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Engaja Na Amazônia

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ENGAJA NA AMAZÔNIA


ÍNDICE APRESENTAÇÃO INÍCIO METODOLOGIA

CONHECENDO TERRITÓRIO AUTOCONHECIMENTO METODOLOGIAS COLABORATIVAS ATIVISMO COMUNICAÇÃO

EMPATIA ACORDOS E EXPECTATIVAS VÍNCULOS E AFETO CUIDADO

AÇÕES AVALIAÇÃO MÃO NA MASSA APRENDIZADOS DE EQUIPE

FINALIZAÇÃO FLEXIBILIDADE AUTONOMIA FORMAÇÃO DE MULTIPLICADORES

DEPOIMENTOS AGRADECIMENTOS


Apresentação CONTEXTO O projeto Engaja na Amazônia foi desenhado durante o Encontro Nacional 2017 do Engajamundo em Alter do Chão (PA) - imersão com o maior número de jovens ativos na rede - onde também participaram cerca de 15 jovens de comunidades tradicionais da região amazônica, que trouxeram alguns questionamentos sobre a falta de habilidades e oportunidades de aprendizagem em seus próprios territórios relacionados à mobilização, ativismo e comunicação.

O QUE É A metodologia de formação, com duração total de 70 horas, foi criada e adaptada para apresentar um conteúdo específico, com a profundidade necessária, para que jovens amazônidas conheçam ferramentas de ativismo, criação de campanha, incidência, participação política e mobilização e sejam protagonistas do fortalecimento de suas lutas na região.

ONDE O programa piloto aconteceu na região do Baixo Tapajós, em comunidades do interior e nos municípios de Santarém e Oriximiná (PA), e também na região metropolitana de Manaus (AM).

PARA QUEM O piloto foi realizado com quatro turmas diferentes, para testarmos a adesão de diferentes públicos à metodologia.


Indígenas do Baixo Tapajós 31 jovens das aldeias São Francisco do Paraoá, Takuara, Pinhel/Escrivão, Açaizal, Ipaupixuna, Cavada, Vila Franca, Maró, São Pedro, Suruacá, Santo Amaro, Jacareacanga e Alter do Chão Jovens: Jaci, Val, Tupi, Paulo, Ianny, Ronaldo, Rosy, Mary, Suzy, Catrynne, Darlly, Dyana, Douglas, Ednei, Emilly, Henrique, Licah, Lívia, Careca, Jeremy, Cleinilson, Laudeíse, Lukas, Marcelly, Márcio Gean, Odenildo, Stefane, Paulo Galvão, Taiana, Thaline, Well

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Em parceria com o Departamento de Jovens do CITA - Conselho Indígena do Tapajós/Arapiuns

Quilombolas da região do Trombetas e Erepecuru 38 jovens das comunidades Bacabal, Arancuã de cima, Boa Vista Trombetas, Arancuã do meio e Jarauacá (território Trombetas); Jauary, Santa Rita, Espírito Santo, Varre vento, Pancada, Boa Vista Cuminã, São Joaquim, Monte dos Oliveiras (território Erepecuru); Último Quilombo, Jamari (território Alto Trombetas 2); Tapagem, Abuí, Sagrado Coração de Jesus, Santo Antônio Ariramba (território Alto Trombetas 1) Jovens: Rud, Lério, Drika, A.M., Ori, Rodrigo, Andrea, Áurea, Abel, Arleane, Adenilzo, Auriele, Chelse, Danny, Davi, Eudiceia, Ida Márcia, Izanelson, Joenison, Preto, Elanize, Milena, Naildo, Nairene, Orleanny, Ozan, Ramon, Rosângela, Rosirema, Vanny, Salomão, Sandro, Silene, Sueni, Wenerg, Mário, Osmar e Elaine

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Em parceria com o Imaflora

Ribeirinhos do Tapajós/Arapiuns 38 jovens das comunidades Urucureá, Prainha I, Prainha II, Itapaiúna Suruacá, Anã, Boim, Mentai, Pedra Branca, Vila Amorim, São Pedro, Solimões e Santarém. Jovens: Waltinho, Michael, Vanessa, Henrique, Abraão, Ádria, Aline, Ane Paule, Angélica, Arleilson, Benê, Nara, Cleide, Dani, Deisilene, Délcio, Diele, Lily, Ítalo, Jane, Joane, Juci, Keila, Kelly, Laíse, Luiza, Natan, Orlean, Pedro, Priscila, Rafael, Raimundo, Ricardinho, Samara, Sara Ester, Sara Rapouso, Vando, Stella

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Em parceria com o Projeto Saúde e Alegria

Jovens universitários de Manaus 14 jovens das regiões norte, leste e sul da cidade de Manaus. Jovens: Brenda Damasceno, Thabita Camila, Sarah Campelo, Vitor Gusmão, Mateus Oliveira, Matheus Revoredo, Mikael Costa, Thalissa Klenda, Thalissa Silva, Lidiane Lopes, Quezia Tavares, Felipe Alexandre, Janderson Sarmento, Aline Lima

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O ENGAJAMUNDO O Engajamundo é uma organização liderada por jovens que acreditam na sua responsabilidade como parte fundamental da solução para enfrentar os maiores desafios socioambientais do Brasil e do mundo. Atuamos como um canal para a participação efetiva da juventude em decisões importantes que afetam o presente e o futuro. A missão do Engaja é conscientizar os jovens brasileiros de que mudando a si mesmo, seu entorno e se engajando politicamente, eles podem transformar suas realidades.


Ama-zônidas protagonistas de mudanças locais Thalita Silva, facilitadora do projeto "Engaja na Amazônia"

A AMAZÔNIA, podendo também ser mencionada como “As Amazônias” por serem tantas dentro desse mundo de águas e florestas úmidas, esconde a maior biodiversidade do planeta Terra. Não apenas de fauna e flora, mas também de caboclos, índios, ribeirinhos, quilombolas e seringueiros, que se nutrem desse bioma há muitos anos. Porém, toda essa grandeza não esconde a fragilidade desse ecossistema, e os danos causados pela ação do homem no extenso território Amazônico são, em geral, irreversíveis. Apesar de não sabermos exatamente qual é o "fim da linha", estima-se que a Amazônia está muito próxima de atingir um limite que não poderá mais ser revertido, hoje já com 20% de área desmatada - o equivalente à 1 milhão de quilômetros quadrados. Mas isso parece não impedir sua exploração. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, o sistema do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) registrou aumento no desmatamento de 13,7% em relação ao ano anterior. Os chamados "rios voadores", formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, levam umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. O desmatamento prejudica essa evapotranspiração e, por consequência, a rota desses rios, afetando assim o regime de chuvas no restante do país e também o clima no resto do mundo. Neste contexto, a conservação da Amazônia é de total importância, principalmente para nós, amazônidas. O projeto Engaja na Amazônia mostrou que podemos ser protagonistas de nossas próprias histórias, nos dando ferramentas para proteger nosso território ao permitir que cada jovem se reconheça enquanto potência transformadora e possa criar ações e campanhas inovadoras pela Amazônia.


Engajar para transformar (e curar)

Raquel Rosenberg, coordenadora do projeto "Engaja na Amazônia" Os trabalhos do Engajamundo sempre se caracterizaram por sua complexidade. Na dificuldade de entender o que estes jovens malucos fazem para mudar o mundo, muitas vezes a visão de quem está de fora é focada no ativismo, mobilização e no engajamento político. Mas, como bem descrito na nossa missão, olhar para o "eu" e para o entorno também gera uma transformação tão relevante quanto uma grande marcha ou uma ação direta de constrangimento de uma autoridade na ONU. O objetivo do "Engaja na Amazônia" era, portanto, fortalecer o engajamento de jovens amazônidas como protagonistas de suas próprias causas e campanhas, a partir da vivência de uma Jornada que possibilitasse a aprendizagem de ferramentas de ativismo, mobilização e comunicação, além da exploração do potencial de cada um enquanto indivíduo. O desafio era de implementar a metodologia de capacitação do Engajamundo para jovens da região amazônica. A metodologia anterior do Engaja, aplicada em todo o Brasil pelos voluntários multiplicadores, tem uma duração de 8 horas. Assim, para treinar totalmente os jovens amazônidas - muitos que nunca haviam tido contato com essas ferramentas - a metodologia foi adaptada para algo mais completo e aprofundado. A Jornada de Ativismo e Mobilização se constituiu de cinco ciclos, com duração total de 70 horas, e o piloto conduzido com o objetivo de avaliar a adaptar a metodologia a cada público, paralelamente na cidade de Manaus, com um grupo de jovens ribeirinhos do Projeto Saúde e Alegria, com a juventude indígena do Tapajós/Arapiúns e com os quilombolas na região de Oriximiná, em parceria com o Imaflora.

