Caro leitor, somos estudantes da Escola Miró, localizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Realizamos um estudo de campo para compreender de perto temas relacionados às disciplinas de Ciências, História e Orientação Educacional (OE) Entre os assuntos estudados, exploramos a vida e o cotidiano caiçara, a cultura indígena, a colonização portuguesa no Brasil, o Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar/USP), o costão rochoso, a praia arenosa e o plâncton. Também elaboramos um diário de campo, no qual registramos diariamente nossas experiências e impressões sobre cada atividade.
Para compreender melhor a vida caiçara, visitamos o bairro de São Francisco, onde entrevistamos moradores nativos. Em seguida, conhecemos uma aldeia indígena para vivenciar a cultura do povo originário Conversamos com o cacique Adolfo, que respondeu às nossas perguntas, ensinou palavras em tupi e fez pinturas tradicionais em todos nós. Visitamos ainda o Centro Histórico, onde conhecemos a Igreja Matriz do município, a antiga cadeia e os canhões da época colonial. No CEBIMar, conversamos com o biólogo Luciano para entender como o plástico afeta a vida marinha e por que não devemos levar conchas para casa. Depois, caminhamos até a praia para coletar organismos do costão rochoso e compreender o que é necessário para sobreviver em um ambiente tão desafiador. Coletamos também amostras da fauna intersticial e do plâncton, que foram analisadas no laboratório, onde aprendemos sobre suas adaptações e sua importância para o equilíbrio do planeta Terra
Por fim, produzimos esta revista para compartilhar tudo o que aprendemos ao longo do estudo de campo. Fizemos tudo com muito carinho e dedicação.
Esperamos que gostem! Boa leitura!
Texto coletivo dos alunos do 7º A.
Corpo Editorial
Equipe Responsável pelo Estudo de Campo
César Russo - Professor de Orientação Educacional
Larissa Roitberg - Professora de História
Márcia Ribeiro - Professora de Ciências
Coordenação
Cláudia Nakao - Coordenadora Pedagógica
Marina Senne - Coordenadora Pedagógica
Escola Miró
Estudo de Campo, Barequeçaba, 2025
Foto da Capa: Márcia Ribeiro
SUMÁRIO
O que a praia esconde? A vida
microscópicas que mantém o equilíbrio do mar
Vestígios do passado. Uma cidade colonial marcada por conflitos históricos
Isabela Tabet, Lara Vinhático Felipe Bari Caetano, João Vaz e Isabella Habboub
Comunidade indígena. A cultura que ainda resiste
Luca Prado, Maria Pagano, Augusto Malheiros & Miguel T. S.
A vida entre o mar e as rochas. As dificuldades e as adaptações de viver no costão rochoso
Isadora Barizza, João Carlos e Miguel Oliveira
Plástico. O inimigo da vida marinha
Pedro Tait, João Camarero, Felipe Bordignon
O Último Round. A cultura caiçara está acabando?
Raul Fernandes, Pedro Santos, Ana Luiza Braga
O que a praia esconde? A vida microscópicas que mantém o equilíbrio do mar
Isabela Tabet, Lara Vinhático Felipe Bari
PRAIA ARENOSA
OQUE É A PRAIA ARENOSA?
A praia arenosa e o mar são o habitat de diversos organismos marinhos e o derramamento de óleo pode ser muito prejudicial para a vida destes seres que vivem no mar.
objetivos Praia de Barequeçaba, SP. Desenho: Felipe Cabral.
