadêmico, lamentou o fato de ver Deus incluído nos debates. Ele, por outro lado, não tinha amarras que o impedissem de falar Dele, até mesmo em seus trabalhos acadêmicos. Já na Oxford dos anos 20 e 30, Tolkien era considerado antiquado e reacionário frente ao progressismo que se ampliava. Tolkien (assim como Lewis) lutou na Primeira Guerra Mundial, da mesma forma que outros autores europeus do Séc. XX. No entanto, ao contrário da maioria, que no pós-Guerra adotou uma postura cética e desesperançosa em suas obras, Tolkien (e Lewis) sempre manteve a esperança e “nadou contra a maré”, pois sabia que, para quem crê em Deus, sempre há esperança.

PP-Iluvatar foi apresentado no Silmarillion como criador de toda a terra média, mas no decorrer dos livros não se vê uma citação direta à ele. Acreditam que ele estaria de certa forma apenas observando os acontecimentos ou podemos ver alguma intervenção dele em algum momento?

TT- Ilúvatar de fato só “aparece” no início de tudo, mas isso não significa que ele não estivesse presente depois. Os próprios Valar, ou Poderes do Mundo, são colocados aqui como seus Regentes e realizadores de Sua vontade. Manwë, o Rei Supremo de Arda, tinha acesso direto a Ilúvatar quando precisava de conselho nas questões mais delicadas. Quando a Ilha de Númenor foi destruída, aquilo foi uma intervenção direta de Ilúvatar, como está relatado no Akallabêth.

Quando Gandalf morreu e retornou como “o Branco”, também foi atuação do próprio Ilúvatar, como Tolkien explicou numa carta. Os próprios Magos, enviados do Oeste, foram um plano dos Valar no sentido de manter a ordem das coisas de acordo com os desígnios divinos. Além disso, durante todo O Senhor dos Anéis e até em O Hobbit, é possível sentir uma força invisível atuando, mas que não é nomeada no livro: a providência divina.

A fala de Gandalf explicando que Frodo, assim como Bilbo antes dele, estava designado a levar o Um Anel é um indicativo da presença da providência divina: “Por trás disso havia algo mais em ação, além de qualquer desígnio de quem fez o Anel. Não posso dizer de modo mais direto: Bilbo estava designado a encontrar o Anel, e não por quem o fez. Nesse caso você também estava designado a possuí-lo. E este pode ser um pensamento encorajador”.

PP Atualmente com essas novas edições e consequentemente novas traduções para português tem havido uma certa discussão nas redes sociais sobre algumas palavras como "orc" que particularmente acredito que é uma discussão sem fundamento algum. Qual o posicionamento de vocês quanto a isso? Acreditam que interferia no sentido dos termos ou não estão nem aí pra isso?

TT- Desde que o Conselho de Tradução da nova editora nos concedeu entrevista a respeito das novas traduções, passamos a entender tais escolhas e concordar com elas. Os membros daquele Conselho, não tenha dúvidas, são alguns dos maiores especialistas em Tolkien do Brasil, e com certeza se debruçaram por meses sobre o Guia que Tolkien escreveu para os tradutores. Algumas pessoas podem não ter gostado das adaptações, mas daí dizer que estão erradas é absurdo. Já foi demonstrado que até a palavra Hobbit estava passível de tradução de acordo com o próprio Tolkien em determinada ocasião. Entre os argumentos dos tradutores e dos que ficaram infelizes com os novos termos, acreditamos que os primeiros têm mais respaldo técnico. É até engraçado que algumas pessoas tenham acusado o Tolkien Talk de ter apoiado as novas traduções dizendo que estamos sendo “financiados pela editora”. Nada mais longe da verdade, apesar de sermos parceiros da HarperCollins Brasil. Aliás, um financiamento até seria bem-vindo, pois com ele poderíamos implementar algumas melhorias no canal que estamos há muito adiando. Ademais, quem nos acompanha sabe que somos transparentes e o que fazemos tem apenas um objetivo: promover as obras de Tolkien, independentemente de editoras.

PP- Uma pergunta que não quer calar, quem ou o que é Tom Bombardil? Matem essa nossa curiosidade, pelo amor de Deus!*

TT- Vamos lá, de forma bem resumida: numa carta de quando Tolkien estava começando a escrever O Senhor dos Anéis, ele chegou a dizer que Tom Bombadil era “o espírito da minguante zona rural deOxford e Berkshire”.

