BIBLIOTECA PARQUE SERVILUZ INTEGRAÇÃO E VIVÊNCIA SOCIAL NO BAIRRO CAIS DO PORTO
Elissandra Maria Oliveira Silvino
FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT Curso de Arquitetura e Urbanismo
BIBLIOTECA PARQUE SERVILUZ: INTEGRAÇÃO E VIVÊNCIA SOCIAL NO SERVILUZ
Elissandra Maria Oliveira Silvino Matr.: 11110868/7 Orientadora: Flora Mendes
Fortaleza – CE 2017
ELISSANDRA MARIA OLIVEIRA SILVINO
BIBLIOTECA COMUNITÁRIA: INTEGRAÇÃO E VIVÊNCIA SOCIAL NO SERVILUZ
Trabalho Final de Graduação apresentada como exigência para a obtenção do grau de bacharel em Arquitetura e Urbanismo, sob a. orientação de conteúdo da Professora Dra Flora Mendes Araújo Lima.
Fortaleza – CE 2017
FICHA CATALOGRÁFICA
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BANCA EXAMINADORA BANCA EXAMINADORA
Professora Dra Flora Mendes Araújo Lima. PROFESSOR ORIENTADORA CCT UNIFOR
Professor Dr. Amando Candeira Costa Filho PROFESSOR CONVIDADO CCT UNIFOR
Arquiteta Naiana Madeira Barros Pontes Camilo ARQUITETA CONVIDADA
12 de Dezembro de 2017
AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS
A Deus, por ter me dado saúde e força para a realização deste sonho. À minha família, por todo o incentivo e suporte, principalmente aos meus Pais que sempre acreditaram em mim. ´Aos meus amigos de curso, por todos anos de convivência, companherismo e troca de experiências. à todos os professores, principalmente a minha professora Dra. Flora Mendes, pela sabedoria e conhecimento transmitidos durante a elaboração deste trabalho.
SUMÁRIO
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INTRODUÇÃO
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2.1. Objetivos gerais 10
OBJETIVOS 2.2. Objetivos específicos 10
METODOLOGIA
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4.1. Cultura como recurso de integração
e de desenvolvimento da sociedade 15
JUSTIFICATIVA DO TEMA
4.2.
Equipamentos de proximidade: Arquitetura como modo de transformar a sociedade 16
4.3. Biblioteca convencional X comunitária 19 4.4. Comunidades do Serviluz 20 4.4.1. Índices e realidade do bairro 20 4.4.1. Potencialidades do bairro Comunidades do Serviluz 25
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5.1. Biblioteca Parque Espanha (BPE) 29
ESTUDO DE CASOS
5.2. Biblioteca de Manguinhos 33 5.3. Biblioteca São Paulo (BSP) 38
6.1. Programa de necessidades 47
O PROJETO ARQUITETÔNICO
6.2. Fluxograma 52 6.3. Escolha e análise do terreno 53 6.4. Partido do projeto 58 6.5. Memorial Justificativo 59 6.5.1 Estratégias de proteção solar Estudo da forma 62
6.5.2 Estrutura 67
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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‘’A arquitetura só se considera completa com a intervenção do ser humano que a experimenta.’’ Tadao Ando (1941).
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO O presente trabalho é referente a elaboração de um projeto arquitetônico de uma Biblioteca Parque no bairro Cais do Porto, mais conhecido como Serviluz. Segundo Vasconcelos (2013), essa região se consolidou com esse nome pelo fato de an gamente conter a Autarquia Municipal de Serviços de Luz (SERVILUZ), construída em 1954.
Sendo assim, a previsão para uma Biblioteca Parque, surge com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos moradores da região pela vivência de um espaço comunitário provido não só de boa infraestrutura, como também espaços agradáveis para tanto estudo quanto lazer e que sobretudo, apoiem diversos projetos sociais existentes assim como propondo outros novos.
Nessa região é possível notar pra camente inexistência de equipamentos públicos para as diversas comunidades carentes que lá se estabeleceram. Ademais, segundo os autores Aguiar e de Sá (2015), a população está inserida em um contexto de alta exposição à violência e por conta de estarem expostos a essa realidade co dianamente, terminam por se envolver com bandidos e traficantes.
FIG. 01: PRAIA DO TITANZINHO¹
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1 - DISPONÍVEL EM <http://blogdoeliomar.com.br/nem-todos-do-setorturistico-dizem-amem-ao-estaleiro-no-titanzinho/> ACESSO EM DEZEMBRO 2017
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OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL Elaborar um projeto arquitetônico de uma Biblioteca Parque voltada às comunidades carentes do Serviluz.
2.1. OBJETIVO GERAL Ÿ Desenvolver um programa de necessidade
que englobe a vidades culturais, cívicas, ar s cas, espor vas e de lazer.
Ÿ Realizar estudos de casos de bibliotecas
parque; Ÿ Propor caminhos que sejam integrados aos
Ÿ Estudar as especificidades de uma Biblioteca
Parque;
caminhos já u lizados pelos moradores da comunidade;
Ÿ Estudar a Comunidades do Serviluz, para
Ÿ Projetar edi cio da melhor maneira possível
compreender e iden ficar caracterís cas e necessidades;
em termos de eficiência energé ca, aproveitando-se da luz e ven lação natural, e assim promovendo conforto ambiental;
Ÿ Interligar comunidade com meio urbano
através de propostas de projeto que visem alcançar, sobretudo, o senso comunitário e, assim, a unidade entre as comunidades carentes do bairro;
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Ÿ Criar espaços voltados para diversas faixas
etárias.
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METODOLOGIA
METODOLOGIA P r im eira m ente fo ra m rea liza d a s pesquisas bibliográficas em ar gos cien ficos, jornais e livros para a melhor compreensão sobre as questões que envolvem a importância da cultura e do lazer para a sociedade, assim como a pologia de biblioteca. A esse conjunto também foram estudados documentos legais e car lhas (Estatuto da Cidade e Plano Diretor de Fortaleza), para a elaboração de uma pesquisa devidamente viável e coerente sobre a região. Também é importante ressaltar que foram u lizadas fontes de diferentes áreas de estudo, não somente de arquitetura, tendo em vista a interdisciplinaridade que o assunto se insere. Neste caso, foram u lizados ar gos de sociologia, antropologia e psicologia. Em um segundo momento foi realizada a coleta de dados relevantes sobre as comunidades, juntamente a realização de visitas no local, para o real conhecimento dos anseios e necessidades da comunidade. Ademais, foram r e a l i z a d o s e s t u d o d e c a s o s d e o b ra s arquitetônicas semelhantes relevantes, nos quais foram observados parâmetros essenciais para o sucesso de obra como esta. Por fim, foram elaborados desenhos técnicos e esquemas, os quais foram resultado da associação com todos os dados e questões coletados, e, assim, gerou-se um projeto arquitetônico os quais se propuseram atender aos obje vos anteriormente determinados.
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JUSTIFICATIVA DO TEMA
4.1.
CULTURA COMO RECURSO DE INTEGRAÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE.
“ A cultura assume como uma alavanca fundamental no acesso a um patamar mínimo de qualidade de vida nas grandes cidades, numa lógica de desenvolvimento integrado” (GUERRA; QUINTELA, 2007, pág. 3)
Sabe-se que na maioria das cidades de países ditos subdesenvolvidos é fácil de se encontrar exemplos de regiões que são negligenciadas pelo poder público, onde há falta de infraestrutura e alto nível de degradação. A população local geralmente possui baixa renda, baixo nível de escolaridade e sofrem com altos níveis de marginalidade e insegurança. Sendo assim, essas áreas da cidade acabam sendo discriminadas e seus habitantes tornam-se vulneráveis socialmente, sem contar com a dificuldade de inserção social já existente g e ra d o s p e l a d i fe r e n ç a e n t r e c l a s s e s socioeconômicas. Outro fator a ser considerado é o distanciamento das relações humanas, que acabam por desconstruir o sen do de comunidade, causados principalmente pelo fortalecimento do capitalismo do mundo globalizado, que por sua vez estabelece indiretamente o individualismo. Dessa forma, diante de todos esses fatores descritos acima, gera-se, dentre outras consequências, a formação de cidades fragmentadas.
Essa condição de separação na cidade p o d e s e r p e rc e b i d a p e l a c a rê n c i a d e equipamentos públicos, que visem, sobretudo, o encontro e a convivência de pessoas. Em ordem de minimizar esse problema, é
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necessário o empenho de polí cas públicas que pres giem o espaço público e que envolvam mais a população, ou seja, que visem às suas reais necessidades e expecta vas. De acordo com Glaeser (2000), o ideal seria que esses equipamentos públicos, não só cumpram o papel de unir a população, mas também de gerar e transmi r ideias. Eles devem ser voltados para cultura e educação, já que eve nt u a l m e nte ge ra - s e o reto r n o d o s inves mentos públicos feitos para esse equipamento, na medida em que ocorre a materialização das novas ideias e inovações desenvolvidas através dele. Em se tratando de inves mento público, é notória a depreciação ao tema: cultura, já que pelo fato de estar relacionada à diversão ou lazer, é tratado como uma necessidade supérflua, não essencial para a sociedade. “Como a cultura é pouco reconhecida como direito, não é vista como prioridade na definição de polí cas públicas, o que gera precariedade imensa de atendimento” (ABRAMO, 2001, pág.02). De fato, de acordo com no cia do jornal O Globo, no começo do ano de 2016, o Ministério da cultura (MinC), criado em 1985, foi ex nto, tornando-se um ministério vinculado ao da Educação, e por pouco não foi reduzido ao status de secretaria. Enquanto que, segundo os "princípios fundamentais" outorgados pela lei n.10.257, que ins tuiu o Estatuto das Cidades na Cons tuição Brasileira, todo cidadão tem o “Direito à Cidade e à Cidadania, entendido como uma nova lógica que universalize o acesso aos equipamentos e serviços urbanos, a condições de vida urbana digna e ao usufruto de um
espaço culturalmente rico e diversificado”. Apesar dessa falta de inves mento em cultura, é importante se ter em mente o quanto, na verdade, ela é essencial para a sociedade, principalmente no que diz respeito aos jovens. Segundo, ABRAMO (2001), é nessa fase da vida que ocorrem experiências centrais, como a construção de personalidade e caráter, assim como eleição de valores e posturas da vida. Além disso as a vidades culturais exercem, além do papel de auxiliar a formação educa va, favorecer a formação do jovem, evitando possíveis desvios de pelo fato de ocupar o tempo de ócio e, assim, o distanciando do envolvimento com delinquência ou violência. Sendo assim, os equipamentos públicos des nados a cultura servem de um local para troca dessas experiências, escolha de referências com maior liberdade do que as permi das no âmbito familiar e escolar, de mesmo modo que as exercem com certo po de segurança. Dessa forma, a falta de inves mento em cultura, reflete-se nos escassos equipamentos públicos para a sociedade, o que reforça tal distanciamento da sociedade com a cultura (principalmente de baixa renda), causado tanto pelo di cil acesso em relação ao alto custo, q u a nto em termo s d e d ista n cia mento territorial, já que a grande parte dos escassos espaços públicos se encontram longe da periferia, como diz ABRAMO (2001).
4.2. EQUIPAMENTOS DE PROXIMIDADE: ARQUITETURA COMO MODO DE TRANSFORMAR A SOCIEDADE..
Por muito tempo o urbanismo foi associado à esfera social da cidade, à legislação e aos projetos urbanos, enquanto que a arquitetura ficou mais voltada à construção de edificações, limitada a atuar dentro de terrenos segundo a legislação. De fato, essa separação é visível ao se verificar alguns projetos arquitetônicos contemporâneos, os quais, muitas vezes, se apresentam com pouca conexão com a cidade, como os condomínios fechados e seus muros altos e maciços.
