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Cultura de Paz - 8º ano

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Daniel Guimarães Valdenize Ferreira Lima

CULTURA DE PAZ

POR UMA ESCOLA MAIS SEGURA

8 João Pessoa • 1ª edição • 2017


Uma coprodução

Copyright © 2017 da Edição: Editora Eureka

Gerente admnistrativo: Marcelo Almeida Gerente comercial: Roberto Marques Editor executivo: Marco Saliba Editora: Luana Vignon Gerente de arte: Raphael Mendonça Projeto gráfico e diagramação: Rafael Mendonça

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Guimarães, Daniel; Lima, Valdenize Ferreira Cultura de paz: por uma escola mais segura - Ensino Fundamental II – 8º ano – Daniel Guimarães e Valdenize Ferreira. – Fortaleza: Egeiros Educacional, 2016. ISBN 978-85-92714-26-0

1. Escolas – Educação Sexual 2. Ensino Fundamental. Prática de ensino 4. I. JC Editora II. Luana Vignon. III. Título 12-06673

CDD-371.784 Índices para catálogo sistemático: 1. Saúde: Educação 372.8


Apresentação

Cada vez mais, chega a nós casos de violência, crimes e agressividade nas escolas e nas comunidades escolares. Não são raros os casos de morte de educadores, além dos casos de preconceito e discriminação entre os alunos. Escolas públicas e privadas têm, entre suas demandas atuais, a questão das múltiplas formas de violência.

“Paz, para ser vivida, tem de ser construída, dia a dia, nos pequenos atos, de onde germinam as grandes transformações. Paz é para ser realizada, não só idealizada. Paz se faz, não é dada.” (Fundação Vale) Com esta coleção será possível discutir temas de importância relevante para o cuidado com a prática da não violência nas escolas. Se nos colocamos em serviço do bem-estar de nossos conlegas, educadores e funcionários e da mesma forma nos atentamos à necessidades básicas do nosso meio ambiente, podemos reduzir um pouco nossos impulsos de afirmação, que nos levam a agredir o outro. O excesso de materialismo que vivemos hoje em dia nos dá uma falsa ideia de poder, temos, portanto, que nos atentar, pois há uma grande diferença entre praticarmos com alegria nossa vocação e correr atrás de sucesso o tempo inteiro. Temos visto que valores como amor e respeito têm sido, não raro, esquecidos em prol da busca desenfreada pelo dinheiro, pelas realizações pessoais, pelo sucesso. Não se pretende aqui ir contra a luta pela independência financeira, emocional e moral de cada um de vocês, mas é importante frisar que o caminho escolar depende de boa conduta, de respeito às limitações alheias, às diferentes opiniões, às variadas formas de expressão etc. Aqui, você encontrará propostas de atividades, dicas de filmes e de livros, além de conteúdo extra, pequenos documentários que retratam o tema tratado. Acesse os QR Codes, pois eles acrescentam, e muito, o conteúdo aqui escrito. Não deixe de praticar a paz no seu dia a dia, leia com atenção o que segue, saiba mais sobre a situação da paz mundial nas escolas, das guerras sobre a água, sobre as campanhas de desarmamento, o papel da família, entre outros. Expanda sua consciência com mais conhecimento. Conhecimento aplicado com amor é sabedoria! Boa leitura.

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Sumário Apresentação................................................................ 3 Capítulo 1 – Convivência................................................. 7

O que é na prática?......................................................................................................................14 Regras de convivência.................................................................................................................19 Problemas de convivência.......................................................................................................... 26 Questão de bom senso............................................................................................................... 28 Liberdade com responsabilidade................................................................................................ 29 Crime na escola e suas consequências.........................................................................................30

Capítulo 2 – Relações familiares.................................... 39

O papel da família.......................................................................................................................43 Mediação de conflitos.................................................................................................................45 O que é conflito.......................................................................................................................... 46 Memória familiar........................................................................................................................ 49 Reconstrução do passado............................................................................................................54 Sua árvore genealógica............................................................................................................... 57

Capítulo 3 – Tolerância e solidariedade........................... 63

A prática da tolerância............................................................................................................... 64 Limites........................................................................................................................................ 67 Expectativa................................................................................................................................. 67 Compreensão............................................................................................................................. 68 Ignorância e preconceito............................................................................................................ 69

Capítulo 4 – Educação para a paz.................................. 75

Pluralidade.................................................................................................................................. 77 Cultura de paz pela educação..................................................................................................... 84

Capítulo 5 – Desenvolvimento sustentável................... 107

A paz e o meio ambiente...........................................................................................................108 O papel da cultura..................................................................................................................... 110 Sustentabilidade....................................................................................................................... 113 Água.........................................................................................................................................120

Referências............................................................... 128 Sites consultados....................................................... 128

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Cultura de paz

A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil! Mario Quintana

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CAPÍTULO 1

Convivência

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Cultura de paz Frequentar uma escola é conviver com um número muito grande de colegas, e isto, com certeza, implica reconhecer que possuímos diferenças em vários aspectos: nos interesses, nas religiões que seguimos, nos times de futebol para os quais torcemos, na habilidade esportiva, na nossa capacidade de fazer amigos, na condição social, na aparência física, nos bens materiais que possuímos etc. Teríamos uma lista enorme de diferenças que podemos encontrar nos nossos colegas e nos seres humanos em geral. Diante dessa complexidade, precisamos refletir sobre como podemos conviver no meio de tanta diferença. Claro que há muitas maneiras. Algumas pessoas e, muitas vezes, alguns grupos supõem que são melhores que outros e, por isso, pensam ter privilégios. Alguns pensam de forma tão diferente dos outros que parecem quase impossíveis as aproximações. Podemos viver brigando ou procurar um acordo. Podemos escolher sermos gentis e solidários ou agressivos e individualistas. É esta a pergunta, então, que nos fazemos: como vamos conviver juntos na escola¿ Conviver com o outro é, sem dúvida, uma capacidade imprescindível para cada um dos indivíduos de uma comunidade. Na escola, é claro, não é diferente. Muitos alunos, funcionários e professores transitam pelo mesmo espaço e nele se relacionam. Com isso, é absolutamente necessário o estabelecimento de regras que regulem essa convivência, formando a base para que haja o respeito mútuo.

Texto complementar

Diversidade se aprende na escola Num contexto de respeito às diferenças, a orientação sexual tanto dos alunos quanto dos educadores precisa ser tratada com naturalidade

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Não há dúvidas de que a escola tem como um de seus papéis formar cidadãos para a boa convivência em sociedade, certo? Para isso, os alunos devem aprender a respeitar as diferenças. Muitos professores e gestores partilham dessa opinião, mas ainda consideram a diversidade sexual um tabu dentro da sala de aula. Não é por menos. Há ainda muito preconceito na sociedade - e ele se reflete na escola. Um estudo feito em 2009 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que um terço dos 18,5 mil alunos entrevistados diz evitar chegar perto de homossexuais. Ao se calar frente a essa realidade, a instituição de ensino acaba fechando os olhos para o preconceito - que, cedo ou tarde, tende a se materializar nos casos de violência e homofobia que vemos com frequência na mídia. Segundo uma pesquisa de 2004 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mais de 40% dos homens homossexuais brasileiros foram agredidos fisicamente durante a vida escolar por conta de sua orientação. E esse fato não pode ser ignorado. "Muitos professores têm consciência de que a diversidade deve ser respeitada, mas acabam reproduzindo preconceitos enraizados na sociedade, como pedir para um aluno falar ‘com voz de homem’, por exemplo. Essa é uma postura que tem de ser superada", afirma Claudia Vianna, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Para problematizar as ideias que levam à discriminação, é preciso colocar a diversidade em discussão (e isso vale não só para a sexual, mas também para a racial, a socioeconômica e qualquer outra). Não importa a idade do aluno. O que varia, é claro, é a abordagem. Questionar o conceito de "jogos de menino" e "jogos de menina" é uma forma de começar a tratar o tema com os menores. A suposição de que crianças pequenas tendem a se tornar gays se receberem informação sobre diversidade sexual é absurda e não pode ser usada para deixar o tema de lado. No caso de jovens, pode-se partir de situações mais gerais - como as noticiadas pela imprensa - ou de casos que ocorrem dentro da escola, como o de um aluno gay que sofre bullying em sala de aula, por exemplo. Além de falar sobre o assunto, é importante criar um ambiente em que a homossexualidade seja tratada com naturalidade e as pessoas sintam-se à vontade para ser como são. Se falar de forma ampla sobre o tema já é difícil para muita gente, imagine o professor conversar com os estudantes sobre a própria orientação sexual. De acordo com estimativas da Schools Out, uma organização sem fins lucrativos que defende a igualdade na Educação, apenas 20% dos docentes gays revelam sua opção aos alunos. Assumir publicamente a homossexualidade é uma decisão pessoal - ninguém é obrigado a comentar assuntos da esfera privada -, mas é fundamental que quem opta por falar seja apoiado e a experiência possa, inclusive, ajudar no debate sobre a diversidade. Muitas vezes, infelizmente, o silêncio acontece não por vontade, mas por medo de ser discriminado por alunos, pais e colegas.

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Cultura de paz A escola é, por excelência, o lugar em que meninos e meninas aprendem a conviver com as diferenças e a deixar de lado preconceitos e estereótipos que encontram nas demais esferas sociais. A instituição não pode se render à pressão de famílias que não aceitam que o filho estude com um professor ou um colega assumidamente homossexual. Perseguições por causa de orientação sexual são inadmissíveis. Cabe aos educadores e aos alunos, juntos, deixar isso claro e fazer com que a escola seja, de fato, um espaço em que se aprende a respeitar a todos. Fonte: Nova escola. Disponível em: http://acervo.novaescola.org.br/formacao/respeito-diversidade-se-aprende-escola-726960.shtml. Acesso em: 16 dez. 2016.

O que seria ‘inclusivo’, ‘inclusão’? Todos, invariavelmente, não estão inclusos? Incluir tem vários lados, quem está excluído? Como? A inclusão pode ser pensada de muitas maneiras, tanto em relação às pessoas como ao espaço que ocupam, as dúvidas são muitas, mas se pensamos em uma sociedade com mais equidade, igualitária, abrangente, precisamos pensar em quem tem ou não acesso.

A ética não se ocupa em saber como se alimentar melhor, qual a maneira mais recomendável de se proteger do frio ou o que fazer para atravessar um rio sem se afogar, todas as questões muito importantes, sem dúvida, para a sobrevivência em determinadas circunstâncias; o que interessa à ética é como viver bem a vida humana, a vida que transcorre entre humanos. (SAVATER, Fernando. Ética para meu filho.)

