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EDITORIAL Quem acompanha meus trampos sabe que tive de me afastar de tudo – temporariamente? - devido a alguns problemas de ordem interna. Hora de entrar no casulo, mergulhar nas entranhas da caverna... E com isso congelaram os abastecimentos da Cadaveric Noise Bibliothec, minha participação na Editora Merda na Mão e no Coletive Arts (saindo apenas o que já estava pronto e esperando para sair)... os livros que estavam em andamento estacionaram nas margens do nada... Embora ainda esteja mergulhado no poço mais profundo, no abismo mais aterrador, ao menos saiu este número do Reboco Caído. Claro que demorei mais que o habitual. Era para ter saído em dezembro... Acabou 2020, entrou 2021... Passa janeiro, entra fevereiro... E eis que... nasce mais este chifre na testa da besta contemporânea... outra verruga no cu do blasfemo... outro vômito acompanhado da promessa de nunca mais, mudei... e toda essa merda. Ainda tem alguns escritos novos e... bem... você, que ainda cultiva o estranho hábito de ler nestes tempos de ignorância cega, poderá conferir ao virar as páginas. Se é a marca de um retorno ou o último pingo da cueca? Quem sabe. Não vejo a hora de voltar ao ritmo de produção acelerada que marcou minhas últimas décadas. Por enquanto é isso aí. Do cadavérico editor deste tétrico veículo do submundo
campos de amoras quando ela convida vamos pular e ele responde vamos nessa ou vice ou versa é porque as brumas já cegaram a floresta e a escuridão deste poço sem fim já não [permite que vejamos as paredes se fechando o ar faltando decomposição física e mental já não somos os mesmos dançarinos [equilibristas sambistas da corda bamba já não pisamos com a mesma precisão [na beira do penhasco tudo caindo aos pedaços mais por dentro que por fora na morte catatônica
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já não florescem mais amoras - Fabio da Silva Barbosa -
campos de amoras – ouvindo aquele som
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agora ela convida vamos pular e ele responde vamos nessa ou versa ou vice é porque as brumas já chegaram nas [florestas e a escuridão desse fosso sem fim já não [permite que vejamos as paredes se fechando o ar faltando decomposição física e mental já me é impossível rir ou até mesmo sorrir mesmo das piores desgraças não tenho mais a leveza do andar da garça
acusam e cospem na cara apontam o dedo traição não é coisa rara já não somos os mesmos dançarinos equilibristas sambistas da corda bamba já não pisamos com a mesma precisão na beira do penhasco abismo profundo poço sem fundo tudo caindo aos pedaços a lepra interna a morte catatônica - Fabio da Silva Barbosa -
queimando encolhido aqui na escuridão vendo o breu com um olho afundando e outro escorrendo pela cara e o copo do desgosto faz muito transbordou a garganta trancada o peito ofegante velado em caixão fechado sufocou aos poucos a língua inchou entalou com a vida sentindo o sal nas feridas os olhos fechando esbugalhados - Fabio da Silva Barbosa -
Receita para se tornar um escravo Tendo orgulho da própria burrice serve a própria cabeça em uma bandeja
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Quando todo retrocesso é pouco quer ser o mais atrasado de todos Preenchido de farto embuste defende os sustentáculos do engodo Mantendo tudo como está se mata e não consegue chegar Apoiando os que estão a lhe sugar acostumou com o chicote nas costas a [estalar Buscando a falsa segurança comporta-se como criança Pensando que pagando vai se salvar deixa a corda no pescoço apertar Consumindo e acumulando vai aumentar o mar de excrementos a lhe afogar A mente já deu ré até o estágio mais [primitivo agora a violência é mais um ídolo Já completamente fraco e sem enxergar só sabe aceitar sem conseguir questionar Não sabe ser livre, entende ou pensa já está escravizado - Fabio da Silva Barbosa -
