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Revista Qual Viagem Edição 150 - Setembro/2026

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setembro 2026

Pico do Itacolomi, Viena e Vacation

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charleston

Qual Viagem

•charleston •bonito •budapeste • turismo religioso • pico do itacolomi • viena • vacation

+ Viagem

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Sabores e história no Sul dos EUA Bonito

Destino completo do lazer à gastronomia

Turismo religioso A fé que move o Brasil

Budapeste História às margens do Danúbio


52 HOTÉIS · PORTUGAL · BRASIL · CUBA · ESPANHA

DESDE 1986, SEMPRE PERTO DE VOCÊ


Edição 150 • Ano 12 • setembro 2026 Editora e Produtora Qual eireli.

CNPJ 17.523.350/0001-35

Inscrição Estadual 140.490.598.110 Rua Campo Grande,385

Vila Hamburguesa - CEP 05302-051 São Paulo - SP - Brasil

Telefone +55 11 3024-9500 Publisher: Marcio L. Dadalti Administração e Logística: Patrícia Silva Editor: Cláudio Lacerda Oliva (Mtb 20.586/SP) Produção: RCS Designer Gráficos e Fotos

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Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida sem a autorização por escrito dos editores. As informações publicitárias contidas nesta revista são de responsabilidade dos anunciantes.

Uma primavera de novos olhares Prezado leitor, Viajar é uma forma de ampliar o olhar sobre o mundo e sobre nós mesmos. Nesta edição, percorremos destinos que revelam diferentes maneiras de experimentar uma viagem: pela história, pela natureza, pela gastronomia, pela espiritualidade e por novas formas de hospedagem. Na capa, Charleston, na Carolina do Sul, combina casas históricas, ruas de paralelepípedos, jardins, museus e a hospitalidade típica do Sul dos Estados Unidos. Conhecida como Holy City pela silhueta de seus campanários, a cidade também se destaca pela gastronomia, com ostras, frutos do mar, receitas da tradição Lowcountry e restaurantes reconhecidos pelo Guia Michelin. No Mato Grosso do Sul, Bonito encanta com uma natureza exuberante de águas cristalinas, grutas e cachoeiras. A capital brasileira do ecoturismo se consolida como destino completo, da hotelaria à gastronomia. Como inspiração de viagem por uma das mais belas capitais europeias, selecionamos os principais pontos turísticos de Viena, na Áustria. Entre palácios, jardins e museus, reunimos o que não pode ficar de fora do seu roteiro. Já Budapeste é daquelas cidades que podem ser lidas de diferentes maneiras: pela arquitetura, pelo Danúbio, pelas marcas de diferentes períodos históricos ou até pela mesa. Nesta edição, atravessamos Buda e Peste para conhecer os principais cartões-postais e lugares que ajudam a entender a identidade da capital húngara. De volta ao Brasil, entre Ouro Preto e Mariana, o Parque Estadual do Itacolomi reúne natureza, memória e aventura em uma das paisagens mais emblemáticas de Minas Gerais. Ainda neste mês, mostramos que o turismo religioso brasileiro começa na fé, na promessa, na tradição familiar e no desejo de estar diante do sagrado. Mais do que transformar santuários em atrativos, o desafio é acolher peregrinos com estrutura, respeito e sensibilidade, preservando a identidade das comunidades e o sentido espiritual de cada território. As férias compartilhadas também ganham espaço no Brasil e apresentam novas formas de planejar as viagens. Multipropriedade, timeshare e direito de uso têm propostas semelhantes, mas funcionam de maneiras distintas quanto à relação com o imóvel, ao período de utilização e ao modelo de contratação. Entenda as diferenças!

Boa leitura, boa viagem e até a próxima edição!

EDITORA QUAL


sumário o encontro da história colonial com a conservação ambiental.

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setembro 2026

A pesquisadora que transformou vinho e terra numa experiência na Serra Gaúcha.

bonito

Natureza, lazer e gastronomia em um só destino.

charleston SaboreS e hiStória no Sul doS eua Bonito

Notícias e dicas do turismo, hotéis, cruzeiros, voos e muito mais.

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turismo religioso

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turismo religioso A fé que move o Brasil

foto: ©istock.com/Valentina369

foto: divulgação

Destino completo do lazer à gastronomia

Radar Qual Viagem

foto: ©istock.com / Antonino Ferreira

Pico do Itacolomi, Viena e Vacation

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Qual Viagem

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+ Viagem

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gastronomia

Entre ostras, passeios à beira mar e casas históricas.

viena

Budapeste

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História às margens do Danúbio

Descubra a elegante capital da Áustria.

Bagagem inteligente

5 dias, três paísese apenas uma mala de bordo.

budapeste

A fé que move um país.

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Descubra sua história às margens do Danúbio.

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férias compartilhadas

Modelos ganham espaço no Brasil e transformam o hábito dos viajantes.

foto: ©istock.com / SeanPavonePhoto

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44 charleston

parque estadual do itocolomi


visitmalta

Por: Francesca Vincenti

Trekking e escalada na primavera de

A

Malta

primavera continua sendo uma das melhores épocas para explorar Malta e Gozo, especialmente para quem gosta de trekking e escalada. Entre março e maio, as ilhas vivem um breve, mas espetacular período de cores, quando vales, falésias e trilhas costeiras ganham vida. As temperaturas amenas e os dias mais longos tornam essa estação ideal para descobrir as paisagens naturais a pé ou praticando escalada. As trilhas de Malta proporcionam um contato próximo com a flora sazonal das ilhas. O percurso pelas Falésias de Dingli é um

dos favoritos, tanto pelas vistas panorâmicas quanto pela riqueza de sua vegetação. Ao longo do caminho, é comum encontrar margaridas-amarelas, tomilho-mediterrâneo, funcho-selvagem e exemplares da Maltese rock-centaury, planta nacional de Malta. Conhecida localmente como widnet ilbaħar, expressão que significa “orelhas do mar”, essa espécie rara cresce naturalmente em falésias costeiras mais isoladas, especialmente em áreas como Wied Babu, nas falésias ao sul próximas a Żurrieq, onde a maresia alcança suavemente suas folhas largas, além de alguns trechos da costa acidentada de Gozo. Suas características flores em tons de roxo e rosa são um dos destaques das caminhadas durante a primavera. Outro percurso bastante interessante é a caminhada costeira entre Golden Bay e Ġnejna Bay. Na primavera, as encostas em terraços e os caminhos arenosos ficam pontilhados por madressilvas, íris silvestres roxas, flores amarelas de azedinha e pela delicada orquídea-piramidal rosa de Malta.

Fotos: FRANCESCA VINCENTI - www.visitmalta.com

Trilhas em meio à natureza de Gozo

As paisagens de Gozo proporcionam experiências de trekking mais tranquilas e rurais. O planalto de Ta’ Ċenċ é especialmente impressionante na primavera, com suas extensas áreas de vegetação mediterrânea abrigando lavanda-do-mar, plantas típicas de regiões salinas e pequenos grupos de raras orquídeas endêmicas. A região de Dwejra, conhecida por sua geologia dramática, também apresenta grande variedade de plantas sazonais, incluindo es-


visitmalta

pécies nativas de Malta e resistentes arbustos mediterrâneos que crescem sobre o terreno rochoso.

Escalada em Malta e Gozo

Para os praticantes de escalada, a primavera oferece uma combinação perfeita entre o calcário seco e temperaturas agradáveis, condições ideais para explorar as inúmeras vias de diferentes níveis de dificuldade disponíveis nas ilhas. Wied Babu continua sendo um dos vales mais procurados de Malta para a prática de escalada esportiva. O local oferece vias de diferentes graduações em um ambiente protegido. Durante a primavera, o fundo do vale costuma ficar coberto por flores amarelas, trevos silvestres de tonalidade vinho e numerosos asfódelos floridos.

A região das Victoria Lines, que atravessa a cadeia de elevações do norte da ilha, oferece escaladas mais curtas acompanhadas por amplas vistas de campos verdes e da vegetação mediterrânea em plena floração. Nos vales, flores perfumadas de murta também aparecem nessa época do ano. A cena da escalada em Gozo continua crescendo, e Mġarr ix-Xini se destaca por suas paredes íngremes de calcário repletas de pequenas cavidades, além do ambiente tranquilo. Na primavera, arbustos floridos e ervas dão cor aos caminhos de acesso ao vale. Já as travessias e escaladas nas falésias marítimas próximas a Wied il-Mielaħ, cujo nome significa “vale salgado”, proporcionam uma experiência mais aventureira. Como recompensa, os praticantes encontram a vegeta-


visitmalta

ção costeira em sua fase mais exuberante, tendo como cenário o intenso azul do Mar Mediterrâneo.

Uma explosão de cores que dura poucas semanas

O que torna a primavera especialmente interessante é a enorme variedade de plantas que surgem durante apenas algumas semanas do ano. Muitas espécies nativas são adaptadas para sobreviver aos longos e secos verões mediterrâneos e, por isso, florescem intensamente durante os meses mais amenos. 10

Quem pratica trekking ou escalada encontra, assim, uma verdadeira paleta de cores pelo caminho, tornando a experiência ao ar livre ainda mais especial. Seja caminhando sobre as falésias ou escalando paredes de calcário, a primavera em Malta e Gozo proporciona uma combinação única de beleza natural, clima agradável e intensa vida sazonal, enriquecendo cada percurso.

Para mais informações sobre o que fazer em Malta durante a primavera, acesse: www.visitmalta.com


foto: divulgação

ou r o pr eto ◆ m ariana | m inas gerais

PARQUE estadual do itacolomi foto: divulgação

o encontro da história colonial com a conservação ambiental ◆ Antigo ponto de referência para os bandeirantes, o imponente farol natural de Ouro Preto reúne trilhas fascinantes, biodiversidade da Mata Atlântica e séculos de memória mineira.

Casa Bandeirista, século XVIII. Memória viva dos caminhos coloniais.

Informações por agência com edição de Rebeca Dias

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foto: ©istock.com / Douglas Sant Anna da Cunha foto: divulgação

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ocalizado entre os municípios de Ouro Preto e Mariana, o Parque Estadual do Itacolomi é um dos mais importantes patrimônios naturais e culturais de Minas Gerais. Com mais de sete mil hectares de área protegida, o parque preserva remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado, além de abrigar paisagens de rara beleza, importantes nascentes e vestígios da ocupação histórica da região. Seu principal símbolo é o Pico do Itacolomi, formação rochosa que se destaca na paisagem e serviu como referência geográfica para bandeirantes e viajantes durante o ciclo do ouro. Com aproximadamente 1.772 metros de altitude, ele oferece uma vista privilegiada das cidades históricas e das montanhas que compõem a Serra do Espinhaço. Também é considerado o grande símbolo natural, geológico, histórico e afetivo do parque e da cidade de Ouro Preto. A história do pico começa muito antes da mineração. A origem do seu nome está ligada aos povos originários da região, os indígenas Cataguases, que o chamavam de “itacorumi”, que significa


foto: ©istock.com / Pedro Carrilho foto: divulgação

“pedra-menino”. No início do processo de colonização e exploração mineral na região, ele foi apelidado de farol dos bandeirantes pelo bandeirante Antônio Dias, pois servia de cartografia para os viajantes exploradores. Hoje, todos podem acessar a trilha do pico, onde lá de cima temos uma vista de 360 graus da região de Ouro Preto e Mariana. Criado em 14 de junho de 1967, o Parque Estadual do Itacolomi é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas e integra o conjunto de áreas protegidas da Serra do Espinhaço. A unidade tem como missão conservar ecossistemas de relevância ecológica, promover a pesquisa científica, incentivar a educação ambiental e oferecer oportunidades de visitação sustentável para a sociedade. O parque traz o grande diferencial de unir preservação ambiental, cultural e histórica, enquanto entrega lazer acessível.

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foto: divulgação

Atrativos Entre os atrativos do parque, pode-se destacar a Trilha Pico do Itacolomi, o Museu do Chá, a Casa Bandeirista, a Capela de São José e as Lagoas do Manso; da Capela e da Curva. Para as famílias que buscam um dia de lazer e contato com a natureza, a infraestrutura do parque é um grande diferencial. O espaço de convívio para os visitantes é amplo e conta com parquinho infantil, quadra de areia, quiosques, mesas, bancos e quatro churrasqueiras. Quem deseja estender a estadia pode aproveitar a área de camping, que possui capacidade para 120 pessoas (ou 30 barracas), além de casas de alojamento e casa de hóspedes (serão operadas em breve). Além da estrutura, as trilhas na base do centro de visitantes são muito acessíveis e curtas, sendo a maior de 600m, o que possibilita passeio com crianças e idosos. O grande destaque inclusivo para pessoas com deficiência é a Trilha dos Sentidos, que possui acessibilidade como corrimão em todo o trajeto. Nesse trajeto, os visitantes são convida14

dos a experimentar a natureza de forma lúdica: sentindo a água fria dos cursos d’água, o cheiro da mata e os sons característicos da floresta, promovendo uma educação ambiental rica e acessível a todos. Para além das belezas naturais, as crianças e os adultos podem fazer uma verdadeira viagem no tempo sem esforço extremo. As exposições presentes no Centro de Visitantes foram desenvolvidas de forma lúdica e interativa, perfeitas para prender a atenção do público infantil e facilitar o aprendizado sobre a fauna, flora e o perigo das queimadas. Além da área de camping totalmente equipada, o parque está desenvolvendo um centro de recepção para montanhistas: ou seja, uma casa que ofereça todo apoio necessário aos visitantes que venham para a prática de atrativos mais radicais, como alpinismo, highline e rapel. Atrativos históricos

Para os amantes de atrativos históricos, a Casa Bandeirista, construída entre 1706 e 1708, é considerada o primeiro edifício público de Mi-


foto: divulgação

foto: divulgação

nas Gerais e exibe características da arquitetura colonial com o aproveitamento de recursos naturais da região. Ali funcionava um posto de fiscalização da Coroa Portuguesa para a cobrança dos quintos (o imposto sobre o ouro) e para a vigilância militar, protegendo os acessos às ricas minas de Ouro Preto e ao chamado ‘Sertão dos Cataguases’. O Museu do Chá, por sua vez, foi instalado no antigo galpão da Fazenda do Manso e abriga um raro maquinário alemão utilizado na primeira metade do século XX para a moagem e preparo do chá-da-índia, na época em que a propriedade possuía quase 2 milhões de pés da planta. O acervo materializa a memória do trabalho local de forma visual e instigante, onde hoje é o museu do chá, era o antigo galpão da fazenda do manso. A Capela de São José, datada de meados do século XX, representa uma dimensão fundamental para as pessoas que viveram aqui. Mais do que um edifício, ela deve ser compreendida como um espaço vital de vivência comunitária, espiritualidade e organização social.

