ABRIL | 2019 EDIÇÃO No 3
LINGUAGENS
Em casas de cultura, ou mesmo ocupando as ruas das cidades, os slams de poesia ganham força, principalmente, nas capitais. Com temas que envolvem questões periféricas e marginalizadas, atraem públicos cada vez mais engajados.
O QUE FALAM SOBRE O ASSUNTO DESTA EDIÇÃO?
O que são slams e como eles estão popularizando a poesia Juliana Domingos de Lima
Atribuição de nota após a declamação do(a) slammer.
Eventos de “batalhas de versos” se firmam como espaço de literatura nas periferias. […]
O
s slams são campeonatos de poesia. Normalmente, os participantes têm até três minutos para apresentarem sua performance – uma poesia de autoria própria, sem adereços ou acompanhamento musical. O texto pode ser escrito previamente, mas também pode haver improvisação. Não há regras sobre o formato da poesia. O júri é escolhido na hora e dá notas de 0 a 10, que podem ser fracionadas, explica Jéssica Balbino, escritora e pesquisadora de literatura marginal e hip-hop […]. Entre todos os competidores, a maior nota vence. Os campeonatos não são obrigados a seguir normas rígidas, mas a maior parte obedece a essas diretrizes. […]
A poesia falada e a literatura periférica No Brasil, os slams são próximos de outro espaço da literatura das periferias: os saraus. […] “Mas o slam dialoga mais com o público mais jovem, talvez pelo caráter competitivo, talvez pelo caráter performático, mas existe uma crescente no público, o que é muito bacana, porque justamente exercita o ouvir”, diz Jéssica Balbino. Segundo a pesquisadora, o slam contribui na autorrepresentação de minorias, como mulheres, negros, lésbicas e gays e moradores das periferias em geral. “Para competir no slam, a pessoa não precisa ter livro publicado, ser rapper, ser artista, nada. Vale para donas de casa, taxistas, vendedores etc. […] Existe algo de: todos podemos fazer poesia. […]” […] LIMA, Juliana Domingos de. O que são slams e como eles estão popularizando a poesia. Nexo. Disponível em: <www.nexojornal.com.br/expresso/2016/12/20/O-que-s%C3%A3o-slams-ecomo-eles-est%C3%A3o-popularizando-a-poesia>. Acesso em: 15 mar. 2019.
2
CONHEÇA A OPINIÃO DE QUEM ESTUDA O ASSUNTO.
Slam e a batalha da democracia Luiza Mançano
H
á pouco mais de dez anos, em 2008, o slam chegava ao Brasil inspirado pelas batalhas iniciadas décadas antes nos Estados Unidos. Não se tratava de uma importação, mas de uma tendência mundial que refletia as próprias dinâmicas de organização dos sujeitos que participam do slam em seus países e territórios. Mas do que se trata este movimento de poetas que há dez anos tomou, literalmente, as praças e outros espaços públicos da cidade e se tornou internacionalmente reconhecido, ao mesmo tempo em que é desconhecido por muitos brasileiros? Roberta Estrela D’Alva, uma das fundadoras do Slam no Brasil, afirma, em uma entrevista, que a origem do slam reside em seu próprio som de palavra inglesa: slam, uma onomatopeia que representa uma batida – de porta, de telefone –, algo que em português poderia ser traduzido como “pá”. Em homenagem aos ancestrais, Roberta Estrela D’Alva declama o poema Diáspora durante evento TEDx Talks em São Paulo. Confira em: <http://ftd.li/9m4mok>. Mas, além de uma onomatopeia, a palavra foi também tradicionalmente utilizada em língua inglesa para designar batalhas no esporte, como no basquete e no tênis, por exemplo. Eis que, nos anos 1980, o slam passa a representar também uma batalha em outro campo, o da poesia.
Nathália Silveira, mais conhecida nos slams do Rio Grande do Sul como Flor MC.
3
Uma poesia que, “pá”, poderíamos dizer no Brasil. Isso é, uma poesia com tempo marcado, que, em voz alta, é uma batida de pronto, batida no sentido do ritmo, batida também no sentido de tornar denúncias evidentes, pois a maior parte dos slams está marcada por um caráter social, de resistência. São muitos os aspectos do slam como um movimento literário. O primeiro, trata-se de uma batalha travada apenas com dois instrumentos: a voz e o corpo. O segundo, trata-se de uma batalha que envolve tempo e ritmo. O terceiro, é uma batalha no terreno da palavra, ou seja, retoma o aspecto público e coletivo da poesia, que tem uma vasta tradição, tanto no Brasil quanto em outros lugares do mundo, de apresentá-la não escrita em um livro para ser lida em voz baixa, no âmbito privado, mas no terreno popular, da palavra falada, reivindicando a criação de um espaço público comunitário. O Slam das Minas nasceu da necessidade de criar um espaço onde as mulheres pudessem falar seus textos à vontade, recriando um lugar onde teriam direito de fala. Confira a performance de Moto-Tai, vencedora do primeiro Slam das Minas RJ 2019, na cidade do Rio de Janeiro, em: <http://ftd.li/ikss4s>.
