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Em busca da liberdade (2024)

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Em busca da liberdade

Narrativa criada por:

Guilherme Martins

Luísa Lascala

Maria Clara Karlinke

Produto final do Estudo de Campo de Ouro Preto

Escola Miró – Ribeirão Preto/SP

8°B – 2024

“Existe uma terra, um tanto quanto distante para nós, no leste do Brasil, cujo nome é Vila Rica! Lá tem ouro o suficiente para construir uma cidade inteira! Muitas pessoas estão migrando para lá, a pequena vila está se tornando uma grande cidade!” É isso que estão falando da minha terra, eu já trabalho na fazenda do sinhô Manoel, na região de Vila Rica, há 3 anos, antes trabalhava em uma outra fazenda, como governanta.

Sou uma escravizada rural e tenho duas filhas lindas, a Maria Tereza, que tem 13 anos, e a Célia, que tem somente 3, quando o sinhô Manoel me comprou eu estava gravida, ele tinha a intenção de me usar de ama de leita para a esposa, mas acabou utilizando outra escravizada mais jovem. Por causa da quantidade de pessoas que vieram morar aqui na Vila Rica, as produções dobraram e eu, como uma mulher, tinha que ir vender o que a gente produzia na cidade.

Meu grande sonho sempre foi libertar minhas filhas, então todos os dias pegava as frutas que não vendiam e fazia doce para vender, na esperança de um dia conseguir comprar a alforria delas. Depois que meu marido, José, foi liberto, por conta do seu esforço para

comprar sua alforria, está bem mais difícil aguentar a minha rotina exaustiva. Aos domingos, eu vou para a Igreja Santa Efigênia, da qual faço parte da irmandade, para encontrar alguns amigos e principalmente meu marido, minhas filhas ficam muito feliz em vê-lo! Hoje em dia, ele trabalha em colheita e entrega de madeira, mesmo não ganhando muito, ele está se esforçando no trabalho e nós acreditamos que ele vai conseguir libertar nossas filhas!

Quase todos os dias da semana, eu, as mulheres e os filhos acordamos junto com o sol, pego meus doces e vamos para perto das plantações, onde os homens já separaram o que nós vamos vender! Saindo da fazenda caminhamos até perto da Igreja Santa Efigênia, dá mais ou menos uns 10 quilômetros, lá fazemos uma parada rápida de dez minutos, nesse momento já tem muitas crianças e mães passando mal. Os capatazes vão em uma charrete, junto com as frutas e verduras. Eles não ligam

de eu vender os doces, mas eu tenha que carregar o caminho todo. Minha filha Maria Tereza me ajuda levando a Célia, ela não aguenta andar mais que 2 quilômetros, então ela vai revezando no meu colo e no colo de sua irmã. Nas fazendas depois dos 7 anos, é

obrigado as crianças trabalharem, apesar de serem forçados (principalmente meninos), desde os 5. Levo Célia porque não tenho onde a deixar.

Voltamos a andar, as estradas são muito ingrimes, temos que tomar muito cuidado para não escorregarmos. Passamos na frente da fonte de água e enchemos nossas jarras, depois, montamos nossa feira na frente da Igreja Nossa Senhora da Conceição. Isso é mais ou menos 07:30 da manhã, a primeira missa acabava às 08:00. O motivo de montarmos nossa feira na frente da igreja é proposital, para conseguirmos vender nossos suplementos para os fiéis que estavam na missa. Depois do meio dia mudamos de lugar, vamos par frente do pelourinho, na praça central. Ficamos vendendo nesse lugar até escurecer. Às 19:30 fazemos o caminho de volta.

Já faz algumas semanas que não estou me sentindo muito bem, estou fraca e com uma tosse estranha. Minhas filhas e meu marido já perceberam, mas

continuo negando. Não quero parecer fraca na frente deles. Cada dia fica mais difícil continuar. Apesar disso, estou muito feliz, pois falta pouco para conseguir o dinheiro para libertar minhas filhas. Depois que meu marido foi liberto, ele está ganhando muito mais do que conseguia arrecadar em 3 meses de trabalho escravizado, isso deixa ele muito feliz e orgulhoso.

Outro dia acordei bem pior, com dores de cabeça e uma dificuldade absurda de respirar, tenho perdido muito peso nas últimas semanas. Não tenho mais como esconder minhas condições para meus amigos e filhas, eles ficaram muito preocupados comigo nesse dia, mas fui trabalhar do mesmo jeito. No meio do caminho até a Igreja Nossa Senhora da Conceição, minhas tosses pioraram e me senti tonta. Minha filha percebeu o meu mal estar e chamou as outras mulheres para me ajudarem. Não muito pouco tempo depois estava deita no chão com minhas parceiras me abanando, eu havia

desmaiado. Os capatazes estavam com pressa, então me deixaram ir na charrete com eles.

Uma amiga minha me entregou um lenço para eu tossir, pois ninguém sabia se o que eu tinha era contagioso, mas depois que tossia o lenço ficava manchado de sangue. Esse era o sintoma que faltava para confirmar que estava com a doença do peito. Passei quase duas semanas desse jeito, cada dia estava pior. Ia fazer quase 3 meses que estava me sentindo mal, sabia que não ia aguentar muito mais. Meu marido tinha conseguido um emprego diferente, ele estava fazendo de tudo para conseguir juntar o dinheiro para a alforria de Maria Tereza e Célia. De uma coisa tinha certeza, não deixaria essa terra enquanto não as visse livre.

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Em busca da liberdade (2024) by Escola Miró - Issuu