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ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE A ÁREA DO CONHECIMENTO Área de Linguagens e suas Tecnologias A organização do currículo do Ensino Médio por áreas do conhecimento representa uma proposta voltada à integração de saberes e ao desenvolvimento de competências que permitam aos estudantes compreender e atuar de forma crítica na sociedade contemporânea. Nessa perspectiva, a área de Linguagens e suas Tecnologias reúne componentes curriculares que, embora preservem suas especificidades, compartilham o compromisso de ampliar as possibilidades de expressão, comunicação, interpretação, criação e participação social dos jovens. Mais do que o domínio de conteúdos específicos, essa área busca promover a compreensão das diferentes formas pelas quais os indivíduos produzem sentidos, constroem identidades, estabelecem relações e interagem com o mundo em diferentes contextos culturais e tecnológicos. Vale chamar atenção para o plural: a área dedica-se ao estudo das “linguagens” em suas múltiplas manifestações, sejam elas verbais, visuais ou corporais, levando em consideração que as experiências linguísticas de todo ser humano são plurais — e essa diversidade é essencial para o seu desenvolvimento. Na etapa do Ensino Médio, o estudante já desenvolveu um repertório de interações com outros indivíduos e com o mundo, de modo que a sua própria existência como sujeito é atravessada pelos sentidos e pelas trocas socioculturais estabelecidas nessas práticas. Um primeiro objetivo da área de Linguagens e suas Tecnologias é oferecer ao estudante a oportunidade e as ferramentas para que ele possa interagir plenamente com diversas práticas de linguagem, com base na valorização do seu próprio repertório cultural, ampliando e complexificando os usos e recursos linguísticos. Assim, no Ensino Médio, essa área assume papel estratégico na formação dos jovens, pois contribui para que compreendam criticamente as diferentes linguagens que circulam na sociedade contemporânea e utilizem essas linguagens de forma ética, responsável e criativa em diversos contextos. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), No Ensino Médio, os jovens intensificam o conhecimento sobre seus sentimentos, interesses, capacidades intelectuais e expressivas; ampliam e aprofundam vínculos sociais e afetivos; e refletem sobre a vida e o trabalho que gostariam de ter. Encontram-se diante de questionamentos sobre si próprios e seus projetos de vida, vivendo juventudes marcadas por contextos socioculturais diversos. Por ser um período de vida caracterizado por mais autonomia e maior capacidade de abstração e reflexão sobre o mundo, os jovens, gradativamente, ampliam também suas possibilidades de participação na vida pública e na produção cultural. Eles fazem isso por meio da autoria de diversas produções que constituem as culturas juvenis manifestadas em músicas, danças, manifestações da cultura corporal, vídeos, marcas corporais, moda, rádios comunitárias, redes de mídia da internet, gírias e demais produções e práticas socioculturais que combinam linguagens e diferentes modos de estar juntos. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. p. 481. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 8 out. 2026.

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Os componentes da área de Linguagens A BNCC compreende a linguagem como uma prática social que se manifesta por diferentes formas de expressão e comunicação. Dessa maneira, a área integra conhecimentos relacionados à Língua Portuguesa, à Arte, à Educação Física e à Língua Inglesa, incorporando-se também a Língua Espanhola na condição de língua adicional, reconhecendo que cada componente curricular conta com especificidades próprias, mas também compartilha objetivos comuns voltados à construção de sentidos, à interação social e ao exercício da cidadania. No contexto atual, marcado pela intensa circulação de informações, pela presença constante das tecnologias digitais e pela multiplicidade de linguagens, torna-se fundamental que os estudantes desenvolvam competências que lhes permitam interpretar criticamente mensagens, produzir conteúdos de diferentes naturezas e participar de forma ativa e consciente das práticas culturais e comunicativas da sociedade. A área de Linguagens busca favorecer a formação de sujeitos capazes de compreender o mundo, posicionar-se diante dele e atuar na transformação da realidade. Assim, os componentes curriculares que compõem essa área do conhecimento têm como finalidade garantir uma formação integral do estudante para que ele possa atuar criticamente na recepção e na produção das linguagens e interagir ética e democraticamente no mundo. É necessário ressaltar que a associação desses componentes em uma única área não significa a inexistência de disciplinas, como também não impede que elas desenvolvam seus conhecimentos específicos. O que se pretende com isso é valorizar os intercâmbios entre os conhecimentos de cada disciplina, com propostas pedagógicas que mobilizem saberes específicos para o desenvolvimento de competências comuns. Os componentes devem engajar-se no aperfeiçoamento das habilidades relativas à comunicação, em especial àquelas que dizem respeito às práticas de produção e compreensão textuais. A Língua Portuguesa ocupa papel fundamental nesse processo ao promover o desenvolvimento das competências relacionadas à leitura, à produção textual, à oralidade e à análise linguística. A BNCC orienta que o ensino da língua esteja vinculado a situações reais de comunicação, possibilitando que os estudantes compreendam os diversos gêneros discursivos presentes na vida cotidiana, acadêmica, profissional e digital. Além disso, enfatiza a importância da formação de leitores críticos, capazes de analisar discursos, identificar diferentes pontos de vista e participar de debates públicos de forma argumentativa e ética. Dentro de Língua Portuguesa, o eixo de Estudo da Linguagem dedica-se à compreensão das estruturas linguísticas que marcam as mais diversas variantes existentes na língua portuguesa falada e escrita, considerando também os elementos discursivos que perpassam cada uso. No eixo de Produção de Textos, são trabalhadas várias formas de expressão, tanto na comunicação escrita quanto na oral. Por sua vez, a Literatura volta-se ao aprimoramento do letramento artístico-literário, permitindo que o estudante se aproprie de textos literários por meio de experiências significativas para sua fruição. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Em síntese, a Língua Portuguesa, na perspectiva da BNCC, é concebida como um componente fundamental para a formação integral dos estudantes. Por meio do desenvolvimento das competências relacionadas à leitura, à escrita, à oralidade, à análise linguística e à literatura, os jovens ampliam sua capacidade de compreender a realidade, produzir conhecimentos, comunicar-se de forma eficaz e participar criticamente da vida social. Assim, o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio vai além da aprendizagem de conteúdos específicos, uma vez que se trata de uma formação voltada para o desenvolvimento de sujeitos autônomos, criativos, éticos e comprometidos com a construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e participativa. A linguagem, nesse contexto, torna-se instrumento de expressão, conhecimento, diálogo e transformação social. A leitura constitui um dos principais eixos do componente curricular. A BNCC enfatiza a formação de leitores capazes de interpretar criticamente textos de diferentes naturezas, reconhecendo intenções comunicativas, estratégias argumentativas, posicionamentos ideológicos e relações entre linguagem, cultura e sociedade. Mais do que compreender informações explícitas, espera-se que os estudantes desenvolvam a capacidade de inferir significados, avaliar fontes, estabelecer relações entre textos e refletir sobre os efeitos produzidos pelos discursos. A argumentação constitui outro eixo estruturante do ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio. Em uma sociedade democrática, é essencial que os jovens sejam capazes de defender opiniões com base em evidências, analisar diferentes perspectivas e participar de debates públicos de maneira respeitosa e fundamentada. A BNCC valoriza a construção de argumentos consistentes e o desenvolvimento da capacidade de posicionamento crítico diante de questões sociais, culturais, científicas e políticas. Além disso, o componente contribui diretamente para a elaboração do projeto de vida dos estudantes. A capacidade de comunicar-se com clareza, interpretar informações, produzir textos e argumentar adequadamente constitui um diferencial importante para a continuidade dos estudos, a inserção no mundo do trabalho e o exercício pleno da cidadania. Desse modo, as práticas de linguagem desenvolvidas na escola tornam-se ferramentas essenciais para a participação ativa na sociedade e para a construção de trajetórias pessoais e profissionais significativas. O componente Arte, além de contribuir para o pensamento reflexivo, também permite o desenvolvimento da criatividade e da expressividade, essenciais para uma melhor compreensão de si e do mundo. Nessa subárea, busca-se ampliar a sensibilidade estética, a criatividade e a capacidade de expressão dos estudantes. As experiências artísticas possibilitam a compreensão das múltiplas formas de produção cultural presentes na sociedade e contribuem para o reconhecimento da diversidade de manifestações artísticas produzidas em diferentes tempos, espaços e contextos socioculturais. A BNCC destaca a importância da experimentação, da criação, da apreciação e da reflexão sobre as artes visuais, a música, a dança, o teatro e outras formas de expressão artística. Em virtude de sua importância no cenário global, a Língua Inglesa é obrigatória no Ensino Médio, e seu estudo se revela fundamental para o estabelecimento de diálogos interculturais, necessários para a vida pessoal e profissional. Além de estar a serviço da expansão do repertório linguístico dos estudantes, 18

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tal componente deve aprofundar os conhecimentos relacionados aos contextos socioculturais de uso da língua estrangeira, de maneira que o estudante possa desenvolver um entendimento crítico acerca das práticas, das ideologias e dos contextos geopolíticos que modelam o uso do inglês nas mais variadas situações discursivas. A Língua Inglesa assume papel estratégico em uma sociedade globalizada, caracterizada pela intensa circulação de pessoas, informações e conhecimentos. A BNCC propõe que o ensino do idioma esteja voltado para a comunicação, a interculturalidade e a ampliação das oportunidades de participação social. Mais do que o domínio de estruturas gramaticais, busca-se desenvolver a capacidade de interagir em diferentes contextos, compreender produções culturais de diversos países e estabelecer diálogos respeitosos com diferentes culturas. Já a Educação Física, ao ampliar a compreensão das várias dimensões envolvidas na produção de sentidos, permite que o estudante experiencie o corpo como um elemento expressivo, a partir do qual podem se comunicar valores, identidades e afetos. Trata-se de um componente essencial para a formação humana, promovendo o conhecimento e a valorização das práticas corporais em suas diversas manifestações. Jogos, esportes, danças, lutas, ginásticas e práticas corporais de aventura são entendidos como produções culturais que carregam significados históricos e sociais. O trabalho pedagógico deve possibilitar que os estudantes compreendam essas práticas de maneira crítica, valorizem a diversidade cultural e desenvolvam atitudes relacionadas ao cuidado consigo mesmos e com os outros. Em consonância com as possibilidades de ampliação formativa previstas na legislação educacional e com as demandas socioculturais contemporâneas, o estudo da Língua Espanhola integra a área como língua adicional, promovendo o multiletramento e a consciência intercultural. Dada a relevância geopolítica, econômica e histórica do idioma — especialmente no contexto de integração latino-americana e nas relações com a comunidade hispanofalante global —, o componente proporciona aos estudantes a oportunidade de construir sentidos em situações reais de uso, valorizar a diversidade linguística e reconhecer a pluralidade de identidades e vozes que atravessam as culturas hispânicas, fortalecendo sua atuação cidadã e crítica no mundo contemporâneo. Um dos princípios centrais da BNCC para essa área é a valorização das práticas de linguagem como elementos constitutivos da vida social. Ler, escrever, falar, escutar, produzir imagens, apreciar manifestações artísticas, movimentar-se corporalmente e interagir em diferentes idiomas são ações que possibilitam a construção de conhecimentos, identidades e relações sociais. Nesse sentido, o trabalho pedagógico deve proporcionar experiências significativas que articulem diferentes linguagens e contextos de uso. Outro aspecto relevante é a valorização das culturas digitais. A BNCC reconhece que os jovens estão inseridos em ambientes comunicativos mediados por tecnologias; por isso, a base propõe o desenvolvimento de competências relacionadas à produção, à circulação e à avaliação crítica de conteúdos digitais. O estudante deve ser capaz de utilizar ferramentas tecnológicas para pesquisar, comunicar-se, produzir conhecimentos e expressar-se criativamente, sempre considerando princípios éticos, legais e de responsabilidade social. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Outro eixo fundamental da área de Linguagens é o desenvolvimento da argumentação. Em um cenário marcado pela ampla circulação de informações e pela presença de discursos diversos, torna-se essencial que os estudantes aprendam a analisar criticamente dados, opiniões e posicionamentos. A BNCC enfatiza a necessidade de formar sujeitos capazes de construir argumentos consistentes, fundamentar opiniões, dialogar com perspectivas distintas e participar de processos democráticos de maneira responsável e respeitosa. A valorização da diversidade também constitui princípio estruturante da área. As práticas de linguagem possibilitam o reconhecimento e a valorização das múltiplas identidades culturais presentes na sociedade brasileira. Nesse sentido, a BNCC orienta que o currículo contemple diferentes vozes, narrativas e manifestações culturais, promovendo o respeito às diferenças e o combate a preconceitos, discriminações e desigualdades. A escola torna-se, assim, um espaço de diálogo intercultural e de fortalecimento dos direitos humanos. Além disso, a área de Linguagens contribui significativamente para o desenvolvimento do protagonismo juvenil. Ao participar de projetos, produções culturais, debates, apresentações artísticas, ações comunitárias e práticas colaborativas, os estudantes ampliam sua autonomia, sua capacidade de tomar decisões e sua responsabilidade social. A BNCC reconhece o jovem como sujeito ativo do processo educativo e destaca a importância de criar oportunidades para que ele exerça sua autoria e desenvolva projetos de vida consistentes e significativos. No Ensino Médio, as competências específicas da área estão organizadas de modo a favorecer a integração entre os diferentes componentes curriculares e a construção de aprendizagens mais amplas e contextualizadas. Essa perspectiva interdisciplinar possibilita que os estudantes compreendam as relações entre linguagem, cultura, tecnologia, identidade e sociedade, desenvolvendo uma visão mais complexa e crítica da realidade. Outro aspecto relevante refere-se à leitura crítica das mídias. A expansão das redes sociais, dos ambientes digitais e das novas formas de comunicação exige que os estudantes sejam capazes de avaliar a confiabilidade das informações, identificar discursos manipuladores, reconhecer a desinformação e compreender os impactos sociais da circulação de conteúdos. Nesse contexto, a formação para a cidadania digital é uma das contribuições mais importantes da área de Linguagens. A BNCC também ressalta a importância da produção cultural e da fruição estética como elementos essenciais para a formação humana. O contato com obras literárias, artísticas e culturais amplia repertórios, estimula a imaginação, fortalece a empatia e contribui para a construção da sensibilidade crítica. Essas experiências permitem que os estudantes compreendam diferentes formas de representar o mundo e reflitam sobre questões sociais, históricas e existenciais presentes na experiência humana. Dessa forma, a área de Linguagens e suas Tecnologias configura-se como um espaço privilegiado para a formação de sujeitos críticos, criativos, autônomos e participativos. Ao integrar diferentes formas de expressão, comunicação e produção cultural, contribui para o desenvolvimento de competências fundamentais para a vida pessoal, acadêmica, profissional e cidadã. Além disso, em consonância com os princípios da BNCC, a área busca assegurar que todos os estudantes tenham acesso a experiências diversificadas 20

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de linguagem, capazes de ampliar suas possibilidades de participação social e de construção de conhecimentos. Mais do que aprender conteúdos específicos, os jovens são convidados a compreender as linguagens como instrumentos de interação, produção de sentidos, exercício da cidadania e transformação da realidade. Assim, a formação em Linguagens é um elemento indispensável para a construção de uma educação comprometida com o desenvolvimento integral dos estudantes e com os desafios do século XXI. A perspectiva interdisciplinar proposta para a área de Linguagens e suas Tecnologias favorece o desenvolvimento de projetos integrados que aproximam a escola das situações vivenciadas pelos estudantes em seu cotidiano. A articulação entre as três frentes de Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e as línguas adicionais (Língua Inglesa e Língua Espanhola) possibilita a construção de experiências de aprendizagem mais significativas, nas quais diferentes formas de linguagem são mobilizadas para investigar problemas, elaborar propostas, comunicar ideias e produzir conhecimentos. Essa integração amplia as oportunidades de aprendizagem ao permitir que um mesmo fenômeno seja compreendido sob diferentes perspectivas, fortalecendo o diálogo entre os componentes curriculares e promovendo uma formação mais abrangente. Outro aspecto relevante refere-se à preparação dos estudantes para os desafios da vida acadêmica, profissional e social. Em um contexto marcado pela rápida transformação tecnológica e pela valorização de competências socioemocionais, as práticas de linguagem incentivam a resolução de problemas, a argumentação fundamentada, a produção de diferentes gêneros discursivos e a participação em situações reais de interação. Dessa forma, a área de Linguagens desempenha papel decisivo na construção de competências mobilizadas ao longo da vida, tanto no prosseguimento dos estudos quanto na inserção no mundo do trabalho.

Competências e habilidades A seguir, disponibilizamos as competências específicas e habilidades previstas na BNCC para a área de Linguagens e suas Tecnologias. Os textos disponibilizados aqui, assim como maiores informações sobre as competências específicas, foram retirados do site oficial da BNCC.

Competência específica 1 Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas culturais (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e na produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo.

Habilidades da BNCC (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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(EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade. (EM13LGG103) Analisar o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras, gestuais). (EM13LGG104) Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreensão e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social. (EM13LGG105) Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas, multimídia e transmídia, desenvolvendo diferentes modos de participação e intervenção social.

Competência específica 2 Compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, respeitando as diversidades e a pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmente com base em princípios e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando o autoconhecimento, a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação e combatendo preconceitos de qualquer natureza.

Habilidades da BNCC (EM13LGG201) Utilizar as diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais) em diferentes contextos, valorizando-as como fenômeno social, cultural, histórico, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso. (EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias. (EM13LGG203) Analisar os diálogos e os processos de disputa por legitimidade nas práticas de linguagem e em suas produções (artísticas, corporais e verbais). (EM13LGG204) Dialogar e produzir entendimento mútuo, nas diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais), com vistas ao interesse comum pautado em princípios e valores de equidade assentados na democracia e nos Direitos Humanos.

Competência específica 3 Utilizar diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais) para exercer, com autonomia e colaboração, protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, ética e solidária, defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável, em âmbito local, regional e global. 22

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Habilidades da BNCC (EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. (EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. (EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. (EM13LGG304) Formular propostas, intervir e tomar decisões que levem em conta o bem comum e os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global. (EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo princípios e objetivos dessa atuação de maneira crítica, criativa, solidária e ética.

Competência específica 4 Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, cultural, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo suas variedades e vivenciando-as como formas de expressões identitárias, pessoais e coletivas, bem como agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza.

Habilidades da BNCC (EM13LGG401) Analisar criticamente textos de modo a compreender e caracterizar as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, social, cultural, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso. (EM13LGG402) Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de língua adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso, respeitando os usos das línguas por esse(s) interlocutor(es) e sem preconceito linguístico. (EM13LGG403) Fazer uso do inglês como língua de comunicação global, levando em conta a multiplicidade e variedade de usos, usuários e funções dessa língua no mundo contemporâneo.

Competência específica 5 Compreender os processos de produção e negociação de sentidos nas práticas corporais, reconhecendo-as e vivenciando-as como formas de expressão de valores e identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito à diversidade.

Habilidades da BNCC (EM13LGG501) Selecionar e utilizar movimentos corporais de forma consciente e intencional para interagir socialmente em práticas corporais, de modo a estabelecer relações construtivas, empáticas, éticas e de respeito às diferenças. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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(EM13LGG502) Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos. (EM13LGG503) Vivenciar práticas corporais e significá-las em seu projeto de vida, como forma de autoconhecimento, autocuidado com o corpo e com a saúde, socialização e entretenimento.

Competência específica 6 Apreciar esteticamente as mais diversas produções artísticas e culturais, considerando suas características locais, regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e (re)construir produções autorais individuais e coletivas, exercendo protagonismo de maneira crítica e criativa, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas.

Habilidades da BNCC (EM13LGG601) Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica. (EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade. (EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas. (EM13LGG604) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política e econômica e identificar o processo de construção histórica dessas práticas.

Competência específica 7 Mobilizar práticas de linguagem no universo digital, considerando as dimensões técnicas, críticas, criativas, éticas e estéticas, para expandir as formas de produzir sentidos, de engajar-se em práticas autorais e coletivas, e de aprender a aprender nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva.

Habilidades da BNCC (EM13LGG701) Explorar tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), compreendendo seus princípios e funcionalidades, e utilizá-las de modo ético, criativo, responsável e adequado a práticas de linguagem em diferentes contextos. (EM13LGG702) Avaliar o impacto das TDIC na formação do sujeito e em suas práticas sociais, para fazer uso crítico dessa mídia em práticas de seleção, compreensão e produção de discursos em ambiente digital. (EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais. (EM13LGG704) Apropriar-se criticamente de processos de pesquisa e busca de informação, por meio de ferramentas e dos novos formatos de produção e distribuição do conhecimento na cultura de rede. 24

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ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE O COMPONENTE Língua Portuguesa No Ensino Médio, o componente curricular Língua Portuguesa tem como centro as práticas de linguagem que os estudantes vivenciam dentro e fora da escola. Em continuidade ao trabalho realizado no Ensino Fundamental, a BNCC organiza o componente em torno da leitura, da produção de textos, da oralidade e da análise linguística e semiótica, sempre situadas nos campos de atuação social. Isso significa que ler, escrever, falar, escutar e refletir sobre a língua não são tratados como habilidades isoladas, mas como dimensões de uma mesma atividade: a construção de sentidos em textos que circulam em situações reais, com finalidades, interlocutores e suportes diversos. Nessa etapa, amplia-se a complexidade dos gêneros, diversificam-se os campos de atuação e intensifica-se a reflexão crítica sobre os discursos, de modo a preparar os jovens para o prosseguimento dos estudos, para o mundo do trabalho e para a participação na vida pública. O objeto desse trabalho é a própria língua portuguesa, entendida como um patrimônio vivo, que varia conforme a região, o grupo social, a situação e o tempo histórico. A BNCC orienta que os estudantes conheçam e respeitem essa diversidade, compreendam a norma-padrão como uma das variedades em circulação, com funções e contextos próprios, e aprendam a escolher, em cada situação, os recursos mais adequados aos seus propósitos e aos seus interlocutores. Ao mesmo tempo, os textos com que os jovens convivem hoje combinam o verbal com imagens, sons, movimento e hipertexto, o que exige um ensino atento aos multiletramentos e às formas contemporâneas de produzir, compartilhar e avaliar informação. Nesse percurso, a língua deixa de ser apenas objeto de estudo e passa a ser reconhecida como instrumento de conhecimento, de expressão de identidades e de intervenção na realidade. Nesta coleção, o componente organiza-se em três frentes que se complementam: Estudo da Linguagem, Literatura e Produção de Textos. A divisão atende a uma necessidade de organização didática e não fragmenta o componente, pois as competências e as habilidades de Língua Portuguesa previstas na BNCC percorrem as três frentes. As orientações específicas de cada uma delas e o mapeamento das habilidades de cada volume oferecem ao professor subsídios para reconhecer essas articulações. Essa articulação pressupõe um trabalho progressivo ao longo dos volumes, em que conhecimentos e procedimentos já mobilizados pelos estudantes são retomados em situações de maior complexidade. À medida que avançam no Ensino Médio, espera-se que ampliem sua autonomia para selecionar estratégias de leitura, revisar os próprios textos, sustentar pontos de vista, analisar escolhas linguísticas e estabelecer relações entre produções de diferentes épocas, gêneros e campos de atuação. Assim, a progressão das aprendizagens não se limita à introdução de novos conteúdos, mas envolve o aprofundamento e a reorganização de conhecimentos construídos anteriormente. Nesse percurso, a análise linguística assume papel fundamental para que os estudantes compreendam os efeitos produzidos pelas escolhas realizadas nos textos. O estudo de aspectos gramaticais, semânticos, discursivos e estilísticos parte, sempre que possível, de usos efetivos da língua e retorna a eles, favorecendo a reflexão sobre como determinadas formas contribuem para construir sentidos. Mais do que reconhecer ou classificar estruturas, interessa

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observar seu funcionamento em diferentes contextos e perceber que as escolhas linguísticas estão relacionadas às intenções dos enunciadores, aos interlocutores e às condições em que os textos circulam. Também ganha relevância o desenvolvimento de uma postura investigativa diante da linguagem. Comparar versões de um texto, formular hipóteses de interpretação, consultar fontes, confrontar informações e justificar análises são procedimentos que contribuem para que o estudante deixe de ocupar apenas a posição de receptor. Esse movimento favorece a construção de critérios próprios para interpretar produções verbais e multissemióticas, avaliar sua confiabilidade e reconhecer os recursos empregados para informar, argumentar, sensibilizar ou persuadir. A avaliação acompanha esse processo de modo contínuo e deve oferecer elementos tanto para o professor quanto para os estudantes. Produções iniciais, registros de leitura, discussões coletivas, versões intermediárias de textos e atividades de revisão podem revelar diferentes momentos da aprendizagem e orientar intervenções posteriores. A devolutiva do professor, nesse sentido, não se restringe à indicação de acertos e inadequações: ela ajuda o estudante a compreender o que já consegue realizar, quais aspectos ainda precisam ser desenvolvidos e que estratégias pode mobilizar para avançar. Por fim, cabe ao professor estabelecer conexões entre as três frentes do componente e adequar os percursos às características de cada turma. Um texto literário pode motivar reflexões sobre recursos expressivos; uma situação de produção pode exigir a retomada de conhecimentos linguísticos; e, do mesmo modo, uma análise de discursos em circulação pode conduzir à leitura de diferentes gêneros e fontes. Ao favorecer essas aproximações, o trabalho pedagógico contribui para que os estudantes compreendam a Língua Portuguesa não como um conjunto de conteúdos independentes, mas como um campo integrado de práticas, conhecimentos e modos de participação social.

Estudo da Linguagem A frente Estudo da Linguagem é o espaço em que a língua se torna objeto explícito de observação e reflexão. Sua finalidade ultrapassa o domínio das normas e da nomenclatura gramatical: o que se busca é que os estudantes compreendam como os recursos da língua atuam na construção dos sentidos, reconheçam as escolhas feitas em cada texto e sejam capazes de fazer as suas próprias com consciência dos efeitos que produzem. Nessa perspectiva, os conhecimentos linguísticos deixam de ser um fim em si mesmos e passam a servir à leitura, à produção e à participação dos jovens nas diferentes situações de comunicação. A compreensão da frente Estudo da Linguagem como componente de Língua Portuguesa no Ensino Médio é bastante recente no Brasil: apenas na década de 1990, com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), procurando reconhecer a necessidade de atualização do currículo escolar diante dos desafios impostos pelo novo milênio, surgiu o entendimento de serem construídas e desenvolvidas habilidades básicas em detrimento do acúmulo de esquemas dos conteúdos escolares. Assim, a antiga diretriz que incluía apenas Língua Portuguesa e Gramática foi abolida, dando espaço a uma perspectiva mais ampla sobre o estudo e a aprendizagem da linguagem como um todo. No Ensino Médio, a formação em Língua Portuguesa busca aprofundar aprendizagens iniciadas nas etapas anteriores da Educação Básica, ampliando a complexidade dos textos, das análises e das produções realizadas pelos estudantes. A proposta curricular privilegia o contato com uma ampla variedade de gêneros discursivos, incluindo textos literários, jornalísticos, acadêmicos, científicos, publicitários, digitais e multimodais. Essa diversidade possibilita 26

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que os jovens desenvolvam competências para atuar em diferentes situações comunicativas e compreender os múltiplos usos da linguagem na sociedade contemporânea. A análise linguística e semiótica própria do trabalho com essa frente busca promover a reflexão sobre o funcionamento da língua e das diferentes formas de produção de sentidos. Em vez de um ensino centrado apenas na memorização de regras gramaticais, a BNCC propõe que os conhecimentos linguísticos sejam construídos com base na observação dos usos reais da linguagem. Assim, aspectos como variação linguística, adequação comunicativa, recursos argumentativos, organização textual e efeitos de sentido são estudados em estreita relação com as práticas de leitura e produção textual. Como aponta Irandé Antunes: O conjunto de regras que, como se viu, constitui a gramática da língua, existe, apenas, com a única finalidade de estabelecer os padrões de uso, de funcionamento dessa língua. Ou seja, se as línguas existem para serem faladas e escritas, as gramáticas existem para regular os usos adequados e funcionais da fala e da escrita das línguas. Assim, nenhuma regra gramatical tem importância por si mesma. Nenhuma regra gramatical tem garantida a sua validade incondicional. O valor de qualquer regra gramatical deriva da sua aplicabilidade, da sua funcionalidade na construção dos atos sociais da comunicação verbal, aqui e agora. Por isso, tais regras são flexíveis, são mutáveis, dependem de como as pessoas as consideram. Assim, essas regras vêm e vão. Alteram-se, cada vez que os falantes descobrem alguma razão, mesmo inconsciente, para isso. Ou seja, uma gramática de regras incondicionalmente rígidas foge à realidade com que a comunicação verbal ocorre e só é possível na descontextualização das frases isoladas e artificiais com que são fabricados os exercícios escolares. Só é possível se nós nos prendermos apenas ao que dizem certos manuais de gramática (por vezes, muito mais fiéis a conveniências de mercado) e não levarmos em conta o que, de fato, se diz e se escreve (os letrados, inclusive!) no dia a dia de nossa realidade. ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003. p. 89-91.

