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Doença Carotídea Aterosclerótica

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A doença carotídea representa um dos grandes desafios da cirurgia vascular contemporânea e um tema de profunda relevância para a saúde pública brasileira. É com esse olhar estratégico que esta obra foi concebida pelos renomados cirurgiões Dr. Renato Manzioni e Dr. Marcos Roberto Godoy. Consolida-se não apenas como um compêndio técnico rigoroso, mas como um instrumento vivo de consulta diária, reflexão e aprendizado contínuo. Esta publicação é fruto de um trabalho criterioso, construído solidamente sobre os alicerces da literatura científica mais atualizada disponível no cenário médico global. Cada capítulo foi elaborado com base nos principais guidelines internacionais e nos recentes artigos de maior impacto. Isso garante ao leitor uma fonte de consulta totalmente confiável, segura e cientificamente fundamentada para a tomada de decisões cirúrgicas. Única no mercado editorial nacional em sua proposta, conta com a valiosa colaboração de respeitados especialistas da Cirurgia Vascular brasileira. Seu grande diferencial está em entregar não apenas dados, mas explicações detalhadas sobre o porquê por trás de cada conduta, evidência e escolha clínica. Trata-se do resultado direto da experiência coletiva de seus autores, reunidos pelo desejo comum de elevar o nível do conhecimento sobre essa patologia tão desafiadora e, muitas vezes, silenciosa. Que este livro sirva para elucidar dúvidas complexas, despertar a investigação científica e estimular o estudo aprofundado de um tema que impacta diretamente a vida de milhares de brasileiros. Que ele chegue às mãos de profissionais que buscam a excelência e que, em cada página, o leitor encontre a informação exata e a motivação necessária para cuidar cada vez melhor de todos os seus pacientes.

Áreas de interesse Angiologia Cirurgia Vascular

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Manzioni Godoy - Carotidea 1ed.indd 1

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A editora e os autores deste livro não mediram esforços para assegurar dados corretos e informações precisas. Entretanto, por ser a medicina uma ciência em permanente evolução, recomendamos aos nossos leitores recorrer à bula dos medicamentos e a outras fontes fidedignas, bem como avaliar, cuidadosamente, as recomendações contidas no livro em relação às condições clínicas de cada paciente.


Organizadores

RENATO MANZIONI Médico Assistente do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Mestre em Ciências da Saúde pelo HSPE de São Paulo/Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE) e com estágio observacional no Serviço de Cirurgia Vascular da Universidade de Leicester – Reino Unido –, sob orientação do Professor A. Ross Naylor.

MARCOS ROBERTO GODOY Preceptor do Setor de Ultrassonografia Vascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Especialista em Cirurgia Vascular e Ultrassonografia Vascular, com Doutoramento em Ciências da Saúde pelo HSPE de São Paulo/Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE).


Doença Carotídea Aterosclerótica Copyright © 2027 Editora Rubio Ltda. ISBN 978-85-8411-160-2 Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução desta obra, no todo ou em parte, sem autorização por escrito da Editora. Produção Equipe Rubio Editoração Eletrônica IO DESIGN Capa e Imagem de capa Bruno Sales Imagem de miolo © iStock.com/Mohammed Haneefa Nizamudeen CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ) M252d Doença carotídea aterosclerótica / Renato Manzioni e Marcos Roberto Godoy. - 1. ed. Rio de Janeiro : Rubio, 2026. 144p.: il.; 24cm. Inclui bibliografia e índice ISBN 978-85-8411-160-2 1. Artéria carótida - Doenças - Cirurgia. I. Título. 26-107489.0

CDD: 617.413 CDU: 616.133

Carla Rosa Martins Gonçalves - Bibliotecária - CRB-7/4782

Editora Rubio Ltda. Av. Franklin Roosevelt, 194 s/l. 204 – Castelo 20021-120 – Rio de Janeiro – RJ Tel.: 55(21) 2262-3779 e-mail: rubio@rubio.com.br www.rubio.com.br Impresso no Brasil Printed in Brazil


