CÓRREGO DO TAMBORIL PROCESSO PARTICIPATIVO PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDO DE DIRETRIZES REDE JARDIM FELICIDADE + EA UFMG
APRESENTAÇÃO
O ocupação do bairro Jardim Felicidade, na década de 1980, se deu quando ali ainda havia uma paisagem de águas límpidas, árvores frondosas e animais silvestres. As primeiras casas foram construídas pelos próprios moradores. Não havia infraestrutura pública, como escolas, postos de saúde, água encanada, eletricidade, esgoto. Todos os equipamentos que hoje ali existem são resultado da luta da população. Antes da chegada da rede de esgoto, cada morador tinha sua fossa. Ainda que pudesse haver contaminação do lençol freático, as águas do Tamboril eram razoavelmente limpas e abasteciam o bairro. Foi a chegada da Copasa, com a implementação da rede de esgoto sem interceptores que passou a poluir o Tamboril. A partir daí, a população deixou de ter uma relação de cuidado com o córrego, que passou a receber todo tipo de lixo. Hoje o córrego do Tamboril está repleto de esgoto e lixo. Ao invés de ser a fonte da vida, tornou-se um foco de doenças e uma preocupação relevante dos moradores da região. Um projeto desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte para captação do esgoto foi desenvolvido a partir do ano de 2011, mas nele foi incluído também o alargamento da Avenida Fazenda Velha, lindeira ao córrego. Em Maio de 2017 este projeto foi apresentado em audiência pública para os moradores do Jardim Felicidade. A proposta não agradou à comunidade e foi vetada, por gerar grande montante de desapropriações, desfigurar o contexto urbano, criar uma via de trânsito rápido no meio de um bairro convivial e ter alto custo de implementação. Neste momento a população demonstrou o interesse de construir um projeto de maneira participativa que conciliasse aspectos urbanísticos e ambientais, com a consequente recuperação do Córrego. O presente trabalho é o resultado, portanto, de um processo participativo realizado pela Rede de Desenvolvimento do Bairro Jardim Felicidade (REDE), em parceria com a Escola de Arquitetura - UFMG e com o apoio do projeto Manuelzão - UFMG. Entre os meses de setembro e novembro de 2017 foram realizadas práticas de discussão e análise dos desejos e necessidades da população, com o intuito de estabelecer diretrizes de melhorias para o Córrego Tamboril e seus arredores.
Vista da antiga Fazenda Velha, em região média do córrego do Tamboril.
ÍNDICE
APRESENTAÇÃO
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ÍNDICE
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O JARDIM FELICIDADE
Introdução e situação
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Dados demográficos
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Córrego do Tamboril
AÇÃO COMUNITÁRIA
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PROJETOS PARA O TAMBORIL
Proposta de 2011
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Processo participativo 2017
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PROPOSTA COMUNITÁRIA
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CRÉDITOS
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O JARDIM FELICIDADE
O Jardim Felicidade está localizado na região Norte de Belo Horizonte, a 14 km do centro da cidade e possui aproximadamente 800.000 m² de área superficial. Segundo o CENSO do IBGE, o bairro possuía no ano de 2010 15.471 habitantes. Foi reconhecido como bairro pela PBH em 2005 e ainda possui carências significativas em saneamento e serviços públicos.
Montagem de imagem aérea mostrando o Bairro Jardim Felicidade em relação ao território de Belo Horizonte
O JARDIM FELICIDADE DADOS DEMOGRÁFICOS
O Bairro Jardim Felicidade apresenta um percentual de crianças e adolescentes acima da média do município: 34% da população do bairro tem até 19 anos, contra 26% em Belo Horizonte. A alta taxa de pessoas jovens contrasta com a baixa presença de equipamentos de lazer e espaços públicos no bairro.
O JARDIM FELICIDADE DADOS DEMOGRÁFICOS
O Bairro Jardim Felicidade está entre as regiões mais pobres da RMBH e ocupa a 349º posição no quesito renda entre 480 bairros do município.
O JARDIM FELICIDADE DADOS DEMOGRÁFICOS
O Bairro Jardim Felicidade apresenta maior proporção de população negra do que na média de Belo Horizonte: 73,3% de pessoas se declaram negros e pardos, contra 52,05% no município.
