A editora e os autores deste livro não mediram esforços para assegurar dados corretos e informações precisas. Entretanto, por ser a medicina uma ciência em permanente evolução, recomendamos aos nossos leitores recorrer à bula dos medicamentos e a outras fontes fidedignas, bem como avaliar, cuidadosamente, as recomendações contidas no livro em relação às condições clínicas de cada paciente.
Organizadores
Silvio Silva Fernandes
Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Vassouras (Univassouras), RJ.
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Pós-graduação em Ginecologia pela Escola de Pós-graduação Médica da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (Cesanta).
Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Chefe da Enfermaria 28 da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro – Serviço de Ginecologia –Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Diretor Clínico do Hospital Mario Kroeff, RJ.
Chefe do Serviço de Ginecologia Oncológica do Hospital Mario Kroeff, RJ.
Professor da Disciplina de Ginecologia da Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Coordenador do Curso de Ginecologia da Escola de Pós-graduação Médica da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Coordenador do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Ginecologia da Universidade Santa Úrsula (USU).
Coordenador do Curso de Mastologia da Escola de Pós-graduação Médica da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Coordenador do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Mastologia da USU.
Professor da Disciplina de Ginecologia do Instituto de Educação Médica (Idomed) da Unesa.
Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).
Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ) – Gestão 2022-2027.
Paulo Roberto Nassar de Carvalho
Secretário-geral da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ) –Gestão 2025-2028.
Diretor-geral do Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (Faculdade Ietecs).
Pós-doutorado em Cirurgia Fetal pela University of Southern California, EUA.
Mestre e Doutor em Ciências pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Médico do Setor de Medicina Fetal do IFF – Fiocruz.
Professor da Disciplina de Obstetrícia do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso).
Fernando Maia Peixoto Filho
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), MG.
Professor Adjunto de Obstetrícia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Mestre, Doutor e Pós-doutor em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Diretor da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ) – Gestão 2022-2027.
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Título de Especialista em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (TUSGO) – Conselho Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por imagem (CBR)/Febrasgo/AMB.
Título de Especialista em Medicina Fetal pela Febrasgo/AMB.
Colaboradores
Alberto Alves Borges
Diretor do Hospital Maternidade Carmela Dutra, RJ.
Alyne Maia de Sá
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Mestre na Área de Concentração em Técnicas Videoendoscópicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Pós-graduada em Medicina Fetal pela Faculdade Estácio de Sá (Unesa).
Médica Obstetra na Maternidade do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Ana Lang Botticelli
Médica pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Federal do Andaraí e Hospital Maternidade Carmela Dutra, RJ.
Pós-graduação em Medicina Fetal pela Unesa/Perinatal.
Pós-graduação em Perinatologia no Sistema Único de Saúde (SUS) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Pós-graduação em Educação em Sexualidade pelo Instituto Salesiano.
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Ana Oliva da F. S. Bacil
Médica do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCTCO) – Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), Teresópolis-RJ.
Pós-graduada em Medicina Fetal pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Residência Médica pelo IFF – Fiocruz.
André Luiz Arnaud Fonseca
Professor de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Professor Titular de Obstetrícia da Pós-graduação do Instituto Carlos Chagas (ICC).
Coordenador da Pós-graduação em Clínica Obstétrica da Universidade Santa Úrsula (USU).
Especialista em Medicina Fetal pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Febrasgo.
Especialista em Ultrassonografia pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).
Fellow-Professor do King’s College, London-UK.
Fellow-Professor do Mount Sinai Hospital, New York-USA.
Fellow-Professor da Yale University, New Haven-USA.
Anna Beatriz de Sant’Anna Nery Andrade
Magalhães
Médica Residente da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Antônio Braga
Professor de Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade de Vassouras (Univassouras).
Visiting Professor at Harvard Medical School.
President Elected on the International Societ for the Study of Trophoblastic Disease – 2024 a 2028.
Livre-docente em Obstetrícia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Mestre, Doutor, Pós-doutor em Obstetrícia pela Unesp. Pós-doutor em Doença Trofoblástica Gestacional pela Harvard Medical School e pelo Imperial College of London. Diretor do Centro de Doença Trofoblástica Gestacional do Rio de Janeiro.
Augusta Maria de Assumpção Moreira
Graduada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia com Residência Médica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Mestrado Profissional em Saúde da Mulher e da Criança pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Cursando o Doutorado Acadêmico pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva pelo IFF – Fiocruz. Médica da Fiocruz.
Bianca Balzano de La Fuente Villar
Doutora em Pesquisa Clínica pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes
Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Infectologista Responsável pelo Ambulatório de Infecções
Congênitas do IFF – Fiocruz.
Médica do Departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Residência Médica em Infectologia pela UFRJ.
Mestre e Doutora em Saúde da Criança e da Mulher no IFF – Fiocruz.
Professora Assistente de Doenças Infecciosas e Parasitárias na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Bruna Martins Rodrigues Neves
Residente do Programa de Residência em Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Bruna Obeica Vasconcellos
Mestre em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Professora Assistente de Tocoginecologia na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques.
Carina Blanco Messeder
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Carlos Eduardo Ferreira Novaes
Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Professor da Pós-graduação em Obstetrícia da Universidade Santa Úrsula (USU), RJ.
Professor da Pós-graduação em Obstetrícia da Fundação Carlos Chagas (FCC).
Carolina Aquino Guedes Ramos
Graduada em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF).
Mestre em Ciências da Saúde pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Professora Assistente de Ginecologia e Obstetrícia na Fundação Técnico-Educacional Souza Marques.
Carolina Carvalho Mocarzel
Mestre e Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Médica Ginecologista e Obstetra e Preceptora de Residência Médica no Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.
Caroline Graça Mota Damasceno
Médica pela Fundação Técnico-Educacional Souza Marques.
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Municipal da Piedade e Hospital Maternidade Carmela Dutra, RJ.
Caroline Mählmann Muniz Dantas Guedes
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Geral de Nova Iguaçu, RJ.
Pós-graduação em Medicina Fetal pela Universidade Estácio de Sá (Unesa)/Perinatal/Instituto de Estudos em Tecnologia e Saúde (Ietecs).
Certificado de Área de Atuação em Medicina Fetal pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)/Associação Médica Brasileira (AMB).
Catarina de Queirós Mattoso Mocelin
Graduada em Medicina pela Fundação TécnicoEducacional Souza Marques.
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE)/Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Christiano Hallack
Médico de Rotina do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCTCO) – Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), Teresópolis, RJ.
Pós-graduado em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola de Ultrassonografia e Reciclagem Médica de Ribeirão Preto (EURP), SP. Residência Médica no HCTCO – Unifeso.
Clara Alves Antunes
Diretora Médica da Clínica Nattus.
Professora da Pós-graduação em Ultrassonografia Obstétrica e Morfológico da Cetrus, SP.
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Especialista em Medicina Fetal pela Febrasgo.
Cristiane Alves de Oliveira
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Professora Associada de Obstetrícia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ex-professora Adjunta de Obstetrícia da UFRJ. Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela UFRJ.
Mestre e Doutora em Ciências Médicas pela UFF.
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Certificado de Atuação na Área de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira (AMB), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e Febrasgo.
Título de Especialista em Medicina Fetal pela AMB e pela Febrasgo.
Cristos Pritsivelis
Chefe da Unidade de Medicina Fetal da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre e Doutor em Radiologia pela Faculdade de Medicina da UFRJ.
Danielle Bittencourt Sodré Barmpas
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Secretaria Municipal de Saúde (SMS), RJ.
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Diploma Internacional em Medicina Fetal pela The Fetal Medicine Foundation (Londres).
Mestre em Ciências Médicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Doutoranda em Saúde da Mulher e da Criança (Obstetrícia) pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Denise Leite Maia Monteiro
Professora Titular de Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-Uerj).
Professora Titular de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), Teresópolis, RJ.
Doutora e Mestre na Área da Saúde da Criança e da Mulher pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Diretora da Associação Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia na Infância e na Adolescência (SOGIA-BR).
Membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Membro Titular da Academia de Medicina do Rio de Janeiro (AMRJ).
Presidente da Comissão de Ginecologia na Infância e Adolescência da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ).
Eduardo Teixeira da Silva Ribeiro
Pós-graduação em Medicina Fetal no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Médico Obstetra no IFF – Fiocruz.
Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciência Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-Uerj).
Elisa Costa de Carvalho
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Residente de Obstetrícia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Eloá Costa Cândido Fontana
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Fernanda Campos da Silva
Professora Associada de Obstetrícia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Coordenadora de Obstetrícia da Perinatal Barra/Rede D’Or, RJ.
Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Fernanda Cristina Carvalho Mattos
Pós-doutorado na Linha de Bioquímica Nutricional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Mestre em Clínica Médica pela UFRJ.
Diploma de Competência em Sobrepeso e Obesidade pelo Colégio Oficial de Médicos de Barcelona, Espanha. Supervisora e Nutricionista do Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFC) da UFRJ.
Fernanda Freitas
Médica Assistente do Centro de Doença Trofoblástica Gestacional do Rio de Janeiro.
Doutora em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Fernanda Oliveira Braga de Albuquerque
Médica Endocrinologista e Preceptora de Residência
Médica do Serviço de Diabetes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Mestre em Medicina e Doutoranda pela Pós-graduação de Ciências Médicas da Uerj.
Pós-graduada em Estilo de Vida e Coaching de Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein, SP.
Certificada em Medicina do Estilo de Vida pelo International Board of Lifestyle Medicine (IBLM).
Filomena Aste Silveira
Professora Titular de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Universitário de Valença (Unifaa), RJ.
Chefe de Departamento da Saúde da Mulher do Unifaa. Professora Colaboradora de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Doutora e Mestre – Área de Ciências Cirúrgicas da UFRJ. Delegada da Associação Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia na Infância e na Adolescência (SOGIA), RJ.
