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A Chave do Tamanho

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Com o Visconde de Sabugosa, Emília inicia uma viagem pelo mundo. Percorre os países outrora em guerra e buscando a paz. Horroriza-se com a destruição provocada por bombas e balas. Encontra-se com sábios, políticos e até com um malvado ditador. Reconhece-o pelo bigode. Vê gente comendo minhocas para se alimentar… Emília deseja um mundo sem desigualdade social. Sem fome. Sem excessos de tecnologia. Constrói, com um antropólogo americano, uma minicidade-jardim, onde tudo é alegria. A natureza é a solução. Depois de uma entrevista com o presidente americano, Emília resolve consultar seus amigos, numa eleição democrática, se deveriam ou não voltar ao tamanho normal. Diante do resultado, ela retorna a Chave do Tamanho à posição original, e tudo volta a ser como era antes. Afinal, como ela mesma diz, “bichinhos sabem arrumar-se num mundo tão grande!”. E crianças também. Vamos ver como…

MONTEIRo LoBATO

Os picapauzinhos estão maravilhados com o pôr do sol em mais uma inesquecível manifestação da natureza no Sítio. Mas o clima de êxtase é quebrado com a chegada do carteiro: além de cartas, ele traz jornais com notícias ruins. Ao saber de um novo bombardeio em Londres, Dona Benta perde o vigor e entusiasmo. Narizinho corre então para o colo da avó, na tentativa de animá-la, mas nada consola a pobre senhora, que só consegue pensar no sofrimento das mães londrinas em meio à guerra. Ao ver a tristeza sombrear o rosto de Dona Benta, Emília planeja a reinação mais ousada do mundo: promete dar cabo da guerra. E como não poderia deixar de ser, ela se excede um pouco e quase dá fim à humanidade. A boneca de pano desliga sem querer a Chave do Tamanho e, de repente, os humanos ficam tão pequenos quanto os insetos. O caos se instala. Emília, que conta com a ajuda do Visconde, que não encolheu, agora terá de usar toda a sua criatividade e coragem para salvar os humanos não só da guerra, mas também do apequenamento.

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MARY DEL PRIORE

Ilustrações

Escrevo a vocês lembrando-me de quando fui criança: um Natal, a árvore iluminada, a animação das pessoas e uma grande caixa marrom; caixa feia, sem enfeite. Aquela caixa continha exatamente o que eu mais desejava. Tinha vindo direto da livraria e, pelo seu grande tamanho, não recebeu papel de embrulho nem fitas. Ela continha a coleção completa dos livros de Monteiro Lobato. Continha alegria e muitas viagens. Sim, pois só esse escritor era capaz de nos transportar, num tapete mágico, para outros mundos, onde existiam um sabugo de milho cientista, um porco marquês, um burro falante, um rinoceronte doméstico e uma boneca mais inteligente do que qualquer amiga que eu tinha. Não larguei mais os livros. Vivia me escondendo para escapar das aulas de piano ou para fugir dos deveres de casa. Aprendia mais lendo Lobato. Aprendia mais porque seus livros me ensinavam tantas coisas sem cansar, só divertindo. Vamos ler juntos A Chave do Tamanho? Que delícia de viagem graças ao poderoso pó de pirlimpimpim. Para começar, Emília vira uma chave mágica, fica pequenina e tem que enfrentar um mundo gigante: de bichos, de coisas e de animais. Mas é porque ficou mínima que ela consegue conhecer as criaturas que vivem no campo e nas cidades e, graças à sua criatividade, tem que sobreviver ao ataque de inimigos.