Os nossos objetivos foram entender a distribuição dos organismos marinhos e como fatores bióticos e abióticos podem afetar esta distribuição; analisar a biodiversidade dos organismos marinho,
SITUAÇÃO PROBLEMA
O oceano e a praia arenosa são ecossistemas repletos de vida. Os organismos não estão distribuídos de forma aleatória, eles dependem de várias características como salinidade, altura do mar, luz, temperatura e oxigênio
A praia arenosa possui zonações do ponto mais perto da água e o mais longe. São regiões muito diferentes. Existe três zonas: a zona infralitoral: é uma região que está sempre coberta pela água e é habitada por animais e algas que precisam estar sempre cobertos pela água. A zona mesolitoral é uma zona que quando a maré está alta ela fica submersa e quando a maré está baixa ela fica exposta. A zona supralitoral nunca fica submersa, mas recebe borrifos de água
Estes seres que vivem entre os grãos de areia e no mar nem sempre são notados, mas são muito importantes para a vida marinha. Infelizmente este ambiente único está sobre ameaça da poluição, vazamentos de óleo, e da pesca predatória
D E R R A M A M E N T O D E Ó L E O
Em 2013, em São Sebastião, mais de 3,5 mil litros de óleo foram despejados no oceano pela Petrobrás. O derramamento causou a morte de cerca de 150 toneladas de peixes e mariscos, o turismo também foi muito prejudicado pois o derramamento fez várias praias serem interditadas. além disso causou um grande impacto na vida das caiçaras, que tem a pesca como maior fonte de renda familiar
HIPÓTESES
Antes do estudo nós achávamos que o fitoplâncton era um dos maiores produtores de oxigênio do mundo, e que sem ele não teríamos oxigênio suficiente. E o plâncton tem diversos benefícios para o oceano e mundo. Os animais que vivem na praia arenosa, se escondem entre os grãos de areia para se proteger. Pensando na cadeia alimentar, pensávamos que plâncton é a base da cadeia alimentar marinha. Também achávamos que o derramamento de óleo é muito prejudicial para os animais marinhos e causou e ainda causa muitas mortes.
materiais e métodos
Para o nosso estudo coletamos a fauna intersticial e o plâncton na praia de Barequeçaba, no litoral norte do Estado de São Paulo
Para fazer a coleta do plâncton usamos:
Rede de plâncton
Para fazer a coleta do plâncton pegamos a rede de plâncton e fomos para o mar e ficamos andando de um lado para o outro, passando a rede de plâncton na superfície do mar, e depois colocamos a água do copo da rede de plâncton na bacia para observar no microscópio do laboratório.
Para fazer a coleta da fauna intersticial usamos: bandejas bacias peneiras pá
Saca areia ]
Para fazer a coleta da fauna intersticial usamos a pá e o saca areia para cavar, depois colocamos essa areia na peneira para visualizar se coletamos algum animal da meio fauna e se coletamos colocávamos nas bandejas com areia e água do mar para estudar estes seres no laboratório.
Coleta de plâncton na Praia de Barequeçaba,
AVIDAESCONDIDA SOBAAREIA
Na coleta do plâncton só foram encontrados organismos do zooplâncton, como o ostracoda, um pequeno crustáceo.
Na coleta da fauna intersticial nós encontramos vários gastrópodes, do Filo Molusco, que tem como característica corpo mole, pé musculoso e concha espiralada fina e sifão. As adaptações para viver na praia arenosa são o pé musculoso para cavar e uma concha fina para se esconder na areia. Na cadeia alimentar, ele se alimenta de microrganismos (plâncton) e pequenos vermes (poliquetas). Os caranguejos, lagostas e estrelas do mar se alimentam dele.
Gastrópode Hastula coletado na praia de Barequeçaba SP e observado em laboratório. Foto: Equipe Miró
Zooplâncton coletado na praia de Barequeçaba SP e observado em laboratório Foto: Equipe Miró
CORRUPTO
Também coletamos o corrupto, do Filo Crustácea. Suas principais características são uma carapaça, 5 pares de pernas, sendo que o primeiro par são pinças, também chamadas de quelas. Contém um corpo transparente, pedúnculos oculares e antenas. Assim como o gastrópode, o corrupto também tem adaptações para viver na praia arenosa, como um corpo fino, garras ou pinças para cavar. Na cadeia alimentar, ele se alimenta dos microrganismos (plâncton) e restos orgânicos, e os crustáceos e as aves marinhas se alimentam dele.
