PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES MARLON ROZA Coordenação da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Curitiba
Iniciamos o mês de novembro, o qual celebramos a festa de todos os Santos e relembramos àqueles que partiram, trazendo uma reflexão em torno da “crise”. Financeira, institucional, econômica, familiar, migratória... São tantos os espaços que hoje são tomados por ela que somos levados a maior de todas, a crise de caráter, é assim que o autor Pablo Vilaça define o momento que vivemos em seu artigo “Apesar da crise”. Neste mesmo contexto trazemos uma reportagem especial sobre a tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte por causa da guerra e da fome, e rumam à Europa na esperança de vida. Se na Europa os imigrantes encontram uma verdadeira barreira, por outro lado, aqui em Curitiba, a história tem mais que um feliz começo. Assim é o Projeto “O Haiti é logo aqui”, da Paróquia São José Trabalhador, no bairro Campina do Siqueira. Por meio do emocionante depoimento da voluntária Simone Carvalho, vamos conhecer um exemplo de doação e amor ao próximo e entenderemos que à medida que ensinamos o valor de uma cidadania justa e humanitária, dispondo-nos a mostrar a verdadeira face de um país. Trazemos também nesta edição da Revista Voz da Igreja um alerta aos perigos ambientais que o chamado “Fracking” pode provocar em nosso planeta. Dando continuidade à série de reportagens da Campanha da Fraternidade, João Santiago faz uma reflexão sobre a história e atuação das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base, e do seu compromisso com a transformação da realidade da exclusão social e violência. Relembra momentos marcantes onde as CEBs tiveram um papel de transformação social, como a eleição e o acompanhamento de Conselheiras/os Tutelares e o Grito dos Excluídos, que chegou neste ano à sua 21ª. Edição em uma linda parceria com o Dia Nacional da Juventude. Falando em juventude, o Setor provoca os jovens a terem visão a longo prazo e propõe a repensarem em processos de continuidade por meio dos trabalhos de base. Merece destaque o artigo do Deputado Diego Garcia sobre o Estatuto da Família, um instrumento garantidor dos seus direitos e diretrizes de políticas públicas para a sua valorização. Destacamos ainda o artigo do Seminarista André Novaki “A liturgia da misericórdia: missão de Cristo, missão da Igreja”, os depoimentos das Paróquias Sagrada Família e Nossa Senhora do Rosário de Belém, onde cerca de 400 casas foram visitadas, mostrando o verdadeiro sentido de uma “Igreja em saída”. Trazemos também a matéria da Capelania da Guarda Municipal de Curitiba, o VII Seminário Arquidiocesano de Catequese que teve como tema “O catequista para uma Igreja missionária”, o artigo “O Dízimo como expressão de Comunhão” e uma breve explanação de como foi o XV Seminário do Dízimo, os cuidados com a saúde do homem e os 50 anos da Paróquia São João Batista da Vila Tingui. Por fim, Dom José Antônio Peruzzo em sua reflexão “Fé inspiradora e religiosidade egocêntrica” nos deixa o seguinte questionamento: em qual Deus eu creio? Naquele revelado por Jesus Cristo? Ou naquele a quem quero obediente às minhas preferências? Que sigamos no caminho de Jesus! ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Rua Jaime Reis, 369 - São Francisco 80510-010 - Curitiba (PR) Responsável: Stephany Bravos - DRT 10607/PR Fones / Fax: (41) 2105-6343 ou (41) 8700-4752 E-mail: vozdaigreja@arquidiocesecwb.org.br Site: www.arquidiocesedecuritiba.org.br Apoio e Colaboração: Fone: (41) 2105-6342 Responsável: Aline Tozo E-mail: aline@arquidiocesecwb.org.br
Expediente A revista Voz da Igreja é uma publicação da Arquidiocese de Curitiba sob a orientação da Assessoria de Comunicação CONSELHO EDITORIAL - Arcebispo da Arquidiocese de Curitiba Dom José Antônio Peruzzo | Bispo da Arquidiocese de Curitiba: Dom José Mário Angonese . Chanceler: Élio José Dall'Agnol | Ecônomo da Mitra: Pe. José Aparecido Pinto. | Coordenador da Ação Evangelizadora: Pe. Alexsander Cordeiro Lopes | Coordenador geral do clero: Pe. Marcos Honório da Silva | Assessora de Comunicação: Stephany Bravos | Jornalista responsável: Stephany Bravos | Revisão: Stephany Bravos - Ana Paula Mira |Colaboração voluntária: 12 Comissões Pastorais| Apoio: Centro Pastoral Projeto gráfico e diagramação: Editora Exceuni - Aldemir Batista - exceuni@uol.com.br - (41) 3657-2864. Impressão: ATP Gráfica & Editora - Tiragem: 10 mil exemplares.
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Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
Nov Nov.. 15
Ação Evangelizadora
Agenda Mensal dos Bispos Dom José Antônio Peruzzo Arcebispo da Arquidiocese de Curitiba
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- Missa na Catedral - Ordenações Diaconais, na Paróquia Anjo da Guarda 02 - Missa no Cemitério da Água Verde 03 - Missa do Padroeiro na Paróquia São Martinho de Lima 04 - Missa no Centro Politécnico, da UFPR 05 - Reunião com a Equipe Missionária, na Cúria - Expediente na Cúria 06 - Crisma na Paróquia Nossa Senhora das Dores 07 - Missa de Lançamento do Caminhando, no Santuário São José - Crismas na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Almirante Tamandaré 08 - Missa do Padroeiro na Paróquia São Carlos Borromeu - Crisma na Paróquia São Jorge 10 - Reunião da APAC - Visita ao Seminário Rainha dos Apóstolos 11 - Visita ao Seminário Propedêutico 12 - Reunião do Setor Portão, na Paróquia Senhor Bom Jesus - Visita no Seminário Bom Pastor 13 - Missa de Jubileu de Prata de Ordenação Presbiteral do Pe. José Carlos, na Paróquia Santa Isabel 14 - Missa no Santuário da Divina Misericórdia - Crisma na Paróquia Senhor Bom Jesus, no Portão 15 - Crisma no Seminário dos Legionários de Cristo - Ordenação Diaconal, na Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, em Pinhais 16 - Formação Bíblica, no Santuário Nossa Senhora do Carmo 17 a 18 - Assembleia Geral do Clero, na Casa de Retiros Nossa Senhora do Mossunguê 17 - Missa de Ação de Graças do Setor Boqueirão, na Paróquia São Judas Tadeu 18 - Visita no Seminário São José 19 - Missa na Assembleia da Pastoral da Criança - Investidura dos MESCES do Setor Orleans, na Paróquia São João Batista (Vila Sandra) 20 - Missa de Despedida da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nossa Senhora do Carmo 21 - Crisma na Paróquia Nossa Senhora da Cabeça 23 a 25 - Reunião do Conselho Permanente, em Brasília- DF 26 - Crisma do Colégio Medianeira, na Paróquia Imaculada Conceição, no Guabirotuba 27 - Missa na Capela da Medalha Milagrosa - Reunião dos Formadores, no Seminário Bom Pastor - Missa de Ação de Graças pelo encerramento do IAFFE, na Paróquia São Vicente de Paulo 28 - Missa na Comunidade Missão Fonte de Encontro 29 - Missa Paróquia Nossa Senhora das Graças - Encontro da Região Episcopal Norte (EREN), na Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, em Pinhais - Investidura dos Coroinhas na Paróquia Santa Quitéria 30 - Retiro para os Padres da Sociedade de Cristo, na Paróquia Pedro e São Paulo
Dom José Mário Angonese Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba Região Episcopal Norte 01
- Ordenações Diaconais na Paróquia Anjo da Guarda 02 - Missa de Finados na Catedral 03 - Missa na Paróquia Nossa Senhora da Saúde 04 - Expediente na Cúria 05 - Reunião da Equipe Missionária, na Cúria - Crisma na Paróquia São José Operário, no Boqueirão 06 - Crisma na Paróquia São José Operário, no Boqueirão 07 - Crisma na Paróquia São Pio X - Crisma na Paróquia Santa Quitéria 08 - Crismas na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Colônia Faria 10 - Reunião da APAC 10 - Posse de Pároco na Paróquia Menino Deus 11 - Expediente na Cúria 12 - Reunião do Setor Portão, na Paróquia Senhor Bom Jesus - Reunião do Setor Cajuru, na Paróquia São Martinho de Lima 13 - Crisma na Paróquia Senhor Bom Jesus, no Cabral 14 - Crisma na Paróquia Santa Edwiges - Crisma na Paróquia Santa Bertila 15 - Crisma na Paróquia Santa Edwiges - Crisma na Paróquia Nossa Senhora da Luz, no CIC 17 a 18 - Assembleia Geral do Clero, na Casa de Retiros Nossa Senhora do Mossunguê 17 a 19 - Crisma na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Colombo 20 - Reunião do Setor Almirante Tamandaré, na Paróquia Nossa Senhora do Amparo - Missa de Despedida da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário de Nossa Senhora do Carmo 21 - Crismas no Colégio Bom Jesus Aldeia - Crisma na Paróquia São João Batista Precursor 22 - Missa no Santuário Cristo Rei - Crismas na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Pinhais 24 - Missa na Paróquia Nossa Senhoras das Graças 26 - Reunião do Setor Pinhais, local a definir - Ordenação Diaconal na Paróquia Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças 27 - Reunião do Setor Boqueirão, na Par. Nossa Sra. da Visitação - Reunião dos Formadores, no Seminário Bom Pastor - Crisma na Paróquia Nossa Senhora da Luz, em Pinhais 28 - Reunião da Pascom - Crisma no Colégio Bom Jesus Aldeia - Crisma na Paróquia Maria Mãe da Igreja 29 - Assembleia dos Diáconos Permanentes, no Seminário Bom Pastor - Encontro da Região Episcopal Norte, na Paróquia Nossa Senhora da Boa Esperança, em Pinhais - Crisma na Paróquia Nossa Senhora da Salete
Fé inspiradora e religiosidade egocêntrica
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Arcebispo de Curitiba
DOM JOSÉ ANTÔNIO PERUZZO
Voz do Pastor
Quem entra em uma livraria surpreende-se logo pelo elevado número de livros de autoajuda. Nunca se escreveu tanto acerca desta temática. E as vendas estão sempre no topo. Sucesso, autodomínio, êxitos, conquistas e realizações pessoais. Frases, experiências dos vencedores, narrativas laudatórias preenchem muitas páginas. E com grande frequência o nome de Deus é associado às mais triunfais venturas. Se esse mercado é próspero, é porque a demanda é crescente. Na dinâmica competitiva todos nós somos induzidos a mergulhar no ritmo dos vencedores. Não se trata de apontar erros neste processo cultural, mas de despertar para que não sejamos enredados por rumos e ritmos que podem ameaçar nossos relacionamentos e golpear outras dimensões da vida. Penso que todos já vimos e ouvimos filhos ou pais a dizer, com dor, que falta tempo ou serenidade para os afetos familiares. E, quando isso é possível, então é o consumo a invadir os desejos. Essa observação aflorou-me à mente ao ler os versículos do evangelho de Marcos 10, 35-45. Jesus e seus discípulos estavam a caminho de Jerusalém. Sabe o leitor o que haveria lá: a cruz e a ressurreição. Partindo apenas do olhar humano, a primeira aponta para o fracasso; a segunda salienta a vitória. No caminho, dois discípulos interpelam Jesus com uma espécie de reivindicação: “Mestre, queremos que nos faças o que te pedimos” (10,36). Eram discípulos já de longa data. Somos levados a pensar que sabiam o que significa ser discípulo. Porém, o tom da frase revela mais exigência do que diálogo: “Queremos que nos faças...”. Parece que comandam. Observemos o que pedem: “Concede-nos, na tua glória, sentarmonos um à tua direita e outro à tua esquerda” (10,37). Na glória e nos triunfos estão interessados. Movem-se. Buscam. Pedem. É curioso que apenas algumas linhas antes o assunto de Jesus com eles fora a cruz e a ressurreição. Mas eles abordam somente participar da “glória”. O evangelista se mostra crítico a tais formas de seguimento. Não pretendiam eles seguir no caminho de Jesus. Queriam, sim, servir-se do seguimento para alcançar formas de grandeza que atendiam as suas vaidades. Os outros dez discípulos insurgiram-se contra aqueles dois (10,41). Não por causa da insensatez do pedido; também eles tinham os mesmos interesses. E custava-lhes ficar em alguma outra posição que não a primeira. Quando os anseios pessoais se sobrepõem aos da vida comunitária sempre, e em todos os tempos, os companheiros são também concorrentes. Por esses caminhos, qualquer linguagem e opção de ética comunitária serão torpedeadas por aquelas vias nas quais a grandeza humana gravita em torno de conquistas e êxitos. E até o nome de Deus é invocado para tais ambições. Há o risco de invocar o nome do Deus verdadeiro em vista de aspirações de riqueza ou de poder. É a isso que chamo de religiosidade egocêntrica. Deus deixa de ser quem é e, deformado por egoísmos, passa a ser uma falsa divindade que abençoaria a desigualdade. Termino com um questionamento, válido sempre: em qual Deus eu creio? Naquele revelado por Jesus Cristo? Ou naquele a quem quero obediente às minhas preferências?