Transportando isso para o livro, Bombadil era um espírito sui generis que vivia na região dos arredores do Condado, sendo bastante poderoso, mas sem se encaixar na classificação dos Valar ou Maiar. Entre os Ainur, espíritos ancestrais que entraram no Mundo quando de sua criação, estavam os Valar, os Maiar e outros de ordens desconhecidas ou não mencionadas. Acreditamos que Bombadil fosse um destes. Mas, para a resposta mais completa com todas as fontes, até explicando por que ele não seria uma representação de Ilúvatar, do próprio Tolkien ou outra coisa, você terá que assistir ao TT #38, em nosso canal do YouTube ;)

PP- Que conselho vocês dariam pra quem está começando a conhecer Tolkien?

Comece pelo livro mais simples e evolua até o mais complexo. Leia primeiro O Hobbit e se delicie com a divertida e assustadora aventura do pequeno hobbit que deixa sua pacata vida de lado para descobrir o enorme potencial virtuoso que tinha dentro de si, que apenas não havia despertado ainda. Depois leia O Senhor dos Anéis e entenda que são os pequenos e aparentemente sem importância que fazem girar as grandes rodas do mundo.

Passe então para O Silmarillion e descubra que toda ação, não importa quão longínqua no tempo esteja, poderá gerar reflexos centenas ou milhares de anos depois, e que aqueles que valorizam a ordem natural, a beleza e têm o respeito pelas virtudes são aqueles que conseguirão mais eficazmente atravessar as agruras que a vida impõe. Tolkien é um autor para ser lido e relido. Cada releitura revela novas nuances que antes passaram despercebidas.

PP- Muitíssimo obrigado por essa maravilhosa entrevista. Acredito que tirou muita dúvida dos nossos leitores. Aproveitem esse espaço pra falar o que quiserem, ele é todo de vocês.

TT-Agradecemos por nos convidar para esta entrevista; foi muito divertido participar! Apoiamos todo tipo de iniciativa como esta que busca aguçar a curiosidade e inteligência dos leitores. Se você busca um autor que vai mudar positivamente sua forma de encarar a vida, leia

J.R.R. Tolkien. Nenhum outro conseguiu colocar o leitor junto dos personagens e fazê-lo crescer com eles como nosso querido criador da Terramédia. Estamos à disposição de todos no Tolkien Talk (no YouTube e em nossas redes sociais) para quem quiser estudar e aprender sobre sua vida e obra. É sempre um prazer falar de Tolkien com vocês!

Quer conhecer mais o trabalho do Tolkien Talk? Se liguem nas redes sociais!

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* Realmente no TT #38 esclarece muita coisa. Assiste lá também!

3 PALAVRINHAS SÓ

O C O R P O , O C A F É D A M A N H Ã E O L E I T O C O N J U G A L

Adoração é um termo que usamos para nos referirmos a todos os atos do coração, da mente e do corpo que expressam intencionalmente a infinita dignidade de Deus. Fomos criados para isso, como Deus o afirma: “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória,e que formei, e fiz” (Isaías 43.7). Isso significa que todos fomos criados para expressar a infinita dignidade da glória de Deus. Fomos criados para adorar. Mas, quando você pensa em adoração, não pense apenas nos cultos nas igrejas. Essa é uma grave limitação que não se encontra na Bíblia. Toda a vida deve ser adoração, como Paulo o disse: “Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12.1). Toda a nossa vida se realiza por meio do corpo. Este deve ser apresentado a Deus como nosso “culto racional”. Isso inclui todas as ações. Pense em alguns exemplos.Considere, por exemplo, tomar o café da manhã ou comer uma pizza ou um lanche nomeio da manhã. 1 Coríntios 10.31 diz: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisaqualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. Ora, comer e beber são atitudes bemelementares.O que poderia ser mais humano do que essas atitudes? Comemos e bebemos todos osdias. Nós o fazemos em casa, no trabalho, no carro e onde quer que haja uma fonte deágua. Paulo disse que essas atitudes estão relacionadas a Deus. Devemos comer e beberde um modo que expressa a infinita dignidade de Deus. Podemos fazer isso por preferir aDeus à comida, quando jejuamos. Podemos fazê-lo por comer menos e compartilhar mais.Também podemos fazê-lo por preferir a Deus sem rejeitar o alimento, quando nosbanqueteamos, se o fazemos com “ações de graças”, como pessoas que crêem e“conhecem plenamente a verdade” (1 Timóteo 4.3).

