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ABECIN

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Comecei a fazer parte da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação – Abecin quando voltei da França, onde tinha ido fazer o doutorado. A primeira reunião da qual participei, aconteceu em Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Era o mês de julho de 2000.

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Aquela reunião foi meu primeiro contato com os professores da Associação. O evento era pequeno, éramos cerca de quinze pessoas de universidades do sul do Brasil, alguns dos quais eu conhecia de Porto Alegre.

As reuniões aconteciam em um hotel na praia do Cassino, onde estávamos hospedados. Essa praia tem 22 km de litoral completamente reto e é considerada uma das maiores do mundo. As luzes do inverno e aquela imensidão lhe dão um toque todo especial. Antes da reunião, eu sempre dava uma caminhada à beira-mar, aproveitando para sentir a maresia e apreciar as cores hibernais.

Permaneci por cerca de dez anos nesta associação, onde tive várias funções. Também participei, algumas vezes, como representante da Abecin nas reuniões das escolas de Biblioteconomia do Mercosul para discutir um currículo comum.

Fui a reuniões em Montevidéu, Buenos Aires, Mar del Plata, Valparaíso, Assunção, entre outras. Lembro perfeitamente da reunião de Montevidéu.

Tínhamos chegado no Uruguai num sábado de manhã. Deixamos nossas malas no hotel e saímos para caminhar eu, Mara, e José Augusto.

Depois do almoço, entramos numa confeitaria, onde tinha um pequeno conjunto musical. A primeira música que

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tocaram foi uma milonga. Apesar do espaço ser pequeno, um casal começou a dançar. Em seguida, eu e o José Augusto fizemos a mesma coisa.

Descobri que ele era um ótimo dançarino e ficamos dançando durante algum tempo. Era absolutamente surreal para mim, dançar às três da tarde de um sábado numa confeitaria. Várias outras duplas foram para a pista e o ambiente da confeitaria virou uma festa. Ficamos lá até o conjunto terminar de tocar.

A vida noturna de Montevidéu é bem animada. Durante aqueles dias, eu e vários colegas saímos para dançar em bares da cidade.

A próxima reunião das escolas do Mercosul foi em Assunção, no Paraguai. Quando chegamos, a Mara precisava ir a um shopping para comprar alguma coisa que tinha esquecido e fui com ela. Quando entramos lá, vimos vendedores ambulantes com suas mercadorias espalhadas no chão em frente às lojas em todos os andares do shopping, uma visão insólita de um mercado dentro do outro.

Assunção é uma cidade feia e com poucos atrativos. Uma noite, fomos jantar num restaurante afastado do centro. Quando chegamos, vimos uma cena hilária: um conjunto tocando com uma tv no palco. Era a hora do jogo de futebol e os músicos não queriam perdê-lo. Então levaram a tv para o cenário.

Participei também de um encontro em Viña del Mar, no Chile. Já tinha ido à Valparaíso e Viña, com Soledad e José, nos anos 70, quando conheci o Chile.

Naqueles dias do nosso encontro, fazia muito frio. As reuniões aconteciam em Valparaíso, que fica ao lado de Viña. Nunca esqueci a vista maravilhosa daquela cidade com

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casinhas coloridas na montanha. Lá do alto, podia-se ver grande parte do litoral sul do Chile. A comida era muito boa, com vários frutos do mar que eu não conhecia.

Um professor espanhol, que havia sido convidado àquela reunião, teve uma participação ridícula. Todos os dias, chegava com uma professora, sua colega, que o acompanhava somente para carregar suas coisas. Ela não participava das discussões e ficava sentada ao lado dele, sem dizer nada. Quando ele se levantava, ela pegava a pasta e os documentos que ele tivesse na mão e os carregava. Nunca tinha visto um machismo tão explícito.

Fiquei mais um dia em Viña para conhecer melhor Valparaíso. Como todos os dias de reuniões alguém nos buscava de carro, eu não sabia como ir. Quando perguntei na portaria do hotel, tentaram me dissuadir do passeio, dizendo que Valparaíso era uma cidade muito violenta. Fui mesmo assim e não encontrei nenhum problema.

Lembro que subi até o topo da cidade de elevador e desci caminhando devagar. Quando estava no alto, vi um senhor, com cerca de 70 anos, subindo aquelas ruas íngremes, carregando um carrinho cheio de peças de artesanato que iria vender em uma das praças da cidade. Quando passei por ele, lhe perguntei onde ficava um centro de artesanato que eu estava procurando. Parou para me dar a informação e ficamos conversando. Ele fazia aquele trajeto com o carrinho todos os dias pela manhã, com uma agilidade incrível.

Fui com a Dada mais uma vez à Viña no início de 2000. Andei muito pela cidade, visitei as livrarias, fui a um dos parques e descobri vários cafés simpáticos. A Dada estava dando um curso de Acrobacia Aérea. Nos encontrávamos todos os dias para almoçar e à noite.

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Estávamos alojadas numa pousada muito simpática num lugar alto, onde se tinha uma linda vista da cidade. Viña tem um litoral rochoso e recortado, muito bonito. O mar é gélido.

No fundo do meu olho, guardo uma imagem de Soledad e José, sentados no alto da cidade, conversando e olhando aquela paisagem azul calma.

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