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Se procurarmos a palavra “sociedade” no dicionário Aurélio, vamos encontrar a seguinte concepção: “sociedade é uma reunião de pessoas unidas pela origem ou por leis; a união de pessoas ligadas por ideias ou por algum interesse comum; reunião de pessoas que se juntam para conversar ou conviver” entre outras definições. Já o termo “inclusivo” é uma referência ao ato de incluir, ou de “abranger, compreender, conter; inserir ou fazer parte de um grupo”. Logo, uma sociedade inclusiva é aquela que reúne todas as pessoas ligadas umas às outras por algum interesse em comum. Como no trabalho, por exemplo, em que todos da classe estão ali para atingir uma meta. O mesmo acontece no ambiente escolar, na sessão de cinema ou no parque da cidade. Quer dizer, isso é o que podemos entender na teoria, porque na prática é bem diferente. Quantas vezes nós mesmos já excluímos alguém do nosso convívio por alguma razão muito tola? Uma pessoa nova que chegou ao nosso convívio, tímida, e todos do trabalho a ignoram; a menina desligada que ninguém quer na equipe já pressupondo que não saberia lidar com suas funções, porque não teria “habilidade”; o outro, que é “sabido demais” e não é respeitado. Pois é, em nosso dia a dia, podemos até não perceber, mas acabamos agindo de forma bastante contrária a uma sociedade inclusiva.

Podemos até pensar: “Ah, chamar alguém de ‘velho’, ‘puxa saco’, é só uma brincadeira!” Mas, as palavras têm um poder incrível e agem diretamente sobre as pessoas, sobretudo quando servem para discriminá-las. Um bom exemplo da força das palavras é quando nos referimos a uma pessoa “portadora de necessidades especiais” como “deficiente”. O termo “deficiência” significa “aquele que não tem ‘eficiência’, não é capaz, não tem competência ou é improdutivo”. Portanto, não pode ter nada a ver com uma pessoa “portadora de necessidades especiais”, certo? Um cadeirante, por exemplo, pode ser um excelente professor, pois o fato dele ter necessidades especiais não diminui sua capacidade intelectual. Percebeu como uma palavra errada pode fazer toda a diferença? Um simples pré-conceito, pode ser determinante no futuro de uma pessoa, seja ela portadora de necessidades especiais ou não. Ou seja: a menina desligada, o trabalhador idoso frente a uma aposentadoria, o que usa óculos, a moça da cantina, o negro, o índio, o professor cadeirante, enfim, toda essa diversidade humana que forma o nosso país tem os direitos exatamente iguais. Quando isso acontece de verdade, estamos vivendo em uma sociedade inclusiva.

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Entretanto, como na prática não é exatamente assim que funciona, para que as pessoas portadoras de necessidades especiais tivessem seus direitos garantidos, foi decretada em 24 de outubro de 1989, a Lei Federal nº 7.853, que estabelece os direitos básicos das pessoas portadoras de necessidades especiais. Essa e outras leis que foram promulgadas nos anos seguintes e têm o objetivo de acabar com a discriminação e dar oportunidades iguais para todos os brasileiros. Mas uma sociedade inclusiva vai muito além de mudar o jeito de se chamar as pessoas. Precisamos mudar a nossa maneira de pensar. E nem é preciso ir muito longe para isso. Basta observar ao redor. A escola tem um banheiro adequado para pessoas com necessidades especiais? E na rua onde moram? As calçadas são regulares, sem buracos ou raízes de árvores saindo do cimento? Já viram um livro escrito em braile? Como uma pessoa surda faz para assistir televisão? Pois é. O caminho para uma perfeita sociedade inclusiva é longo, mas, se todo mundo colaborar, com certeza a linha de chegada fica cada vez mais perto.

Pare e pense O termo “pessoas deficientes” começou a ser entendido como uma alegação de que a pessoa é completamente deficiente. Por isso, para mostrar que a deficiência era apenas uma das características de alguém, um valor agregado a tal pessoa, criou-se a expressão “portador de deficiência”. O termo foi adotado pela Constituição Federal de 1988 e por muitos órgãos que tratavam do assunto.

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De que forma? Em primeiro lugar, modificando nossa própria atitude de acreditar que uma pessoa é inferior à outra por qualquer uma das condições que já falamos: cor, condição física, religião, gênero etc. Também podemos engrossar as fileiras daqueles que lutam por melhores condições de vida. Afinal, não é preciso ser negro para ser contra o racismo, e nem ser cadeirante para perceber que é impossível entrar em um lugar onde a única forma de acesso é uma escada. Compreender o outro, enxergá-lo como igual e colocar-se em seu lugar podem ser algumas atitudes simples de quem quer fazer a diferença. Esse é o jeito de agir e de pensar de quem quer fazer um mundo melhor, com menos injustiças e com direitos respeitados.

e Proposta de atividad isa é Troca de papéis s e tudo o que se prec oa ss pe 15 o, im ín m m, no e que dade seja realizada co lema ou uma dificuldad ob pr um l pe pa O ideal é que esta ativi no e ev cr m deve fazer um dos participantes es m outra pessoa. Ningué co lar fa de lápis e papel. Cada ue eg ns co o branã ssando, mas que vem ser recolhidos e do de is pé pa os , te en possui ou que esteja pa rm rio s dobrados, cação nos papéis. Poste nhecido. Depois de todo co re rá se nenhum tipo de identifi um nh ne o s fiquem iguais, assim um deve ler e analisar da Ca s. te an cip rti pa dos de forma que todo entre os uídos aleatoriamente eles devem ser distrib seu. tregue, como se fosse nto. en i fo e lh e qu a lem ob pr discussões sobre o assu de ão ss se a um em ici in rão a solução ntrarem uma solução, mo se fosse seu e mostra co m ra Depois que todos enco be ce re e qu Soa falarão do problem locutor, penas ouvi-lo. ao s ta un rg pe r ze fa Todos os participantes rá pode professor , nenhum participante m ser feitas, tanto pelo de po s ta un rg encontrada. Nessa fase pe as e qu cerrar o seu relato é mente depois que ele en rticipantes. quanto pelos outros pa 16. ais. Editora Eureka, 20 Fonte: EJA. Temas atu

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” Artigo 5º da Constituição

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O que é na prática? As pessoas vivem em sociedade, portanto todos os seres humanos se relacionam entre si. Embora cada um tenha seu espaço de intimidade, é importante haver momentos de interação. Um exemplo que mostra bem essa realidade é a convivência que pode ser aplicada aos mais variados pontos de vista. O mais básico e fundamental é a convivência dentro do lar com os demais membros da família. É importante que cada um respeite o outro com o objetivo de tornar uma convivência agradável. O comum nas pessoas é estabelecer normas de convivência básica para criar um consenso. Quando uma pessoa solteira vive sozinha em sua própria casa ela é dona absoluta de fazer o que quer e bem entende sem ter que dar explicação a alguém. Em compensação, quando se vive em casal, a situação muda completamente.

A convivência pode ser agradável ou desagradável. Uma convivência agradável precisa da colaboração de todos os integrantes do lar. Ainda assim, a vida não é como nos contos de fada e o natural é que haja ao longo do dia momentos de conflito, situações desagradáveis e discussões porque conviver também significa compartilhar diferenças de opinião e conhecer o outro em suas manias e defeitos. Porém a convivência enriquece a pessoa porque todo ser humano necessita de carinho e reconhecimento. Assim, quando um relacionamento é sólido, é gratificante chegar em casa e estar junto de seu parceiro ou parceira. Em compensação, quando um casal vive uma má relação, estar em casa se torna um motivo de mal-estar e tristeza. O lar é o espaço de maior intimidade, entretanto, não há nada mais desagradável do que não ter vontade de voltar pra casa, pois o lar é o lugar onde existe o foco de conflito pendente a resolver.

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Além do ambiente familiar também se convive em sociedade. E claro, também se convive no ambiente profissional, uma vez que os colegas de trabalho se relacionam entre si e existe uma hierarquia de funções. A convivência mostra a inteligência emocional do coração humano que se baseia no respeito ao próximo. O certo é ter ações positivas que façam a vida mais agradável com os demais. Um simples sorriso melhora a convivência. Da mesma forma que certas palavras como obrigado, desculpa e por favor.

Companheirismo

Existem habilidades sociais que mostram a generosidade e o altruísmo que existe no coração do homem: o companheirismo é um claro exemplo de como podemos tornar a vida agradável junto aos outros a partir de pequenos detalhes. Trata-se de um gesto de companheirismo ajudar um colega de trabalho que está atrasado com o objetivo de que ele possa cumprir a tarefa dentro do tempo estabelecido. As pessoas que são amigas são um exemplo a seguir; determinada atitude pode servir de estímulo para todos aqueles que fazem do individualismo uma máxima em sua vida. O companheiro ou amigo percebe que recebe muito mais do que dá quando ajuda o outro a superar seus limites. Quando uma pessoa é amiga significa que ela tem humildade de reconhecer que precisa de ajuda em certos momentos. Um colega de trabalho não tem necessariamente que ser seu amigo, no entanto, isso não significa que a relação de companheirismo não seja agradável e positiva. Um bom relacionamento de companheirismo proporciona motivação para uma equipe de trabalho e também melhora a autoestima. Existem esportes que mostram de forma clara o valor do companheirismo e são fundamentais para a execução dos objetivos coletivos: o futebol é um exemplo claro de como os jogadores devem estar unidos para alcançar um objetivo em comum, além de qualquer tipo de vaidade. Há trabalhos em que um dos requisitos básico para ter acesso a determinado cargo é ter a capacidade de trabalhar em equipe de forma eficaz. Neste caso, ser bom companheiro é uma premissa básica.

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Cultura de paz Aqueles que são bons companheiros evitam as críticas pessoais e sempre dão apoio de forma amável. São pessoas com um diálogo interior positivo, isto é, por ter uma boa relação consigo mesma também têm com os outros. Ser um bom companheiro é uma aprendizagem que a pessoa adquire ao longo da sua vida a partir da experiência. As crianças tendem a ser companheiras no colégio onde passam a interagir com outras crianças. Enfim, um bom companheiro é uma pessoa humana como as demais, ou seja, também têm erros e defeitos. Entretanto, sua atitude positiva e receptiva é bem aceita pelo próximo.

