Ano LXVI - setembro/outubro 2026 - 573
CARTA EQ U I P E S D E N O S S A S E N H O R A
Henri Caffarel Mestre de oração e espiritualidade
18 de setembro
30 anos de falecimento O legado de uma vida Pág. 11
MENSAL
Índice EDITORIAL .......................................................................................................................................................................................1 SUPER-REGIÃO BRASIL A Palavra de Deus em nossa vida..............................................................................................................3 Colégio Nacional das Equipes de Nossa Senhora no Mosteiro de Itaici...........................4 Capítulo 7: A Comunhão Conjugal ........................................................................................................6 Capítulo 8: O Testemunho da Vida do Casal.......................................................................................7 Outubro, momento especial de discernimento..............................................................................9
ACESSE CARTA MENSAL ÁUDIO:
IGREJA CATÓLICA Sagrado Coração de Jesus: o coração que tanto amou .......................................................... 10 DATAS DO MOVIMENTO 30 anos sem o Venerável Pe. Caffarel................................................................................................... 11
TESTEMUNHO A força silenciosa da vida de equipe .................................................................................................. 21 O nosso “sim” à missão ................................................................................................................................. 22 Deixar-se transformar ................................................................................................................................... 23 Pela Oração Conjugal, Deus nos fortaleceu .................................................................................... 24
NOTÍCIAS publicado somente na CM DIGITAL acesse pelo site ens.org.br CM 573
PARTILHA E PCE A escada que subimos de mãos dadas.............................................................................................. 25 Oração Conjugal PCEs em Poesia.......................................................................................................... 26 REFLEXÃO O Amor é muito mais que o amor quando o nome é pequeno para o sentimento.27 Padre Caffarel: profeta do amor conjugal......................................................................................... 28 REDESCOBRINDO O CONHECIMENTO “Sede praticantes da Palavra, e não meros ouvintes” (Tg 1,22) ............................................ 29 EVENTOS CATÓLICOS Equipes de Nossa Senhora estreiam na ExpoCatólica .............................................................. 30 Equipes de Nossa Senhora em comunhão com a Igreja no Brasil .................................... 31 MEDITANDO EM EQUIPE Cinco minutos que reconstroem uma vida conjugal................................................................ 32
no 573 edição
setembro/outubro
2026
Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro na “Lei de Imprensa” N° 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil – CR Super-Região Brasil Rose e Rubens; Equipe Editorial: Responsáveis: CR Carta Mensal Mirna e Sildson; Conselheiro Espiritual: SCE Carta Mensal: Pe. Antonio C. Torres; Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb.17622), para distribuição interna aos seus membros. Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais – Rua Tefé, 192 – Perdizes, São Paulo/SP – Fone 11 97574-9718 – e-mail: novabandeira@novabandeira.com – Responsável: Ivahy Barcellos; Revisão: Jussara Lopes; Diagramação, Preparação e Tratamento de Imagem: Douglas D. Rejowski; Imagens: (Freeimagens/Pxhere/Unsplash/CanStockPhoto/Canva). Tiragem desta edição: 28.147 exemplares. Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS – Carta Mensal, Av. Paulista, 352, 3° Conj. 36, CEP: 01310-905, São Paulo/SP ou através de e-mail: cartamensal@ens.org.br a/c Mirna e Sildson. IMPORTANTE: consultar instruções antes de enviar o material – pedimos que acessem as instruções na aba/acesso Carta Mensal do site das Equipes de Nossa Senhora (www.ens.org.br).
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DATAS COMEMORATIVAS Servo dos servos de Deus ......................................................................................................................... 12 Maria nasceu e foi preparada para ser a mãe do Filho de Deus ......................................... 13 Na cruz a gente vê duas coisas: a gravidade do pecado e a grandeza do amor ..... 14 A força invencível do amor........................................................................................................................ 15 Miguel, Gabriel e Rafael .............................................................................................................................. 16 Do amor pela Palavra de Deus à contemplação .......................................................................... 17 Encontro de datas........................................................................................................................................... 18 Uma das maiores comemorações de devoção a Nossa Senhora ...................................... 19 A oração humilde e perseverante possui a força imensa de intercessão..................... 20
EDITORIAL
Queridos irmãos, paz e bem. Há momentos em nossa caminhada em que somos convidados a parar, olhar para trás com gratidão e, ao mesmo tempo, renovar o olhar para o caminho que temos pela frente. Esta edição da Carta Mensal nos oferece exatamente essa oportunidade: recordar, refletir e, sobretudo, deixar que Deus continue conduzindo nossa vida pessoal, conjugal e comunitária. A Palavra de Deus ocupa um lugar central nessa caminhada. Ela não é apenas um texto que lemos, mas uma Palavra viva que ilumina nossas escolhas, corrige nossos passos, fortalece nossa fé e nos aproxima do Senhor. Escutá-la exige mais do que ouvir: pede abertura do coração e disposição para colocá-la em prática. Como nos recorda São Tiago, somos chamados a ser “praticantes da Palavra, e não meros ouvintes”. Essa Palavra também nos conduz ao coração da nossa vocação: a santidade conjugal. O matrimônio é construído diariamente na acolhida, no diálogo, no perdão, na doação e na reciprocidade. Não buscamos um casamento perfeito, mas um casamento que, mesmo em meio às fragilidades e desafios, permita que Cristo seja o centro da vida do casal. A comunhão não acontece automaticamente; ela é construída, dia após dia, pela graça de Deus e pelo esforço dos esposos. Neste mês, somos ainda convidados a voltar nosso olhar para aquele que recebeu de Deus uma missão extraordinária: o Venerável Pe. Henri Caffarel. Ao celebrarmos os 30 anos de sua partida, somos chamados não apenas a recordar sua história, mas a reconhecer a atualidade de seu legado. Sua vida foi CM 573
marcada pelo encontro com Cristo e pelo desejo de conduzir outros casais ao mesmo Amor. Hoje, milhares de casais continuam encontrando nas Equipes de Nossa Senhora um caminho de santidade no matrimônio. O testemunho de tantos casais apresentados nesta edição nos lembra que a vida de equipe transforma silenciosamente. A oração, os Pontos Concretos de Esforço, as reuniões, as partilhas, a correção fraterna e a convivência vão, pouco a pouco, moldando nossos corações e fortalecendo nossa vocação. Muitas vezes não percebemos imediatamente a ação de Deus, mas, quando olhamos para nossa história, reconhecemos que Ele fez e continua fazendo maravilhas. Que esta Carta Mensal não seja apenas mais uma leitura, mas uma oportunidade de encontro. Que cada página nos ajude a escutar melhor a Palavra, amar mais profundamente nosso cônjuge, servir com generosidade nossos irmãos e assumir com alegria a missão que o Senhor nos confia. Que o legado do Pe. Caffarel continue vivo em nossas equipes, em nossos lares e em nossa Igreja. E que, guiados por Maria, aprendamos a dizer diariamente o nosso “sim” a Deus. Boa leitura! Que esta edição nos ajude a renovar nossa fé, nossa esperança e, principalmente, nosso amor.
Mirna e Sildson CR Carta Mensal
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Colégio Internacional: Um só corpo em Cristo! Queridos equipistas, paz e bem ! De 19 a 25 de julho, na Colômbia, foi realizado o Colégio Internacional das Equipes de Nossa Senhora, que teve como lema “Somos um só corpo em Cristo”, (1Cor 12,12-27). A passagem nos recorda que, embora sejamos muitos e diferentes, formamos um só corpo em Cristo e constituiu o fio condutor para os momentos de encontro, reflexão, formação e comunhão do Movimento. Nesse contexto, fomos convidados a partilhar a realidade das Equipes de Nossa Senhora no Brasil e, de modo especial, apresentar como, diante das dimensões continentais do Brasil, das diferentes realidades sociais, culturais e geográficas e dos inúmeros desafios encontrados na missão, o Movimento tem conseguido preservar, ao longo de seus 76 anos no Brasil, a unidade e a fidelidade ao Carisma fundador. Reforçamos que com mais de 60 mil equipistas distribuídos por todo o território nacional, essa unidade é sustentada, sob a ação do Espírito Santo, por uma sólida formação inicial e permanente, pelo conhecimento e fidelidade aos documentos do Movimento, pela vivência dos Pontos Concretos de Esforço, pelo discernimento realizado em clima de oração, pelo acompanhamento das equipes. Destacamos também a disponibilidade de tantos casais e Conselheiros Espirituais, a Colegialidade, o exercício da responsabilidade, a corresponsabilidade entre as diversas instâncias permitindo que realidades tão diferentes caminhem na mesma direção, evitando o isolamento e fortalecendo o sentido de pertença a um único Movimento. 2
Assim, o lema encontrou profunda sintonia com a experiência brasileira Tivemos também a rica conferência do Pe. Augusto, SCE da ERI, sobre “Padre Henri Caffarel e o Sacerdócio”. Com profundidade e sensibilidade, ele nos revelou a riqueza da espiritualidade sacerdotal de nosso fundador: seu amor por Cristo, sua humildade, sua vida de oração e Eucaristia e sua dedicação à santificação dos casais. Essa reflexão ganhou ainda maior significado diante do recente reconhecimento do Padre Caffarel como Venerável, um convite a redescobrirmos sua vida, sua espiritualidade e a fecundidade de sua missão. Para os sacerdotes, seu exemplo recorda a beleza de uma vocação inteiramente entregue a Cristo e ao seu povo; para os casais, evidencia a riqueza da presença do Sacerdote Conselheiro Espiritual e da complementaridade entre os sacramentos da Ordem e do Matrimônio. Que a realização da I Jornada Nacional Padre Henri Caffarel possibilite tornar ainda mais conhecida sua vida, sua espiritualidade e a riqueza de seus ensinamentos, ajudando-nos a reconhecer e testemunhar a santidade de uma vida inteiramente entregue a Deus, à Igreja e à santificação dos casais. Amém !