Flávia Cunha dos Santos
Professora Adjunta de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Médica Obstetra da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Gabriela Giannini de Sousa
Graduada em Medicina Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Gabriela Paiva
Médica da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Médica Assistente do Centro de Doença Trofoblástica Gestacional do Rio de Janeiro.
Doutoranda em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Guilherme Ribeiro Ramires de Jesús
Doutor em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-Uerj).
Médico Obstetra do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Gustavo Mourão Rodrigues
Graduado em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Chefe da Maternidade Escola Professor Rogério Rocco – Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG)/ Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Professor do Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (Ietecs).
Ultrassonografista do Grupo Fleury e Perinatal Barra, RJ.
Héctor Andrés Burbano Caicedo
Graduado em Medicina pela Universidade Cooperativa de Colombia, com revalidação do Diploma Médico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Pós-graduado em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Santa Casa de Misericórdia e Hospital Maternidade Herculano Pinheiro.
Pós-graduação em Medicina Fetal pela Universidade Estácio de Sá (Unesa)/Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (Ietecs).
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Helder Dotta da Gama
Residência em Obstetrícia e Ginecologia pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro.
Pós-graduação em Medicina Fetal pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Mestrado em Saúde da Criança e da Mulher pelo IFF – Fiocruz.
Título de Especialista em Medicina Fetal pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Hélder Konrad de Melo
Título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Título de Especialista em Terapia intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Helena Cesáreo
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Heron Werner
Médico Assistant Étranger pela Université Paris Descartes. Mestre em Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Visiting Professor Lectureship no Serviço no serviço de Radiologia do The Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) – USA.
Membro Fundador da Academia Brasileira de Ultrassonografia – Cadeira no 27.
Isabella Ballalai Pediatra.
Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Coordenadora do Confianza en las Vacunas Latinoamérica (ConfíaLA).
Membro do Comitê Consultivo Brasileiro de Imunização –Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) – Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI) – Ministério da Saúde (MS).
Membro do Comitê Consultivo Brasileiro de Emergências em Saúde Pública – Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP) – Ministério da Saúde (MS).
Presidente do Departamento Científico de Imunização da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj).
Membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Diretor Médico da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Coordenador da Maternidade Perinatal Caxias D’Or, RJ. Secretário da Comissão Nacional Especializada em Medicina Fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Mestre em Morfologia e Doutor e Fisiologia pela UFRJ.
Jamile Devens Pimentel
Professora Adjunta do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Joffre Amim Junior
Professor Titular de Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre e Doutor em Obstetrícia pela UFRJ.
Superintendente Executivo da Maternidade Escola do Complexo Hospitalar (CH) da UFRJ.
Jorge Rezende Filho
Professor Titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Faculdade Souza Marques, da Faculdade de Medicina de Teresópolis (Unifeso) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Livre-docente em Obstetrícia pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestre e Doutor em Obstetrícia pela UFRJ.
Membro Titular da Academia Nacional de Medicina (ANM).
José Paulo Pereira Júnior
Doutor em Pesquisa Clínica pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Gestor da Área de Atenção Clínico-cirúrgica a Gestante do IFF – Fiocruz.
Médico Responsável pelo Ambulatório de Infecções
Congênitas do IFF – Fiocruz.
Professor Adjunto de Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Júlia Góes Guimarães
Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Médica Obstetra no IFF – Fiocruz.
Julia Serpa de Miranda
Médica Especialista em Obstetrícia e Ginecologia pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Juliana Procópio de Almeida
Graduada em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Uerj.
Especialista em Endoscopia Ginecológica pelo Hospital Federal de Ipanema, RJ.
Obstetra do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Juliana Silva Esteves
Mestre em Ciências pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Doutora em Ciências pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Professora Adjunta de Obstetrícia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Karine Rodrigues Fraga
Residente do Programa de Residência em Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Larissa de Quevedo Conde
Graduada em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul).
Ginecologista e Obstetra pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Letícia Lattanzi
Graduada em Medicina pela Fundação TécnicoEducacional Souza Marques. Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado.
Luísa Moreira de Ávila
Graduada em Medicina pela Universidade Severino Sombra, RJ.
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado, RJ.
Pós-graduada em Medicina Fetal pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Mestre em Saúde da Criança e da Mulher pelo IFF –Fiocruz.
Luísa Villaça Giron
Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Ginecologista e Obstetra pelo Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), RJ.
Residente em Mastologia no Instituto Nacional do Câncer (Inca), RJ.
Marcela Ignacchiti Lacerda Ávila
Doutora em Ciências Médicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Professora Adjunta de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj.
Coordenadora da Residência Médica em Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Uerj. Médica do Exército Brasileiro.
Médica Obstetra no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Marcelo Trindade Alves de Menezes
Mestre em Saúde da Criança e da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Médico Obstetra da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Médico Obstetra do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Marcio Bezerra Barcellos
Médico Assistente do Centro de Doença Trofoblástica
Gestacional do Rio de Janeiro.
Doutorando em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Marco Oliveira Py
Mestre e Doutor em Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ex-presidente da Associação de Neurologia do Rio de Janeiro (Anerj).
Marcos Nakamura Pereira
Mestre em Saúde da Criança e da Mulher pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz. Médico do IFF – Fiocruz.
Doutor em Epidemiologia em Saúde Pública pela Fiocruz.
Marcos Vinicius da Silva Pone
Doutor em Pesquisa Aplicada a Saúde da Criança e da Mulher pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Infectologista Pediátrico Responsável pela Unidade de Infectologia Pediátrica do IFF – Fiocruz.
Maria de Fátima Monteiro Pereira Leite
Residência Médica em Pediatria pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Área de Atuação Cardiologia Pediátrica pela Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC)/Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Doutora em Ciências da Saúde pelo Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC) do Rio Grande do Sul.
Médica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Mariana Calixto Acchar Camara
Graduada em Medicina e Residência Médica em Neurologia pela Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ).
Mestre em Neurologia pela UFRJ.
Coordenadora do Curso de Medicina do Instituto de Educação Médica – Idomed/Estácio – Campus Cittá.
Mariana Costa Roza
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Souza Marques.
Cursando Pós-graduação de Ginecologia Endócrina e Reprodução Assistida pelo Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (IETECS).
Mariana Martins Ferraz
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ).
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (Tego) pela UFRJ.
Pós-graduada em Medicina Fetal pela Perinatal.
Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Ginecologista e Obstetra do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Mariana Quintela Rodrigues Pereira
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Mayara de Moura Ramos Teixeira
Graduada em Medicina pela Fundação TécnicoEducacional Souza Marques.
Residente de Obstetrícia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Morená Mourão Zugliani
Especialista em Psiquiatria Reprodutiva.
Philosophy Doctor (PhD) em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ipub).
Nathalia Kasper e Louro
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCTCO) – Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), Teresópolis-RJ.
Pós-graduação em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pelo Instituto de Estudos em Tecnologia da Saúde (Ietecs).
Pós-graduanda em Medicina Fetal pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Nathane Santanna Felix
Médica Intensivista.
Doutora em Fisiologia pela Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ).
Título de Terapia Intensiva pela Associação Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Nilson Ramires de Jesús
Doutor em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj.
Coordenador da Unidade Docente Assistencial de Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Uerj.
Médico Obstetra da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Pamela Santos Borges Araújo
Graduação Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Cardiologista e Ecocardiografista pela Univesidade do Estado do do Rio de Janeiro (Uerj).
Cardiologista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)/Associação Médica Brasileira (AMB).
Paula Stephanie Meneses Melo
Residente do Programa de Residência em Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Pedro Castro
Professor Adjunto de Obstetrícia da Universidade de Vassouras (Univassouras), RJ.
Doutor em Radiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Rachel Mendes Torrieri
Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), RJ.
Rafaela Barbosa Peixoto Durovni
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Raphael Alevato
Médico Assistente do Centro de Doença Trofoblástica Gestacional do Rio de Janeiro.
Mestrando em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Raquel de Carvalho Abi-Abib
Médica Endocrinologista e Preceptora de Residência Médica do Serviço de Diabetes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Médica do Serviço de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Endocrinologia e Metabologia pela UFRJ.
Raquel Mendes Moreira
Graduanda em Medicina pela Universidade de Vassouras (Univassouras), RJ.
Renan Fonseca Cardozo
Médico pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Especialista em Obstetrícia e Ginecologia e Medicina Fetal pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) –Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Mestre em Ciências pela Fiocruz.
Doutorando em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Renata Leonardo Soares de Figueiredo Peixoto
Médica do Departamento de Obstetrícia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Pós-graduada em Medicina Fetal pelo IFF – Fiocruz.
Renato Augusto Moreira de Sá
Ex-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro (SGORJ).
Pós-doutor em Medicina Fetal pela Universidade de Paris. Pesquisador do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).
Ricardo Iannarella
Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCTCO) – Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), Teresópolis, RJ.
Pós-graduado em Medicina Fetal pela Cetrus, SP.
Mestre em Saúde Perinatal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Coordenador do Serviço de Medicina Fetal Perinatal Oeste D’Or.
Roberta Siuffo Schneider Duque
Professora de Cardiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Rosivânia Maria Albino
Residentes do Programa de Residência em Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Sheila Moura Pone
Doutora em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas pelo Instituto Nacional de Infectologia (INI) – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Pediatra Responsável pela Enfermaria de Infectologia Pediátrica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) – Fiocruz.
Sidney Rocha de Mattos Júnior
Diretor Médico da Maternidade Carmela Dutra, RJ. Médico da Maternidade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Professor do Centro Universitário Souza Marques (UniSm).
Membro do Grupo de Emergências Obstétricas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Membro da Comissão de Mortalidade Materna da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ).
Thayana Camara Conde
Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado, RJ.
Residência Médica em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Mestre em Saúde Materno-infantil pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Vander Guimarães Silva
Professor Titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), RJ.
Vanessa Campos Baptista
Médica Assistente do Centro de Doença Trofoblástica
Gestacional do Rio de Janeiro.