Serviço Medição Guiada

O parque conta com mediação guiada para grupos mediante agendamento com o responsável comercial, podendo entrar em contato por Whatsapp (31) 9936-8048 (Carlos) ou por email contato.itacolomi@parquetur.com.br. O circuito mediado pode prever todo o centro histórico, ou partes específicas do interesse do grupo.

horário de funcionamento Terça a domingo, inclusive em feriados, das 8h às 17h.

Valores dos ingressos

Tarifa Única: Inteira: R$28,75 - Meia-Entrada: R$14,37 Ingresso Isento: Moradores do entorno: Lavras Novas e Passagem de Mariana: isenção todos os dias; Ouro Preto e Mariana: isenção em dias úteis e 50% off aos fins de semana e feriados. Meia-entrada e gratuidade: Estudantes e 60+: meia-entrada; Crianças até 5 anos: entrada gratuita

CAMPING

Valores: Espaço para barraca 3×3: R$75,00 (noite); Espaço para barraca 5×5: R$120,00 (noite). O ingresso adquirido pode ser utilizado em até 90 dias após a data agendada para visita ao Parque, desde que as regras de reagendamento sejam respeitadas.

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Gastronomia

Por Monica Quinta

A pesquisadora que

transformou vinho e terra numa experiência na Serra Gaúcha

P

Em Flores da Cunha, Tainá Zaneti criou uma vinícola na Serra Gaúcha movida a agricultura regenerativa e ao tempo da natureza.

oucos currículos unem a sala de aula e o vinhedo como o de Tainá Zaneti. Graduada em Gastronomia, mestre em Agronegócios, doutora em Desenvolvimento Rural e com pós-doutorado na Universidade Nacional da Malásia, ela leva o título de primeira Doutora Gastrônoma do Brasil e transformou uma propriedade de 45 hectares na Serra Gaúcha em um manifesto carinhoso sobre comida, natureza e tempo. Na Madre Terra, vinícola boutique da Capela São João, interior de Flores da Cunha (RS), a 847 metros de altitude, o vinho nasce da agricultura regenerativa e de uma convicção: tudo o que chega à taça e ao prato carrega responsabilidade sobre o solo, as pessoas e o planeta. A propriedade, que Tainá idealizou e ergueu com a família, é também um oásis verde, com cinco lagos, trilhas e muitas árvores. Mas o que a move não é a paisagem em si. Gaúcha de nascimento e radicada em Brasília, ela divide a rotina entre a universidade, a família, o estudo e a vinícola, e enxerga tudo a partir de um mesmo ponto de vista. “A comida é a lente pela qual eu vejo o mundo”, resume.

Comer para entender o mundo Essa lente tem um método. “A primeira coisa que eu faço é ir num mercado público”, conta, ao descrever como chega a qualquer lugar, dentro ou fora do Brasil. Dali segue até a produção, atrás dos ingredientes da sociobiodiversidade e da relação entre campo e cidade. Interessa a ela saber se a cozinha local valoriza ou oprime esse sistema, se há agricultores por trás do prato. Mais do que uma constatação, diz, “é uma forma de viajar”.

Do Cerrado à Serra, duas lições A história de Tainá atravessa biomas. Na infância, eram duas viagens de carro por ano entre Brasília e 16

Porto Alegre, e, pela janela, “eu conseguia ver um Brasil se transformando”, lembra. Cada paisagem moldou os territórios e as pessoas. Do Cerrado, veio uma lição sobre resiliência, a de uma terra árida onde a beleza e o alimento se escondem: “é uma beleza fora do padrão”, diz, e completa que ali “o Cerrado te ensina a ser teimoso”. A Serra Gaúcha, farta e cheia de água, ensinou o contrário. “Ela me ensina sobre leveza”, afirma, sobre “valorizar a abundância do mundo” e o cotidiano.

O tempo como prato principal Na Madre Terra, a proposta é vender tempo, não pressa. As temporadas gastronômicas não seguem as estações: “elas mudam de acordo com a nossa sensação do clima”, explica. Em época de chuvas, um menu que acompanha as chuvas; num ano de estiagem, um menu pensado a partir da seca. “A gente se deixa muito aberto e muito sensível” ao que acontece na natureza, diz. A ideia de desacelerar está em cada detalhe, até na rede wi-fi, cuja senha, com bom humor, é “disconnect”. E não é força de expressão. “A gente quer que as pessoas se desconectem”, afirma, para que “sentar, tirar o sapato, pisar na grama” volte a ser possível. Na Madre Terra os visitantes largam mesmo o telefone. “Oferecer tempo de qualidade é um privilégio”, resume.

Do solo ao corpo A agricultura regenerativa, para Tainá, não é detalhe de folder. Servir comida é um ato de responsabilidade integral. “A gente está se propondo a entrar dentro do corpo de um ser humano”, diz. Por isso, “tudo que vem antes desse momento da boca é responsabilidade nossa”: a segurança do alimento, o cuidado com o solo, a sociobiodiversidade, as pessoas empregadas e as escolhas na hora da compra.


“Conhecer de quem você está comprando” e investir em quem cultiva é, para ela, parte do mesmo gesto que rege os vinhedos, a horta e a cozinha.

fotos: divulgação

Uma régua brasileira Questionada sobre como democratizar a alta gastronomia sem esvaziá-la, Tainá propõe um passo atrás: olhar para o próprio país. “A nossa cultura alimentar é incrível”, diz, lembrando que o Brasil tem técnica, ingredientes e “vinhos maravilhosos”. O problema, para ela, é a comparação. “Nunca vamos conseguir olhar para o Brasil com a régua brasileira” enquanto vivermos de espelhar padrões de fora, afirma. E aponta um paradoxo do próprio lazer: “a gente não conhece o nosso próprio país”. No plano prático, aposta em estradas, malha aérea, hotéis e, sobretudo, educação, para que mais gente ressignifique a relação com o território e passe a incluí-lo até nos planos de férias. 17


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Gastronomia

A alma para viajar Se a viagem alimenta a criação, é porque tira a pessoa do lugar de sempre. “As viagens são um momento de abstração total”, diz Tainá, que se define sem rodeios: “eu me considero muito artista”. Olhar o mundo “com esse olhar de criança, de estranhamento” é o que rende os insights, e para isso, garante, “a gente tem que levar a alma para viajar”. O pósdoutorado na Malásia foi um divisor. Num país que reúne influências malaias, chinesas, indianas, árabes e indígenas numa só mesa, onde “nada é parecido com nada”, ela aprendeu a “olhar para a gastronomia como uma linguagem muito viva”. Voltou “muito mais atenta àquilo que nasce num território”, às técnicas tradicionais e à riqueza que existe fora da ideia europeizada de alta cozinha, curiosidade que hoje atravessa o que se serve na Madre Terra. No fim, o que Tainá deseja que o visitante leve na bagagem não cabe numa garrafa. É “poder escolher uma vida com consciência no presente”, a percepção de que “são as escolhas cotidianas que fazem a gente ter uma vida tranquila”. Ou, como ela mesma resume: “quero que saiam daqui com um pedacinho dessa paz”. 18

Serviço Vinícola Madre Terra Endereço: Travessão Cavour, Capela São João, Flores da Cunha (RS), CEP 95270-000 Telefone/WhatsApp: (54) 3500-0260 Visitação: terça a sábado, das 9h às 16h30, somente com agendamento prévio. Site: vinicolamadreterra.com Instagram: @vinicolamadreterra


foto: divulgação

destinos | brasil

bonito:

natureza, lazer e gastronomia em um só destino M ato G r osso do S u l

Por Patrícia Chemin


Considerada a capital brasileira do ecoturismo, Bonito encanta com nascentes, rios cristalinos, grutas e cachoeiras, além de oferecer uma estrutura exemplar que preza pela preservação do meio ambiente. Localizada em Mato Grosso do Sul, a cerca de 260 km de Campo Grande, a cidade é um destino completo.

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Água cristalina é característica da Nascente Azul


foto: divulgação

Flutuação sobre a Nascente Azul, no complexo de mesmo nome

B

onito é um lugar tão deslumbrante que palavras, fotos e até mesmo vídeos não fazem jus à realidade. Este é um destino que merece ser vivenciado ao menos uma vez. Mergulhar em uma nascente e mal conseguir acreditar no quanto aquela água é cristalina, encontrar um rio que reflete os mais belos tons de azul, ou encontrar beleza desde as profundezas da terra. Assim é a cidade de Bonito, uma obra-prima da natureza que, felizmente, o ser humano foi capaz de proteger e preservar com um alto nível de organização. Além de ser uma referência mundial em ecoturismo, com estruturas turísticas de excelência, a cidade mostra que é um destino completo, ganhando destaque também nas áreas de hotelaria, lazer e gastronomia.

Nascente Azul: ecoturismo para todos Bonito é um destino muito lembrado pelas flutuações – e a mais popular delas acontece na Nascente Azul. O atrativo não só apresenta cenários naturais de uma beleza estonteante, como também é co-

nhecido por receber muito bem visitantes de todas as idades e condições físicas, como idosos, crianças e pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida. Por ser feita em um rio com uma correnteza quase imperceptível, esta flutuação é indicada até para quem não sabe nadar. Os equipamentos fornecidos (traje de neoprene, colete salva-vidas e calçados apropriados) ajudam a flutuar sem esforço. Além disso, há um momento do passeio em que o grupo recebe as instruções do guia e pode se acostumar à máscara e ao snorkel. A flutuação na Nascente Azul é uma atividade com acessibilidade. Há trilhas acessíveis, cadeiras anfíbias, rampas, piso tátil, decks largos, sinalização especial, apoio especializado e uma equipe preparada para receber visitantes com diferentes necessidades. Depois de uma trilha curta pela mata, o grupo começa a flutuação sobre a nascente que dá nome ao atrativo, que forma uma espécie de piscina natural, onde a água tem a rara tonalidade de um azul intenso. Mas é só ao entrar ali que você percebe como a água é hipnotizante de tão cristalina, com um grau de visibilidade que supera os 40 metros na horizontal. 21


A descida pelo rio proporciona uma conexão profunda com a natureza. São momentos de paz total com esse mundo subaquático, repleto de peixes e plantas submersas coloridas. Uma experiência que fica guardada para sempre na memória. Quem faz a flutuação pode aproveitar o restante do dia no balneário da Nascente Azul. Sua estrutura inclui lago de água corrente com circuito de pontes suspensas, parque aquático flutuante, praia de água doce, tirolesa aquática, piscina ecológica, decks para banho, cascata, bar e restaurante, além de trilhas autoguiadas. Para quem busca mais emoção, vale encarar a descida na tirolesa (paga à parte).

Bonito dentro e fora da água

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A região de Bonito tem mais de 40 atrações, entre flutuações, grutas, cavernas, cachoeiras, balneários e muito mais, para diversos perfis de visitantes e com diferentes níveis de emoção. E alguns atrativos, como a Nascente Azul, oferecem uma combinação de passeios na mesma propriedade. Esse é também o caso do Parque Ecológico Rio Formoso, que possui cerca de 200 hectares dedicados ao ecoturismo e turismo de aventura.

