Daniel Guimarães Valdenize Ferreira Lima
CULTURA DE PAZ
POR UMA ESCOLA MAIS SEGURA
9 João Pessoa • 1ª edição • 2017
Uma coprodução
Copyright © 2017 da Edição: Editora Eureka
Gerente admnistrativo: Marcelo Almeida Gerente comercial: Roberto Marques Editor executivo: Marco Saliba Editora: Luana Vignon Gerente de arte: Raphael Mendonça Projeto gráfico e diagramação: Rafael Mendonça
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Guimarães, Daniel; Lima, Valdenize Ferreira Cultura de paz: por uma escola mais segura - Ensino Fundamental II – 9º ano – Daniel Guimarães e Valdenize Ferreira. – Fortaleza: Egeiros Educacional, 2016. ISBN 978-8592714-27-7
1. Escolas – Educação Sexual 2. Ensino Fundamental. Prática de ensino 4. I. JC Editora II. Luana Vignon. III. Título 12-06673
CDD-371.784 Índices para catálogo sistemático: 1. Saúde: Educação 372.8
Apresentação
“Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.” (Martin Luther King) A violência na sociedade contemporânea é uma questão extremamente complexa e sua origem não pode ser reduzida ao tema das desigualdades sociais. No entanto, esse aspecto tem também um impacto significativo, principalmente se considerarmos que a promessa de sociedade com igualdade de oportunidades e felicidade ao alcance de todos não se cumpre na realidade cotidiana da maioria dos indivíduos. Nesse sentido, a ênfase no sucesso e na autonomia faz com que o fracasso do indivíduo em alcançar êxito na vida escolar e profissional seja atribuído a condições pessoais e não à estrutura social e política. A impossibilidade de sucesso gera diferentes sentimentos, como o ressentimento e a agressividade, que acaba por atingir diretamente a escola. Atualmente, a violência na escola é um problema de âmbito mundial. No estado de São Paulo, segundo a pesquisa “Violência nas escolas: O olhar dos professores”, realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), quatro em cada dez educadores (44%) já sofreram algum tipo de violência na escola. A principal queixa é a agressão verbal (39%), mas 5% deles já foram vítimas de violência física. Para lidar com essa realidade, cabe à educação promover debate e materiais de ensino para que se possa trazer à consciência do jovem a importância de se relacionar com o outro de maneira tolerante, presente e afetiva.
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Sumário Apresentação ............................................................... 3 Capítulo 1 – Educação emocional para cultura da paz .......6 O que eu sinto? ..........................................................................................................................20 A importância dos laços afetivos ................................................................................................35
Capítulo 2 – Direitos Humanos ..................................... 42
Direitos sociais .......................................................................................................................... 48 Direitos culturais ........................................................................................................................50 Direitos políticos ........................................................................................................................51 Direitos religiosos.......................................................................................................................52
Capítulo 3 – Formas de violência................................... 56
Tipos de violência .......................................................................................................................59 Agressão física .......................................................................................................................... 60 Bullying ......................................................................................................................................65 Assédio ...................................................................................................................................... 72 Não violência ............................................................................................................................ 86
Capítulo 4 – O papel do esporte .................................... 90
O esporte como medida socioeducativa .....................................................................................95 Valores do esporte para a educação .......................................................................................... 96 Paz no esporte .........................................................................................................................100
Capítulo 5 – Diversidade e aceitação ........................... 104 Região Nordeste ......................................................................................................................106 Região Norte ............................................................................................................................108 Região Centro-Oeste ................................................................................................................109 Região Sudeste ........................................................................................................................109 Região Sul ................................................................................................................................ 110
Referências ...............................................................127
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Cultura de paz
Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho. (Mahatma Gandhi)
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CAPÍTULO 1
Educação emocional para cultura da paz
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Cultura de paz Não há fase mais conturbada na vida de um ser humano que a adolescência. Adolescer vem do latim e significa crescer, atingir a maturidade. Diversas mudanças acontecem no adolescente, que atingem não só o corpo, como também as emoções, o papel social e afetam pais e irmãos, que não sabem como lidar com as transformações bruscas de comportamento, típicas dessa fase. Para os pais, a primeira dica é entender para poder ajudar. Imagine como um adolescente se sente ao não poder fazer certas coisas de adultos, mas ser repreendido por agir como criança? A adolescência é naturalmente o momento da contestação, da rebeldia, da busca da identidade, de transformações rápidas e profundas. Ao contrário do que muitos pensam, adolescência e puberdade não são a mesma coisa. A puberdade está relacionada apenas com as modificações físicas, ou seja, pelas alterações hormonais, pelo surgimento das características sexuais, etc. A adolescência é o período da vida de uma pessoa, quando ela deixa de ser criança, se desenvolvendo para atingir a fase adulta. Segundo a OMS, essa fase abrange dos 10 aos 19 anos de idade. Os hormônios são indispensáveis para a manutenção do organismo. Sono, fome, sede, prazer, ou seja, todas as sensações são regidas por essas substâncias, que são responsáveis ainda por diversos processos do metabolismo como a digestão, a respiração e o desenvolvimento sexual, entre outros. Os hormônios são secretados e regulados no organismo pelas glândulas espalhadas pelo corpo, por meio do sistema endócrino. Em relação à puberdade duas estruturas são especialmente importantes: o hipotálamo e a glândula hipófise. O hipotálamo é uma região do cérebro, do tamanho de uma amêndoa, que regula diversos processos metabólicos. É o hipotálamo que conecta o sistema nervoso ao sistema endócrino. Essa estrutura controla a secreção dos hormônios da hipófise, também conhecida como glândula pituitária.
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A puberdade começa quando, por um motivo ainda desconhecido, o relógio biológico do corpo induz a produção de determinados hormônios que atuam na hipófise e estimulam a glândula a secretar hormônios, que vão desencadear as modificações típicas dessa fase. Entretanto, há outras glândulas que também começam a funcionar na puberdade, chamadas de suprarrenais. Elas liberam hormônios andrógenos, responsáveis pelo crescimento corporal, pelo desenvolvimento e atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas e pelo surgimento dos primeiros pelos, tanto na região genital, quanto nas pernas ou axilas. A glândula hipófise se divide em duas partes: neurohipófise e adenohipófise. Cada uma é responsável pela secreção de determinados hormônios. Na puberdade, a partir do estímulo do hipotálamo, a adenohipófise começa a produzir e secretar hormônios que atuam nas glândulas sexuais: os ovários e testículos. O hormônio folículo estimulante (FSH) ativa o desenvolvimento dos gametas, ou seja, das células sexuais, tanto no homem quanto na mulher. No organismo masculino age na produção dos espermatozoides. No organismo feminino proporciona o crescimento dos óvulos. O hormônio luteinizante (LH) estimula a ovulação nas meninas e a produção de testosterona nos meninos. O FSH e o LH são conhecidos também como gonadotrofinas.
Conteúdo extra! Assista pelo QR Code a uma palestra sobre inteligência emocional e afetividade.
Quando as glândulas sexuais, ou seja, ovários e testículos se desenvolvem, começam a liberar os hormônios sexuais: estrógeno, progesterona e testosterona, responsáveis por dar as características físicas secundárias da puberdade, como por exemplo, o afinamento da cintura nas meninas e engrossamento da voz nos meninos. Por fim, a hipófise, ainda estimulada pelo hipotálamo, aumenta a produção da somatotropina, mais conhecido como GH (hormônio do crescimento). A ação mais importante do GH nessa fase é determinar o aumento do volume dos ossos e da massa muscular. Mas o que isso quer dizer? Toda essa transformação hormonal também reflete nosso estado de consciência na adolescência. Dúvidas sobre as mudanças do próprio corpo e do que ele vê e ouve dos amigos, sobre a normalidade de tudo isso. Toda e qualquer grande ou pequena mudança do corpo, nessa fase, pode gerar muita angustia. Se é normal o jeito que o seio está crescendo, ou sobre a normalidade da mudança da textura do saco escrotal, por exemplo. E a falta, a demora das mudanças também angustiam. Tristeza (litografia de Vincent van Gogh, 1882).
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Conteúdo extra! Assista pelo QR Code ao vídeo: ‘Toda mulher gorda é feia, sem mais’ e saiba mais sobre os padrões de beleza que nos permeiam.
Um grande sentimento de inadequação pode acompanhar essas mudanças, sendo muitas vezes compensado por uma postura mais arrogante, e de desprezo pelas convenções do mundo adulto. Outras vezes ele pode reagir a esse sentimento de inadequação fazendo bullying em colegas, de forma que ele se sinta mais seguro (pois o outro é que fica no lugar de esquisito, e ele pode ficar no lugar de normal) Pode haver uma grande insatisfação com o corpo em transformação, e uma dificuldade em visualizar um processo. Assim, uma menina pode estar descontente com o tamanho dos seios, sem avaliar que o seu crescimento ainda não acabou. Ou pode se sentir gorda ao perceber que seu corpo ganha contornos femininos. Um menino pode se achar miúdo, não percebendo que seu corpo ainda está em processo de crescimento, e que ele pode ainda, naturalmente, ganhar massa muscular.
Há também a alta exigência estética, e alguns estereótipos de beleza que os adolescentes buscam e se decepcionam muito por não corresponder. A autoestima pode ficar muito afetada, e não raro sentir-se feio(a).
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O adolescente pode, muitas vezes, se sentir cobrado a corresponder a papéis de homem, ou mulher (as vezes papéis estereotipados), para se assegurar que estão crescendo. Ele pode corresponder a essa cobrança, buscando rapidamente fazer aquilo que lhe parece importante para garantir o seu lugar no mundo adulto, muitas vezes desrespeitando seu próprio ritmo. Um adolescente pode, por exemplo, beijar somente para provar que já cresceu, ao invés de guiado pelo desejo de experimentar o beijo, de se relacionar, de se envolver afetivamente.
Muitas vezes o adolescente se culpa muito pelas suas novas sensações corporais e de prazer, pelos novos sentimentos que isso tudo desperta. Toda a sexualidade e desejo que surgem na adolescência podem assustar e angustiar bastante, principalmente quando ele não consegue encontrar com quem falar a respeito de tudo isso, e vai se isolando com suas próprias fantasias a respeito. O amadurecimento do corpo e as sensações oriundas desse processo aumentam a curiosidade do adolescente com relação à sexualidade. Ele precisa entender o assunto teoricamente e, depois, na prática, conhecer as novas possibilidades do seu próprio corpo. Às vezes o desejo de experimentar essas novas sensações leva o jovem a se “atropelar”, realizando atos impulsivos e arriscados. Nesse momento a informação e o diálogo ajudam muito a controlar a ansiedade. A masturbação que antes era apenas uma forma local de prazer no próprio corpo, adquire um caráter erótico, passando a se realizar associada a fantasias. O adolescente (principalmente o menino, mas meninas também passam por isso) se torna facilmente excitável. E pode surgir angústia, culpa, fantasias e muitas perguntas envolvendo a masturbação, e o excesso de excitação. )
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Conteúdo extra! Assista pelo QR Code a um vídeo sobre o estereótipo de beleza e a distorção do próprio corpo e autoestima na adolescência.
Essa experimentação das novas formas de prazer pode ser buscada constantemente, podendo se transformar num importante foco do adolescente. Ele experimenta consigo mesmo, com fantasias românticas, imagens eróticas, com amigos, outros adolescentes (as vezes do mesmo sexo, sem querer, necessariamente, significar homossexualidade). Mas também pode ser grande fonte de angústia o fato de não se ter experimentado ainda, por exemplo, o beijo. O adolescente fica confuso e preocupado com as razões pelas quais isso não acontece com ele. É difícil lidar com o tempo das coisas acontecerem, pois a ansiedade é grande. É difícil lidar com o que ele não controla, perceber que existe o outro, e o tempo do outro (a garota que ele gosta não quer ficar com ele, por exemplo). E ele não percebe que, muitas vezes, ele pode estar se boicotando de alguma forma, por não estar ainda realmente preparado para que isso ocorra. E aqui começam a se evidenciar e aumentar muitas das nossas dificuldades afetivas e de relacionamentos que podem se manter pela vida adulta. O adolescente tem agora a capacidade de compreender o sexo e a sexualidade de uma forma nova, pois o seu corpo lha dá a base para essa nova compreensão. Por exemplo, tezão é uma palavra que ele sabe o que significa por senti-lo, não apenas uma palavra que ele tenta decifrar teoricamente. Ele se torna malicioso. O mundo, as palavras, ficam muito sexualizados, tudo passa a ter duplo sentido, um sentido sexual. Ele se sente dominando uma nova linguagem, que antes era exclusiva do mundo adulto. Mas nem sempre ele domina tanto quanto gostaria, e não percebe isso, podendo se colocar em situações de risco, até mesmo de abuso. Como uma menina que já está com corpo de mulher e se sente muito poderosa ao despertar olhares nos homens, e usa dessa sensação de poder o tempo todo, mas sem ainda ter compreendido exatamente o que ela desperta além dos olhares. Essa nova possibilidade de ler o mundo sobre uma ótica mais sexual também leva o adolescente a reinterpretar os fatos, memórias, lembranças, afetos já vividos por ele, desde a infância. Nessa reinterpretação ele pode dar significados difíceis de serem digeridos por ele, sofrendo com isso, apresentando sintomas de que algo não vai bem, ou até adoecer psiquicamente. Por todas essas questões e muitas outras, mais individuais, as transformações da puberdade são um momento muito delicado da vida, podendo ser mais fácil atravessa-las quando o adolescente encontra espaços de diálogo com adultos de confiança (pais, professores, tios, avós, por exemplo), que podem informar, questionar, acompanhar todo esse processo. É importante ressaltar que diálogo pressupõe falar e ouvir. Ouvir o adolescente nas suas histórias, suas questões, suas fantasias, suas angústias é muito importante para que esse processo seja vivido com mais tranquilidade, e menos isolamento.
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Texto complementar A Educação Afetiva Quando me proponho a analisar, a debater e a buscar compreender a complexidade da identidade da educação brasileira, desde a sua formação histórica, passando por seus determinantes políticos e filosóficos, até chegar aos processos curriculares, à organização didática e administrativa da escola, à consideração da questão da avaliação, entre tantos outros temas, acabo percebendo que deixamos de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas. Como a dimensão daafetividade, a qualidade social e subjetiva das relações pessoais, das relações travadas entre as pessoas, entre os sujeitos que estabelecem relações radicalmente humanas na escola. Descuramos, não assumimos como importantes ou até mesmo, como consideráveis. O ser humano é um ser aprendente. Aprendemos a condição humana, ela é transmitida pela prática social, pela cultura, pelas interrelações entre as gerações, pela linguagem, pelas condutas, pelos saberes e conhecimentos, pelos valores, pelas instituições, enfim, por tudo aquilo que acumulamos em nossa marcha e trajetória histórica. A condição humana é aprendida. Neste sentido, não nascemos prontos, não somos seres acabados, somos processo, somos projeto aberto, somos sempre travessia! Cada pessoa é uma construção, original e única, da diversidade da condição humana. Daí ser a vida, a convivência social, a maior troca simbólica da formação humana. Conviver com outras pessoas, estar juntos, é entender a vida, dramática e maravilhosa, em sua plenitude. Neste sentido é que tenho defendido a questão da educação afetiva. Afetividade significa, para esta consideração reflexiva, educar para a sensibilidade, educar para ter imperativos éticos e estéticos referentes a outras pessoas, à natureza, à diversidade da vida e do mundo, aos valores, às artes, aos conhecimentos e, sobretudo, à polifonia das personalidades, das diferentes pessoas, culturas, identidades, grupos e movimentos que nos cercam. A vida, em si, é uma grande epifania de vivências, de desabrochamentos de experiências, de vitalidades, emoções, alegrias, perdas (igualmente) e achados! Compreender a vida como dádiva, de Deus e da natureza, é um primeiro passo para aprender a viver bem! Educação afetiva é a criação de uma atmosfera vivencial de sensibilidades, de gestos elevados, esteticamente belos e bons, como aqueles que cultivamos como essenciais. Praticar a palavra acolhedora, a bendizer os dias e as pessoas, a celebrar os encontros, a
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Cultura de paz pedir desculpas e perdões pelos erros, pelas contradições, pelos desvios padrões que acontecem entre nossos desejos, nossas necessidades e nossos atos reais, é sempre cultivar a paz, a leveza, a generosidade, a esperança, o bom trato, a convivência pluralista, diversa, amorosa, isto é, carregada de laços de pertencimento, de pequenos gestos de acolhimento, de demonstração da especialidade de nossa condição cultural humana. Educação afetiva é erigir alguns valores como “sagrados” para a convivência familiar, escolar, social e grupal, tais como, a disposição para o trabalho em grupo, a decisão consultiva, as escolhas voltadas para o bem de todos, a paz e a democracia, o respeito à dignidade de toda pessoa, a condenação de toda forma de violência, simbólica ou real, a condenação firme de toda crueldade, de toda covardia, de toda destruição predatória do ecossistema, dos animais, das flores, do meio-ambiente, da natureza. Ter sobretudo o sagrado amor à vida, proteger os que precisam de mais afeto, de mais proteção, combater todo sofrimento humano, notadamente aquele socialmente produzido, para que possa ser socialmente transformado. Educação afetiva é mudar o olhar para com as crianças, os adolescentes, os jovens. É ser exemplo, é convencer pela palavra e testemunhar com as atitudes, no dizer da grande alma Gandhi: “Seja você no mundo a mudança que você deseja para ele”. Educar para erigir “aquilo que nos afeta, a afetividade” sobre coordenadas antropológicas de solidariedade, companheirismo, amizade, lealdade. Como cantava o poeta pantaneiro A. Sater, com seu amigo “caipira” R. Teixeira: “É preciso amor para poder pulsar, é preciso paz para poder sorrir, é preciso a chuva, para florir!”. Observem bem, a chuva está caindo, a natureza está fazendo a sua parte! Faltam as outras duas disposições para a vida ser melhor! Fonte: Tutores. Disponível em: http://tutores.com.br/blog/a-educacao-afetiva/. Acesso em: 19 dez. 2016.
Consideremos a reação física no encontro de amigos e inimigos. Ao ver nossos amigos nos sentiremos felizes, experimentaremos reações agradáveis como relaxamento, já com o inimigo, nosso corpo reagirá com musculatura tensa e coração acelerado e sentimentos de fuga ou confronto. Reagimos segundo as nossas percepções. Infelizmente ao longo de nossas vidas podemos ter criado ou herdado percepções distorcidas da realidade. Imagine uma pessoa que cresceu com a crença de que é inferior aos demais membros de sua família. Numa situação embaraçosa perante a um desconhecido poderá reagir com arrogância, mesmo o desconhecido não tendo o propósito de constrangê-lo. O que ocorreu foi que o sentimento de inferioridade preexistente foi ativado, provavelmente ao tentar esconder este sentimento reagiu a ele atuando com arrogância.
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Concluímos que as respostas emocionais estão condicionadas a percepção que os indivíduos têm de si e do outro. Para mudarmos estas respostas é necessário promover uma mudança no nosso sistema de crenças e desenvolver habilidades que nos permitam aprender novas formas de agir e não reagir às situações. Assim consideramos Educação Emocional como o processo de desenvolvimento de habilidades de relacionamento interpessoal.
e d a id v ti a e d ta s o p o r P
são os nossos e discuta sobre quais os ig am us se m co se ntimentos. Senteralho. Crie um baralho dos se tos e, então, crie um ba en im nt se de ta lis a ariasentimentos. Faça um tão as suas emoções di es o m co ar ult ns co ra o pa poderá usar esse baralh que sente. Depois de pronto, você et fl poderá re ir sobre o cê vo , ar ult ns co e qu mente e, mais
Texto complementar Escolas públicas e privadas têm, entre suas demandas atuais, a questão das múltiplas formas de violência. Desde a violência direta das incivilidades (falta de respeito, grosseria) até a violência estrutural (desigualdades sociais) que perpassa as relações humanas, interpessoais e intergrupais, o cotidiano das convivências escolares pede novas formas de intervenção. Apontaremos algumas reflexões da educação para a paz nas escolas. Antes, é importante reafirmar que a educação não se limita mais à mera instrução. No século 21, a única educação possível é aquela que entende o aluno como ser humano, com suas possibilidades, limites, diferentes realidades e suas contradições. Nesse contexto, crescem os projetos relacionados à educação para a paz nas instituições escolares. Tais projetos têm alguns pontos a destacar. Primeiro, são considerados como um “tema transversal”, ou seja, não são fragmentados em uma “aula” de paz. É um movimento da escola, pensado desde a equipe de gestão, explicitado no projeto pedagógico, declarando que a escola, dentro da comunidade, assume o desafio do enfrentamento às violências, valorizando as convivências, entendendo que as relações humanas são essenciais para o
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Cultura de paz aprendizado curricular e dos elementos da educação integral, como cidadania crítica, ética, solidariedade e respeito. O segundo ponto dos projetos de educação para a paz é o foco em uma pedagogia dos valores humanos. As relações não violentas dependem de valores de convivência sólidos, claros e construídos no coletivo. Insistimos que não basta falar de valores, é necessário vivê-los no cotidiano da escola. Valores universais precisam ser refletidos e dialogados no dia a dia e não tomados como “cartilha”. Construir ou reconstruir valores é fundamental. Aliás, o diálogo é o elemento chave que mostra a terceira dimensão da educação para a paz nas escolas, que é o entendimento pedagógico do conflito. Se conflitos são inerentes às relações humanas, entendidos como espaço onde pessoas ou grupos têm perspectivas diferentes, podemos dizer que os conflitos são traços marcantes das instituições educacionais, devido à diversidade da sociedade. Em educação, os conflitos precisam ser pensados como oportunidades de crescimento. Assim, práticas restaurativas e mediação de conflitos passam a figurar na agenda educacional atual. Igualmente importante, o quarto ponto é entender que projetos de educação para a paz não podem ser pensados apenas como o contrário às violências maiores na escola. É um erro supor a educação para a paz como antídoto milagroso para a violência, assim como outro erro é acreditar que desenhar pombinhas brancas e cantar belas músicas algumas vezes ao ano terão algum efeito. Paz não é o apenas o contrário de guerra ou de violência agressiva. Paz é o fortalecimento de situações positivas e saudáveis de convivência, expressa por uma civilização educada, crítica e consciente, que aos poucos substitui situações não desejadas por valores e atitudes desejadas, ou seja, mais respeitosas, solidárias, responsáveis – em uma palavra, humanas. Se a humanidade foi tão fecunda para aprender tantas formas de violência, podemos aprender igualmente a não violência. As instituições educacionais são muito importantes nesse caminho! Fonte: Gazeta do povo. Autor: Nei Alberto Salles Filho. Disponível em: < http:// www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-educacao-para-a-paz-na-escola-ebrm1zr5yw2cra2n7ij1gq2j2>. Acesso em: 16 dez. 2016.
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A Paz A paz invadiu o meu coração
Eu pensei em ti
De repente, me encheu de paz
Eu chorei por nós
Como se o vento de um tufão
Que contradição
Arrancasse meus pés do chão
Só a guerra faz
Onde eu já não me enterro mais
Nosso amor em paz
A paz fez um mar da revolução
Eu vim
Invadir meu destino. A paz
Vim parar na beira do cais
Como aquela grande explosão
Onde a estrada chegou ao fim
Uma bomba sobre o Japão
Onde o fim da tarde é lilás
Fez nascer o Japão da paz
Onde o mar arrebenta em mim O lamento de tantos “ais”
Eu pensei em mim
Conteúdo extra! Ouça a música pelo QR Code.
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AUTO-CONSICÊNCIA EMOCIONAL Reconhecer os próprios sentimentos e emoções quando ocorrem.
AUTORREGULAÇÃO EMOCIONAL Lidar com as próprias emoções, adequando-as a cada situação vivida.
EMPATIA Reconhecer as emoções das outras pessoas, criando laços seguros e relações de confiança.
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INTELIGÊNCIA 30/01/17 10:50
PACIÊNCIA Desenvolver habilidade de ter paciência perante as situações da vida.
AUTOMOTIVAÇÃO Dirigir as emoções para um objetivo ou projeto de realização pessoal.
COMPETÊNCIAS SOCIAIS Desenvolver uma comunicação eficaz com os outros, criando relações de respeito.
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O que eu sinto? Tristeza Definida no dicionário Houaiss como um “estado afetivo caracterizado pela falta de alegria, pela melancolia”. Tristeza (latim tristia, tristeza, aflição), é um estado afetivo duradouro caracterizado por um sentimento de insatisfação e acompanhado de uma desvalorização da existência e do real. A tristeza é uma das "seis emoções básicas" descritas por Paul Ekman, junto com felicidade, raiva, surpresa, medo e nojo. Em Baruch Espinoza, a tristeza é definida justamente como o ato no qual nossa potência de agir é diminuída ou contrariada.
Amuada, pintura de Rodolfo Amoedo, 1882 - Museu Nacional de Belas Artes (MNBA).
A tristeza é uma experiência comum na adolescência e reconhecer essa emoção pode tornar as coisas mais fáceis embora algumas pessoas possam ter uma regra (consciente ou inconsciente) de que a tristeza não é "permitida". Tratar a tristeza dessa forma pode causar problemas, porque com a tristeza "desativada" ficamos superficiais a nosso próprio corpo emocional. Você já ouviu falar na tristeza útil? Leia o texto a seguir, escrito pela filósofa Márcia Tiburi.
