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REBOCO CAÍDO 63

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EDITORIAL Usarei este editorial para falar aos que ainda não entenderam algo básico. Daí já respondo aos que insistem em entrar em contato para falar sobre minhas contradições, maus hábitos, falta de paciência para debates e conversas, falhas de caráter... Bem... Acho que poderia começar registrando que não sou exemplo de porra nenhuma e nem tô aí para ser ou para quem é. Não devo explicações a nada e a ninguém. Não sou guru, mestre, salvador, líder, seguidor, discípulo... e muito menos busco iluminação, comportamento elevado, beato, religioso... ou qualquer outro misticismo ou esoterismo.. Não esperem de mim estas atitudes. Nada que está posto me representa. Nenhum destes polos que se retroalimentam e servem apenas para cegar, esconder o que realmente acontece, dividir e enfraquecer... nada Quadrinho “O Filósofo da Maconha” faz disso me interessa. Penso por minha própria releitura de capa produzida pelo projeto cabeça e cago para sua opinião sobre isso Fanzinotecapa, projeto da Fanzinoteca de Macaé. ou aquilo, sobre minha atitude... Realmente, suas opiniões não me interessam, nem Como apoiar a caminhada: mudam nada em minha existência. Nem queContando que o zine é um difusor de ro fazer parte da caixa reservada aos que aideias, que divulga e abre espaços, que cham que estão fora da caixa, mas que só aé um veículo sem fins lucrativos, para colhem aos que repetem as velhas receitas manter a iniciativa funcionando é de bolo, mapas que não levam a parte algusempre um desafio. Mesmo sendo uma ma, ideias prontas, frases feitas... Não coloforma de comunicação barata, é preciso carei coleira para me levarem daqui pra ali, reproduzir, colar, grampear, enviar pelo ser aceito, ser dócil e civilizado. Quem me correio, envelope... Então as contribuiabraçar não sentirá pelúcia, mas pedreguções voluntárias e demais formas de lhos cobertos pela lixa de aço mais áspera apoio financeiro tornam-se fundamenque existir. tais quando o editor vive no aperto. O E já cansei dessa falação. Para quem entenReboco Caído sobrevive há mais de deu, foda-se. Para quem não, foda-se dez anos graças a galera que valoriza também. Não ligo a mínima. Concordam? de verdade o trabalho. Para chegar Discordam? Tomar no cu de vocês e passar junto, entre em contato. bem com seus conceitinhos babacas que servem apenas de bengala para justificar Caixa postal: 21819 fsb1975@ Porto Alegre- R suas podres existências. S yahoo.com.br cep.: 90050-970 Boas vibrações, pra mim, seria um bom nome editoramerdanamao@yahoo.com para marca de vibradores. FSB

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PORQUE VANDALIZAMOS

Suspeitos A tarde já chegava ao fim Foi subindo a rua um carro Completamente apagado Passando bem devagar Era um domingo de calor A movimentação tava estranha Fora do comum. Quando o veículo parou Saiu uma luz do banco do motorista A lanterna iluminava a praça Onde havia quatro manos Trocando ideia e fumando um. Os suspeitos saíram do carro Foram até os garotos Mandaram eles encostarem na parede E os espancaram... Todos os garotos ficaram Estirados no chão, ensanguentados. Os suspeitos após esse ato criminoso [voltaram pro carro e Foram embora passando devagar Pela região para encontrar Mais vítimas em sua rota. - Guilherme de Andrade Para conhecer o livro CANTO DO POVO - Raízes de Liberdade - de Guilherme de Andrade, entre em contato com a Editora Merda na Mão através do email editoramerdanamao@yahoo.com

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Porque quebramos janelas, saqueamos {mercadorias Pixamos e queimamos prefeituras e delegacias Somos manifestantes insurgentes, vândalos Destruímos propriedades lojas e bancos Vandalizar, causar prejuízos aos capitalistas. Protestamos contra a brutalidade da policia Fascistas fardados o braço armado do Estado Todo fardado é um racista otário Destruição de propriedades tem sido essencial Mobilizar mais insurgentes em potencial Demonstrando que as forças daqueles que nos {governa Não são invencíveis quando os de baixo se {rebela Certamente não teríamos avanço na luta Se não fosse a coragem daqueles que queima {viaturas Destroem e ateiam fogo em lojas Se não fosse os vândalos em ebulição de {revolta Transmitindo uma rejeição intransigente Foda-se a ordem dos burgueses e dirigentes Nossa potencia libertadora abre os caminhos Para construirmos outro mundo possível Sem opressores, sem oprimidos, sem racismo Sem machismo, Sem Estado, sem capitalismo. Que a chama da revolta se espalhe Vandalismo é a chama acesa da liberdade - Rodrigo Ktarse -


