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Uma Palavra aos Jovens - J.C. Ryle

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Eu gostaria muito que na adolescência tivesse encontrado os escritos de J. C. Ryle. Pois, embora seus livros sejam atrativos a todas as idades e estágios da experiência cristã, sua franca sabedoria bíblica e sua profunda preocupação pastoral os tornam especialmente úteis nos estágios de formação da vida. O bispo Ryle escreveu sobre a vida cristã de forma a unir um rigor espiritual perscrutador com um equilíbrio maravilhosamente saudável. Uma palavra aos jovens ilustra essas qualidades. O livro está repleto de conselhos confiáveis e, com uma combinação rara de seriedade e bondade, diz exatamente aquilo que precisamos ouvir. Os rapazes, para os quais foi escrito, o acharão de valor inestimável; mas todos os cristãos — homens ou mulheres, jovens ou idosos — podem lê-lo e dele receber benefícios duradouros. É uma obra digna de ser amplamente lida e divulgada, e fará um grande bem espiritual a todo leitor. Sinclair B. Ferguson Ryle é magnífico! Não há outra palavra para expressar isso. Você tem coragem suficiente para encarar verdades contundentes e permitir que Deus sonde seu coração nas coisas que mais importam? Então Ryle é o autor certo para você! Faça um favor a si mesmo: leia este livro e reflita sobre o que leu. J. I. Packer Do convívio de Ryle com muitos jovens nasceu uma das coisas mais importantes e relevantes que ele já escreveu: Uma palavra aos jovens. A leitura deste material bem pode ser um ponto de virada na vida de muitos pelo mundo afora ainda hoje. Iain Murray


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Ryle, J. C., 1816-1900 Uma palavra aos jovens : conselhos bíblicos para formar homens de Deus / J. C. Ryle ; [tradução Valdir Pereira dos Santos, Alan Rennê] ; prefácio por Mark Dever ; posfácio por John Piper. -- 2. ed. -São José dos Campos, SP : Editora Fiel, 2026. Título original: Thoughts for young men ISBN 978-65-5723-538-6 1. Jovens - Vida religiosa 2. Masculinidade 3. Maturidade 4. Moral cristã 5. Vida cristã I. Dever, Mark. II. Piper, John. III. Título.

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CDD-248.83 Índices para catálogo sistemático:

1. Jovens : Aconselhamento : Cristianismo 248.83 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964 Uma palavra aos jovens: Conselhos bíblicos para formar homens de Deus Traduzido do original em inglês Thoughts for Young Men, by John Charles Ryle Primeira edição em inglês: 1885

Copyright © 2026 Editora Fiel Primeira edição em português: 1994 Segunda edição em português: 2026 Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária. Proibida a reprodução deste livro por quaisquer meios, sem a permissão escrita dos editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e Atualizada Nova Edição, 3ª ed. (Sociedade Bíblica do Brasil), salvo indicação específica.

Diretor: Tiago J. Santos Filho Supervisor editorial: André G. Soares Editor: Vinicius Lima Coordenação Gráfica: Sérgio Siqueira Moura e Gisele Lemes Tradução do livro: Valdir Pereira dos Santos Tradução do posfácio: Alan Rennê Revisão: Alan Rennê Diagramação: Rubner Durais Capa: Kaká Fernandes ISBN (livro físico): 978-65-5723-538-6 ISBN (livro digital): 978-65-5723-537-9 Caixa Postal, 1601 CEP 12230-971 São José dos Campos-SP PABX.: (12) 3919-9999

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Sumário

Prefácio 7 por Mark Dever Introdução 13 1 | Cinco razões para exortar os rapazes 15 2 | Cinco perigos a evitar 33 3 | Seis conselhos gerais 53 4 | Cinco regras específicas 75 Conclusão 95 Posfácio | O franco e viril Sr. Ryle 101 por John Piper


Prefácio

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. C. Ryle foi um Sr. Constância durante as inconstantes décadas do século XIX. Enquanto a sua denominação (a Igreja Anglicana) era despedaçada por movimentos que buscavam desfazer a Reforma — uns puxando de volta para Roma e outros empurrando para a crescente secularização —, Ryle permaneceu firme como um proponente dos antigos caminhos do cristianismo bíblico. Ele foi pastor local por décadas e, depois, passou os últimos vinte anos de sua vida como o primeiro bispo de Liverpool. Durante seu longo ministério pastoral, muitos de seus sermões e discursos foram impressos às centenas de milhares e amplamente lidos para o grande benefício de um vasto número de pessoas dentro e fora da Igreja Anglicana. Embora lançado há mais de 130 anos, Uma palavra aos Jovens é notavelmente contemporâneo. Pode-se pensar que o tempo muda mais aqueles que mais espelham suas mudanças. Tendências e modismos dominam mais fortemente entre os jovens. Surgem do nada. São adotados por quase todos. Sua regra é absoluta — e curta. Logo, uma moda passageira dá lugar à seguinte. O que está na moda