A maioria das pessoas tende a ocultar os criminosos e pecadores das suas famílias. Pois eu cresci amando os pecadores e criminosos. Aprendi a respeitar as diferenças e compreendi o valor da vida e da liberdade com eles. Foram eles que me ensinaram a respeitar os mortos, pois quem não respeita os mortos, não merece ser respeitado pelos vivos. A maioria das pessoas não falam dos bandidos, dos noias, dos gays, das putas, nem dos ladrões das suas famílias e preferem mostrar pra sociedade que seguem sem problemas nas suas casas, com suas Bíblias ensebadas, seus cultos, seus encontros em família. Pois eu tive a graça de ter um pouco de tudo, da piriguete à garota de programa, do noiado batedor de carteira ao assaltante da série da Netflix, do desvalido ao poeta... E minha vida sempre foi cheia de tristeza, desespero, dor, mas também de riso, já que os criminosos e pecadores são sempre divertidos, interessantes, e entendem muito mais da vida do que qualquer acadêmico babaca que nunca saberá o que é andar maltrapilho pela rua, com uma enxada no ombro, procurando um quintal pra limpar em troca de um prato de comida, ou cinco conto pra comprar a pedra que adormece os lábios, e anestesia as feridas da vida. - Rojefferson Moraes -
PROGRAMA DE RÁDIO
ALELUIA NUNCA MAIS A TRILHA SONORA DO FIM DO MUNDO Acompanhem as informações sobre: editoramerdanamao.blogspot.com radioroota220.blogspot.com
*Dedica do aos blasfemos e iconoclastas de plantão* Para quem não acredita em zonas de conforto como algo positivo
NOVO PROJETO DA EDITORA MERDA NA MÃO
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A cela A inércia de um corpo doente A prisão de uma situação A perda da função A empatia do outro se faz ausente Nesse aposento repousa Aquele que um dia fôra Aquele que já não é mais E que agora só quer não ser Ser cansa... E o cansaço é o que mais se sente Cansaço de existir Cansaço de ver gente Se torna prazeroso o escuro Se torna prazerosa a clausura Se torna prazeroso dormir para não ver a [vida passar A vontade é dormir e receber a graça [de não acordar Se decora cada mancha do canto das [paredes E se percebe cada aranha nova que [chegou A luminosidade incomoda E a cortina se fechou Levantar já é pesado Conversar já é pesado Viver já é pesado E o tempo parece não passar ... Um ciclo de dias que parecem infinitos Em tristeza e agonia A sensação de estar submerso em um mar [revolto Sem saber se conseguirá se salvar Às vezes conseguimos acessar a [superfície Mas logo somos abatidos pela próxima [onda
Ainda estamos à nadar Mas não sabemos Até quando resistiremos Ou se queremos resistir Será que vale apena? A morte parece um presente Um descanso, um bom alento Seguimos tentando não sucumbir ao [tormento de existir ... - Flávia Yká -
Morte Sem sorte Sem norte Forte? Tudo sem sentido Sem vida Apenas a vontade da partida De não estar mais - Flávia Yká -
Em tempos de ascensão da direita, proliferação da nova peste, enquanto as antigas hordas da ignorância continuam a matar... Num ambiente de puro horror... Eis que nascem as TIRAS PROIBIDAS DO PHILÓSOFO DA MACONHA* (*Depois que se transmutou em The Kaya Man, seu nome passou a ser escrito assim) Por Fabio da Silva Barbosa e Diego El Khouri
