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ENS - Carta Mensal 571 - Maio/Junho 2026

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Índice

EDITORIAL 1

SUPER-REGIÃO BRASIL

Venerável Padre Caffarel: um dom para a Igreja! 2

Vida de santidade

Milagre e Graça

SUPER-REGIÃO BRASIL

Encontro Nacional para Novos Responsáveis

Capítulo 3: Incompletude e gratuidade

Capítulo 4: Vocação do amor 9

DATAS DO MOVIMENTO

I Jornada Nacional Pe. Henri Caffarel 10 13 de maio: sob o olhar de Maria, um caminho de santidade conjugal 11 O casamento de Nancy e Pedro Moncau (1936)

DATAS COMEMORATIVAS

CATÓLICA Ascensão do Senhor

A cada reunião um novo Pentecostes

Coração que observa, compreende e tudo guarda com amor

Amor que é muito mais que o amor”

Santo Antônio 22

São Pedro e São Paulo Apóstolos 23

O coração: lugar da unidade interior e do discernimento ..................................................... 24

Em comunhão, a serviço da Igreja 25

CONSELHEIROS NA CARTA MENSAL

Não é possível ser pastor senão se deixando impregnar pelo “cheiro das ovelhas” 26

PARTILHA E PCE

Dever de Sentar-se: “Diálogo que fortalece o casal” 27

Dever de Sentar-se: “Diálogo de Amor” 28

Do Dever ao Prazer de Sentar-se 29

DESCOBRINDO O CONHECIDO

Regra de Vida ....................................................................................................................................................

Expor-se ao sol de Deus: a mística do Retiro nas ENS 31

PARTILHA E PCE

A maturidade espiritual: 21 anos de encontros sob o olhar de Deus 32

REFLEXÃO EM EQUIPE

O amor na prática: a mística do cotidiano segundo o Padre Henri Caffarel 33

ACESSE CARTA MENSAL ÁUDIO:

T Í C I A S publicado somente na CM DIGITAL acesse pelo site ens.org.br CM 571

no 571 edição maio/junho 2026

Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro na “Lei de Imprensa” N° 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil – CR Super-Região Brasil Rose e Rubens; Equipe Editorial: Responsáveis: CR Carta Mensal Mirna e Sildson; Conselheiro Espiritual: SCE Carta Mensal: Pe. Antonio C. Torres; Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb.17622), para distribuição interna aos seus membros. Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais – Rua Tefé, 192 – Perdizes, São Paulo/SP – Fone 11 97574-9718 – e-mail: novabandeira@novabandeira.com – Responsável: Ivahy Barcellos; Revisão: Jussara Lopes; Diagramação, Preparação e Tratamento de Imagem: Douglas D. Rejowski; Imagens: (Freeimagens/Pxhere/Unsplash/CanStockPhoto/Canva). Tiragem desta edição: 28.000 exemplares. Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS – Carta Mensal, Av. Paulista, 352, 3° Conj. 36, CEP: 01310-905, São Paulo/SP ou através de e-mail: cartamensal@ens.org.br a/c Mirna e Sildson.

IMPORTANTE: consultar instruções antes de enviar o material – pedimos que acessem as instruções na aba/acesso Carta Mensal do site das Equipes de Nossa Senhora (www.ens.org.br).

Caríssimos irmãos equipistas, Paz e bem.

Nesta edição da Carta Mensal, nosso coração transborda de gratidão e esperança. Vivemos um tempo de graça singular para o Movimento: a Igreja reconheceu as virtudes do Padre Henri Caffarel, declarando-o Venerável, e nos prepara, como família equipista, para a I Jornada Nacional do Padre Caffarel, que acontecerá em setembro de 2026, em Itaici, lugar marcado pela sua presença em visita ao Brasil.

Ao longo destas páginas, somos convidados a contemplar a santidade não como privilégio de poucos, mas como chamado concreto para cada casal, vivido no cotidiano da vida conjugal e familiar. Os artigos sobre a vida dos santos, sobre o processo de canonização e sobre as virtudes do próprio Padre Caffarel nos recordam que Deus continua agindo na história, por meio de homens e mulheres que se deixaram moldar pelo Seu Amor. Olhar para o Venerável Padre Caffarel é redescobrir que o matrimônio é, verdadeiramente, “um Amor que é muito mais que o amor”, vocação de entrega, unidade e missão.

Esta edição também aprofunda o tema anual a partir dos capítulos 3 e 4 do livro “O Amor é muito mais que o amor”, ajudando-nos a acolher nossa pobreza radical e nossa incompletude como lugar de encontro com Deus e com o cônjuge. Longe de ser fraqueza, reconhecer que precisamos um do outro é caminho de maturidade cristã. A vocação do amor nos remete à sua verdadeira fonte: Deus, que é Amor e que chama o casal a beber continuamente em Seu Coração, para que o relacionamento conjugal se torne sinal vivo de Sua presença no mundo. Falando no Coração de Jesus, nos remete a mais uma partilha do Padre Daniel sobre a Encíclica Dilexit nos

Os Pontos Concretos de Esforço aparecem, nesta Carta, como estrada segura para essa caminhada de santidade: Dever de Sentar-se, Oração Conjugal, Regra de Vida e Retiro Anual são apresentados com profundidade teológica e com testemunhos concretos que mostram seus frutos na vida real dos casais. Descobrimos, assim, que o diálogo que cura, o silêncio que escuta, a regra que orienta e o retiro que “expõe ao sol de Deus” são verdadeiras graças colocadas ao nosso alcance. As datas do Movimento, as festas litúrgicas e as comemorações civis – como a Ascensão do Senhor, Pentecostes, Nossa Senhora de Fátima, a Visitação de Nossa Senhora, os Santos Juninos, o Casamento de Dona Nancy e Pedro Moncau, o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, entre outras – são revisitadas à luz da espiritualidade das Equipes de Nossa Senhora, convidando-nos a viver cada tempo com um olhar pascal, eucarístico e mariano. Que esta Carta Mensal ajude cada casal a renovar o seu “sim” e a deixar-se conduzir pelo Espírito Santo, na escola do Venerável Padre Henri Caffarel, para que, juntos, possamos ser luz nas famílias e na Igreja. Por fim, queremos convidar cada casal a preparar um Dia dos Namorados especial, revivendo com gratidão os momentos que marcaram a caminhada conjugal. Celebrar a vida juntos é também celebrar o Amor que Deus nos confiou no sacramento do matrimônio.

Fiquem com Deus, fiquem bem!

Mirna e Sildson CR Carta Mensal

Venerável Padre Caffarel: um dom para a Igreja!

Queridos equipistas, paz e bem!

Com profunda alegria e gratidão a Deus, acolhemos a notícia de que, no dia 23 de março de 2026, o Padre Henri  Caffarel foi declarado Venerável pela Igreja. Esse reconhecimento evidencia a autenticidade de sua vida de fé, sua docilidade à ação do Espírito Santo e a fecundidade de sua missão junto aos casais. Para todos nós, trata-se de um marco significativo, histórico, que nos convida a redescobrir, com renovado ardor, nosso carisma fundacional e a seguirmos persistentes em nossas orações, pedindo a intercessão do Venerável Padre Henri Caffarel, para que, pela graça de Deus, possamos alcançar graças e, se for de Sua vontade, a cura que, aos olhos humanos, possa parecer impossível, mas que, para Deus, tudo é possível. Assim, confiantes na ação divina, poderemos avançar nas etapas do processo de Canonização, na esperança de que sua vida e testemunho sejam plenamente reconhecidos pela Igreja como modelo de santidade. Para a Igreja, esse reconhecimento é um testemunho de que a santidade se constrói no cotidiano, especialmente na vida matrimonial, vivida com fidelidade e amor.

No mês de junho, em que celebramos o Dia dos Namorados, somos convidados a renovar e aprofundar o amor pelos nossos cônjuges. Um amor que teve sua origem no encontro e na escolha mútua, e que, ao longo dos anos, foi sendo fortalecido e amadurecido pelas alegrias e desafios da vida. Possamos revisitar essa história com gratidão, permitindo que a graça divina reacenda em nós o primeiro amor,

agora enriquecido pela experiência e pela perseverança. À luz do tema deste ano, somos chamados a deixar que o Amor, dom de Deus, nos conduza, sustente e santifique, para que nosso matrimônio seja plenamente vivido, acolhendo as graças que o sacramento nos confere.

Gostaríamos de trazer uma reflexão do sentido profundo de nossas reuniões de equipe. Ao nos reunirmos em nome de Cristo (Mística), é essencial que tenhamos plena consciência de Sua presença viva entre nós. Nossas reuniões ultrapassam a dimensão de um simples encontro entre amigos: somos irmãos que se ajudam (Mística), partilham suas vidas, em um verdadeiro espaço de comunhão, escuta, respeito, onde, no testemunho (Mística), somos chamados a crescer, a nos complementar e a caminhar juntos rumo à santidade. Que nossas equipes sejam lugares de acolhida, caridade e perdão, onde cada membro se sinta amado e chamado à conversão. E, se necessário, que saibamos exercer, com caridade, a correção fraterna, como expressão de amor que nos ajuda a retomar o rumo e a perseverar na caminhada.

Pela intercessão de nossa Mãe Maria, sigamos firmes e perseverantes, vivendo com alegria e responsabilidade a vocação à qual todos fomos chamados.