Corrupto coletado na praia de Barequeçaba SP e observado em laboratório. Foto: Equipe Miró.
CONCLUSÃO
Com esse estudo a gente conseguiu entender melhor a variedade de seres vivos e e como eles se adaptam nestes ambientes.
Descobrimos que o plâncton é super importante para a cadeia alimentar marinha e também para a produção de oxigênio na Terra.
Percebemos ainda que o derramamento de óleo e a poluição podem prejudicar bastante esses ecossistemas. Por isso, cuidar e preservar os oceanos é essencial para manter a vida marinha e a vida no nosso planeta.
Cacique Adolfo.
comunida indígen comunida indígen
Foto: Maria Pagano Cacique Adolfo.
Foto: Maria Pagano
Luca Prado, Maria Pagano,
Augusto Malheiros & Miguel T. S.
Luca Prado, Maria Pagano, Augusto Malheiros & Miguel T. S.
Pintura tradicional do povo tupi.
Pintura tradicional do povo tupi.
Créditos: Equipe Miró
Créditos: Equipe Miró
Fomos até a comunidade indígena Rio Silveira
localizada em Bertioga, litoral Sul de São Paulo, para estudar sobre os Tupi Guaranis e aprender sobre sua cultura e rituais. Adolfo, cacique da aldeia, nos recebeu.
Tivemos como objetivos aprender a repensar o modo de vida deles, como exemplos: os preconceitos, esteriótipos, fake news, genocídio, cultura, papel dos povos indígenas no Brasil hoje, além de entender a resistência indígena no período colonial e atualmente.
Para proteger as aldeias indígenas de invasões de garimpeiros, o governo quer mudar os indígenas do local, mas eles não querem sair, porque o lugar que eles moram é sagrado para seu povo. Além disso, os indígenas precisam comprovar que eles estão morando nessas terras desde 1988, caso contrário eles perdem os acessos a essas terras.
Chegando na comunidade Rio Silveira, o Cacique
Adolfo enfileirou as meninas e os meninos. Ele explicou o que é respeito e ensinou algumas palavras em Tupi Guarani como kuimba’e, kuña, jagua. Logo depois, o chefe da aldeia nos guiou até uma cabana sagrada, onde explicou que lá eram realizados os rituais e danças. Vimos os quadros com pintura nas paredes, representando os animais e objetos indígenas; eram pequenas artes feitas pelas crianças, elas simbolizam a cultura e o povo. A cabana de artesanato é o local em que os indígenas vendem arcos, zarabatana, colares, entre outros objetos como forma de arrecadar dinheiro para a comunidade. Depois, fomos fazer uma pintura tradicional, feita com carvão e jenipapo.
Pintura de carvão e jenipapo.
Foto: Equipe Miró
Segundo o Cacique Adolfo, as crianças fazem a agricultura com as mulheres e os homens adultos caçam. A economia da aldeia gira em torno do cultivo de algumas plantas e da venda de artesanatos. A vida na comunidade indígena é muito coletiva; eles compartilham a água e o alimento e acreditam que aquilo que vem da natureza não pode ser vendido. Eles têm o cuidado cooperativo com o outro, principalmente com as crianças, todos são responsáveis por sua educação. Vivem em harmonia com a natureza e tentam preservá-la. As pessoas da cidade têm preconceito com os indígenas, julgando as roupas tradicionais que eles usam, como se as "roupas dos brancos" fossem melhores e como se eles não pudessem usar tecnologias digitais, por exemplo, pois isso os tornariam “menos índios”.
Mulheres e crianças cantando na cabana de rituais.
Foto: Maria Pagano
Devemos cobrar dos governos e das empresas a criação de novas estratégias para reduzir o lixo e preservar o meio ambiente, garantindo a proteção dos povos indígenas em todo o Brasil.
Além disso, é essencial repensar nossos próprios hábitos, evitando poluir as ruas e diminuindo a caça excessiva, que reduz os recursos disponíveis para os indígenas, ameaçando a sobrevivência de diversas espécies.