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NO VEMBRO: FEST A DE FESTA NOVEMBRO: TODOS OS SANTOS E FINADOS
A INDULGÊNCIA A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida a pecados mortais perdoados, mas sem a penitência ou pecados leves não absolvidos ou perdoados por um ato de contrição perfeita. Para se entender a indulgência, expli-
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co assim: uma pessoa cometeu um homicídio voluntário. Condenada à prisão, arrependeuse diante do Juiz, prometendo nunca mais matar. Mesmo com todo o arrependimento, o Juiz a condena a ficar na prisão por determinado tempo. A indulgência é a remissão da pena, porque o pecador não fez penitência devida ao pecado mortal perdoado. A penitência que o confessor dá é muito leve. Podem beneficiar-se da indulgência os vivos e mortos. A indulgência é plenária, quando redime toda a culpa, e é parcial, quando redime parte. Para se obter a indulgência plenária, a Igreja estabelece a confissão, a comunhão eucarística e uma prece pelo Papa. Na hora da morte, o confessor pode conceder ao moribundo a indulgência plenária. OS MORTOS São beneficiados de modo especial no dia de Finados e na sua oitava, visitando o cemitério, e nos outros dias com a indulgência parcial. No dia de Finados, os fiéis podem aplicar a Indulgência Plenária a um defunto, ao entrar na igreja, capela, seminários e durante a oitava do dia primeiro ao oitavo de novembro, toda a vez que entrar no cemitério. Que cada um beneficie um defunto, no dia de Finados e na oitava, aplicando-lhe a Indulgência Plenária, como determina a Igreja.
Arcebispo Emérito de Curitiba
DOM PEDRO ANTÔNIO MARCHETTI FEDALTO
Palavra de Dom Pedro
Todos os santos - No dia 1º de novembro, a Igreja Católica celebra a festa de Todos os Santos. Há santos em todos os continentes, tempos e classes: Papas, Reis, Bispos, Presbíteros, Diáconos, Religiosos, Religiosas, anciãos, adultos, leigos, jovens, adolescentes e até crianças. O Bispo de Criciúma, Dom Jacinto Inácio Flach, falando aos seminaristas do Propedêutico e São José, disse-lhes: a maior graça de Deus para uma paróquia é um pároco santo. Dom José Antônio Peruzzo está empenhado a formar padres santos. Vai começar com os dois que se ordenam diáconos, William Rone da Silva Lemes e João Carlos Marcondes, no dia de Todos os Santos, no dia 1º de novembro, na Matriz do Anjo da Guarda, no Município de Almirante Tamandaré. Finados - No dia 2 de novembro, a Igreja Católica reza por todos os mortos, de modo especial a Santa Missa. A Igreja Católica ensina no Catecismo que existe o Purgatório, que é o estado dos que morrem na graça santificante, sem pecados mortais, mas que necessitam de uma purificação para pecados leves e por falta de uma penitência neste mundo por pecados mortais perdoados no Sacramento da Reconciliação (Confissão) ou por um ato de contrição perfeita que perdoa todos os pecados. Não só a Igreja, fundamentada na Bíblia, ensina a necessidade da oração pelos mortos, mas também o consenso geral do povo. Basta ver as intenções de missas pelos mortos, a missa de corpo presente, sétimo dia, primeiro mês e ano. Fundamentação Bíblia do Purgatório. A primeira fundamentação é do livro dos Macabeus. Judas Macabeu, depois de uma batalha com tantos mortos, pediu que se fizesse uma coleta, recolhendo duas mil dracmas de prata enviadas a Jerusalém para oferecer um sacrifício pelos mortos por causa de seus pecados. Se não acreditassem que os mortos seriam purificados e absolvidos por esse sacrifício, seria supérflua e vã a oração pelos mortos (II Mc. 12, 43 - 46). O Evangelho – O Evangelho afirma que há pecados que serão perdoados no outro mundo (Mt. 12, 32). Há outra passagem do Evangelho que diz: “Eu te digo, não sairá de lá antes de pagar o último ceitil (Mt. 5, 25 e Lc. 12, 9) . Ceitil é a “lepta”, moeda grega de valor ínfimo, equivalente a nosso centavo, tostão. Em Mateus, significa a reconciliação dos irmãos na comunidade, em Lucas, tem sentido escatológico, o juízo de Deus que está próximo. É preciso apressar a purificação, por meio das preces dos fiéis.
Pascom
STEPHANY BRAVOS Jornalista da Arquidiocese de Curitiba
Foi através do grupo de oração realizado na Prefeitura da Cidade que a Guarda Municipal se inspirou há três anos dando início à Capelania da Guarda Municipal de Curitiba. O Departamento da Guarda Municipal e seus servidores, é o órgão responsável pela proteção e segurança do município, agindo de maneira preventiva, mas também atuando como um mediador de conflitos. Estas atividades, indubitavelmente, expõem os servidores às mais diversas situações, a maioria delas, adversas. Infelizmente, estes servidores lidam com as maiores mazelas da sociedade atual, sejam questões afetas à segurança, assim como a demais questões de ordem social, até mesmo de saúde. Esta lida exige do Guarda Municipal um elevado grau de resiliência, dada à pressão a que estão expostos, à necessidade de tomar decisões assertivas e acertadas a todo o momento, observando as imposições legais, muitas vezes contrárias aos anseios da população. Ressalta-se que, indiferente ao fato de ser um Guarda Municipal, estas situações recaem sobre a pessoa que se encontra uniformizada, em quem os efeitos deste trabalho irão se refletir e, tendo em vista os anos de experiência
Foto: Pascom
Capelania da Guarda Municipal de Curitiba: Proteção, segurança e amparo social
acumulados, não são poucos os que sucumbem diante de tal esforço. Assim, a Capelania da Guarda Municipal tem o objetivo de ofertar um primeiro amparo social e espiritual a este ser humano que se encontra em uma situação limite, por meio de ações preventivas, de assistência religiosa, envoltas em um ambiente de bem estar espiritual, renovando as energias morais, apontando possíveis encaminhamentos para a resolução de seus problemas, colaborando para o bom cumprimento de suas funções. Uma das ações deste serviço é a reunião de um grupo de 15 a 20 pessoas para um momento espiritual e ecumê-
nico através de uma oração, uma palavra e até um abraço amigo, todas as manhãs de sexta-feira. A atuação se estende para os serviços fúnebres, esportiva, carcerária, social e estudantil. Desta forma, o trabalho da Capelania da Guarda Municipal, não é visto como um trabalho de repreensão, mas sobretudo de amparo social.
Foto: Pascom
Reconhecendo este trabalho, uma missa foi celebrada no dia 16 de julho para marcar o aniversário de 29 anos de criação da Guarda Municipal. Na mesma ocasião, foi entregue um documento pelo qual o arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, confere confere autoridade ao diácono Marcos Daniel de Camargo e a Pedro Rafael Ioungblood, que atuam como guardas municipais, para o serviço de assistência religiosa na corporação. Por meio destas ações a Capelania vai ao encontro de uma Igreja missionária, que atua junto à comunidade.
“Atendendo ao pedido do Papa Francisco, de ´Uma Igreja em Saída´, vimos que a Igreja também deve estar presente nas repartições públicas, cumprindo uma função social”, afirma o Guarda Municipal de Curitiba, Pedro Rafael Ioungblood.