CÓRREGO DO TAMBORIL
O Córrego Tamboril nasce entre os bairros Tupi e Jardim Felicidade, em Belo Horizonte. Ele tem sua foz no Ribeirão Isidora, que por sua vez desemboca no Ribeirão da Onça, contribuinte do Rio das Velhas, maior afluente em comprimento do Rio São Francisco. O Tamboril possui extensão total de 3,3 km e tem diversos afluentes, sendo o principal deles o Córrego Catulo da Paixão Cearense. O Córrego Tamboril encontra-se em sua maior extensão em canal aberto e/ou leito natural. Entretanto, não apresenta mata ciliar relevante, o que acarreta em constante erosão de suas margens e, ainda, por receber esgotos brutos e lixo, expõe a população a uma situação de insalubridade. Isto compromete vários locais de convivência, além de causar problemas de saúde com a proliferação vetores de doenças.
Vistas do córrego do Tamboril no bairro Jardim Felicidade.
AÇÃO COMUNITÁRIA
O bairro Jardim Felicidade origina-se da luta popular por direitos desde sua criação, na década de 1980, a partir do esforço de associações de famílias sem moradia. A história do bairro é marcada pelo forte senso de comunidade de seus moradores, que conquistaram ao longo dos anos equipamentos públicos como escolas e postos de saúde, asfalto, água encanada. A presença intermitente do poder público vem sendo suprida pela ação de associações, parcerias com instituições, mutirões, iniciativas particulares, e diversas outras formas de articulação de pessoas pelo bem coletivo. Hoje é possível detectar diversos pontos no bairro em que melhorias significativas foram alcançadas por esse conjunto de ações.
Rua de lazer no bairro Jardim Felicidade, realizada pela REDE, com a Escola de Arquitetura da UFMG, no segundo semestre de 2017.
AÇÃO COMUNITÁRIA
2014
2015
2014
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2017
2017
2017
Rua de Lazer coletiva à beira do córrego realizada pela REDE - Jardim Felicidade, com a Escola de Arquitetura da UFMG e apoio do Projeto Manuelzão.
Nascente à margem do córrego do Tamboril, revitalizada a partir de engajamento da população em projeto de Revitalização de Nascentes do Comitê de Bacias do Rio das Velhas.
Recuperação de área à beira do córrego, com retirada do lixo e instalação de guarda-corpo pela Prefeitura, a partir de solicitações organizadas por associações do bairro.
Região central do bairro, próximo ao ponto final das principais linhas de ônibus. A comunidade se mobilizou para transformar uma área que acumulava lixo em um jardim.
PROJETOS PARA O TAMBORIL Projeto de 2011
No ano de 2011, a Prefeitura de Belo Horizonte iniciou o desenvolvimento de um projeto para a bacia do Tamboril. Em Maio de 2017 a PBH apresentou a proposta em audiência pública com os moradores do Jardim Felicidade. Este projeto previa a construção de uma autopista de aproximadamente 30 metros de largura às margens do Córrego, gerando grande desapropriação de casas e comércio ao seu redor, além de forte impacto no trânsito e nos potenciais usos do fundo do vale. Nessa audiência pública a população negou o projeto apresentado e demandou uma proposta que conciliasse aspectos urbanísticos e ambientais, com a consequente recuperação do Córrego. Tomando como referência o projeto elaborado pela PBH junto ao Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu para recuperação do Ribeirão do Onça, na região Nordeste de Belo Horizonte, a Assembleia encaminhou pela construção de um processo participativo que estabelecesse as principais diretrizes para recuperação da Bacia do Tamboril.
Projeto proposto pela PBH para a bacia do Tamboril, com: corte tipo da Avenida Fazenda Velha; Resumo dos custos previstos; Mapa de desapropriações. Fonte: Documento apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte em Audiência Pública em maio de 2017.
PROCESSO PARTICIPATIVO
Durante os meses de outubro e novembro de 2017, a REDE Jardim Felicidade realizou, em parceria com a Escola de Arquitetura da UFMG, um processo participativo com a comunidade do bairro para estabelecer diretrizes nos projetos de intervenção do córrego. O processo contou com participação de centenas de moradores do bairro, e foi estruturado a partir de três Assembleias em diferentes pontos do bairro, de uma pesquisa de opinião realizada em diversas instituições e escolas, e da formação de um Grupo de Trabalho para aprofundamento e investigação dos pontos estabelecidos conjuntamente.