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neste ano entre os jovens de quinze anos quase certamente não estará em cinco anos. Com essa tendência de mudança aparentemente incorporada ao DNA dos jovens, a sensação contemporânea e a perenidade desta exortação do século XIX são ainda mais impressionantes. Começando com a exortação de Paulo para Tito ser “sóbrio” (Tt 2.6), Ryle dissipa, lembra e exorta. Ele dissipa as mentiras sobre as tentações que os jovens enfrentavam na época — as mesmas mentiras que enfrentam hoje. Ryle dissipa o mito de que os jovens são fortes. Corpos fortes muitas vezes acompanham vontades fracas. Ele lembra aos jovens que enfrentam um inimigo real do qual quase sempre se esquecem. Então, com base em tudo isso, Ryle exorta como somente um pastor experiente e amoroso consegue fazer. Lembro-me de ter lido este discurso recentemente — e tinha décadas que o li pela última vez — e ter ficado mais uma vez impressionado com a atemporalidade da abordagem de Ryle. Se não o soubesse, poderia facilmente concluir que foi escrito ontem! O corpo do discurso é composto por quatro seções: 1. Cinco razões para exortar os rapazes 2. Cinco perigos a evitar 3. Seis conselhos gerais 4. Cinco regras específicas É claro que grande parte deste livro é aplicável tanto a mulheres quanto a homens, tanto a jovens quanto a idosos; 8


Prefácio

mas tem uma aplicação especial aos rapazes. Recentemente, li boa parte dele a vários rapazes em nossa igreja, e eles ficaram surpresos com a aplicação direta dos conselhos de Ryle em suas próprias situações. Autores nos guiam através de histórias, mas obras de não ficção devem ser lidas de maneira diferente. Ryle não escreve para entreter, mas instruir. Para tanto, concluo apresentando o argumento do autor, em forma de esboço. Ver o que está por vir o ajudará a ler este livro com maior proveito, especialmente se você preparar seu coração de antemão com humildade e oração. Aqui, então, está o esboço do corpo do discurso de Ryle: 1. Cinco razões para exortar os rapazes (1) Existe o triste fato de serem poucos os rapazes, em qualquer lugar, que demonstram espiritualidade genuína. (2) A morte e o julgamento estão diante dos rapazes, assim como dos outros; mas quase todos eles parecem esquecer-se disso. (3) Muito provavelmente, aquilo que os rapazes serão no futuro depende daquilo que são no momento. (4) O diabo faz um esforço especial para destruir as almas dos rapazes; mas, eles parecem não saber disso. (5) Os rapazes necessitam de exortação, porque, se começarem a servir a Deus agora, serão poupados de tristezas. 9


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2. Cinco perigos especiais contra os quais os rapazes precisam ser alertados. (1) Orgulho. (2) Amor aos prazeres. (3) Falta de reflexão e ponderação. (4) Menosprezo à vida espiritual. (5) Temor das opiniões dos homens. 3. Seis conselhos gerais aos rapazes. (1) Procure obter uma compreensão clara sobre a malignidade do pecado. (2) Procure conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo. (3) Nunca se esqueça que nada é tão importante quanto sua alma. (4) Lembre que é possível ser jovem e, mesmo assim, servir a Deus. (5) Determine fazer da Bíblia o seu guia e conselheiro, enquanto você viver. (6) Nunca tenha como amigo íntimo alguém que não seja amigo de Deus.1 4. Cinco regras especiais para rapazes. (1) De uma vez por todas e pela graça de Deus, decida abandonar cada pecado conhecido, por menor que ele seja. 1 Sim, você leu certo. Leia essa seção cuidadosamente e observe a sabedoria de Ryle para nossa era mundana.

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Prefácio

(2) Pela graça de Deus, determine mandar para longe tudo que dá ocasião ao pecado. (3) Determine nunca esquecer que Deus vê todas as coisas. (4) Seja diligente no uso de todos os meios de graça. (5) Determine orar sempre, em qualquer lugar onde estiver. Leitor, já o retive por tempo suficiente. Em espírito de oração e urgência, leia, considere e aplique em sua própria vida o que nosso irmão e pastor falecido tem a nos ensinar para nosso próprio bem e para a maior glória de Deus. Mark Dever Pastor sênior da Capitol Hill Baptist Church desde 1994 e fundador e presidente emérito do ministério 9Marks. Ele é casado com Connie, com quem têm dois filhos já adultos e casados. Mark é autor de vários livros, incluindo Nove Marcas de uma Igreja Saudável, publicado pela Editora Fiel.