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MESES NO TERRITÓRIO encontros, ações, intervenções, afeto, ativismo

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AÇÕES REALIZADAS

+100 PARTICIPANTES


O PRIMEIRO CICLO introduziu questões globais atuais que se conectam com as realidades e contextos dos jovens amazônidas, seguido de discussão sobre os atuais impactos e também o reconhecimento de soluções individuais ou locais já em curso que visam melhorar essas questões. No SEGUNDO CICLO, com a participação da Escola de Ativismo, os jovens definiram os problemas com os quais desejavam se engajar e aprenderam ferramentas de criação de campanhas, além de serem apresentados diferentes tipos de ações de intervenção e incidência. O TERCEIRO CICLO, que teve todo o conteúdo criado e facilitado pelo Centro Popular de Audiovisual - organização local que trabalha com a comunicação como forma de capacitar jovens da Amazônia ,- abordou o planejamento estratégico de comunicação. Para testar todas as ferramentas, o QUARTO CICLO foi de experiências práticas, nas quais os participantes organizaram ações de ativismo, reuniões com tomadores de decisão e participaram de fóruns e audiências públicas, aplicando as estratégias de comunicação mais úteis em cada uma delas. O QUINTO CICLO foi o fechamento e avaliação de todo o processo, junto com atividades “mão na massa”, colocando em prática ações que sejam soluções coletivas em suas próprias comunidades, com a construção de hortas comunitárias, banheiros de bioconstrução e bacias de evapotranspiração (fossa ecológica).

Esse material é uma tentativa de sistematizar o que aconteceu, contar e inspirar outros pares na co-criação de espaços acolhedores de transformação profunda. Com base nos depoimentos e reflexões dos jovens durante o processo, e no enorme processo de aprendizagem da equipe do Engajamundo, estão aqui reunidos elementos importantes e marcantes dessa verdadeira jornada. Só nessa fase piloto do "Engaja na Amazônia", foram formados mais de 100 jovens, cujas vozes ressoam da Amazônia para o Brasil e para o mundo, ocupando Conselhos, Audiências Públicas, cargos nas Associações, o Congresso Nacional, e contando suas histórias em jornais internacionais. Mas existe um consenso entre todes que fizeram parte dessa história: a transformação interna, o autoconhecimento, a autocura, o olhar para si e se enxergar como ferramenta para construir um mundo diferente foram os elementos que fizeram dessa Jornada uma vivência única. Não existe um ativista pronto para defender seu território das grandes ameaças globais sem que haja antes a cura interna, que renova, une e permite multiplicar.


O INÍCIO


O "Engaja na Amazônia: Jornada de Ativismo e Mobilização" nasce no Encontro Nacional 2017 do Engajamundo, realizado em Alter do Chão, em um ambiente de interação entre a juventude urbana das cinco regiões do país e jovens locais de comunidades tradicionais da Amazônia, incluindo indígenas, ribeirinhos e quilombolas, para um processo de co-criação de campanhas e projetos. Durante o evento, os jovens locais trouxeram pontos sobre a falta de habilidades e oportunidades de conhecimento em seus territórios relacionados à mobilização, ativismo e comunicação: os jovens ribeirinhos afirmaram seu desejo de se desenvolver em competências de comunicação, como rádio, produção de artigos, comunicado de imprensa à mídia e como usar mídias sociais; os indígenas trouxeram a realidade que estão enfrentando sobre os direitos à terra e como estão sendo ameaçados por alguns setores do governo e grandes empresas; e os quilombolas enfatizaram a importância das mobilizações para impedir a mineração e os impactos da indústria madeireira em seus rios e terra. Diante de todas essas questões, eles questionavam os jovens urbanos sobre como fazer ações de ativismo e como impactar e pressionar a agenda política local e nacional para garantir seus direitos. Com base nisso, ficou clara a necessidade de um projeto de capacitação voltado para jovens amazônicos, para compartilhar ferramentas e habilidades em advocacy, participação política e protagonismo juvenil, incluindo mobilização, ativismo e comunicação, com o objetivo de fortalecer o engajamento de jovens de comunidades tradicionais como protagonistas de suas próprias campanhas.

Ao retornar do Encontro Nacional, o time do "Engaja na Amazônia" se reuniu com diversos parceiros a partir de um esqueleto do que seria a formação, que foi tomando forma a cada conversa. O financiador que viabilizou a existência desse projeto, a Climate and Land Use Alliance (CLUA), participou da construção da metodologia desde o início, assim como os maiores parceiros do Engaja nesse processo, Escola de Ativismo e Centro Popular de Audiovisual (CPA). Os parceiros de implementação, Projeto Saúde e Alegria e Imaflora, também estavam envolvidos desde o começo, contribuindo com a expertise local de logística e conteúdo. Além destes maiores colaboradores, também participaram do processo e deram pitacos, tanto na metodologia quanto no material didático da apostila, diversos colegas do Instituto Socioambiental (ISA) - um agradecimento especial à Nurit Bensusan -, o Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM) - em especial a Fernanda Bortolotto -, o Instituto Terroá, o Greenpeace Brasil, Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), Imazon, André Baniwa, Mary Allegretti, Raquel Luna e Milena Raquel Tupinambá. Sem as contribuições de tantos olhares diversos, a metodologia de formação não teria funcionado tão bem em um território tão particular, único e diverso ao mesmo tempo.


Jovens durante Encontro Nacional do Engajamundo - dezembro/2017, Alter do ChĂŁo, PA


A metodologia Ciclo 1 | CONEXÃO (imersão 3 dias) 1. Criação de confiança Boas vindas + objetivo do programa + expectativas + acordos de convivência Mapeamento do território: reconhecimento do meu próprio espaço Entendendo o contexto local e a Amazônia Do local ao global: troca de conhecimento entre o Engajamundo e as comunidades 2. Indivíduo Mapeamento individual: Como sou parte da solução hoje? Representação artística do ecossistema do grupo Ciclo 2 | PROBLEMA E AÇÃO (imersão 3 dias) 3. Definição do problema e objetivo Definição do problema que vamos trabalhar Análise de contexto e Mapa de atores Análise FOFA Definição do público-alvo Objetivo SMART e Questão Foco 4. Ativismo e incidência Estratégias e táticas de ativismo, pontos de incidência, tipos de intervenção e segurança Elaboração de posicionamentos Ciclo 3 | FALA (imersão 3 dias) 5. Comunicação estratégica - CPA (Centro Popular de Audiovisual) Definição de público alvo, mensagem, objetivo com a comunicação Segurança da informação 6. Comunicação na prática - CPA (Centro Popular de Audiovisual) Como as ferramentas se adaptam à realidade local 7. Planejamento Construção de um plano de ação e cronograma para o Ciclo 4 Ciclo 4 | VIVÊNCIAS (não imersivo, com duração de 4 meses) 8. Reunião com tomadores de decisão / audiência pública 9. Ação de ativismo 10. Intercâmbio de boas práticas entre comunidades Ciclo 5 | FECHAMENTO (imersão de 4 dias) 11. Mão na massa (como solucionar um problema local com as próprias mãos) 12. Avaliação final da Jornada


CONHECENDO


O Território

Waltinho Oliveira, facilitador do projeto "Engaja na Amazônia" Resistência é coragem e é o que nos fortalece para lutar por esse território chamado Amazônia. A floresta, e tudo que tem dentro dela, nos une por um único objetivo: lutar pela existência. Estes somos nós, jovens quilombolas, indígenas e ribeirinhos, pois sabemos que somos uma das mais verdadeiras "unidades de conservação" do Brasil. As comunidades e aldeias existentes no território do Tapajós e Arapiuns nasceram de antigas vilas, que ao longo do tempo foram crescendo com a chegada de novos imigrantes e novas famílias foram se espalhando pela imensa área da região. No território do Trombetas, os descendentes de escravos se espalharam pelo rio como forma de proteção e hoje constituem as comunidades quilombolas. Nosso modo de vida tradicional está na prática do extrativismo, agricultura familiar, transmissão de saberes e o no cuidado com a natureza, que é também a luta pelo nosso território. A região do Tapajós/Arapiuns, assim como do Trombetas, tem vários rios e lagos que dão acesso às comunidades, para assim se chegar à cidade mais próxima. A situação se dificulta quando inicia a seca, pois apesar das lindas praias, as embarcações muitas vezes são impedidas de chegar até o seu destino final. Serviços básicos, como técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, não chegam às comunidades e aldeias. No Tapajós, por exemplo, boa parte dos atendimentos em saúde são realizados através de visitas das Unidades de Saúde da Família Fluviais, que funcionam à bordo dos barcos hospital Abaré I e II. Ter uma escola é umas das condições fundamentais para a independência de uma comunidade. Nas comunidades e aldeias em que vivemos, a maioria das escolas possuem o Ensino Fundamental, apesar de em algumas encontrarmos salas de aula improvisadas e prédios caindo aos pedaços. A grande demanda é, portanto, o acesso ao Ensino Médio e ao ensino regular, que poucas possuem. As demais são atendidas pelo Sistema Modular de Ensino - SOME, que apresenta muitas dificuldades, como a falta de professores e a demora dos mesmos em chegar a comunidade, assim como a dificuldade de assimilação de conteúdos tão densos em tão pouco tempo. Pelo SOME, algumas matérias são passadas aos jovens em 1 mês, ao passo que no ensino regular o tempo de aprendizagem seria de 1 ano.