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Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA... Pude ver algumas intervenções dessa galera em atos que estive presente e encontrá-los em locais em comum que frequentamos. Curti desde o primeiro contato. A última vez que tive oportunidade assistir ao trabalho deles, foi em companhia do meu irmão de estrada Winter Bastos, em nosso último encontro físico até então. Foi na Ocupação Cultural Pandorga. Estava aqui então pensando em quem chamaria para responder umas perguntas para este número do Reboco quando me dei conta que ainda não tinha convidado essa turma para tal troca de ideias. Então foi isso. Contato feito, perguntas enviadas, respostas chegando e tudo sendo organizado nestas páginas. -FSBComo surgiu a iniciativa e como ela se constituiu como grupo teatral com intervenções recheadas de ação direta e cutucadas reflexivamente incomodas? O grupo surgiu a partir de uma oficina de intervenções cênicas urbanas. Aconteceu uma proposta do oficineiro Sandro Marques para nós apresentarmos uma esquete na rua. No dia 17 de abril de 2008, criamos uma intervenção para fazer uma denúncia aos 12 anos do massacre de Eldorado do Carajás na Esquina Democrática. O grupo se apresentou e deu vontade de continuar, criar outras intervenções. Eram cerca de 12 pessoas. Qual apresentação mais marcante? Dia 30 de novembro de 2019, sábado, 21h, na Ksa Terezinha, espetáculo “Malone Morre”, espetáculo de vivência teatral com direção coletiva. O Projeto Abrindo o Verão trouxe espetáculos teatrais, oficinas e conversas educativas de maneira totalmente gratuita para a comunidade da Vila Planetário. As atividades aconteceram entre os dias 29 de novembro e 13 de dezembro, na KZA Terezinha, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. No atual cenário mundial, qual a relevância deste tipo de trabalho ligado a resistência e a contestação? A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA...trabalha desde 2008 em Porto Alegre com Teatro de Rua, Teatro de Vivência e Intervenções Cênicas. Com forte engajamento com movimentos sociais, o grupo coloca na sua estética e linguagem a discussão política sobre questões atuais e pertinentes ao contexto social contemporâneo, fazendo da arte uma ferramenta de discussão social. Ao todo, o grupo realizou dezenas de intervenções cênicas e a montagem de doze espetáculos. Como está o trabalho em tempos de pandemia?
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2020 teve Fragmento de “Malone Morre”. Dia 23/11, às 21hs, dentro da programação do 4º Diálogos Cênicos, promovido pelo Laboratório-Escola de Arte Popular. A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA... tinha marcado para o início desse ano a volta da temporada do espetáculo Malone Morre, mas devido à pandemia isso não foi possível... Não recebemos público na KZA Terezinha, como de costume, mas nos conectamos de forma vitual, com o mesmo amor e calor no coração. Transmissão ao vivo pelo facebook e Youtube, nas páginas do Laboratório-Escola de Arte Popular. Um motivo para continuar na luta: A Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA... é um dos grupos de teatro popular mais atuantes de Porto Alegre. Discutindo temas como as injustiças sociais e as formas de dominação masculina, o grupo busca uma estética que inclua a participação do público na crítica trazida por suas peças e intervenções. O que está por vir da Cambada? 2020 trabalhamos a partir do romance do argentino Ariel Dorfman, “A Babá e o Iceberg”, assim que for possível, apresentaremos o resultado desse processo que ainda está no início.