Doutoranda em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Wallace Mendes da Silva
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela UFRJ e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Mestre em Saúde Perinatal pela UFRJ.
Médico Obstetra do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE).
Coordenador do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia do HFSE.
Professor de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá (Unesa)/Instituto de Educação Médica (Idomed).
Coordenador Médico de Obstetrícia do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro Secretaria Municipal de Saúde (SMS), RJ.
Ynnaê Côrtes da Silva Neri
Graduanda em Medicina pela Universidade de Vassouras (Univassouras), RJ.
Graduada em Enfermagem pela Universidade de Brasília (UnB).
Pós-graduada em Enfermagem do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás).
35
36
37
Guilherme Ribeiro Ramires de Jesús Gabriela Giannini de Sousa
Marcela Ignacchiti Lacerda Ávila
Nilson Ramires de Jesús Guilherme Ribeiro Ramires de Jesús
Marcela Ignacchiti Lacerda Ávila
Nilson Ramires de Jesús Guilherme Ribeiro Ramires de Jesús
Marcela Ignacchiti Lacerda Ávila
Antifosfolipídio
Nilson Ramires de Jesús Guilherme Ribeiro Ramires de Jesús
Fernando Maia Peixoto Filho Carina Blanco Messeder 75 Prolapso de Cordão Umbilical
Alberto Alves Borges Caroline Graça Mota Damasceno 76 Rotura Uterina
77
Flávia Cunha dos Santos Jorge Rezende Filho
Sidney Rocha de Mattos Júnior
78 Infecção Puerperal
Flávia Cunha dos Santos Jorge Rezende Filho
Assistência Pré-Natal e Ciclo Gravídico Fisiológico
1 Avaliação Preconcepcional, 3
2 Assistência ao Pré-natal, 7
3 Vacinação da Gestante, 15
4 Gravidez na Adolescência, 20
5 Idade Materna Avançada, 25
6 Obesidade, 29
7 Puerpério Fisiológico, 34
8 Aleitamento Materno, 43
9 Pré-natal da Pessoa LGBTQIAPN+, 52
Assistência Pré-Natal e Ciclo Gravídico Fisiológico
7 Puerpério Fisiológico
Augusta Maria de Assumpção Moreira
“Mesmo sendo o puerpério um período de riscos para as mulheres, muitas vezes é negligenciado. As atenções voltam-se muito para os cuidados com o bebê, e as modificações na mulher neste período ficam desassistidas”.1
Introdução
O puerpério é o período que se inicia após o parto e se estende até que o organismo da mulher retorne ao estado pré-gravídico. A literatura científica apresenta diversos conceitos sobre o que representa o puerpério, sob os pontos de vista bio- e psicossocial, pois o organismo da mulher passa por várias transformações físicas e emocionais, à medida que se recupera da gestação e do parto. Com delimitação final imprecisa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o define como o tempo compreendido até 6 semanas (42 dias) após o parto.2 É comum dividi-lo em:
Pós-parto imediato: do 1o ao 10o dia.
Pós-parto tardio: do 10o ao 42o dia
Pós-parto remoto: além do 42o dia.
Muitos estudos têm considerado o pós-parto as 12 semanas que sucedem o parto, a partir do conceito de exterogestação,3 que, mais recentemente, passou a denominar-se “quarto trimestre”.4
Pela perspectiva biológica, o puerpério constitui-se de um período que apresenta alterações hormonais importantes e tem seu término imprevisto, pois, enquanto a mulher amamentar, ela estará sofrendo modificações corporais e hormonais, que podem se prolongar. É um período crítico e requer cuidados específicos, tanto para a saúde da mãe quanto do recém-nascido (RN), pois envolve aspectos fisiológicos e psicológicos significativos. As mudanças corporais incluem a involução do útero, a cicatrização de feridas e lesões no canal de parto, as alterações mamárias e da libido e as adaptações físicas e emocionais relacionadas à maternidade. Em um cenário não patológico e usual, além da recuperação do parto, neste período a mulher está aprendendo a lidar com as demandas de um RN. Faz-se necessária uma avaliação integral dela com o objetivo de identificar suas necessidades e acompanhar o retorno do seu organismo às
condições do período pré-gravídico, além de maior vulnerabilidade psíquica.
Podemos destacar a amamentação como um aspecto fundamental desse período. O leite materno não somente é considerado o melhor alimento para o RN, mas, além do seu valor nutritivo, possui relevância imunológica, colaborando para proteger o bebê contra infecções e doenças. Assim, promove um vínculo emocional entre mãe e filho, com benefícios para a saúde do binômio, como a redução do risco de depressão pós-parto e a ajuda na recuperação do peso.
O puerpério é uma etapa importante para o estabelecimento dos padrões parentais, a formação de vínculo e o desenvolvimento infantil. Consiste em um momento desafiador de aprendizado e adaptação. A rede de apoio, com suporte familiar e profissional é primordial para que as mães se sintam seguras e confiantes. Durante o período de pós-parto, além das orientações sobre autocuidado e com o RN, é imprescindível que as mulheres estejam atentas aos sinais de complicações, como sangramentos excessivos, sinais de infecção, dor, febre e alterações visuais, e busquem ajuda médica quando necessário.
Principais Características do Puerpério
Recuperação Física
O útero, que se expandiu durante a gravidez, logo após o parto encontra-se pouco acima da cicatriz umbilical, sofrendo rápido processo involutivo entre o 3o e o 10o dias pós-parto, quando reassume sua localização intrapélvica. Essa involução uterina pode causar cólicas similares às menstruais, acompanhadas de episódios de sangramentos conhecidos como loquiação, que consiste na secreção composta por sangue, restos de tecido do útero e muco, decorrente do processo de contração dos vasos uterinos no sítio de inserção placentária. Os lóquios possuem uma coloração que vai desde o vermelho intenso até um fluxo mais claro ao longo do tempo, podendo durar de 2 a 6 semanas após o parto.
Amamentação
A produção de leite é estimulada a partir da sucção do bebê na mama, tendo a hipófise importante papel na liberação dos hormônios que irão manter essa produção.
Cu i dados respeitosos, individualizados
Intervenções de apoiopráticas de a cuidados saudáveis, procura de cuidados e suporte familiar no domicílio
Processos e preparação reforçados para a alta hospitalar
Sistemasdereferência eficazes e centrados
Cu idados contínuos
Avaliações das mulheres edos recém-nascidos e medidas de prevenção
nas primeiras
Contracepção pós-parto
Intervenções para questões de fisiologia materna comuns
24hpósonascimento
Prevenção e identificação precoce das condições de saúde mental das mães
Nutrição das mulheres e dos recém-nascidos e alimentação
Crescimento e desenvolvimento das crianças
Figura 7.1 Representação esquemática do modelo de atenção pós-natal da Organização Mundial da Saúde Fonte: adaptada de OMS, 2022.9
Referências
1. Silva MR, Krebs VA. Uma análise sobre a saúde da mulher no período puerperal/An analysis on women’s health in the puerperal period. Braz J Health Rev. 2021; 4(1):611-20.
2. Rezende Filho J. Rezende obstetrícia. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. p. 642-60.
3. Montagu A. Tocar: o significado humano da pele. São Paulo: Summus, 1988. p. 67.
5. Cox PRJ, Holden J, Henshaw C. Perinatal mental health: the Edinburgh postnatal depression scale (EPDS) manual. Scottish Med J. 2014; 59(3):171-1.
6. Balaram K, Marwaha R. Postpartum blues. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2024. Disponível em: https://www. ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554546/. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Depressão pós-parto. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/ d/depressao-pos-parto. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
8. Cunningham FG, Gant NF, Leveno KJ et al. The puerperium. In: Cunningham FG, Leveno KJ, Bloom SL et al. (eds.). Williams obstetrics. 25. ed. New York: McGraw-Hill Company, 2018.
9. Organização Mundial da Saúde (OMS). Recomendações da OMS sobre cuidados maternos e neonatais para uma experiência pós-natal positiva: sumário executivo, 2022. Organização Mundial da Saúde. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/354560. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
10. Brasil. Ministério da Saúde (BR). Portaria no 2.068, de 21 de outubro de 2016. Institui diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada à mulher e ao recém-nascido no Alojamento Conjunto. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/ prt2068_21_10_2016.html. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
11. Brasil. Ministério da Saúde, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras Área Técnica de Alimentação e Nutrição (Abenfo). Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov. br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
12. Hummel CM, Morais MC, Santos MRAA et al. A microbiota adquirida de acordo com a via de nascimento: uma revisão integrativa. Arch Health. 2024; 5(3):e1851. Disponível em: https://ojs.latinamericanpublicacoes.com.br/ojs/index.php/ah/article/view/1851. Acesso em: 9 de dezembro de 2025.
Medicina Fetal e Avaliação da Vitalidade II
10 Rastreio do Primeiro Trimestre, 61
11 Malformações Fetais Incompatíveis com a Vida, 69
12 Procedimentos Invasivos Diagnósticos, 75
13 Terapêutica Fetal Clínica, 82
14 Cirurgia Fetal, 90
15 Doença Hemolítica Perinatal, 97
16 Polidramnia, 104
17 Oligodramnia, 108
18 Natimortalidade, 111
Medicina
Fetal e Avaliação da Vitalidade
16 Polidramnia
Jair Roberto da Silva Braga Clara Alves Antunes
Introdução
O feto está envolvido por líquido amniótico (LA) durante todo o seu desenvolvimento intrauterino. Esse líquido proporciona proteção contra traumas mecânicos, evita fenômenos compressivos do cordão umbilical, promove regulação térmica e é fundamental para o adequado desenvolvimento dos sistemas respiratório, gastrintestinal e musculoesquelético, permitindo a movimentação corporal. Nas primeiras semanas de gestação, o líquido é formado pela transferência de água pelo âmnio (fluxo transmembranoso), pelos vasos fetais na superfície placentária (fluxo intramembranoso) e pela pele fetal. A produção fetal de urina inicia-se entre 8 e 11 semanas, mas a urina só passa a ser um componente importante do LA no segundo trimestre da gestação.1,2
A quantidade do líquido varia de acordo com a idade gestacional (IG): aumenta de 8 até 34 semanas e sofre diminuição discreta até o termo. As vias com participação mais importante na regulação do volume do LA são:3
Produção de urina fetal: principal fonte de LA na segunda metade da gravidez.