Mas quem são os e as slammers do Brasil? O slam é, sobretudo, um movimento formado por jovens que vivem em grandes cidades e trazem, em seu corpo (portanto, também na voz) e em sua trajetória, marcas da desigualdade social. Isto é, são jovens oriundos das periferias, de origem pobre, jovens negros e negras, jovens LGBTs, que têm consciência dos impactos dos preconceitos e das desigualdades em suas vidas e que denunciam, com suas vozes, rimas e expressões, essa experiência de marginalização na sociedade brasileira, transformando a poesia em um ato de resistência. O poeta slammer Warley Noua denuncia em seu poema a LGBTfobia sofrida por ele. Confira em: <http://ftd.li/wmccch>. Em primeiro lugar, pode-se interpretar como uma resistência ao modo como a história do Brasil foi contada, questionando, por exemplo, o mito da democracia racial – a ideia de que no nosso país não existe racismo e que brancos e negros (con)vivem em igualdade. Pelo contrário, os(as) slammers denunciam que a sociedade brasileira do século XXI ainda está marcada pelo racismo, pelo machismo e outras desigualdades, como a disparidade no acesso a educação, saúde, cultura e moradia digna, direitos estes que deveriam ser garantidos conforme o artigo 6o da Constituição do país, de 1988, no contexto da redemocratização.
Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais Capítulo II – Dos Direitos Sociais Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. BRASIL. Constituição Federal. Senado Federal. Disponível em: <www.senado.leg.br/atividade/ const/con1988/con1988_15.12.2016/art_6_.asp>. Acesso em: 14 mar. 2019.
4
Embora o poema falado não seja um fenômeno recente no Brasil e tenha tradição, se pensarmos, por exemplo, nos repentistas do Nordeste do país, ou nos integrantes do hip-hop brasileiro a partir da década de 1980, cuja influência sobre o slam é mais direta e reconhecida, notaremos também as diferenças que caracterizam as atuais batalhas de poesia como algo particular. Entre elas, está a forma, com um tempo máximo para cada intervenção de alguns segundos a três minutos, que pode ser interpretada como algo próprio dessa geração, acostumada a mensagens instantâneas e condensadas (aqui estou pensando em outra intervenção, como a interação nas redes sociais, com caracteres limitados). A outra, em relação ao conteúdo de denúncia, diz respeito às transformações que o Brasil viveu nos anos 2000, com a criação de políticas afirmativas, tais quais a implementação de políticas de acesso à educação, como a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a implementação da Lei de Cotas no ensino superior. Essas políticas, reivindicadas pelos jovens slammers – e criticadas ao mesmo tempo quando identificadas suas limitações –, também contribuíram para mover as estruturas da sociedade brasileira e levaram-nos a questionar o lugar que ocuparam historicamente, bem como a travar batalhas pela transformação. Apesar de nascer de críticas sociais, outras temáticas também invadem as performances. Em outra noite, na mesma Praça Roosevelt, o poeta slammer Emerson Alcalde apresenta o poema Vendedor de travesseiros. Confira em: <http://ftd.li/6wacrv>.
Emerson Alcalde declamando seu poema no Slam Resistência, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.
5
Uma transformação que perpassa não só o acesso, mas também os critérios que orientam a valorização (e desvalorização) do universo cultural, no qual algumas produções artísticas e determinadas linguagens são reconhecidas por estarem no “centro”, ou seja, por terem sido legitimadas e produzidas por aqueles que possuem privilégios sociais, enquanto a arte e as linguagens concebidas nas periferias ainda são marginalizadas e consideradas menores ou menos complexas e elaboradas, ideias estas também refutadas pelo/no slam. Do mesmo modo, as batalhas de poesia, longe de serem uma competição em que a desigualdade se reproduz, são espaços que questionam o uso do espaço público predominante nas grandes cidades do Brasil, mercantilizado e militarizado, e propõem uma outra lógica; uma competição que valoriza a diversidade, que considera “a rua a principal parte da cidade” (como nos versos de Leminski), que traz as denúncias e as mazelas para o campo da palavra em público, onde deveriam ser debatidos e resolvidos os conflitos na democracia. Em outras palavras, no slam a batalha do discurso não reside só na denúncia, mas em sua própria capacidade de (re)criar uma outra forma de vida, coletiva e horizontal.