“Vivemos em cidades onde o espaço público é cada vez mais inóspito, marcado por grades nas fachadas de prédios, extensos muros contornando introver dos condomínios, mega shopping-centers / mega estacionamentos e, a pior parte, as áridas freeways urbanas” (AGUIAR, 2012, pag.1). Por conta dessa tendência de dissociação entre arquitetura e urbanismo, pode-se inferir erroneamente, que para transformar a cidade, são necessárias apenas intervenções urbanís cas, as quais na verdade devem dar suporte para a boa conexão entre os projetos arquitetônicos. Segundo ROUX (2014), uma intervenção por meio de um projeto arquitetônico pontual, pode sim, melhorar a qualidade de vida da população na cidade. Para isso o edi cio deve incorporar, de forma fundamental para a qualidade projetual, a inserção do conceito de urbanidade, que segundo Aguiar (2012), é basicamente a maneira que o espaço urbano se dispõe de modo a acolher as pessoas. Portanto, a inserção de um edi cio público tendo sua ligação efe va com o espaço público,
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traz efeitos posi vos, não só para as áreas próximas ou para o edi cio propriamente dito, como também para a cidade em geral. Tendo em vista a importância da escala de edi cio como meio de transformar a sociedade, surgem os “equipamentos de proximidade”, conceito introduzido pelos autores Guerra e Quintela (2007), que referem esses equipamentos, aos espaços públicos voltados para uso de integração social. No entanto, eles podem conter diversos serviços, por isso não se apresentam em uma pologia específica. Dessa forma sua pologia é determinada pelo po de serviços que ele contém, os quais, por sua vez, decorrem das necessidades exigidas em cada situação do local onde se deseja implantar o equipamento. Segundo experiências históricas abordados por Guerra e Quintela (2007), apesar d o s e q u i p a m e nto s d e p rox i m i d a d e s e caracterizarem por serviços e pologias diversas, pode-se determinar que elas basicamente se referem à quatro temas, que são os seguintes: polí co quando, por exemplo, se trata de um centro cívico (local para debater questões entre governo e população); social, no qual pode ser citado a pologia de Habitações de Interesse Social (HIS); cultural, como um museu; por fim, o educa vo, o qual geralmente se trata de escolas. A par r disso, é preciso ter em mente que quando a pologia abrange apenas um tema ou público, a diversidade de usuários é reduzida e, assim, reduz-se a possibilidade de proximidade entre toda população da cidade. Por exemplo, um centro de idosos, atendem à apenas um público específico, ou uma HIS se restringe ao tema social. Uma vez que se compreende a importância da integração do equipamento de proximidade com o espaço urbano e sobretudo com a diversidade de públicos da sociedade, é
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“Estes equipamentos sociais distanciam-se, neste sen do, de duas das principais marcas dos equipamentos de proximidade: a capacidade de integrar num mesmo equipamento um programa de a vidade com um certo grau de transversalidade, assumindo múl plas v a l ê n c i a s , c a p a ze s d e r e s p o n d e r juntamente a diferentes públicos e necessidades”. (GUERRA; QUINTELA, 2007) crucial o atendimento desses parâmetros juntamente com o devido estudo e conhecimento da realidade da região e da população a qual se pretende implantar tal equipamento para que, dessa forma, se alcance a transformação social real e posi va. Tendo isso como base, foi verificado o sucesso das intervenções ocorridas na cidade de Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, capital da região de An oquia, a qual ao envolver esses parâmetros acima, conseguiu realizar uma mudança social radical. O ponto chave para isso foi a implantação de projetos arquitetônicos (equipamentos de proximidade) junto a um ousado projeto de integração de modais de transporte público em áreas de alto nível de vulnerabilidade social, criminalidade e violência, as chamadas Zonas de Conflito, com intuito de diminuir esses índices através da integração da população. Segundo Cavalcante 2013, em 1991, Medellín foi considerada a cidade mais violenta do mundo, chegando a apresentar 381 homicídios por 100 mil habitantes. No entanto, em 2005, o número de homicídios foi reduzido para 32,8 por 100mil habitantes. Ademais a cidade nha altos níveis de desigualdade social, sem contar com o grande problema do tráfico de drogas comando pelo reconhecido traficante Pablo Escobar, que gerava conflitos e atentados.
FIG. 02: Localização cidade de Medellín e sua relação América Latina e Colômbia. Fonte: elaborado pela autora.
Diante disso, durante o mandato do prefeito Sergio Fajardo, foi realizada a implementação de um programa de segurança cidadã e ações voltadas para inclusão social, através da união do governo federal e Municipal que foram iniciadas em 2004.
Dentre as edificações construídas e outras intervenções, a rede de bibliotecasparque se destacou e atualmente elas servem de exemplo para diversos outros países, incluindo o Brasil. Essa rede envolveu o projeto de 8 bibliotecas-parque distribuídas pelos bairros de Medellín, como pode ser visto na figura abaixo.
Figura 03: Mapa Medellín com distribuição das 8 Bibliotecas-Parque. Fonte: https://es.slideshare.net/op edic/parques-bibliotecamedellin.
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A par r do que foi exposto, notamos como é possível a transformação de u m a sociedade altamente vulnerável por meio do envolvimento de esforços mútuos, que englobam todos agentes da sociedade, tendo como obje vo um bem comum. Portanto, Diante d o q u e f o i exposto, uma biblioteca não convencional e voltada para a população, acaba por alcançar um obje vo muito além do que possibilitar o acesso à cultura, ao conhecimento ou lazer, que é o de trazer esperança de um futuro melhor para crianças e adolescentes.
4.3. BIBLIOTECA CONVENCIONAL X PARQUE. O próprio conceito de biblioteca, que e mologicamente significa “caixa de livros”, ou seja, locais designados ao mero armazenamento de livros, há muito tempo não se figuram em apenas essa a função. De fato, as funções deste equipamento evoluíram e hoje abrangem outros importantes papéis, embora que ainda hoje na maioria das vezes, se co n fi g u ra m e m u m e s p a ço n ã o m u i to convida vo, de pouca intera vidade entre os espaços internos de estudo e até mesmo o uso do local restrito a certos grupos. Diante do entendimento da importância do papel da biblioteca de um caráter mais social vistas desde de 1950, ou seja, voltada para as classes menos favorecidas, em 1972, foi publicada pela UNESCO, a segunda versão do Manifesto da Biblioteca Pública. Nessa decisão no qual foram ditadas de maneira mais didá ca e eficiente as funções essenciais a serem cumpridas por essa pologia arquitetônica, as quais são: função educacional, cultural, informacional e recreacional.
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As funções educa vas e informacionais devem servir não só como um centro de apoio à educação formal, mas também como uma ins tuição que incen va a prá ca da leitura para toda população. A cultural e recreacional devem dispor de espaços voltados ao lazer e à convivência, oferecendo mul plicidade de artes e cultura. O atendimento à essas funções têm cada vez mais se mostrado essenciais para o sustento do uso desse equipamento, sobretudo no diante o cenário do mundo atual, no qual novas tecnologias muitas vezes proporcionam uma forma de entretenimento mais atra vas do que os livros. Somando isso ao rela vo alto inves mento de se comprar um livro, à falta de tempo e/ou mo vação para a leitura e à carência de biblioteca públicas, gera-se consequentemente um déficit cultural da população, em especial a carente. Dessa forma, as bibliotecas atuais devem dispor de ambientes e de meios convida vos e cria vos como modo torná-las concorrentes efe vas com os meios da atualidade. Assim, é preciso incen var a visitação e permanência das pessoas por meio de a vidades baseadas no conceito de ócio cria vo, as quais haja integração entre trabalho, estudo e lazer. Em relação as bibliotecas-parque, “elas são complexas urbanís cos formados por edi cios de arquitetura moderna, com amplos espaços circundantes, formados por zonas verdes e recrea vas, cujo edi cio principal é uma biblioteca dotada de modernos e diversos serviços bibliotecários. Estas novas bibliotecas, normalmente localizados em zonas carenciadas e problemá cas da cidade de Medellín, oferecem espaços inovadores, quer em termos de arquitetura quer em termos de mobiliário e equipamentos. ” (Moreira, 2003, pág.34).
Uma das caracterís cas que chamaram atenção para essa pologia foram alguns espaços que as bibliotecas convencionais normalmente não apresentam, mas que são de grande importância para a transformação da sociedade. Um deles é espaço chamado de Centro de Desenvolvimento Empresarial, que tem por obje vo apoiar o desenvolvimento e consolidação de microempreendimentos da região; e a Sala Meu bairro, local no qual se encontram a memória escrita, fotográfica do
bairro, para salvaguardar costumes, tradições e história do bairro com intuito de gerar uma co n exã o e s e n s o d e p e r te n c i m e nto e envolvimento do bairro com a comunidade. Por fim, uma biblioteca parque envolve o conhecimento não apenas através pelo incen vo à leitura, mas também do envolvimento da cultura, lazer e troca de ideias, em um espaço lúdico, o qual potencializa a cria vidade e aquisição de conhecimentos.
4.4. COMUNIDADES DO SERVILUZ 4.4.1. ÍNDICES E REALIDADE DO BAIRRO. Segundo a San ago (2015), as maiores taxas de homicídios são prioritariamente relacionadas a regiões onde há população com b a i xa re n d a , j o ve n s , b a i xo s n í ve i s d e escolaridade e que moram em periferias urbanas. Ainda em sua pesquisa realizada com 1.070 adolescentes, foi constato que em Fortaleza, a maioria dos infratores são adolescentes do sexo masculinos com faixas etárias entre 14 anos e 17 anos de idade, dos quais apenas 63 deles possuem o Ensino Médio completo; grande parte responde por roubo, uso ou tráfico de drogas e descumprimento de medida.
Isso pode ser associados às informações re radas de mapas do Ins tuto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará (2012) abaixo, no qual pode-se constatar que os bairros da periferia de Fortaleza são os que possuem maior número de homicídios, que por sua vez também são que têm menor renda mensal por família.
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MAPA 01: Mapa NĂşmero de homicĂdios segundo bairros de Fortaleza. Fonte: ttp://www.ipece.ce.gov.br/informe/Ipece_Informe_66_11_novembro_2013.pd
MAPA 02: Mapa Valor rendimento nominal segundo bairros de Fortaleza. Fonte:http://www.ipece.ce.gov.br/informe/Ipece_Informe_66_11_novembro_2013.pd
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Em relação ao bairro de estudo, o bairro Cais do Porto (popularmente chamado de Serviluz) pertence a Regional II, a qual tem o melhor IDH geral dentre as outras regionais e onde se encontram os 9 bairros mais ricos da cidade, dentre os 10 no total. Em contrapar da temos no bairro Cais do Porto, o IDH (0,386) referente à educação, que se encontra dentre os 10 piores de Fortaleza assim como uma renda média de R$393,02 (mais ou menos 1/3 do salário mínimo atual). Sendo assim, esse contraste bastante forte de segregação social.
MAPA 04: Mapa sintético de Vulnerabilidade Social de Fortaleza 2010 Fonte: IBGE metrodata-2000 – Modificado pela autora.
O mapa acima revela que o bairro Cais do Porto apresenta nível alto e muito alto de Vulnerabilidade social. Ademais, no bairro em estudo há 22.382 habitantes, sendo 10.867 do gênero masculino e 11.515 do feminino e é majoritariamente cons tuído por uma população jovem, mais precisamente com faixa etária de 15 à 25 anos de idade (vide gráfico na próxima página).
MAPA 03 : Regionais de Fortaleza. Fonte: site Prefeitura de Fortaleza- modificado pela autora.
Através de dados, coletados no IBGE, encontrados na página seguinte (mapa 05), calcula-se aproximadamente que 10.5% do bairro é composto por crianças e jovens de 10 à 19 anos de idade, num total de 2.354, no qual 1.576 compreendem à crianças de 10 a 14 anos de idade e 778 à jovens de entre 15 à 19 anos de idade. Embora não seja a única faixa etária que se deseja a ngir como público alvo para a intervenção da biblioteca comunitária, é o grupo mais relevante em termos de ganhos e bene cios que serão atribuídos, principalmente tendo em vista que a cultura e o lazer possibilitarão distanciá-los das ruas, longe de criminalidade.
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GRÁFICO 01: Faixa censitária do bairro Cais do Porto Fonte: Censo IBGE 2010 – http://www.censo2010.ibge.gov.br/painel/?nivel=st.
MAPA 05: número de jovens entre 10 à 19 anos de idade por setor delimitado pelo censo 2010 no bairro Cais do Porto. Fonte: Censo IBGE 2010 – http://www.censo2010.ibge.gov.br/painel/?nivel=st (modificado pela autora).
