Skip to main content

Escravizada rural (2024)

Page 1

ESCRAVIZADA RURAL

NARRATIVA POR:

PRODUTO FINAL DO ESTUDO DE CAMPO DE OURO PRETO

Escola Miró – Ribeirão Preto/SP

8°A - 2024

Ani Schiavon Beatriz Sebollela Helena Garretano Gabriel Papa

Maria Adelina era uma jovem escravizada que trabalhava como cozinheira em uma simples fazenda da família Ferreira, localizada do lado mais rico de Vila Rica. Mesmo sendo muito nova, já tinha uma filha chamada Maria Tereza, fruto de um abuso forçado pelo seu patrão. Ela passava a maior parte do tempo na cozinha com sua filha, e outras escravizadas, porém, seu senhor, de mês em mês lhe pedia para ir vender quitutes na cidade, com intuito de fazer um dinheiro extra. Ela amava quando isso ocorria, pois era o único momento que saia da fazenda e via o mundo lá fora. Mesmo amando sair da fazenda, nem tudo eram flores, e se ela não vendesse todos os quitutes, haveria graves consequências.

Em uma dessas idas ao centrinho da vila, Maria

Adelina não tinha vendido quase nada. O dia já estava acabando, e por acaso ao olhar para o lado, percebeu que a entrada de uma mina estava muito movimentada, não hesitou e foi adiante tentar a sorte. Logo na entrada da mina, havia vários escravizados que demonstraram interesse em seus quitutes, logo foram comprar. Porém um deles não tinha dinheiro suficiente para comprar.

Comovida, apesar de saber das consequências, num ato de bondade, presenteia-o com dois quitutes. Esse ocorrido ficou na cabeça dela por um tempo, pois viu que aqueles escravizados sofriam tanto quanto ela, porém, o que estava sem dinheiro invadiu mais seus pensamentos.

Com isso, estava decidida que em sua próxima ida à vila levaria quitutes extras escondido.

Alguns dias se passaram e sua rotina voltou a ser a mesma, dormia perto da janela para acordar com os primeiros raios solares e fazer o mesmo café da manhã de sempre para seus patrões. Assim que acabava o preparo do café, Maria Tereza e Eugênia, outra escravizada que trabalhava na cozinha, já tinham começado a preparar o almoço.

Após toda a família Ferreira comer, elas estavam liberadas para pegarem suas rações, que já haviam sido preparadas por outros escravizados. À tarde, ela preparava o café, com bolo, biscoitos, pão de queijo e várias outras comidas diversas. Assim que acabava o café, já iniciava o preparo da janta, que normalmente era alguma comida mais leve, como sopas e caldos. A esse ponto Maria Tereza já havia ido dormir, já que era apenas uma criança de 6 anos. No entanto, sua mãe e Eugênia ainda estavam trabalhando, e já exaustas, queriam apenas ir

descansar, mas infelizmente seus trabalhos ainda

não haviam acabado, pois após fazer a janta ainda tinham que esperar a família Ferreira comer para arrumar a cozinha, e prepará-la para o dia seguinte.

Depois de tudo isso, elas estavam liberadas para comerem uma pequena porção de ração, e aí sim, podiam descansar para repetir tudo no dia seguinte.

Um tempo se passou, e um certo dia seu patrão avisou que era para começar a preparação dos quitutes, pois na semana seguinte elas iriam à cidade vendê-los. Assim que o senhor Ferreira disse isso, Maria Adelina lembrou-se do rapaz que havia presenteado e imediatamente criou esperançade encontrá-lo novamente. Dito efeito, assim como seu patrão ordenou, as escravizadas começaram a preparar os famosos quitutes que venderiam pela vila. Na semana seguinte, chegando no centro, Maria Adelina decidiu ir direto a mina, pois foi onde mais vendera da última vez, e novamente lembrou-se do rapaz. Após vender alguns de seus quitutes no caminho, de longe, viu escravizados saindo da mina. Não conseguiu distinguir se ele estava ali no meio, então se aproximou, mas não o viu. Ela não tinha mais nenhuma ideia de onde o rapaz poderia

estar, com isso teve a ideia de perguntar aos outros escravizados que estavam na frente da mina, se eles tinham visto ele, mas todos disseram que não. Decepcionada, achou melhor continuar vendendo seus quitutes, porque se não fizesse o mesmo, já sabia o que viria pela frente.

Aos Domingos, todos da cidade iam à igreja, incluindo escravizados. Maria Adelina sempre prezou pela educação religiosa na vida de sua filha, por isso deixava claro a Maria Tereza a importância de ir à igreja. Em um desses domingos, ela estava entrando na igreja e como de costume, sentou para fazer suas preces antes da missa. Quando olhou para frente, após suas preces, avistou um rapaz familiar perto do altar, levantou-se, e discretamente foi em sua direção. Entretanto percebeu que tinha algo de errado com ele, seu rosto estava machucado e inchado. Maria Adelina ao ver aquela cena se assustou, pois reconheceu o rapaz, era o moço da mina, o qual havia presenteado com quitutes, era o rapaz por quem se apaixonara....

Decidida a descobrir o que havia ocorrido com ele, ela aproveitou que Eugênia estava ao seu lado, e perguntou-lhe se sabia o nome do rapaz e o que

acontecera com seu rosto. Ela respondeu discretamente, disse que seu nome era Raimundo, e que a dois dias ele tinha tentado fugir, porém foi detido e agredido por um feitor. Adelina estava determinada a falar com o jovem rapaz assim que acabasse a cerimônia eucarística. Após a missa, rapidamente dirigiu-se até Raimundo para perguntar como ele estava, porém quando chegou perto hesitou, pensou que talvez a última pessoa na qual ele quisesse ver fosse ela. Assim que se virou para ir embora, sentiu uma mão gelada em sua pele, era ele. Ali eles ficaram por alguns segundos, apenas se olhando. Ficaram conversando até o último instante antes de dar o horário para irem embora, Raimundo deixou claro a Maria Adelina, que não conseguiria ficar muito tempo longe dela, por isso os dois decidiram que em sua próxima ida a cidade, se encontrariam escondido perto da

mina. Eles se despediram, e Raimundo deu um beijo em sua bochecha.

Depois de alguns meses se encontrando escondido com o Raimundo, eles não conseguiam mais viver sem um ao outro, estavam apaixonados. Maria

Adelina e sua filha estavam indo à cidade com o resto das escravizadas, para vender seus famosos quitutes caseiros. Ela estava animada, pois iria ver seu amor novamente. Antes de iniciar suas vendas, decidiu dar uma passadinha rápida na entrada da mina, mas não o viu. Não estranhou, pois já havia acontecido isso outras vezes, por isso ignorou e continuou suas vendas pela cidade. A esse ponto Maria Tereza já conhecia e amava Raimundo, por isso ficou pedindo para sua mãe para passar na mina novamente. Convencida por sua filha, Maria Adelina decidiu voltar a mina, a fim de vê-lo. Acabou encontrando um dos escravizados que

trabalhavam com Raimundo no caminho, então decidiu perguntar onde ele estava. Imediatamente o escravizado ficou tenso, Maria Adelina ficou preocupada e repetiu a pergunta. Novamente não houve respostas. Aflita, com os olhos cheios de lágrimas, pergunta de novo, em busca de uma boa notícia. Ele, que também estava com os olhos lacrimejando, diz que Raimundo havia morrido soterrado explorando a mina.

Nesse momento, uma parte de Maria Adelina

morreu...

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Escravizada rural (2024) by Escola Miró - Issuu