Acima: Assembléia realizada na Escola Municipal Rui da Costa Val. Embaixo: Grupo de Trabalho e formulários da Pesquisa
PROCESSO PARTICIPATIVO ASSEMBLEIAS
Foram realizadas duas assembleias iniciais em pontos estratégicos do bairro de modo a garantir a maior participação possível – a primeira na Escola Municipal Rui Costa de Val e a segunda na Escola Municipal Jardim Felicidade. Os encontros foram precedidos de ampla divulgação pela REDE com auxílio de carros de som, faixas e panfletos distribuídos aos moradores. Nessas assembleias foram apresentados o histórico de luta e as conquistas relacionadas ao bairro, os acontecimentos recentes acerca do projeto da PBH vetado em audiência pública e a proposta de construção de um novo projeto construído de maneira participativa com a população. Buscou-se abordar o sentimento das pessoas em relação ao Córrego Tamboril, suas memórias, os usos atuais e os desejos relacionados a esse rio e ao Bairro. Foram analisados, ainda, projetos de recuperação de rios de Belo Horizonte, do Brasil e de outros países, buscando em situações análogas, referências de elementos interessantes para o contexto do Jardim Felicidade e do Tamboril. Ao final destes encontros, as pessoas eram convidadas a integrar um Grupo de Trabalho que foi responsável nas semanas seguintes pelo aprofundamento e elaboração de diretrizes de projeto para o Córrego Tamboril. Também foi realizada uma terceira assembleia, na Igreja São Francisco Xavier, para apresentação do trabalho final realizado e sua validação junto à comunidade.
Assembléia sobre o projeto do córrego do Tamboril realizada na Escola Municipal Jardim Felicidade em novembro de 2017.
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
A pesquisa de opinião se deu por meio de formulários físicos preenchidos nas assembleias. Foram levantadas informações acerca da mobilidade presente no bairro, espaços de lazer, os problemas mais significativos e os principais sonhos e desejos dos moradores. Houve um total de 76 respostas.
Questionários preenchidos por moradores do bairro com questões colocadas sobre situações econômicas, mobilidade, espaços e serviços públicos.
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
Perguntados sobre seus deslocamentos dentro do bairro, a grande maioria das pessoas se desloca a pé, e de ônibus, e apenas 18% em automóvel. Para deslocamentos fora do bairro, o modo prioritário passa a ser o ônibus. Mesmo cerca de 40% das pessoas tendo declarado possuir veículo em casa, apenas 1/4 delas declararam utilizar automóveis rotineiramente - mesmo em viagens para fora do bairro, com distâncias maiores.
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
Perguntados sobre os espaços de lazer existentes no bairro, 67% dos moradores indicaram não haver. Dentre os 33% dos moradores que indicaram haver espaços de lazer, os espaços mais citados foram a academia da cidade, praças e o campo de futebol. Uma análise por fotografia aérea da região demonstra de fato haver poucos equipamentos de uso coletivo, sendo possível que as praças indicadas no questionário digam respeito à academia da cidade ou a alguma praça de pequeno porte. 62% dos moradores indicaram ter jovens ou adolescentes em casa.
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
O maior problema identificado no bairro foi lixo e esgoto no córrego, a partir da resposta espontânea em questionário aberto. Os sonhos mais presentes no questionário, feito também de maneira aberta, foram melhoria dos serviços públicos, praças e parques e a limpeza do parque.
PROCESSO PARTICIPATIVO PESQUISA
Os sonhos mais presentes no questionário, feito também de maneira aberta, foram melhoria dos serviços públicos, praças e parques e a limpeza do parque.