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Saber e sofrer Dizer que o conhecimento faz sofrer tornou-se habitual. O sofrimento foi ligado à filosofia e à literatura a ponto de que não podemos imaginar um filósofo, ou alguém com cara de sábio em meio a livros, pulando carnaval ou curtindo uma piscina. Isso é um mito. Os filósofos e os escritores são ainda hoje constantemente vistos como pessoas que sofrem por conhecerem a alma humana em sua profundidade inacessível aos demais. Não quer dizer que conheçam a alma, nem que haja nela uma profundidade inacessível. Isto é apenas possível. É, sobretudo, uma crença compartilhada e, como tal, organiza nossa visão de muitas coisas. Nunca saberemos se os filósofos antigos eram todos sofredores, nem se conheciam a alma humana. Sabemos apenas que deixaram seu testemunho, no qual confiamos e com os quais devemos discutir hoje para entender o nosso tempo. Muitos dos pensadores contribuíram com esta imagem tratando o sofrimento como seu objeto de estudos, como Schopenhauer no século XIX. Outros fizeram de seu próprio sofrimento o objeto de suas filosofias, como Pascal no século XVII. Todos tentaram entender a relação entre conhecimento e sofrimento. Dos antigos, Aristóteles, por exemplo, usou um termo de Hipócrates, a melancolia, para explicar a relação do saber com o sofrimento. Tanto para o filósofo, quanto para o médico, a melancolia era um temperamento que explicava, inclusive, a inclinação intelectual de uma pessoa. Além de elucidar o pêndulo entre a loucura e genialidade que caracterizava alguns indivíduos. Os mais interessantes, porém, são alguns dos padres filósofos da Idade Média que falavam de um certo “demônio do meio dia” que assolava os monges como um fantasma obsedante. Antes dos filósofos perderem a crença em entidades sobrenaturais devido ao longo processo de secularização que levou ao modo de se viver no ocidente sempre a crer em ciência e tecnologia, o dito demônio era considerado a causa da dispersão na leitura, da insatisfação no convívio dentro do mosteiro, do rancor, do torpor, da vontade de morrer, das fantasias de catástrofe, da preguiça, da indolência, e também da culpa por viver no mesmo lugar sem capacidade de agir e ajudar os outros, ao mesmo tempo que responsável por uma crítica geral a tudo a todos que o cercavam em sua experiência monacal. Era o misto de maldade com desespero, de amor com ódio, de autocrítica com crítica dos outros que caracterizava o quadro melancólico que tanto fazia com que o monge se sentisse um inútil, quanto fazia com que ele se tornasse um escritor, um artista envolvido em ilustrar os livros, um filósofo em busca das verdades próximas ou distantes. A doença é o que cura Na verdade, muitos acreditavam que a doença não era ruim. Hugo de São Vítor, por exemplo, falava em uma tristitia utilis, uma tristeza útil. Ela era necessária para a evolução espiritual. Esta idéia pode parecer estranha, mas nos ensina algo para os nossos tempos sombrios. Os monges acreditavam que a doença a que chamavam melancolia carregava em si o seu contrário, uma forma de saúde. Ela era uma espécie de cura. Neste aspecto não somos diferentes dos monges medievais, só perdemos a capacidade de olhar para o que chamamos sofrimento como se ele fosse apenas um modo de ser e o preço pago quando da descoberta da vida. Mas se o valorizássemos melhor (e não mais) talvez pudéssemos aprender que a condição humana sempre foi a mesma, que não somos diferentes e, portanto, a nossa dor não é diferente. Desde sempre, se nos pensamos como espécie, sofremos. Quem tenta saber mais ou melhor sofre de um novo jeito. Em vez de afundar no lodo da dor emocional, podemos descobrir o potencial de transformação do conhecimento. Que o sofrimento não é o resultado do conhecimento, mas seu ponto de partida... saber pode ser mais a cura e a libertação da dor do que a dor.
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Cultura de paz Conhecer para quê? Que pensar nos faz sofrer pode até ser verdade. Tanto quanto pode ser verdade que pensar pode ser um prazer imenso. Quem se ocupa em conhecer a si mesmo e ao mundo sabe que fará a experiência de prazer e desprazer nesta viagem. Os gregos tinham a idéia do phármakon, remédio e veneno ao mesmo tempo, para explicar a dialética da vida. Ela se aplica ao conhecimento. Podemos sofrer com ele e, do mesmo modo, alegrarmo-nos. A melancolia antiga é ancestral direta da nossa depressão. O excesso de depressão nos dias de hoje não deixa de ter relação com a sociedade do conhecimento e da informação em que vivemos. Queremos resolver tudo pelo conhecimento, mas esquecemos de pensar que o conhecimento é uma saída que deve servir a algo mais do que o mero progresso da ciência. O conhecimento como potencial de saída da infelicidade, mesmo que tenha nascido dela. Se alguém busca conhecer a si é porque deve pretender com isso ser feliz. Ser feliz é mais ético e mais bonito do que apenas buscar a si mesmo como uma verdade absoluta. Sobre esta verdade de si ninguém tem garantia. A verdade não deve ser uma ilusão da resposta, mas a busca. Fonte: Márcia Tiburi. Disponível em: http://www.marciatiburi.com.br/textos/saberesofrer.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
Solidão “A solidão é a sorte de todos os espíritos excelentes”. -Arthur SchopenhauerSolidão é um sentimento profundo de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa não porque simplesmente se isola mas porque os seus sentimentos precisam de algo novo, algo que as transforme. Um dos primeiros usos da palavra "solitário" está na tragédia Coriolanus, Ato IV Cena 1, de William Shakespeare, escrita em 1608.
Pintura de Jean Jacques Henner retratando a solidão.
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Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo. Solitude é o estado de se estar sozinho e afastado das outras pessoas, e geralmente implica numa escolha consciente. A solidão não requer a falta de outras pessoas e geralmente é sentida mesmo em lugares densamente ocupados. Pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão. Em seu crescimento como indivíduo, o ser humano começa um processo de separação ainda no nascimento, a partir do qual continua a ter uma independência crescente até a idade adulta. Desta forma, sentir-se sozinho pode ser uma emoção saudável e, de fato, a escolha de ficar sozinho durante um período de solitude pode ser enriquecedora. Para sentir solidão, entretanto, o indivíduo passa por um estado de profunda separação. Isto pode se manifestar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Se tais sentimentos são prolongados eles podem se tornar debilitantes e bloquear a capacidade do indivíduo de ter um estilo de vida e relacionamentos saudáveis. Se o indivíduo está convencido de que não pode ser amado, isto vai aumentar a experiência de sofrimento e o consequente distanciamento do contato social. A baixa auto-estima pode dar início à desconexão social que pode levar à solidão. Em algumas pessoas, a solidão temporária ou prolongada pode levar a notáveis expressões artísticas e criativas.
Texto complementar A solidão pode transformar você em uma pessoa feliz Se traçássemos um mapa de sentimentos e situações, perceberíamos que para muitas pessoas a solidão e a tristeza estão muito próximas. Essa proximidade não apenas se relaciona à solidão na primeira pessoa, como também ao sentimento de pena que costumamos sentir por alguém que enxergamos como isolado. Entretanto, esta visão é muito distorcida. A solidão somente pode ser compreendida como um fardo quando esta é imposta, quando a pessoa que se sente sem apoio social deseja tê-lo e não tem forma de encontrá-lo. Esta solidão tem muito a ver com a necessidade de contar, de falar e de relatar parte da nossa história. Por isso é um sentimento tão prejudicial nas pessoas mais velhas. Elas sentem que acumularam uma certa sabedoria que precisam entregar de alguma forma e, por isso, são tão agradecidas quando simplesmente lhes dedicamos tempo. Porque a tristeza que acompanha a solidão imposta também tem muito a ver com o tempo e com a sensação de que não somos, talvez, suficientemente valiosos para que alguém o dedique a nós.
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Cultura de paz No lado oposto está a solidão escolhida, a necessidade de poder escapar do barulho social. A inquietude de tomar certa distância que nos dê clareza, como se de perto enxergássemos embaçado. Este tipo de solidão é a que nos faz independentes e nos dota de recursos para podermos nos sentir plenos, dependendo única e exclusivamente de nós mesmos.
Você pode fazer o que quiser, quando quiser Se você é uma pessoa que ama a solidão e vive sozinho na sua casa, é provável que tenha se acostumado a ser a pessoa com quem mais se preocupa. Talvez, nessa hora você esteja colocando na balança as vantagens que a solidão implica frente as que teria uma vida compartilhada. Entre as vantagens certamente está escolher os seus planos, não dar explicações ou poder tomar decisões instantâneas; entre as desvantagens, a segurança que lhe daria ter um apoio incondicional, a necessidade de bem-estar que emana do fato de compartilhar, ou o fato de poder delegar algumas das responsabilidades domésticas. Existem pessoas para as quais esta solidão cotidiana será uma situação transitória e outras que a escolherão para sempre. O melhor, seja você de um grupo ou de outro, é que a sua situação seja a que você escolher e não uma à qual você tenha que se adequar porque você não tem a oportunidade de viver de outra forma.
Você pode se amar a si mesmo em vez de não amar ninguém Dizem que a solidão ajuda a gente a crescer como pessoa e a se conhecer. Contudo, tenha em mente que isto não será assim se você mergulhar na frustração de não poder se desfazer nem dela, nem do sentimento, se você começar a procurar de forma obsessiva o jeito de escapar, como se fosse uma espécie de leão na savana.
“Por que, em geral, fugimos da solidão? Porque são muito poucos os que encontram a companhia consigo mesmos.” (Carlo Dossi)
Se você aprender a se apoiar, a aceitar as suas virtudes e os seus defeitos e, finalmente, a se amar, estará no caminho correto de encontrar a felicidade, já que não dependerá de ter ou não um relacionamento amoroso para consegui-lo. O relacionamento perfeito deve ser o que você tem consigo mesmo. Não se esqueça de que dele partirão os que você criar com os outros.
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Cultive as boas amizades Quem disse que a solidão é sinônimo de estar isolado ou de não ter amigos? Não é nada disso! A solidão é a sua capacidade de viver do seu jeito e isso não está amarrado, de forma alguma, a ter bons amigos que lhe compreendam, que gostem de você, que respeitem o seu jeito de viver e façam você feliz. Além disso, quando você decide estar sozinho, está dando a si mesmo a oportunidade de conhecer novas pessoas por ter começado a fazer novas atividades sem companhia. Pessoas que compartilham os seus gostos e que sem dúvida irão enriquecer a sua vida. Serão parte desse novo ar que entra nela, e os que farão você se afastar de alguns relacionamentos aos quais você só se apegava por medo de estar sozinho. Fonte: A mente é maravilhosa. Disponível: https://amenteemaravilhosa.com.br/solidao-transformar-voce-pessoa-feliz/. Acesso em: 19 dez. 2016.
Medo O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo.
Felipe Soares Barbosa. Óleo sobre tela, Têmpera e Pastel sobre cartão, 1893, Galeria Nacional, Oslo.
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Cultura de paz É também uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica. A resposta anterior ao medo é conhecida por ansiedade. Na ansiedade o indivíduo teme antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que possa lhe causar algum mal. Sendo assim, é possível se traçar uma escala de graus de medo, no qual, o máximo seria o pavor e, o mínimo, uma leve ansiedade. O medo pode se transformar em uma doença (a fobia) quando passa a comprometer as relações sociais e a causar sofrimento psicológico. A técnica mais utilizada pelos psicólogos para tratar o medo se chama Dessensibilização Sistemática. Com ela se constrói uma escala de medo, da leve ansiedade até o pavor, e, progressivamente, o paciente vai sendo encorajado a enfrentar o medo. Ao fazer isso o paciente passa, gradativamente, por um processo de reestruturação cognitiva em que ocorre uma reaprendizagem, ou ressignificação, da reação que anteriormente gerava a resposta de alerta no organismo para uma reação mais equilibrada.
Texto complementar A forma mais comum do medo é o medo do medo Até mesmo os animais sentem medo. Seres humanos que também são animais, do mesmo modo, sentem medo. Na vida humana o medo é mais que uma sensação corporal. Ele é também um sentimento e, como tal, tem sua carga de enigma. Por isso é tão difícil analisá-lo. Nenhum sentimento consegue se explicar muito bem, mas sabemos que o medo tem certa validade objetiva. Quando alguém sente medo é porque há, ou pode haver, alguma ameaça. Sentir medo, portanto, é não só aceitável, mas algo razoável. E se ele tem sentido, não é errado pensar que ele seja até desejável. Em certa medida, o medo pode até proteger. Porém, ao ultrapassar sua medida aceitável, ou seja, aquela que não causa sofrimento, o medo pode transformar-se em medo do medo, eis o que significa o pânico. O pânico é o medo desmedido que ataca a capacidade de viver e conviver. É uma espécie de medo da vida e de tudo o que ela implica. Alguém em pânico está doente de medo como alguém apaixonado pode estar doente de amor. O problema, em qualquer dos casos não é o sentimento em si, pois não é possível viver a vida humana sem sentimentos. O problema é sempre a sua desmedida. Que o medo seja um sentimento significa que ele está pleno de uma carga simbólica. Ou seja, que o medo sentido nunca está livre dos seus significados, do modo como nos relacionamos com ele. Não existe um grau zero do medo. O medo não é só uma sensação. Isto quer dizer que nunca experimentamos o medo diretamente, mas sempre por meio do que se diz dele.
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O medo e a política Poucas vezes os filósofos se ocuparam do medo. Thomas Hobbes, filósofo do século XVII que tornou famosa a frase de Plauto “o lobo é o lobo do homem” foi um dos poucos a pensar o medo como um sentimento manipulável que estaria na base da fundação do estado social. A frase explica que o homem, em vez de ser solidário e parceiro de seu semelhante, seria, na verdade, seu maior inimigo. Em função disso, a autoridade política teria a função específica de proteger os homens uns dos outros. Sem medo não haveria governabilidade, mas o governo deveria justamente tornar a vida das pessoas livre do medo. Cidadãos seriam aqueles que não viveriam mais do medo, mas em função de leis. O medo de ser morto pelo outro, ou de ser por ele dominado e escravizado, faria com que cada indivíduo entregasse ao governante a sua própria liberdade e até mesmo o direito que tem sobre suas próprias coisas. Em troca, o governante agiria como bem entendesse na realização do seu objetivo. A teoria de Hobbes explica assim a função do governo e, por outro lado, a obediência dos homens às leis que viriam regular as relações humanas sempre perturbadas pelo medo que os homens têm dos próprios homens. A forma de vida na qual o medo seria absoluto foi chamado por Hobbes de “estado de natureza”. Nesta condição estaria em vigência a “guerra de todos contra todos”. Seria um tempo sem lei, de ameaça e angústia geral. O “estado de natureza” pode assustar, mas é bom lembrar que ele é hipotético. Nunca ninguém poderia localizá-lo na história. O que significa que, até hoje, o estado de natureza serve para que seres humanos pensem no que fazem com a política. Se não valeria a pena viver uma vida e trabalhar por uma sociedade na qual o medo não ocupasse a cena geral.
Deixar o medo em paz Se bastasse falar do medo para superá-lo, já estaríamos livres deste sentimento há muito tempo. É impossível viver sem ele. Podemos dizer que o medo faz parte daquelas razões do coração desconhecidas da razão que rege os pensamentos. Sentimos medo, mas em uma sociedade que perde o sentido dos sentimentos diariamente, o medo se torna mais um destes nomes para uma diversidade de sensações inespecíficas. Como sentimento ele é intangível e, em certo sentido, até intraduzível. Melhor guardar o medo para falar de coisas sérias do que inflacionar seu sentido e produzir histerias desnecessárias. Se é difícil compreendê-lo, será muito difícil superá-lo, deixar de ser sua vítima ou fazer dele um uso benéfico. Nossa cultura, por exemplo, trata o medo como um defeito, como algo negativo. Neste
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Cultura de paz caso, ela deveria valorizar a coragem como seu oposto. Mas não é bem assim. Se esquecemos, no entanto, que a coragem precisa do medo para existir, podemos, ao assumir o medo como uma coisa absoluta, tornarmo-nos covardes, ou, negando absolutamente o medo, tornarmo-nos temerários. Nem uma coisa nem outra ajuda a ultrapassar o medo. Pode-se, assim, até renová-lo. Por isso, se o medo, em certa medida é até bom, mas é ruim quando desmedido, do mesmo modo, superá-lo vale apenas em certa dose. Podemos odiar o medo, querer extirpá-lo de nossas vida, mas nem sempre o fazemos pela via mais simples, porque é muito difícil combater um sentimento. Melhor, quando se trata de sentimentos, aprender a conviver com eles. Um sentimento cresce na exata proporção em que o negamos. Torna-se mais leve quando o aceitamos. É a única chance de que nos deixe em paz. Fonte: Márcia Tiburi. Disponível em: http://www.marciatiburi.com.br/textos/saberesofrer.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
Felicidade A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela filosofia, pelas religiões ou pela psicologia. O homem sempre procurou a felicidade. Filósofos e religiosos sempre se dedicaram a definir sua natureza e que tipo de comportamento ou estilo de vida levaria à felicidade plena. A felicidade é o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia, um termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer. É difícil definir, rigorosamente, a felicidade e sua medida. Investigadores em psicologia desenvolveram diferentes métodos e instrumentos, a exemplo do Questionário da Felicidade de Oxford, para medir o nível de felicidade de um indivíduo. Esses métodos levam em conta fatores físicos e psicológicos, tais como envolvimento religioso ou político, estado civil, paternidade, idade, renda etc.
“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Carlos Drummond de Andrade)
Conteúdo extra! Assista pelo QR Code a uma palestra da filósofa Márcia Tiburi sobre ‘Felicidade’.
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Texto complementar A felicidade é coletiva A filosofia nasceu na Grécia como metafísica, a busca pelo princípio de todas as coisas ou pelo significado mais fundamental da existência. Na seqüência a ética apareceu quando os filósofos começaram a se ocupar da questão da vida humana. Ethos, raiz da palavra ética, era o termo usado pelos gregos para definir o modo como as pessoas viviam e conviviam. Hoje em dia usamos a palavra “comportamento” com o mesmo objetivo, para explicar como agimos junto com os outros, como seres que interagem e coabitam. A questão da ética define, portanto, sempre o modo da relação que se tem com o outro. Aristóteles foi o primeiro filósofo importante que refletiu sobre a ética. Para o autor do clássico Ética a Nicômaco, o maior problema da ética era a felicidade. Ética era a forma de vida que levava à felicidade. A busca da felicidade dava o sentido da vida humana em sua dimensão pessoal e coletiva. A polis, de onde vem a palavra política, dependia da ética. E se falar em ética era falar em felicidade, a felicidade como parte da ética tinha um cunho político. Isso é o que nós perdemos de vista em nossos dias.
A ética e a virtude Naquele tempo, justamente por ser “sabedoria prática”, sabedoria aplicada à ação, a ética dependia de uma teoria da virtude, ou seja, de uma sabedoria que explicasse como o ser humano poderia fazer-se excelente, o que para os gregos significava ser civilizado, bom, belo, rico, culto, corajoso e livre, e, sobretudo, filósofo. Por que ser filósofo? Porque o filósofo era aquele que buscava a sabedoria, procurava as respostas melhores, e, principalmente, se esforçava por propor as perguntas certas para as questões da vida. O filósofo era o pensador livre e responsável, apto a buscar o sentido passado e presente das coisas e o rumo futuro de sua própria vida como ser pensante diante da sociedade onde vivia. A felicidade representava na obra de Aristóteles muito mais do que apenas uma sensação própria a um indivíduo voltado para a alegria ou os prazeres. Não queria dizer bem-estar pessoal, nem qualidade de vida, não queria dizer apenar ter saúde ou bens, nem realização profissional, nem estar em paz consigo mesmo e com os que vivem ao seu redor, traços do que tratamos como felicidade que – para além da mera satisfação com mercadorias e bens - podem ser compreendidos e desejados por todos nós. Antes a felicidade era a máxima virtude. Um modo de ser humano, sem almejar ser divino, nem deixar-se ser mero animal.
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Cultura de paz Não podemos, é óbvio, pensar que a felicidade tal com ao concebia Aristóteles nos serve hoje. A felicidade só pode ser pensada com base na sua evolução histórica. Havia, porém, aquele aspecto da felicidade que não levamos em conta em nossos dias e que precisa ser recuperado. É preciso lembrar que a felicidade era, em Aristóteles, um ideal ético da vida. A vida ética era a vida justa, boa, corretamente vivida por um cidadão, alguém que sabia de seu papel na sociedade, que ao pensar em si levava em conta o todo: família, amigos, sociedade, natureza. Aristóteles chamava a felicidade de eudaimonia. Palavra que continha o termo daimon, espécie de espírito interior, guardião da intimidade, do valor pessoal de cada um. Este ideal de felicidade era diferente do que apareceu depois com Epicuro, o filósofo da escola do Jardim, que tratou a felicidade como hedonismo. Hedoné era a palavra grega para significar o prazer. Não o mero prazer da carne, mas também o do espírito. Para Aristóteles, porém, a felicidade tinha uma relação maior com a justiça. Para ambos, a felicidade dependia de uma realização espiritual, mas também material que excluía miséria e violência.
A felicidade como conflito Com o passar dos séculos os seres humanos permaneceram em conflito com o ideal de felicidade. Apenas no século XVIII Kant, formulando uma ética revolucionária que abandonou a tutela da igreja, pretendeu valorizar a liberdade e a dignidade humanas. Kant via a sociedade submetida à ignorância e à superstição e acreditava que a ética só poderia surgir pela confiança no potencial racional do humano. Acreditava que o pensamento reflexivo, filosófico libertaria o humano da escuridão da ação impensada. Talvez a felicidade tenha se tornado um ideal difícil demais diante dos limites humanos que envolveram, mais tarde, a descoberta do inconsciente e que há mais que nossa vontade por trás de nossas ações. Kant disse que o máximo que o homem poderia esperar era ser digno de ser feliz e não realmente feliz. Hoje, uns acham, como Kant, a felicidade impossível, outros tratam-na como algo banal, mera realização de prazeres pessoais. O desentendimento quanto à felicidade apenas mostra que ela não está bem situada como conceito dentro de nossas vidas. Apenas aqueles que puderem pensá-la como potência ética, como algo que se constrói na fusão da vida pessoal com a vida pública é que podem continuar falando de felicidade. Antes de ser feliz devo perguntar se posso ser ético. Será mais fácil ser feliz. Fonte: Márcia Tiburi. Disponível em: http://www.marciatiburi.com.br/textos/saberesofrer.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
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Amizade Amizade (do latim amicus; amigo, que possivelmente se derivou de amore; amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego) é uma relação afetiva, a princípio, sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Neste aspecto, pode-se dizer que uma relação entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados, pode ser também uma relação de amizade, embora não necessariamente. A amizade pode ter como origem um instinto de sobrevivência da espécie, com a necessidade de proteger e ser protegido por outros seres. Alguns amigos se denominam "melhores amigos". Os melhores amigos muitas vezes se conhecem mais que os próprios familiares e cônjuge, funcionando como um confidente. Para atingir esse grau de amizade, muita confiança e fidelidade são depositadas. Muitas vezes os interesses dos amigos são parecidos e demonstram um senso de cooperação. Mas também há pessoas que não necessariamente se interessam pelo mesmo tema, mas gostam de partilhar momentos juntos, pela companhia e amizade do outro, mesmo que a atividade não seja a de sua preferência. A amizade é uma das mais comuns relações interpessoais que a maioria dos seres humanos tem na vida. Em caso de perda da amizade, sugere-se a reconciliação e o perdão. Carl Rogers diz que a amizade "é a aceitação de cada um como realmente ele é".
Os Três Mosqueteiros, do francês Alexandre Dumas: uma história firmada na amizade inquebrantável de seus personagens.
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Texto complementar “Maturidade emocional é perceber que não tenho necessidade de culpar ou julgar ninguém pelo que acontece comigo” (Anthony de Mello) Normalmente, a maturidade é associada à idade e aos anos de experiência de vida cronológica. No entanto, quando se trata de maturidade emocional, a idade pode ter pouco a ver com isso. Muitas vezes a maturidade física chega antes da maturidade emocional. Amadurecer significa entender que não existe amor maior do que o amor próprio, aprender e aceitar o que a vida nos apresenta e seguir adiante. A maturidade emocional não surge do nada; exige trabalho, esforço, boa vontade e o desejo de olhar para dentro e se conhecer melhor, com a cabeça e o coração em perfeita sintonia. Amadurecer significa encarar a realidade como ela é, muitas vezes bem mais dolorosa do que gostaríamos. Aqui estão sete características das pessoas emocionalmente maduras. 1. Saber dizer adeus é maturidade emocional A maioria de nós sente muito medo, principalmente quando se trata de soltar as amarras e deixar a vida fluir. Pensar que o passado foi melhor é muito doloroso; nos impede de soltar e deixar ir. As pessoas emocionalmente maduras sabem que a vida fica muito melhor quando é vivida em liberdade. Então, deixam ir o que não lhes pertence, porque entendem que ficar preso ao passado nos impede de fechar ciclos e curar nossas feridas emocionais. 2. Conseguem olhar para o seu passado emocional sem dor
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Limpar a dor do nosso passado é absolutamente necessário para avançarmos em nosso caminho emocional. As ervas daninhas crescem
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rapidamente; se não limparmos nosso caminho, não veremos o que está próximo. As pessoas emocionalmente maduras sabem da importância de viver no presente, superando e aceitando o que passou. O que aconteceu, já aconteceu; não podemos mudar. Aprenda com os erros e siga em frente. Se perdermos o contato com o nosso interior, não nos afastamos dele, mas permitimos que o negativo do nosso passado interfira na nossa vida presente. Isso é muito doloroso.