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IntRodução

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screvo esta pequena obra para benefício dos rapazes. Quando o apóstolo Paulo escreveu a sua epístola a Tito, falando do dever deste como ministro, mencionou os rapazes como um grupo que requer atenção especial. Depois de discorrer sobre os homens idosos, as mulheres idosas e as jovens, ele acrescenta este vigoroso conselho: “Do mesmo modo, quanto aos mais jovens, exorte-os para que, em tudo, sejam moderados” (Tt 2.6). Estou seguindo o conselho do apóstolo. O meu objetivo é oferecer aos rapazes algumas palavras de exortação afetuosa e oportuna. Estou envelhecendo, mas há poucas coisas das quais me lembro tão bem quanto dos dias da minha juventude. Tenho a mais nítida lembrança das alegrias e tristezas, das esperanças e lágrimas, das tentações e dificuldades, dos julgamentos errados e afetos colocados nos lugares errados, dos erros e das aspirações que fazem parte da vida do jovem. Serei muito grato, se apenas puder dizer algo que mantenha o rapaz no caminho certo e o preserve de faltas e pecados, os quais podem prejudicar o seu bem-estar, agora e na eternidade.


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Há quatro coisas que me proponho a fazer: 1º. Mencionarei algumas razões gerais porque os rapazes precisam ser exortados; 2º. Destacarei alguns perigos específicos sobre os quais precisam ser alertados; 3º. Darei alguns conselhos gerais e insistirei para que os aceitem; 4º. Estabelecerei algumas regras específicas de conduta, as quais vigorosamente os aconselho a seguir. Tenho algo a dizer sobre cada um desses pontos. Oro a Deus para que o que for dito possa causar algum bem à sua alma, caro leitor. John Charles Ryle

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Capítulo 1

cinco raZõeS para exortaR os rapazeS

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ara começar, quais são os motivos gerais por que os rapazes, em especial, devem ser exortados? Mencionarei vários em ordem.

1. Poucos demonstram espiritualidade genuína Existe o triste fato de serem poucos os rapazes, em qualquer lugar, que demonstram espiritualidade genuína. Falo isso sem acepção de pessoas. E digo isso a respeito de todos — os de posição elevada ou baixa, ricos ou pobres, educados ou simples, eruditos ou incultos, da cidade ou do campo. Não faz diferença. Tremo ao observar como são poucos os jovens guiados pelo Espírito, que estão no caminho estreito que conduz à vida, que estão colocando seus corações nas coisas que são do alto, que estão tomando a cruz e seguindo a Cristo. Digo isso com toda a tristeza. Mas, diante de Deus, creio que estou dizendo nada mais que a verdade.


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Rapaz, você faz parte de um dos maiores e mais importantes grupos na população de seu país. Porém, em que situação se encontra a sua alma eterna? Em qualquer lugar onde perguntemos, veremos com tristeza que a resposta será sempre a mesma! Perguntemos a qualquer fiel ministro do evangelho e observemos o que ele nos dirá. Segundo o seu cálculo, quantos jovens solteiros participam da Ceia do Senhor? Quais são os mais negligentes quanto ao uso dos meios de graça2, os mais irregulares na frequência aos cultos dominicais, os mais difíceis de serem atraídos aos estudos bíblicos e às reuniões de oração e sempre os mais desatentos nas pregações? Que parte de sua congregação mais o preocupa? Quais são os “Rúbens” pelos quais ele tem as mais profundas “discussões” (Jz 5.16)? Quais, no seu rebanho, são os mais difíceis de conduzir, os que requerem constantes alertas e repreensões, os que causam a você mais temor pelas suas almas e que parecem os mais incorrigíveis? Acredite, sua resposta sempre será: os rapazes. Perguntemos aos pais, em qualquer igreja de nossa nação, e vejamos o que geralmente têm a dizer. Quem, em sua família, causa mais dor e trabalho? Quem precisa de mais vigilância e, com mais frequência, traz preocupações e desapontamentos? Quais os primeiros a se desviarem do 2 N.T.: Os meios de graça, de acordo com o “Breve Catecismo”, são as ordenanças dadas por Deus, especialmente a Palavra, o batismo, a Ceia do Senhor e a oração.

