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Março 2011 Dossier dedicado ao Livro Políticas e Políticos da Educação Ensino Magazine Produção RVJ - Editores

www.ensino.eu dossier

Políticas e Políticos da Educação reúne entrevistas do Magazine

O livro Políticas e Políticos da Educação, editado pela RVJ - Editores, foi apresentado no passado dia 19, em Lisboa, na Feira Internacional de Lisboa, no Parque das Nações, em Lisboa. A obra coordenada por João Ruivo e João Carrega, foi apresentada pelo antigo secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Lourtie. A iniciativa foi um dos momentos altos da Futurália. C

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No âmbito do 13º aniversário do Ensino magazine

Ensino dinamiza Portugal e Espanha O 13º aniversário do Ensino Magazine está a ser assinalado em todo o país e em Espanha com um conjunto de iniciativas que pretendem ir ao encontro dos nossos leitores. Em Lisboa, no Parque das Nações, fizemos o lançamento nacional do livro Políticas e Políticos da Educação (uma obra que será apresentada noutros pontos do país). Ainda na Futurália realizámos um espectáculo medieval, com o grupo de Espadas da Associação Outrem, e sorteámos um fim-de-semana no Geopark Naturtejo, entre os milhares de participantes num passatempo que será repetido na Qualific@, no Porto de 31 de Março a 3 de Abril. Fomos também parceiros no IX Encontro Nacional de Utilizadores ERSI (sistemas de Informação Geográfica), que decorreu, em Lisboa, no Centro de Con-

Depois da Futurália, o Ensino Magazine estará na Qualific@ e no +ENOVE

gressos, no início deste mês. Além das presenças na Futurália e na Qualific@, estaremos também presentes na feira ENOVE +, que decorrer em Elvas. Na Qualific@, na Exponor, Porto, iremos apresentar o livro “Histórias – Terras Perdidas”, da autoria de José Carlos Moura. Será também na Qualific@ que apresentaremos o novo portal do Ensino Magazine (www.ensino.eu), o qual funcionará como um diário digital dedicado à educação, ensino, juventude e cultura. Até ao final do ano iremos ainda atribuir bolsas de mérito aos melhores alunos do ensino superior, das instituições nossas parceiras, como forma de premiar o mérito académico. O programa do 13º aniversário incluirá muito mais iniciativas que promovam o debate educativo e MARCO 2011 /// o espírito académico. ‘


Lançamento do livro Políticas e Políticos da educação

Ensino português tem história em entrevistas 6 O livro Políticas e Políticos da Educação, editado pela RVJ - Editores, foi apresentado no passado dia 19, em Lisboa, durante a Futurália, uma das maiores feiras dedicadas ao ensino e à juventude realizadas em Portugal. A obra coordenada por João Ruivo e João Carrega, foi apresentada pelo antigo secretário de Estado do Ensino Superior e um dos responsáveis pela implementação da Declaração de Bolonha em Portugal, Pedro Lourtie. O Espaço Futurália TV (Pavilhão 2), em Lisboa, serviu de palco para a apresentação de uma obra que tem o prefácio de Luciano Rodrigues de Almeida (ex-presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e ex-presidente do Instituto Politécnico de Leiria), que não podendo estar presente enviou uma nota lida na sessão. O livro reúne um conjunto de entrevistas efectuadas por João Ruivo, João Carrega, Vitor Tomé, Jorge Azevedo e Nuno Dias, a governantes e a líderes de opinião, que sobre a educação se pronunciaram. Entre os entrevistados destacam-se Eduardo Marçal Grilo, Júlio Pedrosa, Pedro Lynce, Augusto Santos Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, David Justino, Bagão Félix ou Mariano Gago, entre outros. De acordo com os coordenadores do livro “os últimos quinze anos de governação, em alternância, do PSD e do PS marcaram, significativamente, o presente e o futuro da educação em Portugal. Para o bem e também para o mal. Neste turbilhão de alterações, umas consentidas, outras profundamente contestadas, a escola e os professores estiveram, com demasiada frequência, no centro das atenções da opinião pública e determinaram os destaques da generalidade dos órgãos de comunicação social e dos fóruns de debate, entretanto proporcionados

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pela Internet”. É neste contexto que surge a questão “Como interpretaram a evolução desses acontecimentos, em cada conjuntura, os protagonistas, ou os espectadores críticos da vida pública portuguesa?”. No entender de João Ruivo, “a resposta àquela questão legitima o acto de trazermos a público a presente obra. Esta edição reúne entrevistas a um conjunto de personalidades, que sobre a educação, os docentes e a educação se pronunciaram e que o jornal Ensino Magazine publicou nos últimos doze anos. Pelas páginas desse jornal passaram opiniões ricas e diversificadas que hoje merecem releitura e contextualização”. Aquele responsável acrescenta: “são pontos de vista que determinaram a agenda educativa e a história recente da educação em Portugal, pelo que constituem um repositório empírico incontornável e indispensável a todos quantos se interessam pela investigação em Ciências da Educação”. Na sessão de apresentação, Leopoldo Guimarães, presidente da Comissão Consultiva da Futurália e ex-reitor da Universidade Nova de Lisboa, sublinhou também a importância do documento, destacando a diversidade das opiniões expressas pelos entrevistados e o prefácio de Luciano de Almeida. K