Exsudato alveolar: que libera de 600 a 900mL/dia.
Deglutição fetal: principal mecanismo de reabsorção do LA.
Quando ocorre um desequilíbrio nesses fatores e encontramos um volume excessivo de LA (superior a 2.000mL), damos o nome de polidramnia, e sua incidência é estimada em 0,2% a 2% das gestações. As principais complicações associadas à polidramnia estão diretamente relacionadas à quantidade de LA:
Dificuldade respiratória materna.
Rotura prematura de membranas ovulares (RPMO).
Trabalho de parto prematuro.
Descolamento prematuro de placenta (DPP).
Parto prolongado com hipertonia.
Prolapso do cordão.
Hemorragia pós-parto (HPP).
Em cerca de 60% dos casos, a polidramnia é de natureza idiopática; nos outros 40%, conseguimos identificar uma causa materna, fetal ou placentária. Malformações congênitas e anomalias estruturais representam 30% das
causas de polidramnia (Tabela 16.1). A gravidade pode variar de acordo com a etiologia subjacente. A polidramnia grave geralmente é ocasionada por uma anomalia fetal, associada ou não às alterações genéticas. Os casos mais leves estão frequentemente associados ao diabetes materno e às gestações múltiplas, ou são idiopáticos.3,4
Diagnóstico
Clínico
O aumento do volume de LA costuma ser assintomático; entretanto, se o útero estiver muito distendido, podem ocorrer irritabilidade, dispneia restritiva, contrações uterinas e desconforto abdominal.
Ao exame físico, suspeita-se da presença de polidramnia quando a altura uterina está acima do esperado
Tabela 16.1 Condições fetais, maternas e placentárias associadas à polidramnia
SNC: sistema nervoso central; CMV: citomegalovírus; DM: diabetes melito; STFF: síndrome de transfusão feto-fetal.
para a IG, podendo estar associada ao edema na região suprapúbica, à distensão da pele do abdome, que apresenta aspecto brilhante e, por vezes, à presença de estrias extensas. Em casos mais graves, ocorre dificuldade na palpação do útero pelo volume uterino excessivo, o que prejudica a identificação das partes fetais.5
Ultrassonográfico
A ultrassonografia (USG) é a forma mais utilizada para estudo do LA, por critérios subjetivos, como aumento evidente do volume de LA ou grande discrepância entre o tamanho do feto e os bolsões de LA; ou por critérios objetivos, como a medida do maior bolsão vertical (MBV) ou a avaliação do índice de líquido amniótico (ILA). Embora a avaliação qualitativa da polidramnia possa ser feita inicialmente, usamos uma abordagem quantitativa porque fornece uma medida que pode ser comparada em exames seriados. Nos casos graves, a placenta apresenta-se fina em decorrência da acentuada distensão da cavidade amniótica.6,7
Medida do Maior Bolsão Vertical
O MBV é realizado ao se obter a máxima medida vertical de LA, sem partes fetais ou cordão. São consideradas normais as medidas entre 2 e 8cm; acima de 8cm, definimos como polidramnia. Essa técnica é simples, facilmente reprodutível e a melhor para avaliação do LA em gestações múltiplas (Figura 16.1).7,8
Índice do Líquido Amniótico
O ILA é o valor obtido pelo somatório das medidas verticais de LA dos quatro quadrantes do abdome materno. A gestante é avaliada em decúbito dorsal horizontal e a cavidade uterina é dividida em quatro quadrantes, utilizando-se a linha nigra como referência. Cada quadrante é avaliado pela mensuração vertical do maior bolsão de LA, em centímetros, posicionando-se o transdutor perpendicularmente em relação ao nível do solo (Figura 16.2). O resultado é interpretado a partir dos valores da normalidade recomendados pelo American
College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), sendo o limite inferior 5cm e o superior 25cm. O método é utilizado preferencialmente para gestações acima de 28 semanas e quando o fundo uterino ultrapassa a cicatriz umbilical.7,8
Figura 16.1 Medida do maior bolsão vertical demonstrando quadro de polidramnia
Figura 16.2 (A e B) Técnica de medida do índice do líquido amniótico (ILA)
A doença trofoblástica gestacional (DTG) engloba grupo de afecções derivadas da proliferação anômala de células do epitélio trofoblástico placentário. Inclui desde formas clínicas benignas, como mola hidatiforme (MH), mola hidatiforme completa (MHC) e mola hidatiforme parcial (MHP), até formas malignas que caracterizam a neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) que engloba a mola invasora, o coriocarcinoma, o tumor trofoblástico do sítio placentário (TTSP) e o tumor trofoblástico epitelioide (TTE).1,2
A presença sérica de gonadotrofina coriônica humana (hCG) é um marcador tumoral biológico e específico de todas as formas (benignas ou malignas) de DTG, permitindo o reconhecimento precoce da progressão maligna de MHC e MHP por meio de um nível de hCG estabilizado ou crescente, que ocorre em 15% a 20% e 1% a 5% dos casos, respectivamente.1
Existem outras entidades benignas da DTG, raras, menos conhecidas e estudadas, como:
Reação exagerada do sítio placentário.
Nódulo placentário.
Geralmente, são achados incidentais após abortamento, parto ou MH que não demandam seguimento adicional. No entanto, a presença de atipia celular requer acompanhamento rigoroso até a normalização do hCG em razão do risco de 10% a 15% dessas formas de nódulo do sítio placentário atípico progredir para TTSP/TTE.1-3
Epidemiologia
A incidência mundial de DTG é de cerca de 0,57 a 2 casos por 1.000 gestações com taxas mais altas relatadas na Ásia, na América Latina, no Oriente Médio e na África.3
Enquanto a gravidez molar acomete 1:2.000 mulheres que engravidam na Europa e 1:1.000 gestantes nos EUA, no Brasil ela parece ser aproximadamente 5 a 10 vezes mais frequente, ocorrendo em 1:200 a 400 gestações.4
As diferenças epidemiológicas podem estar relacionadas não apenas aos aspectos genéticos, imunológicos, ambientais e nutricionais, mas também à variabilidade metodológica entre os estudos publicados.
Fatores de Risco
Os dois principais fatores de risco para DTG são:2
1. Extremos de idade materna.
2. História prévia de DTG.
O risco de desenvolver MHC em população de mulheres em idade fértil é quase o dobro para mulheres com menos de 21 anos de idade e mais de 35 anos de idade, e 7,5 vezes maior para mulheres com mais de 40 anos de idade, o que sugere risco aumentado de gametogênese anormal e fertilização do oócito produzido em extremos de idade reprodutiva.4,5
Quanto ao segundo fator de risco, estudos relataram que mulheres com história de gravidez molar apresentam 1% a 2% de chance de recorrência de DTG em gestações subsequentes. A taxa de recorrência é muito maior após duas gestações molares (16% a 28%). Após duas gestações molares, o risco de terceira MH é de 15% a 20%, e o risco não diminui com a mudança de parceiro. Além disso, essas pacientes são mais propensas a desenvolver NTG nas gestações molares subsequentes.5
Mola Completa
Macroscopia: vesículas hidatiformes acometendo toda a placenta e ausência de tecido embriofetal e membranas ovulares. No segundo trimestre, as vesículas se apresentam como vilosidades hidrópicas volumosas e edemaciadas, intercaladas com coágulos sanguíneos semelhantes a um “cacho de uvas” (Figura 21.1). As vesículas são translúcidas, preenchidas por líquido claro, com diâmetro de 1 a 1,5mm no 1o trimestre e de 1,5 a 2cm no 2o trimestre.2
Histopatologia: vilosidades hidrópicas aumentadas, hiperplasia trofoblástica circunferencial geralmente moderada a acentuada, muitas vezes com atipia citológica e formação de cisterna central proeminente. Atualmente, a MHC é mais comumente diagnosticada no primeiro trimestre, sendo o nível de edema viloso coriônico e hiperplasia trofoblástica mais limitado.5
Citogenética: diploide e totalmente derivada do genoma paterno. Quase sempre surge quando um oócito sem cromossomos maternos nuclear é fecundado por um espermatozoide que duplica seu DNA, resultando
em cariótipo androgenético homozigoto 46,XX. Algumas MHC (15% a 25%) podem surgir após a fertilização dispérmica de um oócito “vazio” e são 46,XY ou 46,XX. Em ambos os casos, os cromossomos maternos são perdidos antes ou logo após a fertilização.6
Mola Parcial
Macroscopia: presença focal de vesículas na placenta, comumente menos volumosa que a MHC com hidropisia vilosa limitada, por vezes associada à presença de conceptos e/ou membranas ovulares. As vesículas são menores (1 a 5mm no 1o trimestre e até 2cm no 2o trimestre) e se entrelaçam em áreas de vilosidades normais. O feto é pequeno e tem múltiplas anomalias congênitas (Figura 21.2).2
Histopatologia: as vilosidades hidrópicas e a proliferação trofoblástica são focais. Há imunoexpressão de p57 no citotrofoblasto. As vilosidades são menores que na MHC e a atipia celular é leve. Pode haver áreas de placenta de aparência normal. Se o tecido fetal estiver bem desenvolvido, os tecidos apresentarão malformações consistentes com triploidia, como a sindactilia.5
Citogenética: triploide com origem genética materna e paterna com dois conjuntos de cromossomos haploides paternos e um conjunto de cromossomos haploides maternos. Em geral, resultam da fecundação de um oócito por dois espermatozoides ou, muito ocasionalmente, por um espermatozoide diploide e podem ser 69,XXX, 69,XXY ou, menos frequentemente, 69,XYY.6
Figura 21.1 (A e B) Aspecto macroscópico no segundo trimestre (A). Aspecto sonográfico no segundo trimestre (B)
Figura 21.2 (A e B) Aspecto macroscópico da mola parcial (A). Lesões císticas anecoicas à ultrassonografia mola hidatiforme parcial (B)
A B
A B
Intercorrências da Segunda Metade da Gestação
23 Prematuridade, 149
24 Rotura Prematura das Membranas Ovulares, 157
25 Diabetes Melito Gestacional, 162
26 Gravidez Gemelar, 167
27 Gravidez Prolongada, 175
Intercorrências da Segunda Metade da Gestação
27 Gravidez Prolongada
Ricardo Iannarella Ana Oliva da F. S. Bacil Christiano Hallack
Introdução
Um dos pilares para o estudo gestacional adequado é a determinação da idade gestacional (IG) de forma precisa. Cada período gestacional apresenta riscos, condutas e exames distintos, e necessitamos dessa correta datação para nortear a vigilância fetal formal, assim como a IG ideal para iniciar o parto ao invés de continuar o manejo expectante.