Mesmo com toda a riqueza de rios, culturas e matas, enfrentamos grandes problemas para conservá-los: As empresas, muitas vezes aliadas ao governo, trazem grandes empreendimentos que ameaçam e matam aqueles que estão na linha de frente, defendendo nossos direitos. Nossos olhos secam vendo nossas florestas se transformando em grandes pastos para bois e campos de soja; os olhos lacrimejam ao ver o rio Tapajós sendo contaminados por mercúrio e barrado por hidroelétricas; nossos olhos se fecham ao pensar nos rejeitos de mineradoras com o risco de deixar mais um povo quilombola sem moradia em Oriximiná. No contexto urbano, a cidade de Manaus que cresceu horizontalmente por invasões de terra nas Zonas Norte e Leste, e é perceptível seu isolamento frente ao restante da cidade. São bairros periféricos com altos índices de criminalidade, falta de saneamento básico, e outros inúmeros problemas sociais. Mesmo vivendo em meio à Amazônia, os jovens moradores dessas localidades são carentes de conhecimento sobre o próprio meio ambiente em que eles vivem. Na turma da Jornada da Amazônia em Manaus, participaram jovens de 3 zonas da cidade, que, por mais que distintas, as problemáticas de descarte incorreto de resíduos sólidos, falta de mobilidade urbana, e inexistência de espaços de cultura e lazer, são bastantes similares entre elas.

“Vejo tudo isso acontecendo. Dói no peito, dá vontade de chorar. O planeta está aquecendo, pois o homem continua a desmatar. Olho pro céu e vejo nuvens de fumaça, sinto na pele o vapor subir do chão. Nossas águas estão contaminadas, parece até que o homem não tem coração. Estão levando as nossas riquezas, nossas belezas, garantias de viver; estão acabando com a natureza e no futuro o que é que vão dizer? Cadê a floresta que os pássaros faziam festa? Cadê a natureza com suas belezas? Cadê o rio? Cadê a mata? Meu Deus, quando isso vai parar?!” Benezildo Costa, 22. Comunidade São Pedro, Rio Arapiuns - Santarém/PA


Autoconhecimento As dinâmicas de autoconhecimento foram centrais no processo de amadurecimento de cada jovem que participou da Jornada. Mesmo nos momentos em que não era necessariamente a proposta da atividade, o espaço de segurança e confiança criado permitiu os jovens a ir muito além do esperado nos resultados dessa experiência. O Ciclo 1 começou em todas as turmas com um ar desconfiado e sem expectativas, e terminou sendo avaliado como um encontro muito profundo e forte, conectando as ações locais e a história de cada um com uma perspectiva mais ampla de acontecimentos no Brasil e no mundo, demonstrando qual o papel da juventude amazônida nesse cenário. Uma das dinâmicas que mais chamou a atenção foi a do mapeamento individual, que teve como base a ferramenta do “mapa da empatia”, para que cada um pudesse refletir sobre quem é, o que pensa e sente, o que gosta de fazer, o que ouve, o que vê, quais são seus objetivos e obstáculos. Depois de quase 1 hora imersos e concentrados nessas perguntas, muitos trouxeram ao grupo a dificuldade que é olhar para si, como muitas vezes é mais fácil apontar as qualidades e, principalmente, defeitos do outro antes de olhar pros próprios. Foi um profundo exercício de autoconhecimento, que trouxe inúmeras reflexões para cada um individualmente e para o grupo como um todo. Foi já neste primeiro ciclo que, além do entendimento do papel do jovem amazônida nesse contexto global, uma das discussões mais marcantes em todas as turmas foi a questão de gênero. Como muitos jovens vivem a uma distância de até 10h ou 15h de barco da cidade mais próxima, a luta contra a sociedade machista e homofóbica pouco ou nunca havia sido abordada na comunidade, na escola ou dentro da casa da maioria. Ao contrário, o entorno conservador estimula o comportamento preconceituoso e a vulnerabilidade de tantas vítimas que muitas vezes nunca estiveram em um ambiente propício para se abrir e compartilhar do que sofreram. O entendimento do jovem como protagonista de ações de ativismo e campanhas começa com um olhar para si mesmo. Ao possibilitar o espaço para o compartilhamento das dores, e não só das lutas, foi iniciado o processo de criação de uma rede de apoio entre todos os territórios, verdadeira e profunda, abrindo o campo para que trocas de carinho e fortalecimento mútuo acontecessem durante toda a Jornada.


A dinâmica de “como sou parte da solução hoje”, que incluiu a oficina de “contação de histórias” (storytelling), aprofundou a importância de cada um enxergar a sua história como uma importante ferramenta de transformação e inspiração. Com a pergunta “qual a sua história que vai influenciar as pessoas a partirem para a ação?”, os jovens elaboraram suas histórias a partir de seu mapeamento individual. A roda de compartilhamento de histórias foi emocionante. Muitos jovens vivem em realidades ou já passaram por situações muito tristes e difíceis de serem superadas e, ao compartilharem seus sentimentos em relação a estes momentos de dor e tristeza, a emoção e empatia foram levadas a um outro nível, o que tirou o peso do indivíduo e fortaleceu a confiança do grupo. As histórias contadas ganharam outra proporção e força a partir dessa dinâmica, e podem agora serem compartilhadas pelos jovens em diferentes espaços, como forma de inspirar pessoas, não só na região, mas no Brasil e no mundo, a lutarem pela proteção da Amazônia. “Estava um pouco cego em relação ao tema da homossexualidade. Eu respeito, mas nunca dei muita atenção. Não sabia o quanto era doído para as mulheres que sofriam abuso. Agora sim, entendi. E foi muito difícil me perceber nesse lugar de ser um pouco cego em relação a isso. Aqui eu vi coragem, perseverança e respeito. Um jovem precisa desses três sentimentos pra conseguir levar questões assim pras nossas comunidades e garantir que se tenha um final feliz.” Rafael Moura, 16. Comunidade Itapaiúna, Floresta Nacional do Tapajós - Belterra/PA

“Chegando no Engaja, tudo era tão novo pra mim, mas com os determinados assuntos elaborados pelo grupo foram nos surpreendendo de uma forma tão boa! Foi inesquecível cada assunto, tudo o que o Engaja trouxe pra nós jovens quilombolas foi maravilhoso. Ainda temos mais alguns ciclos, mas tudo o que tem sido apresentado nos encontros já está mudando nossas atitudes diante da sociedade. Percebemos o quanto foi importante esse projeto no nosso meio, o quanto tem nos ajudado, seja como mulher, seja como jovem quilombola, e está transformando nossas atitudes. O Engaja trouxe conhecimento profundo, mas também trouxe esperança… " Rosângela, 20. Comunidade quilombola São Joaquim, Rio Erepecuru Oriximiná/PA.


Metodologias colaborativas Metodologias colaborativas permitem a construção (e desconstrução) constante dos caminhos propostos, ainda que o norte seja o mesmo. A temática mais relevante a ser discutida é levantada pelos participantes, e a conversa flui conforme a vontade e o conhecimento dos presentes. O formato é sempre em roda, com dinâmicas animadoras no estilo sexify* e onde qualquer um pode contribuir a todo momento. Partindo dessa premissa, os temas a serem abordados e trabalhados por cada grupo foram definidos pelos próprios jovens no primeiro momento do Ciclo 2:

Turma indígenas e ribeirinhos

Violência contra a mulher Sexualidade Resíduos sólidos Pesca predatória Madeireiras * Agronegócio * Mineração * Fortalecimento dos grupos de defesa **

* Excluídos após as eleições presidenciáveis ** Criado após as eleições presidenciáveis, a partir da junção dos três grupos extintos

Turma quilombolas

Merenda escolar Valorização da cultura quilombola Jovens ocupando espaços de liderança Não ao machismo

Turma jovens urbanos

Comnbate à violência doméstica Jovens ocupando espaços públicos Limpeza do Igarapé do Mindu

* Sexify, é um termo utilizado pela rede quando se quer quebrar a tecnicidade dos temas complexos que trabalhamos e levar a juventude a falar sobre eles de uma outra maneira, mais simples e divertida.