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que é certo, e os últimos a se lembrarem dos avisos e dos bons conselhos? Quais os mais difíceis de serem mantidos dentro das normas e dos limites? Quais os que, com mais frequência, caem no pecado, envergonham a família, entristecem seus amigos, amargam a velhice de seus parentes e fazem com que os de cabelos brancos morram com tristeza em seus corações? Acredite, com frequência a resposta é: os rapazes. Perguntemos aos juízes e aos delegados de polícia e observemos o que nos responderão. Quem mais frequenta os bares e as boates? Quem são os que menos guardam o dia do Senhor? Quem mais faz parte de gangues? Quem é mais arrastado pelo alcoolismo e tem mais tendência a perturbar a paz, roubar, assaltar e fazer coisas semelhantes? Quem mais lota as celas e penitenciárias? Que faixa etária mais requer incessante cuidado e vigilância? Acredite, imediatamente eles apontarão para o mesmo grupo e dirão: os rapazes. Prestemos atenção nos ricos e observemos os comentários que eles farão. Em uma família, os filhos sempre desperdiçam o tempo, a saúde e o dinheiro na busca egoísta por prazeres. Em outra, os filhos não buscam ter uma profissão específica, mas gastam o tempo mais precioso de suas vidas em fazer nada. Em uma outra, exercem a profissão como um mero passatempo, sem atentar para as responsabilidades nela envolvidas. Em outra ainda, estão sempre se envolvendo em maus relacionamentos, desperdiçando dinheiro com jogos, entrando em dívidas, associando-se a más companhias e, assim, causando constante preocupação aos seus amigos. 17


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Infelizmente, não podemos prevenir essas coisas com posição social, diplomas, riquezas e cultura. Se a verdade fosse dita, pais ansiosos, mães com os corações despedaçados e irmãs amarguradas poderiam contar fatos tristes sobre esses jovens. Apesar de terem tudo o que este mundo pode oferecer, muitas famílias trazem, em seu meio, algum nome que nunca é mencionado ou que é citado apenas com pesar e vergonha. Talvez seja o nome de algum filho, irmão, primo ou sobrinho que vive a seu próprio modo e, desta forma, serve de tristeza a todos os que o conhecem. São poucas as famílias de boa condição financeira que não trazem em si algum espinho de desgosto, alguma mancha nas páginas de felicidade, alguma constante fonte de dor e ansiedade. E, geralmente, na maioria das vezes, a verdadeira causa de tudo isso não são os rapazes? O que dizer diante disso? O que vimos são fatos óbvios que nos encaram de frente; fatos com os quais esbarramos por toda parte; fatos que não podem ser negados. Que coisa horrível! Quão pavoroso é esse pensamento: cada vez que encontro um rapaz, encontro alguém que provavelmente é um inimigo de Deus, viajando pelo caminho largo que conduz à destruição! Diante desses fatos, você, com toda certeza, não ficará admirado de que eu o exorte dessa maneira. Na verdade, você precisa concordar que há uma causa justa para as minhas preocupações. 18


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2. Esquecem-se da morte e do julgamento A morte e o julgamento estão diante dos rapazes, assim como dos outros; mas quase todos eles parecem esquecer-se disso. Rapaz, está ordenado a você morrer uma só vez (Hb 9.27). Não importa o quanto você esteja saudável e forte agora, o dia da sua morte talvez esteja muito próximo. Tenho visto a enfermidade atingir jovens e velhos. Tenho feito funerais de jovens e idosos. Nos cemitérios, leio nomes de pessoas da mesma idade que a sua. Tenho lido que, com exceção da infância e da velhice, morrem mais pessoas entre os treze e vinte e três anos que em qualquer outra fase da vida.3 Mesmo assim, no momento, você vive como se estivesse certeza de que jamais irá morrer. Você pensa em atender a estas exortações amanhã? Lembre-se das palavras do sábio Rei Salomão: “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz.” (Pv 27.1). “As coisas importantes, amanhã”, disse um cético a alguém que o alertou de um perigo iminente. Porém, o amanhã dele nunca chegou. O amanhã é o dia do diabo, mas o hoje é o dia de Deus. Satanás não se importa com a espiritualidade de suas intenções, ou com a santidade de suas resoluções, contanto que sejam para amanhã. Por favor, não dê lugar ao diabo quanto a isso! Diga-lhe: “Não, Satanás! Será hoje, hoje mesmo!” 3 N.T.: Embora não haja dúvidas de que as estatísticas exatas mudaram nos últimos 100 anos, permanece o fato de que, a cada ano, multidões de rapazes e moças partem para a eternidade.

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Não são todos os homens que chegam à idade de patriarcas como Isaque e Jacó. Muitos filhos morrem antes de seus pais. Davi teve de chorar a morte de dois dos seus filhos mais queridos. Jó perdeu todos os dez filhos em um só dia. A sua sorte pode ser como a daqueles jovens. E quando a morte chama, é inútil falar em amanhã — você tem de ir imediatamente. Você pensa que haverá tempo mais apropriado, no futuro, para considerar essas coisas? Assim também pensaram Félix e os atenienses, aos quais Paulo pregou, mas esse tempo nunca chegou (At 17.32-34; 24.24-27). O inferno está cheio de suposições tolas e fantasiosas como essas. É melhor fazer o que é certo enquanto pode. Não deixe na incerteza nada que é eterno. Quando se trata da sua alma, não se arrisque. Acredite, a salvação de uma alma não é algo de pouca importância. Todos precisam de uma grande salvação, não importa se são rapazes ou velhos. Todos precisam nascer de novo, ser lavados no sangue de Cristo e santificados pelo Espírito. Feliz é o homem que não deixa essas questões na incerteza e que não descansa até que tenha o testemunho do Espírito, em seu interior, testificando ser ele filho de Deus. Rapaz, seu tempo é curto. Seus dias são como a medida de um palmo, como uma sombra, como um vapor, como um conto que acaba rapidamente. Seu corpo não é de bronze. Isaías 40.30 diz que até mesmo “os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos, caem”. A sua saúde pode ser tirada em um instante. Basta apenas uma queda, uma febre, uma inflamação, uma hemorragia e o verme se alimentará 20