Trabalho em equipe

O trabalho em equipe é fundamental em muitos projetos de uma empresa, onde a essência do trabalho em grupo supera o talento individual de cada um. O verdadeiro sucesso de um trabalho surge da humilde de poder compartilhar o serviço e saber receber um feedback que vem do diálogo assertivo e da admiração mútua. Uma equipe é formada por pessoas que trabalham na mesma direção e seguem o mesmo plano de ação respeitando as diretrizes de um bom líder que serve de exemplo e referência aos demais integrantes do grupo. Esse tipo de trabalho traz força à equipe, uma vez que sabe que pode contar com o companheiro ao lado nos momentos de dificuldade. As vitórias são compartilhadas da mesma forma que os fracassos no contexto de uma equipe. Existem ofertas de emprego em que um dos requisitos fundamentais para ocupar a vaga é que o candidato tenha habilidades sociais para trabalhar em equipe e compartilhar o conhecimento de forma efetiva. Para trabalhar em equipe é muito importante ser observador para conhecer os outros. Além disso, vale recordar que não existe uma única maneira de fazer as coisas, há várias interpretações da realidade (cada integrante da equipe tem seu próprio ponto de vista) e convém que cheguem a um acordo optando por um diálogo assertivo.

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O trabalho em equipe é uma aprendizagem por si só que envolve o processo de adaptação de todos os integrantes da equipe para que se conheçam melhor e possam integrar-se entre si. Este trabalho diferentemente de projetos individuais e solitários, contribui com uma motivação extrínseca para o grupo no sentido de fazer parte de um projeto em comum que traz bem-estar, ilusão e desejo de cumprir com um desafio específico. Evidentemente, dentro de um trabalho em equipe nem tudo é um mar de rosas, pois seus integrantes devem superar-se para deixar as vaidades de lado, enfrentar as diferenças de critério e assumir que existem trabalhadores mais eficientes e responsáveis que os outros. Uma equipe ideal é igual ao amor perfeito, só existe em filmes e contos de fada. Para concluir, vale recordar que dentro de uma equipe todos os integrantes são iguais e tem a mesma importância como numa equipe de futebol.

Texto complementar Convivência escolar: a questão dos conflitos entre alunos É de conhecimento de todos que vivemos hoje em uma sociedade em que a interação com determinado grupo ao qual se pertence é um foco de grande atenção e valorização de cada indivíduo, sendo assim, não seria diferente quando o assunto é Educação. Mas então por que tantos alunos ainda são isolados pelo resto da classe? Quais os critérios usados pelos colegas para definir quem entra e quem sai do grupinho? O que define a qualidade de sua vida escolar? Em se tratando desse tema, não podemos deixar de citar as relações estabelecidas entre aqueles que são os principais agentes atuantes no processo educacional desses estudantes: Os corpos docente e discente. Portanto, juntamente com os pais e demais participantes responsáveis por esse processo, todos são peças fundamentais no ato de “transformar” ou “moldar” a mente e comportamento desses alunos. Complicadas relações se estabelecem diariamente na rotina escolar, sendo o aluno o principal foco de atenção, razão pela qual toda a preocupação é para ele direcionada, visando sempre o seu bem-estar biopsicossocial. Mas, nem sempre esses contatos são fáceis, uma vez que, embora o foco seja ele mesmo, as interpretações e compreensões podem ser destoantes dependendo da sua família de origem. Em uma época não muito distante, existia uma relação mais estável na qual a Escola possuía um status de valorização em termos de instituição formadora acadêmica, que conferia seriedade e respeito, sendo assim encarada pela família, que depositava grande confiança nos atos e nas orientações daquela que oferecia aos seus filhos a instrução necessária para prepará-los para um futuro enquanto profissionais e enquanto cidadãos. Hoje, porém, devido aos novos métodos pedagógicos adotados pelas escolas, a Família assumiu esse papel principal, acolhendo as funções de nutrir, prover, orientar, integrar e socializar, com uma responsabilidade contínua no que se refere ao oferecimento de cuidado e proteção, dando garantias de

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Cultura de paz subsistência e condições dignas de vida, bem como a educação ética e moral. Na seqüência, podemos citar a Escola como a segunda instituição formadora de grande importância e significado na vida da criança, sendo de sua responsabilidade, além da formação acadêmica, a continuidade aos ensinamentos cultivados na família, o que proporcionará a inserção da criança em um meio social mais amplo; e, uma vez exposta a regras sociais, a criança vai adquirindo as habilidades necessárias para o convívio em sociedade. Entretanto, apesar de possuirmos esse conhecimento, sabemos que, na prática, a realidade não se apresenta dessa forma tão simples. Com as crises em que vivem as famílias atuais; os desencontros entre pais e filhos; a falta de referências para práticas educativas; as ausências físicas e emocionais; o uso de tecnologias avançadas com pouca ou nenhuma supervisão (Internet, com suas facilidades e, ao mesmo tempo, com seus “perigos” virtuais); o excesso de consumo e condutas materialistas aos quais os jovens são submetidos nos apelos publicitários, a superficialidade e rapidez com que se conduz os relacionamentos, são alguns dos motivos para essa crise atual, que é comprovada pelo grande número de publicações de livros de orientação para educação de filhos presente em nossas livrarias. E é nesse contexto que nos perguntamos: Que tipo de geração nós estamos preparando? Diante dessa situação, podemos perfeitamente compreender o porquê de muitas das funções da família não estarem sendo exercidas ou sendo exercidas de forma insuficiente, pois muitas dessas crianças, ao entrarem na escola, não estão respaldadas pela formação primária da Família, por isso ainda precisam ser preparadas. Mas será que a escola sozinha conseguirá cumprir bem esse papel? Afinal, a escola precisa dessa preparação prévia que vem de casa para que a criança esteja minimamente capacitada para novos avanços e novas propostas educacionais, inclusive para uma boa interação com os colegas de turma. Entretanto, muitos desses jovens problemáticos até buscam ajuda e apoio em suas famílias, porém não encontram. Assim, os relacionamentos desses jovens começam a se desencontrar e as funções a se misturarem, pois a escola passa a ser cobrada pela formação que deveria ser promovida pela família, e esta, como está “confusa” em seu papel, não aceita e cobra da escola aquilo que lhe é pedido. No meio dessa triste situação, estão as crianças e adolescentes em formação de personalidade precisando desesperadamente de modelos de boas condutas e formaçao de caráter. E qual referencial que essas crianças e adolescentes, que serão os adultos do amanhã, adotarão para suas atitudes paternais, profissionais, cidadãs e interpessoais no futuro? Quais os conceitos que serão passados para a próxima geração após eles? Enquanto família, precisamos buscar uma instituição escolar que possua princípios educacionais próximos aos nossos. Precisamos entender que um relacionamento “equilibrado” com a escola possui, como únicos beneficiários, os nossos filhos. Mas além disso, é pre-

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ciso que busquemos o diálogo com nossas crianças e adolescentes para ensiná-las a viverem em ambientes harmoniosos e a usar caminhos eficientes na resolução de conflitos com o seu próximo. Busquemos entender os porquês, só assim poderemos questionar, indagar, mas com a devida clareza de estarmos fazendo a nossa parte enquanto pais atuantes e responsáveis, para depois cobrarmos a parte que nós contratamos. Assim, com certeza, estaremos preparando nossos filhos para serem pessoas mentalmente saudáveis, com relacionamentos estáveis e com grandes chances de de sucesso da vida. Além de, claro, grandes companheiros nessa nossa jornada. Fonte: Lycia Barros. Editora Novo Século. Disponível em: http://www.novoseculo. com.br/blog/?p=6005. Acesso em: 08 dez. 2016.

Regras de convivência Para que seja possível vivermos em sociedade, é preciso que existam regras. Tente imaginar um mundo sem regras. Como ele seria? Se estiver muito difícil imaginar isso, tente imaginar uma rua movimentada sem nenhum tipo de sinalização. Os carros, as motos, os caminhões, os ônibus, os ciclistas e os pedestres se misturam, e todos querem chegar ao seu destino. Como seria possível organizar essa bagunça? As regras existem exatamente para isso: organizar as relações entre as pessoas. Isso inclui também as relações que estabelecemos com o meio ambiente, seja ele natural ou urbano.

Conteúdo extra! Aponte seu smartphone para o QR Code e descubra para que servem as leis.

Como cidadãos, temos o dever de atuar ativamente na construção da democracia, isso ocorre pois temos nossos direitos. É importante estarmos sempre bem informados para entender e discutir os problemas da nossa comunidade.

Saiba mais! Democracia é um regime político baseado na vontade – poder – do povo. Caracteriza-se pelo direito ao voto e divisão de poderes.

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Cultura de paz O Estado Democrático nos garante: • Liberdade de opinião: direito de expressar pensamentos, ideias e convicções. • Liberdade de imprensa: direito dos meios de comunicação de publicar ou noticiar fatos sem precisar de autorização. • Liberdade de reunião: direito de discutir e refletir sobre qualquer assunto, em público, sem precisar de autorização prévia. • Liberdade de religião: direito de praticar livremente a religião de sua escolha.

Com esses direitos assegurados, podemos exercer nossa liberdade de escolha sem medo! Mas é importante ter em mente que a nossa liberdade termina quando começa a do outro. O regime oposto à democracia é a ditadura. O Brasil viveu o regime ditatorial entre os anos 1964 e 1985. Durante esse período, nenhum desses direitos era assegurado, ao contrário, pessoas que fossem surpreendidas falando mal do governo podiam ser presas, muitas foram mortas ou continuam desaparecidas. Pergunte aos seus pais e professores mais velhos como era viver naquela época. E para você: o que é ser livre? Somos capazes de nos expressar de diversas maneiras, por meio da linguagem oral e escrita, de símbolos, desenhos e ações.

Nem todas as formas de expressão são legítimas, algumas ações afetam a liberdade de outras pessoas, por isso podem ser reprimidas ou punidas de acordo com a lei.