Rose e Rubens CR SRB

Vida de santidade

Olá, queridos casais das Equipes de Nossa Senhora, irmãos conselheiros e acompanhantes. Espero que todos estejam bem. Estou rezando por todos! Na alegria que tivemos no dia 23 de março de 2026, quando o Pe. Henri Caffarel é declarado Venerável, pensei em refletir sobre a vida dos santos. Na Igreja os santos não são “heróis” distantes ou figuras lendárias. São pessoas reais, que viveram em épocas e contextos diferentes, mas que tiveram algo em comum: buscaram amar a Deus e ao próximo de forma extraordinária. Cito alguns exemplos: São Francisco de Assis, que viveu a pobreza e o amor à criação, ou São João Paulo II, que evangelizou o mundo contemporâneo. A Igreja Católica não declara alguém de forma superficial, existe um processo rigoroso chamado canonização, que investiga profundamente a vida da pessoa. A Igreja analisa escritos, testemunhos e ações da pessoa, verificando se viveu a fé, a esperança e a caridade, de modo heroico. Normalmente são necessários milagres atribuídos à intercessão do candidato, esses milagres passam por análises médicas e científicas, após essa etapa o Papa declara oficialmente que aquela pessoa está no céu e pode ser venerada como exemplo universal. A veracidade do reconhecimento dos santos não se baseia somente em fé, mas também em investigações históricas. A Igreja busca ter certeza moral, antes de pôr como modelos para todos os fiéis. A vida dos santos deve apresentar coerência. Eles viveram o que ensinaram, muitas vezes enfrentando perseguições, deixando marcas profundas na história. Assim vemos que a santidade é possível para todos. Não é algo reservado a poucos escolhidos, mas um chamado a todos os cristãos. Falar da vida dos santos é falar da ação de Deus na história humana. A Igreja, ao reconhecê-los oficialmente, não “cria” santos, mas reconhece aquilo que

Deus já realizou neles. Eles são como luzes ao longo do caminho, mostrando que viver o Evangelho não é uma teoria, mas uma realidade concreta e possível. Quando falamos da vida dos santos não estamos apenas lembrando histórias vividas do passado. Estamos falando de vidas reais, concretas, que mostram que Deus continua agindo na história humana. A Igreja tem um cuidado muito grande com o processo de canonização, é longo e criterioso, podendo levar décadas ou até séculos, ele existe justamente para garantir que não haja engano ou exagero. Cito aqui as etapas para a Igreja reconhecer e canonizar uma pessoa a ser santa: - Servo de Deus: começa-se investigando a vida da pessoa; seus escritos, atitudes, testemunho de quem conviveu com ela. - Venerável: a Igreja reconhece que aquela pessoa viveu de forma heroica. - Beato: é necessária a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão. Queridos casais, diante dessa breve reflexão vemos que todos nós devemos ser santos, como Deus é santo, e nós do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, vivendo com profundidade os Pontos Concretos de Esforço, aprofundamos as nossas orações ao Venerável Pe. Caffarel, para que logo possa passar por essa etapa e ser reconhecido pela Igreja como Santo. Espero que essa pequena reflexão possa ajudar todos vocês a refletirem sobre a santidade e sempre buscarem o caminho que é Jesus, o qual o Venerável Pe. Caffarel o fez. Sem mais, desejo a vocês a paz do Senhor, fiquem com Deus, estou rezando por todos, um abraço fraterno.

Pe. Toninho

Milagre e Graça

Deus é o único senhor dos seus dons. No entanto, Ele gosta que lhe peçamos aquilo de que precisamos nas mais variadas áreas. Ele ama como um pai feliz por ver os seus filhos recorrerem a ele. De resto, não deixamos de rezar o “Pai Nosso”, a oração que o seu Filho nos ensinou. Por isso, sem reticências, sem medo de incomodar Aquele que não cessa de nos dar a vida, física e espiritual, peçamos o que quisermos, peçamos “sem timidez”, dizia o Padre Caffarel.

Peçamos para nós. Peçamos para outros. É a lei da caridade. No céu, o Padre Caffarel, na luz de Deus, não cessa de interceder por nós. Assim, a caridade circula entre o céu e a terra, entramos na comunhão dos santos.

A Igreja pede a Deus que faça um milagre que responda à intercessão do Padre Caffarel, para que ele possa ser beatificado. Um “milagre”, isto é, uma cura física, imediata, definitiva e inexplicável pela ciência.

Qual é a situação hoje? Recebemos regularmente relatos a que espontaneamente chamaríamos “milagres”, pois são belos, tocam a nossa fé e estão relacionados com um pedido de intercessão do Padre Caffarel. Mas os critérios de Roma são exigentes: nada pode ser contestável. Esses relatos que recebemos não podem ser considerados “milagres” no sentido estrito da Igreja. Que entender? O doente foi curado: será uma cura simplesmente explicável pela ciência? Onde estão o lugar de Deus e a intercessão do Padre Caffarel? Certamente, primeiro nos alegraremos pela boa saúde do antigo doente e daremos graças a Deus. Mas será que o Padre Caffarel não fez nada? No céu, é comum que Deus e os seus servos ao seu

redor ajam com discrição. Eles tornam-se cúmplices do trabalho da natureza. Contudo, os relatos do acontecimento pareciam-nos repletos da presença de Deus através da intercessão do Padre Caffarel. Compreendamos: as testemunhas que tanto rezaram por uma cura tinham razão e não podem ficar desapontadas. Não há “milagre”, mas há sim uma “graça” que foi concedida por Deus através da intercessão do Padre Caffarel. O doente e os seus familiares foram escutados por Deus e pelo seu servo. A cura torna-se não só uma libertação da doença, mas também um dom espiritual – que é a graça – para iluminar o antigo doente e os seus familiares: Deus está com eles e o seu servo, o Padre Caffarel, também. Recebem força para testemunhar o amor de Deus.

Deus concede-nos, de forma simples, discreta, mas magnífica, muitas graças! Quantas famílias invocaram o Padre Caffarel para o nascimento de um filho, para a cura de um amigo após um grave acidente, para a reconciliação de um casal… Se não é um milagre no sentido estrito, é uma graça que podemos atribuir à intercessão do Padre Caffarel, a quem tanto recorremos em oração. A fortiori, quantas graças recebemos nas nossas vidas que fazem do Padre Caffarel um companheiro de viagem rumo a Deus, um aliado na vida com os outros.

Essas graças de cura não milagrosas permanecerão gravadas nas nossas histórias. Elas também são importantes para o futuro da causa do Padre Caffarel, pois essas graças são o solo fértil em que irá germinar um “milagre”. Por outras palavras: Deus, que é amor e gosta que o invoquemos, vendo esses numerosos pedidos e essas graças já concedidas, fará um milagre por

intercessão do Padre Caffarel. O Evangelho diz bem: “É preciso importunar Deus” (Lucas 18,1-8). Devemos fazê-lo: primeiro, pela cura de um ente querido, mas também para que o nosso intercessor junto dele, o Padre Caffarel, seja cada vez mais conhecido, assim como a sua mensagem: a espiritualidade do matrimônio, da viuvez, o seu ensinamento sobre a oração; tudo isto contém riquezas para vivermos com Deus e com os outros. Esperamos um milagre, para o bem de todos os nossos irmãos humanos. Deus é o único senhor dos seus dons. Ele responde sempre no melhor momento para nós, e nós temos confiança. Deus nos ama... O Padre Caffarel não cessa de no-lo ensinar.

Pe. Paul-Dominique Marcovits, op Vice-Postulador BOLETIM romano de LIGAÇÃO Nº 37- janeiro 2026 - Associação dos Amigos do Padre Caffarel

Promulgação dos Decretos do Dicastério para as Causas dos Santos, 23 de março de 2026

Durante a audiência concedida a Sua Eminência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar os Decretos referentes a:

- A oferta da vida do Servo de Deus Ludovico Altieri, Bispo de Albano, Cardeal da Santa Igreja Romana, nascido em 17 de julho de 1805 em Roma, Itália, e falecido em 11 de agosto de 1867 em Albano Laziale, Itália; - As virtudes heroicas do Servo de Deus Edward Joseph Flanagan, sacerdote diocesano, fundador de Boys Town, nascido em 13 de julho de 1886 em Ballymoe, Irlanda, e falecido em 15 de maio de 1948 em Berlim, Alemanha; - As virtudes heroicas do Servo de Deus Henri Caffarel, sacerdote diocesano, fundador da Associação “Equipes Notre Dame” e do Instituto Secular “Fraternidade de Nossa Senhora da Ressurreição”, nascido

em 30 de julho de 1903, em Lyon, França, e falecido em 18 de setembro de 1996, em Beauvais, França; - As virtudes heroicas da Serva de Deus Estanislava Samulowska (nascida Barbara), freira professa da Sociedade das Filhas de São Vicente de Paulo, nascida em 30 de janeiro de 1865, em Woryty (atual Polônia), e falecida em 6 de dezembro de 1950, na Cidade da Guatemala, Guatemala; - As virtudes heroicas da Serva de Deus Maria de Belém do Coração de Jesus Romero Algarín (nascida Maria Dolores), freira professa da Congregação das Servas do Divino Coração, nascida em 7 de outubro de 1916, em Sevilha, Espanha, e falecida em 12 de novembro de 1977, em Sanlúcar la Mayor, Espanha; - As virtudes heroicas do Servo de Deus Giuseppe Castagnetti, fiel leigo e pai, nascido em 15 de março de 1909, em Montebaranzone, Itália, e falecido lá em 22 de junho de 1965.

Fonte: vaticanews.

Encontro Nacional para Novos Responsáveis

O ENNR, promovido pelo Movimento das Equipes de Nossa Senhora, ocorreu entre os dias 10 e 12 de abril, reunindo 178 casais que assumem a missão de serviço nas diversas províncias, regiões e setores do Brasil. O evento representou um momento de profunda comunhão, formação e fortalecimento da Espiritualidade Conjugal, um dos pilares fundamentais do Movimento.

Durante os três dias, os participantes vivenciaram uma programação intensa e cuidadosamente preparada, com missas diárias presididas pelo SCE SRB padre Toninho, que conduziu celebrações marcadas pela espiritualidade, reflexão e renovação do compromisso cristão

dos casais. As homilias reforçaram a importância da missão dos responsáveis como instrumentos de unidade, escuta e serviço dentro das equipes, além da transitoriedade que garante o zelo e a renovação do Espírito de Comunhão. Além das celebrações, o encontro contou com palestras formativas que abordaram temas essenciais para o exercício da responsabilidade no Movimento, destacando o papel do Casal Responsável como animador, articulador e testemunha de fé e unidade. As reuniões em grupo proporcionaram um espaço rico de partilha, onde os casais puderam trocar experiências, desafios e boas práticas vividas em suas respectivas

Províncias. Boas práticas que merecem ser compartilhadas e desenvolvidas em cada Setor.

Esse intercâmbio entre diferentes realidades da Super-Região Brasil (SRB) favoreceu uma visão mais ampla da missão, fortalecendo a unidade e o senso de pertencimento ao Movimento. A diversidade de experiências contribuiu para enriquecer o entendimento dos participantes, permitindo que cada casal retornasse às suas bases mais preparado e motivado.

O encontro também foi marcado por momentos de convivência fraterna, reforçando laços de amizade e confiança entre os casais, fundamentais para a caminhada em equipe. Ao final, ficaram evidentes

o entusiasmo e a disposição dos novos Casais Responsáveis em assumir com dedicação essa missão, confiantes de que, com o apoio da espiritualidade e da comunidade, poderão contribuir de forma significativa para o crescimento e fortalecimento do Movimento das Equipes de Nossa Senhora em todo o país. Assim, o Encontro Nacional para Novos Responsáveis se consolidou como um marco importante de formação, unidade e renovação, refletindo o compromisso das Equipes de Nossa Senhora com a missão de evangelizar e apoiar os casais na vivência plena do sacramento do matrimônio e a Espiritualidade Conjugal.