A frente de Estudo da Linguagem é fundamental no currículo escolar, uma vez que permite a compreensão e a decodificação do mundo, não devendo ser vista apenas como um mero instrumento de regras. Com base nessa motivação, pode-se elencar quatro aspectos menores que norteiam o ensino do componente Estudo da Linguagem, auxiliando a busca pelo objetivo total: 1. Linguística da língua portuguesa: neste item, são referenciados os recursos linguísticos stricto sensu, relacionados à fonologia, à morfologia, à sintaxe e ao léxico. 2. Textual: o foco é a configuração do texto, a análise e a compreensão do contexto em que ele se realiza, bem como a compreensão e o uso adequado dos gêneros discursivos. 3. Sociopragmática e análise discursiva: o ponto de partida aqui é a importância de observar os interlocutores, seus papéis sociais e motivações, bem como o contexto histórico-social em que se encontram. 4. Cognitivo-conceitual: neste item, privilegiam-se, especificamente, os elementos externos à sala de aula — o que acontece no mundo, as inter-relações, os objetos, os seres e os acontecimentos circundantes. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Dessa forma, além do ensino da língua portuguesa e o letramento, o Estudo da Linguagem tem como foco a própria linguagem humana com suas variações, especificidades de contexto, mudanças na língua, regionalismos e afins, além da compreensão por parte dos estudantes de como manusear a linguagem em diversos contextos. Essa perspectiva implica compreender que o estudo da língua deve partir de situações concretas de uso, nas quais escolhas lexicais, sintáticas, semânticas e discursivas produzem efeitos específicos. Ao observar como esses recursos se articulam em diferentes gêneros e contextos, os estudantes podem perceber, por exemplo, de que modo determinadas construções contribuem para organizar informações, estabelecer relações entre ideias, marcar posicionamentos ou adequar o discurso aos interlocutores e às finalidades de comunicação. Nesse percurso, a sistematização dos conhecimentos linguísticos continua sendo importante, mas ganha sentido quando vinculada à leitura, à produção e à revisão de textos. Conceitos e categorias gramaticais funcionam, assim, como instrumentos para descrever e interpretar fenômenos da língua, permitindo que os estudantes formulem hipóteses, comparem usos e tomem decisões mais conscientes em suas próprias produções. Dessa forma, o Estudo da Linguagem contribui para ampliar tanto a capacidade de análise quanto a autonomia no emprego dos recursos linguísticos em diferentes situações de interação.

Literatura A Literatura ocupa lugar privilegiado no currículo de Língua Portuguesa. A BNCC destaca a importância da experiência literária para a formação humana, reconhecendo que o contato com obras literárias amplia repertórios culturais, estimula a imaginação, desenvolve a sensibilidade estética e favorece a reflexão sobre questões sociais, históricas e existenciais. A leitura de diferentes autores, gêneros, estilos e movimentos literários permite que os estudantes conheçam diversas formas de representação do mundo e compreendam a Literatura como patrimônio cultural da humanidade. Nesse sentido, a formação literária não se restringe ao estudo histórico das escolas literárias ou à identificação de características estilísticas. O objetivo principal é promover experiências significativas de leitura, nas quais os estudantes possam interpretar, apreciar e dialogar com os textos literários, construindo relações entre as obras, suas vivências e os contextos sociais em que estão inseridos. A valorização da literatura brasileira, africana, afro-brasileira, indígena e de outras tradições culturais contribui para ampliar perspectivas e fortalecer o respeito à diversidade. Com a BNCC, atribui-se uma relevância maior à Literatura na Educação Básica, ainda que ela não seja um componente curricular específico. Buscando a formação de um leitor-fruidor, a Literatura está presente de modo amplo no campo de atuação artístico-literário, que é parte de todos os anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio: Em relação à literatura, a leitura do texto literário, que ocupa o centro do trabalho no Ensino Fundamental, deve permanecer nuclear também no Ensino Médio. Por força de certa simplificação didática, as biografias de autores, as características de épocas, os resumos e outros gêneros artísticos substitutivos, como o cinema e as HQs, têm relegado o texto literário a um plano secundário do ensino. Assim, é importante não só (re)colocá-lo como ponto de partida para o trabalho com a literatura, como intensificar seu convívio com os estudantes. Como linguagem artisticamente organizada, a literatura enriquece nossa percepção e nossa visão de mundo. Mediante arranjos especiais das palavras, ela cria um universo que nos permite aumentar nossa capacidade de ver e sentir. Nesse sentido, a literatura possibilita uma ampliação da nossa visão do mundo, ajuda-nos não só a ver mais, mas a colocar em questão muito do que estamos vendo e vivenciando. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. p. 503. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 8 out. 2026.

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O estudo da Literatura no Ensino Médio visa à emancipação do indivíduo, contribuindo para o desenvolvimento de sua capacidade crítica e estética, além de aumentar suas possibilidades de exercer papel de protagonista em sua vida e na sociedade. A Literatura propicia atingir esse objetivo maior por meio do desenvolvimento de conceitos e competências relacionados às ciências da linguagem, basilares para a formação da cidadania. Estimula também o desenvolvimento das seguintes competências indicadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs): 1. Representação e comunicação: dialogar com textos não verbais e digitais, trabalhando e ampliando as relações entre signos e símbolos, o que contribui para a distinção entre a denotação e a conotação e oferece repertório para que o cidadão consiga extrapolar o dado concreto de sua realidade. Esse processo contribui para o domínio das diversas gramáticas, desde a norma prestigiada socialmente até a de personagens pertencentes a esferas sociais, localidades e épocas às quais o leitor não tem acesso fora do mundo literário, na construção de modelos textuais que podem ser aproveitados por ele na produção de textos próprios. 2. Utilizar linguagens nos níveis interativo, gramatical e textual. 3. Ler e interpretar. 4. Colocar-se como protagonista na produção e recepção de textos. 5. Aplicar tecnologias da comunicação e informação em situações relevantes. a) Investigação e compreensão: estimular a capacidade de estabelecer correções — sejam semânticas, históricas ou gramaticais — entre textos, exercitando a capacidade de análise estimulada pelos diversos momentos de debate propostos pelo material e pela síntese oferecida e, por vezes, solicitada, a construção de identidade, seja ao nível de nação, de comunidade ou individual, e a capacidade de integrar outros saberes e aproximar pessoas, contribuindo para o discernimento entre informação e redundância e sabendo explorar a hipertextualidade, que é rica na Literatura e nas demais esferas da vida. i. Analisar e interpretar no contexto de interlocução. ii. Reconhecer recursos expressivos das linguagens. iii. Identificar manifestações culturais no eixo temporal, reconhecendo os momentos de tradição e de ruptura. iv. Emitir juízos críticos sobre as manifestações culturais. v. Identificar-se como usuário e interlocutor de linguagens que estruturam uma identidade cultural própria. vi. Analisar metalinguisticamente as diversas linguagens. b) Contextualização sociocultural: fazer o estudante refletir sobre o que é cultura e como ela o afeta em nível global e local, compreendendo que o fazer literário também é provido de projeto político, que se traduz na construção de um significado para o mundo. Ao discernir isso, o estudante estará apto a fruir tanto do prazer estético quanto da discussão ética, elementos que o ajudarão a moldar seu modelo de cidadania e a contribuir para a construção coletiva e dinâmica do mundo concreto e do imaginário coletivo. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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i. Usar as diferentes linguagens nos eixos da representação simbólica — expressão, comunicação e informação — nos três níveis de competências. ii. Analisar as linguagens como fontes de legitimação de acordos sociais. iii. Identificar a motivação social dos produtos culturais na sua perspectiva sincrônica e diacrônica. iv. Usufruir do patrimônio cultural nacional e internacional. v. Contextualizar e comparar esse patrimônio, respeitando as visões de mundo nele implícitas. vi. Entender, analisar criticamente e contextualizar a natureza, bem como o uso e o impacto das tecnologias de informação. Nesse sentido, o trabalho com a Literatura deve favorecer experiências de leitura que coloquem o estudante em contato com diferentes formas de elaboração estética da linguagem. A atenção à construção das vozes, às imagens, aos ritmos, às estruturas narrativas e aos modos de composição dos textos permite compreender que a obra literária não transmite apenas conteúdos, mas produz sentidos por meio de escolhas formais. O estudo desses recursos contribui para ampliar a percepção sobre o funcionamento da linguagem e para desenvolver uma leitura mais atenta às ambiguidades, aos silêncios e às múltiplas possibilidades de interpretação. A formação do leitor literário também envolve a capacidade de estabelecer relações entre obras, contextos e tradições culturais. Ao aproximar textos de épocas distintas, produções canônicas e contemporâneas, manifestações brasileiras e de outras culturas, o estudante pode identificar permanências, transformações, diálogos e rupturas. Essas relações não devem servir apenas para situar historicamente as obras, mas para compreender como diferentes sociedades representam conflitos, valores, identidades e modos de existir, reconhecendo a Literatura como espaço de elaboração e problematização da experiência humana. Para isso, é importante que as práticas de leitura combinem momentos de apreciação pessoal com situações de análise, discussão e compartilhamento de interpretações. Rodas de leitura, debates, registros de impressões, comparações entre textos, pesquisas e produções autorais podem criar oportunidades para que os estudantes formulem hipóteses, confrontem pontos de vista e sustentem suas interpretações com elementos das próprias obras. Dessa forma, a leitura literária deixa de estar centrada na busca de uma interpretação única e passa a envolver a construção argumentada de sentidos. Ao longo do Ensino Médio, espera-se ainda que os estudantes ampliem gradualmente sua autonomia como leitores, desenvolvendo critérios para selecionar obras, reconhecer interesses próprios e explorar novos repertórios. O contato frequente com diferentes gêneros, autores e tradições pode favorecer a constituição de percursos pessoais de leitura e fortalecer a participação em comunidades de leitores. Cabe à escola criar condições para essa aproximação contínua com a Literatura, garantindo espaço tanto para o aprofundamento analítico quanto para a fruição, a descoberta e a circulação de experiências de leitura.

Produção de Texto A produção textual assume papel de destaque no ensino de Língua Portuguesa. Os estudantes são estimulados a planejar, produzir, revisar e reescrever textos adequados a diferentes finalidades, interlocutores e contextos de circulação. Esse trabalho envolve tanto a escrita de textos argumentativos, expositivos, narrativos e descritivos quanto a produção de conteúdos digitais, multimodais e colaborativos. O desenvolvimento da autoria e da capacidade de expressão é compreendido como condição essencial para a participação cidadã e para a 30

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construção de projetos pessoais e profissionais. A BNCC, aprovada em 2018, consolidou a perspectiva enunciativo-discursiva no estudo da Língua Portuguesa. O ensino da frente de produção textual passou a abranger outros textos além dos modelos clássicos, trazendo para a sala de aula propostas de diferentes representações sociais e culturais, dentro de um movimento que partiu da gramática normativa exclusivamente focada em textos verbais para o enfoque interacional, sociocomunicativo e multissemiótico. Com isso, o eixo de Produção de Textos nas práticas de linguagem deve ser desenvolvido em determinado contexto, definido como campo de atuação social na BNCC: campo da vida pessoal, campo artístico-literário, campo das práticas de estudo e pesquisa, campo jornalístico-midiático e campo de atuação na vida pública. Existem temas transversais que podem ser trabalhados em todos esses campos, o que permite uma abordagem bastante flexível dos diversos gêneros textuais. Um exemplo de tema transversal é a cultura digital, em que se pode produzir uma playlist relacionada ao campo da vida pessoal/campo artístico-literário; um post publicitário relacionado ao campo jornalístico-midiático; ou uma petição on-line relacionada ao campo de atuação na vida pública. Em termos de objetivos, em Produção de Textos, é esperado que o estudante desenvolva a escrita de diferentes tipos de textos, levando em conta elementos como gênero discursivo, público-alvo, grau de formalidade, adequação temática, estrutura composicional e estilo, sem que esses elementos sejam entendidos como formas fixas, mas componentes dinâmicos que se ajustam ao uso social de cada texto. O projeto de escrita autoral é um dos propósitos do ensino de produção textual, sendo também um modo de fomentar a capacidade expressiva dos estudantes. Outro aspecto fundamental é o fortalecimento da oralidade. A BNCC reconhece que a comunicação oral é uma prática social complexa e indispensável para a vida em sociedade. Debates, seminários, apresentações, entrevistas, podcasts, rodas de conversa e outras práticas discursivas permitem que os estudantes desenvolvam competências relacionadas à escuta ativa, à argumentação, à negociação de sentidos e à participação democrática. O trabalho com a oralidade contribui para ampliar a confiança dos jovens em situações públicas de comunicação e fortalecer sua capacidade de dialogar respeitosamente com diferentes perspectivas. Outro desafio contemporâneo contemplado pela BNCC refere-se às culturas digitais. A intensa circulação de informações em ambientes virtuais exige que os estudantes desenvolvam competências relacionadas ao uso crítico e ético das tecnologias da informação e comunicação. O componente Língua Portuguesa, na frente de Produção de Textos, incorpora práticas de leitura e produção em plataformas digitais, redes sociais, blogs, podcasts, vídeos e outros formatos multimodais, favorecendo a compreensão das novas formas de interação e produção de conhecimento. Nesse contexto, torna-se fundamental o desenvolvimento da educação midiática, entendida como a capacidade de analisar criticamente informações, verificar a confiabilidade de fontes, identificar desinformação e compreender os impactos sociais da circulação de conteúdos digitais. A formação de cidadãos capazes de atuar de forma responsável nos ambientes virtuais representa uma das contribuições Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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mais relevantes do componente para os desafios do século XXI. Na frente de Produção de Textos, é importante que o estudante vivencie situações variadas de autoria, com diferentes finalidades, interlocutores, graus de formalidade e formas de circulação. As propostas podem envolver produções individuais ou colaborativas, textos mais breves ou projetos de maior duração, sempre de modo a ampliar o repertório de estratégias e a compreensão de que cada situação comunicativa exige escolhas específicas de linguagem, organização e suporte. A pesquisa também se integra de maneira crescente a esse trabalho. Para produzir textos informativos, expositivos ou argumentativos, os estudantes precisam aprender a localizar dados, selecionar fontes pertinentes, confrontar informações e incorporar diferentes vozes às próprias produções. Esse processo envolve ainda atenção à confiabilidade das fontes e às formas adequadas de citar, parafrasear e referenciar conteúdos, reforçando a responsabilidade envolvida na produção e na circulação de informações. Já a revisão deve ser entendida como parte constitutiva da produção textual, e não apenas como uma etapa final de correção. Ao reler, reorganizar, acrescentar, suprimir e reformular trechos, o estudante pode avaliar com mais clareza se o texto atende aos objetivos inicialmente definidos. A leitura entre pares, a autoavaliação e o uso de critérios previamente discutidos contribuem para que esse processo se torne cada vez mais consciente, favorecendo o desenvolvimento progressivo da autonomia na escrita.

Habilidades específicas de Língua Portuguesa Todos os campos de atuação social Habilidades da BNCC (EM13LP01) Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações. (EM13LP02) Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/ solução; definição/exemplos etc.). (EM13LP03) Analisar relações de intertextualidade e interdiscursividade que permitam a explicitação de relações dialógicas, a identificação de posicionamentos ou de perspectivas, a compreensão de paráfrases, paródias e estilizações, entre outras possibilidades. (EM13LP04) Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas. (EM13LP05) Analisar, em textos argumentativos, os posicionamentos assumidos, os movimentos argumentativos (sustentação, refutação/contra-argumentação e negociação) e os argumentos utilizados para sustentá-los, para avaliar sua força e eficácia, e posicionar-se criticamente diante da questão discutida e/ou dos argumentos utilizados, recorrendo aos mecanismos linguísticos necessários. (EM13LP06) Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua. 32

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(EM13LP07) Analisar, em textos de diferentes gêneros, marcas que expressam a posição do enunciador frente àquilo que é dito: uso de diferentes modalidades (epistêmica, deôntica e apreciativa) e de diferentes recursos gramaticais que operam como modalizadores (verbos modais, tempos e modos verbais, expressões modais, adjetivos, locuções ou orações adjetivas, advérbios, locuções ou orações adverbiais, entonação etc.), uso de estratégias de impessoalização (uso de terceira pessoa e de voz passiva etc.), com vistas ao incremento da compreensão e da criticidade e ao manejo adequado desses elementos nos textos produzidos, considerando os contextos de produção. (EM13LP08) Analisar elementos e aspectos da sintaxe do português, como a ordem dos constituintes da sentença (e os efeito que causam sua inversão), a estrutura dos sintagmas, as categorias sintáticas, os processos de coordenação e subordinação (e os efeitos de seus usos) e a sintaxe de concordância e de regência, de modo a potencializar os processos de compreensão e produção de textos e a possibilitar escolhas adequadas à situação comunicativa. (EM13LP09) Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais, de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-padrão na escola. (EM13LP10) Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (variações fonético-fonológica, lexical, sintática, semântica e estilístico-pragmática) e em suas diferentes dimensões (regional, histórica, social, situacional, ocupacional, etária etc.), de forma a ampliar a compreensão sobre a natureza viva e dinâmica da língua e sobre o fenômeno da constituição de variedades linguísticas de prestígio e estigmatizadas, e a fundamentar o respeito às variedades linguísticas e o combate a preconceitos linguísticos. (EM13LP11) Fazer curadoria de informação, tendo em vista diferentes propósitos e projetos discursivos. (EM13LP12) Selecionar informações, dados e argumentos em fontes confiáveis, impressas e digitais, e utilizá-los de forma referenciada, para que o texto a ser produzido tenha um nível de aprofundamento adequado (para além do senso comum) e contemple a sustentação das posições defendidas. (EM13LP13) Analisar, a partir de referências contextuais, estéticas e culturais, efeitos de sentido decorrentes de escolhas de elementos sonoros (volume, timbre, intensidade, pausas, ritmo, efeitos sonoros, sincronização etc.) e de suas relações com o verbal, levando-os em conta na produção de áudios, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de apreciação. (EM13LP14) Analisar, a partir de referências contextuais, estéticas e culturais, efeitos de sentido decorrentes de escolhas e composição das imagens (enquadramento, ângulo/vetor, foco/profundidade de campo, iluminação, cor, linhas, formas etc.) e de sua sequenciação (disposição e transição, movimentos de câmera, remix, entre outros), das performances (movimentos do corpo, gestos, ocupação do espaço cênico), dos elementos sonoros (entonação, trilha sonora, sampleamento etc.) e das relações desses elementos com o verbal, levando em conta esses efeitos nas produções de imagens e vídeos, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de apreciação. (EM13LP15) Planejar, produzir, revisar, editar, reescrever e avaliar textos escritos e multissemióticos, considerando sua adequação às condições de produção do texto, no que diz respeito ao lugar social a ser assumido e à imagem que se pretende passar a respeito de si mesmo, ao leitor pretendido, ao veículo e mídia em que o texto ou produção cultural vai circular, ao contexto imediato e sócio-histórico mais geral, ao gênero textual em questão e suas regularidades, à variedade linguística apropriada a esse contexto e ao uso do conhecimento dos aspectos notacionais (ortografia padrão, pontuação adequada, Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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mecanismos de concordância nominal e verbal, regência verbal etc.), sempre que o contexto o exigir. (EM13LP16) Produzir e analisar textos orais, considerando sua adequação aos contextos de produção, à forma composicional e ao estilo do gênero em questão, à clareza, à progressão temática e à variedade linguística empregada, como também aos elementos relacionados à fala (modulação de voz, entonação, ritmo, altura e intensidade, respiração etc.) e à cinestesia (postura corporal, movimentos e gestualidade significativa, expressão facial, contato de olho com plateia etc.). (EM13LP17) Elaborar roteiros para a produção de vídeos variados (vlog, videoclipe, videominuto, documentário etc.), apresentações teatrais, narrativas multimídia e transmídia, podcasts, playlists comentadas etc., para ampliar as possibilidades de produção de sentidos e engajar-se em práticas autorais e coletivas. (EM13LP18) Utilizar softwares de edição de textos, fotos, vídeos e áudio, além de ferramentas e ambientes colaborativos para criar textos e produções multissemióticas com finalidades diversas, explorando os recursos e efeitos disponíveis e apropriando-se de práticas colaborativas de escrita, de construção coletiva do conhecimento e de desenvolvimento de projetos

Campo da vida pessoal Habilidades da BNCC (EM13LP19) Apresentar-se por meio de textos multimodais diversos (perfis variados, gifs biográficos, biodata, currículo web, videocurrículo etc.) e de ferramentas digitais (ferramenta de gif, wiki, site etc.), para falar de si mesmo de formas variadas, considerando diferentes situações e objetivos. (EM13LP20) Compartilhar gostos, interesses, práticas culturais, temas/problemas/questões que despertam maior interesse ou preocupação, respeitando e valorizando diferenças, como forma de identificar afinidades e interesses comuns, como também de organizar e/ou participar de grupos, clubes, oficinas e afins. (EM13LP21) Produzir, de forma colaborativa, e socializar playlists comentadas de preferências culturais e de entretenimento, revistas culturais, fanzines, e-zines ou publicações afins que divulguem, comentem e avaliem músicas, games, séries, filmes, quadrinhos, livros, peças, exposições, espetáculos de dança etc., de forma a compartilhar gostos, identificar afinidades, fomentar comunidades etc. (EM13LP22) Construir e/ou atualizar, de forma colaborativa, registros dinâmicos (mapas, wiki etc.) de profissões e ocupações de seu interesse (áreas de atuação, dados sobre formação, fazeres, produções, depoimentos de profissionais etc.) que possibilitem vislumbrar trajetórias pessoais e profissionais.

Campo de atuação na vida pública Habilidades da BNCC (EM13LP23) Analisar criticamente o histórico e o discurso político de candidatos, propagandas políticas, políticas públicas, programas e propostas de governo, de forma a participar do debate político e tomar decisões conscientes e fundamentadas. (EM13LP24) Analisar formas não institucionalizadas de participação social, sobretudo as vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e formas de expressão típica das culturas juvenis que pretendam expor uma problemática ou promover uma reflexão/ação, posicionando-se em relação a essas produções e manifestações. (EM13LP25) Participar de reuniões na escola (conselho de escola e de classe, grêmio livre etc.), agremiações, coletivos ou movimentos, entre outros, em debates, assembleias, fóruns de discussão etc., exercitando a escuta atenta, respeitando seu turno e tempo de fala, posicionando-se de forma fundamentada, respeitosa e ética diante da apresentação de propostas e defesas de opiniões, usando estratégias linguísticas típicas de negociação e de apoio e/ou de consideração do discurso do outro (como solicitar esclarecimento, detalhamento, fazer referência direta ou retomar a fala do 34

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outro, parafraseando-a para endossá-la, enfatizá-la, complementá-la ou enfraquecê-la), considerando propostas alternativas e reformulando seu posicionamento, quando for caso, com vistas ao entendimento e ao bem comum. (EM13LP26) Relacionar textos e documentos legais e normativos de âmbito universal, nacional, local ou escolar que envolvam a definição de direitos e deveres – em especial, os voltados a adolescentes e jovens – aos seus contextos de produção, identificando ou inferindo possíveis motivações e finalidades, como forma de ampliar a compreensão desses direitos e deveres. (EM13LP27) Engajar-se na busca de solução para problemas que envolvam a coletividade, denunciando o desrespeito a direitos, organizando e/ou participando de discussões, campanhas e debates, produzindo textos reivindicatórios, normativos, entre outras possibilidades, como forma de fomentar os princípios democráticos e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade, pelo consumo consciente e pela consciência socioambiental.

Campo das práticas de estudo e pesquisa Habilidades da BNCC (EM13LP28) Organizar situações de estudo e utilizar procedimentos e estratégias de leitura adequados aos objetivos e à natureza do conhecimento em questão. (EM13LP29) Resumir e resenhar textos, por meio do uso de paráfrases, de marcas do discurso reportado e de citações, para uso em textos de divulgação de estudos e pesquisas. (EM13LP30) Realizar pesquisas de diferentes tipos (bibliográfica, de campo, experimento científico, levantamento de dados etc.), usando fontes abertas e confiáveis, registrando o processo e comunicando os resultados, tendo em vista os objetivos pretendidos e demais elementos do contexto de produção, como forma de compreender como o conhecimento científico é produzido e apropriar-se dos procedimentos e dos gêneros textuais envolvidos na realização de pesquisas. (EM13LP31) Compreender criticamente textos de divulgação científica orais, escritos e multissemióticos de diferentes áreas do conhecimento, identificando sua organização tópica e a hierarquização das informações, identificando e descartando fontes não confiáveis e problematizando enfoques tendenciosos ou superficiais. (EM13LP32) Selecionar informações e dados necessários para uma dada pesquisa (sem excedê-los) em diferentes fontes (orais, impressas, digitais etc.) e comparar autonomamente esses conteúdos, levando em conta seus contextos de produção, referências e índices de confiabilidade, e percebendo coincidências, complementaridades, contradições, erros ou imprecisões conceituais e de dados, de forma a compreender e posicionar-se criticamente sobre esses conteúdos e estabelecer recortes precisos. (EM13LP33) Selecionar, elaborar e utilizar instrumentos de coleta de dados e informações (questionários, enquetes, mapeamentos, opinários) e de tratamento e análise dos conteúdos obtidos, que atendam adequadamente a diferentes objetivos de pesquisa. (EM13LP34) Produzir textos para a divulgação do conhecimento e de resultados de levantamentos e pesquisas – texto monográfico, ensaio, artigo de divulgação científica, verbete de enciclopédia (colaborativa ou não), infográfico (estático ou animado), relato de experimento, relatório, relatório multimidiático de campo, reportagem científica, podcast ou vlog científico, apresentações orais, seminários, comunicações em mesas redondas, mapas dinâmicos etc. –, considerando o contexto de produção e utilizando os conhecimentos sobre os gêneros de divulgação científica, de forma a engajar-se em processos significativos de socialização e divulgação do conhecimento. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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(EM13LP35) Utilizar adequadamente ferramentas de apoio a apresentações orais, escolhendo e usando tipos e tamanhos de fontes que permitam boa visualização, topicalizando e/ou organizando o conteúdo em itens, inserindo de forma adequada imagens, gráficos, tabelas, formas e elementos gráficos, dimensionando a quantidade de texto e imagem por slide e usando, de forma harmônica, recursos (efeitos de transição, slides mestres, layouts personalizados, gravação de áudios em slides etc.).

Campo jornalístico-midiático Habilidades da BNCC (EM13LP36) Analisar os interesses que movem o campo jornalístico, os impactos das novas tecnologias digitais de informação e comunicação e da Web 2.0 no campo e as condições que fazem da informação uma mercadoria e da checagem de informação uma prática (e um serviço) essencial, adotando atitude analítica e crítica diante dos textos jornalísticos. (EM13LP37) Conhecer e analisar diferentes projetos editoriais – institucionais, privados, públicos, financiados, independentes etc. –, de forma a ampliar o repertório de escolhas possíveis de fontes de informação e opinião, reconhecendo o papel da mídia plural para a consolidação da democracia. (EM13LP38) Analisar os diferentes graus de parcialidade/imparcialidade (no limite, a não neutralidade) em textos noticiosos, comparando relatos de diferentes fontes e analisando o recorte feito de fatos/dados e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas realizadas pelo autor do texto, de forma a manter uma atitude crítica diante dos textos jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas feitas como produtor. (EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos publicadas (verificar/ avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news). (EM13LP40) Analisar o fenômeno da pós-verdade – discutindo as condições e os mecanismos de disseminação de fake news e também exemplos, causas e consequências desse fenômeno e da prevalência de crenças e opiniões sobre fatos –, de forma a adotar atitude crítica em relação ao fenômeno e desenvolver uma postura flexível que permita rever crenças e opiniões quando fatos apurados as contradisserem. (EM13LP41) Analisar os processos humanos e automáticos de curadoria que operam nas redes sociais e outros domínios da internet, comparando os feeds de diferentes páginas de redes sociais e discutindo os efeitos desses modelos de curadoria, de forma a ampliar as possibilidades de trato com o diferente e minimizar o efeito bolha e a manipulação de terceiros. (EM13LP42) Acompanhar, analisar e discutir a cobertura da mídia diante de acontecimentos e questões de relevância social, local e global, comparando diferentes enfoques e perspectivas, por meio do uso de ferramentas de curadoria (como agregadores de conteúdo) e da consulta a serviços e fontes de checagem e curadoria de informação, de forma a aprofundar o entendimento sobre um determinado fato ou questão, identificar o enfoque preponderante da mídia e manter-se implicado, de forma crítica, com os fatos e as questões que afetam a coletividade. (EM13LP43) Atuar de forma fundamentada, ética e crítica na produção e no compartilhamento de comentários, textos noticiosos e de opinião, memes, gifs, remixes variados etc. em redes sociais ou outros ambientes digitais. (EM13LP44) Analisar formas contemporâneas de publicidade em contexto digital (advergame, anúncios em vídeos, social advertising, unboxing, narrativa mercadológica, entre outras), e peças de campanhas publicitárias e políticas (cartazes, folhetos, anúncios, propagandas em diferentes mídias, spots, jingles etc.), identificando valores e representações de situações, grupos e configurações sociais veiculadas, desconstruindo estereótipos, destacando estratégias de engajamento e viralização e explicando os mecanismos de persuasão utilizados e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas feitas em termos de elementos e recursos linguístico-discursivos, imagéticos, sonoros, gestuais e espaciais, entre outros. 36

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(EM13LP45) Analisar, discutir, produzir e socializar, tendo em vista temas e acontecimentos de interesse local ou global, notícias, fotodenúncias, fotorreportagens, reportagens multimidiáticas, documentários, infográficos, podcasts noticiosos, artigos de opinião, críticas da mídia, vlogs de opinião, textos de apresentação e apreciação de produções culturais (resenhas, ensaios etc.) e outros gêneros próprios das formas de expressão das culturas juvenis (vlogs e podcasts culturais, gameplay etc.), em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter, analista, crítico, editorialista ou articulista, leitor, vlogueiro e booktuber, entre outros.