PASTORAL DA COMUNICAÇÃO: pascom@arquidiocesecwb.org.br (41) 9999 - 0121 / Coordenador: Antonio Kayser. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Animação Bíblico-Catequética
No dia 27 de setembro, centenas de catequistas de nossa arquidiocese puderam vivenciar momentos especiais no VII Seminário Arquidiocesano de Catequese, com o tema que está no título deste artigo. Pe. Abimar Oliveira de Moraes levou-nos a profundas reflexões sobre esse ministério essencial. Algumas ideias principais serão discorridas a seguir. Toda ação da Igreja brota de Jesus Cristo, leva ao seguimento intenso de sua pessoa e ao compromisso com seu projeto missionário. O primado é sempre de Deus, que nos chama para cooperar com Ele e nos impele com a força do seu Espírito. Encantado pelo Encantador, torno-me anunciador de seus encantos. A vocação ao discipulado missionário floresce no mergulho batismal. Não há discipulado sem vida sacramental. E, em virtude do Batismo recebido, cada membro da comunidade torna-se discípulo missionário de Jesus Cristo. Cada um dos batizados, independentemente da própria fé, é um sujeito ativo de evangelização. O catequista é sujeito ativo na vida missionária da Igreja. É o discípulo missionário fiel aos ensinamentos do Evangelho no serviço eclesial. O catequista é a porção da índole missionária da Igreja, é um porta-voz do tesouro da fé. Ele conduz os interlocutores a conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o mistério de Deus, manifestado em Jesus Cristo, no Espírito Santo. A Igreja inspira-nos uma nova mentalidade e novas atitudes na iniciação à vida cristã. Mais do que fazer e atuar, é revelar e experienciar. O catequista não é um apologeta de minucias dogmáticas, mas o sacramento que conduz aos afagos e carícias de Deus. O catequista missionário é aquele que experienciou as carícias de Deus. É aquele que transmite os benefícios de acariciado. Oferece aquilo que sente. Uma Igreja em saída é a proposta ecoada do Evangelho que o catequista faz acontecer na comunidade paroquial. Sair e anunciar o Evangelho é o mandato missionário que o Senhor faz aos catequistas. Saiamos das formalidades sacra-
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Fotos: Geovanni C. De Luca
O CA TEQUIST AP ARA UMA CATEQUIST TEQUISTA PARA
mentais de fé para entrarmos nos mistérios celebrativos do Ressuscitado. Uma catequese mais missionária deve implicar decididamente um novo protagonismo de cada um dos batizados, e não somente do catequista. Quanto mais a comunidade paroquial estiver ornada pelos brilhos missionários mais ela será responsável e comprometida com a iniciação à vida cristã. Sendo assim, o catequista é protagonista de uma Igreja em estado permanente de missão. Podemos apontar três características decididamente missionárias da vida e ministério do catequista: a) O catequista é discípulo missionário do Reino: o catequista não é aquele que diz o que Deus faz, mas é aquele que sente a salvação de Deus. É o sacramento na comunidade que conhece, interpreta, ensina, atua, medita e serve as Escrituras. Anuncia o projeto de vida de Jesus: o Reino. A força da missionariedade do catequista está na escuta e vivência da Palavra. “É preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial” (EG 174). A Palavra possui, em si mesma e na pessoa do catequista, tal potencialidade que não a podemos reter e prever. O catequista é aquele discípulo missionário que avança no caminho da consolidação da conversão pastoral e missionária. Não se fecha no comodismo tradicional, na autopreservação doutrinal ou nas religiosidades alarmistas. Ele é discípulo missionário em saída, ou seja, que se envolve com os interlocutores, acompanha, frutifica, festeja, sabe tomar a iniciativa sem medo, procurar os afastados e atua com paciência evangelizadora. O discipulado missionário do catequista ocupa o centro da atividade evangelizadora e toda tentativa de renovação eclesial, por isso “na boca do catequista, volta ressoar sem-
PE. LUCIANO TOKARSKI Coordenador da Pastoral Catequética
IGREJA MIS SIONÁRIA MISSIONÁRIA
pre o primeiro anúncio: Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer e libertar” (EG 164). b) O catequista é mistagogo: o mistagogo não só se preocupa em não cair em erros doutrinais, mas acusa-se itinerante fiel no caminho luminoso de vida e sabedoria. O mistagogo é aquele que mergulha no mar do amor de Deus. Não é aquele que empurra ou indica o caminho somente, é aquele que caminha junto, envolve-se, preocupa-se. Em outras palavras, para tornar-se mistagogo precisa antes ser missionário, estar apaixonado pela pessoa de Jesus Cristo. O mistagogo é mais preocupado em ocupar-se com iniciar processos do que possuir espaços. O catequista mistagogo privilegia ações que geram novos dinamismos, novos encontros, novos carismas na comunidade e gera compromisso eclesial na vida dos interlocutores. É aquele que “ajuda a uma participação ativa, consciente e genuína na liturgia da Igreja” (DGC 25) O catequista mistagogo é pessoa de atitudes, de sinais, das palavras, do ensinamento, do discurso e, sobretudo, é pessoa do testemunho de Jesus Cristo. É aquele que, como diz a bela canção: “tem a palavra certa, na hora certa, do jeito certo e para a pessoa certa”. E mais ainda, o mistagogo é aquele que se afunda na interioridade e intensidade dos mistérios pascais. Sem oração, o catequista é técnico na fé; com a oração, o catequista torna-se mestre de fé. c) O catequista é católico: é aquele que opta pela essencialidade eclesial. Vamos detalhar a essencialidade do catequista em três verbos: acolhedor, ouvinte e visitador. O catequista acolhedor é aquele que conduz o interlocutor a vivenciar experiências únicas com Jesus Cristo. É alguém sempre aberto às
novas mudanças e criatividades da Igreja. O catequista ouvinte é aquele que aprende a falar menos e a escutar mais, ou seja, exerce seu ministério a partir do silêncio da escuta. O catequista visitador é aquele que pastoreia as periferias existenciais das famílias. Não fica em prontidão à espera da resolução dos problemas, mas colocase em atitude, em movimento, em proatividade, em saída missionária. O catequista visitador não é o antídoto para as crises humanas, mas presença de Deus e o canal evangelizador das famílias. O serviço do catequista não é um ato individual ou isolado, mas sempre profundamente eclesial: exerce-o pela e em nome da Igreja. O catequista comunga da unidade eclesial. Não proclama teorias pessoais, mas o Evangelho e os ensinamentos magisteriais. O catequista é aquele que partilha das belezas de sua comunidade. É chamado a ser missionário e carrega consigo os dons da universalidade eclesial. A missão é sinal da comunhão. A catequese deve mergulhar nas atitudes próprias do Mestre. Os discípulos empreendem, assim, um caminho de transformação interior em que, participando do mistério pascal do Senhor, passam do homem velho ao homem novo em Cristo (cf. CT 28). A atividade missionária constitui, portanto, terreno privilegiado para a catequese ser posta em prática. Enfim, o espírito missionário requer que o catequista imprima, no mais íntimo de seu ser e do seu ministério, o sinal da autenticidade de fé: a cruz gloriosa. O Cristo que o catequista aprendeu a conhecer é o “crucificado” (1Cor 2,2) e o qual anuncia é também o “Cristo crucificado” (1Cor 1,23) que o “Pai ressuscitou do mortos ao terceiro dia” (At 10,40). Que Maria configure em cada catequista o estado missionário do discipulado!
COMISSÃO DA ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA: catequese@arquidiocesecwb.org.br – fones: 2105-6318./ Coordenação: Pe. Luciano Tokarski. Assessoria: Regina Fátima Menon. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Especial
*PABLO VILLAÇA
Apesar da Crise Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”. Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos? Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados. Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos - e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc. Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”. Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro - porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não? Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados. “Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.” “Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise” “Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas” “Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”
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Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
ANDRÉ LANGER
“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre” “Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015” “Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015” “Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.” “Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,” “16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;” “Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais” “Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas” Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise. A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro. Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitála caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população - o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real. Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis - no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos. E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam. Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.
O discernimento necessário para enfrentar as crises As crises são características de sociedades complexas e dinâmicas, como a nossa. Nessas sociedades, as mudanças, as novidades, as transformações e as rupturas são algo marcante. Nada está dado de antemão, nada é simplesmente “natural” e eterno, tudo é passível de ser questionado, negado e modificado. E isso entra em contradição com culturas, valores e tradições. As sociedades tradicionais, ao contrário, são marcadas pela continuidade, e as mudanças são muito lentas e imperceptíveis, embora também existam. Estamos cada vez mais envolvidos na chamada “sociedade líquida”, em que tudo muda muito rapidamente. O passado, a tradição, não é mais referência e vive-se um presente inflado, sem futuro. Somos levados pela correnteza marcada pela “rapidación”, como disse o Papa Francisco na Laudato Si’, n. 18, isto é, pela aceleração em todas as dimensões da nossa vida. Passamos a vida correndo, experimentando, sem tempo para parar, saborear e contemplar. O enfrentamento das crises exige organização, força de mobilização, lucidez de perspectivas. Quem não está preparado simplesmente sofre as crises. Isso nos leva ao ponto central da nossa reflexão: o enfrentamento das crises requer discernimento e ação. As coisas não nos são dadas. O que valeu ontem, muitas vezes, já não vale mais hoje; precisa ser repensado. Estamos em uma sociedade em constantes mudanças, e a atitude mais própria para viver nesse tipo de sociedade é a do discernimento. Discernir significa que não recebemos mais respostas prontas, universais e acabadas. Discernir significa ter bem claros princípios (do Evangelho, da Tradição da Igreja, dos
direitos universais) e ver como podem ser vividos em cada momento e situação da nossa vida e história. Ser uma pessoa de discernimento significa ser alguém em permanente busca, “em saída”, como não se cansa de dizer o nosso Papa. O discernimento exige que tenhamos em uma mão a Palavra de Deus e, na outra, a realidade, para juntá-las, para lê-las ao mesmo tempo. O discernimento nos torna verdadeiramente livres em relação à realidade. Com ele nos tornamos sujeitos, autônomos e solidários. Pensamos por nós mesmos e não seremos massa de manobra nas mãos e interesses de quem quer que seja. O discernimento propõe critérios para a nossa ação. Penso, particularmente, em dois: primeiro, o discernimento diante das crises requer vencer o medo. O medo não é evangélico. O medo nos deixa tímidos e retraídos, e nos torna surdos diante do Espírito Santo. O segundo critério são os pobres. Em momentos de crise é comum esquecer os pobres, deixá-los em segundo plano. O discernimento necessário para tempos de crise nos diz que os pobres são critério de julgamento da nossa sociedade; são eles que dizem se uma sociedade não é justa, igualitária e fraterna. Assim, as crises não são o fim do mundo, embora possam, às vezes, ser o fim de um determinado mundo. As crises não são justificativas para o nosso derrotismo. Pelo contrário, pelo discernimento, devemos ser capazes de transformar as crises em oportunidades, arregaçando as mangas e colocando mãos à obra. E isso é sempre uma aposta, como a semente jogada na terra, na parábola contada por Jesus (cf. Mc 4,1-9).