Ou considere, por exemplo, o sexo. Paulo disse que o alternativo da fornicação é adoração. “Fugi da impureza [fornicação]. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6.18-20). Não pratique a fornicação com o seu corpo. Adore com o seu corpo. Ele diz que o corpo é um templo, ou seja, um lugar de adoração. O corpo é um lugar para nos encontrarmos com Deus, e não com prostitutas. Isso não significa que o sexo é pecaminoso. Significa que o sexo é precioso. O sexo é muito precioso e não deve ser barateado. Deus tenciona que o coloquemos em um lugar bastante seguro e sagrado — o casamento. Neste lugar, o sexo se torna a expressão do amor entre Cristo e a igreja. Revela a glória da intensidade do amor de Deus por seu povo. Torna-se adoração. “Glorificai a Deus no vosso corpo.” E não fazer sexo fora do casamento demonstra a preciosidade daquilo que ele representa. Portanto, a castidade é adoração. A continência magnifica a Cristo acima do sexo. E praticar a sexualidade amorosa no casamento exalta a Cristo como o grande amado de sua noiva, a igreja (Efésios 5.25-30). Ou considere a morte, como nosso último exemplo. Faremos isso em nosso corpo. De fato, será o último ato de nosso corpo nesta vida. Nosso corpo se despede. Como adoraremos nesse último ato de nosso corpo? Sabemos que o podemos, visto que Jesus disse a Pedro como ele morreria, e João explicou: “Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus” (João 21.19). O último ato do corpo é dizer adeus à alma. E devemos ter um intenso desejo de que nosso corpo se despeça da alma de um modo que expresse a infinita dignidade de Cristo. O último ato deve ser adoração.

Como? A resposta é dada comclareza em Filipenses 1.20-21. Paulodisse que sua esperança era a de queCristo fosse exaltado em seu corpo,por meio da morte. E acrescentou:“Para mim… o morrer é lucro”.Expressamos a infinita dignidade deCristo por considerarmos a mortecomo lucro. Por que lucro? Oversículo 23 afirma que a mortesignifica “partir e estar com Cristo, oque é incomparavelmente melhor”.Você tem um corpo. Mas esse corponão é seu. “Fostes comprados porpreço. Agora, pois, glorificai a Deusno vosso corpo” (1 Coríntios 6.20).Você está sempre em um templo.Adore sempre.

*John Piper é um pregador e autor batista calvinista que serviu como pastor da Igreja Batista Bethlehem, em Minneapolis, Minnesota, por 33 anos.

Fonte: Desiring God https://www.desiringgod.org/articles/bodiesbreakfast-and-the-marriage-bed?lang=pt

BREVE TRATADO SOBRE LITERATURA AFRICANA

AKSHAT SAINI*

Imagem:África 21

Como George Joseph observa em seu capítulo sobre literatura africana em "Understanding Contemporary Africa" (Entendendo a África Contemporânea), enquanto as visões europeias da literatura frequentemente enfatizavam uma separação entre arte e conteúdo, a consciência africana é inclusiva:

"Literatura" também pode significar simplesmente um uso artístico de palavras apenas pela arte. [...]

Tradicionalmente, os africanos não separam radicalmente a arte do ensino. Em vez de escrever ou cantar pela beleza em si, os escritores africanos, seguindo a sugestão da literatura oral, usam a beleza para ajudar a comunicar verdades e informações importantes à sociedade.

De fato, um objeto é considerado belo por causa das verdades que revela e das comunidades que ajuda a construir.

LITERATURA AFRICANA COLONIAL

As obras africanas mais conhecidas no Ocidente dos períodos de colonização e tráfico de escravos são principalmente narrativas de escravos, como A narrativa interessante da vida de Olaudah Equiano (1789), de Olaudah Equiano. No período colonial, os africanos expostos às línguas ocidentais começaram a escrever nessas línguas. Em 1911, Joseph Ephraim Casely Hayford (também conhecido como Ekra-Agiman) da Gold Coast (atual Gana) publicou o que provavelmente é o primeiro romance africano escrito em inglês, "Unbound of Ethiopia: Studies in Race Emancipation".

Embora o trabalho passe entre ficção e defesa política, sua publicação e críticas positivas na imprensa ocidental marcam um momento decisivo na literatura africana. Durante esse período, peças africanas escritas em inglês começaram a surgir.