O processo participativo contou com a criação de um Grupo de Trabalho formado por moradores, participantes da REDE e da Escola de Arquitetura da UFMG. A partir de expedições às margens do Córrego e encontros de análise do material coletado, foi proposta uma setorização da extensão do Tamboril em 10 trechos, com características ambientais, sociais e urbanísticas específicas, sendo ressaltadas para cada um as principais potencialidades e carências. Esta análise é apresentada a seguir, junto a propostas de intervenção, com imagens de projetos análogos, como referência. As propostas levam em consideração o contexto atual do território, valorizando as práticas já existentes e propondo novos elementos que contribuam principalmente com a convivência no espaço público – calçadas mais largas, mais pontos de travessia do córrego, redução da velocidade de circulação de veículos (inclusive com áreas de circulação mista), espaços de lazer, praças, alamedas, jardins e hortas comunitárias, etc; e com a conciliação de elementos ambientais e urbanos – recuperação de nascentes, interceptação de esgoto, dispositivos de drenagem de água de chuva dispersos ao longo de toda a bacia (complementando as estruturas tradicionais com jardins de chuva e biovaletas), tratamento das margens e do leito por técnicas que preservem sua estrutura natural e favoreçam o contato – visual e físico – com o Córrego. De maneira geral, as propostas visam aprender com a experiência dos bons projetos do DRENURBS, como o Parque Nossa Senhora da Piedade e 1º de Maio, acrescentando uma maior integração dos elementos naturais na paisagem e vida cotidiana do bairro. Alternam-se situações de maior e menor preservação dos elementos naturais ou de uso urbano, de modo que alguns trechos têm características de parque e outros mantém aspectos de bairro. Quanto mais fluida a transição entre um modo e outro de ocupação, mais interessante para inserção do Córrego de maneira positiva no imaginário coletivo dessa comunidade e sua consequente revitalização.
PROPOSTA COMUNITÁRIA
TRECHO A - CABECEIRA
SITUAÇÃO ATUAL A área de cabeceira do córrego do Tamboril é um conjunto de nascentes dispersas, atualmente localizadas em fundos de lote, em quintais particulares. Muitas das nascentes têm sua água destinada ao uso doméstico, em bicas e cisternas. Antigamente a região tinha um aspecto de brejo, constantemente alagada. Hoje o córrego está canalizado e inteiramente coberto neste trecho, sob um aterro sem pavimentação, onde houve a construção de casas e a criação da rua Tamboril.
TRECHO A - CABECEIRA
PROPOSTAS Dada a importância da recuperação e proteção das nascentes, consideramos que esta área tenha potencial para a criação de um parque, onde o córrego seja descoberto e a vegetação restaurada. Sugerimos uma referência à situação original de brejo: abertura de diversos caminhos de água e estratégias que favoreçam a infiltração da água de chuva, como recuperação de solo permeável e criação de áreas de detenção de pequena escala.
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Parque das Águas - BH 3
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1: Parque das Águas, BH; 2: Parque 1º de Maio, BH ; Parque das Águas, BH; 4: Parque N.S. da Piedade, BH
TRECHO B - DIVISA COM TUPI
SITUAÇÃO ATUAL A partir deste trecho o córrego está a céu aberto, com uma pequena extensão em leito natural e o restante canalizado, tendo como estratégias de contenção o gabião e solo-cimento ensacado. Há muito lixo, assoreamento e problemas de deslizamento de encostas, apresentando risco para algumas casas. Na divisa com o Bairro Tupi há uma área que foi objeto de projeto realizado com recursos do Orçamento Participativot: via pavimentada, uma pequena praça e uma passarela metálica.
TRECHO B - DIVISA COM TUPI
PROPOSTAS Tendo a interceptação de esgoto e ações de manejo de resíduos sólidos como pressupostos, sugerimos a criação de situações de contato das pessoas com a água do córrego, com acesso direto ao leito. Recomenda-se a melhoria das contenções de encostas, o incremento da vegetação e a reestruturação da praça, com a utilização da água como elemento paisagístico e lúdico.
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1: Parque do Caiçara, BH; 2: Parque N.S. da Piedade, BH ; 3: Praça Prof. Godoy Betônico, BH; 4: Parque 1º de Maio, BH
TRECHO C - FAZENDA VELHA
SITUAÇÃO ATUAL Região conhecida como Fazenda Velha, é o núcleo inicial de ocupação do bairro. Na margem esquerda a área conserva seu paisagismo de fazenda, com árvores frutíferas de médio e grande porte. O terreno tem a topografia preservada, sem via de acesso de veículos, com pequenas trilhas para pedestre. Leito e encostas do córrego encontram-se em estado natural. Na margem direita há casas em situação de risco e ausência de interceptação de esgoto, além de uma via para veículos sem pavimentação.
TRECHO C - FAZENDA VELHA
PROPOSTAS Local de interesse histórico e ambiental, potencial para criação de parque. Sugerimos que se mantenha a restrição para veículos, com a criação de trajetos que aproximem as pessoas do rio e levem a outras atrações e atividades de lazer. Ressalta-se a preservação do leito natural e da vegetação existente e a necessidade de interceptação de esgoto e de controle de encostas. Será necessário avaliar a situação das casas em encostas muito íngremes e considerar a possibilidade de realocação dessas famílias para alternativas habitacionais na região.