COLABORADORES

Amanda Neme Cury Augusto Cirurgiã Vascular e Endovascular. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Ana Carolina de Oliveira Calixtro Médica Assistente do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo Especialista em Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e em Ultrassonografia Vascular pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Membro Titular da SBACV. Ana Paula Maia Pires Cirurgiã Vascular e Ecografista Vascular. Especialista em Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e em Ultrassonografia Vascular pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). A. Ross Naylor Professor do Leicester Vascular Institute, Glenfield Hospital – Leicester, Reino Unido. Coordenador da Diretriz de 2025 “Management of Atherosclerotic Carotid and Vertebral Artery Disease” da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular.

Christiano S. Pecego Chefe e Preceptor do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Edson Takamitsu Nakamura Cirurgião Vascular e Endovascular. Preceptor da Residência de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Fábio José Bonafé Sotelo Professor Convidado do Laboratório de Transplante Experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Responsável pelo Estágio de Cirurgia Vascular na Universidade Nove de Julho (Uninove) – Campus Vergueiro, São Paulo. Ex-diretor do Departamento de Cirurgia do Hospital Ipiranga, SP. Ex-chefe do Setor de Cirurgia Vascular do Hospital Ipiranga, SP. Membro da Society for Vascular Surgery (SVS). Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Beneficência Portuguesa, SP. Marcelo Fernando Matielo Preceptor e Chefe de Enfermaria do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital do Servidor Público do Estadual (HSPE) de São Paulo. Doutoramento pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).


Marcus Vinícius Martins Cury Preceptor Docente em Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice), com Doutoramento pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Marina Gonzalez de Toledo Angiologista e Cirurgiã Vascular. Concluiu o Curso de Endovascular pelo Hospital Israelita Albert Einsten, SP. Pós-graduada em Ultrassonografia Vascular com Doppler pelo Centro de Ensino em Tomografia, Ressonância e Ultrassonografia (Cetrus). Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Rafael de Athayde Soares Especialista em Cirurgia Vascular, Cirurgia Endovascular e Ultrassonografia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV)/Associação Médica Brasileira (AMB).

Médico Assistente do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo Mestre, Doutor e Pós-doutor em Ciências da Saúde pelo HSPE de São Paulo/Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE). Roberto Sacilotto Diretor do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Doutor em Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) – 2018-2019. Rodrigo Bruno Biagioni Médico Assistente do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo. Mestre em Ciências Cirúrgicas Interdisciplinar pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Doutor em Ciências da Saúde pela Faculdade Israelita Albert Einsten, SP. Fundador da Clínica Vascularline, SP. Sayonê Andrade de Moura Mestre em Ciências Cirúrgicas Interdisciplinar pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).


SUMÁRIO

1 Breve Histórico do Tratamento da Doença Carotídea

8 Tratamento da Doença Carotídea Sintomática e

Aterosclerótica — Do Começo aos Dias Atuais, 1

Assintomática: Diretrizes de Prática Clínica 2023 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular, 65

Renato Manzioni

2 Aspectos Epidemiológicos da Doença Carotídea Aterosclerótica, 5 Marina Gonzalez de Toledo

3 Fisiopatogenia e Anatomia da Placa Carotídea Extracraniana, 9 Amanda Neme Cury Augusto • Fábio José Bonafé Sotelo • Sayonê Andrade de Moura

4 Diagnóstico por Imagem, 19 Marcos Roberto Godoy • Ana Carolina de Oliveira Calixtro • Ana Paula Maia Pires

5 Tratamento Clínico do Paciente com Placa Carotídea e Pós-acidente Vascular Encefálico, 39 Rafael de Athayde Soares

6 Doença Carotídea Aterosclerótica Extracraniana Sintomática, 49 Renato Manzioni • Marcos Roberto Godoy • Marcelo Fernando Matielo • Roberto Sacilotto • Christiano S. Pecego