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Segundo os autores Aguiar e De Sá (2015), o bairro do Cais do Porto é historicamente uma zona de alta vulnerabilidade na qual principalmente crianças e jovens estão inseridos em um contexto de alta exposição à violência letal, conflitos armados entre traficantes de drogas, disputa de território entre facções rivais e exploração sexual. Por conta de estarem expostos a essa realidade co dianamente, terminam por se envolver, voluntário ou involuntariamente, com bandidos e traficantes, que por sua vez, recrutam até mesmo crianças para realização de assaltos e
outras ações criminosas ou recrutamento para pros tuição. Além disso, ainda de acordo com Aguiar e De Sá (2015), existe uma forte segregação espacial dentro do bairro, com regiões delimitadas simbolicamente por facções rivais e áreas de conflito, sendo essa uma das principais razões para a violência letal. Outras razões incluem, “disputas amorosas, vingança familiar e d i s c u s s õ e s b a n a i s ”. A l g u n s d e s s a s delimitações correspondem ao território do: Farol, Titanzinho, Es va, Campo do Paulista, Portão, Boca do Golfinho, Rastro, Pracinha e Sardinha. “As crianças, os adolescentes e os jovens no contexto da favelado Serviluz estão cerceados por divisões territoriais, estão vivendo e convivendo numa comunidade "par da", por exemplo, quem pertence ao segmento territorial da Es va não pode passar para o segmento do Titanzinho. Muitas crianças crescem sem saber e sem poder usufruir da praia do Titanzinho. A liberdade de uma praia pública e de todos os moradores da comunidade vem sendo pouco à pouco trabalhada pelos projetos sociais lá existentes.”. (AQUIAR; DE SÁ, 2015, pág. 4). MAPA 06 : Subáreas do Serviluz delimitadas simbolicamente pela própria população. Fonte: VASCONCELOS, 2013, p87
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segunda fonte é a da periculosidade criminal associada aos conflitos armados entre facções juvenis rivais com arsenais de armas que promovem guerras, vinganças, homicídios rituais, além de estarem envolvidos em diversos graus com o mundo do crime onde imperam acertos de contas, assaltos, furtos, roubos, tráfico de armas, de drogas e alta criminalidade letal. A terceira fonte de es gmas e de imputações nega vas é rela va aos riscos socioambientais da área de moradia da comunidade, que está sujeita a incêndios, explosões, soterramentos e contaminações devido à vizinhança inflamável e poluente do complexo industrial portuário do Mucuripe no bairro Cais do Porto” (AQUIAR; DE SÁ, 2015, pág. 7).
4.3.2. POTENCIALIDADES DO BAIRRO.
Figura 09: Criminalidade e Violência. Fonte: VASCONCELOS, 2013, p96
Outro fator preocupante é que, segundo a Defesa Civil de Fortaleza, o Serviluz corresponde a uma área de risco, pois está próximo à distribuidora da Petrobras, onde há estoque de produtos inflamáveis e altamente explosivos, sem contar com a problemá ca do avanço do mar, o que ameaça as casas do local. Por fim, pode-se concluir que a “A população residente no Serviluz está marcada por três fontes principais de es gma zação, marginalização e exclusão social. A primeira fonte está ligada à pros tuição, pois no Farol Velho, (...) com concentração de cabarés e de trabalhadores e trabalhadoras do mercado do sexo, com casos graves de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, (...). A
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Apesar dos aspectos nega vos e da triste realidade que foram apresentados anteriormente, o bairro também possui caracterís cas e potencialidades. Uma delas é o grande potencial natural paisagís co do local, o qual é mo vo de orgulho para a comunidade, assim como fonte principal de sustento da pesca de alguns moradores. O senso de comunidade e união, mesmo em segmentos por subclassificação em comunidades também se destacam, o que potencializa as várias ações e projetos já realizados no local. Portanto, através de uma biblioteca parque, junto com ações e projetos sociais, tem como um dos obje vos gerar a integração e paz desses segmentos do bairro por meio da cultura. Em apoio a isso, podemos apontar que na região há a presença de diversas ONGs e projetos sociais. O projeto Metamorfose tem como principal missão agir sobre a influência de crianças do bairro, de maneira a unir o bairro e gerar paz nas áreas de conflito.
Ademais há o Ins tuto Povo do Mar (IPOM) e Associação Boca do Golfinho, que são as ONGs mais presentes no local, as quais proporcionam principalmente os projetos de incen vo ao surf, que por sua vez, é bastante forte, sendo que até mesmo alguns dos jovens da comunidade receberam destaque espor vo nacional e internacional. Apesar dessas ONGs, no geral, serem de grande importância e influência na região, tendo em vista que elas acabam suprindo um pouco do que o poder público deveria oferecer em termos de cultura e lazer, elas se encontram com pouca ou falta de estrutura adequada. Dessa forma, um equipamento de ordem cultural pública atenderia ao Ar go 23 do Estatuto da Cidade, “É competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência”. Assim como o Ar go 59 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual determina que “Os municípios, com apoio dos estados e da União, es mularão e facilitarão a des nação de recursos e espaços para programações culturais, espor vas e de lazer voltadas para a infância e a juventude”. Além disso, a priori a escala do edifico e estabelecida, mas acaba entrando na escala de bairro na medida em que o papel dessa intervenção cultural tem como obje vo es mular a reintegração das pessoas de toda o bairro, dessa forma, acaba por fazer parte integrante das dinâmicas da cidade. Por fim, A Biblioteca Parque se apresenta como um equipamento transformador das realidades tantos sociais quanto espaciais.
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ESTUDO DE CASOS
ESTUDO DE CASOS Conforme o que foi apresentado anteriormente, a idealização de um projeto de Biblioteca parque para as comunidades do Serviluz foi baseada no sucesso alcançado em algumas bibliotecas não só referente a transformação social, como t a m b é m a edificação como um todo. Portanto os estudos de caso que serão apresentados se localizam na América La na , já que se inserem em regiões com realidades tanto climá cas quanto sociais semelhantes (altos índices de vulnerabilidade social, criminalidade e violência). O p r i m e i r o e s t u d o , r e fe r e - s e à Biblioteca-parque Espanha, dada como como referencial principalmente pelo fato de se apresentar como uma da pioneiras nessa nova proposta de biblioteca, demonstrando que ela realmente é capaz de transformar radicalmente a realidade a qual está inserida. Ademais ela também se aplica como referencial em t e r m o s d e p r o j e t o d a s edificações, quanto ao modo de interligação com o entorno (por meio de uma praça), porém com independência entre os blocos, gerado pela setorização deles por funções. Por fim, as técnicas para se alcançar o conforto ambiental também foram tomadas como referência (abertura zenital). O segundo estudo, referente a biblioteca de Manguinhos, foi tomada como referencial como exemplo de biblioteca parque reba da na realidade brasileira, demonstrando sua aplicabilidade e eficiência, assim como em termos de programa de necessidades. O úl mo estudo de caso trata da biblioteca de São Paulo, a qual se demonstrou como referencial principalmente por abordar e aplicar estratégias passivas no projeto, contribuindo para o conforto térmico assim como aumentando o aproveitamento de iluminação e ven lação natural e programa de necessidades, gerando redução do consumo
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energé co sem necessariamente um grande inves mento em sistemas ar ficiais.
5.1.
Biblioteca Parque Espanha (BPE)
A biblioteca-parque Espanha é uma das 8 bibliotecas que compõem a rede de bibliotecas-parque localizada na cidade colombiana de Medellín, mais precisamente no bairro Santo Domingo, o qual já foi considerado um dos bairros mais perigosos da cidade. Ela foi inaugurada em 2007, e seu nome foi a dado em homenagem à Espanha, país que doou 1.500 livros a essa biblioteca.
Figura 02: Biblioteca Parque Espanha. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl /cl/02-6075/biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti.
Em relação ao seu projeto propriamente dito, a BPE ocupa uma área de 13.942m² distribuídos em 3 blocos de edi cios com funções diferenciadas, um com a função de biblioteca, outro com a de Centro Cultural e, por fim, a de função de auditório, os quais apresentam sua iden ficação por cores e nomes
impressos na fachada como pode ser visto abaixo. Sua implantação permite a criação de um mirante possibilitando a contemplação do potencial paisagís co do entorno, e não demandam a necessidade de muros, como pode ser visto abaixo.
Outro aspecto relevante é seu apelo esté co moderno, o qual é semelhante a 3 grandes rochedos dialogam com a paisagem, explorando o grande desnível sem necessidade de grandes movimentações de terra. Dessa forma, o nível dos acessos do edi cio não se dá exatamente pelo mesmo nível, na verdade eles se adequam a topografia e não cons tuem exatamente subsolos, já que possuem janelas, apesar de conterem níveis abaixo do nível da rua, como pode ser visto nas duas figuras seguintes.
Figura 03: Mirante e nomenclatura no nível da rua de cada bloco, de acordo com a função. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl/cl/ 02-6075/biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti.
Embora os blocos apresentem acessos independentes, eles são interligados a uma praça pública, como pode ser visto na figura abaixo.
Figura 05: Maquete ilustrativa contemplando a diferenciação de níveis topográficos. Fonte: http://www. plataformaarquitectura.cl /cl/02-6075/bibliotecaparque-espana-giancarlomazzanti.
Figura 04: Praça Pública conectando os 3 blocos. Fonte: http://www. plataformaarquitectura.cl/ cl/02-6075/bibliotecaparque-espana-giancarlomazzanti.
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Figura 07: foto de edifício sem membrana exterior. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl/cl/02-6075/ biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti.
Figura 06: Demonstração do Programa de necessidades, juntamente com a identificação de função de cada bloco com seus respectivos níveis da Biblioteca Parque Espanha. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl/cl/02-6075/ biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti.
Outro aspecto relevante que foi alcançado através da estrutura do edi cio, foi o aproveitamento de ven lação e iluminação natural através do emprego de técnicas simples, como a abertura zenital, que permite entrada de luz natural em todos pavimentos sem a necessidade de muitas janelas.
Sua forma abstrata se dá por duas estruturas, que consiste em suportes metálicos que sustentam a membrana estrutural formadas por placas de ardósia interligadas, que juntas, envolvem o edi cio propriamente dito, possui estrutura simples, apenas lajes e colunas. Essa solução estrutural permite maior autonomia volumétrica exterior. De fato, atualmente a obra se encontra sem essa casca volumétrica, por conta de danos não previstos do material de reves mento, o que permite a visualização da estrutura interior, na qual se pode verificar sua simplicidade estrutural do edi cio propriamente dito.
Figura 08:Abertura Zenital. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl/cl/ 02-6075/biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti
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Além disso, por meio dessa combinação que abrange o fato do uso mínimo intencional de janelas, a abertura zenital e o distanciamento da estrutura do prédio em si com a membrana fachada, gerou se um espaço que permite a saída do ar quente encontrado nos pavimentos inferiores pela abertura zenital da coberta. Esse processo é chamado de efeito chaminé, no qual a diferença de temperatura faz com que o ar quente tenda a buscar regiões de menor pressão atmosférica ou seja, nas regiões de maior altura, o ar frio, que é mais denso, se desloquem para baixo, promovendo, portanto, um fluxo natural de ven lação.
Outro ponto posi vo adotado pelo arquiteto foi o uso de matérias comuns e mais acessíveis a região, como a pedra escura de ardósia que revestem a fachada e a pedra “café pinto”, empregadas no piso, os quais são comuns em Bogotá. Como pode ser visto na figura abaixo, na parte referente ao auditório, a topografia é usada a favor do projeto, fazendo com a arquibancada se aproveitasse do nível preexistente.
Segundo o arquiteto Autor da obra Mazzan , a presença de poucas janelas também foi proposital com o obje vo de “desconectar as pessoas temporariamente da sua realidade”, ou seja, criar um ambiente descontraído e agradável sem muitas vistas do exterior para qe o usuário se imersa na leitura e estudo, de forma que esqueca da sua realidade di cil, de violência e vulnerabilidade social.
Figura 09: Corte do auditório verificando sua diferenciação de níveis internos Biblioteca Parque Espanha. Fonte: http://www.plataformaarquitectura.cl/ cl/02-6075/biblioteca-parque-espana-giancarlo-mazzanti.