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Acessibilidade na Nascente Azul. Acima, flutuação no mesmo complexo


foto: divulgação foto: divulgação

Boia cross no Parque Ecológico Rio Formoso. Abaixo, interior da Gruta Catedral

O local conta com tirolesa de 520 metros de extensão, passeio a cavalo e trilhas, além da Lagoa Formosa, onde você pode curtir tirolesas aquáticas, caiaque e stand-up paddle. Mas o destaque do parque é o boia cross no Rio Formoso, com oito obstáculos entre corredeiras e pequenas cachoeiras que garantem boas risadas e muito frio na barriga. Bonito é uma cidade famosa pelas águas cristalinas, mas se engana quem pensa que por lá só existem atrações aquáticas. Um bom exemplo é a Gruta Catedral, uma trilha subterrânea através de uma caverna seca. Escadas e corredores mais estreitos levam a grandes câmaras e salões que variam de tamanho. Dá para admirar as incríveis formações geológicas, como estalactites, estalagmites, colunas e coralóides, que são verdadeiras obras de arte da natureza. Todo o trajeto é seguro e bem delimitado, com as câmaras iluminadas de maneira artificial. Já no centro de Bonito, vale conferir o Projeto Jiboia, onde você pode ver de perto várias cobras e aprender sobre educação ambiental. Aliás, o intuito do projeto desde o começo foi fazer com que as pessoas mudassem seu olhar equivocado sobre as cobras, mostrando a importância deste animal para a vida do próprio ser humano. No final, você tem a oportunidade de tirar fotos enquanto segura uma jiboia. 23


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Parque aquático é novidade no Arte da Natureza Hotel Bonito

Lazer e descanso no Arte da Natureza Entre um passeio e outro, nada melhor que poder relaxar e se divertir no principal hotel de Bonito. Localizado no centro da cidade e inspirado pela profusão de águas do destino e seu verde exuberante, o Arte da Natureza Hotel Bonito oferece conforto e experiências singulares. O que era no início uma pequena pousada com 24 apartamentos, hoje, após grandes expansões, se consolida como uma das principais estruturas de lazer do estado. O Arte da Natureza agora oferece 150 acomodações do mais alto padrão de conforto, sendo 89 com piscina privativa na varanda. Aliás, é o hotel com mais piscinas privativas do Brasil. Muitas delas estão na Ala Diamond, inaugurada neste ano, que reforça a oferta de lazer digna de um resort, mas com a exclusividade de um hotel boutique. Novidades recentes incluem ainda a maior piscina suspensa do país, com laterais e fundo de vidro, outra grande piscina externa, com uma fonte de águas dançantes e cercada por hidromassagens, e 24

um parque aquático de águas aquecidas, o maior entre hotéis de Mato Grosso do Sul e o segundo maior do estado. O parque, inédito no destino, é exclusivo para uso dos hóspedes, tanto crianças como adultos. As outras alas do Arte da Natureza completam seu grande complexo aquático, entre piscinas de diferentes tamanhos e estilos, hidromassagens e cascatas. O hotel também oferece academia completa, Espaço Games & Lazer e recreação diária para crianças e adolescentes. A gastronomia é outro ponto alto da estadia. Destaque para o Angico Bistrô Regional, restaurante do chef Sylvio Trujillo que combina a gastronomia mediterrânea com ingredientes locais (também aberto ao público externo). Há ainda quatro unidades do Bacuri Bar junto às piscinas e um farto café da manhã, que inclui comidas típicas sul-mato-grossenses, como a sopa paraguaia (um bolo salgado de milho, queijo e cebola) e o quebra-torto (desjejum típico dos peões pantaneiros, é arroz carreteiro com ovo frito e mandioca).


foto: divulgação

foto: divulgação

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Nova Ala Diamond no Arte da Natureza. Acima, suíte na mesma ala, quartos com piscinas privativas e a piscina suspensa do hotel

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Bacuri: gastronomia que surpreende Para descobrir ainda mais sobre os ricos sabores do Cerrado, do Pantanal e da Serra da Bodoquena, é imperdível conhecer em Bonito o Bacuri Cozinha Regional. A casa, também comandada pelo chef Sylvio Trujillo, tem como missão resgatar e celebrar a riqueza ancestral da gastronomia sul-mato-grossense. A experiência vai além do paladar, pois também oferece um mergulho profundo na identidade cultural do estado, dos povos indígenas às comitivas de gado, respeitando receitas tradicionais e ingredientes da região. Em uma mescla de referências aos maiores cozinheiros e historiadores do estado e

Fachada do Bacuri Cozinha Regional

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Chef Sylvio Trujillo

toques autorais do chef Trujillo, o cardápio do Bacuri apresenta pratos autênticos de fato, e por vezes desconhecidos por muitos brasileiros. De entrada, são imperdíveis o sashimi do piloteiro (finas fatias de pintado marinadas em um molho especial que explode em sabor) e a chipa guazú (uma torta cremosa e gratinada que derrete na boca, à base de milho e queijo curado). Entre os pratos principais, há opções de carnes, peixes e massas. Destaque aqui para o cupim de colher (cozido por 8h, fica tão macio a ponto de desfiar com uma colher, servido com mandioca cremosa e chimichurri de tereré) e a piraputanga corumbaense (peixe sem espinhas e recheado com uma saborosa farofinha de moqueca).

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Sashimi do piloteiro

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foto: divulgação

foto: patrícia chemin

Piraputanga corumbaense


foto: divulgação

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Parque aquático flutuante e tirolesa são algumas das atrações do balneário da Nascente Azul


dicas e

serviços Voucher único

Como uma medida de preservação ambiental, os atrativos de Bonito têm um limite máximo de visitantes por dia. Para manter esse controle, os ingressos são vendidos apenas pelas agências de turismo da cidade, em um sistema chamado de voucher único. Os preços são todos tabelados, variando apenas entre alta e baixa temporada, e já incluem o acompanhamento de guias.

Planejamento

Prefira fazer as reservas com uma antecedência mínima de três meses, principalmente na alta temporada (férias escolares e feriados). Além dos dias de chegada e partida, considere pelo menos três ou quatro dias no destino, e lembre que alguns passeios duram um dia inteiro, enquanto outros podem ser feitos em poucas horas. A agência Bonito Way, uma das mais tradicionais da cidade, pode te auxiliar a montar um roteiro eficiente e que vai se adequar às suas preferências.

Quando ir

Bonito pode ser visitado em qualquer época. A cidade tem temperaturas mais altas e maior incidência de chuvas no verão, enquanto que os meses de outono e inverno correspondem à época da seca, com noites mais frias. Na alta temporada, há maior procura pelos passeios e os preços são mais altos.

Como chegar

A Azul opera voos diretos entre Viracopos e o Aeroporto Regional de Bonito (localizado a cerca de 20 minutos do centro da cidade) três vezes por semana, aos domingos, terças e quintas. A Azul Viagens oferece pacotes com aéreo e hospedagem no Arte da Natureza Hotel Bonito.

Transporte

Quase todos os atrativos ficam na zona rural, muitos acessados por estradas de terra. Para se locomover, você pode alugar um carro ou agendar um transfer particular ou compartilhado que vai te levar do seu hotel aos receptivos (reservas podem ser feitas com a agência de turismo).

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informações O que levar

Roupas esportivas leves, roupas de banho, calçados confortáveis fechados, toalha, sapatilhas aquáticas, chinelos, protetor solar, repelente, hidratantes, chapéu ou boné e garrafinha de água. Fique atento a recomendações específicas de cada passeio.

Nascente Azul

nascenteazul.com.br

Parque Ecológico Rio Formoso parquerioformoso.com.br

Gruta Catedral

Estrutura turística

Os atrativos de Bonito costumam ser muito bem estruturados, com banheiros, vestiários, estacionamento, lanchonete ou restaurante, Wi-Fi e outras comodidades.

grutacatedral.com.br

Projeto Jiboia @projetojiboia

Arte da Natureza Hotel Bonito artedanaturezabonito.com.br

Centro da cidade

O centro de Bonito é compacto, tranquilo e muito seguro. A rua principal (Cel. Pílad Rébua), a Praça da Liberdade e vias adjacentes concentram em poucos quarteirões uma boa variedade de lojas de souvenires e outros itens, além de restaurantes, bares, sorveterias e mais pontos comerciais.

Bacuri Cozinha Regional

bacuricozinharegional.com.br

Bonito Way

bonitoway.com.br

Azul Linhas Aéreas voeazul.com.br

Azul Viagens

azulviagens.com.br

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radar qual viagem Termas dos Laranjais terá nova atração infantil aquática

foto: divulgação

O Termas dos Laranjais, em Olímpia (SP), prepara uma nova atração infantil inspirada em sua tradicional Montanha-Russa Aquática. Em construção no complexo PlayKids, a versão para crianças terá percurso próprio, com curvas, subidas e descidas a partir de uma plataforma de cerca de 4,5 metros de altura. A propulsão será feita pela tecnologia Master Blaster, que utiliza jatos de água para impulsionar as boias. As obras estão dentro do cronograma: a fundação foi concluída, as peças de fibra já chegaram e a estrutura metálica está na fase final. O projeto também prevê recursos de acessibilidade, como rampa de acesso. A novidade amplia a oferta de entretenimento para famílias e reforça a proposta inclusiva do parque, que reúne mais de 60 atrações abastecidas por águas quentes naturais.

MME Vacation Club diversifica modelos de férias em Alagoas

foto: divulgação

A MME Vacation Club amplia sua atuação em Ipioca, em Maceió (AL), com empreendimentos que combinam diferentes formas de acesso às férias. Com mais de 7 mil famílias clientes, o grupo oferece modelos de multipropriedade e direito de uso, adaptados a diferentes perfis e orçamentos. O Ipioca Beach Residence & Resort já está em operação em regime de multipropriedade, enquanto o Ipioca Beach Home Collection está em construção, com entrega prevista para 2027. A empresa também mantém parceria com a RCI para intercâmbio de períodos em outros destinos. O novo lançamento é o Ipioca Mar Resort All Inclusive, previsto para 2030, que funcionará por direito de uso, com hospedagem, alimentação, bebidas e lazer integrados. Segundo a empresa, o modelo pode gerar economia de até 45% nas férias.

foto: divulgação

SeaWorld Orlando estreia experiência do Hotel Transylvania O SeaWorld Orlando realiza o Halloween Spooktacular em datas selecionadas até 1º de novembro. O evento diurno está incluído no ingresso do parque e reúne doces ou travessuras, personagens, Jardim das Abóboras e a Trilha das Bolhas Assombradas. Nesta edição, a programação ganha pela primeira vez experiências inspiradas em Hotel Transylvania, da Sony Pictures Animation. Entre as novidades está o Café da Manhã Hotel Transylvania, vendido separadamente, no qual famílias fazem check-in como hóspedes e participam de uma refeição temática no SeaFire Inn, transformado em Monster Dread & Breakfast. A experiência inclui buffet temático, encontros com Drac, Mavis e outros personagens, atividades musicais e interativas e espaços para fotos. A novidade amplia a programação infantil de Halloween no parque.


Caminhos do Mar cria combo com trilha noturna e camping

foto: Divulgação Parquetur

O Parque Caminhos do Mar, na Serra do Mar paulista, passou a oferecer uma opção que combina caminhada noturna e camping em meio à Mata Atlântica. A atividade será realizada mensalmente com duas horas de duração e começa com a chegada dos participantes às 18h, agrupamento às 18h30 e caminhada das 19h às 21h. Conduzido por monitores, o percurso permite observar a floresta após o pôr do sol, com atenção aos sons, aromas e à dinâmica do ambiente. O combo inclui uma baia para camping por R$ 45, valor promocional ante os R$ 65 da diária regular. Cada espaço mede 3,25 por 3,25 metros. O parque fornece apenas a área de instalação, portanto o visitante deve levar barraca e demais equipamentos. O check-in do camping ocorre de quarta-feira a sábado das 13h às 17h e o check-out até o meio-dia do dia seguinte.

Valle Nevado estende temporada de esqui até outubro

foto: divulgação

O Valle Nevado Ski Resort confirmou a extensão da temporada 2026 até pelo menos 18 de outubro, impulsionada pelo volume de neve acumulada, superior a 5,15 metros. A estação chilena, localizada a 3.025 metros de altitude, considera as condições das pistas excelentes e atribui a duração da neve à altitude e à menor incidência de sol. A temporada começou em 19 de junho e ganhou força com as nevadas de julho e agosto. A estação registrou 143 dias de operação em 2024 e 122 em 2025. Para manter as pistas em boas condições, conta com equipes especializadas e maquinário próprio e trabalha com autoridades na manutenção da estrada de acesso. O resort também disponibiliza um Relatório de Montanha atualizado diariamente, com informações sobre pistas, teleféricos e estradas, além de câmeras que mostram as condições em tempo real.

foto: divulgação

Copa amplia oferta de voos em Confins a partir de 2027 A Copa Airlines anunciou o aumento da oferta de voos em Belo Horizonte para o início de 2027, como parte da celebração de 18 anos de operações na capital mineira. Em janeiro e fevereiro, as frequências semanais no Aeroporto de Confins passarão de 10 para 12. A partir de março, serão 11 voos semanais fixos, alta permanente de 10% sobre a oferta atual. Desde 2008, as frequências na região mais que dobraram, conectando os mineiros ao Hub das Américas e a mais de 80 destinos nas Américas. A companhia destaca que as conexões permitem despacho da bagagem até o destino final, sem passagem por imigração ou alfândega durante a conexão. O Panamá Stopover também foi ampliado de sete para 15 dias. Em 2026, a Copa passou a incluir Starlink em suas aeronaves, com previsão de concluir a instalação em 2027.

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foto: ©istock.com / F de Jesus


Turismo religioso no Brasil

a fé

que move um país Dos grandes santuários às pequenas comunidades, milhões de brasileiros se deslocam todos os anos movidos pela devoção. Depois de mais de uma década percorrendo destinos, pesquisando fluxos e defendendo a profissionalização do segmento, Sidnésio Moura lança um olhar sobre um Brasil religioso que movimenta pessoas e economias, mas ainda precisa aprender a transformar a fé em acolhimento, planejamento e desenvolvimento — sem perder o sagrado pelo caminho.