7 Doença Carotídea Aterosclerótica Extracraniana Assintomática, 57 Renato Manzioni • Roberto Sacilotto • Christiano S. Pecego • Marcelo Fernando Matielo • Marcos Roberto Godoy

A. Ross Naylor

9 Materiais para o Tratamento Endovascular da Artéria Carótida Extracraniana, 75 Rodrigo Bruno Biagioni

10 Angioplastia da Artéria Carótida Extracraniana, 85 Edson Takamitsu Nakamura • Marcus Vinícius Martins Cury

11 Endarterectomia da Artéria Carótida Extracraniana: Abordagem e Recomendações, 97 Christiano S. Pecego

12 Doença Carotídea e Cirurgia de Revascularização do Miocárdio, 111 Renato Manzioni

13 Tempo para Intervenção na Doença Carotídea após Início dos Sintomas, 115 Renato Manzioni

14 Estudos Carotid Revascularization and Medical Management for Asymptomatic Carotid Stenosis Trials, The Second European Carotid Trial e Second Asymptomatic Carotid Surgery Trial, 119 Renato Manzioni

Índice, 125


4

CAPÍTULO

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Marcos Roberto Godoy • Ana Carolina de Oliveira Calixtro • Ana Paula Maia Pires

Introdução A doença da artéria carótida extracraniana apresenta como principal etiologia a aterosclerose, que se desenvolve com a instalação e o crescimento da placa ateromatosa que afeta principalmente a bifurcação carotídea e resulta em estreitamento progressivo ou oclusão do lúmen arterial. Este pode ser um processo assintomático e descoberto incidentemente ou quando o paciente apresenta um evento cerebral isquêmico, como um acidente vascular encefálico (AVE) ou ataque isquêmico transitório (AIT).1 O AVE é uma das mais frequentes causas de óbito e invalidez entre homens e mulheres nos países ocidentais, incluindo o Brasil.2 A origem isquêmica corresponde a 90% dos casos de AVE, sendo a doença aterosclerótica carotídea responsável por cerca de 10% a 20% desses casos. A isquemia pode ser consequente ao estreitamento do lúmen do vaso, bem como resultante da instabilidade da placa ateromatosa, possibilitando a microembolização cerebral.3,4 A identificação rápida e correta de pacientes com aterosclerose severa da artéria carótida concomitante à presença de estenoses é essencial para o tratamento precoce e adequado. Nas últimas décadas, a geração de imagens foi desenvolvida em alto nível de sofisticação. As melhorias de imagens unidimensionais (1D) para bidimensionais (2D) e de imagens 2D para modelos tridimensionais (3D) revolucionaram o campo da

geração de imagens. Isso não apenas ajuda no diagnóstico precoce de várias doenças com alta morbimortalidade, mas também contribui para a tomada de decisões clínicas informadas sobre o perfil de tratamento e acompanhamento. A ultrassonografia vascular (USV) é geralmente o exame diagnóstico inicial recomendado para a investigação da estenose carotídea. No entanto, para a intervenção terapêutica, a angiotomografia computadorizada (Angio-TC) e a ressonância magnética (RM) são recomendadas para confirmação diagnóstica, bem como para informações adicionais sobre a circulação cerebral intracraniana e condição do arco aórtico para planejamento do procedimento, no caso de indicação de tratamento endovascular.5-7 A modalidade de imagem padrão-ouro usada para determinar o grau de estenose carotídea é a angiografia por subtração digital (ASD); no entanto, a incidência de AVE relacionada a esse procedimento diagnóstico resultou no uso de modalidades não invasivas.5 Nas últimas décadas, houve mudança quanto ao foco do diagnóstico da estenose carotídea, em que além da avaliação para a quantificação da estenose, agregou-se crescente valorização quanto à caracterização da placa. Isso provocou maior avanço nas ferramentas de imagem existentes e desenvolvimento de outras ferramentas de imagem em potencial, como tomografia de coerência óptica, tomografia fotoacústica e termografia infravermelha.5