Rose e Rubens CR SRB CM 573
SUPER-REGIÃO BRASIL
A Palavra de Deus em nossa vida Olá, queridos casais, conselheiros e acompanhantes espirituais, espero que todos estejam bem, estou rezando sempre por todos e rezem por mim também. Neste mês pensei em refletir um pouco sobre a Palavra de Deus, pois nossa caminhada espiritual tem como base a Palavra de Deus. Sabemos que a nossa fé é sustentada por três pilares, que são: a Palavra de Deus, a Tradição e o Magistério. Eles sustentam a nossa fé católica, mas tudo parte da Palavra de Deus, e para nós do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, temos como sustento, na nossa espiritualidade, a Escuta e a Meditação da Palavra. A Palavra de Deus não é apenas um conjunto de textos antigos, ou livros que guardamos em nossa casa. Ela é Palavra viva, capaz de iluminar nosso caminho, corrigir nossos passos, fortalecer nossa fé e nos aproximar do próprio Deus. Em Mateus cap. 04, 04, Jesus nos ensina: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Assim como nosso corpo precisa de alimento, todos os dias, nossa alma também precisa ser alimentada, e um dos alimentos mais importantes da vida espiritual é a Palavra de Deus. A Palavra ilumina, mas também transforma. Quando lemos o Evangelho, e permitimos que aquilo que lemos entre em nosso coração, começamos a perceber o que precisamos mudar em nós. Ela nos chama ao perdão, quando queremos guardar mágoas; CM 573
à humildade, quando o orgulho aparece; à esperança, quando pensamos em desistir; ao amor, quando somos tentados a julgar. Por isso, não basta apenas ler a Bíblia, é necessário escutar com o coração, e colocar em prática. São Tiago nos lembra “Sejam praticantes da Palavra, e não meros ouvintes” (Tiago 1,22) e para nós equipistas, isso deve acontecer todos os dias. Em nossas reuniões na Partilha, deve-se proporcionar um grande crescimento espiritual para todos os membros de nossa equipe. Por isso, queridos irmãos, vamos levar com mais seriedade esse Ponto Concreto de Esforço. Depois dessa pequena reflexão, deixo algo para pensarmos: Em minha caminhada no Movimento, vivenciando esses Pontos Concretos de Esforço, estou mais santo? Queridos irmãos e irmãs, espero ter ajudado com essa meditação, fiquem com Deus, paz e bem.
Pe. Toninho SCE SRB
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Colégio Nacional das Equipes de Nossa Senhora no Mosteiro de Itaici
Entre os dias 14 e 16 de agosto, o Mosteiro de Itaici acolheu com imensa alegria e profundo comprometimento o Colégio Nacional das Equipes de Nossa Senhora. O encontro reuniu cerca de 92 casais e 56 Sacerdotes Conselheiros Espirituais em um verdadeiro cenáculo de oração, estudo e comunhão. A centralidade da vida cristã esteve presente no altar. Na noite de sexta-feira (14), a Santa Missa foi marcada pela posse dos novos Responsáveis da Província Sul II (Regina e Marcelo) e dos novos Responsáveis de Regiões, reafirmando o compromisso
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com a missão, o serviço e a colegialidade. Nos dias seguintes, a celebração diária da Eucaristia renovou nos participantes o olhar fixo em Jesus Cristo, fonte e sustento do matrimônio e de toda a caminhada equipista. A Equipe da Super-Região Brasil conduziu momentos marcantes de estudo e reflexão, permitindo que todos contemplassem a ação amorosa de Deus nos detalhes e a condução firme do Espírito Santo. No encontro foi apresentada toda a preparação do tema para o ano de 2027, que será mostrado a cada CM 573
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equipista durante o Encontro Anual de Casais Responsáveis de Equipe (EACREs) de 2027. A proposta foi acolhida com entusiasmo, gerando ricas partilhas fraternas. N os grupos de reflexão, os Casais Responsáveis de Províncias e Regiões puderam trocar suas ideias e experiências sempre ligadas à pedagogia do Movimento das Equipes de Nossa Senhora: santificação de casais, sob a luz da Palavra buscando todos os dias através da vivência dos Pontos Concretos de Esforço. A presença expressiva dos Sacerdotes Conselheiros Espirituais, CM 573
com a alegria do serviço estampada no rosto, foi testemunhada por todos que estavam lá. A escuta atenta e presente torna visível a presença do próprio Cristo Bom Pastor no meio dos casais, lembrando que a Espiritualidade Conjugal floresce. A harmoniosa complementaridade entre os sacramentos da Ordem e do Matrimônio fez deste Colégio um marco de esperança, cujos frutos certamente ecoarão por todas as equipes do Brasil. SRB
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Capítulo 7: A Comunhão Conjugal Amar é doar-se, é entregar-se inteiramente ao outro Chegamos ao sétimo capítulo, dando continuidade à caminhada iniciada nos capítulos anteriores, em busca dos caminhos que nos ajudam a viver o matrimônio segundo o projeto de Deus. O texto nos convida a cultivar a reciprocidade e a acolhida ativa como expressão concreta do amor de C risto, reconhecendo e vivendo o dom total de si no casamento. Esse tema nos recorda que amar é doar-se, é entregar-se inteiramente ao outro, enriquecendo-o com o amor de Deus, o Amor Ágape. Por isso, somos interpelados pelas palavras de São Paulo, para que cada cônjuge possa dizer ao outro: “Eu te amo, mas já não sou eu quem te ama; é Cristo que te ama em mim. É Ele quem se dá a ti por meio de mim” (cf. Gl 2,20). O texto ainda afirma que, se o amor humano permite a unidade da vida, é o Amor de Deus que regula, ordena, define e unifica todas as nossas inclinações, aspirações, vontades e virtudes. Assim, compreendemos que a reciprocidade, o cuidado e a doação mútua são essenciais, mas não constituem o ponto mais alto do amor conjugal. O objetivo maior é a comunhão. Essa comunhão não acontece de forma automática. Ela é construída diariamente pelo casal, nas pequenas atitudes, no diálogo, no perdão, na acolhida e na entrega recíproca, sob a ação do Amor Ágape, que transforma os corações e fortalece a unidade dos esposos. O capítulo também nos apresenta a riqueza da koinônía,
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termo grego que significa comunhão e que professamos ao rezarmos o Credo na comunhão dos santos. Trata-se da união dos corações e das almas de todos os filhos de Deus. Essa comunhão não é apenas espiritual e invisível; ela também se manifesta no tempo e no espaço por meio da Ekklesia, a Igreja. Esses dois conceitos revelam a profundidade do mistério do matrimônio cristão. O Papa Francisco nos lembra, na Amoris Laetitia (n. 11): “O casal que ama e gera vida é a verdadeira escultura viva, capaz de manifestar Deus Criador e Salvador.” Essa afirmação reforça que o matrimônio é sinal visível do amor de Deus no mundo. Por fim, o Padre Henri Caffarel nos recorda que a plenitude do amor conjugal não está apenas na reciprocidade do dom ou da acolhida, mas na comunhão vivida em todas as dimensões da vida. Que vivamos este capítulo com o coração aberto para acolher as graças que Deus derrama diariamente sobre o nosso matrimônio, permitindo que Cristo seja sempre o centro da nossa comunhão e da nossa missão como casal.
Graciete e Lindomar CRP Centro-Oeste CM 573
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Capítulo 8: O Testemunho da Vida do Casal “Disse Deus: casal cristão, tu és o meu orgulho e a minha esperança.” Deus nos convida a sermos sinal de esperança para o mundo, sermos sal, sermos luz, sermos fermento na massa... Mas que sinal devemos dar ao mundo para que possamos inflamar corações? Sinal de perfeição? Sinal de imperfeição? No mundo repleto de tribulações para sermos sinal na vida do outro, para ajudá-lo a se aproximar de Deus e da Sua vontade, devemos ser transparentes, devemos mostrar aos outros casais que a perfeição é desejada e perseguida, mas construída nos desafios cotidianos, entendendo que nenhum casal está dentro de um modelo sempre perfeito, mas que todos dentro desta realidade devemos estar buscando Aquele que é a razão e a fonte de tudo, Deus. Ele nos criou à Sua imagem e semelhança, sonhou com este ser especial que completaria Sua criação: “No entanto, em nenhum lugar eu via a imagem da minha vida mais secreta, mas ardente.... Assim te criei, casal humano, à minha imagem e semelhança, e desta vez vi que era bom.” Assim, com este coração cheio de amor por cada um de nós, Ele nos deseja. Nos deseja santos, na nossa imperfeição, para que possamos irradiar ao mundo esta verdade, fomos criados à perfeição! Mas não estamos prontos e muito menos temos um caminho fácil a percorrer, pois o homem e a mulher percebem logo que o mal está atuando em seus lares. Por isso, é CM 573
necessário recorrer à graça de Cristo, que salva o casal. E como nós, criaturas imperfeitas, podemos testemunhar um amor perfeito e ser agente transformador da vida de outras pessoas? A nossa imperfeição encontra a sede de Deus por nós e a nossa sede Dele, e transborda, pelo nosso esforço diário pela busca da santidade, experimentando que é possível alcançar esta plenitude, um Amor que muito mais que o amor nas nossas vidas. Então, o nosso primeiro testemunho deve ser com as nossas vidas, deve ser o dia a dia inserido no mundo e apoiado em Deus, pois “nele se recuperam as forças – graças ao amor mútuo, à oração e ao descanso – para voltar ao mundo com novo vigor... Assim, os cônjuges cristãos são, no meio do mundo, testemunhas do Deus vivo, casais que “buscam por Deus, honram a Deus, recorrem a Cristo Salvador para superar, dia após dia, as tentações e os obstáculos da vida conjugal e familiar.”
Paola e Gustavo CRP Nordeste I
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Depois de anunciar a I Jornada Nacional Padre Henri C affarel e compartilhar o significado deste encontro para as Equipes de Nossa Senhora, é hora de conhecer um pouco mais de perto o que nos espera em Itaici. De 18 a 20 de setembro, serão três dias de formação, espiritualidade, oração, testemunhos e convivência, organizados para nos conduzir por diferentes aspectos da vida e da missão do fundador das Equipes de Nossa Senhora. A programação foi pensada como um verdadeiro percurso de aprofundamento: conhecer Pe. Caffarel, compreender sua obra, reconhecer a atualidade de seu pensamento e refletir sobre o legado que permanece vivo entre nós. Na sexta-feira, dia 18, após a acolhida dos convidados, a Jornada terá início com a Celebração Eucarística em Memória dos 30 anos de falecimento do Padre Caffarel, seguida da abertura oficial. O sábado será dedicado especialmente à sua trajetória e ao seu pensamento. Ao longo do dia, serão apresentadas conferências sobre a vida, a formação e as obras de Padre C affarel; a atualidade de seu pensamento para a Igreja; sua relação com as Equipes de Nossa Senhora e as Escolas de Oração. A programação contará ainda com o testemunho de casais transformados pela espiritualidade do Padre C affarel e um momento de oração interior inspirado em seus ensinamentos.
