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Outro Estilo ed.5

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HANNE SAGSTUEN

EM UM ENSAIO OUTONO FOLK-GRUNGE

5

MELHORES

SANDUÍCHES

DE SÃO PAULO

POR FELIPE YUNG FLIP

EXCLUSIVO

CHOQUE CULTURAL BAIXO RIBEIRO, MARIANA MARTINS E EDUARDO SARETTA EM UMA ENTREVISTA HISTÓRICA E INÉDITA

DJ FOCKA | NBOX | LINGERIE + ÓCULOS + MEIAS | TOCA-DISCOS | JAIR BORTOLETO | PSYCHO CARNIVAL | SNEAKERS

outroestilo.com.br

9 780021 766925

edição 05 | R$ 9,90

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#05


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outono 2011

pg. 8

indiCE FOtO AlExAndrE viAnnA

editorial staff/colaboradores night photos top 6 preferências choque cultural sneakers br psycho carnival priscila miruko jair bortoleto gastronomia meias nbox add to cart hanne sagstuen drinks pra parede roger marx night photos

edição 5

Essa edição da revista Outro Estilo tem duas capas. Uma com a tatuadora Priscila Miruko, e outra, inspirada na capa do disco dos Beatles “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, com os artistas da Choque Cultural.

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EDITORIAL

UMA DAS CAPAS DESSA EDIÇÃO é uma imagem histórica com os artistas da Choque Cultural reunidos, clicados pelo fotógrafo Alexandre Vianna, para marcar a principal entrevista desta edição.

ZEITGEIST. Uma palavra alemã, cuja tradução para o português requer uma frase inteira: espírito de uma época. E, olhando para essa imagem emblemática da Choque Cultural, o termo Zeitgeist é uma das primeiras definições que vêm à mente. A homenagem à famosa capa dos Beatles, do álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, não é meramente estética: há também uma relevância artística, social e cultural no trabalho desenvolvido pela Choque Cultural. “Essa arte jovem é o novo rock and roll”, palavras de Mariana Martins, sócia-fundadora da Choque, ao lado do marido Baixo Ribeiro e do amigo Eduardo Saretta. É essa história que decidimos contar nessa edição. A história de uma galeria de arte com um projeto nascido e pensado para o século XXI, que enxerga, fomenta e divulga a arte como estilo de vida. A revista Outro Estilo é também resultado desse momento da cultura jovem, acreditando e vivendo esse mesmo lifestyle. Por isso resolvemos entrevistar as cabeças por trás do projeto, relevante e influente, e que dialoga diretamente com o nosso público. Contar uma história que precisa ser contada com detalhes, que muitas vezes passam despercebidos pelos blogs e fotologs do mundo virtual. Uma história que é, essencialmente, a de um outro estilo de viver.

1. RAFAEL SILVEIRA 2. PJOTA 3. MZK 4. ZANSKY, BASE V 5. DANIEL MELIM 6. STEPHAN DOITSCHINOFF 7. DANIEL CUCATTI, SHN 8. EDU SARETTA 9. SPETO 10. DANILO OLIVEIRA, BASE V 11. ROGÉRIO CDR, SHN 12. WHIP 13. TITI FREAK 14. DAVID MAGILA, BASE V 15. CARLOS DIAS 16. FELIPE LOPEZ 17. BRUNO STORT 18. JACA 19. MESTRE JULIO SANTOS

20. PRESTO 21. MARCELO FAZOLIN, SHN 22. NOVE 23. EMERSON PINGARILHO 24. HAROLDO PARANHOS, SHN 25. CHIVITZ 26. CAMILA MINHAU 27. ZNORT 28. YUMI 29. REBECA SANTOS 30. RAMON 31. MAGOO FELIX 32. SILVANA MELLO 33. CARLA BARTH 34. RAFAEL COUTINHO 35. FEFE TALAVERA 36. ZEZÃO 37. BAIXO RIBEIRO 38. MARIANA MARTINS


PH Matias Stoliar *REITE: Contrair os músculos faciais em conseqüência de uma impressão de alegria. / Assumir expressão alegre.

A D R U S B A RRE O C ES


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staff

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1. AlexAndre ViAnnA, fotógrafo, jornalista, um dos principais skatistas profissionais da década de 90 e diretor de conteúdo da Editora ZY. Trabalha para deixar um legado cultural dessa sua passagem pelo Planeta Terra. 2. MArcelo ViegAs, é cientista social e jornalista. Editor da revista CemporcentoSKATE, participa da editoria coletiva dessa publicação que você tem em mãos. Faz parte do blog Zinismo, toca numa banda de rock pauleira (ästerdon) e é viciado em Nicorette. 3. douglAs l. Prieto, nasceu bem perto das margens plácidas do Ipiranga em 1974. É redator da Editora ZY. Pai há oito e marido há dez anos, formado em Propaganda e Marketing, encontrou tempo onde achava que não existia e voltou pra escola em 2011, para cursar pós graduação em Jornalismo. 4. luizA sAlAti MAnfrinAto, 25 anos, nasceu em Piracicaba (SP), e hoje mora na capital. Já fez produção para vídeos, estudou Naturologia e trabalhou numa galeria de arte. Pela segunda vez consecutiva, assina a produção da revista Outro Estilo. 5. dAVid toledo, paulistano, fez história como skatista profissional, foi um dos produtores do documentário Dirty Money e hoje trabalha com produção e assistência de fotografia.

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9 6. guilherMe theodoro, é publicitário pós-graduado em design gráfico. Diretor de arte da Editora ZY, trocou recentemente as noites de leitura pelas incessantes trocas de fralda do Gustavo. 7. AtillA choPA, 32 anos, é fotógrafo autodidata. Um dos grandes nomes da fotografia de skate no Brasil, em 2010 resolveu aprimorar seus conhecimentos, ingressando no curso de bacharelado em fotografia, no Senac. 8. hoMero nogueirA, é um dos mais experientes fotógrafos de skate do Brasil. Com 35 anos, sendo 15 deles dedicados a fotografia, continua lutando pelo respeito e reconhecimento da categoria. Pretende, o quanto antes, correr uma maratona e fazer uma tatuagem, não necessariamente nessa ordem. 9. renAto custodio, é skatista, fotógrafo e “motorista”. Irmão do Marcio e do Gilberto, adquiriu com eles o conhecimento da boa música e incluiu no seu dia-a-dia pelas ruas. 10. Vinicius Albuquerque, 28 anos, é jornalista. Há 8 anos no mercado de Skate, é Diretor de Publicidade e Marketing da Editora ZY. Fã de wakeskate, tem como meta finalizar a primeira metade de seu livro ainda esse ano.

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Rise With The Fallen James Hardy fallenfootwear.com.br


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COLABORADORES

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1. GUSTAVO ZYLBERSZTAJN, paulistano, 34 anos, autor das fotos do editorial “Hanne Sagstuen em um ensaio Outono Folk-Grunge”, vem colaborando no mercado há quase uma década. Faz de seu trabalho seu hobby, sua paixão.

9. ANA PAULA NEGRÃO, 33 anos, fotógrafa e produtora. Mora em Los Angeles. É artista da Galeria do Consulado Brasileiro em LA e baixista da banda As Catantes. Adora esportes, aventuras, viajar e Harley-Davidson’s.

2. GABI GARCEZ, é designer, pesquisadora e professora de moda. Gosta de bancar a jornalista de vez em quando, para registrar a cultura e os estilos de vida de hoje.

10. RENATO RIANI, 31 anos, nascido em Guarulhos/SP, fotógrafo, skatista frustrado, viciado em café e adepto do ócio criativo.

3. RODRIGO JUSTE DUARTE, mais conhecido como Digão, tem 35 anos, nasceu em São Paulo e radicou-se em Curitiba aos 17. Dedica suas atividades jornalísticas à cena cultural da cidade, principalmente como repórter, assessor de imprensa e fotógrafo. É o autor das fotos do Psycho Carnival desta edição.

11. ALDINE PAIVA, 33 anos, jornalista de moda e stylist. Nasceu em São Paulo e desde a maternidade foi contaminado pelo aço e concreto, desde então o lifestyle urbano domina sua vida. Quando era criança comia sabonete, na adolescência trabalhou como ator e há dez anos se apaixonou pela possibilidade de usar as roupas como mídia.

4. JULIANA SASSI, 23 anos, formada em jornalismo e ensaiante a cientista social. Escreve para revistas de educação, política e economia, e agora está se arriscando por outras áreas.

12. CAMILA RIBEIRO, 25 anos, trabalha com cabelo e maquiagem e é formada em moda. Apaixonada por beleza, entre pincéis e grampos se diverte na criação de looks despojados. Virou colaboradora da revista OE depois que maquiou a galera do documentário Dirty Money.

5. JUNIORWM, o Dr. Drinks do site Papo de Homem, é mixologista e ex-bartender. Por 8 anos trabalhou atrás do balcão com o prazer de servir e animar a festa alheia. Hoje produz conteúdo em vídeo sobre mixologia, ensinando e popularizando a arte e os segredos de um bom cocktail. www.papodehomem.com.br 6. DIOGO BRASILIANO, 24 anos, diretor de estilo da Agência Tout (atout.com.br) e pai da Beatriz, assina o editorial de moda “Hanne Sagstuen em um ensaio Outono Folk-Grunge” nessa edição da OE. 7. ANDRÉ BUENO, paulistano, skatista e Repórter Fotográfico, formado em Propaganda e Marketing e se especializando em “Gestão da Comunicação: Políticas, Educação e Cultura” na USP. Fotografa para as Agências de Fotojornalismo Estado e Folhapress.

13. LUIZ COSTA, mora em São Paulo, nasceu em São Paulo e quer morrer em São Paulo! Se especializou em fotografar pessoas nas melhores casas noturnas da cidade devido a variedade de tipos e situações que esse ambiente pode proporcionar. 14. THOMAS LOSADA, 31 anos, é videomaker, skatista e artista gráfico. Gosta de músicas mofadas e está sempre viajando em busca de lugares inusitados pelo Brasil, tanto pra trabalhar quanto pra se divertir. Nessa edição da OE, fez a diagramação de algumas matérias.

www.andrebueno.com.br

15. FLÁVIO GRÃO, educador, fanzineiro e desenhista/pintor. Criado no ABC Paulista, atualmente reside na Vila Mariana, mas não esquece suas raízes. Nessa edição da revista, participou da entrevista da Choque Cultural.

8. DHANI B, um dia gostaria de ser garoto propaganda da bebida Bum Bum Alcoólico, mas até isso acontecer, se contenta em ser fotógrafo freelance e professor de fotografia em projetos sociais como a Escola dos Fotógrafos Populares no Complexo do Maré.

16. TIDE MARTINS, 23 anos, é maquiador e cabeleireiro. Apaixonado por imagens, adora usar seus pincéis e tesouras para embelezar uma mulher. Atualmente trabalha no Salão Capitu Cabelo, em São Paulo.

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www.mariagarcia.com.br


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night photos

fernando pappi

fernando somer

guilherme fogagnoli

decapital

fotos luiz costa

bret frederick

reginaldo 16 toneladas e gustavo ballestĂŠ

ammie graves

bruno dum e ranny gurjol

felipe boi, fernando kakehi e andrĂŠ bugalu

edu leite e isabela

dj layo rubio e any

fe pin e propulse

veronica kirkovics ferdi gi

gigante guedes

larissa, chacal e athena

javier rial

caca toledo e cuca couto


marCelini monteiro

Carol marques, Claudia putinato e maria paula

osCar bueno

gabi bassani e paulo

ana paula lima

Camila zanon e van nobre

ro Clash

Carlos troya

mariana d’oliveira e Cassiano bonjardim

juliana oliveira e amiga

thais ferreira lima e rafael galvĂŁo


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TOP 6 TExTO mARCELO ViEGAS E FOTO ATiLLA CHOPA

DJ FOCKA Pergunte no Baixo Augusta, região boêmia de São Paulo, quem é o Eduardo Ferreira. Ninguém, ou quase ninguém, saberá responder. Agora pergunte pelo DJ Focka e vai perceber a diferença. Figura carimbada no cenário underground paulistano, Focka vem animando festas roqueiras desde os anos 90, tendo no currículo passagens por casas noturnas como SubJazz, CB, Torre do Dr. Zero, Berlin, Funhouse, Gloria, Nox (Recife) e Black Box (BH). No exterior, já discotecou no Buffalo Bar (Londres) e Engine Room (Brighton). Hoje, aos 38 anos, o filho da Casa Verde, zona norte de SP, é residente nas festas Rockfellas (Vegas), On The Rocks (D-Edge), Dale! (Alberta) e 6 Degrees (Lions). Eis seu setlist para o Top 6.

C

M

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CM

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CY

CMY

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1

música pra levantar a pista

2

música que toda noite é pedida

3

música que você adora, mas nunca discotecou

“Puss ‘N’ Boots” - New York Dolls

“Psycho Killer” - Talking Heads

“Kiss The Bottle” - Jawbreaker. Acho ela linda, mas não tem nada a ver com pista

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música que você mais tocou até hoje “Blitzkrieg Bop” - Ramones

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bandas novas que recomenda

6

música que melhor define a noite de sÃo paulo

The Maccabees, The Virgins e The Floor Is Made Of Lava. Ah, e acho bem legal o último disco do Arctic Monkeys

“Death Or Glory” - The Clash


LO JA B I L L A B O N G O S CA R F R E I R E R . O S CA R F R E I R E , 9 0 9 - JA R D I N S TEL: (11) 3081-2798


outono 2011

pg. 20

preferĂŞncias texto marcelo viegas e fotos dhani borges


Dos shows quentes (literalmente) no Hotel Pelourinho, em Salvador, em meados dos anos 90, até o palco do VMB, para um dueto com Erasmo Carlos, em 2009. A trajetória de Érika Martins atravessou esses extremos, que conduzem do underground ao mainstream, mas sem perder as raízes. No caso da cantora paulista, criada na Bahia e atualmente morando no Rio de Janeiro, o essencial foi preservado: do início da caminhada ao lado da banda Penélope Charmosa (depois virou apenas Penélope) até o atual estágio da sua carreira solo, a sonoridade não foi adulterada. A voz doce, à serviço do rock and roll, é marca registrada desde os primórdios, ainda que hoje o tom seja muito mais soft. Casada há nove anos com o músico Gabriel Thomaz, Érika prepara-se para entrar em estúdio para as gravações do seu segundo disco solo, além de dividir o palco com o maridão, no projeto Lafayette e os Tremendões. Não pára por aí: ainda sobra tempo pra conduzir um inusitado Karaokê orgânico intitulado Chuveiro in Concert e estreou recentemente, na Cidade Maravilhosa, o show Modinhas. Confira as preferências da cantora.

ET no nicho “Fiz esse nicho especialmente pro meu ET, queria que ele ficasse no meio da sala, achei divertida a ideia!”


Objetos antigos de cias aéreas “Frasqueiras e bolsas da Japan Airlines e TAP, porta fita cassete da VARIG e, o mais legal na minha opinião, talheres da Transbrasil, VARIG, VASP e etc. Super achados em antiquários e feiras de antiguidade!”

A vista da nossa janela “Às vezes estou viajando por tanto tempo, que até esqueço onde estou... daí, olho pela janela e não tem como não lembrar que cheguei no Rio!”

Coleção garrafas de refrigerante + engradados + mini Coca-Cola “Tem várias coisas especiais: garrafas e engradado dos anos 70 do Grapette, garrafinhas de Coca-Cola... Acho muito legal também o engradado da Afri Cola que veio diretamente da Alemanha.”