Também precisamos evitar a destruição dos biomas e o desmatamento, que geram graves consequências ambientais, como o aquecimento global.
Por fim, é fundamental defender os direitos e a integridade dos povos indígenas, especialmente dos grupos isolados, que correm o risco de contrair doenças letais transmitidas por pessoas de fora. Já aqueles que vivem nas cidades, devemos ajudá-los no combate ao preconceito e a discriminação.
Desenho das tradições indíg
Crédito: Miguel T. S.
A VIDA ENTRE O MAR E AS ROCHAS
As dificuldades e as adaptações de viver no costão rochoso
Isadora Barizza, João Carlos e Miguel Oliveira
Escola Miró Costão rochoso de São Sebastião, São Paulo. Site: Solutudo.
Costão rochoso de Barequeçaba.
O costão rochoso é um lugar que habita vários organismos.”
Para conhecer melhor o costão rochoso tivemos alguns objetivos como desenvolver o método científico, elaborar hipóteses sobre o estudo, coletar, anotar e analisar os dados, relacionar os organismos marinhos com os fatores bióticos e abióticos, observar e estudar as adaptações dos organismos marinhos do costão, reconhecer as características do grupo de animais marinhos.
Desenho: Isadora Barizza.
O costão rochoso é um ambiente muito hostil para se viver, pois tem os fatores abióticos, como a alteração do nível das marés e a exposição ao sol forte, e os fatores bióticos, como conseguir alimentos e se proteger de predadores.
O costão é dividido em 3 zonações, a zona infralitoral que está sempre submersa, a zona mesolitoral que fica submersa quando a maré está alta e na maré baixa fica exposta, e a zona supralitoral que nunca fica submersa, mas recebe borrifos de água. Por causa desses fatores os seres precisam se adaptar para sobreviver no costão.
As nossas hipóteses antes do estudo foram que pensávamos que no costão os organismos possuem adaptações para poder viver lá, como ter conchas, carapaças e ventosas para defesa.
Costão rochoso zonações. Site ResearchGate
As nossas hipóteses antes do estudo foram que pensávamos que no costão os organismos possuem adaptações para poder viver lá, como ter conchas, carapaças e ventosas para defesa.
Para coletar os organismos do costão rochoso da praia de Barequeçaba utilizamos baldes, bacias e pás. Nós fomos as 8 horas da manhã por causa do nível da maré que estava baixa. Saímos andando pelo costão a procura dos organismos e quando nós achávamos a gente os colocava em baldes e bacias com água ado mar para levar ao hotel onde foi montado um laboratório para estudar eles.
Coleta no Costão Rochoso da praia de Barequeçaba. Foto: Márcia Ribeiro/ Equipe Miró
No costão rochoso nós encontramos quatro organismos marinhos sendo eles, caranguejo, anêmona, baratinha do mar e gastrópode.
encontrado no costão rochoso
CARANGUEJO
No costão rochoso nós encontramos quatro organismos marinhos sendo eles, caranguejo, anêmona, baratinha do mar e gastrópode.
O caranguejo, pertence ao Filo Crustáceo, possuí carapaça, pedúnculo ótico, 5 pares de sendo o primeiro para modificado em pinças ou quelas. Ele possui adaptações como a carapaça que protege ele, o corpo achatado que facilita entrar nas fendas, a locomoção é rápida e as pinças para defesa. Sua cadeia alimentar funciona assim: Ele come restos orgânicos e pequenos organismos, os predadores do caranguejo são aves marinhas e peixes maiores.
Caranguejo
em Barequeçaba. Foto Isadora Barizza
encontrada no costão rochoso
ANÊMONA
A anêmona pertence ao Filo Cnidário e possuí tentáculos, boca, disco podal e haste corporal. Para viver no costão ele possui o disco podal para fixação e os tentáculos urticante. Sua cadeia alimentar funciona assim: Ela se alimenta de vermes marinhos e pequenos peixes e o predador dela são os peixes maiores.
