Issuu on Google+

Uma década de muita cachaça

F

inalmente nos aproximamos daquela data que marca o nosso calendário etílico! Aquilo que um dia começou como uma mera festa de cachaceiros, tornou-se o evento mais aguardado do ano, colecionando estórias, lugares e constituindo-se num ponto de encontro de amigos que há muito não se veem. Anárquico, meio esculhambado, com alguns desentendimentos, mas que no final dá tudo certo. O Costelão é assim! É sem dúvida uma festa que resgata não só a presença de vários amigos que se conheceram na Ufes, mas também mantém a tradição das festas realizadas dentro da universidade e que hoje são reprimidas sob o pretexto de “segurança”. Quem não se lembra dos churrascos no ClubUfes? Daquela cerveja quente no isopor? Do futebol? Das conversas e brincadeiras? Do número excessivo

de homens, mesmo fazendo campanha para trazer calouras? São coisas que ficaram na nossa memória e o Costelão simboliza tudo isso. Foram tantas histórias nesses dez anos que o evento merece um registro. Registro para lembrar o surgimento do primeiro Costelão em Goiabeiras. A fase do “Canoa Quebrada”, quando acompanhamos as transformações na tão combalida orla de Camburi. O período do “Sanatório Geral”, em Andorinhas e a fase de Santo Antonio. A cada ano esperamos juntar mais “dinossauros” ou amigos que queiram participar desses momentos, para que encampem a idéia e se torne figura carimbada neste evento etílico. Se há dez anos não tínhamos idéia de que uma simples reunião entre amigos fosse durar tanto, hoje já podemos dizer: Que venham mais dez anos!


A

O início em Goiabeiras

o contrário do que alguns pensam, o Costelão nunca teve o objetivo e nem quer ter a pretensão de ser uma festa de alunos do curso de Geografia da Ufes. Tudo começou em 2001, quando um grupo de desgarrados, que não tinha mais o que fazer e nem para onde ir, como visitar a casa dos pais no final do ano. Sendo assim, decidiram fazer um encontro na semana após o natal e antes do ano novo, período onde não acontece nada e que a maioria viaja para casa da “mamãe” ou simplesmente desaparecem no mundo. Foi então que os desgarrados Erick, Carlos Américo e o ex-professor da Ufes, Valdemir, a fim de acabar com essa letargia pós-natalina, escolheram o sábado que antecedia o ano-novo para tomar “umas”. A ideia de fazer uma costela assada para a festa foi mérito de Valdemir. Pantaneiro de Mato Grosso do Sul, Valdemir lançou a proposta indo pessoalmente ao supermercado e preparando a dita cuja nos moldes do que era feito em sua terra natal. Outros desgarrados foram chamados e pronto: nascia assim o Costelão! O fato curioso ficou por conta do próprio Valdemir, que preparou a costela, mas não foi. Mandou entregar e não deu muitas explicações sobre o porquê de não ir a um evento que estava

Local onde foi realizando o primeiro Costelão.

sendo realizado a menos de 500 metros de sua casa. Essa edição contou com a presença de Dionísia, Vânia Bayer e Gustavo. Infelizmente não foram feitos registros – ou pelo menos não há lembrança de que tenham sido feitos – do encontro. A partir daí, convencionou-se entre os presentes que todo ano seria realizado o Costelão, após o natal. Atualmente o local onde foi feito essa primeira edição do evento não é mais um bar. Com o passar dos anos, o evento vem sendo realizado em vários locais, sempre num sábado.

Costelinha Com o passar dos anos vem sendo instituído uma espécie de “pré-aquecimento” para o grande evento apoteótico de final de ano. Até agora foram realizadas duas edições: a primeira, no Sanatório Geral II (Andorinhas) a última realizada neste ano, em Vila Velha, com a luxuosa participação de Xiru do Sul.