Luiza Mançano é formada em Letras pela Universidade de São Paulo. É tradutora e atualmente cursa o mestrado em Teoria e História Literária na Unicamp, com foco em Literatura feminina e crítica feminista. Há oito anos faz parte da Marcha Mundial das Mulheres, movimento social feminista que reúne mulheres de mais de 70 países e que discute projetos e ações de transformação social com o lema “Mudar a vida das mulheres para mudar o mundo. Mudar o mundo para mudar a vida das mulheres”.
6
HORA DE ARTICULAR SUAS IDEIAS
1. Vamos fazer um campeonato de slam em sala de aula? Organizem-se em grupos de até 15 alunos e realizem a primeira rodada, na qual serão escolhidos cinco para a segunda fase. A votação deve ser feita por meio de plaquinhas com notas de 0 a 10. Dos cinco alunos, serão escolhidos três. Na terceira e última fase, os finalistas disputam e o mais bem pontuado será o vencedor ou vencedora. Lembrem-se das seguintes regras do slam: a apresentação não deve ultrapassar três minutos e o poema precisa ser de autoria própria. Ao final, discutam os critérios utilizados para a votação e os temas que surgiram nos poemas criados. 2. O slam pode ser considerado um movimento de literatura marginal no Brasil, que reúne uma série de obras literárias, produzidas nos anos 2000 por autores advindos de grupos sociais marginalizados, cujas questões têm como tema sujeitos e espaços tidos como “marginais”. Com isso em mente, faça uma pesquisa online sobre literatura marginal e alguns de seus principais autores e autoras. 3. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, 47,4% da população autodeclarada preta ou parda com 25 anos ou mais não tinha concluído o Ensino Fundamental no Brasil, enquanto apenas 9,3% tinham concluído o Ensino Superior; já entre a população autodeclarada branca nessa mesma faixa etária, 33,6% não tinham concluído o Ensino Fundamental e 22,9% tinham curso superior completo, percentual esse maior que o dobro do apresentado pela população negra. IBGE. PNAD contínua: educação 2017. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/ liv101576_informativo.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2019. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2018, entre os alunos que completaram o Ensino Médio na escola pública, apenas 36% estavam na faculdade, enquanto, entre aqueles que concluíram seus estudos na rede privada, 79,2% ingressaram na universidade. IBGE. Taxa de ingresso ao nível superior é maior entre alunos da rede privada. 5 dez. 2018. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agenciade-noticias/noticias/23300-taxa-de-acesso-ao-nivel-superior-e-maiorentre-alunos-da-rede-privada>. Acesso em: 18 mar. 2019. Uma das políticas afirmativas reivindicadas pelos integrantes do slam é a Lei no 12.711/2012, que estabelece o seguinte: reserva de 25% das vagas para estudantes oriundos da rede pública e com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo; 25% para candidatos que estudaram integralmente no Ensino Médio e que tenham renda igual ou superior a 1,5 salário mínimo; um percentual que estabelece cotas por critérios raciais para pessoas autodeclaradas negras, pardas ou indígenas, de acordo com os dados do Censo Demográfico do IBGE em cada região. O tema da desigualdade no acesso ao Ensino Superior é tratado pela slammer Bia Ferreira em Cota não é esmola. Confira o vídeo em: <www.youtube.com/watch?v=TQorfnF5Bcg>. Acesso em: 1o abr. 2019. Com base nos argumentos apresentados pela poeta no vídeo e nos dados apresentados acima, redija um artigo de até 15 linhas sobre os impactos da lei de cotas no Ensino Superior brasileiro.
7
d Guil a herm ina
É o ca mp poesia eonato br anuais falada, c asileiro de om ed . A ve ições n ediçã o, Pie cedora da últim ta Po levar a eta, a o tro garan lé tiu va féu de ca m de mpeã ga pa Poet , ra poesia ry, a copa o Grand S lam do mu falada ndo d , a ser e r Paris , na F ealizado e rança m . Fonte : <ww w.face book P Acess oetrySlam .com/ o em: B 21 ma rasil>. r. 201 9.
de 016, no mês Nasce em 2 para , es er lh u das m março, mês as in zes femin ampliar as vo je, o H . ia de poes nas batalhas o çã ta n se pre conta com re os Estados na maioria d nsável sendo respo brasileiros, de o sã u cl pela maior in etero, h as el m ja mulheres, se s sexuai ou bi, pan, tran ma de garantir u lésbicas, além no Slam BR. a vaga feminin m/ .facebook.co Fonte: <www : em o ss ce A assp>. . slamdasmin 19 21 mar. 20
Slam das Minas
Fonte: <www.facebook.com/slamresistencia>. Acesso em: 21 mar. 2019.