Super-Região Brasil

Capítulo 3: Incompletude e gratuidade

Onde a nossa pobreza encontra a plenitude do amor

No nosso caminhar sob a orientação “O Amor é muito mais que o amor”, chegamos ao terceiro capítulo. Após celebrarmos a alegria do encontro e a força da comunicação, somos conduzidos a uma reflexão que pode parecer contraditória: a descoberta da nossa incompletude. Em um mundo que exige autossuficiência e perfeição, reconhecer que somos incompletos parece fraqueza. No entanto, na caminhada das Equipes de Nossa Senhora, entendemos que isso não é falha de projeto, mas um requisito, uma condição essencial. Nosso cônjuge nos completa em nossas fragilidades, mas somente juntos, abertos à graça de Deus, nos tornamos um casal pleno, formando uma só carne e refletindo Sua imagem no mundo.

Padre Caffarel nos ensina que a descoberta da nossa própria “pobreza radical” é a chave que abre a porta para o amor verdadeiro. Se nos bastássemos a nós mesmos, se fôssemos seres fechados e plenos em nossa própria existência, não haveria espaço para o acolhimento do outro. É através das nossas carências, das nossas frestas e das nossas limitações que a comunhão se torna possível. Reconhecer-se incompleto é na verdade, um ato de humildade que permite ao cônjuge e ao próprio Deus, habitar o nosso coração. Neste capítulo, somos convidados a olhar para a dependência mútua sob uma nova ótica. Longe de ser um sinal de fraqueza, aceitar que precisamos um do outro é

sinal de maturidade cristã. Quando admitimos que o nosso cônjuge é necessário para a nossa santificação e felicidade, o amor deixa de ser um campo de forças para se tornar um terreno de gratuidade. O amor não se conquista por méritos ou por um esforço de perfeição; ele é um dom que se recebe. Muitas vezes, tentamos “barganhar” o amor do outro ou de Deus com as nossas boas obras, esquecendo de que a graça é, por definição, gratuita.

Para este mês, o nosso Dever de Sentar-se ganha um sentido especial. Desarmar o nosso coração e partilhar as nossas vulnerabilidades. Em vez de escondermos nossas fraquezas sob as “cinzas” do orgulho e da prepotência, vamos revelá-las como o lugar onde podemos exercitar o dom da humildade.

Que ao mergulharmos neste capítulo, descubramos a liberdade que nasce de ser dependente de Deus e um do outro. Como nos recorda Pe. Caffarel, a nossa insuficiência é o convite para a plenitude. Sejamos felizes em nossa incompletude, pois é nela que o Amor de Deus se realiza plenamente.

Marilda e Marcos CRP Sul I

Capítulo 4: Vocação do amor

A fonte do Amor cristão está em Deus

O capítulo 4 do livro “O Amor é muito mais que o amor” nos convida a redescobrir uma verdade essencial da vida cristã e da vocação matrimonial: o amor humano encontra sua fonte e plenitude em Deus. Não se trata apenas de um sentimento ou de uma afinidade entre duas pessoas, mas de uma vocação profunda, um chamado a viver e experimentar o amor que vem do próprio Deus.

O texto recorda que a fonte do amor cristão não está simplesmente no coração humano, mas em Deus, que é Amor. Foi Ele quem nos criou à sua imagem e semelhança e nos chamou a viver essa realidade na profundidade de nossas relações, especialmente no matrimônio. Assim, quando os esposos desejam aprender a amar cada vez melhor, o caminho mais seguro é aproximar-se de Deus e permanecer unidos a Ele.

Quanto mais os esposos se abrem a Deus, mais rica se torna a sua relação. Diante d’Ele, descobrem novas perspectivas, novas forças e novas razões para crescer no amor. O amor conjugal, alimentado pela presença de Deus, não é algo estático; ele é chamado a amadurecer, a renovar-se e a tornar-se cada vez mais profundo. Quando os esposos mantêm Deus no centro de sua vida, o amor se torna uma chama viva, capaz de atravessar as dificuldades e de crescer ao longo do tempo.

Por outro lado, o texto também nos alerta que muitas crises no amor acontecem quando se esquece esse princípio fundamental: afastar-se de Deus é, de certo modo, afastar-se da própria fonte do amor. Quando o casal perde essa referência, o amor pode enfraquecer, pois deixa de ser alimentado pela graça e pela presença de Deus.

Por isso, a vocação do amor pede uma atitude constante de busca e de abertura. O casal cristão é chamado a cultivar uma vida espiritual, a rezar, a escutar a Palavra e a confiar em Deus. É nessa comunhão com Ele que o amor humano encontra sua força, sua luz e sua esperança.

Para os casais das Equipes de Nossa Senhora, essa reflexão é um convite a renovar diariamente o compromisso de colocar Deus no centro da vida conjugal. Assim, o amor vivido no matrimônio torna-se sinal do próprio amor de Deus no mundo: um amor fiel, fecundo e sempre em crescimento.

Aleide e Paulo Ricardo CRP Leste II

Com grande alegria, o Movimento das Equipes de Nossa Senhora no Brasil se prepara para viver um momento especial: a I Jornada Nacional do Padre Henri Caffarel, de 18 a 20 de setembro de 2026, no Mosteiro de Itaici.

Neste ano em que recordamos os 30 anos da Páscoa de Padre Henri Caffarel, somos convidados a redescobrir e partilhar a riqueza de sua espiritualidade com toda a Igreja. Sua mensagem sobre o amor conjugal, a oração e o chamado à santidade; iluminando a vida de casais, famílias e todos os que buscam um caminho mais profundo de fé.

A escolha do local é significativa: foi ali que o Padre Caffarel esteve em sua terceira visita ao Brasil, em 1972. Agora, como família ENS, retornamos espiritualmente para renovar nossa vocação e missão.

A Jornada terá início com a Celebração Eucarística em ação de graças e reunirá membros da Igreja e do Movimento, do Brasil e do exterior, em um verdadeiro sinal de unidade e comunhão.

Estarão presentes importantes nomes da Igreja e do Movimento, como o Casal Responsável Internacional Mercedes e Alberto Pérez; o Pe. Paul-Dominique Marcovits, O.P., vice-postulador romano da Causa de Canonização; Danielle Waguet, colaboradora direta e executora testamentária do Padre Caffarel; Marie-Christine e François Genillon, ligados à Causa e à Associação “Os Amigos do Padre Caffarel”; e Sylvie e Patrice Mathé, responsáveis pelas Escolas de Oração na Europa; além de cardeais,

bispos, sacerdotes, conselheiros espirituais e representantes de pastorais familiares.

Ao longo dos três dias, viveremos uma rica programação formativa e espiritual, com conferências, testemunhos e momentos de oração que nos ajudarão a aprofundar a vida e o legado do fundador, a atualidade de seu pensamento para a Igreja de hoje, o chamado à santidade no matrimônio e o caminho de sua canonização. Também seremos enriquecidos por testemunhos de casais e experiências inspiradas nas Escolas de Oração.

Convidamos todos a participarem online, por meio de nossas redes sociais, unindo-nos a este grande momento de graça e comunhão.

Vivemos também um tempo de esperança: a Igreja reconheceu recentemente as virtudes heroicas do Padre Caffarel, declarando-o Venerável, o que nos incentiva a rezar e confiar ainda mais em sua intercessão.

Mais do que um evento, esta Jornada é um convite à renovação do nosso “sim” e à vivência alegre da missão que recebemos. “Para o amor verdadeiro não existe jamais o repouso.” Pe. Henri Caffarel – “Nas Encruzilhadas do Amor”, p. 113.

Kátia e Alexandre CR Causa de Canonização Pe. Caffarel

13 de maio: sob o olhar de Maria, um caminho de santidade conjugal

O dia 13 de maio ocupa um lugar singular na mística da Igreja e, de forma pulsante, no coração de cada equipista brasileiro. Nele, celebramos a memória de Nossa Senhora de Fátima que, em 1917, dirigiu à humanidade um apelo urgente à oração, à conversão e à fidelidade a Deus. Por um desígnio que só a Providência explica, essa mesma data marca também o florescer da primeira equipe das Equipes de Nossa Senhora no Brasil, em 1950, revelando uma profunda convergência espiritual. Não se trata de uma feliz coincidência de calendário, mas de um sinal de que a nossa caminhada como Movimento nasceu e se renova sob o manto protetor da Virgem do Rosário de Fátima.

As Equipes de Nossa Senhora brotaram na França, em 1938, sob a inspiração do Venerável Pe. Henri Caffarel, a partir do desejo de ajudar os casais a viver plenamente o matrimônio cristão. Pe. Caffarel compreendeu, com visão profética, que o amor conjugal é uma verdadeira vocação à santidade e que o casal é chamado a tornar visível, no mundo, o amor de Cristo. No solo brasileiro, essa espiritualidade deve muito ao testemunho de Nancy e Pedro Moncau, que assumiram com generosidade a missão de difundir essa proposta, tornando-se instrumentos para que muitos descobrissem a beleza da vocação matrimonial vivida em unidade.

Em um contexto contemporâneo marcado por inúmeros desafios à família, essa convergência torna-se ainda mais significativa, pois recorda que a vida a dois não é um caminho solitário, mas uma resposta sustentada pela graça e acompanhada pela presença materna de Maria. A mensagem de Fátima encontra profunda sintonia com a metodologia das ENS: ao insistir na oração perseverante, na conversão e na confiança, Nossa Senhora oferece um itinerário que dialoga diretamente com os Pontos Concretos de Esforço, como a escuta da Palavra, a meditação, a oração conjugal, Dever de Sentar-se e o Retiro Anual.

Assim, o dia 13 de maio é um convite para que cada casal, sob o olhar atento daquela que em Fátima convidou o mundo à transformação interior, continue a buscar a santificação do matrimônio. Que esta data renove em nós o compromisso de transformar o amor humano em um caminho concreto de fé, para que, sustentados pela espiritualidade das Equipes de Nossa Senhora, possamos ser luz no mundo e testemunhas da alegria do Evangelho.