Anêmona
em Barequeçaba. Foto: Isadora Barizza
Gastrópede encontrado no costão rochcoso em Barequeçaba.
GASTRÓPODE
O gastrópode pertence ao Filo Molusco e possui um pé musculoso, concha espiralada, cabeça com olhos e uma boca com rádula (língua raspadora). As adaptações que protege ele para viver no costão é o pé musculoso para fixação e a concha como proteção das ondas e dos predadores. Sua cadeia alimentar funciona assim: Ele se alimenta de microalgas e microrganismos com sua língua raspadora, seus predadores são as aves marinhas, crustáceos e peixes maiores.
Foto: Isadora Barizza.
Baratinha do mar encontrada no costão rochoso em Barequeçaba.
Foto: Isadora Barizza
LÍGIA
A baratinha do mar pertence ao Filo Crustáceo e possuí carapaça, pedúnculo ótico, 7 pares de pernas(iguais) e corpo segmentado. Para viver no costão ela possuí carapaça para proteção, corpo achatado e locomoção rápida. Sua cadeia alimentar funciona assim: Ela se alimenta de restos orgânicos, microalgas e microrganismos, e seus predadores são caranguejos e aves marinhas.
CONCLUSÃO
O costão rochoso é um ambiente muito hostil para se viver por causa dos fatores bióticos (disputa por territórios e alimentos) e os fatores abióticos (alteração do nível das marés e exposição ao sol forte), e por isso os organismos marinhos têm tantas adaptações(carapaça, pé musculoso e corpo segmentado) para viver lá.
Vestígios do passado
Uma cidade colonial marcada por conflitos históricos
Por: Caetano, João Vaz e Isabella Habboub
O Centro Histórico de São
Sebastião/SP
São Sebastião visto de cima foto: turismosaoaebastiao.com.br
Quando os portugueses chegaram ao Brasil encontraram duas etnias indígenas diferentes: os Tupinambás e os Tupiniquins. Os portugueses se uniram aos tupiniquins e os franceses, que depois fizeram invasões ao Brasil, com os Tupinambás. Após muitos anos de conflito, os portugueses venceram e, em 1563, os portugueses e os tupiniquins fizeram um acordo de paz. Algum tempo depois da chegada dos europeus, a colônia já estava formada. Mas, com o passar dos anos, começaram os ataques de piratas. E logo surgiu outro problema: uma rebelião dentro da própria colônia.
Portanto, a visita ao Centro Histórico teve como objetivo conhecer o local em que, no início, marcou a colonização portuguesa no litoral norte de São Paulo, em São Sebastião; compreender a participação dos europeus nesse processo e reconhecer as funções de cada espaço na manutenção da ordem durante a colonização. .
ANTES DO ESTUDO EM CAMPO
As hipóteses levantadas em relação à situação-problema foram:
Imaginamos encontrar no Centro Histórico fatos da colonização e objetos antigos que eram usados naquela época.
Também percebemos que havia mais pessoas negras do que brancas, e que os brancos tinham mais poder Observamos que a cultura, as casas, os parques, as ruas, a polícia e outros espaços, como hotéis e aeroportos, são bem diferentes dos de hoje.
Achamos que, para defender Portugal, eles usavam armas de fogo e faziam saques. E que, para punir os escravizados e criminosos, eles batiam ou até matavam.
Pensamos ainda que, para manter a união da população, Portugal pode ter feito acordos ou oferecido bens materiais.
