EXULTA MEU ESPIRITO EM DEUS MEU SALVADOR!
UM MOMENTO COM A EQUIPE DA CARTA MENSAL Algumas decisões diffcels precisaram ser tomadas ao elaborar esta edição da Carta Mensal. Por um lado, dezembro é o mês em que tradicionalmente fazemos uma edição para comemorar o nascimento do Senhor. Muitos equlplstas tinham nos enviado matérias, testemunhos, contribuições, que tantas vezes ao longo destes últimos anos vfnhamos pedindo. Muitos artigos Importantes se acumularam durante o ano e esperávamos publicá-los neste último número. Por outro lado, em setembro, aconteceu um evento que marcou profundamente a vida de todo o Movimento: o Encontro Internacional de Lourdes, seguido da Sessão de Formação Internacional. A riqueza deste evento foi de tal magnitude que, como vecês podem constatar pelo tamanho desta Carta, não seria possível condensá-la em algumas páginas de uma· edição ordinária. Acresça-se a Isto o fato de que, em razão da situação de nosso pafs, poucos foram os equlplstas brasileiros que puderam participar do Encontro. E pareceu-nos fundamental que todos pudessem ter acesso ao que ele representou na vida das ENS. Terfamos a alternativa de editar um número ordinário referente a dezembro e uma edição especial sobre Lourdes/88. Infelizmente, Isto só seria possfvel se todos os casais do Movimento tivessem efetivamente contrlbuldo, durante o ano, com o valor de um dia de trabalho, conforme seu compromisso que decorre dos Estatutos. Como Isto não ocorreu, e que o dinheiro está 'curto', tivemos que optar. E optamos por fazer apenas esta EDIÇÃO ESPECIAL LOURDES/88. Assim, que nossos amigos que tão fraternalmente têm contribuldo com suas notícias e contribuições nos perdoem e acrescentem à sua grande dedicação também um pouco de paciência: a partir de março 89 tentaremos recuperar o atraso.
-o DoEsta Edição Especial procura retratar para vocês, numa primeira parte - em resumo ou na Integra - a seqüência de palestras que marcaram o Encontro. Fala, em seguida, das outras atividades (atos litúrgicos, reuniões de equipe), sem as quais o quadro não seria completo. Depois, vêm as duas palestras de encaminhamento da grande orientação de Lourdes: "A SEGUNDA INSPIRAÇÃO- Um novo fôlego". A última parte, de 'variedades', se assim podemos dizer, traz alguns destaques especiais, testemunhos de participantes, uma reportagem sobre a Sessão de Formação, e as notícias daqueles Setores que aqui, no Brasil, fizeram peregrinações locais. O texto de meditação quer nos trazer de volta tudo aquilo que marcou, para todos nós, este último ano equlplsta e este Encontro de Lourdes. Cremos que, com este alentado exemplar da Carta Mensal, vocês terão matéria para suas reflexões, meditações e orações durante as férias que se aproximam. E esperamos que nestas últimas, vocês se lembrem de nós, que estaremos também unidos a vocês. Feliz Natal! Magnlflcatl A EQUIPE DA CARTA MENSAL
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A ECIR CONVERSA COM VOCES
Caros amigos Chegamos de Lourdes. Tivemos a grande chance de participar do Encontro Internacional das ENS. Exultamos de alegria na grande Basílica, onde estavam reunidas 5.700 pessoas, oriundas das várias partes do mundo. Foi maravilhoso poder estar ali, participar das celebrações tão boni· tas; ouvir as mensagens; orar na gruta na noite de vigília; conviver com os irmãos de outras terras, compartilhar experiências com eles nas reuniões de equipes . . . Mas, queremos aqui falar-lhes especialmente do essencial que estava oculto. Por trás dessas aparências, que continham já em si mesmas um grande valor, havia algo sumamente importante; havia uma pérola escondida; estávamos ali atendendo um chamado do Senhor. Permitam-nos lembrar aqui uma passagem do Evangelho: "Os onze discípulos caminharam para a Galiléia, ao ·monte que Jesus lhes determinara. Ao vê-Lo, prostraram-se diante dele. Alguns, porém, duvidaram. Jesus, aproximando-se deles falou: "Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas. . . ensinando-as a observar tudo que vos ordenei. E eis que eu ·estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos". (Mt 28,16-20). Refletindo nesta palavra, constatamos: 1. Nela está implícito um chamado, uma convocação. Cristo convocou os discípulos para um encontro com ele na Galiléia, antes de seu retorno ao Pai. Determinou até o local. 2. Convocou-os para que? Acreditamos que, com esta última reunião, Jesus queria impnmulhes coragem, a certeza de que não ficariam sós, e também confirmá-los na unidade. M~s, queria essencialmente confirmar a missão que lhes confiava: Construir o Reino que ele havia inaugurado, ensinando as pessoas a viverem tudo o que ele havia ensinado, especialmente com a própria vida. Está claro que esta convocação exigiu e foi antecedida por um chamado lá atrás, por uma caminhada, uma busca e muitas revelações. Voltemos a Lourdes. Nós também fomos convocados pelo Senhor. Não foi uma convocação direta, explícita, mas uma convocação. que foi se delineando aos
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poucos e que foi sendo passada, especialmente, através dos editorais do Pe. Bemard Olivier. Este é pois o primeiro ponto sobre o qual gostaríamos de insistir, para que nos conscientizemos verdadeiramente: Fomos convocados. E, fomos convocados para que? Não resta dúvida que, em parte, para convivermos, para sentirmos a extensão, a universalidade do movimento, para nos sentirmos fortes, para nos tornarmos mais corajosos em nossa missão, para mantermos a unidade. Mas, fomos convocados essencialmente para uma grande revelação. Digamos que para recebermos um grande sopro do Espírito, que, recolhendo os pequenos sopros ocorridos ao longo de todos esses anos, nas várias partes do mundo em que o movimento está implantado, leva a retomar a grande inspiração inicial, para melhor compreendê-la, para aprofundá-la, para atualizá-la, para melhor vivê-la e para, com mais empenho, levá-la a todo o Povo de Deus, numa fidelidade à nossa missão como um movimento de Igreja. Fomos pois convocados para que nossa vocação fosse melhor clarificada e nossa missão confirmada. No caso dos discípulos, a convocação não concluía neles, mas destinava-se a se propagar, através deles, no espaço e no tempo. Uma convocação que envolvia, pois, uma conversão e uma missão. Era preciso que eles se convertessem, que realizassem em suas vidas o que Cristo lhes havia ensinado, para ensinar aos outros. Assim também aqui. Todos os casais das E.N.S. são chamados a aprofundar as várias propostas referentes ao casal, ao matrimônio, à família, implícitas no que os franceses chamaram de "Second Souffle" e que nos parece ser mais adequado em nossa língua "Segunda Inspiração", chamados a vivê-las e chamados a propagá-las. (Estamos felizes porque a nossa caminhada dos últimos anos nos preparou para isso). Estamos conscientes de que vivemos um momento histórico na vida das E.N .S. Esta "Segunda Inspiração" se compreendida, assumida e levada a sério por todos, será, sem sombra de dúvida, uma semente de renovação, de crescimento, -de fortalecimento e de fecundidade na cami· nhada das E.N.S. e da Igreja. E, por isso, nos rejubilamos. Que o Cristo filho de Deus, cuja entrada na história dos homens, toda a Igreja está se preparando para celebrar, nos dê o espírito de sabedoria, de caridade, de humildade, de fortaleza, de dinamismo,. . . necessários para essa tarefa e que a Virgem Maria que, acolhendo tão profundamente a vontade de Deus, tornou possível essa encarnação, nos ensine a virtude do acolhimento para estarmos abertos ao imprevisível. Muito carinhosamente Cidinha e lgar 3-
O primeiro ato oficial do Encontro Lourdes/ 88 iniciou-se às 21:00 horas do dia 19 de ·setembro, na Basílica São Pio X. Foi a Celebração de Abertura, presidida por D. Sahuquet, bispo de Lourdes. O Pe. Olivier, Conselheiro Espiritual da Equipe Responsável Internacional acolheu os peregrinos em rJOme do Movimento das Equipes de Nossa Senhora pronunciando algumas palavras de boas-vindas, e D. Sahuquet, ap6s saudá-los em nome -da Igreja que está em Lourdes, falou da esperançp que todo o Povo de Deus deposita nos casais que, no seio ·das ENS, procuram viver com fé e fidelidade o seu sacramento do matrimônio. Ap6s o canto do Encontro - o "Exultavit" - cujo refrão era retomado por todos em latim, entre as estrofes lidas nas 7 línguas do Encontro (francês, português, espanhol, italiano, inglês, alemão e polonês), foi a vez de )eanClaude e Jeanine Malro!fx de dirigir sua saudação de acolhimento aos equipistas. Em seguida, o fe . Mollat, Conselheiro Espiritual das Equipes da França, Luxemburgo e Suíça, falou s_obre o sentido da presença das Equipes em Lourdes. Por fim, ap6s alguns minútos de meditação em silên~io, D. Sahuquet dírigiu ao Senhor, p~ todos os presentes, esta oração:
O Deus, que entre os humildes e os pobres escolhestes a bem-aventurada Virgem Maria para ser Mãe do Salvador, faze, nós te pedimos, que seguindo seu exemplo, te sirvamos em sincero espírito de fé, e em ti depositemos toda esperança de salvação.
A língua oficial da terça-feira, dia 20 de setembro, era o francês, e o tema do dia, exposto por Françoise Crépy (1 ), era a "Ação de graças pelo casal e pelos 40 anos do Movimento". Os · peregrinos se re~niram novamel}te na Basílica São Pio X , a partir das 8:30. Houve inicialmente o ensaio dos cantos que iriam ser cantados durante o dia. Depois, precisamente às 9:35, Jean-Claude e Jeanine Malroux fizeram a palestra de introdução do Encontro, que reproduzimos na página seguinte, à guisa de Editorial deste número esp'!cial da Carta Mensal.
(1) Jean-Jacques Crépy, marido de Françoise, foi um dos membros da ERI que mais trabalhou na preparação do Encontro. Às vésperas de seu início, entretanto, ficou &ravemente doente e não pode comparecer;
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EDITORIAL Palavras de Introdução do Encontro, pronunciadas por Jean-Ciaude e Jeanlne Malroux, na manhã de terça-feira, 20/09/88, em Lourdes.
Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo. Queridos Amigos, Acontece com este Encontro o mesmo que com o nascimento de uma criança: os meses de gestação e o parto são acompanhados de indisposições e até mesmo de dor. mas é a alegria que vence. Encontrar-se perante o Senhor e sua Mãe, nossa padroeira. para este 7.0 Encontro do nosso Movimento, é uma grande alegria. Que todos aqueles que contribuiram para a sua preparação e que irão contribuir para o seu desenrolar sejam por isso recompensados e abençoados. Deus seja louvado por ter, mais uma vez, permitido a realização duma tal peregrinação internacional, apesar de todas as dificuldades, sobretudo para os que vêm de mais longe e os mais desfavorecidos. Fazemos questão de acolhê-los muito especialmente e de lhes agradecer pelo acréscimo de esforços que esta participação representou para eles. Damos graças a Deus por fazer suceder este 7. 0 Encontro Internacional das Equipes de Nossa Senhora não somente ao 40.0 Aniversário de nossos Estatutos promulgados em 8 de 'dezembro de 1947, mas também ao 7.0 Sínodo ordinário dos · Bispos sobre "Vocação e Missão dos Leigos". em outubro de 1987 - do qual participamos como ouvintes, na qualidade de responsáveis internacionais das ENS- e, finalmente, por ocorrer no encerramento do Ano Mariano para o qual o Santo Padre nos convidou. Que todos os que foram impedidos de participar fisicamente, por causa da data, nos perdoem a escolha. Digam-lhes da pouca margem de liberdade de que dispunhamos para esta escolha e que eles saibam, por intermédio de vocês, que todos os de boa von· tade que não puderam juntar-se fisicamente a nós, estão muito presentes em espírito. Eles o estarão muito especialmente na vida das equipes mistas de peregrinação que vocês vão formar, e é neste espírito que estas equipes retomarão os 4 temas de meditação do Padre Olivier sobre o Magnificat. Estejamos atentos para que aí se reúna todo o fruto das reuniões que nossa equipe de base lhes consagrou este ano. As condições materiais de Lourdes permitem privilegiar a vida de equipe nos hotéis. Não percam nunca de vista que na equipe de peregrinação é toda a sua equipe de base que vocês representam, e não apenas a vocês próprios. Do mesmo modo, no regresso, será
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toda a peregrinação da sua 'Equipe Lourdes/88' que vocês terão de partilhar com a sua equipe de base e não só a sua própria experiência. Isto já é ser Igreja e viver a comunhão dos Santos. Como o Sínodo nos fez tomar consciência, ser católico é, pela graça do batismo, reconhecer-se filho do mesmo Deus Pai, irmão do mesmo Jesus Cristo, não apesar das nossas diferenças e das nossas distâncias, mas graças a eles. t efetivamente o que se vive em cada reunião das nossas equipes mistas, e é o que se deseja evocar com o símbolo do peixe que consta dos nossos livretos (1). Entre os 850 milhões de dtólicos do mundo, o que nos reúne à volta do logotipo central 'ENS' e que vai se construir sob os seus olhos (2). é o sacramento do matrimônio evocado pela aliança que o envolve. Aliança que é o sinal da união de Cristo com a Igreja, como dizia S. Paulo aos efésios (5,21-32). Nós, casais unidos pelo sacramento do matrimônio, carregamos a responsabilidade de testemunhar muito particularmente que "Cristo e a Igreja são um todo". como dizia Joana d'Arc, e que reconhecer-se "fiéis a Cristo, enquanto leigos batizados, é reco· nhecer-se como Igreja". t, pois, com gratidão que acolhemos todos aqueles - Cardeais, Bispos, Padres, representantes de outros Movimentos - . que nos ajudarão a viver este Encontro, não como o de uma seita, mas como sendo o de um modesto membro do Corpo Místico de Jesus, que procura humildemente a forma de servir Deus, sempre mais e sempre melhor, no exemplo de Cristo, sob a orientação de Maria e da Igreja. !: nesta perspectiva que nossas 5.577 equipes, repartidas em 440 setores, 70 regiões, 7 supra-regiões e representando mais de 30 países, devem, passados 40 anos, enco~trar o "Novo Fôlego" que todo atleta reconhece ser indispensável em qualquer esforço de longa duração. As equipes que vocês representam devem, por isso, pela graça da presença de vocês aqui em Lourdes, ser fermento deste novo fôlego nos seus respectivos setores. Que estes quatro dias, as palestras que aqui vão ouvir ou ler nos telões (3). e sobretudo as (1) Ver página 64. (2) Logo após as palavras do casal Malroux, o grupo dos Super-Regionais montou, acima do altar central da Basílica, o sfmbolo do peixe, como se vê na foto da página 13. (3) Ver página 63.
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orações, meditações, partilhas em equipe a partir dos textos fundadores e do Magnificat, ajudem o nosso Movimento a ser, como lhe pede o seu fundador, o Padre Henri Caffarel, fiel à intuição que o levou a fundá-lo na França, precisamente antes da 2.• guerra mundial, e atento às necessidades dos casais do fim do 2.0 milênio do cristianismo. Demos graças a Deus pelo Padre Henri Caffarel e pelos casais que o acompanharam no decurso deste primeiro fõlego; que Ele lhes retribua a cem por um o que eles nos trouxeram e os encaminhe em PAZ e ALEGRIA para junto de Si. O que caracterizou este "Primeiro Fôlego" foi a presença do fundador e daqueles que trabalharam diretamente com ele, assim como o papel predominante da França na animação de conjunto das ENS. O • Novo Fôlego" será animado cada vez mais por responsáveis que nunca tiverem trabalhado com os fundadores, e isto, numa Igreja cada vez menos européia. Os responsáveis já não são, portanto, criadores, arquitetos partindo de uma folha em branco, mas jardineiros que têm de amparar, podar uma árvore, cuja essência não lhes pertence, mas a quem cabe fazer dar o fruto. A animação deve também ser cada vez mais internacional e, portanto, colegial. Ao nível das nossas equipes , isto implica que, após um tempo razoável de iniciação, elas saibam sentir-se solidárias na animação de conjunto do movimento e não simples consumidoras; que elas saibam , como os Estatutos lhes pedem, no estilo da época, não passar da iniciação para o ·abrigo para adultos bem intencionados". Nós todos, seja qual for o nosso papel no decurso destes dias, saibamos sentir-nos solidários, corresponsáveis, servidores da missão das ENS na Igreja de hoje. Obrigado a todos os que, conscientes desta necessidade, aceitaram prolongar os nossos quatro dias de peregrinação, por mais quatro dias de sessões internacionais de formação (1 ).
Que Maria nos ajude a meditar todas estas coisas no nosso ,coração e a tirar o melhor proveito deste Encontro, para a glória de Deus. E que esta peregrinação traga a cada um tudo o que lhe é necessário para cumprir ao máximo a vontade de Deus sobre si em todas as facetas da sua vida conjugal, familiar, profissional e cívica. AM~M .
(1) Ver página 67.
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A PALAVRA DO PAPA
Durante a acolhida inicial, o casal MalroUx. leu a seguinte mensagem recebida de Sua Santidade, o Papa João Paulo li:
INFORMADO DA REALIZAÇÃO EM LOURDES DA PEREGRINAÇÃO INTERNACIONAL DAS · EQUIPES DE NOSSA SENHORA, O SANTO PADRE FORMULA VOTOS FERVOROSOS E ORANTES PARA UM NOVO APROFUNDAMENTO DA VOCAÇÃO CONJUGAL E FAMILIAR, NA ESCOLA DE MARIA, E DESEJA A INTENSA DIFUSÃO DESTE MOVIMENTO ECLESIAL. CONFIANDO A NOSSA SENHORA DE LOURPES CADA UM DOS CAS'AIS PRESENTES E ESPECIALMENTE OS JOVENS QUE ADEREM À ESPIRITUALIDADE DAS EQUIPES FUNDADAS PELO EMÉRITO CôNEGO CAFFAREL, SUA SANTIDADE DIRIGE A TODOS OS PEREGRINOS E AOS SEUS CONSELHEIROS ESPIRITUtflS UMA AFETUOSA BP.NÇÃO APOSTóLICA. .
Ap6s a Introdução, o casal Malroux fez a chamada das diversas SuperRegiões presentes e depois, cada um dos casais da ERI se dirigiu à assembléia em duas linguas. Em seguida, ap6s um intervalo que foi preenchido por um canto de ação de graças, foram pronunciadas três palestras tendo como tema central "O Casal no Tempo", voltadas basicamente para os aspectos da duração e da fidelidade no matrimônio cristão, em relação às posições do mundo de hoje. As palestras abordaram sucessivamente o assunto nos aspectos antropol6gico/ psicol6gico, espiritual e teol6gicol pastoral. Damos a seguir um resumo destas palestras (I).
Numa primeira abordagem sobre a "Duração do Casal", François Guy (médico psiquiatra, que com sua esposa Michele, psicóloga, é equi:pista em Grenoble, desde 1954), traçou um 'pano de fundo' importante para se conhecer o contexto em que se situa o casamento hoje. "B nesta terra que temos que semear", disse ele, ao apresentar a tríplice realidade de nosso tempo: desinteresse pelo casamento (mesmo apenas civil); aumento dos divórcios (na França, 1 para cada 3 casamentos, sendo a metade nos cinco primeiros anos); generalização da coabitação ou união livre. Citou como causas da evolução desta situação: - desvalorização do casamento paralelamente com a de todas as 'instituições'; - recusa de qualquer engajamento a longo prazo (o que se quer é "tudo e já"); - transformação dos papéis no casal, com a crescente autonomia da mulher; - falta de 'aprendizagem', pela ausência de meio familiar de referência (testemunho da geração anterior .. . ); - evolução das disposições legais. Em seguida, teceu considerações sobre os aspectos psicológicos subjacentes a esta situação, presentes no subconsciente desde a mais tenra (1) Os textos completos destas três palestras poderão ser adquiridos, em português, no Secretariado das ENS.
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infância, nos desejos alternativos de 'fusão ' e de ' destruição' em relação aos pais. E, se não existe uma forte determinação de engajamento, estes voltam à tona quando nos primeiros tempos do casamento se descobre que o cônjuge não é exatamente a pessoa que se idealizou. E passa-se a "destruir" este relacionamento para procurar a nova "fusão" com outra pessoa, sem perceber que, na falta daquela determinação de engajamento básico, o mesmo processo estará sempre prestes a recomeçar. O Dr. François Guy terminou citando Muldworf, um psicólogo nãocristão: "E a união estável, de longa duração, que até hoie tem um papel
que responde mais às necessidades psicológicas e afetivas da pessoa e que dá as melhores possibilidades para o desenvolvimento individual". E perguntou: "Se fora de qualquer conceito cristão pode-se escrever isto, o que podemos dizer quando a realidade humana é transfigurada, elevada, iluminada, nutrida pelo Cristo, que não veio para destruir o que existia, mas salvá-lo?"
