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Introduzindo

Introduzindo

Minha escrita é feita de momentos, de música e de cores, de viagens, de passos na calçada. De vinhos, de invernos e de verões distantes.

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Procuro nas palavras registrar momentos, sensações, pessoas. Lembrar cidades estranhas, pores de sol, grãos de areia. O nascer da lua na Costa do Sol, em Maputo. O Sena entre a Notre Dame e St. Michel. A Île St.Louis. A Place Furtensberg que a Lícia me apresentou.

Aquele passeio pela beleza selvagem da ilha de Elefantina, no Nilo. O pôr do sol de Santorini, na Grécia. A majestade da Acrópole de Atenas. Lugares onde passei ou vivi. Carlo, em Paleohora. Caminhadas no Bois de Boulogne. A chegada a Estocolmo de madrugada, quando o sol nascia. As ruas douradas do amanhecer. Os irmãos que me hospedaram e me apresentaram a Budapeste. Nossas festas em Maputo regadas a vinho português.

Ruas que atravessei, montanhas que subi. Creta, Lisboa, Paris, London, London, Ngorongoro, Zanzibar, Arusha, Santorini, Roma, Atenas. O olhar de um menino, a senhora que me ajudou a chegar à estação de trem em Praga. Teus olhos, que descobri em um parque de Amsterdam, naquele café em Kopenhagen. O verde do mar da Tanzânia, as mulheres da ilha de Moçambique. Instantes, pousadas, passagens. O lindo violão no entardecer de Atenas. Aquela pequena ilha grega perdida no distenso verão.

Cores esquecidas. Teu sorriso quieto no meu canto. A beleza do relógio da cidade velha de Praga. A alegria das festas em Praia, Cabo Verde. Momentos de vida. A paz da Ponta Malongane.

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O Duomo de Milão, uma poeira na esquina. O vento do final da tarde, o vazio das manhãs. Telefonemas perdidos, encontros ao acaso, grãos de areia, conchas. Cartões postais, lembranças, pedaços de vida.

Inocência e loucuras. Risos e sonhos. A gente já não se encontra por inteiro. Talvez para um café no Lamas ou num bar em Lisboa. Naquele restaurante à beira do canal de Floripa. Ou num bistrô em Paris, num dos nossos muitos invernos.

Ou, ainda, numa cachaça à beira-mar em Bombinhas com Eduardo, Dani, Dada e Oli. Talvez no começo da primavera romana, ou numa noite em Ponta de Ouro, Moçambique, com Nilson, Marina, Manuel e Alice. Lua, silêncio, charos e poesias antes da chuva.

Perto do Kilimanjaro, numa fazenda de café, como em um romance de Hemingway. Charos na neve em Portillo, no Chile, com Soledad em azuis de lua e inocência.

Nos parques de Santiago, com minha blusa estampada de golas enormes, abrindo as janelas da cabeça e do coração. Meu lento amadurecer de perdas e ganhos.

Num Citroën, com Manuel, indo para Évora no começo da primavera. Em conversas fiadas e gostosas. No terraço da casa da Marina, olhando Roma pela janela.

Quarta-feira que acaba. As horas se repetem na manhã de sol e vento. Goles de Porto, chegadas e partidas. Aquele quarto de estudante em Estocolmo num Natal, vendo a neve cair devagar. Dias de sonhos coloridos.

Essas idas e vindas formaram camadas na minha cabeça e no meu coração, um melting pot desses anos.

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