“É por esse motivo que, quando tivermos aprendido o suficiente sobre a nossa dor, perderemos o medo de olhar para dentro e curaremos nosso passado emocional para avançar mais um passo na vida.” 3. Têm consciência do que pensam e sabem A maturidade emocional nos ajuda a entender melhor nossos próprios sentimentos e os dos demais. As pessoas emocionalmente maduras se esforçam para escrever e pensar sobre as suas opiniões ou sobre como se sentem.
“Amadurecer é ter cuidado com o que diz, respeitar o que ouve e meditar sobre o que pensa.” A clareza mental das pessoas maduras contrasta com a preguiça e o caos mental das pessoas imaturas. Portanto, a maturidade emocional ajuda a resolver problemas cotidianos de forma eficaz. 4. Não reclamam de nada Parar de reclamar é a melhor maneira de promover mudanças. As queixas podem nos aprisionar em labirintos sem saída. As pessoas emocionalmente maduras já aprenderam que somos o que pensamos. Se você agir mais e reclamar menos, significa que está crescendo emocionalmente. Quer viver infeliz? Reclame de tudo e de todos. 5. Conseguem ser empáticas, sem se deixar influenciar pelas emoções alheias As pessoas emocionalmente maduras têm respeito por si mesmas e pelos outros. Têm habilidade para se relacionar da melhor forma possível com os demais; sabem ouvir, falar e trocar informações. Aprenderam a olhar de forma generosa para o outro; todos nós temos valores diferentes, mas queremos ser aceitos e felizes.
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Cultura de paz 6. Não se castigam pelos seus erros Aprendemos com os nossos erros; falhar nos permite enxergar os caminhos que não devemos seguir. As pessoas maduras não se punem por possuírem limitações, simplesmente as aceitam e tentam melhorar. Sabem que nem sempre tudo acontece como queremos, mas cada erro é uma boa oportunidade para o crescimento pessoal. 7. Aprenderam a se abrir emocionalmente As couraças emocionais pertencem ao passado. É muito importante ter comprometimento, amor, autoconfiança e acreditar nas pessoas. Não seja perfeccionista e nem espere a perfeição dos outros. Esqueça as desavenças e perdoe, inclusive a você mesmo.
“Desfrute do tempo compartilhado da mesma forma que desfruta do tempo sozinho.” Maturidade emocional é assumir o controle da sua vida, ter sua própria visão de mundo e ambição para a sucesso. Ao desenvolver a maturidade emocional a vida torna-se um prazer, e não uma obrigação. Fonte: A mente é maravilhosa. Disponível em: https://amenteemaravilhosa.com.br/os-sete-sinais-da-maturidade-emocional/. Acesso em: 19 dez. 2016.
Compaixão Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional da pessoa; não deve ser confundida com empatia. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser senciente, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia pelo outro. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece. Ter compaixão é permanecer num estado emotivo positivo, enquanto tento compreender o outro, sem invadir o seu espaço. A compaixão diferencia-se de outras formas de comportamento prestativo humano no sentido de que seu foco primário é o alívio da dor e sofrimento alheios. Atos de caridade que busquem principalmente conceder benefícios em vez de aliviar a dor e o sofrimento existentes, são mais corretamente classificados como atos de altruísmo, embora, neste sentido, a compaixão possa ser vista como um subconjunto do altruísmo, sendo definida como o tipo de comportamento que busca beneficiar os outros minorando o sofrimento deles.
“Todas as almas nobres têm como ponto comum a compaixão.” (Friedrich Schiller) O que há de comum entre a nossa dor e a dor dos outros? O que poderia romper o ciclo perverso de gozo e satisfação com o espetáculo da dor pessoal – na depressão - e alheia – na catástrofe assistida?
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Schopenhauer falou no século XIX sobre a compaixão para basear a ética. Seus críticos logo acordaram dizendo que a justiça e não a compaixão seria um melhor fundamento da ética. A justiça entendida como medida, como regramento, como o que sustenta a lei é realmente algo que pode manter a sociedade em ordem, mas a idéia da compaixão guarda um aspecto que não deve ser esquecido.
“A compaixão é a capacidade de perceber o sofrimento alheio e saber que ele não é bom.” (Márcia Tiburi) O termo, do latim, compassio, significa mais do que sofrimento comum: é o sentir a dor do outro como se fosse a sua. Uma sociedade que aprendesse que todos estamos mergulhados no sofrimento teria chance de verificar que previamente já há um elo que nos une e que nossa tarefa é ultrapassar sua força de destruição. (Márcia Tiburi)
A importância dos laços afetivos [...] a afetividade pode ser conceituada como todo o domínio das emoções, dos sentimentos das emoções, das experiências sensíveis e, principalmente, da capacidade de entrar em contato com sensações, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas. (BERCHT, 2001, p.59) Os momentos de afetividades vividos na escola são fundamentais para a formação de personalidades sadias e capazes de aprender. Quando se fala em afetividade, está se trabalhando com estas diferenças e colocando em prática as novas propostas para a Educação Básica: desenvolver competências e habilidades de forma mais perfeita para a formação plena do sujeito Ensinar é uma ação que deve ser feita com prazer. Como num bom relacionamento, deve existir diálogo, compreensão, paixão e conquista a cada novo encontro, pois o processo ensino e aprendizagem estão interligados, um depende do outro para sobreviver, e o educador deve ser um guia que mostra o caminho a seguir, sem tirar a liberdade individual do aluno que está a aprender
Texto complementar A Importância da família no desenvolvimento de cada um de seus membros A família, que é uma das instituições mais antigas da sociedade, tem em seu contexto fatores relevantes dirigidos a cada membro deste grupo. Os pais exercem grande papel dentro da família, pois é através deles que a criança dá inicio a seu contato social em nossa cultura. É na família que a criança forma suas primeiras ligações afetivas e encontra seus modelos. Porém, mesmo com todas
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Cultura de paz as mudanças, a família não perdeu seu papel representativo para a manutenção da espécie humana. No âmbito da família moderna e contemporânea passou-se, através da história, cada vez mais se admitir que a criança não estava madura para a vida, e que é preciso submetê-la a um regime especial, o que chamamos hoje de educação, como condição para que se integre ao mundo adulto, com isso a família retirou da vida comum não apenas as crianças, mas uma grande parte do tempo e da preocupação dos adultos, isso corresponde a uma necessidade de intimidade, e também de identidade, cujos membros da família unem-se pelos afetos, costumes e gêneros de vida. A concretização familiar como grupo social se dá a partir do surgimento de novas gerações, onde são depositadas imagens da criança mesmo antes do nascer, coisas como, expectativas, desejos e idealizações para a continuação cultural. A família depende, em grande parte, de sua organização social, política e econômica para exercer suas funções, sendo esta a instituição responsável pela integração da criança no mundo adulto. Para tanto, deve promover a socialização infantil, na qual a criança aprende a desenvolver seus valores e a canalizar seus afetos, avaliando e selecionando suas relações. É no grupo familiar que se inaugura no desenvolvimento psicológico e o sentimento de aceitação social, sendo nesse âmbito que a criança tem suas primeiras e mais importantes relações. Tais relações preparam não só o relacionamento com outras pessoas, mas também a evolução de sua personalidade, o que realmente torna-se necessário para todas as crianças. É a família que, em nossa cultura, dá a criança o suporte para enfrentar dificuldades, o que torna necessário seu entendimento e a aceitação para trabalhar essa possível dificuldade. Todos os pais sonham com o futuro de seus filhos, criam expectativas, idealizam e fazem projetos em cima de suas fantasias. Então, ao deparar-se com algo que foge a realização desses projetos, tende ver frustradas suas expectativas. A partir disso, a família presencia fatos que se opõem ao conceito tradicional de família, passando, por vezes, momentos de discórdia e de confusão. Os membros individuais de uma família raramente experimentam-se como parte integrante da mesma. Em geral, o ser humano considera-se como unidade - o indivíduo - ,ou seja, um todo interagindo com outras unidades que influencia e é influenciado. No entanto, tais indivíduos são suscetíveis às mudança que provem de sua própria dinâmica familiar. Essas mudanças parecem ser comuns ao longo do tempo, no entanto, nesse momento ao falar de mudança leva à idéia de algo inesperado que permeia a família, ou seja, conflitos sociais e emocionais em um de seus membros, o que pode tornar-se um evento desequilibrante dentro do contexto familiar. Há, nessas situações o grande risco do desenvolvimento de sentimentos de culpabilidade por parte dos pais, os quais acham que fizeram algo “errado” e, ao deparar-se com uma situação diferente de tudo que fora sonhado, confrontam-se também com uma perda de identidade
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social. Os irmãos também desempenham um papel importante na vida de cada indivíduo, pois a convivência e os valores que detém estes, acabam por tomar parte das primeiras relações sociais e os afetos que nos constituem. O ajuste do irmão e o comportamento positivo estariam relacionados ao fato de os irmãos estarem informados das necessidades e potencialidades, assim absorvendo conhecimentos que trarão como conseqüências comportamentos para a ajuda nas tomadas de decisões. Dentro destes aspectos, podemos apontar o fato da influência dos pais que se tornam ponto de partida para a futura relação fraterna entre os filhos. Nesse sentido, o esclarecimento da situação para todos os membros da família torna-se uma demanda crucial para uma melhor discriminação entre os papéis exercidos pelos filhos dentro da família É nesse contexto que a intervenção psicológica pode ser identificada como um recurso viável para promoção de melhores condições e qualidade de vida da família. No entanto procura-se avaliar cada integrante da família e a importância imposta a cada um desses membros, que seriam: pais e irmãos. As variadas técnicas psicológicas podem ser de grande eficácia, para que a família passe a ter outra visualização das dificuldades, mantendo-se assim emocionalmente equilibrada, aprendendo a lidar com suas angústias e tristezas, o que facilita o bom desenvolvimento da criança ou qualquer um de seus membros. A teia familiar, para a psicologia, se apresenta com toda a sua complexidade, expressando assim, uma identidade, onde o terapeuta vislumbrará o todo e não a soma das partes identificadas pelos indivíduos que a inserem. A psicologia tem, em todos esses aspectos, uma forma benéfica de ligar o desenvolvimento da criança dentro dos aspectos da família e o que isso repercute para a criança, estando atenta aos fatores emocionais e cognitivos que envolvem toda a dinâmica familiar. Fonte: Disponível em: http://psicologasheila.blogspot.com.br/. Acesso em: 19 dez. 2016.
e Proposta de atividad Onde está a paz? e a atualidade. gravuras diversas sobr m co ta vis re de s rte co da paz. • Espalhe no chão re da paz ou de ausência ça en es pr de al sin é e aliando o qu • Organize o material av s que surgiram. sões e dos sentimento es pr im s da a tiv rra na • Crie alizado. ual sobre o trabalho re vid di a um in o xt te um a ev • Escr um jornal mural, escolh de m ge ta on m a ra pa no mural. s e os textos produzidos e Deus gostaria de ler”, qu “O : ias Sugestão: Use os recorte tíc no m ue hemos a paz”. Destaq título, como “Nós acol
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Respeito O respeito demonstra um sentimento positivo por uma pessoa ou para uma entidade (como uma nação, uma religião, etc.) e também ações especificas e condutas representativas daquela estima. Respeito também pode ser um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do respeitado. Pode também ser conduzido de acordo com uma moral específica de respeito. Ser rude é considerado uma falta de respeito (desrespeito) enquanto que ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas respeito. Morais especificas de respeito são de importância fundamental para muitas culturas. Respeito por tradições e autoridades legitimas são identificadas por Jonathan Haidt como um dos cinco valores morais fundamentais compartilhados para um maior ou menor por sociedades diferentes e indivíduos diferentes. Respeito não deve ser confundido com tolerância porque tolerância não diz necessariamente nenhum sentimento positivo, e não é compatível com desprezo, o contrário de respeito. A palavra respeito vem do latim respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. A ideia é de que algo que merece um segundo olhar em tem qualidades que levam a uma atitude de consideração e reverência. Isso evoca a ideia de julgar alguma coisa em relação ao que foi feito quando é valoroso ser reconhecido. Além, a noção de respeito implica que pode ser aplicado para uma pessoa que fez algo certo, mas também para qualquer coisa afirmada no passado como uma promessa, a lei, etc. Isto também é porque na maioria dos idiomas, é dito que o respeito deve ser merecido.
Solidariedade Solidariedade é um ato de bondade com o próximo ou um sentimento, uma união de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo. Ao pé da letra, significa: • Cooperação mútua entre duas ou mais pessoas. • Interdependência entre seres e coisas. • Identidade de sentimentos, de ideias, de doutrinas. Na sociologia, existe o conceito de solidariedade social, que subentende a ideia de que os seus praticantes se sintam integrantes de uma mesma comunidade e, portanto, sintam-se interdependentes.
Texto complementar A solidariedade é dos princípios que trabalha a formação humana do sujeito, visando a integração dos sujeitos, a harmonia de suas relações sociais. Visando trabalhar as atitudes que permeiam os processos educativos, bem como os sentimentos do grupo envolvido nesse processo, a escola deve promover atividades que auxiliem as relações pessoais através de vivências que levem à compreensão da realidade.
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Para trabalhar a autoajuda, é importante que os alunos saibam quais as suas necessidades enquanto pessoas. Trabalhar o eu é uma forma de fazê-los enxergar os outros, gradativamente. Cada criança ou adolescente poderá montar um cartaz, em uma folha de papel criativo, mostrando uma virtude que queira alcançar ou aprimorar. É bom estabelecer um prazo para que a meta seja cumprida, a fim de objetivar melhor os caminhos percorridos. Além do cartaz, as discussões acerca dos mesmos deverão ser propostas na prática educativa, mostrando quais os melhores caminhos para se alcançar o desejado. O professor deverá discutir com o grupo sobre o empenho de cada um em atingir a meta, quais as dificuldades encontradas e as conquistas adquiridas. Dessa forma, os alunos aprendem a refletir sobre suas condutas, respeitar as opiniões dos outros, além de se mobilizarem com os sentimentos distintos. Cuidar de uma horta é uma excelente atividade onde se trabalha os aspectos da coletividade, da solidariedade nas tarefas em grupo, além de trabalhar elementos da natureza, ciências, hortaliças e leguminosas, boa alimentação, etc. O importante dessa atividade é dividir as tarefas, para que todos se sintam importantes e capazes de produzir, que valorizem a natureza como integrante de sobrevivência da vida humana. Para atingir bons níveis de discussão e circulação do conhecimento na sala de aula, o professor pode propor que os alunos pesquisem sobre assuntos do próprio interesse a fim de trocarem informações. As discussões levam conhecimento sobre aquilo que é bom ou ruim, correto ou errado para a vida do homem. Ajudar ao próximo é um excelente exercício para a autoestima do aluno. Trabalhos coletivos, como ajudar o outro em sua dificuldade, é uma forma de reforçar o aprendizado e perceber o quanto podemos ser úteis para a formação de uma pessoa do nosso convívio, bem como as mesmas são importantes para nós quando necessitamos. Fonte: Brasil Escola. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/solidariedade-na-escola.htm. Acesso em: 19 dez. 2016.
Diálogo Diálogo (em grego antigo: διάλογος diálogos) é a conversação entre duas ou mais pessoas, costuma-se dizer erroneamente que significa "dois", no entanto significa "passagem, movimento", assim, dialogo significa a troca de intervenientes, que podem ser dois ou mais. Embora se desenvolva a partir de pontos de vista diferentes, o verdadeiro diálogo supõe um clima de boa vontade e compreensão recíproca. Como um gênero, os diálogos mais antigos remontam no Oriente Médio e Ásia ao ano de 1433 no Japão, disputas sumérias preservadas em cópias a partir do final do terceiro milênio a.C.
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Texto complementar As relações humanas, o poder do diálogo As relações humanas são mediadas pela comunicação como ferramenta de interação e linguagem na aproximação das pessoas. Neste sentido, o diálogo franco e honesto encontra-se como importante instrumento de cooperação, conciliação e mediação para a construção de pontes e vínculos mais duradouros no arenoso terreno da instabilidade emocional moderna em que nos encontramos Dialogar significa não apenas falar sobre sentimentos tão preciosamente essenciais no amadurecimento psíquico dos seres humanos mas também escutar além do simples ouvir com todos os sentidos como um ato de amor ao outro. Para tanto precisamos de sair da individualidade natural de cada um para o desenvolvimento assertivo da empatia ao colocarmo-nos no lugar do outro, sem julgamentos imprecisos à luz das imperfeições da interpretação, desprovida de cautela e bom senso. Mais do que isso, dialogar permite o estreitamento dos laços afetivos, cujo impacto é enorme na construção do sentido de vida de cada pessoa, já que sem o afeto nada somos como humanidade. Muitas vezes o diálogo é mal interpretado como um uso excessivo de palavras sem objetivo nem resultado aparente, simplesmente pela falta de boa vontade em usar palavras de uma forma harmoniosa, bem como pela dificuldade em se manter uma postura de recetividade para com o outro, sem a condição defensiva que restringe a naturalidade da linguagem e da afetividade. Cada pessoa é responsável pela qualidade de sua comunicação e das relações que daí advém, construindo ou não inter-relações positivas que contribuam efetivamente para a colaboração no bem comum. A palavra, já se sabe, é mantra e ecoa no universo, impregnando-o de uma energia que pode tanto construir, quanto desorganizar mentes, comportamentos, afetos, culminando no progresso ou no atraso de uma sociedade. Por tal aspeto, falar é uma responsabilidade muito grande, porque pode ferir ou elevar a vida de outras pessoas numa fração de segundos. Ao mesmo tempo, o silêncio, tão precioso na escuta sincera e despretensiosa de preconceitos, ainda é pouco familiar no campo da vida humana, já que, pela imposição de uma vida agitada e repleta de estímulos tecnológicos, acabamos por ser reféns da pouca intimidade com o eco interior que possuímos, sem condições de realmente termos paciência com o som do outro, suas colocações, em virtude do turbilhão de pensamentos que atribulam a mente. Nesse intervalo, nos afastamos do equilíbrio pessoal que consiste no primeiro requisito para o respeito a si, a outro e ao que ele tem a dizer.
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Quando tivermos a consciência do poder do dialogo que possuímos, seremos porta vozes de paz e amor uns para com os outros. Uma questão de vontade. Uma questão de humanidade. Fonte: Educação na nossa sociedade. Disponível em: http://educacao-sociedade. blogspot.com.br/2016/01/as-relacoes-humanas-o-poder-do-dialogo.html. Acesso em: 19 dez. 2016.
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CAPÍTULO 2 Direitos Humanos
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Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação. O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos. Desde o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945 – em meio ao forte lembrete sobre a barbárie da Segunda Guerra Mundial –, um de seus objetivos fundamentais tem sido promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas: “Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, … a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…” Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948
Conteúdo extra! Leia pelo QR Code o Estatuto da Criança e do Adolescente.
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Contexto e definição dos direitos humanos Os direitos humanos são comumente compreendidos como aqueles direitos inerentes ao ser humano. O conceito de Direitos Humanos reconhece que cada ser humano pode desfrutar de seus direitos humanos sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outro tipo, origem social ou nacional ou condição de nascimento ou riqueza. Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de direitos humanos, protegendo indivíduos e grupos contra ações que interferem nas liberdades fundamentais e na dignidade humana. Estão expressos em tratados, no direito internacional consuetudinário, conjuntos de princípios e outras modalidades do Direito. A legislação de direitos humanos obriga os Estados a agir de uma determinada maneira e proíbe os Estados de se envolverem em atividades específicas. No entanto, a legislação não estabelece os direitos humanos. Os direitos humanos são direitos inerentes a cada pessoa simplesmente por ela ser um humano. Tratados e outras modalidades do Direito costumam servir para proteger formalmente os direitos de indivíduos ou grupos contra ações ou abandono dos governos, que interferem no desfrute de seus direitos humanos. Algumas das características mais importantes dos direitos humanos são: Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa; Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação a todas as pessoas; Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos humanos; eles podem ser limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à liberdade pode ser restringido se uma pessoa é considerada culpada de um crime diante de um tribunal e com o devido processo legal; Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos outros; Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual importância, sendo igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa. Normas internacionais de direitos humanos A expressão formal dos direitos humanos inerentes se dá através das normas internacionais de direitos humanos. Uma série de tratados internacionais dos direitos humanos e outros instrumentos surgiram a partir de 1945, conferindo uma forma legal aos direitos humanos inerentes. A criação das Nações Unidas viabilizou um fórum ideal para o desenvolvimento e a adoção dos instrumentos internacionais de direitos humanos. Outros instrumentos foram adotados a nível regional, refletindo as preocupações sobre os direitos humanos particulares a cada região. A maioria dos países também adotou constituições e outras leis que protegem formalmente os direitos humanos básicos. Muitas vezes, a linguagem utilizada pelos Estados vem dos instrumentos internacionais de direitos humanos. As normas internacionais de direitos humanos consistem, principalmente, de tratados e costumes, bem como declarações, diretrizes e princípios, entre outros.
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Conteúdo extra! Assista a um vídeo sobre a Declaração dos Direitos Humanos.
Tratados Um tratado é um acordo entre os Estados, que se comprometem com regras específicas. Tratados internacionais têm diferentes designações, como pactos, cartas, protocolos, convenções e acordos. Um tratado é legalmente vinculativo para os Estados que tenham consentido em se comprometer com as disposições do tratado – em outras palavras, que são parte do tratado. Um Estado pode fazer parte de um tratado através de uma ratificação, adesão ou sucessão. A ratificação é a expressão formal do consentimento de um Estado em se comprometer com um tratado. Somente um Estado que tenha assinado o tratado anteriormente – durante o período no qual o tratado esteve aberto a assinaturas – pode ratificá-lo. A ratificação consiste de dois atos processuais: a nível interno, requer a aprovação pelo órgão constitucional apropriado – como o Parlamento, por exemplo. A nível internacional, de acordo com as disposições do tratado em questão, o instrumento de ratificação deve ser formalmente transmitido ao depositário, que pode ser um Estado ou uma organização internacional como a ONU. A adesão implica o consentimento de um Estado que não tenha assinado anteriormente o instrumento. Estados ratificam tratados antes e depois de este ter entrado em vigor. O mesmo se aplica à adesão. Um Estado também pode fazer parte de um tratado por sucessão, que acontece em virtude de uma disposição específica do tratado ou de uma declaração. A maior parte dos tratados não são auto-executáveis. Em alguns Estados tratados são superiores à legislação interna, enquanto em outros Estados tratados recebem status constitucional e em outros apenas certas disposições de um tratado são incorporadas à legislação interna. Um Estado pode, ao ratificar um tratado, formular reservas a ele, indicando que, embora consinta em se comprometer com a maior parte das disposições, não concorda com se comprometer com certas disposições. No entanto, uma reserva não pode derrotar o objeto e o propósito do tratado. Além disso, mesmo que um Estado não faça parte de um tratado ou não tenha formulado reservas, o Estado pode ainda estar comprometido com as disposições do tratado que se tornaram direito internacional consuetudinário ou constituem normas imperativas do direito internacional, como a proibição da tortura. Todos os tratados das Nações Unidas estão reunidos em treaties.un.org
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Saiba mais!
Anna Eleanor Roosevelt (Nova Iorque, 11 de outubro de 1884 — Nova Iorque, 7 de novembro de 1962) foi primeira-dama dos Estados Unidos de 1933 a 1945.
Apoiou a política do New Deal, criada por seu marido e primo de quinto grau, o presidente Franklin Delano Roosevelt, e tornou-se grande defensora dos direitos humanos. Após a morte do marido, em 1945, Roosevelt continuou a ser uma defensora, porta-voz, ativista internacional para a coalizão do New Deal. Trabalhou para melhorar a situação das mulheres trabalhadoras, embora tenha sido contra a política dos direitos iguais, pois acreditava que ela afetaria negativamente as mulheres. Nos anos 1940, Eleanor foi uma das co-fundadoras da França Freedom House e apoiou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1943, Roosevelt criou a United Nations Association of the United States of America para dar suporte a criação da ONU. Foi diplomata e embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman. Durante o seu tempo na ONU presidiu a comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O presidente Truman apelidou-a de "Primeira-dama do Mundo" em homenagem a suas conquistas referentes aos direitos humanos. Uma figura ativa na política durante toda a sua vida, Eleanor Roosevelt presidiu a comissão da inovadora administração de John F. Kennedy que deu início a segunda onda do feminismo, a Comissão Presidencial sobre o Status da Mulher. Seu tio, Theodore Roosevelt, foi duas vezes presidente dos Estados Unidos. Eleanor Roosevelt tinha ancestrais neerlandeses.