- oOoNa segunda palestra sobre o assunto, o casal Pierre e Jeanine Roland, das ENS da Bélgica, enfocou a "Duração do Casal" sob o ponto de vista espiritual. Após mostrarem as ambiguidades e os paradoxos que palavras como 'amor' e 'fidelidade' contêm em nossos dias ("fidelidade = 'amar' uma pessoa de cada vez" . .. ), destacaram que "Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem, e nós sabemos, nós acreditamos que essa imagem de Deus é o casal: 'Homem e Mulher Ele o criou' (Gen. 1)". Portanto, Ele quer para o casal tudo o que Ele é, tudo o que Ele tem. E uma das características mais evidentes de Deus é a FIDELIDADE DE SEU AMOR. "Ontem, como hoje, como amanhã, Deus oferece, a cada instante, o seu amor; sem descanso, Ele nos chama a vivermos com Ele, como filhos com o pai." Ora, a fidelidade que dá vida duradoura ao casal não é apenas uma forma passiva de aguentar, de ultrapassar o momento presente. Esta é a forma que muitos jovens veem. . . e não querem. Mas a verdadeira 'duração' do casal significa "comprometer-se hoje, estando já decidido a comprometer-se ainda amanhã; é ousar, já hoje, comprometer o amanhã que não se conhece ... " B uma ousadia que supõe correr os riscos, talvez tentar o impossível! E os exemplos de fracasso são tão numerosos em volta deles, que muitos jovens desistem de correr esses riscos, antes mesmo de começar. Por isso, a duração depende do desejo de partir à descoberta do outro. Descoberta em dois níveis: a do SER do outro, que se desenvolve, cresce, desabrocha, mas também, através dele, do Outro absoluto, de DEUS que nele se revela. Descoberta que só é possível com o tempo. Então a duração passa a ser "o tempo dado a Deus para Lhe permitir, a partir do amor humano dos esposos que somos, de cumprir a Sua obra, o Seu projeto sobre nós". E o que Deus ambiciona para nós "é tudo o
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que Ele é, tudo o que Ele tem": AMOR, FIDELIDADE, SANTIDADE, Esta é a nossa vocação. Mas este amor que dura é compatível com os "seres de mudança" que somos? Ele só o será, se formos capazes de prosseguir amanhã o compromisso de hoje, se tivermos VONTADE e PERSEVERANÇA para ,as RENúNCIAS que a fidelidade exige, se não perdermos de vista o objetivo, se lutarmos continuamente contra tudo aquilo que vier "desenocaminhar-nos". E um úNICO, o CRISTO, nos dá as forças para isto. E o casal Roland cita Mons. Jullien: "A nossa esperança é que temos de esperar Deus, do próprio Deus. Deste modo, mobilizados para fazer o nosso ofício de homens, isto é: o possível, somos levados a pedir a Deus de fazer o seu ofício de Deus, isto é: o impossível". Elencando alguns inimigos da duração, o casal Ro.land cita:
~Aquele que nos diz: "Faz IMEDIATAMENTE TUDO o que te agradar". E uma caricatura do amor. - Aquele que nos diz: "Tu não és feito para a duração: não tem nem a força, nem a coragem, nem os meios para isso". Mas se for o Amor de Deus que habita em nós, já não sou eu, nem nós que estamos em causa, mas ELE: e Ele pode o que nós não podemos! - Aquele que nos diz: "A duração é a MONOTONIA, o aborrecimento da REPETIÇÃO, o HABITO". Mas será que Deus é "monotonia", porque cria sem cessar o universo? - Aquele que tem medo do AMANHÃ, que não acredita num FUTURO, que não ousa projetar-se num compromisso que vai mais longe do que o HOJE. Esse ainda não começou a viver de verdade! Em seguida, pergunta o casal Roland: "Quais são as exigências da duração?" E relaciona algumas:
e Que nos aceitemos com nossos limites humanos e que aceitemos que um OUTRO os alargue por nós. e Que descubramos a alegria de "RECOMEÇAR POR AMOR". e Que descubramos também e aprofundemos a "GRATUIDADE DO AMOR". e Que cultivemos o sentido do ACOLHIMENTO da dádiva do ESPfRITO SANTO "que nos é dado para fazer sem descanso coisas novas, na fidelidade". e Que saibamos correr riscos, como Deus que os correu PRIMEIRO, e que, em Jesus Cristo, os correu TODOS. e Que aprendamos a "RENúNCIA A SI-PROPRIO", porque "o amor está na fidelidade e a fidelidade está na renúncia, como ela está no recomeçar". e Que pratiquemos uma VIDA DE ORAÇÃO. -
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e
Que compreendamos que a duração vive e se alimenta da EUCA-
RISTIA.
e Que por fim - mas não por menos importante - nos lembremos -freqüentemente do início do nosso amor, que "é a fonte na qual preci· samos regularmente voltar a mergulhar". E os Roland concluem que a duração do casal é um convite permanente para receber esse dom de Deus que é a FI!., e um convite premente para a ele responder; é um impulso para o futuro traduzido num ato de ESPERANÇA; e, no contexto de todo o quadro traçado, é um verdadeiro ato de CARIDADE. 1!. neste amor de duração que descobriremos ALGUI!.M, cujo olhar se pousa sobre nós e que ao mesmo tempo nos diz: "Você é alguém para Mim; Vocês são únicos para Mim; Vocês têm valor aos Meus olhos . .. !" -oO~
Na terceira palestra da manhã, D. Albert Houssiau, bispo de Liege, na Bélgica, falou das "Dimensões Humanas e Divinas da Fidelidade Conjugal", numa perspectiva teológica e pastoral. Referindo-se às duas palestras anteriores, D. Houssiau mostrou inicialmente que se para alguns que a vivem, a fidelidade é uma condição imprescindível da vida, para a mentalidade dos dias de hoje, ela não é um conceito tão evidente. E isto, não apenas na vida conjugal, mas também no ministério apostólico e na vida consagrada. Conforme disse: " . .. a revolução cultural levou a uma certa perda do sentido do tempo. Os progressos da tecnologia habituam a satisfazer sem esperar as necessidades e os desejos : 'peace now', 'love now', tais eram os slogans dos anos sessenta." Da mesma forma, "as técnicas do passado são ineficazes e os antigos comportamentos sofrem da mesma depreciação". E, após uma crise econômica, social e cultural que já dura mais de vinte anos, " o futuro aparece incerto e mesmo ameaçado para as gerações vindouras. . . A perda do sentido do tempo compromete a esperança". Assim, "sem memória para assumir as nossas ações passadas e sem projeto para prever e preparar o nosso futuro, a nossa existência escorre como grãos de areia sem coerência . .. " Perdeu-se de vista que "o sucesso da vida, ou seja, a felicidade, não é questão de uma hora ou de um ano, mas sim da vida inteira ( . . . ) A ação do homem só é séria e autêntica pelo compromisso da minha liberdade no mundo em que existo. . . Exerço a minha liberdade, comprometendo-me com outros ... " A fidelidade, disse D. Houssiau, "é a unidade profunda de mim próprio no meu tempo de vida" através do apego constante a idéias e valores, " e na minha relação durável com alguém e numa história" . -12-
E pela fidelidade que o amor de Deus se manifesta a nós: "Eterno é o seu amor". Deus é fiel e seu SIM é SIM. E a fidelidade de Deus que nos permite ser fiéis; ela é a base de nossa esperança; precedendonos e confirmando-nos sem cessar, ela nos permite fazer frente, durante toda a vida, a nossas responsabilidades terrestres e espirituais: mesmo nas nossas faltas, Deus não cessa de nos chamar. Mas, acrescentou D. Houssiau, "o discípulo· de Cristo só pode ser fiel à Cidade de Deus se for igualmente fiel à ·cidade dos homens, assumindo as obrigações terrestres no espírito do Evangelho". Assim, no casamento dos fiéis, é a vida conjugal, o relacionamento .mútuo "dos esposos no tempo das suas existências conjugadas que é a matéria do sacramento, e não apenas o sim inicial; neste sentido, é como esposos que eles são membros do Corpo de Cristo. . . Os fiéis são chamados a viver a fidelidade humana do casamento em fidelidade divina". Isto significa "viver um amor semelhante ao de Deus por nós", crendo em tudo, esperando tudo. "A fidelidade é o amor no tempo conjugado de duas vidas, na paciência das dificuldades e alegrias do outro, no respeito pela originalidade e pela individualidade do cônjuge". Referindo-se em seguida à família, D. Houssiau mostrou como esta mesma fidelidade se estende ao amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. E dirigindo-se aos sacerdotes, mostrou que os esposos cristãos apoiam-se na fidelidade dos sacerdotes à sua vocação própria, que se constitui para eles em testemunho da fidelidade a Deus e aos irmãos. E terminou dizendo: "Para os esposos cristãos, fidelidade a si próprio, fidelidade ao outro, fidelidade à história, baseiam-se na fidelidade de Deus, Pai, Filho e Espírito na vida dos homens".
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As línguas oficiais da jornada da 4.a feira, 21 de setembro, eram, conforme o programa, "o português e o brasileiro". O tema central do dia, seguindo o esquema do tema sobre o Magnificat, era "A Misericórdia de Deus". Foi dentro deste contexto que os peregrinos ouviram (ou leram nos telões), a palestra de Dom Antonio Marcellino, bispo de Aveiro, em Portugal, sobre
A MISERICóRDIA NO CASAL E NA FAMtLIA, UMA BEM-AVENTURANÇA A PROCLAMAR Não nos seria possível reproduzir na integra esta belíssima conferência, em função do espaço de que dispomos (1). Mas queremos transmitir aqui alguns de seus pontos principais. Inicialmente, D. Marcellino situou a falta de amor misericordioso no seio do casal como uma das principais causas do desmoronamento de tantas famílias em nossos dias. Disse que "se descermos até onde se enraízam as causas que levam muitos casais a desfazer-se. . . encontramos normalmente um coração que, a pouco e pouco, se foi tornando num coração de pedra . . . semeando a desagregação e a morte". E acrescentando que a incapacidade de perdoar está se tornando uma das características da 'sociedade de interesses' em que vivemos, citou, para acentuar a diferença entre o pensamento humano e o pensamento de Deus sobre o perdão, dois diálogos contidos numa página de Antonio de Mello:
" - Por que não deixas nunca mais de falar dos meus erros passados?" - perguntou o marido à sua esposa. "Eu pensava que tinhas perdoado e esquecido ... " " - E verdade. Perdoei e esqueci." - respondeu a esposa. "Porém quero estar segura de que tu não te esqueces que eu perdoei e esqueci ... " -o O o-
O discípulo: "Não te recordas de meus pecados, Senhor?" O Senhor: "Pecados? Que pecados? Contanto que tu não mos recordes . .. Eu os esqueci desde há séculos." Em seguida, D. Marcellino desenvolveu uma reflexão em profundidade sobre alguns textos do Papa João Paulo 11, em particular as encíclicas Re(1) O texto completo poderá ser adquirido no Secretariado das ENS.
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demptor Hominis e Dives in Misericordia, mostrando a forma pela qual o modelo da misericórdia divina deve ·sempre ser procurado pelos esposos cristãos na sua caminhada pela vida conjugal. Relatou depois:
Antes de iniciar a reflexão e preparação deste tema, pedi aos casais da minha equipe, que acompanho há mais de vinte anos, que o refletissem também e me dessem o contributo de sua reflexão. Assim partilhariam comigo o que eu iria partilhar por todos com este trabalho. Também constituiria uma riqueza para a Equipe, por via da reflexão e da crescente conversão, quer em comum quer em casal. Quero aqui deixar, tal qual, a reflexão que me foi enviada, quer na introdução e fundamentação doutrinária, quer em pistas de aplicação, usando os meios que o Movimento propõe aos casais para o seu crescimento espiritual e apostólico:
DEUS UNO E TRINO Modelo de ser com o outro, de socialidade a que o homem é chamado. A comunidade é, desde logo, a comunidade humana não só onde o homem se inicia a ser com outro, mas onde mais pode e deve ser com o outro. O ser-numa-família é dependência que faz crescer (como a dependência do homem para com Deus) e é amor (que terá por modelo o amor de Deus ao homem). Na família encontra-se, pois, um fluxo não recíproco (no sentido de não contabilizado ou de se constituir um crédito a cobrar) de serviços gratuitos. Receber sem pagar, dar sem receber, são atitudes fundamentais da sociedade familiar. E isto é assim tanto entre pais e filhos, como entre os cônjuges. Mas então que é isto senão uma sombra, um reflexo do Amor Misericordioso de Deus pelo homem? Não é, acaso, a misericordia a disposição de ajudar ou socorrer aquele que tem necessidade? A misericórdia de Deus não é "ser maternal" e "debruçar-se"? Naturalmente os pais "são maternais" e "debruçam-se sobre" os filhos. E não deve cada conjuge fazer o mesmo ao outro? Também o amor conjugal terá, pois, de ser misericordioso. E, :se o dever da misericórdia é para exercer quotidianamente, quem melhor que os cônjuges para o praticarem reciprocamente, pois que a sua vida quotidiana e o contato permanente é muitas vezes fonte geradora de conflitos de proporcionarem, diariamente, oportunidades de exercer a caridade, a caridade fraterna e o perdão. Quotidianamente cada cônjuge pode e deve ser misericordioso com o outro, concedendo-lhe perdão de suas faltas, dos seus erros, das suas omissões. Assim o vai ganhando para o amor. Mas de maior importância é o fato de que cada um tem de se responsabilizar pelo outro, ser maternal para com ele, debruçar-se sobre ele, ajudá-lo a crescer. Cada homem pode sempre crescer mais para se aproximar de Deus. Mas se pode e deve crescer, é porque é um ser neces-
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sitado, pobre, carente da ajuda e da misericórdia do outro que, aceitando os limites do ser amado, e nunca lhe fazendo sentir a sua decepção, tem a seu cargo o jubiloso compromisso de o fazer crescer à medida- do homem perfeito, à medida do próprio Cristo. Este milagre só é possível num clima de perdão mútuo, num clima de amor misericordioso, num clima de total gratuidade. De entre os instrumentos ou meios que as ENS põem à nossa disposição para exercer o amor misericordioso e o dever quotidiano da misericórdia, destacamos O DEVER DE SENTAR-SE, A PARTILHA, A COPARTICIPAÇÃO
Sentimos que em cada um destes meios tem de haver da parte de cada cônjuge e de todos os membros da Equipe, quando for caso disso, uma atitude de misericórdia, de ser "maternal" ou de "se debruçar sobre .. . " DEVER DE SENTAR-SE
Por nele estar presente CRISTO, .! um dos momentos ideais para exercer o dever da misericordia. Saber falar com misericórdia Saber ouvir com misericórdia Seja cada um para com o outro o bom samaritano PARTILHA, E, EVENTUALMENTE, A COPARTICIPAÇÃO
Formas extraordinárias de exercer a caridade fraterna, traduzida em amor misericordioso que comunica esperança e transmite a certeza de um amor que se comunica fraternalmente, acolhendo o outro, pessoa ou casal, e proporcionando-lhe a ~juda que faz crescer e dispõe a um maior crescimento que nada nem ninguém pode impedir. E a Equipe conclui: "A misericórdía evidencia-se na fidelidade dos casais de uma equipe com 29 anos e que integra casais que já perfizeram 35, 33, 32 e 31 anos de casados." Aqui deixo o meu "muito obrigado" à equipe que acompanho, que me ajuda e à qual tenho também procurado ajudar. Que ela trilhe sempre o caminho do amor misericordioso. Assim crescerá e será fermento de vida no Movimento e na sociedade. Ao finalizar, D. Marcellino mostrou aos equipistas as três atitudes que consid-era fundamentais para a prática da miseric6rdia no seio da familia: uma atitude de profunda humildade; uma aitude de atenção ao outro; uma atitude de esperança. Três atitudes, que podemos encontrar em Maria, nossa Mãe e 'Mãe de Miseric6rdia', nosso estímulo para alcançarmos a graça de ser misericordiosos na nossa vida de casal e de familia.
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REFLEXOES SOBRE O "MAGNIFICAT" Palestra pronunciada por Pe. Matteo Leporl, de Turim, Conselheiro Espiritual da Equipe da Super-Região Itália, na manhã de quinta-feira, 22/09/88, na Basílica São Pio X, em Lourdes.
Prólogo O cântico do Magnificat é certamente o mais conhecido, o mais recitado pelos cristãos. Isso testemunha a extraordinária influência que exerce sobre o povo de Deus. A repetição, todavia, traz sempre com ela o perigo do desgaste. A riqueza e a profundidade espirituais são muitas vezes obscurecidas pela repetição. O cântico torna-se, então, um palavreado. !: preciso, assim, refletir de novo para per· ceber todo o poder do cântico e canalizá-lo na história e na nossa vida. 1. História -
contexto -
significação
!: importante refletir sobre a significação profunda de muitos elementos históricos, geográficos e de costumes. Esses elementos exeriores são apresentados no cântico como a expressão ou o sinal de realidades mais profundas e vitais do que simples dados huma· no§ (mesmo analisados do ponto de vista científico) . O elemento humano torna-se um critério teológico onde o evangelista inspirado coloca uma revelação que o ultrapassa infinitamente. A realidade humana torna-se um fator de comunicação, acessível a todos, desde os mais pobres, entre os quais se encontra a própria Maria, sempre preocupada em compreender a significação e a revelação. Faz parte dessa unidade bíblica chamada "Evangelhos da Infância" (a infância de Jesus), que compreende São Mateus 1, 2 e Lucas 1, 2. Não se trata de uma novidade absoluta; retoma-se largamente as expressões do Cântico- de Ana, mãe de Samuel (1 Sam. 2,1) anterior de cerca de 1.000 anos. Retoma, resume e relança uma rica temática bíblica do Antigo Testamento, que encontra a sua execução e a sua dimensão infinita com a vinda de Jesus anunciada pelo Evangelho. A significação do contexto humano a)
O quadro histórico e o meio
Maria de Nazaré é uma mulher comum entre as mulheres do povo de Israel. A maioria das mulheres, nessa época, era analfabeta. Não tinham livros litúrgicos ou de orações. O livro de orações era a memória, alimentada por uma longa tradição oral, rica e repe-17-
tida com insistência, vivida na fé e aprofundada na meditação constante: uma tradição viva. O cântico brota da revelação e dessa memória "povoada", isto é da memória de uma história viva e criativa na qual Maria está totalmente absorvida pelo apelo de Deus. Lucas. para concluir o relato desses acontecimentos, diz que Maria "quanto a ela, guardava todas essas coisas no fundo de si mesma e meditava-as no seu coração" (Lucas 2, 18 e 48). Os acontecimentos da infância de Jesus, Maria comunica-os à primeira comunidade cristã que, por sua vez, medita-os à luz da Páscoa e da ressurreição do Cristo, como o centro de uma tradição que se renova sem cessar, seja na vida quotidiana das pessoas simples e pobres, seja nas grandes linhas da história, iluminando com uma luz nova a vida e a oração de todos . b)
A importância do meio social
Desse contexto fazem parte os Reis. Ainda que a pessoa de José, descendente de Davi, não tenha nada da realeza mundana, garante a Jesus a descendência real, tal como foi prometida por Deus. Do contexto social faz parte também a categoria sacerdotal: Zacarias e Isabel ; Zacarias é um sacerdote em serviço. Moram na montanha perto do monte Sião, como sinal de distinção e de elevação social. Maria, ao contrário, vive em Nazaré, um lugar nos confins da planície, numa região, a Galiléia, pouco confiável do ponto de vista religioso (a Galiléia dos gentios). Maria é uma mulher do povo, um povo pobre, humilde, abandonado, como ovelhas sem pastor. Mesmo as características geográficas, a montanha e a aldeia perdida, as encostas e as ladeiras, têl'!l para São Lucas uma significação teológica . Maria é a representante do povo modesto e sem brilho, dos pobres que Deus escolheu e em direção dos quais desce. Desse contexto fazem parte as mulheres. São Lucas põe em evidência a sua função primária. Com Maria, outras mulheres têm papéis ativos de participação, a começar por Ana. O designio de Deus, com Maria, opera uma mudança de situação: as mulheres não são mais subordinadas e afastadas em relação aos homens. Trata-se de uma reavaliação de muito alto nível que se estende sobre toda a história futura. O contexto Anunciação-Natividade
a) O tempo dos verbos que São Lucas utiliza no Magnificat é Importante, igualmente, para exprimir um fato teológico. O aorlsto" é úm tempo da língua grega que não tem correspondente em latim nem nas línguas latinas. Serve para exprimir o presente vitorioso de Deus ao longo da história. Indica um passado que contém o M
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futuro e um futuro enraizado no passado que encontra o seu cumprimento e a sua realização nos acontecimentos que são relatados. O "aoristo" indica a realização de uma linha constante de Deus que se prolonga no presente. Deus fez promessas a nossos pais e seu projeto se realiza desde Abraão até os nossos dias. Trata-se de uma linguagem que é muito diferente da nossa linguagem corrente. Difere, sobretudo, da linguagem da comunicação de massa e, particularmente, da televisão: a linguagem dos "flashes" e dos comerciais, uma linguagem que achata os tempos e os valores e que destrói, se não se pr:estar atenção, a capacidade das perspectivas históricas. A linguagem da comunicação de massa arranca as pessoas das suas raízes históricas e o conteúdo e as perspectivas diminuem. O estilo de São Lucas, ao contrário, contém uma extraordinária abertura e fecundidade históricas. b) Importantes são o lugar e o espaço. Há um espaço sagrado que é representado por duas realidades: Jerusalém que é o cume do mundo, onde Deus se comunica e onde os homens podem encontrá-lo; o Templo, coração de Jerusalém, onde se encontra Deus. ~ aqui que João Batista foi anunciado. Mas Zacarias sai do Templo, desqualificado pela imperfeição de sua fé. Nazaré, ao contrário, pertence ao espaço humano comum. Os pais de Jesus sobem a Jerusalém e descem a Nazaré, que se encontra em baixo. Jesus não é anunciado num lugar sagrado, mas num lugar profano que não é mencionado. O Anjo Gabriel não entra numa casa, mas vai a ela, em direção de Maria. Deus, como Jesus dirá à samaritana (João 4). não encontra mais os homens num certo lugar, mas nas pessoas mesmas. As pessoas são o seu lugar, o templo de Deus. Quando uma pessoa, como Maria, acolhe Deus, esta pessoa torna-se cheia de Graça e torna-se portadora da Graça. Maria é uma figura e uma antecipação do povo de Deus: Deus, em Maria, encontra seu povo. Maria, por sua vez, acolhe e recebe o Cristo com toda a plenitude de sua fé. Mas ela não guarda o Cristo para si: ela O dá a toda a humanidade apresentando-O ao templo nos braços de Simão e entre os doutores. O amor de Maria por Jesus não é um amor possessivo: trata-se de um amor-oblação, ou de um amor-oferenda no exemplo incomparável de Jesus. A escolha de Deus transforma as categorias tradicionais do sagrado e do profano: sagrados são os lugares que são reanimados pela presença de Deus: em primeiro lugar as pessoas pobres e rejeitadas (a "vergonha" de Isabel é lavada - Deus só leva em conta a pobreza dessa mulher). José, Maria e Jesus são um espaço doméstico autêntico e particular. Jesus não é nunca colocado numa casa específica. Não nasceu numa casa: seu nascimento está situado, em termos gerais, em Belém; não nasce no Templo . Nasceu na casa de seu Pai onde -
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prepara um lugar para todo o mundo. Jesus vive no espaço divino: o Altíssimo, o Pai.