4 Diagnóstico por Imagem

ACIE

ACIE

A

27

B

FIGURA 4.7 (A e B) Suboclusão carotídea (ultrassonografia vascular [USV] convencional). Imagem ilustrando suboclusão da artéria carótida interna. Modo B/Cor demonstrando redução luminal importante (0,6mm) na origem da artéria carótida interna esquerda (ACIE) (A). Análise espectral mostrando fluxo de baixa amplitude na mesma topografia, que, analisada em conjunto com os achados na imagem em A, constitui a hipótese diagnóstica de suboclusão carotídea (B) Fonte: arquivo pessoal dos autores.

A técnica Contrast Enhanced Ultrasound (CEUS), que envolve o uso de contraste endovenoso de microbolhas como um agente de contraste ultrassonográfico, foi introduzida para suplementar a técnica de USV convencional. Fornece visualização aprimorada

do fluxo, livre de artefatos e delineamento detalhado da superfície da placa, o que permite classificar a estenose com precisão, indicar ulcerações da placa carotídea e diferenciar a oclusão da suboclusão (Figura 4.8) e identificar dissecção carotídea.36

ESTENOSE ACIE

1 Dist 0,39 cm 2 Dist 0,06 cm

FIGURA 4.8 Suboclusão carotídea. Técnica Contrast Enhanced Ultrasound (CEUS). Imagem ilustrando o mesmo caso da Figura 4.7, com o uso da técnica CEUS para confirmação de suboclusão da artéria carótida interna esquerda (ACIE). Neste exemplo, o software utilizado divide a tela em duas imagens, que são exibidas simultaneamente durante o exame: o lado esquerdo corresponde à imagem em gray scale mode (GSM) (modo tecidual ou T – tissue), e o lado direito corresponde à imagem com o uso do software para análise do fluxo com microbolhas (modo contraste ou C – contrast), o qual realiza uma “subtração tecidual”, permitindo visibilizar com precisão o lúmen arterial. Observa-se redução luminal importante (0,6mm) na origem da ACIE, com lúmen distal uniformemente preenchido com o contraste e calibre normal (3,9mm), confirmando a hipótese de suboclusão carotídea Fonte: arquivo pessoal dos autores.


9

CAPÍTULO

MATERIAIS PARA O TRATAMENTO ENDOVASCULAR DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTRACRANIANA Rodrigo Bruno Biagioni

Introdução O tratamento endovascular da estenose de carótida foi inicialmente descrito para o tratamento de um flap de íntima e para reestenoses após endarterectomias.1,2 Depois disso, inúmeros estudos clínicos foram publicados comprovando eficácia, custo-efetividade e segurança da técnica.3 O tratamento endovascular carotídeo consolidou-se de forma contínua na literatura médica. A técnica evoluiu com a incorporação do implante de Stent de maneira primária, impulsionada pela necessidade de mitigar o risco de embolizações distais e reduzir as complicações inerentes à angioplastia por cateter-balão. Paralelamente, a prática migrou progressivamente do uso de Stents balão-expansíveis para o emprego de Stents autoexpansíveis dedicados a esse território vascular.1 Além disso, cada vez mais os métodos de proteção embólica se aperfeiçoaram e mais estudos foram descritos comprovando sua eficácia e segurança.2 Atualmente, novos dispositivos com fluxo reverso estão em estudo e com resultados promissores.4-7 Neste capítulo, serão descritos os materiais atualmente utilizados para o tratamento da estenose carotídea.

Os introdutores longos são os mais frequentemente usados para acesso, em razão do seu perfil menor se comparado ao uso de introdutores terapêuticos. Geralmente, são aramados para evitar deformação durante sua navegação. Na maioria das vezes, um perfil 6Fr é o suficiente para todo o procedimento e o comprimento utilizado frequentemente é o de 90cm (podendo variar de 60 a 110cm). Podem ser usados introdutores com ponta reta e com ponta curva 45º, a depender da tortuosidade do arco aórtico (Figura 9.1). Os introdutores vêm com dilatadores que possibilitam a progressão do introdutor de maneira coaxial, minimizando complicações.