Ativismo Pautados em ferramentas da metodologia do Mobilization Lab (organização que trabalha com treinamento de agentes de mudanças e suas organizações), os grupos percorreram o mesmo processo de criação de campanhas/ações, cada um dentro de seu tema. Grupos menores permitem uma interação maior e, ainda que se tenha unido a turma dos indígenas e ribeirinhos em um só encontro durante o Ciclo 2, as discussões fluíram muito mais, e os jovens puderam perceber como a metodologia do Engaja permite a facilitação dos processos, mas que o conhecimento real para a construção dessas campanhas está neles mesmos. Desde a Análise de Contexto, o Mapa de Atores e a Análise FOFA, até a definição do público-alvo, objetivo, posicionamentos e chuva de Ideias de ações, tudo foi proposto e definido pelos jovens dentro de seus grupos, com o apoio de um facilitador do Engaja ou parceiro. Além de inspirar muito do conteúdo e participar ativamente da construção da metodologia, a dinâmica sobre Ativismo foi ministrada exclusivamente no encontro dos indígenas e ribeirinhos pela Escola de Ativismo. Ao trazer uma apresentação com vários exemplos e detalhes de ações ativistas realizadas no Brasil e no mundo, foram explicadas diferentes estratégias e táticas, quais são os possíveis espaços de incidência, quando determinada ação deu certo ou errado e por quê. A apresentação gerou euforia e aguçou a criatividade dos jovens para o que viria a seguir! Com uma dinâmica de teatro (role playing) de uma ação ativista, os jovens se animaram e muitas ideias boas e fortes vieram à tona nas apresentações - um dos auges da Jornada. Após elaborarem por mais de uma hora a encenação, os resultados surpreenderam as expectativas! As apresentações passaram de ações dentro de audiências públicas com o prefeito e vereadores, até teatros de atuação emocionantes de abuso infantil, invasão de madeireiras e outras vivências duras nas comunidades. Ao final, a dinâmica de encerramento trouxe os elementos da terra e sua simbologia para cada um dos participantes.


“A folha de banana representa as florestas. A terra representa os nossos ancestrais e povos originários, que já morreram e derramaram muito sangue por nós. Essas sementes somos nós, os povos indígenas de hoje, de 2018. A água representa a nossa identidade, do antes e do hoje. Aqui falamos de várias pessoas, de lugares diferentes, culturas, costumes, opiniões, preconceitos, saberes. Aqui aprendemos muito sobre ativismo e falou-se muito sobre o galho seco e árvore seca. Mas basta olhar ao nosso redor e ver que a nossa grande Amazônia está ficando infértil por causa do desmatamento. Se desmatar tudo, não teremos mais folhas, então essas folhas secas [espalhando as folhas secas ao redor de toda a escultura coletiva que estava sendo criada no centro e chorando] são a nossa grande Mãe Terra desmatada. Mas que também, esses galhos secos são os nossos saberes e conhecimentos que levamos daqui pra fortalecer a nossa luta, fortalecer nosso ativismo, nossa resistência, e salvar essas gerações e outras e, principalmente, nossa grande Mãe Terra.” Milena Raquel Tupinambá, 26. Aldeia São Francisco do Parauá, Reserva Extrativista Tapajós/Arapiúns - Santarém/PA


Comunicação O Centro Popular do Audiovisual (CPA) somou forças com o Engaja e desenvolveu a proposta de comunicação do Ciclo 3! Aplicando os conceitos de comunicação popular, o objetivo do ciclo era das turmas terem domínios básicos necessários para uma atuação ativista na região amazônica, somando à expertise do Engajamundo na mobilização de jovens. Durante o período de elaboração da metodologia, também foi identificada a necessidade de uma etapa de diagnóstico com as turmas, que foi aplicada no Ciclo 2. Dentre as necessidades mais demandadas estavam técnicas de audiovisual, fotografia e diagramação. Também foi identificada a necessidade de inserir um módulo sobre "uso seguro da internet", influenciado pelo atual contexto político do país. Apesar do Ciclo 2 ter mostrado que as demandas principais solicitadas pelos jovens eram o trabalho com vídeo e foto, ficou evidente no Ciclo 3 que o conteúdo que mais demandava conhecimentos imediatos era o de "planejamento gráfico", por conta dos trabalhos já desenvolvidos pelos jovens nas suas respectivas comunidades. Assim, em conversa avaliativa posterior, foi ressaltada mais uma vez a importância em ter sempre um planejamento flexível para dedicar mais tempo a conteúdos que mostrassem maior engajamento, como foi o caso do "planejamento gráfico", já que houve um grande destaque de vários jovens com talentos para desenho e diagramação. O trabalho sobre "uso seguro da internet" envolveu uma discussão sobre comportamentos nocivos (bullying, pornô de vingança, exposição, etc) e também o compartilhamento de páginas e conteúdos de referências para ativistas. Além da assimilação do conteúdo e dos jovens compreenderem a comunicação como direito humano, também foi firmada uma parceria de sucesso com o jornal democraciaAbierta, sessão latina do openDemocracy, que se inscreveu e ganhou financiamento do Pulitzer Price para comunicar a história de cinco jovens participantes do Engaja na Amazônia: Ednei, Dani, Drika, Tupi e Joane. Os incríveis resultados desse trabalho foram publicados em série pelo El País.


“Não vai ser fácil para nós dizer ‘defendo essa causa tal’ a partir de agora, como ‘defendo a causa LGBT’, ‘eu sou quilombola’, ‘eu sou indígena’. Não vai ser fácil, mas como já falei muitas vezes para as pessoas que me criticam, independente das pessoas que entram para o governo, mesmo que a gente não se sinta representado, eles estão lá para nos representar. E a gente vai cobrar os nossos direitos, porque são direitos garantidos pela Constituição e são nossos. Se são nossos, cabe a nós fazermos com que eles sejam cumpridos. Aqui nos sentimos fortalecidos, pois sabemos que temos o Engajamundo, que é um espaço de fala, que a gente pode se organizar e enfrentar possíveis ameaças” Henrique Lopes, 20.


EMPATIA EMPATIA


Conviver e usufruir do que é comum já causa por si só um efeito catalisador do afeto e da criação de laços e redes. Durante todos os encontros, em diversas dinâmicas e momentos de descontração surgiu a palavra "empatia". Enxergar o mundo a partir do olhar do outro. Depois da cura interna, essa é a chave para relações humanas verdadeiras, para a criação de uma rede verdadeira, de pontos que se conectam uns com os outros sem depender necessariamente de um estímulo externo. E a criação de uma rede de jovens amazônidas que se apoiam em suas lutas passa, antes da elaboração da ação ou campanha, por este aspecto. Por isso, a empatia e o sentimento de responsabilidade comum permearam todos os encontros de diversas formas.

Acordos de convivência e Expectativas Todo início de encontro, é uma tradição do Engajamundo construir coletivamente os Acordos e Expectativas. Os acordos são importantes não só para manter a organização do espaço e do tempo das atividades, mas também para responsabilizar a todos pelo que não for cumprido, fomentando o co-compromisso com o encontro e com o próximo de uma forma leve, aceita igualmente pelos jovens. A aceitação é muito maior, na maioria dos casos, do que se a regra já vem pronta e é imposta pelos organizadores. As expectativas ajudam a dar o tom do encontro, e muitas delas podem ser incorporadas mesmo quando não foram previamente pensadas, o que possibilita uma chance maior de satisfação dos participantes. Ao final de cada encontro, as expectativas eram revisitadas, e assim era possível saber se a maior parte delas foi alcançada ou quais ainda poderiam ser trabalhadas em outro momento.