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5.2. Biblioteca de Manguinhos Conforme o que foi apresentado anteriormente, a idealização de um projeto de Biblioteca parque para as comunidades do Serviluz foi baseada no sucesso alcançado em algumas bibliotecas não só referente a transformação social, como t a m b é m a edificação como um todo. Portanto os estudos de caso que serão apresentados se localizam na América La na , já que se inserem em regiões com realidades tanto climá cas quanto sociais semelhantes (altos índices de vulnerabilidade social, criminalidade e violência). O p r i m e i r o e s t u d o , r e fe r e - s e à Biblioteca-parque Espanha, dada como como referencial principalmente pelo fato de se apresentar como uma da pioneiras nessa nova proposta de biblioteca, demonstrando que ela realmente é capaz de transformar radicalmente a realidade a qual está inserida.
Ademais ela também se aplica como referencial em t e r m o s d e p r o j e t o d a s edificações, quanto ao modo de interligação com o entorno (por meio de uma praça), porém com independência entre os blocos, gerado pela setorização deles por funções. Por fim, as técnicas para se alcançar o conforto ambiental também foram tomadas como referência (abertura zenital). O segundo estudo, referente a biblioteca de Manguinhos, foi tomada como referencial como exemplo de biblioteca parque reba da na realidade brasileira, demonstrando sua aplicabilidade e eficiência, assim como em termos de programa de necessidades. O úl mo estudo de caso trata da biblioteca de São Paulo, a qual se demonstrou como referencial principalmente por abordar e aplicar estratégias passivas no projeto, contribuindo para o conforto térmico assim como aumentando o aproveitamento de iluminação e ven lação natural e programa de necessidades, gerando redução do consumo
Figura 09: Locação do bairro Manguinhos e relação escala país/cidade/bairro. Fonte: http://portalgeo.rio.rj.gov.br/bairroscariocas/index_bairro.htm - modificado pela autora.
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Dentre os equipamentos estão: Clínica da Família Unidade Victor Valla; Farmácia Popular do Brasil; Academia para a terceira idade; Parque aquá co e ginásio de esportes; Centro de Referência da Juventude; Centro de Geração de Renda – CGR; Centro de Apoio Jurídico – CAJ; Casa da Mulher de Manguinhos; Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila e Biblioteca Parque. Em se tratando do projeto da biblioteca propriamente dito, ela foi implantando no local no qual antes funcionava como an go Depósito de Suprimentos do exército, de modo a reu lizar o espaço do local.
Figura 10: edifício Biblioteca Manguinhos Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/ fotos-espaco/biblioteca-parque-de-manguinhos
Além disso, segundo Maranhão (2015) essa rede de bibliotecas parque fazem parte do programa Favela Cria va, a qual obje va proporcionar aperfeiçoamento em diversas áreas do campo ar s co (música, teatro, audiovisual dança, editoração e narra vas digitais) e sobretudo "fortalecer, fomentar e dar visibilidade às favelas do Rio de Janeiro". Ademais elas estão divididas em linhas de atuação de Economia Cria va, Formação Ar s ca e Fomento. Um aspecto relevante a se considerar nesse projeto, foi que, de acordo com da Silva (2013), a biblioteca de Manguinhos também abrangeu outros equipamentos, tornando-se assim, um complexo, composto por 10 espaços comunitários e edi cios residenciais (aproximadamente 1084 apartamentos).
Figura 11 e 12: Galpão existentes do antigo Depósito de Suprimentos do exército que foram recicladas pelo projeto. Fonte: http://www.jauregui.arq.br/biblioteca-manguinhos.html
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Diante das fotos anteriores, verifica-se que forem realizadas poucas modificações na composição estrutural original do edi cio. Abaixo podemos notar que ocorreu o recuo d a nova fachada, sendo que a original permaneceu como modo de gerar ambientes de passagem, o que contribuiu, juntamente com a extensão da coberta, para a proteção c o n t r a insolação direta na fachada, reduzindo-se a temperatura do local.
Figura 13: Entrada Biblioteca Manguinhos Fonte: da Silva 2013, pág 30
Ademais ela também se aplica como referencial em t e r m o s d e p r o j e t o d a s edificações, quanto ao modo de interligação com o entorno (por meio de uma praça), porém com independência entre os blocos, gerado pela setorização deles por funções. Por fim, as técnicas para se alcançar o conforto ambiental também foram tomadas como referência (abertura zenital). O segundo estudo, referente a biblioteca de Manguinhos, foi tomada como referencial como exemplo de biblioteca parque reba da na realidade brasileira, demonstrando sua aplicabilidade e eficiência, assim como em termos de programa de necessidades. O úl mo estudo de caso trata da biblioteca de São Paulo, a qual se demonstrou como referencial principalmente por abordar e aplicar estratégias passivas no projeto, contribuindo para o conforto térmico assim como aumentando o aproveitamento de iluminação e ven lação natural e programa de necessidades, gerando redução do consumo
Abaixo verifica-se a presença de uma fonte na praça externa imediatamente próxima a biblioteca, a qual contribui para redução da temperatura do microclima local de forma que os usuários podem u lizar dela para diver mento.
Figura 15: Salão principal com computadores e visualização da rampa. Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/conheca-nossas-bibliotecas - modificado pela autora.
Figura 14: Área externa da Biblioteca Manguinhos Fonte: http://www.jauregui.arq.br/biblioteca-manguinhos.html
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A sala meu bairro, se localiza no segundo andar, para reuniões da comunidade, da associação de moradores, dos condôminos da PAC e também para palestras e minicursos oferecidos pela biblioteca.
A ludoteca, localizada no andar térreo, abrange uma grande área equipada com computadores, brinquedos e vasto acervo de livros especializado para crianças de 0 a 9 anos, que são atendidas por mediadoras de leitura e educadoras.
Figura 18: Ludoteca. Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/conheca-nossasbibliotecas - modificado pela autora.
Figura 16: Salão principal com computadores e visualização da rampa. Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/conheca-nossas-bibliotecas - modificado pela autora.
Abaixo verifica-se a filmoteca, local equipado com TV, fones de ouvido e sofás para exibição de filmes individuais.
Através da análise das plantas baixas m o s t r a d a s a s e g u i r, p o d e m o s n o t a r primeiramente que a rela va presença de uma planta livre que permite flexibilidade para disposição de mobiliário. Na ludoteca verifica-se diferenciação de piso colorido em ordem de torna-lo mais atra vo e descontraído para as crianças. A rampa que da acesso ao piso superior permite maior acessibilidade para os PNE assim como os banheiros acessíveis dispostos em dois em cada baheiro tanto feminino quanto feminino.
Figura 17: Filmoteca. Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/ conheca-nossas-bibliotecas - modificado pela autora.
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Figura 19: Planta baixa tĂŠrreo e Programa de Necessidades- Biblioteca Manguinhos Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/conheca-nossas-bibliotecas - modificado pela autora.
Figura 20: Planta baixa 1 pavimento e Programa de Necessidades- Biblioteca Manguinhos Fonte: http://www.cultura.rj.gov.br/conheca-nossas-bibliotecas- modificado pela autora.
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5.3. Biblioteca São Paulo
Figura 21: Fotos dos ambientes do primeiro Pavimento. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.ra.
A biblioteca de São Paulo localizada na cidade de São Paulo, mais precisamente onde antes funcionava a Penitenciária Carandiru, o maior complexo penitenciário da América La na. As edificações desse complexo foram implodidas em 2002 para realizar a requalificação do local, mantendo se dois dos sete pavilhões, como pode ser visto na figura abaixo. A inauguração da biblioteca ocorreu no dia 8 de Fevereiro de 2010, e segundo o site oficial da biblioteca, ela é gerenciada por uma
organização sem fins lucra vos, a SP Leituras Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, a qual foi qualificada pelo governo e secretaria de cultura do Estado de São Paulo.
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Figura 22: Comparação da implantação antes (penitenciária) e depois (Parque). Fonte: website vitruvius - modificado pela autora.
Atualmente o espaço abriga o Parque da Juventude, com área total de 240.000m² que foi setorizado em três, o Parque Espor vo, o Parque Central e o Parque Ins tucional. No Parque Ins tucional encontram-se a Escola Técnica Estadual (ETEC), compostas por dois edi cios que correspondem aos que foram man dos da an ga penitenciária; e, por fim, a Biblioteca São Paulo, a qual abrange 4527m² distribuídos em dois pavimentos. Em se tratando do edi cio da biblioteca, ele possui 2 terraços, um em cada pavimento. O terraço do pavimento térreo, que é coberto por membranas tensionadas brancas de 12m de altura, localizam-se uma cafeteria, áreas de estar com mobiliários coloridos e espaço para performance ao ar livre. Essas estruturas não só contribuem para fins esté cos, como também geram sombreamento, proporcionando um espaço agradável.
Figura 23: Implantação do Parque da Juventude, mostrando os edifícios que o compõem. Fonte: website vitruvius - modificado pela autora.
Através da foto abaixo também se verifica a diferenciação de piso no terraço do piso inferior, gerando a delimitação de espaços sem necessariamente o uso de paredes. Na área des nada as mesas, que servem de apoio ao café, são delimitadas com taliscas de madeira, já a área de apresentações dispôs de um piso acinzentado.
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Figura 24: terraço do pavimento térreo. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
O terraço superior, por sua vez, tem sua cobertura composta por pérgolas de laminado de eucalipto de reflorestamento e policarbonato, que compõe a fachada principal proporcionando sombreamento indireto do terraço, e dessa forma, proporciona um espaço aprazível. Além disso, o espaço que este elemento envolve, também faz uso de mobiliários coloridos, com intuito de gerar um local mais descontraído, diver do e sobretudo belo.
As demais fachadas se u lizam de painéis recuados de vidro com película fosca translucida e placas de concreto pré-moldadas texturizadas. Ademais alguns elementos da fachada permitem a entrada de iluminação natural indireta na edificação por meio de grandes aberturas laterais e a abertura zenital. As aberturas laterais ainda possuem brises horizontais, contra a iluminação e insolação natural excessiva. Figura 27: elementos de fachada (janelas e brises horizontais) e revestimento placas de concreto texturizados. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
Figura 25: Pérgolas de madeira no terraço do pavimento superior. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
Figura 26: Pérgolas de madeira compondo a fachada principal. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
Figura 27: elementos de fachada (janelas brises horizontais) Figura e28: Croqui e corte e revestimento placas de concreto texturizados. esquemáticos da abertura zenital demonstrando a Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ entrada da iluminação natural. biblioteca-sao-paulo-aflalo-egasperini-arquitetos. Fonte: Archdaily – modificado pela autora.
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Ainda sobre a iluminação natural, o mezanino favorece sua entrada, já que possibilita uma maior entrada de luz no pavimento térreo além de gera maior integração entre os dois pavimentos. Ademais, há a presença de Sheds, que proporcionam tanto a entrada de iluminação natural mais intensa e
uniforme comparado às janelas, quanto ven lação natural, dependendo do seu posicionamento, gerando assim, conforto ambiental na edificação de forma passiva, sem uso de tecnologias muito dispendiosas e reduzindo custo com iluminação ou condicionamento ar ficial.
Figura 29: Corte demonstrativo do elemento - SHED. Fonte: Archdaily
No interior do edi cio o programa de necessidades se distribui basicamente em dois acervos, o infan l e o adulto. O primeiro se localiza no térreo, com mobiliário de tons coloridos e serigrafias lúdicas nos vidros, criando ambiente mais atra vo para o público infanto-juvenil e dar mais in midade ao usuário. Nesse pavimento também se localizam a recepção, acervo infanto-juvenil e auditório para 90 pessoas. Na planta abaixo pode se verificar que o desenho da planta é simples, basicamente retangular. Os 20 pilares espaçados 10m um do outro gera uma planta livre, ou seja, que permite maior liberdade e flexibilidade para os espaços internos. A disposição do mobiliário gera microzonas de estudo cole vo gerando maior privacidade e delimitação de espaços, que por
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sua vez possibilita que o usuário maior concentração, ainda que eles permaneçam interligados entre si. Embora haja a porta de entrada principal, há também outras portas no decorrer da planta na mesma fachada, as quais permitem maior integração com a praça assim e um fluxo melhor dos usuários com a área exterior. No entanto, no terraço do piso térreo, sua área é delimitada por uma espécie de muro de vidro, seguida de um afastamento com piso de grama, provavelmente para se reduzir a temperatura do microclima causado pelo vidro que o delimita. Ademais esse espaço restringindo a entrada de usuário para da biblioteca a uma porta de vidro de duas folhas. Através da foto abaixo também se verifica a diferenciação de piso no terraço do
piso inferior, gerando a delimitação de espaços sem necessariamente o uso de paredes. Na área des nada as mesas, que servem de apoio ao café, são delimitadas com taliscas de madeira, já a área de apresentações dispôs de um piso acinzentado.
na lateral do auditório que permite o acesso direto do local sem que seja necessário transitar pelo espaço interno da biblioteca.
