Skip to main content

PNLD 2026 Equidade - EFAF - Como mudar o mundo?

Page 1


stela barbieri * fernando vilela

stela barbieri * fernando vilela

Porto Alegre —

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

B236c

Barbieri, Stela Como mudar o mundo? / Stela Barbieri, Fernando Vilela; ilustrações Fernando Vilela. — 1. ed. — Porto Alegre: ediPUCRS, 2025.

ISBN 978-65-5623-519-6

1. Literatura infantojuvenil. 2. Contos. I. Vilela, Fernando. II. Título.

CDD 23. ed. 028.5

Loiva Duarte Novak – CRB-10/2079

Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS

Pequenos gestos

A menina do feijão suculento

O reino dos mamulengos

Radija e os tapetes mágicos

À sombra do baobá

Satiko e o vulcão

O gênio do poço encantado

O amigo dos animais

A ponte

Pequenos gestos

As histórias deste livro vão levar você a diferentes continentes, culturas, modos de vida e crenças. Isso você vai logo perceber pelas ilustrações. Algumas histórias são inspiradas em contos populares, outras em mitos, outras em costumes e tradições.

Se prestar bem atenção, você vai perceber que mais do que falar sobre a vida de pessoas e de famílias, o personagem principal dessas histórias são as comunidades, os lugares, pequenos ou grandes, onde os seres humanos se reúnem para viver e precisam enfrentar inúmeros desafios: alimentação, água, saúde, educação, respeito à natureza.

Os contos deste livro foram inspirados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, propostos pela Organização das Nações

Unidas (ONU) no ano 2000, a fim de garantir que os direitos humanos sejam respeitados no mundo todo, mas que ainda continuam sendo desafios para toda a humanidade.

Nestas histórias, você vai poder descobrir que pequenos gestos de um, somados a pequenos gestos de outros, podem fazer diferença para mudar o mundo!

A menina do feijão suculento

Num lugar muito distante daqui, vivia uma menina chamada Mahura que, além de animada e bonita, tinha o cabelo todo cheio de fitas. Ela morava na roça, numa casa de barro vermelho.

Mahura gostava de andar pela estrada de terra, visitando os sítios da vizinhança para brincar com as outras crianças. Juntas, corriam para a floresta, subiam nas árvores e nadavam nos rios. Lá se esqueciam do tempo, às vezes anoitecia e as crianças ficavam tão entretidas na brincadeira que nada de ir para casa.

Preocupados, os pais iam procurar os filhos, passavam uns nas casas dos outros perguntando se as crianças estavam aqui, acolá. Quando as encontravam, ficavam bravos, e cada um levava seu filho para casa, dando-lhe uma bronca.

No dia seguinte, as crianças iam felizes brincar de novo e durante algum tempo tomavam mais cuidado para chegar em casa antes do anoitecer, mas depois se distraíam e novamente perdiam a hora.

As famílias trabalhavam com plantação e criação de animais. As crianças eram cuidadas por todos,

almoçavam na casa mais próxima de onde estavam brincando e em todo lugar eram tratadas com carinho.

Acontece que durante muitos e muitos dias não choveu uma gota de água naquele lugar, e, com a seca, as plantações de feijão, milho, abóbora foram morrendo. Os porcos, os bois, as galinhas começaram a definhar. Os rios caudalosos se transformaram em fiozinhos de água. Foi ficando tudo seco. As pessoas passavam fome, a comida era pouca. Os homens e as mulheres que antes saíam de suas casas dispostos para o trabalho, agora se encontravam sentados, cabisbaixos, nas portas das casas, e até as crianças estavam tristes. A única que nunca desanimava era Mahura.

Ela continuava indo às outras roças convidar os amigos para brincar, mas ninguém queria. Quando estava na casa de algum amigo, na hora do almoço, percebia que as pessoas esperavam, inquietas, que ela fosse embora para então fazer a refeição, pois a comida era tão pouca que, se mais uma boca comesse ali, faltaria para alguém. Com o passar do tempo, quando Mahura ia à casa de seus amigos, o desânimo era tanto que ninguém queria falar com ela.

Mahura também foi ficando triste. Um dia, ela chegou em casa com tanta fome que começou a vasculhar os potes de barro onde sua mãe guardava os mantimentos.

Estava aflita, procurando algo que diminuísse sua fome. Depois de muitos potes vazios, encontrou no fundinho do último pote um punhado de feijão. Ela se virou para a mãe e disse com entusiasmo:

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
PNLD 2026 Equidade - EFAF - Como mudar o mundo? by FTD Educação - Issuu