Cílios Postiços “Diretamente de Buenos Aires, são originais dos anos 50/60, com embalagem e tudo! Adoro os dizeres: ‘Cosmética Científica’! Um luxo!”

Fofolete “Essa é dos anos 80 e herdei da minha irmã mais velha. O mais incrível é que vivendo essa época atual chata do patrulhamento, ela não escaparia jamais! A embalagem era uma caixa de fósforo, com uma foto de várias Fofoletes segurando cigarros! No folheto que vinha dentro, ela aparecia numa mesa de jogos, apostando, bebendo champanhe, brincando com fogo... Sensacional!”

Geloso “Gravador de rolo portátil rosa da marca italiana Geloso, anos 50. A propaganda da época, mostrava uma pessoa no avião, gravando com um microfone. Era super novidade um gravador menor e mais leve que ia a todos os lugares.”

Quadro moldura amarela “Tem um super destaque na nossa sala. Foi feito pelo meu pai nos anos 70.”

Bolsas “Sou apaixonada por bolsas, tenho mais de 100! Mas sou extremamente seletiva e gosto de exclusividade - a maior parte é antiguinha mesmo (anos 60, 70 e 80). Tenho várias de baquelite, que são bem raras, mas a cereja do bolo é uma bolsa revista dos anos 70 (era moda na época), eu nunca vi outra igual.”

Lou Reed – “Pass Thru Fire: The Collected Lyrics” “Livro com as letras, a edição é linda. Foi o primeiro presente que o Gabriel me deu, logo quando começamos.”


Gabriel Thomaz é sinônimo de Rock! Nascido em Brasília, uma cidade que nos anos 80 ditou os rumos do Rock nacional, Gabriel enfrentou uma realidade bem diferente nos anos 90, quando tocava no Little Quail and The Mad Birds: “quando a gente começou, o Rock era uma coisa bem fora de moda, tava todo mundo na onda da lambada e do axé”, afirma. “Nossa geração deu nova vida ao Rock de Brasília”. Sua escolha de vida estava feita, e desde então vem batalhando no cenário musical: com o Autoramas, banda que fundou em 1997, construiu uma sólida carreira. São quatro álbuns oficiais, coletâneas editadas na Argentina, Japão e Europa, além do CD “MTV Apresenta Autoramas Desplugado”. O Power trio já rodou por todos os estados brasileiros, e também cruzou a fronteira, com tours no Japão (ao lado do Guitar Wolf), Europa e América do Sul. Outro projeto de destaque no currículo é a banda Lafayette e os Tremendões, na qual toca ao lado da esposa Érika Martins, e que já tem um CD lançado. O casal mora num apartamento na Glória, no Rio de Janeiro, e foi de lá que Gabriel listou suas coisas preferidas.

Quepe “Pertenceu ao meu avô, que era Coronel Aviador da Aeronáutica. Guardo com muito carinho.”


Som-Game “Essa é uma bizarria dos anos 80, um amplificador com um tape-deck acoplado, com várias entradas pra microfone. Em Brasília, gravei um monte de bandas com esse aparelho, e a qualidade era bem legal!”

Máscara do Daddy-oGrande autografada “É muito legal porque é uma máscara de lucha libre que não é de um lutador, e sim de um guitarrista. É um modelo exclusivo dele. Tocamos com ele na França e voltei pra casa com a máscara na bagagem.”

Coleção de Zines “Junto essas tralhas desde moleque, tenho 5 pastas com um monte de zines guardados, os que mais gosto são os mais antigos, início dos anos 80...” Estante de singles (ou compactos, ou 7 polegadas) “É o meu formato preferido quando compro discos, tenho um montão...”

Pôster “Me Deixa De Quatro” “Uma vez fomos tocar em Manaus, e entrei num sebo que tinha um monte de posters originais de pornochanchadas brasileiras dos anos 70. Comprei todos e distribuí entre os amigos, esse foi o que eu escolhi aqui pra casa.” Prêmio da MTV “Foi um momento muito feliz, quando fomos um dos artistas mais premiados no VMB em 2005, com o nosso clipe de ‘Você Sabe’, que realmente foi muito bem feito pelo grande Luis Carone.”

Carteira do Devo “Souvenir de uma das minhas bandas preferidas.”

Cadeira de avião “Essa meu avô também é responsável. Ele conseguia várias peças de aviões desmontados, e minha mãe transformava em peça de decoração. Desde que nasci me acostumei a ter essas coisas em casa, mas só comecei a entender como isso era diferente e único vendo a reação das pessoas que vinham à minha casa.”

Calendário do Guitar Wolf “Os japas todo ano lançam um calendário, e nas datas têm os aniversários de grandes astros do Rock como Elvis, Joan Jett, Iggy Pop... E tem o meu aniversário também! Fiquei muito feliz de ser incluído nessa lista.”


outono 2011 pg. 28

EntrEvista

intrO MarCElO viEGas EntrEvista MarCElO viEGas, alExanDrE vianna E FláviO GrãO FOtOs arquivO ChOquE Cultiral

CHOQUE CULTURAL

ARTE

COMO ESTILO DE VIDA Dizem que três é um número mágico. E foi justamente com a união de três cabeças que nasceu a Choque Cultural. Mariana Martins, Baixo ribeiro e Eduardo saretta. Juntos implantaram no Brasil um novo conceito em Galeria de arte. Jovem e apta a dialogar com a atual geração, a Choque na verdade vai além do habitualmente esperado de uma Galeria. Faz mais. E faz bem feito. tudo começou em 2003, com a Editora Choque Cultural. O espaço expositivo só veio um ano depois. instalada desde então no bairro de Pinheiros, na capital paulista, a Choque acompanhou, difundiu e incentivou a ascensão do novo cenário da arte contemporânea brasileira. Em pouco tempo conseguiu mostrar muito serviço: fez e continua fazendo história, ao lado de artistas talentosos que encontraram na Choque uma parceira ideal para seus projetos. Para conhecer melhor essa história (e também as pessoas por trás dela), a revista Outro Estilo fez uma tripla entrevista, exclusiva e inédita. Pela primeira vez os três sócios juntos na frente de um gravador. nada mais justo, afinal foi unindo forças - e ideias, muitas ideias - que formataram e construíram a Choque Cultural, um novo modelo de Galeria, que enxerga, estimula e promove a arte como estilo de vida.


Na pรกgina ao lado Obras do artista Znort Nessa pรกgina Acima obra da artista Carla Barth e ao lado Silvana Mello


PRÉ-CHOQUE

“A Choque é uma invenção da Mari. Como somos casados há muito tempo, é lógico que formamos a coisa juntos, mas realmente a Mari é quem tem essa ascendência das Artes Plásticas, pai artista (Aldemir Martins), viveu no contexto da arte brasileira desde a infância.” Baixo Ribeiro

Znort

Seria legal começar falando de vocês, de onde vieram, como se conheceram... Mariana: É divertido porque cada um veio de um lugar diferente. Eu estudei junto com o Baixo, mas o Baixo entrou na faculdade de Arquitetura pra fazer Moda, porque não existia nada de Moda. Isso foi no começo dos anos 1980. E eu entrei na Arquitetura pra fazer Artes Plásticas, porque na Arquitetura era o lugar que tinha as melhores oficinas de gravura, tipografia, toda essa parte prática das Artes Plásticas tinha na FAU. E o Edu é historiador. Baixo: Vamos falar do começo do começo: a Choque é uma invenção da Mari. Como somos casados há muito tempo, é lógico que formamos a coisa juntos, mas realmente a Mari é quem tem essa ascendência das Artes Plásticas, do pai artista (Aldemir Martins, 1922-2006), viveu no contexto da arte brasileira desde a infância. O Aldemir é um cara que veio do interior do Ceará (Ingazeiras, no Vale do Cariri) e fez muito sucesso como artista plástico, no meio mais intelectual e conceitual de arte. Ganhou prêmio na Bienal de Veneza de 1956, que era uma “Copa do Mundo” em termos de importância. Ele não fez escola formal de arte, nunca foi um sujeito altamente intelectual, mas foi muito importante pra toda a cena artística, e não apenas das artes plásticas. Ele influenciou o Glauber Rocha, incentivou a Tropicália, etc. E esse legado do Aldemir veio com a gente. Além disso, a madrinha da Mari fez a primeira galeria de artes do Brasil, no Rio de Janeiro. Mariana: Galeria Bonino, na década de 60. Antes haviam galerias, mas eram mais antiquários, vendiam mais antiguidades. Minha madrinha já tinha uma galeria em Buenos Aires, que na época (anos 50) era a capital cultural da América do Sul, e aí resolveu fazer no Rio de Janeiro, que era o lugar onde as coisas aconteciam. E fez uma galeria de arte moderna, uma coisa que não existia. Pra dizer a verdade, foi o começo das galerias do tipo ‘cubo-branco’. Depois que vocês (Baixo e Mari) se formaram na faculdade, qual caminho seguiram?

Mariana: Eu me formei, e então nos casamos. Isso foi em 1986. É muito importante

essa data, pois é o ano do Plano Cruzado. Daí em diante, tudo foi por água abaixo. Fazíamos qualquer coisa pra sobreviver. Fizemos figurino e animação de festa, decoração, vendemos papel de parede... Baixo: Ali por 89, 90, tínhamos um grupo que fazia cenografia e figurino pra peças de teatro de graça! (risos) E logo depois trabalhamos com os irmãos Gullane (Gullane Filmes), que eram palhaços na época, e nós fazíamos o figurino dos palhaços. (risos) Mariana: E a cenografia de graça era com o Maurício Villaça, precursor do graffiti no Brasil! Baixo: E trabalhamos também no filme “Cidade Oculta”, do falecido diretor Chico Botelho, com o Arrigo Barnabé, filmado todo nas dragas do Tietê. Ou seja, fizemos coisas bacanas, interessantes, só não tinha grana... Mariana: Não tinha dinheiro nenhum. A gente ficava contente quando tinha trabalho... Baixo: Mas tinha um espírito colaborativo que me ensinou muito do que a gente exerce de colaboração hoje em dia. E você (Baixo) foi mais pro lado da Moda... Baixo: Mais ou menos em 1986 eu comecei a me envolver com uma coisa muito legal: a Rhodia tinha um projeto de profissionalizar um pouco mais o mundo da moda, e investiram em vários estilistas jovens. Trouxeram uma professora de um estúdio de moda francês, Marie Rucky, super influente na época, e ela se juntava com esses novos estilistas. Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Tufi Duek, Ocimar Versolato, entre outros. Era uma turma bacana e eu trabalhava com eles, pensando em maneiras de transformar a moda num negócio menos tosco e precário como era. E, por incrível que pareça, é um pouco o que estamos fazendo com as galerias de arte hoje no Brasil, 25 anos depois. Estamos juntando todas as galerias, começando pelas mais influentes, para pensar como organizar o setor, como criar escolas, etc. Porque existem vários artistas e várias galerias, mas não tem nada no meio: os técnicos não existem. Por exemplo, hoje se você pega a Faculdade de Moda, a menina que vai estudar tem diversas possibilidades de trabalho, não precisa necessariamente ser estilista: pode ser especialista em cor, especialista em tecido, especialista em marketing, em vitrine, é uma coisa gigantesca. E na arte é a mesma coisa. A gente sabe que nem todos os estudantes nas faculdades de artes querem ser artistas, mas querem trabalhar com arte de alguma maneira. Enfim, essa época me deu muita noção de como organizar setor.


NOVEMBRO DE 2003 A impressão de sete gravuras do artista Speto marca o início de um projeto de arte acessível para uma nova geração.

ABRIL DE 2004 A realização do projeto “Coletivo Rua” na cidade de Americana, interior de São Paulo, foi um embrião para a união entre os novos artistas vindos da rua. Um stand da Choque com as primeiras séries de gravuras foi montado nessa coletiva.

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

LINHA DO TEMPO CHOQUE CULTURAL


“Foi graças ao João Pedro, nosso filho, que descobri esse mundo do Fotolog, e vi que todos os artistas de rua estavam usando o Fotolog para divulgar seus trabalhos.” Mariana Martins

Você trabalhou muitos anos no mercado de Skate... Baixo: Comecei a trabalhar com moda junto com a galera mais fashion, só que o ambiente realmente não me agradava. Então, no meio dos anos 90, comecei a trabalhar com Skate, que me parecia um negócio muito mais interessante em termos de comunidade. A comunidade fashion era um monte de estilistas jovens, com ideias novas, mas fazendo roupa para pessoas mais velhas. Trabalhando com Skate eu me encontrei. O público mais jovem era o que eu queria. Fiquei nessa área por muito tempo, até mais ou menos final de 2005. Era isso que bancava a Choque. (risos) E o Edu? Fale um pouco da sua história...

Edu: Fui criado no interior de SP, sou de Ribeirão Preto mas criado em America-

na. Venho de uma família de professores. Meu pai era dentista, mas também era professor. Minha mãe bióloga, e professora. Meus avós foram da primeira geração de professores de Educação Física formados na USP. Fui criado para sair de casa, para estudar fora, pra me virar sozinho o quanto antes. Estudei História em Ouro Preto (MG). Não tinha ainda o foco de estudar arte, até porque o curso de História dava mais um panorama geral, não tinha muito especialização. Acabei tendo muito contato com fonte primária, e estudei História da Imprensa no Brasil. Fiz um mestrado na USP, mas na hora de defender o mestrado acabei perdendo uma data, e era uma fase que não aguentava mais ficar dentro da faculdade. Ao mesmo tempo, com meus camaradas em Americana, estava vivendo aquela época da cena independente musical dos anos 90, aquela dificuldade de conseguir um som... Isso foi importante na formação, a busca por um fanzine, por um disco novo. Em Americana, costumávamos dar de aniversário fitas gravadas. Por exemplo, eu tinha o disco do Ramones, gravava uma fita e dava de presente. Tinha um lance de não se passar som, porque era foda de descolar... (risos) Esse grupo de amigos do interior permanece até hoje. E, por fim, mais ou menos em 98, formamos um coletivo de arte (SHN). O SHN é o fruto de um monte de moleque sem ter o que fazer e o pai de um deles ter uma fábrica de adesivos. Os restos dos adesivos, que eles jogavam fora, é um material muito rico. Fazíamos o convite da festa da banda de rock da turma, fazíamos o adesivo da banda, a ficha da cerveja era um adesivo... E o negócio foi frutificando, até começarmos a nos ligar numa cena internacional de adesivos e posters. E como os três se conheceram?