Campo artístico-literário Habilidades da BNCC (EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica. (EM13LP47) Participar de eventos (saraus, competições orais, audições, mostras, festivais, feiras culturais e literárias, rodas e clubes de leitura, cooperativas culturais, jograis, repentes, slams etc.), inclusive para socializar obras da própria autoria (poemas, contos e suas variedades, roteiros e microrroteiros, videominutos, playlists comentadas de música etc.) e/ ou interpretar obras de outros, inserindo-se nas diferentes práticas culturais de seu tempo. (EM13LP48) Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos. (EM13LP49) Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura. (EM13LP50) Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam. (EM13LP51) Selecionar obras do repertório artístico-literário contemporâneo à disposição segundo suas predileções, de modo a constituir um acervo pessoal e dele se apropriar para se inserir e intervir com autonomia e criticidade no meio cultural. (EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente. (EM13LP53) Produzir apresentações e comentários apreciativos e críticos sobre livros, filmes, discos, canções, espetáculos de teatro e dança, exposições etc. (resenhas, vlogs e podcasts literários e artísticos, playlists comentadas, fanzines, e-zines etc.). (EM13LP54) Criar obras autorais, em diferentes gêneros e mídias – mediante seleção e apropriação de recursos textuais e expressivos do repertório artístico –, e/ou produções derivadas (paródias, estilizações, fanfics, fanclipes etc.), como forma de dialogar crítica e/ou subjetivamente com o texto literário. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Mapeamento das habilidades trabalhadas no Volume Volume 1 – Estudo da Linguagem - 1ª- série Capítulos

Habilidades da BNCC

Habilidades da BNCC Computação

EM13LGG101 EM13LGG104 EM13LP01 EM13LP06

EM13CO14

Diversidades que compõem a língua

EM13LGG104 EM13LGG402 EM13LP10

EM13CO12 EM13CO13

Comunicação carregada de sentidos

EM13LGG101 EM13LGG104 EM13LGG302 EM13LP01

EM13CO23 EM13CO24

Nossa língua portuguesa

EM13LGG101 EM13LGG104 EM13LGG201 EM13LGG302 EM13LGG401 EM13LP09

EM13CO12 EM13CO13

Capítulo 4

Capítulo 3

Capítulo 2

Capítulo 1

Linguagem no processo de comunicação

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Volume 1 – Literatura – 1ª- série Capítulos

Habilidades da BNCC

Habilidades da BNCC Computação

EM13LP46 EM13LP49 EM13LP50

EM13CO01 EM12CO03

Literatura: vozes do passado e do presente

EM13LGG602 EM13LP24 EM13LP47 EM13LP49 EM13LP50

EM13CO12 EM13CO15 EM13CO18

Literatura indígena: tradição e contemporaneidade

EM13LGG401 EM13LP46 EM13LP49 EM13LP50 EM13LP52

EM13CO14 EM13CO23

Nossa língua portuguesa

EM13LGG201 EM13LGG401 EM13LP46 EM13LP50 EM13LP52

EM13CO14 EM13CO23

Capítulo 4

Capítulo 3

Capítulo 2

Capítulo 1

Introdução à Literatura

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Volume 1 – Produção de texto – 1ª- série Habilidades da BNCC Computação

Habilidades da BNCC

Comunicação e textualidade

EM13LP01 EM13LP03 EM13LP15 EM13LP16

EM13CO23

A fala e o poder de comunicação

EM13LP01 EM13LP03 EM13LP15 EM13LP17

EM13CO02

Os elementos da narrativa e as vozes do discurso

EM13LGG303 EM13LP15 EM13LP16 EM13LP17 EM13LP49

O conto

EM13LP15 EM13LP16 EM13LP17 EM13LP21 EM13LP49

Capítulo 4

Capítulo 3

Capítulo 2

Capítulo 1

Capítulos

EM13CO17 EM13CO22 EM13CO20

Volume 1 – Língua Portuguesa – 1ª- série

Capítulo Extra

Capítulos Língua Portuguesa (Estudo da Linguagem, Literatura e Produção de Texto)

Habilidades da BNCC EM13LGG303 EM13LP01 EM13LP03 EM13LP15 EM13LP16 EM13LP17 EM13LP21 EM13LP49

Habilidades da BNCC Computação ―

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ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS SOBRE OS CAPÍTULOS Capítulo 1 — Linguagem no processo de comunicação Número de aulas sugerido: 6 aulas

Objetivos do capítulo: • Introduzir o Estudo da Linguagem com ênfase na comunicação. • Definir o que é comunicação e os elementos que a compõem. • Descrever as seis funções principais da linguagem. • Estabelecer a diferença entre linguagem, signo linguístico e língua. • Discriminar, no signo linguístico, o significado do significante. • Explicar a arbitrariedade do signo linguístico. • Destacar a língua como exclusiva do ser humano. • Diferenciar a linguagem verbal da não verbal. • Descrever a linguagem verbal e não verbal (linguagem mista).

Planejamento de aulas do capítulo Habilidades Sesc

SESCEM13LGG101.LP.H1 SESCEM13LGG104.LP.H1 SESCEM13LP01.LP.H1 SESCEM13LP06.LP.H1 SESCEM13LP06.LP.H2

Aula

Descrição

1

• Abertura • Pressupostos da comunicação • Boxe Desenvolvendo Habilidades • Pratique 1 • Aprofunde 1

2

• Linguagem, signo linguístico e língua • Pratique 2 • Aprofunde 2

3

• Linguagem verbal e não verbal • Pratique 3 • Aprofunde 3

4

• Elementos da comunicação • Pratique 4 • Aprofunde 4

5

• Funções da linguagem: poética, emotiva (ou expressiva) e apelativa (ou conativa) • Pratique 5 • Aprofunde 5

6

• Funções da linguagem: fática, referencial (ou denotativa) e metalinguística • Boxe Tome Nota • Pratique 6 • Aprofunde 6

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Orientações para o capítulo Este capítulo tem como objetivo apresentar a comunicação e seus elementos, as seis funções da linguagem, a diferença entre linguagem, língua e signo linguístico (com significado, significante e arbitrariedade), a língua como exclusiva do ser humano e a distinção entre linguagem verbal, não verbal e mista. Os conteúdos são abordados aproximando os conceitos do cotidiano por meio de exemplos, como emojis, anúncios, charges, tirinhas e músicas, além de exercícios do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de vestibulares e propostas de discussão em dupla que incentivem a prática ativa dos conteúdos. As competências indicadas na abertura podem ser trabalhadas de modo articulado às atividades. A competência socioemocional Autoconsciência é favorecida quando os estudantes reconhecem as linguagens que usam no cotidiano e os efeitos que elas produzem nos interlocutores, como nas questões da abertura e no boxe Desenvolvendo habilidades. As competências da matriz Empreendedora do Sesc Tomada de decisão e Explorar ideias aparecem nas propostas em que a turma escolhe recursos verbais e não verbais para transmitir uma mensagem (como na dinâmica entre grupos sugerida para a Aula 1) e levanta hipóteses de leitura para charges, tiras e anúncios antes de confirmar a resposta. Abertura A abertura do capítulo introduz a imagem de jovens utilizando smartphones para contextualizar a comunicação como prática cotidiana e atual. Retome essa imagem e promova uma conversa em grupo ou dupla com base nas questões propostas, incentivando os estudantes a relacionar suas próprias experiências com aplicativos, emojis e redes sociais aos conceitos que serão estudados no capítulo. Aproveite o momento para introduzir, intuitivamente, a ideia de que a linguagem só cumpre sua função comunicativa quando compreendida pelos interlocutores. Essa noção será formalizada mais adiante, ao tratar da arbitrariedade do signo e do papel do código compartilhado. Valorize as diferentes respostas e vivências trazidas pela turma antes de avançar para a sistematização teórica. Atividade a) Os estudantes podem comentar que utilizamos a linguagem verbal (oral e escrita), e as linguagens não verbais, como ícones estáticos ou animados, emoticons, fotografias e sons variados. Atividade b) Espera-se que os estudantes percebam que, quando o código é desconhecido pelos interlocutores, a comunicação não se efetiva. No contexto do telefone celular, o desconhecimento da linguagem icônica impediria o usuário de compreender os comandos da tela e de interagir com outras pessoas, impossibilitando, assim, a comunicação. Atividade c) As múltiplas linguagens exercem função interativa e comunicativa, pois a linguagem se constitui no diálogo. Caso considere pertinente, aproveite para comentar que as linguagens permitem ao ser humano construir, estabelecer, manter e modificar suas relações com o mundo, possibilitando o compartilhamento e a comunicação de ideologias e valores. No tópico Pressupostos da comunicação, a comunicação é abordada como uma prática constante e estruturante da vida em sociedade, e não como uma invenção recente. Para desenvolver o conteúdo, são introduzidos termos como “destinador” e “destinatário”, além de expressões como “signos verbais” e “não verbais” e “canais de comunicação”. Alguns desses termos aparecem em negrito no texto. Destacá-los na lousa ajuda a pontuar aquilo que é pressuposto e/ou elementar. Para favorecer a compreensão dessas informações, sugere-se 42

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pedir aos estudantes que realizem uma atividade em que se dividam em grupos e troquem mensagens entre si, utilizando signos verbais e não verbais. Por exemplo, o grupo A deve elaborar uma mensagem para o grupo B apenas com o uso de desenhos e sinais. O grupo B, por sua vez, após decodificar a mensagem, deve transmiti-la por escrito ao grupo C. Só então o conteúdo é revelado à turma. A transmissão oral constitui a última etapa da comunicação.

Desenvolvendo habilidades O boxe Desenvolvendo habilidades propõe a leitura de um anúncio em que a imagem de Vincent van Gogh fazendo uma selfie dialoga com o slogan em inglês. Antes das questões, organize a turma em duplas para uma rodada de pensar-conversar-compartilhar: cada estudante observa o anúncio em silêncio, conversa com o colega sobre o que a imagem e o texto dizem separadamente e, depois, as duplas socializam suas leituras. Na questão 1, espera-se que os estudantes percebam que os signos verbais e não verbais se complementam: o contraste entre o pintor (antigo) e a câmera (contemporânea) só se resolve pelo texto verbal, que revela a intenção de exaltar a qualidade do produto. Na questão 2, conduza a reflexão para a ideia de que reconhecer os recursos do anúncio permite escolhas de consumo mais conscientes. A rubrica a seguir orienta a avaliação. CRITÉRIOS

BOM

REGULAR

INSUFICIENTE

Articulação temática

Identifica com clareza os elementos verbais e não verbais do anúncio e relaciona sua articulação à construção do sentido publicitário, demonstrando compreensão da linguagem como sistema de signos que se complementam.

Menciona elementos verbais e não verbais do anúncio, mas a relação entre eles é superficial, pouco desenvolvida ou apresentada de modo fragmentado.

A produção descreve a imagem ou o texto do anúncio isoladamente, sem estabelecer relação entre os dois.

Relaciona os signos verbais e não verbais do anúncio à intenção comunicativa e ao objetivo publicitário, evidenciando reflexão crítica sobre o discurso.

Cita a intenção do anúncio de modo genérico, sem aprofundar a análise ou conectá-la aos signos verbais e não verbais identificados.

Não aborda a intenção comunicativa do anúncio, ou o faz de maneira incorreta, descontextualizada ou dissociada do restante da reflexão.

Utiliza a imagem e o slogan apresentados como base de argumentação, com interpreUso de dados tação própria, vocabulário e organização adequado e organização clara e coerente das ideias.

Faz referência à imagem e ao slogan, mas com interpretação limitada, repetição de informações sem elaboração própria ou organização pouco clara das ideias.

Não utiliza a imagem e o slogan fornecidos, descreve o anúncio sem interpretação própria, apresenta reprodução direta de informações ou tem organização confusa/incompleta.

Análise crítica

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Para que o estudante se aprofunde na diferença entre linguagem verbal e não verbal, que começou a ser abordada na atividade proposta no boxe Desenvolvendo habilidades, recomenda-se a leitura atenta dos exemplos de autorretrato presentes no texto. Outros exemplos podem ser trazidos pelos estudantes durante a aula, permitindo-lhes que trabalhem a parte teórica de acordo com a experiência pessoal. Com isso, a aula se dirige para o valor simbólico do signo linguístico. Ao colocar em pauta suas experiências, os estudantes podem observar melhor que, se não houver o entendimento dos valores envolvidos na comunicação, o sentido da linguagem se perde ou se anula, impedindo que a comunicação se complete. Pratique – Aula 1 1) Alternativa E. Antes de discutir as alternativas, peça aos estudantes que descrevam a cena: o cartaz de inclusão digital, o solo rachado e os moradores. A crítica nasce do contraste entre a iniciativa anunciada e a necessidade mais urgente da população, a água. As alternativas A, C e D tratam de computadores e políticas de acesso, mas não capturam esse contraste, e a alternativa B inverte o sentido crítico do texto. 2) Alternativa B. Ajude a turma a identificar o que a imagem retoma (a representação clássica da evolução humana) e o que ela modifica (o último homem, curvado e com uma garrafa na mão). O título em inglês confirma a ideia de regressão. A alternativa A é ampla demais: a charge não denuncia um retrocesso genérico, mas o associa a um comportamento específico. No tópico Linguagem, signo linguístico e língua, o assunto abordado é a distinção entre significado e significante, dois aspectos complementares do signo linguístico e da relação arbitrária que os une, segundo a teoria de Ferdinand de Saussure. Antes de esclarecer o que é significado e o que é significante, o debate pode ser iniciado por uma atividade na qual os estudantes argumentem se o signo linguístico é ou não motivado. A relação entre a marca acústica e o conceito não é sempre um dado objetivo; portanto, sugere-se que a aula seja dedicada a mostrar diversos exemplos de significante e significado, como ocorre no texto entre a imagem “flor” e a palavra “flor” em outros idiomas, para que os estudantes compreendam que, embora o signo linguístico seja arbitrário, sua compreensão não depende necessariamente do contexto, que pode, no entanto, influenciar a interpretação de seu sentido. Na sequência, ao trabalhar a tirinha da metamorfose, explique aos estudantes que a formulação e a compreensão de um significante e de um significado dependem do contexto e das experiências dos interlocutores envolvidos no ato comunicativo. Aproveite para discutir como o humor da tira se constrói com base na quebra de uma expectativa: o processo de metamorfose já conhecido (ovo, lagarta, casulo, borboleta) é subvertido pela etapa inesperada da transformação em elefante, o que só é percebido como cômico porque o leitor compartilha o código prévio sobre como funciona esse processo biológico. Por fim, ao apresentar a definição de língua como um código verbal compartilhado por um grupo social e as características que a tornam exclusiva do ser humano, estimule os estudantes a pensar a língua de maneira mais ampla, considerando o fato de que ela marca a diferença entre o homem e o animal. Recomendamos que a aula trate da aquisição da língua pelo ser humano, para que a dimensão social do processo fique clara. Pratique – Aula 2 1) A pesquisa em dicionários pode ser feita em sala, com dicionários impressos ou on-line. Peça a cada estudante que anote a definição encontrada e a reescreva com as próprias palavras, comparando depois as versões em duplas. O importante é que a resposta relacione “ser arbitrário” a algo que não decorre de uma regra ou de uma razão lógica, mas de uma convenção estabelecida historicamente e compartilhada pelos falantes, o que prepara a compreensão da arbitrariedade do signo. 44

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2) Ressalte com a turma que a estranheza causada nos demais colegas de Emília está relacionada à possibilidade de “batizarmos” um animal de estimação, levando em conta alguma de suas características físicas, como um cãozinho chamado Veludo. Nesse caso, não significa que o signo não seja arbitrário porque o cão não se transformou em veludo, mas houve uma relação comparativa entre o tecido que recebe esse nome (designação arbitrária) e o animal. A palavra “quindim”, que designa um tipo de doce, também é imotivada. 3) Alternativa A. Oriente a turma a observar o cartum em duas camadas: a palavra “solidão”, com cada letra em um balão, e as pessoas desenhadas, que não se olham nem se tocam. A separação das letras repete visualmente o que a palavra significa, e é essa correspondência entre forma e sentido que a questão pede. As alternativas B, C e D propõem ideias que não têm apoio nos elementos visuais do cartum. No tópico Linguagem verbal e não verbal, retome com os estudantes a diferença entre linguagem verbal e não verbal relembrando o exemplo da pintura rupestre apresentado no início do capítulo. Essa abordagem permite encerrar um ciclo com o conteúdo já estudado, mostrando que a linguagem não verbal acompanha a humanidade desde suas origens e continua presente em formas diversas até hoje, como placas de trânsito e semáforos, que dispensam totalmente a linguagem verbal. Ao trabalhar a fotografia da cidade de Huế após a batalha de 1968, durante a Guerra do Vietnã, contextualize brevemente o conflito e destaque como uma única imagem pode ter impacto e força persuasiva maiores do que um discurso verbal: os escombros, a multidão e a desorganização do espaço registram, sem nenhuma palavra, a dimensão dos efeitos da guerra sobre a cidade e seus habitantes. Em seguida, apresente uma imagem ou um vídeo de um acontecimento recente e facilmente reconhecido pela turma, como as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, o terremoto na Turquia e na Síria, em 2023, os ataques de 11 de setembro de 2001, a Primavera Árabe, a crise dos refugiados da guerra na Síria ou a pandemia de covid-19, e pergunte aos estudantes que outras fotografias eles conhecem que tenham marcado ou influenciado acontecimentos históricos ou sociais, aproximando o conteúdo da realidade deles. Na sequência, ao propor a análise das capas de jornal (Folha de S.Paulo e O Globo), organize os estudantes em duplas para que troquem impressões sobre como cada veículo articula texto e imagem de maneiras distintas, mesmo tratando do mesmo tema: a pandemia de covid-19. Se possível, promova uma roda de conversa com a turma, destacando como as linguagens verbal e não verbal contribuem para a construção de sentidos e para a compreensão da realidade, e como escolhas editoriais, como usar mais imagem ou mais texto, refletem intenções comunicativas específicas de cada jornal. Por fim, é possível ir além e estabelecer uma relação entre o signo verbal e não verbal com a criação literária. Recomenda-se o uso de poemas concretos para a discussão das possibilidades de articulação do signo verbal e não verbal na criação literária. Tanto os poemas concretos quanto os poemas semióticos são exemplos do cruzamento das duas linguagens. Nos semióticos, a imagem predomina na estrutura e se articula com a língua por meio de uma chave léxica que auxilia na decodificação da mensagem, ainda que essa mensagem deva ser trabalhada pelo estudante para que se torne clara. Como exemplos de poetas concretistas, sugere-se abordar nomes conhecidos, como os irmãos Campos e/ou Paulo Leminski. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Pratique – Aula 3 1) Questão discursiva. Sugere-se corrigi-la por consultoria entre pares: cada estudante lê a resposta de um colega e verifica se ela articula a leitura da imagem (a árvore e as raízes profundas como sinal de tempo acumulado) e a do texto (as raízes como passado e única esperança de futuro) na conclusão de que preservar as raízes, da natureza e das pessoas, é condição para a continuidade. Respostas que descrevem só a imagem ou só o texto devem ser complementadas. 2) Alternativa A. A afirmação I é verdadeira: a construção “Seu médico que proibiu a carne?” pressupõe que o interlocutor já sabe da proibição e pergunta apenas por seu autor. A afirmação II é falsa, porque o humor e a crítica social da charge nascem da resposta da segunda personagem, que atribui a proibição ao gerente financeiro, e não da apresentação icônica das personagens. Peça aos estudantes que expliquem, com as próprias palavras, por que o verbal, e não o visual, é o responsável pelo efeito de sentido nesse caso. No tópico Elementos da comunicação, contextualize brevemente quem foi Roman Jakobson, linguista russo do século XX que, com base em pesquisas de outros estudiosos da época, sistematizou uma teoria da comunicação que permanece como referência até hoje. Ao apresentar o esquema com os seis elementos da comunicação (emissor, receptor, mensagem, canal, código e contexto), sugere-se explorá-lo de forma dinâmica. Peça aos estudantes que pensem em um exemplo cotidiano de comunicação (uma ligação telefônica, uma mensagem de texto, uma conversa em sala de aula) e, junto à turma, identifiquem cada um dos seis elementos nesse exemplo. Essa atividade ajuda a fixar os conceitos de maneira concreta antes de avançar para a análise mais abstrata do esquema. Reforce também que a interpretação de uma mensagem pelo receptor não depende apenas do código utilizado, mas também do canal, do contexto em que a comunicação ocorre e do conhecimento prévio que o receptor tem sobre o contexto de produção da mensagem. Por fim, conte à turma que o esquema de Jakobson será a base para o estudo das funções da linguagem, apresentadas na aula seguinte. Essa antecipação ajuda a criar uma expectativa e a situar os estudantes na progressão lógica do capítulo, pois cada função da linguagem se relaciona diretamente a um dos elementos estudados. Pratique – Aula 4 1) Alternativa B. A situação descrita permite retomar o esquema de Jakobson de modo prático: o canal (o jornal) funcionou e a mensagem foi bem formulada, mas o receptor não domina mais o código em uso, pois ficou 50 anos afastado da língua tal como ela é falada hoje no Brasil. Aproveite para relacionar o caso à variação histórica da língua, que será estudada no Capítulo 2. As questões 2, 3 e 4 mobilizam as funções da linguagem, apresentadas nas Aulas 5 e 6. Uma possibilidade é propô-las agora como diagnóstico, por inferência, e retomá-las ao final do capítulo. Na questão 2 (alternativa D), a crônica de Carlos Heitor Cony é centrada no enunciador, com marcas de 1ª- pessoa e de avaliação (“abominável”, “piorei de estojo e de vida”). Na questão 3 (alternativa E), o texto de Ruy Castro critica os clichês ao empregá-los deliberadamente, o que gera humor. Na questão 4 (alternativa E), a única alternativa que descreve uma atitude de verificação por parte do leitor é a última. 5) Espera-se que os estudantes retomem a ideia de código compartilhado: sem ele, a mensagem chega ao receptor, mas não é decodificada. No tópico Funções da linguagem, retome com os estudantes o esquema de Jakobson trabalhado na aula anterior, reforçando que cada função se relaciona a um dos seis elementos da comunicação (emissor, receptor, mensagem, canal, código e contexto) e que, embora um texto 46

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possa apresentar mais de uma função simultaneamente, geralmente há o predomínio de uma delas. Ao trabalhar a função poética, se possível, coloque o áudio da canção “Vatapá”, de Dorival Caymmi, para os estudantes escutarem em sala, de modo que o ritmo e a sonoridade fiquem mais evidentes. Em seguida, ao propor a comparação entre a letra da canção e a receita tradicional de vatapá, utilize esse contraste para mostrar aos estudantes que, no texto em que predomina a função poética, o autor preocupa-se primordialmente com a estética, enquanto na receita o objetivo é a instrução, com comunicação voltada a um propósito prático e definido. Esse exercício comparativo ajuda a fixar a ideia de que a mesma temática, o vatapá, pode ser tratada de maneiras diferentes, dependendo da função da linguagem predominante. Ao apresentar a função emotiva, com o poema de Florbela Espanca, destaque o uso da 1ª- pessoa e explicite o encontro do eu lírico consigo mesmo. Aproveite para informar aos estudantes que, nesse caso, identifica-se a função emotiva e a função poética, já estudada. Reforce que a coexistência de funções em um mesmo texto é algo recorrente, e não uma exceção. Por fim, ao trabalhar a função apelativa por meio das campanhas publicitárias, discuta com os estudantes a importância das campanhas de conscientização e de mobilização social produzidas por órgãos governamentais. Ressalte que, em muitos casos, a ação isolada do governo não é suficiente para resolver um problema social, e que, quanto mais consciente e envolvida a população estiver, maiores são as chances de resolução do problema. Para aproximar a discussão da realidade dos estudantes, peça-lhes que pesquisem, em casa, campanhas recentes que ainda estejam em veiculação. Oriente-os a transcrever, no caderno, os usos do imperativo e do vocativo identificados nesses discursos e a apresentar a tarefa na aula seguinte. Pratique – Aula 5 1) Alternativa C. A letra é dominada pela função poética (ritmo, rimas em “-im”, enumerações), mas o verso “A cidade não mora mais em mim” concentra a função emotiva, pois expressa o sentimento de quem fala. Compare-o com “Ó Manuel, Miguilim” (alternativa E), em que o vocativo aponta para o interlocutor, caracterizando a função apelativa. Ainda no tópico Funções da linguagem, mas agora com foco nas funções fática, referencial e metalinguística, comece a aula explorando com os estudantes situações cotidianas em que a função fática se manifesta, como conversas ao telefone, trocas de mensagens rápidas em aplicativos ou até mesmo um simples “oi, tudo bem?” ao encontrar alguém no corredor. Sugere-se perguntar à turma quais expressões eles costumam usar para verificar se o interlocutor ainda está atento à conversa, como “né?”, “entendeu?” e “tá?”, aproximando o conceito da linguagem utilizada pelos estudantes no cotidiano. Ao apresentar a canção “Sinal fechado”, de Paulinho da Viola, contextualize o momento histórico de sua composição (1970) e destaque como a letra retrata um diálogo superficial entre conhecidos, sem troca de informação relevante, mas voltado à manutenção do contato social. Aproveite para explorar a curiosidade histórica sobre o álbum homônimo de Chico Buarque. Explique que, após sofrer forte censura da ditadura militar, o compositor lançou um disco em que aparecia apenas como intérprete, assinando sua própria composição com o pseudônimo Julinho da Adelaide. Esse contexto permite discutir com os estudantes a dupla leitura do título “Sinal fechado”: como metáfora da censura da época e, ao mesmo tempo, como reflexo do desejo do artista de manter o diálogo Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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com seu público, mesmo diante das restrições impostas. Essa é uma boa oportunidade para uma articulação interdisciplinar com História, ao abordar o período da ditadura militar brasileira e seus impactos na produção cultural. Ao introduzir a função referencial, retome o contraste já estabelecido anteriormente entre a letra da canção “Vatapá” (função poética) e a receita de vatapá (função referencial e conativa), reforçando que essa função se caracteriza pelo uso de uma linguagem direta, objetiva e impessoal, voltada para a transmissão de informações sobre o contexto ou referente. Aproveite para pedir aos estudantes que identifiquem exemplos de textos do cotidiano em que essa função predomina, como notícias, manuais de instrução, bulas de remédio e verbetes de dicionário, ajudando-os a perceber como essa função está presente em textos que eles consultam com frequência, mesmo sem perceber. Ao introduzir a função metalinguística, sugere-se começar perguntando aos estudantes se eles já pararam para pensar sobre a própria linguagem enquanto a utilizam. Por exemplo, ao consultar um dicionário para saber o significado de uma palavra, eles estão usando a linguagem para explicar a própria linguagem. Esse estranhamento inicial ajuda a introduzir o conceito de metalinguagem de maneira mais intuitiva, antes de apresentar a definição formal. Ao trabalhar o poema de João Cabral de Melo Neto, chame a atenção dos estudantes para o modo como o próprio ato de escrever é tematizado no texto: o papel, o verso e a palavra escrita se tornam objeto de reflexão do poema, e não apenas instrumento para tratar de outro assunto. Vale destacar a escolha da palavra ”mineral” como metáfora para a matéria fria e concreta da escrita, incentivando os estudantes a pensar sobre por que o autor optou por essa imagem específica. Ao apresentar a tirinha sobre os diferentes usos dos porquês, aproveite para trabalhar de forma leve e lúdica a própria dificuldade ortográfica que envolve “por que”, “porque”, “por quê” e “porquê”. Armandinho e seu pai utilizam, no diálogo, os diferentes usos dos porquês da língua portuguesa para se referirem a esses próprios usos, o que é um exemplo direto e acessível de metalinguagem para os estudantes. A fotografia que mostra uma pessoa fotografando também é um exemplo de metalinguagem, ainda que em linguagem não verbal. Nesse momento, é interessante reforçar que a função metalinguística não se restringe a textos escritos ou orais; ela também pode se manifestar em imagens, filmes sobre cinema, músicas sobre composição musical, entre outros exemplos. Proponha aos estudantes que citem outros casos de metalinguagem presentes no cotidiano deles, como memes sobre memes, vídeos que explicam como fazer vídeos ou letras de música que falam sobre o próprio ato de compor. Tome nota O boxe Tome nota relaciona as funções da linguagem à diversidade cultural dos interlocutores, o que permite trabalhar o TCT Multiculturalismo – Diversidade Cultural. Leia o boxe com a turma e destaque a ideia de que escolher a função predominante de um texto é também escolher que vozes e referências culturais ele apresenta. Para a pergunta final, proponha uma discussão em pequenos grupos com exemplos concretos: um anúncio pode representar diferentes grupos sem recorrer a estereótipos; uma notícia pode ouvir fontes de origens diversas; um texto literário pode dar voz a personagens de diferentes regiões e classes sociais. Peça a cada grupo que apresente um exemplo em que a linguagem valoriza ou, ao contrário, reduz determinada cultura a um clichê, e discuta como a função predominante contribui para esse efeito. Pratique – Aula 6 1) Alternativa C. O texto sobre o acervo on-line do Instituto de Arte de Chicago é predominantemente informativo: apresenta dados e descreve procedimentos de acesso. A fala do historiador não torna o texto subjetivo (alternativa A), e as instruções de uso não configuram apelo direto ao leitor (alternativas B e D). 48

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Aprofunde 1) Alternativa D. Em Quadrinho quadrado, o texto se volta para os próprios princípios de composição de um livro, o que caracteriza a função metalinguística. 2) A leitura de Operários, de Tarsila do Amaral, é interdisciplinar com História e Arte. Faça a correção de maneira conjunta, conduzindo uma conversa sobre a organização geométrica das figuras, a diversidade dos rostos e o contexto da industrialização paulista dos anos 1930. Valorize as múltiplas interpretações que surgirem. 3) A resposta deve distinguir recursos verbais (palavras, orais ou escritas) de não verbais (imagens, cores, gestos, sons) e mostrar, com um exemplo, que a combinação pode reforçar ou modificar o sentido. As charges do Pratique da Aula 1 servem de apoio. 4) Alternativa D. Retome o esquema de Jakobson e peça aos estudantes que identifiquem, nas demais alternativas, a que elemento cada descrição corresponde (mensagem, canal, contexto e emissor). 5) A comparação deve indicar o foco de cada função (mensagem, receptor e emissor) e um exemplo de intenção comunicativa associada a cada uma. Sugere-se um quadro de três colunas no caderno. 6) Alternativa E. O cordel explica classes de palavras e conceitos gramaticais em versos, ou seja, usa a língua para falar da própria língua. É hora de retomar O esquema final sintetiza comunicação, linguagem, elementos da comunicação e funções da linguagem. Uma forma de explorá-lo é cobrir as definições e pedir aos estudantes que as reconstruam oralmente antes de conferir no livro. Ponto de parada Reserve alguns minutos para o registro individual da rotina 3–2–1 e, em seguida, proponha aos estudantes que compartilhem em trios a descoberta anotada no item 3.