Por Cláudio Lacerda Oliva e Manoel Sidnesio


procissões, caminhos de peregrinação, romarias, centros de evangelização, patrimônios religiosos e pequenas comunidades onde a tradição continua sendo transmitida de geração em geração. Seus efeitos vão muito além dos espaços religiosos, alcançando hotéis, pousadas, restaurantes, transportes, comércio, artesanato, economia criativa, segurança, saúde, saneamento e mobilidade urbana. Mas compreender esse fenômeno exige uma primeira mudança de olhar: Turismo Religioso não começa no turismo. Começa na fé. É uma convicção que tenho levado comigo ao longo da minha trajetória profissional. Quanto mais percorro destinos brasileiros e converso com religiosos, peregrinos, gestores, empresários e comunidades, mais percebo que o maior erro é tentar compreender esse segmento apenas pela lógica convencional do turismo. O peregrino não é simplesmente um consumidor diante de um produto; o santuário não é apenas um atrativo; uma procissão não pode ser reduzida a um evento; e uma igreja não existe apenas para servir de cenário fotográfico. O espaço religioso é, antes de qualquer outra coisa, um espaço de fé,

foto: Sebrae ES

H

á viagens que começam pela vontade de conhecer. Outras, pela necessidade de descansar. Algumas nascem do desejo de aventura. Mas existem aquelas que começam muito antes de uma passagem ser comprada, de uma mala ser arrumada ou de uma estrada ser percorrida. Começam na fé. É a mãe que atravessa estados para agradecer pela recuperação de um filho; o homem que percorre quilômetros para cumprir uma promessa; a família que retorna todos os anos ao mesmo santuário porque aquela peregrinação já faz parte de sua própria história. São milhares de pessoas caminhando juntas em procissões, romeiros chegando de madrugada, ônibus atravessando o país, peregrinos seguindo por estradas de terra e multidões reunidas diante de um altar. Esse é um Brasil que nenhuma fotografia consegue mostrar por inteiro e que talvez os próprios números ainda não consigam dimensionar. O turismo religioso está entre as manifestações mais territorializadas do turismo brasileiro. Sua presença alcança santuários, basílicas, festas de padroeiros,


foto: Sebrae ES

evangelização, liturgia, devoção, memória, identidade e experiência do sagrado. O turismo religioso ocorre justamente no encontro entre essa realidade e a atividade turística. Para mim, essa compreensão transformou uma especialização profissional em algo maior: o Turismo Religioso tornou-se uma missão.

Uma missão construída no território Ao longo dos anos, fui entendendo que trabalhar com turismo religioso implica assumir uma responsabilidade diferente. Planejar um destino de sol e praia, um roteiro gastronômico ou uma experiência de aventura tem suas especificidades, mas trabalhar com um território sagrado exige acrescentar outra dimensão: é preciso compreender aquilo em que as pessoas acreditam. Não basta saber quantos ônibus chegaram; é necessário entender por que aquelas pessoas chegaram, o que esperam encontrar e como o destino vai acolher essa experiência. Talvez seja justamente essa pergunta que tenha direcionado grande parte da minha atuação no segmento.

Quando idealizei o Caminho dos Santos Mártires do Brasil, no Rio Grande do Norte, por exemplo, a intenção nunca foi simplesmente ligar municípios em um roteiro turístico. Ali existe uma história de fé relacionada aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, canonizados pelo Papa Francisco em 2017. O caminho precisa conduzir o peregrino pela história, pela cultura e pelo território, mas, principalmente, proporcionar uma experiência espiritual. Em entrevista ao Vatican News, quando o projeto começava a ganhar forma, defendi exatamente isso: independentemente de percorrer o trajeto a pé, de bicicleta, de motocicleta, de automóvel ou em excursão, a finalidade deveria permanecer ligada ao encontro com Deus e à evangelização. Essa visão passou também a acompanhar meu trabalho de consultoria, formação, pesquisa e articulação nacional. Não acredito em turismo religioso sem espiritualidade, mas também não acredito que a espiritualidade seja justificativa para a improvisação. E talvez seja justamente nessa tensão entre fé e organização que esteja um dos maiores desafios brasileiros. 35


foto: marcio auriema

Um gigante que ainda não sabe exatamente o próprio tamanho Durante décadas, o Brasil repetiu números sobre turismo religioso que merecem ser revistos. Em 2015, dados então divulgados pelo Ministério do Turismo apontavam 17,7 milhões de viagens motivadas pela fé e um impacto econômico estimado em R$ 15 bilhões. Naquele período, Sidnésio Moura e o jornalista Amadeu Castanho começaram a confrontar aquela dimensão com os números dos próprios destinos, e a conta simplesmente não fechava. Em uma pesquisa independente realizada posteriormente, chegou-se a aproximadamente 35 milhões de pessoas, considerando apenas 15 destinos analisados. Quase dez anos depois, o problema permanece. Por isso, Sidnesio Moura resolveu voltar aos números com outra metodologia. A pesquisa Fluxos do Turismo Religioso Católico no Brasil em 2025 foi construída com uma preocupação diferente: em vez de produzir um número grandioso para ser repetido em apresentações, buscou evidências documentais nas 27 Unidades da Federação, analisando santuários, festas, romarias, 36

peregrinações, celebrações e grandes eventos católicos para os quais existissem registros verificáveis. O que a pesquisa mostra é que o Brasil religioso em deslocamento é muito maior e mais complexo do que conseguimos medir. Isso acontece porque os próprios destinos utilizam critérios diferentes: uns contabilizam visitantes; outros, peregrinos; outros, fiéis, participantes, entradas, caravanas, ônibus ou hospedagens. Essas categorias não podem ser simplesmente somadas como se representassem a mesma coisa. Uma pessoa pode entrar várias vezes em um santuário. Um participante de uma festa pode morar no próprio município. Um peregrino pode ser turista ou excursionista. Uma celebração pode reunir milhares de moradores sem necessariamente gerar o mesmo número de viagens turísticas. Por isso, medir o Turismo Religioso não significa medir a fé; significa medir seus efeitos concretos no território: quantas pessoas chegam, de onde vêm, quanto tempo permanecem, onde dormem, como se deslocam, quanto consomem e quais serviços utilizam. Sem essas respostas, as políticas públicas são construídas quase às cegas.


Um piso de R$ 3,36 bilhões - e não o tamanho da economia da fé

foto: ©istock.com / Antonino Ferreira

A pesquisa sobre o ano de 2025 também permitiu avançar em outro território ainda pouco conhecido: o impacto econômico. Somente nos casos em que foi possível localizar documentação monetária suficientemente consistente, o levantamento identificou um piso superior a R$ 3,36 bilhões. E a palavra mais importante dessa frase é “piso”. Esse valor não reflete o impacto econômico nacional do turismo religioso católico. O estudo deliberadamente não monetizou diversos polos importantes, entre eles Aparecida, Canção Nova, Juazeiro do Norte e Santa Paulina, além de não monetizar integralmente a Festa da Penha. Por isso, apresentar R$ 3,36 bilhões como o tamanho da economia nacional do segmento seria metodologicamente incorreto. A opção foi justamente não extrapolar. Se não há dados confiáveis, prefiro assumir que não sabemos. Porque um segmento não se fortalece inventando números

grandes; fortalece-se construindo inteligência turística. E os dados já encontrados são suficientes para mudar a pergunta. Não precisamos mais perguntar se há turismo religioso suficiente para justificar políticas públicas. Existe. A questão agora é outra: como organizar, mensurar, qualificar e desenvolver de maneira sustentável um fenômeno que já movimenta milhões de pessoas?

Aparecida e a lição do acolhimento

Talvez nenhum lugar brasileiro permita compreender tão claramente a dimensão dessa responsabilidade quanto Aparecida. O Santuário Nacional recebeu aproximadamente 10,5 milhões de visitantes em 2025, segundo os dados utilizados no levantamento. É uma cidade marcada por uma escala de peregrinação difícil de encontrar em outros pontos do país, mas o que mais me chama a atenção não é apenas o tamanho: é a organização. Dentro do Santuário Nacional existe uma estrutura pensada para acolher. Limpeza, segurança, si-

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nalização, alimentação e orientação dialogam com uma operação que precisa receber milhões de pessoas, sem permitir que a dimensão logística destrua a espiritual. Ao sair dos limites do complexo, entretanto, surge outro cenário. Minha análise do destino identificou desafios urbanos, comerciais, de ordenamento, de formalização e de integração turística. Daí nasce uma reflexão que considero fundamental para o Brasil: não adianta possuir um santuário extraordinariamente organizado se o território ao seu redor não consegue acompanhar a experiência. O peregrino não desaparece ao atravessar o portão. Ele continua precisando de transporte, segurança, alimentação, hospedagem, informação, comércio organizado e hospitalidade. É exatamente por isso que governança importa.

todo o país: mercantilização da fé, descaracterização dos espaços sagrados, infraestrutura insuficiente, roteiros sem identidade, profissionais sem preparação e decisões públicas desconectadas das lideranças religiosas. Por isso defendo a presença das instituições religiosas nas estruturas de governança dos destinos. Não é possível planejar um destino de fé ignorando quem cuida daquilo que levou o peregrino até ali. A governança, portanto, não diminui o sagrado. Ao contrário, deve protegê-lo. Foi dessa percepção que nasceu também meu livro “Governança no Turismo Religioso: Fé, Gestão e Sustentabilidade”, que será apresentado em 2026 como obra voltada especificamente à governança aplicada a destinos de fé.

Quando o sagrado encontra o planejamento

Existe, entretanto, outro fenômeno brasileiro que merece reflexão. Nos últimos anos, diferentes cidades começaram a exibir imagens religiosas cada vez maiores. O discurso frequentemente vem acompanhado de comparações: maior do Brasil, maior do mundo, maior que o Cristo Redentor. Em 2024, escrevi o artigo “Luta de gigantes” justamente para provocar essa discussão. Minha crítica nunca foi à construção de imagens religiosas. Uma imagem pode ter um enorme significado devocional, artístico, comunitário e até turístico. O problema começa quando o tamanho passa a substituir a fé como estratégia de desenvolvimento de um destino religioso. Aparecida não precisou construir uma imagem

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foto: Sebrae ES

Governança talvez pareça uma palavra excessivamente técnica diante da fé, mas não é. Quando aplicada ao turismo religioso, significa fazer com que a Igreja, o poder público, a iniciativa privada e a comunidade compreendam seus papéis e trabalhem em diálogo. A Igreja preserva a autenticidade espiritual; o poder público responde por infraestrutura, mobilidade e acessibilidade; a iniciativa privada presta os serviços necessários à viagem; e a comunidade protege grande parte da identidade e das tradições daquele território. Quando essa articulação não existe, surgem problemas que tenho observado repetidamente em

A perigosa corrida pelas imagens gigantes


foto: ©sitock.com / dabldy

maior do que a do Cristo Redentor para receber milhões de pessoas. Juazeiro do Norte não se tornou um dos grandes polos de peregrinação brasileiros porque venceu uma disputa de altura. Canindé tampouco. Belém não reúne uma multidão no Círio porque possui a maior estátua. São destinos construídos sobre devoção. Foi isso que escrevi naquele momento: “O Turismo Religioso não se faz com grandes imagens, mas a partir da fé popular e do Espaço Sagrado.” A pergunta que deve anteceder uma obra monumental não é quantos metros terá, mas o que acontecerá quando o peregrino chegar. Haverá espaço de oração? Celebrações? Acolhimento pastoral? Banheiros? Água? Acessibilidade? Segurança? Estacionamento? Guias preparados? Transporte? Gastronomia? Integração com a comunidade? Um roteiro capaz de distribuir economicamente esse fluxo pelo território? Caso contrário, podemos construir aquilo que já defini em uma entrevista como um “monumento vazio”: uma estrutura fisicamente grandiosa, mas sem espiritualidade viva nem sustentabilidade turística. O Brasil não precisa de uma disputa entre gigantes. Precisa de destinos preparados para acolher pessoas.

quando o sagrado encontra o planejamento fé como estratégia O problema começa quando o tamanho passa a substituir a fé como estratégia de desenvolvimento de um destino religioso.

ACOLHIMENTO O Brasil não precisa de uma disputa entre gigantes. Precisa de destinos preparados para acolher pessoas.

governança A governança, portanto, não diminui o sagrado. Ao contrário, deve protegê-lo.

qualificar PROFISSIONais O Brasil precisa qualificar profissionais especificamente para esse segmento.

SUSTENTABILIDADE Preservando a sacralidade, a identidade das comunidades e a sustentabilidade dos territórios.

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foto: ©istock.com / Milton Rodney Buzon

Porque o peregrino não procura apenas uma fotografia Essa talvez seja uma das principais diferenças entre o turismo religioso e outros segmentos. A fotografia pode registrar a viagem, mas não explica por que ela aconteceu. Quem percorre centenas ou milhares de quilômetros por devoção carrega consigo expectativas que não cabem em uma estratégia de marketing convencional. Busca oração, agradecimento, promessa, pertencimento, respostas, tradição e encontro com o sagrado. Em alguns casos, deseja simplesmente estar naquele lugar porque seus pais e seus avós estiveram lá, e aquela peregrinação faz parte de sua identidade. Por isso tenho insistido que o turismo religioso é uma experiência de fé. Nos materiais que produzi ao longo dos últimos anos, essa ideia aparece repetidamente: sua essência reside na fé do romeiro, do peregrino e do devoto. Isso não significa negar economia. Pelo contrário. Um peregrino utiliza transporte, hospeda-se, alimenta-se, compra, contrata serviços e movimenta pequenos negócios. Mas existe uma ordem que não podemos inverter: a economia deve ser consequência de uma experiência bem acolhida, e não a fé transformada apenas em instrumento para produzir consumo. 40

Religião de matriz africana presente no evento Águas de Oxalá que é realizado todo início de ano na capital baiana.

Um Brasil muito maior que o catolicismo Há ainda uma fronteira que o país precisa explorar. Grande parte dos dados disponíveis sobre turismo religioso brasileiro está associada ao catolicismo. Isso ocorre porque a Igreja Católica possui santuários, festas, peregrinações e estruturas históricas que facilitam a identificação dos fluxos. Mas o Brasil religioso é plural. Tradições evangélicas, religiões de matriz africana, espiritismo e outras expressões religiosas também geram deslocamentos e têm potencial turístico ainda pouco explorado. Em entrevista, já defendi, inclusive, a criação de grupos de trabalho estaduais capazes de reunir diferentes tradições com oferta e demanda turísticas. A própria pesquisa nacional de 2025 precisa ser compreendida em sua delimitação: ela estudou exclusivamente manifestações vinculadas à Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, aqueles números não representam todo o turismo religioso brasileiro. Representam uma parte dele - o que significa que ainda existe um imenso Brasil para pesquisar.


foto: ©istock.com / Thales Antonio

As famosas fitinhas que decoram a igreja do Bonfim, destaque do turismo religioso e de fé em Salvador.