Edu: Foi pelo Fotolog. (risos) Mariana: Foi em 2003, eu lembro bem. Mas a gente já vinha pensando nesse nome

(Choque Cultural) desde 2001, 2002... Baixo: Mas os primeiros prints só vieram em 2003, com o Speto. Foi todo um experimentalismo até acertar o formato, o tipo de papel, etc. Mariana: A gente usa a palavra “print” por falta de boa palavra em português, exatamente. Serigrafia poderia ser, mas às vezes a gente faz prints em outras técnicas litografia, xilogravura, stencil, impressão digital, gravura em metal. Gravura implica em que algo foi “gravado”, o que não é o caso da serigrafia, mas talvez seja a melhor tradução de “print”. Poster parece impressão industrial, offset, mas ainda acho uma boa palavra, apesar de não ser exatamente em português... Baixo: As primeiras gravuras a gente fez com o pessoal que faz shape. Nós conhecíamos um monte de oficinas de gravura, e poderíamos ter optado por esse caminho, mas achamos que não era esse o espírito. Queríamos começar com uma coisa com cara mais leve, mais de pôster, enfim... Mariana: Queríamos um caminho mais acessível mesmo, não apenas que a gravura fosse mais barata, mas que ela tivesse uma ligação mais fácil até com o próprio artista. Baixo: Nós tínhamos consciência muito clara do que estávamos fazendo e do que iríamos fazer. A Choque estava clara pra gente. Não todos os detalhes, mas o essencial do que estávamos fazendo: estávamos pegando uma geração de artistas muito talentosos, que conhecíamos pessoalmente – Magoo, Osgemeos, Titi, Vitché, Speto, Tinho, Binho -, e alguns deles já tinham feito camiseta pra New Skate, e ganhado um dinheirinho que era fundamental pra sobrevivência da galera durante um período... (risos) Enfim, sabíamos que era uma galera talentosa. Por outro lado, também vivíamos e entendíamos o mundo da arte, o Aldemir ainda era vivo e tal, e víamos que tinha uma distância muito grande entre uma coisa e outra. E não era pra ter! Não podia existir um grupo de artistas relegados a um segundo plano e o mundo da arte continuar fechado, sisudo, afastando as pessoas... Mariana: O mundo das artes era um coisa muito das elites. Eu detesto esse termo “elites”, mas era assim... A leitura que você tem que ter de uma arte conceitual é uma coisa de quem já estuda arte há muito tempo. E foi graças ao João Pedro (Jotapê), nosso filho, que descobri esse mundo do Fotolog, e vi que todos os artistas de rua estavam usando o Fotolog para divulgar seus trabalhos. Foi assim que conheci Magoo Felix


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AGOSTO DE 2004 Os encontros de diversos artistas na Rua João Moura já apontavam uma cena efervescente. A vinda do fotógrafo Tristan Manco (foto abaixo) para o Brasil, nesta mesma época, para editar o livro Grafite Brasil, também injetou ânimo. Em agosto, no meio desse início de união e reconhecimento, acontece de forma quase espontânea a Festa do Tapume.


“Todo mundo já tinha sua coleção de sneakers em casa, mas ainda sem chamar isso de coleção de artes.” Baixo Ribeiro

o Zezão, pelo Fotolog. O meu filho e os amigos dele já se interessavam por essa história de sticker, boné, camiseta, skate, tatuagem, etc. Um dia, entramos com o Jota numa galeria de artes tradicional, e percebi que meu filho estava meio passando mal. “Eu detesto esse lugar limpo, me dá aflição, é horrível”, ele disse, e aí eu saquei que essa geração do meu filho tem acesso a muita informação ao mesmo tempo, o vídeoclipe, a tela do computador aberta com cinco coisas diferentes, MSN, Fotolog, email, Youtube. Ou seja, eles não se sentem bem no ambiente limpo da galeria tradicional. E pensei que deveria haver um espaço pra essa geração, que estava interessada em arte, mas não era arte tradicional. Fiquei pensando o que seria da vida do meu filho, o que ele iria fazer? Vai fazer escola de artes e virar um artista conceitual? O negócio dele é desenhar, se entrasse numa faculdade poderia estragar isso. Ele precisava de um espaço de trabalho, um mercado novo, um outro espaço. Baixo: Tínhamos consciência que existia uma geração de artistas com muito talento, uma geração nova de gente interessada em arte, e de alguma maneira já estava até consumindo arte, através de tênis, boné, camiseta, etc. Todo mundo já tinha sua coleção de sneakers em casa, mas ainda sem chamar isso de coleção de artes. Mas havia sempre a marca corporativa na coleção, e precisávamos fazer uma ligação direta entre os novos artistas e os novos colecionadores. O mundo da arte precisava dessa energia nova, e também porque o sistema da arte é muito inclinado a elitização, a concentração de riquezas. Nesse sistema de arte que existe, quanto mais famoso o artista, mais ele vale, e em menos coleções ele pode estar (porque as pessoas precisam ser muito ricas pra adquirir), e isso concentra cada vez mais a riqueza em menos mãos. Precisávamos, de alguma maneira, alterar isso. O jeito mais racional de alterar esse modelo era trazendo mais gente pro mercado de arte. Por isso optamos por fazer gravuras, montar uma galeria e vender coisas, e não fazer uma escola de arte. Achamos que o mais interessante era criar situações de sustentabilidade para esses artistas, para que eles conseguissem se manter produzindo e ampliassem sua produção. Era um jeito de dizer que existe um novo mercado de arte, feito por jovens, que já estão colecionando sticker, boné, etc, e que podem começar a colecionar arte vindo diretamente do artista, sem precisar da marca no meio. Esse foi o início, o start da Choque.

O NASCIMENTO DA CHOQUE E esses prints foram o começo da Choque... Mariana: Isso, começamos a fazer esses prints com os artistas que conhecíamos, e montamos um “escritorinho” pra vender esses prints, porque não queríamos ainda abrir uma galeria. Queríamos vender esses prints para galerias e outros lugares. E durante essa fase de produção, pesquisando os artistas no Fotolog, eu conheci o Edu. Aliás, conheci o Zezão e o Edu juntos, no final de 2003. Ainda não era nem uma galeria aberta, mas o Edu foi lá colar umas coisas na parede. Aí nos conhecemos, fomos ficando amigos, e nesse processo o Edu ficou desempregado. O Baixo ainda trabalhava com Skate nessa época, entrava às nove, saía às seis, aquele negócio... A casa onde fica a Choque, era dividida entre o lugar onde mostrávamos os prints (mas que vendíamos pela internet) e embaixo tinha o escritório de moda, onde o Baixo trabalhava, fazendo as coisas de Skate. Edu: Nessa mesma época, rolou uma coisa que considero importante. Em 2004, o Museu de Arte Contemporânea de Americana me convidou (junto com o Haroldo e o Daniel, que fazem o SHN comigo) pra fazer uma exposição de coletivos. Chamamos o Zezão e a turma dele do graffiti, o Base-V, o Stephan (Doitschinoff), o Carlinhos (Dias), o Onesto... Baixo: Foi a formação do primeiro plantel da Choque. Edu: Um grupo que ainda hoje continua trabalhando. E foi um momento que o Baixo e a Mari tinham umas seis gravuras publicadas, e fizeram uma banquinha para vender na exposição. Não vendeu nenhuma gravura, lógico. (risos) Mariana: Mas foi um acontecimento muito legal. Baixo: Foi muito importante a reunião de todos esses artistas. E foi uma exposição colaborativa, que misturava peças e parede. E isso contou mais ou menos a cara do que a gente faria na Choque. Somando o laboratório que já vínhamos fazendo com essa exposição, criou-se o ambiente da galeria. Mariana: E depois disso o Edu ficou desempregado, e dissemos “Edu, cola aí e vamos ver o que a gente consegue fazer”. Edu: Eu não fui chamado pra ser um “funcionário”. O Baixo primeiro pediu que eu organizasse o mailing, e me pagou 200 reais pra organizar o mailing durante um mês. Aí fiz esse trampo, e disse pro Baixo que para que a gente aparecesse no mapa da artes, deveríamos ter uma exposição. E acabei ficando, ficando, ficando, e fiquei. Pacoteira


No dia 2 de Novembro, dia dos mortos, abre oficialmente a Galeria Choque Cultural, na Rua João Moura (Pinheiros – São Paulo/SP), com a Expo Calavera.

DEZEMBRO DE 2004 Lançamento da Pacoteira, um “encarte” com vários objetos: stickers, botons, zines, desenhos e gravuras, uma pequena amostra do universo criativo da Choque Cultural.

JANEIRO DE 2005 No dia do aniversário de São Paulo, 25 de Janeiro, abre a segunda Expo na galeria, “Catalixo”, em comemoração aos 451 anos da cidade.

FEVEREIRO DE 2005 Um novo e inovador projeto foi criado: “tela dos 7 dias”, do Speto. Se a tela não vendesse em 7 dias, o artista pintava uma nova obra por cima, deixando apenas alguns elementos da anterior. Foram três semanas.

MAIO DE 2005 Expo Carajá, do artista Nunca, marcou o início da sequência de exposições que a partir daquele momento aconteceriam numa frequencia de 12 exposições por ano.

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NOVEMBRO DE 2004


“A casa da Choque eu comprei em 1992, com a grana de um quadro que ganhei de um amigo do meu pai, o Antônio Bandeira. 50 mil dólares. Levou 6 anos pra vender. Quando vendeu, comprei uma casa e saí do aluguel.” Mariana Martins

Baixo: Chegou uma hora que dissemos que ele deveria ser sócio. Tudo bem que a

gente não ganha dinheiro, mas vamos não ganhar dinheiro juntos! (risos)

Edu: Foi uma coisa bem generosa da parte deles e que acabou definindo minha vida.

Qual foi o investimento inicial pra montar o espaço expositivo? Baixo: Foi o aluguel de uma casa por um ano. E mais o investimento da produção de gravuras. Mariana: Acho que foi cinco mil reais que eu tinha pra produzir as gravuras. O meu pai me deu um quadro pra vender, esse quadro foi vendido por cinco mil reais, e investi tudo em gravuras. Isso antes do espaço expositivo. A casa da Choque, que eu também comprei, foi com a grana de um quadro que ganhei de um amigo do meu pai, o Antônio Bandeira. Ele morreu em Paris, em 1967, e o quadro ficou valioso, estava avaliado em 50 mil dólares. E eu estava numa dureza, e botei o quadro pra vender. Levou 6 anos pra vender. Quando vendeu, comprei uma casa e saí do aluguel. Isso foi em 1992. Escolhi aquela casa já pensando em fazer alguma coisa, abrir uma loja, um negócio. E a João Moura (rua onde fica a Choque Cultural, no bairro de Pinheiros) fica atrás da Benedito Calixto, que já tinha umas lojas de design, fica no caminho entre Vila Madalena e Jardins, perto da Teodoro Sampaio. Um lugar legal, e bem comercial. Moramos mais de 10 anos nessa casa. Edu: O legal é que vocês conhecem todo mundo ali da rua, do bairro. E a Choque tem essa proposta também, de atuar no local, na comunidade. Baixo: Nós queremos realmente transformar aquela região num ambiente cultural. Um ambiente cultural modelo. Não é um grande prédio, um centro cultural instalado no meio da Cracolândia achando que isso resolveria o problema. É o contrário: são coisas acontecendo no núcleo, envolvendo a comunidade do local... Mariana: Não é importante o prédio, mas sim a cultura humana que está em volta. Baixo: A região da Choque tem a loja de móveis de design dos anos 50/60, tem a loja de arte indígena, tem a loja de tambores, tem a Benedito Calixto, tem a biblioteca, etc. As pessoas já estão olhando para aquele lugar como um centro de irradiação de energia criativa. É um modelo novo, de criar um ambiente cultural forte, e transformar a região. Outro aspecto importante da Choque é a ligação forte com a cena musical independente. Tanto que vários artistas tocavam em bandas, como o Carlos Dias (Againe/Polara), a Silvana Mello (No Violence/Lava), etc. Como é essa relação? Mariana: Quando eu queria conhecer alguma banda nova, sempre buscava o que os skatistas estavam ouvindo. Sempre era coisa boa. (risos) E quando o Baixo começou a trabalhar com Skate, eu perguntei: “Bom Baixo, o que está rolando de som?” (risos) Edu: Nos anos 90, depois do grunge, a turma começou a montar banda. E no interior rolava um intercâmbio entre o pessoal de Campinas, Sorocaba, Americana... Existia um network montado, por causa de banda de rock independente. A banda de outra cidade vinha tocar na sua área, o outro fazia fanzine, marcava um show em São Paulo, e isso fazia a informação circular. E aí, depois de muitos anos, já morando aqui em São Paulo e começando a trabalhar com o Baixo e a Mari, percebemos que o network já existia há muitos anos. Eu já conhecia a galera do rolê: o Carlinhos, o Farofa, a Silvana, etc. Eu não tocava, mas sempre estive junto com a galera. Baixo: Tem a música, e tem a festa, que é onde se congrega a tal da comunidade. E tem também o lance do “do it yourself” (faça você mesmo)...

Mariana: Exatamente. Quem vai fazer a galeria? Nós mesmos! Baixo: Outra coisa que sabíamos, desde o início, é que precisávamos fazer uma es-

cola, mas não podia ser uma escola chata. Todos os artistas tinham uma certa falta de formação profissional. Não artística, artística todo mundo tinha formação até demais! Todos sabiam o que estavam fazendo. Nós acrescentamos outras técnicas. Os artistas falavam “eu faço bastante graffiti”. E nós: “Beleza, então vamos fazer xilogravura?” Esse estímulo foi uma coisa que colocamos desde o princípio, que está no coração do negócio. E, além disso, tentamos também complementar as falhas profissionais. Por exemplo: como se postar frente a um curador? Como se posicionar frente a um museu? Como se colocar frente a imprensa? Enfim, como se colocar no mundo da arte. Isso é uma coisa muito complexa. Pra se colocar, você precisa se entender como artista, se respeitar, e dizer “sou tão artista quanto qualquer outro artista e meu trabalho tem valor”. Parece simples, mas não é. As vezes pegávamos uns artistas com um conflito interno: “eu pinto pra me divertir”, sabe? Mas aí tem filho, casa, e percebe que quer viver de sua pintura, de sua arte. Não querem ter um job e fazer arte só de fim de semana. E quando o cara escolhe isso, passa a ser um profissional. E nós precisamos dar o suporte pra ele se transformar num profissional bom, porque profissional tosco não vai pra lugar nenhum. E a gente fez essa escola.

Silvana Mello


Em 18 de março é lançado um divisor de águas: “Choque Cultural na Fortes Vilaça – Fortes Vilaça na Choque Cultural”. Um marco profissionalizante para os artistas da Choque.

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MARCO DE 2006


Obras do artista Pjota


“Temos um plantel em torno de 20 artistas, fora os internacionais que a gente representa. E como temos essa ideia da formação, da escola, então temos uma base muito grande de artistas, que nenhuma outra galeria tem, que chega a 100 artistas, entre nacionais e internacionais.” Baixo Ribeiro

Tara McPherson

Vocês enxergavam, naquele cenário musical dos anos 90, um prenúncio do que aquelas pessoas viriam a fazer depois nas artes plásticas? Mariana: Sim, claro. Primeiro porque nunca encarei o rock and roll como música, mas sim como estilo de vida. Baixo: E o Skate também. Comecei a andar de skate em 1976, e mesmo naquela época não era esporte. Era outra pegada. Nunca vi como esporte, mas sim como o lugar onde estava a comunidade que me interessava. E, se você analisar, todo esse universo de artes plásticas que a gente vive hoje tem um berço no Skate. Mariana: Pra nós sempre foi muito interligado: skate, rock e arte urbana. Baixo: Somos uma galeria de artes visuais, mas não deixamos de fazer, pensar e promover a música. Não vemos artes plásticas isoladamente. É a arte como estilo de vida.

Baixo: Exatamente. Por isso que vemos a arte hoje com um potencial muito maior

do que o mercado da arte.

O que exatamente cada um de vocês faz na estrutura de funcionamento da Choque?