Materiais complementares • CAMPOS, Haroldo de. Melhores poemas de Haroldo de Campos. 3. ed. São Paulo: Global, 2005. • LEMINSKI, Paulo. Os melhores poemas de Paulo Leminski. 6. ed. São Paulo: Global, 2009. • VATAPÁ. Intérprete: Dorival Caymmi. Compositor: Dorival Caymmi. In: PARA SEMPRE. Produção: Aloysio de Oliveira. [S. l.]: Universal Music Group, 1957. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/2ia996.

Referências • BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHINOV, Volóchinov N. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução: M. Lahud e Y. F. Vieira. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009. • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/bAdLHj. • JAKOBSON, Roman. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1976. • ORLANDI, Eni Pulcinelli. O que é linguística. São Paulo: Brasiliense, 2003. • SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 1979. • SPARANO, Magalí; IÓRIO, Patrícia Leite Di; LOMBARDI, Roseli F. (org.). A formação do professor de língua(s): interação entre o saber e o fazer. São Paulo: Andross, 2006. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Capítulo 2 — Diversidades que compõem a língua Número de aulas sugerido: 6 aulas

Objetivos do capítulo: • Descrever o fator sociocultural da língua. • Introduzir a variação de registros na comunicação. • Definir a expressão “norma culta”. • Diferenciar norma culta de norma-padrão. • Discriminar norma-padrão de variantes da língua. • Explicar a relação entre uso da língua e situação de fala. • Destacar o uso uniforme e padronizado da língua. • Explicar as noções de sistema, uso e norma. • Explicar a expressão “variação linguística”. • Discriminar variação linguística de variante linguística. • Descrever os fatores da variante linguística. • Explicar o significado de variação histórica e de variação geográfica da língua. • Explicar o significado de variação sociocultural da língua. • Explicar o significado de variação contextual da língua. • Discriminar a fala da escrita. • Reforçar que não há certo e errado no uso da língua.

Planejamento de aulas do capítulo Habilidades Sesc

SESCEM13LGG104.LP.H1 SESCEM13LGG402.LP.H1 SESCEM13LP10.LP.H1 SESCEM13LP10.LP.H2 SESCEM13LP10.LP.H5

Aula

Descrição

1

• Abertura • Relação sociocultural da língua • Boxe Investigação

• Pratique 1 • Aprofunde 1

2

• Norma-padrão e variações linguísticas • Boxe Conexões

• Boxe Desenvolvendo habilidades • Pratique 2 • Aprofunde 2

3

• Variações linguísticas I • Variação histórica

• Pratique 3 • Aprofunde 3

4

• Variações linguísticas II • Variação geográfica • Boxe Tome Nota

• Boxe Conexões • Pratique 4 • Aprofunde 4

5

• Variações linguísticas III • Variação sociocultural • Boxe Investigação

• Variação contextual • Pratique 5 • Aprofunde 5

6

• Atos de fala: oralidade e escrita • Pratique 6 • Aprofunde 6

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Orientações para o capítulo Este capítulo tem como objetivo apresentar a diversidade linguística sob suas diferentes dimensões (histórica, geográfica, sociocultural e contextual), a distinção entre língua, norma culta e norma-padrão e a diferença entre linguagem falada e escrita, articulando essas noções ao combate ao preconceito linguístico. Os conteúdos são abordados aproximando os conceitos do cotidiano por meio de exemplos como tirinhas, charges, letras de canção, trechos de entrevistas, transcrições de narrações esportivas e postagens em redes sociais, além de exercícios do Enem e de vestibulares e propostas de investigação e pesquisa em grupo que estimulem a prática ativa dos conteúdos. As competências indicadas na abertura podem ser trabalhadas ao longo das aulas. A competência socioemocional Autoconsciência é favorecida quando os estudantes refletem sobre o próprio modo de falar e sobre os julgamentos que já sofreram ou fizeram a respeito da fala de outras pessoas, como na Atividade d) da abertura e no boxe Tome nota. A Autogestão é exigida nas atividades de pesquisa, que pedem planejamento, registro e apresentação em data combinada. Quanto às competências da matriz Empreendedora do Sesc, Explorar ideias e Inovação e solução de problemas aparecem no boxe Desenvolvendo habilidades, em que a turma precisa propor uma forma de representar dados sem hierarquizar variedades, e Pertencimento ao território está presente nas propostas sobre regionalismos, sotaques e símbolos da identidade brasileira. Abertura A abertura do capítulo apresenta o poema “Evocação do Recife”, de Manuel Bandeira, e a imagem da escultura em homenagem ao poeta em Recife, contextualizando a reflexão sobre a língua com base na valorização da fala popular em contraste com a norma escrita canônica. Retome esses recursos e promova uma conversa, em grupo ou dupla, baseando-se nas questões propostas para incentivar os estudantes a relacionar suas próprias experiências de fala (no ambiente familiar, escolar ou digital) aos conceitos que serão estudados no capítulo. Aproveite o momento para introduzir, intuitivamente, a ideia de que toda variedade linguística é legítima e eficaz para a comunicação, e que a hierarquização entre “falar certo” e “falar errado” decorre de fatores sociais, e não da superioridade real de uma forma de fala sobre outra. Essa noção será formalizada mais adiante, ao tratar da distinção entre língua, norma e norma-padrão e do conceito de preconceito linguístico. Antes de avançar para a sistematização teórica, valorize as diferentes respostas e vivências trazidas pela turma, incluindo relatos de situações em que alguém foi julgado por seu modo de falar. Atividade a) A língua falada é mais espontânea, marcada por pausas, repetições, gírias e variações regionais. A língua escrita costuma ser mais planejada e seguir normas gramaticais mais rígidas. Atividade b) A língua está ligada à identidade cultural do povo brasileiro. A fala popular expressa vivências, valores e pertencimento, enquanto a norma escrita reflete um padrão valorizado social e historicamente. Atividade c) Porque a língua se adapta à situação comunicativa: usamos um registro mais informal entre amigos e um mais formal em contextos profissionais ou acadêmicos, por exemplo. Atividade d) Resposta pessoal. Espera-se que o estudante relate situações em que alguém foi julgado por desvios da norma-padrão e reflita sobre como isso revela preconceito linguístico, mais do que uma falha na comunicação. 52

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No tópico Relação sociocultural da língua, são abordados o caráter interativo da comunicação e o papel mediador da língua. Utilize a citação de José Carlos de Azeredo e o depoimento do professor Manoel Mourivaldo Santiago Almeida sobre a formação dos sotaques brasileiros para situar a língua como um sistema vivo, em constante variação e mudança conforme o contexto social e regional. É relevante que o estudante reflita sobre esses elementos, conforme proposto no boxe Investigação, considerando as associações simbólicas. Também é importante que ele reconheça os usos da língua de acordo com o contexto e a finalidade. Uma forma de iniciar a aula é a roda de conversa sobre sotaques: peça que aos estudantes que contem de onde vêm suas famílias e que expressões ou pronúncias reconhecem como marcas dessa origem. O depoimento do professor Manoel Mourivaldo Santiago Almeida ganha sentido quando a turma percebe que o próprio grupo reproduz, em pequena escala, os contatos entre falantes que ele descreve. Investigação Oriente os estudantes a observar atentamente a imagem do homem do realejo e o texto sobre a tradição de “ver a sorte”. Em duplas, conduza a análise para que identifiquem os elementos de comunicação não verbal presentes na cena, como vestimentas, gestos e a própria figura da personagem, que remete à sua profissão. Ao analisar o texto verbal e a imagem, os estudantes podem mencionar o chapéu e as roupas utilizadas pelo homem; seus possíveis gestos e movimentos corporais, considerando que o texto permite interpretar que os atendimentos ocorriam sempre da mesma forma; e a figura da personagem, que remete à sua profissão. Quanto à pesquisa, ela pode variar de acordo com o local e a vivência dos estudantes. Eles poderão apresentar algumas possibilidades ligadas ao cotidiano, como símbolos de sorte e superstições. Um exemplo é o Ano-Novo e suas simbologias: o uso de roupas de cores específicas, como o branco, que simboliza a paz; o amarelo, o dinheiro; o vermelho, a paixão; o rosa, o amor; entre outros. As duplas também poderão pesquisar os símbolos oficiais da nação, como a bandeira, o selo oficial e o brasão, ou a figura do indígena e os monumentos como elementos simbólicos do Brasil. A atividade pode ser desenvolvida de modo interdisciplinar com os professores de História e Sociologia, a fim de discutir estereótipos que podem acompanhar esses símbolos e analisar documentos históricos como forma de interpretar o passado. Valorize o trabalho dos estudantes e incentive-os a prestigiar a pesquisa das outras duplas. Pratique – Aula 1 1) Alternativa D. O texto sobre a Língua da Tabatinga mostra que a preservação de uma variedade depende do sentimento de identidade de seus falantes. Peça aos estudantes que localizem no texto os trechos que sustentam a resposta (“forte consciência de sua relação com a descendência africana”; “legado recebido”) e que expliquem por que as demais alternativas contradizem o texto: não há registro escrito, a classe social não ganhou prestígio, a função de língua secreta não se manteve e a faixa etária dos falantes é ampla. 2) Espera-se que os estudantes percebam que a gíria “farmar aura” nasce de uma prática social compartilhada (os jogos eletrônicos) e serve para integrar quem a usa a um grupo. Aproveite para pedir outros exemplos de palavras que a turma usa e que os adultos da família não entendem, retomando a ideia de língua como sistema vivo. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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No tópico Norma-padrão e variações linguísticas, devem ser abordados a “interatividade social” da língua e o “acordo de grupo”, com base na tira de Fernando Gonsales, necessários para se consolidarem entre os falantes. Recomenda-se trabalhar a tira de maneira ampla e, se possível, apresentar outros exemplos, para que os estudantes compreendam a relação entre o uso da língua e a situação de fala. É fundamental que os estudantes saibam distinguir norma culta, norma-padrão e variante linguística. Nesse contexto, pode-se tratar da noção de preconceito linguístico. Os estudantes devem compreender o que caracteriza o prestígio de determinados usos da língua e suas consequências nas relações sociais, lembrando-os de que o mais importante é compreender e ser compreendido pelo interlocutor. Conexões Os dois boxes Conexões da Aula 2 trazem referências que podem ampliar a discussão. O primeiro apresenta dados biográficos de Joaquim Mattoso Câmara Jr., cuja definição de norma culta é citada no texto; vale destacar que ele instituiu o ensino de Linguística no Brasil, o que ajuda os estudantes a situar historicamente a disciplina. O segundo apresenta A língua de Eulália, de Marcos Bagno. Se houver exemplares na biblioteca, sugere-se a leitura de um capítulo em voz alta, pois a forma de novela e os diálogos entre as personagens facilitam a compreensão de que os usos não padronizados têm explicação lógica e histórica.

Desenvolvendo habilidades CRITÉRIOS

BOM

REGULAR

INSUFICIENTE

Articulação temática

Avalia a conclusão do estudante com clareza, explicando que a frequência de uma expressão não determina sua correção e relacionando a análise dos dados a fatores como contexto, região, faixa etária e situação comunicativa.

Discorda da conclusão do estudante, mas a justificativa é superficial ou menciona apenas um dos fatores que explicam a variação, sem relacioná-lo aos dados coletados.

Concorda com a conclusão de que a expressão mais frequente é a correta, ou apenas discorda sem justificar, sem relacionar a análise à variação linguística.

Análise crítica

Propõe um gráfico ou uma tabela que permite comparar as variedades sem hierarquizá-las, justifica a escolha e indica cuidados ao compartilhar os dados, como preservar o anonimato e contextualizar os resultados.

Propõe uma forma de representação adequada, mas a justificativa é genérica ou os cuidados ao compartilhar os dados são mencionados de modo vago.

Não propõe uma forma de representação, ou propõe uma que classifica as variedades como certas ou erradas, e não menciona cuidados ao compartilhar os dados.

Uso de dados e organização

Utiliza as informações do boxe (200 respostas; idade, região de origem e expressões usadas) como base da proposta, com interpretação própria, vocabulário adequado e organização clara e coerente das ideias.

Faz referência aos dados do boxe, mas com interpretação limitada, repetição de informações sem elaboração própria ou organização pouco clara das ideias.

Não utiliza os dados do boxe, apresenta reprodução direta do enunciado ou tem organização confusa/ incompleta.

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O boxe Desenvolvendo habilidades apresenta a situação de uma turma que coletou respostas de 200 estudantes sobre suas formas de falar e precisa representá-las em um painel digital, articulando o conteúdo às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação EM13CO12 e EM13CO13. Organize a turma em grupos e proponha duas etapas. Na primeira, os grupos discutem a conclusão do estudante citado no boxe e devem perceber que a frequência de uma expressão não define sua correção, pois a análise precisa considerar contexto, região, faixa etária e situação comunicativa. Na segunda, cada grupo esboça, no papel ou em uma planilha, um gráfico ou uma tabela que compare as variedades sem classificá-las como certas ou erradas, por exemplo, agrupando as expressões por região de origem ou por faixa etária, e lista os cuidados necessários para compartilhar os dados, como preservar o anonimato e contextualizar os resultados. Se possível, peça aos grupos que apresentem seus esboços e comparem as escolhas de representação. A rubrica anterior orienta a avaliação. Pratique – Aula 2 1) O poema de Drummond opõe a linguagem viva, “na ponta da língua”, à linguagem “na superfície estrelada das letras”, isto é, à norma escrita, cujo domínio é atribuído ao professor Carlos Góis. Conduza os estudantes a perceber que o verso final tem tom irônico: o saber gramatical do professor está distante da língua efetivamente usada. Uma leitura em voz alta, com duas vozes alternadas, ajuda a marcar o contraste. A diferenciação entre variação, variedade ou variante linguística pode gerar dúvidas nos estudantes. Portanto, o estudo dos tipos de variação é antecedido no tópico Variações linguísticas I por meio de uma introdução ao assunto. Recomenda-se a leitura atenta do conteúdo desse trecho para que os estudantes compreendam a diferença entre os termos em questão. Com base nos exemplos de variação linguística e variante apresentados durante a explicação, incentive-os a indicar outros exemplos de cada conceito. Se possível, sugere-se o aproveitamento desses exemplos na discussão do subtópico Variação histórica. Desse modo, e ao longo do capítulo, a participação dos estudantes torna-se parte do estudo sobre variação e variante linguística. No subtópico Variação histórica, o tempo é o eixo em torno do qual a variação se desenvolve e pode atingir a língua nos mais diversos aspectos, como o léxico. Aproveite a comparação entre os dois textos jornalísticos do Jornal Minas Gerais para conduzir a turma a uma leitura atenta, incentivando os estudantes a identificar tanto as diferenças ortográficas, como “Geraes” e “official”, quanto os elementos visuais e de suporte que marcam a passagem do tempo, como o tipo de letra, a ausência de cor na impressão antiga e a migração do jornal para o formato digital. Explique também que a variação histórica ocorre gradativamente e que formas antigas e novas costumam coexistir durante um período, antes que uma delas predomine. Além disso, recomenda-se trazer para os estudantes outras notícias que possam ser analisadas em sala, preferencialmente contemporâneas. A atividade deve envolver o reconhecimento das diferenças e a compreensão das transformações pelas quais a língua passou ao longo do tempo. Ao selecionar as notícias para a atividade, sugere-se privilegiar ocorrências em que o sentido da palavra tenha Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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mudado completamente. Por fim, sugere-se uma pesquisa complementar que envolva exemplos de palavras ou expressões usadas por gerações mais velhas da família dos estudantes que tenham caído em desuso. Essa proposta aproxima o conceito teórico das vivências dos estudantes e prepara o estudo dos tipos de variação linguística que serão vistos nos tópicos seguintes. Pratique – Aula 3 1) No item a), além do design do tablet, que imita rádios antigos, e dos tons pastel, chame a atenção para a ilustração das pessoas, com roupas e penteados de época. No item b), peça aos estudantes que sublinhem no anúncio as palavras de grafia antiga (“êsse”, “contacto”, “photographias”, “facto”) e as de vocabulário em desuso (“sortimento”, “intercambiar”, “magnânima”), além do pronome “vossa mercê”. Como ampliação, proponha que reescrevam o texto do anúncio na ortografia e no vocabulário atuais e comparem o efeito. O subtópico Variação geográfica aborda a variação geográfica, explorando como fatores históricos, sociais e naturais moldam diferentes formas de falar português no Brasil e em outros países lusófonos. Utilize as expressões regionais apresentadas no texto (“Irado, meu irmão!”, “Trem bom!”, “Oxente!”) e o exemplo de “pingado” e “cortado” para promover uma roda de conversa em que os estudantes compartilhem expressões típicas da região deles ou de familiares vindos de outros estados, valorizando a diversidade de vivências presentes na turma. Explore a reportagem sobre o “amazonês” para aprofundar a ideia de que os regionalismos não são “desvios” da língua, mas resultam de processos históricos de contato entre culturas —, nesse caso, entre o português europeu, o português nordestino e as línguas indígenas. Retome, com a fala do professor Sergio Freire, que a língua está sempre “em movimento”, retomando a noção de dinamismo linguístico já trabalhada nas aulas anteriores. Tome nota Conduza a discussão coletiva com base nas perguntas propostas, deixando espaço para que os estudantes reflitam livremente antes de sistematizar a resposta esperada. Por que entender as variedades linguísticas? Estudar variedades linguísticas é importante para distinguir a modalidade adequada a cada situação de uso, sem preconceitos, e, assim, desenvolver competência verbal na própria língua. Aproveite para relacionar essa reflexão à ideia de adequação situacional já trabalhada no capítulo, como no caso de uma entrevista de emprego. Antes de avançar para a sistematização teórica, valorize especialmente os relatos pessoais dos estudantes sobre contato com falares diferentes. Eles podem apontar, como benefícios desse estudo, a ampliação da consciência em relação a outras culturas e a importância de não apenas preservá-las, mas também de respeitá-las. Por fim, o boxe Conexões sobre o TikTok e as hashtags #regionalismo e #desafiodosotaque pode ser usado como gancho para propor aos estudantes que pesquisem, em duplas, exemplos reais desse tipo de conteúdo, aproximando ainda mais o conceito teórico das práticas digitais que já fazem parte do cotidiano da turma. Pratique – Aula 4 1) Alternativa B. O texto apresenta os diferentes nomes que um mesmo prato recebe em regiões do Brasil. Proponha uma variação da atividade: cada estudante cita um alimento ou objeto que conhece por mais de um nome (como 56

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bergamota, mexerica e tangerina, mencionadas na abertura da aula), e a turma monta no quadro um pequeno mapa lexical. No subtópico Variação sociocultural, o preconceito linguístico é um tema importante. Como se trata de uma variação em que predominam aspectos sociais e culturais, convém discutir com os estudantes usos que se afastam da norma-padrão, para que eles possam reconhecer nessas ocorrências não um fator de exclusão, mas de enriquecimento da língua. Para isso, utilize a imagem da placa em muro de Poconé (MT) para conduzir uma leitura atenta e sensível dos “erros” ortográficos apontados, evitando julgamentos em sala. A proposta é problematizar por que esses usos costumam ser estigmatizados e como isso se relaciona ao acesso desigual à escolarização. Aproveite a citação de Marcos Bagno para retomar o conceito de preconceito linguístico já mencionado nas aulas anteriores. Reforce que a norma-padrão não é, em si, o problema, mas que seu uso como instrumento de exclusão pode ser. Explique que a norma-padrão tem uma função prática e legítima: permitir a comunicação oficial e formal em um país diverso como o Brasil. Esclareça, contudo, que isso não a torna superior às demais variedades nem justifica o desprezo por quem não a domina plenamente. Para tornar o tópico mais concreto, retome exemplos do cotidiano da turma — documentos oficiais, provas, entrevistas de emprego — em que a norma-padrão é exigida por convenção social. Em seguida, contraponha-os a situações informais, como conversas em família, mensagens de texto para amigos e redes sociais, em que essa exigência não deveria ser cobrada. Investigação Oriente a formação de grupos de três ou quatro estudantes para a realização de uma pesquisa sociolinguística e peça-lhes um critério de organização — situação socioeconômica, faixa etária, localidade ou profissão — como foco da análise. Reforce antecipadamente alguns cuidados práticos e éticos, atentando para a escolha do entrevistado, a maneira como a entrevista será conduzida, a escuta, a análise das gravações e a apresentação dos resultados. Essa atividade permite ao estudante vivenciar na prática a escuta de textos orais e analisar alguns usos reais da língua, considerando, por exemplo, a comparação entre usuários escolarizados e não escolarizados, idosos e jovens, trabalhadores rurais e outras profissões. O objetivo, portanto, é mostrar que a variação linguística é um fenômeno da língua e não ocorre apenas com pessoas consideradas “incultas”, frequentemente estigmatizadas como exemplos de “usos incorretos”. O subtópico Variação contextual evidencia como uma mesma língua assume registros distintos conforme a situação comunicativa. Conduza a leitura comparativa dos dois textos: o Texto 1, trecho de um artigo científico sobre atividades educativas em astronomia, exige a norma-padrão e a linguagem técnico-científica; o Texto 2, uma tira de Bichinhos de jardim, representa uma conversa virtual entre amigas, com marcas de informalidade como “crendeuspai”. Peça aos estudantes que identifiquem, em cada texto, quem escreve, para quem e com que finalidade, e proponha em seguida uma atividade na qual apresentem um mesmo assunto em duas ou mais situações de fala. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Pratique – Aula 5 1) Nos itens a) e b), oriente os estudantes, a partir da expressão “porção de aipim", a explicar o que Armandinho entendeu e o que o adulto quis dizer. A resposta deve mostrar que a variação não é apenas de vocabulário, mas de experiência: o sentido atribuído a uma palavra depende dos costumes do grupo em que ela circula. Uma leitura dramatizada da tira, com dois estudantes, torna o mal-entendido mais evidente. No tópico Atos de fala: oralidade e escrita, são abordados os atos de fala, aprofundando a distinção entre oralidade e escrita como duas modalidades de uso da língua com especificidades próprias, mas que não configuram sistemas linguísticos opostos ou incompatíveis. Comece a aula retomando com a turma a ideia de que a fala é adquirida naturalmente desde a infância, enquanto a escrita é uma conquista formal, relacionada ao letramento e associada a maior prestígio social. Reforce que essa diferença de prestígio não significa que uma modalidade seja melhor do que a outra. Antes da leitura da narração radiofônica, que se trata da transcrição do gol do Pelé em 1958, sugere-se contextualizar historicamente o momento: final da Copa do Mundo de 1958 e o primeiro título mundial do Brasil, a fim de engajar a turma no tema. Ao trabalhar a transcrição, explique as convenções do Projeto de Estudo da Norma Urbana Linguística Culta de São Paulo (Nurc/SP) utilizadas (reticências para pausas, maiúsculas para ênfase, dois-pontos para prolongamento de vogal/ consoante) e, se possível, apresente o áudio original. Isso ajuda os estudantes a perceber concretamente como a transcrição tenta capturar elementos da fala que a escrita convencional não registra. Destaque a função dessas marcas: criar um “espetáculo narrado” que emocione e prenda a atenção do ouvinte. Ao abordar a narração escrita dos Jogos Pan-Americanos de 2015, conduza a comparação com o exemplo radiofônico, evidenciando que, embora ambas relatem eventos esportivos, a escrita pressupõe um planejamento diferente, especialmente em coberturas ao vivo. Destaque os recursos próprios da escrita para compensar a ausência de entonação e como cumprem função semelhante às marcas da transcrição oral. Para engajar ainda mais os estudantes, é interessante analisar a língua falada e a língua escrita com base na comunicação via internet, que provavelmente é o meio de interação mais comum entre os estudantes, por meio de aplicativos e redes sociais. Mesmo na oralidade, há planejamento do que se pretende comunicar na interação entre falantes, pois a naturalidade e a espontaneidade próprias do diálogo não dispensam a mobilização de conhecimentos prévios e uma mínima organização. Esse planejamento também está presente na escrita, em que se realiza de maneira mais evidente. Para não perder a riqueza do exemplo apresentado, sugere-se como atividade que os estudantes ouçam o trecho da narração de uma partida de futebol e façam a transcrição dessa fala como se fosse um texto não oral. Destaque que a situação de interação determina a escolha do registro utilizado para comunicar um pensamento, uma ideia, uma percepção ou aspectos do mundo que nos rodeia e desafia. O contraste entre narração falada e escrita amplia a discussão com base no conceito de “internetês” e na ideia de uma “escrita falada” ou “fala escrita”, 58

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característica dos ambientes digitais informais. Retome com os estudantes os recursos observados no exemplo do futebol (exclamação, repetição de letras) e mostre como esses mesmos princípios aparecem mais intensamente em bate-papos, e-mails informais e mensagens instantâneas, por meio de onomatopeias, abreviações, alterações gráficas e emoticons. Reforce, ainda, o ponto central do texto: não é o suporte (falado ou escrito) que determina o grau de formalidade, mas sim a situação de interação. Explique que um texto escrito pode ser extremamente informal, como uma mensagem de WhatsApp para um grupo de amigos, e um texto falado pode ser altamente formal, como uma palestra previamente preparada. Pratique – Aula 6 1) No item a), a linguagem coloquial e o pedido de favor indicam intimidade entre os interlocutores. No item b), peça aos estudantes que listem as marcas observadas na conversa por celular (reduções gráficas, pontuação expressiva, “Kkkkkk”, emoticons, o marcador “Ah”) e as comparem com a conversa face a face, em que essas funções são cumpridas pela entonação, pelas pausas e pela expressão facial. Aprofunde 1) Na tira de Calvin, a mãe ressignifica a palavra “sair” para reafirmar a ordem dada. Aproveite para mostrar que o humor depende de a criança tomar a palavra em seu sentido mais restrito, o que retoma a discussão sobre contexto e intenção. 2) Alternativa A. Na canção, a forma “correta” (“dá-me um beijo”) é associada à “linguagem de doutor”, e a forma coloquial (“me dá”), ao afeto. Discuta com a turma por que a norma-padrão é apresentada como fria e se essa percepção corresponde à experiência dos estudantes. 3) Espera-se que os estudantes reconheçam as mudanças nos meios digitais como variação linguística, com exemplos como streaming, selfie e influencer. Peça que citem palavras que substituíram outras de uso comum há algumas décadas. 4) Alternativa D. A postagem usa uma linguagem própria de jovens urbanos de determinada região. Chame a atenção para as marcas que permitem essa identificação e para o fato de que a alternativa E é incompatível com o tom próximo da postagem. 5) Alternativa A. As frases só fazem sentido para quem partilha as expressões coloquiais do português brasileiro. Uma boa dinâmica é pedir que cada a cada estudante que escolha uma das frases e explique a um “estrangeiro” imaginário o que ela quer dizer. 6) A resposta deve indicar que as marcas de oralidade transmitem a empolgação da atleta e que a reescrita em registro formal apagaria esse efeito. Vale propor aos estudantes que façam essa reescrita e comparem as versões. É hora de retomar O esquema organiza a diversidade linguística (variações contextual, sociocultural, geográfica e histórica) e as noções de língua em uso, norma e formalidade. Proponha aos estudantes que, em duplas, acrescentem ao esquema um exemplo do capítulo para cada tipo de variação.