Figura 30: Membranas tensionadas, “muro de vidro” e forramento no pavimento térreo. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
Um aspecto relevante são os espaços que a biblioteca disponibiliza o espaço do terraço onde possui as tendas e o auditório para a realização de eventos privados ou de empresas. Através do site da biblioteca, pode se verificar os critérios de uso, sendo o primeiro deles é que em determinado horário (10h as 17horas), só serão permi dos eventos “que não interfiram ou prejudiquem o trânsito e o acesso do público visitante às áreas de leitura e de pesquisa”. Além disso, o auditório possui 89 lugares sendo que 3 locais são reservados para PNE e dispõem de uma pequena sala de controle de som e iluminação, além dos seguintes equipamentos : datashow, computador, DVD, microfones, caixas de som, com operador de equipamentos para todo o período do evento. Há ainda a presença de um porta de duas folhas
Figura 31: planta do auditório. Fonte: Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/ biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos.
Na foto a seguir também se verifica a diferenciação de cores de algumas poltronas, dando um ar mais descontraído ao ambientem e ainda a presença de uma poltrona maior, des nada a pessoas com mobilidade reduzida. Há também diferenciação de níveis, que permitem uma melhor visualização pelos espectadores mais ao fundo no auditório.
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Figura 32: auditório verificando a diferenciação de níveis e cores de algumas poltronas. Fonte: http://bsp.org.br (site oficial da biblioteca de SP).
Figura 33 e 34: Plantas dos pavimentos com programa de necessidades da Biblioteca de São Paulo . Fonte: Archdaily – modificado pela autora.
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Em se tratando de análise da acessibilidade da biblioteca, verificase duas escadas de serviço uma escada de incêndio e outra para uso restrito a funcionários, e uma outra escada central, para acesso do público em geral. O acesso de deficientes sicos se faz por um elevador. No térreo se encontram os sanitários públicos masculino e feminino, e um outro acessível externo e próximo a esses outros, sendo eles reba dos no primeiro pavimento.
Nas foto abaixo verifica-se o mezanino e a flexibilidade de mobiliário gerado pela planta livre. Também é possível notar a presença dos elementos que compõem a decoração lúdica do ambiente, como aviõezinhos de papel em tamanho gigante dependurados dos tetos e grades módulos coloridos posicionados na parte central, mobiliados com pufes e poltronas, criando um ambiente agradável, confortável e atra vo para o público infanto-juvenil.
Além disso, a par r da análise da foto abaixo, pode se notar melhor como a iluminação natural, junto a ar ficial se ar cula com o ambiente e como o Shed gera um volume interessante no teto. O mobiliário lúdico apresenta rodinhas, sendo então moldável e flexível dependendo da necessidade do usuário. As estantes baixas com a disposição frontal das capas dos livros também permitem maior acessibilidade e atra vidade às crianças, o qual é o público alvo desse pavimento. Ademais, verifica-se a diferenciação de materiais do guarda-corpo (vidro e p l a c a s d e c o n c re t o ) contribuindo para a composição plás ca do local, sendo o que o guarda corpo que é composto por placas de concreto tem a mesma altura da estantes, assim observando do piso superior a estante acaba como função também de esconder o guarda – corpo.
Figura 35: mobiliário colorido e flexível do piso térreo. Fonte: https://www.guiadasemana.com.br/saopaulo/arte/estabelecimento/biblioteca-de- sao-paulo
Figura 37: foto tirada do piso superior, estante com mesma altura do guarda corpo. Fonte: http://bsp.org.br (site oficial da biblioteca de SP).
Figura 36: foto tirada do piso superior, na qual pode-se observar o mezanino e o mobiliário do piso térreo. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/0138052/biblioteca-sao-paulo-aflalo-e-gasperini-arquitetos
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com poltronas confortáveis, lupas e estantes baixas. Por fim, com intuito de atender às normas de acessibilidade e possibilitar espaços mais democrá cos para todos os pos de usuários, os pisos instalados são táteis, corrimão com duas alturas, inscrições em Braile além de rampas de acesso e soleiras adequadas. Além disso, foram implantados mobiliários especiais como mesas direcionadas para deficientes visuais e mesas ergonômicas para deficientes sicos.
Figura 38: foto tirada do piso térreo, na qual pode-se observar o mobiliário. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-38052/biblioteca-sao-pauloaflalo-e-gasperini-arquitetos.
No primeiro andar, que é des nado ao público adulto, verifica-se áreas de mul mídia e diversos espaços para leitura com mobiliário mais austero que o comparado ao do térreo, porém aconchegante. O acervo também conta com livros e DVDs de conteúdo adulto, com acesso permi do para maiores de 18 anos, que se localizam numa área mais restrita. Outro fator que chama atenção no programa de necessidades é acessibilidade aos públicos mais restritos, já que seu acervo conta com livros em braile e o aparelho “postscanner”, o qual reverte revistas e jornais para braile ou para áudio, possibilitando ao usuário a impressão ou gravação do conteúdo em CD para usuários deficientes visuais. Ademais, conta com folheadores de páginas automá cos voltado a usuários que possuem mobilidade restrita ou ausente nas mãos, assim como um ambiente voltado para idosos, se tratando de uma área mais restrita, silenciosa e iluminada,
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O PROJETO ARQUITETÔNICO
6.1. PROGRAMA DE NECESSIDADES Tendo em vista os estudos de caso que foram apresentados, foi decidido que a biblioteca abrangerá uma praça externa de apoio com mobiliário urbano e espaços que deem apoio a proposta de atrair e reunir pessoas. O edi cio propriamente dito abrangerá os seguintes ambientes, apresentados aqui como setores: SETOR SOCIAL
tendo assim pouco mobiliário, deixando espaço mais livre. -OFICINA CULTURAL Espaço des nado ao ensino de diversos pos de arte, como música, teatro, malabares, e sobretudo de dança como o hip hop, já que é um dos principais es los já pra cados pela comunidade. Espaço provido de arquibancada, equipamentos de som e pequeno depósito abaixo da arquibancada. O Pé direito duplo dá sensação de abrangência e maior espaço para essas diversas a vidades.
-RAMPA DE CONVIVÊNCIA --RECEPÇÃO Espaço responsável pelo direcionamento do público em geral para setores específicos, informação sobre oficinas e eventos e etc. Contém balcão alto com computadores assim como baixos portadores de necessidades espaciais. Ademais, o desenho circular do balcão e disposição do layout favorece o atendimento mul lateral, já que há fluxos de pessoas em todas as direções. -OFICINA DE PESCA Espaço des nado à confecção e manutenção de jangadas com obje vo de dar suporte e apoio a essa a vidade que é uma das principais da região que geram renda para os moradores da comunidade. Será provido de prateleiras, ferramentas e equipamentos. -OFICINA DE SURFE Espaço des nado ao ensino de confecção e manutenção de pranchas de surfe artesanais com obje vo de dar suporte e apoio a essa a vidade que é uma das principais a vidades de lazer do público infanto-juvenil. Será provido de prateleiras, ferramentas e equipamentos. -OFICINA MULTIUSO Espaço que pode abrigar oficinas diversas como de grafite ou de compostagem por exemplo,
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-SALA MEU BAIRRO Espaço des nado a registrar memória do bairro, funcionando como uma pequena galeria e acervo de fotos e registros da história da comunidade, expostos através de biombos, estruturas leves e móveis. Atende ainda às necessidades de reuniões e fóruns comunitários, nesse caso, os biombos são re rados e forma-se uma grande sala de reuniões. Conta também como uma pequena recepção para controle de acesso de pessoas principalmente ao mezanino (através de uma escada em “L” e uma plataforma elevada para PNE), já que nele se encontram salas restritas ao público em geral, como sala do líder, reuniões e rádio comunitária. -SALA DE REUNIÕES Sala dedicada a reuniões entre líder comunitário e outros gestores para assuntos per nentes a comunidade, sem necessariamente estar relacionado com a biblioteca propriamente dita. De fato, o obje vo da Biblioteca transcende a sua função usual, ou seja, além de um equipamento cultural, deve também dar suporte a a vidades cívicas à comunidade. -SALA DO LÍDER COMUNITÁRIO Sala dedicada ao líder comunitário, onde ele deve lidar com a gestão e par cipação democrá ca de assuntos voltados a
comunidade e sobretudo incen var e apoiar a implantação de projetos e inicia vas. -RÁDIO MEU BAIRRO Espaço dedicado à divulgação de eventos, campanhas, transmissão de debates ou assuntos per nentes à sociedade, dando acesso a informação e assim construindo senso crí co da comunidade. -COPA Espaço voltado a realização de pequenas refeições ou lanches rápidos dos funcionários em geral. Equipado com geladeira, micro-ondas e mesas. -INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS Espaço des nado as diversas exposições de arte, sejam elas esculturas ou apresentações. Na verdade, este local abrange toda a parte que envolve o pilo s do térreo, onde pode conter m a i s d e u m a ex p o s i ç ã o o u a v i d a d e acontecendo concomitantemente. -RESTAURANTE Restaurante externo voltado para o público. Cons tui-se como espaço agradável delimitado por pequeno jardim e diferenciação de piso. Também contém mobiliário diverso (com variações entre mesas com banquetas altas, sofás ou cadeiras individuais com intuito de chamar atenção do atrair público. Também contém espaço que contém um púlpito para exposição do menu e para atendimento inicial e depois encaminhamento mesas. - LAVABO PNE, FEMINO E MASCULINO Voltado para os funcionários. - WC FEMINO E MASCULINO Voltado para público geral.