Baixo: Eu diria que faço uma coordenação geral. Nós temos alguns núcleos de ne-

gócio e de trabalho, que se complementam mas são bem diferentes entre si. Temos o núcleo da editora, que visa produzir bens artísticos mais baratos, que é a porta de entrada do nosso colecionador. Temos também o núcleo da galeria em si, pois a galeria cresceu, mas tem que crescer mais ainda. Estamos participando de feiras internacionais, estamos na Associação das Galerias, ou seja, estamos completamente inseridos no mundo tradicional da arte, mas sem alterar nossas características fundamentais e até influenciando para que outras galerias alterem (as características) delas. Temos um terceiro núcleo, das grandes produções de arte, como produções em museus. Tipo no MASP, ou em Basel (Suíça), Los Angeles, Nova Iorque, que são produções muito grandes, que exigem um esforço e uma equipe muito diferentes da equipe da galeria ou da editora. E temos ainda o núcleo educativo, cuja forma de pedagogia é ensinar fora da sala de aula, e isso está sendo feito na USP. Tem uma pessoa coordenando esse núcleo educativo, que é a Raquel. Estamos com 12 pessoas trabalhando, mas num núcleo mais expandido são umas 20 pessoas. Uma estrutura super complexa, em rede, e nos dividimos em muitas funções dentro desses núcleos. Mariana: Costumamos opinar em tudo que os outros estão fazendo. Cuido mais da editora, mas também sou diretora “de clima”, quando tenho que cuidar de um artista que está carente... (risos) O Edu fica mais na parte da produção das coisas grandes, que é um pouco o espírito do SHN. Baixo: O Edu que faz a maior parte das viagens para organizar as produções internacionais. Ele que entra em contato com os artistas internacionais, está mais focado nesse network. Encabeça esse núcleo de grandes exposições. A Choque tem essa raiz bem do it yourself, como já foi dito, e também uma forte conexão com a cena musical independente. Pegando como exemplo a gravadora independente norteamericana Dischord, é sabido que eles não tem contrato com os artistas do selo. É tudo verbal. E a Choque, como é a relação contratual com os artistas? Baixo: Então, temos que entender o que é contrato nos EUA e o que é contrato no Brasil. Mas o espírito do contrato a gente tem com todos os artistas. Mas é feito de maneira diferenciada em relação a cada um deles. Temos muito mais um contrato de expectativas: o que a gente espera do artista pra esse ano, o que a gente espera do artista pra daqui a dois anos e o que o artista espera da gente. Isso é feito por escrito às vezes, e às vezes não, depende. E não faz tanta diferença pra gente. Mas existe sim um contrato baseado na expectativa. Temos um plantel em torno de 20 artistas hoje, fora os internacionais que a gente representa. E como temos essa ideia da formação, da escola, então temos uma base muito grande de artistas, que nenhuma outra galeria tem, que chega a 100 artistas (entre nacionais e internacionais), produzindo coisas pra editora, ou produzindo para os grandes eventos, ou aspirando fazer uma exposição na Choque, etc. Edu: Ao invés da palavra contrato, podemos pensar em “projeto”. Porque é isso que estimula a todo mundo trabalhar junto, gera compromisso e faz o negócio girar. Baixo: E com cada artista estamos procurando fazer o projeto da carreira dele. Projetos pessoais e ambiciosos. Não quero que tudo aconteça de maneira colaborativa. Artistas como Zezão, Stephan, Titi, Carlinhos, e todos os artistas que já desenvolveram exposições aqui e estão num nível de profissionalismo mais adiantado, estão fazendo com a gente seus projetos individuais. Estamos dando suporte para eles fazerem projetos ainda maiores. Conversando sobre o que vai acontecer em 2013, 2014... e temos também projetos da Choque indo junto com isso.


NOVEMBRO DE 2006 Primeira curadoria independente feita pela Mariana, Baixo e Edu em um ambiente fora da sua própria galeria. “Novo Muralismo Latino Americano”, realizado na Galeria Marta Traba, no Memorial da América Latina. Foram 30 artistas em duas fases, a primeira inaugurada em 25 de novembro e a segunda em 13 de dezembro.

JANEIRO 2007 Lançamento do Livro dos Monstros, com tiragem de 150 exemplares, encadernado de forma artesanal.

FEVEREIRO DE 2007 Pela primeira vez um grupo de artistas da Choque Cultual saiu do país para levar a nova arte contemporânea brasileira para uma importante galeria em New York, a Jonathan Levine.

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OUTUBRO DE 2006 Expo “Território Ocupado”, no Museu Afro Brasil, convida alguns artistas da Choque Cultural para mostrar as diversas visões da cultura do país.


“O colecionador não compra uma coisa porque é azul clara e vai combinar com o sofá. Não existe esse espírito. É o espírito de investir numa visão, num trabalho, num projeto. E isso é o nosso trabalho” baixo ribeiro

Os artistas de Street Art geralmente têm algo de característico e marcante em seus trabalhos que é justamente aquilo que caracteriza seu estilo e os diferencia dentre tantos outros na rua. Vocês consideram que isto pode “engessar” a criatividade e o crescimento do artista com o passar do tempo? Vocês também trabalham nisso de desafiar o artista? Mariana: Sim. Isso inclusive é a coisa mais fascinante da história toda. Por exemplo o Zezão, que é o “case” básico da galeria: quando conhecemos o Zezão, ele já era um puta artista, mas ele nunca se considerou isso, se considerava um pichador, um vândalo, um punk, um vagabundo... (risos) E aí veio esse desafio: como é que eu vendo o esgoto? Como faço esse cara ganhar dinheiro? Baixo: O Zezão curtia caligrafia, encontrar lugares incríveis, fotografar... O trabalho dele é conceitual e complexo. Um artista com muitas nuances, e tudo muito bem feito. Só que pra colocar isso, é difícil. Nossa ideia é conseguir que o artista se viabilize, tenha dinheiro no bolso no final do mês e possa pensar em projetos maiores. A viabilização da vida profissional do artista não passa só necessariamente por vender obras. Tem que saber fazer projetos, pensar mais global. E, obviamente, vender obras é uma parte importante disso. Quanto mais elaborado, conceitual e complexo é o trabalho do artista, menos obra ele tem pra vender. Ele tem mais conceito pra vender. Então começamos a nos preparar, a partir do Zezão, para vender conceitos. Vender o conceito do Titi, do Stephan, etc. Assim começamos a desenvolver uma ideia que a gente transmite até hoje para os artistas e colecionadores. O que fazemos é promover um casamento de parceiros. O artista precisa compreender que o colecionador é um parceiro dele, e o colecionador precisa ver no artista um cara pra investir. O colecionador não compra uma coisa porque é azul clara e vai combinar com o sofá. Não existe esse espírito. É o espírito de investir numa visão, num trabalho, num projeto. E isso é o nosso trabalho. No começo da Choque, como vocês fizeram para definir o valor das primeiras obras? Qual foi o termo de comparação? Mariana: A gente fez uma comparação com roupa. Um trabalho original não pode custar menos que uma camiseta. Então buscamos um equilíbrio entre essas coisas pra fazer os primeiros preços. Depois que você define os primeiros preços, aí o mercado vai ditando o resto. Então foi muito menos relacionado ao mercado de artes e muito mais relacionado a um critério que vocês criaram? Mariana: Sim. Baixo: O próprio mercado de artes não tem critério. As galerias tradicionais, que já existiam antes da gente, preferiam trabalhar com artistas mais valorizados, pois os custos da galeria são muito altos. Mariana: Normalmente pegam um artista já formado, e esse artista faz seu preço. No nosso caso não: estávamos formando o público e o artista. E assim pensamos como criar o preço dos primeiros prints. “Bom, se o cara gasta tanto no tênis, tem que ser um preço compatível com isso”. Era um público novo, queríamos atingir os amigos do meu filho, o pessoal que agora tem entre 20 e 25 anos. Ou seja, essa primeira formação de preço não teve nada a ver com mercado de arte, e sim com mercado de colecionáveis. Tem um paralelo então entre o colecionador de tênis e esse novo colecionador de arte? Baixo: Ele sabe colecionar. Ele sabe o que significa aquilo pra cena na qual está envolvido. Mariana: Essas corporações de tênis investiram nos artistas. Colocaram o nome do grande skatista, do grande artista ou do grande roqueiro no tênis. Aí o cara fica disputando o All Star do Black Sabbath no eBay. E essa parte a gente tenta pular: vendemos do artista direto pro público, sem a marca no meio. Você não está comprando um produto de uma multinacional, está comprando o produto do artista! É um investimento direto no artista. Se você gosta do artista, invista no artista. Como vocês lidam com o rótulo de que a Choque trabalha com “arte urbana”? Baixo: Nós lidamos bem, mas a imprensa ainda está aprendendo. Mas o que a Choque é?

Mariana: Arte contemporânea jovem... Baixo: Mas não gostamos de adjetivar, até porque estaríamos estigmatizando mais

um pouco. Obviamente não queremos rotular nada. Antes de mais nada é arte. Só. Sem muito adjetivo. Mas existe um movimento importantíssimo de arte pública, de arte urbana, que está rolando e fazemos parte dele, patrocinando, promovendo,

Baleiro da Choque


Daniel Melim participa da Bienal de Valência, na Espanha.

OUTUBRO DE 2007 Dez artistas da Choque fazem uma coletiva em Brighton, Inglaterra, na galeria Ocontemporary. “Cor da Rua” (Street Colour) era o nome da “celebração” de 2 meses, que levou a arte urbana brasileira para as paredes inglesas.

JANEIRO DE 2008 12 artistas americanos abrem a exposição "Made In America", na galeria Choque Cultural, marcando o intercâmbio com a galeria Jonathan Levine e a globalização da nova arte contemporânea.

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JUNHO DE 2007


“Hoje chegam jovens com uma ideia tipo carreira de jogador de futebol: ‘Isso é uma coisa que posso fazer, vou batalhar pra ser artista e isso vai me dar muito dinheiro’. Existe essa aura no ar, pairando... Pra vocês terem uma ideia, recebemos em média 10 portfólios por dia.” Edu Saretta

Znort

criando conteúdo e discutindo o assunto, porque ainda é pouco discutido. Aparecendo as oportunidades, trazemos curadores pra conversar, lançamos livros, promovemos debates, porque é um assunto que precisa ser discutido. O rótulo vem porque o assunto ainda não foi suficientemente discutido. Mariana: Mas sabemos que a imprensa precisa do rótulo pra primeira chamada... então deixa, relaxa. Baixo: Nossa opção é não estigmatizar e não fazer o marketing barato. Se você pegar qualquer artista da Choque, vai perceber que o trabalho de um não tem nada a ver com o do outro. O trabalho do Melim é geométrico, abstrato, formal, que não tem a nada a ver com o desenho psicodélico do Ramon, que não tem nada a ver com o desenho sofisticado e cubista do Titi... São estilos muito diferentes. Não estamos criando um movimento que precisa de um nome. O que aparentemente liga a maior parte desses artistas é a história da arte urbana, e acaba ficando um pouco com isso, mas esse rótulo, apenas esse rótulo, não cabe em quase nenhum artista. Pô, “artista urbano”? Mas o cara gasta quase mais tempo no trabalho de estúdio do que no trabalho de rua. Mariana: Mas ainda é melhor artista urbano do que grafiteiro.

AUMENTANDO A VOLTAGEM Temos acompanhado a inserção gradual de alguns artistas jovens em museus. Os museus ainda têm receio da arte contemporânea jovem? Mariana: Tem preconceito. Baixo: Têm dois lados aí. Um lado é o da preparação que a gente faz. Desde o começo estamos explicando o que são esses novos artistas, contextualizando, falando com curadores, críticos de arte, estudiosos, pra explicar o que estava acontecendo e que é uma coisa interessante. E muitos se interessaram. Os bons curadores estão olhando para isso e percebendo que existe um universo de jovens que eles podem levar para os museus. E a exposição no MASP (“De Dentro Para Fora/De Fora Para Dentro”) já foi o início de um processo assim, bem como as parcerias com o Memorial da América Latina (“Novo Muralismo Latino Americano”) e com o Museu Afro Brasil (“Território Ocupado”). No MASP, o resultado em termos de visitação foi bem positivo, não é?

Mariana: Foi bastante positivo. Baixo: 140 mil pessoas em dois meses e meio. Foi parecido com a do Vik Muniz.

Quais os outros aspectos importantes dessa exposição no MASP?

Baixo: A exposição no MASP foi muito experimental. Muitas das experiências que

rolaram ali, e que tiveram sucesso, ainda vão virar caso de livro.

Mariana: Essa exposição teve uma característica que só os arquitetos perceberam: nós

usamos a arquitetura do MASP, como o graffiti usa a arquitetura da cidade. O artista tem um olhar que percebe onde é legal pintar. Chegamos no MASP e a área estava toda fechada em salinhas, e decidimos abrir. Tem uma janela que liga com a 9 de Julho... Baixo: ...E nós abrimos! Fazia 10 anos que não se abriam as janelas do MASP pra rua. A visibilidade desses novos artistas e o crescimento desse cenário é uma coisa que cria vontades. Ou seja, temos muitos novos artistas querendo mostrar seu trabalho, querendo viver e ganhar a vida como artistas. Como vocês enxergam isso? Mariana: Os artistas mais jovens já estão muito mais informados, já sabem muito mais o que querem e por isso é mais fácil lidar com os projetos deles. Quer dizer, está surgindo uma geração nova de artistas bons, e que já são até mais despidos de preconceitos. Muito mais abertos a experimentação e mais bem informados. Eu acho que está bacana. Porque no Brasil ainda tem muita gente que fala “ah, você faz tatuagem? Então faz uma de graça em mim”. Vocês são amigos e ele vive disso: pague pela tatuagem que assim seu amigo vai conseguir viver. A comunidade precisa se ajudar para se autossustentar. Edu: Mas hoje chegam alguns jovens com uma ideia tipo carreira de jogador de futebol: “Isso é uma coisa que posso fazer, vou batalhar pra ser artista e isso vai me dar muito dinheiro”. Existe essa aura no ar, pairando... Pra vocês terem uma ideia, recebemos em média 10 portfólios por dia. “Meu trabalho é muito legal, tem tudo a ver com galeria de vocês e eu quero fazer uma exposição”. (risos) Baixo: E assim acabam surgindo alguns trabalhos bacanas, surgem mesmo. Edu: De certa forma somos responsáveis por criar parte dessa expectativa. Baixo: É uma responsabilidade. E, desses 10 portfólios, muitas vezes não poderemos fazer nada por nenhum deles. Mas nós inspiramos isso. Sempre me esforcei pra


Primeira participação da Choque Cultural na SP ARTE.

AGOSTO DE 2008 O intercâmbio com a galeria inglesa Ocontemporary trouxe a obra de um dos nomes mais populares da arte mundial, Gerald Laing, para a galeria Choque Cultural.

JANEIRO DE 2009 Lançamento do livro “Xirugravuras”, um marco na relação entre a Choque Cultural e a Gráfica Fidalga, que desde 2004 tem uma parceria no trabalho de cartazes lambe-lambe feitos com técnica tipográfica.