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Ouvir música alta após às 22h. negativo

Manifestar-se exigindo a melhoria da educação. positivo

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Cultura de paz Pichar muros. negativo

Quebrar e vandalizar o patrimônio público. negativo

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Ouvir seu estilo de música preferido. positivo

Praticar a religião de sua escolha. positivo

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Cultura de paz Os atos de destruição e danificação de patrimônio público são considerados crime, e o infrator pode ser preso. Leia a seguir algumas disposições da lei que versam sobre isso. Patrimônio Público, segundo a Lei nº 4.717/65 É o conjunto de bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico, pertencentes aos entes da administração pública direta e indireta. Segundo a definição da lei, o que caracteriza o patrimônio público é o fato de pertencer a um ente público – a União, um Estado, um Município, uma autarquia ou uma empresa pública. O que diz o Código Penal (Lei nº 2.848/40) sobre Dano ao Patrimônio Público? Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único - Se o crime é cometido: I - com violência à pessoa ou grave ameaça; II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave; III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista; IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima; Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90) sobre o estudante que causar dano ao patrimônio público escolar? Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima. Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada.

e Proposta de atividad

tos identificar quais elemen e ur oc pr a, id gu se Em zer. pode gostar o que você gosta de fa ias. Por exemplo, você nc riê pe ex Faça uma lista de tudo as ss de / a m parte de cada um que as esferas público te No . do iva pr é e at sk públicos e privados faze ico, o é privaskate. O parque é públ cuidar apenas do que cê vo o id nt se to de ir ao parque andar de ui m z fa se comunicando. Não privado estão sempre do, não é mesmo?

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Leitura complementar Polícia investiga caso de vandalismo em escola municipal no interior do RS Delegado acredita em participação de criança e adolescente na ação Escola de Alegria atende 86 alunos; prejuízo é calculado em R$ 40 mil A Polícia Civil investiga um caso de vandalismo em uma escola municipal de Alegria, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A suspeita é de que pelo menos uma criança e um adolescente tenham participado da ação. Segundo um dos funcionários, os autores dos estragos entraram pela janela que fica na sala de informática. O sistema de alarme foi danificado e os extintores de incêndio foram usados. Há sujeira espalhada por toda a escola (...). Na secretaria, os armários foram abertos, e o material foi bagunçado e jogado no chão. Em uma das portas, uma faca ficou cravada e outras foram deixadas no local. A igreja que fica ao lado também foi arrombada, mas por dentro nada foi destruído. Apenas um envelope com dinheiro de doações foi levado. No parque de máquinas da prefeitura, os extintores foram acionados. (...) A diretora da escola, Lourdes Reis de Oliveira, se diz em estado de choque. No entanto, ela garante que vai trabalhar para reconstruir o que foi danificado. O prejuízo foi estimado em R$ 40 mil. A escola atende 86 alunos até o 4ª ano. O Secretário de Educação de Alegria diz que o trabalho agora é para identificar quem promoveu o vandalismo. (...) Fonte: G1. Disponível em: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/01/policia-investiga-caso-de-vandalismo-em-escola-municipal-no-interior-do-rs.html?menu=3a331256d856f9e. Acesso em: 15 abr. 2016.

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: as até agora, responda id lh co s õe aç rm fo in s patrimônio púCom base na nsiderado um dano ao co r se de po m ge rta o relatado na repo 1) O caso de vandalism blico? Por quê? cente? sse caso? E a um adoles ne o ult ad um a a ad lic tri2) Qual seria a pena ap ubam ou destroem o pa ro , am ch pi e qu s oa ss m pe e deveria acontecer co 3) Em sua opinião, o qu foram punidos? mônio público? cola? Os responsáveis es a su na o sm ali nd va caso de 4) Já aconteceu algum

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Problemas de convivência A paz, como já falamos aqui, é um conceito que nasce quando as pessoas escolhem e se propõem a conviver de forma harmoniosa. Porém, essa harmonia não é eterna e nem sempre é garantida. Problemas de convivência são parte da própria vida em sociedade. A relação entre pessoas dentro de um grupo ou sociedade é algo, muitas vezes, imprevisível. Como indivíduos, temos uma visão clara de conceitos, como empatia e antipatia, mas perdemos esse foco quando passamos a grupos maiores. As relações humanas são parte da própria vida em sociedade e não podem ser simplesmente postas de lado em circunstância de decisões ou ações. As relações do indivíduo nunca se dão apenas com um único grupo, o que muitas vezes cria dinâmicas de relacionamento completamente distintas, às vezes conflitivas. Dentro de uma escola, por exemplo, possuímos esferas de relacionamento interpessoal familiares, religiosas, de amizade, profissionais e até relações cliente-consumidor, em alguns casos. O fato é que toda relação interpessoal começa no indivíduo. Em uma escola ou instituição, são centenas ou milhares deles, cada um com sua personalidade, virtudes, defeitos e problemas. Cada um deles possui um conjunto de experiências, crenças, valores, conceitos, cultura, opiniões, dentre outras variáveis, os quais irão afetar os relacionamentos interpessoais do grupo e até mesmo a postura de cada um dos demais indivíduos. O relacionamento desse indivíduo com os demais sempre tem como meta a busca por um ponto em comum. Quando diversos indivíduos atingem pontos em comum, temos uma comunidade ou grupo harmonioso.

O ambiente também afeta o indivíduo e as relações interpessoais. Quanto mais aberto e transparente é um meio, mais propensos os indivíduos que nele convivem são a abrir concessões para que os pontos em comum sejam encontrados.

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Educadores e profissionais ligados à educação, de modo geral, são treinados para proporcionar ao aluno e demais pessoas que frequentam esse ambiente um espaço mais aberto, transparente e confiável. Manter um bom relacionamento é algo que deve ser passado pelos funcionários da escola, professores e até pessoas que eventualmente frequentem esse meio, porém é algo que deve ser igualmente projetado pelos pais e familiares do aluno e por ele mesmo, dentro e fora do ambiente estudantil. Problemas de convivência, geralmente, são resultado de ações ou atitudes que, por outras pessoas, podem ser interpretadas como faltas ou erros. Suas ações causam reações em colegas, professores e outros membros da comunidade, e a convivência, ao final de tudo, é o modo com que você gerencia suas próprias atitudes, de modo a não causar problemas nem desconforto para outras pessoas. Antigamente, falava-se muito em “regras de convivência”. Atualmente, falamos mais em civilidade e coexistência pacífica. Isso não exige apenas simpatia e cordialidade, como ocorre em condomínios ou círculos familiares. É preciso cumprir com suas obrigações e manter uma atitude dentro daquilo que se espera de você como aluno. Que atitudes são essas? • Assiduidade, ou seja, comparecer e frequentar a escola conforme é esperado de um aluno. • Pontualidade, uma vez que ao chegar atrasado, não apenas se gera uma indisposição com professores, mas também com colegas, que podem ter sua aula interrompida desnecessariamente. • Preservação e conservação, manter o ambiente do qual você depende apto a lhe oferecer chances de aprendizado; preservá-lo para uso por seus colegas e outros membros da comunidade. • Respeito, no tratamento a qualquer pessoa, independente de idade ou cargo. • Companheirismo, no sentido de reforçar os laços entre colegas. • Simpatia, no tratamento não apenas dado a professores e coordenadores, mas a outros profissionais que estão ali para permitir que você tenha o mínimo de condições, e aí incluímos faxineiros, encarregados, vigias e outros. Com tudo isso, conflitos são, muitas vezes, impossíveis de evitar – futuramente visitaremos o tema, em outro volume, no qual você aprenderá a lidar com conflitos e mediá-los, mesmo quando não estiver diretamente envolvido.

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é mesnários, professores e at io nc fu , as leg co m co ve nvivência s conflitos que você te cê teve problemas na co vo ais qu las Enumere os últimos trê pe es zõ ra tabeleça entre eles as eles. mo seus familiares, es pontos em comum entre os r se m de po ais qu ca e e, em seguida, verifiqu que a convivência pacífi m se es tõ es qu is ta r solve e como você poderia re Para esses pontos, avali se visse afetada. entre você e os demais

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Questão de bom senso Ter bom senso significa refletir sobre determinada situação e agir de maneira equilibrada considerando os prós e os contras.

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, o bom senso é o “elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta”. Use o bom senso para ajudar as pessoas e promover a harmonia em seu círculo de convivência.

É possível praticar a honestidade e o bom senso diariamente. Sabe como? Falando sempre a verdade, tratando a todos com respeito e não levando para casa coisas que pertençam a outras pessoas. Muito se fala sobre corrupção e crime, mas as pequenas atitudes também devem ser observadas. O que é errado é errado, não importa o “tamanho” do erro. Imagine que na volta para casa, depois de uma manhã inteira de estudos, você se depara com uma carteira no chão contendo R$ 200,00. Você olha em volta e não há ninguém por perto. Você nota que existe, além do dinheiro e dos documentos, um pedaço de papel com um número de telefone. O que você faz? a. Joga a carteira fora e fica com o dinheiro, afinal, não teria como devolver o dinheiro. b. Entrega a carteira com os documentos no posto policial mais próximo, mas fica com o dinheiro. c. Entrega a carteira com os documentos e todo o dinheiro no posto policial.

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d. Liga no número que está anotado no papel para tentar entrar em contato com o dono ou dona da carteira e devolver seus pertences. Antes de responder, coloque-se no lugar da pessoa que perdeu a carteira. O que você gostaria que tivesse sido feito nesse caso?

Liberdade com responsabilidade A palavra ‘liberdade’ tem origem latina – libertas – e significa independência. Etimologicamente, a palavra ‘responsabilidade’ também vem do latim – respondere – e significa ser capaz de se comprometer. Essa palavra assume várias formas – física, civil, de pensamento, de expressão, sexual etc. Filosoficamente, podemos dizer que a liberdade moral é a nossa capacidade de medir racionalmente as causas e consequências dos nossos atos. A responsabilidade e a liberdade estão fortemente ligadas, uma vez que só somos realmente livres se formos responsáveis e só podemos ser responsáveis se formos livres. Essas duas condições são essenciais na construção da individualidade, pois somente por meio da liberdade e da responsabilidade uma pessoa será capaz de se tornar verdadeiramente dona de si. O exercício da liberdade é um dos principais pressupostos para que a cidadania seja exercida plenamente dentro de um regime democrático. No entanto, a deturpação deste conceito gera muitos conflitos ideológicos entre os membros da sociedade, sobretudo entre as crianças e os jovens. É normal encontrar dificuldades ao abordar essa temática, pois ela traz à tona opiniões pessoais e situações específicas. Dignidade, direitos humanos, individualidade e coletividade – todos esses temas podem ser trabalhados com base na ideia de liberdade. Analisar os pontos de vista sobre o que é liberdade para cada um é um recurso riquíssimo, pois coloca em prática as noções de cidadania, espaços compartilhados e respeito. Os jovens em idade escolar estão em pleno processo de assimilação sobre o que significa ser responsável e consciente das consequências de seus atos. Nesse momento, torna-se crucial que a liberdade seja considerada como “poder fazer tudo, desde que não prejudique outras pessoas.”