Slam BR
Slam
Resistência
Cria d Bras o em 20 il. Fo 12, é Alca lde, rmado p o 2º po Rod Uilia e e r m C los sla try slam mm men igo Mot hap do é e t s Guil ais em a, o col u, Crist rs Eme etiv rson ina A herm uma or s p ina, em S raça do ealiza e sunção Fon e nc b ão P te aulo airro Vi ontros slam : <www la . .face dag uilh erm book.co ina> m . Ace / sso em: 21 m ar. 2 019 .
m
Sla
008 em 2 lva, o d a ’A ealiz l, ela D Foi id erta Estr no Brasi b m o la por R ora do s primeiro o urs e c esia s e r p ndo am de po a n r l o t es ivo d sileiro. colet / bra k.com eboo o em: c a .f ww ess 9. >. Ac e: <w Font zapslam mar. 201 21
Au a n o Z avra l a P da
! a P A Z tônom
Após os grandes protestos ocorridos em todo o Brasil nos anos de 2013 e 2014, surge com o intuito de transformar em arte as vozes da rua que clamavam por mudanças políticas.
SUGESTÕES DE RESPOSTAS DO EDITORIAL
1. Trata-se de uma atividade livre, em que se espera que os alunos possam realizar um campeonato de slam e produzir seus poemas, além de discutir o funcionamento da batalha. Pode ser efetuada em conjunto com outras disciplinas, como Arte. Ao terminarem, pode-se criar uma exposição com alguns dos poemas. 2. Espera-se que os alunos possam fazer uma pesquisa com o objetivo de conhecer o slam, seja por meio de artigos ou notícias, seja por meio de algumas das obras. Entre os autores, estão Ferréz, já citado, Sérgio Vaz e Elizandra Souza. Uma das definições que podem contribuir para esse trabalho foi formulada por Érica Peçanha Nascimento (2006): “Ferréz já havia se utilizado da expressão ‘literatura marginal’ […] para referir-se ao tipo de literatura que produzia e a de uma série de escritores com semelhante perfil sociológico, que estavam publicando entre o final dos anos 1990 e o começo do novo século, uma classificação representativa do contexto social nos quais estariam inseridos: à margem da produção e do consumo de bens econômicos e culturais, do centro geográfico das cidades e da participação político-social”. NASCIMENTO, Érica Peçanha do. Literatura marginal: os escritores da periferia entram em cena. 2006. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2006. Disponível em: <www.teses.usp.br/teses/ disponiveis/8/8134/tde-03092007-133929/pt-br.php>. Acesso em: 23 fev. 2019. 3. Espera-se que os alunos possam redigir um artigo, um dos gêneros literários exigidos em alguns exames vestibulares, e formular argumentos com base na relação das questões apresentadas no vídeo da slammer com dados recentes sobre o Brasil e a criação de políticas públicas.
Conteúdos abordados: • Literatura marginal; • Slams de poesia; • Sociopolítica.
O Articulação LCT tem como objetivo discutir temas relevantes com base em Linguagens, códigos e suas Tecnologias. Os conteúdos são abordados com base nas diversas linguagens corporais e artísticas, contudo o conhecimento prévio não é indispensável para a compreensão dos temas. O Articulação LCT almeja estimular nos estudantes o interesse pelas Linguagens através da ampliação do mundo que os cerca, despertando, assim, o gosto pela aquisição de novos conhecimentos.
9
ABRIL | 2019 EDIÇÃO No 3
LINGUAGENS
Diretor de conteúdo e negócios Ricardo Tavares de Oliveira Diretor editorial adjunto Cayube Galas Gerente editorial Júlio César D. da Silva Ibrahim Editora Vivian Kaori Ehara Editores assistentes Danielle Benfica Thiago Costa de Oliveira Gerente de produção editorial Mariana Milani Coordenador de produção editorial Marcelo Henrique Ferreira Fontes
Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin Supervisora de preparação e revisão Adriana Soares Preparadora Iraci Miyuki Kishi Revisora Isaura Kimie Imai Rozner Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Elaine Bueno Pesquisa Márcia Trindade Coordenadora de ilustrações e cartografia Marcia Berne Gerente de arte Ricardo Borges Coordenadora de arte Daniela Máximo Projeto gráfico Bruno Attili Supervisor de arte Fabiano dos Santos Mariano Editora de arte Adriana Maria Nery de Souza
Créditos das imagens: p1. Alberto Rocha/Folhapress, p2. Avener Prado/Folhapress, p3. Arquivo pessoal, p5. Alberto Rocha/Folhapress, p6. Acervo pessoal, p8. A_Lesik/Shutterstock.com
10