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da sua carne. Há apenas um passo entre você e a morte. Esta noite sua alma poderá ser requerida. Você está indo, rapidamente, pelo caminho de toda a terra. Em breve você partirá. A sua vida é repleta de incertezas, mas sua morte e seu julgamento são absolutamente certos. Você também ouvirá o soar da trombeta do arcanjo e estará diante do grande trono branco. Você também obedecerá àquele chamado que Jerônimo4 dizia sempre vibrar em seus ouvidos: “Levantai-vos, vós os mortos, e vinde ao julgamento”. Eis o que diz o próprio Juiz: “Certamente venho sem demora” (Ap 22.20). Eu não posso, não ouso, não deixarei você sossegado. Quem dera você guardasse no coração as palavras do pregador: “Alegre-se, jovem, na sua mocidade, e que o seu coração lhe dê muita alegria nos dias da sua juventude. Ande nos caminhos que satisfazem ao seu coração e agradam aos seus olhos; saiba, porém, que de todas estas coisas Deus lhe pedirá contas” (Ec 11.9). É espantoso que qualquer homem consiga permanecer descuidado e indiferente diante dessa exortação. Certamente, ninguém é tão tolo quanto aqueles que se contentam em viver despreparados para a morte. Sem dúvida, a descrença dos homens é a coisa mais impressionante no mundo. É com razão que, na Bíblia, a profecia mais cristalina começa com estas palavras: “Quem creu em nossa pregação?” (Is 53.1). É com razão que o Senhor Jesus disse: 4 N.E.: Jerônimo (345–420) foi tradutor da Bíblia e defensor do monasticismo. A sua mais famosa realização foi a tradução da Bíblia para o latim, conhecida como Vulgata Latina.

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“Quando o Filho do Homem vier, será que ainda encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18.8). Rapaz, eu temo que seja dito isto sobre você na corte celestial: “Ele deliberadamente não creu”. Temo que, em um piscar de olhos, você passe deste mundo e acorde tarde demais, para constatar que a morte e o juízo são realidades. Temo por tudo isso; portanto eu o exorto. 3. Seu futuro depende do que vocês são no momento Muito provavelmente, aquilo que os rapazes serão no futuro depende daquilo que são no momento. Ainda assim, parece que se esquecem disso com muita facilidade. A juventude é o estágio embrionário da maturidade; ela é o período de formação, no curto espaço da vida humana; ela é a época decisiva na existência de um homem. Pelo broto julgamos a árvore; pela flor julgamos o fruto; pela primavera julgamos a safra; pelo amanhecer julgamos o dia; e, de modo geral, pelo caráter do jovem podemos julgar o que será na idade adulta. Rapaz, não se deixe enganar. Não pense que pode deliberadamente servir a si mesmo e a seus prazeres no início da vida, e depois servir a Deus, tranquilamente, no final de sua existência. Não pense que pode viver como Esaú e morrer como Jacó. É zombaria agir assim com Deus e com sua alma. É um terrível desprezo supor que você pode oferecer ao mundo e ao diabo o vigor da sua juventude, deixando para o Rei dos reis as sobras da sua vida e os restos das suas forças. 22


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Isso é uma terrível tolice, e pode ser que você descubra, para o seu desespero, que tal coisa de fato não pode ser feita. Eu me aventuro a afirmar que você está contando que irá se arrepender lá na frente. Você não sabe o que está fazendo. Está pensando nos fatos sem levar Deus em consideração. O arrependimento e a fé são dádivas de Deus; dádivas que ele frequentemente retém, depois de serem oferecidas em vão durante muito tempo. Eu admito que nunca é tarde para o verdadeiro arrependimento; mas, ao mesmo tempo, advirto-lhe que o arrependimento tardio poucas vezes é verdadeiro. Concordo que um ladrão penitente foi convertido na última hora de vida, para que nenhum homem venha a se desesperar; mas digo-lhe que apenas um dos ladrões foi convertido nessa condição, para que ninguém presuma que conseguirá fazer o mesmo (Lc 23.39-43). Admito estar escrito que Jesus “pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus” (Hb 7.25); mas notifico-lhe que o mesmo Espírito também escreveu: “Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse [...] também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei.” (Pv 1.24,26). Acredite no que digo, você verá que não é fácil se voltar para Deus no momento que achar conveniente. É verdadeiro o que disse o pastor Leighton: “O caminho do pecado é morro abaixo; o homem não consegue parar quando quer”.5 N.T.: Robert Leighton (1611–1684) foi arcebispo da Igreja Anglicana de Glasgow, Escócia. Entre os seus escritos devocionais, há um notável comentário sobre 1 Pedro, o qual foi recomendado por C.H. Spurgeon, que disse: “É um dos favoritos de todos os homens espirituais”. 5