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ando um novo de conforto, possibilit na zo da ar tir s no uito de r ples têm o pode micas, descobrimos m nâ di s sa es r za ali Algumas atividades sim re Ao os. e estamos acostumad olhar sobre coisas qu s cercam. no bre as pessoas que o de melhosobre nós mesmos e so e, é um excelente mod nt se tro ou o o m co ir seja, procurar sent Exercitar a empatia, ou izar os conflitos. porrar as relações e minim em grupo. É muito im s da za ali re r se m ve que de sitivos opostas de dinâmicas ssa forma, os efeitos po De . las de a um A seguir, estão duas pr da ca de balanço ao final de tante fazer uma espécie ais claramente. podem ser sentidos m objetivos? O que você quer ser? a vida. Quais são seus su da ra pe es cê vo e qu lha de caderno o • Escreva em uma fo s. dades e os seus defeito is, a longo • Enumere suas quali o imediatamente; depo ad or elh m r se de po e e tudo aquilo qu • Primeiro, identifiqu prazo. objetivos? o para atingir os seus nd ze fa rma e tá es cê vo e qu • O s com o restante da tu to en am ns pe us se e lh respeito. exão pessoal, comparti e ao se expressar a esse a vid a e br so Após realizar uma refl ir et fl re o cada um se sentiu ao procure entender com

Crime na escola e suas consequências As penas dos crimes descritos a seguir valem apenas para maiores de 18 anos. Nos casos de menores contraventores, são aplicadas as medidas socioeducativas. Entenda as diferenças entre detenção, reclusão e internação Detenção e reclusão se diferem da internação, porque são aplicadas a adultos, pessoas com idade superior a 18 anos, enquanto a internação é aplicável a adolescentes, pessoas que têm entre 12 e 18 anos, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA (Lei nº. 8.069/1990). A natureza dos conceitos também opõe detenção e reclusão, que são penas, à internação, que é uma medida socioeducativa. De acordo com o artigo 33 da Lei nº. 7.209/1984, a pena de reclusão tem de ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A pena de detenção pode ser cumprida no regime semiaberto ou aberto. Segundo a mesma lei, que modificou o Código Penal, o regime fechado é a pena que se cumpre em “estabelecimento de segurança máxima ou média”. Colônias agrícolas, industriais ou casas

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prisionais semelhantes são locais onde se pode aplicar o regime semiaberto, enquanto a casa de albergado é a unidade onde condenados devem cumprir o regime aberto, segundo a lei. A internação é uma das 12 medidas que o Poder Judiciário pode aplicar ao adolescente que comprovadamente tiver cometido ato infracional, de acordo com o Capítulo IV do ECA. A restrição de liberdade poderá durar no máximo três anos, sendo que a manutenção da internação deverá ser reavaliada a cada seis meses. Ao completar 21 anos, qualquer pessoa condenada à medida socioeducativa da internação será liberada obrigatoriamente. Há apenas três hipóteses para a aplicação de uma medida de internação a um adolescente. Quando o ato infracional for cometido “mediante grave ameaça ou violência à pessoa”, quando houver reincidência de outras infrações graves e quando o adolescente descumprir, reiterada e injustificadamente, a “medida anteriormente imposta”, de acordo com o artigo 122 do ECA, o juiz poderá determinar a medida de internação. O artigo 123 do ECA explicita que o local da internação deverá ser entidade exclusivamente dedicada a adolescentes internados, e que os internos serão separados de acordo com a “idade, compleição física e gravidade da infração.” Fonte: Agência CNJ de notícias. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/62419-entenda-as-diferencas-entre-detencao-reclusao-e-internacao. Acesso em: 12 abr. 2016.

A liberdade é nosso bem mais precioso. Devemos prezar por esse direito acima de qualquer outro, mas isso implica prezar, também, pela liberdade do outro.

Dano (artigo 163 do Código Penal) “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheias.” Pena: detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

No caso das escolas públicas, o patrimônio é da União, Estado ou Município. Assim, o crime será de dano qualificado, cuja pena é detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

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Pare e pense O patrimônio público tem esse nome porque ele é de todos. É meu, é seu, é dos seus vizinhos, dos seus pais e será também dos seus filhos. Não seria absurdo alguém ganhar um celular novinho e jogá-lo no chão, atirá-lo contra a parede, chutá-lo? Aposto que todo mundo concorda que seria uma atitude completamente inaceitável, não? Então, por que achar normal e até “legal” destruir os telefones públicos, bebedouros, carteiras escolares? Organize com sua turma uma roda de conversa e reflitam sobre esse tema.

Pichação (artigo 65 da Lei 9.605/98) “Pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano.” Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

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O grafite é, sim, uma forma de expressão artística, mas, como todas as outras, deve respeitar os limites impostos pela lei e nunca prejudicar outras pessoas ou seus bens.

Porte de arma (artigo 14 da lei 10.826/03) 314390225

“Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda e ocultar arma de fogo, acessório e munição de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal regulamentar.” Pena: reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente.

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Uso de entorpecentes (artigo 28 da Lei 11.343/06) “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento à programa ou a curso educativo. Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e pagamento de 20 a 50 dias-multa.

Tráfico de entorpecentes (artigo 33 da Lei 11.343/06) “Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.” Pena: reclusão, de 5 a 15 anos, e pagamento de 500 a 1.500 dias-multa.

Ameaça (artigo 147 do Código Penal) “Ameaçar alguém por palavras escritas ou gesto ou qualquer outro meio simbólico de causar-lhe mal injusto e grave.” Pena: detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

Lesão Corporal (artigo 129 do Código Penal) “Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem.” Pena: detenção de 3 meses a 1 ano.

Rixa (artigo 137 do Código Penal) “Participação de rixa, salvo para separar os contentores.” Pena: detenção, de 15 dias a 2 meses, ou multa.

Explicando melhor Rixa é a luta entre 3 ou mais pessoas envolvendo violência física recíproca.

Ato obsceno (artigo 233 do Código Penal) “Praticar ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao público.”

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Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa. O ato obsceno tem conotação sexual e, portanto, é aquele que ofende ao pudor público.

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Corrupção de menores (artigo 218 do Código Penal) “Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e menor de 18 anos, com ela praticar ato de libidinagem ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo.” Pena: reclusão de 1 a 4 anos.

Atentado violento ao pudor (artigo 214 do Código Penal) “Constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal.” Pena: reclusão de 6 a 10 anos.

Estupro (artigo 213 do Código Penal) “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.” Pena: reclusão de 6 a 10 anos. Todos nós temos o direito de exigir respeito em relação a nossa vida sexual, da mesma forma que temos a obrigação de respeitar as opções sexuais das outras pessoas. É considerado estupro qualquer ato sexual praticado à força ou com pessoa inconsciente (desmaiada ou extremamente alcoolizada). A regra é clara: Sexo só é natural quando é consensual. No entanto, pessoas parecem ter uma certa dificuldade em entender o significado das palavras ‘consentimento’ e ‘abuso sexual’. Para esclarecer este ponto, a blogueira britânica Rockstar Dinosaur Pirate Princess, em parceria com a produtora Blue Seat Studios, produziu um vídeo que usa a metáfora de uma xícara de chá para explicar por que não se pode forçar um homem ou uma mulher a fazer sexo.

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Conteúdo extra! Intitulado Tea Consent (Chá e Consentimento), o vídeo já teve milhares de acessos. Por meio do QR Code, você também pode assistir. Após a sessão, forme com sua turma uma roda de debate e reflitam sobre o assunto. Algumas pessoas podem até mesmo fazer relatos de situações em que sentiram desrespeitadas. Aponte seu smartphone e assita.

Implicações legais para o jovem infrator: • Advertência; • obrigação de reparar o dano; • prestação de serviço à comunidade; • liberdade assistida; • inserção em regime de semiliberdade; • internação. As medidas sempre devem ser aplicadas levando em consideração uma relação de proporcionalidade, ou seja, a capacidade do infrator em cumpri-las, as circunstâncias e a gravidade da infração. Devido Processo Legal – quer dizer que ninguém pode ser processado e julgado sem o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Contraditório – argumentação contrária à acusação. A cada ato produzido pela acusação caberá igual direito à defesa de manifestar-se da forma que melhor lhe convier. Ampla defesa – garantia dada ao acusado de poder trazer para o processo todos os elementos que possam esclarecer a verdade, ou mesmo, omitir-se, calar-se, se julgar necessário. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente e com o Regimento Interno da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), a seguir os direitos e deveres dos adolescentes durante a internação. Direitos • Entrevistar-se pessoalmente com representante do Ministério Público. • Fazer um documento escrito, solicitando alguma providência diretamente a qualquer autoridade; entrevistar-se reservadamente com seu defensor; obter informações sobre a situação processual. • Receber tratamento com respeito e dignidade, assegurando-se o chamamento pelo nome. • Permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsáveis. • Receber visitas semanalmente; ter acesso aos objetos necessários à higiene e aos meios de comunicação. • Habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade.

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Cultura de paz • Receber escolarização, profissionalização, assistência religiosa, segundo sua crença, realizar atividades culturais, esportivas e de lazer. • Solicitar medida de conveniência protetora, assegurando-se espaço físico apropriado quando estiver em situação de risco. • Receber, periodicamente, informações sobre a evolução do seu plano individual de atendimento. • Quando o juiz determinar, ser encaminhado aos psicólogos/psiquiatras identificados pelos profissionais da unidade onde o adolescente cumpre medida de internação. Deveres • Cumprir fielmente a medida socioeducativa e comportar-se convenientemente. • Participar de atividades pedagógicas previstas no plano individual de atendimento. • Manter a higiene pessoal e conservar o seu alojamento. • Submeter-se à revista pessoal, de seu alojamento e de seus pertences sempre que necessário e a critério da Fundação CASA. • Submeter-se à avaliação inicial e continuada pela equipe multidisciplinar; usar vestuário padronizado, fornecido pela unidade. A Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), instituição vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, tem a missão primordial de aplicar medidas socioeducativas de acordo com as diretrizes e normas previstas pelo ECA e Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). A Fundação CASA presta assistência a jovens de 12 a 21 anos incompletos em todo o estado de São Paulo. Eles estão inseridos nas medidas socioeducativas de privação de liberdade (internação) e semiliberdade. As medidas – determinadas pelo Poder Judiciário – são aplicadas de acordo com o ato infracional e a idade dos adolescentes.