Vínculos e afeto Algumas ferramentas apresentadas pelo Engajamundo durante a Jornada permitiram o estabelecimento de laços e a troca de carinho, que se estendeu para muito além dos espaços formais. A mais simples delas é o que se convencionou no Engaja como 'Sexy Box', um envelope com o seu nome (escrito e estilizado por você) que fica pendurado na parede durante todo o encontro para que azamigas escrevam recadinhos de amor, que você só pode ler quando chegar de volta em casa. A dinâmica do aquário, que permite uma alternância de quem está no centro da roda e, portanto, uma fluidez no assunto que está sendo debatido, também garante a troca e respeito da história de todes. Mas a vivência que mais marcou e garantiu vínculos duradouros de afeito foi proposta de última hora em caráter informal, a dinâmica da escola de Ecologia Profunda, Mandala da Verdade. Ao compartilharem e dividirem suas dores e verdades, os participantes trouxeram sentimentos de liberdade e confiança plenos e formaram, com mais força ainda, uma verdadeira família, como eles mesmos se chamam.


Cuidado

O cuidado também foi transversal, permeando muito mais do que os encontros. Desde o cuidado com o espaço e os materiais utilizados, até o cuidado com o outro, principalmente com as mulheres, quando eram expostas histórias de muita fragilidade e feridas difíceis de cicatrizar. O cuidar das crianças das jovens mães que contavam com tantas mãos para se apoiar. Cuidado com a alimentação - com o desafio de não ter carne vermelha ou frango -, com as cozinheiras, com os voluntários, parceiros e amigos, que acompanharam cada missão dessa Jornada. A partir da sugestão da Escola de Ativismo, foi adotada a palavra "cuidado" em substituição à "segurança", principalmente após as eleições presidenciais, visto que pouco pode ser feito para garantir segurança de fato aos jovens ativistas na Amazônia. O cuidar de si, do outro e do seu entorno é de fato transformar este mundo, no qual muitas relações são pautadas no medo e na insegurança.


AÇÕES


Banner humano/de resíduos de barco GRUPO: reciclabandos Indígenas e Ribeirinhos 06/março | Suruacá, Resex Tapajós/Arapiuns, Santarém/PA Após organizar uma grande coleta de resíduos sólidos na praia da comunidade de Suruacá, mostrando a quantidade de lixo produzido e jogado em sua maioria pelos barcos, o grupo decidiu fazer uma demonstração artística para chamar a atenção para o problema. Utilizando-se do lixo, os jovens montaram um barco com todo o resíduo recolhido como forma de protestar contra as embarcações que navegam pelo rio e não se importam em jogar todo o resíduo produzido nas águas do Tapajós.


Bolo de lama para a Mineração Rio do Norte (MRN) Quilombolas 08/fev | Oriximiná/PA Considerando o rompimento das barragens de rejeitos em Mariana e Brumadinho (MG), a Prefeitura de Oriximiná/PA convidou a Mineração Rio do Norte (MRN) para esclarecer, em Audiência Pública, as condições das 27 barragens e tanques de rejeitos existentes no município. Representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) participaram da reunião, assim como representantes da empresa e do Ministério Público Estadual. Após uma fala contundente questionando a empresa sobre seus direitos, os jovens quilombolas entregaram um simbólico "bolo de lama" ao diretor de sustentabilidade da MRN, Wladimir Moreira. O público presente era de mais de 600 pessoas e a repercussão da ação no evento foi enorme! Um grande sucesso!


Acampamento Terra Livre (ATL) Indígenas 24 a 26/abril | Brasília/DF

Durante o Acampamento Terra Livre (ATL), os jovens indígenas tiveram agendas particulares com alguns parlamentares, como, por exemplo, o deputado federal Nilto Tatto, com o qual tratou-se da "proliferação de mentiras étnicas" - principalmente na região do Baixo Tapajós -, invasões de madeireiras à TI Maró, mineração e garimpo, a questão da soja no planalto santareno e o Porto do Maicá. Já com a deputada federal Joenia Wapichana, a pauta foi sobre a importância das mulheres indígenas se organizarem e ocuparem cargos dentro dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário). A deputada federal Sâmia Bomfim abordou as leis que cabem às mulheres e como essas leis não contemplam mulheres que residem em comunidades afastadas das zonas urbanas, e da necessidade do estado criar políticas públicas para amparar mulheres indígenas. Além das agendas parlamentares, também aconteceu o 1° Encontro Nacional de Mulheres Indígenas, onde foi deliberado em plenária que a principal pauta é em defesa de todas as lutas: “território, nosso corpo, nosso espírito”. Esse será o tema da luta das mulheres indígenas na marcha das margaridas, que acontecerá de 09 a 12 de agosto de 2019, em Brasília.


Oficina de faixas para o Acampamento Terra Livre (ATL) Indígenas e Quilombolas 20 e 21/abril | Alter do Chão, Santarém/PA

Confecção de faixas para ações durante o Acampamento Terra Livre 2019, usando diferentes técnicas, como a projeção e o degradé. A oficina contou com a participação de duas jovens quilombolas, caracterizando-se também como um intercâmbio entre as turmas.


Oficina sobre Sexualidade - escola Prainha I GRUPO: sexualidade Ribeirinhos 02 e 03/abril | Prainha I, Flona Tapajós, Santarém/PA A ação do grupo de sexualidade na comunidade de Prainha I teve como objetivo conversar sobre as questões de gênero e sexualidade dentro das comunidades e famílias ribeirinhas. Foi tratado sobre o tema com jovens e crianças da escola, desmistificando o que é realmente o papel de cada um dentro de casa ou sociedade. Foram abordadas questões sobre as lutas LGBTQ+, as lutas da mulher para garantir os mesmos direitos que os homens, instigando cada um a entender e trabalhar seus preconceitos, conseguindo observar e ser crítico a uma sociedade cada vez mais rotulista e preconceituosa. Durante a atividade também foi apresentado o "biscoito da sexualidade", que explica, de forma simples, a diferença entre sexualidade, sexo biológico, identidade e expressão de gênero, ajudando a dar clareza nas particularidades de cada indivíduo. No dia seguinte, os jovens foram convidados para uma "manhã cultural" de lindas apresentações, seguida de uma oficina de stêncil, na qual puderam expressar artisticamente um pouco do que havia sido abordado.


Ação sobre violência contra a mulher na aldeia São Francisco do Paraoá Indígenas e Ribeirinhos 17 e 18/março | Aldeia São Francisco do Paraoá, Resex Tapajós/Arapiuns, Santarém/PA Realização de uma série de atividades durante dois dias para debater sobre violências contra a mulher na aldeia. Foram realizadas roda de conversas sobre os tipos de violência contra a mulher, um cinedebate "Pipocão" com o filme 'Encantadas - Mulheres e suas lutas na Amazônia', sessão de fotos com as mulheres, e uma exposição fotográfica 'Trajetória das mulheres indígenas do baixo Tapajós (acervo do Departamento de Mulheres Indígenas do CITA)'. A “Procissão: Homenagem pelas Mulheres”, foi o ponto máximo da ação, momento histórico para as mulheres Tupinambás. Se juntaram a elas homens, jovens e crianças, que caminharam entre cantos e rezas, velas nas mãos e cartazes com frases de luta, pela principal rua da aldeia. Ao final, formou-se uma imagem com mais de 100 velas, formando um majestoso ARCO E FLECHA DE LUZES, símbolo escolhido pelas próprias mulheres, representando as Tupinambás como grandes protagonistas de suas lutas.


Vigilantes da TI Maró GRUPO: Fortalecimento dos grupos de defesa Indígenas e Ribeirinhos 29-31/março | Aldeia Novo Lugar, Terra Indígena Maró, Santarém/PA

Na chegada a Terra Indígena Maró, na aldeia Novo Lugar, o grupo mobilizou jovens e professores pra uma roda de conversa em frente a escola. O cacique da aldeia contou sobre a terra indígena, sua história e o contexto atual. Depois, o grupo de jovens apresentou um pouco do que é o Engajamundo e iniciaram a roda de conversa abordando temas que envolvem a demarcação de terras, a invasão de grandes empresas, a cultura indígena e o contexto político atual. Partiram então para o "centro de apoio", uma casa usada pelo grupo que faz a auto vigilância do território do Maró para prevenir invasões, principalmente de madeireiras. Ao chegar à uma outra casa também usada como apoio, os indígenas se depararam com pessoas mandadas pelo madeireiro e que estavam vivendo nela. Assim, o grupo se mobilizou e pintou duas faixas com os dizeres "AQUI É TERRA INDÍGENA" e "MARÓ". Pregaram as faixas na casa, comunicaram ao casal que a habitava que ali era território indígena e o cacique marcou uma reunião com o madeireiro responsável por aquela apropriação ilegal.