Pedro Lourtie, ex-secretário de Estado do Ensino Superior

Educação em debate nacional 6 Pedro Lourtie, ex-secretário de Estado do Ensino Superior, professor catedrático do Instituto Superior Técnico e um dos principais responsáveis pela implementação da Declaração de Bolonha em Portugal, teve a responsabilidade de apresentar o livro Políticas e Políticos da Educação. Numa análise que procurou enquadrar as entrevistas e o seu conteúdo, publicados nesta obra, Pedro Lourtie começou por afirmar que “o livro retrata, através das entrevistas, temas que estiveram em debate no período em apreço, de 1998 a 2010. Naturalmente que não os trata da forma sistemática como um livro de autor teria a obrigação de o fazer, na medida em que o critério para as entrevistas foi decidido num contexto da publicação da Ensino Magazine e não da feitura de um livro”. “No livro encontrei, como seria inevitável, muitas posições de que discordo, outras com que concordo, afirmações que considero não terem suporte na realidade e outras que creio fundamentadas”, adianta. No entender de Pedro Lourtie “é importante que posições contraditórias sejam registadas e possam servir estímulo ao debate de ideias. Ainda que o tempo venha a demonstrar que algumas afirmações eram infundadas. Por exemplo, numa entrevistas, anterior à divulgação dos resultados do PISA 2009, é afirmado que os resultados portugueses são maus e que os próximos seriam ainda piores. O tempo encarregou-se de desmentir a afirmação”. Pedro Lourtie diz que algumas das entrevistas revelam “uma característica da opinião corrente e publicada em Portugal, que retrata o debate nacional, é que não é moda dizer bem, a não ser do passado. Está tudo pior, no passado era muito melhor, mesmo quando os dados objectivos desmentem essa afirmação”. Alguns entrevistados colocam a questão da autoridade dos professores, afirmando que se perdeu e recordando o passado em termos positivos. “Pessoalmente tenho uma ideia muito diferente da autoridade dos professores do passado. Fiz o meu ensino primário e secundário nos anos 50 e início de 60 do século e milénio passados. Frequentei escolas em Luanda, Lisboa e Porto. Conheci várias culturas de escola, porque as havia, e tive muitos professores. Uns eram bons professores, com autoridade própria, resultado das suas atitudes, como também os há hoje. Assim como conheci aqueles cuja autoridade advinha exclusivamente de um sistema autoritário e que o usavam para compensar a sua fraqueza. Um sistema em que, se se tinha o azar de ser considerado culpado, independentemente de haver qualquer fundamento, a capacidade de defesa era diminuta”. Pedro Lourtie prossegue: “ontem, como hoje, os professores são pessoas, com as suas qualidades e defeitos. E há

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Pedro Lourtie apresentou o livro Políticas e Políticos da Educação escolas em que se verificam problemas sérios, mas serão mais aquelas em que não os há. Mas só os problemas são notícia. Não se pode ignorar os problemas onde existem, mas não se pode generalizá-los, como se fossem o dia-a-dia de todas as escolas”. O ex-secretário de Estado do Ensino Superior destacou o prefácio de Luciano de Almeida. “A par dos dados históricos, com a aproximação ao presente há uma visão do autor sobre a evolução do sistema educativo, com particular ênfase no ensino politécnico. O autor foi Presidente do Instituto Politécnico de Leiria e do CCISP, mas também as temáticas que envolvem o politécnico, e que na viragem do milénio estavam muito acesas, estão muito presentes nas primeiras entrevistas. Ou seja, o final do prefácio encadeia bem com as primeiras entrevistas”. Na sua intervenção, Pedro Lourtie di-

vidiu o livro tem três partes: “o prefácio escrito por Luciano Almeida; um primeiro lote de entrevistas em que o ensino superior, em particular politécnico, é o tema central; e um segundo lote de entrevistas em que o protagonista é o ensino não superior. As entrevistas estão organizadas cronologicamente e os temas dominantes em cada um dos lotes correspondem a temas controvertidos no período respectivo”, disse. Um tópico dominante no primeiro lote de entrevistas é o do sistema binário e das missões de universidades e politécnicos. “Uma polémica”, que no entender de Pedro Lourtie, entretanto se esmoreceu, seja porque outras preocupações se sobrepuseram, seja por se considerar que o debate não tem actualmente utilidade prática”. No entender daquele responsável, “este é um tema que não é fácil de tratar, mas de que é importante conhecer