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Um som ecoando no espaço. Um ouvido captando sons. Foi mais ou menos assim que se deu meu encontro com o mano Lucas Cardoso e suas criações. Enquanto alguns ficam só destacando as dificuldades e reclamando igual a tia velha, Lucas constrói possibilidades com o que tem e não se acomoda. Parar não é uma opção. - FSB sobre a gravação da Vamos abrir falando teu Por Engano) que ba OTE (Oitenta Tiros o. lh ru hei doido o ba no meu ouvido e ac u lo fa e em que você m Trocamos uma ideia a ss de s e tinha por trá toda uma história qu o nd vi dades que estão gravação e de novi por aí.

Fala aê, Irmão! Primeiramente gostaria de agradecer o espaço, foi uma surpresa ver que uma gravação feita no quarto, com um microfone emprestado, tenha chamado a atenção. Mas quanto ao OTE (Oitenta tiros por engano), sim, é uma novela (risos). Então, eu tocava em uma banda de crossover, chamada Ódio Ungido, que nunca oficializou o fim, porém não nos reunimos desde 2018 e eu já tinha alguns riffs pra sons novos. No mesmo ano acabei mudando para o ABC e de lá ficava conversando com um outro amigo, que tocava bateria no Indigestu, sobre a gente montar um duo baixo e bateria (e eu vou pular a novela de como consegui fazer com que o baixo suprisse). Já em 2019, voltei pra Baixada Fluminense e tentamos por o projeto pra frente com esses sons que seriam do Ódio, mas numa pegada mais grindcore velho. Cogitamos alguns nomes: AEDES AEGYPTI - mas tem uma banda do Mato

Grosso com esse nome. Como ja tínhamos feito a Iogo, mudamos para AEDXS AEGYPTI e não agradou. Surgiu ESGOTO A CÉU ABERTO, que já existia há muito tempo e a gente não sabia. Então surgiram duas ideias que não agradaram ao Henrique, o amigo que tocava comigo - EXGUTTA e OITENTA TIROS POR ENGANO. Mas voltando aos ensaios, cara, ficou muito ruim (risos). O baixo sumia, eu não tinha os pedais necessários para aquilo e sabia que não tinha, entramos no estúdio por vontade e teimosia. Então coloquei fim no projeto e usei o dinheiro dos ensaios pra pagar as parcelas dos pedais e cabos. Logo que paramos, começou a pandemia. Isolado em casa, pensei: VOU FAZER ISSO SOZINHO EM CASA! E VAI SE CHAMAR: OITENTA TIROS POR ENGANO (Amo esse nome). Primeira ideia: comprei um cajon - Nem precisa contar que ficou horrível. Segunda ideia: usar um app de bateria - Deu ruim de novo Por fim a Vivi, da Rádio Rota 220, me apresentou um app. É um estúdio no celular. Foi quando comecei a fazer acontecer. No início tinha dificuldade de fazer os arranjos de bateria e tive a ideia de formar um novo projeto mais simples, cru, noise, e catei o nome Exgutta. Este projeto tá ativo até hoje e acabei deixando de Iado as músicas e o projeto anterior.

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Passado todo esse tempo e essa novela, eu estava conversando com uns amigos outro dia sobre colocar essa banda que ficou na gaveta em atividade numa formação mais tradicional - Voz, guitarra, baixo e bateria. Mas não conseguimos driblar a incompatibilidade de horários e deu ruim de novo. Foi na hora que pensei: Quer saber, vou gravar sozinho, como na Exgutta, e ver se fica legal. Gravei no meu antigo quarto, na casa da minha mãe, com o fone do celular dela, porque o meu está ruim, editei um vídeo besta num app simples e foi assim que coloquei esses dois sons na rede. Odiei os vocais, mas tô pra mexer nisso. E foi assim que o OTE surgiu. E quanto as novidades, completei essa demo com 5 músicas gravadas, mas tô nas conversas de tentar gravar numa qualidade melhor em um estúdio pra tentar montar um ep. Não posso garantir, mas é provável que não tenha guitarra ,como na demo e na Exgutta.