Texto complementar Com o dedo no gatilho O recurso às armas em brigas e conflitos, nesses tempos do agravamento da violência na sociedade, chega em grande medida à escola. Alguns estudantes justificam o porte como necessidade de impor respeito, proteger e defender-se. Mas a disponibilidade de uma arma aumenta o perigo de confrontos e homicídios, como ressalta a literatura nacional e internacional sobre o tema. No Brasil, os dados da pesquisa da UNESCO indicam que as armas de fogo são apenas uma pequena porção das encontradas nas escolas. Há mais “armas brancas” do tipo faca ou tesoura, além de correntes, cacetes, porretes. Os diretores e o corpo técnico-pedagógico relatam que é habitual encontrar esses instrumentos com os alunos. Alguns pais até defendem a atitude dos filhos, alegando que é preciso carregar alguma coisa para se defender.

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Os alunos demonstram familiaridade com a compra e asseguram que é muito simples adquirir uma arma de fogo por intermédio de amigos e conhecidos. Em muitas lojas, não é exigida a autorização, e a própria polícia aparece como fornecedora. Segundo membros das diretorias, muitos alunos vão à escola com armas de brinquedo para intimidar, o que evidencia a importância das armas no imaginário dos jovens. Tanto que uma parcela informou já ter visto alunos, pais ou professores carregando arma de fogo no ambiente escolar (...). Já entre os membros do corpo técnico-pedagógico, os percentuais são muito menores, variando entre 2% e 8%. Tudo indica que, em muitos casos, o porte não é notado nem noticiado. A presença de qualquer tipo de armamento sinaliza não somente violências efetivas e explícitas, mas também cenários que banalizam violências, já que as armas, mesmo quando não acionadas, tornam-se constituintes do próprio cenário escolar. Testemunhar o porte de armas de fogo e de outras significa fazer parte de um campo que pode viver uma batalha a qualquer momento. O mais grave é o fato de muitos jovens afirmarem que têm acesso a armas de fogo em casa (veja quadro Formas de Contato com Armas de Fogo). Elas, geralmente, pertencem aos pais ou a outros familiares e ficam escondidas ou guardadas.

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Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade. Victor Hugo

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CAPÍTULO 2 Relações familiares

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Cultura de paz Desde os anos 1960, a família tem mudado bastante. Inicialmente, sua configuração multiplicou-se já que no lugar do clássico modelo homem e mulher que se casam, ficam juntos até que a morte os separe e têm filhos, começam a surgir outras formas de agrupamento familiar com o advento do divórcio, dos recasamentos e das uniões homossexuais. a função de cada um dos seus integrantes também tem se transformado. se antes o homem era o único ou o maior responsável pelo sustento familiar e a mulher pela organização doméstica e a educação dos filhos, hoje essas funções são mais compartilhadas, se bem que nem sempre de modo paritário. Essas e outras mudanças, aliadas a características sociais tais como o individualismo, a primazia do consumo, a busca da juventude permanente e da felicidade imediata têm transformado radicalmente as relações entre pais e filhos e, portanto, a educação dos mais novos e sua formação. Cada vez mais, a educação escolar – entendida como preparação para o futuro êxito profissional – ganha destaque exagerado e isso gera um fenômeno importante: o lugar de filho vai se esvaziando e as crianças passam a ocupar, quase que exclusivamente, o lugar de aluno. pais, professores e adultos se relacionam com as crianças tendo preferencialmente como elemento mediador a vida escolar delas. O processo do ensinamento aos filhos da convivência com os outros, a transmissão da história, tradições, valores e costumes familiares, a construção das virtudes e da moral familiar, o ensinamento de princípios caros ao grupo, entre tantos outros atributos dos pais, perdem terreno. Trata-se, segundo alguns estudiosos, do declínio da educação familiar. temos formado uma geração de anônimos, de órfãos de famílias vivas? Refletir a respeito de tais fenômenos e buscar novas maneiras de encarar antigas tradições familiares nesse momento de transição e crise é o desafio deste módulo.

Texto complementar O que é liberdade? Um empresário norte-americano e sua esposa disseram-me algo muito interessante. Eles bservaram que conheciam algumas das pessoas maisricas do mundo, mas também perceberam que a vida de muitas delas era realmente sofrida: viúvas sentiam tristeza e vazio depois da morte de seus esposos; pessoas que haviam perdido todo o senso de missão; e outras que, mesmo tendo atingido suas metasfinanceiras, viram-se subitamente frente a frente com seu verdadeiro eu e sentiram tristeza e solidão. A verdadeira liberdade, em última análise, depende daquilo a que decidimos nos dedicar com sinceridade. Não significa simplesmente se divertir. Não é gastar dinheiro feito água nem é ter todo o tempo livre no mundo. Não é tirar férias longas. Fazer apenas o que nos agrada não é liberdade, é simplesmente capricho. A verdadeira liberdade reside no desafio constante do autodesenvolvimento para atingir um objetivo escolhido. Esse caminho está revestido com o ouro reluzente da liberdade. — É verdade que nossa tendência é pensar em lazer como sinônimo de liberdade, mas são coisas bem diferentes... Se formos passivos, sentiremo-nos aprisionados e infelizes até mes-

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mo no mais livre dos ambientes. Mas, se adotarmos uma atitude ativa e desafiarmos as circunstâncias, seremos livres, por mais restritiva que possa ser a situação... No Budismo, a verdadeira liberdade está relacionada à própria condição de vida da pessoa. Alguém com condição de vida expansiva é livre até mesmo na mais restritiva das prisões da Terra. Adolfo Pérez Esquivel, ativista argentino dos direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, disse-me uma vez que a prisão havia lhe ensinado a ter uma clara valorização da liberdade. Natalia Sats, falecida presidente do Teatro Musical Infantil de Moscou, lutou contra a opressão e também transformou a cela em que permaneceu num local de aprendizagem. Ela incentivou as companheiras de prisão a compartilhar o conhecimento de cada uma delas umas com as outras. Uma podia ensinar química, outra, medicina. A Sra. Sats, que era cantora e artista, interpretou canções e recitou poesias de Aleksandr Pushkin, esforçando-se para inspirar coragem e esperança em todas... — Aqueles que se recusam a ser derrotados elas circunstâncias, por mais duras que sejam, são verdadeiramente livres. Sim. Tenho certeza de que conhecem a história de Helen Keller (1880–1968). Quando tinha 1 ano e meio, ela perdeu a visão e a audição. A surdez também dificultou a fala. Contudo, com a ajuda da professora Anne Sullivan, ela gradativamente aprendeu a ler, escrever e falar, formando-se pela Radcliffe College, em Cambridge, Massachusetts. Certamente, ninguém poderia enfrentar mais limitações do que ela — que era incapaz de falar, ouvir ou enxergar. Seu mundo era o de escuridão e silêncio. No entanto, ela expulsou a escuridão do coração... Como resultado do trabalho extraordinariamente árduo, mais tarde, viajou por todos os países, dando palestras e oferecendo incentivo a outras pessoas com deficiências. Visitou o Japão diversas vezes e inspirou coragem no mundo inteiro. Recusou-se a ser derrotada. Sempre voltou o rosto na direção do Sol em busca da resplandecente luz da esperança. Entretanto, era humana e, às vezes, se sentia desamparada e desanimada... Ela escreveu: Muitas vezes, escorrego, caio, paro, enfrento obstáculos ocultos, perco a paciência e recobro-a novamente, aí melhoro. Caminho com dificuldade, avanço um pouco, sinto-me encorajada e mais ávida, escalo mais alto e passo a enxergar o horizonte se ampliando. Cada luta é uma vitória. — Ela viveu com força e coragem extraordinárias. Um dos nossos leitores jovens tem a seguinte pergunta: “Quero fazer o melhor, mas fico esgotado por ter de conciliar a escola, as responsabilidades familiares e as atividades do Budismo. O que devo fazer?” É preciso desenvolver força. Quanto mais forte for, mais livre você será. Quem possui pouca resistência terá muitas dificuldades até para escalar uma montanha de apenas 400 metros de altura. Alguém doente pode até nem conseguir escalá-la. Porém, a pessoa forte e saudável fará isso facilmente com alegria e entusiasmo. Por essa razão, é importante desenvolver força... A liberdade existe no au-

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Cultura de paz tocontrole. Na sociedade, há regras e uma ordem segundo as quais vivemos e trabalhamos. Há coerência e razão, direção e propósito. Isso fica evidente no mundo natural, também. O Sol se levanta ao amanhecer e se põe ao anoitecer. As estrelas brilham à noite. Cada um deles possui seu papel esegue determinado ritmo e dada ordem. Eles não aparecem aleatoriamente ou por capricho; assim, de certa maneira, suas atividades são restritas... — Em outras palavras, fugir das responsabilidades não é o mesmo que liberdade. É claro que você poderá fugir delas. Essa liberdade existe. Mas é uma liberdade pequena e insignificante. Essa liberdade só conduz a uma vida de grandes dificuldades, na qual você ficará impotente, fraco e se frustrará por completo. Paralelamente a essa liberdade insignificante, contudo, existe uma liberdade muito maior. O renomado romancista japonês, Eiji Yoshikawa (1892–1962), escreveu: “Um grande caráter é forjado pelas adversidades”. Somente polindo a própria vida por meio de constantes dificuldades é que você poderá construir uma vida com o brilho resplandecente de uma pedra preciosa. Quando atingir esse estado da vida, nada lhe perturbará. Você será livre e vitorioso. No momento em que perceber essa verdade, até as adversidades se tornarão alegrias. A própria ousadia de encarar esses desafios é a imensa liberdade... A liberdade e a falta dela são duas faces da mesma moeda. As pessoas mais ocupadas parecem ter as maiores restrições de tempo, mas elas frequentemente desfrutam, de fato, a maior liberdade. Liberdade não pode ser medida em termos de tempo; a quantidade de “tempo livre” que temos não tem nada a ver com a quantidade de “liberdade” que possuímos. É o que fazemos com nosso tempo que conta. Duas pessoas com a mesma quantidade de tempo livre vão utilizá-lo de formas diferentes: uma poderá apreciá-lo, enquanto outra poderá reclamar, achando que seu tempo livre é tedioso ou insuficiente. De modo semelhante, você pode passar uma hora assistindo à televisão, vendo o tempo passar num instante sem fazer absolutamente nada, ou estudando, sentindo uma sensação gratificante de realização quando terminar. Essa hora pode ser um momento decisivo na sua vida. A liberdade é determinada por seus valores, pelas coisas que você considera importantes na vida... De certo modo, nenhum de nós vai alcançar a verdadeira felicidade a menos que todos os demais sejam felizes. Basear a própria vida e as ações nessa consciência é o que o Budismo chama de modo de vida do bodhisattva. Da mesma forma, só desfrutaremos de verdadeira liberdade se todas as outras pessoas também forem livres. Em nosso mundo atual, um número excessivo de pessoas está acorrentado à pobreza, à opressão, ao medo e à ignorância; uma quantidade enorme delas é privada de sua liberdade pela guerra e pela discriminação. Aquele que se levanta para lutar pela liberdade dessas pessoas é verdadeiramente livre. Espero que cada um de vocês se tornem esse tipo de pessoa. Portanto, é fun-

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damental que encarem, com retidão, e desafiem as tarefas à frente, concluindo-as vitoriosos. Então, assim como as árvores crescem, dão flores e frutos por se enraizarem profundamente no solo e estendendo seus galhos em direção ao céu, vocês conhecerão, de modo natural, a liberdade cada vez maior.