Simone e Luiz CRR SP Capital I Província Sul I

O casamento de Nancy e Pedro Moncau (1936)

“Toda a história humana, aos olhos da fé, é uma história sagrada, onde aparece o dedo de Deus...” Pedro e Nancy Moncau conheceram-se em 1931 em Araraquara, cidade natal de Nancy, em um encontro de congregações marianas. Pedro, congregado e vicentino desde a juventude, cursava o 3º ano de medicina. Nancy era catequista e participava da Ação Católica. Foram cinco anos de namoro e noivado “com muitas correspondências e poucas visitas“. Tempo que se deram a conhecer um ao outro no firme propósito de construírem um lar cristão. Um lar sereno e modesto, tendo voltado para Deus os corações que nele habitam. Casaram-se em 1936. Não tiveram uma vida tranquila. Pedro não ambicionava fortuna, sentia-se satisfeito e largamente pago pela alegria das pessoas a ele confiadas, especialmente as mais pobres. “O necessário nunca nos faltou. Possuíamos até mesmo algum supérfluo”. Às dificuldades, as quais Pedro se referia como asperezas da vida, se propunham aplainar pelos esforços e afetos conjugais. Tiveram seis filhos. O preconceito da época não sufocou o amor e a dedicação ao segundo filho, nascido com síndrome de Down. Aceitaram a Vontade Divina, mesmo sem a compreensão dos desígnios de Deus. Armandinho voltou ao Pai aos 16 anos e, no ano seguinte, o casal adotou um bebê. Após 14 anos de casamento, veio a peça que faltava no quebra-cabeça. A preocupação com a família e a educação dos filhos levaram os congregados a fundarem o Centro D. Gastão, onde em 1949 conheceram o Pe. Desmarais, que diante da queixa de lhes faltar “algo mais“, contou sobre casais franceses ligados à revista L’Anneau d’Or que

perseguiam os mesmos objetivos. A partir desse dia, seu matrimônio se entrelaçou de tal forma ao Movimento que as equipes foram sua vida e sua vida foi a das equipes. Foram gratos pelo sacramento que os uniu; pela harmonia apesar das diferenças pessoais; pela fecundidade, com suas alegrias e encargos; por terem tido os instrumentos e apoios necessários para enfrentarem as adversidades e, com elas, aprendido a contar mais com a Providência Divina. Deixaram um legado de coerência, de firmeza e perseverança no objetivo proposto. Viveram profundamente o amor cristão conjugal e familiar, com simplicidade e humildade, na força da oração, da meditação e do estudo, na solidez da esperança e confiança na Providência Divina e no auxílio mútuo entre os casais.

Que a sua história de vida continue a levar casais a “tomarem consciência de suas responsabilidades, a se inquietarem pelo Reino de Cristo”.

Elizabeth e Rogério

CRS Alfenas/MG

Província Leste II

Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados, celebrado no dia 12 de junho, é muito mais do que uma data instituída pelo comércio para a troca de presentes. Para nós, cristãos, e de modo especial para os casais das Equipes de Nossa Senhora, essa data é um convite a contemplar e valorizar o amor como dom de Deus, chamado a ser cuidado, aprofundado e renovado a cada dia da vida.

O namoro é uma etapa essencial nesse caminho. Trata-se de um tempo privilegiado de conhecimento mútuo, no qual duas pessoas descobrem afinidades, aprendem a lidar com as diferenças e exercitam o diálogo, o respeito e a escuta. Vivido com maturidade e à luz da fé, o namoro torna-se um verdadeiro tempo de discernimento, preparando o coração para uma entrega mais plena, que pode conduzir ao sacramento do matrimônio, sinal visível do amor fiel, fecundo e comprometido de Deus pela humanidade.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, o matrimônio não encerra a fase do namoro. Ao longo da vida conjugal, os esposos são chamados a manter vivo o encantamento próprio desse tempo: a atenção dedicada ao outro, a ternura nos gestos simples, o cuidado cotidiano e a alegria de caminhar juntos. Quando esse encantamento é cultivado, o amor amadurece, aprofunda-se e se fortalece, mesmo diante das inevitáveis dificuldades e desafios da vida.

Como nos recorda o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade:

“O Dia dos Namorados, para mim, é todo dia. O dia 12 de junho, como qualquer outro, diz (e disso dou testemunho) que contigo sou feliz”. Essas palavras nos ajudam a compreender que o verdadeiro amor não se limita a datas especiais, mas se constrói na fidelidade do dia a dia.

A pedagogia das Equipes de Nossa Senhora oferece aos casais caminhos concretos para que esse amor permaneça vivo e fecundo. A Oração Conjugal, o Dever de Sentar-se, a Escuta da Palavra de Deus e a vivência fraterna em equipe ajudam a renovar diariamente o “sim” matrimonial, permitindo que o encantamento do namoro se transforme em um amor sólido, fiel e duradouro, alicerçado em Cristo.

Em um mundo marcado pela pressa e pela superficialidade das relações, os casais cristãos são chamados a ser testemunhas de que amar é uma decisão cotidiana, sustentada pela graça de Deus. Que o Dia dos Namorados seja, para todos os casais, uma oportunidade de agradecer a Deus pelo dom do amor e de renovar o compromisso de vivê-lo plenamente, com alegria e esperança, todos os dias da vida.

Aleide e Paulo Ricardo CRP Leste II

Dia das Mães

O Dia das Mães é uma oportunidade especial para reconhecer o amor mais puro e dedicado que existe: o amor materno. Ao celebrarmos essa data, é impossível não se lembrar de Maria, a mãe de Jesus, exemplo maior de fé, humildade e entrega.

Assim como Nossa Senhora, tantas mães carregam em seus corações uma força silenciosa e uma capacidade infinita de amar. Elas enfrentam desafios, fazem sacrifícios e, mesmo diante das dificuldades, permanecem firmes, guiadas pelo cuidado e pela esperança no futuro de seus filhos.

Maria disse “sim” com coragem e confiança, acolhendo sua missão com amor. Da mesma forma, cada mãe, ao longo de sua jornada, também diz “sim” diariamente: sim ao cuidado, à

proteção, à educação e ao amor incondicional. Em seus gestos simples, muitas vezes invisíveis, revelam uma grandeza que transforma vidas.

Neste Dia das Mães, celebramos não apenas o carinho e a dedicação, mas também a fé e a força que tornam cada mãe um reflexo do amor divino.

Que todas sejam reconhecidas, valorizadas e abençoadas, assim como Maria, que nos inspira a viver com amor, coragem e entrega.

Feliz Dia das Mães!

Mirna e Sildson
CR Carta Mensal

Ascensão do Senhor

A Solenidade da Ascensão do Senhor Jesus celebra a sua entrada no Céu expressando a conclusão da sua obra redentora e manifestando a fé eclesial de que o Crucificado foi glorificado pelo Pai e constituído Senhor e Cristo (cf. At 2,36). Este mistério revela, ainda, que ressuscitar não significa meramente voltar à vida, mas alcançar a vida plena, isto é, a perfeita comunhão com Deus, na vivência dos valores do alto, em um modo de existir que nunca se acabará.

O Prefácio I da Ascensão do Senhor reza assim: “Ele, nossa cabeça e princípio, nos precedeu, não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar a nós, membros do seu corpo, a confiança de um dia o seguirmos”. Portanto, a volta de Jesus para o Céu não é um ato de separação ou distanciamento de nós, mas evento salvífico que nos une mais profundamente a Deus para vivermos na Terra, desde já, a vida do Céu. Cristo que sobe ao Céu é a garantia de que nossa existência está enraizada na eternidade para florescer e frutificar aqui na história, fecundando-a e transformando-a.

Na Ascensão Jesus confia aos apóstolos a missão de mostrar que Ele continua atuando no mundo, através de seus amigos, pelo testemunho nascido da fé, pela fidelidade ancorada na esperança e pelos gestos de amor. O Evangelho desta solenidade traz as seguintes instruções para a missão dos discípulos de Jesus: 1) Ide e fazei discípulos meus todos os povos: a grande missão dos discípulos missionários de Jesus é despertar toda pessoa para o encontro com o Ressuscitado, SAINDO do lugar (conversão), e VIVENDO o que creem e pregam (testemunho); 2) Batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo: batizar

em nome da Trindade é “mergulhar” as pessoas no mistério trinitário inserindo-as na comunidade marcada pela acolhida, fraternidade, partilha e sinodalidade (caminhar juntos); 3) Ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei: pela fidelidade a Cristo na obediência e respeito ao Papa, aos bispos e às orientações do Concílio Vaticano II e do Magistério; 4) Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo: quem se coloca à disposição de Deus e serve os irmãos pode contar com a graça divina para dar os passos em vista da eficácia da missão.

Alegremo-nos porque o Senhor subiu ao Céu, como garantia de que também nós chegaremos lá, sobretudo pela vivência conjugal alicerçada no Amor que é muito mais que o amor e pela participação ativa no Movimento das ENS.

S. J. dos Campos/SP Província Sul I

Pe. Edinei Evaldo Batista SCER SP Leste I

A cada reunião um novo Pentecostes

Ao tratar de uma das Pessoas da Santíssima Trindade, sempre gosto de recordar suas responsabilidades para com cada um de nós. Nessas responsabilidades temos a oportunidade de recordar sempre que rezamos o terço. Nas três primeiras Ave Marias do terço, cada uma é oferecida em honra de algo que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fizeram ou fazem por nós.

A primeira Ave Maria é oferecida a Deus Pai, que nos criou, ou seja, que fez todas as coisas que conhecemos e também aquelas que ainda não conhecemos. A segunda Ave Maria é oferecida em honra ao Filho, que, ao vir ao mundo, nos salvou por sua paixão, morte e ressurreição.

A terceira Ave Maria, antes de iniciarmos a contemplação dos mistérios do dia, é oferecida em honra ao Espírito Santo, que nos santifica. Prestemos atenção ao verbo: santifica. A conjugação está no presente. Isso quer dizer que é Ele quem continua agindo em nós, movendo a Igreja.

A solenidade de Pentecostes nos ajuda a recordar justamente isso: o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é fonte de ação e graça para toda a Igreja. É

Ele o grande protagonista da evangelização. Estar em movimento, sustentado

pelo Espírito, é compreender-se também como uma obra em constante aperfeiçoamento; como um cristão equipista que necessita sempre mais da graça de Deus. É interessante perceber também que o cenáculo, esse mesmo lugar da experiência de Pentecostes, renova-se em cada reunião mensal que realizamos em nossas equipes de base. Maria está presente, assim como naquele dia; os discípulos também estão, na pessoa de cada cônjuge, e, enriquecidos pela presença do Conselheiro Espiritual, são visitados pelo Espírito Santo, que os convida a se movimentar pelo bem das almas, de suas famílias e da Igreja. Deus foi generoso conosco. Não nos deixou sozinhos, órfãos, quando seu Filho ascendeu aos céus. Ele enviou, para nos sustentar e acompanhar, o próprio protagonista da evangelização: o Espírito Santo de Deus.