A gestação prolongada é definida como aquela que alcança ou ultrapassa 42 semanas de gestação (SG) e está relacionada ao aumento significativos de riscos para a mãe e para o feto. Embora as gestações que chegam a 41 semanas não se enquadrem na definição de gestação prolongada, elas já apresentam aumento de riscos e, por isso, também serão abordadas neste capítulo.1
Para a mãe, a gravidez prolongada aumenta o risco de hemorragias pós-parto (HPP) e cesarianas. Para o feto, há maior incidência de insuficiência placentária, oligodramnia e óbitos.2 O prolongamento da gestação pode acarretar aumento do peso fetal associado, resultando em partos mais complicados, com maior risco de tocotraumatismos e intervenções, além de reduzir a viabilidade da indução do trabalho de parto.
Compreender o impacto da IG nos desfechos gestacionais é fundamental, pois mesmo pequenos desvios no tempo de gestação podem ocasionar resultados substancialmente diferentes para a mãe e o feto. Esse conhecimento permite direcionar a melhor prática obstétrica, orientando a tomada de decisões.
Classificação da Gestação
O período a termo é compreendido entre 37 e 42 semanas, no entanto, novos dados vêm mostrando que as gestações entre 37 e 38+6 e entre 41 e 41+6 apresen-
Tabela 27.1 Classificação dos períodos gestacionais
tam índices de complicações maiores do que o período entre 39 e 40+6. Com base nessas evidências, foi proposta uma nova classificação do termo, sendo este dividido nos seguintes períodos apresentados na Tabela 27.1.3
A terminologia “pós-datismo” vem sendo empregada como sinônimo de gestação prolongada; porém, o pós-datismo se refere à gestação que se continua após a data provável do parto, ou seja, 40 semanas, não devendo, portanto, ser utilizada para esse fim.
Embora houvesse suspeita de que as complicações começassem a aumentar ao se aproximar das 42 semanas, até 2020 essa diferença não havia sido demostrada. Após revisão sistemática realizada pela Cochrane, ficou claro que as gestações com mais de 41 semanas apresentavam taxas significativamente maiores de desfechos fetais desfavoráveis, acarretando recomendação de oferecer a indução do parto também para estes casos.1 Todavia, ainda é motivo de controvérsia em qual momento após as 41 semanas os desfechos se tornam ruins; se imediatamente ao completar 41 semanas ou se ao se aproximar das 42 semanas.
Datação da gestação
Para a melhor datação, deve ser utilizado o método com menor margem de erro disponível. O padrão-ouro para a determinação da IG é a ultrassonografia (USG) de 1o trimestre entre a IG de 6 semanas até 13 semanas e 6 dias quando a medida do comprimento cabeça-nádega (CCN) (Tabela 27.2) ainda é possível, ou seja, com CCN entre 25 e 84mm (Figura 27.1). Nesse período, a margem de erro da USG é de 5 a 7 dias. A medida do saco gestacional não deve ser considerada para a datação da gestação.4-7 Caso esta informação não esteja disponível, passamos a utilizar a biometria calculada pela USG realizada até a 24a semana.8
Pré-termo Termo Pós-termo ≤32 semanas32 a 33 semanas e 6 dias
34 a 36 semanas e 6 dias
37 a 38 semanas e 6 dias
39 a 40 semanas e 6 dias ≥41 semanas IG ≥42 semanas
Extrema Grave Tardia Precoce Completo Tardio
IG: idade gestacional.
Fonte: adaptada de Spong, 2013.3
Tabela 27.4 Padrões de fluxo da artéria umbilical e sua aplicação clínica
Padrão do fluxo
Tabela 27.5 Índice de Bishop
Pontuação
Aplicação clínica
Doppler normal: feto com boa vitalidade
PI aumentado (no percentil >95): comprometimento leve da vitalidade fetal
Diástole zero: comprometimento grave da vitalidade fetal
Diástole reversa: comprometimento muito grave da vitalidade fetal
Posição do colo Posterior Intermediário Anterior –
Consistência do coloFirme
Intermediário Amolecido –
Apesar de o risco um pouco aumentado de rotura uterina ser de 0,15% a 0,4% em trabalho de parto espontâneo, 0,54% a 1,4% para trabalho de parto induzido e de 0,9% a 1,9% em trabalhos de parto prolongados, outros riscos e complicações maternas e fetais são similares para os partos vaginais após cesariana e para as cesarianas eletivas repetidas. É importante notar que os riscos maternos em futuras gestações dimi-
nuem a cada parto vaginal após cesariana, assim como esse risco eleva com o número de cesarianas repetidas. A prova de trabalho de parto não deve ser oferecida para mulheres que tenham histerotomias clássicas, história de rotura uterina anterior, 3 ou mais cesarianas, fetos macrossômicos (com peso estimado maior do que 4.500g) ou qualquer outra contraindicação ao parto vaginal.
Fonte: imagens gentilmente cedidas pela Dra. Luisa Ávila.
A asma é uma das doenças inflamatórias crônicas mais comuns durante a gestação, afetando cerca de 4% a 8% das gestantes. Destas, 60% necessitarão de intervenções médicas, com aproximadamente 6% de internações hospitalares.1
As exacerbações ocorrem, geralmente, entre 24 e 36 semanas da gravidez. Por este motivo, é recomendado o controle adequado para evitar complicações maternas e fetais associadas à atividade da doença, como:
Prematuridade.
Restrição do crescimento fetal (RCF).
Préeclâmpsia (PE).
Nas gestantes manejadas corretamente, a evolução tende a ser favorável, com desfechos obstétricos semelhantes às gestantes sem asma.2
Fisiologia Respiratória na Gestação
Durante a gestação, ocorrem várias mudanças na fisiologia respiratória da mulher para atender às crescentes demandas metabólicas e de oxigênio (O2), tanto da mãe quanto do feto.3 As principais alterações são:
Aumento do volume respiratório:
y Ventilação/minuto: o volume de ar ventilado por minuto (ventilação/minuto) aumenta em razão do aumento da frequência respiratória (FR) e do volume corrente. Isso acontece porque o corpo da mulher precisa fornecer mais O2 para o feto em crescimento e eliminar mais dióxido de carbono.
y Volume corrente: o volume de ar inspirado e expirado a cada respiração também aumenta, especialmente durante o segundo e o terceiro trimestres. Esse aumento é de cerca de 30% a 40% em relação aos valores prégestacionais.
Alterações na FR:
y A FR não muda significativamente, porém ela pode ser mais perceptível em consequência do aumento da ventilação.
Mudanças na capacidade pulmonar e na posição do diafragma:
y Capacidade pulmonar total (CPT): tende a se manter estável ou apresentar leve diminuição decorrente do deslocamento do diafragma.
y Capacidade vital (CV): pode diminuir ligeiramente, principalmente no terceiro trimestre, em consequência do deslocamento do diafragma para cima pela expansão do útero.
y Capacidade residual funcional (CRF): esta diminui, pois o diafragma é empurrado para cima pelo útero em crescimento.
Aumento do débito respiratório: o débito respiratório (volume de ar inalado por minuto) aumenta para suportar a maior demanda de O2 e a eliminação de dióxido de carbono. Essa adaptação também ajuda a compensar as mudanças hormonais que podem afetar a troca gasosa.
Alterações nos gases sanguíneos:
y Pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2): durante a gestação, os níveis de dióxido de carbono no sangue diminuem ligeiramente, com a PaCO2 caindo de 35 a 40mmHg para cerca de 28 a 32mmHg.
y pH sanguíneo: a queda na PaCO2 causa um aumento do pH sanguíneo (respiração alcalótica), o que facilita o transporte de O2 do sangue para os tecidos, incluindo a placenta.
y Pressão parcial de oxigênio (PaO2): geralmente se mantém dentro da faixa normal, com leve elevação, para garantir oxigenação adequada do feto.
Alterações nos centros respiratórios e na resposta à hipóxia: o centro respiratório no cérebro se adapta à gestação, respondendo com maior sensibilidade aos níveis de dióxido de carbono e O2 no sangue. Isso ajuda a garantir que a mulher respire mais profundamente e com mais frequência, aumentando a troca gasosa necessária para atender às demandas do feto.
Efeito da progesterona: a progesterona, que é produzida em grandes quantidades durante a gestação, tem
Manejo Inicial e Suporte
Monitoramento materno: a medição contínua da saturação de oxigênio no sangue arterial (SaO2) pela oximetria de pulso é prudente. A medição do fluxo de ar expiratório com um medidor de pico de fluxo, ou espirômetro, é o melhor método para a avaliação objetiva da gravidade da crise.8
Monitoramento fetal: avaliação da frequência cardíaca fetal (FCF) como melhor parâmetro para determinar se o feto está adequadamente oxigenado.2
Posicionamento: as gestantes devem permanecer em posição sentada ou lateral, sobretudo no terceiro trimestre, com o objetivo de reduzir a compressão aortocava.