VESTIÁRIOS DO PÚBLICO Espaço que oferece apoio as a vidades espor vas do projeto, como academia ao ar livre e o campo de futebol, principalmente aos jogadores de futebol, após as par das. SETOR DE SERVIÇO CARGA E DESCARGA Local des nado ao recebimento de materiais, equipamentos ou de peças de exposições. Espaço recuado para dentro da edificação com o propósito de deixar menos exposto e mais restrito a entrada de carros de entrega aos usuários da biblioteca. SALA DE SEGURANÇA L o c a l d e s n a d o a fa ze r a s e g u ra n ç a e monitoramento da biblioteca, através de monitores conectados às câmeras de segurança distribuídas por toda a Biblioteca. Foi disposta próxima a uma saída de emergência no caso de algum po de furto, já que essas escadas podem dar acesso direto a biblioteca sem necessariamente passar pelas catracas e controle do setor da biblioteca. A outra escada de emergência está próxima a recepção, também por conta dessa questão de possíveis furtos. EMPACOTAMENTO E DESEMPACOTAMENTO Local des nado ao armazenamento e registro de materiais, equipamentos ou de peças de exposições. Contém uma pequena recepção para contagem e registro de recebimento. DEPÓSITO DE FERRAMENTAS Sala de armazenagem de equipamentos e ferramentas. SALA DE MANUTENÇÃO Sala de manutenção e reparos de mobiliário ou equipamentos da biblioteca no geral. DESCANSO FUNCIONÁRIOS
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Espaço des nado ao e lazer de funcionários, com intuito de aumentar a produ vidade deles a par r de um descanso em um local descontraído entre expedientes ou intervalos. - CONTROLE Espaço de guarda de pertences de funcionário com chave e local de “ponto” (registro) de expediente efe vo de trabalho. - DML CENTRAL Área de serviço e depósito de materiais de limpeza, onde também se encontram máquinas de lavar roupa dos funcionários. - GERADOR Espaço de resguarda dos geradores capazes de suprir energia em casa de algum pane de energia. - VESTIÁRIOS DE FUNCIONÁRIOS - DESPENSA Local de armazenagem e estoque de produtos alimen cios. Mobiliário abrande de prateleiras e freezers de para congelados. - PRÉ LAVAGEM Local de pré-lavagem de alimentos e higienização pessoal. Espaço provido por pia para lavagem mão e pia para pré-lavagem de alimentos. O fluxo desse ambiente funciona da seguinte forma: os funcionários encarregados dessa área devem primeiramente higienizar as mãos antes de adentrar na ambiente cozinha. Devem levar à cozinha apenas produtos já higienizados na pia de pré-lavagem e passados à cozinha pelo passaprato que está entre esses ambientes. - COZINHA Cozinha industrial de médio porte voltado para atender restaurante que se encontra na área externa. Local provido de mesas de apoio, bancadas, utensílios e equipamentos para preparo e cocção de refeições, geladeira para resfriados e pia para lavagem de louças sujas. O
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fluxo desse ambiente funciona da seguinte forma: depois de recebido do espaço pré-lavagem, o alimento é preparado na bancada ou armazenado na geladeira; feita a refeição é colocado na bancada e re rado pelo passa-prato próximo pelo garçom responsável em levar a mesa do consumidor. Terminada a refeição o garçom vai com a louça suja para outro passa-prato onde é re rado para lavagem em pia específica apenas para a louça suja, pois a comida limpa e louça suja nunca devem se cruzar. Importante ressaltar que ambos passa-pratos são conectados ao espaço “balcão de atendimento” e assim indiretamente com o restaurante para que o consumidor não veja diretamente esse fluxo ocorrendo. - CAIXA Espaço provido de caixa para o controle e gerenciamentos de pagamento pelos garçons, computador para gestão de estoque e finanças do restaurante por funcionário responsável. Contém abertura de dois passa-pratoS, um para a distribuição de refeições e outra para a louça suja ser encaminhada para a pia de lavagem da cozinha. SETOR ADMINISTRATIVO
-HALL DE ESPERA Espaço onde público restrito aguarda por atendimento para entrada no setor administra vo (para sala de reuniões ou sala do diretor). EXPEDIENTE ADMINISTRATIVO Espaço des nado aos funcionários que trabalham no setor administra vo. SALA DO DIRETOR Espaço des nado ao gestor da biblioteca. Contém mobiliário que permite atendimento e recepção de pequenos grupos e pequena armazenagem arquivos. LAVABO FEMININO, MASCULINO E PNE
COPA Espaço voltado a realização de pequenas refeições ou lanches rápidos dos funcionários em geral. Equipado com geladeira, micro-ondas e mesas.
ESTUDO COLETIVO 03 Espaço de estudos em grupo, porém, diferente dos outros, é mais restrito já que é delimitado por parede, Contém televisão e lousa digital, sendo necesspario o agendamento préveo para seu uso.
SETOR BIBLIOTECA CONTROLE E ACESSO Espaço do balcão de atendimento responsável pela iden ficação e permissão de entrada à biblioteca, consequentemente também é responsável por emi r as carteirinhas que dão acesso pelas catracas. Também pela liberação de chaves para ter acesso aos armários do guardavolumes.
ESTAÇÃO DE XEROX E IMPRESSÃO Espaço com impressoras e máquinas de xerox. O pagamento do serviço é feito diante do cartão de acesso a biblioteca o qual é possível comprar um número de páginas de xerox ou impressão e serem usada em umas dessas estações de forma automá ca com a máquina, devendo apensas acessar o código do cartão.
CONSULTA AO ACERVO Espaço des nado a consultar a disponibilidade, reserva ou emprés mo de obras. Nesse local também é possível reservar ou verificar disponibilidade das salas de estudo cole vo 02, estações de videoteca e mini auditório que são mais restritas e tem lousa e televisão. Contém balcão alto com computadores assim como baixos portadores de necessidades espaciais.
-WC FEMINO E MASCULINO
EMPRÉSTIMO E DEVOLUÇÃO Espaço do balcão de atendimento responsável pela emprés mo e devolução de livros alugados. GUARDA VOLUMES Espaço que contém armários com chave des nado a guarda de pertences pessoais do público durante sua permanência na biblioteca. Neste caso a guarda do material é feita por algum funcionário, já que o guarda volume está restrito.
LOUNGE ACERVO GERAL ACERVO CD E DVD ESTAÇÕES VIDIOTECA INDIVIDUAL ESTAÇÕES VIDIOTECA GRUPO MINIAUDITÓRIO ESTUDO INDIVIDUAL ESPAÇO DIGITAL SETOR TÉCNICO TRIAGEM E CATALOGAÇÃO
PERIÓDICOS Acervo de jornais e revistas referentes a assuntos e no cias do cenário atual.
ALMOXERIFADO TÉCNICO ENCADERNAÇÃO E RESTAURO
ESTUDO COLETIVO 01 E 02 Espaço des nado a estudos em grupo composto por mobiliário de cores diferenciados
SALA DO BIBLIOTECÁRIO COPA E LAVABO
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SETOR BIBLIOTECA INFANTO-JUVENIL CONTROLE E ACESSO EMPRESTIMO E DEVOLUÇÃO GUARDA-VOLUMES ESPAÇO LEITURA BRINQUEDOTECA SALA DE EXIBIÇÕES SALA DOS MONITORES Espaço dedicado ao monitores voluntários. LOUNGE 02 ESPAÇO JUVENIL WC INFANTIL APOIO EDUCACIONAL Espaço dedicado ao ensino auxiliar das disciplinas e deveres da escola formal por monitores voluntários. CAFÉ
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6.2. FLUXOGRAMA
ACESSO SERVIÇO
BRINQUEDOTECA ESPAÇO LEITURA
WC
CARGA E DESCARGA
ACERVO INFANTIL
CAFÉ
DESCANSO DOS FUNCIONÁRIOS
ESPAÇO LEITURA
GUARA VOLUMES
ESPAÇO CRIATIVO
VESTIÁRIOS
CONTROLE E ACESSO INFANTIL
APOIO EDUCACIONAL
SALA DE MANUTENÇÃO DEPÓSITO DE MATERIAIS
SALA DE EXIBIÇÕES LIXO SALA DOS MONITORES GERADOR
CONSULTA AO ACERVO
WC INFANTIL ESPAÇO JUVENIL
SALA DE SEGURANÇA
CAIXA
PRÉ LAVAGEM
COZINHA
EMPRÉSTIMOS E DEVOLUÇÃO
ABRIGO GÁS
DESPENSA
CONTROLE E ACESSO
DEPÓSITO DE FERRAMENTAS
GUARDA VOLUMES
MINI AUDITÓRIO ESTAÇÕES AUDIOVISUAIS TRIAGEM E CATALOGAÇÃO
ACERVO DVD /CD WC’S
ALMOXARIFADO TÉCNICO ENCARDENAÇÃO E RESTAURO SALA BIBILOTECÁRIO
EMPACOTAMENTO E DESEMPACOTAMENTO
PERIÓDICOS ACERVO E ESTUDO BRAILE
RECEPÇÃO
ACERVO GERAL ESTUDO INDIVIDUAL
HALL DE ESPERA
INSTALAÇÕES TEMPORÁRIAS
ESTUDO COLETIVO 1 OFICINA PESCA
ACESSO SOCIAL
ESTUDO COLETIVO 2
LAVABOS COPA
OFICINA SURFE SALA DE REUNIÕES
ESTUDO COLETIVO 3 COMPUTADORES SALA DE REUNIÃO SALA DO LÍDER
IMPRESSÕES/XEROX
OFICINA CULTURAL
DIRETOR
WC
EXPEDIENTE ADMISTRATIVO
OFICINA MULTIUSO
PERIÓDICOS SALA MEU BAIRRO
RÁDIO MEU BAIRRO
RESTAURANTE
COPA
LEGENDA SERVIÇO
TÉCNICO
ESPAÇO INFANTO-JUVENIL
BILIOTECA
SOCIAL
ADMINISTRATIVO
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6.3. ESCOLHA DO TERRENO E ANÁLISE O terreno escolhido para a implantação da Biblioteca Comunitária se encontra no bairro Cais do Porto.
Quanto à legislação estabelecida pelo Plano Diretor Par cipa vo de Fortaleza, 2009), o bairro se encontra sob a área de ZO (Zona da Orla – trecho 6 e 5 - Cais do Porto) e Macrozona de Proteção Ambiental. E suas caracterís cas e parâmetros são descritos a seguir.
Mapa 07: Mapa de Localização do bairro Cais do Porto em Fortaleza. Fonte: Mapa base da prefeitura de Fortaleza - modificado pela autora.
Mapa 08: Mapa do bairro e delimitação de áreas de entorno e terreno. Fonte: Mapa base retirado do Google Earth modificado pela autora.
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Mapa 09: Mapa do bairro e delimitação de áreas da legislação. Fonte: Mapa base retirado do Google Earth modificado pela autora.
Art. 111. A Zona da Orla (ZO) caracteriza-se por ser área con gua à faixa de praia, que por suas caracterís cas de solo, aspectos paisagís cos, potencialidades turís cas, e sua função na estrutura urbana, exigem parâmetros urbanís cos específicos. A Zona da Orla está dividida em 7 (sete) trechos;
TABELA 01: Tabela de Parâmetros da ZO6. Fonte: Valores da tabela retirado do PDPF – elaborado pela autora.
Art. 59. A macrozona de proteção ambiental é composta por ecossistemas de interesse ambiental, bem como por áreas des nadas à proteção, preservação, recuperação ambiental e ao desenvolvimento de usos e a vidades sustentáveis
d e P ra i a , a q u a l n ã o s e rá p e r m i d o o parcelamento do solo tampouco a edificação no subsolo. Ademais, como rege a legislação, essa zona não tem influência direta na área já ocupada, está voltada como forma de barrar o avanço das ocupações diante da faixa de areia.
Mais precisamente esta macrozona se delimita, nessa região do bairro Cais do Porto, em um ZPA2 – Zona de Preservação Ambiental Faixa
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Mapa 11: Mapa de características e delimitação do terreno. Fonte: Mapa base retirado do Google Earth- elaborado pela autora
Mapa 12: Mapa de Vistas do terreno. Fonte: Mapa base retirado Google Earth. – elaborado pela autora.
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Ainda segundo o Plano diretor, no bairro Cais do Porto, existem as ZEIS 1 e 3, que embora não esteja sobre o terreno de implantação do Equipamento, circunda uma grande área e exercem bastante influência nele, pois tais áreas co r re s p o n d e m b a s i ca m e nte à á re a s ”
des nadas prioritariamente à promoção da regularização urbanís ca e fundiária dos assentamentos habitacionais de baixa renda existentes e consolidados e ao desenvolvimento de programas habitacionais de interesse social”, Segundo o PDPF ( Art. 123).
Mapa 10: Tabela de Parâmetros da ZEIS 1 e 3. Fonte: Valores da tabela retirado do PDPF.
Em relação ao terreno propriamente dito, ele tem área de 45.000m² e formato irregular. Ele é delimitado pela Avenida Zezé Diogo, ao nordeste, que corresponde à sua frente; por ocupações de baixa renda ao noroeste; e área industrial no sudoeste. O
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principal mo vo dessa decisão foi o fato de dessa área apresentar-se atualmente como vazio urbano (com uso da comunidade que corresponde ao Campo do Paulista) o e pela proximidade à comunidade.
Figura 39/40/41/42: Vistas do terreno. Fonte: Imagens retiradas do Google Earth.
Além disso, segundo a classificação das a vidades por grupo e subgrupo que se encontra na Lei de Uso e Ocupação do Solo do Município de Fortaleza (LUOS 2016), o anexo 6, a a vidade associada, ao equipamento de uma Biblioteca se classifica no grupo ins tucional e no subgrupo de equipamentos de cultura e lazer
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(ECL). Abaixo as caracterís cas relacionadas a essa a vidade. Por fim, ainda pela LUOS, verificou-se essa a vidade como adequada, através do anexo 7.7, que reje quais a vidades são possíveis na área de intervenção, no trecho 6 da orla marí ma (ZO6).
Figura 39 : Tabela de Parâmetros de uma biblioteca. Fonte: Valores da tabela retirado da LUOS 2016– elaborado pela autora.