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ABRIL DE 2008


“De certa forma dá pra sentir que estamos trabalhando no Mundo, e não apenas em São Paulo. Essa comunidade é global” edu saretta

que existissem outras galerias também, galerias sérias. Torço muito por isso, pra que possam de fato abraçar esses novos artistas. Não só torço como acho que vai acontecer, acho que vai aumentar muito o número de galerias na próxima década. Esses novos artistas vão conseguir criar um público, porque o público colecionador também vai aumentar. Acho que em 10 anos teremos um universo de arte muito diferente do que temos hoje. E o ataque sofrido pela Choque em 2009? Aquela história dos pichadores... Baixo: Foi muito desagradável, e, de certa forma, nunca teve a ver com o nosso trabalho. Fomos usados por uma turma que queria se auto-promover. Essa é a verdade. Mas o que causou pra gente? Bom, tivemos que contratar uma assessoria de imprensa porque começamos a ter assédio da imprensa, coisa que não queríamos. E começamos a gastar dinheiro com um sistema mínimo de segurança, para que as meninas que trabalham na loja possam se sentir seguras. O que aconteceu foi que aumentaram o nosso custo. (risos) A invasão não teve a menor importância conceitual, não teve a menor importância pra arte. Mariana: Em compensação, quanta fofoca! Passamos 6 meses desfazendo fofocas. Edu: Lançaram que era jogada de marketing da Choque... (risos) Mariana: E o pior de tudo: o fotógrafo que registrou esses ataques chama-se “Choque Fotos”. Aí todo mundo achava que tínhamos sido nós! Ou seja, passamos 6 meses desfazendo coisas, ao invés de estar fazendo. Vandalismo a parte, como vocês lidam com a segurança das obras? Baixo: Existe uma segurança, mas acho super importante entender uma coisa: nós vendemos quadros, mas não vendemos quadros. Vendemos a obra do artista, a visão do artista. Tem obra que é uma “madeira quebrada”, tem obra que é uma placa de metal com um trampo em cima... ou seja, as vezes a coisa em si não aparenta a riqueza que tem. O que tem riqueza é a visão, o conceito e a ideia do artista, e é isso que a gente vende. Edu: A obra de arte não tem a liquidez que tem um outro produto normal. Quem vai comprar? As pessoas que compram isso nos conhecem e conhecem o artista. Pessoas de galerias? Todos se conhecem. Isso iria aparecer muito rápido. O Titi Freak disse, numa entrevista recente, que andaram roubando portões de casas, com trabalhos dele. Edu: Aí é na rua. Sim, é na rua, mas demonstra que há um interesse, uma “procura”... Baixo: Mas não vai vender. Não vamos misturar as coisas. Existe um mercado que está crescendo, existem colecionadores sérios comprando, e existe uma molecada que está começando a entender que, ao comprar, eles ajudam aquilo a ficar realmente importante. E quem investe dinheiro nisso sabe que é um investimento de longo prazo. O bom investidor é aquele que sabe que será o seu filho, ou o seu neto, quem vai ganhar dinheiro com esse investimento. Isso é uma consciência que a gente implanta: “não compre hoje para vender daqui a dez anos”. Por que? Porque pode não dar certo. Mas, pensando no longo prazo, que o filho ou o neto terão um patrimônio (para vender ou fazer o que quiserem), aí sim! Vocês têm promovido alguns intercâmbios entre artistas estrangeiros e brasileiros. Como têm sido a repercussão dos artistas brasileiros no exterior? Edu: De certa forma dá pra sentir que estamos trabalhando no Mundo, e não apenas em São Paulo. Essa comunidade é global. Baixo: Quando estou com as pessoas das outras galerias, galerias com projetos mais antigos que o da Choque, e começo a falar, fica muito claro que estamos fazendo um projeto do séc. XXI. Ele já nasceu com câmera digital, global, com internet, nasceu no meio de uma geração nova. É lindo isso, olhar pra frente e pensar: “tudo que você fizer de alguma maneira vai influenciar”. Lógico que gera também uma responsabilidade: não podemos fazer cagada. Tem que fazer um negócio bonito. Mas o que estamos fazendo é novo, e vai indicar o caminho pros outros. Acho isso incrível.

Tristan, Edu, Mari e Baixo


Mais uma coletiva em território americano: 10 artistas da Choque em Culver City (Los Angeles, EUA).

JANEIRO DE 2009 Início da parceria da Choque Cultural com a UNIBES, o primeiro passo de um projeto educativo de formação de professores, com foco no aprendizado sobre arte.

AGOSTO DE 2009 Um intercâmbio entre Argentina e Brasil traz para São Paulo a Expo chamada “Buenos Aires na Choque”.

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JANEIRO DE 2009


“A exposição no MASP teve uma característica que só os arquitetos perceberam: nós usamos a arquitetura do MASP, como o graffiti usa a arquitetura da cidade.” Mariana Martins


“Eu acho que esse movimento de artes plásticas é o novo rock and roll. Agora é a vez do pessoal das artes quebrar essa elitização grande que aconteceu.” Mariana Martins

FOREVER YOUNG O trabalho da Choque é diretamente ligado ao público jovem. Conviver com esse estilo de vida é algo que rejuvenesce? Mariana: Não tenha dúvida. Você não imagina o que é o meu encontro com minhas amigas de infância! (risos) Não parece que somos da mesma geração. É uma coisa de se manter vivo, e chegou essa hora. Já criei meu filho, ele vai procurar o espaço dele, e agora vou fazer o que? Antigamente, uma pessoa de 40 anos tinha mais, sei lá, uns 15 anos de vida. Agora não! Tem pelo menos mais 40! Ou provavelmente mais 60! Eu acho que vou chegar aos 100. Minha mãe está com 90, e a gente sempre aumenta alguma coisa. E o que vou fazer nos próximos 50 anos? Ficar em casa tricotando? Detesto tricotar. Então tenho que fazer alguma coisa, alguma coisa criativa que me leve pra frente. E a música também colabora com esse lance de permanecer jovem... Mariana: Quando fiz 10 anos, eu enjoei de boneca. E disse: “Sabe o que eu quero? Quero saber tudo sobre o rock and roll!” (risos) Liguei o rádio e não desliguei mais. Era 1969, me apaixonei pelo Jim Morrison, depois pelo Mick Jagger... Baixo: Eu comecei com Led Zeppelin... Mariana: E fui acompanhando, Stooges e tal. Até os anos 80, quando começou a ficar tudo muito difícil, e um disco do Smiths valia ouro. Então nossa formação é muito nessa história do rock and roll. E eu acho que esse movimento de artes plásticas é o novo rock and roll. Agora é a vez do pessoal das artes quebrar essa elitização grande que aconteceu. Sabe aquela coisa: “Só nós que somos ricos, frequentamos escolas e somos inteligentes é que podemos compreender isso. Vocês que são da plebe, não!” Era mais ou menos essa a ideia. Baixo: A ideia de inclusão, e não segregação, deve estar dentro de qualquer tipo de sistema. No caso da Choque, vocês parecem promover uma discussão menos intelectualizada sobre arte, e mais intuitiva. É isso? Baixo: As duas coisas são importantes. Agora o que queremos promover mesmo é livro! É o que mais queremos. Estamos na verdade pagando o alto custo Brasil, que é o custo de falta de educação. Tem que fazer escola, tem que fazer museu, tem que fazer editora, tem que fazer livro... Mariana: É o do it yourself da educação. (risos) Baixo: Essas coisas deveriam ter um investimento real, público. Têm coisas que poderíamos investir melhor junto com o poder público. Investir em conhecimento não tem que ser uma iniciativa privada, mas sim comunitária. Eu fico preocupado porque temos uma representação política muito ruim. E não quero ser político, nenhum de nós quer. Mas sabemos que o custo de não existir uma representação política legal, para as coisas legais, é caro. Nas últimas eleições, a galera mais nova não queria nem votar. Não pode virar alienação: temos que criar líderes políticos, porque senão ninguém vai pensar nisso. Os Beatles representam muito mais a cultura de nossa época do que compositores eruditos apreciados por meia dúzia de pessoas. Vocês acham que o mesmo está ocorrendo nas artes? Baixo: Sim, já está acontecendo. Mariana: Como eu disse, essa arte jovem é o novo rock and roll. Você sente que pode fazer parte. O “fazer parte” é muito importante. As pessoas querem fazer parte, percebem que está acontecendo algo legal e querem participar. Baixo: E como fazer parte? Fazendo um fanzine, ajudando a promover um show, fazendo uma exposição, fazendo um blog, comprando coisas. Isso está crescendo, cada vez tem mais gente. Vai ficando mais organizado, as condições vão melhorando. Como vocês enxergam a atual relação da cidade de São Paulo com a arte urbana?

Mariana: Em primeiro lugar, São Paulo está bem melhor do que boa parte das ci-

dades do mundo. Estivemos em Nova Iorque em Agosto, e tava rolando uma crise na casa de uma amiga nossa, pois um amigo da filha dela tinha sido preso. Ele tirou uma Sharpie (caneta) do bolso e encostou na parede. Ele foi preso por intenção de graffiti, portando “armas” de graffiti. Nem chegou a escrever. Ficou dois dias na cadeia. Por isso digo que São Paulo ainda é uma das melhores cidades. E é uma cidade absurda do ponto de vista arquitetônico. Ela pede intervenção. Baixo: Em São Paulo temos uma espécie de batalha pelo espaço público: uns querendo valorizar, e outros querendo privatizar. Estamos no meio desse debate, e os artistas urbanos são importantíssimos nele. O Zezão, por exemplo, com o trabalho que ele faz, de entrar nos rios, ele lembra a gente que São Paulo é uma cidade consPerformance durante expo de Stephan Doitschinoff


Abertura do novo espaço, o Acervo da Choque, com uma Expo do artista Titi Freak.

NOVEMBRO DE 2009 Um marco para a arte urbana e contemporânea no Brasil. O Museu mais importante da América Latina, o MASP, abre a Expo “De dentro para fora, de fora para dentro”, com curadoria de Mariana, Baixo e Edu.

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OUTUBRO DE 2009


“O Ministério da Cultura precisa ver que esse é um movimento autêntico, legítimo, de inclusão. Não é uma questão de ‘me dê dinheiro’. Pelo contrário: ‘me dê respeito!’ Esse diálogo nós não temos medo de ter. E quando fazemos isso, não falamos apenas em nome dos artistas da Choque. Falamos por todos.” Baixo Ribeiro

truída em cima de rios. Tamparam os rios. E isso não é natural, não é bom, não é um bom jeito de tratar um rio. O artista tem a capacidade de enxergar isso, colocando uma luz estética sobre isso. E isso vai pra revista, vai pra TV, vai pro olhar das pessoas. O artista é capaz de fazer uma pintura gigantesca num muro e nos mostrar como aquele muro é grande! Mariana: O problema é a falta de critério, tudo fica na mão de algumas pessoas que decidem se aquela obra será apagada ou não, ou se aquele artista será preso ou não. Depende do humor do delegado, do policial, até do cara que limpa: “ah, gostei desse, não vou apagar não!” (risos) Baixo: O que vai fazer isso funcionar direito é uma ação política mesmo. Se os artistas se organizarem melhor, se os artistas tiverem uma voz mais organizada pra falar com a prefeitura. E a prefeitura também investir nessa ideia da cidade ser mais humana. Edu: Pra mim foi uma surpresa quando vi a Regina Monteiro, da EMURB (Empresa Municipal de Urbanização), falando na TV que a prefeitura está aberta a projetos para pintar na rua. É uma mudança inesperada. Sinal de que existe alguém, lá dentro do poder público, olhando pra isso com uma cabeça inteligente. Baixo: A maneira de fazer o negócio funcionar é batendo na porta dos caras e explicando. O Ministério da Cultura precisa ver que esse é um movimento autêntico, legítimo, bom, de inclusão. Não é uma questão de “me dê dinheiro”. Pelo contrário: “me dê respeito!” Esse diálogo nós não temos medo de ter. E quando fazemos isso, não falamos apenas em nome dos artistas da Choque. Falamos por todos. Aquela galera dos quadrinhos dos anos 80, Laerte, Angeli, Mutarelli, etc, eles costumam ir na Choque? Sabe se eles se interessam por esse novo cenário das artes? Há influência dessa galera em artistas da Choque? Baixo: Sim. Já fizemos até colaborações com alguns deles. E tem uma turma na Choque, Zimbres, Jaca, MZK, Rafa Coutinho, etc, que possui uma linha de raciocínio que tem ligação forte com os quadrinhos. Mariana: Eu adoro quadrinhos. Vamos deixar isso bem claro. (risos) Baixo: Sem contar que o Aldemir ganhou o prêmio de desenho em Veneza, em 1956. E o desenho sempre foi colocado em segundo nível na arte. Primeiro nível pintura, segundo nível desenho. Então tem um negócio nosso de querer valorizar o desenho. Mariana: É que ainda não conseguimos fazer livros. Se estivéssemos fazendo livros, te garanto que faríamos vários de quadrinhos. Porque gostamos muito! O meu pai também gostava muito de quadrinhos. Meu pai tinha a foto do Alex Raymond, que fazia o Flash Gordon, pregada na parede do ateliê. Desde pequena eu ganhava quadrinhos dele. E a discussão era que os quadrinhos vulgarizavam a leitura. Diziam que seria uma geração burra, porque lia quadrinhos e não livros. Quadrinho era considerado negócio de burro. Mas os quadrinhos popularizaram a leitura! Baixo: Se você pegar a lista dos artistas com os quais trabalhamos na Choque, a grande maioria é ilustrador. E desses ilustradores uma bela de uma parte é quadrinista. E uma parcela bem menor, uns 30%, faz arte urbana. Olhar pra Choque hoje, é olhar um caso de sucesso. Se é de fato um sucesso econômico, são outros quinhentos, mas o que passa pras pessoas é sim um exemplo de sucesso. Isso abre portas. E algumas marcas querem se associar a isso. Como por exemplo essa história da Land Rover dar um carro pro Baixo... Baixo: Não é dado, é emprestado. Eles estão lançando o primeiro carro urbano, e escolheram oito metrópoles simbólicas do momento. São Paulo é uma delas. Mariana: E nessas metrópoles escolheram alguns “embaixadores urbanos”. São Paulo é a única que tem artistas: Osgemeos e o Baixo. Baixo: Nas outras metrópoles, em geral, escolheram modelos e apresentadores de TV.

ARTE DO SÉCULO XXI Hoje, com essa nova geração e a com a renovação da arte contemporânea, vocês acreditam numa reaproximação do público com a arte? Mariana: Sim, já está acontecendo. Por exemplo, os pais da ex-namorada do meu filho são bem conservadores, odeiam qualquer tipo de pichação, mas choraram quando viram o Zezão na televisão. Ficaram super emocionados. Baixo: Aconteceu a mesma coisa em Basel (Suíça), com o Edu... Estávamos fazendo uma exposição em Basel, a atual cidade mundial da arte, uma cidade de uns 30 mil habitantes e muito rica, cheia de museus... E estamos fazendo um projeto na área portuária da cidade, um projeto de médio prazo, ainda vamos levar outros artistas pra lá, para intervir no ambiente. E em janeiro desse ano efetivamente começamos esse projeto. Livro xirugravuras


Primeiras participações da Galeria em feiras internacionais de arte. Em junho na cidade de Basel (Suíça), e em outubro em Londres (Inglaterra).

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JUNHO DE 2010


“Daqui a 60, ou 100 anos, não será possível contar a história da passagem do séc. XX pro séc. XXI sem passar por tudo estamos está vivendo. E nós estamos vivendo um ciclo de formação da arte do séc. XXI.” Baixo Ribeiro

Edu: Fomos fazer um painel em uma casa, que é o almoxarifado do porto, e do lado tem um clube dos ex-funcionários do porto. Todos os dias, no mesmo horário (aquele apego suíço ao relógio), estavam lá os velhinhos sentados no clube. O botequinho do clube é tocado por uma senhora. Chegamos com o carrinho lotado de tintas, rolos, armamento pesado, pra ficar trabalhando três dias direto. No mesmo momento todos saíram do bar e começaram a indagar: “O que estão fazendo aqui?” A velhinha saiu gritando com a gente, e como estávamos no “território inimigo” tivemos que recuar. Chamei o organizador do evento, mas não adiantou nada. Tivemos que levar o diretor geral do porto pra falar com os velhinhos. Quando ele disse que era uma coisa oficial, tudo mudou. Os velhinhos já começaram a explicar pra quem chegava o que estava acontecendo lá, coisas do tipo. No fim, o barzinho acabou virando nosso ponto, ficávamos lá comendo salsicha e tomando cerveja.

