JOSÉ, EX-ESCRAVIZADO
QUE VIROU MESTRE
Narrativa criada por Carol Assis Ramos
Luísa Borges
Maria Eduarda Cocareli
Theo Porto de Souza
Produto final do Estudo de Ouro Preto
Escola Miró – Ribeirão Preto/SP
8°A – 2024
José Francisco, nascido em 1751, era um ex-escravizado.
Ele foi alforriado aos 19 por Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho. Já possuidor de um talento único, Aleijadinho o recrutou para ser seu ajudante. José Francisco focava em produzir mais esculturas do que outros tipos de arte e era o principal ajudante de Aleijadinho na produção de suas obras. Contaremos a história de José pela visão de seu mestre
Aleijadinho:
Estava refletindo em minha cama sobre o que vi hoje mais cedo, fiquei mal e ao mesmo tempo muito impressionado com o que acontecera com os escravizados, alguns deles tinham muito talento e o desperdiçavam por causa da escravidão. A noite estava fria, minha esposa estava encoberta nos lençóis, o vento passava pelas janelas, levava as cortinas consigo e me fazia tremer de frio
Comecei a ter ideias sobre minha nova grande encomenda a Igreja São Francisco de Assis. O trabalho seria imenso, as portas e o altar demorariam no mínimo cinco anos para serem feitos, já o teto e as esculturas dos santos demorariam mais de vinte. Ao todo, a construção poderia demorar décadas por isso a mão de obra teria que ser muita, mas também experiente.
Então, eu peguei no sono. No dia seguinte quando acordei, tomei uma xícara de café, comecei a pensar em alguns projetos. Até que, de repente, eu olhei para a janela e vi os mesmos escravizados do dia anterior. Um deles era bem alto e robusto, tinha mãos grandes e machucadas de tanto esculpir peças para construções, ele parecia ter conhecimento do que estava realizando.
Tempo depois, ouvi minha esposa e meu filho acordando, foram direto para a mesa da cozinha, eu também fui, comentei sobre o que havia visto hoje mais cedo. Quando falei, minha esposa ficou surpresa, mas meu filho não se importou. Ela deu a ideia de alforriarmos um deles dependendo do preço. Quando ela disse isso, logo me lembrei do escravizado alto com as mãos machucadas e suas esculturas geniais.
Logo, fui para minha área de trabalho, havia muito trabalho a ser planejado para a construção da nova igreja, eu teria que escolher ajudantes. Aproveitando a ideia de minha esposa, pensei que poderia pedir alguns escravizados de meu vizinho para me ajudar.
Então, eu fui até lá, bati na porta, uma das escravizadas de Manuel Xavier, meu vizinho, me atendeu, solicitei um encontro com ele, a mulher me encaminhou até seu escritório. Chegando lá, cumprimentei-o, e logo perguntei se poderia me ceder alguns escravizados como ajuda para a igreja, Manuel respondeu que sim, claro, afinal, era para a igreja.
Ele me levou até uma senzala, onde havia diversos escravizados, crianças, adultos, homens, mulheres. O homem que tinha visto mais cedo estava lá também, ele parecia estar realizando algum tipo de santo, feito de madeira. O clima naquele lugar era tenso e bem úmido. Eu logo escolhi uns 15 escravizados, homens consideravelmente fortes.
Nesse momento, teria que escolher um para ser meu ajudante principal, eu já tinha certeza de qual iria ser, seria o homem que eu havia visto mais cedo. Perguntei para ele qual era o seu nome, e logo ele disse José. Perguntei-lhe de onde veio, então respondeu:
- Eu vim do Congo.
- Interessante, onde você aprendeu a fazer essas esculturas bonitas? Digo apontando para a santa que ele estava fazendo.
- Com o meu pai, quando eu tinha uns sete anos, desde então eu sempre tento aprender algo novo sobre esculturas.
- Humm... Olha eu gostaria de lhe oferecer um trabalho como meu ajudante, achei seu trabalho interessante. Você virá comigo e com os outros escravizados para a construção da nova igreja.
José me olhou com espanto, mas também com um tom de felicidade, foi quando ele disse:
- Sim, eu quero, muito obrigado, irei me esforçar muito para te ajudar.
-Uma última pergunta, quantos anos você tem?
- Tenho quatorze.
Sai da senzala e conversei com Manuel novamente, ele disse que já no dia seguinte os escravizados estariam a minha disposição. Então voltei para casa e realizei algumas plantas da igreja.