Além desse, existem outros projetos? Exgutta, que é meu xodó. Eu tenho muito rasc unho de som nesse app que uso pra gravar. Tem umas paradas m ais punks, umas mais grunges. Mas em atividade só essas duas. É provável que ter mine umas gravaçõe s do Exgutta ainda esse fim de ano. Deve ter uns 10 sons

Como foi seu contato com a cultura underground e seu mergulho neste universo?

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tar Cara, foi algo natural. Comecei a escu és atrav e Nirvana no início dos anos 2000 o ntad enca i deles conheci Sex Pistols e fique falan ente com o universo punk, musicalm d. grin t, crus do. Caminhei pra cena dbeat, o Achava incrível aqueles caras rodando te lmen tota res mundo, tocando em luga to undergrounds. Até hoje não sou mui , das” oura “est s ligado nessas bandas mai as. outr tipo Ramones, Clash entre Me sentia abraçado por ver gente perifériais ca, como eu, falando dos problemas soci bem a, senti eu que o com a mesma indignaçã diferente do rock de burguês que finge empatia. Foi onde descobri que existia um submundo de autenticidade. AutomaticaC/ mente me distanciei das cenas Control + Control + V.

Qual a principal importância dessa cultura continuar viva? Não sei se consigo pensar por esse Iado. Será que corre o risco de morrer? Acho que o underground vem da necessidade de fala, seja na música, em poemas, pinturas e várias outras formas de se expressar. O underground é a arte não industrializada. Enquanto houver liberdade de expressão, existirá cultura underground. Acho que liberdade de expressão é o ponto a ser zelado.


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Uma ideia para ficar: Cara, de coração, nesse espaço eu gostaria de prestar meus sentimentos a todos os atingidos por esse circo de horror que a gente tá vivendo. Contatos: Lxcxsx@outlook.com

Rafael Vaz e a arte que registra uma época Nas trocas que faço há mais de dez anos com o parceiro Diego El Khouri, ele me apresentou ao trabalho de Rafael Vaz. Fui acompanhando a distância até que, com o surgimento da Editora Merda na Mão, nos aproximamos aos poucos. Ele foi o primeiro entrevistado do Deu Merda, programa do canal da editora no youtube, e acabou por se tornar o apresentador oficial do programa de rádio Aleluia Nunca Mais, que vai ao ar toda terça, 21:30, na Rádio Rota 220. Agora estamos para publicar seu livro, o Biqueira, e o cara não para de produzir. - FSB Como você definiria Rafael Vaz? Rafael Vaz é um paraense de nascença, mas que foi criado pelas várias inteligências misturadas pelo mundo. Um registrador de sua época, formado pela escola de observadores da sociedade humana. Talvez tenha vindo com uma missão para esta terra, mas também veio com planos de se divertir. Gosto pouco dos humanos e amo os animais e plantas, tenho pouco interesse em certezas e ando com aqueles cheios de dúvidas. E o seu trabalho? Como disse, me sinto um registrador dessa experiência. Minha infância passei quase toda observando minha família e

outros seres humanos, na esperança de saber como me aproximar, me enquadrar ou não parecer estranho nas interações sociais. E nesse distanciamento das relações humanas, a poesia foi se apoderando de minhas reflexões e assim surgiram os primeiros poemas. Mas sobre quê? Lá estava eu, registrando meus momentos e toda a vida que existia na minha volta. E a partir do momento que passei a dividir estes poemas com outros, pude então transformar o que vinha produzindo. Acredito que os momentos divididos com outros colegas e experiências feitas juntos, começaram a ser essencial nas minhas produções e foi onde a arte visual e suas linguagens chegaram até mim. Hoje, o que produzo interage bastante entre todas essas linguagens e não me privo de escolher apenas uma. Acredito que elas me possibilitam conversar de várias formas e sobre vários assuntos.