O papel da família A Constituição Federal de 1988 passou a considerar a criança e o adolescente como prioridade absoluta do Poder Público, da família e de toda a sociedade. Resumidamente falando, isso significa que os direitos desses indivíduos devem ser mais protegidos que os de outras pessoas. O ECA, criado dois anos depois da Constituição, trouxe bases conceituais mais sólidas para o cumprimento desses direitos.

De acordo com o ECA, é considerada criança a pessoa com até 12 anos incompletos e adolescente aquela que tiver entre 12 e 18 anos de idade.

O ECA representa um inegável avanço nas regras de proteção à criança ao adolescente e prevê a participação da sociedade civil na decisão e no controle das políticas públicas. As crianças e os adolescentes são sujeitos de direitos beneficiários de proteção especial. A proteção integral significa favorecer por todas as formas o seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 10 lembretes para a família ou o responsável pelo adolescente ter sempre à mão: 1. Saiba que o ECA não prevê a detenção de adolescentes em delegacias e presídios. Lute por esse direito!

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Cultura de paz 2. Você tem o direito de ser imediatamente informado se o adolescente for apreendido. 3. Procure um advogado ou defensor público para receber orientação e assistência adequada. O defensor público não cobrará nada de você por este serviço. 4. Os adolescentes apreendidos deverão ser mantidos em espaço adequado para eles. Se não houver Unidade de Atendimento Inicial (UAI) em sua cidade, saiba que ele deve ser transferido para a localidade mais próxima. Em último caso, o adolescente deverá aguardar a sua transferência em estabelecimento policial, separado dos adultos e com instalações adequadas, pelo prazo máximo de 05 dias. 5. O adolescente só pode ser apreendido em flagrante ou por ordem escrita e fundamentada pela autoridade judiciária competente. 6. Se o adolescente for internado antes de receber a sentença do juiz, ele só poderá permanecer em Unidades de Internação Provisória (UIP) por, no máximo, 45 dias. 7. A violência policial é crime! Se você notar hematomas no adolescente ou se ele relatar algum tipo de violência, procure o defensor público ou o Ministério Público da Infância e Juventude e denuncie. 8. O adolescente e seu defensor devem ser diretamente intimados sobre a sentença de internação ou semiliberdade. 9. Um adolescente que cometeu ato infracional jamais poderá permanecer internado por mais de 3 anos. Enquanto estiver internado, a medida de internação deverá ser constantemente reavaliada. Aos 21 anos, a liberação do adolescente é obrigatória! 10. Todos os direitos fundamentais do adolescente deverão ser assegurados nas unidades de internação, como escolarização e profissionalização, alojamento adequado e em unidades próximas aos pais ou responsáveis, acesso a materiais de higiene e aos meios de comunicação, recebimento de visitas, atividades de esporte, cultura e lazer e atendimento psicológico ou médico sempre que necessário, entre outros. Fonte: Em defesa do adolescente: protagonismo das famílias na defesa dos direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. São Paulo, 2008.

Em respeito aos princípios norteadores do ECA, assegurados na Constituição Federal, o membro do Ministério Público, o juiz, advogados, defensores públicos e a sociedade devem zelar para que seja assegurado ao adolescente autor de ato infracional o direito à convivência familiar e comunitária.

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O cotidiano escolar é um desafio para todos: família, alunos e educadores. São muitas as dificuldades encontradas, principalmente quando ocorrem situações de violência contra uma criança ou um adolescente. A verdade é que muitos casos de violência não ocorrem dentro da escola, mas é nesse contexto que muitas violações são descobertas, inclusive aquelas praticadas dentro de casa. Nesse sentido, a lei é bastante clara: quando existe alguma suspeita de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo violência doméstica, o ator escolar tem a obrigação de comunicar oficialmente as autoridades competentes. Ator escolar é todo o adulto ligado à instituição escolar. Pode ser um(a) professor(a), um(a) coordenador(a), um(a) diretor(a) ou um(a) psicólogo(a). Essas situações são extremamente delicadas, por isso existem formas corretas de proceder. A família deve estar sempre atenta ao tipo de procedimento aplicado. Para ajudar nessa avaliação, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) lançou uma resolução, em 2015, que apresenta os fluxos escolares em situações de violação de direito ou de ato infracional praticado contra e por crianças e adolescentes em âmbito escolar. De adolescentes que vandalizam a escola até a notícia de uma criança que aparentemente sofre abuso sexual em casa; os exemplos e casos são inúmeros. A quem recorrer? Quando se deve chamar o Conselho Tutelar? Quando a polícia deve ser acionada? Quem faz o encaminhamento médico? Essas são algumas das competências que nem sempre estão claras para profissionais e gestores escolares, muito menos para a família.

Mediação de conflitos

A paz não exclui o conflito

É frequente a afirmação de que paz é ausência de conflito. Se nos colocamos nesta perspectiva, idealizamos a paz, pois o conflito é inerente a vida humana. Não há crescimento pessoal sem que passemos por momentos de crise e conflito. Também no plano social, o conflito é parte da dinâmica de relações e confronto de interesses. Numa sociedade pluralista, o reconhecimento da diferença, em suas diversas configurações passa por processos de confronto social, sem os quais é impossível que o reconhecimento e a conquista de direitos se dê.

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Cultura de paz Para Federico Mayor (1999:2) , atual presidente da UNESCO, não pode haver paz sustentável, sem desenvolvimento sustentável. Não pode haver desenvolvimento sem educação ao longo da vida. Não pode haver desenvolvimento sem democracia, sem uma distribuição mais eqüitativa dos recursos, sem a eliminação das disparidades que separam os países avançados daqueles menos desenvolvidos. Nesta perspectiva a construção da paz exige uma postura ativa. Não pode ser reduzida a uma cidadania passiva, se é possível chamá-la de cidadania, que se limite aos aspectos formais dos ritos democráticos. Construir a paz supõe ação, respeito pelos direitos humanos, luta não violenta contra tudo que desconhece a dignidade humana, afirmação do estado de direito, articulação entre políticas de igualdade e de identidade, entre igualdade social e diferença cultural.

O que é conflito Conflito Substantivo masculino 1. profunda falta de entendimento entre duas ou mais partes. "conflito. de gerações"

“O conflito é um processo natural e necessário em toda sociedade humana, é uma das forças motivadoras da mudança social e um elemento criativo essencial nas relações humanas.”( Arenal apud Jares, 1999, 110) Cuidar do presente significa cuidar também do futuro. A sua escola é a sua vida, nela estão seus amigos, nela você passa grande parte do seu tempo, nela você aprende muito mais que Língua Portuguesa, Matemática e História. Você pode e deve contribuir para melhorar as relações interpessoais e a qualidade de vida dentro da sua escola. Como? Mobilizando-se, não se omitindo, cobrando posturas éticas dos seus colegas e educadores.

Texto complementar Alunos fazem mediação de conflitos em escola da capital paulista Mesmo tendo adotado, há 12 anos, um modelo pedagógico inovador, a Escola Municipal Presidente Campos Salles ainda tem de lidar com episódios de violência. Com cerca de mil alunos, o colégio fica em Heliópolis, comunidade da zona sul de São Paulo. Em um desses incidentes, o aluno do 4º ano Felipe Rodrigues presenciou um colega cuspir em uma professora. Como parte de sua responsabilidade, coube ao jovem, de 11 anos, conversar com o agressor. “Olha, pede desculpa à professora. Você

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tinha que pensar antes de fazer isso”, contou sobre o tom usado com o estudante indisciplinado. Felipe faz parte da comissão mediadora de sua sala, um grupo de 10 a 15 alunos, eleito pela própria turma para cuidar dos problemas enfrentados ao longo do ano letivo. “Há estudantes que têm dificuldade em matemática. Outros, na educação física. E há estudantes que têm dificuldade nas atitudes”, ressalta a coordenadora pedagógica da escola, Amélia Arrobal Fernandez. As comissões fazem parte do projeto pedagógico adotado pela escola de Ensino Fundamental, que tem como base a integração com a comunidade e a gestão participativa. O modelo é inspirado na portuguesa Escola da Ponte. “Os problemas da escola são os da comunidade. Os problemas da comunidade também são da escola”, diz Amélia. Recentemente, o projeto pedagógico foi aprovado oficialmente pelo Conselho Municipal de Educação de São Paulo. Com a deliberação, foi recomendada a divulgação da proposta para outras escolas da rede de ensino da capital. Após a abordagem, o colega indisciplinado se sentiu mais à vontade para contar a Felipe um pouco de seus problemas pessoais. “Ele até desabafou. Nós conversamos e falamos que o que ele precisasse, nós ajudaríamos. O jeito dele se expressar é bater nas pessoas. O que ele sofre desconta aqui”, diz em referência ao outro jovem, que relatou sofrer agressões do tio alcoólatra. Esse tipo de trabalho, que parte dos estudantes, tende, segundo a coordenadora, a ter resultados mais efetivos que atitudes tomadas diretamente pelos adultos. “Por mais que professores, família e gestores interfiram, eles falam a mesma língua. As coisas têm o mesmo sentido e significado para eles. É diferente ouvir do próprio segmento”, acrescenta Amélia. (...) A resolução de conflitos garante, de acordo com a coordenadora, as condições para que a proposta funcione. “Se não houver uma convivência democrática e respeitosa, não existirá ambiente de estudo e aprendizagem. Porque a convivência é a base de tudo”. Apesar de aumentar a responsabilidade dos jovens, que devem tomar decisões sobre os caminhos a seguir, a proposta também aumenta a sensação de liberdade. “Minha irmã estudava em uma escola estadual. Ela me contava que lá era cheio de grades. Eu ia morrer sufocada. Aqui não tem grades”, comenta Ana Suellen Sousa da Silva, de 14 anos, que fez na escola todo o Ensino Fundamental. Ao atuar ativamente na resolução de conflitos, a professora Valéria Vieira acredita que os alunos também começam a se preparar para os desafios da vida adulta. “Principalmente quando ele entrar para o mercado de trabalho, quando terá que resolver problemas, se relacionar com outras pessoas”.