Herbert Isaac Ernest Dhlomo, da África do Sul, publicou a primeira peça africana em língua inglesa, "A Garota que Matou para Salvar: Nongqawuse, o Libertador", em 1935.

Em 1962, Ngũgĩ wa Thiong'o, do Quênia, escreveu o primeiro drama da África Oriental, "The Black Hermit". um conto preventivo sobre "tribalismo" (discriminação entre tribos africanas).

Entre as primeiras peças de literatura africana que receberam aclamação crítica mundial significativa estavam "Things Fall Apart", de Chinua Achebe. Publicado em 1958, no final da era colonial, "Things Fall Apart" analisou o efeito do colonialismo na sociedade africana tradicional.

A literatura africana no final do período colonial (entre o fim da Primeira Guerra Mundial e a independência) mostrava cada vez mais temas de libertação, independência e (entre os africanos em territórios controlados pelos franceses) negritude. Um dos líderes do movimento négritude, o poeta e eventual presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, publicou em 1948 a primeira antologia da poesia em francês escrita por africanos, a antologia de a "Nova Poesia Negra e Malgaxe na Língua Francesa", com prefácio do escritor existencialista francês Jean-Paul Sartre. Para muitos escritores, essa ênfase não se restringiu à publicação deles.

Muitos, de fato, sofreram profunda e diretamente: censurado por deixar de lado suas responsabilidades artísticas para participar ativamente da guerra, Christopher Okigbo foi morto em batalha pela Biafra contra o movimento nigeriano da guerra civil dos anos 1960;

Mongane Wally Serote foi detido sob o Ato de Terrorismo nº 83 de 1967 da África do Sul, entre 1969 e 1970, e subsequentemente libertado sem nunca ter sido julgado; em Londres, em 1970, seu compatriota Arthur Norje cometeu suicídio; Jack Mapanje, do Malaui, não foi encarcerado nem com acusação nem com julgamento por causa de uma observação inoportuna em um pub universitário; e, em 1995, Ken Saro-Wiwa foi enforcado pela junta nigeriana.

*Akshat Saini Estudou na KCC Institute of Technology and Management

Fonte: https://www.quora.com/What-is-the-differencebetween-English-literature-and-African-literature

L I T E R A

B R

Nasceu em 1987 na cidade de Salvador- BA, é Advogado, escritor, compositor, poeta, tudo por paixão as letras. Já fez parte de grupo de teatro com escritor e ator. É fã de series, filmes, quadrinhos, animes e de literatura fantástica e medieval. Adora escrever suspense e ação, nunca esquecendo de um tórrido romance, elementos estes que podem ser encontrados nesta obra povoada de zumbis.

FLÁVIO A. FERNANDES

Numa noite qualquer, a vida flui normalmente numa grande cidade do interior da Bahia. Universitários se preocupam com suas provas; Trabalhadores anseiam por suas férias, policiais atendem aos chamados, e uma banda de rock tenta se preparar para um show. De repente, tudo muda... As pessoas começam a atacar umas as outras e, de súbito, aparecem Eles, com sua fome voraz por carne e sangue.

SANGUE ENTRE OS DEDOS

RESENHA

A MENINA SUBMERSA:

MEMÓRIAS

JANNYFFER ALMEIDA*

India Morgan Phelps, chamada por todos de Imp, é a personagem principal. O livro é narrado em 1ª pessoa e tem como objetivo ser o diário pessoal de Imp, onde ela escreve sua história, desde o seu nascimento, seus mínimos medos e a esquizofrenia, doença que ela herdou da avó e da mãe (ambas cometeram suicídio). Imp é uma moça comum, faz quadros para vender, mora em um apartamento simples com sua namorada Abalyn e toma diversos comprimidos todos os dias, que são responsáveis por sua “sanidade artificial” (p.275). Tudo acontecia normalmente, até que um dia Imp decide passear de carro, sozinha e encontra à beira da estrada uma mulher jovem, completamente suja, encharcada e nua. Ela estaciona e ajuda-a, levando-a ao seu apartamento, onde oferece banho e roupas secas. A partir desse fato, temos uma mudança drástica na narrativa. A mulher encontrada se chama Eva Canning, e é a causa de todas as confusões na mente e nas atitudes de Imp. Numa descrição não linear dos fatos, a personagem principal datilografa suas memórias, incluindosereias, lobos e freiras-corvos, prometendo sempre contar ao leitor uma história de fantasmas;