Anoiteceu, jantei junto com minha família e os contei a novidade sobre a demora da construção da igreja. Depois pusme a dormir junto à minha esposa. Amanheceu, eu acordei e parti para o terreno onde seria construída a igreja.
Quando cheguei, os escravizados já estavam no local. Mestre Ataíde já parecia estar conversando com alguns dos engenheiros. Entrei na obra onde futuramente seria a igreja, conversei com os engenheiros sobre o meu desejo de colocar nas paredes vários santos
Depois, saí para o lado de fora, fui instruir os meus ajudantes. Eles já estavam muito bem orientados e já tinham grande noção do que iriam fazer.
Começamos o trabalho, esse dia foi bem produtivo, eles focaram bastante na parte de dentro, em fazer as santas, os santos, também focaram bastante nas esculturas.
No dia seguinte, fui conversar com José, percebi que ele estava bem cansado, pois, na noite anterior, tinha trabalhado muito na igreja. Todos estavam exaustos, mas ele estava exausto demais. Era o único que realmente estava interessado em fazer a construção da igreja, então tomei a decisão de dar um descanso a ele. Fui notificá-lo:
- Olá, José. Tudo bem? Percebi que você está bem cansado e está trabalhando de coração e se esforçando muito, então tomei a decisão de que você irá ter uma folga hoje em prol de seu esforçado trabalho escravizado.
- Oh, Meu Deus! Não acredito. Muito obrigado. Eu continuarei dando o meu máximo nessa igreja.
- Fico feliz em saber que você está contente. José, você é muito sábio, apesar de haver muito tempo que adquiriu a habilidade de esculpir e modelar, você guarda isso há muitos anos sem ter uma piora relevante em seu trabalho.
José responde:
- Muito obrigado, eu não sou digno de tamanho elogio. O senhor é um grande exemplo para minha arte, gostaria muito de me espelhar em você.
- Muito obrigado, gostaria muito de ensinar minhas técnicas a você, que é realmente digno de aprender os ensinamentos de meu pai. A partir de agora, você deve se tornar meu ajudante particular, é cedo, mas há mais tempo para aprendermos um sobre o outro.
- Obrigado mesmo, aceito o convite de ser ajudante do senhor.
As obras já iam se encerrando por hoje, então avisei a todos
- Por hoje é isso, devemos encerrar as obras e voltar para nossas casas.
Na volta para casa, troquei mais uma palavra como José. Cheguei em casa e fui para a cama dormir.
Anos se passaram, a igreja estava tomando forma, eu e José já tínhamos construído uma amizade de longa data. Neste mês, eu iria finalmente alforriá-lo.
Por volta das oito horas da manhã, segui meu caminho para a igreja, as ruas de Vila Rica estavam estreitas como sempre. Quando cheguei, alguns homens pediram para eu acompanhá-los até uma mina onde escolheríamos o ouro.
Chegamos à Mina da Encardideira, lá havia muitos escravizados, crianças e adultos. Me disseram que um deles era rei de um país distante. Escolhemos dos melhores ouros e retornamos para obra.
Quando chegamos eu e José aplicamos o ouro a algumas esculturas, durante esse processo eu o chamei para conversar.
- José eu gostaria de falar sobre um assunto delicado com você, em relação a sua alforria.
- Certo, pode prosseguir. Diz José.
- Em prol de todos os anos de seu ilustre trabalho eu gostaria de lhe conceber sua alforria, além também de nossa amizade de longa data.
- Muito obrigado senhor Antônio, a sua ajuda e seu coração enorme são as razões de minha arte e sentido de vida, não há palavras para descrever a minha sensação neste ilustre momento.
- José sua felicidade me deixa ainda mais inspirado em produzir mais conteúdo artístico.
- Que bom que se sente assim...
Anos e Anos se passaram, José e eu ficamos mais próximos ainda, ele também se apaixonou por uma linda moça com quem irá este ano ter uma linda criança que está a caminho. A igreja já ficou pronta, e ele iniciara sua jornada como Mestre. A minha felicidade estava esbanjando, neste momento estou me arrumando para ir no jantar planejado para comemorar seu grande feito. Fui junto a minha esposa para o jantar, ao chegarmos no local, José aparentava estar muito feliz. Eu já podia ver o ilustre futuro de José que com certeza será brilhante e repleto de grandes obras.
FIM