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No domingo, o olhar se volta para um dos momentos mais significativos da Jornada: “O Caminho para a Santidade – O Processo de Canonização do Pe. Caffarel”, com a participação da equipe de Postulação. Em seguida, um testemunho sobre graças recebidas por sua intercessão e uma reflexão sobre o legado deixado pelo fundador encerram este percurso de aprofundamento. E você também pode fazer parte deste momento! Mesmo quem não estiver presencialmente em Itaici poderá viver a Jornada conosco. Haverá transmissões ao vivo, permitindo que equipistas de todo Brasil acompanhem as celebrações, conferências, testemunhos e momentos de oração, unidos em espírito e comunhão. Para acompanhar a programação, acessar as transmissões e consultar todas as informações atualizadas sobre a Jornada, fique atento ao site oficial do evento jornadapadrecaffarel.org.br e em nossas redes sociais. Prepare-se, organize sua agenda e participe! De Itaici para todos os cantos do Brasil, vamos juntos mergulhar na vida, na espiritualidade e no legado de Padre Caffarel. A Jornada se aproxima. Que este seja um tempo de graça, comunhão e renovação para todo o Movimento. SRB CM 573
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Outubro, momento especial de discernimento Discernir o novo Casal Responsável de Equipe (CRE) é, antes de tudo, acolher o sopro do Espírito Santo na vida da Equipe. No próximo mês de outubro, somos convidados a um tempo de graça: revisarmos acertos, reconhecermos os limites e deixarmos que Deus conduza a escolha. Não se trata de rotina administrativa, mas de escuta orante, feita em comunidade, onde o Senhor se faz presente no coração de cada casal. O que não é discernimento – ações que matam a ação do Espírito Santo. O discernimento não cabe em critérios humanos apressados. Não é sorteio entre casais em que a missão é distribuída pela sorte ou rodízios, ações que apagam a liberdade do Espírito, que sopra onde quer e quando quer. Não é o momento de sobrecarregar casais que atravessam conflitos matrimoniais; a esses, devemos oferecer apoio, proximidade, cuidado e tempo de escuta e oração, para que sejam ajudados a vencer a prova que sabemos ser temporária e, depois, num próximo momento, sirvam com alegria.
O papel dos Conselheiros e Acompanhantes Espirituais A ação do Espírito Santo também se manifesta através dos Conselheiros Espirituais e Acompanhantes. É na convivência das reuniões prévias — por isso se espera que cheguem ao menos 30 minutos antes, para partilhar com a família —, nas reuniões de equipe e nos aconselhamentos, que o Conselheiro conhece a história, as lutas e as graças de cada casal. Assim, adquire o discernimento necessário para indicar quem está preparado para assumir como Casais Responsáveis de Equipe e quem merece aguardar mais um ano, sendo cuidado e fortalecido na fé e no amor conjugal. CM 573
Renovação, unidade e missão A transitoriedade do serviço é dom e graça: garante que a Equipe viva um ano com unidade, harmonia e renovado entusiasmo. O Casal Responsável de Equipe é chamado a animar os casais a promover com coragem e fé nas formações, encontros, missas mensais, do EACRE e do pós-EACRE. Só amamos o que conhecemos; por isso, é dever do Casal Responsável de Equipe apresentar tudo o que o Movimento oferece para o crescimento espiritual e o fortalecimento da espiritualidade conjugal.
Cada EACRE é único O Encontro Anual de Casais Responsáveis de Equipe muda a cada ano. O Movimento nos entrega a cada ano um novo Tema e as orientações para vivê-lo em unidade com Jesus. Todos os Casais Responsáveis de Equipe são convidados a renovar o compromisso, usando a experiência para transformar o ano dos equipistas, mantendo a mesma direção, o mesmo coração, a mesma missão, mas com o avanço e crescimento da espiritualidade conjugal. O Discernimento é momento santo e único: tempo de silêncio, escuta e entrega. Que o Espírito Santo nos ilumine, nos conduza com sabedoria e nos una em um só coração, para que nossas decisões nasçam da fé e nosso servir seja fruto do amor. Que Ele habite em nossos lares, anime nossas equipes e transforme nosso discernimento em caminho de santidade conjugal e missionária. Bom discernimento a todos!
Mirna e Sildson CR Carta Mensal
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IGREJA CATÓLICA
ENCÍCLICA DILEXIT NOS
Sagrado Coração de Jesus: o coração que tanto amou
Dando continuidade na meditação da encíclica do Papa Francisco, Dilexit nos (“Ele nos amou”), o terceiro capítulo, “Este é o Coração que tanto amou”, convida-nos a contemplar o mistério do Coração de Cristo como sinal privilegiado do centro mais íntimo do Filho encarnado. A devoção ao Sagrado Coração não nos afasta de Jesus, mas nos conduz diretamente a Ele, à amizade valiosa com o Senhor feita de diálogo, afeto, confiança e adoração (Dilexit nos, n. 51). Por isso, o Coração de Cristo não é um símbolo vago nem uma ideia abstrata: “É um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira” (Dilexit nos, n. 52). O Papa Francisco recorda também que a imagem do coração fala da verdade mais profunda do ser humano. O coração pode ser lugar de ódio, indiferença e egoísmo mas foi criado para o amor; nele se decide se a pessoa se fecha em si mesma ou se sai de si para viver em plenitude. Assim, o símbolo do coração mostra ao mesmo tempo a vocação humana e o próprio rosto de Cristo: um amor que se entrega, acolhe e salva. Sendo assim, “a imagem do coração deve remeter-nos para a totalidade de Jesus Cristo no seu centro unificador
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e, a partir desse, simultaneamente deve levar-nos a contemplar Cristo em toda a beleza e riqueza da sua humanidade e da sua divindade” (Dilexit nos, n. 55). Francisco insiste que a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a vida cristã, porque nos abre ao mistério do amor divino e humano do Senhor, a ponto de o Sagrado Coração ser chamado um verdadeiro “compêndio do Evangelho”(Dilexit nos, n. 83). Quem contempla esse Coração aprende a superar um cristianismo frio, reduzido a estruturas, ativismos e projetos sem evangelho; redescobre, ao contrário, a ternura da fé, a alegria do serviço e o fervor da missão (Dilexit nos, n. 88). Em síntese, o terceiro capítulo mostra que o Coração de Jesus é o lugar onde adoramos C risto vivo, reconhecemos o amor com que Ele nos amou até o fim e encontramos a fonte de uma vida cristã mais humana, mais orante e mais missionária. “É por isso que a oração mais popular, dirigida como um dardo ao Coração de Cristo, diz simplesmente: ‘Eu confio em Vós’. Não são necessárias mais palavras” (Dilexit nos, n. 93). E poderíamos nos perguntar: como nós, equipistas, estamos deixando ser conduzidos pelo Coração de C risto para viver um amor mais fiel, mais paciente e mais missionário?
Pe. Daniel Santini Rodrigues SCE ENS de Lourdes - Itajubá/MG Província Leste II CM 573
MORTE DO PADRE HENRI CAFFAREL
DATAS DO MOVIMENTO
30 anos sem o Venerável Pe. Caffarel Desde a infância, Henri Caffarel cultivava uma profunda vida cristã. Mas foi aos 20 anos que viveu um encontro decisivo com C risto, capaz de transformar para sempre o rumo da sua existência. Tornou-se, então, o homem de Encontro, e sua maior missão passou a ser conduzir outras pessoas ao mesmo Amor. Já sacerdote, ao acolher uma jovem esposa que buscava orientação para viver a espiritualidade no matrimônio, percebeu que esse caminho precisava envolver os esposos. Logo vieram outros casais, e, sob a ação do Espírito Santo, nasceu o nosso querido Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Além das Equipes de Nossa Senhora, atualmente com mais de 70 mil casais, o Padre Caffarel também fundou a Fraternidade Nossa Senhora da Ressurreição e o movimento espiritual de viúvas Esperança e Vida. Muitos são aqueles que, por meio dele, encontraram o Senhor. Aos 70 anos, deixa o Movimento e vai morar na Casa de Troussures, e a transforma em uma Casa de Oração. Aí permaneceu até sua morte em 1996, aos 93 anos de idade. Sua fecundidade está gravada nos corações, na relação única de cada um com Deus. O seu grande desejo era partilhar a “revelação” que sentiu ainda na juventude. Hoje, mesmo após 87 anos, vemos os frutos dessa entrega: milhares de casais CM 573
buscando viver a santidade conjugal no dia a dia. Atendendo ao clamor do Movimento, e na certeza de que ele era um verdadeiro servo de Deus, sua causa de beatificação foi aberta em 25 de abril de 2006. O processo foi iniciado pelo Cardeal André Vingt-Trois, Arcebispo de Paris, em plena sintonia com o Bispo de Beauvais e a Congregação para as Causas dos Santos. “Sua santidade era a de um profeta do século XX”, declarou o Cardeal Lustiger em seu funeral. Após a etapa diocesana, o caminho rumo aos altares avançou para a fase romana. Assim, em 23 de março de 2026, ele foi oficialmente declarado Venerável pelo Papa Leão XIV. Neste dia 18 de setembro, quando celebramos 30 anos da partida do nosso querido Venerável Padre Caffarel, convido todos a unirem suas vozes e corações. Que este dia seja marcado por uma corrente de fé e intercessão por nossas famílias e necessidades. Que milagres floresçam por sua mediação e que sua canonização aconteça em breve. Que Nossa Senhora interceda por nós!
Elda e Ronaldo CRS Itumbiara B Província Centro-Oeste
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DATAS COMEMORATIVAS
3/9 DIA DE SÃO GREGÓRIO
Servo dos servos de Deus São Gregório Magno (c. 540-604) foi um monge, escritor, doutor da Igreja e um dos papas mais influentes da história. Eleito em 590, governou a Igreja em um período de grande crise e devastação na Itália, destacando-se como um exímio administrador, reformador litúrgico, missionário e defensor dos pobres. Ele ensinou que a grandeza cristã está no serviço. Para ele, a medida da real grandeza reside em abaixar-se com humildade diante de Deus e dos irmãos. Sua vida foi marcada por intensos sofrimentos: enfrentou saúde frágil e governou sob peste, fome e invasões bárbaras em Roma. Mesmo cercado por dores físicas e crises, lutou para proteger o povo, reformar a Igreja e acolher os necessitados. Chamando-se “servus servorum Dei”, servo dos servos de Deus, viveu profunda espiritualidade, conduzindo a Igreja com sabedoria, coragem e confiança no Espírito Santo. Sua vida recorda que toda vocação floresce quando Cristo ocupa o primeiro lugar. (Nota: Este panorama sobre São Gregório Magno foi extraído de registros históricos da Biblioteca Católica). Essa mesma espiritualidade ilumina o Carisma que o Movimento traz por meio de seu fundador. Inclusive, nas Equipes de Nossa Senhora, tudo é Cristocêntrico: é Cristo no meio, Cristo em primeiro lugar. O Pe. Henri C affarel, homem profundamente marcado pela humildade e oração, testemunhou essa missão de levar com ardor o Evangelho aos lares.
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Assim, as Equipes de Nossa Senhora convidam os casais a percorrerem um caminho de santidade no matrimônio, ajudando-se a crescer no amor a Deus e ao cônjuge. Vivendo esse Carisma, as Equipes de Nossa Senhora prestam um valioso serviço à Igreja. Fortalecidos pelo matrimônio, os casais tornam-se protagonistas da evangelização no ambiente familiar, eclesial e social, testemunhando que o amor fiel, fecundo e perseverante é possível. Assim, colaboram na construção de uma Igreja viva, missionária e sinodal, oferecendo o testemunho da família cristã como sinal de Cristo. O mundo necessita de famílias que testemunhem com simplicidade e sacrifício, que Cristo está vivo. Cada casal equipista é chamado a ser esse sinal: uma pequena Igreja doméstica onde Deus é amado, escutado e servido. O caminho de santidade torna-se uma presença discreta, porém luminosa e iluminada, no coração da Igreja e da sociedade. Que a intercessão de São Gregório Magno fortaleça os casais das Equipes de Nossa Senhora, para que perseverem com alegria, sejam fiéis ao Carisma e façam de seus lares verdadeiras Igrejas domésticas, onde Cristo é amado, servido e anunciado.