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E o Biqueira? O Biqueira é um livro de poemas que já devia ter sido lançado há muito tempo. O título é uma indicação do espaço onde essas histórias e poemas são originários. O poema que dá título ao livro é uma atualização do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), que fala sobre a relação do poeta com o uso necessário de drogas e o dono do lugar que vende. Este é o centro do livro, poemas sobre uso de drogas, os lugares que vendem, as pessoas que vivem por lá, a poesia como droga principal para sobreviver. O usuário sou eu, o traficante sou eu, a droga sou eu, a poesia sou eu. O livro é apenas o registro de toda essa vida dedicada a Biqueira do outro lado da rua. Vomitarismo: O Canal Vomitarismo é um projeto que comecei a produzir no Youtube. É um canal direcionado a assuntos sobre o campo das artes, mas com uma linguagem longe do formalismo ou linguagem acadêmica. É importante dizer que qualquer pessoa que assiste ao canal pode dar sua opinião e vivências sobre as artes produzidas. O termo Vomitarismo surgiu há muito tempo, pois desde sempre ouço artistas do mundo todo se referirem a sua produção como um vômito. Também sinto minha arte como um vômito. Por isso, antes que me classificassem, eu mesmo escolhi algo que pudesse contemplar meu desejo. Toda arte Vomitarista tem em sua produção, a ânsia da criação, o descontrole daquilo que faz, o descomprometimento com as regras da estética vigente e a não aceitação de regras que limitem sua produção ou experiência. O canal Vomitarismo tem novos vídeos sendo lançados todos os dias, ao meio-dia e meio, com quadros sobre zines e reação a vídeoarte e performances. Também conto um pouco dos meus processos e falo sobre as obras que já produzi. Qual a principal importância da arte hoje? Acredito que a maior importância da arte, hoje, seja sua função meditativa e de apropriação de seu próprio ser. A arte convencional, essa que a gente vê institucionalizada nos museus e nas galerias, busca organizar trabalhos e discursos que mantém e atualiza seu controle sobre a produção artística da maioria dos artistas. A maioria de nossas mídias e instituições repetem discursos já velhos, das condutas de como fazer arte, e muitos se entregam acreditando que esses discursos são os originais. Porém, muitos artistas, por causa da abertura das redes sociais, tem colocado a arte como uma arma de autodefesa, de coragem e autoconhecimento. Isso tem trazido uma autonomia que coloca, muitas vezes, os artistas longe das manipulações das massas. A arte ainda é um dos poucos caminhos onde um ser humano pode buscar sua autonomia contra a alienação criada pelos discursos da burguesia. Por isso, a arte tem se tornado necessária na busca de autonomia para o ser artista. Para encerrar, fale sobre algo que deixamos de falar nas perguntas anteriores e que não podemos deixar passar. Quero encerrar deixando uma ideia a quem acompanhou a entrevista: Jamais deixe se alienar por discursos de um futuro melhor ou soluções que pareçam muito fáceis. Para que algo de bom surja no futuro, precisamos estar cientes e focados no presente momento do agora. Precisamos saber interpretar um texto, se atentar nas entrelinhas daqueles que discursam, precisamos coligar os companheiros que ainda não se atentaram e, acima de


tudo, precisamos de coragem e energia. É preciso muita ação direta e indireta para que possamos destruir estas barras que ainda seguram esses discursos

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e viram a cara para os que estão a dormir. Às vezes, cassetetes é que te acordam ou água que te jogam e te enxotam. —— Hoje, quando comprei maconha pela manhã, quem me atendeu foi uma criança. Se mostrou muito profissional poucas palavras, recebeu meu dinheiro e me entregou a trouxinha. Caminhei chapado por horas me perguntando como chegamos a aquilo? Uma rede de exclusão, que foi criada para matar certa parcela da população que na TV sempre aparenta ser perigosa, serviçal.

Acordo de manhã meu despertador é o Sol. Durmo numa praça recheada de menor. Sempre bem frequentada até os polícia passa pó. As sirenes são os alarmes para que corra maior. E eles chegam atirando, nem quer saber seu sonho, chega atirando! “E aí, neguin, o que cê tá falando?” Chega atirando, chega atirando! Carros, caminhões e outras viaturas em volta tem várias estruturas. Outro dia, eram jovens que estavam aqui. Lutando pra ser free. Lutando pra ser free. Para uns, a rua é liberdade.Pra outros, uma casa cheia de alarmes. Vários sempre passam por aqui

Vivemos à beira, sem eira, fazemos coisas que não queríamos,na maioria das vezes. Um dia fui eu, hoje é ele, e se não fizermos nada serão ainda muitos de nós. Uma hora o efeito passará e então eu o encontrarei novamente e tudo parecerá se repetir. — Todas as noites quando deito, eles seguram minha mão. Carrego outros vinte loucos comigo. E todo dia eles me levam pra casa, depois de uma decepção. O sistema cria sobreviventes que dormem à noite nas calçadas da tua rua. E você não vê. Está preso a algo que tem medo,