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Cultura de paz Costume O direito internacional consuetudinário – ou simplesmente “costume” – é o termo usado para descrever uma prática geral e consistente seguida por Estados, decorrente de um sentimento de obrigação legal. Assim, por exemplo, enquanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é, em si, um tratado vinculativo, algumas de suas disposições têm o caráter de direito internacional consuetudinário. Declarações, resoluções etc. adotadas pelos órgãos das Nações Unidas Normas gerais do direito internacional – princípios e práticas com os quais a maior parte dos Estados concordaria – constam, muitas vezes, em declarações, proclamações, regras, diretrizes, recomendações e princípios. Apesar de não ter nenhum feito legal sobre os Estados, elas representam um consenso amplo por parte da comunidade internacional e, portanto, têm uma força moral forte e inegável em termos na prática dos Estados, em relação a sua conduta das relações internacionais. O valor de tais instrumentos está no reconhecimento e na aceitação por um grande número de Estados e, mesmo sem o efeito vinculativo legal, podem ser vistos como uma declaração de princípios amplamente aceitos pela comunidade internacional. A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, por exemplo, recebeu o apoio dos Estados Unidos em 2010, o último dos quatro Estados-membros da ONU que se opuseram a ela. Ao adotar a Declaração, os Estados se comprometeram a reconhecer os direitos dos povos indígenas sob a lei internacional, com o direito de serem respeitados como povos distintos e o direito de determinar seu próprio desenvolvimento de acordo com sua cultura, prioridades e leis (costumes).
Conteúdo extra! Assista ao vídeo: ‘Após 20 anos da Conferência de Viena, direitos humanos são mais importantes do que nunca’.
Direitos sociais Direitos sociais são os direitos que visam a garantir, aos indivíduos, o exercício e usufruto de direitos fundamentais em condições de igualdade para que tenham uma vida digna por meio da proteção e garantias dadas pelo estado de direito. Os direitos sociais foram conquistados ao longo de séculos, sendo a maioria deles conquistada no século XX por meio da pressão de movimentos sociais e de trabalhadores. Caracterizam-se por serem direitos fundamentais e necessariamente sujeitos à observância do Estado. A demanda por direitos sociais teve origem no século XIX, com o advento da Revolução Industrial. Eles foram, primeiramente, estabelecidos pelas constituições Mexicana em 1917 e de Weimar em 1919, sendo positivados no
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âmbito internacional em 1948 por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, e mais tarde detalhados no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, em 1966.
O Pacto Internacional das Nações Unidas de 1966 foi adotado pelo Brasil em 1992 e refletiu-se na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e na sua emenda constitucional de 2010, resultando nos seguintes direitos definidos por seu Artigo 6º: • a educação • a saúde • a alimentação • o trabalho • a moradia • o transporte • o lazer • a segurança • a previdência social • a proteção à maternidade e à infância • a assistência aos desamparados
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Cultura de paz A Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais são mais abrangentes e ao mesmo tempo detalhados do que os direitos previstos no Artigo 5º da Constituição Brasileira. Os demais direitos estão positivados em outros artigos constitucionais e regulamentados por outros complexos conjuntos de leis.
O direito à educação no Brasil A Constituição Federal afirma que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família, que visa ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania. Sobre o direito à educação, o "Estatuto da Criança e do Adolescente"[7] estabelece as seguintes responsabilidades do Estado: Oferta do Ensino Fundamental, obrigatório e gratuito, e progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade para o Ensino Médio; Oferta de creche e pré-escola para as crianças de 0 a 5 anos (alterado pela lei n. 13.306/2016 - art. 54, IV, ECA); Oferta de ensino noturno regular para atender ao adolescente trabalhador; Atendimento especializado para portadores de necessidades especiais; Obrigatoriedade dos pais de matricular seus filhos na escola, definindo, como direito dos responsáveis, participar da definição das propostas educacionais; Garantia de oferta de ensino de boa qualidade. A efetividade dos direitos sociais no Brasil Os direitos sociais, apesar de expressos em diversas legislações nacionais, não estão totalmente assegurados a todos. Alguns deles, inclusive, correm o risco de serem suprimidos ou alterados significativamente, como os relacionados à previdência e ao trabalho, cujas garantias estão sob debate e podem ser profundamente alteradas.
Direitos culturais Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos. Estão indicados no artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), e nos artigos 13 e 15 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966). Assim, todas as pessoas devem poder se exprimir, criar e difundir seus trabalhos no idioma de sua preferência e, em particular, na língua materna; todas as pessoas têm o direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeitem plenamente a sua identidade cultural; todas as pessoas devem poder participar da vida cultural de sua escolha e exercer suas próprias práticas culturais, desfrutar o progresso científico e suas aplicações, beneficiar-se da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de toda a produção científica, literária ou artística de que sejam autoras. No âmbito interamericano os direitos culturais estão indicados no Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, conhecido como Protocolo de São Salvador (1988). O art. 13 assegura o direito à educação, orientado para o pleno desenvolvimento da pessoa humana e do sentido de sua dignidade, visando ao fortalecimento e ao respeito pelos direitos humanos, ao pluralismo ideo-
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lógico, às liberdades fundamentais, à justiça e à paz. O artigo 14 estabelece o direito aos benefícios da cultura, reconhecendo aqueles que decorrem da promoção e desenvolvimento da cooperação e das relações internacionais em assuntos científicos, artísticos e culturais e, na mesma linha, comprometendo-se a propiciar maior cooperação internacional. No processo de implementação mundial dos direitos culturais foi adotada pela UNESCO, em novembro de 2001, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Ao mesmo tempo em que afirma os direitos das pessoas pertencentes às minorias à livre expressão cultural, observa que ninguém pode invocar a diversidade cultural para infringir os direitos humanos nem limitar o seu exercício. Os direitos culturais carecem de maior elaboração teórica, para distinguí-los de direitos civis, políticos, econômicos e sociais. Por exemplo, o direito de autodeterminação dos povos, expresso no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, é também um direito cultural. A Constituição Brasileira de 1988 garante a todos o pleno exercício dos direitos culturais (art. 215). Ao definir patrimônio cultural brasileiro, de forma indireta, aponta como direitos culturais as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas. O livre exercício dos cultos religiosos, a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, e os direitos do autor também estão expressamente assegurados na Constituição, no rol dos direitos e garantias fundamentais (art. 5º). A educação figura como direito social (art, 6º) e também como direito cultural (art. 205 a 214).
Conteúdo extra! Acesse pelo QR Code a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.
O patrimônio cultural, fonte da criatividade Toda criação tem suas origens nas tradições culturais, porém se desenvolve plenamente em contato com outras. Essa é a razão pela qual o patrimônio, em todas suas formas, deve ser preservado, valorizado e transmitido às gerações futuras como testemunho da experiência e das aspirações humanas, a fim de nutrir a criatividade em toda sua diversidade e estabelecer um verdadeiro diálogo entre as culturas. (Trecho da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural)
Direitos políticos Os direitos políticos servem um conjunto de regras constitucionalmente fixadas, referentes à participação popular no processo político. Dizem respeito, em outras palavras, à atuação do cidadão na vida pública de determinado país. Correspondem ao direito de sufrágio, em suas diversas manifestações, bem como a outros direitos de participação no processo político.
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Cultura de paz Este conjunto de direitos varia conforme país, e encontra-se intimamente vinculado ao regime político e sistemas eleitoral e partidário instituídos em cada estado. No direito brasileiro, além do direito de voto em eleições (que compreende o direito de votar), também constituem direitos políticos o direito de voto em plebiscitos e referendos, o direito de iniciativa popular e o direito de organizar e participar de partidos políticos. Há hipóteses de perda e suspensão de direitos políticos. Na ordem jurídica brasileira, a raiz constitucional de todos os direitos políticos pode ser identificada no parágrafo único do art. 1° da CF/88, que dispõe:
"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Este dispositivo encontra subseqüente especificação nos artigos 14, 15 e 16 da Constituição (Título II, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo IV, Dos Direitos Políticos). Observe-se que os direitos e garantias individuais e o voto direto, secreto, universal e periódico constituem cláusulas pétreas da Constituição brasileira, não podendo ser objeto de emenda (art. 60, § 4°, II e IV) .
Conteúdo extra! Assista ao vídeo: ‘Migrantes encontram novas oportunidades no Brasil’
Cidadania A cidadania (do latim, civitas,’cidade’), em Direito, é a condição da pessoa natural que, como membro de um Estado, encontra-se no gozo dos direitos que lhe permitem participar da vida política. A cidadania é o conjunto dos direitos políticos, que lhe permitem intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração, seja ao votar (participação direta), seja ao concorrer a cargo público (participação indireta). A nacionalidade é pressuposto da cidadania - ser nacional de um Estado é condição primordial para o exercício dos direitos políticos. Entretanto, se todo cidadão é nacional de um Estado, nem todo nacional é cidadão - os indivíduos que não estejam investidos de direitos políticos podem ser nacionais de um Estado sem serem cidadãos.
Direitos religiosos Liberdade religiosa deriva da liberdade de pensamento, uma vez que quando é exteriorizada torna-se uma forma de manifestação do pensamento. Ela compreende três outras liberdades: liberdade de crença, liberdade de culto e liberdade de organização religiosa. Ela abrange a liberdade de escolha
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da religião, liberdade de mudar de religião, liberdade de não aderir a religião alguma e liberdade de ser ateu. A liberdade de culto, abrange a liberdade de orar e a de praticar atos próprios das manifestações exteriores em casa ou em público. A Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pelos 58 estados membros conjunto das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, no Palais de Chaillot em Paris, (França), definia a liberdade de religião e de opinião no seu artigo 18, citando que "Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião". Historicamente, a liberdade de religião tem sido usado para referir-se a tolerância de diferentes sistemas de crença teológicas, ao passo que a "liberdade de culto" foi definida como a liberdade de ação individual. Cada um destes elementos existiram em diferentes graus na história. Embora muitos países na Antiguidade, Idade Média e Moderna tenham aceitado alguma forma de liberdade religiosa, ela foi frequentemente limitada, na prática, através de uma tributação punitiva, uma legislação repressiva socialmente e a privação de direitos políticos. No mundo A questão da liberdade religiosa é extremamente complexa e delicada. É complexa porque a compreensão desse tema depende de uma abordagem interdisciplinar e, por conseguinte, de incursões que vão além da ciência jurídica (direito), envolvendo, também, a história, a teologia, a antropologia, a ciência da religião e a filosofia. O tema é delicado porque revela o desafio de se conviver num mundo plural, em que a intolerância religiosa ainda está presente em vários países do mundo como na China, no Paquistão, no Irão e na Arábia Saudita. Também é preocupante a situação do Iraque, imerso nos atentados terroristas sunitas tendo por alvo os xiitas e nas ameaças contra a comunidade cristã, que são por vezes levadas às suas últimas consequências. As minorias cristãs estão também na mira dos extremistas budistas no Sri Lanka e dos hinduístas na Índia, que utilizam as leis anticonversão para impedir qualquer actividade missionária, recorrendo frequentemente a violência.
Liberdade religiosa por país (Pew Research Center, 2009). Amarelo claro: baixa restrição; vermelho: alta restrição à liberdade de religião.
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Cultura de paz O último bastião dos campos de concentração ao estilo social comunista, a Coreia do Norte, viu desaparecer no vazio, durante nos últimos 50 anos, cerca de 300 mil cristãos. Uma prática repressiva análoga é seguida pelo regime de Pequim contra os cristãos, os budistas e os membros do Falun Gong, presos e torturados em campos de detenção sem acusação e, frequentemente, liberados apenas após a sua morte. Dos 25 países mais populosos do mundo, Irã, Egito, Indonésia e Paquistão são consideradas as que têm maiores restrições, enquanto Brasil, Japão, Itália, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos são uns dos países com níveis mais baixos.
Texto complementar A intolerância religiosa é um problema no Brasil e no mundo. Tem se tornado o veneno de uma sociedade e, mais recentemente, foi o tema de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Em um país miscigenado, tal ignorância já pode ser considerada um aspecto cultural. Devido a isso, foi criado um artigo na Constituição visando garantir a liberdade de culto e proteção contra a discriminação, porque tais direitos não seriam naturais. Por sátira o termo “religião” vem do latim “religare”, que significa, em termos inteligíveis, religar, voltar a unir duas partes que estavam separadas, porém a realidade é oposta e nem sempre tal proposição é cultivada pelos grupos. Nada obstante, atos de preconceito e violência vêm se reproduzido em escolas e no trabalho como: ofensas pessoais, ameaças, danificação de imagens, bíblias, igrejas e destruição de terreiros. Há pouco tempo, o mundo ficou chocado com o ataque ao jornal Charlie Hebdo, em Paris. Um ato contra a liberdade e uma demonstração clara de intolerância religiosa. O ato deixou 12 mortos, 11 feridos e uma revolta social. Referido aos islamistas, o ataque à redação do veículo pode gerar mais conflitos em relação aos muçulmanos que residem na Europa. Visto que, infelizmente, atos de pequenos grupos extremistas fazem com que toda uma religião seja transfigurada. No Brasil, por exemplo, apenas em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa e as principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Essa problemática é fruto de uma forte influência católica na formação do estado brasileiro, que desde o período colonial, com as missões jesuíticas, até o império, com a forte ligação entre estado e igreja, sempre foi predominante no território nacional.
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Somado a isso, temos a conjuntura no qual os afrodescendentes conquistaram sua liberdade, levando-os às margens da sociedade e gerando um estereótipo negativo sobre si e suas crenças. Como consequência, temos o atual panorama de intolerância religiosa, principalmente contra religiões afro-brasileiras, resultando em agressões, aliados a discursos de ódio em redes sociais. Essa valorização ou desvalorização de uma determinada religião permite a geração da discriminação e tecnologia se tornar evidente, porém não é algo novo na coletividade, já que convivemos com as diferenças desde outrora, esta é uma questão histórica e está presente desde o princípio na formação da Polis, na Grécia Antiga, pois somente nesse período abriram-se discussões éticas sobre a verdade absoluta. Nós cidadãos acreditamos que desde o momento em que um ser passa a conviver em sociedade, ele aprende a seguir algumas crenças, adquirir valores éticos e morais, no entanto isso passa a ser um problema quando os que propagam e compartilham desse conhecimento se acham no direito de obrigar um indivíduo a seguir seus conceitos. De acordo com Jean-Paul Sartre, "a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Sendo assim, medidas são necessárias para combater a intolerância religiosa no país. O Ministério Público deve acarretar ações como a que instituiu o "Dia nacional de tolerância religiosa', para gerar uma conscientização de que o respeito às diferenças é assegurado por lei e resulta em uma sociedade mais igualitária. Do mesmo modo, a escola e a família tem papel fundamental na educação das crianças e jovens, para que aprendam a tolerar as diferenças e a valorizar a cultura nacional, pois assim o país caminhará para diminuir os problemas decorrentes da intolerância. A única convicção que devemos ter é de que o respeito à fé alheia é sagrado. Fonte: Campograndenews. Disponível em: < http://www.campograndenews.com.br/artigos/um-veneno-chamado-intolerancia-religiosa>. Acesso em: 16 dez. 2016.
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CAPÍTULO 3
Formas de violência
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A violência é hoje uma das principais preocupações da sociedade. Ela atinge a vida e a integridade física das pessoas. É um produto de modelos de desenvolvimento que tem suas raízes na história. A definição de violência se faz necessária para uma maior compreensão da violência escolar. É uma transgressão da ordem e das regras da vida em sociedade. É o atentado direto, físico contra a pessoa cuja vida, saúde e integridade física ou liberdade individual correm perigo a partir da ação de outros. Neste sentido, Aida Monteiro se expressa " entendemos a violência, enquanto ausência e desrespeito aos direitos do outro". No estudo realizado pela autora em uma escola, buscou-se perceber a concepção de violência dada pelo corpo docente e discente da instituição. Para o corpo discente " violência representa agressão física, simbolizada pelo estupro, brigas em família e também a falta de respeito entre as pessoas ". Enquanto que para o corpo docente " a violência, enquanto descumprimento das leis e da falta de condições materiais da população, associando a violência à miséria, à exclusão social e ao desrespeito ao cidadão". Diferença entre agressividade, crime e violência A agressividade é o comportamento adaptativo intenso, ou seja, o indivíduo que é vítima de violência constante têm dificuldade de se relacionar com o próximo e de estabelecer limites porque estes às vezes não foram construídos no âmbito familiar. O sujeito agressivo tem atitudes agressivas para se defender e não é tido como violento. A construção da paz vem se apresentando em diversas áreas e mostra que o impulso agressivo é tão inerente à natureza humana quanto o impulso amoroso; portanto é necessária a canalização daquele para fins construtivos, ou seja, a indignação é aceita porém deve ser utilizada de uma maneira produtiva. O crime é uma tipificação social e, portanto, definido socialmente é uma rotulação atribuída a alguém que fez o que reprovamos. " Não reprovamos o ato porque é criminoso. É criminoso porque o reprovamos" (Émile Durkheim).
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Violência pode ser também uma reação consequente a um sentimento de ameaça ou de falência da capacidade psíquica em suportar o conjunto de pressões internas e externas a que está submetida.
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Tipos de violência A violência que as crianças e os adolescentes exercem é, antes de tudo, a que seu meio exerce sobre eles COLOMBIER et al. (1989). A criança reflete na escola as frustrações do seu dia a dia. É neste contexto que destacamos os tipos de violência praticados dentro da escola. Violência contra o patrimônio É a violência praticada contra a parte física da escola. " É contra a própria construção que se voltam os pré-adolescentes e os adolescentes, obrigados que são a passar neste local oito ou nove horas por dia." COLOMBIER et al. (1989) Violência doméstica É a violência praticada por familiares ou pessoas ligadas diretamente ao convívio diário do adolescente. Violência simbólica É a violência que a escola exerce sobre o aluno quando o anula da capacidade de pensar e o torna um ser capaz somente de reproduzir. " A violência simbólica é a mais difícil de ser percebida, porque é exercida pela sociedade quando esta não é capaz de encaminhar seus jovens ao mercado de trabalho, quando não lhes oferece oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e de atividades de lazer; quando as escolas impõem conteúdos destituídos de interesse e de significado para a vida dos alunos; ou quando os professores se recusam a proporcionar explicações suficientes , abandonando os estudantes à sua própria sorte , desvalorizando-os com palavras e atitudes de desmerecimento". (ABRAMOVAY ; RUA, 2002, p.335) a violência simbólica também pode ser contra o professor quando este é agredido em seu trabalho pela indiferença e desinteresse do aluno. ABRAMOVAY; RUA ( 2002). Violência física "Brigar, bater, matar, suicidar, estuprar, roubar, assaltar, tiroteio, espancar, pancadaria, neguinho sangrando, Ter guerra com alguém, andar armado e, também participar das atividades das guangues " ABRAMOVAY et al. (1999) Os fatores que levam os jovens a praticar atos violentos São inúmeros os fatores que podem levar uma criança ou um adolescente a um ato delitivo, a seguir, abordaremos os que acreditamos serem os mais relevantes.
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Cultura de paz A desigualdade social é um dos fatores que levam um jovem a cometer atos violentos. A situação de carência absoluta de condições básicas de sobrevivência tende a embrutecer os indivíduos, assim, a pobreza seria geradora de personalidades desruptivas. " A partir desse ... de estar numa posição secundária na sociedade e de possuir menos possibilidades de trabalho, estudo e consumo, porque além de serem pobres se sentem maltratados, vistos como diferentes e inferiores. Por essa razão, as percepções que têm sobre os jovens endinheirados são muito violentas e repletas de ódio" ABRAMOVAY et al. (1999) é uma forma de castigar à sociedade que não lhe dá oportunidades. A influência de grupos de referência de valores , crenças e formas de comportamento seria também uma motivação do jovem para cometer crimes. " o motivo pelo qual os jovens aderem às gangues é a busca de respostas para suas necessidades humanas básicas, como o sentimento de pertencimento, uma maior identidade, auto-estima e proteção, e a gangue parece ser uma solução para os seus problemas a curto prazo" ABRAMOVAY et al. (1999), assim, o infrator se sente protegido por um grupo no qual tem confiança. " Valores como solidariedade, humildade, companheirismo, respeito, tolerância são pouco estimulados nas práticas de convivência social, quer seja na família, na escola, no trabalho ou em locais de lazer. A inexistência dessas práticas dão lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí a brutalidade e a intolerância", (MONTEIRO,2003) a influência das guangues que se aliam ao fracasso da família e da escola. A educação tolerante e permissiva não leva a ética na família. Os pais educam seus filhos e estes crescem achando que podem tudo. É dentro das guangues ou das quadrilhas como se refere Alba Zaluar que os jovens provam sua audácia, desafiam o medo da morte e da prisão. É uma subcultura criminosa marcada pela atuação masculina (ZALUAR, 1992, p.27). O indivíduo enfrenta uma grande oferta de oportunidades: o uso de drogas, uso de bebidas alcoólicas, uso da arma de fogo aliada a inexistência do controle da polícia, da família e comunidade tornam o indivíduo motivado a concluir o ato delitivo. "Carências afetivas e causas sócio-econômicas ou culturais certamente aí se misturam, para desembocar nestas atitudes". (COLOMBIER,1989, p.35). "A Disponibilidade de armas de fogo e as mudanças que isso impõe às comunidades conflituosas, contribuindo para o aumento do caráter mortal dos conflitos nas escolas." Fonte: Brasil Escola. Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/sociologia/violencia-escolar.htm. Acesso em: 16 dez. 2016.
Agressão física RJ registra mil casos de intolerância religiosa em 2 anos e meio O Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), ligado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, recebeu em dois anos e meio quase mil denúncias de casos de intolerância religiosa. Os números constam de um relatório apresentado em audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de janeiro (Alerj) na terça-feira (18). Entre julho de 2012 e dezembro de 2014, foram registradas 948 queixas, 71% delas sobre intolerância contra religiões, mostra o relatório. Criado em 2012 e coordenado pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, o Ceplir tem como objetivo defender e garantir os direitos humanos e de expressão da liberdade de crença e filosofia de indivíduos e institui-
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ções religiosas e comunidades tradicionais. O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, deputado Marcelo Freixo (PSOL), informou que vai pedir ao presidente da Casa, deputado Jorge Picciani (PMDB), a implantação da Lei 5.931/11, que criou a Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e Intolerância. "O grande desejo dos representantes das religiões diversas é a criação dessa delegacia especializada. Os crimes de ódio, que assistimos diariamente no Rio, merecem que essa demanda seja atendida", disse o parlamentar. Já o presidente da Comissão de Combate às Discriminações e ao Preconceito da Alerj, e autor da lei de 2011 que cria a delegacia especializada, o deputado Átila Nunes (PSL), disse que quase todo mês um ou dois casos de intolerância são registrados. "Temos um pequeno estado islâmico encravado no Rio de Janeiro", disse. Segundo o presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir dos Santos, até janeiro de 2016 a comissão vai finalizar um relatório, com o objetivo de fazer uma denúncia internacional. "Vamos condensar um documento com depoimentos para fazer uma denúncia sobre intolerância religiosa às cortes internacionais. Os casos persistem e crescem na sociedade brasileira e o que nos chama a atenção é a morosidade da investigação desses episódios. Há má vontade em olhar esses casos como crime", disse Ivanir dos Santos.
Temos um pequeno estado islâmico encravado no Rio de Janeiro" (Átila Nunes) A mãe de santo Káthia Marinho, avó da menina Kayllane Campos, de 11 anos, apedrejada em junho, ao sair de um culto de candomblé, afirmou que os agressores ainda não foram identificados: "Enquanto não forem punidos, a violência não vai parar". Já a professora de português Denise Bonfim, que é muçulmana, disse que foi ameaçada de morte na mesma rua onde Kayllane foi agredida.
Kayllane Campos, a menina apedrejada na saída de um culto de candomblé
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Cultura de paz "Estava usando o Hijab (véu islâmico) e disseram que iam me matar. Fiquei com muito medo e passei vários meses sem usar o véu e sem entender o motivo de tamanha intolerância", lamentou. Para o representante da Associação Beneficente Muçulmana, Sami Isbelle, os casos de violência no exterior acabaram influenciando o aumento da intolerância no Brasil. "Sofremos muitas agressões pela internet, e as mulheres são muito discriminadas no mercado de trabalho, principalmente por causa das suas vestimentas", disse. A presidente do Conselho de Igrejas Cristãs do Rio (Conic), Lusmarina Campos Garcia, diz que “é importante que ter consciência de que esses casos não são isolados e que isso precisa ser enfrentado”. Agressão Na noite do domingo, 14 de junho, a jovem Kayllane Campos, de 11 anos, foi atingida por uma pedra na Avenida Meriti, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, quando voltava de um culto de Candomblé. Os responsáveis pelo ato foram dois homens, que estavam em um ponto de ônibus na região. Além de atirarem pedras contra o grupo de religiosos, os homens fizeram vários insultos e fugiram embarcando em um ônibus. O caso foi registrado como lesão corporal e no artigo 20, da Lei 7716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional) na 38º DP (Irajá). No fim daquele mês, a menina foi recebida na sede da OAB pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, no Centro do Rio.aa fez um pedido pela ação do poder público. Com mais de 35 mil assinaturas, o documento pede uma campanha para promover a liberdade religiosa. Na semana anterior, ela havia se encontrado com o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, na sede da arquidiocese e se disse tensa. "Estou um pouco nervosa, não estou muito acostumada. A partir de agora eu acho que tem que ter respeito, todo mundo unido, bem eu acho que tem que ser assim. Para mim, respeito todo dia", afirmou na ocasião.
Texto complementar Trabalho infantil O trabalho infantil no Brasil ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, quase de escravidão, já que muitos deles não chegam a receber remuneração alguma. Hoje em dia, em torno de 4,8 milhões de crianças de adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando no Brasil, segundo PNAD 2007. Desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos. Apesar de no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos, a realidade continua sendo outra. Para adolescentes entre 14 e 15 anos, o trabalho é legal desde que na condição de aprendiz.