Legal. Imagino que a Choque deve ter outras histórias tão bacanas quanto essa... Baixo: Tiveram várias. Uma que não podemos deixar de citar aconteceu bem no começo da Choque, no primeiro ano de existência, que foi a exposição com a galeria Fortes Vilaça. Eles entenderam nossa visão e quiseram fazer algo junto conosco. Fizemos a primeira troca de galerias, “Choque Cultural na Fortes Vilaça – Fortes Vilaça na Choque Cultural”, um projeto inovador. E foi feito de fato. A Beatriz Milhazes fez sticker, fez instalação! Leda Catunda pintou na parede. Teve todo um trabalho de elaboração para aquele público. Essa foi uma coisa muito importante na nossa história. No ano seguinte, rolou a associação com a galeria Jonathan Levine, de Nova Iorque, e também foi super importante. Levamos 8 artistas da Choque para Nova Iorque pela primeira vez, ninguém nunca tinha viajado... Nenhum deles! Eu nunca tinha saído do país, nem o Edu, e nenhum dos artistas. Só a Mariana tinha saído... Mariana: Isso foi em 2007. Chegamos em Nova Iorque, fomos pra galeria do Jonathan, estávamos todos exaustos. Fora o cansaço, tinha o nervoso. Pois não sabia se conseguiríamos passar pela alfândega... Edu: Foi um drama conseguir visto pra todo mundo. Ninguém tinha documento... Mariana: Ninguém tinha comprovação de renda... Baixo: E vários com passagem pela polícia por vandalismo. (risos) Mariana: Mas conseguimos passar. Estávamos todos lá na galeria, já pensando no que e aonde pintar, e de repente olhei pra fora... E estava ficando tudo branco. Eu falei “gente, tá nevando”. Baixo: Ninguém nunca tinha visto neve. Mariana: Aí o (Flávio) Samelo vira pra mim e diz “pô, mas não tá fazendo barulho”... (risos) E eu “mas não faz barulho mesmo”. Baixo: E a exposição foi super importante, saiu no New York Times, foi percebido pelo americano como um dado novo. Edu: Além da exposição, também conseguimos fazer um workshop numa escola. Mariana: Daquelas escolas do Bronx em que toda semana alguém leva uma facada. Baixo: Uma escola modelo que trabalhava com alunos problemáticos de outras escolas. E esses caras do Bronx ficaram oito meses falando de graffiti, de Street Art e arte contemporânea do Brasil para os alunos deles. Quando os artistas chegaram, os alunos já os conheciam. E aí os artistas puderam grafitar no Bronx, onde é proibido, e os alunos puderam pegar num spray pela primeira vez. O que acharam do filme do Banksy? Baixo: Eu achei o filme OK. Mas o que acho interessante de marcar é que esse ano tiveram dois filmes de artistas, com assunto de arte, concorrendo ao Oscar de melhor documentário. Tem um simbolismo bem interessante aí. Edu: E vários artistas estão investindo nesse lado, então vão aparecer outros filmes sobre o assunto. Qual será o legado dessa geração? Os modernistas de 22 estão nos livros de história. Será que o movimento da Street Art será lembrado daqui a 60 anos? Baixo: Daqui a 60, ou 100 anos, não será possível contar a história da passagem do séc. XX pro séc. XXI sem passar por tudo que a gente está vivendo. Estamos no meio disso. Agora, no fim das contas, quem vai valer mais, quem vai ficar marcado, isso não me interessa. Edu: Quando estudamos história, costumamos ler o que outras pessoas tiveram de impressão sobre a história. E poder ajudar a escrever a história é papel de muitos historiadores, não apenas meu. Mas se conseguirmos escrever bons livros e filmes, e passar isso pra frente, será mais uma alegria. Baixo: Nós estamos vivendo um ciclo de formação da arte do séc. XXI.

Daniel Melim


Coletiva da Choque Cultural na cidade de Basel, na Suíça, em associação com a Fundação Brasilea, para realização de um importante projeto de arte pública.

Entre novembro de 2003 e março de 2011, a Choque Cultural realizou 115 exposições e projetos, entre coletivas e individuais.

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JANEIRO DE 2011


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psycho carnival 2011

Nekromantix (Dinamarca/EUA)

Na sua 11ª edição, o Psycho Carnival, realizado em Curitiba, contou com uma “zombie Walk”, atrações internacionais e atraiu um público total de dez mil pessoas. A revista outro estilo esteve lá para conferir Nada de marchinha, trio-elétrico ou escola de samba. O Psycho Carnival, realizado anualmente em Curitiba, é uma das melhores alternativas para aqueles que buscam fugir da típica “folia de carnaval”. Idealizado e produzido pelo músico Vlad Urban (ex-Os Catalépticos

The Griswalds (Reino Unido)

e atual Sick Sick Sinners), o festival acontece há onze anos, e sua edição 2011 trouxe um movimento recorde, sinal de que a cultura psychobilly continua se fortalecendo. “A primeira vez que fizemos, em 2000, foi pra 100 pessoas. Neste ano atingimos um público total de 10.000 pessoas, é uma diferença enorme em relação ao público, mas não só isso, o line up e a cena psychobilly como um todo cresceu e evoluiu demais nesses onze anos, não só por causa do evento, mas com certeza também é um fator importante para esse crescimento”, comenta Vlad.


Uma inusitada Zombie Walk tomou conta das ruas de Curitiba.


“A primeirA vez que fizemos, em 2000, foi prA 100 pessoAs. Neste ANo AtiNgimos um público de 10.000 pessoAs” Vlad Urban, idealizador e produtor do Psycho Carnival Com mais de trinta bandas, um bazar de artigos selecionados e encontros paralelos, o evento supriu as exigências daqueles que fazem da cultura psychobilly um estilo de vida. As atrações mais esperadas foram Nekromantix (Dinamarca/EUA), Mad Sin (Alemanha), The Griswalds (Reino Unido) e Phantom Rockers (Reino Unido/EUA). Os grupos locais Sick Sick Sinners, As Diabatz e Ovos Presley, entre outros, mostraram porque a capital paranaense é a sede do evento. Já os santistas do Big Nitrons, os goianos do Graboids e os mineiros do grupo Os Baratas Tontas foram algumas das contribuições que fortaleceram a presença nacional no festival.

Mad Sin (Alemanha)

Topetes de todos os tamanhos e cores, misturados com visuais retrô e uma bela dose de punk rock. Inspiração que, segundo Vlad, “passa muito pela questão do humor e de ver a vida de uma forma diferente. Desde o sapato, que pode ser um Creeper, aquele com a sola toda alta, meio Herman Monstro, passando pela jaqueta de couro, o jeans manchado e até o topete raspado dos lados, uma mistura dos anos 50 e do moicano punk.” Os carros de época customizados marcaram presença no Rockabilly Kustom Motor Show, uma das programações do Psycho Carnival e, pelas ruas, davam sinal de que algo diferente acontecia na cidade. Além disso, os desavisados foram surpreendidos com o Zombie Walk, encontro que reuniu aproximadamente 2000 pessoas de todas as idades, fantasiadas de “mortos-vivos”. A caminhada tomou alguns dos pontos turísticos da cidade e culminou no centro histórico, onde bandas aguardavam para finalizar a tarde de domingo.

O sucesso do evento não está relacionado com a novidade, pois o psychobilly não é um gênero musical novo: “o termo foi usado pela primeira vez por Johnny Cash na música ‘One Peace at a Time’ e em um cartaz de um show do The Cramps. Mas quem usou para definir como o seu estilo de música foi o The Meteors”, explica Vlad. A força do evento, portanto, está mais na “reinvenção do carnaval”, nas palavras do Vlad, que atrai para a capital paranaense pessoas de toda parte do país e do mundo.


Dois mil “mortos vivos” prestigiaram o Zombie Walk, que teve seu encerramento no centro histórico da cidade. Na foto abaixo a banda local Rádio Cadáver em ação.


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ensaio Fotos alexandre Vianna


ão. “Ao informaç e d o s s e c ex , por agradam undo com e m m e s e s u e q n os de dois urgência s trabalh o melhor iruko tem tar algun iu M u n c a u e , il x c e io is e e r ar ,P ncias em har, tatu e sincera rês anos s experiê n t a a e o s á iv b e h ls d r a u a r a p e r o r a im o ad ciência p razeres”. Intensa, final, sab omo tatu tenho pa enhar”. A maiores p tuando c e s A s u e u q d ”. e s o e o m p d t s r m ia o e d ze mesmo t es é um d ados ime om o pra de result ntos feliz uagem, c t e o a t m t s o r o o m g p r o a ia outro lad “Colecion e já exist gosto qu operandi: s o “ u , d s o o s m r unive do seu faz par te


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perfil entrevista Douglas prieto e foto alexanDre vianna


JAZZY

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BORTOLETO

Foto de Jair Bortoleto com intervenção de Yusuke Hanai

EntEndEr quE ninguém é pErfEito, E captar a purEza da situação. uma intEnsa rElação afEtiva com o mar, nascida na infância E criada na cidadE dE santos (sp). O prazer do aguardo pela química mágica da revelação do filme. O fotógrafo Jair Bortoleto produziu duas edições da Expo Surf Art (a primeira delas inaugurando o Museu do Surf de Santos, em 2009) lançou o livro “Alma Santista”, que tornou seu trabalho reconhecido internacionalmente, e teve suas fotos interpretadas e modificadas pelas mãos de artistas que influenciam seu trabalho em “Jazzy Way to End a Day”, Mostra que aconteceu em São Paulo no início de 2011. Jair enxerga e congela seu mundo na cadência imprevisível das ondas, na constância reconfortante da brisa.


Foto do skatista profissional Mike Vallely feita por Jair Bortoleto, com intervenção de Pablo Ugartetxea


Na expo “Jazzy Way to End a Day” quase todas as fotos são ou do mar ou de Santos (SP). Qual sua ligação com os dois? Eu sinto uma forte ligação com o mar. Sou natural de Santo André (SP), mas sempre ia pra praia nos feriados e nas férias. Comecei a surfar com 10 anos de idade, e o que era um passatempo se tornou uma grande paixão. Não só o ato de se surfar, mas todo o ambiente e cultura do surf. Santos sempre foi outra paixão. Das longas férias correndo do apartamento para a praia, das ondas que pareciam ser maiores do que eu via, do delicioso chá mate vendido nos carrinhos na beira da praia, das madrugadas quentes, do cheiro de mar logo cedo, entre milhões de outras pequenas características que tornam Santos (SP) tão único. Mostrar em foto o que amo foi consequência. Tanto o mar quanto a cidade se encravaram no meu coração de forma permanente.

Foto de Jair Bortoleto com intervenção de Mau Domingues

Como é sua relação com o universo do Surf e como rolaram os convites para exposições pelo mundo todo? Eu sempre tirei fotos, mas nunca foquei em um tema só. Em 2006 tive a ideia de registrar, em imagens monocromáticas, os ícones da cultura surf de Santos. Resultou em um trabalho inédito, para exposição, e culminou em um livro. O “Alma Santista”, que mostra e fala da cultura de praia mais original do Brasil, Santos (SP). Pode não ser a praia mais famosa, ou as mais belas areias e água mais limpa, mas a cultura de praia aqui corre nas veias de cada santista ou pessoa que já passou por aqui e gostou. O livro se tornou conhecido e os convites começaram. Primeiro ajudei a criar uma exposição na California, onde o lucro da venda das obras foi usado no tratamento de saúde dos pais da dupla Jonathan e Jared Mattson, do The Mattson 2. Depois, em 2009, fui convidado para expor minhas fotos no The Greenroom Festival, em Yokohama, no Japão. Esse é o maior evento da chamada surf art, e foi uma grande honra ser o primeiro e único brasileiro a participar. Este ano recebi o convite novamente e estou correndo atrás de patrocínio para viabilizar a viagem. Também tive o prazer de criar e ser o curador da Santos SurfArt, que teve duas edições. A segunda edição teve a participação dos maiores nomes da arte e fotografia surf e skate, como Art Brewer, Andrew Kidman, Albe Falzon, Grant Brittain, Fabio Bitão, Alexandre Vianna, entre outros.


Foto de Jair Bortoleto com intervenção de Darren Henderson

Você fotografa bastante com filme. É uma paixão? Como funciona isso pra você? Sempre gostei de fotografar com filme. Tudo que envolve filme é mais emocionante e misterioso. O prazer de se tirar a foto e não vê-la imediatamente, esperar revelar e ver o resultado, é incrível. É difícil acreditar que já há uma geração que não chegou a fotografar com filme. Filme tem muita “alma”. Eu parei de fotografar com filme em 2008. Numa viagem ao Japão eu conheci pessoalmente Thomas Campbell que, entre uma conversa e outra, me disse pra nunca parar de fotografar com filme. Impulsionado com as palavras dele, quando voltei, vendi todo meu equipamento digital e comprei tudo de filme de novo. Mas infelizmente aqui em Santos não se acha mais filme, revelação e bom escaneamento da película. Todos esses fatores me fizeram buscar o recurso digital para voltar a fotografar mais. Foi difícil, mas necessário. Um grande amigo meu, Jamie Brisick, me disse que o que faz um bom fotógrafo é fotografar bastante, e isso a fotografia digital proporciona. Então me “vendi.”

Foto de Jair Bortoleto com intervenção de Gomez Bueno

Sua visão muda muito do momento em que decide fotografar algo até o momento do clique? Quando comecei a ver a fotografia com olhos mais apurados, coloquei como objetivo ser um fotojornalista. Tentei por algum tempo procurar este caminho, mas vi que não era minha praia. Eu gosto de fotografar com tempo, e normalmente isso não existe em fotojornalismo. Minha fotografia normalmente acontece quando vejo algo que me interessa, tento registrar a foto que quero em minha mente, daí eu volto e fotografo. Lógico que, se estiver com a câmera e algo chamar a minha atenção, eu fotografo imediatamente. Mas hoje em dia, com equipamento digital, tento ter a câmera comigo o máximo de tempo possível.

Qual a diferença de sentimento entre ver seu próprio trabalho exposto e produzir uma exposição de outros artistas? Eu acho que para produzir uma exposição, você tem que amar a arte. E principalmente gostar do que está mostrando. É um pouco de egoísmo, mas me sinto bem mostrando artes que eu gosto e/ou me influenciaram.

Qual é a pureza da imperfeição? Todos nós somos imperfeitos, o que causa uma imperfeição em nossas ações. Enquanto vivermos neste sistema, nossa imperfeição normalmente vai falar mais alto. Temos de buscar maneiras para mostrar uma certa pureza, mesmo em face do caos. Eu gosto de ver a pureza em olhares, vozes, rostos, ações imperfeitas. Tento mostrar em minha fotografia a pureza das pessoas em torno do ambiente que as cerca. Pessoas imperfeitas em momentos de pureza.

Como foi escolher os artistas que interviriam nas suas fotos para “Jazzy Way to End a Day”? Alguns dos artistas tinham participado do II Santos SurfArt, o que facilitou o contato. Os outros eram influências que se concretizaram na exposição. Sempre busquei contato com artistas que influenciam de algum modo seu meio ambiente. Como no caso do Pablo Ugartetxea, que é o maior artista basco da cultura surf e mostra em sua arte uma mistura entre seus arredores e lugares pelo mundo. Todos têm um background com a cultura surf e skate.