os argumentos avançados por quem defende diferentes caminhos. Considero que a classificação binária de posições, a favor ou contra o sistema binário é redutora. Como o próprio sistema binário o é. A polarização da discussão e do sistema em apenas duas opções, sim ou não, branco ou preto, mascara provavelmente todo um contínuo e cambiantes de posições. Manifestar-se a favor de uma ou outra das duas opções é mais do domínio da escolha de campo numa batalha, do que da construção do futuro”. Pedro Lourtie acrescenta: “os argumentos que podem ser avançados não são intemporais, não há solução perfeita independentemente do contexto. Assim como é mais fácil de ver os inconvenientes da solução que se tem do que daquela que se não tem”. Para o ex-secretário de Estado do Ensino Superior, “o livro deve ser encarado como um contributo para a compreensão de posições sobre o sistema educativo, sem se esperar que todas as posições estejam equitativamente representadas. Ao ler as entrevistas fui concordando, em alguns casos, discordando noutros, irritando-me por vezes. Foi o caso quando li a defesa do chumbo como método pedagógico ou como questão de justiça. Para mim, defender o chumbo como solução é como defender que o Sol se move em torno da Terra, no chamado movimento aparente do Sol. Pode parecer mas não é”. A concluir Pedro Lourtie recorre a alguns excertos da entrevista efectuada a David Justino, ex-ministro da Educação: “Insiste-se muito no registo de insatisfação, mas as críticas não são necessariamente fundamentadas. Hoje toda a gente discute educação como quem discute futebol. Na verdade, não discutem, porque falam sem saber. As pessoas não estudam, não analisam e reproduzem o que lêem nos jornais e ouvem na televisão.” “A opinião pública entretém-se a chafurdar naquilo que é acessório, ao sabor das notícias dos jornais, e dos casos da professora que tirou o telemóvel à aluna, do bullying, etc. Muitas das pessoas que hoje falam mal das novas gerações porventura já se esqueceram do que é que eram.” “Insurjo-me muito contra essa frase feita de «que no meu tempo é que era» …Quando eu era aluno a maior parte da população era analfabeta.” “O país precisa de assumir colectivamente uma atitude construtiva e o ponto de partida é definir claramente o que é que queremos.” No entender de Pedro Lourtie, “as mudanças de ministros e, com eles, de políticas, é pouco saudável para o sistema. Sujeito a safanões, não estabiliza. O problema é que cada um se propõe definir a sua solução estável para futuro, a boa, diferente da anterior”. K

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De 31 de Março a 3 de Abril

Qualific@ - nós vamos lá estar! 6O Ensino Magazine é novamente media partner da Qualific@. O certame dedicado ao ensino, formação e emprego, que se realiza de 30 de Março a 2 de Abril, na Exponor, conta com algumas novidades este ano. A cidade das profissões é uma dessas iniciativas. Carla Maia (na foto), directora da Qualific@ explica ao Ensino Magazine as mais valias do certame. No entender de Carla Maia, “a Qualific@ tem vindo a afirmar-se como um dos eventos de referência de educação e formação em Portugal. O ano de 2011 pretende reforçar esta importância, apresentando as diversas soluções em termos de educação e formação, numa perspectiva integrante com o mercado de trabalho”. Como novidades para a edição deste ano, surge “a Cidade das Profissões, uma área dedicada ao coaching e ao desenvolvimento pessoal e profissional. A Qualific@ aposta sempre na diferenciação. Este ano, uma das apostas fortes é a juventude, com a estreia de um espaço que terá como principais temáticas a Banda Desenhada e a Animação”, revela. O tema central do evento é “Segue

o teu talento”. Carla Maia revela que “os jovens procuram hoje uma educação que os leve a uma carreira de sucesso e, simultaneamente, os realize. E isso só se obtém conjugando o Talento à tendência real do mercado, antevendo o futuro. Temos por isso orientação para jovens, com workshops e um gabinete

de apoio no espaço da Agência Nacional para a Qualificação”. Na Qualific@, o Ensino Magazine irá apresentar o livro “Histórias – Terras Perdidas”, da autoria de José Carlos Moura. Será também na Qualific@ que será apresentado o novo portal do Ensino Magazine (www.ensino.eu), o qual fun-

cionará como um diário digital dedicado à educação, ensino, juventude e cultura. Entretanto, o passatempo Ganha um Fim-de-Semana no Geopark Naturtejo, promovido pela Naturtejo e pelo Ensino Magazine, vai decorrer também na Qualific@, na Exponor, Porto, entre 31 de Março e 3 de Abril. K

fim-de-semana no geopark sorteado

Magazine e Naturtejo anunciam vencedor 6Carlos Magalhães, de Alcabideche, foi o vencedor do concurso Ganha um Fimde-Semana no Geopark Naturtejo, promovido pela Naturtejo e pelo Ensino Magazine, durante a Futurália. Entre os milhares de participantes, a sorte sorriu àquele visitante da Futurália. O cupão vencedor foi tirado da tômbola pela directora da Futurália, Alzira Ferreira (na foto). K

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na futurália

Templários em Lisboa 6 O Ensino Magazine e o Grupo de Espadas Templárias da Outrem – Associação de Defesa do Ambiente e Património realizaram, durante a Futurália uma recriação de uma luta entre cavaleiros. A iniciativa foi vista pelas centenas de visitantes que nesse período se encontravam junto ao expositor do Ensino Magazine. K

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