H

A fase do “Canoa Quebrada”

ouve um tempo em que a orla de Camburi rasqueiro voluntário rasgar a carne a mão devido a era dotada de vários quiosques, o preço da falta de faca. cerveja não era exorbitante, não havia tantos Não há muitos registros dessas edições, mas como não esquecer as buracos e obras em chuvas torrenVitória e o trânsito não ciais que caíram era essa desgraça que na segunda e é hoje. terceira edição Esses foram alguns dos do Costelão, no atrativos que atraiu “Canoa Queo Costelão para Cambrada”? E da buri, sendo realizadas famosa noite três edições no quide quase strip osque “Canoa Quetease num cerbrada”. Foram duas no to night club? antigo “Canoa” e uma Daquela pilha no atual espaço em de grades de que se encontra. cerveja na úlA partir dessas edições tima edição do é que houve a popular“Canoa”? Como ização do evento, com não lembrar adesão de mais pesdaquela música Orla de Camburi atualmente, próximo ao atual Canoa Quebrada soas e maior duração brega ? Daquele público, digamos, eclético, com o das festas. Durante esse período, foram realizadas qual dividíamos o espaço? todos a famosa “vaquinha” para comprar faca e out- O “Canoa Quebrada” sem dúvida é um marco nesses ros apetrechos para o churrasco, já que sempre os dez anos. Seja pela consolidação do nosso evento objetivos ficavam na casa de alguém ou caiam no es- etílico ou então por termos testemunhado as muquecimento. A situação por vezes era tão grotesca a danças na orla de Camburi, que hoje é apenas uma ponto de, na última edição no “Canoa”, o nosso chur- pálida lembrança daquilo que outrora um dia foi. http://picasaweb.google.com/costelaogeoufes http://www.youtube.com/watch?v=mO0mKs4oi40 http://www.youtube.com/watch?v=zlb4BfWjLRk http://www.youtube.com/watch?v=5bGzPpi6p-g http://www.youtube.com/watch?v=5bGzPpi6p-g http://www.youtube.com/watch?v=K1QRiR6DKJU http://www.youtube.com/watch?v=K1QRiR6DKJU http://www.youtube.com/watch?v=0DIsKD3pThU http://www.youtube.com/watch?v=B7eqnP3XxME http://www.youtube.com/watch?v=uPIOxpEsK04


A

As edições em Andorinhas

procura de um novo local que contemplasse cerveja boa e a preço acessível, bem localizado e dotado de uma paisagem inspiradora, o Costelão mudou de lugar e o local escolhido foi o bairro Andorinhas, mais precisamente os bares Sanatório Geral I e II. A primeira edição em Andorinhas foi realizada no bar Sanatório Geral I, localizado atrás do Walmart. Apesar de ser num sábado, a grande maioria não se preocupou muito com o horário, chegando bem ao final da tarde. Apenas dois representantes (Erick e Carlos Américo) tiveram a incumbência de começar a festa e ficar bebendo quase toda tarde até a chegada da trupe. Essa edição é pouco lembrada, mas foi a primeira que consideramos ter sido realizada em Andorinhas, mesmo o bar sendo localizado em outro bairro. As duas seguintes edições foram feitas no Sanatório Geral II, com visual em frente a Estação Ecológica do Lameirão e de fácil localização. Essas edições foram marcadas pela adoção da bandeira – criada por ébrios geográficos e levada a um congresso na Paraíba – e pelo seu guardião (Juca). As festas no Sanatório II também foram bastante documentadas em fotos e vídeos, mostrando várias “performances”, a criação da “Unidos de Jim Mor-

Foto do Costelão 2008 (acima). Abaixo, o Sanatório Geral II atualmente.

rison”, da Agência de Notícias Cesário Press e aquele famoso passeio de barco, onde ébrios presentes ao evento incorporaram José Leôncio e Juma Marruá, da antiga novela “Pantanal”. Infelizmente, a cerveja quente e a estupidez do atendente do Sanatório II provocou o afastamento de lá. Hoje, o bar não existe mais, restando apenas imagens e recordações.

Conjugando o verbo santoantoniar Atendendo a antigas aspirações de notórios ébrios participante do evento e com base no tripé cerveja-localização-visual, o Costelão foi parar em Santo Antonio. A mudança ocorreu na oitava edição do evento, que passou a adotar o bar do Cleber como sendo o local mais apropriado. De acordo com o nosso amigo Renam, morador e defensor de Santo Antonio: “O mapa é difícil, a região, um desafio; o caminho é íngreme, a atmosfera, nem tanto! A vista é confortante, mas o lugar é um excelente refúgio para os geógrafos e para os simpatizantes e amantes da geografia”.


Dez anos de costelão