Padre Jorge Luis SCER São Paulo Sul I Província Sul I

Nossa Senhora da Visitação

Em 31 de maio, a tradição da Igreja celebra a festa de Nossa Senhora da Visitação, que marca a vida do cristão. Trata-se de uma devoção inspirada no Novo Testamento, no Evangelho de São Lucas 1, 39-56. S. Lucas, aquele que não conviveu com Jesus, mas esteve muito próximo a Maria e dela ouviu e trouxe até nós muito da vida do Senhor. A festa foi instituída pelo Papa Urbano VI, em 1389, e mudada para a data atual pelo Papa Paulo VI, após o Concílio Vaticano II, no encerramento do mês dedicado a Maria.

São Lucas relatou que na Anunciação o Anjo Gabriel anunciou que Isabel, aquela que era estéril, estava grávida de João Batista, aquele que viria a ser o último dos profetas e o precursor do Senhor.

“Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas para as montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou em seu seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. E Maria disse: “Minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 39-42; 46-47).

Nos dias de hoje, poderíamos pensar na atitude de Maria ao visitar Isabel como uma coisa simples. Mas não foi! Nossa Senhora, jovem, em início de gestação, deslocou-se mais de 100 quilômetros para uma pequena vila, Ain Karim, que fica nas

redondezas de Jerusalém, numa região montanhosa.

O momento desse encontro foi registrado por São Lucas, provavelmente tendo ouvido de Maria, e ficou eternizado em nossas orações: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”, que se encontra na Ave Maria, e “Minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”, a oração do Magnificat que, do latim, significa glorifica.

Esse local existe, está lá, ainda hoje, preservado pela Custódia da Terra Santa. A capela onde São João Batista nasceu, a gruta com fonte de água onde Maria e Isabel se abasteciam e a bela Igreja de Nossa Senhora da Visitação, com a oração do Magnificat em dezenas de línguas, gravadas em suas paredes.

E por mais uma dádiva do Senhor, fomos tomados por um sentimento de profunda gratidão, uma sensação de pleno envolvimento, quando pudemos estar presencialmente em Ain Karim e rezamos em casal o Magnificat, naquele lugar onde o Novo e o Velho Testamento se encontraram pela primeira vez. Também nossa alma exultou no Senhor, que faz por nós maravilhas!

Mônica e Urbano CRR SP Leste I Província Sul I

Corpus Christi

A Solenidade de Corpus Christi nasceu no século XIII, fruto das visões de Santa Juliana de Mont Cornillon, que clamava por uma festa específica para a Eucaristia. Instituída oficialmente pelo Papa Urbano IV em 1264, por meio da Bula Transiturus, a celebração ganhou força com o milagre de Bolsena, onde uma hóstia sangrou sobre o corporal. Desde então, a Igreja sai às ruas para proclamar que Deus caminha conosco. Para nós, equipistas, esta solenidade é muito mais do que uma tradição de tapetes coloridos; é o momento de reafirmarmos que o centro da nossa fé é uma Pessoa que se faz Alimento. No contexto atual, marcado por um “analfabetismo afetivo”, o Corpo de Cristo surge como o mastro que sustenta a barca da família. O Papa Francisco insistia que adoração e comunhão são inseparáveis, ensinando que a Eucaristia cura porque nos une a Jesus e nos faz assimilar sua capacidade de se partir e de se dar aos irmãos. Para o casal das ENS, essa entrega deve se traduzir em hospitalidade cristã; nossa casa deve ser um prolongamento do altar, respondendo ao mundo não apenas no que cremos, mas em como amamos. Vivemos em uma sociedade de descarte

que, por vezes, penetra em nossos lares, e Francisco descrevia a Eucaristia como a “memória viva” que nos salva da amnésia do coração. Ao comungar, recebemos a transfusão do amor de Deus, força necessária para vivenciarmos nossos Pontos Concretos de Esforço. O Dever de Sentar-se, por exemplo, torna-se um momento litúrgico onde o diálogo é o pão partido entre marido e mulher.

Jesus não se escondeu em algo indestrutível, mas na fragilidade do pão que se esfarela, o que fala diretamente às nossas insuficiências como casais.

Muitas vezes nos sentimos “quebrados” pelas exigências da vida, mas Corpus Christi nos ensina que é justamente na nossa fragmentação que Deus opera o milagre da multiplicação. Quando entregamos o pouco que somos, Ele sacia a multidão. Por fim, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo nos empurra para fora; não podemos partir o pão do domingo se o coração estiver fechado ao irmão. Que este Corpus Christi não termine na procissão, mas se prolongue em nossos lares. Ser uma Equipe de Nossa Senhora é ser uma comunidade eucarística que sai do cenáculo com o compromisso de alimentar o mundo com a alegria do Evangelho. Que Maria, a “Mulher Eucarística”, nos ensine a transformar nossa vida em uma constante oferta de amor.

Pe. Washington Paranhos SCEP Leste II

Coração que observa, compreende e tudo guarda com amor

Falo do Coração de Maria, com a inspiração bíblica, onde o coração é o lugar de comunhão com Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração” (Mt 22,37). É no coração que humanidade e divindade se encontram e moldam a imagem que Deus revela de si. Coração é o lugar do amor. Vejamos a Mãe que leva o seu Filho e o apresenta ao Templo, como cumprimento do dever religioso. Segundo a lei, os pais apresentariam o primogênito ao Templo. Assim o fizeram, com a alegria de pais consagrando aquele menino ao Senhor. Esperavam que, ali, recebessem uma palavra cheia de bênçãos e de paz. Mas não foi assim. A palavra ouvida foi totalmente outra: “E uma espada de dor transpassará o teu coração” (Lc 2,35). Participar do plano de Deus quebra esquemas de comodidades do mundo para que a vontade de Deus seja obedecida integralmente. Ser escolhida para Mãe do Salvador não privou Maria da dor, mas tampouco a impediu de viver o amor.

Quaisquer que fossem os sonhos, o que acontecia não era como se desejava. Tudo ia para além do entendimento humano. A concepção do seu Filho se deu de modo “estranho”: nem tudo foi tranquilo, existia até mesmo o risco de ser denunciada. Teve a sua criança numa manjedoura por não encontrar lugar nas hospedarias. Teve que fugir logo cedo para não ter a sua criança morta pela maldade de alguém. Viveu a angústia de três dias por não saber

onde estava o seu Filho, quando da peregrinação ao Templo. E em tantas outras ocasiões. Mas, ainda sem compreender, estava ali a intuição de que em tudo aquilo era a mão de Deus que guiava a história. Por isso, “Maria conservava todas essas coisas, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19).

Talvez não tenhamos muito o que dizer das palavras de Maria, que são poucas, mas o que temos é o suficiente para revelar o quanto o seu Coração estava em comunhão com o Pai. Desde o anúncio do Anjo até receber nos braços o corpo morto do Filho, muitas são as expressões do afeto que vêm do seu coração, fazendo-a contemplar o Filho e vendo que, nele, Deus estava presente. E como obra de Deus, não lhe era possível resistir. Foi o seu coração, puro e imaculado, sem a mancha do pecado, que a fez acolher o Verbo Encarnado, amá-lo e obedecê-lo.

A devoção a Maria, mais do que obter favores para a nossa comodidade, seja para imitar as suas virtudes, a fim de termos um coração semelhante ao Seu, para chegar a ser semelhante ao coração do seu Filho Jesus.

Pe. José Tadeu Aguiar Lima SCER SP Centro I - Província Sul I

Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a “alma” que dá vida aos Pontos Concretos de Esforço (PCE). Na encíclica Dilexit nos, o Papa Francisco recorda que essa devoção não é um sentimentalismo do passado, mas resposta à “falta de coração” do mundo atual: somos chamados a ser o coração do mundo.

Para as Equipes de Nossa Senhora, os PCEs são o caminho concreto para que o coração do casal pulse no ritmo do Coração de Cristo.

Na Escuta da Palavra, buscamos os sentimentos do Coração de Cristo: a Bíblia não é apenas um conjunto de regras, mas uma carta de amor que orienta nossas decisões. Na Meditação e na Oração pessoal, repousamos no Coração de Jesus, permitindo que Ele transforme nosso coração de pedra em um coração humano moldado por Cristo.

O amor conjugal é sacramento, sinal visível do Amor de Cristo pela Igreja. Na Oração Conjugal, mergulhamos no Amor do Coração de Cristo e no coração do cônjuge, pedindo a purificação de tudo o que nos divide. No Dever de Sentar-se, vivemos a transparência: o Coração aberto de Jesus nos ensina a abrir o coração, perdoar e gerar vida nova.

A espiritualidade do Coração de Cristo é transformadora. A Regra de Vida expressa o desejo de conversão concreta, aproximando nosso coração do Coração de Jesus. O Retiro anual é convite à interioridade, um verdadeiro “check-up” do coração do casal diante de Deus. Os PCE cuidam do terreno do coração; sem eles, a devoção se torna abstrata, e sem o Sagrado Coração os PCE viram apenas tarefas. Tudo encontra unidade no Coração de Cristo.

Pe. Luiz Otávio

SCER Minas I

Província Leste II

“Um

Amor

que é muito mais que o amor”

No mês de junho a Igreja celebra solenemente a natividade de São João Batista, verdadeira manifestação de Deus ao povo de Israel e a nós. “Ambos eram justos diante de Deus e observavam todos os mandamentos e preceitos do Senhor”. Cumpre-se a promessa! Em Isabel (que significa Elizabete: juramento de Deus), Deus faz um juramento. Em Zacarias (que significa Deus se recordou) Deus se recorda do juramento que fez. E por fim, em João (que significa favor de Deus ou Deus é favorável), Deus realiza o juramento que recordou, eis o grande favor. O nascimento de João é narrado como cumprimento da fidelidade e da misericórdia de Deus para com este casal, para com o povo de Israel e para conosco. “João é o seu nome”. Todos ficaram pasmados, ao dizer Isabel. Não obstante os julgamentos, o extraordinário de Deus se realiza, cumprindo a profecia na ação do Espírito Santo, ao abrir a boca de Zacarias e soltar-lhe a língua. E ele falou, bendizendo a Deus. “Admoestados são, Isabel e Zacarias, seus pais, a dar graças, não menos pelo nascimento que pelo mérito

do filho. É dom divino, portanto, a fecundidade do pai. Deem graças, pois, os pais porque geraram; deem-nas os filhos porque foram gerados; as mães, porque se veem honradas com as recompensas do matrimônio, já que o soldo de sua milícia são os filhos”. A nossa existência não foi um acaso do destino, nem escolha de nossos pais, mas uma escolha de Deus! “O que virá a ser este menino? O que virá a ser você? O que virão a ser seus filhos? É verdade que para ser um filho com caráter depende, em boa parte, dos valores que são cultivados pelos pais. “E o menino crescia e se fortalecia em espírito”. Naturalmente os pais se admiram como seus filhos crescem rápido. Crescem em idade, sabedoria e graça? Como vocês têm cuidado do crescimento dos seus filhos, sobretudo espiritualmente?