2. A Mensagem do Magnificat Maria começa a salmodiar como o povo da Bíblia para anunciar que o Antigo Pacto acabou: não é renegado mas atingiu sua realização. ~ ultrapassado e transcendido pelo Pacto Novo que se abre com a Anunciação. O Cântico é dividido em duas partes. Primeira parte Maria coloca-se diante de Deus numa atitude de contemplação, de amor reconhecido, de acolhimento, de disponibilidade e de dom total. Ela canta as ·coisas grandes" que Deus operou nela. Deus está no centro de tudo. Maria reconhece e exalta sua grandeza, pela qual não se sente esmagada, mas revitalizada e projetada para um futuro maravilhoso. A alegria de Maria está acompanhada de um sentimento de prodígio e também de um medo reverencial em relação a Deus e seu amor. Não se trata de um sentimento de medo como para muitos homens do Antigo Testamento. Enfatiza fortemente a mudança das relações com Deus, mudança que se verifica com a vinda nela do Filho de Deus. Jesus tornará mais evidente essa mudança dizendo que Deus não nos trata mais como escravos, nem como estranhos ou hóspedes, mas como ·concidadãos dos santos" e "membros da família de Deus". A religião que procede do medo acaba, e nasce a comunidade dos filhos de Deus. Daí vem este indescritível sentimento de alegria que se manifesta na exultação em Deus, o Salvador da humanidade. Essa exultação não é um signo de ingenuidade. Maria, quando faz reviver o canto, sabe por experiência vivida e que foi descrita pelos Evangelhos da Infância que a alegria se acompanha sempre do sofrimento. A exultação se fortalece com a Ressurreição de Jesus e está alimentada pela esperança e o • élan" das primeiras comunidades cristãs. Deus é uma fonte inesgotável de alegria profunda e inefável, mesmo nos momentos mais dolorosos e difíceis. t natural comparar esta IT)anifestação de alegria com a oração de Jesus no Evangelho de João : 17. Deus manifesta-se definitivamente e plenamente como o Salvador ~os humild~s e dos oprimidos. A promessa que foi feita a Abraão e a seu povo no Sinai atinge uma plenitude certa e definitiva. Jesus é o amor infinito que engloba todo o mundo, que se dá sem reservas, que paga por todos , que livra e que salva de uma maneira misteriosa, a via da cruz, uma via diferente de todas as expectativas do povo.
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A exultação de Maria nasce da fé, é uma alegria mesmo no meio do sofrimento. Maria crê sempre na salvação mesmo nos momentos em que o revés parece total. - "Ele viu a humildade da sua serva"- Todo o texto evangélico evidencia a condição e a vida humilde de Maria. O relato sublinha a modéstia e a humildade de Maria, sua pobreza de criatura em relação a Deus, uma pobreza que, nos homens, agrava-se enormememente com o pecado. Ela também foi salva pelo Cristo, mas antes de ser atingida pelo mal. São Lucas ressalta a pobreza digna e plena de discrição de Maria e de sua família. ~ virgem, mas a virgindade não é um valor em Israel. O verdadeiro valor é a maternidade, que é um :dom de Deus (a sua prima, Isabel, fala de sua esterilidade como de uma vergonha). Maria vive em Nazaré. Viaja sem meios: nas grandes festividades vai em caravana com todo o mundo a Jerusalém. Dá à luz um filho, não numa casa, mas numa gruta e coloca-o numa mangedoura. Quando apresenta Jesus no Templo, faz a oblação dos pobres. Torna-se a mãe de um condenado e de um justiçado, após ter perambulado, seguindo-o à distância e com discrição no curso de seu ministério profético. Deus, com Maria, revela que salva e que enaltece com dignidade todos os homens , partindo da condição e dos acontecimentos mais comuns . Propicia a estas condições quotidianas e humildes um sentido novo e muito profundo: um destino de felicidade e de beatitude definitiva. Aos olhos de Deus, uma vida normal vivida na fé realiza os grandes valores do reino de Deus. Multidões de homens, no curso dos séculos , prôclamaram a beatitude de Maria que tornou visível o dom da salvação e do acessa à vida eterna. ~ justamente, esta esperança de salvação que deu e que dá a esperança e a alegria a milhões de pessoas, começando pelos mais humildes. A grandeza dessa mulher, exteriormente sem relevo, é descoberta após a vida na Terra. Sua fé, que foi vivida na condição de uma mulher leiga, incita os crentes a redescobrir a verdadeira natureza do povo salvo. Ela não subestima os ministérios, ao contrário coloca-os na sua verdadeira função e na sua multiplicidade. Maria possui uma grandeza inegável numa vida normal: qualquer pessoa pode tornar-se grande no Reino do Céu, onde os últimos serão os primeiros . Neste projeto de grandeza, Deus revela-se misericordioso em relação a todo o mundo. Não se trata de um Deus duro e animado pela vingança. No Antigo Testamento Deus revela-se muitas vezes um juiz exigente, mas também um pai. O aspecto misericordioso do Magnificat torna-se fundamental. A misericórdia de Deus é incarnada por Jesus e esta misericórdia estende-se sobre toda a huma-
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nidade e sobre sua história. Deus compreende, é claro, os limites de suas criaturas, os limites dos pecados e dos condicionamentos: Ele aceita todos e cada um tais como são , no bem e no mal. Sabe amar e saber perdoar. Paga de sua própria pessoa com o Cristo (FI. 2, 7-10), até à morte, o dom supremo da vida para o bem de todos. A misericórdia de Deus preservou Maria do mal e acompanhou-a sempre: Maria torna-se o sinal muito claro desta misericórdia para toda a humanidade, no curso de todos os acontecimentos da história. A misericórd ia de Deus deve ser acolhida com alegria. Cuidado para não considerá-la de maneira banal, tomando-a como pretexto para f azer o mal e para diminuir a gravidade e a responsabilidade do mal. Deus exprime toda sua pótência infinita na misericórdia. O comportamento de Deus é inteiramente diferente do comportamento dos poderosos deste mundo que, raramente, foram misericordiosos e que, em geral, não o são nunca. Fazem facilmente uso do poder para dominar os outros. Deus, ao contrário, serve-se do poder para amar e para fazer triunfar o bem e a vida. Muitas vezes apresenta-se na vida quotidiana como se fora pobre e carregado de pecados . Jesus recusou fazer uso do poder como de um instrumento a serviço de interesses familiares, econômicos ou políticos. Chocou-se com os outros membros da sua clã e com seus concidadãos de Nazaré que lhe pediam. Maria, quanto a ela, tem plena consciência do poder de Deus, porque viu e viveu com uma discrição e um sofrimento total apesar das tensões desencadeadas. A história de Maria, uma história ao mesmo tempo humilde e extraordinária, é um sinal da maneira de agir de Deus na história. - Chegando neste ponto, o canto abre-se e alarga-se: passa da história de Maria à história da humanidade. A participação ativa e amorosa de Deus na história da humanidade torna-se o tema dominante da segunda parte do cântico. Esta parte faz referência ao Antigo Testamento, interioriza-o em profundidade tornando-o universal. A história de Maria, ao lado da seqüência de Jesus, torna-se uma parte da história da humanidade inteira. Segunda parte
A segunda parte do cântico chama a atenção para toda a obra de salvação que Deus, por meio do Cristo, executa no curso da história da humanidade. Revela como Deus se empenha definitivamente no futuro . A história da humanidade e as histórias particulares das pessoas e dos povos são importantes porque, aos olhos de Deus, os primeiros se tornam os últimos e os últimos os primeiros. A contribuição de Maria é um sinal e uma missão: "Quem é minha mãe,
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quais são meus irmãos? Aquele que cumpre a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe " (São Marcos 3,33); Jesus precisa o verdadeiro vinculo forte com todos os homens: de tal modo forte que prevalece sobre todos os vínculos humanos, inclusive os vínculos de sangue. Maria é associada a este vínculo por seu papel extraordinário e por obra do Espírito Santo . A história de cada um através do Cristo está inserida na história universal da humanidade. A salvação de Deus age e manifesta-se em todos os domínios: desde a intimidade das pessoas- que é o centro privilegiado - a todos os domínios da história. Na segunda parte do cântico, Maria lembra e anuncia, com vigor mesmo, a projeção sobre a vida social e política, porque está estreitamente ligada às pessoas, das quais esta projeção representa uma dimensão irreversível. Maria penetra a história com a luz de Deus encarnado. O que ela diz não exprime uma mentalidade de classe : é o olhar com o qual uma mulher que reza vê o mundo e a história do ponto de vista de Deus e ela a anuncia aos homens de todos os tempos. O que impressiona é a força com a qual a presença de Deus é anunciada e se realiza na sociedade e na história dos povos. Todavia, é preciso constatar com espanto que este impacto é subestimado desde muito tempo por muitos crentes que recitam quotidianamente o canto religioso . A espiritualização fora da história leva a não ver o Plano de Salvação na projeção sobre a história na qual ele se encarna, concomitantemente , em tempos diferentes e nas diferentes histórias dos povos . As histórias dos povos, antigamente , estavam muito separadas entre elas no espaço. Agora, estão mais próximas e interdependentes, num mundo que, rapidamente , está em vias de tornar-se uma "aldeia" na qual é preciso viver os vínculos indispensáveis de solidariedade que são característicos da presença do Cristo. O "Magnificat" ·anuncia com alegria a grande intervenção de Deus , mas ele olha a história com um forte realismo. A história é, muitas vezes, uma desordem de conflitos, de situações caóticas e violentas, o teatro de comportamentos maus, de "pecados sociais " (ver a encíclica "Sollicitudo"): é o oposto do que Deus propôs e é muitas vezes dominada por soberbos que se tornaram poderosos , por poderosos ricos. O plano de Deus avança com a fé e a dedicação dos que têm o temor reverencial de Deus, os humildes, os pobres que estão perto de Deus. Deus criador salva-os e chama-os para serem em toda parte os portadores de sua salvação. Os soberbos: são os que se superestimam, que se superexal tam, algumas vezes até à loucura, e pretendem dominar os outros, · submetê-los e subjugá-los a seus interesses. Nosso século viveu e sofre exemplos monstruosos de homens aferrados ao culto da -
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TrĂŞs pobres que se amam: vĂŁo mudar a face da terra (Claudel). -24-
personalidade, homens que, na dominação, na violência e nas guerras fizeram ruínas no mundo. Os que querem abrir os olhos têm bem presente o quadro terrível de muitas experiências atuais. Maria diz que Deus os dispersa nos pensamentos de seus corações". Na sua loucura, destrõem muitas vezes os outros e destrõem-se a si próprios. A grande história e as pequenas histórias estão cheias destes casos. Deus está com os Fobumenol ", os que têm por Ele a adoração, o temor reverencial, mas não o medo. Estes homens percebem os seus limites, possuem uma grande abertura e uma grande disponibilidade. Têm confiança Nele, na sua generosidade. Jesus na vida humana manifesta-se assim: Ele escolhe o caminho do homem sim- · pies e consciente e Ele humilha-se. Ele não criticou somente as falsas aparências do poder, mas Ele apresentou, com palavras simples, a imensa grandeza de Deus, humilhando-se, escapando do desejo de realiiar milagres, mesmo quando Ele era fortemente solicitado. Maria, a pessoa humana que participou mais do que os outros no plano de salvação no Cristo, Maria, ela própria, não se :faz notar na vida. Ela é a serva modesta de Deus. Será exaltada ·por Deus na assunção ao céu. A escolha que é feita aqui como uma escolha que corresponde ao critério de Deus, é uma escolha primária, indispensável para ser salvo e para tornar-se portador da Salvação, que pode vir somente de Deus. Os poderosos -Poder e pobreza afrontam-se perpetualmente na história humana e na história do povo de Deus. No âmbito do Magnificat, o poder de Zacarias, o sacerdote, está acompanhado de uma fé hesitante no momento de acolher a proposta de Deus. O poder de Cesar, que se exprime pela imposição do recenseamento obriga todo o mundo a se deslocar, é evidente, mas desprovida de conteúdo. Cesar domina as pessoas, mas é odiado pelo povo. O poder de Herodes é receoso e maléfico: para guardar seu poder além da dúvida, não hesita em ordenar o massacre das crianças de Belém para sufocar desde o início um concorrente hipotético. Jesus se confrontou com o poder do Sinédrio, muito limitado pelo poder romano, mas muito atento a se conservar, a ocupar todos os espaços; ele manifesta seu estilo na decisão de Caifás: ~ melhor que um só homem morra pelo povo, do que a nação inteira seja condenada a morrer (por causa das represálias de Roma) (Jo. 11). Jesus se submeteu ao poder de Pilatos. Diante de Jesus, Pilatos afirma seu poder de fazer viver e de fazer morrer e admira-se que Jesus, reduzido à impotência, não lhe dê importância e persista, loucamente, a reafirmar sua realeza no momento mesmo em que Ele é derrotado. Ao lado dos grandes poderosos agita-se a multidão dos pequenos poderosos: são, geralmente, fechados na sua esfera, prontos M
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a adorar o espírito do mal , os poderosos deste mundo para guardar, ou para aumentar sua parcela de poder. Estes pequenos poderosos são abatidos e descidos dos tronos pelos meios que Deus põe em obra no curso da história, mas, sobretudo, são precipitados no nada porque não souberam acolher o Reino definitivo, a salvação eterna , porque já tiveram a sua recompensa . O destino de les é a derrota. O poder é tentador. O próprio Cristo, teve que repudiar esta tentação, porque nenhum homem está isento dela, (Lucas 4, 6-7). Jesus pede explicitamente a todos seus discípulos que as relações com Deus, assim como as relações entre eles e com os outros. não sejam deste tipo, (Lucas 22 - 24 - 27) . O poder é um serviço para o qual somos chamados por Deus e que deve ser cumprido com humildade. O poder é uma participação atenta ao poder infinito de Jesus que se revelou prestando serviço aos mais humildes .(João 13, 12-17) e mostrando que esta atitude é a única que pode proporcionar a Salvação. O poder do amor de Deus que leva à Salvação manifesta-se através das pessoas humildes. A expressão grega "tapeinoi" traduz bem esta idéia . Este termo serve para indicar as pessoas pobres e humildes que têm consciência que o único poder é o de Deus. Deus comunica seu poder aos homens simples que são conscientes dos seus limites. Só a fé os leva a aceitar a vocação porque pressentem que o poder de Deus é uma força que age neles segundo vias que são diferentes das vias conhecidas e praticadas no seio das sociedades humanas. A vida indicada por Deus pode levar até à loucura da cruz. ~ assim que Deus comunicou seu poder a Moisés, a Elias, aos Profetas, a João Batista. O poder do Cristo manifesta-se na humildade. O poder de Deus pode se manifestar também na aparência exterior insignificante de Maria que se pergunta "como é que tudo isto poderá se verificar" . O poder de Deus se manifesta em Maria de maneira simples e incrível. Maria vive e age à sombra de Jesus para contribuir a tornar presente e ativo o Reino de Deus , sem brilho e sem falsas aparências. A manifestação de Deus está na pobreza, na doçura e ela encontra sua realização maior na Paixão de Jesus, na sua morte e sua ressurreição. A pequena exaltação de Maria só começa no Pentecostes . O verdadeiro poder de Deus se manifesta no Espírito e é recebido sempre e somente por meio do Espírito Santo que Deus acende nos homens, numa verdadeira comunhão de vida eterna. ~ o Espírito que realiza em Jesus o verdadeiro servidor de Javé. O Cristo é o grande rejeitado que morre expulso para além da porta da Cidade Santa; Maria, erguida ao pé da cruz torna-se a mãe universal de cada pessoa rejeitada . A oração dos crentes dos milênios anteriores e següintes exprime-se com Maria e Jesus.
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Os ricos: O conceito dos ricos no Evangelho não é somente uma questão de quantidade do ponto de vista econômico. A grande quantidade de bens é, certamente, um grave perigo. A riqueza comporta grandes dificuldades para entrar no Reino. A característica dominante, todavia , é qualitativa e global. Ela engloba o poder, a cultura, a escolha de vida. O rico que não pode entrar no Reino dos Céus é o que dá prioridade ao ter e não ao ser. Trata-se dos ricos que fazem da posse dos bens a finalidade da vida. Trata-se dos que têm a mania de acumular : a "pleonexia" que significa, justamente, a mania de acumular os bens. Os que não poderão entrar no Reino, são os ricos que exploram os outros homens com vistas a acumular; não se comunicam com os pobres a nível de bens econômicos. Ao contrário, normalmente, tentam explorar os pobres como um meio de vida natural. Este gênero de ricos são idólatras, pretendem servir dois mestres, mas são apenas os servidores de "Mammon" (São Lucas 26, 13). Os pobres: são os que são reduzidos à miséria (sem a possibilidade de viver de maneira humana); são os oprimidos, colocados fora da sociedade pelos ricos. I: preciso notar que a miséria e a exclusão não são fenômenos naturais. Este fenômeno não é, também, um ideal a seguir. Os pobres são o oposto da lógica do Reino de Deus. A miséria é a realização e a conseqüência de pecados pessoais ou então é o resultado das " estruturas de pecado" ("Sollicitudo rei socialis). A miséria é o sinal visível de um pecado contra a justiça que se tornou dominante na sociedade. Quando o Reino de Deus consegue triunfar, estas situações são destinadas a desaparecer. "Os pobres, enche-os de bens". A coexistência dos pobres e dos muito ricos, mesmo se não houver uma rebelião e um conflito aberto, não pode conduzir à paz, mas a conflitos abertos. A paz, ao contrário, nasce do desenvolvimento e da solidariedade, duas coisas que, na nossa época, são urgentes e podem caminhar juntas. (Ver "Populorum Progressio " e "Sollicitudo). O próprio saber biblico popular o fazia notar. (Sir. c 13, Ne c 5). A condição de miséria não é um valor na Bíblia, mas uma condição desumana, fruto do pecado . Os pobres são amados por Deus porque são pobres , mas a Bíblia não exalta a miséria. Ela lembra, no entanto, o dever de ajudar os pobres a sair da miséria. A Bíblia encoraja este esforço. Deus no Deuteronômio tinha insistido a fim de que "entre vós não haja indigentes". (Dt. 15). Os Atos dos Apóstolos contam que "entre eles não havia indigentes" (na comunidade) (Atos 4, 34). O ensino eclesiástico continua . A atualização mais recente é a da " Sollicitudo rei socialis". A escolha da pobreza do Cristo não é um convite à miséria. Convida a se tornar "pobre " com vistas a obter o Reino, mas não convida a um tipo de miséria que corresponde a ser " marginalizado ". O convite de Jesus é o con-
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vi te a uma vida " sóbria e moderada" ("a vida d'e um homem não depende dos bens que possui "). O Cristo convida a comunicar e a colaborar a nível de bens econômicos e culturais a fim de que ninguém fique desprovido. Aconselha utilizar os bens econômicos para a felicidade de todo o mundo (é preciso se livrar do espírito de acumulação individualista). O Cristo convida a ficar disponível para qualquer renúncia econômica ou de prestígio com vistas ao Reino. Ser " pobre" significa ser Iivre e disponível para qualquer apelo na vida . Maria vive este gênero de pobreza sob a sua forma econômica, mas também quando exerce sua função materna. Tem um Filho único, muito amado e muito grande, mas não é possessiva em relação a Ele . Dá-O à humanidade inteira (torna-se Mãe universal); não segue a lógica do clã que queria explorar o caráter messiánico de Jesus para melhor se afirmar e se impor. Segue Jesus com fadiga e sofrimento, como lhe tinha predito Simeão, não é sempre fácil para ela compreender a missão do Filho, como no episódio do Templo entre os Doutores; ela não o afasta do caminho da cruz, mas está presente com o coração transpassado pela dor, quase só e silenciosa no Calvário. Depois da Ressurreição, exerce sua missão que consiste em fazê-Lo crescer espiritualmente no meio das comunidades cristãs. A escolha da pobreza evangélica de Jesus e de Maria permanece, todavia, uma formidável incitação para o povo cristão, que, muitas vezes, esquece a pobreza de Maria no meio duma suntuosidade excessiva de culto. A pobreza, no sentido evangélico, é um convite à purificação. A pobreza evangélica deve ser o modelo para todos os homens de nosso tempo, em particular, para os que se fecham no seu bemestar, para os que concentram enormes riquezas em suas mãos, com o resultado de criar multidões de pobres desesperados. O modelo da pobreza evangélica é válido, sobretudo, para os que, na América Latina, gostam de se definir como cristãos enquanto prossegue a exterminação dos índios do país. Pretendem-se . cristãos e expulsam milhões de camponeses de suas terras para aumentar a extensão das grandes propriedades fundiárias. As mesmas considerações são válidas para os que produzem bilhões de pobres no mundo que, do ponto de vista técnico, está apto a vencer a pobreza. A devoção a Maria nos que praticam estes crimes é uma blasfémia e uma desconsideração desprezível das quais as comunidades cristãs e a Igreja inteira devem tomar consciência, para denunciar com clareza a dissociação e para se purificarem, a fim de não se tornar um grave escândalo no mundo. A reflexão deve con-
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duzir a escolhas claras, ainda quando possam ser cansativas e dolorosas. · - O comportamento de Deus contido no Magnificat estendese, com o Cristo, à toda a história, à história de toda a humanidade e de todos os tempos: "para nossos pais, para Abraão e su& descendência nos séculos" . Deus acolheu Israel e agora acolhe a Igreja, as comunidades e os indivíduos, tais como são. Sua salvação se estende misteriosamente a todos os povos: trata-se de uma salvação universal. ~ em função desta atitude de Deus que devemos ver e estabelecer as linhas diretrizes de nosso comportamento em relação aos homens pertencentes a outras religiões e aos nãocrentes. O Projeto e a vontade de Deus são definitivos. Deus não muda mais e Ele continua seu caminho. Quando voltamos a nós após esquecimentos que, muitas vezes, não são inocentes, estamos certos de O encontrar neste caminho e estamos seguros de poder comunicar com Ele por intermédio de Maria.