Art. 89. A área de construção computável no cálculo do índice de aproveitamento é calculada de acordo com os seguintes usos: III - Demais Usos: Corresponde a 65% (sessenta e cinco por cento) da área total construída, excluídas as sacadas com largura total máxima de 1,05m (um metro e cinco c e n m e t ro s ) e a s á r e a s d e s n a d a s a estacionamento
6.4. PARTIDO DO PROJETO O par do do projeto teve como diretriz principal “A integração com o meio”, tendo em vista o que foi iden ficado ao longo da pesquisa quanto ao potencial que essa pologia de biblioteca tem, de mudar a realidade do Serviluz, fomentar o senso de pertencimento ao local e sobretudo unir as várias comunidades lá coexistem. O termo “integração” também está relacionado ao edi cio com o seu entorno, em termos de condicionantes ambientais de forma a não agredir nem a paisagem nem o meio ambiente. Sendo assim, busca-se integrar edi cio, entorno e comunidades e, para isso, foram geradas propostas pontuais que foram reba das no projeto, as quais podemos citar, em relação a implantação, o edi cio considerou o entorno através da (o): - Transição da esfera da rua para o edi cio de forma branda pela disposição de pilo s em parte do pavimento térreo gerando permeabilidade do edi cio X rua; - Uso da paginação de piso exterior reba da também no interior do prédio, trazendo ideia de con nuidade e interligação entre os espaços;
- Consideração de percursos e fluxos já existentes pelos moradores para gerar desenho de paginação de piso que, ao mesmo tempo, contribuam para os visuais e interligação dos espaços externos entre si e com entorno; - Projeto de uma praça composta de área espor va, recrea va e lúdica, com intuito de atribuir o uso do equipamento além de uma biblioteca, abrangendo diversos pos de público e, assim, seguindo a proposta essencial de uma Bibliotecas Parque. - Criação de um marco arquitetônico, que considere as visuais da escala humana, através do distanciamento rua e edi cio e criação de praça no entorno; Em relação ao edi cio propriamente dito, a interligação com o meio foi dada a par r da (o): - Disposição de uma grande praça central interna, livre de pilares e com pé direito triplo; - Aproveitamento dos ventos predominantes e iluminação natural através de estratégias de conforto ambiental; - Uso de elemento de sombreamento para diminuir a insolação direta das fachadas; - Vazios na volumetria que contribuem e permitam os visuais para o entorno e aproveitamento de luz e ven lação natural; -Uso de vazios ou diferenciação de mobiliário para divisão e delimitação indireta de espaços internos sem que haja necessidade de paredes propriamente ditas, e assim prezando pelo uso mínimo de paredes. -Planta livre, ou seja, sem paredes estruturais de modo a que permi r flexibilidade e livre locação de paredes e mobiliário.
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6.5. MEMORIAL JUSTIFICATIVO Saindo do âmbito das diretrizes e entrando no de projeto, a primeira proposta realizada foi em relação ao terreno do local do projeto, já que atualmente, pode ser classificado como um superlote considerando que suas dimensões excedem até mesmo as de quadras vizinhas. Dessa forma, o terreno acaba s e comportando como um elemento de segregação, o qual prejudica a fluidez e conexão das comunidades e consequentemente com o restante da cidade. Diante disso, foi sugerida a “abertura” de três novas ruas com o obje vo de favorecer o acesso ao terreno. A primeira delas conecta a Av. Zezé Diogo com a Av. Leite Barbosa, percurso este já feito informalmente pelos moradores. A segunda rua fica paralela à Rua Ernesto Igel, e a terceira perpendicular ela. Dessa madeira, o lote passará a ter 4 frentes e acessos por todos eles, assim como seu tamanho passará de 45mil m² para
em torno de 24.500m². Uma questão bastante relevante em relação à essa proposta, é que no lote vizinho ao do projeto, encontra- se a Nacional Gás e Liquigás da Petrobrás, indústrias que apresentam grande armazenagem de gases e líquidos altamente inflamáveis, que inclusive atualmente apresentam armazenagem máxima. De fato, a realocação dessas indústrias para o Porto do Pecém está em discussão há muitos anos diante não só do risco de desastres quanto da impossibilidade da expansão de armazenagem. Por isso, para que a propostas dessas novas ruas fossem viáveis, foi analisado o Código de Obras e Posturas do Município de Fortaleza, o qual no Art. 516 determina que para Fábricas ou depósitos de inflamáveis (seção II): Art. 516 – Os reservatórios ou balões de infamáveis gasosos deverão observar os requisitos seguintes: I. Quando se tratar de grandes
predominancia de Habitações unifamiliares geminadas
N
AV. ZEZÉ DIOGO (VIA ARTERIAL)
AV. LEITE BARBOSA (VIA ARTERIAL)
A=45.000M RUA ERNESTO IGEL (VIA LOCAL)
PERCURSO NÃO OFICIAL
Nacional Gás
Petrobrás
MURO DE APROX. H=4M RUAS PROPOSTAS
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reservatórios des nados ao armazenamento de gás, para abastecimento ou redistribuição por atacado, e a pressão interna não exceder a duas atmosferas; a) a distância livre mínima entre o limite do reservatório e as divisas do imóvel, inclusive o alinhamento dos logradouros, será de 7,00m;
Sendo assim, os requisitos atualmente já estão sendo atendidos, tendo basicamente como exigência, para a possibilidade de abertura das ruas, que se mantenha o muro entre logradouro e indústria sendo de 2m de altura no mínimo.
b) haverá muro de proteção, com altura não inferior a 2,00m, entre o reservatório e as divisas d o im óv el, in c lu s iv e o a lin h a m ento d o s logradouros; II. Se o reservatório referido no item anterior ver pressão interna entre duas a seis atmosferas, a distância exigida na letra "a" do citado item terá um aumento de 20% para cada atmosfera excedente de duas;
N
A=24.500M²
Mapa 11 e 12: mapas retirados do Google Earth e modificados pela autora. Fonte: Google earth
Ventos Predominantes Insolação do Leste
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1
3 2
7
5
1.ANFITEATRO 2.HORTA 3.FONTE RECREATIVA 4.ACADEMIA AR LIVRE
Depois disso foi proposto a implantação do edi cio de modo que ele ficasse central dentro do lote e assim fosse possível gerar uma grande praça em seu entorno, a qual pudesse abranger vários equipamentos em todas as frentes do terreno. Portanto a praça externa terá o intuito de favorecer o encontro e permanência das pessoas através desses equipamentos e espaços agradáveis. Ao Norte foi posicionado o anfiteatro para a realização de eventos e apresentações ao ar livre, cujo mobiliário conterá bancos de concreto intercalados com grama para amenizar a temperatura e gerar melhor conforto térmico. Para a melhor visualização de todas direções para o palco, os bancos de concreto se posicionarão em pequenos desníveis, em patamares, onde o palco será no desnível mais baixo.Na porção Sul, foi
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4
6
5. CAMPO DE FUTBEBOL 6.FEIRINHAS 7.PARQUINHO
realocado o campo do Paulista que foi reformulado, considerando a relação dele com a comunidade que é relevante, já que se apresenta como um dos pouquíssimos equipamentos de lazer e esporte do bairro. O campo deixará de ser de terra ba da e passará a ser reves do com uma espécie de gramabermuda híbrida (Cynodon Dactylon x C. Transvaalensis), conhecida popularmente como Bermuda TifWay419, já que ela tem alta resistência ao pisoteio e rápida reuperação apos dano, assim se torna ideal para campos de futebol Um dos mo vos para essa mudança é pelo fato de que os ventos predominantes (Sudeste) levariam muitos resíduos de porira para dentro da edificalção. Ela será implantada na direção norte-sul para que a insolação nção prejudique a visulaização do me que está “contra ” o sol.
U m d o s a s p e c to s q u e to r n a e s s e equipamento interessante é que os alambrados de proteção foram subdivididos em painéis locados de forma descon nua, de modo a romper com con nuidade monótona ao mesmo tempo que se delimita e protege a área ao redor. Por essa área ser rela vamente grande e por isso foi pensado que ela também poderia abranger, além da função de campo, a de encontro e vivência de pessoas, onde poderá ocorrer piqueniques ou qualquer outro po de a vidade lúdica. Por conta dessa duplicidade de função, foi decidido que na área não haverá tabela propriamente dita ou outras delimitações. Além disso, também com intuito de relacionar ainda mais os usos dos equipamentos com as necessidades ou desejos dos moradores locais, foi disposta uma horta comunitária e uma oficina de compostagem, onde os moradores possam prover alimentos naturais, aprender técnicas de cul vo e, sobretudo, interagir entre si e com meio ambiente. Com isso, os projetos já existentes que envolvem a introdução de hortas
na comunidade são potencializadas, como o projeto Compostagem e Hortas Suspensas nas Ruas do Serviluz, apoiado pela Associação Boca do Golfinho. Além disso, foi proposta uma academia ar livre, espaço provido de equipamentos externos de academia e onde poderá haver aulas de dança ou ginás ca. Ademais, Foi pensado em um espaço des nado a fontes recrea vas e parquinho para as crianças. As fontes são basicamente jatos de água que saem do piso e assim crianças podem aproveitar para se refrescar e diver r do local. Próximo a elas, foi reservado um local para realizações de feirinhas para comercialização de produtos confeccionados pela comunidade, como forma de gerar renda para tal. Ela foi estrategicamente locada próximas a AV. Zezé Diogo, já que é a avenida de maior fluxo do entorno). O estacionamento poderá abrigar até 76 carros, sendo 2 vagas para deficiente e outras 2 para idosos por sua vez foi locado no lote vizinho ao da biblioteca, de modo a não ter espaços enclausurados e deixe mais livres as outras regiões para equipamentos de encontro e vivência da comunidade.
6.5.1 ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO SOLAR e ESTUDO DA FORMA Em relação à volumetria do edi cio, ela foi dada basicamente a par r dos condicionantes ambientais do terreno. A “liberação” do térreo por pilo s foi pensando de modo não só a favorecer a fluidez dos acessos, como também da ven lação e iluminação natural, permi ndo maior passagem de ven lação e iluminação natural dentro do edi cio. O edi cio foi implantado na direção sudeste, de forma que nenhuma fachada fosse voltada diretamente (90°) para leste ou oeste (as que têm maior insolação). Essa decisão também acabou por favorecer a entrada de ven lação
natural para a fachada sudeste (a que recebe ventos predominantes). O primeiro recurso foi o uso de janela sanfonada horizontal conhecida como janela po camarão. O diferencial, porém, é que elas serão a própria proteção solar, servindo de marquise quando abertas e ainda sendo possível graduar o tamanho da abertura. Elas serão postas em quase todas as paredes externas do primeiro pavimento, e darão dinamicidade a fachada, já que o ângulo de abertura de cada janela pode ser diferenciado. Quando totalmente fechada essas janelas serão
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“camufladas”, ou seja, a janela irá se confundir com o próprio reves mento da fachada, o que também traz um aspecto interessante à composição. A fachada, então, foi reves da com placas de ACM de cor amadeirada, imitando assim, ripas de madeira e as folhas das janelas serão também compostas por esse mesmo reves mento. A escolha desse material foi devido principalmente à leveza, versa lidade, fácil manutenção, agilidade de montagem, resistência contra corrosão (feito de alumínio) e pelo fato de que a instalação de esquadrias e o reves mento de fachadas são realizadas simultaneamente uma vez que, na maioria dos casos, o próprio fabricante de esquadrias aplica os painéis de alumínio. No restante da biblioteca foi usado o
próprio concreto armado, porém com pigmentação na cor ocre, já que se decidiu optar pela beleza da estrutura aparente e sobretudo a redução de custos e manutenção. No entanto, Na cobertura, onde existem as treliças espaciais, foram parafusadas os perfis metálicos para a aplicação de placas cimen cias, com o obje vo de esconder essa estrutura metálica. Ademais, com o intuito de “seguir a mesma linguagem” que estava sendo usada no restante do edi cio, essas placas cimen cias receberam o acabamento em textura concreto ocre, que dessa forma ficará sem as divisões entre elas demarcadas na super cie da fachada (tendo que haver mais cuidados na manutenção) e ,assim, a paredes que tem o concreto propriamente dito se “igualarão” com a textura que está aplicada sobre as placas, tornando a fachada uma super cie “única”.