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1: Parque das Águas, BH; 2: Parque 1º de Maio, BH; 3: Parque N.S. da Piedade, BH; 4: Parque 1º de Maio, BH
TRECHO D - TALUDE DE CONCRETO
SITUAÇÃO ATUAL Este trecho destaca-se por uma extrema aridez, com pouca arborização e um grande talude concretado como solução de contenção de encosta na margem direita. Parte do leito do córrego encontra-se em estado natural e outra canalizada. Uma pequena passarela para pedestres liga uma margem à outra e há via asfaltada para carros nas duas margens.
TRECHO D - TALUDE DE CONCRETO
PROPOSTAS Propõe-se aqui a criação de áreas de sombra com incremento da arborização e uso de pergolados. Sugerimos alternativas de conteção das encostas que funcionem também como solução para o acesso das pessoas à calha do rio, vencendo o desnível com degraus permeáveis, que funcionem como canteiros ou pequenas arquibancadas.
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1: Parque N.S. da Piedade, BH; 2: Dique no Rio Loučná, Rep. Tcheca; 3: Parque Alexandrina Maria Coutinho, BH;
TRECHO E - PONTO FINAL DO ‘R’
SITUAÇÃO ATUAL
O ponto final do ônibus 1505R, principal linha que liga o bairro ao centro da cidade é um importante local de convivência no Jardim Felicidade. Há uma travessia para carros que promove articulação entre as margens do córrego, dá acesso à Igreja Católica, às escolas Municipais e ao setor comercial. Nesta área estão localizadas as sedes de duas instituições comunitárias relevantes (Casa Recriar e Coletivo da Juventude), um campo de futebol e uma “academia da cidade”. Recentemente houve ali um movimento da população de transformação de um “lixão” em um jardim, hoje de manutenção coletiva.
TRECHO E - PONTO FINAL DO ‘R’
PROPOSTAS
Consideramos que este local tenha potencial de se configurar como uma grande praça, ponto de encontro e área de referência no bairro. Sugerimos a criação de espaços específicos de lazer e de permanência de pedestres, mas também a redução do limite de velocidade de carros neste local, de modo que a rua possa ser entendida como espaço compartilhado também pelas pessoas e bicicletas. Uma pavimentação diferenciada deve sinalizar este caráter misto da via. No trecho situado aos fundos da Casa Recriar, hoje não pavimentado e sem circulação de veículos, sugerimos uma integração com o espaço interno da Casa, com atividades para jovens, como pista de skate e arquibancada para cinema comunitário ao ar livre. 1
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1: Praça Getúlio Vargas, São Miguel - SP; 2: Parque da Maternidade, Rio Branco, AC ; 3: Parque N.S. da Piedade, BH; 4: Parque dos Povos da Floresta, Rio Branco - AC
TRECHO F - RUI DA COSTA VAL
SITUAÇÃO ATUAL Neste trecho há um desnível entre uma margem e outra do córrego,v v o que configura uma diferença de ambiência entre um lugar e outro: a margem direita, mais baixa, com atividades mais restritas aos moradores locais e a esquerda, mais elevada, com fluxo intenso de pessoas e veículos. A área como um todo apresenta problemas de drenagem, com inundações recorrentes da via da margem direita, principalmente.
TRECHO F - RUI DA COSTA VAL
PROPOSTAS Propomos a manutenção da característica de fluxo local para a margem direita, com restrição de acesso a veículos nesta área. Para as duas margens, tratamento das calçadas com maior arborização e vegetação. Pisos drenantes e jardins de chuva alinhados em sequência devem auxiliar no controle local de inundações.
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1: Rio Belém, Curitiba - PR; 2: Rio Cheonggyecheon - Seul ; 3: Praça Youville, Montreal - Canadá ; 4: Parque do Caiçara, BH
TRECHO G - COMERCIAL
SITUAÇÃO ATUAL O local é conhecido como área comercial, tem importante fluxo de pessoas e veículos. Na margem esquerda, percebemos uma calçada mais larga do que nos demais trechos, um guarda-corpo ao longo do córrego e bancos junto ao ponto de ônibus. Estes elementos e a boa arborização são bons atrativos para a permanência de pessoas. A margem direita não possui via de acesso a veículos à beira do córrego e apresenta problemas de conteção de encostas, com casas em situação de risco.