*Pablo Villaça é crítico de cinema. Texto publicado em 18 de julho de 2015 Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Crise Migratória
JUDINEI VANZETO Jornalista
Crise imigratória: Europa,
a terra
prometida para os refugiados
A Europa, que por séculos viveu à custa de suas ex-colônias e de países subdesenvolvidos, agora tem uma dívida histórica a liquidar Na manhã de 2 de setembro, uma quarta-feira, a foto do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, encontrado afogado em uma praia da Turquia, virou símbolo da crise migratória que assola a Europa. Divulgada mundo afora, a imagem serviu para a imprensa internacional destacar a calamitosa situação dos refugiados que buscam asilo na União Europeia. A tragédia do pequeno Aylan, porém, está longe de ser única. Apenas entre 11 e 15 de setembro, 23 crianças morreram afogadas em travessias marítimas para o velho continente, enquanto suas famílias tentavam escapar de conflitos e da miséria. A diferença entre elas e o menino sírio é que as últimas não têm um rosto, pois delas não há sequer última foto. Da mesma forma, pouco se sabe a respeito dos 2.373 imigrantes que morreram nos oito primeiros meses deste ano na tentativa de atravessar o Mar Mediterrâneo e chegar à Europa, quan-
ção lga ivu D o: Fot
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do mais de 100 mil tentaram esse trajeto. Em 2014, a morte já havia rondado 220 mil imigrantes que cruzaram o oceano com destino a Grécia, França, Alemanha e Itália, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Quando alguns desses viajantes, por obra do destino, obtêm sucesso em aportar em solo europeu, muitos ainda se propõem uma nova jornada: seguir por terra para tentar entrar na Grã-Bretanha pelo Eurotúnel. Seja para onde eles forem, o objetivo dos desterrados é repetir o que outras 60 mil pessoas conseguiram em 2013: uma vida melhor. Mas o risco de a viagem terminar mal é enorme, pois a travessia em embarcações precárias e superlotadas é insegura. Some-se a isso a indiferença da União Europeia. Se até recentemente as autoridades empreendiam missões para evitar mortes no Mediterrâneo, nos últimos meses as tragédias aumentaram em razão de uma delibe-
rada omissão. Ainda assim a travessia é lucrativa para traficantes de seres humanos. Estima-se que eles cobrem 10 mil reais para transportar uma pessoa do norte da África à Europa, e que apenas uma embarcação renda 1 milhão de dólares. Para quem negocia, pouco importa como termina a travessia. Já em razão do desespero de quem se arrisca sonhando com uma vida melhor, vale o perigo de morrer, pois a vida, afinal, já não vale quase nada. Francisco apela – Os refugiados vêm de muitos países (confira no boxe). A rota preferida tem sido a da Hungria para se chegar à Áustria, Alemanha ou Inglaterra. Por aí, uma barreira enfrentada pelos imigrantes é a dos partidos de direita dos países europeus, que se caracterizam pela xenofobia e por uma política anti-imigração, que utiliza a crise econômica como argumento para a elaboração de leis contrárias à aceita-
Foto: Pablo Tosco - Oxfam
Campo de Zaatari na Jordânia
ção de refugiados. A regra, felizmente, não é geral. Em 6 de setembro, no Vaticano, o papa pôs o dedo na ferida do chamado amor cristão europeu. Antes da oração do Ângelus, Francisco apelou a toda a Igreja no velho continente. “Cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada mosteiro, cada santuário da Europa hospede uma família, começando da minha Diocese de Roma”, lançou. Segundo ele, “diante da tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte por causa da guerra e da fome, e rumam na esperança de vida, o Evangelho nos chama, nos pede que sejamos ‘próximos’, dos mais pequenos e abandonados. A dar-lhes uma esperança real. Não só dizer: ‘Coragem, paciência!’”. Por fim, Francisco dirigiuse aos bispos da Europa, “verdadeiros pastores, para que nas suas dioceses apoiem meu apelo, recordando que a misericórdia é o segundo nome do amor”. Interesse econômico – Houve tempo em que apelos assim eram dispensáveis porque a Europa, por interesse econômico, tratava melhor quem a procurava. Pois foi à custa dos imigrantes em busca de trabalho, após a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945), que hoje países de forte economia como Alemanha e França cresceram industrialmente. Segundo o doutor em Demografia e professor na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, Duval Magalhães Fernandes, em entrevista ao site Instituto Humanitas Unisinos (IHU), na época da euforia econômica da Europa não havia tanto controle em suas fronteiras: “Precisava-se da mão de obra. No caso da Espanha, sem os imigrantes, o país teria chegado em 2010 com dificuldades e não cresceria nem a metade do observado na primeira década do século 21”. Tempos após o fim da Segunda Guerra Mundial, entre as décadas de 1970 e 1980, houve uma segmentação na origem dos imigrantes que se dirigiam aos países europeus. Eles passaram a vir das ex-colônias, sobretudo do continente africano. Além disso, moradores do Leste Europeu foram provocados a deixar suas origens e seguir para países mais desenvolvidos. Brasileiros nestas décadas também rumaram à Europa. Mas, a partir dos anos 1980 e 1990, sobrevieram as crises econômicas que aceleraram o desemprego. Com isso houve aversão aos imigrantes pela
preocupação com a perda de identidade cultural, bem como pela competitividade entre nativos e imigrantes. Quem vinha de fora se submetia a salários menores e condições precárias de trabalho. Outro elemento a ser considerado neste período foi a entrada maciça de muçulmanos. Hora de pagar – Para restringir a onda imigratória, governos europeus passaram a cobrar altas taxas para a obtenção de vistos e impor complicados procedimentos burocráticos, o que tornou quase impossível ao imigrante ser admitido legalmente. Ao analisar tal situação sob uma perspectiva histórica, a Europa apenas começava a mergulhar em suas contradições, já que muitos de seus países, por séculos, enriqueceram explorando colônias na Ásia, África, Oriente e América Latina. Era de se esperar, portanto, que a fatura dessa conta chegaria cedo ou tarde e, talvez, o momento seja este! Os países ricos do Hemisfério Norte não podem mais fechar olhos e fronteiras para as guerras, a pobreza, a exploração econômica, as ditaduras e as repressões políticas e religiosas que contribuíram Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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para construir e manter nas periferias do planeta. Pois é fugindo dessas situações de cultura de morte que milhares de homens, mulheres e crianças, de famílias inteiras, abandonam seus lares em busca de uma vida melhor em outro país. A causa da imigração, como se vê, pode ter mudado do fim da Segunda Guerra Mundial para cá, mas a necessidade continua a mesma: sobreviver! O problema é que, hoje, a União Europeia, como consequência de sua política neoliberal, enfrenta uma séria crise econômica e se vê obrigada a tomar medidas apertadas de contenção de investimentos. Muitos países apresentam um mercado de trabalho saturado e acusam os imigrantes por isso. Eles se esquecem de que não só prosperaram à custa deles como até ontem permitiam a entrada de trabalhadores para exercer tarefas rejeitadas por seus cidadãos. Como, então, receber os refugiados? Rejeitando a xenofobia e conscientizando-se de que sua situação, em que pese as dificuldades, é confortavelmente melhor do que a de outros países da África, Ásia e Oriente. A Grécia mesmo, que este ano não honrou uma parcela de seu empréstimo tomado junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), recebeu 160 mil imigrantes. Rever atitudes, porém, não é fácil. “O traço xenofóbico é característico do ser humano nas sociedades capitalistas. Em momentos de crise, ele surge como uma espada a ser levantada para esconder os verdadeiros culpados pela crise ou problemas sociais”, define o demógrafo Duval Magalhães Fernandes.
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De onde eles vêm Síria, Iraque, Líbia, Eritreia e Afeganistão são alguns países que fornecem grandes contingentes de refugiados ao mundo. Entenda as razões. Síria, a guerra civil A guerra civil iniciada em 2011 entre o governo do presidente Bashar AL-Assad e o Exército Livre Sírio, Frente al Nusra e o Estado Islâmico gerou a maior população de refugiados do mundo: 3,8 milhões de pessoas. Pelo menos 44 mil rumaram à Europa. O conflito já matou mais de 240 mil pessoas, dentre as quais 12 mil crianças. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que 7 milhões dos 21,9 milhões de habitantes do país abandonaram suas casas, e 60% da população vive em extrema pobreza. Afeganistão, o fundamentalismo Os afegãos se espalham por mais de 80 países. A diáspora começou após o ataque às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. O país foi invadido por tropas norte-americanas à caça de Osama Bin Laden, que assumiu a autoria dos atentados. Antes do 11 de Setembro, o Afeganistão estava sob domínio do Taliban, movimento fundamentalista islâmico. Os conflitos entre o exército norte-americano e o Taliban resultaram em cerca de 150 mil mortes. Morreram1.592 civis apenas no primeiro semestre deste ano. Iraque, armas de destruição Em 2003, os norte-americanos invadi-
ram o Iraque e destituíram o presidente Saddam Hussein sob o argumento de que o país possuía armas de destruição em massa. O país passou a ser controlado pelos xiitas, e os sunitas protestaram. Com a retirada das tropas americanas do Iraque em 2011, o Estado Islâmico avançou sobre o norte do país. Com isso, em 2014, o Iraque registrou cerca de 10 mil mortes e milhares de pessoas buscaram refúgio na Europa, a começar pela Turquia, que abriga cerca de 200 mil iraquianos. Líbia, governos paralelos Em 2011, o movimento Primavera Árabe derrubou o ditador Muammar Kadhafi, que estava no poder há 42 anos. Hoje o país vive em crise política com dois parlamentos e dois governos. O novo governo reconhecido pela comunidade internacional fixou sede em Tobruk, leste do país, e o Estado Islâmico tomou parte de Trípoli. Os refugiados dos conflitos atravessam o Mar Mediterrâneo rumo à Itália. Eritreia, fome e escravidão A maioria dos imigrantes que atravessam o Mediterrâneo rumo a Itália parte da Eritreia. O objetivo é escapar do serviço militar obrigatório, considerado um regime de escravidão. Outros motivos são a repressão política, a guerracivileumaagriculturadesubsistênciaquemal dá conta de alimentar a população.
Fonte: Revista Família Cristã, Ano 81, edição de outubro 2015, páginas 26 a 31
Dimensão Social
Voluntariado nota 10!
Foto: Stephany Bravos
SIMONE CARVALHO Voluntária do Projeto O Haiti é logo aqui
Professora Simone em sala de aula
A primeira vez que ouvi falar do projeto foi na missa que sempre vou aos domingos. Logo de início fiquei apreensiva sobre me voluntariar a dar aulas, pois, apesar de ter tido uma mestra espetacular - minha mãe, a melhor professora de português, de ética, de tudo que tive, já fazia algum tempo que não dava aulas. No entanto, senti que podia fazer isso e fui procurar o Pe. Carlos na Sacristia, depois da missa. Ele prontamente me apoiou pondo-me a par dos dias das aulas, e sobre a parte social também inserida no contexto geral do projeto. O Projeto nasceu da necessidade observada por visitas feitas pela Equipe Missionária da Paróquia, Irmã Dolores, Bernadete, Estelita, Luciana, entre outros missionários que já vinham comentando sobre o grande número de imigrantes, principalmente a haitianos vivendo em condições precárias e que só pioravam com a falta de comunicação, devido ao fato de não falarem a língua portuguesa. Posto para apreciação, o projeto foi prontamente aprovado pela nossa Arquidiocese. Salas foram colocadas à disposição para o início das aulas que contava com uma tradutora nos contatos iniciais. As pastorais se mobilizaram e ofereceram um jantar após as aulas, pois muitos vinham direto do trabalho ou não tinham nada para jantar em casa. A comunidade contribuiu de todas as maneiras possíveis para amenizar o sofrimento de nossos irmãos haitianos, suprindo necessidades básicas, doando alimentos, roupas, cobertores, colchões, camas, cal-
çados, enxovais de bebê (alguns tinham filhos recém-nascidos), além da integração de que faziam questão de participar, nas missas, no café, onde tinham o sorriso amigo das pessoas que preparavam o jantar lideradas pela Catequese e Bocado do Pobre. A Equipe de Professores, todos voluntários, eu, a professora Eneide e mais tarde a professora Maria Inês se juntaria a nós, estávamos concentrados em oferecer o melhor, dentro das nossas possibilidades. Dessa forma, iniciei uma jornada que marcaria para sempre minha vida. Começamos sem saber ao certo a dinâmica a ser aplicada para termos resultados rápidos, pois muitos precisavam urgentemente aprender a língua, para permanecer em seus empregos, outros para conseguir oportunidades; no geral, o quadro era de necessidade extrema. A situação exigia esforço, paciência e sobretudo disposição, pois, ao longo do percurso, fui percebendo a carência, a saudade dos que ficaram no Haiti, a autoestima em baixa, falta de documentos para iniciar a vida que eles tanto sonhavam, o preconceito discriminatório, a solidão da língua, dos costumes, da paisagem, da vida e sobretudo a impotência muitas vezes de tudo que se propunham a fazer. Como lidar com tudo isso, sem parecer piegas ou simplesmente ignorar e ser tecnicamente a professora? Pois é, não deu. Entramos na vida dessas pessoas com um misto de incerteza e precisão, focamos no aprendizado mas sem esquecer da humanidade, o ser humano que esta-
va à nossa frente implorando para ser notado e aceito em um país estranho, vislumbrado apenas pelo que ouviram, prometeram e de certa forma propuseram. Aqui a realidade era outra, O Brasil dos sonhos é também o Brasil de inúmeras dificuldades, incontáveis desafios e de repente eles tinham que se agarrar à mão que foi estendida ou sobreviver à indiferença da ignorância gerada pela autopreservação disfarçada de preconceito por sua cor, sua miséria, seu status social ou simplesmente sua origem. Aprendi a ter paciência e ouvir, a sorrir de situações definitivamente embaraçosas. Aula após aula, eu e, tenho certeza, as outras professoras aprendíamos que o mais importante é ter fé. Diante de tantos fatos relatados, explorações, violência, direitos violados de todas as maneiras possíveis, dor, humilhações, sofrimento, eu voltava pra casa pedindo a Deus que me fortalecesse e guiasse não só a mim mas a todos envolvidos no projeto, para que tivéssemos discernimento e sabedoria para lidar com o que tínhamos em mãos. Ia me esquecendo: aprendi sobretudo a agradecer. Sempre. Busquei informações em todo lugar que pude, da UFPR a todo e qualquer projeto de ensino baseado no aprendizado da língua portuguesa especificamente para haitianos, senegaleses, nigerianos, enfim, estrangeiros, e fui elaborando juntamente com a professora Eneide as aulas, de modo que obtivéssemos um resultado rápido e eficaz. IniArquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Cidadania que fica em Piraquara para uma reunião, visto que eles também receberam muitos ônibus em regime emergencial, com haitianos, e fizeram um excelente trabalho educacional e prático no que se refere a documentos e encaminhamento para moradias e empregos. Iniciamos uma troca de experiências e ideias que resultou em empregos e oportunidades de estudo para vários alunos. A professora Daiane, com quem troquei muita figurinha sobre aulas de comportamento, direção profissional e dificuldades corriqueiras de todos que chegavam, foi de suma importância na elaboração de tudo que fiz no projeto da Paróquia São José Trabalhador, culminando com a certificação através de um exame ocorrido no dia 28/09/15, com o qual tivemos nosso ápice de realização: mais da metade passou com mérito de notas. Uma aluna gabaritou a prova, tirou 10; eu não sei descrever a sensação quando dei o resultado para eles, meu Deus, nós conseguimos! Era só o que me vinha à mente. A alegria, o orgulho estampado nos rostos de cada um deles eram um presente valioso para uma simples voluntária que só queria ensinar algumas palavras. Em
silêncio eu agradeci a Deus por ter me usado como instrumento de sua vontade e bondade. Eles não querem ser párias de uma sociedade que hoje tenta ser indiferente a sua presença, eles querem apenas trabalhar, construir uma vida melhor, cujo país natal no momento não lhes possibilita nem mesmo o alimento necessário para sua sobrevivência. Ficar indiferente não resolve o problema, ao contrário, aumenta sua proporção. À medida que ensinamos o valor de uma cidadania justa e humanitária, dispondo-nos a mostrar a verdadeira face de um país assolado por corrupção, injustiças sociais, estamos nos unindo por um futuro melhor, na certeza de que nossos filhos, netos vão saber que fizemos o melhor. Apesar de não termos tantos bons exemplos, mostraremos que escolhemos ser algo mais, independente de cor, credo, status social, raça, pois somos uma única: somos a raça humana. Imagem e semelhança de um Deus que nos escolheu sem olhar ou considerar nossa insignificância diante de sua onipotência e Divindade.