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Crianças que trabalham O Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) vem trabalhando arduamente para erradicar o trabalho infantil. Infelizmente mesmo com todo o seu empenho, a previsão é de poder atender com seus projetos, cerca de 1,1 milhão de crianças e adolescentes trabalhadores, segundo acompanhamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Do total de crianças e adolescentes atendidos, 3,7 milhões estarão de fora. Ao abandonarem a escola, ou terem que dividir o tempo entre a escola e o trabalho, o rendimento escolar dessas crianças é muito ruim, e serão sérias candidatas ao abandono escolar e consequentemente ao despreparo para o mercado de trabalho, tendo que aceitar sub-empregos e assim continuarem alimentando o ciclo de pobreza no Brasil. Sabemos que hoje em dia, a inclusão digital (Infoinclusão) é de extrema importância. Além da conclusão do ciclo básico de educação, e da necessidade de cursos técnicos, e da continuidade nos estudos, o computador vem se tornando fundamental em qualquer área de trabalho. Desde que entrou em prática, no final de novembro de 2005, o projeto de inclusão digital do governo federal, Computador para Todos - Projeto Cidadão Conectado registrou mais de 19 mil máquinas financiadas. Programas do Governo Federal juntamente com governos estaduais, pretendem instalar computadores e acesso a internet banda larga em todas escolas públicas até 2010. Com isso esperam que o acesso a informações contribuam para um melhor futuro às nossas crianças e adolescentes.
Perfil do trabalho infantil no Brasil Como já era de se esperar, o trabalho infantil ainda é predominantemente agrícola. Cerca de 36,5% das crianças estão em granjas, sítios e fazendas, 24,5% em lojas e fábricas. No Nordeste, 46,5% aparecem trabalhando em fazendas e sítios. A Constituição Brasileira é clara: menores de 16 anos são proibidos de trabalhar, exceto como aprendizes e somente a partir dos 14. Não é o que vemos na televisão. Há dois pesos e duas medidas. Achamos um absurdo ver a exploração de crianças trabalhando nas lavouras de cana, carvoarias, quebrando pedras, deixando sequelas nessas vítimas indefesas, mas costumamos aplaudir crianças e bebês que tornam-se estrelas mirins em novelas, apresentações e comerciais. A UNICEF declarou no Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil (12 de junho) que os esforços para acabar com o trabalho infantil não serão bem sucedidos sem um trabalho conjunto para combater o tráfico
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Cultura de paz de crianças e mulheres no interior dos países e entre fronteiras. No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, a UNICEF disse/referiu com base em estimativas que o tráfico de Seres humanos começa a aproximar-se do tráfico ilícito de armas e drogas. Longe de casa ou num país estrangeiro, as crianças traficadas – desorientadas, sem documentos e excluídas de um ambiente que as proteja minimamente – podem ser obrigadas a entrar na prostituição, na servidão doméstica, no casamento precoce e contra a sua vontade, ou em trabalhos perigosos. Embora não haja dados precisos sobre o tráfico de crianças, estima-se que haverá cerca de 1.2 milhões de crianças traficadas por ano.
O que é o trabalho infantil Trabalho infantil é toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes, abaixo da idade mínima legal permitida para o trabalho, conforme a legislação de cada país. O trabalho infantil, em geral, é proibido por lei. Especificamente, as formas mais nocivas ou cruéis de trabalho infantil não apenas são proibidas, mas também constituem crime. A exploração do trabalho infantil é comum em países subdesenvolvidos,e países emergentes como no Brasil, onde nas regiões mais pobres este trabalho é bastante comum. Na maioria das vezes isto ocorre devido à necessidade de ajudar financeiramente a família. Muitas destas famílias são geralmente de pessoas pobres que possuem muitos filhos. Apesar de existir legislações que proíbam oficialmente este tipo de trabalho, é comum nas grandes cidades brasileiras a presença de menores em cruzamentos de vias de grande tráfego, vendendo bens de pequeno valor monetário. Apesar de os pais serem oficialmente responsáveis pelos filhos, não é hábito dos juízes puni-los. A ação da justiça aplica-se mais a quem contrata menores, mesmo assim as penas não chegam a ser aplicadas. Fonte: Guia. Disponível em: http://br.guiainfantil.com/direitos-das-criancas/ 450-trabalho-infantil-no-brasil.html. Acesso em: 19 dez. 2016.
Conteúdo extra! Assista pelo QR Code ao filme: ‘Menino de carvão’ sobre violência doméstica e o trabalho infantil.
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Bullying Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. O bullying se divide em duas categorias: a) bullying direto, que é a forma mais comum entre os agressores masculinos e b) bullying indireto, sendo essa a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o(a) agressor(a) em razão das ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou sexual, ou a perda dos meios de subsistência. O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade.
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Cultura de paz As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou cometer suicídio. O(s) autor(es) das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia, pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende a ser escasso ou precário. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras com maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. O responsável pelo ato de bullying pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram dentro do estabelecimento de ensino/trabalho.
Texto complementar Nova norma caracteriza claramente as situações de agressão física, psicológica e moral A Lei que estabelece o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o Brasil já está publicada e entra em vigor dentro de 90 dias. O texto foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff e está presente no Diário Oficial da União desta segunda-feira (9). A nova norma caracteriza claramente as situações de agressão física, psicológica e moral que podem ser consideradas bullying e estabelece regras para definir casos de intimidação realizados por meio da internet. O programa tem por principal objetivo prevenir e combater a prática da intimidação sistemática em toda a sociedade. A abordagem a ser adotada deve evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil. A Lei nº 13.185 determina que será considerada intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. A nova Lei entra em vigor dentro de 90 dias.
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A caracterização do bullying é bastante específica e vai além de citar atos violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação. Cita, especificamente, casos de ataques físicos, insultos pessoais, comentários sistemáticos e apelidos pejorativos, ameaças por quaisquer meios, grafites depreciativos, expressões preconceituosas, isolamento social consciente e premeditado, pilhérias. A nova Lei considera que há “intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial”. A intimidação sistemática (bullying) pode ser classificada, conforme as ações praticadas, como verbal (insultar, xingar e apelidar pejorativamente), moral (difamar, caluniar, disseminar rumores); sexual (assediar, induzir e/ou abusar), social (ignorar, isolar e excluir); psicológica (perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e infernizar), físico (socar, chutar, bater); material (furtar, roubar, destruir pertences de outrem), virtual (depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e social). O programa também tem como propostas capacitar docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; dar assistência psicológica, social e jurídica. O programa visa, ainda, integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo; promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua; promover medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência, com ênfase nas práticas recorrentes de intimidação sistemática (bullying), ou constrangimento físico e psicológico, cometidas por alunos, professores e outros profissionais integrantes de escola e de comunidade escolar. A nova Lei fixa que é dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremiações recreativas assegurar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática (bullying). Serão produzidos e publicados relatórios bimestrais das ocorrências de intimidação sistemática (bullying) nos estados e municípios para planejamento das ações. Os entes federados poderão firmar convênios e estabelecer parcerias para a implementação e a correta execução dos objetivos e diretrizes do Programa instituído por esta Lei.
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Efeitos do bullying Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podesm apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
O que não é bullying? Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.
O bullying é um fenômeno recente? Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.
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O que leva o autor do bullying a praticá-lo? Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa imagem de si mesmo. Isso tudo leva o autor do bullying a atingir o colega com repetidas humilhações ou depreciações. É uma pessoa que não aprendeu a transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida pela vítima.
O espectador também participa do bullying? Sim. É comum pensar que há apenas dois envolvidos no conflito: o autor e o alvo. Mas os especialistas alertam para esse terceiro personagem responsável pela continuidade do conflito.O espectador típico é uma testemunha dos fatos, pois não sai em defesa da vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma mensagem, não repassa. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido.
Quais são as consequências para o aluno que é alvo de bullying? O aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento.Uma pesquisa da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying).
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Cyberbullying Assédio virtual, ou cyberbullying em inglês, é uma prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar o outro.[1] Tem se tornado cada vez mais comum na sociedade, especialmente entre os jovens. Atualmente, legislações e campanhas de sensibilização têm surgido para combatê-lo. O cyberullying pode chegar a ser tão cruel e violento quanto o bullying físico. Suas consequências são graves e podem causar danos reais.
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A palavra bullying tem origem na língua inglesa e faz referência a bully, que entendemos como “valentão”, aquele que maltrata ou violenta de forma constante outras pessoas por motivos supérfluos. É justamente esse ato de maltratar ou violentar o outro de forma sistemática e repetitiva que é denominado bullying. Falamos de cyberbullying, então, quando a agressão se passa pelos meios de comunicação virtual, como nas redes sociais, telefones e nas demais mídias virtuais. Muito embora o cyberbullying não consista em agressões físicas, e por isso é comumente visto como menos danoso, tem consequências tão ou mais graves quanto as do bullying físico. O abuso sofrido pela vítima do bullying virtual é, em sua maioria, de cunho psicológico, no entanto ela pode chegar a se tornar física em casos extremos. Ameaças de morte, agressão física e publicação de informações pessoais de vítimas são alguns dos meios mais violentos de cyberbullying, já que coloca a vítima em situação de risco e constante apreensão diante da possibilidade de um atentado contra sua vida. Os ataques sofridos por uma vítima de cyberbullying são geralmente direcionados a características pessoais da vítima e são feitas em meio público, denegrindo a imagem pública da vítima e afetando sua autoestima. O abuso é constante e pode tomar grandes proporções, já que a dinâmica do mundo online é enorme e, na maioria das vezes, impossível de se controlar. O cyberbullying é ainda permanente, uma vez que ao serem jogadas na rede online as informações lá permaneceram por tempo indeterminado.
A agressão contínua pela qual uma vítima de cyberbullying passa pode trazer consequências graves como trauma psicológico, isolamento social, desenvolvimento de problemas relacionados à depressão, podendo até mesmo levar a vítima ao suicídio. O agravante do bullying virtual é a constante agressão que o agressor é capaz de infligir sobre seu alvo, uma vez que, diferente do bullying convencional em que a vítima tem contato presencial limitado com seu agressor (geralmente na escola), no mundo virtual o agressor tem sempre a vítima ao seu alcance, a qualquer hora do dia ou da noite.
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Cultura de paz Outra característica marcante do cyberbullying é que o agressor nem sempre, ou quase nunca, é identificado, uma vez que é possível manter-se anônimo no mundo virtual. Estudos indicam que essa impessoalidade pode ser um dos agravantes da epidemia desse fenômeno, uma vez que o contato virtual e indireto pode dessensibilizar as partes envolvidas na agressão, já que não há contato direto com o sofrimento da vítima ou com as consequências dos seus atos.
Assédio O crime de assédio sexual consiste no fato de o agente “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” (CP, art. 216-A, caput).
Assédio substantivo masculino fig. insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém.
Assédio sexual Assédio sexual é um tipo de coerção de caráter sexual praticada geralmente por uma pessoa em posição hierárquica superior, em relação a um subordinado (mas nem sempre o assédio é empregador - empregado), o contrário também pode acontecer, normalmente em local de trabalho ou ambiente acadêmico. O assédio sexual caracteriza-se por alguma ameaça, insinuação de ameaça ou hostilidade contra o subordinado o ganho de algum objeto/objetivo. Exemplos clássicos são as condições impostas para uma promoção que envolvam favores sexuais, ou a ameaça de demissão caso o empregado recuse o flerte do superior. No Brasil o assédio está assim definido na lei número 10224, de 15 de maio de 2001: "Constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função." Em Portugal, o Código do Trabalho define assédio como (artº 29º) 1 – Entende-se por assédio o comportamento indesejado, nomeadamente o baseado em factor de discriminação, praticado aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objectivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afectar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador. 2 – Constitui assédio sexual o comportamento indesejado de carácter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objectivo ou o efeito referido no número anterior. No âmbito laboral, não é necessário que haja uma diferença hierárquica entre assediado e assediante, embora normalmente haja. A Organização Internacional do Trabalho define assédio sexual como “atos, insinuações, contatos físicos forçados, convites impertinentes, desde que apresentem uma das características a seguir: a) Ser uma condição clara para manter o emprego
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b) Influir nas promoções da carreira do assediado c) Prejudicar o rendimento profissional, humilhar, insultar ou intimidar a vítima. d) Ameaçar e fazer com que as vítimas cedam por medo de denunciar o abuso. e) Oferta de crescimento de vários tipos ou oferta que desfavorece as vítimas em meios acadêmicos e trabalhistas entre outros, e que no ato possa dar algo em troca, como possibilitar a intimidade para ser favorecido no trabalho.
Texto complementar Assédio sexual nas escolas é assustadoramente comum É difícil encontrar alguém que não tenha sofrido nenhum tipo de assédio sexual na escola – desde comentários sobre o sutiã de meninas que estão começando a se desenvolver fisicamente até meninos que tiveram suas calças abaixadas ou sofreram preconceito e afirmações depreciativas sobre sua sexualidade. O assédio sexual nas escolas é mais comum do que parece. Um novo estudo descobriu que mais da metade das meninas – e muitos meninos – sofreram pelo menos uma situação de assédio no ensino médio ou fundamental. E embora algumas pessoas possam afirmar que são apenas “crianças sendo crianças”, as vítimas podem sofrer com muitos maus efeitos no futuro. De acordo com a revista Times, um estudo com quase 2 mil crianças descobriu que 56% das meninas e 40% dos meninos sofreram assédio sexual em algum momento no ano letivo anterior. 46% das garotas e 22% dos meninos relataram “indesejáveis comentários sexuais, gestos ou piadas”, enquanto 13% das meninas e 3% dos meninos mencionaram terem sido tocados contra sua vontade. A estatística mais assustadora é que 3,5% das meninas e 0,2% dos meninos foram forçados a realizar um ato sexual, e uma parcela igual de meninos e meninas – 18% – foram chamados de gays de forma depreciativa. Muitos adultos se lembram da escola como um local de comentários sobre sutiãs, agarramentos indesejados, comentários depreciativos sobre a sexualidade e coisas do gênero. E ainda que isso tenha sido extremamente doloroso, muitos adultos não se esquecem, mas carregam por muito tempo os comentários maldosos sobre eles, que começaram com a escola. 37% das meninas e 25% dos meninos disseram que o assédio fez que eles desejassem evitar a escola. 22% das vítimas do sexo feminino e 14% do masculino relataram até problemas para dormir. Esses números
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Cultura de paz são ainda maiores entre crianças que foram perseguidas tanto online como pessoalmente – 46% dessas vítimas não queriam mais ir à escola, enquanto 44% delas tiveram problemas no estômago e 43% tiveram problemas de estudo. Claramente, o assédio não é apenas uma brincadeira de crianças e adolescentes – além de afetar o desempenho escolar, prejudica a saúde. Assim, não deve ser tratado como um rito normal de passagem. Fonte: Hypescience. Disponível em: http://hypescience.com/assedio-sexual-nas-escolas-e-assustadoramente-comum/. Acesso em: 19 dez. 2016.
Violência contra mulher
Conteúdo extra! Assista pelo QR Code à palestra da idealizadora da campanha: ‘Chega de fiu fiu. Cantada não é elogio!’
Texto complementar O futuro do movimento anti-assédio no mundo Quando a Chega de Fiu Fiu foi lançada em 2013, ainda não se falava no Brasil sobre o assédio de rua da maneira como o entendemos hoje. Em uma busca do Google realizada antes da campanha nascer, “assédio sexual” trazia entre os primeiros resultados sites que falavam sobre assédio sexual no ambiente de trabalho. Cenário parecido foi encontrado pela ameriana Emily May, co-fundadora da Hollaback!, maior ONG de combate ao assédio em locais públicos nos EUA, em 2005. Hoje a organização conta com mais de 85 filiais no mundo inteira e é parceira da Think Olga aqui no Brasil. De lá para cá, esses movimentos se multiplicaram dentro e fora do país. A busca do Google mencionada anteriormente traz resultados drasticamente diferentes. Hoje temos pesquisas, dados, militantes, ONGs, projetos de lei e várias iniciativas debruçadas sobre o fim de uma violência sofrida diariamente pelas mulheres e que comprovadamente causa danos psicológicos, emocionais e de ordem prática em suas vidas, limitando seu direito de ir e vir. A internet trouxe uma força incrível para essa luta. A nossa Chega de Fiu Fiu começou inteiramente online e ainda tem muito mais força na internet que fora dela, embora seja importante levar em conta que
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os impactos dela na vida offline sejam difíceis de mensurar. Boa parte desses movimentos no mundo inteiro partilham dessas mesmas características e desafios. Se olharmos para o nosso passado, sabemos que avançamos muito. Mas quais serão as nossas próximas conquistas? O fato é que o assédio de rua é socialmente aceitável no mundo inteiro. Em algumas regiões com mais prevalência e sempre observando as interseccionalidades que o tornam ainda pior para determinados grupos, mas, de forma geral, é legitimado pela sociedade, pela mídia e por grandes instituições. Nosso trabalho foi questionar as raízes que levam agressões a uma parte da população a ser vistas como parte da vida cotidiana na grande maioria dos países. Na base de tudo isso está o poder ou, mais especificamente, sua distribuição desequilibrada. Seja por cor, gênero ou não conformidade com os padrões sociais preestabelecidos, quem sofre assédio na rua historicamente faz parte de minorias em espaços de poder. E, se entendemos que determinados sujeitos são mais suscetíveis à violência por combinar em si mais características histórica, econômica e socialmente oprimidas, então o movimento contra o assédio precisa expandir-se e abarcar também essa realidade. Se o machismo e o racismo sofridos por uma mulher negra, por exemplo, não são indissociáveis, logo o combate a essa agressão também não deve ser. É nessa concentração de poder entre iguais (diga-se homens brancos heterossexuais) que fincam-se e criam-se os comportamentos que possibilitam a normatização sistemática do assédio nas mais diferentes sociedades e sua enorme gama de manifestações, como por exemplo: A objetificação, a hiperssexualização e a comoditização do corpo feminino levam à noção de que o valor da mulher está em sua aparência. Isso não apenas dá aos assediadores a certeza de que seus avanços sexuais indesejados são elogiosos, mas também à muitas muitas vítimas que os recebem e entendem como uma validação desejosa. Além disso, esses comportamentos desumanizam as mulheres que, valorizadas apenas pelo valor sexual de seus corpos, são despidas de intelecto, inteligência e sentimentos, ocupando na sociedade um papel ornamental e secundário. Tudo isso é legitimado por uma mídia pensada por e para homens, na qual mulheres são estereotipadas para reforçar papéis clássicos de gênero (a mãe, a virgem, a santa, a puta, a dona encreca, etc). Homofobia e transfobia que, por si só, marginalizam grupos que fogem do padrão heteronormativo como levam à uma exacerbação da masculinidade tóxica como escape. É o combustível de piadas de gay, “coisas de mulher”, do medo do filho “virar bicha” e preferir que ele reproduza machismo a ter esse destino. Quem, de alguma forma, se apresenta como gay ou trans* em locais públicos é alvo de vio-
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Cultura de paz lência, escrutínio, segregação e humilhações das mais diversas. Uma violência também silenciada pela noção de que, quem assim se apresenta socialmente, “precisa estar preparado para isso” quando, na verdade, todos têm o direito a ocupar espaços públicos em paz. Essa socialização de gênero desde a infância incute desde a mais tenra idadenoções do papel de mulher e do papel de homem na sociedade. Não raro, pais incentivam que os filhos beijem ou “roubem beijos” de meninas para mostrar que são homens desde cedo. E as meninas a aceitar agressões e ofensas como parte da personalidade masculina. Eles são incentivados a brigar, conquistar, lutar e, conforme crescem, têm apoio dos pais e da sociedade para explorar a própria sexualidade, sendo incentivados a ser assertivos e conquistar mulheres. Não apenas porque isso é sinal de poder na sociedade, como também pela homofobia, o medo da “desgraça” que é ter um filho homossexual. Às meninas, resta uma romantização eterna de sua pureza e a imposição precoce de padrões de beleza cuja conformidade está relacionada à atração de parceiros do sexo masculino. Racismo e anti-negritude (o ódio específico contra pessoas negras) tornam o assédio de rua ainda mais complexo. As mulheres negras são ainda mais sexualizadas que as brancas e, assim, sofrem assédios mais frequentes, agressivos e violentos. São apresentadas à sexualidade de seus corpos desde muito cedo e desenvolvem estratégias para lidar com essa realidade. Reações negativas levam a agressões verbais machistas e racistas ou até mesmo físicas. A cor da pele agrava o assédio, que é vivenciado por determinadas mulheres de maneira mais intensa que outras. Nos EUA, movimentos como Black Lives Matter combatem o chamado racial profiling, ou “perfil racial”, que torna pessoas negras mais suscetíveis a ser abordadas por forças de estado e tratadas com violência, truculência e, por vezes, são sentenciadas com a morte por policiais. No Brasil, cinco jovens sofreram fim parecido pelo mesmo motivo, racismo, ao ter seu carro fuzilado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em diversos países, a crise dos refugiados tem levado a um aumento substancial de xenofobia, racismo e islamofobia. Essas questões sociais, recentes ou não, são agentes na limitação da liberdade de movimento em espaços públicos e refletem como determinados grupos sentem-se no direito de assediar e limitar o trânsito de outros. A culpabilização da vítima, principalmente em casos de assédio sexual, levam a consequências gravíssimas. Desde a aceitação do próprio incômodo com o assédio como algo a ser ignorado (“A culpa é sua por usar esse vestido. Homem é assim mesmo, agora aguenta!”, “Depois vai sentir falta…”), ao desestímulo à denúncia e à reclamação sobre o assunto, até traumas emocionais causados por essa inversão de valores.
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A culpabilização da vítima e a normalização do assédio geram também uma falta de consequências negativas àquele que assedia, eliminando qualquer impedimento ao ato. Ainda que mulheres reclamem e se digam desconfortáveis, a aceitação social desse tipo de comportamento legitima e até valoriza o homem que age dessa maneira. Instituições, públicas ou privadas, ainda são comandadas, em sua maioria, por homens brancos nos altos cargos de poder, oriundos de uma socialização que os privilegia e interessados em manter seus próprios interesses. Quando estes são grandes tomadores de decisão em uma sociedade, as causas caras às mulheres e demais minorias políticas vão para o fim da lista de prioridades. É esse descaso que levam a uma polícia despreparada para lidar com casos de estupro, RHs comprometidos em abafar e acobertar casos de assédio sexual e escolas a proibir alunas de usar shorts, mas liberar os meninos para fazer o mesmo. O discurso proveniente dessas instituições são valorizados e compõe a noção coletiva do que é certo ou errado em uma comunidade. O assédio por vezes é defendido como tradição e traço cultural de determinados locais. Questioná-lo, para muitos, é tentar modificar identidade de um povo. Entretanto, elas não são intocáveis e, oriundas de sociedades patriarcais, não só podem como devem ser revistas em tempos de minorias empoderadas. Ainda que muitos grupos surjam para combater o assédio, a falta de recursos para os mesmos é um problema mundial. A trivialização do problema torna muito difícil a captação de patrocínios e o financiamento de iniciativas de combate ao problema.Em muitos países, apesar da abordagem do tema ter se tornado mais séria com o passar dos anos (caso do Brasil), ainda é difícil encontrar apoiadores para realizar ações de impacto contra o assédio, viabilizar campanhas maiores e mais complexas de conscientização, desenvolver tecnologias, etc. Some-se a isso a criação de iniciativas similares em um já sobrecarregado universo de organizações que lutam por causas sociais, tornando ainda mais acirrada a disputa pelos escassos recursos disponíveis. Existe ainda a cobrança pessoal pelo desempenho de gênero. Com medo de perder poder e respeito perante a comunidade, homens e mulheres reproduzem comportamentos tidos como aceitáveis que colaboram com manutenção das opressões sociais. A insegurança sobre si mesmos e sobre o que constitui um bom caráter leva os indivíduos a agir de maneira machista, pois é o que entendem como o estado normal das coisas e quaisquer alterações podem significar mudanças percebidas como negativas, ainda que esse comportamento mantenha boa parte da população à margem da sociedade. É o medo do diferente. Existem inúmeros outros comportamentos e manifestações, muitos dos quais foram discutidos no encontro. A situação dos imigrantes na
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Cultura de paz Europa, o movimento Black Lives Matter nos EUA, os estupros de mulheres na Índia. Quando olhamos para a questão do assédio de maneira global, fica difícil definir uma conduta que atenda a todas as interserccionalidades que se apresentam. Entretanto, independente da geografia e das diferentes opressões que atuam nessa dinâmica, todos lutamos pelo direito ao movimento em espaços públicos. É esse o diferencial do trabalho que todos reunidos nessa convenção internacional fazemos. Queremos o direito de existir no mundo sem pedir licença ou precisar justificar nossa presença. O direito de andar nas ruas a qualquer hora, utilizando qualquer tipo de transporte, sem ter medo de ser vítima de uma violência. Os gays, as mulheres, as pessoas de cor, os imigrantes, as pessoas trans*, os portadores de necessidades especiais: todos temem não apenas agressões, mas a exclusão silenciosa, o não pertencimento à comunidade. Um futuro no qual ninguém se sinta no direito de discriminar o diferente em espaços onde todos têm o direito de estar. Mais que o fim do fiu fiu, desejamos um mundo no qual todos tenham a possibilidade de alcançar seu potencial máximo independente de quem seja ou onde esteja. Somos um movimento pela equidade pública: esse é o futuro da luta contra o assédio no mundo. Fonte: Think Olga. Disponível em: http://thinkolga.com/chega-de-fiu-fiu/o-futuro-do-movimento-anti-assedio-no-mundo/. Acesso em: 19 dez. 2016.