Conclusões Algumas conclusões podem ser necessarras para resumir e para nos guiar na vida que Deus nos dá e no longo caminho que Ele nos convida a percorrer. e O Magnificat apresenta uma síntese maravilhosa do sentido e do caminho de toda a história. Ajuda-nos a encontrar o nosso lugar no contexto maravilhoso, numa comunhão incomensurável e num destino infinito de beleza e de amor. Somente o nosso caráter superficial nos leva a repetir o canto muitas vezes sem meditá-lo e sem vivê-lo. ·e O Magnificat é uma síntese da revelação do sentido e do destino da história e da humanidade. Deus está presente como "Aquele que era, que é e que será nos séculos do Senhor". ~ a intenção e a significação última e vital, até nos momentos traumatizantes da paixão e da morte do Cristo, quando a espada transpassa o coração de Maria. Pecado e sofrimento são momentos terríveis, mas não é nunca o fim, se acreditarmos em Deus e aceitarmos sermos salvos. A verdadeira esperança é sempre vencedora até nos momentos mais desesperadores. Com Jesus a história de morte torna-se uma história de Safvação para os crentes. e O Magnificat é a revelação da salvação, um Evangelho a meditar e a traduzir na vida da história corrente. Sua atualização não deverá ser um arranjo ou uma acomodação redutiva ou ideológica mas um ato de fé, de amor e de aplicação concreta . • Maria, que no canto resumiu todo o Evangelho, torna-se um paradigma exemplar para todos os cristãos, para a Igreja e para as comunidades religiosas de todas as épocas. Mas Maria é, sobretudo, a Mãe viva, atenta, preocupada, a fim de que o Cristo possa
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crescer e se desenvolver em todas as formas mais vivas e mais profundas. e Compete a nós saber viver esta presença de Maria na família. Compete a nós saber anunciá-la e comunicá-la a outras famflias para estimular sua participação. A família d~ Maria foi uma família muito unida em sua intimidade porque viveu uma relação profunda com Deus. Esta família foi também uma família muito aberta: aos homens, a todas as épocas , graças ao dom da vida do Filho. Estas duas atitudes , difíceis de reunir, encontram em Maria a maior e mais perfeita composição. Uma família cristã não pode escapar deste apelo, nem se fechar nela mesma, ou ainda dispersar seus esforços em engajamentos improdutivos. O Magnificat que nos foi comunicado é uma chave que abre o acesso a este mistério. ~ a luz que ilumina nosso caminho. Dá-nos igualmente a força para caminhar. A chave nos foi dada: cabe a nós, agora , saber e querer utili· zá-la.
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JOVENS
Ainda na manhã da quinta-feira, dia 22 de setembro, logo após a palestra do Pe. Lepori, os equipistas ouviram, da boca do Pe. Guy Thomazeau, VigárioGeral de Paris, um relato de grande importância do qual publicamos os principais trechos:
DE ROMA A LOURDES: EQUIPES DE NOSSA SENHORA JOVENS (ENSJ) DOZE ANOS DE CAMINHADA Uma iniciativa das Equipes de Nossa Senhora. Durante a primavera de 1976, devido à doença de outro padre, solicitaram-me que ajudasse a animar um grupo de adolescentes que os casais das ENS haviam arriscado de convidar a participar da peregrinação a Roma. ( ... ) Solicitei a colaboração de três casais que eu sabia capazes de se lançar na aventura. Foi assim que 140 jovens descobriram Roma, ( .. . ) no decorrer daqueles dias da Peregrinação de setembro de 1976. Os três casais, alguns padres e eu, nos empenhamos ao máximo, procurando ser disponíveis, tanto escutando como respondendo às interpelaÇões daqueles jovens, vindos praticamente dos cinco continentes . Uma conseqüência inesperada: o nascimento das ENSJ. ( ... ) O convite que vocês endereçaram àqueles jovens teve como conseqüência imprevisível o nascimento do que chamamos hoje um Movimento Cristão de Jovens, presente em uma dezena de países. Doze anos se passaram , e o caminho percorrido nos permite agora de melhor distinguir o que veio do Espírito do Senhor, que cada vez nos surpreende mais. Realizou-se cada ano uma concentração internacional, a maioria das vezes na França, em 1982 em Roma , com enorme entusiasmo em 1985 em Penafiel, Portugal e, em 1987, com 750 participantes, em Santiago de Compostela, na Espanha. Tendo participado de nove dessas doze concentrações, sinto-me feliz de poder partilhar com as ENS a experiência desse nascimento e de lhes fazer um apelo, sob a forma de cinco constatações. Vida autônoma e vinculo de filiação das ENSJ. 1. O movimento das ENSJ quis, desde o primeiro dia, ser um movimento espiritual de jovens, animado por jovens. ( .. . ) As ENSJ redigiram, em 1978, um • Contrato·, fixando os objetivos em vista dos quais os jovens se organizam em equipes. Este documento
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se inspirou no mesmo espírito que os Estatutos das ENS, mas define as exigências próprias às equipes de jovens solteiros. 2. Como todos os movimentos de jovens, as ENSJ progrediram graças ao apoio discreto, porém insubstituível de adultos, no caso, casais das ENS. Os jovens responsáveis mudam muito rapidamente, conseqüência da forte mobilidade na faixa de idade de mais ou menos 18 a 25 anos, e a presença discreta dos casais assegura a estabilidade. ( ... ) 3. O que esperam dos casais que vêm acompanhá-los nesta caminhada, os jovens entre os quais, atualmente, os filhos de equlpistas não são mais a maioria? ( . .. ) Eles são exigentes em relação aos mais velhos. Eles esperam dos casais que lhes deem simplesmente o testemunho de sua vivência do sacramento do matrimônio. Eles desejam que sua vida de equipe os ajude a descobrir sua vocação de batizados e a escolher claramente seu caminho para o futuro, descobrindo como viver em Igreja. 4. Os casais que respondem a este chamado não vêm para exercer uma tutela ou um poder sobre os jovens: estes aspiram a se formar pela prática, na responsabilidade de animadores cristãos para a sua geração. Em muitas regiões, os padres disponíveis para o sérvlço aos jovens são poucos, e as ENSJ se desenvolvem graças à disponibilidade dos casais das ENS. As Equipes de Lisboa e do Porto são um belo exemplo disto. !::, em verdade, um apelo que faço, aqui em Lourdes: seria lnimaginável que os jovens que desejassem se organizar em equipes não ·o conseguissem por falta da ajuda de um casal ou um padre! 5. Nestes doze anos, alguns casais provenientes das ENSJ entraram nas ENS. Mas atenção! As ENSJ não são um serviço de recrutamento camuflado! São, isto sim, um sinal da fecundidade espiritual das ENS. Que Nossa Senhora de Lourdes abençoe esta juventude da Igreja, que precisa descobrir a espiritualidade cristã do casamento, para fundar os lares cristãos de amanhã, e dar também à Igreja vocações religiosas c sacerdotais.
Nota: Ao final do corrente ano, ou no Inicio do próximo, os Responsáveis Internacionais das ENSJ estarão visitando a América do Sul, com vistas à expansão do movimento. Pedimos aos que tiverem Interesse em estabelecer contato, que se comuniquem urgentemente com o Secretariado Nacional, em Sio Paulo.
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A PALAVRA DOS NOSSOS PASTORES
MISSAO DO LEIGO CASADO NA IGREJA E NO MUNDO Palestra pronunciada pelo Cardeal Eduardo Pironio, Presidente do Pontifício Conselho para os leigos, na Basílica São Pio X, em Lourdes, na tarde do dia 22/09/88.
INTRODUÇÃO "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas." (Ap. 12, 1) É assim que hoje vemos Maria "Imagem e princípio da Igreja" - como nos é apresentada na liturgia da Assunção e com a qual o Pap!! João Paulo 11 encerrou o segundo Ano Mariano da História. Maria, "sinal de esperança certa e de consolação" para o povo de Deus em marcha (L. G. 68). Este povo de Deus que foi "visitado" providencialmente (Lc 7, 16) durante o último Sínodo dos Bispos sobre "a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo." Ano Mariano, Sínodo sobre os Leigos, quarenta anos de vida das E.N.S., tudo isto nos coloca em um contexto de Visitação, de louvor ao Senhor, de ação de graças e de festa, de caminho e de esperança. Um contexto de "Magnificat ", enquanto renovamos nosso "Fiat" na iminência do terceiro milênio da Encarnação do Senhor. Gostaria de situar esta reflexão em um clima de serenidade interior e de oração contempla~iva. Falar às E.N.S. em sua peregrinação a Lourdes sobre a missão do leigo casado não é fazer uma conferência sobre assunto já conhecido, mas aproveitar a ocasião para rezarmos juntos:
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falando do coração contemplativo e missionário da Virgem do Magnificat; deixando-nos invadir pelo sopro renovador do Espírito de Pentecostes; abertos ao Amor do Pai, à escuta da Palavra que se fez carne no seio virginal de Maria;
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em comunicação profunda com a Igreja, empenhada em uma nova evangelização; - atentos aos novos desafios da história que atualmente se nos apresenta cheia de dificuldades e de esperança a exigir a presença dos leigos fortemente comprometidos com Cristo, na Igreja e no mundo. Por isto, gostaria que o te.ma de ·Missão do Leigo Casado", nós o analisássemos hoje à luz dé dois textos do Evangelho: a) "Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às monta·
nhas, a uma cidade de Judá." (Lc 1,39)
Trata-se de uma ·missão" de Maria realizada sem tardar e em si lêncio. O mistério da Visitação, no qual se insere o Magnificat, nos apresenta Maria, a contemplativa, a missionária, a toda fiel. "Bem-aventurada és tu que creste , pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas" (Lc 1,45). Nesta fidelidade de Maria a fidelidade dos esposos encontra a sua inspiração e seu apoio; ela se torna o cotidiano seguim~nto de Cristo na oração e na missão; ela se faz santidade conjugal e familiar, dom fecundo aos filhos, presença missionária providencial da Igreja no mundo. A Palavra feita carne em Maria no momento da Anunciação se transforma em anúncio profético e missão de salvação na Visita, e é por isto que Maria entoa o • Magnificat ". A Palavra ouvida, acolhida e partilhada em família, se transforma imediatamente em comunhão silenciosa e missionária inicialmente para a própria família e posteriormente- para a Igreja e para o mundo. b) "Como o Pai me enviou assim também eu vos envio a vós. ( .. . )
Recebei o Espírito Santo" (Jo 20, 21 e 22).
Essa ordem de Jesus provém do Amor do Pai, para a salvação do mundo. Pressupõe a ação do Espírito Santo. O Pai envia o Filho; o Pai e o Filho enviam o Espírito Santo. A Igreja é toda missionária; todo cristão, mesmo o monge ou o eremita, é enviado ao mundo por Cristo. · As E.N.S. - Movimento, antes de tudo , de espiritualidade têm uma missão essencialmente missionária e evangelizadora, partilhada com todo cristão pelo batismo e pela crisma, e logo é conferida, exigida e enriquecida de uma maneira específica pelo - sacramento do Matrimônio. ~ neste sacramento que as equipes se revestem de santi,dade e experimentam a alegria da missão. O último Sínodo insistiu muito sobre a presença e sobre
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a missão dos leigos na Igreja e no mundo, mas o fez a partir da vocação dos leigos à santidade e às exigências de uma espitualidade secular vigorosa. Sem identificar a condição dos leigos e a condição matrimonial, podemos afirmar - sem possibilidade de erro - que a maior parte dos leigos vive e exprime sua fé na experiência decisiva do sacramento do Matrimônio. Quando falamos da "missão do leigo casado" chamamos a atenção para os seguintes pontos: a) acolher, como casal, o dom do Amor de Deus e comunicá-lo aos outros, principalmente aos filhos, aos familiares e às outras famílias; b) viver, como casal, a pobreza evangélica que conduz os cônjuges à alegria de escutar, de dialogar e de partilhar a dom do Amor de Deus; c) perceber juntos - e com toda a família - o Sopro do Espírito Santo que os conduz à Igreja-comunhão, aliança de amor e a construir, no silêncio e no espírito missionário, uma nova civilização de amor.
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A EXPERI~NCIA DO AMOR DE DEUS "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é Amor . .. " (1 Jo 4, 16)
Amor de Deus: Tornou-se aliança e fidelidade Tornou-se comunhão e participação Tornou-se misericórdia, alegria e esperança Assim o canta Nossa Senhora no Magnificat. É essencial começar por este ponto: o matrimônio cristão exprime e realiza o mistério do Amor de Deus pelo homem. Na Familiaris Consortio o Papa nos fala: "A família recebe a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, como um reflexo vivo do amor de Deus e uma participação real neste Amor peia humanidade, e no Amor de Cristo, Nosso Senhor, pela Igreja, Sua esposa" (F.C., 17). Daí a necessidade de viver "como casal" esta experiência do Amor de Deus (próximo e íntimo), nos momentos de alegria familiar (nascimento de um filho, sucesso escolar, decisão de uma vocação) e nos momentos fortes (incertezas e buscas, dificuldades no diálogo, na doença e na morte e nas mais diversas dificuldades familiares). Momentos de Cruz. "O matrimônio cristão é uma Páscoa" disse João Paulo 11 às E.N.S. (23/09/82): "A aliança
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do matrimônio é banhada no sangue de uma Cruz Pascal que gera necessariamente a alegria." Assinalemos alguns aspectos desta experiência do Amor de Deus: 1) O Amor de Deus, fonte da alegria, da responsabilidade no crescimento para a santidade, da mútua fidelidade, da fortaleza, do engajamento apostólico, da experiência teologal, da acolhida e da educação dos filhos. "Cremos no Amor que Deus tem por nós." O cotidiano dos esposos deve ser fruto e sinal desta experiência do Amor de Deus, experiência que cria uma atmosfera singular de serenidade, de alegria e de esperança entre os esposos . t o " Deus de misericórdia ... rico em amor e fidelidade" que se revela a Moisés como fundamento da Aliança (Ex. 34,6) e que Maria canta no Magnificat. 2) Esta experiência do Amor de Deus é o fundamento do testemunho apostólico do casal e, sobretudo, da comunhão e da intercomunicação entre os casais da Equipe. A vida de oração da Equipe, como a dos esposos em família, se desftnrola essencialmente nesta experiência do Amor de Deus. "Teu pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á ." (Mt 6,6). O Magnificat de Nossa Senhora é um canto de louvor e de reconhecimento pelo Amor de Deus-Salvador, manifestado em Jesus Cristo, o Senhor. Maria começou a rezar o Magnificat quando o Anjo da Anunciação a saudou, dizendo: "Ave, cheia de graça" (Lc. 1,28), que quer dizer privilegiada, particularmente amada do Senhor, "o Senhor é contigo.· Esta experiência do Amor de Deus - fruto do Espírito Santo que nos é dado- faz nascer entre os esposos um espírito contemplativo, que não os afasta da história mas os torna capacitados à descoberta contínua do Senhor e os faz viver sua descoberta maravilhosa em constante louvor. 3) Esta experiência do Amor de Deus predispõe o casal a uma ação discreta e eficaz face aos outros casais em dificuldades ou no sofrimento, face aos casais em crise ou separados ou recasados. t esta a extraordinária misericórdia do Pai que Maria canta no Magnificat e que S. Lucas descreve na parábola do Filho Pródigo. Ela inspira atitudes de coerência na fé, na plena fidelidade ao Magistério da Igreja e em uma disposição sincera de compreensão, de acolhimento e de acompanhamento evangélico. 4) Enfim, a experiência do Amor de Deus dá ao casal uma dimensão essencialmente missionária .
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Abre-te a Mim: Eu virei como uma torrente. -37-
·Com efeito, de tal modo Deu,s amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele." (Jo. 3, 16-17). As E.N.S. - movimento de espiritualidade - antes de tudo não se fecham sobre elas mesmas, não se isol.am da realidade. Iluminadas pela Fé e pela profundidade na Contemplação, elas sabem assumir os desafios da História e se engajar, a partir de sua identidade própria e em comunhão total com a Igreja, em construir uma sociedade. nova, inspirada nos valores evangélicos. O leigo casado - como todo leigo - é enviado "até os confins da história" (João Paulo 11, encerramento do Sínodo de 1987): família, educação, cultura, ordem social, econômica e política. Vive no mundo: é aí que é chamado a se santificar, a impregnar de espfrito cristão a.s estruturas temporais. O sacramento do matrimônio - do qual os esposos são os próprios ministros, não somente durante a cerimônia, mas ao longo de toda sua vida - aprofunda a graça e a responsabilidade do batismo. 11 -
NUMA PERSPECTIVA DE POBREZA EVANGI:LICA "Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos." (Lc. 10-21)
Este texto de Lucas é particularmente significativo, pois nos ;fala de Jesus "cheio de alegria no Espírito Santo"; de fato é São Lucas que registra no Magnificat: "Exulta meu espírito em Deus, meu Salvador, porque olhou para humildade de sua serva. (Lc. 1, 47-48). Maria, a pobre de Javé! Como é bom contemplá-la na sua pobreza contemplativa e missionária! Crescer espiritualmente na fé, progredir na santidade como casal e como casal anunciar o Evangelho de Deus, edificar a comunidade eclesial, o Reino de Deus na cidade dos homens. Tudo isto exige muita pobreza evangélica, muita humildade e pobreza de espírito, muita alegria no anular-se, na cn..Jz, muito amor aos pobres e a alegria de percorrer com eles um caminho de ressurreição e ~spe rança. O Magnificat é a prece dos pobres. Somente os pobres sabem rezá-lo bem. Somente os pobres são verdadeiramente contemplativos. Somente os pobres têm a coragem de arriscar tudo para, generosamente, servir seus irmãos. · -38-
Agora, ressaltamos alguns aspectos das exigências e dos frutos desta pobreza evangélica, sobretudo em relação às E.N.S., lembrando sempre as palavras de São Paulo concernentes a Jesus: "Sendo · rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza". (2 Cor. 8,9): - O que é primordial para um cristão é ser "discípulo" de Jesus (o que ouve e acolhe, o que segue o Cristo, na vida cotidiana). "Seguir Cristo" começa pela pobreza: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre porque deles é o Reino nos céus" (Mt. 5, 3). "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres. . . depois vem e segue-me" (Me 10, 21). "Mestre, seguir-te-e i para onde quer que fores . . . o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça" (Mt. 8, 19-20). A pobreza- que nos abre a Deus- está ligada ao desprendimento e à liberdade. Seremos verdadeiramente livres quando renunciarmos a tudo e principalmente quando renunciarmos a nós mesmos. Somente assim seremos capazes de abrirmo-nos a Deus e aos outros, de ouvir e acolher a Deus e a nossos irmãos. A pobreza é indispensável para experimentar o amor de Deus e para viver mutuamente a sinceridade do amor. O caminho progressivo rumo à santidade supõe uma grande capacidade de escuta e de acolhimento. O dever de sentar-se. a meditação serena, o testemunho, pressupõem a capacidade contemplativa dos pobres. Uma pobreza que é humildade, que é expressão da caridade, uma pobreza que é alegria, prece, caminho de elevação: "Exaltou os humildes". Para compreender juntos, como casal, o desígnio de Deus sobre a família, a sociedade e a comunidade eclesial é preciso ser pobres. A segurança pessoal torna impossível o diálogo sereno e a prece partilhada. Ela nos torna cegos e surdos. Também aqui acontecem as palavras do Magnificat: "Sacia de bens os fa· mintos, despede os ricos sem nada." 2 - A missão evangelizadora de Jesus se realiza - preferencialmente - entre os pobres: "O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres." (Lc 4, 18). Este é o sinal da presença do Messias esperado: "Aos pobres é anunciado o Evangelho" (Lc 7, 22).
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A ·pobreza evangélica gera entre os esposos uma especial capacidade de contemplação para descobrir onde estão hoje os verdadeiros pobres, e lhes dá uma especial força para assumir, como casal , seus problemas e caminhar com eles em espírito de verdadeira comunhão e de solidariedade evangélica. A preocupação pelos pobres - serena, alegre , evangélica faz parte da missão essencial da Igreja e, por conseguinte, da missão de todo cristão leigo. · A profundidade e aautenticidade da vida espiritual das E.N.S. se exprimirá na abertura evangélica ao mundo e no engafamento evangélico junto aos mais pobres. Mas junto a quais pobres? E como? Esta resposta se acha na pobreza pessoal e no discernimento do Espírito; não nos esqueçamos, falando aos casais, que existe uma pobreza dolorosa e espe,cífica entre as famílias em dificuldade: uma pobreza material, moral e espiritual. Estas famílias deveriam ser consideradas "prioritárias", e deveriam ser alvo de uma atenção especial dos casais e das famílias cristãs, que delas se ocupariam numa real e concreta opção pelos pobres . Este seria um modo de exprimir e de comunicar aos outros a experiência profunda do Amor de Deus. 3 - A pobreza caminha lado a lado com a contemplação e a esperança. Maria, a pobre , a contemplativa, canta a fidelidade de Deus à sua promessa. O Magnificat é um canto de esperança, São Paulo escreve aos romanos : "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração". (Rm 12, 12) J: evidente que a serenidade, a alegria e a esperança são maneiras de viver e de exprimir o Amor de Deus, que constrói o casal e acompanha - com a graça do sacramento - a vida e o engajamento da família. J: claro que um dos fenômenos mais preocupantes do nosso tempo (repleto de conquistas e de realizações técnicas) é a tensão, a tristeza e o mal-estar em que vivem tantas pessoas e tantas famílias . O testemunho sereno e claro de uma família cristã, da Ressurreição de Çristo, do Amor misericordioso do Pai , da "alegria no Espírito Santo " (Lc 1O, 21). deveria ser uma das maiores preocupações apostólicas. Semear a alegria e a esperança como frutos de uma vida de fé intensa e fecunda, não seria isto parte da missão das E.N.S.? Difundir a esperança não significa desconhecer ou negar a dificuldade, mas assumi-la para superá-la. A esperança é a virtude dos fortes para os momentos difíceis. -40-
Durante a audiência do dia 22 de setembro de 1976, Paulo VI disse às E.N.S. reunidas em Roma: "Inumeráveis casais lhes serão gratos pela ajuda que vocês lhes possam dar. De fato, a maioria dos esposos de hoje tem necessidade de ser ajudada. São principalmente vítimas da desconfiança e da dúvida, do medo e do desânimo e, enfim, da perda dos mais nobres valores do casamento." Quanta esperança é necessária - quanta força de vontade para viver, no cotidiano do casal, a alegria, a fecundidade e a estabilidaae do amor verdadeiro face à banalização e à degradação do amor na nossa cultura moderna. 111 -
MISSIONÁRIOS ATIVOS E SILENCIOSOS DA IGREJA NO CORAÇÃO DO MUNDO "Não peço que os tires do mundo, mas que os preserves do mal . .. Como tu me enviaste ao mundo eu os enviei ao mundo." (Jo. 17, 15·18)
!: a oração de Jesus pelos seus Apóstolos na última ceia; mas é igualmente válida para todos os seus discípulos, sobretudo para os que vivem no mundo por vocação divina. O último Sínodo dos Bispos insistiu sobre a vocação dos leigos para a santidade e a sua missão na Igreja e no Mundo. Melhor ainda: na Igreja para o mundo. Trata-se de definir a especificidade do leigo desde a sua inserção em Cristo pelo batismo e a sua peculiar "índole secular", quer dizer, a sua particular e estreita ligação no âmbito das realidades temporais. Tudo, desde o coração da Igreja, concebida como Corpo de Cristo e comunhão do Povo de Deus . t interessante sublinhar como, ao procurar uma definição positiva do leigo, se chegou às raízes do seu ser cristão - o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia - e à sua vocação essencial à santidade. São Paulo chama os cristãos simplesmente de "os santos", "os eleitos", "os amados de Deus". Daí, a necessidade de uma forte espiritualidade secular e de uma profunda formação integral. Para os leigos casados, trata-se de uma formação especial e de uma espiritualidade conjugal. O sacramento do matrimônio é fonte de missão evangelizadora. Põe o casal em atitude de diálogo com o Senhor e de alegre disponibilidade à Sua vontade; é fonte para o diálogo mútuo, para a abertura aos outros, para a generosa doação aos filhos, para a construção de uma nova sociedade. Anotemos alguns aspectos: 1 - O sacramento do matrimônio põe os esposos em particular relação com Cristo e a sua Igreja.