Formar pessoas antes de vender destinos Outra questão tornou-se evidente ao longo da minha trajetória: o Brasil precisa qualificar profissionais especificamente para esse segmento. Não basta que um guia conheça as datas e os estilos arquitetônicos de uma igreja. É preciso saber por onde está entrando. O profissional precisa compreender a liturgia, respeitar os momentos de celebração, interpretar símbolos sem banalizá-los e reconhecer que determinados espaços têm regras porque continuam vivos no âmbito religioso. Da mesma maneira, agências e operadoras precisam compreender que organizar uma peregrinação exige cuidados diferentes dos de montar uma excursão convencional. A demanda por formação tornou-se tão evidente que, em 2026, surgiu o curso de extensão em Turismo Religioso Católico, com certificação universitária pela Universidade Católica do Salvador, voltado a profissionais do turismo, lideranças pastorais, agentes culturais, turismólogos, guias e demais interessados. O desafio brasileiro, portanto, não é apenas promover. É preparar.

Uma bússola exclusivamente apontada para o Turismo Religioso Foi também dessa necessidade que nasceu, em 2015, o Fórum Nacional de Turismo Religioso. O Fórum tornou-se uma extensão dessa missão, colocando na mesma mesa Igreja, poder público, iniciativa privada, academia, imprensa, destinos, profissionais e mercado para discutir exclusivamente o segmento. Em 2026, chega à oitava edição e amplia sua presença por meio dos Fóruns Regionais do Norte, do Nordeste, do Centro- Oeste, do Sudeste e do Sul. Ao longo dessa trajetória, tornou-se aquilo que costumo definir como a única bússola do Brasil apontada exclusivamente para o turismo religioso. O Fórum recebeu chancela da Embratur, do Ministério do Turismo e da ABBTUR e ampliou a discussão técnica e científica e incorporou também o mercado, inclusive com estruturas B2B e B2C. Mas sua razão de existir continua a mesma: fortalecer destinos sem enfraquecer a fé. E este ano a 8ª edição do Fórum acontece em Congonhas/MG de 24 a 26 de novembro.

O Brasil não precisa inventar seu turismo religioso Depois de tantos anos trabalhando com esse seg41


foto: J Brarymi

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foto: Sebrae ES

mento, talvez esta seja a conclusão mais simples - e mais importante - a que cheguei. O Brasil não precisa inventar Turismo Religioso porque ele já existe nas estradas que levam a Aparecida, nas multidões de Belém, nas romarias de Juazeiro do Norte, na devoção ao Divino Pai Eterno em Trindade, na Festa da Penha em Vila Velha/ES, em Bom Jesus da Lapa, em Canindé, em Nova Trento, nos caminhos de peregrinação, nos pequenos santuários, nas festas de padroeiros que sobrevivem há séculos e também nas manifestações religiosas de diferentes tradições que ainda sequer conseguimos mensurar adequadamente. O que o país precisa é reconhecer, pesquisar, organizar, qualificar e promover o que já possui. A pesquisa nacional chegou exatamente a essa conclusão: o desafio não é criar o fenômeno, mas mensurá-lo e estruturá-lo profissionalmente, preservando a sacralidade, a identidade das comunidades e a sustentabilidade dos territórios. E talvez também seja a melhor maneira de explicar por que continuo trabalhando nessa área. Depois de tantos destinos visitados, quilômetros percorridos, reuniões, fóruns, pesquisas, palestras, projetos e conversas com peregrinos e lideranças religiosas, não consigo enxergar o Turismo Religioso apenas como uma especialização na minha profissão de turismólogo. Para mim, tornou-se uma mis-


foto: ©istock.com / Cristian Lourenço foto: foto: Sebrae ES

são. Uma missão de defender que desenvolvimento e fé não precisam estar em lados opostos; que profissionalização não significa mercantilização; que governança pode proteger o sagrado; que dados podem melhorar o acolhimento; que o turismo pode gerar emprego e renda sem transformar a devoção em mercadoria; e que, antes de pensar no tamanho da próxima imagem, precisamos pensar na dimensão da experiência que estamos oferecendo a quem chega. Uma estrada pode levar alguém até um santuário. Um avião pode atravessar o país. Um ônibus pode transportar dezenas de peregrinos. Uma campanha pode divulgar um destino a milhões de pessoas. Mas nenhuma dessas coisas, sozinha, produz turismo religioso. É a fé que inicia o deslocamento, o acolhimento que transforma a chegada, o planejamento que permite ao território receber e o sagrado que dá sentido à viagem. O turismo religioso é uma ponte entre o sagrado e o território planejado. E é nessa ponte que escolhi caminhar. Site: www.forumturismoreligioso.com.br Instagram: @fndetur Contato: 84 99831-0358 43


gastronomia & viagem

Charleston: entre ostras, passeios à beira mar e casas históricas Uma Holy City de campanários, arte e estrelas Michelin Por Monica Quinta


foto: monica quinta


foto: monica quinta

Uma Holy City

de campanários, arte e estrelas Michelin Há cidades que a gente visita que ficam morando para sempre na nossa memória. Charleston, na costa da Carolina do Sul, é uma dessas. Fundada em 1670 e encravada na península onde os rios Ashley e Cooper se encontram antes de desaguar no Atlântico, ela carrega o apelido de Holy City, a Cidade Santa, por causa da silhueta de campanários que despontam acima dos telhados. O nome, no entanto, poderia muito bem se referir à capacidade rara que ela tem de encantar por tantos motivos ao mesmo tempo. A primeira impressão é sensorial. Ruas de paralelepípedo, casas em tons pastel debruçadas sobre varandas laterais, o desfile de fachadas coloridas da Rainbow Row, o passeio à beira mar na Battery e o Waterfront Park com sua fonte de abacaxi, símbolo local de hospitalidade. Musgo espanhol pendurado nos carvalhos por todos os lados. É uma cidade para se caminhar, que entrega homenagens à história a cada esquina e recompensa quem anda sem pressa. Não à toa aparece com frequência no topo 46

das listas de melhores cidades dos Estados Unidos em premiações de leitores como as da Travel + Leisure e da Condé Nast Traveler. A minha expectativa em conhecê-la era alta, e ainda assim a cidade deu um jeito de superá-la. Boa parte da graça está em se perder de propósito. A King Street, espinha dorsal do centro, corta a península de ponta a ponta com suas compras, cafés e galerias, mas basta virar uma esquina para cair em ruas silenciosas e entrar sem querer no século 19. No City Market, antigo mercado coberto, barracas de artesanato, temperos e os famosos cestos de palha trançada dividem espaço. Descendo em direção à água, a Rainbow Row alinha suas casas coloniais coloridas, e a Battery, com suas mansões voltadas para o mar, entrega o cartão-postal mais fotografado de todos. Tudo a pé, num raio de poucos quarteirões. Foi assim, caminhando sem roteiro, que chegamos a Charleston, na melhor época para conhecê -la: da primavera ao início do verão, quando o calor ainda não se faz tão presente e a luz dourada de fim de tarde parece feita sob encomenda.


Se há um capítulo em que Charleston não abre mão do protagonismo, é o da mesa, e é por ela que a cidade se entrega primeiro. Localizada de frente para as águas do oceano Atlântico, ela recebe os frutos do mar com aquela frescura que dispensa adjetivo. As ostras aparecem em todo canto, em variedades que mudam conforme a maré e a procedência, servidas cruas sobre o gelo ou grelhadas na brasa, muitas com plaquinhas que contam de qual banco de cultivo vieram, acompanhadas de tabasco ou horseradish claro. O endereço que resume esse espírito é o Fleet Landing, e o que eu mais queria é que eles estivessem pertinho de casa, para que eu pudesse voltar lá semanalmente. Instalado num antigo prédio naval dos anos 1940, sobre um píer que avança no porto, o restaurante abriu em 2004 pelas mãos de Tradd e Weesie Newton e virou instituição. A vista é de tirar o fôlego, com barcos passando e, nos dias de sorte, golfinhos ao longe.

Como chegar Do Brasil não há voo direto, mas a chegada é mais simples do que parece. De São Paulo (GRU), o caminho passa por um dos grandes hubs americanos, Miami (MIA), Atlanta (ATL) ou Charlotte (CLT), de onde parte o voo curto até o Charleston International Airport (CHS). American Airlines, Delta e United operam as rotas com boa frequência: são de nove a onze horas de Guarulhos até o hub e pouco mais de uma hora dali até Charleston. O aeroporto fica em North Charleston, a cerca de dezenove quilômetros do centro histórico, e a corrida de aplicativo até o downtown, onde se concentram os hotéis, é rápida e barata. Na mala, roupas leves e respiráveis, porque o calor úmido do Sul pega de surpresa, um casaco fininho para o ar-condicionado sempre presente e um tênis confortável, inegociável para encarar os paralelepípedos. Protetor solar, garrafinha de água e um guarda-chuva compacto para as pancadas rápidas de fim de tarde completam o kit. Na cidade quase tudo se resolve a pé, para as distâncias maiores há o DASH, bondinho gratuito, além dos táxis aquáticos que cruzam o porto e das carruagens que passeiam pelas ruas antigas. Alugar carro só compensa para quem vai atrás das praias e ilhas vizinhas, como Folly Beach e Sullivan’s Island, já que estacionar no downtown é caro e disputado.

foto: monica quinta

foto: monica quinta

O primeiro gosto vem do mar


foto: monica quinta

Em 2023 a casa ganhou um raw bar e ali, no balcão, dá para acompanhar de perto o abre e fecha das conchas e montar uma torre de frutos do mar sob medida com ostras, camarão, lagostim e caranguejo. A she-crab soup e o clássico shrimp and grits explicam por que a reserva é quase obrigatória, mas são os stuffed hush puppies, bolinhos de fubá recheados, e a Lowcountry boil, o cozido farto de camarão, linguiça e milho, que traduzem a alma do litoral, sem tirar o brilho dos fantásticos tomates fritos, servidos com creme de caranguejo. Peça um lugar no deck, a torre de frutos do mar, uma porção de lulas crocantes e reserve boa parte da noite: dali ninguém sai com pressa. Serviço

Fleet Landing Restaurant & Raw Bar @fleetlanding fleetlanding.net

foto: monica quinta

186 Concord Street. Reserva recomendada, especialmente à noite e nos fins de semana.


foto: ©istock.com / csfotoimages

A cidade se descobre a pé Mas nem só de mesa vive Charleston, e a melhor forma de conhecê-la é a mais simples: calçar o tênis e andar. Existe no Sul dos Estados Unidos uma tal de Southern hospitality que a gente acha que entende e só percebe o quanto não entendia quando chega lá. Não é apenas gentileza, é uma forma de estar no mundo. É o garçom que puxa conversa para contar a história do prédio onde o restaurante funciona, o guia que interrompe o tour para perguntar de onde você vem, o desconhecido na fila da sorveteria que, cinco minutos depois, já indica a melhor praia da região. Aqui, essa hospitalidade ganha o tempero Lowcountry, a herança gullah aparece nos cestos de palha do City Market, na cadência da fala e, sobretudo, na comida. Com um cartão de atrações TourPass no bolso, desses que reúnem dezenas de pontos por um preço só, a cidade vira um parque de diversões a céu aberto. A caminhada pode começar pela Nathaniel Russell House, mansão de estilo federal do início do século 19 pertinho da Battery, célebre por uma

escadaria em espiral que parece flutuar sem apoio nenhum e faz todo mundo parar para olhar para cima. Poucas quadras adiante, o Gibbes Museum of Art guarda mais de dez mil obras de arte americana que conversam com a própria história de Charleston, do retrato colonial ao contemporâneo, enquanto o Charleston Museum, fundado em 1773 e tido como o primeiro museu do país, costura história natural e a saga da Lowcountry num só passeio. Bem perto, o Old Exchange & Provost Dungeon, prédio de 1771 que já foi casa de câmbio e alfândega, guarda no porão o tal Provost Dungeon, que chegou a abrigar prisioneiros durante a Revolução Americana. E quando o roteiro pede ar livre, o South Carolina Aquarium, à beira do porto e de frente para o velho porta-aviões USS Yorktown, entrega seu Great Ocean Tank, descrito pela instituição como o tanque mais profundo da América do Norte, com quase treze metros, além de um hospital de tartarugas marinhas que rende a visita mais tocante do dia. O passeio a pé tem ainda o seu lado de garimpo. 49


foto: monica quinta

foto: monica quinta

A King Street concentra ação, entre boutiques independentes, lojas de vinho, antiquários e vitrines de vestidos leves e floridos,que parecem feitos sob medida para o verão da Lowcountry e tem a cara da Carolina do Sul. Mas são as marcas locais que rendem os melhores achados. A minha mais querida talvez seja a Spartina 449, nascida em 2009 na pequena ilha de Daufuskie, só acessível por barco: fundada por Kay Stanley e batizada em homenagem à grama que cobre a costa, ganhou o mundo com bolsas de linho e couro, acessórios, joias e itens de casa, cada estampa levando o nome de uma lenda ou de um trecho da história local, um souvenir com narrativa embutida. E, para quem não abre mão da praticidade, sempre dá para intercalar o garimpo com uma passada na já conhecidaTarget, sem sair do clima da viagem.

Serviço

Passes de atrações de Charleston tourpass.com | vendidos on-line e nos centros de visitantes. Confirme quais pontos, incluindo o aquário, estão contemplados no cartão escolhido.

