Acoragemdeum homemlivre
Narrativa criada por Caio Vega
Lucas Freire
Mariana Polesel
Miguel Donato
Produto final do Estudo de Campo de Ouro Preto
Escola Miró – Ribeirão Preto/SP
8°B – 2024
José era um escravizado braçal que trabalhava com carregamento de suprimentos, junto de sua esposa Conceição. Eles tinham 2 filhas, Maria Teresa e Célia. Ele trazia diversos recursos de uma cidade vizinha para Vila Rica, era um trabalho pesado, além disso vendia restos desses suprimentos para comprar sua alforria. Com o tempo, José juntou dinheiro suficiente e conseguiu pagar pela sua liberdade, mas sua esposa e filhas continuaram trabalhando, pois seu senhor não o permitiu pagar por suas alforrias, além de que não tinha dinheiro suficiente.
Em busca de um novo emprego e com um aperto no coração de deixar suas filhas e esposa, ele foi a Vila Rica. Lá na cidade, ele recebeu oportunidades de trabalhos braçais, por conta de já ter trabalhado com isso, e um trabalho, em específico,chamou-lheatenção:ocomércioeentre-
ga de madeira. Ele acabou aceitando a proposta e começou a entregar madeira para construções.
Na cidade, havia muitas Igrejas e José entrou para a irmandade Santa Efigênia, que estava em fase de construção. Conceição também passou a frequentar a igreja todos os domingos junto de suas filhas, era o único momento em que eles conseguiam se ver. A irmandade era constituída por escravizados e ex-escravizados, mastambémexistiampessoaslivresqueiamatélá para ajudar na construção do local.
No começo, José só estava encarregado da entrega de madeira, mas ele acabou conhecendo um chinês apelidado de ‘’M estre da Madeira’’ , que participavadacolheitaeforneciagrandeparteda madeira para a construção da Igreja. O Chinês e José criaram um tipo de amizade por se verem sempre, e acabou ensinando José a colher madeira
do jeito correto (nos meses sem “R”, de maio a agosto).Comotempo,José começouafazer partedo serviço de colheita de madeira. Todos os dias, José acordava bem cedo e ia direto para a colheita, era um trabalho pesado, feito com machados e tudo manualmente. Depois, ia fazer suas entregas, carregava madeira de um lado para o outro da cidade, o caminho era longo e exaustivo, e José, por ser novo na área, não ganhava muito. Mas, no final da tarde, ele subia a alta colina e chegava na Irmandade. Lá, além de entregar algumas madeiras, também tinha amigos.
Com a construção da igreja regredindo, novas pessoas começaram a contribuir na obra. Muitos escravizados de diversas áreas vieram ajudar, a maioria sendo de minas. Um novo caminho que levava da igreja para uma mina estava sendo aberto, a Mina da Encardideira. Esse caminho servia para que os Escravizados conseguissem trazer ouro de uma maneira mais fácil para a igreja. Com o tempo esse caminho começou a ser muito usado, a maioria do ouro vinha de lá. Mas não foi tão fácil assim, tinham que esconder o túnel muito bem para que ninguém entrasse lá, José játinha ouvido histórias de vigias quequasedescobriram,eporissotinhamquetomar cuidado.
As coisas estavam melhorando para José, e ele estava orgulhoso de si mesmo, mas sua esposa e filhas continuaram trabalhando dia após dia.
Conceição estava trabalhando excessivamente, e pelo visto ela não estava tão bem, começou a passar mal de repente, tossia, tinha dor de cabeça e estava muito cansada. No começo, José pensou que seria só uma gripe prolongada, mas um dia, sua esposa foi lhe contar: estava com Doença do Peito. Ele não sabia como ela descobriu, nem quando iria melhorar, mas sabia que a partir daquele dia em diante ele ia começar a trabalhar mais duro ainda, para quando sua família fosse libertada, José estaria ali para ajudar.
E assim foi, semanas se passaram e José continuou trabalhando bastante. Um dia no meio da tarde, ele recebeu a notícia de que o renomado Mestre Manuel Francisco Lisboa estava indo trabalhar na Igreja Santa Efigênia, na construção do altar. No mesmo dia quando José foi a Igreja se encontrou com Manuel e finalmente
teve tempo de conhecê-lo, era um português muito bom no que fazia. José se deu bem com o Mestre, que lhe contouque seu filhotambémera outroescultor e arquiteto, ensinado pelo pai.
Com otempo,José começouatrabalhar cada vez mais para o Mestre Manoel. Ele entregava madeira para o Mestre direto.
Surpreendentementeumaentregaespecialchegou até José, o Mestre Manoel o tinha pedido para que fizesse a entrega do Altar-Mor, a parte final e mais importante da construção da igreja. José ficou muito feliz e orgulhoso dele mesmo, e claro, aceitou.
O dia da entrega chegou. Para uns não seria grande coisa entregar um altar, mas para José era algo importante.Ele foi buscarapeçano lugar em que foi esculpida, e lá foi José, junto de três outros homens,andandopelasruasestreitas,passandopor
comércios e igrejas, até chegar na alta colina para a irmandade. Lá, ele foi subindo o longo caminho, mas de repente, um homem com sua tropa vem se aproximando rapidamente para perto dele, José fica assustado, mas continua seguindo em frente, quando o mais esperado aconteceu, o homem chegou para cima de José e falou para darem tudo o que carregava.
Quando o homem Vira-saia, foi ver o que estava sendo carregado, na hora que viu que era um altar, logo perguntou: “Para que igreja isto estava sendo levado?”, José falou que era para a irmandade Santa Efigênia, na hora o Vira-saia se virou e os deixou ir embora. José ficou confuso, mas seguiu caminho, entregou o altar para igreja e foi embora, só depois foi descobrir que o Vira-saia fazia parte da irmandade.
Depois de tudo isso, José seguiu a vida normalmente, lutando dia após dia, esperando a sua família ser libertada. Orgulhoso de onde chegou, mas sabendo que muito mais está por vir, e que ia continuar trabalhando por sua família até sua morte.