Hidratação parenteral ou crise grave: apenas se a hidratação oral estiver impossibilitada.
O2 suplementar: fornecido inicialmente 3 a 4L/min, via cânula nasal, ajustandose a fração inspirada de oxigênio (FiO2) para manter a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2) de pelo menos 70mmHg e/ou SaO2 por oximetria de pulso >95%.
Uso de Medicamentos na Exacerbação
A terapêutica da crise inclui medicações semelhantes às da população geral, como (Figura 37.3):4
Beta2agonista de rápida ação (Aerolin®): medida inicial mais importante, com a via inalatória apresentando melhor eficácia e menos efeitos adversos.
Ipatróprio (Atrovent®): o antagonista muscarínico é frequentemente utilizado nas exacerbações graves, sem resposta inicial ao broncodilatador de ação rápida.
Corticosteroides sistêmicos (prednisolona): atingem resolução mais rápida da exacerbação e prevenção de recorrência, sendo indicados em crises graves, sem melhora após a inalação, naquelas já em uso de corticosteroide oral crônico e em gestantes com sintomas leves a moderados não responsivos a beta2agonistas, anticolinérgico, O2 e hidratação. Sempre que a crise necessitar do uso dessa classe de fármacos, seu uso, via oral (VO), deve ser mantido por 5 a 7 dias.3
Sulfato de magnésio: ação broncodilatadora necessária quando não houver resposta à terapêutica inicial ou VEF1 <30%.
Exacerbação aguda da asma
Avaliar a gravidade:
fala frases, prefere sentar-se a deitar, não tem agitação;
Exacerbação leve: FR >20irpm; FC=100 a 120bpm; Sa0=90% a 95%; PFE >50% 2 fala palavras, sentada, agitada; FR >30irpm; Exacerbação moderada a grave: usde musculatura acessória; FC >120bpm; sibilos moderados a severos ou o silêncio respiratório; SaOem ar ambiente<90%. PFE50% a 75% 2
Beta 2-agonista pode ser associado a anticolinérgico
:
Salbutamol spray puffs : 4 a 8 20/20min até 1h com espaçador. Depois: horário ou até 4/4h quando necessário nebulização0,5mg (40 gotas) de Brometo de ipratrópio (Atrovent) 20/20min por 3 doses. Depois: se necessário, manter ipratrópio
associado ao beta-2-agonista
Oxigênio: manter saturação >95% avaliar volêmico da gestante e necessidade de Hidratação: status hidratação para manter a euvolemia e o débito cardíaco VO ou EV adequado
Corticosteroide sistêmico
Exacerbação leveque pode ser manejada com segurança em domicílio. : 3 a 10 dias
Prednisona 40 a 60mg/dia VO : 3 a 10 dias Moderada = hospitalização–prednisona 40 a 60mg/dia VO ou metilprednisolona intravenosa dose-equivalente até PEF 70% do valor predito ou melhora pessoal e então reduzir : divididema Grave–metilprednisolona intravenosa 120 a 180mg/dia 3 a 4 doses por 48h. Após 48h: 60 a 80mg/dia e reduzir gradativamente conforme melhora da paciente
Figura 37.3 Exacerbação aguda da asma
FR: frequência respiratória; FC: frequência cardíaca; SaO2: saturação de oxigênio no sangue arterial; PEF: pico de fluxo respiratório; VO: via oral; EV: endovenosa.
Fonte: elaborada pelos autores.
Doenças Infectocontagiosas VI
47 Vírus da Imunodeficiência Humana na Gestação, 293
48 Infecção do Trato Urinário, 299
49 Tuberculose, 302
50 Covid-19, 305
51 Pneumonias Bacterianas, 311
52 Sepse, 315
53 Rubéola, 321
54 Toxoplasmose, 324
55 Citomegalovírus, 333
56 Parvovirose, 341
57 Vírus Zika, 344
58 Herpes, 352
Doenças Infectocontagiosas
54 Toxoplasmose
José Paulo Pereira Júnior Marcos Vinicius da Silva Pone Sheila Moura Pone Bianca Balzano de La Fuente Villar
Introdução
A toxoplasmose é uma zoonose causada por um protozoário, presente em todos os continentes, infectando mais de um terço da população mundial.1 Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a toxoplasmose e a tênia do porco como doenças importantes transmitidas por alimentos para as Américas Central e do Sul, associadas à insegurança alimentar. Um estudo realizado no estado do Rio de Janeiro, em 2003, mostrou soroprevalência variando de 23% a 84 % entre os indivíduos de uma população carente.2 A taxa de suscetibilidade pode variar conforme a população estudada e os hábitos alimentares e de higiene.3 A doença causada pelo Toxoplasma gondii (TG) apresenta risco elevado para transmissão vertical. Ao infectar o feto, pode comprometer principalmente o sistema nervoso central (SNC) e os olhos. Um dos grandes desafios para o diagnóstico de toxoplasmose congênita (cToxo) é a falta de manifestações clínicas maternas na fase aguda da doença. Ainda, a maioria dos fetos infectados não apresenta sinais ou sintomas ao nascimento. Assim, as formas graves eventualmente não serão identificadas, podendo evoluir com atraso no neurodesenvolvimento, alterações oculares e outros danos neurológicas, além de aumentar os custos e o sofrimento dos genitores na atenção à saúde destas crianças.
Agente Etiológico
Um Pouco de História
O TG foi descrito inicialmente por Nicolle & Manceaux em 1908, infectando células mononucleares de fígado e baço de roedores africanos. No mesmo ano, Splendore, um pesquisador brasileiro, identificou o parasita em coelhos.4 O primeiro relato comprovado de cToxo foi descrito por Wolf, Cowen & Page em 1939, nos EUA.5 Em 1942, Sabin reuniu todo o conhecimento sobre a cToxo, propondo um grupo de sinais e sintomas típicos para caracterizar a doença: hidro- ou microcefalia, calcificações cerebrais e retinocoroidite. Em 1943, Guimarães descreve o primeiro caso confirmado de cToxo no Brasil, em uma menina com 14 meses de vida e alterações cerebrais e oculares.4 Em 1937, foi reconhecido como o
agente causador de infecções graves em humanos, como a encefalite granulomatosa e a infecção intrauterina. Em 1948, Sabin & Feldman desenvolveram o primeiro teste sorológico, permitindo o incremento de novos estudos sobre a doença, a partir do diagnóstico da infecção.6
Parasita
A toxoplasmose é causada por um parasita intracelular obrigatório, o TG, assim denominado pelo fato de uma das suas formas se apresentar como um arco (do grego toxon = arco). Pertence ao filo Aplicomplexa, subclasse Coccidia.7 Possui apenas uma espécie gondii, no gênero Toxoplasma, e, mesmo assim, o microrganismo apresenta importante diversidade genética.8 Foram identificadas três linhagens clonais principais, denominadas tipos I, II e III.9 Novas variações estão sendo publicadas, descritas como atípicas, típicas, exóticas e recombinantes. Ao todo, foram identificados 189 genótipos diferentes em um estudo que classificou 1.457 isolados de TG coletados em vários locais do planeta. Os genótipos das linhagens I e III são mais prevalentes nas Américas e o genótipo II na Europa. O genótipo II é mais prevalente em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), na cToxo e na doença ocular. Os genótipos do grupo I estão relacionados à maior letalidade da doença. A diversidade genética observada entre as Américas do Norte e do Sul, explicaria a possibilidade de reinfecção por cepas mais virulentas quando de uma nova exposição, “enganando” o sistema imune do hospedeiro previamente exposto.10
Ciclo
Biológico
O TG existe em três formas fora do intestino do hospedeiro definitivo: o oocisto, a forma infecciosa e os cistos teciduais. O oocisto é o local onde os esporozoítos se formam; a forma infecciosa contém taquizoítas, e os cistos teciduais, os bradizoítas. A Figura 54.111 descreve o ciclo biológico do parasita. Integrantes da família Felidae, como gatos domésticos, leões-da-montanha, tigres e outros felinos, são os hospedeiros definitivos para o TG, nos quais o parasita completa seu ciclo reprodutivo. O oocisto é a principal forma de transmissão do TG no Brasil, envolvendo o consumo de água contaminada, também conhecida como transmissão hídrica, que produz um número de pessoas infectadas superior ao de outras vias.