Reunião sobre merenda com MPE GRUPO: merenda escolar Quilombolas 11/abril | Oriximiná/PA

O grupo se reuniu com a promotora Lilian Braga, do Ministério Público Estadual, na UFF (Universidade Federal Fluminense), em Oriximiná-PA. Lilian contou de sua experiência de luta na melhoria da merenda escolar em Santarém e ajudou os jovens com as diretrizes para que eles pudessem escrever um documento oficial de denúncia para o Ministério Público, mostrando evidências da situação precária da merenda escolar no município de Oriximiná, especialmente nos quilombos e comunidades ribeirinhas, a fim de reivindicar melhorias.


Oficina capoeira com Grupo de Capoeira Angolinha (GCANG) GRUPO: valorização da cultura quilombola Quilombolas 19 e 20/abril | Bacabal, território Trombetas, Oriximiná/PA As atividades tiveram como objetivo principal fortalecer e reavivar a cultura local quilombola através de oficinas de capoeira com o Grupo de Capoeira Angolinha (GCANG). Também houve uma noite cultural organizada pelos próprios comunitários, que teve como atrações o grupo de carimbó Swing de Bacabal, e lideranças antigas (sábios) da própria comunidade contando e repassando seus conhecimentos aos mais jovens sobre a história do território quilombola e da comunidade de Bacabal. Ao final das atividades, o GCANG doou berimbaus para os jovens do Bacabal, para que continuem a fortalecer a cultura quilombola através da capoeira e apoiando para que a própria juventude dê seguimento às atividades, dando visibilidade para o território, lutas e desafios.


Ação sobre pesca predatória GRUPO: pesca predatória Ribeirinhos 27 a 29/dez | Comunidade de Prainha II, Flonal do Tapajós, Santarém/PA O grupo de pesca predatória firmou uma parceria com a equipe do projeto Banana Terra, idealizado pelo Greenpeace e Anistia Internacional com objetivo de fortalecer e fomentar uma rede de jovens ativistas. As atividades desenvolvidas durante os três dias foram cinedebate, roda de conversas, noite cultural e uma ação ativista desenvolvida com o apoio da comunidade para denunciar e conscientizar a sociedade dos problemas enfrentados no território da Floresta Nacional do Tapajós. A ação fortaleceu o protagonismo juvenil perante a comunidade trazendo um debate ao qual os próprios comunitários não estavam atentos: a entrada de grandes geleiras no rio da Floresta Nacional do Tapajós. Também foi possível fazer uma foto oportunidade com uma faixa, para denunciar os problemas enfrentadas e chamar a atenção da sociedade para a questão da pesca predatória.


Marcha 8 de Março GRUPO: Violência contra a mulher Indígenas e Ribeirinhos 08/março | Santarém/PA Após um dia inteiro de preparo de faixas, o grupo chegou de tarde à orla de Santarém para marcar no chão do calçadão as letras que formariam a frase: "JUSTIÇA PARA MARIELE". O local era ponto final da marcha do dia 8 de março e a mensagem viria através de um banner humano. As pessoas da marcha foram se distribuindo para ocupar as marcas do letreiro no chão, preenchendo as letras. Um drone tirou a foto de cima, revelando a frase. Pelo baixo número de participantes na marcha, foi possível apenas preencher a palavra MARIELE, mas a mobilização de mulheres para participarem da marcha, levando faixas e mensagens impactantes, além da foto oportunidade, foram realizadas com sucesso.


Desfile no Carnaval de Suruacá GRUPO: Reciclabandos Indígenas e Ribeirinhos 05/março | Suruacá, Resex Tapajós/Arapiuns, Santarém/PA Encenação no carnaval da comunidade de Suruacá falando sobre a questão do lixo no rio, dando luz ao impacto causado sob a vida dos animais que vivem nele e das populações ribeirinhas e indígenas. Após a apresentação engajada, a escola foi a grande vencedora do Carnaval de Suruacá 2019, com as melhores fantasias e alegorias!

Roda de conversa no Planalto GRUPO: Sexualidade e grupo de defesa Indígenas e Ribeirinhos 09/junho | Aldeia Ipaupixuna, Planalto, Santarém/PA Ação no Planalto Santareno, com roda de conversa sobre a importância da Amazônia, local e globalmente. Seguida da roda de conversa, houve um debate sobre os conflitos que estão acontecendo no território indígena do Planalto, a invasão do agronegócio e sobre a importância do Protocolo de Consulta.


Oficina audiovisual Escola da Floresta Indígenas e Ribeirinhos Alter do Chão,PA A atividade teve como objetivo aprofundar o conhecimento em técnicas específicas de comunicação, como roteiro, captação de imagem e edição de vídeos para denúncias ou registro de ações ativistas.

Oficina audiovisual quilombo GRUPO: Merenda escolar Quilombolas Jauary, Oriximiná/PA A oficina de audiovisual na comunidade do Jauary preparou os jovens para elaborar um vídeo denunciando a situação das merendas nas escolas das comunidades quilombolas de Oriximiná.


Roda sobre gênero e mulheres indígenas GRUPO: Violência contra a mulher Indígenas 15/mar | Santarém/PA "Como ser mulher indígena nos desafios da atualidade" foi uma atividade voltada para discutir e pensar a atuação do Coletivo Suraras do Tapajós e do EngajaJós, com importante conversa sobre as trajetórias de empoderamento das mulheres indígenas presentes, espaços de acolhimento para quando se sofre violência na família e canais de denúncias.

Ação queima do lixo GRUPO: Reciclabandos Indígenas e Ribeirinhos 19/março | Suruacá, Resex Tapajós/Arapiuns, Santarém/PA O objetivo da ação foi mostrar o que os comunitários fazem com o resíduo em suas casas. Foi feita a queima de uma parte do lixo e filmado para demonstrar a poluição que isso causa, assim como tiradas fotos com o lixo se espalhando na margem do rio.

Roda de conversa sobre sexualidade em Suruacá GRUPO: sexualidade Indígenas e Ribeirinhos 06/março | Suruacá, Resex Tapajós/Arapiuns, Santarém/PA Roda de conversa com os jovens para explicar o "biscoito da sexualidade", imagem interativa sobre os diferentes termos e significados do universo LGBTQI+. Foi realizada também colagem de lambe lambe no telecentro com pessoas de diversas sexualidades.

Encontro de 100+ jovens quilombolas da região de Oriximiná

(junto ao Ciclo 5 da Jornada)

Participação em Seminário no Ministério Público PA Campanha Carnaval Sem Assédio - Engajamundo


Resultados indiretos das ações Ocupação do Conselho de Juventude de Santarém

06/dez (conferência municipal de juventude) até presente Santarém/PA A partir do Programa da Amazônia, os jovens refletiram e entenderam sobre seu papel dentro de espaços de tomada de decisão e da importância de se organizarem para cobrarem políticas públicas efetivas. Por isso, na 1ª Conferência Municipal de Juventude de Santarém, em dezembro de 2018, os jovens do Engajajós ocuparam em massa este espaço, e descobriram que o Conselho de Juventude só existia no papel, sem nenhum funcionamento. Houve, então, a formação de uma Comissão para revisar a lei municipal de criação do Conselho, para que eleições para as cadeiras sejam realizadas. O objetivo com a ocupação do Conselho é de garantir a fiscalização, propor políticas públicas de juventude e fortalecer as organizações e movimentos do território. O desafio tem sido enorme, devido ao conflito de interesses entre jovens de outros perfis, mas principalmente pelo governo, que se interessa mais pelas arrecadações de verbas para o município do que pelo fortalecimento dos jovens da sociedade civil.

Ação Suraras do Tapajós no Lago Verde

28/maio Alter do Chão, Santarém/PA

Foto oportunidade com faixa de 10 metros em frente à construção irregular de uma unidade habitacional às margens do Lago Verde. A construção violou a legislação ambiental, uma vez que não respeitou os limites das faixas marginais permitidos para a intervenção em áreas de preservação permanente (APP). Foram feitas denúncias à SEMMA- Secretaria Municipal de Meio Ambiente e ao MPF- Ministério Público Federal. Vitória!!! O MPF entregou uma notificação ao proprietário da casa, pedindo a demolição da obra e a recuperação da área de preservação permanente degradada, além do pagamento de R$ 500 mil em danos morais coletivos. Em caso de descumprimento, a multa diária será de R$ 4 mil.