Centro Histórico de São Sebastião. foto: pantaimaresias.com.br
IGREJA MATRIZ
A Igreja Matriz de São Sebastião foi uma das primeiras a serem construídas no Brasil, ainda no século XVI. Ela tinha diferentes funções: era um lugar de proteção física quando havia ataques estrangeiros, por causa das paredes muito grossas; servia para rezar (proteção espiritual) e também como cemitério os mais ricos eram enterrados mais perto do altar (e de Deus) e os mais pobres ficavam mais perto da porta de saída. Além disso, havia uma janelinha estratégica usada para atirar nos piratas que invadiam o local, e só dava para ver de dentro
Desenho da Igreja Matriz de São Sebastião Fonte: Caetano Diniz
Igreja Matriz de São Sebastião (SP) foto: https://dicaragua.org.br/
CANHÕES E CASA DE CÂMARA E CADEIA
A Casa de Câmara servia como prisão e como sede administrativa judicial no período colonial. Na parte debaixo ficava a cadeia e era praticamente igual às de hoje; lá ficavam os criminosos infratores (brancos), com correntes amarradas em seus pés. A parte da Câmara era onde ficava a prefeitura, o centro do poder municipal e legislativo. Havia degraus muito largos, para que os infratores fossem impedidos de subir. Em frente ficava o pelourinho, em que os escravizados eram chicoteados, geralmente em praça pública, para servir de exemplo.
Canhões de São Sebastião (SP.)
Foto: Caetano Diniz
Casa de câmara e cadeia de São Sebastião (SP.) Foto: Caetano Diniz
Os canhões serviam para os moradores se defenderem da invasão dos piratas (franceses e holandeses), porque antes de colocarem esses canhões, a costa estava sendo invadida com facilidade, ameaçando o poder dos portugueses. Os moradores chegaram até a construir canhões falsos para se defender (assustando os piratas), feitos de madeira. Depois a coroa portuguesa conseguiu adquirir os canhões verdadeiros; eles eram de várias épocas diferentes e podíamos perceber isso por causa dos símbolos nos canhões.
CONCLUSÃO
Após o estudo, podemos concluir que aprendemos bastante sobre São Sebastião e sobre o início da colonização no litoral norte de São Paulo. Tudo começou com uma guerra entre os franceses, que se aliaram aos tupinambás, e os portugueses, que se uniram aos tupiniquins. Depois de muita luta, os portugueses venceram e fizeram um acordo de paz com os indígenas, mas depois quebraram esse acordo e começaram a colonizar o Brasil, escravizando indígenas e africanos. Também percebemos a influência europeia na colonização, observando as casas com arquitetura antiga e lugares como a igreja, os canhões e a Casa de Câmara e Cadeia. Mesmo assim, a cidade mudou muito com o passar do tempo, principalmente com as novas tecnologias mesmo que, por fora, ainda pareça a mesma.
Ilustração de São Sebastião no século XVII. Desenho disponível em: saosebastiao.tur.br
Plástico
O inimigo da vida marinha
PEDRO TAIT, JOÃO CAMARERO, FELIPE BORDIGNON
Lixo recolhido na praia Segredo, no Cebimar/USP. Foto: Felipe Bordignon.
Entrevista com o Biólogo do CEBIMar, Luciano Abel
VOCÊ ACHA QUE A POLUIÇÃO NO MAR VAI MELHORAR NOS PROXIMOS ANOS? TALVEZ MELHORE NO PRÓXIMOS CEM ANOS.
VOCÊ QUAIS FACULDADES VOCÊ FEZ? ISSO INFLUENCIA AQUI NO SEU TRABALHO NO CEBIMAR?
EU FIZ GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS. EU FIZ
ESPECIALIZAÇÃO FORA, ISSO INFLUENCIA MUITO AQUI NO MEU TRABALHO.
COMO O PLÁSTICO AFETA A VIDA MARINHA?
O PLÁSTICO AFETA COM A INALAÇÃO DO PLÁSTICO, FICANDO PRESO NELE E NA EXTRAÇÃO DELE PORQUE O PLÁSTICO E UM SUB DERIVADO DE PETRÓLEO,ESSE PETRÓLEO E EXTRAIDO DO MAR E ISSO AS VEZES PODE ACONTECER UM ACIDENTE NO TRANSPORTE E VAZAR TODO PETRÓLEO QUE VAI FAZER MAU PARA OS ANIMAIS MARINHOS.