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Ponto de parada Na rotina 3–2–1,, as duas dúvidas registradas por cada estudante podem ser recolhidas e respondidas coletivamente na aula seguinte, o que permite identificar os conceitos que ainda precisam de retomada, sobretudo a distinção entre norma culta e norma-padrão.

Material complementar • BRASIL 5 x 2 Suécia Final da Copa 58 Rádio Bandeirantes. [S. l.: s. n.], 2018. 1 vídeo (4 min 25 s). Publicado pelo canal FUTNÁTICO. Trecho citado a partir de 3 min 47 s. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/9Z6T5R.

Referências • BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico. 56. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2015. • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2015. • BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/bAdLHj.

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Capítulo 3 — Comunicação carregada de sentidos Número de aulas sugerido: 6 aulas

Objetivos do capítulo: • Distinguir o estudo da língua do estudo da gramática. • Apresentar a organização do sistema gramatical. • Distinguir fonética de fonologia. • Explicar o significado de léxico. • Introduzir a dimensão morfológica da língua. • Introduzir a dimensão sintática da língua. • Distinguir diacronia de sincronia. • Introduzir a dimensão semântica da língua. • Explicar o significado de discurso. • Explicar o significado de ortografia. • Introduzir o Novo Acordo Ortográfico. • Introduzir o papel do contexto na comunicação. • Distinguir ato de enunciação de enunciado. • Explicar o que significa contexto. • Destacar no texto a intenção discursiva. • Ressaltar a estilística como fenômeno linguístico. • Destacar o uso da linguagem de acordo com o contexto. • Explicar a relação entre o léxico e o contexto.

Planejamento de aulas do capítulo Habilidades Sesc

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Aula

Descrição

1

• Abertura • Compreender a língua como sistema em uso • Boxe Conexões • Pratique 1 • Aprofunde 1

2

• A língua como organismo vivo • Boxe Investigação • Ortografia e convenção • Boxe Conexões • Pratique 2 • Aprofunde 2

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• Enunciação e discurso: texto e contexto • Boxe Conexões • Pratique 3 • Aprofunde 3

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4

• Estilística • Pratique 4 • Aprofunde 4

5

• Fatores extralinguísticos • Boxe Desenvolvendo habilidades • Pratique 5 • Aprofunde 5

6

• Leitura do mundo e conhecimento da língua • Seleção de vocabulário • Boxe Tome nota • Pratique 6 • Aprofunde 6

Orientações para o capítulo Este capítulo tem como objetivo apresentar a língua como um sistema vivo e em uso, articulando os quatro sistemas linguísticos propostos por Ataliba Teixeira de Castilho — léxico, semântica, discurso e gramática — e aprofundando, dentro deste último, os aspectos fonológico, morfológico e sintático que estruturam a comunicação. Os conteúdos abordam ainda a evolução histórica da língua portuguesa, as convenções ortográficas e as mudanças promovidas pelo Novo Acordo Ortográfico, os conceitos de enunciação, enunciado e discurso, os fatores extralinguísticos que interferem na produção de sentidos e os recursos estilísticos mobilizados na construção da expressividade, relacionando essas noções à leitura crítica do mundo. Os conteúdos são abordados aproximando os conceitos do cotidiano por meio de exemplos como tirinhas, charges, letras de canção, poemas, cartazes publicitários, memes e trechos de obras literárias, além de exercícios do Enem e de vestibulares e propostas de investigação e pesquisa em grupo que estimulem a prática ativa dos conteúdos. As competências indicadas na abertura podem ser trabalhadas ao longo do capítulo. A competência socioemocional Autoconhecimento é favorecida nas questões da abertura e no boxe Tome nota; e Tomada de decisão responsável aparece na discussão sobre a adequação da linguagem ao contexto. Quanto à matriz Empreendedora do Sesc, Autonomia e Tomada de decisão são exigidas na pesquisa do boxe Investigação, e Comunicação e Trabalho em equipe estão presentes nas apresentações orais e nas atividades em duplas. Abertura Como exemplo para a conversa inicial em sala de aula, selecione algumas músicas cujas letras podem confundir as pessoas, como as apresentadas nesta página. Chame a atenção dos estudantes para a importância da escolha adequada das palavras na construção de um discurso. Atividade a) O trecho “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ela brilhar” corresponde aos primeiros versos de uma cantiga popular cuja versão original é “Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar”. O trecho “Quem sabe o príncipe virou um sapo” corresponde ao verso “Quem sabe o príncipe virou um chato”, da canção “Malandragem”, interpretada por Cássia Eller (composição de Cazuza e Roberto Frejat). Por fim, o trecho “Mas é você, que é mal passado e que não vê” é uma versão do Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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verso “Mas é você, que ama o passado e que não vê”, da canção “Como nossos pais”, interpretada por Elis Regina (composição de Belchior). Atividade b) Espera-se que os estudantes concluam que algumas expressões apresentam pronúncia e/ou grafia parecidas (ela brilhar/ladrilhar); que a pronúncia de determinadas palavras pode fazê-las soar como uma única palavra (ama o/é mal); e que há palavras que, mesmo não tendo pronúncia e/ou grafia parecidas, podem ser confundidas por extensão de sentido (chato/sapo — o príncipe que vira sapo nos contos de fadas). Destaque que apenas a troca de um fonema pode ser suficiente para compor uma palavra diferente, como ocorre em amor/amar. Esse par de palavras pode ser utilizado para introduzir um dos temas centrais do capítulo: fonologia. Atividade c) Resposta pessoal. Se possível, peça aos estudantes que compartilhem alguns exemplos com os colegas. No tópico Compreender a língua como sistema em uso, o estudo passa a abordar áreas da língua, como fonologia, morfologia e sintaxe, sem perder de vista a relação entre elas e os usos da linguagem. Desse modo, preserva-se, no âmbito teórico, a compreensão de que estudar a língua vai além do estudo de sua gramática. Nesse sentido, convém explorar com os estudantes, durante a exposição do conteúdo, a parte introdutória do tópico, em que a menção ao linguista Ataliba Teixeira de Castilho apresenta uma abordagem orgânica da língua. A leitura do boxe Conexões, no qual se fala um pouco do pesquisador, contribui para a ampliação do sentido nada tecnicista que se pretende afirmar no estudo da língua. Ao introduzir a diferença entre fonética e fonologia, ressalte que, embora relacionadas, não são sinônimas: a primeira tem caráter físico-articulatório, como os sons são produzidos, enquanto a segunda tem caráter abstrato-funcional, como os sons organizam-se em um sistema linguístico para distinguir significados. Proponha aos estudantes, para que esses conceitos fiquem mais claros a eles, que pronunciem pares como “faca/vaca” ou “pato/bato” e observem como a troca de um único som altera todo o significado da palavra, tornando concreta a noção de “valor distintivo”. Na leitura da tira de Hamlet e Frida, explore o contraste de expectativas entre as personagens: enquanto Frida deseja uma resposta subjetiva e emocional sobre o amor, Hamlet oferece uma resposta técnica, classificando a palavra morfologicamente. Essa é uma boa oportunidade para discutir com a turma como um mesmo termo pode ser abordado por diferentes campos do conhecimento e como a definição morfológica, embora correta, não esgota o sentido da palavra na experiência humana. Ao apresentar as dez classes gramaticais, não é necessário aprofundar cada uma neste momento. O objetivo é situar a morfologia como o estudo responsável por essa categorização. Na explicação sobre sincronia e diacronia, é interessante utilizar o exemplo do próximo tópico (a evolução de palavras como “cousa” para “coisa” ou “fremosa” para “formosa”) para tornar a explicação desses conceitos mais concreta. No entanto, deixe para aprofundá-los nas próximas aulas. Por fim, ao tratar da semântica e do discurso, é importante que os estudantes compreendam a diferença entre o significado “estável” de uma palavra, dicionarizado e socialmente, e os sentidos que ela assume em usos concretos, a depender do contexto histórico e social. Pratique – Aula 1 1) Espera-se que os estudantes reconheçam uma cena familiar em que a espontaneidade da criança expõe os adultos a situações embaraçosas. 64

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2) A quebra de expectativa está no presente pedido pela menina, que não pode ser comprado. 3) Como se trata de uma questão de resposta pessoal, oriente os estudantes a justificar sua hipótese de sentido considerando o contexto de uso da língua, e não apenas a lógica literal da frase. É esperado que percebam que a fala “um nariz pequeno” só tem sentido pleno caso não esteja se referindo a uma parte do corpo humano, como sugere o contexto da tira que causa o efeito de humor, mas sim a algum objeto simbólico ou substituto, como um boneco, uma escultura, um brinquedo, entre outras possibilidades imaginadas pelos estudantes. 4) O título retoma a expressão popular “roupa suja se lava em casa”; explique que seu sentido não é literal, mas construído pelo contexto de uso. No tópico A língua como organismo vivo, é fundamental compreender que a língua não está protegida da passagem do tempo, mas é inevitavelmente transformada por ele. Propõe-se trabalhar com os estudantes conjuntos de palavras que mudaram de sentido tanto sincronicamente, em função do contexto em que são empregadas, quanto diacronicamente, observando em que medida se afastaram de seu sentido de origem. Para concluir a reflexão sobre o caráter mutável e histórico da língua, recomenda-se realizar a atividade proposta no boxe Investigação e combinar com os estudantes a data e a ordem das apresentações. Investigação Este boxe propõe uma atividade de pesquisa em grupo sobre a formação histórica do léxico da língua portuguesa, articulando o conceito de diacronia apresentado ao longo da aula com uma prática investigativa ativa. Antes de entrar no tema, é interessante retomar brevemente com a turma os exemplos de mudança linguística já discutidos, como “cousa” para “coisa”, reforçando que o léxico também é um campo sujeito a transformações históricas, especialmente pela incorporação de palavras de diferentes origens. Ao organizar os grupos, procure distribuir as origens lexicais (latina, árabe, indígena, africana, europeia e oriental) de modo equilibrado, considerando o número de estudantes da turma. Oriente os estudantes a utilizar dicionários etimológicos e o site indicado do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa (NEHiLP-USP) como fontes confiáveis, evitando pesquisas superficiais em sites não especializados. É importante orientá-los também a registrar a fonte consultada para cada palavra pesquisada, como forma de desenvolver a prática de citação e checagem de fontes. Durante a investigação, incentive os grupos a refletir não apenas sobre a origem da palavra, mas também sobre o contexto histórico-social que resultou em sua incorporação ao português brasileiro, por exemplo, a colonização, o tráfico transatlântico, os fluxos migratórios ou as trocas comerciais e culturais. Essa reflexão contribui para relacionar o estudo lexical a processos históricos mais amplos, evitando uma abordagem puramente classificatória. Na etapa de apresentação, sugira que os grupos utilizem esquemas visuais (linhas do tempo, setas ou diagramas) para representar a evolução histórica das palavras escolhidas, tornando a exposição mais didática. O roteiro escrito solicitado deve ajudá-los a organizar a fala e evitar que a apresentação se resuma à leitura de slides. Por fim, ao final das apresentações, sugere-se promover uma síntese coletiva, destacando a diversidade de origens que compõem o português brasileiro, Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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de modo a valorizar a pluralidade cultural refletida na língua e evitar visões que hierarquizem determinadas origens lexicais em detrimento de outras. No subtópico Ortografia e convenção, recomenda-se explicar o significado da palavra “ortografia” e as consequências do Novo Acordo Ortográfico para os falantes da língua portuguesa. Em outras palavras, é importante conscientizar os estudantes de que as mudanças ortográficas ocorrem na escrita, enquanto na oralidade prevalece a diversidade em vez da uniformização. Sobre esse assunto, recomenda-se propor a reflexão que o autor moçambicano Mia Couto faz acerca dos desafios da língua portuguesa no mundo no vídeo indicado em Materiais complementares. Essa mesma uniformização, no entanto, é uma realidade com a qual os estudantes devem lidar para que não se sintam em conflito com a língua em sua modalidade escrita e em contextos sociais que exijam o domínio da norma-padrão. Nesse momento, o estudo do quadro que apresenta a nova ortografia pode auxiliar o entendimento dessa tentativa de uniformização da língua portuguesa, entendida não como um empecilho a seu desenvolvimento, mas como uma sistematização que contribui para ele. Ao apresentar a linha do tempo do Acordo Ortográfico — aprovado em 1990, implantado em 2009 e efetivamente obrigatório a partir de 2016 —, é interessante destacar que o longo intervalo entre a aprovação e a plena vigência das novas regras evidencia como uma mudança ortográfica, mesmo sendo uma decisão política e institucional, depende de um processo gradual de assimilação social, editorial e escolar. Esse dado pode ser explorado para reforçar que a língua escrita não muda por decreto de maneira imediata, mas por um processo de negociação entre norma e uso. Ao explorar o boxe Conexões sobre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), aproveite para ampliar a discussão proposta por Mia Couto, relembrando que o Acordo Ortográfico envolveu nove países de diferentes continentes, cada um com suas variedades linguísticas, históricas e culturais próprias. Esse é um bom momento para reforçar que unificar a escrita não significa apagar as diferenças de pronúncia, vocabulário e uso da língua entre esses países. Por fim, é importante situar os estudantes quanto à função social da norma-padrão: mais do que uma imposição arbitrária, ela cumpre o papel de garantir a comunicação escrita em contextos formais, acadêmicos e profissionais, sem que isso desvalorize as variações linguísticas próprias da oralidade e da informalidade. Essa distinção prepara o terreno para discussões futuras sobre preconceito linguístico e legitimidade das variedades não padrão da língua. Pratique – Aula 2 1) Alternativa A. “Ideia” e “jiboia” perderam o acento dos ditongos abertos das paroxítonas. 2) Alternativa C. A mesma regra vale para os hiatos “oo” e “ee”, por isso a afirmativa III é falsa. 3) A palavra “saúde” mantém o acento, pois o “u” tônico forma sílaba isolada e não é seguido de “nh”. 4) Alternativa C. “Aguento” sem trema, “ideia” sem acento e “micro-ondas” com hífen, porque o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento. No tópico Enunciação e discurso: texto e contexto, o estudo da língua abrange os conceitos de enunciação, enunciado e contexto, bem como seus significados em uma situação de fala. Sugere-se a leitura da passagem na qual se analisa o significado da palavra “contexto”. Nesse momento, além dos outros cenários que o livro apresenta, recomenda-se propor aos estudantes que levantem exemplos diferentes do trazido pelo livro ou novas possibilidades de leitura pelo acréscimo de novos contextos. A situação de fala e a intenção do falante apresentam, no âmbito do discurso, um papel primordial. Nesse sentido, a apresentação do filósofo 66

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da linguagem Mikhail Bakhtin, no boxe Conexões, pode ser complementada por passagens de outras obras do pensador russo, como Marxismo e filosofia da linguagem, em que o autor analisa a questão da intencionalidade do discurso. Ao trabalhar o exemplo “O feijão está caro”, é interessante explorar com a turma a construção de um pequeno exercício coletivo. Peça aos estudantes que imaginem diferentes situações de enunciação (quem fala, para quem, em que lugar, com que intenção) e verifiquem como cada variável modifica o sentido do mesmo enunciado. Essa dinâmica ajuda a compreender que não existe enunciado neutro, reforçando o que o texto afirma ao final da explicação. É importante também diferenciar com clareza, junto aos estudantes, os três conceitos centrais do tópico: a enunciação como o ato de comunicar (o processo), o enunciado como o produto desse ato (o texto que se materializa) e o discurso como a dimensão que carrega intenções, valores e posicionamentos do sujeito em um dado contexto histórico-social. Ao apresentar o pensamento de Bakhtin, destaque que sua contribuição vai além da simples definição de contexto: para o filósofo, todo enunciado é dialógico, ou seja, está sempre em relação com outros enunciados (passados, presentes ou futuros) e com o(s) interlocutor(es) a quem se destina. Por fim, a observação que encerra o tópico, sobre a enunciação escrita e os textos visuais e sonoros, pode ser retomada com exemplos multimodais já trabalhados no capítulo, como a tirinha de Frida e Hamlet, de modo a consolidar a ideia de que a análise do discurso não se limita à palavra escrita, mas contempla a multiplicidade de linguagens que compõem os textos na atualidade. Pratique – Aula 3 1) Nos itens a) e b), conduza os estudantes a identificar a finalidade persuasiva do cartaz e a ordem de leitura dos elementos, da capa do livro à palavra “fim”. 2) O item a) retoma a ideia central da aula: a frase “Cada pessoa lê um livro diferente” muda de sentido fora do cartaz. No item b), o repertório sociocultural de cada leitor explica as leituras diferentes. 3) A resposta deve reconhecer o destaque da linguagem visual, que evoca a memória de leitura, e a função organizadora do texto verbal, semelhante a uma legenda. No tópico Estilística, o objetivo é apresentar essa área da linguística como o campo responsável por estudar a mobilização individual dos recursos linguísticos em busca de expressividade, articulando conhecimento gramatical e estético da língua. É importante que os estudantes compreendam que a estilística não se opõe à gramática, mas a complementa. Enquanto a gramática normatiza estruturas, a estilística investiga como os falantes e escritores manipulam essas estruturas para produzir efeitos de sentido particulares. Ao apresentar a etimologia da palavra “estilo”, aproveite para retomar, ainda que brevemente, a noção de diacronia trabalhada em aulas anteriores, mostrando como o próprio termo que nomeia essa disciplina passou por uma mudança de sentido ao longo do tempo, passando de um objeto concreto (instrumento de escrita) para um conceito abstrato (modo de escrever). Ao trabalhar o glossário do termo “eloquência”, proponha aos estudantes que reflitam sobre situações cotidianas em que a capacidade de se expressar Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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com desenvoltura é valorizada, reconhecendo, assim, a atualidade do conceito discutido por Aristóteles há séculos. Na leitura do poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, é fundamental conduzir os estudantes a perceber o recurso estilístico da personificação da palavra, evidenciado por verbos como “morder”, “mascar” e “rasgar”, que remetem a ações do corpo humano atribuídas a um elemento abstrato. Oriente a turma a refletir sobre como essa escolha estilística reforça o tema do poema, relacionando forma e conteúdo. Se possível, aproveite o momento para comentar brevemente a relevância de Conceição Evaristo na literatura afro-brasileira contemporânea, ampliando o repertório cultural dos estudantes. Por fim, ao apresentar a biografia de Nilce Sant’Anna Martins no boxe Conexões, destaque a contribuição da linguista tanto para os estudos estilísticos de modo geral quanto para a análise da obra de Guimarães Rosa, autor conhecido por sua originalidade e inventividade no uso da língua portuguesa. Essa conexão pode servir de gancho para uma discussão futura sobre como grandes escritores exploram os limites da norma-padrão em busca de efeitos estéticos únicos, dialogando com a proposta do capítulo de compreender a língua como um sistema vivo e em uso. Pratique – Aula 4 1) Alternativa B. A utilização de letras sombreadas é um recurso gráfico que remete ao escuro sugerido pela noite e pela sombra, mencionados no texto. Além desse recurso, referido na primeira e na quarta afirmações, que estão corretas, há também jogo de palavras que envolve os termos “signo”, “sigo”, “na” e “noite”. A segunda e a quinta afirmativas são falsas. 2) Alternativa B. O texto evidencia que é preciso haver produção de sentidos para que a comunicação seja efetivada, pois, como se afirma no final do primeiro parágrafo, “Sem isto, as expressões linguísticas cairiam no vazio e as sentenças resultariam incompreensíveis”. 3) Alternativa A. O texto sustenta que a necessidade de estabelecer laços comunicativos levou à criação das línguas, definidas como códigos; as alternativas C, D e E contradizem a afirmação de que a língua possui variabilidades. No tópico Fatores extralinguísticos, esses fatores são apresentados com o objetivo de ampliar o entendimento dos estudantes sobre as complexidades inerentes ao processo de comunicação. A fim de compreender melhor como esses fatores estão presentes em determinado contexto comunicativo, pensem juntos em uma situação, como a censura nos meios de comunicação, para que se esclareça de que maneira a intencionalidade, a aceitabilidade e a situacionalidade são determinantes, por exemplo, na classificação do que vai ser exibido ao público. Sugere-se que os estudantes respondam às questões do boxe Desenvolvendo habilidades e apresentem suas respostas em aula para concluir a sistematização do assunto. Caso os estudantes se interessem, oriente-os a pesquisar outras obras do artista polonês Pawel Kuczynski, que, por seu cunho provocativo e político, permitem discutir os temas trabalhados neste capítulo.

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Desenvolvendo habilidades CRITÉRIOS

BOM

REGULAR

INSUFICIENTE

Articulação temática

Identifica com clareza os elementos verbais e não verbais da ilustração (o símbolo do Facebook estilizado como um binóculo, a figura humana isolada observando o “lado de fora”, o jogo de sombra e luz) e relaciona sua articulação à construção do sentido crítico da obra, demonstrando compreensão da linguagem não verbal como sistema de signos que se complementam para produzir significado.

Menciona elementos da ilustração, como o símbolo do Facebook ou a figura humana, mas a relação entre eles é superficial, pouco desenvolvida ou apresentada de modo fragmentado, sem articular a disposição desses elementos ao sentido geral da obra.

A produção descreve a imagem de maneira isolada (por exemplo, apenas identifica “uma pessoa olhando pela janela” ou “o símbolo do Facebook”), sem estabelecer relação entre os elementos visuais e o sentido crítico pretendido pelo ilustrador.

Análise crítica

Relaciona os signos não verbais da ilustração à intenção comunicativa do autor — a crítica à falsa sensação de comunidade promovida pela rede social e ao isolamento físico do usuário —, evidenciando reflexão crítica sobre o discurso imagético e sua função poética.

Cita a crítica à rede social de modo genérico (por exemplo, “a imagem fala sobre redes sociais”), sem aprofundar a análise ou conectá-la aos elementos visuais identificados, como o binóculo ou a solidão da personagem.

Não aborda a intenção crítica da obra, ou o faz de maneira incorreta (como interpretar a imagem como um elogio à rede social), descontextualizada ou dissociada do restante da reflexão.

Uso de dados e organização

Utiliza a descrição da obra como base de argumentação, com interpretação própria, vocabulário adequado e organização clara e coerente das ideias, evidenciando compreensão da função poética predominante na imagem.

Faz referência à obra e a seus elementos, mas com interpretação limitada, repetição de informações sem elaboração própria ou organização pouco clara das ideias.

Não utiliza os elementos da obra apresentados, descreve a ilustração sem interpretação própria, apresenta reprodução direta de informações do enunciado ou tem organização confusa/ incompleta.

No boxe Desenvolvendo habilidades, comente com a turma que, na obra, a função poética é predominante, pois a mensagem é centrada na estética, na estrutura dos elementos visuais que compõem a obra (a disposição das cores, a presença do contraste entre sombra e luz e a imagem de um homem na posição de quem observa o lado de fora). A função poética, Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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nesse quadro, revela o modo de dizer do autor e sua organização particular das cores, sombras e luzes, conduzindo o leitor à reflexão. Um dos objetivos da obra é provocar no interlocutor um mal-estar, especialmente se for usuário da rede social Facebook, e levá-lo a refletir sobre os desdobramentos negativos do uso dessa rede social e, por conseguinte, de outras redes sociais na vida cotidiana: falta de comunicação com outras pessoas e com o mundo exterior; visão parcial ou distorcida da realidade; dependência; solidão; entre outros. A atividade desenvolve o raciocínio lógico e crítico, no estilo PISA. Pratique – Aula 5 1) Alternativa D. O verbo “dever” expressa a atitude do enunciador: “deve acabar” apresenta uma previsão como quase certa. Relacione a questão ao fator intencionalidade. 2) Alternativa D. Os textos mostram uma canção popular que chegou a outro público por meio do rádio e do disco; peça aos estudantes que localizem no Texto 2 os trechos que indicam essa mediação. 4) A resposta deve mostrar que o humor do meme depende do contraste com a imagem original da Monalisa, exemplo de intertextualidade. 5) Alternativa C. A charge do robô Opportunity tirando uma selfie critica a circulação excessiva de autorretratos, tema que dialoga com o boxe Desenvolvendo habilidades. No tópico Leitura do mundo e conhecimento da língua, destaque a metáfora do “arquivo de dados” como um recurso didático para tornar concreta a ideia de léxico mental: assim como um arquivo organiza informações em departamentos, nosso conhecimento de mundo é sistematizado pela língua em categorias (classes gramaticais) que nos permitem nomear e comunicar experiências. No subtópico Seleção de vocabulário, ao trabalhar os exemplos de orações apresentados no boxe destacado, conduza os estudantes a perceber que a aceitabilidade de um enunciado não depende apenas da correção sintática, mas também da coerência semântica entre as palavras combinadas. O exemplo “O carro estava tão angustiado que buscou terapia” é um bom recurso para evidenciar, de maneira lúdica, que um arranjo gramaticalmente correto pode ainda assim soar “absurdo” pela incompatibilidade de sentido entre os termos. Aproveite para reforçar que a escolha vocabular também depende do contexto, do interlocutor e do objetivo comunicativo, retomando, assim, os fatores extralinguísticos estudados anteriormente no capítulo. Tome nota As duas perguntas propostas têm caráter reflexivo e não exigem resposta fechada, portanto sugere-se uma roda de conversa que valorize a experiência pessoal dos estudantes. Na primeira pergunta, incentive-os a distinguir estratégia comunicativa (suavizar para preservar a relação) de eventual falta de sinceridade, evitando julgamentos morais sobre as respostas apresentadas. Na segunda, é interessante usar o exemplo da ironia em mensagens de texto para mostrar, na prática, como elementos extralinguísticos — tom, contexto, relação entre os interlocutores — interferem na interpretação de um enunciado, mesmo quando as palavras estão corretas. Pratique – Aula 6 1) A expressão “é como se” indica possibilidade, já que os navegantes estão de costas para o perigo iminente e, por isso, não têm certeza de que algo ruim pode acontecer. Caso julgue adequado, explique que a forma verbal “soubessem”, no pretérito imperfeito do subjuntivo, contribui para a ideia hipotética. 70

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Aprofunde 1) Alternativa B. O texto contrapõe palavras de sentido próximo para mostrar, com humor, que a diferença entre elas está na situação de uso. Peça aos estudantes que criem um par de “nuances” no mesmo estilo. 2) A personagem pressupõe que o acordo ortográfico unificaria a língua, mas a ortografia é só um de seus níveis; o desconhecimento de “peúgas” e “bica” quebra esse pressuposto. 3) Na charge sobre a chegada do homem à Lua, em 1969, o temor dos extraterrestres remete à degradação ambiental da Terra. 4) Alternativa E. O texto opõe termos (“difícil” e “fácil”) e acrescenta ideias; ajude os estudantes a localizar os conectivos de oposição e adição. 5) Alternativa B. A reinterpretação dos ditados com termos da informática produz humor e depende do conhecimento dos ditados originais (intertextualidade). 6) Na tira de Laerte, o terceiro quadrinho esvazia a palavra “protocolo”, aproximando-a de uma onomatopeia, e o último enunciado remete ao telemarketing. É hora de retomar O esquema reúne os cinco eixos do capítulo. Proponha aos estudantes que associem a cada eixo um exemplo estudado, como a tira de Hamlet e Frida ou o poema de Conceição Evaristo. Ponto de parada Na rotina 3–2–1, a pergunta final pode ser respondida oralmente, em roda, para encerrar o capítulo.