“TenTo mosTrar em minha foTografia a pureza das pessoas em Torno do ambienTe que as cerca.

pessoas imperfeiTas em momenTos de pureza.”

Em que lugar do mundo você gostaria de fotografar? Gostaria de fotografar em Paris. Eu passei correndo por lá em 2002, infelizmente foi só uma noite e não tive a oportunidade de fotografar. Minha maior influência em fotografia é Cartier-Bresson, e Paris tem tudo a ver com ele.

E qual é o “Jazzy Way to End a Day”? É um jeito calmo de se terminar o dia. O caos que vivemos nos suga de tal modo que às vezes não temos condições de finalizar o dia de uma maneira calma.

Mais: purenessintheimperfection.blogspot.com jazzywaytoendaday.blogspot.com


outono 2011

pg. 88

GASTRONOMIA TEXTO DOuGlAS PRIETO E FOTOS RENATO cuSTODIO


5 CONTRA 1 Por recomendação médica, o Flip* deveria entrar numa dieta para perder peso e aliviar a dor na coluna. Nossa sugestão foi visitar cinco boas lanchonetes de São Paulo e apontar seus sanduíches preferidos. Por enquanto, ficou com a segunda opção

*FeliPe YuNg, o FliP, é um dos artistas urbanos mais respeitados de sua geração. Adepto

de traços orientais, conteúdo erótico/pornográfico e caligrafia, entre outras formas de expressão, Flip já teve seus trabalhos expostos em três continentes, e em março/abril de 2011 realiza sua primeira exposição individual em Londres, intitulada “Shunga Pop Show”. Acesse flipink.blogspot.com para conhecer o trabalho do artista. Além disso, junto com sua esposa, publica um blog de gastronomia: 2gingers.tumblr.com


ChiCo hamburger

“É a lanchonete do meu bairro. Aqui, vou de X Dog Maionese (n. do r. – Flip pede pro garçom com o carinhoso apelido de “maiô”), um lanche saboroso e leve, que permite uma segunda pedida: um X Bacon Salada. Frequento aqui desde que era apenas um simples balcão. Com o tempo a lanchonete foi crescendo, recebeu mesas, preocupação com a decoração. O legal é que os recipientes de catchup e mostarda, clássicos, foram mantidos. O DJ Nuts também sempre cola, mas é raro nos encontrarmos.” (Flip) www.chicohamburger.com.br


General Prime BurGer

“Aqui temos uma verdadeira ‘grife’ de sanduíches. O renomado chef Sérgio Arno encabeça o empreendimento, as carnes recebem a assinatura Wessel, e tem deliciosas ‘Waffles Fries’, ótima pedida para uma entrada. O lanche escolhido é o SP 450, criado para celebrar o aniversário da cidade, e que leva 450g de carne. A casa, recheada de prêmios concedidos por diversos guias e revistas, o considera o maior burger da cidade, e acho difícil que não seja.” (Flip) www.primeburger.com.br

Ponto ChiC

sujinho (hamBurGueria)

“O Sujinho fez fama pelo churrasco, especialmente por suas bistecas. Há algum tempo, se tornou também uma hamburgueria, mantendo muito da tradição do preparo, com carne na brasa e sal grosso. Sou fã do sanduíche de calabresa com queijo, que costumo saborear na companhia de minha esposa, a figurinista e personal stylist Flavia Lhacer, ou nas reuniões que tenho com meu manager, William Baglione.” (Flip)

“O Ponto Chic é outra lanchonete muito tradicional, cuja história se mistura com a da própria cidade. Inaugurado em 1922, em data próxima da Semana de Arte Moderna, seu primeiro endereço foi no Largo do Paissandú. Mais tarde outras duas filiais foram abertas, e a que frequento é a da Praça Oswaldo Cruz, no começo da Av. Paulista. Os caras inventaram o Bauru, então aqui não tem como escolher outro lanche. O queijo, derretido em banho Maria (na água) faz toda a diferença, e o sabor desperta uma sensação boa, de pura memória afetiva: vinha aqui, ainda criança, trazido por meus pais.” (Flip)

www.hamburgueriadosujinho.com.br

www.pontochic.com.br

estadão

“O primeiro bar/lanchonete da cidade que adotou o padrão 24 horas de funcionamento. Apesar da mudança do vizinho famoso (a redação do jornal “Estado de São Paulo” não fica mais lá) é um lugar onde se respira tradição. Habitualmente como lá na madrugada mesmo, depois das 3 da manhã, e a frequência é uma mistura de tudo que existe no centro de São Paulo: artistas, jornalistas, polícia, travestis, putas, operários, advogados. Sempre colam skatistas lá também. É um lugar onde você consegue comer uma feijoada as 4 da manhã. Mas o sanduíche de pernil, que fez a fama do local, é meu preferido, e com bastante molho de pimenta. Se caras que entendem muito de comida, do nível de Alex Atala e Jun Sakamoto, comem lá, o que eu posso dizer?” (Flip) www.estadaolanches.com.br


outono 2011

PG. 92

MEIAS FOTOS HOMERO NOGUEIRA

l R$ 198,00 Meia Foga

Meia Patchwork Lupo R$ 22,00

Meia Fogal R$ 128,00

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Vestido Silly Girl R$ 297,00

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Uma parceria com a Editora ZY

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Lançamento abril de 2011

Agora na versĂŁo impressa.


outono 2011

pg. 94

decoração teXto JUliana SaSSi e FotoS atilla choPa

Um n ovo con ceit o

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Bar

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con tain erS!


Quem passou nos últimos seis meses pela avenida são Gabriel, lá pela altura do número 600, certamente teve sua curiosidade despertada pelo Que parecem GiGantes peças de leGo situadas por entre casas luxuosas e bares descolados. Trata-se de 12 enormes containers inusitadamente atracados em um dos bairros mais valorizados de São Paulo. Mas afinal, como foram parar ali? A história tem início em 2005, quando o artista plástico Alessandro Jordão pensou em utilizar os containers não apenas para transportar seus trabalhos para o exterior, mas customizá-los e transformá-los em ambientações. A ideia tomou forma de casas, corredores, galeria de arte e, mais recentemente, bar - nBOX.

“Numa perspectiva bem urbaNa, o NboX foi arquitetoNicameNte coNcebido para passar a ideia de um coNstruto formado por

graNdes legos em iNteração com a cidade

Os containers utilizados por Ale Jordão, que parte do princípio de desconstruir para construir, são sempre reciclados. No bar, a iniciativa ecologicamente correta se estende à utilização de tinta à base de água e ao sistema hidráulico, concebido para captar água da chuva e abastecer a caixa d’água. Numa perspectiva bem urbana, o nBOX foi arquitetonicamente concebido para passar a ideia de um construto formado por grandes legos em interação com a cidade que, nas palavras de seu idealizador, é um grande caixote de pedra. A referência aos legos também está presente em quadros como o do Pato Donald’s, colocados no corredor que dá acesso ao bar. Ao entrar no ambiente, há um choque de conceitos. Grafites, réplicas de lustres de cristal negro e até cobras de pelúcia partilham do mesmo cenário. Referências que fazem parte do cotidiano de seu idealizador. “Eu quis transformar o container e mostrar que tudo é possível. Tem o grafite que é street art, as cobras de pelúcia que abraçam as pessoas mostrando que pode ser uma selva, uma mesa de mármore branca e preta lembrando Coco Chanel e a reprodução dos lambe lambes – expostos no Louvre e no Grand Pallais - em textura para as paredes. Bem do lixo ao luxo”, conceitua o criador. >>


A música e o cardápio também compõem a estética do local. Segundo Ale, os Djs tocam estilos de diversos países, transmitindo a ideia itinerante do bar. Já o cardápio é inspirado na cozinha espanhola, representada pelas saborosas tapas elaboradas pela equipe do Eñe, a partir do restaurante que mantêm na Espanha. Em 2010, o restaurante de Arcadio Martinez, sócio-fundador do Eñe – e também do nBOX junto com Ale e o empresário Alex Tessitore - foi eleito o melhor espanhol de São Paulo pela Revista “Veja - Comer e Beber”, venceu na categoria Novidade Gastronômica do Ano do jornal “O Globo” e foi indicado pela revista americana “Food&Wine”, uma das publicações de gastronomia mais prestigiadas, como um dos 100 melhores novos lugares para comer e beber no mundo. Segundo Ale Jordão, essa junção de elementos clássicos e underground num mesmo espaço não compromete nem um nem outro, faz parte de sua irreverência, mediada por doses de atitude e bom gosto. “O bom gosto está no limite do style e do brega. Falar em colocar um Luiz XV num móvel neon e um grafite, faz você imaginar uma poluição visual, mas tendo bom gosto e simetria nos trabalhos você consegue fazer o que quiser”. Para ele, essa síntese nada mais é do que o resultado da “eterna luta do novo contra o velho, do contemporâneo com o antigo, épocas e classes que predominam com suas histórias”.

No segundo andar do bar, o novo parece triunfar. O espaço destinado ao NAU - Núcleo de Arte Urbana - foi concebido para realização de exposições temporárias. A mostra, em cartaz desde janeiro, é em homenagem ao grande representante do grafite brasileiro, o Juneca.

A fusão entre design, arte, moda, gastronomia e itinerância, é o que faz do nBOX “um complexo de entretenimento”, nas palavras de Ale Jordão. Para quem ficou curioso, o nBOX vai permanecer no mesmo endereço por mais seis meses. Depois, seu destino é incerto, bem como a escolha da decoração, da música e da culinária. Afinal, a surpresa faz parte do conceito.

nBOX: Av. São Gabriel, 600 Jardim América - São Paulo/SP nboxart.com.br


D i SCOS

LPs, 7"s, CDs, DVDs, livros, HQs, zines e camisetas Rua Bar達o de Itapetininga, 37, Loja 51 (Rua Alta) Tel.: 11 3257 5938 www.locomotivadiscos.com


outono 2011

PG. 100

ADD TO CART FOTOS ATILLA CHOPA

STANTON T.92 USB R$ 1.095,00 • • • • • • • •

Direct drive 3 rotações: 33, 45, 78 Braço universal – Pitch c/ controle de rotação Auto reverse Pré-Amplificador interno Pode ser ligado no auxiliar Saída de áudio digital Cápsula magnética, mas pode trocar

Para ouvir: The Beatles, “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

CROSLEY R$ 997,00 • • • • • • • •

Belt Drive 4 em 1: rádio, disco, cd, pendrive Alto-falante embutido Saída para caixa Grava do vinil p/ pendrive Rotação 33 rpm Cápsula de cerâmica Controle remoto

Para ouvir: Killing Chainsaw, “Killing Chainsaw”

CROSLEY R$ 897,00 • • • • •

Belt Drive Pendrive, cartão de USB, CD AM/FM Rotação 33 rpm Grava do vinil para cartão USB Para ouvir: Minus The Bear,“OMNI”

DICA OE

Onde comprar:

CATODI

R. Santa Ifigênia, 398 – Centro – São Paulo/SP 11. 3221-3537 catodi.com.br

Prefira as agulhas de diamante, que tem melhor qualidade que as agulhas de safira. Isso vale tanto para as novas quanto para as usadas/antigas.


COMO NOS

VELHOS TEMPOS Em plena Era do MP3, o vinil mostra sua força, reacendendo velhas paixões e conquistando novos adeptos. Os colecionadores comemoram as primeiras prensagens da única fábrica de discos de vinil do Brasil (a Polysom, no Rio de Janeiro) e os espaços conquistados por gôndolas de discos em grandes livrarias. É fato, o vinil está de volta, mas uma pergunta essencial acompanha essa retomada: onde tocá-los? A Revista Outro Estilo ajuda você, com dicas de tocadiscos que vão fazer a alegria dos seus ouvidos e deixar a decoração da sua casa ainda mais estilosa.

ION R$ 960,00 • • • • • •

Belt Drive Toca vinil, CD (mas não mp3), K7 AM/FM 3 rotações: 33, 45, 78 Caixa embutida Bivolte

Para ouvir: Björk, “Telegram” (remix album)

NUMARK PT.01 USB R$ 457,00 • • • • • • • •

Belt Drive Tipo maleta, portátil 3 rotações: 33, 45, 78 Alto Falante embutido, efeito Monitor Específico para auxiliar Saída p/ fone, auxiliar e USB Liga o deck na entrada de áudio e utiliza como interface p/ USB Cápsula cerâmica Para ouvir: Milton Nascimento e Lô Borges, “Clube da Esquina”

ION PROFILE R$ 680,00 • • • • • • • •

Belt Drive Saída USB 2 rotações: 33, 45 Pré-Amplificador interno Específico para ligar auxiliar: home theater ou micro system Copia do vinil p/ computador Saída de áudio RCA para receiver Cápsula magnética

Para ouvir: Lee Scratch Perry, “Jamaican e.t.”


outono 2011 pg. 102

editorial de moda Fotos GUstaVo ZYlBersZtaJN e moda dioGo BrasiliaNo

HANNE SAGSTUEN e m

u m

e n s a i o

o u t o n o

f o l k - g r u n g e


Poncho Jadison Raniere R$ 220,00 Jaqueta couro Audiovisual preรงo sob consulta Sapato Studio Tmls R$ 780,00 Pulseiras Wallace Barros preรงo sob consulta


Short couro Audiovisual preรงo sob consulta Blusa Ambicione preรงo sob consulta Colar Marco Apollonio R$ 1.200,00 Brinco preto Christine Yufon R$ 450,00 Brinco dourado usado como broche Christine Yufon R$ 550,00 Mรกscara usada como bracelete Marco Apollonio R$ 495,00


Vestido Jet R$ 318,00 Bota punho franzido Juliana Jabour R$ 922,30 Colete Audiovisual preรงo sob consulta Pulseira encapada com couro cor terra Waltรฃo R$ 75,00 Pulseiras Wallace Barros preรงo sob consulta Colar Christine Yufon R$ 850,00


Colete Audiovisual preço sob consulta Pulseiras Wallace Barros preço sob consulta Anéis Wallace Barros preço sob consulta Camisa xadrez Juliana Jabour R$ 627,90 Short couro Audiovisual preço sob consulta


Vestido xadrez branco e cinza Audiovisual preรงo sob consulta Jaqueta branca Reinaldo Lourenรงo preรงo sob consulta Colar plumas de avestruz Marco Apollonio R$ 2.250,00


Saia longa Juliana Jabour R$ 1.198,30 Cinto Waltรฃo R$ 155,00 Blusa Cecilia Prado R$ 429,00 Pulseiras Wallace Barros preรงo sob consulta Anel Wallace Barros preรงo sob consulta


produção executiva. ISABELLA ESTEVEZ assistente de styling. MAYRA PICCOLO produção de moda. JULIANA FRED beleza. KRISNA CARVALO (ICON MGT) assistente. YURE ALMENIDA assistente de fotografia. CAIO PORTO


Preparo: Misture todos os ingredientes, bata e sirva em um copo long drink com 4 partes de refrigerante sabor lima-limão. Enfeite com uma rodela de limão e cerejas

1 parte de Jack Daniel’s Tennessee Whiskey 1 parte de triple sec 1 parte de sour mix

LYNCHBURG LEMONADE

(cozinheiro)

FELIPE GRECCO

Tênis Adio R$ 199,90 Calça levi’s R$ 219,00 Camiseta Sick Mind R$ 74,90 Camisa Triton R$ 289,00

Preparo: Agitar, coar e servir em uma taça de Martini resfriada. Decorar com uma casca de laranja

50 ml de vodka 25 ml de Cointreau 20 ml de suco de cranberry 10 ml de suco de limão tahiti

COSMOPOLITAN

(piercer)

PAULA SALES

Tênis Vans slip on R$ 169,00 Saia Silly Girl R$ 74,90 Camisa Storvo por Pow R$ 55,99 Casaco Silly Girl R$ 199,90

PG. 110

outono 2011

DRINK TO ME

FOTOS ALEXANDRE VIANNA


Preparo: Coloque em um copo longo todas as frutas. Junte o açúcar e amasse levemente. Acrescente o gelo até a borda do copo. Adicione o red label, misture e sirva

3 morangos 3 framboesas 3 amoras 2 colheres de chá de açúcar Gelo a gosto 1 dose (50 ml) de Johnnie walker red label

RED MIX

(artista plástico)

TETI MÁRCIO

Calça Levi’s R$ 165,00 Casaco Adidas ObyO Js French Fry, R$ 349,90 Camiseta Weird R$ 49,00 Tênis Converse R$ 330,00

Preparo: Coloque 1 fatia de abacaxi e 1 colher de açúcar em uma coqueteleira. Macere a fruta com o açúcar e adicione 50 ml de Absolut Berri Açaí. Bata com gelo, adicione um toque de limão e decore com blueberries.