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Convicções sérias e desejos santos não são como os servos do centurião, prontos a ir e vir, de acordo com a sua vontade (Mt 8.9). Antes, são como o boi selvagem do livro de Jó; não lhe obedecerão nem atenderão ao seu comando (Jó 39.10). Conta-se que Aníbal, um famoso general do passado, quando poderia ter tomado a cidade de Roma, contra a qual guerreava, não quis fazê-lo; e, finalmente, quando quis, já não pôde mais. Preste atenção a isso, para que o mesmo não lhe aconteça em relação à vida eterna. Por que estou dizendo tudo isto? Digo por causa do poder dos hábitos. A experiência me diz que, a não ser que mudem enquanto são jovens, os corações das pessoas dificilmente mudam. Na verdade, poucos homens são convertidos na velhice. Os hábitos têm raízes profundas. O pecado, uma vez que você permita que se aninhe em seu coração, não o deixará, mediante um pedido seu. Como o cordão de três dobras, que é difícil de se romper, o costume acaba se tornando uma segunda natureza (Ec 4.12). O profeta declara, apropriadamente: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal.” (Jr 13.23). Os hábitos são como pedras que rolam montanha abaixo. Quanto mais ligeiras elas rolam, mais incontrolável é o seu curso. Como as árvores, os hábitos se fortalecem com o passar do tempo. Um garoto consegue envergar um carvalho, quando este é ainda pequenino, mas cem homens não conseguem arrancá-lo, quando se torna uma árvore crescida. Na 24


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nascente do Rio Tâmisa, uma criança pode brincar na água; mas, nas proximidades do encontro do rio com o mar, pode navegar o maior navio que existe. Assim acontece com os hábitos: quanto mais antigos, mais fortes ficam. Quanto mais tempo prenderem a alma, mais difícil de serem eliminados. Eles crescem à medida que crescemos; e se fortalecem à medida que nos desenvolvemos. O hábito alimenta o pecado. Cada pecado cometido diminui o temor e o remorso, endurece o coração, suaviza a espetada da consciência e aumenta a nossa inclinação para o mal. Rapaz, talvez você pense que estou enfatizando muito esse ponto. Mas não diria isso, se, como eu, tivesse visto tantos velhos à beira da sepultura, totalmente insensíveis, cauterizados, calejados, apáticos, endurecidos como a pedra inferior do moinho.6 Creia, você não pode ficar neutro quanto aos interesses de sua alma. Ou bons ou maus hábitos se fortalecem em seu coração diariamente. A cada dia que passa, ou você se aproxima mais de Deus ou se distancia dele. A cada ano que continua sem se arrepender e se converter, o muro que separa você do céu aumenta e fica mais largo; e o abismo a ser cruzado se aprofunda e se alarga. Por favor, eu insisto! Você precisa temer o endurecimento causado pela permanência no pecado! Agora é o tempo aceitável. Não espere até a sua velhice, ou a força do hábito 6 N.T.: Das duas pedras do moinho, essa era a usada para triturar os grãos. Essa pedra era usada como figura para descrever a condição de endurecimento do coração do homem.

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será tamanha que, se você não buscar o Senhor enquanto é jovem, provavelmente, nunca irá buscá-lo. É isso que eu temo; portanto eu o exorto. 4. O diabo faz esforço especial para destruí-los O diabo faz um esforço especial para destruir as almas dos rapazes; mas, eles parecem não saber disso. Satanás sabe muito bem que você constituirá a próxima geração. Então, sem perda de tempo, logo emprega todo artifício para tomar posse da sua vida. Eu não quero que você fique ignorante das artimanhas dele. Você faz parte do grupo para o qual ele exibe todas as suas tentações favoritas. Ele arma a rede com o maior cuidado, a fim de emaranhar o seu coração; guarnece as iscas de suas armadilhas com os pedaços mais doces, para tê-lo em seu poder; expõe com a maior habilidade a sua mercadoria diante dos seus olhos, no intuito de levá-lo a comprar o veneno adocicado e a comer as iguarias amaldiçoadas dele. Você é o grande alvo do ataque dele. Que o Senhor repreenda a Satanás e livre a sua vida das mãos dele! Jovem, tome cuidado para não ficar preso nos laços de Satanás. Ele tenta jogar poeira nos seus olhos para impedir que você enxergue as coisas como elas realmente são. Ele deliberadamente leva você a considerar o bem como mal e o mal como bem. Ele pinta, disfarça e enfeita o pecado, para levar você a se apaixonar pelo pecado. Ao mesmo tempo que deforma, distorce e ridiculariza a verdadeira religião, a fim de 26