Materiais para Acesso O tratamento endovascular da artéria carótida é comumente realizado pelo acesso da artéria femoral. Na maioria dos casos, a artéria carótida comum (ACC) pode ser acessada com o uso de introdutores longos, de cateteres terapêuticos e por acesso direto.

FIGURA 9.1 Exemplo de um introdutor longo com pontas reta e curva. Bainha Introdutora Aramada Flexor® HFAN (Cook)


9 Materiais para o Tratamento Endovascular da Artéria Carótida Extracraniana

à possibilidade de funcionar como um modelo de proteção proximal por clampeamento e por uso de fluxo reverso. Essa combinação tem recebido destaque, com publicações demonstrando menor índice de embolizações que os acessos usuais.4-7,10 A chamada revascularização transcarotídea (TCAR; do inglês, transcarotid artery revascularization) utiliza um dispositivo de acesso pela ACC proximal com necessidade de dissecção da artéria para clampeamento (Figura 9.3). Além disso, a TCAR promove fluxo reverso pelo acesso na veia femoral, o que minimiza o risco de embolizações. As características anatômicas necessárias para o método é que a ACC proximal tenha 6mm de diâmetro e que seja saudável, passível de clampeamento; também há a necessidade de um mínimo de 5cm entre o acesso da ACC e a lesão estenótica na origem da ACI.11,12 A anatomia da estenose também tem que ser favorável ao tratamento com implante de Stent (evitando casos com trombos, tortuosidades extremas, placa móvel, calcificação extrema, lesões muito longas etc.).12 Nos trabalhos, a taxa de anatomias possíveis seria em torno de 70% a 85% dos casos.11

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Cateteres Diagnósticos e Fios-Guia para o Procedimento Após o acesso para o procedimento, seja pela artéria femoral comum (AFC) ou nas vias alternativas, há a necessidade de acesso à origem da ACC. Nesse contexto, optamos pelos cateteres diagnósticos com pontas específicas, sendo os mais frequentes: Headhunter para acesso do tronco braquiocefálico, e ACC direita e ACC esquerda em arcos menos tortuosos (tipos 1 e 2) e o Simmons 2 ou mamária para acesso à ACC esquerda, em arcos bovinos ou em arcos mais tortuosos (tipo 3). As manobras para a formação da curva do Simmons 2, quando utilizado, devem ser realizadas com cuidado e evitando a aorta ascendente e o arco aórtico, pelo risco de embolização, sobretudo, em pacientes mais velhos. Para a seletivação da carótida, utilizamos os fiosguia hidrofílicos 0,035pol com pontas semicurvas e comprimento que permita a troca (p. ex., 260 ou 300cm). Geralmente, optamos pelos fios mais rígidos, chamados stiff, para esse fim. Após o posicionamento do cateter na ACC em que se deseja acessar, pode-se

FIGURA 9.3 Mecanismo de acesso direto cervical com fluxo reverso pela técnica de revascularização por artéria transcarotídea Fonte: imagem gentilmente cedida por Silk Road Medical Inc.


ÍNDICE

A Acidente vascular encefálico - epidemiologia no Brasil e no mundo, 5 - fatores de risco para, 6 - isquêmico - - causas, 5 - - fisiopatologia, 5 - relação entre carótida e, 1 Agentes de realce ultrassonográfico, 33 Álcool, 7 Aneurisma da artéria carótida, 107 Angiografia digital, 34 Angioplastia da artéria carótida, 58, 61, 65, 69 - extracraniana - - cuidados pré-operatórios, 92 - - descrição da técnica, 92 - - histórico, 85 Angiorressonância magnética, 35 Angiotomografia computadorizada, 35 Anormalidades lipídicas tratamento das, 41 Antiagregação plaquetária, 58 Apolipoproteínas, 12 Artéria carótida - comum, 14 - externa, 14 - interna, 15 - origens do conhecimento, 1 - relação entre acidente vascular encefálico e, 1 Aterosclerose carotídea, 5

