

Produto final do Estudo de Campo de Ouro Preto
Narrativa criada por Ana Júlia M. Consolini, Ana Luiza B. Soares, Augusto T. D. Costa e Sarah R. O. Diniz – 8°A
Ciências, História, História da Arte
Língua Portuguesa e Redação
Escola Miró, Ribeirão Preto/SP, 2026


Sou um simples tropeiro de 17 anos, acusado de ter matado o Rei de Portugal.
Como eu cheguei até aqui? Teremos que voltar três meses atrás...
Meu nome é José Silva Oliveira, fui tropeiro desde os 15 anos e sempre morei em Vila Rica. Meu trabalho consistia em viajar para outras vilas do entorno com as mulas de carga disponibilizadas pela Coroa Portuguesa, levar alimentos para Vila Rica e entregar os produtos para os fiscais da coroa.
Por mais que meu trabalho não fosse tão valorizado quanto acho que deveria, era muito necessário, pois Vila Rica estava em escassez de produção de alimentos, tecidos, entre outros produtos e mercadorias, devido à extração do ouro.

A população se interessava muito mais pelos serviços envolvendo a mineração, e pouco valorizava o cultivo de alimentos, produção de tecidos, entre outros trabalhos assim na região.
Em um dia comum de trabalho, deparei-me com uma carruagem vermelha, como sangue derramado de escravizados e de ouro, tão dourada como o brilho do sol. Bem nesse momento, uma turma de quilombolas levou toda a minha mercadoria do último serviço, não apenas a minha, quanto ado meu grupo também.
Por sorte, apareceu uma serpente enorme que atacou diretamente os quilombolas e todos saíram correndo.

Dedentro da mais bela carruagem, saiu uma linda donzela, a famosa Isabel, a princesa mais deslumbrante e estonteante de Portugal. Eu já tinha escutado falarem sobre ela, mas nunca a tinha visto tão perto e tão bela. Com seus olhos azuis como o céu e seus cabelos loiros brilhantes como ouro, ela
desceu da carruagem, em movimentos calmos e delicados e falou conosco:
- Meu Deus, vocês estão bem? Eu já chamei os guardas para irem atrás desses selvagens e recuperar o alimento de vocês.
- Tudo bem, princesa, (faço uma reverência a ela) obrigado por nos ajudar.
Aliás, para que vossa alteza saiba, me chamo José, sou um simples jovem tropeiro de 17 anos.
- Meu nome é Isabel, tenho 15 anos, e essa é minha mãe, a Imperatriz Teresa.
Fiz uma reverência a ela também.
- Obrigado, vossa alteza - disseram os outros tropeiros.
Todos fizeram uma reverência à Princesa e à Imperatriz.
- Eu gostaria que esses jovens tropeiros fossem ao jantar emhomenagem à nossa mãe.
- Claro, minha filha, todos estão convidados para o nosso jantar, ele acontecerá às 19 horas, em nossa nova casa.
Todos os tropeiros agradeceram à Princesa e à Imperatriz.
- Até mais tarde, vossas graças (disseram todos os tropeiros juntos).
Após recuperarmos nossas mercadorias, voltei a Vila Rica. Mas meu pensamentonãoseesqueciadaquelaprincesa.