AVALIAÇÃO

AVALIAÇÃO


Mão na massa O último ciclo do Programa se propunha a avaliar e validar toda a metodologia da Jornada de Ativismo e Mobilização, além de construir uma solução prática para o mundo que queremos com as próprias mãos. Para fazer uma avaliação completa do Programa, três grandes momentos foram estruturados: avaliação das ações (do Ciclo 4); avaliação da Jornada (conteúdo, metodologia e formato); e, avaliação do eu (como cada um se vê diferente). O retorno obtido com as avaliações foi além das expectativas. Os jovens não só colocaram novas sugestões para o formato imersivo, como também demonstraram que o resultado foi muito além das ferramentas práticas de ativismo. Os depoimentos incluem também, além dos conhecimentos sobre como organizar e mobilizar uma ação ativista, relatos sobre pensar, resolver problemas, se enxergar enquanto mulher, mudar suas atitudes enquanto homem, dialogar, desabafar e até de ser protagonista da sua própria história. A atividade "mão na massa" também foi um sucesso. Na Terra Indígena do Maró, foi construída uma bacia de evapotranspiração (fossa ecológica) junto a um banheiro de bioconstrução para a escola da comunidade, demonstrando o quanto a união faz a força, literalmente, em um dos encontros mais bonitos de toda a Jornada. Na comunidade quilombola do Abuí, a distribuição de duas mudas de Cumaru e duas de Cupuaçu foi um gesto simbólico do que foi plantado nesses jovens durante toda a Jornada, garantindo também uma ação de transformação no entorno de cada jovem, conforme proposto inicialmente. No mais, o encontro foi também uma forma de atender ao pedido do grupo de realizar um grande Encontro de Jovens Quilombolas da região do Trombetas (expandido para outros jovens que não estavam participando da Jornada do Engaja).


Aprendizados da equipe Foram muitos os aprendizados obtidos do projeto. Afinal, o projeto foi implementado em caráter de piloto, em quatro turmas de jovens com perfis diferentes, justamente para que fosse avaliado não só o conteúdo e a metodologia, como também os diferentes formatos e a adesão de diferentes públicos. A primeira conclusão é a de que a Jornada funcionou melhor no contexto de comunidades tradicionais (Tapajós) do que na cidade (Manaus), por uma série de razões. A primeira delas foi o público, que enquanto nas comunidades tradicionais os jovens nunca haviam tido contato com nada parecido, em Manaus muitos já haviam participado de atividades similares, sendo a maioria do conteúdo algo não tão novo. A segunda foi pelo formato, já que no Tapajós as imersões mensais permitiram um aprofundamento muito maior nas relações e na criação de uma rede, enquanto os encontros diários durante a semana em Manaus não tiveram o mesmo efeito. Outra questão muito importante foi relacionada à "formação de multiplicadores" da formação. Os facilitadores passaram por um treinamento de três dias da metodologia, porém entendemos que pela complexidade e extensão da mesma, não foi tempo suficiente para assimilar todo o conteúdo. Um grande problema em todas as turmas foram direta ou indiretamente relacionados às trocas de participantes de um ciclo para outro, embora tenha sido avisado desde o início que era uma turma fechada. Com isso, levantou-se pontos de atenção sobre o formato para as próximas fases do projeto. Também foram apreendidas questões mais práticas, como as especificidades da logística (nem um pouco simples) na Amazônia, e, portanto, a necessidade de ter uma pessoa dedicada só a isso, mudar o nome de algumas ferramentas apresentadas, conhecer o território antes de atuar nele, garantir uma produção audiovisual dos encontros, incluir uma oficina de prestação de contas na metodologia, além de encaixar os intercâmbios de boas práticas dentro das ações realizadas por outras turmas. Porém, de todo o Programa, o maior aprendizado foi, sem dúvida, em relação ao cuidado com o indivíduo. o Engaja entendeu que dinâmicas de autoconhecimento e momentos de se abrir e dividir dores pessoais, no piloto inseridas em caráter informal fora do horário proposto das atividades, devem ser parte da metodologia. Com isso, também entendemos que é necessário o apoio profissional de um psicólogo para lidar da melhor maneira com questões que emergem dessas atividades.


FINALIZAÇÃO


Finalizar um projeto desta magnitude em um território e cultura antes desconhecidos pelo Engajamundo foi um dos maiores desafios desde a fundação da organização. Com todas as dificuldades logísticas, além de barreiras de linguagem e costumes, cumprir com os objetivos e preparar os jovens para a continuidade das ações já é em si um sucesso!

Flexibilidade A Amazônia ensina a necessidade de se ter flexibilidade. Desde a alimentação, que contou com peixe e não foi 100% vegetariana como em todos os outros encontros do Engaja, até no tempo de realização das atividades, chegada nas comunidades com a logística absurdamente complicada e de assimilação dos conteúdos. Mas o momento em que a flexibilidade foi ainda mais necessária foi entre os ciclos 2 e 3, durante as eleições para presidente do Brasil. Após o anúncio do resultado, foi necessário pausar o Programa para reuniões internas e com parceiros sobre como proceder. O cuidado com os jovens era evidente, o que resultou na junção dos grupos com as temáticas "madeireiras", "agronegócio" e "mineração" para a formação de um único grupo de "fortalecimento dos grupos de defesa". Este rearranjo fez muito mais sentido para a equipe e os participantes, e as ações do grupo de defesa garantiram que estes três temas, cruciais de serem trabalhados para garantir a defesa da Amazônia, fossem levados às comunidades numa perspectiva positiva, de fortalecimento da comunidade e não de ameaça de grandes empreendimentos.


Autonomia O princípio da formação do Engajamundo sempre foi de focar no processo, e não necessariamente nos temas escolhidos, para garantir o protagonismo e autonomia dos jovens na criação de ações, campanhas e atividades. Para tanto, os participantes tiveram total autonomia não só na escolha dos temas, mas na realização das ações durante o Ciclo 4. Durante e após a Jornada, muitos começaram a se organizar em seus coletivos para fazerem denúncias e ocuparem conselhos e prédios do poder público. A fim de dar continuidade a essas ações, com autonomia total dos jovens amazônidas, foram constituídos dois Núcleos Locais, que são agora parte da rede nacional do Engajamundo: o EngajaJós e o EngajaQuilombo. Agora, além de seguir com as ações iniciadas pelos grupos temáticos da Jornada, os jovens terão liberdade para se envolver com outras temáticas trabalhadas pelo Engaja e desenvolver atividades diversas, assim como terão outras oportunidades como parte da rede.

Formação de Multiplicadores O Engajamundo sempre trabalhou com a "formação de multiplicadores" das metodologias, para que os jovens replicam as formações em todo o Brasil. Com a intenção também de garantir continuidade e autonomia, para este projeto a intenção é a mesma. A princípio, acreditava-se que seria possível formar os jovens como multiplicadores a partir de um encontro de alguns dias designado para isso, como já havia sido feito no passado em outros projetos. Porém, a complexidade e profundidade dos conteúdos e dinâmicas mostraram que este formato não é suficiente para esta metodologia específica. Por isso, ficou definido que a "formação de multiplicadores" do Engaja na Amazônia se dará em outro formato - o jovem que apoiou a facilitação num primeiro momento pode agora estar apto a facilitar ele mesmo a Jornada inteira. O novo facilitador deverá estar acompanhado de um facilitador mais experiente, que possa direcionar e facilitação do novato e garantir que o novo facilitador tenha o conhecimento e confiança necessários para replicar a toda a metodologia. Este ciclo é continuo, garantindo a facilitação e acompanhamento de novos jovens sempre. Assim, a multiplicação em cada território trabalhado acontecerá de forma gradual, gota por gota, até formar um enorme rio que lave a Amazônia de todos os males.


DEPOIMENTOS


“Durante esses encontros do Engajamundo muita coisa mudou em mim, principalmente meu empoderamento feminino. Sinto que cada vez estou mais empoderada, estou super feliz com isso. Tudo isso começou quando fizemos uma dinâmica no Ciclo 1, uma roda de conversa no formato de “aquário”, onde cada falava sobre o tema que quisesse. Esperei chegar no tema que eu queria, ASSÉDIO, mas ninguém tocava no assunto. Tive medo de falar, ainda bem que uma das maiores qualidade do Engaja é a confiança que a gente tem um no outro, tomei coragem e falei sobre o tema. As meninas também entraram na roda e colocaram tudo pra fora, e nós fomos apoiadas. Esse momento em que a roda foi formada somente por mulheres foi o mais incrível de todos! Tudo isso só foi possível porque a gente se sente à vontade pra falar sem medo, porque sabemos que tem um grupo inteiro pra ouvir e apoiar a gente, porque a gente faz amigos de verdade, porque tem pessoas que a gente confia. Pra mim, nós somos uma família. Temos as oportunidades de conhecermos todos os nossos direitos, como jovens, negros, quilombolas, mulheres, gays. Através disso, nós podemos lutar pela causa que mais chama nossa atenção - prioridades como merenda escolar, cultura, lideranças jovens, machismo – e podemos mostrar pra essa sociedade preconceituosa que nós jovens somos sim capazes, que nós jovens temos responsabilidade, que nós jovens nos preocupamos com nosso quilombo e sabemos o nosso lugar no mundo. Dentro do Engaja, a gente é incentivado a lutar por tudo isso. Eu acredito que o Engajamundo acredita na juventude! Através do Engaja, eu aprendi muita coisa sobre os nossos direitos e quero aprender muito mais. Por mim, não seriam só cinco ciclos, seriam infinitos, porque esses encontros e conversas fazem muito bem pra mim.” Orilane de Castro, 17.