Assédio moral Assédio moral é a exposição de alguém a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. São mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. A psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen (2000), uma das primeiras estudiosas a se preocupar com o assédio moral no trabalho, da perspectiva de sua especialidade, entende o mesmo como sendo qualquer conduta abusiva, configurada através de gestos, palavras, comportamentos inadequados e atitudes que fogem do que é comumente aceito pela sociedade. Essa conduta abusiva, em razão de sua repetição ou sistematização, atenta contra a personalidade, dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o ambiente de trabalho. Para a pesquisadora do tema Margarida Barreto, que integra o grupo de profissionais responsável pelo site ’Assédio moral no trabalho. Chega de humilhação!’, o assédio moral não é uma doença, mas um risco não visível no ambiente de trabalho. Quando se identifica o assédio moral como doença, a tendência é de culpabilizar o trabalhador e de colocar a discussão no marco da biologia. Isso leva a um reducionismo muito grande, pois isola o problema e retira da análise o contexto social, as formações socioeconômicas e o processo histórico. Deixa de se considerar a existência das pessoas em sociedade e o indivíduo em sua relação com o outro, num cenário específico, que é o mundo do trabalho com a lógica do lucro.
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O dicionário nos diz que “assédio” significa, entre outras coisas, insistência inoportuna junto a alguém, com perguntas, propostas e pretensões, dentre outros sintomas. “Assediar”, por sua vez, significa perseguir com insistência, que é o mesmo que molestar, perturbar, aborrecer, incomodar, importunar. Por ser algo privado, a vítima precisa efetuar esforços dobrados para conseguir provar na justiça o que sofreu, mas é possível conseguir provas técnicas obtidas de documentos (atas de reunião, fichas de acompanhamento de desempenho, etc), além de testemunhas idôneas para falar sobre o assédio moral cometido.
Preconceito
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Cultura de paz Preconceito é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, culturas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Ao ser usado no sentido pejorativo costuma ser simplista, grosseiro e maniqueísta. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial", cultural e "sexual". Para o indivíduo ser ou não preconceituoso podemos avaliar suas formas de socialização, isso distinguirá seus primórdios e no que ele virá a se transformar. Este processo, será explicado por culturas e a própria história no contexto em que se está inserido. Geralmente a pessoa que tende a ter esse tipo de sentimento, não o faz apenas por um só tipo, ele engloba todos os preconceitos e alimenta todos eles. O assunto em questão diz mais sobre a pessoa preconceituosa do que aquele que está sofrendo com este, por causa das características identificadas. De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada "estereótipo". Ainda assim, observar características comuns a grupos são consideradas preconceituosas somente quando entrarem para o campo da agressividade ou da discriminação, caso contrário reparar em características sociais, culturais ou mesmo de ordem física por si só não representam preconceito, elas podem estar e/ou não - denotando apenas costumes, modos de determinados grupos ou mesmo a aparência de povos de determinadas regiões, pura e simplesmente como forma ilustrativa ou educativa, por vezes questionada pela Ciência e a Psicologia. Observa-se então que o preconceito, se associado a discriminação, pode ser considerado um erro. Entretanto, segundo Freud, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença e sentimento de medo, e não necessariamente do conhecimento originado da ciência. Ou seja, possui uma base irracional, ligada a ideologia de um mundo imaginado e não real. Freud relacionava-o em sua obra ao chamado "conceito abstrato de República ideológico", que não é real nem para seus autores, Platão e Aristóteles, e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio de Lógica, compreendido apenas na chamada por ele, Freud, de "Nova medicina", e que o mundo chama de Psicologia. Os sentimentos negativos em relação a um grupo fundamentam a questão afetiva do preconceito, e as ações, o fator comportamental. Segundo Max Weber (1864-1920), o indivíduo é responsável pelas ações que toma. Uma atitude hostil, negativa ou agressiva em relação a um determinado grupo, pode ser classificada como preconceito. Essas atitudes, trazem muitas coisas negativas e também problemas. Segundo Paradela e colaboradores (2006) , alguns buscam utilizar a ciência, especialmente a genética, para justificar o preconceito. De tal forma, os autores definem que que os fundamentos evolutivos para o surgimento da espécie humana e os aspectos genéticos a respeito da expressão dos genes fornecem respaldo para a afirmação de que não há raças humanas. Adicionalmente, a classificação dessas supostas raças por características como cor de pele e inteligência não é aceitável. No Brasil, as leis 7.716/89 - constituída um ano após a promulgação da Constituição da República, suprindo a necessidade de uma punição efetiva contra as práticas racistas - 8.081/90, 8.882/94 e 9.459/97, criminaliza qualquer forma de discriminação resultante de pré-conceitos como cor, etnia, raça, crenças religiosas e nacionalidade de forma que a justiça prevê punições para tal ato. A efetividade desta lei se encontra em exemplos claros, como, por exemplo: Um funcionário público que tome alguma atitude racista, pode perder o cargo. Em 1997, em São Paulo, foi inaugurado pelos professores doutores Lígia Assumpção do Amaral e José Leon Crochík o Laboratório de Estudos sobre o Preconceito - LaEP - na Universidade de São Paulo tendo por objetivo abranger estudos, pesquisas e produção científica sobre o "Preconceito".
Discriminação Discriminação é o ato de separar, injuriar e humilhar. Pode ocorrer em diversos contextos, porém o contexto mais comum é o social, através da discriminação social, cultural, étnica, política, religiosa, sexual ou etária, que podem, por sua vez, levar à exclusão social.
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Na esfera do direito, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, de 1966, em seu artigo 1º, conceitua discriminação como: “Qualquer distinção, exclusão ou restrição baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, económico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública.” Deve-se destacar que os termos "discriminação" e "preconceito" não se confundem, apesar de que a discriminação tenha, muitas vezes, sua origem no preconceito. Ivair Augusto Alves dos Santos afirma que o preconceito não pode ser tomado como sinónimo de discriminação, pois esta é fruto daquele, ou seja, a discriminação pode ser provocada e motivada por preconceito. Diz ainda que: “Discriminação é um conceito mais amplo e dinâmico do que o preconceito. Ambos têm agentes diversos: a discriminação pode ser provocada por indivíduos e por instituições e o preconceito, só pelo indivíduo. A discriminação possibilita que o enfoque seja do agente discriminador para o objeto da discriminação. Enquanto o preconceito é avaliado sob o ponto de vista do portador, a discriminação pode ser analisada sob a ótica do receptor.”
Homofobia Homofobia (homo, pseudoprefixo de homossexual, fobia do grego φόβος "medo", "aversão irreprimível") é uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação a pessoas homossexuais, bissexuais e, em alguns casos, contra transgêneros e pessoas intersexuais. As definições para o termo referem-se variavelmente a antipatia, desprezo, preconceito, aversão e medo irracional. A homofobia é observada como um comportamento crítico e hostil, assim como a discriminação e a violência com base na percepção de que todo tipo de orientação sexual não-heterossexual é negativa. Entre as formas mais discutidas estão a homofobia institucionalizada (por exemplo, patrocinada por religiões ou pelo Estado), a lesbofobia (a homofobia como uma intersecção entre homofobia e sexismo contra as lésbicas), e a homofobia internalizada, uma forma de homofobia entre as pessoas que experimentam atração pelo mesmo sexo, independentemente de se identificarem como LGBT. Em um discurso de 1998, a autora, ativista e líder dos direitos civis, Coretta Scott King, declarou: "A homofobia é como o racismo, o anti-semitismo e outras formas de intolerância na medida em que procura desumanizar um grande grupo de pessoas, negar a sua humanidade, dignidade e personalidade."[9] Em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.[10] Em maio de 2011, em referência ao Dia Internacional contra a Homofobia, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declarou: "[...] Em última análise, a homofobia e a transfobia não são diferentes do sexismo, da misoginia, do racismo ou da xenofobia. Mas enquanto essas últimas formas de preconceito são universalmente condenadas pelos governos, a homofobia e a transfobia são muitas vezes negligenciadas. A história nos mostra o terrível preço humano da discriminação e do preconceito. Ninguém tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito. [...]"
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Cultura de paz
Texto complementar Casal homossexual adota criança após 6 anos de processo na Justiça Emanuele recebeu certidão garantindo ser filha de Joyce e Magna. Documento foi emitido no cartório no dia 15, em Santana, no Amapá. Após 6 anos de luta na Justiça, um casal homossexual de Santana, município a 17 quilômetros de Macapá, conseguiu adotar uma criança. A técnica em enfermagem Joyce Nazário, de 37 anos, e a professora Magna Luz, de 52 anos, agora têm os nomes na certidão de nascimento da filha, a pequena Emanuele Luz, de 8 anos. O documento foi emitido na quinta-feira (15). A criança já era criada pelo casal desde os 10 meses de vida. Emanuele é filha biológica do irmão de Joyce, Eglison Nazário, que morreu em 2013. Em 2010 ele teria oferecido a filha para ser adotada pelas duas mulheres. O nome dele foi mantido na certidão da criança. “A gente queria muito ter esse papel. Mas a gente já tinha lutado tanto que chegamos a pensar que não conseguiríamos. E isso não iria fazer diferença, porque o que vale é todo o amor, carinho e a atenção que demos a ela”, comentou Joyce. O processo judicial iniciou em 2010, quando Eglison ainda era vivo. A mãe biológica da criança não queria inicialmente que o nome dela fosse retirado do documento de Emanuele. Em 2013, o irmão de Joyce morreu e, depois de 2 anos, a mãe concordou com a adoção. “Eu acho que depois da morte dele [Eglison], ela [mãe biológica] analisou que era algo que ele queria muito. Ela nos procurou, querendo fazer valer a vontade dele. Graças a Deus teve a audiência, e eu só tive a reação de chorar. Eu achei tão nobre da parte dela de abrir mão da Emanuele”, disse Magna. Agora, tendo como filiação Joyce, Magna e Eglison, Emanuele tem uma nova data para celebrar o aniversário de vida. “Ela disse que nasceu nesse dia. Essa é mais uma data para comemorar”, acrescentou Joyce. O registro foi um dos primeiros no Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), segundo a juíza titular da Vara da Infância e Juventude de Santana, Larissa Noronha. “As famílias homoafetivas são exemplares na construção de família através da adoção. O que mais temos no cadastro de pessoas habilitadas para a adoção são casais homoafetivos ou pessoas solteiras,
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mesmo homossexuais, mas isso não faz diferença para nós na hora da adoção. O que faz a diferença é o amor e os cuidados dispensados por estas famílias”, descreveu a juíza. Fonte: G1. Disponível em: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2016/09/casal-homossexual-adota-crianca-apos-6-anos-de-processo-na-justica.html>. Acesso em: 19 dez. 2016.
Texto II Pela primeira vez, STF reconhece direito de adoção por casais homossexuais Documento assinado pela ministra Carmen Lúcia diz que "a Constituição Federal não faz a menor diferenciação" entre casais heterossexuais e homoafetivos Em uma decisão histórica e inédita, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, reconheceu o direito de um casal homossexual de adotar uma criança. É a primeira vez que o STF se posiciona favoravelmente sobre o assunto. O acórdão, referente à decisão de 5 de março, foi publicado apenas nesta quinta-feira - e fez com que os mineiros Toni Reis e David Harrad saíssem imediatamente para comemorar. – Estamos felizes demais com essa decisão da ministra, que, de uma vez por todas, dá fim à discussão. Nós somos uma família, sim – comemora Toni, professor de 50 anos, casado com o tradutor David há 25 anos. David Coimbra: "meu pai não foi um bom pai, e era machão" Adriana Franciosi: "agora me vêm estes pastores dizer que gay é antinatural" O que pensam os deputados federais gaúchos sobre temas polêmicos De acordo com a jurista Maria Berenice Dias, integrante do Instituto Nacional de Direito de Família, a posição do STF se destaca por abrir um precedente que deve ser levado em consideração nos próximos processos sobre o mesmo assunto – jurisprudência vinculante, nos termos técnicos. – Isso é importante, principalmente num momento em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tenta desencavar de maneira retrógrada o projeto do Estatuto da Família. Eu espero que refreie essa tendência conservadora. A adoção já vem sendo admitida, juízes têm habilitado casais homossexuais a adotar, mas a Corte Suprema ainda não havia se manifestado. E o Supremo é o Supremo. Estabelece uma jurisprudência que acaba sendo vinculante – avalia jurista, conhecida por defender os direitos dos homossexuais.
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Cultura de paz O último grande passo da justiça brasileira nos direitos homossexuais foi dado em 2011, quando o STF julgou a legalidade da união estável entre duas pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, com direitos e deveres iguais aos da união estável heterossexual. Como a Constituição prevê a conversão da união estável em casamento, abriu-se a possibilidade de consolidação do casamento gay. Em 2006, o Tribunal de Justiça gaúcho já havia admitido a adoção por duas pessoas do mesmo sexo, o que foi confirmado pelo STJ só em 2010. Cunha diz não achar "correta" a adoção por casais homossexuais Padronização nas regras do casamento gay completa um ano Casal em Babilônia reacende debate sobre direitos dos homossexuais O processo de Toni e David corre desde 2005. Desde lá, os dois passaram por uma série de tribunais, gastaram em advogados, viajaram a Brasília, conversaram com juristas influentes e acabaram chegando ao STF. Em primeira instância, ainda no Paraná, tiveram concedido o direito de adotar uma criança do sexo oposto e com mais do que 12 anos. Acharam as restrições preconceituosas e recorreram ao Tribunal de Justiça, que derrubou o limite mínimo de idade, mas acabou sendo barrado pelo Ministério Público, que embargou a decisão. Foram, então, ao Supremo Tribunal de Justiça, onde o processo ficou engavetado por cinco anos. Acabaram chegando, enfim, ao STF, onde tiveram, enfim, o direito garantido. Agora, podem escolher a criança que quiserem – ainda que isso não deva ser necessário. Toni e David já têm três filhos: Alysson, 14 anos, Jéssica, 11 anos, e Filipe, nove anos. Eles foram adotados nesse vai e volta nos tribunais, após processos que correram no Rio de Janeiro, sob o comando da juíza Mônica Labuto. – Agora, fizemos ligação de trompas. A gente até adotaria mais, porque coração de pai é como coração de mãe, sempre cabe mais um. Mas, até por causa da questão financeira, agora chega – brinca o professor. Levy Fidélix é condenado a pagar R$ 1 milhão por declarações homofóbicas Moisés Mendes: "eu pago a consulta de Levy Fidélix" A cada hora, um gay sofre violência no Brasil Ao atender à ligação da reportagem, Toni já foi avisando que estava em uma mesa de bar cercado de amigos, todos comemorando a conquista do casal. Mais tarde, iria se encontrar com o marido, buscar Jéssica no balé, Filipe no futebol e Allyson no natação. Todos rumariam para uma pizzaria ali perto, para celebrar. Nos próximos dias, o casal deve celebrar os 25 anos de união. A mestre de cerimônias será Maria Berenice.
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– Tudo isso é muito importante para que a gente se sinta cidadão por completo, e não pela metade. É bacana ser reconhecido pelo Estado, porque somos vistos como algo tão errado, que não pode, que não existe... A única coisa que a gente quer é ser feliz. Já estávamos sendo, mesmo sem permissão. Agora, com o STF do nosso lado, quero ver quem vai ser contra. Porque uma coisa é certa: nós somos uma família, querendo ou não – diz, enquanto o barulho da comemoração ao fundo vai crescendo. Leia na íntegra a decisão do Supremo Tribunal Federal que garante o direito de adoção a Toni Reis e David Harrad, publicado em 19 de março de 2015: “A Constituição Federal não faz a menor diferenciação entre a família formalmente constituída e aquela existente ao rés dos fatos. Como também não distingue entre a família que se forma por sujeitos heteroafetivos e a que se constitui por pessoas de inclinação homoafetiva. Por isso que, sem nenhuma ginástica mental ou alquimia interpretativa, dá para compreender que a nossa Magna Carta não emprestou ao substantivo “família” nenhum significado ortodoxo ou da própria técnica jurídica. Recolheu-o com o sentido coloquial praticamente aberto que sempre portou como realidade do mundo do ser. Assim como dá para inferir que, quanto maior o número dos espaços doméstica e autonomamente estruturados, maior a possibilidade de efetiva colaboração entre esses núcleos familiares, o Estado e a sociedade, na perspectiva do cumprimento de conjugados deveres que são funções essenciais à plenificação da cidadania, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho. Isso numa projeção exógena ou extramuros domésticos, porque, endogenamente ou interna corporis, os beneficiários imediatos dessa multiplicação de unidades familiares são os seus originários formadores, parentes e agregados. Incluído nestas duas últimas categorias dos parentes e agregados o contingente das crianças, dos adolescentes e dos idosos. Também eles, crianças, adolescentes e idosos, tanto mais protegidos quanto partícipes dessa vida em comunhão que é, por natureza, a família. Sabido que lugar de crianças e adolescentes não é propriamente o orfanato, menos ainda a rua, a sarjeta, ou os guetos da prostituição infantil e do consumo de entorpecentes e drogas afins. Tanto quanto o espaço de vida ideal para os idosos não são os albergues ou asilos públicos, muito menos o relento ou os bancos de jardim em que levas e levas de seres humanos abandonados despejam suas últimas sobras de gente. Mas o comunitário ambiente da própria família. Tudo conforme os expressos dizeres dos artigos 227 e 229 da Constituição, este último alusivo às pessoas idosas, e, aquele, pertinente às crianças e aos adolescentes.
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Cultura de paz Assim interpretando por forma não-reducionista o conceito de família, penso que este STF fará o que lhe compete: manter a Constituição na posse do seu fundamental atributo da coerência, pois o conceito contrário implicaria forçar o nosso Magno Texto a incorrer, ele mesmo, em discurso indisfarçavelmente preconceituoso ou homofóbico. Quando o certo – data vênia de opinião divergente – é extrair do sistema de comandos da Constituição os encadeados juízos que precedentemente verbalizamos, agora arrematados com a proposição de que a isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos somente ganha plenitude de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada família. Entendida esta, no âmbito das duas tipologias de sujeitos jurídicos, como um núcleo doméstico independente de qualquer outro e constituído, em regra, com as mesmas notas factuais da visibilidade, continuidade e durabilidade." Fonte: ZH. Disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/03/pela-primeira-vez-stf-reconhece-direito-de-adocao-por-casais-homossexuais-4722282.html>. Acesso em: 19 dez. 2016.
Não violência A não-violência é a maior força disponível da humanidade. É mais poderosa do que a arma mais poderosa de destruição já criada pela ingenuidade do homem.” (Mahatma Gandhi) Não violência (do sânscrito ahimṣā, "não violência", "ausência de desejo de ferir ou matar") é a prática pessoal de não causar sofrimento a si próprio ou a outros seres sob qualquer circunstância. Ela surgiu da crença de que ferir pessoas, animais ou o meio ambiente não é necessário para se conseguir vantagens. Se refere a uma filosofia geral de abstenção da violência, tendo, como base, princípios religiosos, espirituais e morais. Mahavira (599-527 a.C.), o 24º tirthankara do jainismo, introduziu o conceito de "não violência" para o mundo, aplicando-o em sua própria vida. Ele ensinava que, para se obter o nirvana, era necessário se abster da violência. O conceito também possui elementos ativistas, como quando é usado como instrumento de mudança social. Neste sentido, o termo é, comumente, associado à luta pela independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi, e à luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos, liderada por Martin Luther King Jr. O movimento ocorrido na Índia foi fortemente influenciado pelos princípios da religião jainista, pelas ideias de desobediência civil de Henry David Thoreau e do anarquismo cristão de Leon Tolstói. O exemplo indiano inspirou uma série de ações que ocorreram nas décadas seguintes. Na década de 1960, a campanha não violenta de Cesar Chavez lutou contra o tratamento infligido aos trabalhadores rurais da Califórnia.
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A não violência também inspirou a Revolução de Veludo na Checoslováquia, em 1989. Mais recentemente, a campanha não violenta de Leymah Gbowee e das mulheres da Libéria conseguiu interromper uma guerra civil que já durava catorze anos. Embora a não violência seja, frequentemente, confundida com passividade e pacifismo, tal associação é rejeitada pelos ativistas adeptos da não violência. Não violência é a ausência de violência e se refere à opção de se causar pouco ou nenhum dano, enquanto que passividade significa não fazer nada. A não violência pode ser passiva em alguns casos, e ativa em outros. Uma mesma pessoa pode, contraditoriamente, defender a não violência em alguns casos e ser violenta em outras situações. Por exemploṣ opositores ao aborto ou à alimentação carnívora podem, eventualmente, matar um realizador de abortos ou atacar um abatedouro de animais, o que as classificaria como pessoas violentas.
Texto complementar Gandhi e a comunicação não violenta Não violência é um termo utilizado para se referir a um conjunto de teorias que acreditam na rejeição da violência no que se refere à conquistas sociais e políticas na sociedade. Foi idealizada por Mahatma Gandhi, que tinha por objetivo tornar a Índia independente da Inglaterra utilizando este princípio. Por envolver diversos assuntos como poder, natureza humana e moral, é um tema muito discutido, tendo a total aprovação de alguns e o repúdio de outros. Outro termo utilizado para designar a não-violência é pacifismo. Na segunda metade do século XX, a denominação foi usada para explicar movimentos e conflitos de cunho ideológico e político que não faziam uso da violência. A associação mais intrínseca do termo não-violência é feita com a luta da Índia para se tornar independente da Inglaterra. À frente desta ideia encontrava-se Mahatma Gandhi, que fundou o moderno Estado indiano. Outro episódio ligado ao termo é a luta dos norteamericanos pela conquista dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, simbolizada pelos discursos e atitudes de Martin Luther King, ativista político e pastor protestante. A não-violência foi originada pelos princípios presentes na ahimsâ, ética religiosa utilizada pelo jainismo e com presença marcante nas culturas budistas e hinduístas. Implica na constante rejeição de qualquer tipo de violência e prega que o homem respeite não apenas os seres de sua espécie, mas todas as formas de vida. Desta forma, Mahatma Gandhi, utiliza-se das teorias da ahimsâ e torna a não-violência mais popular. Nas palavras de Gandhi: "A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais ativa contra o mal que a Lei de talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvi-
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Cultura de paz mento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará de seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o fato de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... " A divulgação da não-violência foi difundida na Inglaterra por dois periódicos: “Harigan” e “Young India”, publicados por mais de 30 anos na Terra da Rainha. Na década de 70, em países com a França e os Estados Unidos, a ideologia da não-violência influenciou na formação de movimentos como o sit in (fique sentado).
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A OMS (Organização Mundial de Saúde) indica cinco horas por semana de atividade motora para crianças e adolescentes”
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CAPÍTULO 4 O papel do esporte
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Cultura de paz O esporte é um fenômeno social complexo. Definimos dessa forma pela sua abrangência e inserção social. Palavras derivadas de ações esportivas são utilizadas nos meios empresariais como equipe, time, recorde, marcação cerrada, entre outros. Nos momentos de lazer a presença da linguagem provinda do esporte é ainda mais evidente. Dessa inserção da linguagem no cotidiano e nas várias formas de relação sociais vem à força do esporte. A comunicação é muito importante para vivermos em sociedade, logo, se certo tipo de símbolo típico do esporte é reproduzido em vários contextos sociais, ocorre o que denominamos de esportivização da sociedade contemporânea.
Na Antiguidade, as práticas esportivas não se pareciam com as que conhecemos hoje. Em razão disso, eram conceituadas como práticas pré-esportivas. Algumas eram úteis para a sobrevivência do homem, como a corrida e a caça. Outras eram mais uma preparação para guerras, como a esgrima e as lutas (TUBINO, 2010). Muitas dessas práticas pré-esportivas do Esporte Antigo desapareceram com o tempo. Outras se transformaram em Esportes Autótonos, que podem ser considerados “esportes puros”, isto é, esportes que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem receber influências de outras culturas. Quando os Esportes Autótonos permanecem como prática, mas com modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados Esportes ou Jogos Tradicionais.
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Os jogos gregos são considerados como as primeiras manifestações esportivas. Eram “festas populares, religiosas, verdadeiras cerimônias pan-helênicas, cujos participantes eram as cidades gregas” (TUBINO, 2010, p. 22). Os Jogos Olímpicos da Antiguidade, principal manifestação esportiva de toda a Antiguidade, eram celebrados em Olímpia, Élida, num bosque sagrado chamado “Altis”, em homenagem a Zeus Horquios, a cada quatro anos. Esses Jogos eram anunciados pelos arautos e desenvolvidos pelos helenoices. As principais provas eram: corrida de estádio, corrida do duplo estádio, corrida de fundo, luta, pentatlo, corrida das quadrigas, pancrácio, corrida de cavalos montados, corrida com armas, corrida de bigas, pugilato e outras (TUBINO, 2010, p. 22). As práticas esportivas passaram a ser relacionadas a lutas violentas e até mortais. Apostas referentes aos resultados de lutas, corridas curtas, etc. motivaram o público nos séculos XVIII e XIX.