Fotos: Stephany Bravos
ciamos com textos, dicionário, vocabulário próprio (Crioulo haitiano). Resolvi então a aprender o Crioulo Haitiano, conversando com alunos, professores haitianos pela internet, praticando com eles. O resultado foi excelente. Havia uma interação de todos na sala de aula, eles perguntavam, debatiam e se sentiam entusiasmados, e foi com grande alegria que iniciamos o ensino da gramática, e para nossa surpresa eles corresponderam plenamente a essa introdução gramatical. Emocionei-se quando um aluno conjugou o verbo amar nos três tempos simples (presente, passado e futuro), visto que em seu idioma o verbo não tem esse detalhamento, são usadas partículas para diferenciar o tempo verbal. E mais ainda quando falei da possibilidade de poderem voltar a estudar e fazer cursos técnicos aqui no Brasil. Houve uma empolgação geral. Um dos desafios estava vencido: o resgate da autoestima, o respeito que eles tanto buscavam. Chorei de fato, quando ao final de uma aula uma aluna me procurou e falou que sentia-se gente e que não tinha mais medo de falar. Fui chamada pelo diretor da Vila da
Alunos do projeto no dia da prova aplicada pela Secretaria de Educação
COMISSÃO DA DIMENSÃO SOCIAL: dimensaosocial@arquidiocesecwb.org.br / (41) 2105-6326. Coordenadores: Pe. Antônio Fabris, Diácono Gilberto Felis e Diácono Antônio Carlos Bez.
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Ameaça
*NICOLE FIGUEIREDO DE OLIVEIRA E *JULIANO BUENO DE ARAUJO - Coalizão Não Fracking Brasil
Cuidar do planeta é nossa obrigação moral! Foto: Divulgação
Assim como o Papa Francisco, queremos um mundo saudável e sustentável. Autor da Carta Encíclica que enfatiza a questão ambiental, a ‘LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor, o Papa tem sido contundente em alertar os líderes mundiais para a devastação que a exploração ad eternum dos recursos naturais e combustíveis fósseis pode provocar a nossa “casa comum”. Em recente viagem aos Estados Unidos, o Papa Francisco não perdeu a oportunidade para dizer ao presidente Barack Obama que “a mudança climática é um problema que não pode mais ser deixado para uma futura geração”. Foi uma chamada dura e urgente sobre o aquecimento global, desafiando os gestores a orientar políticas públicas claras e eficientes e transformando em imperativo o que ele acredita ser uma questão moral: “A destruição da natureza é um pecado moderno”. O planeta está dando sinais de que está chegando ao limite. Quando falamos em mudança climática e em aquecimento global, estamos nos referindo ao incremento, além do nível normal, da capacidade da atmosfera em reter calor. Isso vem acontecendo devido a um progressivo aumento na concentração dos gases de efeito estufa (CO², metano e outros hidrocarbonetos) na atmosfera nos últimos 150 anos. As geleiras estão derretendo e aumentando o nível do mar; os tufões e furacões estão mais destruidores; mudança no regime de chuvas e variações radicais do clima já são uma realidade. No Brasil, já sentimos alguns desses efeitos. A crise no abastecimento de água no Sudeste, chuvas em grande
volume que provocam enchentes no Norte e Sul e registro de tornados e granizo do tamanho de uma bola de tênis têm causado grandes prejuízos e assustado a população. Para piorar esse cenário já catastrófico, o governo brasileiro que importar a tecnologia do fraturamento hidráulico, ou Fracking em inglês, para explorar gás de xisto do subsolo. Para que esse gás seja extraído, é necessária a perfuração profunda do solo, por onde passam entre 7 milhões e 15 milhões de litros de água, areia e mais de 600 substâncias químicas, algumas bem tóxicas e cancerígenas. Ao fraturar a rocha e provocar a liberação sistemática do metano, Fracking intensifica as mudanças climáticas e já está relacionado a ocorrência de terremotos. Mas os problemas relacionados ao Fracking vão muito além da disputa hídrica. Nos países onde o fraturamento hidráulico é realizado – China, Canadá, Estados Unidos e Argentina –, há relatos de contaminação de lençóis freáticos, vazamento de metano para poços artesianos e, em áreas dos EUA onde a tecnologia é usada para extrair petró-
leo, de poluição do ar. No Brasil, há um risco de contaminação inerente à própria geologia: as principais jazidas de gás numa camada de rochas na bacia do Paraná, que está debaixo das rochas do aquífero Guarani, o maior do mundo. Entre as 122 cidades a serem atingidas estão Toledo, maior produtor de suínos, aves e soja do estado. Com Fracking, é o fim da economia regional, as pessoas vão adoecer e o que temos hoje sofrerá danos irreversíveis. Nós, da 350.org Brasil e da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil, estamos empenhados em impedir que o Fracking aconteça em nossas fronteiras e outros lugares do mundo, método nocivo à natureza, que contamina a água, impede a produção de alimentos e acaba com a vida no planeta. Inspirados pelo Papa Francisco, que também é contra o Fracking, contamos com o apoio da sociedade para vencermos essa luta. Saiba como participar acessando o site www.naofrackingbrasil.com.br. *Nicole Figueiredo de Oliveira é diretora da 350.org Brasil e Juliano Bueno de Araujo é fundador da COESUS. Juntos, coordenam a campanha nacional contra o fraturamento hidráulico, chamado Fracking, no Brasil. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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O assunto é...
Foto: Stephany Bravos
Foto: brasilfranciscano.blogspot.com
Foto: Stephany Bravos
As CEBs na Arquidiocese de
21º Grito dos Excluídos
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A Igreja Povo de Deus, já tratada aqui em artigos anteriores, não nasceu com o Concílio Vaticano II, antes, é a Igreja-Comunidade retratada no Livro dos Atos dos Apóstolos (Atos 2, 42-47). A acolhida, a fraternidade, a partilha e o espírito missionário das CEBs me fizeram apaixonado pela Teologia da Libertação, reencontrada pela Igreja conciliar. É dela que nasce a espiritualidade libertadora das CEBs. Aprendi convivendo e ouvindo lideranças das CEBs na Arquidiocese de Curitiba a dar razões à minha fé. Foi assim que aprendi a assumir as consequências de meu batismo, e a viver a maturidade da fé que herdei de meus pais. Foi a partir da mística e da espiritualidade libertadora das CEBs, sobretudo do seu compromisso com a transformação da realidade de exclusão social e violência, que descobri o sentido do ser cristão. As CEBs na Arquidiocese de Curitiba estão presentes no meio do povo, nas lutas por politicas públicas de qualidade, pela ética na política e contra a corrupção. Na coordenação dos abaixoassinados de iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que culminaram com as leis contra a corrupção eleitoral. Estão engajadas nos Movimentos e nas Pastorais Sociais, na Economia Solidária, na luta por moradia, no Movimento Fé-Política, nas Semanas Sociais Brasileiras e na defesa Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
dos Direitos Humanos. Inclusive os direitos de crianças e adolescentes, tendo como gesto concreto a eleição e o acompanhamento de Conselheiras/os Tutelares comprometidas/os com os preferidos do Reino1. Foi nesse meio e nessa luta por justiça e liberdade, que conheci o padre Michelângelo Ramero, ou o Padre Miguel. E como é comum nas comunidades, conheci com ele toda uma geração de lideranças leigas, que fizeram e continuam fazendo a diferença. Um deles é José Vilto Hoffman, que, como o Padre Miguel, é testemunha ocular de três gerações e mantém a mesma paixão de um jovem pela causa da justiça, da liberdade e da fraternidade. A partir deles conheci, criei laços e alimentei uma forte amizade com Antonio Bez, Salete Bagolin, Lucimara Camargo, Adenival Gomes, Padre Jaime Schmitz, Risoleta Boscardin e muitos outros homens e mulheres que me ajudaram a entender a diferença entre ter religião e ser religioso. Com eles e com elas, e a partir de seus testemunhos e de sua espiritualidade profética, aprendi a viver a minha fé com alegria e indignação. É por tudo isso que prestei uma singela homenagem ao Padre Miguel e às comunidades Eclesiais de Base, em minha Dissertação de Mestrado, na qual, entre outras coisas, digo: Foi assim que a sua teoria-prática, juntamente com outros homens e mu-
lheres de fé, como Gilberto Carvalho e Irmã Teresa Araújo, Irmã Adiles Zangrande, entre outros, idealizaram e, por fim, fundaram, logo após a morte de Tereza, o Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo - CEFÚRIA. Assim como Irmã Araújo diria, se fosse viva, Padre Miguel diz com sua voz e sua fé cheias de mãos, “Deus, que criou o céu, a terra e todo o bem que existe, não pode ser culpado pelas enchentes que hoje desagregam parte significativa de seus filhos e filhas”. Fiquemos com esta profecia tão atual. Ao Padre Miguel, ao Deus que o consagrou e aos peitos que o amamentaram, nossa homenagem e gratidão2. As CEBs na Arquidiocese de Curitiba mantêm há mais de duas décadas um Grupo de Reflexão da Arquidiocese (GRA) encontro mensal que atualmente acontece todas as quartas segundasfeiras, às 19h00, na Cúria. As CEBs também celebram anualmente a memória das/os lutadoras/es do povo, com a celebração dos mártires, que acontece no quarto sábado de março, em memória do martírio de Dom Oscar Romero, que foi morto no dia 24 deste mês no ano de 1980. Assim, reafirmamos o sentimento de que o sangue dos mártires é sementeiro de profetas e profetizas. Como já diz um canto de nossa gente e de nossas comunidades, “morrer não foi em vão”. Outra data celebrativa e marcante para as CEBs é a festa da Santíssi-
JOÃO SANTIAGO Teólogo, Poeta e Militante. Coordenador da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Curitiba
Curitiba: Romeiras do Reino ma Trindade 3, comemorada todos os anos no dia de Pentecostes4; esta é uma data de muita alegria e celebração. As CEBs na Arquidiocese de Curitiba também participam, organizam, anunciam e denunciam nos encontros intereclesiais. No ano que vem, no feriado de Tiradentes, acontecerá o Sétimo Encontro Intereclesial Estadual do Paraná, que será em Umuarama. Teremos como tema “As CEBs e os desafios no mundo urbano” e Umuarama será simbolicamente a nossa Terra Santa. O lema será “Eu vi e ouvi o clamor do meu povo, diante de seus opressores, e desci para libertá-lo5”. Ambos, tema e lema serão também as palavras proféticas 14º Intereclesial Nacional, que acontecerá em 2018, em Londrina. É com essa mística da militância inserida na sociedade nas lutas por justiça e liberdade, que as CEBs se fazem, nas palavras de Dom Pedro Casaldáliga, “o antigo e sempre novo jeito de toda a Igreja ser”. Também nas Romarias da terra e das águas. Aliás, este ano, a Romaria da terra foi nas terras de Santa Catarina, celebrando os cem anos do massacre do Contestado. Outro momento de grande significado para as CEBs também é o já costumeiro “Grito dos Excluídos”, dado todos os anos no dia 7 de setembro,
(FOOTNOTES) 1 2
sempre em uma comunidade de Curitiba ou da Região Metropolitana. Este ano, por exemplo, aconteceu na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Belém e gritamos contra o extermínio da juventude. A pergunta geradora foi “Que país é este, que mata a gente, que a mídia mente e que nos engana?”. Este é o jeito de ser de uma Igreja profética, missionária e em saída e que não entra nos túmulos6, antes anuncia.