Figura 54.1 Ciclo evolutivo do Toxoplasma gondii. Durante a infecção primária de um gato doméstico, por exemplo, milhões de oocistos podem ser eliminados no meio ambiente diariamente pelo seu trato digestivo, por um período de uma a três semanas. Esses oocistos tornam-se infectantes após um a cinco dias e podem permanecer viáveis por mais de um ano, especialmente em ambientes quentes e úmidos. O hospedeiro definitivo geralmente desenvolve imunidade após a infecção primária, tornando improvável a reinfecção com eliminação de oocistos (1). Os oocistos eliminados pelos felinos podem contaminar o solo, infectando hospedeiros intermediários, como roedores e pássaros, nos quais os oocistos serão transformados em cistos deciduais (2 ). Gatos jovens podem ter sua primoinfecção ao se alimentarem de hospedeiros intermediários (3) contaminados ou diretamente pelo contato com água, solo ou material orgânico contaminado com oocistos (4). Animais criados para consumo humano, como suínos, ovinos e caprinos, além de animais de caça, podem ser infectados pelo consumo de oocistos do meio ambiente, permitindo a formação de cistos teciduais em músculo estriado, cérebro e coração (5). Assim, consumir carne malpassada de animais contaminados pode transmitir a toxoplasmose (6). Outra forma de infecção em humanos é o consumo de água ou alimentos crus contaminados com oocistos. Manusear caixas de areia de gatos ou trabalhar com jardinagem sem proteção adequada pode favorecer a contaminação oral com oocistos (7). Embora raros, existem relatos de contaminação pelo TG em humanos após transfusão sanguínea ou transplante de órgãos (8 ). A transmissão vertical acontece na paciente soronegativa e raramente em pacientes previamente infectadas (9). Nos hospedeiros humanos, os parasitas formam cistos teciduais em músculo esquelético, cérebro, coração e olhos, podendo permanecer viáveis durante toda a vida do hospedeiro (10). A infecção não tratada pode acometer o feto em 20% a 50% (11)
Fonte: adaptada de CDC, 2020.11
Em humanos, o período de incubação é estimado entre 10 e 23 dias após a ingestão de cistos teciduais, e de 5 a 20 dias após a ingestão de oocistos.12
Latência
Existe a possibilidade de reativação de uma doença latente em mulheres imunocomprometidas, acarretando infecção congênita. Doenças maternas, como lúpus eritematoso sistêmico (LES) em atividade, outras doenças autoimunes que utilizam medicamentos imunossupressores ou doenças infeciosas prévias maternas, como a SIDA, podem contribuir para a reativação e o acometimento fetal.13
Resposta Imune do Hospedeiro
Em pessoas imunocompetentes, a resposta do hospedeiro à infecção pelo TG envolve o estímulo à sua imunidade celular, humoral e inata. Esta resposta imunológica é responsável pelo controle da replicação do parasita no organismo por meio da ativação do sistema monócitomacrofágico, células dendríticas, células natural killer e células T CD4+ e CD8+ citotóxicas e específicas contra o TG. Moléculas coestimuladoras e citocinas, como interferon-gama (INF-gama), interleucina (IL)-12, fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), IL-10 e o fator de crescimento transformador beta (TGB-beta), também estão envolvidas.
Síndromes Hipertensivas e Hemorrágicas
59 Pré-eclâmpsia, Eclâmpsia e Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas
Hepáticas Elevadas e Baixa Contagem de Plaquetas), 357
60 Descolamento Prematuro de Placenta, 363
61 Placenta Prévia, 369
62 Espectro do Acretismo Placentário, 373
63 Rotura de Seio Marginal, 377
64 Vasa Prévia, 379
65 Estratificação do Risco para Hemorragia Pós-parto, 383
66 Hemorragia Pós-parto, 387
67 Histerectomia Pós-parto, 398
Síndromes
66
Hemorragia Pós-parto
Paulo Roberto Nassar de Carvalho Nathalia Kasper e Louro
Introdução
A hemorragia pós-parto (HPP) é uma emergência obstétrica que complica entre 1% e 10% de todos os partos e segue como uma das principais causas de morte materna no mundo. Apesar de encontrarmos diversas definições de HPP na literatura especializada, acreditamos que a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) seja a mais satisfatória:1
HPP: perda sanguínea acima de 500mL após parto vaginal ou acima de 1.000mL após cesariana nas primeiras 24h ou qualquer perda de sangue pelo trato genital capaz de causar instabilidade hemodinâmica.
HPP maciça: sangramento nas primeiras 24h após o parto (por qualquer via) superior a 2.000mL ou que necessite da transfusão mínima de 1.200mL (4 unidades) de concentrado de hemácias ou que resulte na queda de hemoglobina (Hb) ≥4g/dL ou em distúrbio de coagulação.
Em puérperas, é importante ressaltar que sinais e sintomas clássicos de perda de sangue (taquicardia e hipotensão) geralmente não se apresentam antes de perda sanguínea considerável. Portanto, pacientes sintomáticas podem estar associadas à perda sanguínea considerável, normalmente de 25% do volume de sangue total da mulher.2
Etiologia e Fatores de Risco
Ao se avaliar uma paciente com HPP, pode ser útil usar o mnemônico dos “4T” (tônus, trauma, tecido e trombina). Estima-se que a atonia uterina cause 70% a 80% das HPP e, geralmente, é a primeira causa a ser considerada e pode ser revertida com massagem uterina, compressão bimanual e fármacos uterotônicos. Suspeita-se de trauma materno quando há lacerações, hematomas crescentes ou rotura uterina. A retenção de tecido placentário pode ser prontamente diagnosticada com exame físico ou ultrassonografia (USG) pélvica à beira do leito e abordada com remoção manual ou curetagem. “Trombina” é um lembrete para avaliar o estado de coagulação da paciente e, se anormal, corrigi-lo com fatores de coagulação ou fibrinogênio. A Figura 66.1 resume os principais fatores de risco para HPP.2
Embora existam vários fatores de risco para HPP, a maioria dos casos ocorre de forma inesperada.1 Assim, organizações de saúde sugerem que a estratificação de risco para HPP seja avaliada antes do parto e no momento da admissão e reavaliada durante o parto e no pós-parto imediato, à medida que novos fatores de risco se apresentem. Ferramentas para avaliação de risco estão disponíveis e conseguem identificar 60% a 85% das pacientes que irão desenvolver hemorragia obstétrica importante.2 De qualquer forma, pacientes com risco maior para HPP devem alertar a equipe obstétrica para cuidados especiais já durante a admissão, como manter acesso venoso salinizado, uso de uterotônicos e reserva de sangue. A Tabela 66.1 representa um exemplo de ferramenta de estratificação de risco para HPP.
Uma vez determinado o risco para HPP, são aplicadas medidas de prevenção e preparação específicas para cada nível de risco.
Para pacientes classificadas como risco baixo, o manejo ativo do terceiro estágio do parto é geralmente suficiente para reduzir o risco de HPP. Isso inclui medidas imediatamente após o nascimento, que ajudam a prevenir a atonia uterina e controlar o sangramento fisiológico.
Em casos de risco moderado, além do manejo ativo do terceiro estágio, é feito monitoramento mais atento do tônus uterino, com preparação de medicações adicionais, como misoprostol ou ergometrina, que podem ser administradas, se necessário. Essas pacientes são monitoradas de perto para rápida intervenção caso surjam sinais de HPP.
Para pacientes de alto risco, como aquelas com condições complexas, como placenta prévia ou acretismo placentário, é fundamental que o parto ocorra em unidades com capacidade para atendimento intensivo e equipe preparada para emergências. As medidas preventivas são administração profilática de uterotônicos, acesso venoso calibroso e formação de uma equipe multiprofissional de prontidão, incluindo obstetras, anestesistas, enfermeiros e outros profissionais, caso necessário. Além disso, é fundamental a disponibilidade de kits de transfusão rápida, componentes sanguíneos e preparação para intervenções adicionais, como o uso de balão de tamponamento intrauterino e, em casos extremos, a possibilidade de histerectomia para o controle de sangramento.3
Identificação de hemorragia pós-parto ou presunção de sangramento aumentado
Medidas de prevenção:
Medidas de prevenção:
Ocitocina 10UI IM após o desprendimento dos ombros
Ocitocina 10UI IM após o desprendimento dos ombros
Manejo ativo do terceiro período: clampeamento oportuno de cordão e tração controlada do cordão
Manejo ativo do terceiro período: clampeamento oportuno de cordão e tração controlada do cordão
Outros uterotônicos: ergometrina 0,2mg IM, misoprostol 400 a 600g SL ou VR e/ou carbecitocina
Outros uterotônicos: ergometrina 0,2mg IM, misoprostol 400 a 600g SL ou VR e/ou carbecitocina
Sinais de sangramento maior: Instabilidade hemodinâmica
Sinais de sangramento maior: Instabilidade hemodinâmica IC >1
Abordagem : viaérea, irculação,rogas exposição (ventilação), A B C D EA C D E Breathing (identificação da origem do sangramento)
Abordagem : viaérea, irculação,rogas exposição (ventilação), A B C D EA C D E Breathing (identificação da origem do sangramento)
Braço 1–entrada (C) :
Braço 1–entrada (C) :
Avaliar circulação
Avaliar circulação
Cabeça (A e B):
Cabeça (A e B):
Cabeceira a 90°, elevar membros inferiores
2 acessos venosos calibrosos
2 acessos venosos calibrosos (Jelco14 a 16)
(Jelco14 a 16)
Infusão de cristaloides
Infusão de cristaloides aquecidos (SF 0,9% ouinger R comlactatato–máx. 2L)
aquecidos (SF 0,9% ouinger R comlactatato–máx. 2L)
Infusão de sangue/ hemoderivados
Infusão de sangue/ hemoderivados
Considerar coleta de sangue autólogo
Considerar coleta de sangue autólogo
Drogas (D):
Ocitocina 5UI EV
Drogas (D): Ocitocina 5UI EV
Egometrina 0,5mg IM r
Egometrina 0,5mg IM r
Combinação de ocitocina e ergometrina (5UI/0,5mg)
Combinação de ocitocina e ergometrina (5UI/0,5mg)
IM Ácidotranexâmico1gEV,repetir , após 30min, se necessário
IM Ácidotranexâmico1gEV,repetir , após 30min, se necessário
Misoprostol 800g SL ou retal
Misoprostol 800g SL ou retal
Infusão de ocitocina 4U0I/mL em em 500mL4h (125mL/h)
Infusão de ocitocina 4U0I/mL em em 500mL4h (125mL/h)
Se hemorragia refratária:
Se hemorragia refratária:
Levar ao centro cirúrgico
Levar ao centro cirúrgico
Examinar sob anestesia
Examinar sob anestesia
Cabeceira a 90°, elevar membros inferiores
Avaliar vias aéreas
Avaliar vias aéreas
FC e FR
FC e FR
Oximetria de pulso
Oximetria de pulso
Oa 10L/min, alvo de saturação 2 94% a 98%
Oa 10L/min, alvo de saturação 2 94% a 98%
Temperatura a cada 15min
Temperatura a cada 15min
Aquecer paciente se necessário
Aquecer paciente se necessário
Braço 2saída (C) – :
Braço 2saída (C) – :
Avaliar circulação–monitoramento contínuo, PA e FC
Avaliar circulação–monitoramento contínuo, PA e FC 2 acessos venosos calibrosos
(Jelco 14 a 16)
2 acessos venosos calibrosos (Jelco 14 a 16)
Série vermelha, coagulograma com fibrinogênio, prova cruzada e solicitação de 4 bolsas de CH
Série vermelha, coagulograma com fibrinogênio, prova cruzada e solicitação de 4 bolsas de CH
Gasometria arterial e venosa a cada 15 a 30min
Gasometria arterial e venosa a cada 15 a 30min
Teste rápido para Hb, coagulograma e lactato
Teste rápido para Hb, coagulograma e lactato
Alvos: Hb >9 e correção de coagulopatias
Alvos: Hb >9 e correção de coagulopatias !
