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Reboco Caído 57 - vs digital - EMNM

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REBOCO CAÍDO - 57

Editorial E eis que o Reboco Caído está com mais de dez anos de existência, resistência e insistência. Indo para o número 60, só faltam três para tal. O segundo pela Editora Merda na Mão, projeto que fundei com o mano Diego El Khouri e em poucos meses já está mostrando ao que veio. Tirando isso, tem também os projetos com o ColetiveArts – Malditos Teclados Bailarinos, poesias ilustradas, programa de rádio... E os projetos com o parceiro Alexandre Chakal... Muita coisa rolando para continuar de pé nestes tempos terríveis de ignorância e retrocesso. Não iremos nos calar! Não iremos nos submeter! Vão se foder! E assim a vida segue. Os ladrões deturpando a verdade e a gente cuspindo em suas caras hipócritas. Mentirosos! Carniceiros! Vampiros! Sugadores! Não vamos nos render! Se liga na missão ----------------------------------------------------------------------------------------

MTB--------------------------------------Toda terça, quinta e domingo no coletivearts.blogspot.com

o: PSYCHO KILLER Apresentaçã h in toda sexta - 21:30 Jorg o NA RÁDIO ROTA 220 zeno.fm/radiorota-220/ Último Bloco: Bloco Caído *O bloco do zine Reboco Caído*

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Contatos Reboco Caído: Caixa postal: 21 819 Porto Alegre- R S cep.: 90050-970 o.com.br fsb1975@yaho

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Ainda lembro bem do brilho acinzentado dos seus olhos. Um cenário apocalíptico perfeito dentro daquelas duas pérolas akoyas presas no seu rosto arredondado. Lembro da tarde em que o prefeito daquela cidade miserável, esquecida pelo próprio diabo, organizou uma passeata cujo tema era o abuso sexual contra crianças e adolescentes, e nos recusamos a participar daquele teatro, pois da janela víamos o rosto sorridente de alguns pastores e gestores conhecidos por suas festinhas particulares com meninos e meninas num terreno afastado, uma fazenda utilizada para retiros religiosos e bacanais com mulheres casadas. Tudo ali era uma grande mentira e as pessoas sabiam disso, mas não podiam fazer nada por medo de serem mortas pelos capangas dos homens mais poderosos da cidade, empresários, políticos e pastores. Então, como ato de rebeldia, trancamos a casa e transamos loucamente. O sol escaldante refletindo no telhado de zinco, você cavalgando com a mesma destreza das Icamiabas, tateando o corpo como que preparasse o arco e a flecha para o ataque final que ecoaria dentro da casa feito o urro de uma fera indomável. Seus olhos cinzas. O pouco tempo juntos carimbando nosso alma pequena. E cada um foi para seu lado na tentativa de esquecermos aquele vilarejo parado no tempo. Outro dia vi você ostentando um livro do Saramago, Caim, pra ser mais exato, e falando o quanto você é fã da Eva por ela ter sido uma mulher que confrontou a lei de Deus. E cheguei à conclusão que somos apenas os livros que deixamos para as pessoas como referência. Nada mais. Só ficam os livros, as palavras grafadas na nossa memória. Os perfumes, os sabores, as alegrias... Tudo vai sumindo devagar e só resta a marca profunda das palavras. - Rojefferson Moraes -

Cotidiano São os móveis no mesmo lugar as flores vermelhas no quintal e a vida à passar. Retratos na parede, ausência que traz saudades e o perfume que se foi com ela. O tempo é feito menino nem sequer olha pra trás. Ou eu vou com ele Ou eu fico sem rumo. - Clarisse Da Costa queimando encolhido aqui na escuridão vendo o breu com um olho afundando e outro escorrendo pela cara e o copo do desgosto faz muito transbordou a garganta trancada o peito ofegante velado em caixão fechado sufocou aos poucos a língua inchou entalou com a vida sentindo o sal nas feridas os olhos fechando esbugalhando - Fabio da Silva Barbosa -


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FRENTE DE COMBATE, RESISTÊNCIA E LUTA