Explore Charleston foto: monica quinta

charlestoncvb.com | informações oficiais de turismo da cidade.

Spartina 449 @spartina449 spartina449.com | pontos de venda no centro histórico.

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Quando o Michelin chega ao Sul

foto: monica quinta

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foto: monica quinta

Depois de uma tarde entre mansões e vitrines, a noite reserva o prato principal, e ele nunca esteve tão em evidência. Em novembro de 2025, o Guia Michelin lançou sua primeira seleção dedicada ao Sul dos Estados Unidos, o MICHELIN Guide American South, o primeiro guia regional do país desde a estreia americana em 2005. A cerimônia inaugural aconteceu em Greenville, na Carolina do Sul, e a seleção cobre Alabama, Louisiana, Mississippi, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Tennessee, além da já existente Atlanta. Charleston respondeu à altura: além de três estrelados, levou três Bib Gourmand, o selo da boa comida a preço justo, com o Leon’s Oyster Shop, o Lewis Barbecue e o Rodney Scott’s BBQ, um trio que resume a alma da cidade entre ostras fritas e o churrasco sulista na brasa. Do requinte à comida de raiz, é um mapa que agrada quem entende que se conhece um lugar provando o que se serve à sua mesa. Um desses estrelados foi o nosso destino: o Malagón, ou Malagón Mercado y Taperia. Escondido no bairro Cannonborough-Elliotborough, a poucos passos da King Street, é um espaço pequeno e vibrante, de ar antigo, luz bem baixinha, prateleiras cheias de vinhos e uma cozinha aberta à vista de quem senta. Funciona também como mercado, com latarias espanholas e rótulos à venda para levar para casa. O chef Juan Cassalett, à frente da casa com a sócia Jill Mathias, assina um menu de tapas para dividir em que a combinação inusitada de ingredientes fala mais alto que a complicação. Os inspetores do Michelin apontaram a “beleza na precisão” de pratos como a bomba de la Barceloneta e o arroz de caranguejo, e a carta de rótulos espanhóis completa a noite sem esforço. Foi ali que nos apaixonamos pelos mexilhões no brioche e pela sobremesa pan con chocolate, regado a azeite de oliva. Serviço

foto: monica quinta

Malagón Mercado y Taperia @malagoncharleston Cannonborough-Elliotborough, próximo à King Street. Reserva recomendada.

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Manhãs sem pressa, noites italianas As manhãs, essas, pedem calma. Poucos lugares fazem o café da manhã com tanta cerimônia quanto o Palmetto Café, dentro do The Charleston Place, numa espécie de jardim de inverno de paredes brancas que a casa apresenta como o único restaurante quatro estrelas de café da manhã e almoço do estado. A cozinha tem sotaque da Lowcountry com toques franceses, do prato assinatura Eggs Charleston Place aos pães quentinhos e até aos bowls de açaí ou frutas que pedem a manhã inteira, dessas que enchem o salão de gente sem pressa nenhuma. Para um começo de dia mais americano, feito com capricho e atendimento carinhoso, o caminho é o Carmella’s Café & Dessert Bar, na East Bay Street: de dia, um café ítalo-americano de piso de madeira e tijolo aparente, com sanduíches de ovo no muffin inglês, ou no croissant, se preferir, e pães fresquinhos. À noite, um wine bar cuja vitrine de bolos, gelatos e sorbets vira espetáculo à parte. Abre todos os dias, da manhã à meia-noite.


foto: monica quinta

E quando a cidade anoitece, ela ganha sotaque italiano. O Allora, aberto em outubro de 2025 na esquina da Spring Street com a Rutledge Avenue e lindamente recomendado pela amiga Kennedy Norton, transporta a costa amalfitana para a Lowcountry. Fruto do grupo Free Reign Restaurants, de Kelleanne e Ryan Jones, aposta em doze massas feitas ali mesmo, crudi, antepastos e conservas de peixe, tudo para compartilhar. Aqui você escolhe entre um salão principal, um bar com ar rústico ou o terraço, que convida a esticar a noite com um vinho fresco sob as estrelas. A carta de rótulos italianos, entre brancos, tintos e rosés, vem com preços simpáticos para o padrão da cidade. Serviço The Palmetto Café @thecharlestonplace | charlestonplace.com The Charleston Place, 205 Meeting Street. Café da manhã, almoço e brunch nos fins de semana.

Carmella’s Café & Dessert Bar @carmellasdessertbar | carmellasdessertbar.com 198 East Bay Street. Aberto diariamente.

foto: monica quinta

Allora Coastal Italian @allorachs | allorachs.com | esquina da Spring Street com a Rutledge Avenue. Reservas apenas para o salão principal; bar e terraço recebem walk-ins.

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Onde se hospedar

foto: monica quinta

No fim do dia, há um só lugar para onde voltar. Junto à movimentada King Street, o The Restoration Charleston é daqueles hotéis que dificultam a decisão de sair. Boutique e de inspiração art déco, aposta em suítes e residências de clima quase doméstico, com cozinhas completas, salas de estar, tijolo aparente e metragens generosas, e algumas acomodações têm banheiro, closet e salas interna e externa, do tipo que dá vontade de aproveitar o dia inteiro sem sair do quarto-residência.

As manhãs começam com cestas de café da manhã entregues à porta. No alto ficam a piscina e o The Watch, restaurante de cobertura debruçado sobre os cartões-postais da cidade, além do The Rise, o café da casa, e do Amethyst Spa. Para explorar o centro, o hotel dá caronas de Jeep num raio de dois quilômetros. E, ao entardecer, o ritual predileto acontece na biblioteca, um cômodo charmoso onde o happy hour reúne os hóspedes em torno de vinhos geladinhos, queijos e petiscos, com um disco de vinil girando ao fundo. É a prova de que, em Charleston, até o hotel sabe desacelerar com classe.

Serviço The Restoration Charleston @therestorationhote therestorationhotel.com | 75 Wentworth Street. Suítes e residências com cozinha; café da manhã, happy hour

foto: monica quinta

na biblioteca e traslado de Jeep sujeitos a disponibilidade.


Charleston, a gente volta foto: monica quinta

Charleston entrou para a nossa lista daqueles destinos que a gente vai amar para sempre. De lá você volta diferente, com a memória cheia de ostras fresquinhas, muita história, escadarias que flutuam, tapas espanhóis, cafés da manhã estrelados e gente que abraça o mundo com os dois braços abertos. Esta viagem só foi possível graças ao convite da Travel South USA, a Allan Colen e Kim Moura, Jayne Baker e John Michael McCants, que nos receberam com carinho e generosidade típicos do sul. Obrigada, Charleston. A gente volta.

Informações:

Explore Charleston - @explorecharleston |@travelsouthusa |@travelsouthusabr | charlestoncvb.com


foto: ©istock.com / Taha Kara


Viena:

DESTINOS | EUROPA

descubra a elegante capital da Áustria

A cidade de Viena é um prato cheio para quem gosta de história e cultura. Por todos os lados, o destino guarda testemunhas de seu rico passado imperial, como palácios e outros edifícios emblemáticos. Descubra os principais pontos turísticos desta que é uma das mais belas capitais europeias. Por Redação Qual Viagem

Às margens do Rio Danúbio, Viena é uma cidade que transborda em elegância, entre palácios, museus, igrejas e outras construções monumentais. Afinal, a cidade tem um passado glorioso e foi por séculos a capital de grandes impérios, como o Austríaco e o Austro-Húngaro, sob o poder da histórica Casa Habsburgo, uma das dinastias mais poderosas, influentes e longevas da Europa. É impossível não se encantar por Viena, com suas avenidas espaçosas, ruas bem cuidadas e organização exemplar.

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foto: ©istock.com / andrbk

VIENA PARA SE INSPIRAR

Innere Stadt e Catedral de Santo Estêvão Comece o roteiro pelo Innere Stadt, o centro histórico de Viena, onde estão muitos pontos turísticos da cidade, incluindo cafés tradicionais e ruas comerciais. É um lugar para descobrir a pé, com construções magníficas a cada esquina. O ponto central é a Stephansplatz, a praça da Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom), erguida em estilo gótico e caracterizada pela Torre Sul (com mais de 130 metros de altura) e por seu telhado revestido por coloridos azulejos esmaltados. Depois, caminhe por algumas das principais vias do centro, como a Graben, a Kohlmarkt e a Kärntner Strasse. 58


foto: ©istock.com / TomasSereda

DESTINOS | EUROPA

Palácio Hofburg

foto: marcio dadalti

Palácio mais icônico de Viena e um dos maiores do mundo, o Hofburg foi a principal residência dos Habsburgo por mais de seis séculos. Localizado no centro histórico e visitado por milhões de pessoas todos os anos, o local abriga atrações como a Biblioteca Nacional, a Escola Espanhola de Equitação, a Capela Imperial e o Tesouro Imperial. O complexo reúne ainda grandes pátios, praças e jardins que podem ser visitados de forma gratuita. O atrativo mais procurado é sem dúvidas o Museu Sisi, dedicado à imperatriz Elisabeth da Áustria, marcada no imaginário popular por sua beleza e que se tornou um ícone cultural. Ali estão expostos vestidos, joias e outros objetos pessoais dela, além dos apartamentos usados pela imperatriz.

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VIENA PARA SE INSPIRAR

Ópera de Viena “ Em Viena, a história e a música caminham lado a lado.”

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Cidade onde viveram lendas como Mozart, Beethoven, Strauss e Schubert, Viena é considerada a capital mundial da música clássica. E o local que mais simboliza essa relação é a Ópera de Viena (Wiener Staatsoper), inaugurada em 1869 em estilo neorrenascentista. Se não for possível assistir a algum espetáculo, já que os ingressos são muito concorridos, vale ao menos conhecer a parte interna em uma visita guiada.

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DESTINOS | EUROPA

O quadrilátero dos museus de Viena abriga ao longo de poucos quarteirões alguns dos principais centros culturais da cidade, no distrito de Neubau, bem pertinho do centro histórico. Ali estão o Mumok, dedicado à arte moderna, e o Leopold Museum, com obras de artistas como Klimt e Schiele. Na Maria-Theresien-Platz, visite o Kunsthistorisches Museum, de história da arte e considerado um dos mais importantes do mundo, e o Naturhistorisches Museum, de história natural.

foto: ©istock.com / AlizadaStudios

Museumsquartier


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VIENA PARA SE INSPIRAR

Palácio de Schönbrunn

Dica: reserve tempo extra para os jardins.

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foto: ©istock.com / fotofritz16

Um dos palácios mais imponentes da Europa, Schönbrunn foi a residência de verão dos Habsburgo, incluindo a imperatriz Sisi, entre os séculos XVIII e XIX. A construção tem simplesmente 1.441 cômodos, entre grandes salões cerimoniais, quartos particulares dos imperadores e muito mais. Além das grandes dimensões do palácio, a propriedade também é enorme, com 186 hectares. Separe um tempo para caminhar pelos jardins, cuja entrada é gratuita, e conhecer a Gloriette, o Zoológico de Schönbrunn e a estufa Palm House.


DESTINOS | EUROPA

Belvedere

foto: ©istock.com / Pedro Costa Simeao

O Belvedere é um complexo constituído por dois palácios barrocos, o Belvedere Superior e o Belvedere Inferior, e seus amplos jardins. Erguidos no século XVIII como residência de verão do príncipe Eugênio de Saboia, abrigam importantes coleções de arte. No palácio Superior está a famosa pintura “O Beijo”, de Gustav Klimt. Há também importantes obras de artistas como Van Gogh, Monet e Renoir.

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foto: ©istock.com / saiko3p

VIENA PARA SE INSPIRAR

Prater Viena vai além dos palácios e museus e tem como uma de suas principais atrações um parque de diversões. Ideal para quem viaja com crianças ou adolescentes, o Prater é um parque tradicional e conta com dezenas de brinquedos, como montanhas-russas, carrossel, carrinhos de bate-bate e até casas de terror. O cartão-postal é a Wiener Riesenrad, que também é um dos símbolos da cidade e a roda-gigante mais antiga do mundo ainda em funcionamento, inaugurada em 1897. 64


DESTINOS | EUROPA

Cafés vienenses

foto: ©istock.com / bonchan

Os tradicionais cafés são uma verdadeira instituição de Viena, estabelecimentos que tiveram um papel fundamental na vida intelectual e cultural da cidade, sendo por séculos pontos de encontro de artistas, jornalistas, escritores e pensadores. Dedique um tempo para se sentar sem pressa e pedir um café vienense (coberto com chantilly e finalizado com canela ou chocolate) acompanhado de uma fatia de Apfelstrudel (massa folhada com recheio de maçã, uvas -passas e canela) ou de Sachertorte (um bolo de chocolate denso, com uma camada de geleia de damasco e coberto com chocolate), ambos doces autênticos de Viena.

Onde ficar

foto: marcio dadalti

Fazer uma refeição no Figlmüller é uma daquelas experiências que ajudam a entender Viena também através da gastronomia. Fundado em 1905, o restaurante tornou-se uma tradição da cidade, famoso principalmente por seu schnitzel (filé bem fino e empanado) bem crocante e gigante, tanto que ocupa praticamente todo o prato, ou até ultrapassa suas bordas. O ambiente mantém o clima de uma tradicional casa vienense, sempre movimentada e frequentada tanto por turistas quanto por moradores. Mais do que provar um dos pratos mais emblemáticos da Áustria, uma refeição no Figlmüller é mergulhar na cultura da cidade. Uma experiência gastronômica simples, autêntica e praticamente obrigatória para quem visita Viena. Informações: figlmueller.at

O Altstadt Vienna vai muito além do conceito tradicional de hospedagem. Instalado em um elegante edifício histórico, o hotel traduz como poucos a essência de um verdadeiro hotel boutique, combinando personalidade, design, conforto e uma forte ligação com a arte. Caminhar por seus corredores é quase como visitar uma galeria de arte particular, com obras espalhadas pelos diferentes ambientes e uma atmosfera criativa presente em cada detalhe. O grande diferencial, porém, está nos quartos e suítes. Cada espaço possui decoração, mobiliário, cores e identidade próprios, fazendo com que cada hóspede tenha uma experiência única. A localização também é um de seus grandes atrativos. O Altstadt Vienna fica no 7º distrito, Neubau, uma das regiões mais charmosas e criativas da capital austríaca, cercada por galerias, cafés, restaurantes e pequenas lojas. Está ainda a poucos minutos do Museumsquartier e próximo às atrações do centro histórico. Informações: altstadt.at

foto: divulgação

Onde comer

O jornalista viajou com a proteção do seguro viagem da GTA – Global Travel Assistance.