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Ver Lucas 18, 15-17 (SANTIAGO, João Ferreira. Dissertação de Mestrado em teologia. O Diálogo e a Esperança na Formação e na Ação de Lideranças para o Ser Mais, na Perspectiva de Paulo Freire. PUCPR, Julho de 2012). Ver Mateus 28, 16-20. Ver João 20, 19-23. Ver Êxodo 3, 7-8. Ver João 20, 1-10.
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Juventude
JOÃO GUILHERME MELLO SIMÃO Setor Juventude
Processos em crise exigem uma nova pastoral E aí pessoal! Nessa edição a juventude vem mais uma vez refletir, pensar e programar pastoral. Nossa revista traz como foco uma reflexão sobre a crise ou as possíveis crises que existem no nosso atual contexto sócio eclesial. A nós, jovens, resta pensar: nós já nascemos na crise, mas o que realmente vivemos é uma crise de processos. Processos de continuidade, processos de caminhada, processos de seguimento num discipulado comprometido. Nossa geração nasceu numa dinâmica de velocidade e resultados imediatos, justamente por vivenciar a inovação das tecnologias e como elas se relacionam em transmissão de informação cada vez mais rápidos, práticos e objetivos. A lógica de mercado não vai além disso. Aliás, já bem antes, nossos jovens são “treinados” e não educados na educação básica, forjados para atender uma demanda comercial. Todas as situações não se resumem, mas em cadeia criam um ambiente propício para fragilizar os laços de amor e amizade e as relações interpessoais. Não temos mais visão a longo prazo, objetivos concretos, planejamentos nem planos pastorais, quem dirá para os jovens um projeto de vida. Isso pode ser resolvido? Pode.
Temos a chance de mostrar para o mundo, de virar o jogo. Nosso grande Papa Francisco tem insistido em relações duradouras, verdadeiras, honestas e profundas que valorizem tempo e não dinheiro, que gastem de nós não matéria, mas essência. Que paremos para pensar e escrever nossa vida; analisarmos nossos atos e decidir se eles estão de acordo com o evangelho, pois isso trará as melhores consequências possíveis. Que usemos nossa inteligência tecnológica para produzir vida e conteúdo. Que nossa relação com a mãe Terra seja de coexistência e amor. Que voltemos nosso olhar para o lado para acolher, incluir e amar ,e que cada ato seja cheio da mais profunda misericórdia. Mas isso tudo está num plano paradigmático, onde está a forma de pensar. E num plano programático? Nisso precisamos melhorar. Nossa missão é deixar de realizar eventos que queiram massa e resultados de visão imediata. Isso parece clichê? Parece, mas é verdade. Primeiro, sentar e pensar metodologias. Sabemos que a melhor delas é ouvir. Qualquer plano de igreja precisa começar ouvindo, para isso o Papa convocou um sínodo da família que começou ouvindo os questionários enviados
para o mundo todo. Precisamos ouvir o que todos pensam para a juventude. Segundo, organizar, programar, fornecer conteúdo de preparação e formação. Organizar as informações tendo com muita honestidade tudo o que foi dito. Às vezes nossa vontade é que o plano de pastoral seja do nosso jeito, da nossa forma de pensar, porque a gente entende que, apesar de toda a boa vontade, não se faz igreja com a cabeça de um só. Programando a curto, médio e longo prazo o que fazer para atender as expectativas e vontades de todos, podemos ver o que realmente é necessário pra já e pra depois. E colocar à disposição no meio do caminho muito conteúdo para poder ir guiando o processo a fim de não perdermos o rumo. Tudo precisa de uma dinâmica, um tema, nem que seja uma frase para guiar os objetivos de uma pastoral consciente. Considerando tudo isso, precisamos voltar a fazer o que a igreja fez no começo de sua história: trabalho de base. Cara a cara, uma visão celular, de núcleos, aquilo que se tem insistido, um trabalho de comunidade de comunidades. Parece quadrada toda esta visão, mas ela é enroupada pelo convite de Francisco, deixando de lado esperar resultados e confiar no Espirito Santo, rezando muito, com a palavra de Deus apoiando e guiando, em meio a tudo isso evangelizando sem parar. Sim, é possível. Ademais, é necessário voltar a pensar em processos de continuidade, continuação, pois, como diz a juventude, se a gente continuar a ir na “louca”, realmente nossos resultados e nossas expectativas com relação aos trabalhos que fazemos também irão dar na “louca”. Se fizermos com dedicação e carinho, em grupo, juntos, com muito amor e disposição, o Espírito irá conduzir para a vida. Vamos programar juntos?
SETOR JUVENTUDE: juventude@arquidiocesecwb.org.br / (41) 2105-6364 / 2105-6368 / Assessor Eclesiástico: Pe. Waldir Zanon Junior.
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Dízimo
PADRE ANDERSON BONIN Padre referencial da Pastoral do Dízimo da Arquidiocese de Curitiba
NO VEMBRO: último mês do ano litúrgico NOVEMBRO: Mensagem da Equipe Arquidiocesana da P astoral do Dízimo Pastoral A este título apresentamos, a seguir, um artigo intitulado “O Dízimo como expressão de Comunhão” que foi encaminhado pelo padre ANDERSON BONIN, o atual padre referencial da Pastoral do Dízimo da Arquidiocese de Curitiba, por ocasião de sua participação em um “Encontro de Presbíteros” ocorrido no mês de setembro em Florença, Itália. Como se poderá observar, de início, o referido texto apresenta algumas informações sobre como funciona o processo de arrecadação de recursos para a manutenção do Culto e da Igreja em diversos países do mundo. Ou seja, fica evidente que, na realidade, é através da “devolução” sistemática do dízimo pessoal, de forma espontânea e generosa que melhor se expressa o espírito comunitário de participação, de partilha, que efetivamente caracteriza a maneira evangélica e, portanto, bíblica de manutenção da Igreja, cuja primeira e principal missão é dar continuidade ao processo de Evangelização no mundo inteiro. CLOVIS VENÂNCIO Membro da Pastoral Arquidiocesana do Dízimo
O DÍZIMO COMO EXPRESSÃO DE COMUNHÃO Queridos diocesanos, escrevo esse artigo de Florença. Estou em um convívio com sacerdotes de muitos lugares do mundo. É uma bela expressão da riqueza espiritual, cultural e comunitária da Igreja. Consultando meus irmãos sobre a realidade econômica e comunitária da Igreja em seus países, fui tomado por uma grande surpresa, pois são realidades muito diversas. Cito algumas para ilustrar: na Alemanha, o dízimo é um imposto recolhido pelo estado e depois encaminhado à Igreja; na Polônia, não há dízimo, apenas ofertas nas missas e ofertas por sacramentos, como batismo, comunhão, crisma, matrimônio etc.; na Grécia, a Igreja vive do aluguel de edifícios pertencentes à diocese, como casas, lojas etc.; em Camarões, na África, existe uma realidade semelhante à nossa, em que os fiéis levam à Igreja uma parte do seu salário, consagrando-a como dízimo; aqui na Itália é muito diverso, tem uma grande coleta, ofertas e o aluguel de alguns edifícios. Mas não sabem o que é o dízimo. Temos uma grande missão perante o mundo: mostrar que o mandamento
de Cristo, “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, passa pela comunhão dos bens espirituais e dos bens temporais. Sim, consagrar o salário com a oferta do dízimo mensal é amar a Deus sobre todas as coisas, mais do que ao dinheiro. É reconhecer que todo dom e talento vêm de Deus e que o trabalho é algo sagrado em nossa vida. Como é uma parcela, ninguém está excluído dessa mística. Não há rico demais, nem pobre demais, todos podem participar dessa comunhão espiritual pelos bens materiais. É também amar o próximo como a si mesmo, ou melhor, como Cristo nos amou. Ofertar o dízimo na comunidade paroquial é amar essa comunidade e cada uma das pessoas que a compõe. Amado diocesano, a Igreja pode sobreviver economicamente de muitas e variadas formas, como a história pode nos mostrar. Mas qual delas é uma autêntica vivência do mandamento de Cristo? Qual delas nos coloca em comunhão com Deus sobre todas as coisas e com nosso próximo em sincera caridade? Tenhamos coragem, avancemos na missão que o Senhor nos confiou.
O QUE FOI O XV SEMINÁRIO ARQUIDIOCESANO DO DÍZIMO Fotos: Murilo Martinhak
Pe. Cristóvam Iubel, assessor e palestrante do Seminário
O XV Seminário do Dízimo, realizado no dia 18 de outubro, nas dependências da Casa de Retiros Nossa Senhora do Mossunguê, em Curitiba, contou com 161 participantes, representantes da maioria das paróquias de nossa Arquidiocese. Teve como assessor o Pe. Cristóvam Iubel, integrante do clero diocesano de Guarapuava-PR. A partir das excelentes exposições do Pe. Cristóvam e subsequentes debates entre os participantes, foi possível evidenciar quais são as diretrizes da Igreja Católica no Brasil, no que tange a
O evento contou com a presença do Pe. Alexsander Cordeiro Lopes, Coordenador da Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Curitiba
sistemática recomendada e efetivamente proposta para a manutenção de sua ação evangelizadora, a qual é de fato, sua principal Missão no mundo. Dentro de toda a temática abordada, foi muito bem apresentada a todos como deve ser, especificamente a atuação das equipes paroquiais da Pastoral do Dízimo, na perspectiva da missionariedade de seus integrantes. Deve-se ter em mente o projeto arquidiocesano de ação missionária, bem como, em conformidade com uma autêntica conversão pastoral das paróquias, que devem
promover uma ação integrada entre as diversas pastorais, movimentos e lideranças comunitárias. O êxito do evento, além de outros aspectos, pode ser dimensionado pelo fato de que, durante o seminário, oito (8) dos quinze (15) setores que compõem a estrutura orgânica da Arquidiocese, conseguiram eleger os integrantes (coordenadores e secretários) das suas respectivas coordernações setoriais. Com isto, já são dez (10) os setores pastorais que, no que se refere à pastoral do dízimo, já têm seus dirigentes setoriais consolidados.