Sabe aquele som que você acha foda demais? Então... Sabe quando a gente acaba trombando com os manos que fazem aquele som? Então... Foi exatamente essa sensação quando consegui o contato do Ktarse. - FSB Como vocês definiriam o som do Ktarse? Somos um grupo de rap no qual priorizamos em nossas letras pautas de luta dos de baixo, fazemos do nosso rap um manifesto político da periferia, inflamamos o debate sobre racismo, fascismo, anticapitalismo, anti-Estado, misoginia, machismo, violência policial nas quebradas, precariedade do sistema educacional, genocídio e derramamento de sangue orquestrado pelos países imperialistas (na ganância capitalista por riquezas naturais) que desencadeiam nos países ditos “terceiro mundo” uma verdadeira hecatombe humana. Fazemos rap combativo pra inflamar pensamentos insurgentes no gueto. Como surgiu a ideia do grupo e foi se consolidando o estilo e postura política de vocês? O grupo foi formado em 2006, Rodrigo entrou em 2009 e o DJ mamona entrou em 2020, mas todos os integrantes do grupo estão ligados a cultura hip hop desde a década de 90 e tal. Nós sempre tivemos ligados com as vivências das ruas, somos moradores de periferia e presenciamos cotidianamente a violência orquestrada pelo opressor para manter o oprimido em condições degradantes de existência, com educação deteriorada, hospital na calamidade, vivenciando os manos e as minas sendo empurradxs para o crime e as drogas, violência policial, racismo, bairro sem saneamento básico, sabemos muito bem o que é crescer com ausência de um pai (ou ter um pai presente, mas extremamente violento e dominado pelo alcoolismo), sabemos muito bem como é ser criado somente pela mãe e morando num barraco de 1 ou 2 cômodos com 4 irmãos e irmãs, enfim, falamos de nossas experiências de vida enquanto moradores de periferia. Nossa visão política é ampliada através dos livros e nas militâncias que fazemos nas quebradas e aprimorando aprendizados sempre com o olhar dos debaixo, com a história dos vencidos. E a escolha do nome e seu significado? O nome surgiu quando eu (Rodrigo) estava lendo uma peça grega, me deparei com esse nome, “catarse” (liberação dos pensamentos que estão aprisionados), e fui ao dicionário. Achei o significado da palavra muito foda, passei a ideia pro Leal e ele concordou que o

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significado da palavra seria pertinente para formar o grupo de rap KTARSE, aí ele trocou o “CA pelo K” para deixar a soletração da palavra mais potente. A revolução ainda é possível? O que não é possível é acreditarmos que esse tipo de sociedade baseado na exploração de uma parcela minúscula de gananciosos sobre a maioria da humanidade, esse sistema capitalista que devasta a natureza, que escraviza, humilha, genocida, perpetuando guerras, competição e entre tantas outras mazelas que nos impossibilita de viver com harmonia, com solidariedade, com cooperação, apoio mutuo, respeito a diversidade humana e biodiversidade do planeta. Enfim, a revolução não é uma utopia e sim uma necessidade para nossa existência, de todo ser humano que habita neste planeta. Temos um governo completamente contra o povo e podemos encontrar certo número de pessoas de todas as classes, inclusive as mais pobres, apoiando esse governo. Como explicar isso? Em nossa concepção, nunca existiu na história do Brasil um governo a favor do povo, desde a invasão europeia aqui nessa terra chamada Brasil, seja no período colonial, período do império ou no período da República, o único governo que realmente representou o povo, foi somente o próprio povo, com suas organizações comunitárias, autônomas e horizontais. O Estado funciona como mecanismo de poder estruturado pelos inimigos de classe dos debaixo, serve para manter o poder de controle e dominação, no qual a riqueza e os privilégios dos poderosos que foram edificados com o sangue derramado dos debaixo e continua concentrado nas mãos dos playboys filhos da puta. A burguesia usa do poderio midiático e econômico para orquestrar fantoches políticos que atendam

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seus interesses de classe, sejam governos assistencialistas e conciliadores de classe como foi o PT, ou sejam governos fascistas como é o do excremento Jair Bolsonaro. Através da mídia, da escola e outras instituições do Estado e das empresas capitalistas, a burguesia perpetua a lavagem cerebral e inculca padrões de vida artificiais e fúteis para alienar o povo, faz o povo acreditar que vivemos numa democracia, numa sociedade livre, e que obedecer ao sistema é sinônimo de ser saudável. E então o povo pobre não é fascista, e sim induzido a reproduzir ideias fascistas que são ditadas pela classe dominante. O hábito da leitura diminuindo entre a população, pessoas que nunca foram ao cinema e teatro, uma geração que não tem o hábito de ouvir um disco inteiro. O que esperar do futuro que se desenha? A população não é ignorante, ela é ignorantizada pelo sistema, pois a ignorância gera conformismo, passividade, servilismo, indivíduos idiotizados e despolitizados. Não há como prever o futuro, mas diante do quadro social, político e econômico que estamos inseridos dá pra ter uma noção que teremos gerações e mais gerações sendo escravizadas pelo sistema de forma perversa e cruenta, pois o bombardeio ideológico de desinformação injetada na mente do povo serve como aparelho de dominação dos de cima para manter os debaixo como docilizados e obedientes. A arma mais poderosa nas mãos dos opressores é a mente do oprimido. Para encerrar, vocês tem total liberdade de expressão para deixar o recado. Solta o verbo: Agradecemos pelo espaço concedido a nós do KTARSE e esperamos ter contribuído com a proposta do Zine.

NÓS RESISTÊNCIA E LUTA, AÇÃO ANTIFASCISTA É NÓS POR TRÓ I !! NAS BARRICADAS SOMOS FRENTE ÚNICA, FRENTE DE COMBATE, DES SE , UTE DISC SE NÃO O CISM FAS O

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