“Eu vejo tanta briga entre nós aqui, que às vezes me decepciono, dá vontade de ir embora. Vejo pelo meu avô já finado, assim como ele tinha como objetivo construir a minha comunidade, eu tenho como objetivo fazer ela crescer. Por esse motivo, sonho com uma comunidade muito melhor, pois sem força de vontade a gente não consegue fazer aquilo que quer. Então agora como vice-coordenador da comunidade, eu penso e ouço quem está em volta, sempre buscando meus objetivos em prática pra lutar pelo meu sonho usando essas ferramentas que o Engaja nos trouxe!” Mário, 24.

“É muito difícil escrever pra nós mesmos. Vou trazer palavras que estão relacionadas a mim e como eu vejo o nosso país. Por exemplo, ‘um Brasil igual para todos’, porque eu vejo que hoje há muita falta de amor, violência, aquele respeito que existia hoje em dia parece errado. Então, a cada dia as coisas vão mudando e esse problema climático piorando. Assim mesmo está acontecendo com o ser humano. Se analisar como era a nossa vida há 10 anos e comparar com o que está hoje, você vai ver que está totalmente diferente. Às vezes, por exemplo, em um ambiente de trabalho, convivendo com outras pessoas, você se preocupa muito com os outros e quando é na sua vida, na sua família, fica um pouco de canto. Esse exercício de olhar para mim foi meio difícil, muito trabalho pra ajudar várias pessoas, aí quando é pra olhar pra mim – e eu? Então eu resumo da seguinte forma: falta amor e respeito, pois se você tem amor, você vai ter respeito, a violência não vai estar pra qualquer lugar que a gente olha – se liga a televisão, se liga o celular, a violência tá em primeiro lugar. E isso é muito complicado pra gente que é mãe, que tem filhos pequenos nessa sociedade com muita violência e falta de amor e respeito.” Daiana Silva, 32.


“Antes era incapaz de realizar uma ação dentro de comunidades, hoje já sei planejar e desenvolver atividades da maneira correta. Também tenho total segurança para lidar com pessoas (autoridades) durante uma conversa. Lembro que não conseguia estar aberta a conversar sobre minha pessoa, o que é diferente atualmente. Contribuiu para que eu pudesse vencer o medo de assumir responsabilidades. O engaja trouxe até mim a oportunidade de poder me encontrar. Um fator que mais me estimulou ser o que sou foi a liberdade de expressão e a compreensão que tive vindo dos anjos da equipe do Engaja. O programa me ensinou a ser mais paciente com as pessoas ao meu redor e por outro lado me ajudou a enxergar com clareza os problemas que nos cercam para assim saná-los. Depois do engaja minha vida mudou significativamente. Então, o programa me ajudou sim, demais.” Sara Ester


“Nos primeiros dias do projeto já estávamos sentindo o diferencial engaja, um projeto criado por jovens para jovens. É uma relação totalmente diferente; é empolgante e esperançoso se sentir representada. cada ciclo foi nos conectando e nos surpreendendo de um jeitinho único, conhecimentos que servem à vida diálogos pessoais, impulso ao autoconhecimento e dinâmicas finais - o jovem nortista precisava e precisa ser olhado. a extrema importância, seja como uma jovem nortista, seja como uma mulher, seja como ambientalista, seja como uma feminista. nós existimos. temos jovens brilhantes que se tivessem um mínimo investimento poderiam ir além do que se imagina.” Sarah Monteiro, 19.

“O projeto nos fez enxergar com um olhar mais crítico sobre os problemas que se encontram na nossa cidade, e a partir deles, nos encorajou a criar de maneira inteligente, soluções eficientes para não apenas uma comunidade usufruir das melhorias, mas todo o convívio urbano no modo geral. As ideias estão sendo lapidadas com precisão por nós, pois o primeiro passo já foi dado, que no caso foi o nascimento do projeto em si. Está sendo enriquecedor somar conhecimento com outras pessoas que também querem não apenas soluções, mas resoluções e isso é o que me motiva. Somos jovens por um ideal.” Lidiane Lopes, 24.

“O Projeto Amazônia foi muito glorioso pra mim. Nós que vivemos num contexto urbano de uma cidade grande, muitas das vezes nos acomodamos com os problemas que nos cercam, e o projeto trouxe uma oxigenação de representatividade. O projeto foi muito além de aprender sobre ferramentas estratégicas de como agir pra ser uma mudança. Ele foi a fagulha que faltava pra eu despertar a florestania que eu desconhecia nas minhas lutas, eu sou grato imensamente por ter feito parte dessa experiência.” Matheus Revoredo, 23.


“Comecei a enxergar mais o meu “Eu”, meus sentimentos mais ocultos, aprendi a ser mais flexível, ter um olhar muito mais aberto e respeitar opiniões mesmo sem concordar, e falar meu posicionamento. O Engaja em minha vida foi o que me fez ser o que sou hoje, pois além dos temas abordados serem de suma importância me trouxe uma segunda família, e mudou meu dia a dia, meu convívio familiar, meu emocional, minhas fortalezas e saber lidar com minhas fraquezas." Luiza Lopes, 24..

“A mudança em meu comportamento em interagir com as pessoas, na empatia de se preocupar e me colocar no lugar das pessoas que fizeram parte da jornada e tantos outros que convivem comigo. Me libertei do medo de falar passei a brincar mais com os meninxs, construí novas amizades pois isso era muito difícil. Foram nas dinâmicas tanto do programa quanto do engaja exercitaram na prática a falar mais, algo que não fazia tanto e ter mais ação e atitude. Me ajudou a ter mais disciplina comigo mesma, comprometimento, ajudar as pessoas nas coisas mais simples que for. Até mesmo na vida acadêmica, nos debates nas salas de aulas e a entender mais sobre as problemáticas que ameaçam os nossos territórios.” Val Munduruku, 22


AGRADECIMENTOS


Gratidão a todas as pessoas que contribuíram direta e indiretamente, e que apesar de todas as dificuldades acreditaram e se empenharam para realização desse sonho. Esse projeto é uma homenagem ao eterno engajadinho Rafael Espíndola Andrade, que contribuiu como poucos não só com a construção do Engaja na Amazônia, mas também do mundo em que sonhamos viver! Rafa, sua luz está em nós e em todos os jovens que tiveram e ainda terão suas vidas transformadas por este projeto <3 Raq, Mig, Waltinho, Jaci, Michael, Rudnei, Lério, Thalita e JP (facilitadores phoda) Marlena, Hugão e Hellen (voluntários parças) Projeto Saúde e Alegria (Caetano, Fabinho, Adriana, Elis, Gustavo, Luanna, Morceguinho, Nelsinho, Raissa, Vander, Carlos André e toda a equipe) Imaflora (Jonas, Léo, Andressa, Mateus e toda a equipe) Escola de Ativismo (Terê, Cássio, Luh e toda a equipe) Centro Popular de Audiovisual (Allan, Pesqueira, Jéssica e Caio) ARQMO - Associação dos Remanescentes Quilombolas do Município de Oriximiná (Rogério e Nete) Cozinheiras Leide e Val Tripulação Joãozinho, Barão e equipe Coletivo Suraras do Tapajós Coletivo Jovem Tapajônico Francesc Badia e Pablo Albarenga (equipe democraciaAbierta) Perma Alter e Lowconstrutor (Dani, João, Marcelão, Thiago e Luiz) Grupo de Capoeiera Angolinha (Sâmia, Pará e toda a equipe) Comunidades quilombolas do Jamari, Bacabal, Jauary, Abuí e Tapagem Aldeias São Francisco do Parauá, Novo Lugar - TI Maró (2o cacique Dadá Borari) Greenpeace Manaus (Maylla e Agnaldo) TAG - Time de ativistas do greenpeace pela facilitação de NVDA (Marrye e Maylla) Impact Hub Manaus (Yasmin) Sup Amazon (Jaja) Comunidades ribeirinhas de Suruacá, Prainha I e II Muriel, Riva, Rita

É chegado o fim de um ciclo de risadas, choros, frustrações e alegria, e o início de um novo ciclo na região amazônica está por vir <3


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