.Entretanto, após Eva Canning, os episódios contados por Imp tornam-se confusos e chega-se a duvidar que o ela relata realmente aconteceu ou é apenas um pensamento proveniente de sua doença. Essa obra é certamente densa, provocante, misteriosa e repleta de referências aos grandes autores, como Lovecraft, Shakespeare, Gaiman, Lewis Carroll e Poe. A autora cria cenários sombrios por meio de ambientes comuns a todos, oferecendo um vasto cardápio para a imaginação, incitada por metáforas, poemas, versos e dois contos criados pela personagem central. Kiernan deu voz aos sentimentos de uma moça esquizofrênica, que perde totalmente o controle de sua mente, mas com esforço consegue retomar. Por meio de um exímio domínio de sua escrita, ela tira o leitor do seu “conforto”, cercando-o com um envolvente terror psicológico.

"Sempre há um canto de sereia que te seduz para o naufrágio." Radiohead- There There. (The Boney King ofNowhere.)

*Jannyffer Almeida, tocantinense, licenciada em Letras pela UFT.

Oi, tudo bem?

Lendo sua resposta eu entendi muito bem e não tiro tua razão. Toda mudança dá um frio na barriga, isso é normal. Mas só não pode deixar com que o medo tome conta e te faça desistir. Eu sei, eu também já tive medo de uma mudança brusca na minha vida e é bem assustador mesmo! Você só não deve esperar demais, oportunidades não batem todos os dias na nossa porta e nos chama pra passear. A vida nos dá os presentes, você deve aceitar ou não.

É engraçado te ver assim nessa confusão, parece eu quando estava entrando na universidade. Te contei na ultima carta que precisava tomar um rumo na minha vida, fui lá e fiz, mas antes disso eu pensei em inúmeras coisas, perguntei para várias pessoas. Alguns me aconselharam bem, outros nem se importaram com minha indecisão, a partir disso eu entendi quem se importa comigo. A amizade é um ponto brilhante na imensidão escura, é sempre bom ter boas lentes para poder enxergá-la. Acredito que você saiba reconhecer um amigo.

Voltando para o foco da carta… O medo pode ser um amigo e também pode ser nosso algoz, você vai perceber quando ele está contra você se deixar ser dominada por ele. Esse é um ponto importante. Não deixe isso acontecer, pois você não mexerá um dedo sequer. Como eu te falei antes, não deixe que aquilo que você tanto almeja seja apenas uma lembrança num bilhete desbotado, isso faz parte de você. O medo pode sim existir, só que ele não deve tomar conta de toda e qualquer situação. Tenha um pouco de fé em si mesma, entenda que sua capacidade de conseguir é maior que toda essa tensão. Espero que quando você me responder esta carta me venha com novidades. Estou ansioso aguardando retorno.

CARTAS

PARANINGUÉM

THEODOR MAUSS*

Do seu querido amigo, Theodor Mauss

*Theodor Mauss é um escritor alemão que reside no Brasil

KALEVALA

Dra. Sirkka-Liisa Mettomäki, Secretária da Associação Kalevala e Dra. Anneli Asplund, Investigadora Especial, Associação da Literatura Finlandesa

A EPOPEIA NACIONAL DA FINLÂNDIA

A primeira edição do Kalevala foi publicada em 1835. A obra nasceu como resultado do trabalho ARTICLE realizado BY ANDREW por Elias SIMMONS Lönnrot, sendo composta pelos poemas populares que ele recolheu.

A poesia lírica antiga, com um metro singular de quatro troqueus, baseado nas relações da acentuação das palavras, vivia na tradição dos povos de língua fino-ugriana da região do Báltico, há mais de dois milênios.

Quando o Kalevala foi publicado, a Finlândia era, desde há um quarto de século, um Grão- Ducado da Rússia, tendo antes disso pertencido ao Reino da Suécia até 1809.

O Kalevala foi um ponto de viragem na evolução da cultura de língua finlandesa, tendo também despertado interesse fora do país.

Entre os finlandeses, a obra fez nascer a confiança nas possibilidades da sua própria língua e cultura e, além fronteiras, levou um pequeno povo desconhecido à consciência dos outros povos europeus, ganhando assim o estatuto de epopeia nacional.