Pe. Afonso Maria da Cruz SCE Goiás Sudoeste Província Centro-Oeste CM 573
8/9 NATIVIDADE DA VIRGEM MARIA
DATAS COMEMORATIVAS
Maria nasceu e foi preparada para ser a mãe do Filho de Deus A Igreja celebra com alegria o nascimento de Maria, uma filha de Israel, jovem judia de Nazaré na Galileia, que desde toda a eternidade, Deus escolheu para ser a Mãe de seu Filho. O profeta Isaías já havia anunciado “que uma virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7,14). Esta profecia cumpre-se verdadeiramente em Maria, pois assim quis o desígnio do Pai. São Paulo, na Carta aos Gálatas, também atesta esta verdade: “Na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho nascido de mulher”(Gl 4,4). Não há nenhum registro nos evangelhos canônicos sobre o nascimento de Maria. O que se sabe sobre o seu nascimento, bem como o nome dos pais, é proveniente dos escritos apócrifos, isto é, não reconhecidos oficialmente. Contudo, são textos de profunda relevância para a tradição cristã. Os nomes Joaquim e Ana são conhecidos graças aos textos apócrifos, especialmente o Evangelho de um pseudo-Mateus, que é uma adaptação do Evangelho de Tiago. Estes escritos relatam com riqueza de detalhes o nascimento de Maria. Seus pais tinham uma vida simples e reta diante do Senhor e eram irrepreensíveis diante de todos. Ana e Joaquim viveram há cerca de vinte anos um casamento casto, sem procriação de filhos. Juravam que se Deus lhes desse uma criança, ela seria dedicada ao serviço do Senhor. Trata-se de uma promessa feita pelos pais estéreis e que Deus fez cumprir-se plenamente, colocando Maria diretamente na história da salvação. CM 573
Os textos apócrifos relatam o nascimento de Maria semelhante ao nascimento de Jesus. Joaquim recebeu de um Anjo o anúncio de que suas preces foram atendidas e que os atos de misericórdia subiram até os céus. Ana, de idade avançada e estéril, concebeu milagrosamente Maria, que do mesmo modo gerou, incomparavelmente, enquanto virgem, o filho do Altíssimo. Santo André de Creta, nos sermões sobre a natividade, diz que “a Virgem nasce, é amamentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e rei de todos os séculos”. A frase diz que Maria nasceu e foi preparada para ser a mãe do Filho de Deus. Tudo isso se cumpriu por pura benevolência, bondade e misericórdia de Deus, que olhou para a humildade de sua serva. Que esta festa litúrgica nos ajude a meditar e contemplar os mistérios de Deus insondáveis em nossa vida.
Frei Joelmi F. Gomes SCEP Nordeste I
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DATAS COMEMORATIVAS
14/9 EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
Na cruz a gente vê duas coisas: a gravidade do pecado e a grandeza do amor A Festa da Exaltação da Santa Cruz sempre causa certa estranheza. A gente se pergunta: como é que a Igreja exalta um instrumento de tortura e morte? Como podemos glorificar algo que foi feito para humilhar e destruir? Mas a resposta está no Evangelho: não estamos celebrando a cruz como um objeto, mas aquele que se entregou por amor. É Ele que transforma aquele madeiro maldito em sinal de salvação. Diante da cruz, nos deparamos com as grandes perguntas que carregamos dentro do peito. O sofrimento dos inocentes, as lágrimas das mães que perderam seus filhos, a solidão de quem se sente abandonado, a injustiça que tantas vezes parece vencer. Quantas vezes não gritamos por dentro: “Meu Deus, onde estás quando a dor chega?” A cruz não esconde essas perguntas. Ela as carrega. Lembro da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto. O povo, depois de reclamar e se afastar de Deus, era picado pelas serpentes e morria. Mas quem olhava com fé para aquela serpente erguida era curado. Jesus pega essa imagem e diz: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também o Filho do Homem deve ser levantado”. Ele mesmo se torna o remédio para nossa ferida mais profunda: o pecado. São Paulo, na Carta aos Filipenses, fica quase sem palavras diante desse mistério. O Filho de Deus não se agarrou à sua igualdade com Deus. Pelo contrário: esvaziou-se, assumiu nossa condição e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Deus não ficou lá de cima olhando nosso sofrimento. Ele desceu. Entrou nele. Chorou nossas lágrimas e carregou nosso peso. Na cruz a gente vê duas coisas ao mesmo tempo, e elas não se separam: a gravidade
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do pecado e a grandeza do amor de Deus. O pecado mostrou até onde pode chegar a rejeição a Deus. Mas o amor mostrou que é mais forte. O ódio não venceu. A morte não teve a última palavra. Por isso a cruz continua plantada no meio da Igreja e da nossa história. Ela é denúncia e consolo, escândalo e esperança, sofrimento e vitória. Quem olha para o Crucificado com fé descobre que Deus não abandona os seus filhos, mesmo quando tudo parece perdido. A cruz nunca é a palavra final. A palavra final é a Ressurreição. Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é renovar a confiança de que nenhum sofrimento vivido junto com Cristo é jogado fora. É saber que Deus tem poder para transformar nossas feridas em fonte de vida e salvação. Por isso, o cristão não foge da cruz. Ele a abraça, mesmo que doa, porque nela brilha o amor que venceu o mundo e abriu para nós as portas da vida eterna.
Padre Paulo Renato SCEP Centro-Oeste CM 573
14/9- EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
DATAS COMEMORATIVAS
A força invencível do amor
Historicamente, a cruz era o suplício de morte para os criminosos do Império Romano. A morte de cruz era, portanto, o cúmulo da desonra e do desprezo. Ora, se a cruz era vista de modo negativo, como entender que a Igreja tenha um dia exaltado a cruz, chamando-a de santa, a tal ponto de incluí-la no calendário litúrgico como uma festa com direito ao Te Deum e ao Glória?! Eis aqui um acontecimento: por ocasião da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, observa-se que a multidão aplaudia Jesus, cantava hosana nas alturas, jogava flores nele. Contrariamente, já na Sexta-Feira Santa essa mesma multidão gritava para que fosse crucificado. Na cruz, Jesus pediu ao Pai que afastasse dele o cálice. O Pai, por sua vez, não lho afastou. Pelo contrário, o Pai quis que o Filho bebesse até a última gota de sangue, ao que Jesus respondeu que fosse feita a vontade do Pai e não a dele. Dito isso, e agora respondendo à pergunta feita com teor de admiração, cabe dizer que a visão positiva da Igreja sobre a cruz está ancorada em Jesus Cristo, o qual não escolheu o caminho da cruz, mas também não fugiu da cruz quando esta se apresentou a ele naquelas CM 573
circunstâncias históricas de sua vida terrena se quisesse levar adiante a missão que o Pai lhe havia confiado. A cruz é para o cristão a resposta fiel e autêntica, firme e forte, contundente e verdadeira do amor infinito e misericordioso de Deus revelado em Cristo Jesus para todos sem nenhuma exceção. Trata-se de um amor que nos redime, porque nos perdoa e perdoando nos ama. É possível ser discípulo do Senhor sem cruz? Eis o que diz o saudoso Papa Francisco: “Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um C risto sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, Papa, mas não discípulos do Senhor” (Missa Pro-Ecclesia, 14 de março de 2013). Acrescentando o elenco, pode-se igualmente dizer: se um casal pretender caminhar sem a cruz, esse casal é apenas marido e mulher, mas não discípulos do Senhor. Finalizo este meu artigo fazendo uma comparação: assim como o vaqueiro em cima de um cavalo malha o boi com o laço da corda e o derruba, Jesus C risto crucificado sobre a cruz malhou com o laço do amor misericordioso o pecado (mal, vingança, ódio), derrubando-o por terra, vencendo-o com sua Paixão. Afinal, “o Amor é muito mais que o amor” (Pe. C affarel).
Frei José Luís Leitão SCE Maranhão Piaui Província Nordeste I
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29/9 SANTOS ARCANJOS
Miguel, Gabriel e Rafael
A tradição da Igreja, fundada na revelação da Sagrada Escritura, sempre professou a existência dos puros espíritos, criados para o louvor e serviço de Deus. São chamados “anjos” quando enviados em missão, como indica a própria etimologia. O Credo Niceno-constantinopolitano afirma que Deus é criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; assim, os anjos, criaturas invisíveis, pertencem ao conteúdo da fé católica. São adoradores da Santíssima Trindade e servidores da humanidade. Dotados de natureza espiritual, possuem inteligência superior à humana, vontade firmemente unida a Deus e poderes próprios para cumprir sua missão. Esses espíritos são organizados em hierarquias, orientadas à contemplação de Deus, ao governo do mundo e ao serviço da história da salvação. Na primeira hierarquia estão os Serafins (amor ardente), Querubins (plenitude do conhecimento) e Tronos (justiça divina). Na segunda, Dominações (ordenam os inferiores), Virtudes (associadas aos milagres) e Potestades (combatem o mal). Na terceira, mais próxima dos homens, estão os Principados (protegem povos), os Arcanjos (mensageiros de grandes
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missões) e os Anjos (assistência direta aos homens). São Gregório Magno ensina que não necessitam de nomes próprios no Céu, pois vivem na plenitude da visão de Deus; contudo, ao serem enviados, recebem nomes conforme suas missões. Assim, São Miguel (“Quem como Deus?”) está ligado ao combate contra o mal; São Gabriel (“Força de Deus”), aos grandes anúncios, especialmente a Encarnação; e São Rafael (“Remédio de Deus”), à proteção e cura, como na história de Tobias. Os arcanjos, portanto, são mensageiros especiais, portadores de grandes desígnios divinos. Podemos invocá-los com fé, buscando auxílio no combate espiritual, força para aderir à vontade de Deus e proteção em nossa caminhada, inclusive nas necessidades físicas e espirituais. Entretanto, a verdadeira devoção culmina na imitação. Embora diferentes de nós em perfeição, partilhamos inteligência e vontade. Sob sua intercessão, somos chamados a adorar a Deus e servir ao próximo com caridade. Como mensageiros, também devemos anunciar a salvação, promovendo o bem integral das pessoas. Assim, mesmo em nossa fragilidade, tornamo-nos instrumentos da ação divina. Invoquemos e imitemos os anjos, confiando em sua proteção e no poder de Deus, a quem servem com fidelidade.