Texto complementar O papel do esporte no desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens Falar de esporte, de educação, de corpo e movimento. Muitos jargões e lugares-comuns são largamente conhecidos e repetidos – alguns deles são mitos, outros verdades. Porém a maior verdade de todas é: o impacto do esporte no desenvolvimento integral de TODAS as DIFERENTES crianças e jovens depende da forma como é conduzido e também do ambiente. Esses são os princípios básicos e o ponto de partida para estruturar uma ação de esportes para crianças e jovens. Porque o esporte é um fenômeno cultural amplo, que envolve manifestações distintas entre si, como uma disputa olímpica realizada por atletas da elite esportiva e uma aula de Educação Física numa escola de Ensino Fundamental. O que está envolvido num jogo do campeonato brasileiro de futebol é totalmente diferente do que acontece numa pelada entre amigos no fim de semana. Assim como um corredor profissional numa São Silvestre, na chegada em plena avenida Paulista, pode até cruzar com um casal pedalando na faixa de ciclistas, mas eles estarão fazendo coisas que guardam pouca relação entre si. As diferentes manifestações esportivas apresentam diferentes objetivos e impactos esperados. A competição de elite objetiva resultado e a mais alta performance possível. O esporte como lazer e condicionamento físico tem como impacto saúde, convivência e qualidade de vida. E o esporte para crianças e jovens, na escola ou a partir da escola, tem como objetivo o desafio de atender a todos, garantindo o direito previsto na legislação brasileira. Costumo dizer que existe o esporte de cada um, de acordo com o perfil, a expectativa e os objetivos pessoais – aspectos que também se transformam a cada fase da vida. Para alcançar objetivos e resultados
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Cultura de paz tão diferentes, temos que lançar mão da mesma variedade em termos de estratégias. As pessoas têm, durante a vida, diferentes oportunidades e vivências do corpo em movimento, com o desenvolvimento de habilidades e capacidades físicas, cognitivas e socioafetivas, ou não. Porque só se beneficia quem pratica. A OMS (Organização Mundial de Saúde) indica cinco horas por semana de atividade motora para crianças e adolescentes: uma hora por dia, que pode ser dividida durante a rotina diária. Jogar, brincar, realizar rotinas motoras simples e complexas, são muitas as possibilidades. Essa é a carga de atividade semanal ideal para que se desenvolvam as bases motoras e atitudinais que contribuirão para que essas crianças e jovens se mantenham ativos, seja pelo desenvolvimento do hábito e do estilo de vida, seja pela formação motora qualificada, que lhes proporcionarão ferramentas para aproveitar todas as oportunidades e para se adaptar a cada ambiente e fase da vida. Para os adultos, a indicação é de 120 a 150 minutos semanais. Segundo a Ipsos, 72% da população brasileira é sedentária, e entre as pessoas de 16 a 24 anos a porcentagem é de 62%. É fato que precisamos avançar em termos de oportunidades para a prática motora, pois os benefícios são muitos. Pesquisas internacionais mostram que os impactos são sentidos a cada fase da vida: 90% menos probabilidade de obesidade infantil; desempenho escolar até 40% maior; menor relação com fumo, drogas, gravidez e sexo de risco; 15% mais probabilidade de ir para a faculdade; menos despesas com saúde; e em média pessoas ativas vivem 5 anos a mais. Como vemos a seguir, o esporte desenvolve diferentes capitais humanos: físico, intelectual, emocional, social, individual e financeiro. Físico – habilidades e destreza motora, condicionamento cardiorrespiratório, força, saúde dos ossos e das articulações, sistema imunológico, sono, alimentação, prevenção de doenças. Intelectual – desempenho escolar, compromisso com a cidade de raciocínio, memória, flexibilidade mental, atenção/controle do impulso, controle do Distúrbio Atenção (DDA) na infância, administração do declínio a idade.
escola, veloconcentração/ de Déficit de cognitivo com
Emocional – melhorias em diversão/alegria/satisfação, autoestima, autoimagem, motivação, humor, prevenção de stress/depressão/ ansiedade. Social – normas sociais, rede de relacionamentos, compromisso social, confiança/trabalho em equipe/colaboração, igualdade de gêneros e diversidades, igualdade para pessoas com deficiência, contraponto ao crime, inclusão e aceitação, unir as diferenças, segurança e apoio.
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Individual – aprender a aprender, experiências sociais e de vida, espírito esportivo, gestão do tempo, estabelecimento de metas, iniciativa e liderança, respeito e solidariedade, entusiasmo, disciplina, controle, persistência, coragem. Financeiro – melhor renda, produtividade, desempenho no trabalho, ânimo, compromisso, redução de assistência médica e faltas. Fonte: Educação & Participação. Disponível em: https://educacaoeparticipacao.org. br/materiais/o-papel-do-esporte-no-desenvolvimento-integral-de-criancas-adolescentes-e-jovens/>. Acesso em: 19 dez. 2016.
O esporte como medida socioeducativa Adolescentes que cumprem medidas socioeducativas encontram a superação no esporte
Superar limitações a cada obstáculo faz parte do cotidiano de todo esportista. Quando se está privado de liberdade, essa prática se torna ainda mais significativa para quem espera a liberdade com dignidade. Com esse objetivo os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas participaram da programação voltada ao esporte, cultura e lazer realizada pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) entre os dias 24 e 28.03 em todas unidades de internação e semiliberdade. Um exemplo foi a “I Semana Fitness” da Unidade de Atendimento Socioeducativo de Ananindeua (UASE
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Cultura de paz Ananindeua) onde os socioeducandos receberam a visita da Federação Paraense de Triathlon e o convite para competirem representando o Estado. “Eu recebi uma oportunidade e aprendi que a gente cresce com o nosso próprio esforço”, disse Marcelo (nome fictício), 18 anos, que ganhou o prêmio revelação da Semana Fitness e está há seis meses na UASE Ananindeua. Atualmente, ele treina futebol nas categorias de base do Paysandu. “Eu sempre gostei de atividade física. Isso me ajudou muito aqui”, contou o socioeducando demonstrando sua emoção ao ser premiado. Ao longo do ano, os internos praticam atividades esportivas dentro das rotinas pedagógicas das UASES. No entanto, no período do recesso escolar da Secretaria de Educação do Pará (Seduc), essas atividades são intensificadas e continuarão até o retorno das aulas. Durante a semana, 38 internos participaram das atividades, entre elas triathlon, futsal, vôlei, natação, outras. As competições foram realizadas na Uase Ananindeua e no Núcleo de Cultura, Artes, Lazer e Desporto (Apoena). “Os adolescentes gostaram muito. É gratificante ver que eles não competiram no sentido de rivalidade, mas buscaram o equilíbrio emocional“, explicou a educadora esportiva, Patrícia Nascimento, uma das coordenadoras do evento. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), toda criança e adolescente tem direito à prática de atividade esportiva visando ao desenvolvimento saudável do organismo. Fonte: Fasepa. Disponível em: http://www.fasepa.pa.gov.br/?q=node/623. Acesso em: 19 dez. 2016.
Valores do esporte para a educação Cada vez mais os esportes vêm revolucionando as escolas do país. A preocupação no ensino vem crescendo e uma maneira de incentivo aos nossos alunos é buscar o desenvolvimento nos esportes. Por isso, a importância do esporte na educação. A prática esportiva como instrumento educacional visa o desenvolvimento integral das crianças, jovens e adolescentes, capacita o sujeito a lidar com suas necessidades, desejos e expectativas, bem como, com as necessidades, expectativas e desejos dos outros, de forma que o mesmo possa desenvolver as competências técnicas, sociais e comunicativas, essenciais para o seu processo de desenvolvimento individual e social. O esporte, como instrumento pedagógico, precisa se integrar às finalidades gerais da educação, de desenvolvimento das individualidades, de formação para a cidadania e de orientação para a prática social. O campo pedagógico do Esporte é um campo aberto para a exploração de novos sentidos/significados, ou seja, permite que sejam explorados pela ação dos educandos envolvidos nas diferentes situações. Além de ampliar o campo experimental do indivíduo, cria obrigações, estimula a personalidade intelectual e física e oferece chances reais de integração social. Em meio a estas descobertas do esporte o que vem revolucionando hoje em dia as escolas é o chamado Esporte Radical. A adrenalina, emoção e o prazer de se exercitar nesta aventura faz com que o aluno alcance diferentes maneiras de aprender um movimento e de se integrar ao meio social. Ensinar a prática de esportes radicais é preparar o aluno para executar determinadas habilidades por meio da descoberta do prazer de se exercitar. Tudo isso envolvendo segurança, bons profissionais e educadores sempre por perto.
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Para a criança ou adolescente estar em contato com a adrenalina, natureza e aventura é o modo de desenvolver outras habilidades e nesta hora que é mostrado o potencial de cada um. Através destas aulas é possível adequar as disciplinas dadas em sala de aula, mostrando e fazendo com que a criança se desenvolva melhor.
Texto complementar O incentivo à prática do esporte como forma de inclusão social O esporte é uma importante arma social para melhor desenvolvimento da nação, visando aproximar os povos e fazer com que estes exercitem não somente o corpo, mas também a mente, para que possam obter resultados mais expressivos na sua vida, seja ela profissional, estudantil ou dedicada ao lazer. Segundo a definição do dicionário Houaiss, “esporte é a atividade física regular, com fins de recreação e/ou manutenção do condicionamento corporal e da saúde”. A prática regular do esporte, além de uma vida mais saudável, proporciona ao praticante, uma forte inclusão social, que inclui um ciclo de amizades e diversão. O Deputado Federal Valadares Filho[1], -PSB/SE, propôs uma emenda à Constituição que pretende incluir o esporte no rol dos direitos sociais, previstos no artigo 6º de nossa Carta Magna. No texto da PEC 201/2007, o Deputado, com méritos, afirma que: “A importância do esporte é reconhecida universalmente e sua prática raramente deixa de beneficiar o seu praticante – seja criança, jovem, adulto ou idoso – com uma boa saúde física e mental. Todos os esportes são bons e o seu uso depende de como praticá-lo e sua finalidade.” A inserção do esporte no artigo 6º da Constituição Federal brasileira seria de suma importância para a sociedade em geral, pois como um direito social garantido constitucionalmente, teria sua prática fomentada não só pelo Estado como pela sociedade empresária. Há quem acredite que o esporte somente está contido no âmbito do lazer; entretanto, este tem se tornado cada vez mais profissionalizado e atingido proporções significativas em curto espaço de tempo. Não somente no futebol, esta evolução se reflete outras modalidades, que também estão deixando o amadorismo. Um exemplo de que o esporte está atingindo grandes dimensões é o elevado número de cursos voltados para a área esportiva, que exige profissionais altamente capacitados, nos ramos da Medicina, Fisioterapia, Nutrição, Administração de empresas, Educação física, entre outros.
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Cultura de paz O profissional do Direito é elemento fundamental nesta multidisciplinaridade, uma vez que até uma justiça especializada foi criada para solucionar problemas que dizem respeito ao esporte. A Justiça Desportiva possui autonomia para processar os casos relativos à matéria sem recorrer à Justiça Comum, que só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada no art. 52, § 2º, Lei nº 6915/98( Lei Pelé). 2. Incentivo público e a evolução do esporte no Brasil. O esporte no Brasil vem recentemente recebendo apoio dos órgãos públicos, que estão investindo diretamente no esporte e criando leis que incentivam e facilitam o investimento em entidades desportivas, que repassarão os investimentos recebidos para a melhoria do esporte. Existem como exemplos a Lei 10.264/01 e a Lei 11.438/06 (Lei de Incentivo ao Esporte), alterada pela Lei 11.472/2007. A Lei n° 10.264/01, conhecida como Lei Agnelo/Piva, sancionada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu este nome em homenagem a seus dois autores, o então Deputado Federal e ex Ministro do Esporte, Agnelo Queiroz (PC do B-DF), e o então Senador Pedro Piva (PSDB-SP). Tal Lei acrescentou incisos e parágrafos ao artigo 56 da Lei nº 9.615, de 24 de março de1988, e estabeleceu que 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do país fossem repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). Do total de recursos repassados, 85% são destinados ao COB e 15%, ao CPB. Do montante destinado ao Comitê Olímpico Brasileiro, 10% devem ser investidos no esporte escolar e 5%, no esporte universitário. A Lei 11.438, de 29 de dezembro de 2006, alterada pela Lei 11.472, de 2 de maio de 2007, dispõe que, até o ano de 2015, poderão ser deduzidos do imposto de renda devido por pessoas físicas e por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, os valores despendidos a título de patrocínio ou doação, no apoio direto a projetos desportivos e paradesportivos previamente aprovados pelo Ministério do Esporte. Assim, a pessoa jurídica poderá descontar 1% e a pessoa física até 6% do valor devido no Imposto de Renda (art. 1°, §1º, incisos I e II da Lei 11.472/2007). As entidades interessadas em receber o incentivo passarão por uma avaliação de uma comissão vinculada ao Ministério do Esporte, e, após serem devidamente aprovadas, estarão disponíveis para receber o benefício, que pode ser feito sob a forma de patrocínio ou doação. Além de aprovação prévia do Ministério do Esporte, é importante frisar que os projetos deverão promover a inclusão social por meio do esporte, preferencialmente em comunidades de vulnerabilidade social.
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Com o incentivo, espera-se que o esporte, assim como a qualidade de vida dos moradores das comunidades diretamente envolvidas, evolua, pois uma criança que pratica esportes regularmente cresce com mais saúde; relaciona-se melhor com a sociedade; tem um rendimento melhor na escola, pois tem maior disposição para estudar e maior facilidade para relacionar-se com pessoas do ambiente escolar; e consequentemente se afastam do mundo do crime e das drogas. O somatório destas características proporciona a formação de um cidadão que muito será útil para o progresso do país. Os investimentos provenientes do poder público e os benefícios que as Leis 11.438/06 e 10.264/01 proporcionam estão se convertendo em satisfatórios resultados no esporte profissional, visto que o desempenho do Brasil está cada vez mais convincente nas mais variadas competições esportivas. Analisando os resultados das diversas competições, temos que a média de medalhas do Brasil nos jogos olímpicos cresceu cerca de 25%, da década de 1990 para a primeira década dos anos 2000. Enquanto nos jogos olímpicos dos anos 1990 o Brasil obteve uma média de 9 medalhas por edição, nas três primeiras olimpíadas do anos 2000 o Brasil conseguiu uma média superior a 12 medalhas por edição dos jogos. Nos jogos olímpicos de Atenas, na Grécia em 2004, os primeiros jogos que o Brasil disputou após a aprovação da Lei 10.264/01 foram justamente os jogos em que o Brasil fez sua melhor campanha na história das Olimpíadas, ocupando a 16º colocação no geral. Nas Paraolimpíadas, o desempenho brasileiro também melhorou: em 2004 o país conquistou 33 medalhas, sendo 14 de ouro, 12 de prata e 7 de bronze. Já em Pequim 2008, os atletas paraolímpicos conquistaram 47 medalhas para o Brasil: 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze. Os jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, foram os primeiros jogos que o Brasil participou após a entrada em vigor da Lei 11.438/06 (Lei de Incentivo ao esporte) e consequentemente os resultados foram bastante expressivos em relação ao último Pan-Americano realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, no ano de 2003. O número de medalhas de ouro para o Brasil quase dobrou de 2003 para 2007, sendo 56 medalhas de ouro neste ano e 29 naquele. No total, em 2003, o Brasil conquistou 123 medalhas; já em 2007 foram 163, e o terceiro lugar no quadro geral de medalhas, superando a tradicional delegação cubana em número de medalhas (163 medalhas para o Brasil 137 para os cubanos) e superando a delegação canadense no quadro geral. No parapan-Americano de 2007, também realizado no Rio de Janeiro, o Brasil conquistou 40% a mais de medalhas em relação à edição de 2003, em Mar Del Plata, Argentina. Enquanto a delegação brasileira conquistou 164 medalhas em solo argentino, em solo brasileiro
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Cultura de paz foram 228. O bom desempenho rendeu ao Brasil a primeira colocação geral no quadro de medalhas do parapan de 2007. Assim como as medalhas, o número de atletas representando o Brasil em competições esportivas vem crescendo continuamente, visto que, nas olimpíadas de 2004, o Brasil foi representado por 247 atletas, enquanto que nos jogos de 2008 foram 277 disputando medalhas para o Brasil. O desempenho do Brasil em competições esportivas está cada vez mais satisfatório; no entanto, segue aquém daquilo que o país pode obter. O advogado Marcos César Amador Alves[2], especialista em Direito Desportivo, em sábias palavras, tem posicionamento semelhante ao afirmar que: “Numericamente, a delegação do Brasil em jogos olímpicos ou pan-americanos assemelha-se à das maiores potências esportivas. Em nível qualitativo, no entanto, os melhores resultados ainda são extremamente isolados. A nova lei(lei de incentivo ao esporte) pode servir como vetor de impulsão e massificação das mais variadas atividades desportivas, inaugurando, neste sentido, um modelo de sustentabilidade até então impensável. 3. Conclusão A aprovação das Lei 10.264/01 e 11.438/06 pode proporcionar ao país uma posição de destaque entre as maiores potências esportivas do mundo. Do exposto, vê-se que o esporte no Brasil está evoluindo, e que os investimentos destinados ao esporte estão resultando em expressivas conquistas para o povo brasileiro. Tal comparação, numa análise mais subjetiva, também visa demonstrar que jovens atletas amadores podem, no futuro, se tornar atletas profissionais e representar o Brasil em grandes eventos esportivos. Tal incentivo é de expressa importância para o âmbito social. Fonte: Âmbito jurídico. Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/ index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=7467. Acesso em: 19 dez. 2016.
Paz no esporte O esporte é muito mais do que um luxo ou uma forma de entretenimento. O acesso ao esporte e a prática do esporte constituem um direito humano e essencial para que indivíduos de todas as idades conduzam uma vida saudável e plena. O esporte – desde a brincadeira e a atividade física até o esporte competitivo organizado - tem um papel importante em todas as sociedades. O esporte é fundamental para o desenvolvimento de uma criança. Ensina valores fundamentais, tais como a cooperação e
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o respeito. Traz melhorias para a saúde e reduz a probabilidade de doenças. É uma força econômica significativa que gera emprego e que contribui para o desenvolvimento local. Além disso, reúne indivíduos e comunidades, servindo de ponte entre as diferenças culturais e étnicas. O esporte oferece uma ferramenta bastante custo-efetiva para os desafios do desenvolvimento e da paz e ajuda a atingir as MDMs. O potencial do esporte como uma ferramenta para o desenvolvimento e a paz ainda precisa ser plenamente apreendido.
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Muitos dos valores fundamentais inerentes ao esporte são compatíveis com os princípios necessários para o desenvolvimento e para a paz, tais como o jogo justo, a cooperação, o compartilhar e o respeito. As habilidades para a vida aprendidas por intermédio do esporte ajudam a empoderar os indivíduos e aumentam o bem-estar psico-social, tal como maior resistência, auto-estima e os relacionamentos com outras pessoas. Estas características do esporte são benéficas a pessoas de todas as idades, mas são especialmente vitais ao desenvolvimento saudável dos jovens. No entanto, o esporte é um reflexo da sociedade. Deve-se reconhecer que o esporte, como muitos aspectos da sociedade, abrange simultaneamente alguns dos piores traços humanos, incluindo a violência, a corrupção, a discriminação, o vandalismo, o nacionalismo excessivo, roubar no jogo e o uso de drogas. Entretanto, estes aspectos negativos do esporte, de forma alguma prevalecem sobre seus benefícios positivos potenciais. A prática do esporte traz benefícios físicos significativos, contribuindo para a condução de vidas longas e saudáveis, melhorando o bem-estar, aumentando a expectativa de vida e reduzindo a probabilidade de diversas das principais doenças não-contagiosas, particularmente doenças do coração, diabetes e determinados cânceres. O esporte oferece também benefícios psico-sociais, tais como a promoção da integração social e o aprendizado de mecanismos de controle, assim como benefícios psicológicos, tais como a redução da depressão e melhoria na concentração. O esporte ainda aumenta as potencialidades humanas aumentando o conhecimento e contribuindo para a educação. Incorporar a educação física no currículo escolar e oferecer oportunidades de recreação melhora a capacidade de aprendizado de uma criança, com evidências que indicam também a melhoria da freqüência escolar e do desempenho geral. O esporte também educa as pessoas sobre o corpo, aumentando o nível de consciência e de respeito para com seus corpos e com os corpos dos outros, o que é um fator primordial para uma vida saudável e para a prevenção de doenças, como por exemplo o HIV/AIDS. Da mesma forma, a prática de esportes ao ar livre aumenta a consciência e o respeito com o meio ambiente, ensinando as pessoas sobre a importância de um meio ambiente limpo e saudável. O esporte é também um componente-chave da vida social, envolvendo diretamente as comunidades. Une as pessoas de uma maneira divertida e participativa. Ajuda a criar relações sociais, conexões e melhora a comunicação entre indivíduos e grupos. O esporte também mobiliza voluntários e promove a participação ativa da comunidade, ajudando a construir capital social e a fortalecer o tecido social. Os vínculos potenciais entre o esporte e a paz também são poderosos. Dos eventos internacionais aos comunitários, o esporte une os povos de uma maneira que consegue ultrapassar limites e barreiras,
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Cultura de paz fazendo do campo um local simples e freqüentemente apolítico para iniciar contato entre grupos antagônicos. Conseqüentemente, o esporte pode ser um fórum ideal para se recomeçar um diálogo social e transpor rivalidades, destacando as similaridades entre os povos e acabando com o preconceito A popularidade do esporte e seu poder de reunião e organização contribuem ainda mais para que o esporte seja uma voz poderosa para comunicar mensagens de paz e um local para atos públicos simbólicos nos níveis global e local. O esporte é um elemento eficaz nas iniciativas centradas na comunidade que objetivam criar a paz sustentável. Muitas das habilidades e dos valores aprendidos através do esporte são os mesmos ensinados na educação para a paz no sentido de resolver e impedir conflitos e criar as circunstâncias que conduzam à paz, desde o nível interpessoal até o internacional.8 Atividades esportivas bem trabalhadas ensinam o respeito, a honestidade, a comunicação, a cooperação, a empatia e como e por que respeitar regras. O esporte é uma maneira poderosa de comunicar estes valores, especialmente aos jovens, de uma maneira que seja divertida e participativa. Para refugiados, deslocados de guerra, órfãos e crianças que foram usadas como soldados, o esporte oferece um sentido de normalidade que fornece uma estrutura em ambientes desestabilizados e serve como meio de canalizar energias positivamente.
Esporte como um Direito Humano O esporte é mais do que um método prático para se atingir o desenvolvimento e a paz. A oportunidade de praticar e apreciar o esporte e a brincadeira é um direito humano que deve ser promovido e apoiado. O esporte e a brincadeira são, conseqüentemente, não somente um meio, mas também um fim. Embora o Escritório do Alto Comissário para Direitos Humanos (OHCHR) não tenha sido representado na Força Tarefa, houve um consenso sobre a importância de examinar o direito ao esporte e à brincadeira, especialmente dada a sua importância em diversos instrumentos-chave utilizados pelas agências envolvidas.9 O fato de que o esporte é um direito humano está expresso explicitamente no artigo 1o da Carta da Educação Física e do Esporte adotada pela UNESCO em 1978. A carta declara: " a prática da educação física e do esporte é um direito humano fundamental para todos." Ela reforça que toda pessoa tem o direito de participar no esporte, incluindo especialmente mulheres, jovens, pessoas idosas e portadores de deficiência. Da mesma forma, o direito de brincar de uma criança está disposto no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança, que reconhece " o direito da criança ao descanso e ao lazer, à brincadeira e a atividades de recreação apropriadas à idade da criança ". Este artigo continua, indicando que a criança não somente tem o direito de brincar; ela tem também o direito à provisão da oportunidade de brincar, exigindo que governos "incentivem a provisão de oportunidades apropriadas e iguais para a atividade cultural, artística, recreativa e de lazer.”
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CAPÍTULO 5
Diversidade e aceitação
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Cultura de paz A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por conter um extenso território, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.
Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, os imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, contribuíram para a pluralidade cultural do Brasil. Nesse contexto, alguns aspectos culturais das regiões brasileiras serão abordados.
Região Nordeste Entre as manifestações culturais da região estão danças e festas como o bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira. Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é outro elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representado pelos trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros.
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Região Norte A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém (PA); e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas. Outros elementos culturais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a folia de reis e a festa do divino. A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Outros alimentos típicos do povo nortista são: carne de sol, tucupi (caldo da mandioca cozida), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro.
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Região Centro-Oeste
A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, recebendo contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no estado de Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha, angu, cural, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros.
Região Sudeste Os principais elementos da cultura regional são: festa do divino, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó.
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Cultura de paz A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza, etc.
Região Sul
O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: o fandango de influência portuguesa, a tirana e o anuo de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho.
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Texto complementar Sociedade: Relações sociais, diversidade e conflitos No filme "Náufrago", Chuck Noland, vivido por Tom Hanks cai numa ilha deserta e passa a viver isolado do mundo. Para suportar essa situação de isolamento, cria Wilson, "um companheiro" - na verdade, uma bola de vôlei. Nessa ilha, consegue se alimentar, desenvolvendo habilidades para coletar frutos, pescar, fazer fogueira, etc. Será que conseguiríamos suportar uma situação de isolamento, sem ninguém para conversar? Será que aprenderíamos a obter alimentos? E se ficássemos doentes?