Atividade física, 7 Avaliação - de risco cardiovascular, 20 - morfológica das placas carotídeas, 28 B Bainha introdutora, 93 Balão oclusor - distal, 89 - proximal, 89 Bifurcação carotídea, 49 Biomarcadores - angiogênicos e de neovascularização, 12 - de degradação de matriz ou de proteólise, 11 - de instabilidade da placa, 10 - endoteliais, 12 - hematológicos, 12 - inflamatórios, 10 - lipídicos, 11 - metabólicos, 12 Bulbo ou seio carotídeo, 15 C Cateter(es) - balão, 93 - diagnósticos, 77, 93 Cirurgia(s) - de revascularização do miocárdio, 111


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Doença Carotídea Aterosclerótica

- - evidências para intervenção carotídea concomitante, 112

- - recentemente sintomáticos, 65 Doppler transcraniano, 58

- - rastreamento carotídeo pré-operatório, 111 - reconstrutivas, 2 Classificação Plaque-RADS, 31 Colesterol da lipoproteína - de alta densidade, 11 - de baixa densidade, 11 Comprometimento cognitivo, 72 Controle - pós-operatório, 105 - pressórico, 57 Critérios para graduação da estenose carotídea, 21 Cuidados anestésicos, 99 D Demência, 72 Despertar do paciente, 105 Diabetes melito, 7 - tratamento do, 41 Diagnóstico por imagem, 19 Dieta, 7, 57 Diretrizes de prática clínica 2023 da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular, 65 Dispositivos - de oclusão - - distal, 86 - - proximal, 86 - de preservação de fluxo distal, 86 - de proteção cerebral, 86 Doença carotídea aterosclerótica - aspectos epidemiológicos da, 5 - breve histórico, 1 - e cirurgia de revascularização do miocárdio, 111 - estratégia de redução de riscos na, 57 - extracraniana - - assintomática, 57 - - sintomática, 49

E Endarterectomia carotídea, 3, 44, 58, 66 - após trombólise endovenosa, 68 - extracraniana, 97 - - considerações sobre as evidências, 97 - - histórico, 97 - - risco perioperatório, 97 - - seleção adequada do paciente, 98 - - técnicas alternativas, 106 - versus melhor tratamento medicamentoso, 59 Epidemiologia do acidente vascular encefálico no Brasil e no mundo, 5 Espectroscopia, 17 Espessura médio-intimal, 20 Estatinas, 41 Estenose(s) carotídea(s) - abordagem terapêutica, 7 - artéria carótida - - comum e artéria carótida externa, 28 - - interna, 24, 49 - etiologia das, 7 - graduação - - critérios anatômicos para, 21 - - pela análise espectral, 23 Estudo - Carotid Revascularization, 119 - Second Asymptomatic Carotid Surgery Trial, 122 - The Second European, 121 F Fase - de liberação de fluxo, 104 - do pinçamento carotídeo, 100 Fator de necrose tumoral alfa, 11 Fibrilação atrial, 7 Filtro de proteção, 89, 93 Fios-guias, 77, 93

- - - e assintomática tratamento, 65 - tempo para intervenção após início dos sintomas, 115 - tratamento de pacientes - - assintomáticos, 69

G Graduação da estenose carotídea - critérios anatômicos para, 21 - pela análise espectral, 23