Pe. Antônio Marcos Chagas SCE ENS de Fátima Província Nordeste I CM 573
30/9 SÃO JERÔNIMO – DIA DA BÍBLIA
DATAS COMEMORATIVAS
Do amor pela Palavra de Deus à contemplação Surgiu, nos anos 40, na Europa, espe- homens de Deus, fez brotar no jovem cialmente na França, um movimento Jerônimo a semente de sua posterior de interesse voltado para os antigos vocação monástica. Um feito feliz de escritores cristãos, conhecido tradi- sua vida se dá quando vai viver por cionalmente como “Padres da Igre- um ano na cidade de Aquileia. Lá enja”, ou “Santos Padres”. Nesse período contra um clero jovem, afável, culto existia a necessidade de redescobrir e virtuoso, entre eles Eusébio. Eram personalidades (patrologia) que aju- os anos de 373-374, Jerônimo decidaram a impulsionar uma verdadeira de empreender uma peregrinação à renovação espiritual, bíblica, teoló- cidade Santa de Jerusalém, mas não gica, em que anos depois, o Concí- o fez, por uma grave doença, permalio Vaticano II ativou e apoiou-se nas necendo em Antioquia, momento perspectivas de uma “volta às fontes” que o fez estudar com maior afinco a do cristianismo. língua grega. Amigo do Papa DâmaDentro desses estudos estava a figura so, tornou-se seu secretário, fixando emblemática, profunda, inteligência moradia em Roma, entre os anos 382 e oracional: São Jerônimo, nome de e 385, que o encarrega de revisar os batismo Sofrônio Eusébio Jerônimo, textos latinos da Bíblia, trabalho que que nasceu em Estridão, na Dalmá- será sua dedicação principal. cia, por volta de 347. Iniciou seus es- Jerônimo é um grande imitador de tudos aos dezessete anos, com aulas Cristo, reconhecido por ser autêntico de retórica, aprendendo a eloquência monge e asceta, foi grande construrígida, com normas tradicionais, cos- tor de mosteiros para mulheres e hotume do século IV. Jerônimo cultivava mens na cidade de Belém. Defensor o desejo de chegar a ser um orador da fé católica, combateu muitas herefamoso e remunerado. Durante um sias, sobretudo o pelagianismo. Jerôgrande período, ele viveu no territó- nimo faleceu no dia 30 de setembro rio da Gália, lugar propício e sedutor de 419 ou 420. A Igreja o proclamou para jovens que tivessem ideias reli- Doutor da Igreja pelo Papa Pio V em giosas e inclinações culturais, como 1567, patrono dos biblistas. nosso protagonista. Na cidade de Tréveros, importante centro cultural, Jerônimo teve seu primeiro contato com a florescente vida monástica em pleno desenvolvimento desde sua implantação por parte do bispo de Danilo B. Silva Alexandria, Atanásio. O singular, mas Pe. FranciscoSCES Mossoró A definitivo contato com os monges, Província Nordeste I CM 573
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DATAS COMEMORATIVAS
12/10 DIA DAS CRIANÇAS
Encontro de datas
No dia 12 de outubro celebramos um duplo presente: a ternura materna de Nossa Senhora Aparecida e a alegria contagiante das crianças que iluminam nossas vidas. Hoje, sob o olhar da fé, queremos dedicar nosso coração sobretudo às crianças – estas vidas pequenas que revelam a grandeza de Deus em formas simples e verdadeiras. Cada criança é dom, promessa e caminho: um chamado para cuidarmos com mais atenção, presença e amor. A infância é tempo de descobertas, brincadeiras, perguntas sem medo e confiança natural. É ali que se formam os primeiros traços do caráter, as primeiras memórias de afeto e as sementes da esperança. Por isso, celebrar o Dia das Crianças é lembrar que presentes materiais não substituem atenção, escuta, cuidado e educação. Crianças precisam de mãos que as guiem, olhos que as vejam e corações que as valorizem como portadoras de um futuro que nos pertence a todos. Nossa Senhora Aparecida, com sua imagem humilde encontrada nas águas do Paraíba, testemunha que o amor de Deus frequentemente se revela no pequeno e no simples. Como mãe que acolhe, ela nos inspira a proteger as crianças, sobretudo as que vivem sob maiores riscos: as que sofrem pobreza, violência, abandono ou exclusão. Pedimos a sua intercessão para que nenhuma infância seja roubada; para
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que cada menino e menina tenha direito à saúde, à educação, ao afeto e a um ambiente seguro para crescer. Jesus nos ensinou a acolher as crianças como modelo de confiança e abertura ao Reino de Deus. “Deixai vir a mim as crianças” é convite para que reconstruamos um mundo onde a dignidade infantil seja prioridade. Isso exige políticas públicas eficazes, famílias empenhadas e comunidades atentas, que não deixem nenhuma criança invisível ou desamparada. Neste 12 de outubro, ofereçamos não só presentes, mas tempo e presença. Brinquemos com simplicidade, conversemos com paciência, escutemos com ternura. Que nossas ações diárias – pequenas e concretas – sejam sinais do amor que professamos. Que Maria, Mãe Aparecida, estenda seu manto sobre todas as crianças do Brasil, abrigando as mais vulneráveis e fortalecendo as famílias. Que o Dia das Crianças nos desperte para responsabilidades concretas: garantir direitos, proteger a inocência, promover oportunidades. E que, ao celebrar, agradeçamos a Deus pelo dom de cada criança, reconhecendo nelas o futuro de nossa nação e a presença viva da esperança. Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós e protegei nossas crianças! SRB CM 573
12/10 N. SRA. DA CONCEIÇÃO APARECIDA
DATAS COMEMORATIVAS
Uma das maiores comemorações de devoção a Nossa Senhora Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, ocupa lugar central na fé católica. Os diversos títulos marianos não representam diferentes figuras, mas expressam a mesma Mãe de Jesus, venerada sob distintas manifestações culturais. Para o Movimento das Equipes de Nossa Senhora, Maria é modelo de fé, serviço e confiança em Deus, inspirando a vida das equipes e das famílias. Maria é reconhecida como Mãe de Deus (Theotókos), pois gerou Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Seu “sim” ao projeto divino (Lc 1,38) marcou o início da realização da salvação e fez dela a “Nova Eva”: se a primeira trouxe a desobediência, Maria abriu o caminho da obediência e da vida. Aos pés da cruz, Jesus a entrega como Mãe da Igreja (Jo 19,27), confiando-lhe todos os seus discípulos. Desde então, ela acompanha e intercede por seus filhos, conduzindo-os a Cristo. O título “Conceição Aparecida” está ligado ao dogma da Imaculada Conceição, que afirma que Maria foi preservada do pecado original pelos méritos de Cristo. A devoção brasileira nasceu em 1717, quando pescadores encontraram a imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do rio Paraíba do Sul. Uma imagem de cor negra, quebrada e resgatada das águas – simboliza a solidariedade de Deus com os pobres, a superação de divisões e o acolhimento de todos os CM 573
filhos, reforçando a identidade mariana como mãe de todos os cristãos. Em 1931, ela foi proclamada Padroeira do Brasil, tornando-se sinal de esperança para todos os brasileiros – pobres, ricos, trabalhadores, desempregados –, pois ela é a mãe de todos. A comemoração do dia 12 de outubro é uma das maiores comemorações cristãs e da devoção que temos por N. Sra. da Conceição Aparecida no Brasil. A Igreja não adora Maria, mas lhe presta veneração especial (hiperdulia). Os diversos títulos marianos, como Fátima, Lourdes e Auxiliadora, revelam aspectos de sua missão intercessora e modelo de discípula. O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, inseriu a doutrina mariana no contexto da Igreja, apresentando Maria como seu tipo, modelo e mãe. Ao encerrar a terceira sessão do Concílio, São Paulo VI proclamou oficialmente Maria como Mãe da Igreja, reconhecendo seu lugar singular no mistério de Cristo e na vida do povo de Deus. Que Nossa Senhora Aparecida fortaleça nossa caminhada de fé, inspire nossos lares e faça de nossas equipes verdadeiras escolas de comunhão, serviço e santidade.
Pe. Antônio Gomes de Medeiros SCES Brasília III Província Centro-Oeste
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DATAS COMEMORATIVAS
7/10 NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
A oração humilde e perseverante possui a força imensa de intercessão
O dia 7 de outubro carrega uma densa tapeçaria de fé, história e devoção em torno de Nossa Senhora do Rosário. A data foi instituída pelo Papa São Pio V em 1571 como “Nossa Senhora da Vitória”, em gratidão pela Batalha de Lepanto, na qual a Liga Santa venceu a frota otomana no mar Jônio. Naquele dia, enquanto os soldados lutavam, fiéis pelas ruas de Roma rezavam fervorosamente o Santo Terço. Mais do que um marco
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militar, o evento consolidou a convicção católica de que a oração humilde e perseverante possui a força imensa de interceder pelos rumos e desafios da humanidade. Com o tempo, o Papa Gregório XIII renomeou a festividade para Dia de Nossa Senhora do Rosário, enfatizando o instrumento espiritual que une os mistérios da vida de Jesus e Maria. O Rosário, traduzido literalmente como uma “coroa de rosas” oferecida a Nossa Senhora, tornou-se uma das práticas contemplativas mais difundidas da Igreja. Cada conta desfiada convida o devoto a meditar sobre a Encarnação, a Paixão, a Ressurreição e a Glória do Cristo. No nosso Brasil, essa devoção ganhou contornos ímpares através do sincretismo e da cultura popular. A tradição das congadas e moçambiques, nascida no período colonial, uniu a fé católica dos escravizados às suas matrizes africanas, coroando reis e rainhas do Congado em honra à Virgem Negra do Rosário. Assim, a celebração transborda as paredes dos templos e ganha as ruas com tambores, cantos e cores. Celebrar o 7 de outubro é renovar uma esperança viva: na simplicidade de uma oração contada nas mãos, a história e a fé se abraçam para confortar e guiar corações ao longo de gerações. SRB CM 573
TESTEMUNHO
A força silenciosa da vida de equipe Iniciamos nossa caminhada nas Equipes de Nossa Senhora muito jovens e nossos dois filhos, à época, contavam apenas três e dois anos de idade. Naquele momento jamais poderíamos imaginar o quanto o Movimento marcaria profundamente nossa história. Nosso amadurecimento espiritual como casal aconteceu de maneira discreta, porém constante. Na vivência dos PCE, no estudo do tema, nas reuniões da equipe de base, nas partilhas, nas coparticipações, nas formações, nos testemunhos e na correção fraterna, a metodologia do Movimento (orientações de vida, PCE e vida de equipe) foi transformando nosso matrimônio sem que percebêssemos. Em Belém do Pará, na Equipe Nossa Senhora das Dores, e, a partir de 2000, já em Brasília, na Equipe Nossa Senhora da Guarda, aprendemos que a santidade conjugal se constrói na fidelidade às pequenas coisas do cotidiano. Em Belém, estivemos muito mais envolvidos em outros serviços da Igreja – ECC, curso de noivos e, durante cinco anos, Diretoria do Círio de N. Sra. de Nazaré. Ainda assim, foi a vida de equipe que silenciosamente sustentou nossa conjugalidade e fortaleceu nossa caminhada de fé. Ao longo desses 39 anos, a oração tornou-se parte da nossa vida, e a convivência com os irmãos de equipe foi verdadeiro esteio nas alegrias, nas dificuldades e nos momentos de discernimento. Em Brasília, sentimos CM 573
o chamado para retribuir ao Movimento uma pequena parte de tudo o que dele recebemos. Servimos como Casal Coordenador de Experiência Comunitária, Casal Piloto, Casal Ligação, Casal Responsável de Setor e, atualmente, Casal Responsável de Região. Em cada missão, porém, experimentamos a mesma verdade: recebemos infinitamente mais do que oferecemos. O Senhor não se deixa vencer em generosidade. Cada serviço ampliou nossa visão da Igreja, fortaleceu nossa comunhão e multiplicou os irmãos que Deus colocou em nosso caminho. Hoje, olhando para trás, percebemos que a riqueza das Equipes de Nossa Senhora está em sua pedagogia – a gradualidade, a personalização e o esforço pessoal e em casal. O tema de estudo, o balanço, as reuniões de equipe, as missas mensais, as interequipes e a convivência fraterna vão, pouco a pouco, nos transformando e alimentando nossa vocação matrimonial. Nossa história revela o que rezamos diariamente pelas Equipes de Nossa Senhora e por cada equipista: o Senhor faz em nós maravilhas.