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MONTEIRo LoBATO

A cHave Do taMAnHO Ilustrações

NIK NeVES 1 a. edição

São Paulo – 2020

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Copyright © Editora FTD, 2020 Todos os direitos reservados à EDITORA FTD S.A. Matriz: Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. (0-XX-11) 3598-6000 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 Internet: www.ftd.com.br E-mail: projetos@ftd.com.br Diretor geral Ricardo Tavares de Oliveira Gerente editorial Isabel Lopes Coelho Editor Estevão Azevedo Editora assistente Camila Saraiva Coordenador de produção editorial Leandro Hiroshi Kanno Preparação Eloah Pina Revisoras Ibraíma Dafonte Tavares e Aline Araújo Consultoria geral João Luís Ceccantini Consultoria técnica Emerson Tin, Hélio Guimarães e Milena Ribeiro Martins Notas Emerson Tin e Milena Ribeiro Martins Editores de arte Daniel Justi e Camila Catto Supervisora de iconografia Marcia Berne Pesquisadores iconográficos Amanda de Assis Leite e Luiz Fernando Botter Projeto gráfico e diagramação Luciana Facchini Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno Esta edição tem como base a obra A Chave do Tamanho, décimo quarto volume das Obras Completas de Monteiro Lobato, Literatura Infantil, publicada pela Editora Brasiliense, em 1947, edição essa revista pelo autor. O texto da presente edição está em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e também com a padronização da editora.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Monteiro Lobato (1882-1948) é reconhecido como um dos mais importantes escritores de livros para crianças. No dia do seu aniversário, 18 de abril, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. Além da vasta obra infantil, tem livros para adultos, em que se destacam contos e cartas. Foi ainda um tradutor infatigável de escritores como Rudyard Kipling a filósofos como Bertrand Russell.

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Lobato, Monteiro, 1882-1948. A Chave do Tamanho / Monteiro Lobato; ilustrações Nik Neves. –1. ed. – São Paulo: FTD, 2020. ISBN 978-85-96-02653-6 1. Literatura infantojuvenil I. Neves, Nik. II. Título. CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura infantil 028.5 2. Literatura infantojuvenil 028.5 Maria Alice Ferreira – Bibliotecária – CRB-8/7964

Envidamos nossos melhores esforços para localizar e indicar adequadamente os créditos dos textos presentes nesta obra. No entanto, colocamo-nos à disposição para avaliação de eventuais irregularidades ou omissões de crédito e consequente correção nas próximas edições.

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Pôr de sol de trombeta 9 A Chave do Tamanho 15 Por causa do pinto sura 25 A viagem pelo jardim 29 Aventuras 35 A família do Major Apolinário 45 Juquinha conta a sua história 57 A travessia das salas 65 A estante dos remédios 71 O Ford escangalhado 75 No ninho do beija-flor 87 O gigante de cartola 97 Revelações 103 A caminho do Picapau Amarelo 111 O Coronel Teodorico 121 “O terror do lago” 133 Rabicó, o canibal 145 O filósofo chinês 153 Viagem pelo mundo 159 A Cidade do Balde 175 A Ordem Nova 185 Na Casa Branca 193 Ainda lá 201 O plebiscito 209 A volta do Tamanho 215 Glossário 218 Caderno de citações do Visconde de Sabugosa 222 Apresentando Monteiro Lobato por Fernando Paixão 234 Sobre o ilustrador 238

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Explicações necessárias Os personagens deste livro vêm de obras anteriores. Todos nascem em Reinações de Narizinho e aparecem em O Saci, Viagem ao céu, Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Geografia de Dona Benta, Aritmética da Emília, Memórias da Emília, O poço do Visconde, O Picapau Amarelo, O Minotauro e outros. Dona Benta, avó de Pedrinho e Narizinho, vive com eles no Sítio do Picapau Amarelo, em companhia de Tia Nastácia, uma preta cozinheira, e mais o Visconde de Sabugosa, que é um sabugo de milho muito sábio, Quindim, que é um rinoceronte domesticado, o Conselheiro, que é um admirável Burro Falante e a Emília, uma ex-boneca de pano, antiga esposa do celebérrimo Marquês de Rabicó. Emília foi evoluindo e insensivelmente passou de boneca a gente de verdade, conservando o tamanho inicial — quarenta centímetros de altura. É o símbolo da independência mental e da habilidade para enfrentar todas as situações. Praticamente é quem governa o sítio de Dona Benta — e sempre exerceu uma completa ascendência sobre o Visconde. A vida no Picapau Amarelo é um interminável suceder de reinações maravilhosas, nenhuma das quais equivale em originalidade e imprevistas consequências para o mundo à descrita nesta obra. Emília excedeu-se, como disse o Visconde — e por um triz não determinou no gênero humano a mais radical das mudanças — como o leitor verá.