COMISSÃO DA DIMENSÃO ECONÔMICA E DÍZIMO Coordenador da Comissão: João Coraiola Filho./ Coordenador da Pastoral do Dízimo: William Michon. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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RUBENS BENDLIN Coordenador Estadual de Saúde do Idoso Chefe da Divisão de Atenção à Saúde Homem SESA- Secretaria de Estado da Saúde Paraná
Saúde
Novembro Azul:
sob a ótica do cuidado, uma reflexão sobre a saúde do homem
“Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai nos suceder, às crianças que estão a crescer” Laudatos si / Papa Francisco
Após um estudo de 250 especialistas (2008), a saúde do homem é posta em questão pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Pacto pela Vida, emerge enquanto pactuação tripartite. Na sequência, no ano seguinte em que o SUS completa 21 anos, também o Ministério da Saúde lança sob a forma de Política Pública de Saúde os princípios e diretrizes da Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH, port. 1944/GM, 27 de Agosto de 2009). Do estudo mencionado, a constatação da gravidade no que implica o autocuidado com a saúde pela população masculina. Embasados na epidemiologia, apontam os estudiosos que de cada três mortes na faixa entre 20 e 59 anos de idade, duas mortes são de homens. Quando essa faixa estreita-se entre 20 e 30 anos, de cada 5 mortes, quatro são de homens. Também, que os homens vivem em média 7,5 (sete anos e meio) menos que as mulheres. É importante frisar que esses dados epidemiológicos são reproduzidos em sua integralidade no site da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA-2012). No que se refere à saúde do homem, além da baixa adesão aos serviços de saúde, há um predomínio absolutamente avassalador do envolvimento de homens, nas diferentes formas de violência. A violência é um problema social de grande dimensão que afeta toda sociedade, atingindo especialmente e de forma continuada mulheres, crianças, adolescente, pessoas idosas e portadores de deficiência. A PNAISH tem servido como mais um suporte ao enfrentamento da violência e aplicação das diferentes leis e estatutos em vigor no Brasil: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso, Lei Maria Da Penha, Estatuto da Igualdade Racial, entre tantos outros. Os atos de violência se manifestam, entre outras formas, nos seguintes modos: estrutural, que ocorre pela desigualdade social e é naturalizada nas expressões de pobreza, da miséria e da discriminação; interpessoal, que se re-
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fere nas relações cotidianas; e institucional, que se reflete na aplicação ou gestão das políticas sociais. Pela gravidade do fenômeno e sua ocorrência em larga escala, é senso comum que a violência assume proporções epidêmicas. No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) tem implementado essa lei em todo seu território. Ademais, pela lei 17099 que instituiu o AGOSTO AZUL, vem desenvolvendo campanhas de promoção à saúde em parceria com sociedade civil organizada. Neste ano, com
o IV ANO (AGOSTO) AZUL, o tema foi ESCOLHA CUIDAR DE VOCÊ, focando na importância da alimentação saudável e atividade física. Com a proximidade de mais Novembro Azul, nada mais propício do que a reflexão sobre a importância do autocuidado e, por que não dizer, do desafio ao extensivo e necessário cuidado continuado. Assim, propomos a ótica do cuidado, como sugestiva chave para uma vida longa e saudável. Escolha cuidar de você. Ao fazer essa escolha, você já fez a melhor delas!
Dimensão Missionária
Missões P aróquia Paróquia Do dia 14 a 19 de julho de 2015, ocorreu uma missão com os seminaristas na Paróquia Sagrada Família, em Colombo. Estavam presentes alguns seminaristas diocesanos do seminário menor, da filosofia e teologia, num total de oito pessoas. Essa missão foi marcada por visitas aos lares, visitando mais ou menos umas 250 casas e encontro com a comunidade. Nesses encontros com as comunidades, cada dia foi dedicado a uma classe de pessoas; um dia foi com os homens, outro com mulheres, crianças e jovens. No primeiro dia, os seminaristas tiveram um dia de for-
Sagrada Família
mação com o Pároco padre Darci; depois conhecemos as comunidades, que são seis capelas mais a matriz. Do dia 15 em diante, ocorreram as visitas, nas quais certamente ficaram inúmeras histórias de saudades e de um encontro com a pala-
vra de Deus, que é Cristo Jesus. Os paroquianos que ajudaram na missão, as pessoas que receberam as visitas e os seminaristas que estiveram à disposição das missões dão testemunho de sua importância, e de algo que ficou marcado.
Missão P aróquia Nossa Senhora do Rosário de Belém Paróquia
Do dia 21 a 26 de julho de 2015, ocorreu uma missão com os seminaristas da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Belém, no Centenário. Estavam presentes alguns seminaristas diocesanos da filosofia e da teologia, num total de quatro pessoas. Essa missão foi marcada por visitas aos lares - mais ou menos 125 casas - e por um encontro que ocorreu em um condomínio. Num primeiro dia, tivemos uma formação preparatória e, a partir do dia 22, começaram as missões. Elas ocorreram particularmente nos condomínios. Essas missões, apesar de terem sido com menos seminaristas e menos visitas, não deixaram de ser importantes, pois certamente deixaram saudades, e a certeza de o amor e a verdade de Deus foi testemunhada.
COMISSÃO DIMENSÃO MISSIONÁRIA: comidi@arquidiocesecwb.org.br (41) 2105-6375 – Ir. Patrícia (41) 2105-6376 - Jeferson Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Família
Família em foco no
O Estatuto da F amília vem para proteger a base da sociedade Família A família agora tem um instrumento garantidor dos seus direitos e conta com diretrizes de políticas públicas para a sua valorização – o Estatuto da Família. Formada a partir da união de um homem e de uma mulher, por meio de casamento ou união estável, e a que se constitui pela comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos, a família é considerada o primeiro grupo humano organizado num sistema social, funcionando como base da
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sociedade e, justamente por conta disso, conta com especial proteção do Estado, como preconiza o texto constitucional. O Projeto de Lei 6.583/13, que institui o Estatuto da Família, recebeu parecer do deputado federal Diego Garcia (PHS/PR), na quarta-feira, dia 2 de setembro, durante reunião da Comissão Especial que foi destinada para discutir a matéria. Outros parlamentares terão cinco sessões para apresentar
emendas, já que Diego Garcia apresentou um substitutivo ao projeto de lei. O PL, de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), foi protocolado em 1º de setembro. O projeto de lei aborda questões centrais, como o fortalecimento dos laços familiares a partir da união conjugal formada entre o homem e a mulher e a proteção e a preservação da unidade familiar. Além disso, o PL pro-
DIEGO GARCIA
Congresso Nacional porciona à família assistência especializada para o enfrentamento do problema da droga e do álcool e, também, propõe que o Estado preste apoio efetivo às adolescentes grávidas prematuramente, entre outras medidas. Além da garantia dos direitos familiares, o Estatuto inova ao criar os Conselhos da Família, que serão os órgãos encarregados de tratar das políticas públicas voltadas à família e da garantia do exercício dos direitos da entidade familiar. Desde 1988, há conselhos voltados aos direitos da criança e do adolescente, do idoso, entre outros. Mas a família, apesar de sua centralidade no sistema jurídico, continuava sem um órgão representativo. Tal lacuna vem a ser preenchida pelo Estatuto da Família, que pretende instituir esses Conselhos nos três âmbitos da federação – União, Estados e Municípios, e o Distrito Federal. BASE DA SOCIEDADE A Constituição, com interesse em proteger de modo especial a família,
estabeleceu o art. 226, denominandoa “base da sociedade”. Logo, nem toda associação humana é base da sociedade e nem toda relação fará jus a essa especial proteção. Tendo em vista o objetivo da Carta Magna em traduzir a ideia de família como condição de existência e subsistência para a sustentabilidade da própria sociedade civil, o relator Diego Garcia inseriu a dada expressão em seu substitutivo. Assim sendo, para os demais agrupamentos, permanece a proteção geral, lembrando que a liberdade de cada pessoa de organizar sua própria vida e relações como bem pretender, enquanto não afronta a lei, sempre se preserva. DIVERGÊNCIAS “O Estatuto da Família, desde 2014, quando foi apresentado pelo deputado Anderson Ferreira, tem sido alvo de divergência na mídia e por grupos que divergem do projeto. Umas das principais acusações feitas por esses setores são de que o PL 6.583/13 é “inconstitucional”, ele “exclui” e é “homofóbico”.
O artigo 2º do Estatuto da Família é espelho do artigo 226 da CF, na qual se alicerça. Portanto, está cingido pelo texto da Norma Fundamental. O Estatuto vem para colocar a família base da sociedade, credora de especial proteção do Estado, no plano das políticas públicas de modo sistemático e organizado, como até então não se fizera. Ou seja, nada impede que os cidadãos, que não se sintam incluídos, mediante seus representantes políticos, advoguem pela inclusão de novos benefícios a outras categorias de relacionamento. Dessa forma, o Estatuto, uma vez que não proíbe nada ao Congresso, de modo algum pode ser difamado como instrumento impeditivo para o que seja. A finalidade do PL 6.583/13 é trazer para o âmbito infraconstitucional a família base, aquela descrita na CF. Ampliar o rol de pretensões é um modo de prejudicar o atingimento da finalidade principal do Estatuto. Assim, o projeto optou por trazer o que já dizia a Constituição.
Quais as principais contribuições do Estatuto da F amília? Família? 1) Amadurece o entendimento de família, base da sociedade, a partir do texto constitucional e das discussões da Comissão Especial do Estatuto da Família.
2) Estabelece direitos de família a partir da efetivação de políticas públicas de saúde, moradia, educação, entre outros.
3) Cria os Conselhos de Família, que são órgãos permanentes e autônomos, não jurisdicionais, encarregados de tratar das políticas públicas voltadas à família e da garantia do exercício dos direitos da entidade familiar.
4) Ratifica o respeito devido aos pais, para que os filhos recebam a educação moral, sexual e religiosa, que esteja de acordo com suas próprias convicções. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Educação
Vestibular à vista
Cada vez mais, o contexto social exige profissionais capacitados e hábeis para o mercado de trabalho. A demanda atual é a de que o aluno saia do Ensino Médio apto para a competitividade que impera no processo do Exame Vestibular. Ciente dessa realidade e conectado com uma proposta pautada em quatro dimensões - espiritual, humanoafetiva, intelectual e comunitária - o Colégio Arquidiocesano de Curitiba oferece aos alunos, desde o 1º ano do Ensino Médio e com profundidade aos futuros calouros do Terceirão, uma proposta de trabalho que tem como foco o Vestibular e o Contexto ENEM. Dentro dessa proposta, as aulas no contraturno, todas as quartas-feiras, são um diferencial no CAC!
Eu te louvo, P ai – Mt 11, 25-27 Pai ... Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. O louvor é a expressão da alegria! Os “sábios” são aqueles entendidos, porque são autossuficientes e se instalam no poder econômico, político ou religioso, com muitos privilégios e não querem mudanças. Já os pequeninos são os pobres bem-aventurados, carentes, desassistidos, privados e em busca de socorro, e ansiosos pela mudança do sistema que oprime, castiga, humilha e exclui. Porém, há uma luz chamada conhecimento que é sistematizada por meio
do ambiente escolar e que revela, orienta, ensina, acolhe, inclui. Tudo isso maravilhosamente orquestrado pelo professor, pela professora no cotidiano da sua profissão, da sua missão; e os “pequeninos” são os alunos, os educandos, que muitas vezes se apresentam sofridos, desprezados e anulados pela sociedade opressora, e encontram no espaço educacional as chances e oportunidades para poderem vislumbrar um horizonte promissor e um futuro melhor que o de seus pais. Assim é a escola e o exercício da profissão professor/professora, para a sociedade – é a “revelação” de um mun-
Foto: Colégio Arquidiocesano
MARILENA ARNS DE OLIVEIRA
do melhor, mais humano e justo e que é possível de ser oferecido às gerações. Peçamos ao Divino Espírito Santo luzes e discernimento para conhecer o caminho que devemos seguir, porque temos necessidade de aprender e de conhecer mais e mais, para podermos ensinar, transmitir e ajudar na transformação individual de cada aluno, aluna e educando que à nossa responsabilidade são confiados. Senhor, iluminai a nossa mente, para que se abra muito além das palavras e conceitos, e movei o nosso coração para construir uma sociedade melhor, fraterna e igualitária para todos.