Berna e Thales CRR Brasília IV Província Centro-Oeste
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TESTEMUNHO
O nosso “sim” à missão Há quatro anos estávamos encerrando nossa missão como CRS Uruaçu quando fomos surpreendidos com um novo chamado: servir como CRR Goiás Centro. Naquele momento eu estava grávida de sete meses do Davi José. Somos pais de cinco filhos (quatro conosco e um no céu) e temos a convicção de que é Deus quem nos chama para cada missão. Desde o nosso encontro pessoal com o Senhor, ainda na juventude, buscamos servi-Lo com alegria no Movimento e em outras pastorais. Esse novo chamado nos encheu de alegria, mas também de muitas perguntas. Humanamente, talvez não fosse o momento ideal para assumir uma missão que exigiria tantas viagens e disponibilidade. Rezamos, conversamos e perguntamos a Deus qual era a Sua vontade. Ao dizer nosso “sim”, tivemos a certeza de que Ele providenciará tudo para a missão e para nossa família. Durante esses quatro anos percorremos muitos quilômetros entre Goiânia, Uruaçu, Anápolis, Água Boa e outras cidades. Foram viagens marcadas por partilhas, alegrias, desafios e aprendizado. Em algumas delas, nossos filhos estiveram conosco e contamos com o apoio dos irmãos equipistas; em outras, nossa rede de apoio cuidou deles com muito carinho. Muitas vezes deixamos nossos planos para responder ao que Deus nos pedia. Olhando para trás, percebemos que nunca caminhamos sozinhos. Em cada reunião, formação e
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visita sentimos a presença de Jesus e a intercessão de Nossa Senhora. Sempre voltávamos para casa com o coração renovado, fortalecidos pelos testemunhos e amizades, e pela certeza de que Deus continua agindo nas famílias. Nossa gratidão se estende ao nosso querido SCE da nossa equipe de base e da Região, Pe. Franciel, companheiro fiel em todos estes anos, sempre nos apoiando e conduzindo como verdadeiro pastor e pai espiritual. A missão é um presente de Deus em nossa vida. Cada “sim” marcou nossa caminhada, e somos muito gratos a todos os casais, conselheiros espirituais e amigos que fizeram parte dessa história, e à nossa equipe de base, que nos apoiou em todos os momentos. Concluímos esta missão com o coração cheio de gratidão, certos de que “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10). Seguimos confiantes de que Ele continuará conduzindo nossos passos, pois, como nos recorda a Gaudete et Exsultate, “não é que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão”.
Gilda e Rodrigo CRR Goiás Centro Província Centro-Oeste CM 573
TESTEMUNHO
Deixar-se transformar Há quase onze anos ingressamos nas Equipes de Nossa Senhora sem saber muito bem o que nos esperava. Tínhamos uma vaga noção do que se tratava o Movimento, mas não tínhamos ideia de que a nossa vida seria transformada para sempre, a partir de então. Logo percebemos que, no Movimento, tudo é pensado com carinho. Desde a pilotagem dos casais que chegam até a formação permanente dos equipistas mais antigos, existe um cuidado silencioso que ajuda o crescimento espiritual dos casais e mostra que a vocação matrimonial não é um destino a ser alcançado, mas um caminho que se percorre todos os dias, de mãos dadas um com o outro e com o Cristo. Ao longo da nossa caminhada, fomos descobrindo que, nas equipes, formar-se não significa apenas adquirir conhecimento. É deixar-se transformar. A cada tema estudado, a cada reunião e participação em retiros e formações, percebemos que Deus sempre nos convida a dar um passo além. Pouco a pouco, redescobrimos que a formação não é um acúmulo de ideias, mas um encontro permanente com C risto, capaz de renovar o nosso olhar, fortalecer o nosso matrimônio e dar novo sentido à nossa missão. Os livros, cartas, temas de estudo e documentos do Movimento deixaram de ser apenas material de leitura e passaram a fazer parte da nossa caminhada. O conhecimento acumulado tornou-se uma oportunidade de CM 573
diálogo e conversão, um caminho que transformaria o nosso coração, a nossa forma de rezar, de dialogar e nos ajudaria a enfrentar as dificuldades do dia a dia. Padre Henri C affarel dizia que “só amamos verdadeiramente aquilo que conhecemos”. Talvez seja por isso que, quanto mais nos aprofundamos na riqueza do C arisma das Equipes de Nossa Senhora, mais cresce em nós o amor por esse dom que a Igreja recebeu. Conhecer nos levou a admirar; admirar nos levou a amar; e amar despertou em nós o desejo de servir. Hoje entendemos que redescobrir o conhecimento é permitir que Deus nunca deixe de nos surpreender. Ele sempre tem algo novo a nos ensinar. Que é preciso conservar um coração de discípulos, aberto para aprender, mesmo depois de anos de caminhada. Enquanto continuarmos aprendendo com Ele, nosso amor também continuará crescendo. Afinal, quem conhece mais o Amor, ama mais. E quem ama mais torna-se um sinal mais luminoso da presença de Deus no mundo. E é essa certeza que renova nossa alegria de seguir caminhando no Movimento das Equipes de Nossa Senhora, com Cristo, em Cristo e por Cristo. Fátima e Jorge ENS do Perpétuo Socorro Sobradinho/DF Província Centro-Oeste
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TESTEMUNHO
Pela Oração Conjugal, Deus nos fortaleceu Ao longo de 17 anos de vida equipista, aprendemos que os Pontos Concretos de Esforço não são apenas propostas de um método, mas verdadeiros caminhos de santificação para o casal. Quando vividos com fidelidade, eles transformam nossa maneira de amar, de dialogar, de enfrentar as dificuldades e de confiar em Deus. Todos os Pontos Concretos de Esforço têm um lugar especial em nossa vida. Entretanto, a Oração Conjugal tornou-se o coração da nossa espiritualidade matrimonial. No início, como acontece com muitos casais, nem sempre foi fácil manter a constância. Havia o cansaço, os compromissos e as preocupações do dia a dia. Mas, com perseverança, fomos descobrindo que cada momento de oração fortalecia nossa união e nos aproximava ainda mais de Deus e um do outro. Nossa família enfrentou provações que marcaram profundamente nossa história. Passamos pela dor das doenças, experimentamos perdas, dos nossos pais, que deixaram saudades, e vivemos momentos de grande sofrimento. Em diversas ocasiões, sentimos que nossas forças eram insuficientes para continuar. Foi justamente nesses momentos que a Oração Conjugal deixou de ser apenas uma prática e passou a ser nosso refúgio, nossa fonte de esperança e de paz. Entre tantas graças, a cura da nossa filha ficou gravada para sempre em nossa memória.
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Vivemos esse momento como um verdadeiro milagre de Deus. Naquele período difícil, nunca deixamos de rezar juntos. Nossas palavras eram poucas, mas nossa confiança era imensa. Hoje, reconhecemos a ação amorosa do Senhor sustentando nossa família e renovando nossa esperança. Isso não significa que nossa vida seja livre de problemas. Continuamos enfrentando desafios diários, como qualquer família. A grande diferença é que aprendemos que não caminhamos sozinhos. O Senhor está sempre presente, fortalecendo nosso matrimônio e nos dando a força necessária para cada nova etapa. Por isso, queremos incentivar todos os casais a perseverarem na vivência dos Pontos Concretos de Esforço, especialmente na Oração Conjugal. Mesmo quando parecer difícil, mesmo quando faltar tempo ou quando não enxergarmos resultados imediatos, vale a pena permanecer fiéis. Deus age silenciosamente no coração daqueles que confiam n’Ele e faz florescer frutos que muitas vezes só compreenderemos com o passar do tempo. Somos profundamente agradecidos às Equipes de Nossa Senhora, por nos apresentarem esse caminho de espiritualidade conjugal, que fortaleceu nosso matrimônio e nos aproximou ainda mais de Cristo.
Neide e Alexandre CRR Região Brasília II Província Centro-Oeste CM 573
PARTILHA E PCE
A escada que subimos de mãos dadas Durante muito tempo, olhamos para os Pontos Concretos de Esforço como quem contempla uma escada muito alta: sabíamos que era preciso subir, mas o primeiro degrau parecia distante. A oração pessoal disputava espaço com o cansaço; o Dever de Sentar-se, ainda mal compreendido, ficava para depois, à espera de um momento mais propício. A mudança começou quando percebemos que os Pontos Concretos de Esforço não são cobranças, mas presentes. Padre C affarel não nos propôs uma prova, mas caminhos para que a graça encontre morada no cotidiano. Pela Palavra, pela oração, pela Regra de Vida e pelo Retiro, abrimos o coração à vontade de Deus. É na Partilha, porém, que esses esforços deixam de ser apenas pessoais ou conjugais e se tornam caminho de conversão comunitária. Partilhar não é prestar contas, nem responder mecanicamente “fiz” ou “não fiz”. É revelar, com verdade, como buscamos a vontade de Deus, as dificuldades e os frutos que começam a nascer, permitindo que os irmãos nos ajudem a perseverar. Quando vivida assim, a equipe não julga: acolhe; não fiscaliza: sustenta. O testemunho de quem recomeçou nos consola, e a perseverança dos irmãos nos ilumina. O “não consegui” deixa de ser fracasso e se transforma em pedido de ajuda. Neste ano, ao colocarmos o Dever de Sentar-se no centro de nossa atenção, a Partilha revelou ainda mais sua força. Ao apresentarmos as dificuldades de reservar esse tempo, encontramos CM 573
na experiência dos irmãos luz e encorajamento. Gestos simples – marcar o encontro na agenda, afastar os telefones, começar pela oração, escutar sem interromper, agradecer, pedir perdão e concluir com um propósito comum – tornaram-se auxílio concreto. Sob o olhar de Deus, a conversa deixa de ser acerto de contas e se torna espaço sagrado. Como os discípulos de Emaús, colocamos em palavras o que vivemos e permitimos que C risto caminhe conosco. A Partilha não termina na reunião: devolve-nos à vida com novo ânimo e a certeza de que não caminhamos sozinhos. Os Pontos Concretos de Esforço não nos tornaram perfeitos, mas nos ajudam a permanecer no caminho. A Partilha nos recorda que essa escada não foi feita para ser subida a sós: avançamos de mãos dadas, sustentados pelos irmãos e conduzidos por Cristo rumo à santidade que Deus sonhou para o nosso matrimônio.