Lönnrot, ajudado por alguns amigos, continuou o trabalho de recolha da poesia popular, conseguindo material novo em grande abundância. Lönnrot usou este material para publicar a segunda, mais alargada versão do Kalevala em 1849.

É esta nova versão que, desde então, tem sido lida na Finlândia e servido de base à grande maioria das traduções para outros idiomas.

Canções do Kalevala

Como era essa poesia popular antiga que Lönnrot encontrou nas suas viagens? O que é que contam esses cantares? Quando nasceram? Quanto tempo existiram? Supõe-se que há cerca de 2500 - 3000 anos houve uma profunda transformação cultural no seio dos povos fineses que viviam junto ao Golfo da Finlândia.

Dessa transformação nasceu uma forma particular de cantar, caracterizada pela aliteração inicial e repetição do verso, assim como pela ausência de estrofes.

Os versos obedeciam a um metro singular de quatro troqueus, que passou a ser conhecido como o metro do Kalevala. Quanto ao ritmo, os versos musicais eram na sua maioria em quatro ou cinco troqueus, e as melodias variavam numa escala de cinco notas.

A poesia popular antiga não é um conjunto de poemas criados numa só época, mas sim uma formação estratificada com materiais de várias idades. O material mais antigo

antigas do tempo da criação, do nascimento do mundo e da cultura humana.

A personagem principal dos poemas épicos é muitas vezes um cantor poderoso, um xamã, um mago, o líder espiritual da sua tribo, que viaja ao mundo dos mortos em busca de conhecimentos e respostas. Os heróis cantados nos poemas também têm as suas aventuras numa terra ultramarina, na Pohjola do Kalevala (a Terra do Norte), em viagens cujo objectivo podia ser um pedido de casamento, uma pilhagem ou simplesmente uma fuga.

Os poemas líricos interpretavam os sentimentos da alma. A poesia ritual concentrava-se principalmente nas bodas e na matança do urso. Os feitiços ou encantamentos, no metro do Kalevala, eram uma magia de palavras que fazia parte da vida quotidiana.

Esta antiga tradição de cantar manteve-se viva em toda a Finlândia até ao século XVI. Depois da reforma, a igreja luterana proibiu o uso dos cantares, caracterizando

todo essa anciã tradição como pagã. Ao mesmo tempo as novas correntes musicais provenientes do ocidente ganharam força na Finlândia.

Pouco a pouco, a antiga tradição começou a desaparecer, primeiro na parte ocidental da Finlândia e mais tarde no resto do país. Alguns poemas e cantares já tinham sido recolhidos no século XVII, mas o trabalho essencial de recolha só foi feito no século XIX.

Nas regiões da província de Viena, na Carélia Oriental, esta antiga tradição conseguiu sobreviver até aos nossos dias.

Elias Lönnrot nasceu no dia 9 de Abril de 1802 na freguesia de Sammatti, no sul da Finlândia, numa família de sete filhos do mestre alfaiate Fredrik Juhana Lönnrot.

O talento do jovem Elias foi descoberto já cedo. Aprendeu a ler aos cinco anos de idade e os livros transformaram-se na sua grande paixão. Na vizinhança a sua vontade de ler originou várias anedotas e histórias: "Levantem-se! o Elias há muito que está a ler sentado no ramo da árvore!", era assim que a mulher do rendeiro vizinho acordava os seus filhos.

Segundo outra história, um dia o jovem Elias pediu à mãe pão que ela não tinha para lhe dar: "Ai não! então leio!", retorquiu o rapaz. Embora sem posses, os pais decidiram pôr o filho na escola. Tenaz e desejoso de aprender, o jovem levou avante os seus estudos, matriculando-se na Universidade de Turku em 1822.

Na Universidade Lönnrot estudou várias matérias, como era hábito nessa altura. Além da medicina, estudou latim, grego, história e literatura. Lönnrot também conheceu um pequeno círculo de professores e estudantes de espírito nacionalista, cujo objectivo principal era promover a posição da língua nacional. No âmbito dos seus estudos, Lönnrot familiarizou-se com as colectâneas de poesia popular recém-publicadas. Descobriu-se que na Finlândia Oriental, especialmente na província de Viena, na Carélia Russa, haviam lugares onde os cantares antigos ainda se mantinham vivos entre as populações. Lönnrot fez a sua tese sobre a mitologia

Este livrete em latim foi publicado em 1827. Lönnrot formou-se em medicina em 1832. Em 1827 a Finlândia foi abalada por uma enorme catástrofe, o pavoroso incêndio que destruiu completamente a cidade de Turku, a então capital do país, onde estava instalada a Universidade.