Garantir esvaziamento uterino e reparar trauma genital
Garantir esvaziamento uterino e reparar trauma genital
Considerar balão de tamponamento antes de opções cirúrgicas
Considerar balão de tamponamento antes de opções cirúrgicas
Útero (E): Esvaziar bexiga
Útero (E): Esvaziar bexiga
Cateterismo vesical
Cateterismo vesical
Avaliar 4T
Avaliar 4T
Compresso bimanual ã
Compresso bimanual ã
Verificarplacenta
Verificarplacenta
Avaliar trauma genital
Avaliar trauma genital
Figura 66.3 Condução inicial da hemorragia pós-parto HPP: hemorragia pós-parto; IM: intramuscular; SL: sublingual; VR: via retal; IC: índice de choque; SF: soro fisiológico; FC: frequência cardíaca; FR: frequência respiratória; O2: oxigênio; EV: endovenoso; PA: pressão arterial; Hb: hemoglobina; 4T: tônus, trauma, tecido e trombina.
O DPP quase sempre se apresenta como a combinação de sangramento vaginal, taquissistolia e dor e é responsável por 17% dos casos que necessitam de transfusão sanguínea maciça.
A embolia amniótica é uma emergência obstétrica rara, imprevisível, inevitável e diagnosticada pela tríade
de comprometimento hemodinâmico e respiratório com CID. Em decorrência de coagulopatia profunda, a HPP está frequentemente presente na embolia amniótica. A coagulopatia e a hemorragia resultante devem ser manejadas com reposição agressiva de volume e abertura de protocolo de transfusão maciça.2
Assistência ao Parto, Puerpério e Emergências
CAPÍTULOS
68 Assistência ao Parto Eutócico, 405
69 Sofrimento Fetal Agudo, 412
70 Sofrimento Fetal Crônico, 421
71 Distocia de Ombros, 429
72 Parada de Progressão, 433
73 Parto Pélvico, 439
74 Versão Cefálica Externa, 445
75 Prolapso de Cordão Umbilical, 448
76 Rotura Uterina, 450
77 Embolia de Líquido Amniótico, 456
78 Infecção Puerperal, 458
Assistência ao Parto, Puerpério e Emergências
75 Prolapso de Cordão Umbilical
Alberto Alves Borges Caroline Graça Mota Damasceno
Introdução
Uma das emergências mais desafiadoras e complexas na Obstetrícia é o prolapso de cordão, quando o cordão umbilical se exterioriza antes da apresentação fetal pelo colo do útero, pela vagina e até mesmo pela vulva. Tal evento pode causar compressão funicular e vasoespasmo das artérias umbilicais, acarretando diferentes níveis de acidemia fetal, dependendo do nível de compressão, que podem ter impactos perinatais consideráveis.1 Por isso, após o diagnóstico é de suma importância a resolução rápida do quadro, com a realização de cesariana.2
A incidência varia de 1 a 6 por 1.000 gestações e a mortalidade perinatal pode ser de 23% a 27% em países em desenvolvimento e 6% a 10% em países desenvolvidos.3
Definição
Nos últimos anos, têm sido propostas algumas mudanças com relação à nomenclatura usada para definir o prolapso de cordão, principalmente para incluir os casos em que não há rotura de membranas. Quando não ocorre a rotura das membranas e a bolsa amniótica está herniada no canal vaginal, o diagnóstico é majoritariamente realizado com o uso de ultrassonografia (USG), preferencialmente via transvaginal, sendo mais comum em prematuros.3
Estudos recentes sugerem a seguinte definição:
Prolapso de cordão: o cordão umbilical ultrapassa o orifício interno do colo do útero independentemente da rotura ou não da bolsa amniótica.
Apresentação do cordão umbilical: o cordão umbilical está acima do colo do útero, mas abaixo da apresentação fetal, independentemente da rotura ou não da bolsa amniótica.
Apresentação de cordão composta: o cordão umbilical está acima do colo do útero e ao lado da apresentação fetal, não obstante da rotura ou não da bolsa amniótica.
Fatores de Risco
Os principais fatores de risco para prolapso de cordão umbilical são apresentações fetais anômalas (pélvico, córmico), apresentação fetal alta sem insinuação na pel-
ve materna, parto prematuro, polidramnia, baixo peso ao nascimento (BPN), segundo gemelar, placentação baixa, implantação anômala do cordão umbilical na placenta (inserção velamentosa, marginal), deformidades na pelve materna, malformações e tumores uterinos, multiparidade, cordão umbilical longo e trabalho de parto prolongado.1,3
Alguns procedimentos obstétricos também são considerados:3
Versão externa.
Amniotomia.
Indução do trabalho de parto com balão cervical.
A realização de amniotomia ainda com a apresentação fetal alta é uma causa importante de prolapso de cordão iatrogênico.1 A realização da amniotomia teve maior associação ao prolapso de cordão em mulheres com cesariana prévia e polidramnia.4
Pode ser observada apresentação funicular de cordão umbilical durante exames ultrassonográficos de rotina prénatal. A persistência do quadro pode aumentar o risco de prolapso de cordão umbilical, principalmente se associado à placentação baixa, como placenta marginal, e à inserção velamentosa do cordão umbilical.5
Diagnóstico
A suspeita de prolapso de cordão umbilical ocorre quando aparece bradicardia fetal durante o trabalho de parto ou desacelerações variáveis recorrentes após um traçado normal. A realização de cardiotocografia (CTG) irá evidenciar tais alterações abruptas da frequência cardíaca fetal (FCF) e pode apresentar diversos padrões. Os mais importantes são a bradicardia e as desacelerações variáveis recorrentes, conforme as Figuras 75.1 e 75.2.6
Além disso, a palpação do cordão umbilical no toque vaginal confirma o diagnóstico.1
Alguns diagnósticos diferenciais envolvem aqueles em que ocorre alteração abrupta da FCF, como rotura de vasa prévia, hipotensão materna, descolamento prematuro de placenta (DPP) e rotura uterina.7
Tratamento
Após o diagnóstico, é de suma relevância posicionar a paciente de forma em que ocorra algum nível de
Figura 75.1 Prolapso de cordão umbilical associado à bradicardia fetal aguda
Figura 75.2 Cardiotocografia anormal (desacelerações recorrentes) associada à apresentação composta do cordão umbilical
descompressão do cordão umbilical, visando diminuir a compressão funicular e o vasoespasmo enquanto ela é encaminhada para a realização de cesariana. Algumas posições mais adotadas são a de quatro apoios, a posição genupeitoral e também a redução manual da apresentação fetal. A posição com melhor resultado neonatal é a posição genupeitoral, com melhor descompressão funicular.1,2
O tempo entre o diagnóstico e a realização da cesariana é fator fundamental para melhor desfecho neonatal, tendo piores resultados em países em desenvolvimento pelo maior tempo despendido até a resolução do quadro apresentado.8
Considerações Finais
O prolapso de cordão umbilical é uma das emergências obstétricas mais desafiadoras e pode ter desfecho neonatal desfavorável. Por isso, seu diagnóstico precoce e sua propedêutica adequada são fundamentais. O treinamento do profissional de saúde, visando saber identificar de imediato e estar apto para o manejo célere adequado, é imprescindível para um bom resultado perinatal.
Referências
1. Bush M, Eddleman K, Belogolovkin V. Umbilical cord prolapse. In: UpToDate. Wolters Kluwer. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/umbilical-cord-prolapse. Acesso em: 27 de dezembro de 2025.
2. Kwan AHW, Chaemsaithong P, Wong L et al. Transperineal ultrasound assessment of fetal head elevation by maneuvers used for managing umbilical cord prolapse. Ultrasound Obstet Gynecol. 2021; 58(4):603-8.
3. Wong L, Kwan AHW, Lau SL et al. Umbilical cord prolapse: revisiting its definition and management. Am J Obstet Gynecol. 2021; 225(4):357-66.
4. Tallhage S, Årestedt K, Schildmeijer K et al. Incidence and risk factors for umbilical cord prolapse in labor when amniotomy is used and with spontaneous rupture of membranes: a Swedish nationwide register study. Acta Obstet Gynecol Scand. 2024; 103(2):30412. Erratum in: Acta Obstet Gynecol Scand. 2024.
5. Sapantzoglou I, Psarris A, Diamantopoulou P et al. Persistent funic presentation and sonographic assesment of the risk for umbilical cord prolapse. Ultrasound Int Open. 2023; 9(1):E33-5.
6. Botezatu R, Gica N, Peltecu G et al. Umbilical cord prolapse-interesting CTG traces. Diagnostics (Basel). 2022; 12(11):2845.
7. Boushra M, Stone A, Rathbun KM. Umbilical cord prolapse, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/ NBK542241/#article-30751.s2. Acesso em: 27 de dezembro de 2025.
8. Wong L, Tse WT, Lai CY et al. Bradycardia-to-delivery interval and fetal outcomes in umbilical cord prolapse. Acta Obstet Gynecol Scand. 2021; 100(1):170-7.