Laura e Marcel CRR Mato Grosso do Sul Província Centro-Oeste
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PARTILHA E PCE
Os PCEs em Poesia Preste atenção que vou falar De algo muito especial Que transforma nossa vida É pra nós manancial E realiza maravilhas Na vida do casal. Seis pontos são pra nós com amor apresentados dia a dia, mês e ano Eles são vivenciados Cada um tem seu jeitinho Espero terem encontrado. A Escuta da Palavra Nos permite ouvir Jesus Atitude necessária Pois é Ele que conduz Nos tornando mais cristãos É pra todos uma luz. É preciso meditar Tudo aquilo que ouviu Colocar no coração O que tocou, o que sentiu Refletir na intimidade Agradecer o que pediu. Na Oração Conjugal É onde a graça acontece Com o casal rezando juntos Exaltando sua prece caminhando para o céu Construindo sua ascese.
Depois de tudo isso Um encontro vou marcar Com data, lugar e hora Para nós três conversar Deus, marido e mulher Em um Dever de Sentar-se. Esse momento é muito lindo Não podemos esquecer Da mesinha e crucifixo E uma velinha pra acender Num diálogo verdadeiro E muitos frutos vão colher. Fixando uma regra Que você vai adotar Nem leve, nem dura Para não desanimar É preciso ser possível Pra converter, para mudar. A conversão nos aproxima Do nosso objetivo Caminhar pra santidade É por isso que cultivo Uma vida de oração E comungo meu Deus vivo. Para encontrar o Senhor Um tempo vou reservar Em um Retiro anual No silêncio escutar Atentos ao que Ele diz E nossas forças restaurar.
Cidinha e Ademir CRR PB I Província Nordeste I
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REFLEXÃO
O Amor é muito mais que o amor quando o nome é pequeno para o sentimento Escrever sobre o amor é, quase sempre, um exercício de humildade. Tentamos enclausurar em quatro letras um fenômeno que move galáxias e silencia corações. No entanto, o título que você segura em mãos carrega uma provocação necessária: o Amor é muito mais que o amor. Mas o que isso significa, afinal? Significa que o amor que herdamos das canções de rádio e dos roteiros de cinema é apenas a superfície de um oceano profundo e, por vezes, desconhecido. Passamos tempo demais procurando o amor nos grandes gestos, nas paixões avassaladoras e nos finais felizes, esquecendo-nos de que ele habita, com muito mais força, no que é ordinário. O Amor é muito mais que o amor, quando se manifesta na decisão de ficar, mesmo quando o cansaço sugere a partida. Ele é muito mais do que o sentimento quando se transforma em paciência, em escuta e, principalmente, em presença. Às vezes, o amor não tem nada a ver com o frio na barriga; tem a ver com o café quente preparado em silêncio numa segunda-feira chuvosa, ou com o respeito pelo espaço que o outro precisa para crescer sozinho. Nesta obra, convido você a despir o amor de suas roupas de gala. Vamos observá-lo em sua nudez: como uma força biológica que nos impele à sobrevivência, como um pacto ético de cuidado com o próximo e como a única linguagem capaz de traduzir a nossa finitude. Aqui, o amor não é apenas um substantivo que descreve o que sentimos por alguém. É um CM 573
verbo de ação contínua. É a lente pela qual escolhemos enxergar o mundo e a coragem de ser vulnerável em um tempo que exige armaduras. Se você veio em busca de fórmulas mágicas para o romance perfeito, talvez se surpreenda. Este livro não é sobre encontrar a “metade da laranja”, mas sobre descobrir que somos laranjas inteiras, capazes de transbordar em direções que nem o mais lírico dos poetas conseguiu mapear. Prepare-se para entender que o amor, quando é verdadeiro, deixa de ser um “eu te amo” para se tornar um “eu estou aqui”. E perceber que, nessa presença silenciosa e constante, reside tudo o que realmente importa. Seja bem-vindo a esta jornada. Porque, no final das contas, o amor só começa a fazer sentido quando aceitamos que ele é, e sempre será, muito mais do que nós mesmos.
Pe. Francisco Aderlane ENS Boa Mãe - Fortaleza/CE Província Nordeste I
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REFLEXÃO
Padre Caffarel: profeta do amor conjugal
O século XX foi marcado por profundas transformações sociais e culturais que impactaram diretamente a vida familiar e a espiritualidade cristã. Nesse contexto, destaca-se a figura do Padre Henri Caffarel, sacerdote francês cuja missão pastoral contribuiu de forma decisiva para a valorização do matrimônio como caminho de santidade. Nascido em 30 de julho de 1903, em Lyon, na França, Padre C affarel foi ordenado sacerdote em 1930 e, desde cedo, demonstrou sensibilidade especial para a direção espiritual. Sua trajetória ganhou um novo rumo em 1938, quando um grupo de casais o procurou em busca de orientação para viver o casamento à luz da fé cristã. Dessa experiência nasceram as Equipes de Nossa Senhora, que vêm se expandindo por diversos países, tornando-se um dos mais importantes Movimentos de Espiritualidade Conjugal da Igreja Católica. A proposta do Padre Caffarel era simples e, ao mesmo tempo, profundamente inovadora e transformadora: reconhecer o matrimônio como uma vocação, um caminho legítimo de encontro com Deus. Em uma época em que
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a espiritualidade era frequentemente associada à vida religiosa ou sacerdotal, ele enfatizou que os casais também são chamados à santidade, vivendo o amor conjugal como reflexo do amor divino. Assim, introduziu práticas que vieram a ser os nossos Pontos Concretos de Esforço: a Oração Conjugal, Escuta da Palavra, Dever de Sentar-se, Meditação, Regra de Vida e Retiro. O legado do Padre Caffarel permanece atual e necessário. Em um mundo marcado pela fragilidade dos vínculos e pelas crises familiares, sua proposta continua a oferecer um caminho sólido de espiritualidade, centrado no amor, na fidelidade e na presença de Deus no cotidiano. As Equipes de Nossa Senhora, hoje presentes em mais de 90 países, testemunham a força de sua intuição pastoral e a fecundidade de sua missão. Mais do que fundador de um Movimento, Padre Caffarel compreendeu o matrimônio não apenas como realidade humana, mas como sacramento de amor. Sua vida e obra inspiram milhares de casais a viverem sua vocação com profundidade, fé e esperança. Para alegria dos equipistas em todo o mundo, em 23 de março de 2026 foram reconhecidas suas virtudes heroicas e, por decreto, o Papa Leão XIV concedeu-lhe o título de Venerável.
Jussara e Daniel Chacon ENS Auxiliadora João Pessoa/PB Província Nordeste I CM 573
REDESCOBRINDO O CONHECIMENTO
“Sede praticantes da Palavra, e não meros ouvintes” (Tg 1,22) A pedagogia do Movimento apoia-se em três pilares fundamentais que constituem meios de aperfeiçoamento espiritual. Dentre eles, destacam-se os Pontos Concretos de Esforço, os quais correspondem a atitudes interiores que precisam ser despertadas e assimiladas para levar a uma nova maneira de viver. De todos os Pontos Concretos, o primeiro é a Escuta da Palavra. O casal se compromete a diariamente reservar um tempo para a Meditação da Palavra. De fato, significa um verdadeiro exercício mental, pois exige tempo, horário e local fixo que favoreça um ambiente de silêncio adequado a fim de escutar e meditar a Palavra de Deus e deixar que ela produza frutos ao longo do dia. Em tempos de distração acentuada, dificuldade com o silêncio, ruídos internos e externos, o filósofo Byung-Chul Han chama a atenção para o problema do “excesso de informação que definha o pensamento” e a “incapacidade de escolher entre o essencial e o não essencial”. Uma forma de superar esse desafio é o esforço diário que conceda um espaço de silêncio e possibilite a intimidade com Deus a partir da Meditação de sua Palavra. A Escuta da Palavra de Deus não é apenas o cumprimento de um dever, mas uma necessidade essencial que alimenta a vida espiritual e favorece o conhecimento da vontade de CM 573
Deus para si e para o casal. A fidelidade a este PCE auxilia o equipista no crescimento pessoal e espiritual, consolidando uma transformação gradual na forma de pensar e de agir. A Igreja, desde sempre, ensina aos fiéis a prática da leitura orante da Bíblia, conhecida também como Lectio Divina. É um modo de ler e meditar a Palavra de Deus focado no diálogo íntimo com Deus. Quatro etapas são fundamentais: Ler, Meditar, Orar e Contemplar. Cada etapa exige tempo necessário para que a Lectio Divina seja fecunda. Embora o Movimento não indique diretamente esta prática, ela é recomendada no sentido de fortalecer e aperfeiçoar a intimidade com Deus através da Escuta e da Meditação da Palavra. Não se deixar levar pelo cansaço, indiferença, falta de tempo e apatia é a atitude mais segura para a aquisição dos benefícios espirituais proporcionados por este PCE. Por isso, desejo que cada equipista se comprometa fielmente na vivência da Escuta da Palavra a fim de melhor conhecer e fazer a vontade de Deus em sua vida.
Frei Joelmi F. Gomes SCEP Nordeste I
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EVENTOS CATÓLICOS
Equipes de Nossa Senhora estreiam na ExpoCatólica de espiritualidade conjugal das Equipes de Nossa Senhora. Por meio de conversas e materiais informativos, muitos visitantes puderam conhecer a vida em equipe e descobrir que o matrimônio pode ser vivido como verdadeiro caminho de amor, fé e santidade. O espaço também divulgou a vida e o pensamento do Venerável Pe. Henri Caffarel, fundador do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, e a I Jornada Nacional Pe. Henri Caffarel, que será realizada em setembro.