Pe. Mateus Morais e Silva

SCE Setor Ituiutaba A Província Leste II

Santo Antônio

Santo Antônio nasceu em Lisboa, cerca do ano 1195, e faleceu em Pádua, em 13 de junho de 1231. É por causa dos locais do seu nascimento e morte que é conhecido como “Santo Antônio de Lisboa” ou “de Pádua”.

Ao celebrarmos a memória de Santo Antônio no dia 13 de junho, logo nos vem à mente sua fama de santo casamenteiro. Mas, hoje, quero trazer uma outra face deste santo: ele era UM HOMEM DA PALAVRA!

Santo Antônio foi um brilhante pregador, teólogo e é também doutor da Igreja. Iniciou sua caminhada religiosa como frade agostiniano, depois passou para a ordem dos franciscanos, em 1220. Apesar de sua fama de pregador eloquente e grande estudioso, teve uma vida humilde e era muito devoto do Menino Jesus.

A tradição de abençoar os “pães de Santo Antônio” vem do seu costume de distribuir alimentos aos menos favorecidos, o que lhe rendeu o título de “padroeiro dos humildes”.

Hoje, vamos pensar um pouco neste santo pregador, que com tanta eloquência, falava das Escrituras. Vemos, em tantos milagres atribuídos à sua intercessão,

que não apenas pregava, mas também vivia, bebia daquilo que falava... Isso me fez pensar nos PCE que nos convidam a escuta da Palavra e a meditação.

Como Santo Antônio, você também é um homem e uma mulher da Palavra, apaixonado por Deus e por sua Palavra? Há, realmente, no seu dia, um espaço para que a Palavra seja fecundada no seu coração? No seu dia a dia, costuma ecoar na sua mente algum versículo bíblico, algum texto ou história da Bíblia? Já vi muito católico que cita em suas redes sociais: coaches, frases de famosos aleatórios, frases de outras religiões, alguns santos, mas nunca cita a Palavra de Deus... Pergunto-me: será um sinal que não transborda porque não está dentro?

Olhar para Santo Antônio e ser devoto dele não é apenas rezar com fé sua novena; isso é honrável, claro. Mas é preciso pedir sua intercessão para imitar-lhe as virtudes. Abrir um pequeno espaço em nosso coração e em nosso tempo diário para ouvir ou ler trechos da Bíblia.

A Palavra precisa se tornar um “pão de Santo Antônio” para nós: alimento, fortaleza, frutificando em constância, sabedoria e caridade. Deus quer nos iluminar e nos orientar através da sua Palavra. Que Santo Antônio nos ajude na escuta e vivência da Palavra de Deus. Santo Antônio, rogai por nós!

Monte Sião/SP

Província Leste II

Pe. Valter Luis de Oliveira
SCE ENS da Medalha Milagrosa

Celebrar São Pedro e São Paulo é contemplar duas colunas da Igreja que, embora diferentes em história e temperamento, convergem na mesma missão: anunciar Jesus Cristo até as últimas consequências. São Pedro, pescador da Galileia, foi chamado diretamente por Jesus e constituído como a “rocha” sobre a qual a Igreja seria edificada. São Paulo, fariseu zeloso, perseguidor dos cristãos, teve sua vida transformada a partir do encontro com Cristo no caminho de Damasco.

A trajetória de São Pedro é marcada por um processo humano e espiritual profundo: do entusiasmo inicial à fragilidade da negação, até a confirmação no amor após a Ressurreição. Já São Paulo representa o dinamismo missionário da Igreja nascente: suas viagens, cartas e sofrimentos revelam um coração ardente pelo Evangelho.

Em uma breve linha do tempo, vemos São Pedro acompanhando Jesus, assumindo a liderança da comunidade em Jerusalém e, posteriormente, indo a Roma, onde entrega

São Pedro e São Paulo Apóstolos

sua vida no martírio. São Paulo, após sua conversão, percorre o mundo conhecido da época, fundando comunidades e fortalecendo a fé dos primeiros cristãos, também selando sua missão com o martírio em Roma. Para os casais das Equipes de Nossa Senhora, São Pedro e São Paulo são inspiração concreta. São Pedro ensina a confiança, mesmo na fragilidade; São Paulo recorda a coragem de recomeçar e de evangelizar no cotidiano. Ambos testemunham que a santidade se constrói na fidelidade a Deus e na entrega ao outro.

Assim, ao contemplarmos esses dois apóstolos, somos chamados, como batizados, a viver a fé com unidade, coragem e missão, fazendo do lar um espaço de comunhão e anúncio do amor de Cristo.

Pe. Lupércio Batista Martins

SCER SP Centro III Província Sul I

O coração: lugar da unidade interior e do discernimento

O saudoso Papa Francisco, em 24 de outubro de 2024, publicou a quarta encíclica de seu pontificado, intitulada Dilexit nos (“Ele nos amou”), na qual aprofunda o amor humano e divino revelado no Sagrado Coração de Jesus, convidando-nos a redescobrir o valor do “coração” em meio a um mundo marcado pelo consumismo, pelo predomínio da tecnologia e pelos dramas atuais, como os desequilíbrios socioeconômicos e as guerras. Este é o primeiro de uma série de quatro artigos que busca resgatar a importância do coração em nossa vida pessoal, conjugal e familiar, como equipistas, à luz desta encíclica. O primeiro capítulo, “A importância do coração”, recupera o sentido do termo kardía na tradição grega e bíblica, como sede do discernimento e da verdade interior. O Papa Francisco afirma que “o coração é igualmente o lugar da sinceridade, onde não se pode enganar ou dissimular” (Dilexit nos, n. 5). Ao analisar a sociedade contemporânea, o Papa Francisco descreve a fragmentação provocada pelo individualismo, a superficialidade das relações, bem como o narcisismo e a autorreferencialidade, como sintomas da “sociedade anticoração” (Dilexit nos, n. 17). Ao não se dar o devido valor ao coração, desvaloriza-se também o sentido de falar a partir dele, agir com ele, amadurecer e curá-lo. Como contraponto, Francisco propõe o retorno ao coração como lugar de unidade

interior, onde razão, vontade, imaginação e desejo se integram na busca do bem: “É necessário voltar a falar do coração; indica onde cada pessoa, de qualquer classe ou condição, faz a própria síntese; onde os seres concretos encontram a fonte e a raiz de todas as outras potências, convicções, paixões e escolhas” (Dilexit nos, n. 9).

O Papa Francisco enfatiza que o mundo pode mudar a partir do coração, possibilitando que as comunidades sejam capazes de unir e pacificar diferentes intelectos e vontades, e de nos relacionarmos uns com os outros de forma saudável e feliz. “O nosso coração unido ao de Cristo é capaz deste milagre social” ( Dilexit nos, n. 28).

Nessa busca de recuperar o sentido do coração, faz-se necessário cultivar pequenas atitudes, o “ordinário-extraordinário” (Dilexit nos, n. 20), que expressam amor e ternura em nossos vínculos no cotidiano e permanecem guardadas na memória do coração. Como equipistas, somos convidados a meditar e rezar: como dar o devido valor ao coração em nosso agir, em nosso falar e em nosso processo de amadurecimento espiritual?

Pe. Daniel Santini Rodrigues

SCE ENS de Lourdes - Itajubá/MG

Província Leste II

Em comunhão, a serviço da Igreja

Participar do Encontro Nacional de Movimentos e Serviços Eclesiais, promovido pela Pastoral Familiar, é sempre uma experiência de comunhão e renovação. Neste ano, mais uma vez tivemos a graça de estar em Brasília, representando as Equipes de Nossa Senhora e vivendo uma verdadeira imersão na vida da Igreja no Brasil. O dia iniciou-se com uma acolhida calorosa, marcada pela alegria do reencontro com amigos de caminhada e pela oportunidade de conhecer novas lideranças. A Santa Missa abriu os trabalhos, recordando-nos que toda missão nasce da graça e do encontro com Cristo. Em seguida, visitamos a Embaixada da Santa Sé, onde fomos recebidos pelo Núncio Apostólico Dom Giambattista Diquattro, que com simplicidade e atenção ouviu cada representante ali presente. Ao mencionarmos as Equipes de Nossa Senhora, percebemos em seu sorriso o reconhecimento do nosso carisma, sinal da presença viva do Movimento na Igreja. Na sede da Pastoral Familiar, a tarde foi dedicada à formação. Dom Moacir nos conduziu em uma profunda

reflexão sobre Eclesiologia e Pastoralidade, lembrando que “a Igreja existe para cuidar dos fiéis” e que, como Movimento, “nos movemos para servir”.

Em uma dinâmica de roda de conversa, partilhamos experiências e fomos motivados por suas palavras: “os carismas não são adversos, são complementares”. Ele comparou os movimentos ao coração humano, que pulsa em duas direções: acolhe para formar e envia para servir no mundo. A troca foi rica e inspiradora. Encerramos o dia com um momento orante ao ar livre. À luz das velas, que se acendiam umas às outras, vivemos um gesto simples e profundo de comunhão e amizade.

Como é bom fazer parte de uma Igreja viva, que nos impulsiona à comunhão e ao serviço, especialmente a partir da família, lugar privilegiado do amor de Deus.

Érica e Wilson

CR Comunicação SRB

Não é possível ser pastor senão se deixando impregnar pelo “cheiro das ovelhas”

“Tudo o que você sabe sobre a vida e a morte, você aprendeu em um manual no seminário... o que você sabe disso é patético!” Estas são palavras de Walt Kowalski, personagem de Clint Eastwood em “Gran Torino”, em um de seus tensos diálogos com seu jovem pároco, o Pe. Janovich (Christopher Carley). Devo confessar que a cena me impactou, porque o que Walt dizia quando eu assisti o filme (eu era recém-ordenado, com 28 anos...) não estava longe da minha realidade.

Meu confrade Santo Tomás de Aquino escreveu que existe um tipo de conhecimento por conaturalidade. Podemos chamá-lo de “sabedoria”. E existe, sobretudo, uma “sabedoria prática” (que podemos identificar à “prudência”) que é formada, também, pelas experiências vividas. O jovem frade recém-ordenado que eu era, conhecia até que bem, o que os livros da faculdade de Teologia ensinavam sobre a vida. Mas foi preciso que a prática pastoral me ajudasse a entender aquilo que eu lera.