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que você tenha aversão por ela. Exalta os prazeres da iniquidade, mas oculta de você a dor que ela causa. Mostra-lhe a cruz e os sofrimentos que ela representa, mas mantém fora da sua vista a coroa eterna. Assim como fez com Jesus, o diabo promete qualquer coisa, desde que você apenas o sirva. Ele até mesmo o ajuda a praticar uma religião qualquer, desde que você não reconheça o poder da religião verdadeira. No início de sua vida, ele lhe diz: “É muito cedo para você servir a Deus”; e no final, ele diz: “Agora é tarde demais”. Por favor, não se deixe enganar! Quão pouco você sabe sobre o perigo que corre, devido a esse pavoroso inimigo! É precisamente essa ignorância que me causa temor. Você é como um cego, andando em meio a buracos e armadilhas, e não vê os perigos que lhe cercam por todos os lados. O seu inimigo é poderoso. Ele é chamado de “príncipe do mundo” (Jo 14.30). Ele se opôs ao Senhor Jesus Cristo durante todo o ministério dele. Tentou Adão e Eva a comer o fruto proibido, trazendo assim o pecado e a morte ao mundo. Tentou até mesmo a Davi, o homem segundo o coração de Deus, fazendo com que seus últimos dias fossem cheios de tristeza. Também tentou a Pedro, o grande apóstolo, convencendo-o a negar seu Senhor. Com toda a certeza, o intenso ódio desse inimigo não deve ser ignorado! O seu inimigo é incansável. Ele nunca dorme. Anda constantemente em derredor, rugindo como leão, buscando a quem possa devorar (1Pe 5.8). Está sempre a rodear a terra e a passear por ela (Jó 1.7; 2.2). Você pode ser descuidado 27


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com a sua alma, mas ele não é. Ele quer torná-la miserável, assim como ele; e o fará, se puder. Certamente que seu ódio intenso não deve ser ignorado! O seu inimigo é sagaz. Por milhares de anos ele tem lido um livro — o coração do homem. Portanto, deve conhecê-lo bem, e de fato o conhece. Conhece todas as suas fraquezas, enganos e loucuras. Tem armazenado um grande número de tentações, que causam males ao coração. Você nunca irá a um lugar onde ele não possa encontrá-lo. Vá à cidade, e lá ele estará. Dirija-se ao deserto, e ali também ele estará. Sente-se entre os beberrões e escarnecedores, e lá estará ele para lhe assistir. Ouça a pregação, e ele estará ao redor para distraí-lo. Certamente, um ódio tão intenso não deve ser ignorado! Rapaz, esse inimigo faz grande esforço para conseguir a sua destruição, mesmo que você não perceba isso. A sua vida é o prêmio pelo qual ele mantém especial contenda. Ele vê de antemão se você será uma bênção ou uma maldição em seus dias. Assim, diligentemente procura entrar em seu coração o mais cedo possível, para que no final você venha a aumentar o reino dele. Ele compreende muito bem que estragar o botão é o modo mais seguro para arruinar a flor. Quem dera se os seus olhos se abrissem como os do servo de Eliseu, em Dotã (2 Rs 6.15-17). Quem dera se você apenas compreendesse o que Satanás está maquinando contra a sua paz! Eu preciso alertá-lo, preciso exortá-lo. Quer você ouça, quer não; eu não posso, não ouso, não o deixarei sossegado. 28


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5. Para serem poupados de tristezas Os rapazes necessitam de exortação, porque, se começarem a servir a Deus agora, serão poupados de tristezas. O pecado é a causa de toda a tristeza, e nenhum outro tipo de pecado parece trazer ao homem tanta miséria e dor quanto os pecados da sua juventude. As tolices que ele cometeu, o tempo desperdiçado, os erros praticados, as más companhias mantidas por ele, os males causados a si próprio, tanto no corpo quanto no espírito, as chances de felicidade jogadas fora, as oportunidades de ser útil que foram desprezadas; todas essas são coisas que frequentemente amarguram a consciência de um homem idoso. Além disso, trazem tristeza ao entardecer de seus dias e preenchem as últimas horas de sua vida com autorreprovação e vergonha. Alguns homens poderiam contar-lhe sobre a prematura perda da saúde, causada pelos pecados da juventude. A enfermidade maltrata os seus membros com dor, e a vida para eles é quase um tédio. O vigor dos seus músculos está tão enfraquecido que um gafanhoto lhes parece um enorme peso. Seus olhos se escurecem ainda bem cedo, e sua força se abate. Sendo ainda dia, já se pôs o sol da sua saúde, e lamentam ver consumidos o seu corpo e sua carne (Ec 12.1,2). Acredite no que digo a você, esse é um cálice amargo para se beber. Outros poderiam dar tristes relatos sobre as consequências da ociosidade. Jogaram fora a preciosa oportunidade da aprendizagem. Na época em que a mente estava mais apta a receber o ensino e a memória mais preparada a reter 29