Entre os dias 23 e 26 de julho, as Equipes de Nossa Senhora participaram, pela primeira vez, da ExpoCatólica, um dos maiores encontros do segmento católico no Brasil. Realizada no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a 19ª edição reuniu, segundo a organização, cerca de 70 mil visitantes e 260 expositores. A convite da Pastoral Familiar, nosso Movimento integrou a Tenda das Famílias, espaço de acolhida e comunhão entre diferentes iniciativas dedicadas à evangelização dos casais e das famílias. Durante os quatro dias, estivemos no atendimento ao público, apresentando o Carisma, a pedagogia e a proposta
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Além daqueles que tiveram o primeiro contato com o Movimento, a tenda recebeu equipistas de diferentes lugares, casais, sacerdotes, religiosos e lideranças eclesiais. Cada visita se tornou oportunidade de um alegre encontro, escuta e partilha, revelando a riqueza da comunhão entre os diversos carismas da Igreja. Essa estreia mostrou a importância de levar as Equipes de Nossa Senhora para além de seus espaços habituais, tornando sua missão mais conhecida entre pessoas que já vivem a fé católica, mas ainda não conhecem a espiritualidade conjugal. Agradecemos à Pastoral Familiar pelo convite e pela acolhida, bem como aos equipistas que se colocaram a serviço. Que as sementes lançadas nesses quatro dias produzam frutos para os casais, para as famílias e para toda a Igreja. CM 573
EVENTOS CATÓLICOS
Equipes de Nossa Senhora em comunhão com a Igreja no Brasil
De 31 de julho a 2 de agosto estivemos, em nome das Equipes de Nossa Senhora, na XVIII Reunião Anual de Coordenadores e Dirigentes de Movimentos, Associações Laicais e Serviços Eclesiais, promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB. O encontro reuniu representantes de 14 diferentes carismas e realidades eclesiais do país em momentos de oração, formação, escuta, partilha e convivência. As reflexões abordaram a Exortação Apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV, que fala do amor aos pobres que nasce do amor de Deus; as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) e os caminhos missionários propostos para a Igreja. Houve também espaço para conhecer os movimentos presentes, dialogar sobre as realidades vividas pelo povo e construir coletivamente uma carta oficial do encontro. Para a Super-Região Brasil, participar desses espaços representa muito mais do que uma presença institucional. É renovar concretamente nossa pertença à Igreja. O Movimento não existe isolado nem é autossuficiente: fazemos parte de uma Igreja viva, CM 573
missionária e atuante, que caminha em comunhão com seus bispos e com as diversas expressões do laicato. Essas ocasiões também permitem apresentar as Equipes de Nossa Senhora a pessoas e organismos que, muitas vezes, ainda não conhecem nosso Carisma e nossa missão junto aos casais. Ao mesmo tempo, ajudam-nos a escutar, aprender e colaborar com outras realidades eclesiais. No início deste ano, já havíamos participado de um encontro com a Comissão Episcopal para a Vida e a Família. Agora, estivemos junto à Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, em ambas as ocasiões com a presença de seus bispos referenciais. São momentos muito significativos, que reafirmam o compromisso das Equipes de Nossa Senhora de permanecerem unidas à CNBB, voz da Igreja no Brasil, e de contribuir para a comunhão e a missão de todo o povo de Deus.
Érica e Wilson CR Comunicação SRB
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MEDITANDO EM EQUIPE
Cinco minutos que reconstroem uma vida conjugal No seu livro O Amor e a Graça, Pe. Henri Caffarel conta a história de uma jovem que, antes de se casar, reservava diariamente um tempo para a leitura da Palavra e meditação. Depois do casamento, permaneceu fiel à sua vida cristã: continuava a confessar-se regularmente e a cumprir os preceitos da Igreja. No entanto, quase sem perceber, abandonou a leitura espiritual e a meditação. Quando o Padre Caffarel lhe dizia que sua vida cristã estava enfraquecendo, ela respondia sempre da mesma maneira, erguendo uma espécie de barreira formada pelas exigências incontestáveis do cotidiano: “Bem se vê que o senhor não é mãe de família que está envolvida com mamadeira, mingau, berço...”. Conhecemos essa mulher. Na verdade, quase todos nós somos essa mulher, embora hoje a barreira que nos impede de cultivar a vida interior seja construída com tijolos mais modernos: reuniões, prazos, notificações, o grupo da escola, o cansaço que chega ao fim do dia. A objeção continua sendo a mesma; apenas mudou de linguagem. No fundo, ela sempre diz a mesma coisa: não tenho tempo. Pe. C affarel diagnosticou, com uma imagem inesquecível, o mal daquela jovem: sua vida cristã “se estiolava desde que ela já não a alimentava”. Estiolar-se é a palavra usada pelos jardineiros para descrever a planta que, privada de luz, cresce pálida e sem vigor. É um mal silencioso: não o pecado escandaloso, mas o enfraquecimento quase imperceptível de quem reduziu a fé à prática exterior e deixou de encontrar-se, pessoalmente, com o rosto de Cristo. Essa é, talvez, a doença mais comum entre os cristãos fiéis. E a nossa, como casais equipistas.
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O que impressiona não é o diagnóstico, mas o remédio. Diante da resistência daquela jovem casada, Pe. C affarel não repetiu o argumento que tantas vezes já lhe havia apresentado sem resultado. Fez algo surpreendente: mandou-a ir a uma papelaria comprar um lápis vermelho. Depois, deulhe três orientações, todas muito simples: escolher um lugar fixo, onde o Evangelho e o lápis estivessem sempre à mão; dedicar um tempo exato – “cinco minutos, nem mais nem menos”; e seguir um método, um fio condutor: escolher um tema da leitura e sublinhar, com o lápis vermelho, tudo o que, dia após dia, estivesse relacionado com o tema escolhido. Está aqui, por inteiro, a sabedoria pastoral do nosso Fundador. Pe. C affarel não propõe um ideal abstrato; propõe um gesto concreto. Introduz a oração pela mesma porta por onde entra a mamadeira: a porta do cotidiano. E estabelece um limite que parece quase um escândalo – proibir o excesso de fervor! –, mas que guarda o segredo de toda perseverança: a fidelidade se sustenta pela medida, não pela ambição. Uma Regra de Vida pequena, mas vivida com constância, santifica; uma regra grande, mas abandonada, produz apenas culpa. Quantas vezes, em nossas equipes, confundimos o desejo de fazer muito com a graça de perseverar? O tema escolhido por aquela jovem foi a educação dos filhos: ela buscava no Evangelho um guia para sua missão de educadora. Sem o saber, repetia o gesto de Nossa Senhora, que “guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19). Meditar não significava fugir das CM 573
MEDITANDO EM EQUIPE
mamadeiras, mas acolher a única coisa necessária em meio às muitas preocupações que inquietavam Marta (Lc 10,4142). Durante meses, dedicou cinco minutos por dia a essa tarefa. Com o lápis na mão, leu, sublinhou e copiou em fichas as passagens que encontrava, até que um dia apresentou a Pe. C affarel, radiante, o seu “pequeno tratado de educação segundo o Evangelho”. O dever havia se transformado em paixão. E aqui está o essencial: começou por obediência e continuou por amor. É sempre assim. Não esperemos sentir vontade para começar; comecemos, e o desejo nascerá do fruto. O desfecho dessa história é o que mais nos interessa como equipistas. Aquela paixão transbordou para a família. O filho de oito anos, Guy, tornou-se “perito nas ciências evangélicas”. Durante uma refeição, ele perguntou a Pe. Caffarel quantas espécies de animais aparecem no Evangelho. O padre respondeu, seguro de si: “Uma dúzia”. Guy, porém, corrigiu-o imediatamente: “Não, há trinta!”, e começou a enumerá-las, uma após outra. Pe. Caffarel confessa, com bom humor, sua “amarga confusão” diante da “deliciosa desforra” da mãe. Assim, o Evangelho se cumpre: aquilo que ficou escondido aos sábios e prudentes foi revelado a um pequenino (Mt 11,25). Reparemos: o menino não foi apenas instruído; foi contagiado. Aprendeu porque viu a mãe apaixonar-se pelo Evangelho. Eis uma das leis da Igreja doméstica, que o Concílio Vaticano II proclamaria e que Pe. C affarel já vivia: os filhos herdam menos os nossos discursos do que os nossos afetos verdadeiros. Um lar em que há, sobre a mesa, um Evangelho gasto pelo uso educa mais do que mil exortações. A santidade dos esposos torna-se apostólica por simples transbordamento. CM 573
Como equipes, temos diante de nós um caminho muito concreto. Que cada um compre o seu “lápis vermelho” e assuma “os cinco minutos diários – nem mais, nem menos”. Que os cônjuges escolham juntos um tema para a semana e levem ao Dever de Sentar-se aquilo que cada um sublinhou, perguntando-se: o que esta Palavra pede à nossa vida de casal e à educação dos nossos filhos? E que, todos os dias da semana, troquem os primeiros cinco minutos no celular, ao acordar, por cinco minutos com o Evangelho e descubram, sem julgamento, o que essa pequena fidelidade transforma em suas vidas. Pe. Caffarel conclui com uma pergunta e uma promessa. A pergunta é esta: “Mesmo numa vida sobrecarregada, credes que isso seja impossível?” Ele não acreditava ser impossível. E, honestamente, nós também não podemos acreditar, quando colocamos ao lado do tempo que dizemos não ter o tempo que, de fato, passamos diante das telas. A promessa é o coração de tudo e resume a espiritualidade desse homem que a Igreja declarou Venerável: “O Evangelho tornar-se-á o vosso grande amigo”. Não uma tarefa a mais, mas um amigo: Aquele que caminha ao nosso lado pela estrada de cada dia e faz arder o nosso coração enquanto nos explica as Escrituras (Lc 24,32). Tudo começa com um gesto simples: uma ida à papelaria, cinco minutos por dia e um lápis vermelho.
Padre Antônio Cesar Torres SCE Carta Mensal
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NOTÍCIAS
CENTENÁRIO
29 julho 2026
Dom Heitor de Araújo Sales
Bispo Emérito da Arquidiocese de Natal SCE ENS N. S. de Fátima, Natal/RN Província Nordeste I
BODAS DE PRATA
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setembro 2026
Equipe Nossa Senhora dos Aflitos Setor: Parelhas A / Região RN II Província Nordeste I
27
julho 2026
Bené e Francisco ENS da Medalha Milagrosa Santana do Acaraú/CE Província: Nordeste
BODAS DE OURO
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dezembro 2025
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Ana Maria e Silvio ENS da Salette
São José dos Campos/SP
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NOTÍCIAS
VOLTA AO PAI
Roberto Carlos Gomes Pereira 02/07/2026 ENS das Vitórias, Província Nordeste II
Pe. Aminadabi N. Silva 27/08/2026 SCE ENS Perpétuo Socorro Grajaú/MA Província Nordeste I
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Segundo o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “celebrar o cinquentenário do Mês da Bíblia significa para toda nossa Igreja no Brasil o primado da Palavra de Deus”. Que “o anúncio da Palavra de Deus se torne, portanto, nesse caminho do Mês da Bíblia, a reafirmação do compromisso e a efetivação da missão de colocar a Palavra de Deus em primeiro lugar na vida da Igreja, na vida da família, na vida da comunidade de fé e na vida pessoal de cada um de nós”. A Palavra de Deus é viva, não morre nem envelhece, permanece para sempre. Está viva e dá vida. A Palavra, de fato, traz ao mundo o respiro de Deus, infunde no coração o calor do Senhor através do sopro do Espírito. A Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus, movidos e assistidos enquanto escreviam. A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância. O cristianismo é a religião da Palavra de Deus. Fonte: https://www.cnbb.org.br/ o-mes-da-biblia-2/
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