Material complementar • BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHINOV, Volóchinov N. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução: M. Lahud e Y. F. Vieira. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009. • MIA Couto fala sobre desafios da língua portuguesa. [S. l.: s. n.], 2019. 1 vídeo (1 min 8 s). Publicado pelo canal ONU News. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/XSwYSR.

Referências • BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. • BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHINOV, Volóchinov N. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução: M. Lahud e Y. F. Vieira. 13. ed. São Paulo: Hucitec, 2009. • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. • BRAGA, Maria Luiza; MOLLICA, Maria Cecilia (org.). Introdução à sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto, 2003. • BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/bAdLHj. • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. reimpr. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017. • FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2009.

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Capítulo 4 — Nossa língua portuguesa Número de aulas sugerido: 6 aulas

Objetivos do capítulo: • Explicar a evolução histórica do português europeu. • Explicar como o português se desenvolveu em outros países lusófonos. • Explicar a evolução histórica do português brasileiro. • Distinguir o português brasileiro do português europeu. • Distinguir o português de países lusófonos localizados na África do português europeu e do brasileiro. • Explicar o processo de evolução de uma língua. • Explicar as formas de conceber a gramática. • Explicar a razão de ser da gramática. • Explicar o significado de fonema. • Distinguir fonema de letra. • Distinguir fonética de fonologia.

Planejamento de aulas do capítulo Habilidades Sesc

SESCEM13LGG101.LP.H2 SESCEM13LGG104.LP.H1 SESCEM13LGG201.LP.H1 SESCEM13LGG302.LP.H2 SESCEM13LGG401.LP.H2 SESCEM13LP09.LP.H1 SESCEM13LP09.LP.H2

Aula

Descrição

1

• Abertura • Origens da língua portuguesa • Países lusófonos e o português brasileiro • Enem em foco • Pratique 1 • Aprofunde 1

2

• Influências e diferenças na língua portuguesa • Boxe Tome nota • Pratique 2 • Aprofunde 2

3

• Mudanças na língua portuguesa • Boxe Investigação • Pratique 3 • Aprofunde 3

4

• Conceito de gramática • Boxe Conexões • Boxe Conexões • Pratique 4 • Aprofunde 4

5

• Fonética e fonologia • Boxe Conexões • Pratique 5 • Aprofunde 5

6

• Boxe Desenvolvendo habilidades • Leitura: Emojis estão virando uma nova linguagem • Pratique 6 • Aprofunde 6

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Orientações para o capítulo Este capítulo tem o objetivo de apresentar a língua portuguesa como um sistema vivo, histórico e em constante transformação, articulando a reflexão sobre a formação do idioma com o estudo de seu sistema gramatical. Os conteúdos partem da origem latina da língua e de seu processo de formação na Península Ibérica, avançam pela expansão do português pelo mundo — com destaque para os países lusófonos, como Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe, e para territórios nos quais o português possui estatuto oficial, como Macau, na Índia, e as variantes da língua — e chegam às diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Na sequência, o capítulo aprofunda o conceito de gramática, apresentando suas diferentes concepções (normativa, descritiva, histórica, comparada), para então introduzir os subsistemas fonológico e morfológico, com foco em fonética, fonologia e fonema. Os conteúdos são relacionados ao cotidiano dos estudantes por meio de obras de arte, canções (como “AmarElo”, de Emicida), tirinhas (Chico Bento, Calvin), reportagens e trechos literários, além de questões do Enem e de vestibulares e de propostas de investigação e pesquisa em grupo que estimulem a prática ativa e a reflexão crítica sobre os usos da língua. As competências indicadas na abertura podem ser trabalhadas ao longo do capítulo. A competência socioemocional Habilidades de relacionamento é favorecida nas atividades em duplas e grupos, a exemplo do boxe Investigação; Tomada de decisão responsável aparece na reflexão sobre a adequação da língua às situações comunicativas, apresentada no boxe Tome nota. Quanto à matriz Empreendedora do Sesc, Explorar ideias e Inovação e solução de problemas estão presentes nas propostas em que os estudantes criam exemplos próprios, e Comunicação, nas apresentações da pesquisa sobre variantes do português. Sugere-se, como material complementar para este capítulo, a retomada da contribuição dos modernistas de 1922, entre eles destaca-se Mário de Andrade, que se dedicou ao estudo da língua pátria. Essa proposta é pertinente porque o capítulo aborda, além da gramática, a história do português brasileiro, sua relação com o português europeu, do qual se origina, e suas relações com as línguas indígenas e africanas, que constituem raízes da formação linguística e do léxico brasileiros. Convém recuperar, na obra de Mário de Andrade, o estudo que resultou no livro Gramatiquinha da fala brasileira. Abertura A proposta de análise da imagem de pessoas de diferentes culturas de mãos dadas permite introduzir o tema da diversidade cultural e linguística brasileira, de maneira sensível e reflexiva, como ponto de partida para a discussão sobre a formação da língua portuguesa falada no Brasil. Sugere-se iniciar a aula explorando a imagem com os estudantes e incentivando-os a refletir sobre a diversidade cultural presente na sociedade brasileira. É interessante propor que comentem livremente a imagem antes da leitura do texto, levantando hipóteses sobre como o contato entre diferentes povos contribuiu para a formação da língua portuguesa no Brasil. Atividade a) É importante que os estudantes percebam que o contato entre falantes de português e falantes de outras línguas ampliou o vocabulário da língua portuguesa por meio da influência de línguas indígenas e africanas, além do francês, do árabe, do italiano, entre outras. Entre os principais grupos envolvidos nesse processo, destacam-se portugueses, povos indígenas e africanos. Atividade b) O estudante deve compreender que, por se tratar de países diferentes, os contextos de uso de uma mesma língua também refletem essas diferenças. Por isso, elas existem e vão além da forma, trazendo sentidos diferentes. 74

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Atividade c) Sim, pois a língua é um organismo vivo que está em constante mudança. Atualmente, o português brasileiro recebe influências, por exemplo, da língua inglesa, em razão da introdução de elementos culturais estadunidenses no país. Um exemplo são palavras do inglês relacionadas à tecnologia, como download. No tópico Origens da língua portuguesa, a perspectiva diacrônica orienta o estudo da língua em seu desenvolvimento e nas transformações que marcaram sua história. Essa abordagem permite delinear as etapas pelas quais o português passou até se consolidar como a língua que conhecemos hoje. Sugere-se iniciar a aula retomando brevemente as reflexões levantadas na abertura do capítulo com base na obra de Adriana Varejão. Estabeleça uma relação entre a diversidade étnica brasileira e a diversidade linguística, que será discutida sob uma perspectiva histórica. Antes de iniciar a leitura do conteúdo, pergunte aos estudantes o que sabem sobre a origem da língua portuguesa, levantando hipóteses e conhecimentos prévios sobre o latim e o Império Romano. Ao apresentar a imagem do Testamento de Dom Afonso II, sugere-se propor aos estudantes que reflitam sobre a importância de documentos históricos escritos para a datação e o estudo da evolução das línguas, reconhecendo esse testamento como um dos primeiros registros datados do português. Ao trabalhar o boxe de destaque com as cinco etapas de formação da língua portuguesa (latim lusitânico, romance lusitânico, português proto-histórico, português arcaico e português moderno), sugere-se construir com a turma uma linha do tempo esquemática na lousa, situando cada etapa em seu respectivo período histórico. Essa atividade favorece a visualização do caráter processual e gradual da formação linguística, evitando a ideia equivocada de que a língua portuguesa “surgiu pronta” em um único momento. No subtópico Países lusófonos e o português brasileiro, explore o mapa dos países de língua portuguesa e retome os nomes de todos os países lusófonos: Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal, localizando-os geograficamente. Mencione também Macau, onde o português é língua oficial, e Goa, onde a língua tem presença histórica. Aproveite para contextualizar a expansão marítima portuguesa dos séculos XV e XVI e o conceito de português arcaico levado às colônias. Ao tratar da chegada dos portugueses ao Brasil, é fundamental abordar com sensibilidade e criticidade o processo de colonização, destacando o contato da língua portuguesa com as línguas indígenas, sobretudo do tronco Tupi, e, posteriormente, com as línguas dos povos africanos escravizados. Recomenda-se problematizar com os estudantes os processos de catequização, exploração e extermínio mencionados no texto, para que a aula não trate a formação linguística de maneira neutra ou descolada de seu contexto de violência histórica. O boxe de destaque sobre o “R caipira” e o “S chiado”, extraído da reportagem da Pesquisa Fapesp, é uma excelente oportunidade para uma atividade oral. Peça aos estudantes que reproduzam, se souberem, as pronúncias mencionadas no texto, como em “porrrta” ou “shquina”, e que identifiquem se conhecem falantes ou regiões com essas características. Essa abordagem ajuda a desconstruir preconceitos linguísticos, mostrando que traços de pronúncia associados a determinadas regiões, como o interior de São Paulo, têm, na verdade, raízes Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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históricas mais amplas e complexas, relacionadas às rotas dos bandeirantes e à presença da corte portuguesa no Brasil. Enem em foco Oriente a leitura atenta do enunciado sobre a carta do soldado Manoel Coelho, retomando a discussão sobre o registro escrito de fenômenos da fala. O excerto sugere que variantes da língua portuguesa falada no Brasil atualmente estavam presentes no século XIX, pois a construção “Nem por bem, nem por mar!”, registrada em documentos desse período, apresenta uma marca de oralidade na palavra “mar”, em vez de “mal” (advérbio). Assim configura-se como “prova valiosa de como se falava no início do século XIX”. A alternativa correta é a D; as alternativas A e E invertem a relação entre fala e escrita. Pratique – Aula 1 1) Alternativa C. O texto relata a queixa de poetas brasileiros diante do desdém de parte dos portugueses pelo português brasileiro, preconceito que se apoia na crença em uma língua ideal, supostamente falada em Portugal. Relacione a discussão ao preconceito linguístico, estudado no Capítulo 2. Sugere-se, no tópico Influências e diferenças na língua portuguesa, que a aula seja iniciada retomando a formação histórica da língua portuguesa e sua expansão pelos países lusófonos, de modo a estabelecer relação com o novo conteúdo. É interessante perguntar aos estudantes se eles já tiveram contato com falantes de Portugal ou de outros países lusófonos e se notaram diferenças de pronúncia, vocabulário ou construção de frases. Ao tratar do uso do gerúndio, destaque o dado histórico apresentado no texto: contrariando o senso comum, foi o português europeu que se afastou do uso arcaico do gerúndio, e não o brasileiro que “inventou” essa forma. Enfatize esse ponto para que os estudantes desconstruam a visão de que o português brasileiro seria “menos correto” que o europeu, quando, na verdade, preserva estruturas mais antigas da língua. Ao avançar para a comparação com os demais países lusófonos, oriente a leitura dos textos sobre Moçambique, São Tomé e Príncipe e Angola, propondo que os estudantes, em duplas ou pequenos grupos, elaborem um quadro comparativo com as principais características linguísticas de cada país. Essa sistematização ajuda a consolidar a compreensão da diversidade da língua portuguesa. Tome nota O boxe pode ser explorado como momento de reflexão coletiva, retomando as perguntas propostas sobre a importância de adequar a língua à situação comunicativa. Sugere-se promover uma roda de conversa com base nas duas perguntas do boxe, incentivando os estudantes a compartilhar experiências pessoais de adaptação da fala a diferentes contextos (em casa, na escola, nas redes sociais, em entrevistas etc.) e discutindo como as tecnologias digitais têm criado situações comunicativas que exigem adaptações da língua. O estudante deve compreender que, ao usar a língua conforme os contextos em que se encontra, o falante pode comunicar-se com clareza e atingir seus objetivos. As tecnologias atuais influenciam o uso da língua ao constituírem novas situações comunicativas que exigem adaptações. 76

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Por fim, ao apresentar o boxe de destaque sobre o Novo Acordo Ortográfico, é importante situar historicamente os estudantes: explique que o acordo foi aprovado em 1990, mas implementado somente em 2009, havendo um período de coexistência entre dois acordos ortográficos até 2015. Destaque que o acordo envolveu representantes de sete países lusófonos (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, GuinéBissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), reforçando a ideia de que a padronização ortográfica é resultado da negociação política e cultural entre nações que compartilham a mesma língua, mas com usos distintos. Pratique – Aula 2 1) Oriente os estudantes a organizar a resposta em torno de dois fatores expostos no texto: o contato com as línguas indígenas e africanas, que não ocorreu em Portugal, e o afastamento em relação às mudanças de pronúncia ocorridas na Europa no século XVIII. No tópico Mudanças na língua portuguesa, sugere-se iniciar a leitura contextualizando a origem do texto 500 anos da língua portuguesa no Brasil, uma conferência proferida por Evanildo Bechara em um seminário da Câmara dos Deputados em parceria com a Academia Brasileira de Letras (ABL), em comemoração aos 500 anos do Brasil. Apresente brevemente quem foi Bechara, destacando sua relevância como gramático, filólogo e membro da ABL, para que os estudantes reconheçam a relevância científica do argumento apresentado. Ao conduzir a leitura do trecho, é recomendável dividir a explicação em duas partes, acompanhando a estrutura do próprio texto. Na primeira parte, oriente os estudantes a compreender o exemplo da colocação pronominal (próclise × ênclise). Esclareça, com apoio do glossário da palavra “enclítico”, que Bechara refuta a tese de que a colocação pronominal brasileira seria fruto da influência das línguas indígenas e africanas, demonstrando que se trata, na verdade, da preservação de uma tendência já existente no português pré-clássico, anterior ao fortalecimento da sílaba tônica que levou o português europeu a optar pela ênclise. Esse é um bom momento para retomar, criticamente, a discussão sobre a ideia equivocada de que o português brasileiro seria um “desvio” do europeu. Na segunda parte, explore a reflexão de Bechara sobre o conceito de correção linguística, destacando a afirmação de que “correto, numa língua, é o que está tradicionalmente fixado” e que uma língua histórica se reparte em diversas modalidades. Aproveite para sistematizar com a turma, na lousa, os quatro eixos de variação mencionados pelo autor: no tempo (cronológica), no espaço (geográfica), nas camadas sociais e nos níveis de estilo. Essa sistematização retoma, de maneira teórica, os exemplos práticos já trabalhados anteriormente (dialeto caipira, “R” caipira, diferenças entre Brasil e Portugal etc.), ajudando os estudantes a perceber que os fenômenos concretos discutidos ao longo do capítulo se encaixam nessa classificação mais ampla proposta pela linguística moderna. A imagem da obra O violeiro, de Almeida Júnior, pode ser explorada como recurso visual para sensibilizar os estudantes quanto à representação cultural do falar caipira e sua relevância como elemento da identidade brasileira, retomando o repertório artístico mobilizado na abertura do capítulo com a obra de Adriana Varejão. Investigação O boxe propõe uma atividade de pesquisa em duplas voltada à comparação entre variantes da língua portuguesa faladas em diferentes países lusófonos, Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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articulando-se diretamente aos conteúdos trabalhados anteriormente sobre a diversidade linguística do português. Este boxe mobiliza as habilidades EM13LP31, EM13LP33 e EM13LP34 da BNCC e deve ser conduzido como um momento de sistematização prática dos conceitos teóricos discutidos até aqui. Oriente os estudantes quanto à realização das pesquisas, à organização das informações pesquisadas e à escolha do suporte por meio do qual elas serão apresentadas. Combine com a turma a data das apresentações e providencie todos os materiais necessários para sua realização. Pratique – Aula 3 1) Alternativa B. Os diferentes nomes de um mesmo prato exemplificam a variação geográfica. Relacione a questão aos dialetos citados no tópico e ao “urubu” chamado de “corvo” no Sul, lido na Aula 1. No tópico Conceito de gramática, o objetivo é ampliar a compreensão dos estudantes sobre o conceito de gramática, apresentando suas diferentes concepções (normativa, descritiva, histórica, comparada) e a hipótese da gramática gerativa transformacional de Noam Chomsky, concluindo com uma entrevista de Evanildo Bechara. Retome a relação, já apresentada anteriormente, entre o estudo da gramática e a concepção de que a norma-padrão seria superior aos usos coloquiais da fala e da escrita, muitas vezes associada ao preconceito linguístico. Enfatize essa discussão para que os estudantes não compreendam o estudo da gramática como uma prática mecânica ou tecnicista, mas como ponto de partida para uma reflexão sobre a língua e seus usos. Fonologia, morfologia e sintaxe abordam aspectos da língua, características que a envolvem e seu uso no cotidiano. Por isso, mais do que reconhecer a constituição de cada uma dessas áreas, proponha atividades que tratem esses temas de maneira ampla, articulando o conhecimento de suas estruturas ao emprego da língua em diferentes situações de fala. Também é possível propor uma atividade em que os estudantes analisem determinada situação de fala com base na norma ou no fato linguístico, o que significa optar entre duas concepções de gramática. O estudo dos sons da língua pode constituir outra possibilidade de trabalho, com base na leitura do boxe Conexões, que aborda a fonologia. Ao trabalhar os exemplos de Chomsky (“Mariana vendeu o carro”/”O carro foi vendido por Mariana”; “João é fácil de agradar”/”É fácil agradar João”) para apresentar a hipótese da gramática gerativa transformacional, proponha aos estudantes que criem, em duplas, novos pares de frases com a mesma estrutura profunda, mas superfícies distintas. Depois de elaborarem seus próprios exemplos, oriente as duplas a trocá-los entre si, desafiando os colegas a identificar qual seria a “estrutura profunda” comum entre as frases criadas e a explicar, com suas próprias palavras, o que se manteve constante e o que foi transformado. Essa troca faz com que os estudantes percebam, de maneira prática, que frases com formas diferentes podem expressar a mesma relação de sentido, consolidando, assim, o conceito de gramática gerativa como ferramenta viva para observar a própria língua em uso, e não apenas como memorização de um nome teórico. No boxe Conexões, destaque a ideia central atribuída a Chomsky e proponha uma breve discussão coletiva com base em perguntas como: os estudantes concordam com essa hipótese? Como ela se relaciona à facilidade com que crianças pequenas adquirem sua língua materna, mesmo sem instrução formal? Essa reflexão 78

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aproxima um conceito teórico e abstrato da experiência concreta dos estudantes, que podem observar esse processo em irmãos ou primos mais novos. Pratique – Aula 4 1) No item a), oriente os estudantes a construir uma opinião com base em argumentos e, se possível, em exemplos concretos do próprio cotidiano, como situações em que precisaram adaptar a fala em um grupo de amigos, uma entrevista de emprego, um trabalho escolar ou uma conversa em família. Promova uma breve roda de discussão antes do registro escrito, para que os estudantes ouçam posicionamentos diferentes dos colegas e enriqueçam sua própria argumentação. Caso surjam respostas discordantes da tese de Bechara, acolha-as e peça aos estudantes que expliquem em quais contextos reconhecem valor no domínio da norma-padrão. Assim, a discussão não deve se polarizar entre “certo” e “errado”, mas ampliar a reflexão sobre as situações em que cada variante é mais adequada. No item b), como se trata de uma hipótese a ser formulada pelo próprio leitor, é interessante orientar os estudantes a retomar trechos específicos da entrevista para embasar a resposta. Incentive-os a ir além da ideia genérica de “a gramática é importante para a comunicação”, propondo que reflitam sobre perguntas mais específicas: em que medida a gramática normativa pode, ao mesmo tempo, abrir portas e excluir? Essa reflexão retoma, de maneira mais madura, a discussão sobre preconceito linguístico, permitindo que a resposta dos estudantes articule teoria e senso crítico, e não apenas repita o conteúdo lido. No tópico Fonética e fonologia, a diferença entre letra e fonema pode parecer evidente até o momento em que o estudante precisa reconhecer o fonema relacionado à emissão sonora de uma letra de uma palavra. A exemplo da personagem Cebolinha, de Mauricio de Sousa, a variação fonético-fonológica — isto é, a troca de um fonema em uma palavra — pode resultar em um sentido diferente daquele pretendido pelo falante. A análise dessa mudança de sentido pode ser uma forma de explorar o assunto abordado no tópico. No boxe Conexões, destaque a relevância de Ataliba Teixeira de Castilho como linguista brasileiro e autor da Nova Gramática do Português Brasileiro, demonstrando aos estudantes que a gramática pode ser compreendida com base em diferentes abordagens e autores. Ao trabalhar o trecho de Era o dito, de Marcelino Freire, conduza os estudantes a perceber o jogo criativo entre “dito/fito” e “feito/deito”, explorando como a troca do som inicial altera completamente o sentido das expressões — de uma ideia de ação para uma ideia de repouso. Essa análise reforça, de maneira lúdica, a diferença entre fonética (estudo da produção física dos sons) e fonologia (estudo dos sons como unidades distintivas de significado), conforme definido no texto. Ao apresentar o esquema “Palavras → Classes → Léxico”, sistematize com a turma o conceito de léxico como o repertório de palavras e expressões de uma língua, retomando exemplos do próprio texto (ações, objetos, animais, situações). Pratique – Aula 5 1) Alternativa E. Faça a contagem na lousa: “glória”, “regime” e “exaltados” têm o mesmo número de letras e fonemas; “boxe” tem mais fonemas do que letras, pois o "x" representa dois sons; “impossível” e “horrorosos” têm mais letras do que fonemas (dígrafos "ss" e "rr"; "h" sem valor sonoro). Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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Desenvolvendo habilidades CRITÉRIOS

BOM

REGULAR

INSUFICIENTE

Articulação temática

Identifica com clareza o apelo presente nos versos finais da canção, relacionando-o à ideia de superação e esperança dirigida às pessoas que vivem à margem da sociedade, demonstrando compreensão do discurso social que permeia a letra.

Menciona o apelo presente nos versos finais, mas a relação com o discurso social sobre exclusão e marginalização é superficial, pouco desenvolvida ou apresentada de modo fragmentado.

A produção descreve trechos da canção isoladamente, sem estabelecer relação entre o apelo dos versos finais e o contexto social ao qual a letra se refere.

Análise crítica

Relaciona os sentidos figurados atribuídos aos termos “maloqueiro” e “maloqueira”, bem como à metáfora do “ringue”, à ideia de resistência e luta contra a exclusão social, refletindo criticamente sobre os efeitos de sentido construídos pela letra.

Cita os sentidos figurados dos termos ou da metáfora do ringue de modo genérico, sem aprofundar a análise da construção de sentido ou sem discutir a relação entre linguagem e discurso social.

Não aborda os sentidos figurados presentes na canção ou o faz de maneira incorreta, descontextualizada ou dissociada do restante da reflexão.

Uso de dados e organização

Utiliza o trecho da canção apresentado como base de argumentação, com interpretação própria dos versos e do contexto de sua declamação por Emicida, vocabulário adequado e organização clara e coerente das ideias.

Faz referência ao trecho da canção, mas com interpretação limitada, repetição de informações sem elaboração própria ou organização pouco clara das ideias.

Não utiliza o trecho da canção fornecido, descreve os versos sem interpretação própria, apresenta reprodução direta de informações ou tem organização confusa/incompleta.

O boxe Desenvolvendo habilidades propõe a leitura e a análise de um trecho da canção “AmarElo”, de Emicida, com participação de Pabllo Vittar e Majur, mobilizando as habilidades da BNCC Computação (EM13CO12 e EM13CO13). Sugere-se iniciar a atividade com a audição do trecho da canção, se possível, antes da leitura da letra impressa, permitindo aos estudantes que percebam a força expressiva da declamação de Emicida e o tom de apelo presente na música. 1) O apelo presente nos versos finais é o de que o jovem precisa acreditar que pode conquistar uma posição valorizada na sociedade. Além disso, os versos destacam a ideia de que há sempre esperança. O apelo é dirigido às pessoas que estão à margem da sociedade. 2) Ao direcionar o foco do leitor da letra da canção para uma parcela da população que vive à margem da sociedade, Emicida revela não apenas a realidade dos jovens que não têm acesso aos sistemas educacionais ou que se sentem incapazes de frequentar instituições escolares, mas também a de todos aqueles que são excluídos pelo sistema social. 3) Considerando o contexto da letra da canção, os termos ”maloqueiro” e “maloqueira” estão sendo aplicados no sentido figurativo: pessoas que vivem à margem da sociedade. 80

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No dicionário, o significado formal da palavra está relacionado ao substantivo “maloca”, espécie de habitação indígena coberta de palmas secas. 4) O verso em questão é um apelo para que o receptor da mensagem não desista de buscar seus objetivos, a fim de sair da margem da sociedade e ser bem-sucedido. Nesse verso, é criada a imagem de um ringue, que representa a vida, permeada por desafios e a ser enfrentada por lutadores em busca da vitória (para chegar ao “pódio”). Após o boxe Desenvolvendo habilidades, introduza o trecho da reportagem da Superinteressante sobre o uso dos emojis como fenômeno linguístico em expansão. Sugere-se iniciar a leitura perguntando aos estudantes com que frequência utilizam emojis no dia a dia e propondo que compartilhem exemplos de situações em que esse recurso foi essencial para evitar mal-entendidos em uma conversa. Essa abordagem aproximará o conteúdo teórico de sua experiência concreta com a linguagem digital. Ao conduzir a leitura da reportagem, destaque a pesquisa do linguista Tyler Schnoebelen e a ideia central de que os emojis apresentam uma “gramática” própria, com regras práticas de uso, como a tendência de aparecerem no final das frases, e a capacidade de terem seus significados alterados ao longo do tempo, assim como ocorre com as palavras de qualquer idioma. O exemplo do emoji de caveirinha, associado majoritariamente a “telefone sem bateria” e não a “cansaço”, pode introduzir uma atividade prática. Proponha aos estudantes que indiquem, oralmente ou por escrito, outros emojis que, em seu uso cotidiano, adquiriram sentidos diferentes do significado literal da imagem original. É importante conduzir os estudantes à reflexão apresentada ao final do texto: os emojis não substituem a linguagem verbal, mas funcionam como marcadores de contexto, tom de voz e humor do interlocutor, complementando a comunicação escrita de maneira semelhante ao que a entonação e a expressão facial fazem na fala presencial. Retome, de modo lúdico, a discussão sobre a inserção desse novo vocabulário no repertório lexical da língua portuguesa e o conceito de léxico já trabalhado. Pratique – Aula 6 1) No item a), a resposta deve relacionar os emojis às marcas da conversa presencial (expressão facial, tom de voz, reações). No item b), proponha que as duplas escrevam uma mensagem só com os emojis da imagem e a troquem com outra dupla, que a interpretará. Aprofunde 1) A resposta deve reconhecer que cada país faz uso singular da língua (palavras iguais com sentidos diferentes, termos locais) e que essas diferenças enriquecem o idioma. 2) No item a), os posicionamentos são o de quem considera que a língua vai mal no Brasil e o da autora, que discorda. No item b), a inversão sintática destaca “irá mal” e reforça a ironia. 3) Alternativa D. A preservação da Língua da Tabatinga decorre do sentimento de identidade de seus façantes. Peça aos estudantes que localizem os trechos que sustentam a resposta. Linguagens e suas Tecnologias | Manual do professor | volume 1

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4) Alternativa C. A fala da gerência segue a norma-padrão e, por isso, não apresenta as marcas da variação usada por Chico Bento. 5) Alternativa B. Grafias como “gardecido” aproximam o texto da oralidade e marcam o registro regional da personagem. 6) Na questão sobre os sons vocais, espera-se que os estudantes retomem a função distintiva dos fonemas. Na questão sobre a tira de Calvin, a diferença entre “face” e “fase” e o conhecimento prévio das personagens explicam os sentidos atribuídos à Lua. 7) Alternativa D. As reiterações sonoras entre “amor” e “amar” e entre “amora” e “amargo” criam a tensão de sentido do poema; leia-o em voz alta com a turma. É hora de retomar O esquema organiza o capítulo em cinco eixos. Peça aos estudantes que deem, para cada eixo, um exemplo de conteúdo estudado. Ponto de parada Na rotina 3–2–1, sugere-se que o compartilhamento seja feito nas duplas do boxe Investigação, para que retomem a pesquisa à luz do que aprenderam depois.