Enquanto nós, os tropeiros, estávamos indo para o jantar, avistamos a carruagem real vindo em nossa direção, e quando ela
parou, a porta se abriu e a princesa saiu de dentro dela.
- O que lhe aconteceu, Princesa Isabel?
Perdeu-se novamente? Precisa de minha ajuda?
- Não, eu estava apenas esperando por você. – Ela me disse, com o sorriso mais lindo do mundo. Fomos ao jantar juntos, na mesma bela carruagem que nos conhecemos, quando nos ajudou com o ataque dos quilombolas.
Porém, nada acabou em perfeição, o imperador me avistou dançando com a Princesa Isabel, sua filha, e irritou-se, expulsou-me do baile e me proibiu de vê-la.
Essa atitude tornou-se meu pesadelo e sofrimento.
Na manhã seguinte, acordei com uma carta, que a princesa havia me enviado.
Naqueleinstante, foi como ver o sol saindo em uma noite tempestuosa. E em seu texto, a princesa pediu para nos encontrarmos às 11 horas, no mesmo local onde tínhamos nos conhecido.
Desde que a vi pela primeira vez, não parei de pensar nela, e a ideia de nos encontrarmos novamente, e ainda por cima, a sós, só ampliava meus pensamentos e minha felicidade. Chegada a hora, lá estava eu, na estrada real à espera de minha amada. As horas passavam e ela não chegava, meu pensamento estava completo de ansiedade e desespero. Será que tinha acontecido alguma
coisa? Será que a Princesa estava bem? Ou o rei descobrira tudo não permitindo que a Princesa saísse? Eram tantos pensamentos ruins me habitando, que cheguei a pensar na mortecomo forma de solucionar a minha dor.
Finalmente a vi, meu coração acalmouse, mas notei algo estranho.... Ela estava chorando e não caminhava sozinha, vinha acompanhada por muitos guardas e pela própria imperatriz. Dilacerado, já imaginava o fim para todas as minhas expectativas.
- Guardas, prendam-no! Foi ele! Ele assassinou vossa majestade, o imperador! –Disseaimperatriz,furiosacomoaschamasdo inferno.
-Não,mãe,nãofaçaisso!Não oprenda, é inocente e eu o amo! Não faça isso comigo,
mãe. Por favor, eu imploro. – Disse a princesa aos prantos.
- Tudo bem, prendam-me, mas não fui eu! E.... eu também a amo, minha princesa. Assim, assumi uma culpa que não era minha, mas foi o caminho que encontrei para evitar mais dores para todos.
Fui levado pelos guardas para o palácio, porém meu coração ficou com a princesa, um coração paralisado após a notícia de que ela também me amava.
Levado para a sala dos desembargadores do Paço, havia apenas um homem lá, sentei-me em uma cadeira enquanto ele me fitava, absolutamente em silêncio perpétuo.
- Você cometeu um crime enorme, você assassinou um soberano e pagará caro pelo seu pecado....
- Mas, não fui eu....
- Sem, “mas”! Levem-no para a masmorra imediatamente! Amanhã, será o dia da sua execução pública! - proferiu essas palavras como se desse a minha sentença definitiva. Então, preso na masmorra, e pior, preso na ansiedade e no medo, já que nunca mais veria minha amada novamente, concluí que seria executado e não conseguiria dizer mais nada a ela.
No temido dia, estava absolutamente banhado de terror. Ao chegarem os guardas, levaram-me para uma praça pública lotada
deexpectadoresparaaminhamorte.Embora não quisesse ver minha princesa sofrer, tive um único sentimento feliz: veria pela última vez a mulher que tanto amei. E prestes a ser esquartejado, ouvi a voz desesperada dela gritando pela minha libertação:
-Não façamisso!Elenãoéoverdadeiro culpado!
- Como você tem tanta certeza, minha filha? – Disse a imperatriz.
- Porque a culpada.... Sou eu.
A plateia enlouquece, ninguém entende nada, muito menos eu.
A princesa corre em minha direção, me desamarra, e me liberta, e ela começa a falar:
- Eu descobri recentemente que fui sequestrada pelo antigo imperador, meu verdadeiro pai é o rei da Espanha, e é para lá que eu irei! Partirei na próxima semana.
A imperatriz confirma o sequestro, se revela cúmplice, e vai presa, no dia seguinte mesmo, o outro filho do casal é coroado, e já começa a buscar uma esposa em países vizinhos, eu passo os últimos dias me divertindo muito ao lado de Isabel, como se realmente fôssemos um casal, infelizmente, a semana seguinte se inicia, e a diversão se encerra.
- Você voltará algum dia? – Pergunto à minha princesa.
- Infelizmente não é o meu plano, mas você poderá me visitar.
- Não tenho dinheiro, mas apoio sua decisão, e talvez um dia, nos encontraremos novamente.
- Então.... É um adeus? – Ela pergunta e eu assinto.
- Adeus meu amor, nunca te esquecerei, te amo!
- Adeus, minha princesa, também não te esquecerei, faça uma boa viagem, te amo também!
Essa semana foi um desespero, eu escrevi a ela, sem resposta, nadando na agonia e na saudade. Sempre pensando comigo “Vai passar”, mas no domingo, na igreja que eu costumo frequentar, a Nossa Senhora da Conceição, durante a missa, eu me afoguei na
escuridão das palavras do padre, e percebi
que uma dor assim, nunca irá passar…

Passei a outra semana da mesma maneira, e na madrugada domingo seguinte, fui até a região da Estrada Real em que eu e minha eterna amada nos conhecemos, carregandocomigoumafaca,naesperançade acabar de vez com esse sofrimento, me livrar do afogamento na escuridão perpétua, sair dessa eterna solidão, fugir, disso, de tudo isso, eu precisava escapar, eu precisava parar de acordar pensando em dormir de novo, pois sem ela, tudo o que eu mais quero é dormir eternamente, sem a lembrança de seu sorriso me assombrando até o fim, até porque, o fim, acabadechegar,sótemumjeitodenãosofrer nunca mais, chegou a hora, acabou....