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Impossível é o que você desistiu de fazer Fazia tempo queria escrever sobre o Coletivo BIL. Um projeto que hoje é uma realidade e faz acontecer. Troquei então uma ideia com Batata, Fundador e membro da organização do Coletivo BIL, Baixista e compositor na I.C.H (Imbecis Comandam os Homens), banda de punk rock na ativa desde 1993. -FSBComo surgiu a necessidade e como foi o inicio? No final de 2004 foi organizado um festival punk no Sindicato dos metalúrgicos de Canoas-RS. Foi realizada uma reunião antes com as bandas na qual dois caras (Natha da The efficients e Jamil) tinham uma proposta de dar continuidade no projeto. Falavam em união, em organização, em trabalho coletivo na produção dos eventos. O Festival foi foda. Muita gente foi lá curtir. A repercussão foi muito boa. Esse festival plantou a semente do que estava porvir. O Coletivo BIL surgiu da necessidade de criar espaços para as bandas de punk e hc tocarem. Com o fechamento de alguns espaços, não havia bares para o underground em Canoas. Então, em 2005, reunimos quatro bandas (ICH, Simplez, The efficients e Viva o Neves) e conseguimos espaço em um barzinho novo (Calu Rock Bar) no qual já vinham rolando alguns shows. Novamente fizemos uma reunião, discutimos o formato da organização e dividimos tarefas na produção. O barzinho lotou e a vontade de por em prática um Coletivo se consolidou. O Renato (da C.F.C, I.C.H, Simplez e Entenda) propôs o nome BIL (Bandas Independentes Locais). Passamos a organizar uma série de gigs, convidando bandas de outras cidades da região metropolitana. Nossas reuniões para discutir a organização foram crescendo e a coisa toda foi tomando uma proporção maior. Em cada reunião tinha gente nova, bandas de outras cidades, gente querendo participar e contribuir com ideias. Em 2006 lançamos nossa primeira coletânea. Rolaram mais três edições nos anos seguintes. Em 2008 o Wender Zanon fazia parte da organização e estava cursando jornalismo. Ele criou uma assessoria para o BIL. O trabalho dele nos colocou nos principais jornais do RS, em blogs, sites, zines, TVE e TV Ulbra. Isso foi fundamental em nossa história. Aperfeiçoamos o trabalho coletivo e com a ajuda de muita gente conseguimos realizar, até hoje, mais de 150 gigs, envolvendo mais de 500 bandas de diversos lugares do RS e também de SC, PR, SP, RJ, ES, Argentina, Uruguai, Chile, México, Itália e França, tudo através do intercâmbio e da articulação com outros coletivos. Trouxemos Cólera, Ratos de Porão, Dead Fish e Nervosa pela primeira vez à Canoas-RS. Realizamos duas edições do Festival canoense de videoclipes independentes, sessões de cinema (CineBIL) e debates. E como está hoje? A partir de março de 2020 realizaríamos um série de shows no Teatro do Sesc Canoas, com o projeto Cultura Underground. Com a pandemia os eventos foram cancelados e desde então aguardamos a oportunidade de poder retomar nossas atividades, que sempre foram fundamentalmente presenciais.
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O funcionamento e como participar: O BIL sempre funcionou de forma horizontal, sem hierarquia, com inspiração libertária e uma prática coletiva de organização. Temos um grupo aberto que se reúne, debate, propõe e executa a produção dos eventos. Diversas pessoas passaram pela organização dando grande contribuição na nossa história. Alguns estão desde o início. Sempre fomos um coletivo que fomenta música autoral, então, um requisito básico é ter repertório próprio. O contato atualmente pode ser feito por email pela nossa página, pelo grupo ou pelo perfil do instagram. Repudiamos toda forma de preconceito, discriminação e violência, então bandas com letras e discursos de cunho racista, fascista e/ou homofóbico não têm espaço em nosso palco. Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelo projeto?
Desde o início decidimos que não aceitaríamos dinheiro ou apoio de candidatos e de partidos. Talvez isso tenha dificultado um pouco, mas o trabalho coletivo, a união, a articulação e o intercâmbio com pessoas e coletivos de outros lugares sempre nos proporcionou condições de executar nossas atividades. Um momento inesquecível: Foram vários. Posso destacar o show do Ratos e o show do Cólera. O que está por vir? Por enquanto, temos duas lives agendadas para 2021. Elas são contrapartidas de um edital conquistado. A proposta original previa cinco eventos em praças de Canoas, cada um com quatro bandas, passando por todos os quadrantes da Cidade. Executamos três e tivemos que adaptar o formato devido a pandemia. A função será no Trilha Hub Cultural, em Sapucaia do Sul, nos dias 25/03 e 20/05.
NUNCA MAIS A R U D A IT D CONTRA A DISTORÇÃO DA HISTÓRIA