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b randed c ontent | viena

Altstadt Vienna:

quando o hotel também é uma obra de arte

No charmoso 7º distrito de Viena, um hotel boutique transforma a hospedagem em uma experiência que combina arte contemporânea, design e a atmosfera de uma elegante residência vienense

V

iena respira arte. Ela está nos palácios, nos grandes museus, nas igrejas e na arquitetura monumental que acompanha o visitante por toda a cidade. Mas, durante nossa passagem pela capital austríaca, descobrimos um lugar onde essa relação com a arte continua até mesmo na hora de voltar para o hotel. Hospedar-se no Altstadt Vienna é uma experiência diferente. Instalado em um edifício histórico no charmoso bairro de Spittelberg, o hotel boutique lembra muito mais uma sofisticada residência particular – ou uma galeria de arte – do que um hotel convencional. E essa sensação começa pelos quartos.

design e hospitalidade em per feita harmonia .

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foto: Harry K Room #85_living room (c) Nicky Webb

Ar te ,


foto: Entrance - Wall Design by ZUK CLUB X BLK River © Cathrine Stukhard


Nenhum quarto é igual ao outro

foto: Suite 35 - Library Suite © Constantin Witt-Dörring

O Altstadt reúne 62 quartos e suítes, todos com identidade própria. Diferentes arquitetos e designers participaram da criação dos ambientes, fazendo com que cada acomodação tenha personalidade única. Há quartos contemporâneos, clássicos, minimalistas e outros marcados por cores, estampas e peças de design. Ao conhecer algumas das acomodações durante nossa hospedagem, tivemos a impressão de entrar em pequenos universos completamente diferentes. Essa ausência de padronização é um dos grandes encantos do hotel. Em uma época em que muitos hotéis acabam se tornando parecidos, o Altstadt aposta justamente no contrário: personalidade.

foto: Room 53 by Andreas Lackner - Art by Josef Fischnaller

Dormindo em uma galeria de arte A arte é parte fundamental dessa experiência. O hotel possui uma importante coleção de arte contemporânea, com obras distribuídas pelos quartos, corredores e espaços de convivência. Entre os nomes presentes estão Andy Warhol, Brigitte Kowanz e Markus Prachensky, além de artistas austríacos e internacionais. Por isso, dizer que o Altstadt lembra uma galeria de arte não é exagero. As obras surgem naturalmente pelo caminho e convivem com móveis, objetos e peças de design cuidadosamente escolhidos. Ao mesmo tempo, o ambiente é extremamente acolhedor. Salas com sofás, poltronas, livros e obras de arte criam a sensação de estar na casa de alguém que gosta - e entende- de arte.


foto: Rooftop Terrace - Wall Art by Frank Maria © Marisa Vranjes

foto: facade with red shades_(c) Nicky Webb

foto: Bösendorfer Suite #77 art Merlin Kratky, Torsten Rühle ©Julia Geiter

Uma Viena mais charmosa A localização completa a experiência. O hotel está no 7º distrito de Viena, próximo ao MuseumsQuartier, em uma região repleta de pequenas lojas, galerias, cafés, bares e restaurantes. É possível explorar boa parte das atrações centrais caminhando e, ao final do dia, retornar para uma área que revela uma Viena mais intimista e contemporânea. Depois de conhecer tantos hotéis pelo mundo, aprendemos que algumas hospedagens ficam na memória justamente porque possuem algo difícil de reproduzir: identidade. O Altstadt Vienna é um desses lugares. Em alguns momentos parece um hotel boutique. Em outros, uma elegante residência vienense. E muitas vezes parece uma verdadeira galeria de arte onde, por acaso, também é possível dormir. Em uma cidade onde visitar museus é parte obrigatória do roteiro, descobrimos que, no Altstadt, até voltar para o hotel pode fazer parte do passeio.

foto: Violet Suite 19 feat. Carsten Fock ©MarisaVranješ Kopie

S ervi ç o

altstadt vienna Onde: Viena, Áustria Região: Spittelberg - 70 distrito Perfil: hotel boutique, arte e design Site: altstadt.at

Arte também se hospeda aqui. 69


Vienna waits for you!

Descubra mais aqui!


B AG AGEM IN TELIGEN TE

15 dias, três países e apenas uma

mala de bordo

Quatro viajantes, três países europeus e 15 dias de viagem. A experiência mostrou que planejamento e boas escolhas podem transformar uma pequena mala de bordo em tudo o que é preciso para viajar bem.

15 DIAS

Tudo o que seria usado durante os 15 dias coube em um única mala de bordo. 72

3

PAÍSES

V

1

MALA

iajar durante 15 dias pela Europa levando apenas uma mala de bordo pode parecer, à primeira vista, uma missão quase impossível. Principalmente quando o roteiro envolve três países, diferentes cidades, deslocamentos constantes e a necessidade de ter roupas para os mais variados programas. Mas nossa experiência pela Áustria, Hungria e Croácia mostrou exatamente o contrário: é perfeitamente possível viajar bem levando muito menos do que imaginamos precisar. Éramos quatro viajantes - dois homens e duas mulheres - percorrendo o Leste Europeu em pleno verão. Passamos por cidades como Viena e Budapeste, seguimos pela Croácia e, ao longo de 15 dias, enfrentamos dias quentes, caminhadas, passeios turísticos, restaurantes e diferentes tipos de deslocamento. Cada um levando apenas sua mala


fotos: marcio dadalti


B AG AGEM IN TELIGEN TE

Planejar antes de fechar a mala ajuda a enxergar excessos e combinações possíves.

de bordo. Para essa experiência, utilizamos malas da Swiss Move, que se mostraram excelentes companheiras de viagem. Compactas e práticas, facilitaram principalmente os deslocamentos entre cidades, quando percebemos uma das maiores vantagens de viajar com pouca bagagem: a liberdade. Quem já precisou entrar em um trem, pegar um ônibus, circular por estações ou caminhar algumas quadras até o hotel carregando uma mala grande sabe o quanto a bagagem pode interferir na experiência. Com uma mala de bordo, tudo fica mais simples. Não é apenas uma questão de economia de espaço é uma forma diferente de viajar.

O segredo está menos na quantidade e mais nas escolhas

A principal lição desses 15 dias foi descobrir que normalmente levamos muito mais roupas do que realmente usamos. 74

Para uma viagem de verão, o ideal é escolher peças leves, confortáveis, fáceis de combinar e, principalmente, que possam ser usadas mais de uma vez. Em vez de pensar em um look completamente diferente para cada dia, vale montar uma pequena seleção de peças que conversem entre si. Camisetas e camisas de cores neutras, bermudas, calças leves, vestidos, saias e peças que ocupem pouco espaço são grandes aliadas. Uma mesma calça pode ser usada durante o dia com camiseta e ganhar outra aparência à noite combinada com uma camisa ou uma peça mais elegante. Outra regra importante: não é preciso levar roupa para 15 dias só porque a viagem terá 15 dias. Durante o roteiro, é possível lavar algumas peças no próprio hotel ou apartamento e reutilizá -las. Tecidos leves, que secam rapidamente, fazem toda a diferença.


Calçados: onde é preciso ter disciplina

Sapatos estão entre os itens que mais ocupam espaço e acrescentam peso à bagagem. Por isso, a seleção precisa ser criteriosa. Um bom tênis confortável para caminhar é praticamente obrigatório em uma viagem pela Europa. Além dele, um segundo calçado mais versátil pode atender aos restaurantes e programas noturnos. Para destinos de praia, como os que visitamos na Croácia, uma sandália ou chinelo leve completa o necessário.Sempre que possível, viaje usando nos pés o calçado mais pesado. Parece um detalhe, mas libera um espaço precioso dentro da mala.

Uma mala organizada comporta muito mais

Organização também é fundamental. Dobrar as roupas de maneira compacta - ou enrolá-las - ajuda a aproveitar melhor cada espaço. Organizadores de mala podem ser bastante úteis, especialmente para separar roupas íntimas, camisetas, peças de banho e acessórios. Produtos de higiene e cosméticos merecem atenção especial. Pequenos frascos com apenas a quantidade necessária para a viagem evitam carregar embalagens grandes e ainda ajudam a cumprir as regras para líquidos na bagagem de mão durante os voos. Acessórios também podem multiplicar as possibilidades. Um lenço, um cinto, óculos, bijuterias ou uma pequena bolsa ocupam pouquíssimo espaço e ajudam a transformar uma combinação básica. E há uma regra que aprendemos na prática: se você está levando uma peça pensando “talvez eu use”, provavelmente não precisa dela.

de transporte, isso fez uma enorme diferença. Chegar a uma estação, colocar a mala no ônibus ou seguir até o hotel sem carregar peso excessivo trouxe uma sensação de liberdade que dificilmente teríamos com grandes volumes de bagagem. Ao final dos 15 dias, a conclusão foi unânime: não sentimos falta de uma mala maior. Mais do que aprender a fazer uma mala compacta, aprendemos que viajar com menos pode significar viajar melhor. Menos peso, menos preocupação, menos tempo cuidando da bagagem - e mais disposição para aproveitar o destino. Depois de passar por três países europeus, entre cidades históricas, restaurantes, praias e muitos quilômetros percorridos, voltamos com a certeza de que uma boa mala de bordo, planejamento e escolhas inteligentes são suficientes para uma grande viagem. E talvez essa seja a melhor dica de todas: na próxima viagem, antes de pensar no que colocar na mala, pense primeiro no que você pode deixar em casa.

Menos bagagem, mais viagem

Viajar apenas com uma mala de bordo também muda a dinâmica do roteiro. Os embarques ficam mais rápidos, os deslocamentos mais simples e desaparece boa parte da preocupação com malas grandes. Em uma viagem como a nossa, passando por diferentes cidades e utilizando diversos meios

www.swissmove.com.br 75


ARTE, GASTRONOMIA E CONFORTO NO CORAÇÃO DE SÃO PAULO

VILA GALÉ PAULISTA Seja a trabalho ou lazer, aqui você encontra tudo para uma estadia única. Com design inspirado em uma galeria de arte, possui quartos confortáveis, piscina, academia, Satsanga Spa e espaços para eventos. A localização privilegiada garante acesso fácil aos principais pontos turísticos da cidade. www.vilagale.com • brasil.reservas@vilagale.com • +55 (71) 4040-4999

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HUNGRIA | BUDAPESTE

Budapeste

revela sua história às margens do Danúbio Por Redação Qual Viagem

Dividida pelo Danúbio e formada pela união de Buda e Peste, Budapeste concentra em poucos quilômetros diferentes capítulos da história da Hungria.

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foto: marcio dadalti

Parlamento de Budapeste, às margens do Danúbio, um dos principais símbolos da capital húngara.


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A cúpula ornamentada da Basílica de Santo Estêvão. Ponte das Correntes, uma das ligações mais emblemáticas entre Buda e Peste.

foto: marcio dadalti

e um lado, as ruas inclinadas e construções históricas do Distrito do Castelo; do outro, a arquitetura monumental de Peste, com o Parlamento Húngaro, a Basílica de Santo Estêvão e grandes avenidas. Entre os dois, o rio funciona como eixo de ligação e também como um dos melhores pontos de observação da cidade. A região às margens do Danúbio, o Distrito do Castelo de Buda e a Avenida Andrássy integram o Patrimônio Mundial da Unesco. A paisagem atual também ajuda a entender a formação da capital: Buda ocupou historicamente a margem mais elevada do rio, enquanto Peste se desenvolveu na planície da margem oposta. A união administrativa das duas cidades ocorreu em 1873. O Parlamento Húngaro é um dos pontos de partida para conhecer Budapeste. Às margens do Danúbio, o edifício neogótico impressiona pelo tamanho e pela riqueza de detalhes. A melhor maneira de perceber sua relação com a cidade, porém, é alternar a visita terrestre com um passeio de barco pelo rio. Do barco, o Parlamento aparece em uma perspectiva diferente, ao lado do Castelo de Buda,

foto: marcio dadalti

foto: marcio dadalti

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Interior da Basílica de Santo Estêvão, um dos principais símbolos religiosos de Budapeste.


