

PaulaFábrio Ilustrações:CássiaRoriz



PaulaFábrio
Ilustrações:CássiaRoriz

São Paulo — 2025
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Fábrio, Paula Ocupado! / Paula Fábrio; ilustrações de Cássia Roriz. — 1. ed. — São Paulo: BR Educação, 2025.
ISBN 978-85-66811-58-2
1. Literatura infantojuvenil I. Roriz, Cássia. II. Título. 25-258095
CDD-028.5
Índice para catálogo sistemático:
1. Literatura infantojuvenil 028.5
Eliete Marques da Silva — Bibliotecária — CRB-8/9380

São Paulo, 4 de dezembro de 2015 — Parte 1
Mensagens entre Didi e Rayssa, três meses antes

No corre, mais tarde
Sindicato dos professores, noite
Avenida Paulista, 6 de outubro de 2015 — Parte 1
Avenida Paulista, 6 de outubro de 2015 — Parte 2
Canteiro de obras do novo refeitório do Edmundo Serapião, outubro de 2015
Anfiteatro do Edmundo Serapião, outubro de 2015
Casa de Rayssa, à tarde — Parte 2
Edmundo Serapião, 9 de novembro de 2015, madrugada fria 11 14 15 27 30 32 43 51 53 61 65 72 88 90 97
Sala dos professores do Edmundo Serapião, final da tarde
Sala dos professores da Escola Estadual Edmundo Serapião, intervalo, setembro de 2015
Edmundo Serapião, dias seguintes
Casa de Rayssa, noite
Casa de Didi, véspera do protesto de 6 de novembro
Quadra do Edmundo Serapião, intervalo, setembro de 2015

Casa de Rayssa, mais tarde
São Paulo, 4 de dezembro de 2015 — Parte 2
Aula de filosofia, setembro de 2015
Bunker de Guilherme, noite
Apartamento de Guilherme, noite
Imprensa, outubro de 2015
Entrada do Edmundo Serapião, 6 de novembro de 2015
Avenida Paulista, algumas horas depois
Casa-armário de dona Arminda, 9 de novembro de 2015, manhã cedo
Rede social do Edmundo Serapião, novembro de 2015 17 23 25 36 39 42 54 56 59 76 78 86 104 107 111
Edmundo Serapião, 9 de novembro de 2015, meio da manhã
Imediações da Avenida Dr. Arnaldo, 4 de dezembro de 2015 — Parte 1
Mensagens entre Guilherme e Rayssa, antevéspera do protesto de 23 de outubro
Casa de Rayssa, à tarde — Parte 1
Bastidores, novembro de 2015 — Parte 1
Reintegração de posse — Parte 1

Reintegração de posse — Parte 3
Arquimedes
Edmundo Serapião, 9 de novembro de 2015, à tarde
Anfiteatro do Edmundo Serapião, segunda-feira, novembro de 2015
Clínica veterinária, novembro de 2015
Reintegração de posse — Parte 4
Imediações da Avenida
Dr. Arnaldo, 4 de dezembro de 2015 — Parte 2
O depois não é o final 114 116 118 130 133 136 149 150 151 161 162 164 173 177 179
A passeata, 4 de dezembro de 2015
Fuvest, 29 de novembro de 2015 — Parte 1
Edmundo Serapião, segunda-feira, após a reunião de emergência
São Paulo, ainda 4 de dezembro de 2015
Fuvest, 29 de novembro de 2015 — Parte 2
Edmundo Serapião, primeiros dias de ocupação

Bastidores, novembro de 2015 — Parte 2
Edmundo Serapião, terça-feira, novembro de 2015
Edmundo Serapião, domingo, novembro de 2015
Edmundo Serapião, quinta-feira, novembro de 2015
Manifestações e conexões
Casa de Didi e padaria do bairro, dias antes da volta às ruas
Edmundo Serapião, véspera da volta às ruas, dezembro de 2015
123 127 128 138 145 148 155 158 160 165 168 171 184 189 191
Posfácio, por Luana Chnaiderman
Reintegração de posse — Parte 2
Casa de Rayssa, dias seguintes
Edmundo Serapião, 3 de dezembro de 2015, noite
Sobre a autora
Sobre a ilustradora

São Paulo,



4 de dezembro de 2015 — Parte 1

Rayssa segura a faixa de protesto como se fosse o seu coração.
Vendo os colegas sentados sobre as carteiras escolares no meio da avenida, conclui que de algum modo está protegida. São inteligentes e unidos — após três meses conturbados, ela mudou sua opinião sobre os alunos da Escola Estadual Edmundo Serapião.
Mesmo assim, Rayssa tem medo, porque a polícia avança diante deles, em bloco, com escudos na frente do rosto e do peito. Os cassetetes batendo no escudo, de modo ritmado, bruto e despropositado, para intimidar o adversário. Eles, os estudantes, são os adversários. Mas não têm armas como a polícia. Talvez um peido de velha fosse genial de vez em quando para resolver algumas paradas, mas não se compara a um fuzil. E, ok, o pessoal do Ensino Médio até que é meio grande; há garotos, feito o Laerte, que calçam 43! Mas, tirando a altura e o capuz de moletom que deixa todo mundo com um jeito meio trevoso, eles não são vândalos ou bandidos perigosos. Não têm nada além da garganta rouca, das pernas trêmulas, de um celular na mão e de um pedaço de pano cobrindo o nariz e a boca. E energia, energia de sobra, sempre.
Pensando em tudo isso, Rayssa encontra os olhos de Guilherme na outra ponta da faixa. Guilherme levanta o punho para dizer que estão juntos agora, de verdade. Rayssa compreende o significado daquilo e começa a abrir um sorriso que não se completa.

Um estrondo assustador cai sobre eles, e uma fumaça de talco toma conta de tudo.
Rayssa corre e tropeça nas carteiras escolares espalhadas pelo chão enquanto sente os seus calcanhares serem

pisoteados. No meio do pó e da correria, procura por Guilherme, mas ele desapareceu.