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PÔr DE SoL De TROMBETa — O pôr do sol de hoje é de trombeta — disse Emília, com as mãos na cintura, depezinha sobre o batente da porteira onde, naquela tarde, depois do passeio pela floresta, o pessoal de Dona Benta havia parado. Eles nunca perdiam ensejo de aproveitar os espetáculos da natureza. Nas chuvas fortes, Narizinho ficava de nariz colado à janela, vendo chover. Se ventava, Pedrinho corria à varanda com o binóculo para espiar a dança das folhas secas, “quero ver se tem saci dentro”. E o Visconde dava as explicações científicas de todas as coisas. O pôr do sol daquele dia estava realmente lindo. Era um pôr de sol de trombeta. Por quê? Porque Emília tinha inventado que em certos dias o Sol “tocava trombeta a fim de reunir todos os vermelhos e ouros do mundo para a festa do ocaso”. Diante dum pôr de sol de trombeta ninguém tinha ânimo de falar, porque tudo quanto dissessem saía bobagem. Mas Dona Benta não se conteve. — Que maravilhoso fenômeno é o pôr do sol! — disse ela.

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Para saber mais sobre as palavras em destaque, consulte o Glossário no final do livro.

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Emília deu um pisco para o Visconde por causa daquele “fenômeno”, e resolveu encrencar. — Por que é que se diz “pôr do sol”, Dona Benta? — perguntou com o seu célebre ar de anjo de inocência. — Que é que o Sol põe? Algum ovo? Dona Benta percebeu que aquilo era uma pergunta-armadilha, das que forçavam certa resposta e preparavam o terreno para o famoso “então” da Emília. — O Sol não põe nada, bobinha. O Sol põe-se a si mesmo. — Então ele é o ovo de si mesmo. Que graça! Dona Benta teve a pachorra de explicar. — “Pôr do sol” é um modo de dizer. Você bem sabe que o Sol não se põe nunca; a Terra e os outros planetas é que se movem em redor dele. Mas a impressão nossa é de que o Sol se move em redor da Terra, e portanto nasce pela manhã e põe-se à tarde. — Estou cansada de saber disso — declarou Emília. — A minha implicância é com o tal de pôr. “Pôr” sempre foi botar uma coisa em certo lugar. A galinha põe o ovo no ninho. O Visconde põe a cartola na cabeça. Pedrinho põe o dedo no nariz. — Mentira! — gritou Pedrinho desapontado, tirando depressa o dedo do nariz. — Mas o Sol — continuou Emília — não põe cartola na cabeça, nem tem o péssimo costume de tirar ouro do nariz. — É um modo de dizer, já expliquei — repetiu Dona Benta.

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— Estou vendo que tudo que gente grande diz são modos de dizer — continuou a pestinha. — Isto é, são pequenas mentiras, e depois vivem dizendo às crianças que não mintam! Ah! Ah! Ah!… Os tais poetas, por exemplo. Que é que fazem senão mentir? Ontem à noite a senhora nos leu aquela poesia de Castro Alves que termina assim:

— Castro Alves (1847-1871), poeta romântico brasileiro, autor de poemas como Espumas flutuantes (1870) e Os escravos (1883).

Andrada! Arranca esse pendão dos ares! Colombo! Fecha a porta dos teus mares! Tudo mentira. Como é que esse poeta manda o Andrada, que já morreu, arrancar uma bandeira dos ares, quando não há nenhuma bandeira nos ares, e ainda que houvesse, bandeira não é dente que se arranque? Bandeira desce-se do pau pela cordinha. E como é que esse poeta, um soldado raso, se atreve a dar ordens a Colombo, um almirante? E como é que manda Colombo fechar a “porta” dos “teus” mares, se o mar não tem porta e Colombo nunca teve mares — quem tem mares é a Terra? Dona Benta suspirou. — Modos de dizer, Emília. Sem esses modos de dizer, aos quais chamamos “imagens poéticas”, Castro Alves não podia fazer versos. — Mas é ou não é mentira? Dona Benta ia abrindo a boca para a resposta, quando um homem a cavalo apontou na curva da estrada. Era o estafeta que, um dia sim, um dia não, portava

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— José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), político nascido em Santos, teve importante papel no processo de independência do Brasil.

— Cristóvão Colombo (1451-1506), navegador genovês, convenceu os reis da Espanha a financiar uma expedição com o objetivo de encontrar um caminho alternativo para a Índia. Durante a viagem, Colombo descobriu o continente americano em 1492.