O histórico New York Café, conhecido pela decoração exuberante.

foto: marcio dadalti

foto: marcio dadalti

Memorial dos Sapatos às Margens do Danúbio, homenagem às vítimas do Holocausto.

da Ponte das Correntes e de outros edifícios que formam o perfil da capital. A Ponte das Correntes, inaugurada em 1849, foi a primeira ligação permanente entre Buda e Peste e se tornou um dos símbolos da cidade. A travessia a pé permite observar o Danúbio de perto e chegar ao lado de Buda, onde está o Distrito do Castelo. No alto da colina, o Castelo de Buda e as ruas do antigo distrito preservam uma parte importante da história húngara. O antigo palácio real abriga atualmente instituições culturais, entre elas a Galeria Nacional Húngara e o Museu de História de Budapeste. O próprio percurso até a área histórica já faz parte do passeio. Uma das opções é o funicular, que liga a região do Danúbio ao Castelo desde 1870. Do outro lado do rio, a Basílica de Santo Estêvão marca o centro de Peste. Além da arquitetura e do interior ricamente decorado, a cúpula oferece uma vista panorâmica da cidade. A região ao redor também concentra restaurantes, cafés e ruas movimentadas, sendo uma boa área para caminhar sem pressa. Nem toda visita a Budapeste, porém, passa por lugares grandiosos. O Memorial

dos Sapatos às Margens do Danúbio é justamente o oposto. Instaladas na beira do rio, as esculturas representam os sapatos deixados pelas vítimas judias assassinadas por integrantes da milícia fascista Cruz Flechada durante a Segunda Guerra Mundial. O conjunto é pequeno, mas seu significado histórico exige uma visita silenciosa e atenta. Outro elemento que ajuda a definir a identidade da cidade são as águas termais. Budapeste está associada há séculos às suas fontes e mantém uma tradição de banhos públicos que continua presente na rotina local. Entre os endereços mais conhecidos estão as Termas Széchenyi, no Parque da Cidade, e os banhos Rudas, na região de Buda. O Rudas ocupa uma antiga construção de origem turca e combina piscinas termais, saunas e uma piscina panorâmica.E há ainda os cafés. O New York Café é um dos endereços mais conhecidos da cidade e chama atenção pelo interior ornamentado, com mármore, dourado, esculturas e grandes salões. Mais do que uma parada para tomar café, o lugar ajuda a contar a relação histórica de Budapeste com a vida literária e cultural dos cafés locais. 81


Passeio de barco pelo Danúbio revela Budapeste de outro ângulo.

foto: ©istock.com / IjordaN

Para entender melhor uma cidade com tantas camadas históricas, vale contar com um guia local. A diferença não está apenas em saber onde ficam os principais monumentos, mas em compreender o que aconteceu ali, como os espaços foram transformados e quais histórias ficaram fora dos roteiros mais conhecidos. Foi essa a experiência com a Budapeste para Brasileiros, empresa receptiva que trabalha com guias locais em português brasileiro. A equipe oferece tours privados, roteiros personalizados, passeios de barco, traslados e outros serviços para brasileiros.

foto: marcio dadalti

Budapeste com olhar local

Os tradicionais bondes amarelos fazem parte da paisagem de Budapeste. 82


foto: ©istock.com / Fabiomichelecapelli

Passeio guiado em português aproxima o visitante da história e da cultura local.

foto: marcio dadalti

Estátua do poeta Attila József, às margens do Danúbio.

A empresa é comandada por Kitty Pavone, guia ítalo-húngara nascida em Budapeste, e conta com profissionais locais que falam português. Em avaliações recentes, viajantes brasileiros destacam justamente o conhecimento histórico dos guias e a possibilidade de conhecer a cidade a partir da perspectiva de quem vive no país. No nosso caso, a experiência com a equipe foi muito positiva e fez diferença para compreender melhor os lugares visitados. Em Budapeste, onde um mesmo edifício, ponte ou praça pode estar ligado a diferentes períodos da história, ter alguém para contextualizar o que está diante dos olhos torna o passeio mais interessante. Mais informações: budapesteparabrasileiros.com e @budapeste.para.brasileiros 83


foto: ©istock.com / ZoltanGabor

Vista panorâmica do Banho Termal Széchenyi, em Budapeste.


foto: ©istock.com / Elenakirey

Banho Termal Rudas, às margens do Danúbio e aos pés do Monte Gellért.

Proteção no exterior Para complementar a experiência, a viagem foi realizada com a assistência do Seguro Viagem GTA, uma proteção importante para quem viaja ao exterior. Além de oferecer suporte em situações inesperadas, como atendimento médico, extravio de bagagem e outros imprevistos, contar com um seguro permite viajar com mais tranquilidade e segurança, especialmente em destinos internacionais.

Atendimento médico

Extravio de bagagem

Assistência a imprevistos

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b u d a p e s t e | g a s t r o no m ia

Quatro restaurantes para colocar no roteiro Budapeste também merece ser descoberta à mesa. A culinária húngara tem na páprica, nos ensopados, nas carnes e em preparos de longa tradição alguns de seus principais elementos, mas a cena gastronômica da capital vai além das receitas locais. Há espaço para cozinhas de diferentes origens e restaurantes que apostam em ambientes descontraídos e propostas contemporâneas.

Mama Goulash

O sabor da tradição húngara Para quem quer experimentar um dos pratos mais emblemáticos da Hungria, o Mama Goulash é uma ótima pedida em Budapeste. A casa aposta na culinária húngara tradicional, com destaque, claro, para o goulash: saboroso, bem temperado e perfeito para mergulhar na gastronomia local. Um endereço descontraído e acolhedor para incluir no roteiro pela cidade. mamagoulash.com

Mama Schnitzel

Generosidade no prato O Mama Schnitzel faz do famoso schnitzel a grande estrela do cardápio. As porções generosas e o clima informal tornam o restaurante uma opção interessante para quem procura uma refeição saborosa e sem complicações. Uma boa escolha para conhecer esse clássico tão presente na gastronomia da Europa Central. mamaschnitzel.com

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Popolare

Itália em plena Budapeste Nem só de culinária húngara vive Budapeste. O Popolare traz os sabores italianos para a capital, em uma proposta agradável para quem deseja variar o cardápio durante a viagem. Massas, pizzas e outros clássicos da cozinha italiana fazem da casa uma alternativa descontraída para uma pausa gastronômica pela cidade. popolare.hu

Meshuga

Badalação e gastronomia Para quem gosta de restaurantes que combinam boa mesa e atmosfera animada, o Meshuga merece entrar no roteiro. Com ambiente moderno, música e uma proposta gastronômica contemporânea, a casa oferece uma experiência que vai além do jantar. É daqueles lugares para chegar sem pressa, compartilhar pratos e aproveitar também a noite de Budapeste. meshugabp.com

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mercado de

férias

Compartilhadas

ganha espaço no Brasil e transforma o hábito de viajar do país

Setor de multipropriedade mais que dobra em seis anos; entenda como funcionam os modelos de propriedade, timeshare e direito de uso. Por Marcio Diniz

105,5% c r e s c i m e n to e m s e i s a n o s

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foto: Divulgação/ MME Vacation Club

224

empreendimentos em 2026

99

cidades presentes

18

estados

Os empreendimentos estão distribuídos por diversas regiões do país e reúnem mais de 1,26 ,ilhão de frações imobiliárias e R$100,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial.

Fonte: Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Braisl 2026, da Caio Calfat6 Real Estate Consulting.

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A

proveitar um período de férias garantido na alta temporada a cada ano, ter acesso a um empreendimento turístico sem comprar o imóvel inteiro e dividir os custos de utilização são algumas das possibilidades oferecidas pelo mercado de férias compartilhadas. No Brasil, o setor reúne modelos como timeshare, multipropriedade e direito de uso. Embora tenham em comum a proposta de organizar o acesso a períodos de hospedagem, eles se diferenciam na relação do consumidor com o imóvel e na forma de contratação. O crescimento da multipropriedade dá a dimensão desse mercado. O número de empreendimentos passou de 109, em 2020, para 224 em 2026, representando um avanço de 105,5% em seis anos. Os projetos estão distribuídos por 99 cidades de 18 estados e reúnem 44.027 unidades habitacionais, mais de 1,26 milhão de frações imobiliárias e R$ 100,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial. Os dados fazem parte do relatório Cenário do Desenvolvimento de Multipropriedades no Brasil 2026, elaborado pela Caio Calfat Real Es-


tate Consulting. Do VGV potencial, 66% já foram comercializados e 34% correspondem ao estoque. A disponibilidade varia conforme o estágio dos empreendimentos, sendo que entre os projetos prontos apenas 8,9% das frações permanecem disponíveis, enquanto nos que estão em construção o índice chega a 41% e nos lançamentos atinge 69,5%. A distribuição regional também mostra a presença da multipropriedade em diferentes partes do país. A Região Sul concentra 70 empreendimentos, considerando projetos prontos, em construção e em lançamento, o que a coloca como a região com o maior número de projetos, à frente de Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Norte.

Saiba como funcionam os modelos de férias compartilhadas

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Embora timeshare e multipropriedade estejam associados ao conceito de férias compartilhadas, os dois modelos não significam a mesma coisa. No

Brasil, o timeshare é o modelo mais antigo e está ligado à comercialização do direito de utilização de um empreendimento turístico por determinado período. A multipropriedade, por sua vez, tem natureza imobiliária e ganhou uma estrutura jurídica específica com a Lei nº 13.777, de 2018. Na multipropriedade, o consumidor compra uma fração do imóvel e passa a ter direito de propriedade sobre ela. Essa aquisição está vinculada a períodos determinados de utilização. Além de utilizar a unidade durante o período previsto, o comprador tem participação na propriedade do imóvel. Os custos condominiais são proporcionais à fração adquirida. No direito de uso, a lógica contratual garante ao cliente a fruição de semanas inteiras de hospedagem a cada ano durante o período contratado, sem aquisição patrimonial do imóvel. Já o timeshare funciona através de um sistema de pontos - semelhante a um programa de milhas -, em que o cliente compra um saldo de pontos para resgatar em diárias. Enquanto na multipropriedade e no direito de


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uso a contratação é feita por semanas fechadas (se o cliente utilizar menos dias do que o contratado naquela semana, perde os dias restantes), no timeshare há maior flexibilidade fracionada, permitindo reservas mais curtas (como 2 ou 3 dias). Por outro lado, no timeshare a garantia de uma semana específica depende da disponibilidade no momento do resgate dos pontos; se o cliente demorar para reservar, corre o risco de não encontrar vaga na data desejada, ao passo que no direito de uso a semana anual já fica devidamente assegurada em contrato dentro da temporada contratada. A origem dos modelos ajuda a entender essa divisão. O timeshare surgiu na Europa nas décadas de 1960 e 1970, inicialmente com a comercialização de períodos de uso de imóveis turísticos. A partir dos anos 1980, o formato passou a incorporar sistemas de intercâmbio e maior participação de redes hoteleiras. No Brasil, chegou antes da multipropriedade e se desenvolveu principalmente em resorts.


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Um mercado com diferentes formas de viajar A multipropriedade ganhou espaço no Brasil principalmente a partir da década de 2010 e passou a ter uma estrutura jurídica específica com a regulamentação de 2018. O modelo também alterou a forma de desenvolvimento de empreendimentos turísticos, permitindo a comercialização de frações desde o lançamento dos projetos. Na prática, os diferentes formatos permitem que empresas ofereçam alternativas para consumidores com diferentes orçamentos e interesses. A escolha envolve fatores como o período de utilização, o interesse em ter uma fração imobiliária e a preferência por serviços incluídos na hospedagem. É o que ocorre com a MME Vacation Club, que possui mais de 7 mil famílias clientes e atua na praia de Ipioca, em Maceió (AL). A empresa trabalha com diferentes empreendimentos e modelos de acesso às férias, permitindo que o consumidor escolha o período de utilização e o formato de propriedade de acordo com seu perfil e orçamento. Os custos são proporcionais ao tempo adquirido. 93


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O Ipioca Beach Residence & Resort, já concluído e em operação, funciona em regime de multipropriedade. O empreendimento reúne unidades para famílias, áreas de lazer, piscinas, restaurantes e serviços de resort, além de estar localizado próximo à praia. Outro projeto da empresa é o Ipioca Beach Home Collection, atualmente em construção e com previsão de entrega para 2027. O empreendimento terá unidades maiores, arquitetura com características residenciais e uma proposta mais privativa, mantendo o regime de multipropriedade. Para ampliar as possibilidades de utilização, a MME mantém uma parceria com a RCI. O sistema de intercâmbio permite trocar períodos de hospedagem por estadias em outros destinos participantes. Assim, o período contratado em Ipioca pode ser utilizado em diferentes localidades.

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Direito de uso chega a novo empreendimento O próximo projeto da MME segue uma estrutura diferente. Em fase de lançamento, o Ipioca Mar Resort All Inclusive tem previsão de entrega para 2030 e será operado em regime de direito de uso. A proposta reúne hospedagem, lazer, alimentação e serviços em um sistema all inclusive. O empreendimento será voltado a famílias e consumidores que buscam concentrar os serviços das férias em um único local, com alimentação e bebidas incluídas na hospedagem. Nesse caso, o consumidor não adquire uma fração imobiliária. O que é contratado é o direito de utilizar o empreendimento durante o período estabelecido. Segundo as informações fornecidas pela empresa, o projeto é o único empreendimento no Brasil a seguir esse modelo e pode representar uma economia de até 45% nas férias. A diferença entre os formatos também aparece na relação com o imóvel. Na multipropriedade, existe

um vínculo de propriedade sobre uma fração da unidade. No direito de uso, o vínculo é contratual e está relacionado ao período de utilização. No timeshare, essa relação também é estruturada a partir do direito de uso, embora existam diferentes formatos de contratação e sistemas de pontos. Os modelos coexistem no mercado de férias compartilhadas e atendem a diferentes formas de contratação e utilização. Na multipropriedade, o consumidor adquire uma fração do imóvel; no direito de uso, compra o acesso ao empreendimento durante o período previsto em contrato; e, no timeshare, a utilização pode ser organizada por períodos ou sistemas de pontos. A possibilidade de intercâmbio é outro elemento presente nesse mercado. Sistemas como o oferecido pela RCI permitem que consumidores que adquiriram períodos em empreendimentos participantes tenham acesso a outros destinos. Com isso, a utilização pode ser ampliada para além do local originalmente contratado. 97


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