Materiais complementares • ALMEIDA, Aline Novais de. A gramatiquinha da fala brasileira: uma poética de Mário de Andrade. Manuscrítica: Revista de Crítica Genética, São Paulo, n. 23, p. 6-9, 2012. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/EFrxC6.

Referências • AMARANTE, Leonor; ROUSSEAUX, Patrícia. Povo de cores infinitas. ARTE! Brasileiros, 2 jul. 2018. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/9l2unr. • BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2012. • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 38. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. • FIORAVANTI, Carlos. Ora pois, uma língua bem brasileira. Pesquisa Fapesp, ed. 230, abr. 2015. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/9UgQiJ. • SILVEIRA, Regina Célia Pagliuchi da. Uma pronúncia do português brasileiro. São Paulo: Cortez, 2008. • SOUZA-E-SILVA, Maria Cecília P. de; KOCH, Ingedore Villaça. Linguística aplicada ao português: morfologia. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2012. • SOUZA, Jaiane. Como é a língua portuguesa falada em Moçambique? Mondo Livro, 19 out. 2020. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/Q2PT23. • MEDEIROS, Adelardo A. D. São Tomé e Príncipe. In: MEDEIROS, Adelardo A. D. (org.). A língua portuguesa. Natal, [20--]. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/dqrNxG.

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Capítulo 2 Consulte orientações no Manual do Professor.

Diversidades que compõem a língua

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada BANDEIRA, Manuel. Evocação do Recife. In: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. [S. l.: s. n.], 1930. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/xkvIFE.

Habilidades do Sesc: SESCEM13LGG104.LP.H1; SESCEM13LGG402.LP.H1; SESCEM13LP10.LP.H1; SESCEM13LP10.LP.H2; SESCEM13LP10.LP.H5. Competências Socioemocionais: Autogestão; Autoconsciência. Competência da matriz Empreendedora do Sesc: Explorar ideias; Inovação e solução de problemas, Pertencimento ao território. O texto na íntegra das competências específicas e habilidades da BNCC encontra-se no Manual do Professor.

O trecho do poema de Manuel Bandeira valoriza o conhecimento cultural da língua portuguesa falada pelo povo brasileiro, evidenciando diferenças entre a norma oral cotidiana e a variante escrita, moldada pelos padrões do português canônico de Portugal. a) A Linguística é a ciência que tem como objeto de estudo a linguagem humana. Em uma análise linguística que considere a língua falada em sua diversidade, que diferenças podem ser observadas entre ela e a língua escrita? b) Quais aspectos linguístico-culturais estão relacionados à compreensão do português como língua falada e língua escrita? c) Como o contexto influencia o uso da língua falada ou da língua escrita? d) Você já presenciou alguém ter as opiniões e os argumentos invalidados porque apresentou desvios gramaticais ao falar? Por que você acha que essa desqualificação ocorreu?

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Escultura do poeta modernista Manuel Bandeira, em Recife (PE), 2014.

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Aula 1

Relação sociocultural da língua À medida que aprende sua língua materna, todo indivíduo aprende com ela uma forma de conhecer o mundo e de se relacionar socialmente. José Carlos de Azeredo.

Em qualquer comunidade, há um universo de referências compartilhado por seus membros, que se reflete diretamente nas práticas de comunicação estabelecidas entre eles. Nesse contexto, a língua exerce papel significativo, pois é usada para expressar e tornar compreensível a vivência de cada membro de uma comunidade. Com base nessa reflexão, afirma-se que o conhecimento da língua torna o usuário capaz de integrar-se ativamente à rotina social de seu meio. Tal integração pressupõe habilidades diversificadas, que envolvem diferentes participantes de um grupo. Assim, o domínio da língua está diretamente relacionado à adequada realização dos atos comunicativos decorrentes do convívio social estabelecido por esse grupo. A comunicação pressupõe interação, adesão, cooperação, posicionamento e oposição de ideias de um sujeito em relação a outro, fatores que podem ser avaliados conforme o evento comunicativo e os efeitos pretendidos. As experiências de vida e o contato com diferentes gêneros e tipos de texto contribuem sistematicamente para a construção do conhecimento. O vocabulário, a organização sintática e o estilo são fatores importantes para que o efeito pretendido seja alcançado. Reconhecer o fator sociocultural em relação a uma língua significa usá-la e compreendê-la como um sistema vivo que apresenta diversidades, crenças, convenções e valores. Sobre isso, o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Manoel Mourivaldo Santiago Almeida estabelece uma relação entre os diferentes sotaques e a mudança que a língua apresenta conforme o contexto social. Leia o trecho a seguir. “Esse dialeto está em formação, variação e mudança desde seus primeiros contatos ocorridos na extensa região do então planalto de Piratininga entre falantes da língua portuguesa e das diversas línguas indígenas. A partir dos séculos 17 e 18, essa variedade se expandiu para o interior tanto paulista quanto brasileiro, principalmente para o Centro-Oeste do Brasil, tendo como caminho as águas do Tietê, pela ação dos bandeirantes e bolseiros, aqueles que se utilizam de vias fluviais, e também para o Sul do Brasil pela rota dos tropeiros. É preciso somar a esse contexto o contato entre as línguas africanas, da época da escravidão e também depois com as línguas europeias, como o italiano, dentre outras e de outros continentes”, afirma. Malu. Diferença de sotaques apenas demonstra que as línguas mudam conforme o contexto social e regional. Jornal da USP, 8 out. 2024. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/dKznJ9.

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INVESTIGAÇÃO

• discutam sobre os elementos de comunicação não verbal que caracterizam essa prática cultural. • verifiquem se esses elementos ou se outro elemento semelhante fazem parte do cotidiano de vocês. • registrem suas impressões. Em seguida, pesquisem elementos não verbais que simbolizam a identidade brasileira. A busca pode ser feita na internet, com atenção à consulta de fontes confiáveis. Registrem suas descobertas por escrito, com a elaboração prévia de um rascunho e posterior revisão para editar possíveis inconsistências e incorporar melhorias. Após a análise e investigação, organizem seus escritos em um esquema que apresente esses elementos não verbais acompanhados de palavras-chave e textos breves que sintetizem as ideias e as conclusões alcançadas. Ao final, em uma apresentação oral, compartilhem com os colegas o que encontraram e as análises que realizaram. Aproveitem também para trocar com outras duplas o que foi encontrado a respeito de símbolos que representam o Brasil.

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A cultura brasileira caracteriza-se por sua riqueza simbólica, e muitos desses símbolos são expressos por meio da linguagem não verbal. Nessa modalidade, os códigos de comunicação — como imagens, gestos e movimentos corporais, cores, roupas e artefatos artísticos — surgidos em determinado contexto sócio-histórico podem revelar aspectos singulares de uma época, de um lugar e de um povo, como crenças, valores, comportamentos e ideais. A imagem ao lado apresenta o realejo, instrumento musical mecânico, geralmente formado por uma caixa de madeira com um sistema de cilindros, manivela e tubos que produzem melodias quando o mecanismo é acionado. No Brasil, essa prática tornou-se conhecida também pela figura do realejeiro, que percorria ruas e praças tocando o instrumento e entretendo a população local. Em algumas regiões, a prática estava associada à leitura da sorte: um periquito treinado retirava de uma caixa pequenos papéis com mensagens que prometiam revelar a sorte de quem os recebia. A música do instrumento e os elementos que compunham essa prática contribuíam para sua identificação no imaginário popular. O realejo constitui-se como exemplo de expressão cultural que remete a tempos mais antigos, mas que permanece, de modo geral, como símbolo na atualidade. Em duplas, analisem o conteúdo da imagem levando em consideração o que foi apresentado anteriormente acerca do realejo. Durante essa análise:

Ao analisar o texto e a imagem, os estudantes podem identificar elementos como roupas, chapéu, gestos e movimentos do personagem, além de características que remetem à sua profissão. Na pesquisa, podem explorar símbolos presentes no cotidiano, como superstições, símbolos nacionais e elementos culturais do Brasil. A atividade pode ser desenvolvida de forma interdisciplinar com História e Sociologia, discutindo estereótipos e interpretações sobre símbolos culturais e históricos.

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PRATIQUE 1. (Enem/MEC) A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por “meninos pobres vindos da Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais”. Conhecida por antigos como a “língua dos engraxates”, pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados como uma espécie de “língua secreta”, um código para trocarem informações de como conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem descobertos por eles. De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de preservar a “fala que os identifica na região”. Essa mudança de compreensão tangencia aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade. Disponível em: www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org. Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).

A Língua da Tabatinga tem sido preservada porque o(a) a) seu registro passou da forma oral para a escrita. b) classe social de seus usuários ganhou prestígio. c) sua função inicial se manteve ao longo dos anos. d) sentimento de identidade linguística tem se consolidado. e) perfil etário de seus falantes tem se tornado homogêneo. 2. Leia o trecho da notícia a seguir. Se você tem navegado pelas redes sociais ou convive com jovens nascidos nos últimos anos da geração Z (entre 1997 e 2009) ou da geração Alfa (entre 2010 e 2025), é muito provável que já tenha ouvido a expressão “farmar aura”. [...] O verbo “farmar” vem diretamente dos jogos eletrônicos, como Minecraft, World of Warcraft e Fortnite. Nesses ambientes, “farmar” significa realizar tarefas repetitivas para acumular recursos, pontos ou experiência. SANTOS, Emily. ‘Farmar aura’: o que significa uma das principais gírias da geração alfa e qual sua origem. G1, 14 abr. 2026. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/gi6ihj.

De que forma o fato noticiado exemplifica a relação sociocultural da língua? As gerações mencionadas na notícia criaram uma gíria como forma de integração à realidade social da qual fazem parte. Para isso, a língua foi adaptada a suas vivências, de modo a expressar suas percepções.

APROFUNDE Faça o exercício 1 da seção Aprofunde.

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Aula 2

Norma-padrão e variações linguísticas A língua é um sistema de natureza abstrata reconhecido por seus falantes em diferentes situações e, desse modo, coloca-se a serviço da interatividade social. Para que haja interação e comunicação por meio da língua, estabelece-se uma espécie de “acordo de grupo” quanto às palavras e às frases empregadas pelos falantes em contextos específicos. Esse acordo pode ser identificado na tira a seguir.

NÍQUEL NÁUSEA, DE FERNANDO GONSALES

Na situação apresentada na tira, na comunicação entre os ratos, espera-se o uso da modalidade oral da língua, em registro coloquial. Contudo, ao tentar elogiar os olhos da amada, o rato recorre a uma linguagem excessivamente formal e técnica. Sua intenção era, provavelmente, empregar um tom elevado, considerado bonito e complexo. Entretanto, em vez de produzir um elogio adequado ao contexto, ele descreve as características por meio de uma linguagem própria dos estudos da Biologia e da Medicina, que soa artificial e inadequada à situação comunicativa. O uso da língua considerado formal é convencionalmente chamado de norma culta. Segundo o linguista Joaquim Mattoso Câmara Jr., em Dicionário de linguística e gramática (2011, p. 220-221), a norma culta é definida como um: “[...] conjunto de hábitos linguísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa do país. […] é uma força conservadora na linguagem, mas não impede a evolução linguística, que está na essência do dinamismo da língua, como de todos os sistemas sociais”.

Essa força conservadora é relevante, pois contribui para a manutenção da unidade e da continuidade da língua, permitindo-lhe comportar e aceitar variações sem perder a própria identidade. O “acordo de grupo", mencionado anteriormente, é uma alusão à dimensão social da língua, compartilhada por todos, e à dimensão histórica, uma vez que é transmitido de geração em geração. A ideia de pertença comum aos falantes de uma língua gera um uso uniforme e padronizado — o padrão — entre os membros de uma comunidade. A esse uso coletivo dá-se o nome de norma, que, na Gramática Houaiss da Língua Portuguesa (Azeredo, 2009, p. 1361), é definida como um “conjunto dos preceitos estabelecidos na seleção do que deve ou não ser usado numa certa língua, levando em conta fatores linguísticos e não linguísticos, como tradição e valores socioculturais”.

CONEXÕES Joaquim Mattoso Câmara Jr. foi um linguista brasileiro. Nasceu em 13 de abril de 1904, no Rio de Janeiro, e faleceu em 5 de fevereiro de 1970, aos 66 anos. Formou-se em Filologia Latina e Neolatina pela antiga Universidade do Distrito Federal, onde, um ano depois, tornou-se professor adjunto e instituiu o ensino de Linguística. Sua obra mais conhecida, referência até os dias atuais, é Princípios de Linguística Geral, de 1942. Pertença: aquilo que faz parte de alguma coisa.

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Interlocutor: cada um dos participantes de um ato de comunicação.

Desse modo, norma-padrão não é sinônimo de norma culta, pois o padrão refere-se a um conjunto de regras construído com base nos usos considerados prestigiosos e encontra-se materializado nas gramáticas e nos dicionários, a fim de servir de referência aos usuários da língua. A esse padrão relaciona-se o termo gramática normativa. Quando aqueles que conhecem e dominam a norma-padrão desprestigiam as demais variantes da língua, ocorre o preconceito linguístico, isto é, a discriminação motivada por determinado uso linguístico. Nesse contexto, é necessário destacar que, em uma situação de comunicação, o mais importante é compreender e ser compreendido pelo interlocutor. Dessa reflexão, podem-se extrair três conceitos: • sistema (língua) — estrutura abstrata e comum a todos os falantes; • uso (ato concreto de fala) — emprego efetivo da língua falada ou escrita; • norma — conjunto de preceitos linguísticos compartilhados por uma comunidade linguística.

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Além da norma-padrão, existem variações no uso da língua, inclusive entre falantes de maior escolarização, de acordo com os diferentes contextos e níveis de formalidade. Isso ocorre porque a língua é um organismo vivo e dinâmico, que influencia e é constantemente influenciada por fatores como geografia, situação socioeconômica, contexto, sexo, origem e faixa etária de seus interlocutores, entre outros elementos responsáveis pelas variações que serão estudadas.

A comunicação é uma das principais funções da língua; por meio dela, as sociedades expressam suas identidades.

Por meio de diálogos informativos, com linguagem leve e adequada ao público adolescente, Marcos Bagno argumenta, no livro A língua de Eulália, que falar de forma diferente não é falar “errado”: o que pode ser interpretado como erro no uso não padronizado do português tem explicação lógica e embasamento científico.

EDITORA CONT EX

TO

CONEXÕES

BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2006.

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DESENVOLVENDO habilidades

Habilidades da BNCC Computação: EM13CO12, EM13CO13. Consulte rubrica de avaliação no Manual do Professor.

Dados que falam: o mapa das variedades linguísticas Uma escola quer criar um painel digital sobre as diferentes formas de falar presentes na comunidade escolar. Para isso, uma turma realizou uma pesquisa anônima com 200 estudantes, que responderam à mesma pergunta. Os dados foram organizados em uma planilha, contendo informações como idade, região de origem e expressões linguísticas utilizadas nas respostas. Ao analisar os resultados, um estudante observou que algumas expressões apareciam com maior frequência do que outras e concluiu: “A expressão mais frequente é a correta; as demais são erros que precisam ser corrigidos.” Você concorda com essa conclusão? Por quê? Considere que diferentes grupos sociais e regiões podem apresentar maneiras distintas de usar a língua. Em seguida, proponha uma forma de representar os dados da pesquisa em um gráfico ou em uma tabela digital, de modo que seja possível comparar a frequência das expressões e observar sua distribuição entre os diferentes grupos de estudantes, sem classificá-las como “certas” ou “erradas”. Você pode, por exemplo, considerar a relação entre as expressões utilizadas e a região de origem ou a faixa etária dos participantes. Justifique a escolha do tipo de gráfico ou tabela, explicando quais informações ele permite visualizar com mais facilidade e como pode contribuir para a compreensão da diversidade linguística da comunidade escolar. Por fim, explique quais cuidados devem ser tomados ao organizar e compartilhar esses dados, considerando a preservação do anonimato dos estudantes, a apresentação responsável das informações e o risco de reforçar preconceitos ou estereótipos relacionados às diferentes formas de falar. Espera-se que os estudantes percebam que a frequência de uma expressão não determina sua correção ou

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inadequação. A análise deve considerar fatores como contexto, região, faixa etária e situação comunicativa,

reconhecendo a diversidade linguística. Na representação dos dados, espera-se a escolha de gráficos ou tabelas que permitam comparações claras e evitem interpretações preconceituosas. Também é importante que os estudantes reconheçam a necessidade de preservar o anonimato e de contextualizar os dados antes de compartilhá-los.

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Espera-se que os estudantes percebam que a frequência de uma expressão não determina sua correção ou inadequação. A análise deve considerar fatores como contexto, região, faixa etária e situação comunicativa, reconhecendo a diversidade linguística. Na representação dos dados, espera-se a escolha de gráficos ou tabelas que permitam comparações claras e evitem interpretações preconceituosas. Também é importante que os estudantes reconheçam a necessidade de preservar o anonimato e de contextualizar os dados antes de compartilhá-los.

PRATIQUE

Leia trecho do poema “Aula de português”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.

Aula de português A linguagem na ponta da língua […] A linguagem na superfície estrelada das letras. […] Professor Carlos Góis, ele é quem sabe. ANDRADE, Carlos Drummond de. Aula de Português. In: Boitempo. São Paulo: Companhia das Letras; Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond. www.carlosdrummond.com.br; Riff.

1. Qual é a conexão entre os versos “A linguagem / na superfície estrelada das letras” e “Professor Carlos Góis, ele é quem sabe”? Os versos fazem referência ao conhecimento da norma-padrão. Quem sabe compreender e analisar a “linguagem na superfície estrelada das letras” é o professor Carlos Góis, ou seja, aquele que domina as regras gramaticais. É importante destacar que a expressão que faz referência à norma-padrão evidencia um distanciamento em relação à língua efetivamente utilizada.

2. No poema, o conhecimento da língua parece estar associado à figura do professor e ao domínio das letras. De que maneira essa representação pode ser relacionada à diferença entre conhecer as regras da norma-padrão e reconhecer a diversidade de usos da língua portuguesa? Espera-se que o estudante reconheça que conhecer e utilizar a norma-padrão é diferente de considerar outras formas de falar como erradas. O poema associa o domínio das regras da língua ao ensino escolar e à figura do professor, mas isso não significa que apenas essa forma seja legítima. A língua portuguesa apresenta diferentes variedades linguísticas, que variam conforme fatores sociais, regionais e culturais.

APROFUNDE Faça o exercício 2 da seção Aprofunde.

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Aula 3

Variação linguística é o fenômeno que permite compreender que a língua não é um sistema imutável e acabado. Ela se modifica de acordo com o contexto histórico, geográfico e sociocultural em que se materializam os usos linguísticos efetivos. O conjunto dessas mudanças constitui a evolução de uma língua, que pode ocorrer em diferentes aspectos, como vocabulário, pronúncia, ortografia e sintaxe. Variedade, ou variante linguística, corresponde ao uso efetivo da língua por determinada comunidade de falantes. Ela está relacionada a fatores socioculturais (escolaridade, profissão, grupo social etc.), históricos (usos em diferentes épocas), geográficos (português brasileiro, português europeu, português africano, falas regionais etc.) e contextuais (situação comunicativa). Ao entrar em contato com pessoas, grupos ou comunidades cuja fala difere daquela a que se está habituado, é comum questionar os motivos dessa diferença. A língua não é um sistema homogêneo e unitário. Embora apresente um caráter coletivo, não se pode desconsiderar a individualidade do falante nas diferentes situações em que ocorre o processo comunicativo, o que resulta em diversidade linguística. Diversos fatores relacionam-se a essa diversidade, como os de ordem histórica, geográfica, sociocultural e contextual. Essa constatação torna-se mais evidente quando se observa que as pessoas vivem em diferentes regiões, pertencem a distintas faixas etárias e a variados grupos sociais, exercem diferentes profissões e apresentam graus de instrução diversos. A diversidade linguística implica uma divisão que permite traçar um paralelo entre a forma que mais se aproxima do modelo ensinado na escola — geralmente bem aceita pela sociedade — e aquela que se afasta desse padrão, comumente estigmatizada. Os linguistas, entretanto, questionam essa divisão, pois defendem o ponto de vista de que não existe forma “errada” de falar, ressaltando que o essencial é adequar a variante ao público, ao ambiente e à ocasião. Desse modo, as línguas apresentam variações sociais, regionais e estilísticas e, por isso, estão sujeitas a transformações ao longo do tempo. Em línguas que têm tradição escrita, encontram-se diversos exemplos de palavras e expressões cuja grafia foi modificada. A escolha lexical também se altera, uma vez que a época em que se vive é fator determinante para essas transformações.

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Variações linguísticas I

A língua portuguesa é o idioma oficial do Brasil; no entanto, a diversidade característica de um país de dimensões continentais manifesta-se na língua. Desse modo, o português falado na Região Nordeste pode apresentar diferenças significativas em relação ao português falado na Região Sul.

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Variação histórica

SECRETARIA DE ESTADO DE GOVERNO DE MINAS GERAIS

O tempo é um dos fatores que mais atua sobre a língua no sentido de modificá-la. Com o passar dos anos, diferenças lexicais são percebidas em qualquer língua: palavras são acrescentadas, substituídas, caem em desuso e passam por processos de redução, ampliação, entre outros. Os contextos também se modificam, por vezes de maneira significativa, sendo a tecnologia um exemplo evidente. Há três décadas, por exemplo, a internet ainda não fazia parte do cotidiano, o que implicava circulação de informações em velocidade menor do que a observada atualmente. Em contextos alterados pela passagem do tempo, os discursos podem se tornar mais curtos, rápidos, objetivos ou, ao contrário, mais longos e menos diretos, conforme as necessidades de cada momento. Em uma era com alta circulação de informações, é essencial que a transmissão ocorra de forma rápida e objetiva. No entanto, nem sempre foi assim. A variação histórica manifesta-se quando se comparam dois momentos distintos da mesma língua. Ainda assim, as formas variantes geralmente coexistem ao longo do processo, uma vez que as mudanças ocorrem gradualmente. A seguir, apresentamos dois textos jornalísticos sobre o mesmo tema: um de 14 de dezembro de 1897, publicado no Jornal Minas Gerais, e outro de 25 de junho de 2026, publicado na versão virtual do mesmo jornal.

JORNAL MINAS GERAIS. Belo Horizonte: [s. n.], ano 134, n. 159, 2026. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/v1Xxmr.

SECRETARIA DE ESTADO DE GOVERNO DE MINAS GERAIS

JORNAL MINAS GERAIS. Belo Horizonte: [s. n.], ano VI, n. 331, 1897. Disponível em: https:// zhtuzg.s.gy/EwuiQw.

Embora o conteúdo temático dos textos seja o mesmo, o primeiro texto apresenta uma forma de escrita que pode causar estranhamento na atualidade, sendo, portanto, bem diferente da forma de expressão na notícia recente. 40

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No texto de 1897, a grafia de algumas palavras, como “Geraes” e “official”, apresenta diferenças em relação às formas validadas pelo Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde 2016. Também na linguagem visual, a passagem do tempo se evidencia na composição gráfica, no tipo de letra, na ausência de cor e na qualidade da impressão, elementos que demarcam um período em que impressões com muitas cores ainda não eram possíveis nem acessíveis. Além do uso de cores e de tipos diferenciados de letras — recursos característicos da atualidade que, quando comparados à publicação de 1897, também indicam a passagem do tempo —, o jornal de 2025 foi publicado em um site. Esse fato indica outro suporte para o texto, inexistente no final dos anos 1800, e permite o compartilhamento em redes sociais, além do uso de recurso de acessibilidade para audição do conteúdo. A variação histórica corresponde, portanto, às modificações ocorridas na língua ao longo do tempo, aspecto perceptível na comparação entre as duas notícias. Tal comparação evidencia que a língua e outras linguagens não são estáticas nem imutáveis.

MOMA PROPAGANDA

PRATIQUE 1. Observe o anúncio publicitário. a) Nesse anúncio, há um jogo entre passado e presente por meio de variação linguística histórica, marcada na grafia das palavras, conforme eram usadas nas décadas de 1950 e 1960. Que elemento verbo-visual que compõe o anúncio dialoga com o passado? O design do tablet, que remete a aparelhos de rádio antigos. Além disso, a ilustração das pessoas e os tons pastel empregados na coloração do anúncio relembram o estilo das propagandas das décadas de 1950 e 1960.

b) Que recursos linguísticos são empregados para representar os anúncios das décadas de 1950 e 1960? Observa-se o uso de um vocabulário que, hoje, soa estranho ao gênero propaganda, mas que, naquele período, constituía uma característica desse tipo de texto, como “sortimento”, “intercambiar” e “magnânima”. Além disso, há o emprego de palavras com ortografia em desuso no Brasil: “êsse”, “contacto”, “photographias” e “facto”; além do pronome arcaico “vossa mercê”.

APROFUNDE Faça o exercício 3 da seção Aprofunde.

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Aula 4

Variações linguísticas II Quando ouvimos alguém dizer bergamota, mexerica ou tangerina, podemos estar diante da mesma fruta, mas também de diferentes maneiras de nomeá-la. A escolha de uma palavra, uma pronúncia ou uma expressão pode revelar a região onde o falante vive ou de onde veio. A seguir, vamos investigar como essas marcas regionais se constituem e o que elas denotam a respeito da diversidade linguística do Brasil.

Variação geográfica A variação linguística regional, ou geográfica, é uma forma de mudança da língua facilmente identificável. Ela resulta de fatores históricos, sociais, econômicos e naturais que influenciam a maneira como as pessoas falam em diferentes regiões. No Brasil, a grande extensão territorial e a influência de línguas indígenas, africanas e europeias, como italiano, holandês, português, espanhol e francês, contribuíram para a formação de diferentes modos de falar e de regionalismos. Essas variações podem ocorrer entre regiões, estados e até dentro do mesmo estado, diferenciando falares do litoral, do interior e das áreas rurais e urbanas. Embora apresentem características próprias, os regionalismos fazem parte da língua e permanecem ligados a ela. Também existem variações entre países que têm o português como língua oficial, como Angola, Cabo Verde, Moçambique, Brasil e Timor-Leste, cada um com suas particularidades linguísticas.

TOME nota Por que entender as variedades linguísticas?

Os estudantes podem apontar, como um dos benefícios, a ampliação da consciência em relação a outras culturas e a importância de respeitá-las e preservá-las. Quanto à segunda pergunta, caso não tenham vivenciado essa situação, convide-os a imaginar um breve diálogo considerando essa variação.

Estudar as variedades linguísticas é importante para distinguir a modalidade adequada à situação de uso, sem preconceitos, e, portanto, desenvolver competência verbal na própria língua. Para isso, é necessário saber que os usuários de uma língua exercem papéis distintos conforme os espaços sociais de que participam, seja como profissionais, estudantes, amigos, filhos ou pais. A linguagem empregada em cada um desses papéis e contextos depende do interlocutor, da finalidade e do contexto no qual o falante se encontra. Conhecer as diversas variedades possibilita, por exemplo, a adequação dos usos linguísticos em uma entrevista de emprego, ou o uso da norma-padrão na escrita de trabalhos e textos acadêmicos. Por outro lado, também permite a comunicação informal entre amigos, bem como por meio de diversos meios de comunicação. Além disso, o português brasileiro é rico em diversidade, apresentando características específicas da formação cultural e histórica do país. Estudar essas características contribui para o aprofundamento dos conhecimentos sobre cultura, identidade e valores sociais. É, portanto, direito de todo cidadão refletir sobre o modo de vida e os valores da sua sociedade, fortalecendo, assim, a própria identidade. Com base nesse contexto, reflita: • O conhecimento sobre as variedades linguísticas e sua importância traz benefícios para toda a sociedade. Quais são alguns deles? • Você já teve contato com alguém que falava de modo diferente de você ou já viu essa situação na internet ou na televisão? O que mais chamou sua atenção?

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A variação geográfica, ou regional, pode ser facilmente percebida entre os falantes da mesma língua. Leia, a seguir, expressões regionais de diferentes partes do Brasil. “Irado, meu irmão!”: expressão de contentamento com algo ou alguém típica do Rio de Janeiro. “Trem bom!”: exclamação de contentamento utilizada por falantes de Minas Gerais. “Oxente!”: expressão de assombro muito comum entre falantes da Região Nordeste.