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"Este mistério é grande, diz São Paulo. Quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja" (Ef. 5,32) ~ uma exigência particular para os esposos de viver no Cristo e de ser Igreja. Insistiu-se muito no Sínodo sobre uma "eclesiologia de comunhão " e sobre a eclesialidade dos movimentos. Isto supõe uma grande capacidade de inserção na Igreja local e de colaboração com os demais movimentos eclesiais . A comunhão eclesial exige , por um lado, fidelidade à própria identidade (carisma, missão) e, por outro lado, capacidade de integração e colaboração à missão única e evangelizadora da Igreja. Há que viver a graça e a responsabilidade de ser "Igreja doméstica" (D.G. 11). verdadeira " célula da Igreja" (João XXIII 3/5/59), "cé lula de base, célula germinai, a menor, sem dúvida, mas também a mais fundamental do organismo eclesial" (Paulo VI 4/5/70). Viver com autenticidade este "Santuário" da família, "pequena Igreja"; mas abri-la com generosidade à Igreja local e universal, verdadeira Esposa de Cristo. A espiritual idade das Equipes de Nossa Senhora nutre-se essencialmente, como toda a espiritualidade cristã, da Palav-ra de Deus e da Eucaristia (centro e plenitude da vida sacramental). São as fontes de Igreja, como o descrevem o Concílio e o Sínodo ext raordinário de 1985. Assim se vive em Igreja e se constrói a comunidade eclesial. O essencial é crescer no Cristo para que se edifique gradualmente a Igreja, comunidade de santos, de apóstolos, de missionários. Na medida em que a família sej a "pequena Igreja" - orante, fraterna, missionária - fará crescer a Igreja, Corpo de Cristo, Povo de Deus, Sacramento universal de salvação. Viver a fundo a espiritualidade conjugal - espiritualidade feita de oração e de diálogo, de alegria e de sacrifício, de hospitalidade e de amor - é fazer crescer a santidade da Igreja, Esposa de Cristo e Mãe dos Homens. " Quantos casais encontraram na sua vida conjugal o caminho de santidade nessa comunhão de vida, que é a única que se baseia num sacramento"! (Paulo VI 4/5/70). Cultivar, com sentido sagrado a oração familiar e a litúrgica. Rezar em comum como família (pais e filhos) e preparar juntos a Missa dominical e, também, a cotidiana. Ainda uma palavra sobre a missão do leigo casado no mundo. Ela decorre sempre do seu viver em Cristo a partir do batismo e de sua inserção na Igreja; mas numa situação especial., que o torna particularmente responsável em mudar o mundo, por dentro, atuando como fermento (L.G . 31 ). As exigências f•Jndamentais têm sua fonte nos sacramentos da iniciação
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cristã; mas o sacramento do matrimônio confere aos esposos uma graça especial que os configura mais profundamente no Cristo, os faz viver em comunhão eclesial e os prepara e os engaja para a sua missão no mundo, começando pela instituição imediata e sagrada da família. Não se pode sonhar com uma sociedade renovada sem uma família renovada. Aí se experimentam primeiramente os elementos essenciais da verdade, da justiça, da liberdade e do amor, da reconciliação e da paz. Aí se educam e formam "os homens novos"- livres, fraternos, pacificadores- que podem mudar o mundo. Não se pode edificar uma sociedade nova com ~células domésticas" mortas, doentes, paralisadas. O melhor estadista não pode formar uma sociedade com famílias instáveis ou desfeitas. A família é o primeiro universo do ser humano, a partir do qual ele se abre ao mundo da história ; é o laboratório onde se formam as personalidades humanas e cristãs, escola de humanidade, onde se traduz em prática o ideal do homem novo, tal como se depreende da antropologia evangélica. Penso na missão dos esposos cristãos no âmbito da família, da educação, da formação, da animação e integração dos jovens, no domínio da ordem social, econômica e política, no campo da legislação familiar e educativa. Penso, também, na educação para a paz, para a justiça e para o amor, a partir do lar. Ainda que o movimento esteja centrado na espiritualidade do casal, o próprio Espfrito Santo - que é espírito de interioridade contemplativa e crescimento na santidade - é o Espírito de testemunho, de presença missionária e de essencial atitude evan· gelizadora.
CONCLUSAO Não poderia concluir sem ter uma palavra de gratidão e animação para os sacerdotes conselheiros espirituais. O Sínodo não esque· ceu os sacerdotes, pelo contrário: um maior esclarecimento sobre a identidade dos leigos levou a uma maior precisão sobre a identidade dos presbíteros e dos religiosos, numa verdadeira "cadeia de comunhão". A vocação e missão do leigo - comprometido em Cristo, desde o coração da Igreja, para crescer na santidade, anunciar aos pobres a Boa Nova do Reino e transformar o mundo por dentro - pôs em evidência a insubstituível vocação e missão do sacer· dote no anúncio da Palavra de Deus e na transmissão da graça de Deus pelos sacramentos. O sacerdote constitui um indispensável companheiro de caminho para os esposos cristãos. Sem substitui· los, mas sim vivendo a sua vocação essencial de formadores e mestres no espírito, os sacerdotes devem encarnar a santidade de Deus e a presença evangelizadora de Jesus Cristo, o enviado do -43-
Pai. Devem ser um sinal claro da presença de Cristo, cabeça da sua Igreja. A eles - aleg remente crucificados com Cristo para dar a vida - a gratidão de toda a Igreja, Povo de Deus; neles está a esperança dos homens. Para eles as inolvidáveis palavras de Jesus: "Chamei-vos amigos" (Jo 15,15). Se tivesse que lhes de ixar um conselho - eu, "o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo .. . " (I Cor 15,9), " ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participànte coll)~ eles da glória que se há de manifestar" (I Pe. 5,1)- diz-lhes-ia o seguinte: - irradiem sempre a aleg ria de serem . . sacerdotes ; - sejam mestres da oração e introduzam na oração contemplativa os casais e suas famílias; - Sejam testemunhas da Ressurreição do Senhor e abram o cora· ção de todos à esperança. E a nós todos, que Maria nos acompanhe sempre; Mari.a, Virgem do Magnificat, que é a Virgem da fidelidade e da pobreza , da oração e do serviço, do caminho miss ionário e da esperança .
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LOURDES: O GRANDE MOMENTO DE AÇÃO DE GRAÇAS Lourdes/ 88 teve muitos significados para o Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Foi uma granae manif~tação da fraternidade que nos une a todos no Senhor. Foi um ponto alto nas nossas reflexões sobre a nossa caminhada para à santidade no e pelo saqamento do matrimônio. Foi a parada para a retomada de um 'novo fôlego'. Foi a oportunidade ímpar para pôr em comum os dons que Deus nos deu, as nossas alegrias, as nossas tristezas. Mas foi, acima e além de tudo, o grande momento de Ação de Graças do Movimento, que, com Maria, exultou em Deus nosso Salvador, agradecendo a Ele pelo ser-casal e pelos 40 anos das Equipes. Esta imensa Ação·.ae Grãças se manifestou através de todos os atos litúrgicos, de todas as orações e meditações, dos cantos, da vigília na Gruta, da procissão de velas. Todos estes foram momentos em que a gratidão dos casais equipistas, o seu grande desejo de sempre mais e melhor amar a Deus, jorraram dos seus corações, sob o olhar materno de Maria, que a tudo assistia e cujo sorriso permanentemente os a<:ompanhava. O local principal das celebrações era a Basílica de São Pio X,. uma imensa construção subterrânea, de .formato oval, em cujo centro geométrico se localiza o altar elevado. Os equipistas ocupavam apenas um dos lados da Basílica, de . frente para o altar. A direita do altar erguia-se uma arquibancada de madeira, onde se localizava o coro. A esquerda, Um grande estrado estava armado para os sacerdotes. Os. textos das liturgias assim como os cantos tinham sido elaborados especialmente para o Encontro, todos vpltados para o tema central do dia: Terça-feira - Ação de de Graças Quarta-feira - A Misericórdia de Deus Quinta-feira - Pobreza e humildade Sexta-feira - Fidelidade e Novo Fôlego Alguns aspectos das cerimônias litúrgicas merecem um destaque especial.
Os sacerdotes. As missas foram concelebradas por mais de trezentos sacerdotes. A sua entrada, dois a dois, pelo corredor central da Basílica era, cada vez, motivo
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d~ emoção para os peregrinos, que sentiam ali, presente, o calor do amor e da dedicação destes padres ao nosso Movimento. Vivia-se naqueles momentos a re_alidade da afirmação do Pe. Caffarel, sobre a união dos dois sacramentos,, da Ordem e o Matrimônio~ no -seio das Equipes.
Os cantos, o coro.
Todos os dias, os cantos eram ensaiados alguns minutos antes das cerimônias. O coro, composto por mais de trezentos voluntários vindos de todos os países (que tinham especificado seu desejo de participar nos Boletins de Inscrição), era um espetáculo à parte, dando vida e animação a esses cantos. Os solos, cantados na maiotia pelo Pe~ Fréchard; ressoavam na alma de cada um, com o frescor dum riacho de águas claras que desce das montanhas. A Missa Internacional.
Na quarta-feira - dia db· português como língua oficial do Encontro - a Missa teve lugar às nove horas da manhã, e- contou com a presenç~ de todos os peregrinos,. equipistas ou não, que se encontravam e111- Lourdes. Neste dia, a Basílica ficou quase cheia, com gente ocupando os dois la.dos do altar. A todos marcou mutto ~presença dos doentes, em macas e cadeiras de rodas, em torno do altar e a oração especial pronunciada por sua intenção ao final da Missa. A celebração penitenciai.
Foi realizada na manhã da quinta-feira, após as palestras dos Padres Lepori e Thomazeau. Nesse dia, todos os padres traziam, por cima da alba, o lenço colorido que designava a sua língua de origem. Após os cantos e os textos de meditação que levaram os peregrinos a refletir sobre as graças recebidas no batismo, a reconhecer os seus pecados e a pedir o perdão de Deus, os sacerdotes se colocaram num grande _çírculo em volta dos participímtes, na proximidade dos grupos de mesma língua. E diante de cada um se formaram filas para a confissão individual. Um gesto, neste momento, .marcou muito os peregrinos. Antes de começar a ouvir as confissões dos equipistas, cada um dos sacerdotes se aproximou do padre vizinho e fez a sua própria confissão.
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A renovação dos compromissos. Na sexta-feira, a Eucaristia foi celebrada na parte da mànhã. Muitos ficaram surpresos, no momento da procissão de entrada dos celebrante~, de ver mulheres no meio deles. :e. que neste dia os diáconos que entravam junto com os sacerdotes eram acompanhados de suas esposas, pois durante a missa iria ser feita a renovação dos compromissos do sacramento do matrimônio e também, para os padres, do seu compromisso sacerdotal. O Pe. Olivier, que presidia esta Celebração, após convidar os casais e os sacerdotes a renovarem seus respectivos compromissos, elevou a Deus orações pedindo para todos o dom da fidelidade. A procissão de velas e a vigi1ia de oração. Foram os dois atos realizados fora da Basílica, na noite de quarta-feira. As 20 horas, os equipistas se uniram aos demais peregrínos presentes em Lourdes, nas proximidades da estátua da Virgem Coroada, no centro do Santuário, para o início da procissão de velas, que é realizada todas as noites, percorrendo os caminhos do parque e terminando diante da Basílica velha. Todos estavam munidos .,de velas, em cuja proteção de papel estava impresso, em várias línguas, o texto do canto da Ave Maria de Lourdes. Cada uma das dez Ave-Marias de cada Mistério do terço era recitada numa língua diferente, em função dos contingentes linguísticos presentes aquele dia. E entre os Mistérios, cantava-se o canto, cada um na sua lígua. A procissão, que aquele dia contava com mais de dez mil pessoas, se estendia por todo o parque, e o espetáculo da labareda formada pela multidão das velas é certamente uma imagem de fé que não se pode esquecer.
Para a vigília de oração diante da Gruta, os peregrinos tinham sido distribuídos em períodos de uma hora de duração, de acordo com os hotéis em que ficavam, entre as 22 horas e as 7 horas da maJÜ!ã. Numa concessão especial às Equipes de Nossa Senhora, a administração do Santuário concordou em deixar exposto, no altar da Gruta, durante toda a noite, o Santíssimo Sacramento do Corpo de Cristo. Também aqui, além do ambiente de profundo recolhimento que marcou todas as vigílias, da certeza real da presença do Senhor e de Sua Mãe, um fato marcou muito profundamente
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os corações dos equipistas: rtás árvores que cercam a Gruta, os pássaros fiCaram cantando a noite interra ...
-oOoNuma palestra. pronunciada na Basílica, para melhor· preparar os peregrinos para a vigília de oração, o Pe. Vitor Feytor Pinto,' Conselheiro Espiritual em Lisboa (1), situou as diversas dimensões da oração do cristão. Após mostrar a importância da "tenda do encontro" instituída por Moisés, parà o povo hebreu, falou da oração como encontro pessoal com Cristo, -~omo experiência vital de Deus e como comunhão total de vida com Deus, orientou os equipistas para fazerem- da vigília uma opilrtunidade de diálogo do casal com o Senhor. E disse: "Que este tempo que lhes é dado seja oportunidade de contemplação do Senhor, nas maravilhas que .Ele realiza na nossa vida e seja momento forte de., compromisso para um amor de casal e uma vida de familia abertos constantemente ao sopro de Deus, que, nos seus apelos, garante a alegria, a paz e a-felicidade verdadeiras". (1) A palestra do Pe. Vitor poderã ser adquirida, na íntegra, no Secretariado das ENS.
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AS REUNiõES DE EQUIPE A vida dos participantes do Encontro Internacional se dividiu, em Lourdes, entre três grandes polos: a Basílica, a Gruta e os hotéis. E cada um destes polos tinha suas características peculiares. Se a Basílica foi o lugar da grande comunhão fraterna do conjunto do Movimento, pelas cerimônias litúrgicas e pelas grandes palestras; se a Gruta marcou o encontro do Movimento com Maria, em profundo espírito de oração e meditação, foi nos hotéis que se viveu com toda a intensidade a natureza comunitária, impregnada de partilha, de coparticipação, de auxílio mútuo e de troca de idéias, da intimidade da vida em equipe. As reuniões de equipe, por isso, foram também pontos altos que marcaram o coração dos peregrinos. Houve quatro reuniões de equipe, nas tardes da 3.a, da 4.a e da 5.a feira e na manhã da 6.a. Cada uma delas se debruçou sobre um dos temas propostos no documento "Magnificat", que todas as equipes do mundo tinham estudado nos meses anteriores ao Encontro. Damos abaixo alguns destaques de cada uma destas reuniões assim como a contribuição que, a partir das trocas de idéias no Brasil, os peregrinos brasileiros puderam levar a seus irmãos em Lourdes (1 ).
Reunião de 20/09/88: A ALEGRIA "Nossa ação de graças pelo nosso matrimônio, por nossa equipe, por nosso Movimento; pelos 40 anos de nossos Estatutos" (fema central). "Só seremos alegres na medida em que fizermos a alegria dos outros. Ninguém pode ser feliz sozinho" (Contribuição brasileira).
Após uma rápida coparticipação sobre as alegrias que cada um encontrou a caminho de Lourdes, meditou-se sobre Col. 3, 12-17. Em seguida, ao mesmo tempo que se apresentava, cada casal e cada sacerdote procurou transmitir aos outros seus motivos atuais mais importantes para render graças a Deus. A troca de idéias girou, depois, em torno de dois pontos: como poderemos, à luz das descobertas dos novos impulsos do Magnificat, encontrar novos caminhos para nosso casal e nossa equipe de base? Como comunicar essas mesmas descobertas a outros casais, a jovens, aos que nos cercam?
Reunião de 21/09/88: A MISERICóRDIA "O amor, a misericórdia, a ternura de Deus na vida de nosso lar, de nossa equipe, apesar de nossa pobreza, nossa miséria, nossa infidelidade" (fema central).
-"E: na vida do casal que a necessidade de misericórdia aparece com força maior. Precisamos experimentar a misericórdia de Deus, para crescermos na nossa vivência" (Contribuição brasileira). (1) As contribuições brasileiras aqui citadas - que evidentemente não esgotam tudo aquilo que daqui se levou - baseiam-se num documento-síntese preparado pela Região São Paulo Sul-I.
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A coparticipação sobre o que mais tocou cada um nas atividades do Encontro, desde a reunião anterior, foi seguida da meditação sobre o texto de Jo. 2, 1-11. A troca de idéias se centrou sobre as experiências da ternura de Deus vividas por cada um e sobre os testemunhos trazidos a respeito, das equipes de base.
Reunião de 22/09/88: A POBREZA "Pobreza, humildade. A promessa é feita aos pobres. Nosso relacionamento com o poder, o orgulho, os preconceitos, a riqueza" (Tema central).
"Se não partilhamos com facilidade nossas fraquezas, nossas pobrezas, qual é a disposição que temos para partilhar nossas riquezas? . .. E a riqueza acumulada pela exploração do outro?" (Contribuição brasileira). Novamente, a coparticipação se centrou sobre os eventos do Encontro. Meditou-se, em silêncio, a palavra de Deus: Me. 10, 17-3:. A troca de idéias questionou a cada um: como vivemos no cotidiano o preceito evangélico de pobreza? É este o modelo de nosso estilo de vida?
Reunião de 23/09/88: A FIDELIDADE "Fidelidade de Deus à sua aliança com os homens. O povo eleHo de Deus: cada um de nós é pessoalmente escolhido e amado. O novo caminho do Movimento: nossa partida para um 'novo fôlego' " (Tema central).
"Demos testemunho de nossa alegria de sermos casados!" (Contribuição brasileira). O texto de Oséias sobre a fidelidade (2, 16-22) foi a base para a meditação. A troca de idéias interrogou a cada um sobre a fidelidade de sua equipe de base ao carisma fundador do Movimento; sobre a maneira como cada um se propõe a dar testemunho do valor do sacramento do matrimônio e como cada um pretende transmitir à sua equipe de base a experiência vivida em Lourdes. Terminou-se com uma oração espontânea de cada um. -oOo-Vale acrescentar que cada uma das equipes escolhia, além do Casal Responsável, também um Relator e que, após cada reunião, os relatórios eram entregues ao casal responsável do hotel, que se encarregava de levá-los ao secretariado central. Supomos que a síntese de todas as riquezas recolhidas será posteriormente encaminhada às Super-Regiões.
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Antes da Celebração Eucarística final, primeiro o casal Malroux e em seguida o Pe. Olivier, dirigiram aos equipistas reunidos na Basílica suas palavras de envio em missão, em nome do Movimento.
ENVIO DE JEAN-CLAUDE E JEANINE MALROUX Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo, Queridos Amigos, Esperamos que o voto que faziamos, há alguns dias, de que cada um recebesse dessa peregrinação as graças de que precisa para cumprir a vontade de Deus em todos os aspectos de sua vida, tenha sido atendido. O que desejamos agora, juntamente com o Pe. Olivier, é indicar-lhes como colocar estas graças a serviço da Igreja, no quadro do Novo Fôlego de nosso Movimento. Nossas propostas resultam da caminhada que o colegiado de seus Super-Regionais e de · sua Equipe Responsável Internacional vem fazendo , desde a reunião anual de setembro de 1985, acontecida aqui mesmo, em Lourdes. Daí emergiu o que progressiva e naturalmente foi se denominando "Um Novo Fôlego" . Essa caminhada representou horas de leituras, reflexões, partilhas, orações, encontros com o Pe. Caffarel, nosso fundador, e também discernimento. Num documento de menos de vinte páginas, são apenas as linhas principais de tudo isso que poderemos repassar para vocês. Por mais difícil que seja, o esforço que pedimos a vocês de partilhar o essencial do trabalho, sem que vocês tenham vivenciado seu amadurecimento, é indispensável para que nosso Novo Fôlego deite raízes na unidade de nossas diversidades, ou seja, numa verdadeira comunhão fraterna e não fique no "cada um para si". O que cabe a vocês , portanto, é degustar com apetite um prato preparado por outros. Oxalá possamos ser o ' maitre' que faz vir água às suas bocas. Dividiremos estes vinte minutos de apresentação em duas vertentes: - a primeira, consagrada à maneira como chegamos, com os Responsáveis do Movimento, ao documento que lhes vai ser entregue na saída, com o título: "Quarenta anos depois ... Um Novo Fôlego". - a segunda , consagrada ao que agora cabe a vocês para que este "Novo Fôlego " não seja, por assim dizer, um fogo de palha. Primeira parte: O que almejamos, e por que? Segunda parte: Como conseguiremos?