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que você não consegue soltar. Você acha que não pode fazer muita coisa porque o sistema é mais forte que você. Como conseguimos dormir tranquilos sabendo as coisas que sabemos? Outros vinte loucos que carrego comigo. E toda noite quando deitamos, eles seguram a minha mão. - Rafael Vaz *Do livro Biqueira A sair pela Editora Merda na Mão

Contato com Rafael Vaz: rafaaelvaz7@gmail.com

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Na caminhada Entre os trabalhos que realizo com o ColetiveArts, estão os textos que disponibilizo para serem ilustrados por Coletives que se interessarem. Foi nessa que conheci Reginaldo Barbosa. Suas ilustrações saltaram aos meus olhos quando vi sua interpretação de alguns dos meus escritos. Fui catar sobre o trabalho do cara e vi que além de ilustrador, ele é muralista, artista plástico, ativista social e ainda tira um som. Tudo isso no meio da correria pela sobrevivência, pois estamos falando de mais um guerreiro louco e não de um burguês com a vida ganha de bandeja. Sugeri então esta entrevista para divulgar seu trabalho e compartilhar sua luta nas páginas do Reboco. Direto de Fortaleza, trago um pouco sobre Reginaldo Barbosa. Como a arte entrou em sua vida e o que ela é para você? Em 1996 iniciei meus passos artísticos por intermédio de Francisco Daniel (artista plástico de fortaleza), meu mestre. Fizemos vários trabalhos pra o “ CURSO DE VERÃO “, um curso ecumênico, de 1997 há 2001 . Você atua em áreas distintas da arte, como música e artes plásticas. De que forma estas diferentes expressões dialogam e qual o ponto em comum? Conheci pessoas, lugares , culturas diferentes, com artes plásticas, e em 2005 conheci uma galera que tocava rock. Inicialmente fui pra bateria e algum tempo depois fiquei nos vocais.


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Em 2008 o projeto acabou e e em 2019 retornei com novos integrantes. Música é algo muito presente nos meus dias, é algo quase vital, e temos um repertório focado em músicas dos anos 80, com repertório que refletem os dias atuais. O muralismo é uma expressão artística muito antiga, que já passou por diversas formas de atuação, como o engajamento durante revolução mexicana. E o muralismo hoje? O muralismo me foi apresentado pelo o mestre Daniel, com os trabalhos de Rivera como maior referência. Me identifico muito com esse estilo. Aqui em Fortaleza temos raros muralistas, por isso, de vez em quando, migro pro grafite. A arte, para você, ainda tem uma função social transformadora, tanto que você leva música gratuita para praças e oficinas artísticas nas periferias. Fale sobre esta forma de ação direta da arte. Atualmente estou com a banda “Satus”, formada por músicos de varias partes da cidade , ótimos músicos. Nosso objetivo é levar apresentações em praças e locais periféricos de forma gratuita. Também estou preparando material pra oficinas de arte gratuitas na cidade

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Bombas de gás, pimenta nos olhos, balas de borracha à queima roupa. São os defensores do sistema quebrando mais alguns ossos. Algema, joga no camburão, tortura pouca é bobagem. São os defensores dos bons costumes massacrando outra geração.

Existem outros projetos, ideias ou iniciativas que deixamos de falar aqui e que você julga ser importante falarmos sobre? Em decorrência da pandemia, várias ações ficaram paradas, mas temos o Rock Cordel (festival de musica para bandas iniciantes e bandas do cenário local ) , o festival “ Concreto “ ( grafite ), entre outros Uma ideia para ficar: Esforço para que tudo que faço produza frutos bons, pois o pensar é essencial para criar algo novo e meus projetos buscam pensadores , idealizadores.

Contato com Reginaldo Barbosa: Renatovedder1980 @gmail.com

A bomba devastou toda a cidade. Não restou ninguém com vida. Pedaços de corpos... Órgãos internos... Espalhados por toda parte... E o senhor da guerra pulava batendo palminhas de maneira comemorativa. Era o protótipo do boçal.

Textos: Fabio da Silva Barbosa

Artes: Reginaldo Barbosa


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