TRECHO G - COMERCIAL
PROPOSTAS Para a área comercial, propomos a manutenção das características existentes com renovação da pavimentação e incremento da iluminação e do mobiliário urbano. Sugerimos a criação de passarelas de pedestre para conexão com a margem direita, que pode se configurar como uma extensão da área de permanência de pedestres. Neste local, consideramos importante implementar soluções para contenção das encostas, associadas a uma estratégia de contato com o leito do rio, como já sugerido em outros trechos.
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1: Praça da Savassi, BH; 2: Rio Kallang, Singapura ; 3: Parque do Caiçara, BH
TRECHO H- RESIDENCIAL ARBORIZADO
SITUAÇÃO ATUAL Este é um trecho residencial, bastante arborizado, com circulação de veículos apenas na margem esquerda do córrego. Não há área para lazer ou permanência de pessoas e a calçada é muito estreita para o fluxo de pedestres do local.
TRECHO H- RESIDENCIAL ARBORIZADO
PROPOSTAS Propomos priorização dos pedestres e maior segurança para as crianças, com trânsito local de baixa velocidade e calçada larga. Canteiros/jardins de chuva podem ser incorporados em estratégias de traffic calming. Importante avaliar a condição de algumas moradias, do lado direito, que podem estar em situação de risco.
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1: Córrego das Pitangueiras, S.J. do Rio Preto - SP; 2: Tucson, EUA; 3: Parque N.S. da Piedade, BH; 4: Rio Belém, Curitiba - PR
TRECHO I - NASCENTE E ESCOLA J. FELICIDADE
SITUAÇÃO ATUAL Neste trecho há uma nascente muito utilizada pela comunidade, que foi recentemente revitalizada e teve seu entorno transformado em rua de lazer. Localizada aos fundos de uma escola municipal e próxima a uma UMEI, a área é muito frequentada por crianças e jovens. Do outro lado do córrego há um curral, geralmente bastante usado pelos carroceiros que atuam com resíduos sólidos no bairro.
TRECHO I - NASCENTE E ESCOLA J. FELICIDADE
PROPOSTAS Sugerimos a valorização do caminho já percorrido pelos moradores neste trecho, com melhor estruturação da rua de lazer (brinquedos, mobiliário, iluminação, tratamento do piso) e um processo de vinculação comunitária do curral em formato de fazenda-escola, que poderá envolver os carroceiros, professores e alunos da Escola e da UMEI.
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1: Bairro Floramar, BH; 2: Alemanha ; 3: Parque da Água, Bucamaranga - Colômbia; 4: Dique no Rio Loučná, Rep. Tcheca
TRECHO J - FOZ NO IZIDORA
SITUAÇÃO ATUAL Trecho de foz do córrego, que desagua no Ribeirão da Izidora. Área residencial, trânsito local, com vias não pavimentadas. Há um esforço da comunidade em manter as margens do córrego com o cultivo de jardins.
TRECHO J - FOZ NO IZIDORA
PROPOSTAS Sugerimos a criação de uma praça neste local, com estruturação dos jardins existentes, plantio de árvores de grande porte ao longo do córrego, conformando uma alameda, mobiliário e áreas de sombra. Consideramos importante manter o acesso restrito para carros, priorizando a circulação pedestre entre a praça e o campo de futebol, a escola, a nascente, a rua de lazer, a UMEI e o curral.
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1: Rio Aire, Genebra - Suiça; 2: Rio Neckar, Ladenburg - Alemanha ; 3: Parque 1º de Maio - BH; 4: Rio Ahna, Kassel - Alemanha
CRÉDITOS
O presente trabalho é o resultado de um processo participativo realizado pela Rede de Desenvolvimento do Bairro Jardim Felicidade (REDE), em parceria com a Escola de Arquitetura - UFMG e com o apoio do projeto Manuelzão - UFMG. GRUPO DE TRABALHO: REDE / Moradores Jardim Felicidade: Antônio Ruas, Ana Paula de Castro, Cleiton Henriques, José Américo de Sousa, Luciana da Silva Gomes, Maria de Paula Santos Chagas, Maria Luisa Lelis Moreira, Pollyana Oliveira do Carmo. Águas Comunitárias - Escola de Arquitetura - UFMG: Baruc Geremias, Elisa Marques, Michelle Mayrink, Mariana da Rochha, Roberto Andrés.