Tendo sido impossível organizar o ensino universitário no ano lectivo de 1827-1828, Lönnrot passou todo o Inverno como professor particular em Vesilahti, onde a ideia de fazer uma viagem de recolha de poemas à Carélia começou a ganhar forma na sua mente. Lönnrot decidiu aproveitar o Verão de 1828 para realizar essa viagem às províncias de Savo e da Carélia.

Conclusão do Kalevala em 1835 e 1849

Depois da viagem de 1834 foi possível avançar com a ideia de reunir o material numa só obra, num poema épico nacional, o que se veio a concretizar com a publicação do Kalevala em princípios de 1835. A publicação do Kalevala não apagou a paixão que Lönnrot sentia pela recolha de poemas. Lönnrot continuou o seu trabalho e viajou pela província de Viena já em Abril e Outubro do mesmo ano, mas a sua grande expedição teve lugar nos anos de 1836 -1837. O exemplo de Lönnrot inspirou muitos outros estudiosos a fazer estas viagens de recolha. Lönnrot começou a preparar uma nova, mais extensa edição do Kalevala, a qual foi publicada em 1849. Neste novo Kalevala Lönnrot incluiu episódios completos e modificou uma grande parte dos textos já existentes. O primeiro Kalevala transcrevia com relativa fidelidade os cantares originais. Na composição do novo Kalevala, Lönnrot afastou-se mais e mais do texto original.

O Kalevala marcou de tal maneira muitos dos sectores da vida contemporânea finlandesa que por vezes nem se nota. As suas marcas enraizaram-se na nossa cultura para sempre. Isto compreende-se melhor através de uma observação do nosso vocabulário onomástico. Os nomes de bairros, de ruas, de empresas e de produtos nacionais não se esgotam na nossa epopeia nacional. No seu melhor, o Kalevala é uma marca exclusiva no mundo inteiro. O uso dos nomes do Kalevala foi particularmente comum nos fins do século passado, sendo hoje em dia mais casual. Porém, a originalidade dos produtos da indústria e do artesanato finlandeses, continua a ser sublinhada com a escolha de um nome tirado do Kalevala.

"Quando se recebem visitas, põe-se na mesa o serviço de estanho Sampo e a dona de casa, Aino Pohjola, veste a camisola de lã Väinämöinen. Ilmari Pohjola, o marido, trabalha na companhia de asfalto Lemminkäinen, e a Aino Pohjola trabalha na joalharia Kalevala Koru.

O pai do Ilmari Pohjola, quando jovem, trabalhou no quebra-gelos Sampo. A Aino Pohjola, por seu lado, vem de uma família de agricultores, que usava na colheita uma debulhadora Sampo.

A família era sócia da Associação Pellervo e os seus seguros estavam na seguradora Kaleva. A casa de Verão da família Pohjola é em Hiidenvesi (Água do Diabo). À noite acendem a lareira com fósforos Sampo."

Segundo a Kalevala, quem tiver o engenho mágico, o Sampo, terá tudo que há de bom na vida. Quem perder o sampo fica condenado à ruína.

Durante os últimos 150 anos a definição do engenho mágico, tem sido debatida por investigadores e cientistas finlandeses de quase todos os ramos da ciência, e também por estrangeiros conhecedores do Kalevala. As definições são tantas como os investigadores.

As possibilidades são ilimitadas. O interesse pelo mistério do engenho mágico talvez resida no facto de que Sampo é, de todos os nomes do Kalevala, o mais usado.

Fonte:www.finlandia.org.br

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"TRÊS ANÉIS PARA OS REIS-ELFOS SOB ESTE CÉU, SETE PARA OS SENHORES- ANÕES EM SEUS ROCHOSOS CORREDORES, NOVE PARA OS HOMENS MORTAIS FADADOS AO ETERNO SONO,

UM PARA O SENHOR DO ESCURO EM SEU ESCURO TRONO

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

UM ANEL PARA A TODOS GOVERNAR, UM ANEL PARA ENCONTRÁ-LOS, UM ANEL PARA A TODOS TRAZER E NA ESCURIDÃO APRISIONÁ-LOS

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam."

(O SENHOR DOS ANÉIS)

J R R TOLKIEN 1982-1973