

Amentepor trásdoMestre
Produto final do Estudo de Campo de Ouro Preto, 8°B
Alice Bortoli, Antonia Frias, Gabriela Bocalon,
Eduarda Ferriolli e João Dutra
Ciências, Geografia, História, História da Arte e Língua Portuguesa
Escola Miró, Ribeirão Preto/SP, 2025.


José trabalhava como escultor e entalhador na oficina mantida por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Suas obras nunca eram exibidas para o público com seu nome, mas sim com o nome de Aleijadinho, como se este fosse realmente o verdadeiro autor.

Certo dia, José saiu para procurar mais materiais e encontrou uma mulher, de cabelos ondulados e castanhos, pele parda, olhos azuis e muito bonita. Decidiu perguntar seu nome:
- Olá, qual é seu nome?
- Oi. Isabel Alves Lisbuena. E o seu?
- José Silva, muito prazer!
- O prazer é meu! Bom... Preciso ir, tenho que trabalhar.
- Eu também tenho que ir. Tchau. Até a próxima!
Depois que José conversou com Isabel, seus pensamentos ficavam frequentemente nela. Seus trabalhos nunca mais foram os mesmos, na maioria das vezes, ele não conseguia finalizá-los em menos de um mês e
sempre fazia referências bem sutis a ela em suas obras.
Um dia, José, muito cansado, foi até a senzala descansar depois de um longo dia de trabalho, mas como já estava tarde, decidiu dormir, já que o dia seguinte seria um grande dia, seria a inauguração da igreja São Francisco de Assis.


Como sempre todas as obras sairiam com o nome de Aleijadinho, o que sempre deixava
José muito bravo com a injustiça, pois deseja ver seu nome nas obras que produzia.
Mas o rapaz tinha certeza de uma coisa: Isabel poderia ajudá-lo.
No dia seguinte, José foi todo confiante a caminho da igreja e quando chegou olhou cadadetalhe minimamente,observoutodoseu trabalho duro presente nas paredes e no teto da igreja, porém tudo com o nome de seu chefe. José queria achar Isabel, sabia que ela estaria lá. Procurou em todo canto, até achála. Quando avistou a moça, pediu para ir até um lugar mais reservado. Isabel não tinha muita atração por ele, mas como era curiosa e queria saber do que a conversa se tratava, ela

o seguiu até um cantinho mais afastado e sem muitas pessoas:
- Oi, Isabel.
- Oi, José! Por que você queria falar comigo?
- Porque você sabe que todo esse trabalho na igreja foi feito por mim e meus companheiros. Nada aqui foi feito pelo Mestre Antônio!
-Tá, eu sei. É uma injustiça, mas como eu, uma mera camponesa, posso ajudar?
- Você sabe quem são seus pais?
- Mais ou menos, a minha mãe é a Maria
Alves e meu pai... Eu não sei, minha mãe não gosta muito de falar sobre isso.
- Então, o seu outro sobrenome é do seu pai?
- Acredito que sim.
- Tenho quase certeza de que seu pai é branco! E uma pessoa importante.
- Por quê? Como você sabe?
- Simples, você tem pele parda e olhos azuis!

- Entendi, mas qual o resto do seu plano?
- Precisamos descobrir quem é seu pai, tenho certeza de que ele poderá nos ajudar, depois precisamos arrumar um jeito de mostrar para todos que esse trabalho não é do Mestre Antônio, mas nosso, trabalhadores!
- Entendi, conta comigo!
Depois, José ficou pensando em como mostrar essa injustiça para todos. Seria muito difícil as pessoas acreditarem nele, pois só tinham olhos para Aleijadinho.
No dia seguinte, Isabel e ele se encontraram para descobrir quem era o pai de Isabel. Saíram escondidos, perguntando para as pessoas se elas conheciam alguém com o sobrenome “Lisbuena”, até que perguntaram para um homem:
- Olá, tudo bem? Você conhece alguém com o sobrenome Lisbuena?
- Não... Só o Aleijadinho que tem sobrenome Lisboa. Ele disse isso brincando, sabendo que não tinha a mínima chance da garota ser filha dele.
Eles foram pensando e ligaram todas as peças: Lisbuena parece com Lisboa e Aleijadinho nunca iria deixar seu sobrenome em uma mulher negra. Isabel era realmente filha de Mestre Antônio.

Quando José contou seu raciocínio para a mulher, ela passou a odiar o Mestre mais do que nunca, afinal, onde já se viu não assumir a própria filha? Decidiram que envenenariam Aleijadinho, discretamente, para depois poder contar a barbaridade que acontecia com seus trabalhadores.
TrêsanosemeiosepassarameJosé,com ajuda de Isabel, comprou sua alforria e estava finalmente livre! Ele e Isabel se apaixonaram depois de tudo que passaram juntos, mas ainda tinham um problema para resolver, ainda existiam pessoas trabalhando para Aleijadinho. José precisava fazer algo, pensou em executar o plano para envenenar o mestre.
Primeiro, José voltaria até o “escritório”, onde
Antônio passava a maior parte do seu tempo, não seria fácil entrar, mas eles tinham que conseguir. José iria entrar e falar que tinha comprado sua alforria, logo depois Isabel iria entrar falando que era sua filha e mostrar a foto que tinha de sua mãe, que havia falecido no ano anterior. Com certeza, ele lembraria de tudo e ficaria chocado. Os dois planejaram oferecer um copo d’água, onde estaria
despejado o veneno, assim, em aproximadamente três meses, Aleijadinho estaria morto. Como consequência, a herança ficaria para Isabel, que poderia comprar todas as alforrias dos escravos que trabalhavam para ele.
Foi o que aconteceu, tudo como planejado, o plano deu certo, foi perfeito. Por fim, Isabel e José se casaram e foi lindo, os dois viveram felizes para sempre.