Com essa diversidade de expressões, percebe-se que, em cada região do país, há especificidades na língua que caracterizam seus falantes e revelam aspectos de sua cultura e de seu local de vivência. Também é interessante observar que as palavras e expressões utilizadas em um local podem ter sentidos completamente diferentes em outro. Por exemplo, na Região Sudeste, o termo “pingado” é utilizado para se referir ao café com leite, enquanto no Rio Grande do Sul é comum usar o termo “cortado”. Ainda sobre esse tema, leia a seguinte reportagem.

Variação linguística deu origem ao dialeto “amazonês” Linguajar do Amazonas cria identidade da população com suas origens Manaus (AM) – O Amazonas é vasto tanto em território quanto em cultura, línguas e expressões regionais, que tornam diferenciada a maneira do amazonense de se comunicar. As variações linguísticas amazonenses possuem influência em diversos povos que formaram a população atual do maior estado do Brasil e a tornaram única. O estado possui praticamente o próprio dialeto: o linguajar amazonense – o “amazonês” – e alguns podem até ser compreendidos por outros estados do Norte, como o Pará, no qual a linguagem se assemelha muitas vezes. De acordo com o professor Sergio Freire, doutor em linguística pela Unicamp, língua é história e o português oral amazonense vem de três lugares: do português europeu, do português dos nordestinos e das várias línguas indígenas. [...] “Essa mistura toda resultou na língua portuguesa amazonense, com suas expressões e palavras peculiares. Expressões como ‘ficar de bubuia‘, ‘só o cuí de magro‘, ‘kikão’ são exemplos dessa oralidade tão nossa. E a língua está em movimentos. Algumas expressões vão sumir e outras vão surgir. Esse é o movimento natural da língua”, completa. VARIAÇÃO linguística deu origem ao dialeto “amazonês”. Vanguarda do Norte, 5 mar. 2023. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/iimQlQ.

A reportagem apresenta um exemplo de como a variação linguística geográfica integra a formação da identidade de um povo e seus atos comunicativos. O dialeto criado, conforme explicado pelo professor, não é estático, mas dinâmico, pois os falantes estão em constante movimento com o uso da língua. Pode-se perceber que, mesmo sendo fluente na língua portuguesa, uma pessoa que não está familiarizada com o dialeto amazonês teria bastante dificuldade em se comunicar ao escutar os termos mencionados. O mesmo ocorre quando um falante do português brasileiro se comunica com um falante do português europeu; muitas vezes, as diferenças são tão grandes que a comunicação se torna quase impossível.

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LUIZA KAMALOVA/SHUTTERSTOCK.COM

CONEXÕES O TikTok é uma rede social chinesa que alcançou notoriedade mundial e se popularizou no Brasil em 2020. O aplicativo permite aos usuários que criem e compartilhem vídeos curtos. Para produzir um videoclipe no aplicativo, o usuário pode selecionar músicas de fundo de diferentes gêneros, aplicar filtros e gravar vídeos de até 10 minutos, ajustando a velocidade antes de compartilhá-lo no próprio TikTok ou em outras redes sociais. Entre as tendências brasileiras, observam-se performances de jovens de todo o país, que apresentam as especificidades linguísticas regionais por meio de hashtags como #regionalismo e #desafiodosotaque.

PRATIQUE 1. (Enem/MEC) Esse texto, que apresenta um prato da culinária brasileira, evidencia a) valor afetivo nas nomenclaturas. b) variedade linguística entre regiões. c) disputa regional pelo melhor prato. d) modos de preparo de um mesmo alimento. e) paladares diversificados entre diferentes estados.

Revista Língua Portuguesa, n. 31, maio 2008 (adaptado).

2. (Enem/MEC) Sítio Gerimum Este é o meu lugar [...] Meu Gerimum é com g Você pode ter estranhado Gerimum em abundância Aqui era plantado E com a letra g Meu lugar foi registrado. OLIVEIRA, H. D. Língua Portuguesa, n. 88, fev. 2013 (fragmento).

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Nos versos de um menino de 12 anos, o emprego da palavra "Gerimum" grafada com a letra "g" tem por objetivo a) valorizar usos informais caracterizadores da norma nacional. b) confirmar o uso da norma-padrão em contexto da linguagem poética. c) enfatizar um processo recorrente na transformação da língua portuguesa. d) registrar a diversidade étnica e linguística presente no território brasileiro. e) reafirmar discursivamente a forte relação do falante com o seu lugar de origem. 3. (Fuvest) “O preconceito linguístico é tanto mais poderoso porque, em grande medida, ele é ‘invisível’, no sentido de que quase ninguém fala dele, com exceção dos raros cientistas sociais que se dedicam a estudá-lo. Pouquíssimas pessoas reconhecem a existência do preconceito linguístico, quem dirá a sua gravidade como um sério problema social.” BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. Edições Loyola, São Paulo, 1999.

Com base na leitura do texto, é possível depreender que o preconceito linguístico, apesar de nocivo para a sociedade, muitas vezes é despercebido. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de preconceito linguístico. a) A língua falada é um instrumento de sobrevivência em sociedade. b) A língua varia tão rapidamente quanto as mudanças que ocorrem na sociedade. c) Existem muitas maneiras de se expressar a mesma ideia. d) Os habitantes de uma cidade grande não possuem sotaque na língua falada. e) Todo falante nativo de uma língua a conhece plenamente. 4. (Enem/Mec)

Bola na rede Futebol de várzea, pelada, baba, racha, rachão... Os nomes podem ser diferentes em cada pedaço do Brasil, mas uma bolinha é mesmo uma paixão nacional. Os dados do suplemento de esporte da PNAD 2015 mostraram que o futebol foi a principal modalidade esportiva praticada no Brasil, com 15,3 milhões de adeptos. É claro que o fato de o nosso país ter um futebol profissional consagrado, com times que arrebatam torcidas e revelam jogadores, é uma influência positiva, mas a maioria dessa galera que gosta de correr atrás da bola não tem nenhuma pretensão profissional com o esporte. Para eles, tão bom quanto marcar um gol é juntar velhos amigos, fazer novas amizades e se divertir muito. BENEDICTO, M.; MARLI, M. Retratos: a revista do IBGE, n. 2, ago. 2017 (adaptado).

Ao abordar a temática do futebol no Brasil, o texto apresenta diferentes nomes para uma partida do esporte. Ao fazer isso, fica evidente que a) os torcedores enaltecem seus times favoritos. b) o futebol é um esporte presente em todo o Brasil. c) a linguagem do futebol reaproxima pessoas distantes. d) os campeonatos da modalidade propiciam a integração do Brasil. e) as regiões do país imprimem um estilo próprio para o jogo de futebol. APROFUNDE Faça o exercício 4 da seção Aprofunde.

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Aula 5

Variações linguísticas III Variação sociocultural CESAR DINIZ/PULSAR IMAGENS

Observe a placa a seguir.

Placa colocada em um muro, Poconé (MT), 2018.

As expressões “deichar” (deixar), “pubrico” (público), “alendecer” (além de ser), “contra versão” (contravenção) e “iducasão” (educação), bem como a própria construção sintática da frase, podem levar à dedução de que a pessoa que escreveu a placa não teve acesso à escolaridade plena, evidenciando desconhecimento em relação a alguns padrões de escrita. Essas marcas são exemplos de variação sociocultural, que está associada a fatores como classe socioeconômica, grau de instrução e idade do falante. Muitas vezes, esses usos são estigmatizados por estarem associados a grupos socialmente desfavorecidos e com baixo índice de escolaridade. Essa postura gera o preconceito linguístico. Nesse contexto, a norma-padrão pode tornar-se instrumento de dominação dos letrados sobre os iletrados, o que provoca deboche, sarcasmo e intolerância. O preconceito linguístico decorre da confusão entre a língua, entendida como sistema variável comum a todos os falantes, e a gramática normativa, que estabelece padrões com base na norma-padrão. Por essa razão, a gramática normativa não representa a totalidade da língua, mas apenas uma de suas várias normas. Logo, ela não pode ser a única representação da identidade linguística de um país. A diversidade linguística integra a riqueza cultural de um lugar, pois nela se expressam crenças, ideologias e valores próprios de determinada comunidade. Compreender as diferentes variedades significa adentrar a diversidade cultural dos grupos que constituem o Brasil, por exemplo. Respeitar os diversos falares, portanto, é inibir o preconceito linguístico. Conforme o linguista Marcos Bagno: O preconceito, seja ele de que natureza for, é uma crença pessoal, uma postura individual diante do outro. Qualquer pessoa pode achar que um modo de falar é mais bonito, mais feio, mais elegante, mais rude do que outro. No entanto, quando essa postura se transforma em atitude, ela se torna discriminação e esta tem de ser alvo de denúncia e de combate. No caso da língua, é imprescindível que toda cidadã e todo cidadão que frequenta a escola (pública e privada) receba uma educação linguística crítica e bem-informada, na qual se mostre que todos os seres humanos são dotados das mesmíssimas capacidades cognitivas e que todas as línguas e variedades linguísticas são instrumentos perfeitos para dar conta de expressar e construir a experiência humana neste mundo. BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.

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Em um país plurilíngue como o Brasil, é importante que exista uma padronização que sirva à comunicação oficial, à escola e aos meios de comunicação. Essa padronização não deve constituir instrumento de discriminação, mas objeto de estudo da cultura letrada, a fim de compreender usos linguísticos específicos de determinadas situações de fala e/ou de escrita.

INVESTIGAÇÃO

• Organizem-se em grupos de três ou quatro estudantes e, conforme orientação do professor, escolham e analisem a constituição de uma comunidade linguística, considerando como critério de organização a situação socioeconômica, a faixa etária, a localidade (cidade ou bairro) ou a profissão dos integrantes. É fundamental que cada grupo estabeleça um elemento prioritário de análise. • Selecionem uma ou duas pessoas para serem entrevistadas. O tema da entrevista pode ser um relato sobre a história de vida do informante, seus sonhos e suas perspectivas para o futuro. Gravem as entrevistas em local apropriado e livre de ruídos. • Depois, escutem os textos gravados e identifiquem marcas de variedades linguísticas presentes nas falas dos entrevistados. • Apresentem os resultados das pesquisas em data previamente marcada. Elaborem conclusões sobre as diferentes variedades linguísticas encontradas, considerando as comunidades analisadas pelos grupos.

ROMAN SAMBORSKYI/SHUTTERSTOCK.COM

Para compreender a identidade de uma comunidade, é preciso conhecer seu contexto social de formação, isto é, as motivações que levaram as pessoas a integrá-la. De modo semelhante, o estudo sociolinguístico vale-se desses critérios para compreender a identidade linguística de determinado grupo. Com base nessas considerações, você e seus colegas realizarão um breve exercício voltado à pesquisa sociolinguística. Para isso:

e analisar alguns usos reais da língua, considerando, por exemplo, a comVariação contextual orais paração entre usuários escolarizados e não escolarizados, idosos e jovens, tra-

Essa atividade permite ao estudante vivenciar, na prática, a escuta de textos

Leia os dois textos a seguir. Texto I

balhadores rurais e outras profissões etc. O objetivo, portanto, é mostrar que a variação linguística é um fenômeno próprio da língua e não está restrita às falas dos “incultos”, frequentemente estigmatizadas como “usos incorretos”.

Durante o período das aulas no Ninho das Águias, entre o final de 2022 e início de 2024, foi possível acompanhar de perto as dinâmicas das atividades realizadas, e com isso, observar quais tipos de atividades apresentaram maiores desafios e quais geram mais engajamento das crianças. Inspirada por essas observações e motivada a explorar mais a fundo uma perspectiva decolonial dentro da área da astronomia, foi possível desenvolver as quatro novas atividades educativas. Essas atividades foram compiladas em um pequeno livro que, embora seja feito inicialmente para o Ninho das Águias, foi pensado desde o início para ser disponibilizado para o público e poderá ser utilizado em diversos contextos, como em salas de aulas ou projetos de extensão. LOURENÇO, Maria Clara Heringer et al. O desenvolvimento de atividades de astronomia para crianças: uma abordagem decolonial e de ensino significativo em projeto de educação não formal. Revista LatinoAmericana de Educação em Astronomia – RELEA, [s. l.], n. 41, p. 91-125, 2026. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/AM6SkI.

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CLARA GOMES/BICHINHOS DE JARDIM

Texto II

BICHINHOS DE JARDIM, DE CLARA GOMES

O Texto 1 foi produzido para um periódico editado no formato eletrônico e de livre acesso, que publica artigos científicos no campo da Educação em Astronomia. Por essa razão, exige-se o emprego da norma-padrão da língua para expressar a linguagem científica. A situação apresentada no Texto 2, por sua vez, é marcada pela informalidade, pois se trata de uma conversa virtual entre amigas no cotidiano, com o uso de expressões como “crendeuspai”. Esse diálogo é representado no gênero textual tira, que, em geral, apresenta situações de fala com a finalidade de promover entretenimento ou crítica social, política ou econômica ao ironizar e satirizar diferentes situações. Observam-se, portanto, duas situações específicas de comunicação: uma de caráter técnico, em que se requer o respeito às normas gramaticais, e outra informal, sem preocupação com aspectos normativos.

PRATIQUE ARMANDINHO, DE ALEXANDRE BECK

1. Resolva as atividades tomando como base a tira do Armandinho.

a) Explique como a variação linguística contribui para a construção de sentidos na tira. A tira apresenta três palavras usadas em diferentes regiões do Brasil para nomear o mesmo alimento: aipim, mandioca e macaxeira. A variação regional produz o efeito de humor, pois cada personagem faz o pedido como se estivesse escolhendo algo diferente.

b) De que maneira o texto mostra que a linguagem está relacionada aos costumes e às experiências dos grupos sociais? A tira mostra essa relação ao apresentar personagens com diferentes costumes e formas de falar, marcadas pela variação linguística regional. A linguagem usada por eles revela suas experiências e pode indicar a região à qual pertencem, mostrando que o modo de falar está ligado à cultura, à vivência e aos costumes de cada comunidade.

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APROFUNDE Faça o exercício 5 da seção Aprofunde.

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Aula 6

Atos de fala: oralidade e escrita A língua que falamos, qualquer que seja nossa qualificação ou profissão, é diferente daquela que utilizamos na escrita. A fala é adquirida de modo natural, em contextos informais do dia a dia e nas relações sociais estabelecidas desde que somos bebês. O aprendizado e o uso da língua natural são uma forma de inserção cultural e de socialização. Já a escrita configura a manifestação formal do letramento, isto é, das práticas sociais vinculadas às culturas do escrito. Ela é adquirida em contextos formais, principalmente na escola, e apresenta maior prestígio como bem cultural. A fala e a escrita são práticas de usos da língua com especificidades e condições distintas de realização, mas não se opõem a ponto de caracterizar dois sistemas linguísticos. A seguir, leia a transcrição de uma narração radiofônica do trecho de uma partida de futebol. No meu cronômetro faltam DEZ seGUNdos… bola longa para a área brasileira… fica na esquerda agora com Orlando… Orlando para Pelé… Pelé domina no peito de CALcanhar para Zagalo… Zagalo prepara… fita em Pelé levantou Pelé entrou de cabeça para o ARco e GOL::::::::: PeLÉ::: com uma cabeçada extraORdinária MARca o QUINto gol do Brasil… Brasil CAMpeão MUNdial de futebol… DOIS gols de Vavá… DOIS gols de Pelé… UM gol de Zagalo… viTÓria de MARca no escrete brasileiro… Brasil pela primeira vez se pode dizer CAMpeão REalmente do mundo em mil noveCENtos e cinquenta e oito. NARRAÇÃO de Edson Leite, pela Rádio Nacional. Final da Copa do Mundo de 1958 entre Brasil e Suécia. Primeiro título mundial brasileiro, após vitória por 5 a 2. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/YbPtms.

Fitar: olhar, mirar. Arco: espaço retangular limitado por traves pelo qual a bola deve passar para que o gol seja marcado. Vitória de marca: vitória histórica. Escrete: grupo de atletas selecionados; seleção. Nessa transcrição, utilizamos as regras específicas do Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta de São Paulo (Projeto Nurc/SP) para representar na escrita as características da fala, por meio de procedimentos como: reticências, para marcar pausas; letras maiúsculas, para indicar entonação enfática ou iniciais de nomes próprios; e dois-pontos, para assinalar prolongamento de vogal ou consoante. Se possível, apresente aos estudantes o áudio desse trecho, a fim de que percebam que as regras de transcrição estão vinculadas às características do texto falado.

VICENTE MENDONÇA

Na transcrição, é possível identificar pausas (marcadas pelas reticências), entonação enfática (indicada pelo uso de letras maiúsculas) e alongamentos de vogais e consoantes (assinalados por dois-pontos). Esses recursos, próprios da língua falada e do gênero narração futebolística radiofônica, contribuem para criar um espetáculo narrado, contagiar os ouvintes com a emoção do momento, envolvê-los no jogo e prender sua atenção, evitando que troquem de estação ou desliguem o rádio. A forma de gritar “gol” e a maneira de pronunciar as palavras tornam-se “assinaturas” do locutor, configurando uma marca pessoal.

Letramento: condição adquirida após a alfabetização que permite utilizar a leitura e a escrita como meios de acesso ao conhecimento e à cultura.

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Em uma narração de futebol escrita, o texto apresenta outras especificidades, como se pode perceber na leitura do trecho da narração a seguir, feita minuto a minuto em uma página de esportes na internet. 4’ Termina! O Uruguai vence de virada e está na final! 3’ Andrey evita o terceiro. Em contra-ataque de três contra um, Castro sai na cara do goleiro e bate rasteiro. Andrey defende e manda para escanteio! 2’ Rômulo cruza da esquerda. De Amores sai bem do gol na marca do pênalti e fica com ela. 1’ Suárez domina sozinho na direita e cruza forte. Castro entra sozinho, mas não consegue o domínio. 0’ O Brasil terá quatro minutos de acréscimo para empatar e levar para a prorrogação. 44’ Ta traaave! Erik faz jogada individual driblando, entra na área pela direita e bate rasteiro, cruzado. A bola no pé da trave direita de Amores toca em Suárez e sai! SEMIFINAL dos Jogos Pan-Americanos de 2015 entre Brasil e Uruguai. Terra, 23 maio 2015. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/IxAsUu.

A narração de futebol radiofônica ocorre simultaneamente aos acontecimentos, o que proporciona ao ouvinte a sensação de estar presente na partida. Já a narração de futebol escrita, publicada em página da internet, não é simultânea aos fatos, pois a produção do texto exige planejamento. Na narração escrita, o autor utiliza elementos gráficos próprios dessa modalidade, como o sinal de exclamação e a repetição de vogal em “traaave”, para marcar a entonação. As frases são construídas com base em aspectos específicos da escrita, considerando sintaxe, ortografia e acentuação. Tanto a língua falada quanto a escrita possibilitam a criação de textos coesos e coerentes, formais ou informais, com variações contextuais, sociais, regionais, entre outras. Assim, não se pode considerar a modalidade escrita apenas como representação da fala. Uma característica marcante da língua falada é a instantaneidade do diálogo, seja ele presencial, seja a distância, como em uma conversa telefônica. No ato do diálogo, espaço e tempo não precisam ser explicitamente marcados, pois já estão pressupostos na situação de fala. Pode-se afirmar, portanto, que a língua falada expressa, simultaneamente, um momento de planejamento mental — que pressupõe conhecimento — e um momento de realização verbal, que é uma marca de sociointeratividade. Expressões como “eu acho” e “eu acredito”, com valor de atenuação ou de ênfase, bem como “certamente” e “provavelmente”, classificadas como modalizadores, são frequentemente utilizadas. Os participantes do diálogo são coautores em uma dinâmica interativa, o que pode gerar lacunas, como interrupções e falhas, que precisam ser preenchidas pelo interlocutor. Na língua escrita, a interação ocorre com o interlocutor ausente, o que exige um cuidado diferente na elaboração textual. O texto escrito permite retomadas e correções; por isso, o planejamento e a execução não coincidem, necessariamente, no tempo. No contexto das novas tecnologias, o texto criado em ambientes digitais informais (bate-papo, e-mail, mensagens instantâneas) aproxima-se de uma “fala escrita” ou de uma “escrita falada”, como se falar e escrever ocorressem ao mesmo tempo. No chamado “internetês”, os interlocutores utilizam determinadas marcas que procuram resgatar as características da oralidade, como onomatopeias, abreviações, alteração gráfica de palavras e emoticons. As reduções gráficas de palavras, por exemplo, buscam acompanhar a velocidade da fala e, articuladas a outros elementos desse tipo de texto digital, configuram traços específicos dessa “escrita falada”.

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Desse modo, determinadas formas de comunicação escrita, como as mensagens de texto e os bate-papos pela internet, não exigem formalidade. Em contrapartida, há textos orais, como palestras, seminários e simpósios, nos quais o discurso é previamente preparado, o que resulta em maior formalidade e atenção às regras gramaticais. Portanto, é a situação de interação que orienta a escolha do registro, e não o fato de o texto ser escrito ou falado. O falante comunica-se de acordo com a situação em que se encontra, considerando o leitor a quem se dirige, no caso do registro escrito, ou o interlocutor com quem estabelece o contato, no caso do registro oral. É importante reconhecer que não existe uma modalidade superior a outra; o importante é a adequação conforme a situação de uso. Da mesma forma que é necessário estudar a língua portuguesa em sua norma-padrão, pois há diversas situações em que essa modalidade é exigida, também não podemos desconsiderar o registro utilizado em contextos informais. Ambas as formas coexistem e devem ser reconhecidas como legítimas.

PRATIQUE 1. Compare a linguagem coloquial em dois contextos de comunicação: diálogo face a face e diálogo por meio de mensagem em um aparelho celular.

VICENTE MENDONÇA

a) Por meio da linguagem coloquial caracterizada nas expressões do diálogo, é possível determinar o tipo de relação entre os interlocutores? Justifique sua resposta. Sim. A linguagem coloquial utilizada no diálogo expressa uma relação de intimidade e confiança entre os interlocutores, que estabelecem um acordo de favor (pagamento de uma conta de telefone).

b) Que marcas linguísticas verbais e visuais são típicas da conversação cotidiana nas mídias digitais? O que elas representam? Observam-se reduções gráficas de palavras, acompanhando a velocidade da fala, e o uso de pontuação para indicar pausas (reticências) e entonação (interrogação e exclamação). Os emoticons simbolizam expressões faciais ou gestos. Além disso, verifica-se a repetição da letra K (“Kkkkkk”) para indicar risada e o uso do marcador conversacional “Ah”, que sugere compreensão do locutor.

APROFUNDE Faça o exercício 6 da seção Aprofunde. Linguagens e suas Tecnologias | volume 1

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APROFUNDE 1. Leia a tirinha a seguir.

2. Na voz e no violão do cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo, o poema do carioca Mário Lago foi musicado e, assim, transformado em canção. Em seus versos, de acordo com a letra da canção a) a norma-padrão da língua portuguesa denota frieza. b) o regionalismo linguístico impede o entendimento de algumas expressões. c) as variações linguísticas apresentam formas distintas de manifestar o amor. d) a língua portuguesa é incompatível com demonstrações de afeto. e) a variação culta da língua não é entendida por quem tem baixa escolaridade.

CALVIN & HOBBES, BILL WATTERSON © 1989 WATTERSON/ DIST.BY ANDREWS MCMEEL SYNDICATION

Qual é o objetivo da mãe ao atribuir um significado diferente à palavra “sair”?

3. A variação linguística histórica refere-se às mudanças que uma língua sofre ao longo do tempo, moldadas por fatores sociais, culturais, políticos e tecnológicos. Considerando o contexto tecnológico, reflita e responda: as mudanças no uso da língua nos meios digitais são um tipo de variação linguística? Explique sua resposta. Trata-se de um tipo de variação linguística, porque novos

O objetivo da mãe é ratificar a ordem dada ao filho; por

vocábulos oriundos dos meios digitais foram incorporados

isso, ela atribui à palavra “sair” um significado que lhe é

ao português, como streaming, selfie e influencer.

conveniente naquele momento.

Alguns deles, inclusive, substituem palavras utilizadas há

Texto para a questão 2.

algumas décadas e que hoje já não são recorrentes entre os

O amor antigramático

falantes.

Dá-me um beijo é que é correto Na linguagem de doutor Mas me dá tem mais afeto [...] O mestre pune com zero Quem não diz amo-te aposto Que em casa ele é mais sincero E diz pra mulher: te gosto O AMOR antigramático. Intérprete: Geraldo Azevedo. Compositores: Mário Lago e Geraldo Azevedo. In: SOLO contigo. Rio de Janeiro: Geração, 2019. 1 CD, faixa 2. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/sHoTHk.

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4. (Enem/MEC)

a) retomam expressões da linguagem coloquial. b) fazem parte de nosso repertório literário. c) operam com a imprevisibilidade. d) estão empregadas em sentido literal. e) projetam um leitor erudito. 6. Leia o seguinte trecho de uma entrevista feita com a skatista brasileira Rayssa Leal.

Nessa postagem dirigida aos seus seguidores de rede social, o autor utiliza uma linguagem a) própria de manifestações poéticas. b) aplicada em contextos da área desportiva. c) característica àquela atribuída a falantes escolarizados. d) empregada por falantes urbanos jovens de determinada região. e) marcada por uma relação de distanciamento entre os interlocutores. 5. (UFPR) Leia o seguinte texto: -Tem, mas acabou. -A luz dormiu acesa. -Você segue reto, toda vida. -Eu fiquei preso, do lado de fora. -Daí eu peguei e falei. -Vai ficar aí chorando as pitangas? -Eu falo é nada. -Tá ficando tarde, vou dar uma chegadinha. -Eu tô com fome de comida. -Escuta só pra você ver. -Não conheço, mas sei quem é. -Vou só esperar o sol esfriar. -Essa rua vai para onde? -Dura até acabar. -Não vi nem o cheiro.

“Pode ter certeza que a música mais irada que tiver tocando vai ser a do meu fone. É muito irado, mas estou muito acanhada no forró e no sertanejo, também. Quando a gente passa muito tempo no Maranhão a gente volta para a origem, né?! Eu começo a escutar o nosso reggae do Maranhão. Ave Maria…” ASSUMPÇÃO, Guilherme. Rayssa Leal: ‘Tudo aconteceu no momento certo, por mais que eu fosse muito nova’. Rolling Stone, 3 mar. 2026. Disponível em: https://zhtuzg.s.gy/lgc5m9.

Na fala da entrevistada, foram mantidas algumas marcas de oralidade. Qual foi o objetivo ao reproduzir a fala dela sem adaptações? Se o texto fosse reescrito eliminando tais marcas, haveria mudanças no efeito de sentido? Explique sua resposta. As marcas de oralidade foram mantidas para transmitir ao leitor a empolgação da atleta ao falar sobre o tema. Caso essas marcas fossem eliminadas ao passar a fala de Rayssa Leal para o texto escrito, esse efeito de sentido (empolgação) seria perdido.

Disponível em: https://www.tribunapr.com.br/blogs/ triboladas/frases-que-so-o-brasileiro-entende-qual-delasvoce-mais-fala/2023

As frases acima “só podem ser entendidas por brasileiros” porque: Linguagens e suas Tecnologias | volume 1

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É HORA DE RETOMAR

CONTEXTUAL No caso da verbal, trata-se de uma característica exclusiva da linguagem humana

Determinada pelo contexto da comunicação

VARIAÇÃO

Pode ser verbal e não verbal

SOCIOCULTURAL

Uso efetivo da língua, mutável e diverso

Ligada a fatores sociais

GEOGRÁFICA Comunicação de pensamentos, ideias, convicções e realidades entre interlocutores

Determinada pela região do falante

DIVERSIDADE LINGUÍSTICA

HISTÓRICA Determinada pela ação do tempo

COMUNICAÇÃO FALADA

LÍNGUA EM USO

NORMA

Caracterizada pelo diálogo, com marcas de coloquialidade; em geral, pode ser formal (ex.: discurso ou palestra)

Aplicação do sistema linguístico às situações comunicativas

Aspectos linguísticos comuns à comunidade linguística

ESCRITA Caracterizada pela ausência de interlocutor e pelo grau de formalidade, permitindo planejamento

FORMALIDADE Níveis determinados pela situação de interação

ponto de PARADA 3–2–1

A rotina 3–2–1 tem como objetivo promover a síntese da aprendizagem e incentivar a metacognição, auxiliando os estudantes a reconhecer o que aprenderam, quais dúvidas permanecem e quais reflexões foram mais significativas. Após o registro, se julgar pertinente, oriente os estudantes a compartilhar seus textos.

Ao final dessa jornada, propõe-se uma reflexão sobre o que você aprendeu e como seu conhecimento se transformou. Escreva: • 3 ideias principais sobre o que foi aprendido; • 2 dúvidas que ainda permanecem em relação ao conteúdo estudado; • 1 reflexão sobre esse assunto.

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