Índice

H Hipercolesterolemia, 7 Hipertensão arterial sistêmica, 40 Histórico familiar, 7 Homocisteína, 12 I Implante de stent na artéria carótida, 44 Inovações técnicas, 3 Insuficiência renal, 7 L Ligaduras, 1 Lipoproteína - (a), 11 - de baixa densidade oxidada, 11 M Marcadores de calcificação, 12 Materiais - de proteção embólica, 78 - para acesso, 75 Medidas de velocidades, 28 Molécula de adesão - celular vascular-1, 12 - intercelular-1, 12 Mudanças do estilo de vida, 39 O Obesidade, 7 P Patch, 3 Pentraxina-3, 11 Placa(s) - aterosclerótica, métodos de imagem para avaliação da, 15 - carotídea extracraniana - - anatomia da, 9, 13 - - biomarcadores de instabilidade da placa, 10 - - fisiopatogenia, 9 - - localização da, 12 - - placa estável versus placa instável, 10 - - remodelação da, 12 - - tratamento clínico, 39

- de alto risco embólico, 59 - de ateroma, 30, 98 - hiperecogênica, 29 - hipoecogênicas, heterogêneas e irregulares, 30 - homogênea, 29 - ulcerada, 30 Pós-acidente vascular encefálico, tratamento clínico, 39 Posicionamento do paciente e material, 99 Proteína(s) - amiloide a sérica, 11 - C-reativa de alta sensibilidade, 10 - de adesão celular, 12 - quimioatraente de monócitos-1, 11 R Relação entre carótida e acidente vascular encefálico, 1 Ressonância magnética, 16 S Selador hemostático, 93 Selectinas, 12 Shunt, 3 Stent(s) - carotídeo, 89, 93 - cônicos, 81 - escolha de, 79 - estrutura metálica, 79 - recobertos, 81 Suboclusão sintomática, 69 Suturas, 1 T Tabagismo, 7, 57 Técnica Contrast Enhanced Ultrasound (CEUS), 27 Tempos cirúrgicos, 99 Terapia - antiplaquetária - - dupla, 67 - - e antitrombótica, 42 - de redução do colesterol, 58 - médica otimizada, 39 Tomografia computadorizada, 15

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Doença Carotídea Aterosclerótica

Tratamento endovascular, 3 - da artéria carótida extracraniana, 75 U Ultrassonografia

- Doppler, 15 - - colorido, 58 - - transcraniana, 34 - intravascular, 16 - vascular, 20


A doença carotídea representa um dos grandes desafios da cirurgia vascular contemporânea e um tema de profunda relevância para a saúde pública brasileira. É com esse olhar estratégico que esta obra foi concebida pelos renomados cirurgiões Dr. Renato Manzioni e Dr. Marcos Roberto Godoy. Consolida-se não apenas como um compêndio técnico rigoroso, mas como um instrumento vivo de consulta diária, reflexão e aprendizado contínuo. Esta publicação é fruto de um trabalho criterioso, construído solidamente sobre os alicerces da literatura científica mais atualizada disponível no cenário médico global. Cada capítulo foi elaborado com base nos principais guidelines internacionais e nos recentes artigos de maior impacto. Isso garante ao leitor uma fonte de consulta totalmente confiável, segura e cientificamente fundamentada para a tomada de decisões cirúrgicas. Única no mercado editorial nacional em sua proposta, conta com a valiosa colaboração de respeitados especialistas da Cirurgia Vascular brasileira. Seu grande diferencial está em entregar não apenas dados, mas explicações detalhadas sobre o porquê por trás de cada conduta, evidência e escolha clínica. Trata-se do resultado direto da experiência coletiva de seus autores, reunidos pelo desejo comum de elevar o nível do conhecimento sobre essa patologia tão desafiadora e, muitas vezes, silenciosa. Que este livro sirva para elucidar dúvidas complexas, despertar a investigação científica e estimular o estudo aprofundado de um tema que impacta diretamente a vida de milhares de brasileiros. Que ele chegue às mãos de profissionais que buscam a excelência e que, em cada página, o leitor encontre a informação exata e a motivação necessária para cuidar cada vez melhor de todos os seus pacientes.

Áreas de interesse Angiologia Cirurgia Vascular

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