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A revolta da mina (2026)

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A revolta da mina

Produto final do Estudo de Campo de Ouro Preto

Narrativa criado por Felipe Cabral, Lorenzo Padovani, Maria Clara Vinco, Nina Murad e Theodoro Rossato – 8°B

Ciências, História, História da Arte Língua Portuguesa e Redação

Escola Miró, Ribeirão Preto/SP, 2026

Zulu era um ex-escravizado de mina, que através de seu trabalho duro comprou sua alforria. E vocês devem estar se perguntando: como foi essa trajetória até ele finalmente conseguir a tão desejada alforria?

Pois bem, além trabalhar muito como todos os escravizados, ele escondia ouro no cabelo e também nas unhas. Até que finalmente conseguiu a alforria, e estava à procura de um emprego na cidade de Vila Rica. Se sentia liberto, não cabia alegria em seu peito ao andar na rua com sua carta de alforria, se sentia leve, mas no fundo medo de ser escravizado

novamente, e dos julgamentos da população.

Apesar de ser um homem livre, era difícilencontrarumemprego porcausado preconceito que sofria na sociedade, até que ele achou um trabalho de pintor em

uma igreja chamada Santa Efigênia, onde ganhava uma miséria e tinha que morar nas ruas, porém era o que ele conseguia manter. Querendo ou não, ele entendia que a situação dele como trabalhador alforriado conseguia ser melhor do que quando trabalhava como escravizado, já que vivia em condições absurdamente mais precárias, tendo que dormir com os parceiros de mineração e com as suas fezes.Eramuitocomumsemachucarcom as ferramentas de trabalho. Em um certo dia, ele cortou o seu dedo fora com uma ferramenta de trabalho e não tinha com o quetratar,entãoZulutevequeimprovisar,

fez uma receita antiga com plantas

medicinais aprendida com a sua mãe e passou na ferida para tentar estancar o sangramento.

De vez em quando, encontrava seus amigos da mina do Chico Rei, escondido

óbvio, e ficava apavorado e frustrado com o quanto a situação dos seus amigos piorava desde que ele havia sido liberto.

Então, começou a roubar ouro da igreja onde estava trabalhando na construção, e de algumas estátuas de praças para ajudar na compra da alforria de seus amigos, além de reservar dois terços de seu salário, apesar de muito baixo, para dar a eles. Eles também escondiam ouro nos mesmos lugares, cabelo e unha, pois inovar era perigoso demais, até mesmo esconder no bucho era muito arriscado devido as condições e vigilância. Apesar

de viver de caridades, ele sentia que tinha que ajudar os amigos a saírem daquela situação.

Até que um dia, Zulu foi encontrado roubandoouroemumadasestátuasperto

da atual Praça Tiradentes, o “justo” para essa situação na época era que ele fosse chicoteado em praça pública, mas todos os aristocratas, os burgueses e as pessoas da elite no geral reconheciam a importânciaeconômica deum trabalhador (escravizado ou não) de mina, então como pena apenas o escravizaram novamente na Mina do Chico Rei, mesmo ele estando comaalforriaemmãos,poisreconheciam astécnicaspossuídaseconhecimentosde Zulu.

Para Zulu essa situação era um tanto quanto triste e revoltante, mas também via como uma oportunidade de fazer uma revolução naquela mina, e,

apesar de saber o risco que estava correndo com essa ideia, compartilhava-a orgulhoso com seus amigos. Passou um mês desde que havia sido escravizado novamente, mas também um mês que estava conquistando a confiança de seus amigos da mina com suas ideias malucas de revolução.

As ideias eram as seguintes: fugirem todos da mina, assassinar o dono da mina, e todos irem para a mata formar um quilombo. Sei que dizendo assim parece um plano absurdo e desorganizado, mas como havia dito, fazia um mês inteiro que estavam conversando sobre isso, e concluíram em maioria de

que era um plano bem possível, contanto que alguém se sacrificasse no caminho.

Então, no dia 1 de setembro de 1789, em torno de 240 homens, mulheres e crianças fugiram da mina um pouco antes do crepúsculo vespertino, todos muito

bem armados com ferramentas utilizadas na mineração, que, apesar de manuais, eram pesadas. Os homens estavam responsáveis pela batalha corpo a corpo, lutando com os brancos que apareciam, e as mulheres pensavam em estratégias rápidas e cuidavam das crianças. Como imaginavam, não foi fácil lutar com todos os homens brancos que apareciam no caminho, pois não eram poucos e tinham armas de fogo, mas os homens da mina eram bem mais fortes e sabiam lutar, e apesar de estarem em menor quantidade sozinhos, somando as mulheres e crianças estavam em grande maioria, sendo todos liderados por Zulu.

O caminho até a casa do senhor da mina foi complicado, pois havia muitos homens brancos, no entanto, pela surpresa deles a casa do homem em si estava vazia, com somente o senhor da mina dormindo, então se dividiram: Zulu

mais 29 homens subiram, e o resto ficou na parte de fora de vigia e cuidando das crianças. Meia hora depois que oshomens subiram, começaram a chegar mais brancos que trabalhavam para o dono da mina, mas na mesma hora Zulu saiu da casa e gritou “O senhor está morto!”. Quase no mesmo instante, os homens brancos saíram para cima dos homens pretos escravizados, mas como combinado, alguém iria ficar para trás para que os outros pudessem fugir e formar um quilombo. Zulu, como líder da revolta,sepropôsdizendoqueficariapara trás, e assim foi feito.

Zulu foi morto e esquartejado no pelourinho em frente à Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica.

Porém,todasasoutras239pessoas que saíram vivas, machucadas, mas vivas da revolução, formaram um quilombo chamado Zulu em sua homenagem.

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