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I. PRIMEIRA PARTE O que almejamos, e por que? Da mesma forma que por ocasião de cada um dos seis, precedentes encontros internacionais do conjunto de nosso movimento, estamos procurando, antes de mais nada, discernir e aprofundar o que Deus espera das ENS, nos próximos anos. Depois de quarenta anos, para evitar o desalento, o hábito, até mesmo a rotina, e encontrar este ·Novo Fôlego", que todo atleta sabe ser indispensável para qualquer esforço de longa duração, pareceu necessário completar este aprofundamento de um • aggiornamento ". Não se faz este tipo de revitalização." de volta às fontes , sem um esforço de verdade, de lealdade às origens, de esculta das necessidades do povo de Deus neste final do segundo milênio do cristianismo, e sem uma criatividade que atenda cada vez melhor a tais necessidades. Para fomentar uma criatividade comparável à que, no período de 1939 a 1947, levou à formação de nosso movimento e aos seus estatutos, não se procurou fixar orientações. No entanto, para preservar a unidade das pesquisas que serão feitas em numerosos países, a ERI pede que, permanecendo fiéis às intuições fundamentais, vocês deixem desabrochar suas pesquisas e iniciativas, a partir da trama que o documento "Um Novo Fôlego" procura ser. Com efeito, parece razoável pensar que os autores dessas propostas, eles mesmos inspirados nos esforços dos demais responsáveis do movimento, estão melhor situados para apreciar o que Deus espera das ENS para a promoção do sentido evangélico do casal Homem e Mulher, de sua espiritualidade, de sua sexualidade, e de seu papel educativo. De outra parte, não pareceu razoável atribuir a esses mesmos autores, o monopólio de dizer a forma de responder a este apelo, que melhor atenda aos casais de todos os países e de todas as culturas. Estamos conscientes do risco assumido, face à expansão geográfica e cultural das equipes, em relação aos primeiros anos do movimento. Porém, somente uma tal liberdade criadora nos pareceu poder garantir que o ·Novo Fôlego" não se restringiria ao círculo dos "jardineiros" responsáveis, mas revitalizaria as raízes, que são as equipes de base. Eis portanto o que almejamos: -
Feito o aprofundamento dos carismas fundadores e da mística de nosso movimento, através da antologia dos textos fundadores e do Magnificat, que são a garantia de nossa fidelidade às fontes,
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-Tendo em mãos o texto "Um Novo Fôlego", que recapitula o que pareceu ser, aos olhos do conjunto dos responsáveis, as necessidades prioritárias dos casais cristãos de hoje, e mais particularmente dos casais membros das ENS, pedimos que vocês próprios encontrem os meios para melhor responder a estas necessidades, que os experimentem com toda a humildade, e que os ofereçam, depois, em partilha, para a reflexão do conjunto do movimento, por intermédio dos Responsáveis de Setor, de Região e, finalmente, para o discernimento do colegiado dos Super-Regionais e da ERI. Queremos que vocês saibam que, pessoalmente, no que diz respeito às necessidades dos casais do Movimento, mencionados no documento ·Um Novo Fôlego", parece-nos prioritário põder oferecer um auxílio adequado aos casais que são chamados a seguir o Cristo de maneira mais rápida e radical que outros casais de suas equipes. Testemunha dessa necessidade é o fato de que esses casais, que formam muito naturalmente a maioria dos quadros do Movimento, percebem com ansiedade a chegada do final de seu mandato, porque sentem que as exigências espirituais que encontravam junto à sua equipe de responsabilidade vão desaparecer e não serão encontradas na sua equipe de base. Leiam a conferência do Pe. Caffarel, em 1959, no 2. Encontro das Equipes, em Roma, sob o título "Vocação e Itinerário das Equipes de Nossa Senhora". Trinta anos depois, o questionamento do Pe. Caffarel nos parece mais atual do que nunca. Se por um lado é incontestável que há quarenta anos, nosso Movimento vem desempenhando plenamente seu papel de Movimento de iniciação, não terá ele, por outro lado, deixado de cumprir sua missão de ser sementeira de casais santificados no e pelo seu sacramento do matrimônio? Chegamos até a nos questionar sobre a viabilidade de um único ramo de um único e mesmo movimento assumir o duplo papel de iniciação à santidade conjugal e de aprofundamento e realização dessa santidade ... No que diz respeito às necessidades externas ao Movimento, mas que fazem parte da sua vocação, sem querer conceituar de antemão aquilo que o Pe. Olivier vai nos dizer, sentimos uma grande necessidade, por parte dos jovens, de reconciliar: AMOR e ABNEGAÇÃO, AMOR E LIBERDADE, e de evitar que o mundo continue a levá-los a confundir AMOR e FACILIDADE, AMOR e PERMISSIVIDADE, AMOR e CAPRICHOS. Deveríamos ajudá-los com nossas contribuições, mais especialmente para com a pastoral cotidiana dos casais, para com o aprofundamento teológico e antropológico do casal, do matrimônio, e da fidelidade por toda a vida. 0
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11. SEGUNDA PARTE Como conseguiremos? Discutimos o assunto no último fim de semana, com os SuperRegionais e com os Regionais diretamente ligados à ERI. Eles mesmos vão discutir o assunto com seus Responsáveis de Setor e de Região, nas próximas reuniões que terão. Voltamos, porém, a frisar que o "Novo Fôlego" vai 'vingar' ou não, na medida em que vocês todos, aqui reunidos, serão ou não fermento no seio de suas equipes. Se vocês, imbuidos da graça desta peregrinação, não desempenharem este papel de "sal da terra", de "fermento na massa", serão em vão os esforços de todos os quadros do Movimento. Como, pois, poderão vocês, concretamente, insuflar este "Novo Fôlego"? Questionando-se e levando suas equipes a se questionarem sobre os seguintes pontos: 1) Temos realmente o desejo, a vontade de tender para a santidade à qual somos chamados pelo nosso batismo, no e pelo Sacramento do Matrimônio que nos une? 2) A equipe está sendo um estimulante ou um tranquilizante? Um bom barômetro: como está a partilha espiritual? Não estaria sendo sufocada, seja por um excesso de coparticipação por demais humana, seja por um excesso de discrição, de 'jardins secretos'? Outro barômetro, para as equipes mais antigas: O que nossa pertença às ENS mudou nas diversas dimensões de nossa vivência pessoal, na Família, na Igreja, na Cidade, na Profissão? Sentimos que é o Cristo que ,vive cada vez mais em todos estes aspectos de nossas vidas? se·-'não, será que Lhe deixamos o espaço para tanto? 3) Se nos sentimos cada vez mais chamados a sermos membros do Corpo de Cristo, o que fazemos para dele sermos membros ativos, de boa saúde física, psíquica, espiritual? Que regras de vida, que formação, que estilo de vida, que disciplina impomos a nós mesmos, neste sentido? Em que medida e de que maneira nossa pertença à equipe nos ajuda nisso? Já meditamos em equipe as epístolas de São Paulo, vistas sob este ângu lo? 4) O que fazemos para não sermos tentados de querer guardar esta presença conjugal do Cristo em nós e só para nós? Que preocupação temos de partilhá-la fora de nossa equipe, - com outros casais das ENS, participando de reuniões e sessões?
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- com outros cristãos, casais/solteiros/padres, participando da pastoral familiar de nossas dioceses? - com não-cristãos, por meio de testemunhos e atividades que mostrem claramente a esperança que nos habita?
-o OoDe que forma poderia o Movimento fomentar concretamente, e até mesmo generalizar, alguma iniciativa já realizada com sucesso? Da mesma forma como já o fez no passado, no seio de diversos movimentos e serviços da Igreja, nascidos de iniciativas de membros das ENS. Propomos que nas orações e nas coparticipações de suas reuniões de 1989, vocês consagrem um tempo para meditar sobre todas estas coisas nos seus corações, juntamente com os demais equi· pistas e o seu Conselheiro Espiritual; de partilhar tudo isso com seus Casais de Ligação, com seus Responsáveis de Setor; de tomar as iniciativas que, na fidelidade às intuições fundadoras das ENS e em espírito de Igreja, lhes pareçam as mais adequadas para encontrar as respostas às necessidades dos casais de nosso tempo. Nestas condições, o "Novo Fôlego" terá sucesso para, na compreensão do tempo presente, dar continuidade à criatividade do fôlego inicial, na fidelidade às suas intuições e carismas. O nosso Movimento continuará a ser "sal da terra" e a testemunhar com credibilidade perante o mundo que o sentido cristão do casamento - caminho para a santidade - não é nem uma utopia de alguns esposos que querem viver como monges, nem um fóssil de uma civilização que desapareceu.
-o OoNota: Sob o título "SEGUNDA INSPIRAÇAO- Um Novo Fôlego", o documento mencionado pelo casal Malroux foi distribuido aos Responsáveis do Movimento no Brasil, em ltaicí, no início de novembro e deverá ser entregue a todos os Responsáveis de Equipe por ocasião dos próximos EACRES.
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DO MAGNIFICAT AO NOVO FOLEGO Envio em Lourdes, pelo Pe. Bernard Olivier
Magnificat! Com a Virgem Maria, cantamos ao Senhor nossa alegria e nossa gratidão. Com ela, quisemos viver a grande esperança do povo de Deus. Com ela, acolhemos a realização da promessa feita a Abraão e encarnada em seu seio. O Messias veio, mas nem tudo está terminado. Ainda não! O Messias veio nos trazer uma Boa Nova que é preciso pôr em prática. Esta é a nova esperança do povo de Deus . As ENS têm por vocação e missão viver e anunciar um importante aspecto desta Boa Nova : a Boa Nova para as famílias, a Boa Nova para os casais cristãos, chamados a construir o Reino de Deus. Cremos firmemente que a criação, há 40 anos, das ENS, foi uma dádiva do Espírito à Igreja. E nestes 40 anos, as Equipes se difundiram pelo mundo todo. Guardaram sua fidelidade ao carisma da sua fundação. Nesta mesma fidelidade, o Movimento quer agora colocar alguns acentos, alguns acentos novos, sobre a vida das Equipes, com o intuito de responder às necessidades urgentes de hoje. O casamento está em crise em muitos países. Aumenta de forma incrível o número dos divórcios. ~ enorme o núr;nero de jovens que vivem como casais, sem querer se casar. Eis porque, mais do que nunca, o objetivo das ENS é atual: ajudar os casais cristãos a viver plenamente o seu sacramento do matrimônio. E mais do que nunca, é atual a missão das ENS no mundo: dar testemunho dos valores do matrimônio cristão. Para responder hoje à nossa vocação e à nossa missão, precisamos de um Novo Fôlego, de um novo sopro. ~ ao Espírito Santo, o Sopro de Deus , sopro de vida, sopro criador e sopro de santificação que nós o pedimos . E sob sua inspiração, propomos a vocês para estes próximos anos , um objetivo tríplice especial: Amor, Felicidade, Santidade.
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1. Amor Vão dizer e mostrar, por suas vidas, que O CASAMENTO ESTÁ A SERVIÇO DO AMOR! O amor sempre foi o grande sonho dos homens e das mulheres, e mais particularmente dos jovens. Em nosso mundo, acredita-se ainda no amor, mas não se acredita mais no vínculo entre amor e casamento. Para muitos jovens, em especial, não se comanda ao amor, ele é essencialmente livre. Portanto, deve ser libertado de qualquer obrigação, seja como compromisso, instituição, sacramento . . . Ora, nós, nas ENS , sabemos que o casamento é o lugar natural, o meio propício e privilegiado onde um verdadeiro amor pode se desenvolver. - O amor, que é uma grande chama, um fogo, precisa ser alimentado , nutrido, conservado, para não se tornar, como todo fogo que morre , um simples amontoado de cinzas. O casamento é precisamente a vontade, a decisão de construir este amor todos os dias, mesmo naqueles em que "não se está com vontade". - O amor, para ser verdadeiro, precisa ser duradouro. Precisa, para fortalecer-se, enfrentar momentos difíceis, precisa permitir que cada um descubra progressivamente o gutro, pr~cisa se expor às provações na paciência, que é o contrário do "tudo, já, e sem esforço ". . . ~ o casamento que garante esta duração, que sustenta este progresso na descoberta, que convida à paciência, para a longa caminhada até o fim. - O amor precisa de fidelidade: não se espalha o coração ao sabor dos ventos: ele é dado a alguém, e para sempre! E a fidelidade é justamente a primeira exigência do casamento. - E no casamento, o amor prepara com ternura o ninho que vai acolher o seu fruto : o filho no qual o homem e a mulher se encontram , ao mesmo tempo a si próprios mas também a um outro ... O casamento , longe de ser um obstáculo ao amor, ainda é o que se inventou de melhor para proteger o amor e fazê-lo crescer indefinidamente. Lembro-me muitas vezes de meu avó . Meus avós se davam maravilhosamente bem e na família eram chamados "os namorados ". Minha avô morreu alguns meses antes de celebrar suas bodas de ouro . Meu avó quis velá-la sozinho durante três noites. E no dia do enterro , durante a refeição, ele que era caladão , olhou os jovens
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casais em volta da mesa e disse: "Vocês, os jovens, vocês pensam que sabem o que é o amor. Vocês não sabem nada. Precisa ter vivido cinqüenta anos juntos, para saber!" O casamento é o melhor servidor do amor!
2. Felicidade Vão dizer e mostrar, por suas vidas, que O CASAMENTO 1: UM CAMINHO DE FELICIDADE! Vivemos num mundo muitas vezes sombrio e sem alegria. E este mundo tem boas razões para angustiar-se: essas guerras que não acabam nunca, essa violência que agride os inocentes, a doença, a falta de trabalho, a pobreza . . . e quantas vezes, para os jovens, um futuro sem saída! É verdade. E no entanto, cada um carrega no seu coração um desejo de felicidade. Quem nos dirá onde está? A felicidade absoluta é só Deus. Mas existem na terra "pequenas felicidades". Um homem e uma mulher que se amam, que aceitam unir suas vidas, seus destinos, que caminham juntos de mãos dadas, com a graça de Deus que está sobre eles e neles, são mais fortes para enfrentar a vida, e existe entre eles algo, que deve ser felicidade. , . - Um homem e uma mulher que sabem que são unidos por Deus, bem sabem que nem todos os dias são cor-de-rosa, e que seu próprio amor pode ter de atravessar dias difíceis. Mas sabem que a força de Deus que está neles os tornará capazes de compreender, de perdoar, de se reconciliar. - E existe também essa união da carne que, sendo ao mesmo tempo expressão e meio de amor, traz verdadeiros momentos de felicidade. Pois "o amor sexual não é apenas satisfação da concupiscência", é também " comunhão espiritual na carne, de dois seres que se amam". Também a felicidade se constrói: ela não se faz sozinha. Constrói-se na partilha de tudo o que se tem e de tudo o que se é. Constrói-se na doação que se faz de si mesmo ao outro. E o casamento não é senão a decisão e a permanência deste dom mútuo: dom dos corpos na busca duma harmonia carnal, dom dos corações e dos espíritos numa amizade privilegiada. A maior alegria no casamento: -
é de tornar o outro feliz;
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depois, criar um ninho de felicidade para os filhos;
- e enfim, criar uma felicidade contagiosa para todos os que nos cercam - o que não é pouco. Não o esqueçamos jamais: a felicidade dá filhotes!
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3. Santidade Vão dizer e mostrar, por suas vidas , que O CASAMENTO ~ UM CAMINHO DE SANTIDADE! Nós o sabemos: só Deus é santo. E nunca poderemos bendizer seu nome e proclamar sua santidade o bastante, como Maria no Magnificat. Mas também sabemos - e faz 40 anos que o repetimos nas ENS - que todos os cristãos são chamados à santidade e que, para os esposos, é na vida conjugal que eles devem se santificar. O que significa que diante deles se escancara uma vida de oração e de meditação; que eles têm necessidade da fervorosa prática dos sacramentos. E mais particularmente, significa que a vida sexual , durante muito tempo um assunto 'tabú', uma realidade suspeita , deve ser considerada: - não só uma coisa boa e que nada tem de vergonhoso : " ... e Ele viu que era bom . .. " - não só uma coisa natural e querida por Deus: " ... homem e mulher Ele os criou . . . ", -
mas também um meio de santificação.
Claro, sabemos que existe aí uma força poderosa em ação, a qual, se for mal controlada, pode se tornar obstáculo à oração, à união com Deus , à vida espiritual. É importante, pois, submetê-la, dominá-la, domá-la, para colocá-la a serviço da busca do Reino de Deus. É o que eu gosto de chamar: " evangelizar a sexualidade ". É preciso aprender a humanizá-la , para que se torne um verdadeiro fator de promoção humana. É preciso aprender a harmonizá-la, para que esteja a serviço do desabrochar do casal. É preciso aprender coisa incdvel que certamente não se diria 40 anos atrás - a cultivá-la. Porque trata-se de um assunto substancial para a vida do casal : não se deve sacrificá-la, mas, pelo contrário, desabrochá-la. Porém, isto não poderá ser feito sem uma abnegação real. Penso que é neste ponto que os esposos devem procurar a melhor aplicação da penitência que é necessária a toda vida cristã. Reside, sem dúvida, nesta afirmação do casamento como caminho de santidade, a mensagem mais específica das ENS. É por esta razão que, na perspectiva do Novo Fôlego, devemos trabalhar todos juntos na evangelização da se~ualidade , como objetivo maior. Há muito trabalho pela frente ou, se me permitem . . . muito ·pano para manga " !
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Numa palavra - ou mais exatamente em três - envio-os em nome do Senhor, no sopro do Espírito, sob a proteção cheia de ternura de Maria nossa Mãe, envio-os para dar testemunho no mundo, vivendo nas suas vidas essas verdades : - que o casamento está a serviço do amor e é a sua melhor garantia; - que o casamento e a família são os lugares naturais da felicidade; -
que o casamento é um caminho de santidade. MAGNJFICAT!
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DESTAQUES Um evento da magnitude do Encontro Internacional das ENS requer um esforço de organização fora do comum. E menos este esforço for aparente aos olhos dos participantes e mais naturalmente o Encontro parecer decorrer, mais a organização terá sido bem sucedida. A Carta Mensal foi dar uma olhadinha nos bastidores, onde encontrou um grupo bastante cansado porém muito entusiasmado de gente, casais, jovens, especialistas, responsáveis pelo grande sucesso que, também no campo da organização, foi Lourdes/ 88. Eis alguns destaques: • Números. O sistema PIC - compatível com IBM/PC, utilizado para toda a administração do encontro por computador - registrou o recebimento de pouco mais de 3.000 Boletins de Inscrição, referentes a 2.660 casais e 337 Conselheiros Espirituais. Contando com 52 casais não-equipistas que também compareceram, a convite da ERI, havia um total de 5.761 pessoas presentes, que incluíam 219 casais Responsáveis de Setor, 63 Responsáveis de Região, 7 Super-Regionais e 6 casais da ERI. Nas duas pontas da curva de antiguidade no Movimento, 13 dos casais presentes tinham entrado nas Equipes em 1988, enquanto havia 40 casais com mais de 40 anos de participação. De acordo, principalmente, com o critério linguístico, os computadores distribuíram os participantes em 98 hotéis da cidade de Lourdes. (Vale notar que Lourdes tem o segundo parque hoteleiro da França, depois de Paris, contando com acomodações para mais de 12.000 pessoas em cerca de 750 hotéis.) Funcionaram, nesses hotéis, 650 equipes mixtas. Em cada hotel, foi designado um casal responsável, cujas tarefas incluíam o relacionamento com a administração do estabelecimento e com a Equipe de Serviço do Encontro, a coordenação geral das equipes que funcionavam na casa, com o recolhimento e o encaminhamento de seus relatórios de reunião, a transmissão de avisos gerais, a venda, transporte, recebimento e entrega dos souvenirs do Encontro, etc.
• Lourdes - o local. Além das características já citadas da grande capacidade de acolhimento, Lourdes apresenta condições elcepcionais para o tipo
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de Encontro que foi realizado. Ao contrário do que acontecia, por exemplo, em Roma, nos Encontros anteriores, todos ficaram relativamente próximos da Basílica São Pio X, local das reuniões gerais. O hotel mais distante ficava a 20 minutos a pé. Esta proximidade criava um clima de grande intimidade, além da alegre impressão de fraternidade. Um dos casais brasileiros, alojado no hotel mais distante, dizia: "Ao sair do hotel, meia-hora antes do evento marcado para a Basílica, nosso grupo vinha caminhando sozinho pela rua principal de acesso. Pouco a pouco, de cada rua lateral, apareciam outros casais de lenço no pescoço, que vinham se agregando ao grupo. À medida que nos aproximávamos da Basílica, o grupo ia crescendo e a rua ia se transformando num alegre rio de lenços coloridos, recebendo a contribuição das ruas laterais, como se fossem afluentes. Na entrada do Santuário, formávamos um imenso rio de irmãos, um povo unido, caminhando ombro a ombro em direção à casa de Deus."
Um muro alto isola o Santuário do resto da cidade. Três grandes portões, localizados em lados diferentes, denominados Entrada São José, Entrada Santa Bernadete e Entrada São Miguel, permitem o acesso ao interior do Santuário. Na área do Santuário encontram-se três basílicas, a mais antiga, situada ao lado e acima da Gruta, a subterrânea, que leva o nome de São Pio X, e que pode acomodar até umas 15.000 pessoas, e uma mais moderna, recentemente terminada, que pode ser utilizada por môdulos. O rio Gave atravessa todo o comprimento do Santuário, que é todo ajardinado, com belíssimos gramados, flores e árvores. No centro dos gramados, encontra-se a estátua da Virgem Coroada, em torno da qual serpenteiam os caminhos pcir onde passa, todas as noites, a procissão de velas. A água, que há mais de cem anos brota milagrosamente da gruta, da nascente que Bernadete cavou seguindo as indicações de Maria, é canalizada por um lado para as torneiras onde os peregrinos vão apanhá-la (de graça, contrariamente às informações recentemente divulgadas por jornais do Brasil!) e de outro, para as piscinas onde os doentes são mergulhados.