VOCÊ ACHA QUE VAI EXISTIR ALGUMA TÉCNOLOGIA QUE VAI LIMPAR O OCEANO?
TEM GENTE QUE TRABALHA COM ISSO QUE NÃO DESCOBRIU ALGO VIÁVEL E TAMBÉM QUE NÃO GERE TANTO RESÍDUO.
O Último O Último Round Round
A cultura caiçara A cultura caiçara
está acabando? está acabando?
A pesca local caiçara
A pesca local caiçara
Desenho: Ana Luiza
Desenho: Ana Luiza
Raul Fernandes, Pedro Santos, Ana Luiza Braga
Raul Fernandes, Pedro Santos, Ana Luiza Braga
Caiçaras são aqueles que nascem em cidades litorâneas do Sul e Sudeste do Brasil, muito conhecidos por viverem da pesca. Para entender a vida e cultura caiçara, foram realizadas entrevistas com essa população, especificamente com os moradores do bairro São Francisco, onde surgiu a cidade de São Sebastião-SP, no período colonial. Nossos objetivos incluíam nos aprofundarmos sobre a economia e cultura local e reconhecer e comparar as mudanças no presente e no passado.
Protesto contra projeto de lei contra a pesca artesanal (Imagem do site atribuna.com.br)
Entrevista com os caiçaras (Foto: Equipe Miró)
Nos últimos anos, houve um vazamento de óleo causado pela Petrobrás, aliado à uma forte chuva/deslizamento que abalou a cidade. Outro problema que fomos investigar era se a cultura caiçara está ou não acabando.
tecnologia, escravidão, modo de vida, moradias e população. E permaneceu nos quesitos: estilo arquitetônico antigo, bairros históricos, roupas, comidas, casas e famílias. Achamos que no período colonial, a renda vinha do comércio e escravidão. Pelas nossas hipóteses, a pesca se tornou a principal fonte de renda dessa população. No geral, achamos que houve mais desigualdade no período colonial, por causa da escravidão. Outra era de que derramamento petróleo afetou local.
Barcos na praia de São Francisco (Imagem: Equipe Miró) Melissa, de 27 anos, é uma jovem caiçara que nos concedeu respostas, dizia que lá é um lugar tranquilo, tem conexões naturais, é seguro, e tem paz.
Nossa segunda entrevista foi com Cláudio, de Segundo o entrevistado, a maior fonte de renda turismo. De acordo com ele, sempre houve apagamento da cultura caiçara. O derramamento petróleo afetou o turismo. Citou o Azul Marinho prato local mais tradicional. Cita a Festa dos Três
Entrevista com os pescadores (Imagem: Equipe Miró)
apagamento cultural. Gosta de trabalhar no Museu Caiçara e conhecer pessoas é seu maior presente. Festas locais incluem a Congada e cita religiões de matriz africana como parte da religiosidade caiçara.
Entrevista com Rosângela (Imagem: Luiza dos Santos)
As principais perguntas foram:
1. Quais são as principais diferenças entre a vida caiçara e a vida do povo de cidades não litorâneas?
2. Já sofreu algum preconceito sendo caiçara?
3. Qual sua maior fonte de renda?
4. Você sente um apagamento de sua cultura?
5. Qual sua maior fonte de lazer?
6. Como o derramamento de petróleo afetou/afeta sua vida?
7. Qual a comida tradicional caiçara?
8. Vocês têm alguma festa tradicional?
9. Qual a religião predominante caiçara?
10. Você mudaria algo em sua cultura?
Grande parte dos entrevistados falaram que a cultura caiçara está sendo apagada, por desincentivo do poder público e porque a maioria dos jovens de hoje em dia não têm interesse em segui-la.
E notamos que, ainda que a cultura esteja se esvaindo, ainda se mantém os pratos, festas, festivais e a religião dos caiçaras. Por fim, notamos um apagamento cultural das tradições caiçaras, mas também uma resistência e luta desse povo para mantê-los vivos.