PASTORAL DA EDUCAÇÃO: marilenaaoliveira@gmail.com/ Coordenador: Marilena Arns de Oliveira.
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Liturgia
SEMINARISTA ANDRÉ NOVAKI
A liturgia da misericórdia: missão de Cristo, missão da Igreja “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. Ao iniciar a Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia com esta frase, o Santo Padre nos recorda que Cristo vem ao mundo para revelar a infinita misericórdia de Deus Pai. Trata-se de uma missão: o Pai envia seu Filho ao mundo, não para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele (cf. Jo 3, 17). A vida de Jesus, cujo alimento é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34), é um perene sacrifício de misericórdia: sua Encarnação, seu singelo Natal, sua infância e vida oculta, sua vida pública e o ápice da sua vida – o Mistério Pascal: Paixão, Morte e Ressurreição – constituem a suprema liturgia da misericórdia apresentada ao Pai pela salvação da humanidade. Sendo assim, a missão de Cristo ao vir ao mundo é celebrar a liturgia da misericórdia. É uma liturgia autêntica, cheia de sentido, pois o que é apresentado ao Pai não são sacrifícios vazios e rituais falsos, mas um sacrifício de misericórdia, capaz de agradar ao Senhor, como Ele próprio exclama: “Misericórdia quero, e não o sacrifício” (Mt 9, 13). Ora, a missão de Cristo é continuada na história da humanidade pela sua Igreja, por isso, se a missão de Cristo neste mundo foi a celebração da liturgia da misericórdia, essa missão se perpetua em todos os tempos na celebração da Igreja, que é a mesma celebração de Cristo: a atualização do seu mistério redentor. Assim, a liturgia da Igreja, por sua própria natureza, é uma mis-
são: celebrar a misericórdia. Essa liturgia não se fundamenta nos esforços humanos e nos sacrifícios que fazemos, nem mesmo nos rituais. Seu fundamento é a Misericórdia de Deus, sua compaixão pela humanidade, pois ela não parte do ser humano, mas da gratuida-
de misericordiosa de Deus. Portanto, a essência da liturgia da Igreja – que é a mesma liturgia celebrada por Cristo – é a misericórdia. A partir disso, podemos nos questionar sobre a forma como celebramos a liturgia. Se a misericórdia não é apenas um acessório, um atributo dessa liturgia, mas a sua própria essência, não é possível realizar verdadeiramente a missão da Igreja na liturgia sem misericórdia. E aqui vale a pena enfatizar que
a liturgia da Igreja não é apenas a celebração dos rituais próprios. No sentido mais profundo, é a totalidade da vida cristã. Como nação sacerdotal, toda a nossa vida, unida à vida de Cristo, deve ser uma liturgia, na qual ofertamos a nossa própria vida ao Pai por Jesus Cristo, no Espírito Santo. Por isso, a missão da Igreja de celebrar essa liturgia da misericórdia só pode ser realizada verdadeiramente por uma vida misericordiosa. Assim, entendemos a importância e a profundidade do mandamento do Senhor: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36). A partir disso, concluímos que ninguém, absolutamente, pode celebrar autenticamente a liturgia da Igreja sem misericórdia. Ela é a medida da veracidade e da eficácia da liturgia. É a plena realização da missão da Igreja que perpetua a missão de Cristo. Não existe liturgia verdadeira sem compaixão. Por mais bela, solene e bem preparada que seja uma celebração, ou por mais que se conheça profundamente a teologia litúrgica, sem misericórdia é uma falsa liturgia, e portanto diabólica, pois o pai da mentira é o diabo (cf. Jo 8, 44). Sejamos nós aqueles que perpetuam a missão de Cristo pela liturgia da misericórdia, pois isso é ser missionário do Pai no sentido mais profundo. Somente assim é que poderemos alcançar a Misericórdia Divina, como nos ensina Jesus Cristo: “Bemaventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7).
Foto: http://www.apostoladoarquimga.org/horasanta/24/10022015__15_horas_hora_da_divina_misericordia__sangue_de_cristo_oceano_de_misericordia/
COMISSÃO LITÚRGICA: mauricioanjos@hotmail.com (41) 2105-6363./ Coordenação: Pe. Maurício Gomes dos Anjos Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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Paróquia em destaque
MAIRA KARIN CARVALHO DOS SANTOS MESC, Catequese de Adultos
Jubileu de Ouro – PParóquia aróquia São João Batista – Vila T ingui Tingui 50 anos evangelizando com São João Batista! “Os profetas cantaram apenas o profeta futuro, o Esperado; tu porém, vais à frente, mostrando quem do mundo apaga o pecado.” (Liturgia das Horas)
Originalmente era mencionada como a Capela de São João Batista, inaugurada em 05 de outubro de 1958 pelo Reverendíssimo Pe. Rafael Bussato, reitor da Congregação dos Padres Passionistas. A Capela ficou confiada a esta Congregação até 27 de novembro de 1959 passando então à Paróquia Santa Cândida, à qual pertencia territorialmente. Anos mais tarde, na hora da criação da Paróquia, por Dom Manoel da Silveira D’Elboux, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, no dia 14 de novembro de 1965, a capela torna-se Igreja Matriz, sendo assim, o Arcebispo a entrega aos Padres da Sociedade de Cristo. O primeiro Pároco era o Padre Stanislaw Pagacz, SChr. A criação da Paróquia também teve a finalidade de aco-
lher os emigrantes poloneses, residentes na cidade de Curitiba. Este padre iniciou a criação da atual Igreja em 1966, sendo inaugurada em 1970. A Paróquia cresceu tanto em número de fiéis que foi necessária a criação de mais duas Paróquias: São Pedro e São Paulo, e também, Nossa Senhora de Nazaré, ambas na mesma região. Hoje a Paróquia continua realizando suas atividades pastorais sob a responsabilidade dos Padres da Sociedade de Cristo (SChr.).
Atualmente a Paróquia conta com os seguintes serviços eclesiais: Pastorais: Curso de Noivos e Curso de Batismo; Movimentos: de Irmãos; Filhos de Nossa Senhora de Guadalupe; de Schoenstatt; Outros: Catequese Infantil e de Adulto; Apostolado da Oração; Coroinhas; Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão; Grupo de Oração; Grupo 3ª Idade; Grupo de Jovens Schoenstatt; Grupo de Músicos; Grupo de Liturgia; Grupo da Promoção Humana; CPP e CAEP.
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Alguns fatos históricos: 22/05/1966: início da limpeza do terreno para a construção da Igreja Matriz; 10/05/1970: consagração da nova Igreja Matriz ministrada por Dom Pedro Fedalto, às 9:30; 01/05/1966: iniciou-se a novena em louvor a N. Sra. do Perpétuo Socorro; naquela época se fazia a peregrinação do quadro nas casas das famílias; 20/10/2011: o artista plástico João Valdecir Zabel iniciou a obra de arte sacra no presbitério; 19/07/2012: o Pároco e Reitor da Missão Católica Polonesa no Brasil (Pe. Zdzislaw Malczewski, SChr.) recebeu em mãos as relíquias de São João Paulo II. Estas relíquias iniciaram peregrinação pelas paróquias da Arquidiocese de Curitiba, em setembro deste mesmo ano; Párocos: Pe. Stanislaw Pagacz, SChr (1965 –1977) Pe. Jan Novinski, SChr (1977 – 1987) Pe. Andrzej Wegrzyn, SChr (1987) Pe. Stanislaw Szczypek, SChr (1987 – 2004) Pe. Zdzislaw Malczewski, SChr (2004 – 2015) Desde o início das suas atividades como Paróquia aconteceram: Batizados: 7.322; Crismas: 2.983; 1ª Eucaristia: 2060; Casamentos: 1039
Painel do Leitor
Assembleia Geral do Clero Caríssimos, Alegra-me poder contatá-lo novamente. Acredito que por este meio eletrônico nossas correspondências se tornam mais ágeis e imediatas. Também os custos são menores. Espero que estas linhas o encontrem bem motivado para a vida e ministério pastoral. Faço votos de que seu trabalho seja-lhe motivo das mais singelas alegrias. Quero, ademais, lhe comunicar sobre a nossa Assembleia do Clero, anteriormente prevista para os próximos dias 11-13 de agosto. Após cuidadosas avaliações e reuniões pareceu melhor transferi-la para os dias 17-18 de novembro. A transferência se explica especialmente por alguns motivos de ca-
ráter pastoral bastante práticos. Eis alguns: 1. Estou mantendo reuniões com os padres de todos os setores. Os temas são diretamente ligados ao trabalho evangelizador em nossa Arquidiocese. Dos próprios padres chega a recomendação de que são encontros necessários, que devem estender. Mas é preciso tempo para encontrar-me com todos. 2. Estamos em dinamismo de missionariedade. Há paróquias já com alguns passos percorridos; outras ainda em preparação; outras ainda precisam começar. Antes de novas reflexões é preciso efetivar algumas realizações. Apressar de pouco ajuda. 3. Precisamos constituir um novo
Conselho de Presbíteros. Dele serão escolhidos os membros do novo Colégio de Consultores. Entretanto, vejo conveniente ter maiores contatos com os padres (diocesanos e religiosos). Tenho em grande apreço a maneira colegiada de cuidar de uma Igreja Particular. Mas para isso é preciso que haja as primeiras experiências de afinidade e de familiaridade. Sei que alterações de agendas e de compromissos sempre causam transtornos. Mas creio que posso contar com a compreensão de cada um. E, estando a vários meses da data do evento, acredito que os ajustes de agenda não serão tão complicados. Deixo-lhe um grande abraço. Dom José Antonio Peruzzo
Imposição do Pálio
Na noite de sexta-feira, dia 9, na Catedral de Curitiba, o núncio apostólico Dom Giovanni d’Aniello impôs o Pálio pastoral a Dom José Antônio Peruzzo. Trata-se de um ornamento litúrgico, usado pelos arcebispos, que consiste em uma faixa de lã adornada com algumas cruzes colocada sobre os ombros. É um costume muito antigo na
Fotos: Geovanni C. De Luca e Stephany Bravos
Igreja, talvez já desde o século 6º. Entre os muitos significados ao longo da história, o papa Francisco, quando o entregou aos novos arcebispos em Roma, enfatizou o seu sentido pastoral. É o símbolo do pastor que leva sobre seus ombros a ovelha, particularmente a que mais precisa dos seus cuidados.
Dia 12 de Outubro: Dia da P adroeira do Brasil Padroeira Fotos: Stephany Bravos
Mesmo com o dia chuvoso, fiéis lotaram a Catedral Basílica de Curitiba, para participar da missa em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, dia 12 de outubro. Ao longo do dia foram celebradas missas a cada 2 horas, com início às 07h pelo setor Centro e Colombo e término às 21h pelo setor Cajuru, totalizando 8 celebrações. Cada setor levou um pequeno punhado de terra de seu território para ser depositado num vasilhame. Da mistura desta terra será recolhida a porção que será abençoada a 20 de novembro e encaminhada ao Santuário Nacional, para ser colocada na Coroa Festiva dos 300 anos da Mãe Aparecida. Arquidiocese de Curitiba | Novembro 2015
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