Figura 40: Janela camarão ou estilo sanfonada vertical Fonte: elaborada pela autora
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A par r do esquema acima, verifica-se o volume inclinado (por conta da pla banda inclinada) da fachada voltada para a Av. Zezé Diogo a qual permite melhor uso da ven lação natural por conta de terem alturas diferentes, assim como aberturas que permitem a passagem do ar. Ademais, as marquises suspensas por cabos de aço favorecem o sombreamento dos espaços internos.
Outra medida adotada foi o uso cobogós de concreto vermelho, bem tradicional da nossa região, que além de permi r entrada de ven lação e proteção solar, também confere beleza à fachada. O desenho escolhido para tal, tem uma pequena inclinação que protege bem sobre a situação de chuva.
Outra estratégia u lizada foi o uso de telhado verde no qual amenizará a temperatura dos ambientes internos. O diferencial é que será u lizado o sistema Laminar Médio do fabricante Ecotelhado, o qual é possível armazenar a água da chuva e reciclar água do próprio edi cio na própria laje, embaixo da vegetação. Ademais, nesse sistema, são necessárias apenas pequenas porções de substrato e assim evita-se o sobrepeso gerado pelo uso de substrato ao armazenar água, diferente dos sistemas convencionais de telhado verde.
Figura 41: esquema de corte ecotelhado Fonte: website Ecotelhado
Figura 42: Janela camarão ou estilo sanfonada vertical Fonte: elaborada pela autora
Figura 43: Uso de brises verticais fixos Fonte: elaborada pela autora
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E st u d o s o l a r e d e ven lação simples, como forma de verificar em que local os vazios dos volumes seriam aplicados da melhor maneira. COBERTA
No térreo podemos verificar a estratpegia do pilo s que foi mencionada anteriormente. N o p r i m e i r o p a v. verifica-se o vazio (onde está locada a praça interna no térreo e então tem pé direito triplo). N o s e g u n d o pavimento verifica-se a a abertura externa para o primeiro pavimento que sobrecai no espaço lounge da biblioteca.
2º PAV.
1º PAV. VENTOS PREDOMINANTES SUDESTE PERCURSO SOLAR
TÉRREO
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Figura 44: Janela camarão ou estilo sanfonada vertical Fonte: elaborada pela autora
Figura 45: Estudo da forma Fonte: elaborada pela autora
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6.5.2 ESTRUTURA Em se tratando do po estrutura do edi cio, ele se cons tui de uma estrutura mista (com concreto armado e estrutura metálica), que contém uma malha de pilares locada em média de 10 metros em 10 metros, resultando em 50cm de diâmetro para pilares de seção transversal circular. Quanto a laje, foi u lizada a do po nervurada de forma aparente (sem forro), na qual permite um pé direito um pouco mais alto e este camente se apresenta a beleza do material. Em conjunto à laje, serão usadas vigas-faixa as quais terão altura igual ao das nervuras e capitéis embu dos na laje.
envolver um grande pá o interno (aproximadamente 30 metros) sem a presença de pilares. Sendo assim a estrutura espacial torna isso possível pois suportam grandes vãos assim como são rela vamente mais leves, comparadas a estruturas de concreto. Para sustentar esta estrutura foram usadas especialmente três grandes pilares que também par cipam das intenções esté cas da fachada nordeste, já que «quebram» a horizontalidade do longo volume inclinado.
( Em relação à coberta propriamente dita, foi escolhida uma telha termo acús ca do po telha Sandwich, que permite inclinações de 3% a 5% e tem Na figura 47, pode-se constatar que a laje pequenas espessuras. nervurada, para “”vencer” um vão de 10metros tem altura entre 30 a 46metros. Foi adotada, Também é interessante comentar sobre as paredes então, 34 cm de altura no caso da biblioteca. das escadas de emergência e elevadores que terão as paredes como função estrutural e por isso serão mais Já para a sustentação da coberta, foi espessas. Foram locadas duas escadas de emergência necessária a u lização de uma estrutura metálica por pavimento, distribuídas numa distância de 30 do po treliças espaciais, já que a coberta deve metros para se atender a norma de bombeiros.
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10 Figura 47: gráfico para dimensionamento das treliças metálicas espaciais Fonte: Livro Bases para projeto estrutural na arquitetura (REBELLO, Yopanan)
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Em relação à coberta propriamente dita, foi escolhida uma telha termo acús ca do po telha Sandwich, que permite inclinações de 3% a 5% e tem pequenas espessuras. Também é interessante comentar sobre as paredes das escadas de emergência e elevadores que terão as paredes como função estrutural e por isso serão mais espessas. Foram locadas duas escadas de emergência por pavimento, distribuídas numa distância de 30 metros para se atender a norma de bombeiros. Há também três elevadores (dois de serviço e um para o público).
Figura 48: desenho esquemático de treliças metálicas espaciais. Fonte: Livro Bases para projeto estrutural na arquitetura (REBELLO, Yopanan)
Figura 49: gráfico para dimensionamento das treliças metálicas espaciais Fonte: Livro Bases para projeto estrutural na arquitetura (REBELLO, Yopanan)
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Em relação às caixas d'águas, seu cálculo foi realizado segundo a Tabela de Es ma va de Consumo de Água encontrada na NBR 5626 – Instalações Prediais de Água Fria. Primeiramente o edi cio, foi classificado como edi cio público ou
área total construída (todos pavimentos)
comércio, o qual necessita de aproximadamente de 50 litros de água por pessoa diariamente. Para se es mar a quan dade de pessoas do edi cio, u lizou-se as normas do Corpo de bombeiros, o qual es ma-se que 1 pessoa por 3m². (Verificar cálculo abaixo)
litros de água por litros de água por pessoa diariamente pessoa diariamente
10.213m² = 3.404 x 50 litros x 2 = 340.400 + (0,20 x 340.400) = 476.560 3m²/pessoa n.total de pessoas na edificação
porcentagem de reserva de incêndio
quantidade de dias de vazão
1000 litros = 1m³ reservatório superior (40%) = 190.624 litros = 190m³ 476.560 litros cisterna (60%) = 285.936 litros = 285m³ 95 m³ - banheiro 01 (área 46m²) 190m³
95 m³ - banheiro 02 (área 46 m²) V=Axh
banheiro 01 : 95 m³ = 46 x h - h= 2,06 banheiro 01 : 95 m³ = 46 x h - h= 2,06
142,5 m³ - banheiro 01 (área 46m²) 285m³
142,5 m³ - banheiro 01 (área 46m²)
V=Axh cisterna : 142,5 m³ = a x 3 - a= 47,5m² Figura 50: esquema de relação caixa d’água/barrilete e cisterna Fonte: produzido pela autora.
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Um aspecto importante a se comentar é que, durante o período noturno, a parte da biblioteca que envolve a praça interna, as oficinas e o terraço do segundo pavimento ainda serão abertos ao público. Para isso, porém, é necessário que haja portões que restrinjam o acesso aos demais ambientes, como setor administra vo térreo e a biblioteca do primeiro e segundo pavimento.
Em relação a iluminação ar ficial, tanto o térreo quanto o 1 pavimento, que terão laja nervurada exposta (sem uso de forro), ela será feita com lâmpadas que se “encaixem” às fôrmas das nervuras por intenções esté cas, afim de que a estrutura e a iluminação se interliguem de maneira harmônica.
Figura 51 e 52: Projeto Estúdio Pretto Disponível em : https://www.archdaily.com/792902/estudio-prettoarquitetura-nacional
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Por fim, outro aspecto interessante é em relação à rampa externa, que na verdade tem o propósito maior do que simplesmente de passagem, como também de permanência. A cada 10 metros, haverá um patamar que se estenderá e funcionará como mini pracinhas, com bancos de concreto e mesinhas de xadrez fixos. Por darem vista direta para o campo de futebol, funcionam também como arquibancada. Em dois patamares haverá um conjunto de letreiros que formam (Biblioteca Serviluz), e cada letra terão prateleiras com livros, porém com um vidro de proteção, já que se trata de um ambiente exterior. Os patamares da rampa de convivência são na verdade montes de terra ba da que estão sendo con dos por um muro de arrimo do po pedra seca, também conhecido como gabião, o qual as pedras são unidas por arame, formando espécies de gaiolas. A escolha dessa pologia se deu por conta de seu sistema natural de drenagem e custo baixo. Além disso, foi rado par do das cores e das texturas das pedras (granito) u lizados, já que trazem aspecto natural e rús co. Há possiblidade e é desejável o crescimento de vegetação entre as pedras para a melhor compreensão das pedras e gerando também beleza à fachada, além de outros bene cios.
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No entanto, o edi cio proposto está inserido numa localidade que recebe bastante maresia e assim deve se considerar que o arame das gaiolas são feitas de aço, que por sua vez é um material muito susce vel à corrosão e por isso foi necessário que essas gaiolas recebessem camadas de reves mento de PVC para evitar o processo de correção e assim não comprometer a estrutura como um todo. Essa escolha também se deu pelo fato de que as outras alterna vas de muro de arrimo como os feitos de concreto armado terem custos muito elevados, embora tenha ó ma estabilidade. Ademais, o de alvenaria também foi considerado por ser barato, porém com a desvantagem de que ele tem menor poder de sustentação, o que não seria adequado para o projeto já que este deve conter alturas de até 4 metros, sem contar a impermeabilidade dessa opção, já que os blocos estruturais são unidos através de argamassa. Além disso, foi rado par do das cores, formas e texturas das pedras (granito) u lizadas agregando aspecto rús co e natural ao muro.
Figura 51 e 52: Projeto Estúdio Pretto Disponível em : https://www.archdaily.com/792902/estudio-prettoarquitetura-nacional
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMO, Helena Wendel. Juventude e cultura. Revista Dito e Feito. n. 4, 2001. Disponível em:<http://pjmp.org/subsidios_arquivos/outras-pjs/juventude_cultura.pdf >. Acesso em: 25 mar. 2017. AGUIAR, Deiziane Pinheiro; DE SÁ, Leonardo Damasceno. A dimensão do urbano no Serviluz e a configuração socioespacial das guerras e suas fronteiras simbólicas: a perspectiva das crianças. 2015. Disponível em: < http://eventos.livera.com.br/trabalho/98-1020348_30_06_2015_11-55-06_2602.PDF>. Acesso em: 29 abr. 2017. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências, D.O.U. 11 nov. 2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10257.htm>. Acesso em: 13 abr. 2017 CAVALCANTE, Murilo. As lições de Bogotá e Medellín: Do Caos à referência Mundial. Recife: INTG, 2013. COSME, Alfonso Muñoz. De las bibliotecas híbridas a la biblioteca global. Madrid: Actas, 2011. v. 4, p. 1-10. Disponível em: <http://eprints.rclis.org/16540/1/munoz_cosme_alfonso.pdf>. Acesso em: 03 abr. 2014. CHAVES, Nayara Veras. As opções de lazer oferecidas aos moradores da comunidade do titanzinho. 2013. 55 f. Monografia (Graduação), Faculdade Cearense, Fortaleza, 2013. GUERRA, Paula; QUINTELA, Pedro. A Cultura como alavanca de inclusão e de participação social: uma nova geração de políticas públicas de proximidade. Lisboa: Flup, 2007. v. 1, p. 1-22. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10216/53670>. Acesso em: 20 jan. 2017. MACHADO, Elisa Campos. Uma discussão acerca do conceito de biblioteca comunitária. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 7, n. 1, p.80-94, jul. 2009. Disponível em: <http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1976/2097>. Acesso em: 15 mar. 2017. MOREIRA, António Carrizo, 2013. O agora das bibliotecas públicas ou a biblioteca ágora: Bibliotecas públicas, coworking e inovação. Coimbra: Fundação Cefa, 2012. Disponível em: <http://eprints.rclis.org/20485/1/Biblioteca-agora.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2017. ROUX, Nicolas André Mesquita Cerino Carrillo Le. O edifício como articulador e constituidor da urbanidade: a biblioteca e a cidade. 2014. 109 f. Monografia (Especialização) - Curso de Arquitetura, Centro Tecnológico, Fauusp, São Paulo, 2014. Cap. 10. Disponível em:
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