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— Referência à Segunda Guerra Mundial, que começou em 1939 e terminou em 1945, deixando milhares de mortos.

ali para entregar a correspondência. Todos tiraram os olhos do pôr do sol para pô-los no estafeta. O homem chegou. Deu boa tarde. Apeou com ar de eterno descadeirado e abriu o encardido saco de lona para tirar os jornais de Dona Benta. — Há também uma carta para o Sr. Visconde de Sabugosa — disse ele entregando o pacote. Emília atirou-se para cima da carta como um gato se atira a uma cabeça de sardinha, e arrancou-a das mãos de Dona Benta, como o poeta queria que o Andrada arrancasse a bandeira dos ares. — Deve ser resposta a uma consulta que fiz sobre as vitaminas do pó de pirlimpimpim — explicou modestamente o Visconde, enquanto Emília se preparava para rasgar o envelope e Pedrinho suspirava pelo bodoque. — Não abra, Emília! — gritou Narizinho. — Vovó já disse que o sigilo da correspondência é inviolável. Carta é uma coisa sagrada. Só o destinatário pode abri-la. Emília fez um muxoxo de pouco caso e enfiou a carta no nariz do Visconde, dizendo: — Coma, beba o seu sigilo. Enquanto isso, Pedrinho desdobrava o jornal e lia os enormes títulos e subtítulos da guerra. — Novo bombardeio de Londres, vovó. Centenas de aviões voaram sobre a cidade. Um colosso de bombas. Quarteirões inteiros destruídos. Inúmeros incêndios. Mortos à beça. O rosto de Dona Benta sombreou. Sempre que pu-

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nha o pensamento na guerra ficava tão triste que Narizinho corria a sentar-se em seu colo para animá-la. — Não fique assim, vovó. A coisa foi em Londres, muito longe daqui. — Não há tal, minha filha. A humanidade forma um corpo só. Cada país é um membro desse corpo, como cada dedo, cada unha, cada mão, cada braço ou perna faz parte do nosso corpo. Uma bomba que cai numa casa de Londres e mata uma vovó de lá, como eu, e fere uma netinha como você ou deixa aleijado um Pedrinho de lá, me dói tanto como se caísse aqui. É uma perversidade tão monstruosa, isso de bombardear inocentes, que tenho medo de não suportar por muito tempo o horror desta guerra. Vem-me vontade de morrer. Desde que a imensa desgraça começou não faço outra coisa senão pensar no sofrimento de tantos milhões de inocentes. Meu coração anda cheio da dor de todas as avós e mães distantes, que choram a matança de seus pobres filhos e netinhos. Aquela tristeza de Dona Benta andava a anoitecer o Sítio do Picapau, outrora tão alegre e feliz. E foi justamente essa tristeza que levou Emília a planejar e realizar a mais tremenda aventura que ainda houve no mundo. Emília jurara consigo mesma que daria cabo da guerra e cumpriu o juramento — mas por um triz não acabou também com a humanidade inteira. Na noite daquele dia, em sua caminha de paina, ela perdeu o sono. Quem entrasse em sua cabeça leria um pensamento assim: “Esta guerra já está durando demais,

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e se eu não fizer qualquer coisa, os famosos bombardeios aéreos continuam, e vão passando de cidade em cidade, e acabam chegando até aqui. Alguém abriu a chave da guerra. É preciso que outro alguém a feche. Mas onde fica a chave da guerra? Pessoa nenhuma sabe. Mas se eu tomar uma pitada do superpó que o Visconde está fabricando, poderei voar até o fim do mundo e descobrir a Casa das Chaves. Porque há de haver uma Casa das Chaves, com chaves que regulem todas as coisas deste mundo, como as chaves da eletricidade no corredor regulam todas as lâmpadas duma casa”. O Visconde, de fato, andava estudando um misterioso superpó, capaz de maravilhas ainda maiores que o velho pó de pirlimpimpim; por isso passava as noites em claro e até recebia cartas científicas do estrangeiro. Mas naquela noite Emília ouviu uns ronquinhos. — Será o Visconde? — disse ela e foi ver. Era o Visconde, sim, que, depois de noites e noites passadas em claro, dormia um sono de Rabicó. “Se ele está ferrado no sono a ponto de roncar”, pensou Emília, “é que já resolveu o problema do superpó. Ronco de sábio quer dizer cabeça fresca, invenção já inventada.” Pensando assim, Emília foi pé ante pé ao laboratorinho do Visconde e remexeu tudo até encontrar numa pequena caixa de fósforos uma substância parecida com cinza. Cheirou-a. Lembrava o cheiro do pó de pirlimpimpim. — Deve ser isto mesmo — disse ela, e corajosamente tomou uma pitada.

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