Assim como não é possível aprender a nadar lendo manuais, sem se molhar, não é possível ser pastor senão se deixando impregnar pelo “cheiro das ovelhas”, como dizia Papa Francisco.

Se as atividades pastorais, de modo geral, são lugares onde nós padres damos muito e também aprendemos bastante (errando e acertando, como todo ser humano), é inegável que há algo de especial nas Equipes de Nossa Senhora. Na equipe, ninguém é anônimo, ninguém

é mais um fiel, ninguém está ali unicamente pelos sacramentos. Na equipe, aprendemos sobre a vida e a morte de uma maneira profunda e real; ali, as alegrias e tristezas têm rostos. Aprendemos a conhecer e a apreciar os equipistas, descobrimos suas fragilidades e, algo pouco comum na pastoral “normal”, damo-nos também nós a nos conhecer (em nossas qualidades e limites).

Nas alegrias e nos sofrimentos dos casais, vemos que nem sempre respostas simples (ou rápidas) são suficientes para problemas complexos. Aprendemos que Deus nos ama a todos e também pessoalmente. Fazemos a experiência de nossa incompreensão e surpresa com algumas opiniões, e também fazemos a experiência de nem sempre sermos compreendidos. Mas é justamente o encontro entre as diferenças de casais e nós sacerdotes (e acompanhantes), todos no “olho do furacão”, em meio a tantos desafios, o motivo pelo qual a vida nas ENS seja tão fecunda e formativa para todos. São Bento, tão apreciado pelo Venerável Pe. Caffarel, dizia que o mosteiro é “uma escola do serviço do Senhor”. Penso não ser exagero afirmar o mesmo de nossas equipes.

Dever de Sentar-se: “Diálogo que fortalece o casal”

A preparação para o Dever de Sentar-se começa com a decisão consciente de reservar um tempo de qualidade para o casal, longe das distrações e da correria do dia a dia. Escolher um momento tranquilo e adequado já é um passo essencial, pois demonstra o valor que se dá a esse encontro. Mais do que organizar o tempo, é importante preparar o coração, cultivando uma disposição de abertura, humildade e desejo sincero de escutar e compreender o outro.

Iniciar com uma oração é fundamental, pois coloca o casal na presença de Deus e orienta todo o diálogo. “Quando decidimos viver o Dever de Sentar-se, compreendemos que não se trata apenas de uma conversa, mas de um encontro a três: marido, esposa e Deus conduzindo cada palavra.” Essa consciência transforma o momento, trazendo mais serenidade, respeito e profundidade.

Ao realizar o Dever de Sentar-se, somos convidados a viver um diálogo verdadeiro, com escuta atenta e sem julgamentos. Não se trata de discutir ou apontar erros, mas de partilhar a vida: alegrias, dificuldades, expectativas, vida espiritual, família e o próprio relacionamento. É um exercício de amor que exige paciência, sinceridade e caridade, onde cada um se esforça para acolher o outro como ele é.

A periodicidade entre uma reunião de equipe e outra é importante para criar constância e fidelidade a esse compromisso. Esse ritmo permite acompanhar a caminhada do casal, prevenindo distanciamentos e fortalecendo a união ao longo do tempo.

O maior aproveitamento desse momento está nos frutos que ele gera. O Dever de Sentar-se favorece a reconciliação, aprofunda a comunhão, ajuda na tomada de decisões e renova o compromisso do casal. Mais do que resolver questões, fortalece o amor, permitindo que marido e esposa cresçam juntos, sustentados pela presença de Deus em suas vidas.

Claudia e Moisés
CRR SP Centro III
Província Sul I

Dever de Sentar-se: “Diálogo de Amor”

Um dos primeiros sinais que as coisas não vão bem entre um casal é o silêncio mútuo. Corações magoados silenciam-se. Resta apenas a troca de olhares, ora demonstrando irritação e decepção, ora suplicando por atenção e carinho. Pequenas brigas e desentendimentos fazem parte da vida de qualquer casal, mas “a guerra fria no dia seguinte é muito perigosa”, já alertava Papa Francisco. Inspirado pelo Espírito Santo, Padre Caffarel, que sabia dessa dificuldade de comunicação entre os cônjuges, propôs, desde muito cedo, uma estratégia que conduz o casal equipista a uma direção diametralmente oposta: o Dever de Sentar-se, que permite ao casal um contínuo e verdadeiro “Diálogo de Amor”!

Mas nós não temos dificuldade de conversar, aliás, conversamos o tempo todo! Falamos sobre todos os assuntos, sem restrições! Isso já não é suficiente?

Ocorre que um verdadeiro “Diálogo de Amor” é muito mais do que uma conversa, um bate-papo, uma atualização de demandas e de anseios. Ele é muito mais profundo e muito mais verdadeiro, porque dele participa um personagem especial que, via de regra, está ausente nas conversas cotidianas: o próprio Cristo. Sim, para o Dever de Sentar-se deve-se convidar o Senhor para que possamos abrir-nos verdadeiramente um ao outro, e para criar um clima espiritual de caridade e de humildade. “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Lc 11, 29). E esse convite a Jesus deve ser feito por meio de uma oração inicial “... se possível, faça em voz alta uma oração pessoal e espontânea” (Pe. Caffarel). Peçamos a Jesus que nos encha da sua graça e nos guie em nossas reflexões e em nossos discernimentos.

Será um momento especial para trazer à presença do próprio Deus toda a nossa vida, nossos projetos, nossos sonhos, nossas alegrias, tristezas, sucessos e dificuldades. Uma boa dica é que o casal comece o Dever de Sentar-se pelas alegrias: reconheçam e agradeçam o presente que Deus lhes concedeu ao unir vocês em “uma só carne”. Destaquem tudo o que de bom existe entre vocês. Troquem elogios! Depois, se necessário, partilhem de coração aberto, suas dificuldades e fragilidades. Sob o olhar amoroso de Jesus será muito mais fácil pedir perdão por tudo aquilo que possa ter ferido o nosso cônjuge, reconhecendo com humildade as nossas faltas e aceitando as faltas do outro, num espírito de doçura e de perdão. O Dever de Sentar-se é um tempo para dialogar com verdade e com serenidade. Que seja sempre um Diálogo de Amor.

Beatriz e Paulo Márcio
CRR Minas IV
Província Leste II

Somos o casal Mirian e André, mas todos nos chamam carinhosamente por Amada e Amado, pois é assim que nos referimos um ao outro. Casados há 21 anos, cinco filhos e uma rotina que não para. Estamos no segundo ano pós-pilotagem dentro das Equipes de Nossa Senhora e, se alguém pergunta o que mudou, a resposta é simples: TUDO. Mas vamos com calma, porque a história merece ser contada com a mesma alegria com que a vivemos.

Alguns personagens foram essenciais ao longo do processo: o Padre Éfferson que pediu pra gente começar uma equipe na paróquia, a Fran e o Dinei que fizeram a informativa, a Júlia e o Fabiano que nos guiaram na Experiência Comunitária e nos fizeram apaixonar pelo Movimento, e a Cleuza e o Mauro que nos pilotaram com maestria. Deus já tinha orquestrado tudo!

E nessa caminhada, descobrimos o grande tesouro do Movimento: o Dever de Sentar-se. Antes das equipes, a gente já conversava bastante. Podemos contar nos dedos as vezes que discutimos de verdade. Dormíamos conversando, resolvíamos as coisas no diálogo. Achávamos que estávamos bem – e estávamos,

Do Dever ao Prazer de Sentar-se

no plano humano. Mas faltava algo que não sabíamos nomear. O Dever de Sentar-se nos mostrou que faltava Deus no centro da conversa. Nossas trocas eram sobre o dia a dia, os filhos, as contas. O Dever de Sentar-se nos levou à profundidade: desarmar o orgulho, pisar na vaidade e abrir o coração diante de Deus e do outro. Para nós, o Dever de Senta-se virou o Prazer de Sentar-se. Transformamos esse momento em uma Regra de Vida: todo segundo sábado do mês, faça chuva ou faça sol. Este é o nosso encontro de almas! Começamos com uma oração, pedindo a Jesus que se sente ao nosso lado. Lemos e partilhamos a Palavra, seguindo um roteiro quando tem, e fazemos a pergunta de ouro: “Tem algo que eu posso fazer para você ser mais feliz?”

É nesse instante que o amor humano que existe entre nós se encontra com o Amor Divino que é Deus. Como diz tão lindamente o tema deste ano: o Amor é muito mais que o amor. Antes, conversávamos como marido e mulher. Agora, conversamos como filhos de Deus, cuidando da alma um do outro.

Existe uma Amada e um Amado antes do Movimento, e uma Amada e um Amado depois do movimento. E um dos responsáveis por essa transformação tem nome: chama-se Dever de Sentar-se.

Mirian e André Luiz

ENS de Caná/MG

Província Leste II

Regra de Vida

Dentre os seis Pontos Concretos de Esforço (PCE) das Equipes de Nossa Senhora, a Regra de Vida é, talvez, o que mais exige de nós uma “vontade decidida”. Enquanto o Dever de Sentar-se ou a Oração Conjugal possuem uma estrutura relacional clara, a Regra de Vida é o convite à intimidade do combate espiritual pessoal, onde cada equipista se coloca diante de Deus para perguntar: “Senhor, onde Tu queres que eu mude hoje?”.

O Padre Henri Caffarel era um entusiasta da ascese cristã, não como um fim em si mesma, mas como meio de libertação. Ele ensinava que, sem disciplina pessoal, a vida espiritual torna-se vaga, pois o ser humano é propenso à inércia. Para ele, a regra é o “treinamento” que ajuda o cristão a ser senhor de si para melhor servir a Deus, vencendo hábitos que o afastam do amor.

Os documentos fundamentais, como o Guia das ENS, reforçam que este esforço visa fazer convergir nossa vontade com a de Deus. Não se trata de

acumular práticas piedosas, mas de focar em um ponto específico da existência que precisa de conversão. O documento “O Sacerdote nas Equipes de Nossa Senhora” sublinha que a regra ajuda a combater o nosso “pecado dominante”. Para ser eficaz, a escolha deve passar pelo discernimento – preferencialmente com auxílio do Conselheiro Espiritual ou no Dever de Sentar-se –garantindo que a meta seja ambiciosa, mas a execução humilde.