50 ml de Absolut Berri Açaí 1 fatia de abacaxi 1 colher de açúcar 1/2 limão Blueberries

ABSOLUT BERRI AÇAI SOUR

(cantora)

DENISE MOKREYS

Sapato Adidas Blue Mesoa R$ 189,00 Macacão Dzarm R$ 199,90 Cachecol Lacoste R$ 149,00 Anel Cohn R$ 85,00


agradecimentos. ESTÚDIO FOTOGRÁFICO ANDRÉ BUENO

fotografia. ALEXANDRE VIANNA

produção. LUIZA SALATI MANFRINATO

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em 1973. Reunir os amigos à mesa era um ritual praticado quase diariamente pelo genial pintor espanhol, e ele manteve a tradição até os seus últimos instantes de vida. Ergueu a taça e chamou o brinde: “Drink to me”.


TO ME, “DRINK TO ME, DRINK “DRINK “DRINK TO ME, DRINK DRINK TO MY TO MY HEALTH, TO MY HEALTH, HEALTH, YOU KNOW I YOU KNOW I CAN’T YOU KNOW I CAN’T DRINK ANY MORE” CAN’T DRINK ANY DRINK ANY MORE” MORE” “Bebam por mim, “Bebam por mim, “Bebam por mim, bebam à minha saúde, bebam à minha bebam à minha saúde, saúde, vocês sabem que não vocês sabem que não vocês sabem que posso mais beber” não posso mais posso mais beber” Foram essas as Foram essas as beber” Foram essas as célebres últimas célebres últimas célebres últimas palavras de Pablo palavras palavras de Pablo de Pablo Picasso, durante seu Picasso, durante Picasso, durante seu derradeiro jantar com seu derradeiro derradeiro jantar com os amigos e família, jantar com os os amigos e família, amigos e família, em 1973. Reunir os em 1973. Reunir em 1973. Reunir os amigos à mesa era um os amigos à mesa amigos à mesa era um era um ritual ritual praticado quase ritual praticado quase “DRINK TOpraticado ME, DRINKquase TO MY HEALTH, YOU KNOW I CAN’T DRINK ANY MORE” diariamente “Bebam pelo pordiariamente diariamente pelo pelo mim, bebam à minha saúde, vocês sabem que nãopintor posso mais beber” genial pintor espanhol, genial pintor espanhol, genial Foram essas as célebres últimas palavras espanhol, e ele manteve a Picasso, e ele manteve a de Pablo duranteeseu derradeiro jantar com osele amigos e família, manteve a em 1973. tradição até osReunir seusos amigos tradição até os seus à mesa era um ritual tradição até os praticado quase diariamente pelo genial últimos instantes seus últimos pintorde espanhol, e ele manteve aúltimos tradição instantes de até os seus últimos de instantes instantes vida. de vida. Ergueu a taça vida. Ergueu aErgueu taça a taça e chamou o brinde:vida. “Drink Ergueu a taça e to me”. e chamou o brinde: e chamou o brinde: chamou o brinde: “Drink to me”. “Drink to me”. “Drink to me”. “DRINK TO ME, DRINK TO MY HEALTH, YOU KNOW I CAN’T DRINK ANY MORE” “Bebam por mim, bebam à minha saúde, vocês sabem que não posso mais beber” Foram essas as célebres últimas palavras de Pablo Picasso, durante seu derradeiro jantar com os amigos e família, em 1973. Reunir os amigos à mesa era um ritual praticado quase diariamente pelo genial pintor espanhol, e ele manteve a tradição até os seus últimos instantes de vida. Ergueu a taça e chamou o brinde: “Drink to me”.

NK TO MY HEALTH, DRINK ANY MORE” ebam à minha saúde, o posso mais beber” ticado quase diariamente pelo genial pintor espanhol, e ele manteve a tradição até os seus últimos instantes de vida. Ergueu a taça e chamou o brinde: “Drink to me”.


outono 2011

pg. 114

MODA FOtOs renAtO riAni

Boné Weird R$ 55,00 Blusa Weird R$ 168,00 Camiseta Q.vizu R$ 169,90 Calça Adidas R$ 449,90 Tênis Everlast R$ 239,90

Blusa Adidas R$ 249,90 Saia AMP R$ 350,00 Sapato Colcci R$ 207,00


pra PAREDE

Vestido Silly Girl R$ 199,90 Cinto Dzarm R$ 79,90 Sapato Adidas (acervo)

Casaco Adidas R$ 279,00 Tênis Adidas Originals R$ 249,00 Calça Levi’s R$ 219,00


Camiseta RVCA R$ 138,00 Calรงa Calvin Klein R$ 369,00 Sapato Colcci R$ 207,00

Sapato Adidas (acervo) Saia AMP R$ 255,00 Blusa Calvin Klein R$ 399,00


Camiseta RVCA R$ 138,00 Calรงa Calvin Klein R$ 369,00 Sapato Colcci R$ 207,00

Sapato Adidas (acervo) Saia AMP R$ 255,00 Blusa Calvin Klein R$ 399,00


Vestido Dzarm R$ 219,90 Sapato Colcci R$ 207,00 Meia Calรงa TriFil R$ 34,90


Camiseta Storvo R$ 55,00 Tênis Fallen Billy Marks R$ 340,00 Calça Lost R$ 297,00 Colete Hurley R$ 279,90


Saia Triton R$ 459,00 Tênis Adidas R$ 269,90 Top Levi’s R$ 799,90 Regata Club Soda R$ 72,90


fotografia. Renato Riani assistente de fotografia. thiago PomPs produção. Luiza saLati manfRinato e DaviD toLeDo modelos. maRceLa Bannitz, DéBoRa sPeRL,

vaLDiR gRiLLo e anDRe tRovatti

Calça Element R$ 299,00 Casaco Alexandre Herchcovitch R$ 589,00 Sapato Fernando Pires p/ reserva (sob consulta)

Blusa Redley R$ 300,00 Colete Weird R$ 174,90 Calça Triton R$ 549,00 Sapato Colcci (sob consulta)


outono 2011 pg. 122

perfil TexTo Marcelo Viegas e foTos ana paula negr達o


O tatuador Roger Marx não gosta de perder tempo. Em apenas seis anos na profissão, já fez mais de 1000 tatuagens. Roqueiro, seu maior prazer é tatuar artistas que admira: The Donnas, Face To Face, Krisiun, LA Guns e Vibrators são algumas bandas que carregam seus traços. Constantemente visto na rota Guarulhos-LAX, Roger vai vivendo aventuras, algumas “roubadas” e aproveitando cada segundo

ROgER

Marx SEGUNDO

APROVEITANDO CADA

Se você é tatuador e roqueiro, ter a oportunidade de deixar sua marca no corpo de um artista que você admira é, sem dúvida, uma das maiores realizações na carreira. O paulistano Roger Marx passou por essa experiência, tatuando integrantes de bandas como The Donnas, Face To Face e LA Guns. Mas, pra contar essa história, vamos voltar um pouco no tempo... Final dos anos 90. Assim como outras centenas de jovens paulistanos, Roger milita no efervescente cenário underground da cidade, ao lado de sua banda, o Cyber-Jack. Formada em 1998, a banda lançou um EP, juntou os trocados e foi tentar a sorte nos EUA. Alguns shows, algumas noites mal dormidas num trailer imundo e o visto de permanência chega ao fim. De volta ao Brasil, aquela desanimada básica, anti-clímax natural de retornar ao país sem atingir os objetivos. Desânimo colocado de lado, em 2004 lançam o álbum The Great Red Spot, de modo independente. Rock alternativo, pesado, letras em inglês. O disco tem uma repercussão discreta no Brasil, mas chama atenção no exterior. Porém, apesar das boas perspectivas, a vida de Roger começa a caminhar para outro lado...


outono 2011 pg. 124

“Quase fui processado pelo steven adler (primeiro baterista do Guns). fumamos um ‘beck’ no meio do rainbow bar & Grill

e eu, estupidamente, Gravei um vídeo disso. foi com o consentimento dele, claro,

mas fiz a caGada de por no Youtube e

ele ficou puto da vida!” Roger Marx


Roger em ação, tatuando integrantes da banda The Donnas.

O COMEÇO NA TATUAGEM

E o outro lado foi a tatuagem. Nasceu de uma brincadeira, e Roger conta como foi: “Meu amigo Joe (Klener, dono do Inferno Club na Rua Augusta) me deu sua antiga máquina de tatuar, porque um dia, brincando, disse pra ele que ia virar tatuador porque estava precisando de grana”. Nessa época, o Inferno Club ainda não existia, e Joe estava no Brasil para alguns shows com sua banda, o Corazones Muertos, da Argentina. “Eles vieram de carro pro Brasil em 2005, não tinham onde ficar e acabei abrigando 6 argentinos peludos no meu apartamento” (risos), recorda. Depois de alguns shows no Brasil, a banda voltou para a Argentina, mas Joe decidiu ficar e abrir o Inferno Club. “A primeira tattoo que fiz foi em mim mesmo, uma caveira horrível no pé (que ainda tenho)”, diz Roger. “Queria apenas ver o quanto tinha que enfiar a agulha na pele, e nada melhor que testar em si próprio”. O hábito de se auto-tatuar, porém, permaneceu. “Minha perna direita toda é meu rascunho. Faço testes e homenagens nela. Algumas de ponta cabeça, pra eu ver e não para os outros. Ou retoco meu braço as vezes, apenas porque não tenho nada melhor pra fazer!”

CONEXÃO SP-LAX

Para aprimorar sua técnica e também para comprar material para tatuagem, Roger passou a viajar para os EUA pelo menos uma vez por ano. Destino: Los Angeles. “Lá eu me atualizo no mundo da tattoo. Tenho acesso aos melhores materiais e o preço de tudo é muito menor”, conta. Além de ir às compras, as viagens servem também para ganhar mais experiência prática: “Quando vou, peço espaço em um estúdio como guest artist, bato de porta em porta com meu portfólio e sempre sou bem recebido... Faço isso para tirar uma grana extra e principalmente para assistir tatuadores fodões em ação. Assim aprendo, é tipo um workshop remunerado”.

Óbvio que nem tudo são flores. As famosas roubadas também costumam dar o ar da graça, como aconteceu na sua última viagem, no fim de 2010. “Cheguei para ficar dois meses, mas a Cia Aérea perdeu minhas malas... não tinha mais meu equipo, nem cuecas limpas! Esperei uma semana e nada. Tive que comprar tudo de novo. 700 dólares em máquina, tintas, agulha, pedal... Detalhe: havia embarcado com apenas 2000 dólares, contando que ia chegar e trampar.” Não bastasse o prejuízo inicial, Roger ainda teve a ideia, nada brilhante, de ir pra Las Vegas com um amigo, para passar o final de ano. Mais gastos. Na volta para LA, a realidade nua e crua: 70 doletas no bolso, sem malas e ainda sem trampar. “No dia seguinte comecei no estúdio House of Ink, me levantei, fazia 3, 4 tattoos por dia. Não sou o melhor tatuador do mundo, mas sou bem rápido, então pegava uma atrás da outra.”

DAS PRÓPRIAS PERNAS PARA OS ROCK STARS

O cara que se auto-tatuava em 2005 evoluiu rápido, e hoje vem cravando seu estilo na pele de muitos roqueiros brasileiros e gringos. “É um prazer juntar na minha vida tatuagem e música, as duas coisas que me satisfazem. Acho que meu trabalho vai melhorando e evoluindo porque realmente gosto do que faço, ponho minha alma em cada arte que começo.” Um pouco da sua alma já foi parar na pele de duas integrantes da banda The Donnas: ele tatuou Allison Robertson (guitarrista) e Maya Ford (baixista). “Além delas, tatuei o peito inteiro do Scott Shiflett (baixista do Face to Face e irmão do Chris, do Foo Fighters), que ficou meu brother, e tatuei pela terceira vez membros da banda de hard rock LA GUNS, da qual sempre fui fã e me orgulho de ter virado amigo deles”, conta. A lista de roqueiros tatuados por ele não pára por aí: “tatuei mais alguns membros

de bandas, como o Pete, baixista da tradicional banda punk britânica Vibrators, e o vocalista do Flaming Sideburns, da Finlândia. Do Brasil, tatuei o Pit Passarell do Viper (vi o Viper abrindo pro Metallica em 93!!!), o Flávio do Forgotten Boys, o Cleiton do Cordel do Fogo Encantado e o cantor OTTO, além de muitas outras pessoas da cena underground de São Paulo”. O envolvimento com celebridades, porém, não está livre de algumas situações estranhas. Ainda mais quando há alguém do Guns N’ Roses na história. “Quase fui processado pelo Steven Adler (primeiro baterista do Guns)”, diz. “Fumamos um ‘beck’ no meio do Rainbow Bar & Grill e eu, estupidamente, fiz um vídeo disso. Foi com o consentimento dele, claro, mas fiz a cagada de por no Youtube e ele ficou puto da vida! Mas ficou nisso...”

NA ESTRADA COM O KRISIUN?

Para 2011, uma das metas de Roger é cair na estrada com a banda de metal extremo Krisiun. Não, ele não vai trampar de roadie ou merchandise. Vai, isso sim, tatuar. Ele explica: “Eles são meus vizinhos aqui em SP há 10 anos. Já tatuei a mão do Moyses (guitarrista) e vou tatuar os outros dois. Então estamos fechando essa parceria: eles vão tocar em alguns festivais na Europa esse ano, e em muitos deles tem vaga para tatuadores seguirem junto tatuando equipe, bandas e fãs! Achei a ideia bem interessante e vou tentar ir com eles”. Além de tatuar roqueiros, Roger continua fazendo rock também. Com o fim do Cyber-Jack, ele juntou forças com o guitarrista e o vocalista da extinta banda e montou o Liberta. Aos 31 anos, o tatuador-músico parece querer aproveitar cada segundo da vida como se fosse o último. E vai conseguindo: “Em 6 anos na profissão, já fiz mais de 1000 tatuagens”. Os headbangers europeus que aguardem, pois esse número vai aumentar em breve...


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