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o conhecimento, não desejaram obter sabedoria. Agora é muito tarde! Já não têm tempo para sentar-se e aprender. Ainda que tivessem tempo disponível, não teriam a mesma força. O tempo perdido jamais pode ser readquirido. Esse, também, é um cálice amargo para se beber. Outros podem contar-lhe sobre os dolorosos enganos em suas decisões, que os fizeram sofrer durante toda a vida. Quiseram seguir os seus próprios caminhos. Não aceitaram conselhos. Fizeram alianças que resultaram na sua completa infelicidade. Escolheram uma profissão com a qual eram inteiramente incompatíveis. Agora eles reconhecem tudo isso. Mas, infelizmente, seus olhos só se abriram quando o erro não podia mais ser reparado. Tenha cuidado! Esse é, igualmente, um cálice amargo para se beber! Rapaz, rapaz! gostaria que você conhecesse o conforto que há em uma consciência não sobrecarregada com uma longa lista de pecados próprios da juventude. Esses pecados são feridas que perfuram o espírito; são uma afiada ponta de ferro que fere a alma. Seja misericordioso consigo mesmo. Busque o Senhor no início de sua vida e, assim, você será poupado de muitas lágrimas amargas. Essa é a realidade que Jó parece ter experimentado. Ele disse: “Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade” (Jó 13.26). Também Zofar, o amigo de Jó, referindo-se ao ímpio, disse: “Ainda que os seus ossos estejam cheios do vigor da sua juventude, esse vigor se deitará com ele no pó” (Jó 20.11). 30


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Davi, também, parece ter experimentado isso. Ele disse ao Senhor: “Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões” (SI 25.7). Beza7, o grande reformador suíço, experimentou essa verdade de maneira tão intensa que, em seu testamento, citou como misericórdia especial o fato de, pela graça de Deus, ter sido chamado a desprezar o mundo aos dezesseis anos de idade. Pergunte aos crentes, e penso que muitos deles lhe dirão coisas semelhantes. Provavelmente dirão: “Quem me dera pudesse viver minha juventude novamente!”. “Ah! se eu tivesse gastado os dias da minha mocidade de uma forma melhor!” “Quem me dera não ter deixado os maus hábitos lançarem as suas raízes, de maneira tão forte, na primavera da minha existência!”8 Rapaz, quero poupá-lo de todas essas aflições, se eu puder. O inferno é uma realidade que muitos descobrem tarde demais. Seja sábio. O que a juventude semear, a velhice colherá. Não use a época mais preciosa da vida em busca de coisas que não lhe trarão conforto nos seus dias finais. Antes, N.T.: Theodore Beza (1519–1605) foi um admirador, amigo, associado e sucessor de João Calvino em Genebra. Embora tenha estudado para ser um advogado, uma enfermidade fez com que seus pensamentos fossem voltados a Deus e à Fé Reformada. 8 N.T.: No livreto intitulado A Dying Man’s Regrets (Lamentos de um Homem à Beira da Morte), Adolphe Monod (1802–1856) trata de vários assuntos relacionados aos remorsos sentidos no leito de morte. Nesse opúsculo, um dos mais destacados pregadores da França, no século passado, abre o coração nos seus últimos dias de vida e compartilha os seus lamentos pessoais. 7

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uma paLaVra aos jovenS

semeie para si mesmo em retidão; revolva o terreno do seu coração para não semear entre espinhos. Hoje você peca facilmente, tanto na prática quanto em palavras; mas tenha certeza, não demorará para você e o seu pecado se encontrarem, mesmo que você não queira que isso aconteça. As feridas antigas frequentemente doem e causam sofrimento, mesmo tendo passado muito tempo após a sua cura e mesmo restando apenas uma cicatriz. Assim também será com os seus pecados. Milhares de anos após a morte de certos animais, têm sido encontradas as suas pegadas impressas nas rochas, as quais na época eram apenas argila úmida. Assim também poderá suceder com os seus pecados. Diz o ditado: “A experiência é uma escola muito cara, mas os tolos não aprendem em nenhuma outra”. Meu desejo é que você escape da tristeza de ter que aprender na escola da experiência. Desejo levá-lo a evitar a desgraça certamente produzida pelos pecados da mocidade. Esse é o último motivo pelo qual eu o exorto.

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