As relações sociais Os seres humanos não conseguem viver isoladamente. No decorrer de nossas vidas, vamos desenvolvendo uma série de habilidades para nos relacionar com o mundo que nos cerca. Assim formamos o nosso jeito de ser, nos desenvolvemos intelectualmente e aprendemos a viver com outras pessoas, das quais necessitamos para concretizar nossos projetos. A "descoberta" do mundo externo começa na família. A família é o primeiro grupo do qual cada um de nós participa. Depois, vem a escola. Esses dois grupos sociais influenciam bastante nossas vidas. Daí a importância deles na formação das pessoas. Desde o nosso nascimento, várias pessoas passam a fazer parte de nossas vidas e com elas vamos desenvolvendo muitos tipos de relações. Relacionamo-nos por amizade, por motivos de estudo, para participar de associações de diversos tipos (moradores de um bairro ou de um condomínio; um clube), para desenvolver atividades profissionais,etc.
Sociedade civil As relações entre as pessoas, entre os grupos sociais e as próprias pessoas e grupos formam a sociedade. É comum utilizar-se o termo sociedade civil para designar o conjunto de pessoas e grupos sociais (e suas relações) que compõem um país. Esse conjunto de pessoas e grupos sociais está sujeito a normas e regras, que podem estar escritas ou não. As normas e regras compõem a cultura de uma sociedade. Mas há muitos outros elementos formadores da cultura: as crenças, as artes, a música, as formas de se produzirem mercadorias e de se relacionar com a natureza, a culinária, as maneiras de se transmitir conhecimento, entre outros.
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Cultura de paz Tudo isso está presente no espaço geográfico e as características desse espaço dependem das características culturais de uma determinada sociedade.
Solidariedade e conflitos Nas relações sociais, desenvolvem-se, por diversos motivos, situações de solidariedade e de conflito. Os conflitos estão presentes nas relações entre as pessoas, seja porque elas são diferentes, seja porque têm objetivos e interesses diferentes. Eles ocorrem também entre grupos sociais ou entre sociedades de países diferentes. Freqüentemente, esses conflitos são o resultado do desrespeito às diferenças entre grupos e sociedades, da intolerância, do fato de sociedades quererem se sobrepor a outras e explorá-las de alguma forma - essa situação foi uma constante ao longo da história da humanidade.
Diversidades socioculturais Há diversos tipos de sociedade, cada qual com suas características, dependendo, principalmente, dos aspectos culturais de cada uma. Por exemplo, o povo Massai, que habita o sul do Quênia, no continente africano, dedica-se à criação de gado e à caça e vive em aldeias formadas por cabanas. Seu modo de vida, seus costumes, tradições e diversões são bastante diferentes das sociedades na qual a maior parte das pessoas vive em cidades, consome, sobretudo, produtos industrializados, utiliza diversos meios de transporte, dedica-se a atividades que dependem de energia elétrica. As características que acabamos de descrever referem-se às chamadas sociedades urbano-industriais. As características das sociedades urbano-industriais estão presentes, com certas variações culturais, em muitos países do mundo. Uma característica marcante dessas sociedades é a variedade dos meios de comunicação - televisão, rádio, jornal, revista, cinema, telefone, internet - e o papel que eles têm na difusão de informações, na formação ou transformação de hábitos e costumes, nas atividades profissionais, no lazer, na divulgação de idéias, no estudo etc.
As classes sociais Por fim, não podemos deixar de destacar que, dentro de cada sociedade, também existem muitas diferenças. Elas são de diversos tipos, principalmente nas sociedades urbano-industriais - grupos de profissionais e de estudantes variados; pessoas que vivem no campo e outras que vivem nas cidades; entre outros. Uma diferença importante que existe nas sociedades refere-se às condições socioeconômicas.
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Olhando para as paisagens, percebemos diferentes condições de moradia, de alimentação, de transporte, de acesso à cultura, ao lazer, à educação, e, tudo isso, depende do rendimento que as pessoas obtêm. Em função disso, temos diferentes classes sociais. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, as diferenças entre as classes sociais que têm maior renda e as que têm menor renda são muito grandes; além disso, os mais pobres não conseguem satisfazer as necessidades básicas de alimentação, saúde, educação, transporte, moradia etc. Já nos países desenvolvidos, como a França, essas diferenças não são tão grandes e mesmo os que têm menor renda conseguem satisfazer as suas necessidades básicas. Fonte: UOL. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/sociedade-relacoes-sociais-diversidade-e-conflitos.htm. Acesso em: 19 dez. 2016.
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Mais sobre bullying e diversidade Você sabia que o bullying não é apenas quando alguém bate em você ou quando o valentão do pedaço chama você de nomes que você não gosta? O bullying é muito mais do que isso e existem diferentes tipos de bullying. São eles: 1. Bullying físico: Ou seja qualquer contato físico que possa ferir uma outra pessoa, tais como: bater, chutar, dar socos, etc Tomar algo que pertence a outra pessoa e destruir em seguida. Por exemplo, alguém que derruba você da bicicleta intencionalmente é bullying físico. Em escolas de ensino fundamental e médio, 30,5% dos casos de bullying é físico. 2. Bullying verbal: Xingamento, fazer comentários ofensivos, ou fazer piadas sobre a religião de uma pessoa, gênero, etnia, condição socioeconômica, ou a forma como eles olha para você e etc. 46,5% Dos casos de bullying nas escolas é do tipo verbal. A agressão verbal é quando um valentão provoca alguém diariamente.
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Cultura de paz 3. O bullying indireto: Inclui espalhar rumores ou histórias sobre alguém, contar aos outros sobre algo que foi dito para você em particular. Ou seja a fofoca pura e simples. Por exemplo: insinuar que alguém é gay, e etc. Bullying indireto é responsável por 18,5% de todo o bullying. 4. A alienação social: É quando se exclui alguém de um grupo de propósito. Crianças com síndromes são vítimas desse tipo de bullying . No ambiente do trabalho acontece muito também; tirar sarro de alguém, apontando suas diferenças também se caracteriza alienação social. 5. Intimidação: É quando um valentão ameaça alguém e essa pessoa fica assustada o suficiente para fazer tudo que o valentão quer. 6. Cyberbullying: É feito através do envio de mensagens, fotos ou informações por meios eletrônicos, computadores, telefones celulares e redes sociais e etc. Com o crescimento das redes sociais, como Facebook, Twitter, Instagram, esse tipo de bullying faz ainda mais estrago e em tempo recorde.
Textos complementares Texto I Relatos de bullying Atenção: a grafia dos depoimentos foram mantidas em sua coloquialidade, para respeitar a forma de expressão de cada um)
Caso 1 Por ser gordinho já sofri com apelidos, porém em casa sempre pude contar com o apoio de meus pais que me orientam até me passaram um video do RJTV – globo com uma reportagem completa a respeito de 26-10-2005 e o programa Malhação abordou o tema de forma bem agradável e assim pude ser forte o suficiente para superar este momento sem atritar corpo discente e docente da escola. O esclarecimento é muito importante. (Paulo)
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Caso 2 Felizmente não fui vítima do bullying, mas trabalhei com alunos que sofriam deste mal. Eram massacrados pelos colegas. Algumas crianças são vítimas da / na própria família. Penso que muitas vezes as pessoas não têm consciência do que estão fazendo ao outro, mesmo as crianças. (Cristina)
Caso 3 Fui alvo de gozação na minha infância. Cheguei até a isolar das pessoas, e principalmente dos meus amigos de classe. Foi algo tão sério e acredito ainda ter algumas marcas registradas no meu interior até nos tempos atuais. Acredito plenamente se naquele tempo alguém tivesse preocupado com o caso não teria tantos traumas na minha vida. É lamentavel o que vemos. Vamos nos unir e tentar evitar tantos atos negativos e ruins tomar rumos tão violentos. (Lúcia)
Caso 4 Sem saber do significado da expressão ou muito antes dela existir , eu me encaixo no perfil de sofrer esta “perseguição ” maldosa e discriminatória. Desde minha infância fui alvo de brincadeiras e gozações, muitas vezes fui excluído de eventos ou outras atividades. Graças a Deus sempre tive um suporte familiar, principalmente de minha Mama, que sempre me dizia : Destaque-se entre os melhores, não precisa ser o melhor mas apareça de forma positiva, seja sempre alegre e divertido, assim os fracos não terão argumentos para brincadeiras. (Prof. Oswaldo)
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Caso 5 “Uma criança com necessidades especiais foi discriminada em sala de aula, por motivo de chacota tornando-se assim muito agressiva. Todos o chamavam de “cabeção”. (Profª do Ensino Fundamental)
Caso 6 “Uma menina de cinco anos era rejeitada por seus colegas de classe devido ao sotaque nordestino e sua condição financeira. Com esta rejeição a menina não falava mais dentro da sala, não interagia com o grupo brincando sempre sozinha. (aluna de Pedagogia em sua observação no estágio)
Caso 7 Olá, meninas, quando criança o meu apelido era Ferrugem Podre por causa das sardas, mas não me incomodava, eu cresci e elas sumiram. O que está faltando entre as pessoas é amor ao próximo e respeito. (Profª Cristiane)
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Caso 8 Muito interessante este fato de abuso de poder. Isso aconteceu com meu filho de 10 anos há questão de alguns meses. Ele faltou num determinado dia na escola e a professora combinou que no dia seguinte seria levado um certo material ofertado por uma empresa, que foi emprestado para teste. Entretanto, meu filho não estava presente na sala de aula e não conversou com nenhum amiguinho durante aquele dia, só sabia de uma excursão que aconteceria no dia seguinte, planejada previamente. Chegando na escola, a professora ficou muito brava e disse que ele sempre se esquecia das coisas, que, como castigo, teria de levar o material até o fabricante e ficou repetindo a pergunta: “Quem sempre se esquece das coisas? Quem é o único da sala que faz isso?” até meu filho dizer: “Eu.” e pediu que repetisse em voz bem alta para os outros colegas ouvirem. A coordenação da escola comunicada do fato, disse ter chamado a professora e me pedia desculpas, visto que a professora mesmo confessou que “exagerou um pouquinho”. Achei que deveria ter sido punida. De qualquer maneira mudarei meu filho de escola no ano que vem. (Keila M.)
Caso 9 Sempre fui uma daquelas crianças que tirava notas altas e devido a uma boa estrutura dentro de casa consegui manter uma alta sociabilidade com todos, desde os “bagunceiros” até os “CDF`s” (grupo do qual fazia parte…. risos…). Fico feliz em saber que esse tipo de fator também tem sido levado em consideração em escolas ao invés de somente ficar com o “velho” par “giz e quadro negro”. (Bruno Thomaz)
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Caso 10 Eu sofri de Bullyng na escola!! Me senti muito mal, por várias vezes não queria ir à escola… os meninos me chamavam de Olívia Palito, magricela, Gina (palitos de dentes)… meu irmão também sofreu…, ele usava óculos e, por isso, era o quatro olhos… Eu me sentia mal por ele e por mim, já que frequentavámos a mesma sala de aula… Na época não sabíamos um conceito para isso… não me lembro de alguém interferir no comportamento dos alunos e, alguma preocupação com nós… Acho super válido falar e deixar claro o conceito para colocar um fim nesse comportamento maléfico que ocosiona tantas mortes! (Luciana Raspa)
Caso 11 Terrível o Bullying!!!! No meu tempo de primário tive este problema! Muito tímido era infernizado por um colega que cismou de me desafiar….provocava, armava ardiz, e colocava-me em situações difíceis… Fiquei muito tempo apavorado até que um dia tomei uma decisão…resolvi reagir e quebrar a cara dele! Não deu outra, o Carlão, seu amigo, adoeceu e não veio a aula nesse dia, soquei lhe a mão na cara, que ele ficou desnorteado, acho que tomou um susto, fui suspenso da escola, sem nehum arrependimento!!! Nunca mais a criatura nem sequer olhava do meu lado!! desde então a paz reinou… Detalhe, a professora Rose não percebia nada porque desconhecia o avanço maléfico. Nunca tive má índole, mas essa foi a forma que encintrei para deixar de ser vítima “Bullying”. (Josué)
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Caso 12 Em meus tempos de ginásio, um colega foi incentivado a fazer loucuras (cabecear latas jogadas para cima, por exemplo). E advinhem. Estava dando sinais de loucura. Nós o aplaudíamos e pediamos mais loucuras. Até que um dia, o velho e severo Rui Lengruber, professor de geografia, viu uma das cenas. Nos chamou na hora, deu uma dura definitiva. Nunca mais incentivamos as loucuras do colega. E ele sarou logo, reitegrando-se à classe. Narro este fato para mostrar que certas atitudes de bullying, disfarçadas em brincadeiras de adolescentes, podem provocar consequências psicológicas graves. Algumas vezes, da mesma forma que o velho Rui, os educadores precisam agir rápida e duramente para que “brincadeiras” não se convertam em meios de levar certas pessoas a caminhos indesejáveis. (Jarbas)
Caso 13 Eu também ja sofri bullyng foi quando me chingaram de gordo,baleia,orca,besta,e o resto e melhor nem contar.Me sinto muito ofendido. (Bruno Alves)
Caso 14 Por ser baixa e gordinha sempre fui motivo de chacota pelos colegas de escola, mas graças a Deus minha familia trabalhou o reforço positivo que consegui superar todas as piadinhas. Hoje sou uma mulher centrada e de bem com a vida. (Neila Fonseca) Keilla e Noemi
Fonte: Alcaraz. Disponível em: https://alcaraz.wordpress.com/category/relato-de-casos/. Acesso em: 04 jan. 2017.
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Texto II Bullying leva estudante a cometer suicídio
Estudante de 12 anos comete suicídio em Vitória após sofrer bullying na escola Um menino de 12 anos se suicidou em Vitória, no Espírito Santo, após ser alvo de bullying na escola. Segundo relatos, o aluno era humilhado, empurrado e xingado de "gay", "bicha" e "gordinho" pelos colegas. As informações são da Folha Vitória. O delegado Josemar Antonio Sperandio, da Delegacia de Homicídios de Vitória, disse que a polícia não confirma se a motivação do suicídio foi mesmo bullying, uma vez que o caso ainda está sendo investigado. O suicídio aconteceu no dia 17 de fevereiro. De acordo com um aluno da escola, as crianças fizeram uma roda ao redor de Roliver de Jesus dos Santos e começaram a hostilizar o garoto. Quando voltou para casa, o estudante se enforcou com o cinto da mãe. Ele foi encontrado desacordado pelo pai, chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Os pais do garoto já haviam pedido transferência de escola para ele e os outros dois filhos, porém a mãe não efetuou a troca, pois a secretaria de educação disponibilizou uma unidade escolar diferente para cada um. Segundo informações da Folha Vitória, Roliver deixou uma carta pedindo desculpas pelo ato e disse que não entendia por que era alvo de tantas humilhações. Fonte: Jornal GGN. Disponível em: < http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/bullying-leva-estudante-a-cometer-suicidio>. Acesso em: 04 jan. 2017.
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Texto III Relato de uma aluna Tudo começa com ofensas, palavras, que nos magoam, até que tudo ultrapassa os limites. Batem, agridem, roubam, excluem, chegam até a ameaçar-te na tua casa. Tudo isto é horrível. Falo pela minha experiência. Fui vítima de Bullying. Ando no 9º ano e mesmo assim não me escapo. Até colegas da mesma turma. Conto-lhe isto para ver que não vale a pena sofrer em silêncio, muito pelo contrário. Agrediam-me durante as aulas (iam de puxões de cabelos, a chapadas, etc.). Mas superei esta experiência, pois já no 5º ano tinha sido vítima de Bullying. Tudo começou numa aula em que uma professora, teve de ir buscar umas fichas ao seu cacifo e nesse dia disse: "Hoje ocupem os lugares que quiserem", mas houve um problema e um colega meu sentou-se no meu lugar e eu disse: "Aí é o meu lugar". Essa pessoa partiu logo para a agressão verbal, fazendo troça com a minha aparência física. Fui seguida, fui rejeitada, fui acusada de ser mentirosa, por dizer verdades. Até que chegou ao ponto que me foram ameaçar a casa. Tive que aguentar esta situação até o fim do ano lectivo. Até que depois de muito batalhar, e até ter sido enviada para o hospital, com uma crise de nervos, confundida com uma apendicite, consegui mudar de turma. Ultrapassei tudo com a ajuda dos meus pais, e da minha família. Por denunciar a minha situação, foi tudo resolvido mais rapidamente, e se possível com castigo, para o bullie. É por isso que eu aconselho, a que todas as pessoas vítimas de bullying desabafem, tudo aquilo que lhes acontece. E aos pais e encarregados de educação, que tenham atenção ao comportamento dos seu filhos ou educandos, pois muitas vítimas sofrem em silêncio, mas isso manifesta-se no seu comportamento, por exemplo, se o seu filho, for um aluno de boas notas e de repente, diminui-las; Se ele de noite tem pesadelos em que grite "SOCORRO", "NÃO ME BATAM", "LARGUEM-ME"; e muitas outras situações, "investigue", pois muitas das vezes, podem ser as típicas vítimas de bullying que sofrem em silêncio. Fonte: Sembullying. Disponível em: < http://sembullying.blogspot.com.br/2008/04/tudo-comea-com-ofensas-palavras-que-nos. html>. Acesso em: 04 jan. 2017.
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Texto IV Somos diferentes Pais e filhos idealizam o aconchego da semelhança, mas é preciso aprender que diferença não é desigualdade
Mães e filhas são sempre muito parecidas como peixes e seus filhotes: eu e minha filha, por exemplo. Só que ela é mais bonita e desenha melhor que eu. Talvez continuemos cada vez mais iguais, sobretudo se pensarmos nas nossas coincidências astrológicas e confiarmos na evolução dos mesmos gostos pelo desenho, pelos livros, por ficar em casa em plena vida contemplativa.
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Porém, toda regra só é regra porque existem as exceções. O igual só é igual porque existe o diferente. E vice-versa. Sobre o futuro das semelhanças nunca é possível fazer muitas apostas. No caso dos pais de filhos pequenos, tem-se pela frente a adolescência - que modifica, em geral, toda a vida de uma pessoa. Este tempo trará a força das diferenças que devem ser elaboradas, sobretudo no que se refere ao comportamento, à moral, à sexualidade. O que ainda não conhecemos dos nossos filhos - a diferença - deverá ser o novo encanto do nosso encontro. Não podemos sustentar que o futuro de nossos filhos seja a nossa continuação. O futuro que esperamos para eles precisa ter o nome da diferença entre o que somos e o que eles serão. A diferença sempre se elabora no tempo. As mães mais típicas esperam que a vida de suas filhas seja melhor: que sejam mais bonitas, tenham o sucesso, realização profissional, que estabeleçam relações matrimoniais mais justas, sejam felizes no amor, que possam escolher e decidir sobre seus destinos. Querem que as filhas sejam mais felizes. Mas devem saber que isso implica mudanças no modo de vida que conheceram. Que terão de aprender a olhar para outro mundo. Mas, no fundo, o que desejamos é ser iguais. Ao contemplar imagens de famílias animais, muitas vezes temos a sensação de que com os humanos ocorre o mesmo mimestismo da natureza. Esse sentimento toca principalmente mães e crianças, pois é entre mães e seus filhos que o desejo de unidade é corpóreo e primitivo. A mãe, no seu sentido mais comum, é aquela que quer aconchegar. Por isso ela dá alimento, colo e carinho. A mãe é corpo. Ela é a primeira manifestação do mimetismo humano, o da proximidade sem a qual não nos tornamos pessoas capazes de uma vida boa e justa. Temos a sensação muito agradável que uma girafa e a girafinha, a ursa e seu ursinho, a vaca e seu bezerro correspondem a um ideal humano. Lembremos o filme sobre o pingüim imperador, cuja abordagem humanizava os animais. Os pingüins não sabiam nada sobre "ser ou não ser" humanos, mas os humanos sentem um radical desejo de projetar na natureza seus sentimentos. O filme, na visão do diretor, mostrava como queríamos ser como os pingüins. Estes eram como familiares. O que ele esqueceu de dizer é que projetamos na natureza o desejo de continuarmos participando dela e que ela seja o nosso verdadeiro ideal. O nosso desejo de ser igual ao outro, à natureza, equivale a querer o colo da nossa mãe. A capacidade de nos tornarmos iguais nos move. O segundo mimestismo humano é evidente na moda, ideais e princípios que compartilhamos. A democracia é o nome político do mimestismo. É uma vontade de proteção, mas também de mistura, que adquirimos no colo da mãe. Mas é preciso atingir o respeito à diferença e entender que ela não é desigualdade no sentido político dos direitos. Depois do colo, todo mundo aprende a andar sozinho. O colo vira uma lembrança que queremos atualizar com amigos e amores, mas também com a nossa profissão, nossos projetos. A gente acaba sempre em busca do paraíso perdido que era o colo da nossa mãe. Fonte: Marcia Tiburi. Disponível em: < http://www.marciatiburi.com.br/textos/somosdiferentes.htm>. Acesso em: 04 jan. 2017.
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Texto V Aborto, soberania e mudez das mulheres *
Um dos aspectos mais interessantes quando se discute o aborto hoje é o fato de que os principais participantes da discussão são homens. Os mesmos que - é preciso dizer - nunca irão parir, jamais serão mães, não abortarão. Eles falam, enquanto as mulheres fazem. Não devemos com isso supor que os homens não deveriam participar de tais discussões, mas perguntar por que a palavra dos homens se mostra prevalente nesta questão. Devemos perguntar por que eles parecem mais interessados do que as imediatamente interessadas que continuam fazendo ou não seus abortos, tendo ou não seus filhos. A contradição entre o discurso dos homens e a ação praticada mulheres é o que precisa ser levada a sério. Ela pode ajudar a explicar porque o aborto não foi legalizado no Brasil e nem será em países onde as mulheres são, em sua maioria, pobres e desprovidas de poder. Por que as mulheres esperam caladas por todas as decisões políticas, inclusive às que as tocam diretamente?
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A legalização do aborto não virá dos donos do poder e dos discursos que comandam e decidem sobre o corpo das mulheres. Elas, em silêncio, agem como se não fossem donas e senhoras de seus corpos. E, de fato, não o são enquanto continuam na velha economia da sedução, da prostituição, da maternidade, da vida doméstica, do voyerismo do qual são a mercadoria. Que as decisões sobre seus próprios corpos não pertença às mulheres é uma contradição que poucas podem avaliar. Não ter voz significa não pertencer à política. À medida que não participam e nem percebem o quanto estão alienadas da conversa, as mulheres perpetuam a injustiça que as trouxe até aqui. Em última instância, estão distantes da ética que envolve a decisão sobre seus direitos e sua própria vida. Além disso, a questão do aborto sinaliza que a liberdade das mulheres - prisioneiras ancestrais de uma estrutura social que tem sua lógica - está sempre vigiada. Que nossa sociedade seja patriarcal significa bem mais do que dominação dos homens sobre as mulheres. Que estas sejam vítimas e aqueles algozes. Mas que o patriarcado depende da ausência de democracia na qual os direitos das mulheres venham à luz. O que realmente assusta quando se fala em aborto é o que virá com a fala das mulheres e que dia após dia é praticado em silêncio nas clínicas deste país. É o fato e a prática cotidiana que se realiza de modo soberano ainda que clandestino. A soberania daquele que emite uma opinião fundamentada em seu próprio nome e por sua própria voz é análoga à soberania que uma mulher pode ter sobre seu corpo. Aquele que pode falar pode fazer porque cria, por meio de sua fala, valores, relações e consensos. Aquela que fala em seu próprio nome manifesta a possibilidade universal de que muitas a sigam ou simplesmente saiam da clandestinidade, única forma pela qual mulheres podem ser soberanas sobre seus próprios corpos sem correrem riscos na ordem moral e legal. É esta soberania das mulheres que assusta. Por isso, ela permanece na clandestinidade. A ausência histórica de autorização para a fala e, assim para o poder, é elemento fundador do lugar ocupado pelas mulheres na sociedade. A fala das mulheres causa angústia e temor na ordem. Que mulheres possam tomar suas decisões e sejam amparadas pela justiça é algo que uma sociedade que se construiu pela submissão das mulheres e pela superioridade dos homens não pode suportar sem uma ampla renovação dos costumes. Hoje, as mulheres que possuem algum poder proveniente do dinheiro ou da liberdade sobre a própria vida, praticam o aborto soberanamente. As que não tem poder algum – nem aquisitivo, nem intelectual, nem qualquer outro poder que garanta a autoconsciência quanto à pertença de seus corpos – são vítimas de uma sociedade que não prevê espaço para uma prática que deveria ser medida a partir da soberania da mulher sobre seu corpo e sua vida. Homens desde sempre souberam disso e imperaram sobre seus próprios corpos e sobre todos os corpos que lhes prestaram serviços, também os corpos de seus empregados, de seus filhos e filhas.
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Cultura de paz Perder o exercício do poder sobre o corpo das mulheres é o que assusta homens de mentalidade arcaica hoje em dia. Assusta as instituições autoritárias. Ter soberania sobre o próprio corpo talvez também não interesse a todas as mulheres, pois isso exige uma responsabilidade para a qual talvez não estejam individualmente preparadas. Fonte: Marcia Tiburi. Disponível em: <http://www.marciatiburi.com.br/textos/aborto01.htm>. Acesso em: 04 jan. 2017.
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