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O silêncio que reina no interior do Santuário contrasta com a vida borbulhante da cida:de, animada pela multidão dos peregrinos que ali acorrem. São em tomo de 7 milhões por ano. A pequena população fixa, que mantém sua cidade limpa e ordeira, vive do comércio alimentado por esses peregrinos, à sombra do antigo castelo situado no topo do morro. • As Jíngua<i. As diversas cores, utilizadas tanto nos lenços, como nos d~ oumentos e em tudo que contribui para sua identificação, são definidas pela administração do Santuário. Assim, no Encontro Internacional, foram usadas .as seguintes cores: amarelo, para os de língua francesa, que formavam a grande maioria, com mais de 3.000 pessoas; lilás para os de língua portuguesa que, com 750 representantes (600 portugueses e 150 brasileiros) vinham em segundo lugar; laranja para o espanhol; verde para o inglês; beige para o italiano; rosa para o alemão e branco para o polonês. O esquema montado no Encontro para as traduções, além de ser tecnicamente muito atualizado, foi também muito engenhoso do ponto de vista da organização. Cada dia do Encontro tinha suas línguas oficiais: na 3.a feira, o francês; na 4.a, "o português e o brasileiro" (como dizia o programa); na 5.a, o espanhol e o italiano e na 6.a, o alemão e o inglês. Todas as atividades gerais do Encontro - cerimônias, palestras, etc. - foram programadas para a Basílica São Pio X, que, como dissemos, pode acomodar umas 15.000 pessoas, e da qual, portanto, os equipistas ocupavam apenas uma parte. O altar e o local onde ficam os palestristas se situa num estrado alto no centro da Basílica. Os equipistas ficavam todos instalados de um lado deste estrado, na maior parte sentados nos banquinhos portáteis que todos tinham sido avisados .para trazer, já que os bancos da Basílica seriam insuficientes. Esse lado foi equipado com seis grandes telões, três em cada lateral. Nos dois telões mais próximos do estrado, eram projetadas as imagens dos palestristas ou dos atos litúrgicos, registradas pelas câmeras de TV localizadas na frente do altar. Nas demais, apareciam as traduções nas línguas não-oficiais do dia (1). E os participantes que falavam a língua do dia se sentavam na frente, enquanto os demais se agrupavam diante do telão que trazia a tradução para a sua língua. Assim, com o rodízio das línguas oficiais, também havia um rodízio nos lugares ocupados na Basílica, ao mesmo tempo em que todos tinham uma excelente visão, nos telões da frente, do que acontecia no estrado. Quanto ao texto das palestras, as traduções eram distribuídas nos hotéis, todas as noites, pelos responsáveis de hotel, que já as tinham recebido na chegada a Lourdes. Finalmente, cabe acrescentar que aqueles peregrinos que, além de sua língua natal, falavam alguma das outras línguas do Encontro, afixavam nos seus crachás pequenos auto-colantes com as respectivas cores, de maneira a facilitar os contatos com os outros participantes. (1) As traduções eram digitadas em computador e passadas para a televisão por meio de aparelhos leitores especiais para este fim. Devido ao reduzido tamanho dos contingentes de língua alemã e polonesa, as traduções para essas línguas eram verbais e simultâneas, a partir de cabines especiais e via fones de ouvido.
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Outros destaques.
- O Peixe. Os primeiros cristãos utilizavam o símbolo do peixe para se reconhecer. A palavra grega IKTOS, que significa peixe, era também a abreviação da expressão "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador do mundo" . Hoje, num mundo em que os verdadeiros cristãos estão ficando raros, a necessidade de um sinal de reconhecimento está reaparecendo. Em suas viagens pelos Estados Unidos, Jean-Claude Malroux notou que muitos cristãos voltaram a usar o símbolo do peixe, com esta finalidade . Por sua sugestão, foi desenhado então o "peixe das ENS", que aparece em vários lugares desta edição da Carta Mensal, e que combina o logotipo das Equipes, a aliança que representa o sacramento do matrimônio e este símbolo cristão. Além do grande peixe que foi montado acima do altar da Basílica, o símbolo marcou os lugares e os documentos do Encontro e, sob forma de distintivo, foi também distribuído a todos os participantes. - Estórias de computador. Dizem que o trabalho do computador tem a eficiência de quem o alimenta. Três pequenos fatos para ilustrar esta verdade:
e Em meio a risadas gerais, na sua reunião com a ERI, os SuperRegionais foram informados que, de acordo com a listagem de computador, o equipista mais antigo presente ao Encontro tinha entrado para o Movimento em. . . 1904! e Durante um trabalho de tradução que fazia na sala dos computadores, nosso Super-Regional pediu ao encarregado dos computadores que lhe enviasse, depois da peregrinação, algumas informações sobre o sistema usado. O encarregado perguntou: "Qual é seu nome e endereço?" Ele respondeu: "lgar Fehr . . . " O encarregado arregalou os olhos: "~ você que entrou para as Equipes em 1904?!. . . " Na digitação, o 1964 do lgar tinha se transformado em 1904! e Na montagem do sistema de computador para o Encontro, partiu-se do princípio de que todos aqueles que se inscrevem sem especificar o nome do cônjuge são padres, e portanto, do sexo masculino. Assim, na ficha de inscrição de todas as viúvas constou: Sexo Masculino. . . Quem não gostou foi nossa querida Nancy Moncau ... e Nosso caríssimo Frei Estêvão conseguiu "fundir a cuca" do computador. No Boletim de Inscrição, ele colocou seu nome civil: Francisco 64-
Anchieta Nunes. E entre parênteses acrescentou: Frei Estêvão. Está esperando sua Ficha, com a designação de seu hotel e de sua equipe mista até hoje ... -oOo- Um dos momentos mais emocionantes do Encontro aconteceu na feira, quando o grupo dos poloneses presentes foi lá na frente, perto do coral. Como se sabe, a prática da religião não é muito bem vista na Polônia e, especialmente para os equipistas, são criadas imensas dificuldades. Assim mesmo, com a ajuda do Movimento, aqueles 50 equipistas tinham conseguido, após 4 dias de viagem de ·ônibus, chegar até Lourdes. Então eles resolveram expressar sua gratidão através de um canto mariano tradicional de sua terra. O refrão, de um ritmo contagiante, foi logo sendo assimilado pela assembléia, que na segunda vez, já o cantava baixinho com eles. Ao final, enquanto eles iam se retirando pelo corredor lateral, o refrão explodia nos lábios de toda a Basílica ...
s.a
- Quem fez muito sucesso no último dia do Encontro, foi o avó do Pe. Olivier. Sua referência a ele, durante a palestra final (v. pág. 57), levantou a platéia em aplausos. Reação do Pe. Olivier: "Agradeço em nome de meu avó ... "
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NOTICIA BREVE O casal responsável da ECIR , lgar e Cldlnha, participou da reunião da ERI com os Super-Regionais, realizada em Lourdes . Eis o rápido relato que fazem :
Antes do Encontro Internacional , tivemos a reumao anual da ERI com os casais responsáveis Super-Regionais. E{lte ano, graças à realização da peregrinação, contamos também com a presença dos casais responsáveis de Regiões isoladas e de Conselheiros Espirituais de SuperRegiões. Assim, tivemos também irmãos vindos da Austrália , fndia, Inglaterra, Canada e Colombia. Como sempre, a reunião foi densa e rica de conteúdo, podendo se destacar do que foi tratado, os trabalhos relativos à " Segunda Inspiração - Novo Fôlego". Foi possível sentir uma sintonia de pensamento e preocupação na caminhada que fazemos com os demais irmãos de outras partes do mundo. Mais uma vez, foi acentuado e vivido o trabalho de responsabilidade colegiada do Movimento (ERI + S.R.'s), o que reforça ainda mais sua internacional idade.
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A SESSÃO DE FORMAÇÃO INTERNACIONAL O Encontro nternacional terminou na tarde da sextafeira, 23 de setembro. Alguns casais, no entanto, permaneceram em Lourdes por mais 4 dias, até o almoço da terça-feira, 27/9, para participar de sessões de formação internacionais. A reportagem da Carta Mensal estava lá. Enquanto a alegria dos lenços coloridos dos equipistas do mundo inteiro ia deixando as ruas de Lourdes, um pequeno grupo, ao invés de se dirigir aos trens, ônibus e carros que os levariam para suas casas, transferia suas malas para quatro hotéis situados à margem do Gave, o pequeno rio tranqüilo que corta a cidade. Eram ao todo 186 pessoas, entre casais equipistas e <:onselheiros espirituais que, a convite da Equipe Responsável Internacional, iriam participar, agrupados por línguas naqueles hotéis, de quatro grandes Sessões de Formação Internacionais, que começariam no dia seguinte, sábado, e terminariam na terça feira. Coube aos brasileiros, juntamente com os demais participantes de língua portuguesa, se alojar no hotel Arcade-Versailles {provavelmente o melhor dos quatro!). Eram 19 casais e 5 padres brasileiros, 5 casais e 2 padres de Portugal, 1 casal da Ilha da Madeira, e 2 casais e 1 padre de língua portuguesa residentes nos Estados Unidos. A Sessão foi coordenada pelo casal Maria da Graça e Bernardo Mira Delgado, de Lisboa.
Essas Sessões de Formação foram pensadas basicamente para casais e conselheiros espirituais convidados pela ERI, com os custos de suas passagens e estadia cobertos por uma pequena porcentagem da taxa paga pelos demais peregrinos. Para a escolha destes convidados, haviam sido fixados alguns critérios, pela própria ERI, tais como a distância de seu país, a sua dedicação ao Movimento, a perspectiva de seu trabalho futuro, suas condições materiais (que talvez não permitissem que participasse por conta própria), -67-
enfim, um "investimento" no futuro do Movimento, se assim se pode dizer. O Brasil foi privilegiado neste contexto, pois seu contingente de convidados respondia por quase um quarto do total. A tarefa da escolha (e não sorteio!) dos convidados brasileiros foi facilitada pela colaboração dos quadros, sobretudo dos Regionais, cujas indicações foram acolhidas. Cuidou-se em ter um casal de cada Região, de maneira que todas recebessem uma "porção do fermento na massa". Para compensar as distâncias que as isolam, e pensando em seu futuro desenvolvimento, duas Regiões participaram com mais de um casal: Centro-Norte (três casais, de Brasília, Manaus e Belém, respectivamente) e Regiões Distantes (Fortaleza e Recife). Dois casais da ECIR e cinco Conselheiros Espirituais, escolhidos por um processo semelhante por agrupamento por Regiões, completaram o grupo. As riquezas que os participantes receberam foram imensas. Não se poderia fazer aqui um histórico de tudo o que aconteceu, assim, destacaremos alguns pontos altos da Sessão de língua portuguesa: As apresentações.
Foram de uma tal profundidade, que não puderam ser feitas todas no mesmo momento: estenderam-se por vários horários dos dois primeiros dias. Além dos aspectos normais das apresentações equipistas (nome, origem, vida particular, profissional, engajamento, responsabilidades, etc.), solicitava-se que cada um falasse de suas maiores alegrias e suas maiores preocupações do momento. Foram verdadeiras coparticipações, que transmitiram um intenso calor humano e deram origem a uma intimidade muito maior entre os participantes, provocando, por vezes, intensas emoções através dos testemunhos dados. As palestras
Foram quatro palestras feitas pelo Pe. Vitor Feytor Pinto, de Lisboa, assistente de 4 equipes e de seu Setor e uma pelo Pe. Bernard Olivier (em português!), Conselheiro Espiritual da ERI. Todas voltadas para o tema do "Novo Fôlego", de uma clareza e de uma força impressionantes, foram para os participantes fonte de importantes reflexões e meditações sobre: -
A presença e a ação dos leigos casados no mundo e na Igreja; A família cristã, como espaço de felicidade e de compromisso; A evangelização da sexualidade humana; A responsabilidade pela evangelização do mundo e Maria, Mãe da esperança.
As palestras, como de costume, foram seguidas de grupos de coparticipação. A liturgia
A Missa do primeiro dia da Sessão foi celebrada numa das capelas do Santuário de Lourdes, com a participação dos quatro grupos linguísticos. Além da beleza da cerimônia e dos cantos, esta celebração foi marcada por um gesto de muita significação. Ao final da Missa, cada casal participante
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recebeu um envelope contendo algumas sementes de girassol que, de volta a suas casas, todos deveriam plantar. Quando, após os devidos cuidados, os girassóis tivessem crescido e desabrochado, sugeriu-se que tirassem fotografias, para enviar a outro casal participante, em sinal de união e como imagem do desabrochar das inspirações da Sessão.
As Missas dos demais dias foram celebradas nos respectivos hotéis, todas marcadas por intensa atmosfera de oração e de comunhão e pontilhadas de cantos dos vários países.
Os jovens No domingo, quatro jovens vieram dar seu testemunho aos participantes sobre a vivência das Equipes de Nossa Senhora Jovens, sobre as quais, durante o Encontro Internacional, o Pe. Thomazeau tinha falado (1). Mostraram como funcionam e como vivem as ENSJ e responderam a perguntas e dúvidas formuladas pelos presentes, entusiasmando a todos. Assim ficou-se sabendo que as ENSJ já funcionam na Colombia e que, no final deste ano ou no início do próximo, aqueles mesmos jovens estariam vindo à América do Sul e possivelmente ao Brasil, para promover a expansão deste 'filhote' das ENS. Plenário/Confraternização
Com a presença dos quatro grupos linguísticos, realizou-se no próprio hotel onde ficavam os brasileiros, no sábado à noite, uma sessão conjunta bastante informal, na qual inicialmente os membros da ERI presentes expuseram os grandes objetivos da Sessão de Formação e falaram da situação geral do Movimento no mundo. Houve depois um tempo para algumas perguntas e, no final, de violão em punho, os brasileiros alegraram o ambiente, fazendo todos cantarem. (I)
Ver página 31.
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A Sessão foi , para todos os que participaram, uma oportunidade ímpar de enriquecimento espiritual, que se desenrolou sob o signo da alegria que só a verdadeira comunhão pode dar. Prolongou, por mais aqueles quatro dias, o espírito de peregrinação de que todos estavam imbuídos. Permitiu que todos tivessem uma visão ainda mais ampla da natureza internacional de nosso movimento. A serenidade, a atitude de escuta, de meditação e de coparticipação deram a todos, por assim dizer, um banho de renovação, do qual sairam convencidos de sua obrigação de serem testemunhas de que o amor, vivido no matrimônio, é um verdadeiro caminho para a santidade.
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TESTEMUNHOS Recebemos muitos testemunhos, relatos e depoimentos de equipistas, participantes do Encontro Internacional de Lourdes. Dada a limitação de espaço para pubiicá-los na íntegra, apresentamos a seguir trechos daqueles que recebemos antes do fechamento desta Edição Especial da Carta Mensal. (Desculpamo-nos por não publicar eventuais colaborações não recebidas em tempo hábil).
"Para nós, foi mais uma confirmação de que as ENS são um grande caminho para a salvação conjugal . . . Através desta participação, Deus nos deixou compreender mais uma vez que o Seu amor e a Sua bondade é para todo ser humano, seja ele pobre, rico, branco, negro, aleijado, mudo, cego ou são. . . Somos todos iguais espiritualmente. Lá em Lourdes, todos, apesar de sermos de países diferentes, falávamos a mesma língua e tínhamos o mesmo objetivo de chegar um dia ao Pai. .. Na nossa volta a Piabetá descobrimos que ao mesmo tempo em que Nossa Senhora estava nos ajudando e nos protegendo em Lourdes, estava também ajudando e protegendo a nossa casa."
DaHeli e José Guedes- Piabetá/RJ -oOo- · "Chegamos a Lourdes, Thereza, Miriam e eu. A caminhada foi difícil, e por várias vezes pensamos em desistir, mas Maria nossa Mãe nos falou de várias maneiras, pedindo que continuássemos a jornada. Ela estava conosco . .. Logo cedo, ap6s o café, dirigimo-nos para a Basílica São Pio X, onde sentimo-nos incluídos no POVO DE DEUS, que SANTO E PECADOR busca um caminho para o PAI. . . Aquele espetáculo maravilhoso de homens e mulheres com lenços coloridos ao pescoço representando as línguas nas quais poderiam comunicar-se, que se encontravam ali reunidos numa resposta de AMOR e FB ... Maria, na gruta de suas aparições a Bernadete, parecia sorrir como mãe, vendo que seus filhos equipistas ali estavam uníssonos para trabalhar pelo Reino de seu amado Filho . . . A mensagem que nos ficou foi de DISPONIBILIDADE, HUMILDADE, ENTREGA E SERVIÇO ... Entendemos o chamado de Maria: ela quer que vejamos no irmão o Cristo e aprendamos a respeitá-lo e amá-lo como seu Filho Jesus nos ensinou."
Alclone de Grizzi -
Recife/PE
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"Realmente, foi um momento de ação de graças, por estarmos lá, por pertencermos às ENS, por sentí-las tão internacionais. . . Que sensação de estado de graça, por termos sido convidados para essa peregrinação: Cristo enaltecido e louvado através de sua mãe Maria Santíssima! . . . Paz, muita paz e alegria, mas quanta responsabilidade!. . . As emoções foram constantes, a disponibilidade dos que ajudaram a organizar o Encontro, que empenho! As conferências, as celebrações, a procissão de velas, a vigília. Sentimo-nos como no dia de Pentecostes, o Espírito Santo presente, agindo, cada qual ouvindo
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e rezando na sua própria língua ... Na Sessão de Formação, quanta esperança e confiança nos fizeram sentir o Pe. Olivier e o Pe. Vitor!. . . (Na viagem de retorno, em Madrid) a acolhida que tivemos por parte dos equipistas da Espanha foi comovente. . . (Após uma excursão-surpresa por Madrid) tivemos uma noite de confraternização, com a presença de casais espanhóis e brasileiros, com uma celebração eucarística, momentos de coparticipação e de oração: foi algo maravilhoso! ... No aeroporto, foi uma despedida cheia de esperança de um reencontro, que deixou saudades, como se fossem os velhos conhecidos." Mariê e Mauro (Mltomi) -
Araçatura/SP
-oOo"Realmente sentimos em Lourdes um ponto comum onde o céu e a terra se unem para louvar o Senhor e renovar assim a esperança de um futuro promissor na aliança de Deus com seus filhos ... Na Sessão de Formação, com os temas bastante atuais e muito bem colocados pelos conferencistas, sentimos que as ENS estão empenhadas em testemunhar com amor e justiça todo o carisma com que o Pe. C afiarei as criou. . . Grande foi nossa satisfação em partilharmos com os que lá estavam a nossa esperança em conseguirmos ajudar na construção do Reino, através de nossa disponibilidade ao serviço e coerência em nossas atitudes como cristãos engajados na comunidade em que vivemos . . . Temos a certeza que, juntos com Maria nossa Mãe e intercessora, tudo faremos para que o movimento das ENS sirva de meio para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do verdadeiro sentido dado por Cristo ao sacramento do matrimônio - um exemplo da Trindade divina, onde o homem se une à sua mulher pelo amor e para o amor." Maria Helena e Gelson Cancela- São Paulo/SP
-oOo"Deus, mais uma vez, nos fez sentir o quanto Ele é bom, ajudando-nos a estar em Lourdes nesta peregrinação. . . Durante quatro dias, enriquecemos nossa vivência cristã com momentos inesquecíveis. . . Quantos presentes recebemos! As celebrações, as palestras, a adoração ao Santíssimo, a procissão de velas. . . A grande basílica subterrânea que escondia sua simplicidade no calor humano da multidão organizada que acolhia. . . A convivência com equipistas portugueses, franceses e belgas durante as refeições, as reuniões de equipe, a troca de vivências, tudo foi comovente e contagiante. . . Temos pedido em nossas orações que Deus inspire os cristãos brasileiros e, de modo especial a nós, equipistas, para que saibamos nos posicionar diante das realidades absurdas que nosso país vive nestes tempos." Yone e Gasetto---:- Niterói/RJ
-oOo"Senti-me intimamente tocada pela beleza viva de fé e de esperança do povo de Deus que caminhava em busca de sua plenitude. . . A peregrinação j01' uma maravilhosa prova de amor à Virgem Maria, a Imaculada Conceição, como ela se ailunciou a Bernadete, e da vontade sincera de tornar conhecido por todo mundo o Evangelho, ressaltando o amor à jamilia e sua preservação, a fraternidade e a necessidade imperiosa de rezar e fazer penitência,
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e ainda, da realização do homem integral como cristão. . . Voltei com a alma em festa pelas emoções sentidas e vividas e trazendo para a região e a equipe de viúvas (à qual pertenço), os momentos de graça santificante e de todas as colocações feitas nas reuniões de equipe." Cybelle de Araujo- Petropólis/RJ
-oOo"Foram momentos de intensa vivência da nossa fé em Jesus Cristo. Muitas coisas sobressaíram naqueles dias: o nosso convívio com (os equipistas) portugueses, madeirenses e açorianos (vieram de 'comboio', na 'carruagem'), cujas experiências nos enriqueceram e encheram nossa bagagem; os dias vividos dentro da Basilica de São Pio X; a agitação das caminhadas hotel/basílica/ hotel; a nossa participação na procissão de velas e na vigüia de oração; a gruta, que nos transporta realmente para uma dimensão diferente da vida, pois, participar com pessoas do mundo inteiro da mesma oração era qualquer coisa de divino; o sentir a força mundial do nosso Movimento, pois estavamos lá perto de 6.000 pessoas, tudo isso nos encheu de novas forças, para continuarmos a viver nossos dias exclusivamente para as Equipes de Nossa Senhora ... (Na Sessão de Formação), vivemos tempos fortes de oração e de troca de experiências a nível de Movimento e de vida apostólica. Sentimos o esforço de todos para manter a unidade, viver a fidelidade e o amor ao Movimento." Rosinba e Anésio -
São José do Rio Preto/SP
-oOo"Não estava nas minhas cogitações participar da peregrinação a Lourdes. E: que sou portadora de uma grande deficiência auditiva, e tive conhecimento de que as equipes da peregrinação anterior abrangiam de 13 a 15 casais, o que não me permitira a leitura labial, de que me socorro. Jayme, meu marido, fez a nossa inscrição sem me consultar, certo de que me proporcionaria uma agradável surpresa. . . Sem externar meu desapontamento, lá fui eu, na expectativa de que muito pouco poderia receber e quase nada ofereceria aos meus irmãos. Mas a minha disposição veio a sofrer uma guinada de 180 graus. . . Todas as conferências e temas expostos eram simultaneamente traduzidos em telas panorâmicas, dispostas diante dos peregrinos do mesmo idioma. Não perdi uma s6 palavra do que foi dito! ... Nossa equipe de peregrinos me reservava outra grata surpresa: éramos apenai dez membros, seis portugueses e quatro brasileiros, além do Conselheiro Espiritual. . . Ao contrário do que esperava, recebi muito e creio ter oferecido alguma coisa, pelo menos a fraterna amizade, aos companheiros equipistas. . . Obrigada, Jayme! Foi realmente maravilhosa a surpresa que você me proporcionou!" Aida Menezes -
Rio de Janeiro/RJ
- oOo"Foi-nos proposto que refletíssemos como levar aos jovens a esperança de encontrar a felicidade no matrimônio indissolúvel. Mostrar-lhes que com boa vontade, perseverança e amor podemos usufruir de uma paz de espírito de pequenas alegrias do dia-a-dia de convivência fraternal e amiga com a família, os amigos e todos que nos cercam. . . Os doentes percorrendo as ladei-
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ras da cidade, a maioria levados por voluntários em cadeiras de rodas, a procissão das velas e a vigília na gruta milagrosa, são imagens que ficarão para sempre retidas em nossa memória." Isolina e Ivo- Rio de Janeiro/RJ
-oOo"Tocadas pela Graça, resolvemos fazer parte da peregrinação das ENS a Lourdes: Alcione, Miriam e eu. Impossibilitados de viajar, devido às obrigações profissionais, nossos maridos ficaram privados dessa felicidade. Ao resolvermos fazer a vagem, não fomos motivadas por uma decisão comum e sim por um apelo interior muito profundo, um chamamento para irmos ao encontro de uma missão ... O que mais nos impressionou (em Lourdes), foi a Fé que motiva uma média de 30.000 peregrinos todos os dias, não s6 doentes físicos, como também aqueles que desejam a paz interior, que àmam a Mãe de Deus, a para lá se dirigirem. . . . A presença viva da Virgem na gruta e a fé dos que estavam ali orando era comovente. Procuramos confiar a Maria nossos problemas, nossas dificuldades, nossas famílias, nossas esperanças, nossos anseios . . . Sentimos na peregrinação mais um marco de crescimento das Equipes de Nossa Senhora!" Thereza de Leal -
Recife/PE
-oOo"Foram dias realmente magníficos, onde desde os primeiros momentos sentimos a integração completa de todos os casais. Lourdes parecia-nos o Mundo da Fé. Estávamos junto de Nossa Senhora ... Quanta beleza, quanto amor, naqueles rostos de enfermos. Quanta santidade, naquelas mães conduzindo seus filhos e filhos conduzindo suas mães incuráveis. . . Valeu! mil vezes valeu e valerá, esse encontro de casais que se preparam para uma jornada de santidade. Lourdes levou-nos a conhecer mais uma vez a força, a grandeza do movimento junto aos equipistas de muitos lugares do mundo." Elzira e Ary -
Mogi das Cruzes/ SP
-oOo"A troca de experiências vivida naqueles dias através dCJI relacionamento com equipes do mundo todo, as emoções sentidas nos atos religiosos, as reflexões referentes aos temas abordados superaram minhas expectativas em relação ao crescimento espiritual que obtive . .. Espero poder transmitir aos meus irmãos equipistas, que não tiveram a felicidade de se fazerem presentes em Lourdes, os frutos por mim colhidos naqula jornada ... Na madrugada de vigília de adoração ao Santíssimo, tive a oportunidade de fazer uma comunhão total de vida com Deus, de dialogar com Ele em toda a Sua plenitude, isto é, no encontro do Pai, por Cristo, na força do Espírito Santo." Ethel Macbord -
PetropóHs/RJ
-oOo"Foi uma oportunidade de ação de graças de cada um de nós, por cada um de nós, pela caminhada de 40 anos das Equipes, sempre à escuta de Deus para desenvolver sua missão. . . Vivemos momentos intensos de vida de equi-
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pe, ao participarmos todos os dias das reumoes, nas quais pudemos partilhar Cristo com irmãos de lugares distantes. . . Falou-nos muito, também, toda a liturgia, além das oportunidades de oração e recolhimento. A vigília de oração na gruta foi uma oportunidade em que fazíamos presente nossos irmãos de equipe, nosso Movimento, nosso Brasil, nossa juventude e nossa família. . . Quanto às palestras que tivemos, podemos dizer que foram, num crescendo, levando-nos aos objetivos previstos. . . Enfim, foi mais uma demonstração da ternura de Deus, e sabemos que quanto mais penetramos nela, mais sentimos seu apelo à fidelidade."