Para que a Regra de Vida não se perca em boas intenções abstratas, ela deve seguir três pilares: 1- Concreta: em vez de “quero ser mais paciente”, a regra deve ser “não levantarei a voz durante as discussões familiares”. 2- Precisa: ela deve ser algo que você possa dizer “sim” ou “não” ao final do dia. Por exemplo: “Dedicar 15 minutos à leitura da Palavra antes de iniciar o trabalho”. 3Progressiva: uma vez que um ponto se torna um hábito consolidado, a Regra de Vida deve evoluir. Ela acompanha as estações da nossa vida espiritual.

Embora pessoal, ela deságua no bem comum: um cônjuge que combate o egoísmo ou a crítica destrutiva santifica o outro e edifica o lar. Na reunião mensal, a Partilha é o momento de reconhecer quedas e celebrar vitórias, lembrando que ninguém caminha sozinho.

Viver a Regra de Vida é abraçar a nossa fragilidade com a confiança na graça. É o exercício prático da nossa metanoia. Como nos recordam os nossos documentos, ela é o meio de “ajustar a vida ao Evangelho”, transformando o esforço cotidiano em uma oferta de amor a Cristo e à Igreja.

Expor-se ao sol de Deus: a mística do Retiro nas ENS

Dentro da pedagogia das Equipes de Nossa Senhora, os Pontos Concretos de Esforço (PCE) são o caminho que nos conduz à santidade. Eles não são metas a cumprir, mas meios de conversão. Entre eles, o Retiro Anual ocupa um lugar de destaque: é o momento de pausa profunda para que todos os outros PCEs ganhem novo fôlego na nossa caminhada.

A saúde do coração e o medicamento de Deus

Podemos comparar a nossa vida espiritual à nossa saúde física. No cotidiano, precisamos de “medicamentos diários” – como a Oração e a Regra de Vida – que mantêm nossa imunidade contra o desânimo e o egoísmo. No entanto, há momentos em que o organismo da alma exige uma “dosagem mais forte” e um diagnóstico completo. O Retiro anual é esse medicamento indispensável para a nossa saúde espiritual. Ele atua onde a rotina muitas vezes nos cega, permitindo uma “limpeza” das toxinas do orgulho e um revigoramento do amor conjugal. Sem essa pausa medicinal, corremos o risco de uma anemia espiritual que enfraquece o sacramento do matrimônio.

A novidade está na vida

É fundamental compreender que a novidade do Retiro não reside no tema escolhido, no método aplicado, na beleza do local ou na eloquência do pregador. A verdadeira novidade está na vida de cada um e no coração de quem se predispõe à experiência. O Retiro é o espaço para trazer a vida como ela é – com suas dores, alegrias e limites – para confrontá-la com o Senhor e com a Sua Palavra. Não se trata de estudar a Bíblia, mas de permitir que a Palavra de Deus ilumine a nossa própria história.

A visão do Padre Caffarel e o Magistério

O Padre Henri Caffarel ensinava que o retiro é o espaço onde o casal se coloca diante da verdade de Deus. Ele afirmava: “O Retiro não é um tempo de reflexão intelectual, mas um tempo de exposição ao sol de Deus”. O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, reforça que o amor precisa de tempo gratuito. O Magistério nos ensina que o Retiro é um “re discernimento”. É a oportunidade de a “Igreja Doméstica” ajustar a bússola, garantindo que o casal caminhe sempre em direção a Cristo. Conclusão. Como equipistas, somos convidados a olhar para o Retiro anual como uma prescrição divina para a nossa felicidade. Que saibamos acolher esse tempo como o remédio que cura, renova as forças e nos permite dizer, com clareza de coração, o nosso “sim” renovado.

O Retiro anual é o suspiro de Deus no coração do casal que caminha.

A maturidade espiritual: 21 anos de encontros sob o olhar de Deus

Ao iniciarmos nossa trajetória nas Equipes de Nossa Senhora, há quase 21 anos, não tínhamos a dimensão exata do que os Pontos Concretos de Esforço (PCE) realizariam em nossa vida. No início, tudo era belo, mas habitava ainda a superfície. Hoje, ao olharmos para nossa história, percebemos que a vivência desses pontos atravessou diferentes e necessárias estações.

Houve o tempo em que praticávamos os PCE movidos pela preocupação com a partilha na reunião mensal. Em outro momento, vivíamos sob o peso do dever: “precisamos fazer porque somos equipistas”. Felizmente, a graça divina permitiu que essas fases fossem superadas pela maturidade. Com o coração transbordando gratidão, reconhecemos hoje que os PCE não são fardos ou regras, mas canais de uma transformação profunda e verdadeira.

Embora já fôssemos um casal de oração e tivéssemos a rica experiência do ECC, foi na perseverança humilde e mensal das equipes que experimentamos uma mudança real de mentalidade. Tudo se consolidou através da Oração Conjugal. Gradualmente, ela deixou de ser um item na agenda para se tornar um encontro real com o Senhor. Hoje, ela é o nosso PCE mais forte e vital; tornou-se tão essencial quanto o alimento para o corpo. É o nosso espaço sagrado, onde nos colocamos na presença de

Deus e permitimos que Ele assuma as rédeas de nossa vida.

A maturidade espiritual também nos ensinou a redescobrir o Dever de Sentar-se. Ele ganhou um novo significado: um tempo de qualidade, sempre iniciado em oração, onde pedimos que o Espírito Santo oriente nossos diálogos e decisões. Aprendemos a buscar não a nossa vontade, mas o que Deus espera de nós como casal.

Com o tempo e a constância, fomos compreendendo a beleza dessa proposta de vida. Nós sempre nos amamos, mas o amor entre mim e o Vandinho amadureceu de forma extraordinária. Hoje, no olhar, no abraço e até no silêncio, conseguimos captar o que o outro sente e necessita. É uma sensibilidade concedida por Deus, que fortalece nossa união dia após dia.

Seguimos o caminho. Ainda somos imperfeitos e conscientes de que há muito a crescer, mas seguimos confiantes. Temos a doce certeza de que Aquele que começou em nós esta boa obra há de conduzi-la e aperfeiçoá-la até o fim.

Rosana e Vandinho CRR SP Leste IV
Província Sul I

O amor na prática: a mística do cotidiano segundo o Padre Henri Caffarel

No livro “Espiritualidade Conjugal: uma palavra suspeita”, o Padre Henri Caffarel dedica o capítulo  “A Vocação do Amor”  a uma das análises mais lúcidas e realistas sobre a união entre o homem e a mulher.

O amor não é um sentimento de prateleira, pronto e igual para todos; é uma força viva que assume a cor e o ritmo de cada história. Como bem observou o Padre Henri Caffarel, fundador das Equipes de Nossa Senhora, “o amor que impele o homem e a mulher um para o outro é multiforme”. Na prática, isso significa que o amor em um casal de recém-casados tem um rosto, e o amor de um casal que celebra bodas de ouro tem outro, mas ambos são expressões da mesma busca.

Pe. Caffarel nos ensina que essa força é , “ao mesmo tempo, arrebatamento em cada um dos que se amam e o seu vínculo vivo”. Imagine o arrebatamento como a faísca que acende a lareira: é o entusiasmo, a admiração, o prazer da companhia. Mas o vínculo vivo é a tora de madeira que mantém o fogo aceso durante a noite fria. O arrebatamento nos faz olhar para o outro; o vínculo nos faz caminhar com o outro, mesmo quando o cansaço do trabalho ou as preocupações com os filhos parecem roubar o brilho do olhar.

Essa vivacidade do afeto se manifesta de formas variadas:  “Para uns, é um dom generoso; para outros, uma paixão ávida e devoradora”. Há momentos em que o amor se traduz no silêncio de quem cede a vez ou no cuidado com o outro doente: um dom puro. Em outros momentos, ele surge como aquele desejo intenso de estar junto, de exclusividade e de paixão. Pe. Caffarel não separa essas realidades. Ele entende que se pode  “considerar, antes de tudo, a

consagração dos dois corações um ao outro ou acentuar o seu aspecto carnal”. No dia a dia, a oração do casal e o abraço apaixonado na cozinha fazem parte da mesma liturgia. Não há nada de “menos santo” no carinho físico; ele é a tradução visível de que aqueles dois corações se pertencem. Contudo, é preciso estar atento a uma armadilha comum. Muitos buscam o critério do amor apenas  “num fervor sensível que conduz à morte do amor assim que desaparece”. É o perigo de viver apenas da “mágica”. Se o casal baseia sua felicidade apenas na euforia das viagens ou nos momentos sem conflitos, a relação se torna frágil. Quando o fervor esfria e o estresse da vida financeira ou das crises familiares costuma baixar essa temperatura, o amor corre o risco de morrer se não tiver raízes mais profundas. O segredo da resiliência cristã, portanto, está em deslocar o centro do amor do “sentir” para o “ser”. O critério da união deve ser buscado  “no desejo de pertença ao seu cônjuge e na fidelidade à fé jurada”. Pertencer significa: “Eu sou seu porto seguro e você é o meu”. A fé jurada é o “sim” que se renova não apenas no altar, mas na decisão de perdoar uma falha ou de reabrir o diálogo após uma briga. É essa fidelidade que transforma o amor em uma rocha, permitindo que o casal atravesse as tempestades e descubra que a verdadeira alegria não está na ausência de problemas, mas na certeza de que nunca se está sozinho.

Pe. Antonio C. Torres SCE Carta Mensal

15 julho 2026

BODAS DE PRATA

Jeane e Marcelo

ENS de Guadalupe – Rio de Janeiro/RJ

Província Leste I

22

fevereiro de 2026

Regina e Regis

ENS das Graças – Fortaleza/CE

Província Nordeste I

24

fevereiro de 2026

Ana Célia e Bosco

ENS Rainha da Paz – Morrinhos/CE

Província Nordeste I

16 junho 2026

Zuila e Valdson

ENS de Fátima – Santarém/PA

Província Norte

12 maio 2026

ENS da Rosa Mística – Maceió/AL

Província NE II

1o março 2026

ENS Mãe de Jesus – Sorocaba/SP

Província Sul II

VOLTA AO PAI

24/02/2026

23/02/2026

Elizabeth Maria da Costa Ávila

ENS de Lourdes – Rio de Janeiro/RJ

Província Leste I

25/03/2026

José Vicente de Lima

ENS do Rosário – Rio de Janeiro/RJ

Província Leste I

Ana Alice do Nascimento (do José Cleudes)

ENS de Guadalupe – Morrinhos/CE

Província Nordeste I

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ENS - Carta Mensal 571 - Maio/Junho 2026 by ENS Equipes de Nossa Senhora - Issuu