Olguinha e Toninho- São Carlos/SP
-oOo-"Os temas abordados com profundidade e concisão nos deram uma visão da abertura das Equipes para o mundo: na introdução já se falou numa Igreja cada vez menos européia . . . As solenidades das quais participamos deixaram marcas nos nossos corações. . . A nosso ver, um ponto importante foram as reuniões de equipe. Nelas sentimos a grandeza do movimento, através dos testemunhos dados. Foram todos sinceros, abertos, e deram contribuições muito importantes."
Maria e José Aquino -São Paulo/SP
-oOo-"Da janela do hotel onde estava hospedada, via-se um largo espaço, como o de um estacionamento, onde se aglomeravam inúmeros carros de capota verde, como uma charrete, porém menores. Logo cedo, ao clarear do dia, homens de diferentes idades, puxando os carros, subiam ladeira acima em direção ao hotel-hospital onde se achavam os doentes . Muitos desses homens estavam hospedados no mesmo hotel que eu. Havia também, entre os hóspedes, senhoras e moças, com uniforme branco e um véu preto até a cintura, como usam as religiosas. Pelos fragmentos de conversa, percebia-se que eram de várias nacionalidades. Uma noite, fazendo hora para uma ligação para o ·Brasil, fiquei até mais tarde no saguão do hotel, onde também estavam duas dessas senhoras. Eram italianas. Eu não falava o italiano e nem elas o português ou o francês. Mas, com o auxílio de algumas palavras nessas três línguas e muita boa votnade, conseguimos nos entender. E fiquei maravilhada em saber que todas elas eram casadas, mães de família e que, deixando sua casa e seus afazeres, provavelmente utilizando parte de umas férias, doavam uma semana por ano ao serviço dos doentes, em Lourdes. O mesmo faziam os homens. Prestavam aos doentes todo o auxílio que um leigo pode prestar, acompanhavam-nos às cerimônias da Basílica e ficavam ao seu lado todo o tempo. Muitos em macas, cadeiras de rodas, etc. Fiquei maravilhada pensando como é linda a nossa Igreja, quando a vemos por dentro. ~ reconfortante pensar que em todas as partes do mundo a generosidade, o desapego, a doação de muitos devem fazer chegar até Deus um magnífico hino de louvor, que fala suficientemente alto para abafar a mesquinharia e as fraquezas do pecado."
Nancy Moncau -
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São Paulo/SP
A PALAVRA DOS CONSELHEIROS ESPIRITUAIS
A presença, entre os 150 peregrinos brasileiros, de oito de nossos Conselheiros Espirituais, foi outro fato marcante do Encontro Internacional de Lourdes. Reproduzimos a seguir o testemunho que dois deles nos enviaram.
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Sinto-me responsãvel de comunicar algumas impressões pessoais para que outros possam aproveitar a graça imensa que para o Movimento foi Lourdes. A primeira impressão é de que todos nós fazemos parte de um Movimento que é sério, maduro, bem organizado, verdadeira presença na pastoral familiar da Igreja Universal. Esta afirmação que não quer ser triunfalista mas verdadeira e realista se fundamenta em fatos indiscutíveis. Não é fácil reunir cerca de 6.000 pessoas de vãrias línguas e permitir que todos rezem, meditem, se reúnam em equipes, durante 5 dias sem nenhum problema sério de organização. Foi para todos os participantes uma grande alegria celebrar lindas liturgias, com cantos estupendos em vãrias línguas, com homelias de profunda e acessível espiritualidade, e sentir que todos, equipistas e conselheiros espirituais, estãvamos em Lourdes para honrar a Deus, rezar à Virgem e renovar o nosso compromisso de buscar a santidade pessoal, familiar, eclesial. As palestras que trataram de temas como o matrimônio na sua duração, a exegese do Magnificat, a missão dos leigos na família, foram sinal de que, em 40 anos, o carisma do Pe. Caffarel produziu uma reflexão e uma vivência de espiritualidade conjugal de grande qualidade.
Impressionou-me a noite de adoração frente à gruta, onde milhares de casais, em silêncio, chegaram para louvar o Santíssimo e rezar à Virgem, como a humilde Bernadete, um século atrás. Olhando estes casais de todas as idades, eu refletia que são eles que fazem do matrimônio cristão uma realidade e que sustentam a sociedade e a Igreja. Uma palavra do Cardeal Pironio sobre os conselheiros espirituais, durante a sua palestra provocou palmas espontâneas, entusiastas, eloquentes. Senti, fortemente, o carinho dos equipistas por nós, os pastores e amigos, que os aéompanhamos na aventura da santidade. Lembrava-me do nosso fundador que dizia que os dois sacramentos, matrimônio e ordem, devem caminhar juntos a serviço da evangelização. ' O mistério da Igreja é tão grande que não acabamos de descobrí-lo. Em Lourdes, vimos uma parte deste mistério. Que beleza! Não nos devemos cansar de dar glória ao Senhor que nos chamou a participar da vida de fé, esperança e caridade da Igreja, e que nos convidou a buscar a santidade <ientro de um Movimento que dá garantia de seriedade, autenticidade, abertura à promoção humana e cristã." Mons. Pierre Primeau -76-
Brasília/DF
"Missa internacional: fiéis do mundo inteiro, sacerdotes do mundo, cada um com a sua língua e a sua hist6ria e os seus percalços. Mas o Oristo que se faz presente na Eucaristia, naquela grande h6stia nas mãos do sr. Bispo, é um s6 e mesmo Cristo, tanto para os brasileiros como para os africanos de Angola ou da Líbia. Ali está o centro de unidade de tantos povos: é a mesma fé, o mesmo Deus, o mesmo batismo que nos faz esta grande família. E mais do que nunca nesta oportunidade sentimos de modo quase tangível esta unidade da Igreja de Cristo que Pentecostes promulgou. Não importa a diversidade de línguas nem de raças: ao comermos o Pão Sagrado, somos um com Cristo e entre n6s. Cada parte da Missa é realizada numa língua, mas o Pai Nosso é um s6, é o Pai de todos, porque todos somos irmãos. Vou ajudar a distribuir a comunhão, e entrego o Corpo de Cristo a este meu irmão, que eu não conheço, que nunca mais vou encontrar na vida, que veio não sei de onde e traz consigo o peso de não sei qual hist6ria; mas é meu irmão, e Cristo mandou que eu o amasse, como Ele mesmo, o Cristo, o ama. Eis o mistério da unidade desta Igreja, a Igreja de Cristo. Na procissão da noite, maravilha de espetáculo (quantas mil velas estarão acesas?), cada Ave Maria é rezada numa línguaJ diferente, e o Pai Nosso em latim unindo todas as línguas. Ninguém melhor do que Maria para unir a humanidade inteira - homens de todas as raças, línguas e nações - no seu abraço de Mãe. E: o novo Pentecostes -Maria lá estava - onde finalmente a humanidade descobriu uma linguagem que une, que todos entendem, desde a criança até o velho, desde o catedrático até o analfabeto, e que todos têm também a capacidade de falar: a linguagem do amor. Aqui também, em Lourdes, na presença de Maria, acontece Pentecostes todos os dias. Ah! se o mundo inteiro fosse assim! Mas pode ser assim, e deve! Este é v mundo que Deus quer: todos unidos, a humanidade inteira, dando-se as mãos, ajudando-se uns aos outros, suportando-se uns aos outros, no serviço e na conc6rdia, ninguém arrastado pela ambição ou pelo orgulho de querei' ser ou de se julgar mais do que os outros. O céu deve ser assim. E aqui em Lourdes, dá para se antecipar um pouquinho do céu . . . " Frei Estêvão Nunes- Curitiba/PR
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NOTICIAS DOS SETORES Unidos em espírito de oração aos seus irmãos equlpistas que tiveram a graça de poder viajar até Lourdes, vá· rias Regiões e Setores das ENS no Brasil promoveram peregrinação locais em louvor a Maria, nossa Mãe e inspi· radora. Algumas dessas peregrinações já foram relatadas em números anterio· res da Carta Mensal. Outras que, segundo sabemos, foram realizadas, não tiveram seus relatos encaminhados ao Secretariado, a tempo para publicação nesta Edição Especial. Seguem-se os relatos que chegaram às nossas mãos em tempo hábil, e que ainda não haviam sido publicados .
- No dia 28 de agosto pp., o Setor I, sob a organização das equipes 80 e 94, promoveu peregrinação a Aparecida do Norte/SP objetivando pedir a intercessão de N. S. Aparecida por toda a Igreja e. em particular, pelo nosso Mo-
vimento. O ônibus que transportou os casais equipistas e o C.E. do Setor, Pe. Raimundo Ouiroga, deixou o Rio às 5:30 hs. da manhã. Durante a viagem que transcorreu em clima de profunda espi· ritualidade, foram entoados cânticos e, além da leitura do discurso do Papa sobre a família, quando de sua visita ao Rio, foi rezado o terço. Na chegada a Aparecida foi realizada uma Via Sacra a fim de que todos pudessem meditar mais profundamente sobre o sacrifício que Cristo fez por nós e, a seguir, todos se dirigiram ao local onde os pescadores encontraram a Imagem da nossa Padroeira. Após breve almoço com momentos de alegre descontração, voltaram à Basílica para a Santa Missa concelebrada pelo C.E. do Setor. Esse evento, surgido de uma idéia do C.R. do Setor I, Re~ina e Cleber e posta em prática pelas equipes 80 e 94 foi multo importante em termos de crescimento espiritual e congraçamento equipista e deverá ser repetido em futuras ocasiões .
Em 18/09 foi. a vez do Setor B pro· mover uma peregrinação ao Santuário da Medalha Milagrosa, na Tijuca, com a presença de grande número de equipistas (inclusive de outros Setores da Região), muitos dos quais acompanha· dos de seus filhos, apesar do clima
chuvoso. A preparação para a peregrinação foi iniciada um mês antes no âmbito de cada equipe com a assistência de seus respectivos C.E.s, e cada casal rezou diariamente, durante todo o mês, um Salve Rainha na Intenção de sua peregrinação e da grande peregrl-
Região Rio de Janeiro I
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nação a Lourdes. Nas reuniões de equipe que antecederam a peregrinação foi recitado um dos mistérios gozosos do Rosário, também naquelas intenções. No dia da peregrinação, cada equipe participante concentrou-se em casa de um de seus casais-membros e, em clima de oração, utilizando-se do menor número possível de automóveis, dirigiram-se todos para o local do encontro e de lá seguiram para o Santuário, onde juntos oraram e entoaram cânticos.
Região Santa Catarina Em 18 de setembro, todo o Movimento das ENS no Estado de Santa Catarina colocou-se em atitude de peregrinação, unido aos nossos irmãos que de países tão diversos acorreram a Lourdes, para louvarem e agradecerem a Maria, fiel companheira em nossa caminhada de fé . Em Criciuma, a peregrinação acontecida congregou os equiplstas daquele Setor e alguns casais de Lages e de Florianópolis. D~ Inicio, os casais reuniram-se na Gruta de N. S. de Lourdes onde, recitando o terço, aguardaram a chegada dos de· mais casais participantes com seus filhos. De lá viajaram até as proximidades da localidade de Caravaglo, em Nova Veneza, de onde continuaram em procissão, recitando o terço e meditando sobre os mistérios gozosos. Chegados ao Santuário de N. S. do Caravagio, participaram da Celebração Eucarística presidida por Pe. Arcângelo, C.E. do Setor de Crlciuma. Na mesma ocasião, ou equlplstas da Coordenação de ltajai realizaram sua peregrinação ao Santuário de N. S. de Lourdes, em Azambuja , no município de Brusque, com expressivo comparecimento e em espírito de oração. Já os casais dos Setores de Florianópolis, que não puderam estar em Crlcluma, reuniram-se para uma peregrinação ao Santuário de N. S. de Fátima, no Estreito, onde participaram da Santa Missa e oraram em louvor a Maria Santíssima. Foram demonstrações de que os equlplstas de Santa Catarina encontram-se • unidos em oração aos Irmãos equlplstas de todo o mundo •.
Região São Paulo-Centro Os casais equlplstas de Campinas e Valinhos/Vinhedo realizaram no dia 25 de setembro de 1988 a sua Peregrinação Maria!, dirigindo-se à Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, localizada no município de lndaiatuba, próximo a Campinas . numa Comunidade de Imigrantes Suíços denominada Helvetia, encerrando assim o Ano Mariano, em espírito de comunhão com todos os casais peregrinos do mundo inteiro. Foi realmente uma caminhada de fé e de reflexão conjunta dos dois Setores , com terço meditado e cânticos de ação de graças a Maria, com efetiva participação das crianças, filhos dos equipistas , que se encerrou com a Celebração Eucarística. Em seguida , houve um almoço comunitário, num verdadeiro sentido de Comunidade Cristã.
Região Minas Gerais Os Setores de Juiz de Fora e Belo Horizonte, apoiados pela Região Minas Gerais , programaram e realizaram no dia 20/08/88 uma peregrinação a Mariana. Esta peregrinação teve dois objetivos principais: viver espiritualmente a união com os peregrinos de Lourdes e celebrar o encerramento do Ano Mariano. " Fomos em 4 ônibus : 3 de Juiz de Fora e 1 de Belo Horizonte, com adultos, jovens, crianças e 6 Conselheiros Espirituais, num total de 150 pessoas . Dom Luciano nos recebeu alegremente e participamos juntos de uma belíssima celebração na Catedral. Suas palavras de Pastor nos calaram fundo: 'Os casais das ENS precisam trabalhar em prol da família. Precisam fazer acontecer.' Foram momentos de profunda reflexão e oração a partir da realidade brasileira. Após a Missa, houve um momento de confraternização, quando almoçamos todos juntos num clima de muita alegria. Depois do almoço demos um mergulho na História, fazendo uma peregrinação cultural por Mariana e Ouro Preto. Voltamos à tardinha para nossas casas com a certeza da mediação de
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Maria e da necessidade de multo fazer em prol do Reino, porque muito nos tem sido conced ido."
Região Paraná As 16 horas da tarde ensolarada do dia 24/09/88, que fi ~ará indelevelmente marcado, dezenas de equipistas dos Setores A e B de Londrina dirigiram-se em peregrinação à sua Catedral , onde em clima de devoção e elevada espiritualidade, recitaram o terço e fizeram seus pedidos pessoais à intercessão da Virgem a seu Filho Amantíssimo. A seguir, dirigiram-se todos em oração peregrinatória ao Santuário da Mãe Rainha Três Veze3 Admirável de Schoenstatt, localizada na área privativa do Colégio Mãe de Deus, onde Pe. lrineu, C.E. da equipe 11 celebrou a Santa Missa sob as bênçãos de nosso Pai Celeste. Ao final, após mais de uma hora de devoção, foi feita a renovação da Consagração das Equipes de Londrina a Nossa Senhora. A cerimônia marcou a todos por seu profundo espírito de contrição cristã que há de aprofundar-se e fixar-se bem no âmago de suas consciências
marianas. Foi , sem dúvida, uma magnlfica contribuição dos casais equiplstas de Londrina para, em consonância com a peregrinação feita ao Santuário de Lourdes, encerrar com brilhantismo o Ano Mariano.
Região São Paulo·Leste Os equipistas do Setor de Taubaté partiram em peregrinação, no dia 21 de maio últtma__rumo a Aparecida do Norte . Reunidos no Convento Santa Clara , onde rezaram o 1.0 Mistério Gozoso, partiram em cortejo de automóveis. Nos trajetos entre as quatro paradas programadas, um dos passageiros em cada veículo lia um texto de reflexão sobre o Mistério rezado na parada anterior, seguindo-se meditação e troca de idéias. Nas paradas Intermediárias, em quatro capelas situadas no caminho, foram rezados os Mistérios Gozosos seguintes e entoados cânticos . Chegados a Aparecida do Norte, uniram-se , na Basíl ica, aos casais aquipistas vindos de Santos, do ABC, de São Paulo e de outras cidades do Vale do Paraíba. A peregrinação se encerrou com a participação na Santa Missa, às 12 horas.
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MEDITANDO EM EQUIPE O encontro de Lourdes ficou profundamente marcado como o Encontro do MAGNIFICAT. Não podemos deixar, neste final de ano e de preparação do Natal, de, . com Maria, fazer em espírito a viagem da Visitação e, em nossos corações, uma vez mais meditar o seu canto.
(Lc. 1, 39-54)
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? Pois quando a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre. Feliz a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!" Maria então disse: A minh'alma engrandece o Senhor, exulta meu espírito em Deus, meu Salvador; porque olhou para a humildade de sua serva, doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é seu nome! Seu amor para sempre se estende, sobre aqueles que o temem. Manifesta o poder de seu braço, dispersa os soberbos; derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes; · sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada. Acolhe Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre!
Maria permaneceu com ela mais ou menos três meses, e voltou para sua casa.
EDIÇAO ESPECIAL -
LOURDES/88
Um momento com a Equipe da _Carta Mensal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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A ECIR conversa com vocês .. . . . ............ . ............... . .. · 2 Os primeiros atos do Encontro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Editorial - "Jean-Ciaude e Jeanine Malroux . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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A Palavra do Papa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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A "Duração do Casal" 2. 0
Palestras do 1.0 dia
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dia: A Misericórdia de Deus.
Palestra de Dom Antonio Marcellino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reflexões sobre o Magnificat -
Pe. Matteo Lepori . . . . . . . . . . . . . .
Equipes de Nossa Senhora Jovens A Palavra de nossos Pastores -
Pe. Thomazeau . . . . . . . . . . . .
14 17 31
Card. Eduardo Pironio:
Missão do leigo casado na Igreja e no mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . .
33
Lourdes: o grande momento de Ação de Graças . . . . . . . . . . . . . . . .
45
As reuniões de equipe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Envio de Jean-Ciaude e Jeanine Malroux . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Do Magnificat ao Novo Fôlego -
Pe. Bernard Olivier . . . . . . . . . . . .
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Destaques . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Reunião ERI/ Super-Regionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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A Sessão de Formação Internacional . .. ........... . .... . .... . .. .
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Testemunhos ... ... . .. :. .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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A Palavra dos Conselheiros Espirituais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Notícias dos Setores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Meditando em equipe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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EQUIPES DE NOSSA SENHORA 01050 Rua João Adolfo. 118 · 9' · cj. 901 ·Te!. 34 8833 São Paulo · SP