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Cultura de paz Novas atitudes As mudanças de atitude, no entanto, já podem ser sentidas no cotidiano e nas relações pessoais dos estudantes. “Às vezes, minha mãe chega estressada do trabalho e joga a culpa toda em cima de mim e do meu irmão. Eu chego e digo: ‘Mãe, não é assim que você tem que fazer. Se você está estressada, deve conversar com quem te deixou raivosa. Você não tem que descontar em nós’ ”, conta Felipe sobre como tenta resolver os conflitos dentro da própria casa. (...) Fonte: Agência Brasil. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/ noticia/2015-12/alunos-fazem-mediacao-de-conflitos-em-escola-da-capital-paulista. Acesso em: 20 abr. 2016.

e Proposta de atividad

simulem escola Campos Salles, da s no alu e es or ad ia relatada pelos educ iação. Com base na experiênc possibilidades de med iem cr e la co es a su cia na l de “vilão”. uma situação de violên representarem o pape ra pa s oa ss pe am lh co ção de violência e es 1. Imaginem uma situa conflito. uar como mediador do at ra pa as leg co s do 2. Elejam um r o desfecho educador e comunica do da aju m co las áut opor ações, exec 3. O mediador deve pr das aos colegas de turma. e devem ser respondi qu es tõ es qu as e ão aç ul umas sugestões de sim Para ajudar, seguem alg sfecho positivo. para se alcançar um de ? • Quem foi o agente • Qual foi o motivo? a ação mediadora? • Como será realizada o? ra solucionar o ocorrid • Qual é a proposta pa o? unta de conscientizaçã nj co ão aç a um de ise corrente, que prec • Trata-se de algo re mo desfecho? • O que se espera co

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Memória familiar As famílias que estão se constituindo na atualidade não utilizam mais registrar em papel álbuns fotográficos, já que hoje temos uma facilidade com as imagens que inundam os computadores, com mais velocidade e praticidade, não se pode negar que essas memórias da infância e da juventude que os pais e mães têm hoje acesso facilitado preservam biografias e mostram a trajetória de infância, adolescência, juventude e fase adulta dos filhos, pois filhos nunca deixam de ser as eternas crianças para os pais, funcionam desta forma, como um importante meio de visualizar trajetórias, vínculos, evocar acontecimentos e resgatar memórias.

Por outro lado, mesmo que algumas famílias não tenham meios de construir quaisquer álbuns – impressos ou digitais, é possível que algumas fotos estejam nas casas (em porta-retratos, estantes, penduradas nas paredes, sobre televisões ou mesinhas) suspensas em meio ao atropelo dos dias, provando para sempre que uma coisa aconteceu: um casamento, um batizado, uma festa de aniversário. A fotografia nos faz lembrar um acontecimento importante nas nossas vidas é um tipo de lembrança, memória, as fotos oferecem informações visuais que nos ajudam a compreender acontecimentos e práticas sociais.

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e Proposta de atividad O que nossas fam Primeira etapa:

a?

sso primeiro ano de vid

var e eternizar no no ílias desejavam preser

tos para a elaboração en m ele am eç er of e qu famílias (importrazer álbuns de suas tagem de uma série, on m a do an ilit A classe é convidada a ib ss po ibilidades de apresentada à classe, s e do álbum) de poss to fo s da de resposta à pergunta eio us an m o . ados exigidos para e interessem na análise qu as afi gr to fo as tante observar os cuid as apen um, a turma recolherá momentos de cada álb os entificar alguns aspect Segunda etapa: id de ra ho a é , do ca to indi vida (aniverreferentes ao momen nesse primeiro ano de s do ra st gi Selecionadas as fotos re s to en descritos: persoo, listar os acontecim ra cada cena deve ser pa ) ns entre eles: por exempl ge via , os ss nstanpa iosas, primeiros s em folhas avulsas co ito fe r se m de po sário, cerimônias relig s ro st gi antados. , entre outros; esses re cação dos aspectos lev tifi en id nagens; roupas; espaço e s õe riç sc de odução dela) e as do a foto (ou uma repr narrações; ou Terceira etapa: etar a descrição com pl m co ra pa s re ilia m ersar com seus fa grafado. Cada aluno deve conv da acontecimento foto ca m ra ea rm pe e qu seja, com as histórias io e narração, é necessár Quarta etapa: ão riç sc de o, çã ca tifi en a id de registro que reuniu uiu revelar. Terminado o processo com os álbuns conseg o lh ba tra o e qu o r sa al e anali . voltar à pergunta inici a oral suas conclusões rm fo de a nt se re ap e s imagen Cada aluno expõe suas

Foi fácil ou difícil trabalhar com fotografia e álbum de família? Pois é, nossas descobertas familiares nos levam a fortalecer nossos vínculos mais significativos quando percebemos que riqueza é a história de cada um. É muito importante conhecermos sobre nosso próprio “eu” para que possamos reconhecer nossos defeitos e trabalhar para corrigi-los.

O que é, o que é Viver e não ter a vergonha de ser feliz, Cantar, e cantar, e cantar

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A beleza de ser um eterno aprendiz (ai meu Deus). Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, Mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita. {...} Somos nós que fazemos a vida. Como der, ou puder, ou quiser... Sempre desejada, por mais que esteja errada. Ninguém quer a morte, Só saúde e sorte. E a pergunta roda, e a cabeça agita. {...} (Gonzaguinha. O talento de Gonzaguinha. EMI-Odeon, 1994.)

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e Proposta de atividad

diz coisas muito enção na letra, pois ela at te es pr z? ve a o soum ica? já ouviu alg nção e relate um pouc ca a st de r to au a, Você conhece esta mús nh ui ag m, ou não e pesquisa sobre o Gonz legas se vocês concorda co us se m verdadeiras. Faça uma co e qu tro is escutá-la. Depo bre o que você sentiu ao música. por que com a letra da

Texto complementar Cenas de família Sou Carine, a filha caçula de uma família de quatro pessoas. Meu pai tem uma fábrica de peças de motor de caminhão, minha mãe é médica veterinária e meu irmão, Tiago Luís, é o adolescente mais chato que conheço. Vive me deixando nervosa: ora puxando meu rabo de cavalo, ora colando papeizinhos com apelidos nas minhas costas. Outro dia nem pude caprichar nos deveres da escola de tanto que ele me interrompia. A Marta teve até que chamar a atenção dele: - Tiago, sua mãe está chegando por aí e vai cobrar o dever de casa de Carine. Deixe-a sossegada! Só assim ele entrou para o seu quarto e foi diretamente para o computador, dando um pouco de sossego. Que maravilha! Minutos depois, a mamãe chegou da clínica. Beijou minha cabeça, acenou para Marta, na cozinha, e foi tomar seu costumeiro banho. Saiu de roupão, com toalha enrolada nos cabelos, dirigindo-se a mim: - Novidades em casa? - Nenhuma! – antecipou Marta. - Olhei Marta com olhar surpreso. Mamãe notou e perguntou: - O que foi filha? - O de sempre, mãe. Não sei quando Juninho vai amadurecer e parar de me amolar. Agora deu para me chamar de Cacazinha! - Se você não ligasse

para o que ele diz, filha...

- Mãe, mas ele vive puxando meus cabelos, fazendo gracinhas. En-

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tão, quando aquele colega dele o ruivo, está aqui, é pior ainda! Parece que faz tudo para aparecer. - Olha, Carine, a mamãe teve um dia bastante tumultuado. Fiz cirurgia em uma gata e agora só quero saber de coisas boas. Como foi na escola, hoje, filha? - Foi bom! A professora hoje não foi à aula e Rejane ficou conosco. Ela deu muito dever de casa. Fiz um pouco hoje e o restante farei amanhã, bem cedinho. - Então, guarde tudo na sua escrivaninha porque Marta está querendo arrumar a mesa para jantarmos. Estou com bastante fome hoje. - Você não vai esperar o papai? - Seu pai viajou hoje cedo, para resolver negócios da firma. Voltará amanhã à tarde. - Oba! Posso dormir com você então? Prometo ter cuidado com o neném. Fico quietinha, sem lhe dar pontapés nem cabeçadas. - Se for assim, pode! Após o jantar, deite-me na cama, no lugar do meu pai, e enquanto esperava mamãe fiquei pensando no bebê que ia chegar. Nas duas primeiras semanas de maio já teremos novidades. Faltam apenas dois meses e alguns dias para a chegada de Tarcísio. Talvez ele nasça no segundo domingo de maio, Dia das Mães. Vai ser o maior barato se mamãe ganhar esse presentão! Estou ansiosa e fico só imaginando o rostinho dele. Tomara que, no período de adolescência, ele não se torne um “aborrescente” como Tiago. Também, até lá eu já não sou mais criança e possa até ajudar a mamãe a educá-lo. Autora: Graça Batituci

A memória familiar é tecida ao longo dos séculos, através das gerações. É formada por histórias, legados, lendas, sistema de crenças, de fatos que são frequentemente lembrados, mas também de situações que foram esquecidas - proposital ou naturalmente, e que por isto se perderam no tempo, saíram de nosso campo de percepção e se encontramimersas nas profundezas deste grande baú. Ainda, a memória familiar proporciona a coesão e integração social, auxilia na construção de nossas identidades e vai adquirindo novos significados na medida em que muitas verdades passadas se tornam mitos e lendas no imaginário de seus membros familiares.

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Cultura de paz Consideramos que a memória familiar é um processo de interação constante entre as gerações- e envolve vivos e mortos, abrange o coletivo e o individual e entrelaça os membros familiares uns aos outros, mesmo aqueles que estejam separados por gerações - que tiveram muito pouco convívio ou que sequer se conheceram: um trisavô em relação a seu trisneto estão ligados por laços de afetividade!

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Se, por exemplo, nossos antepassados precisaram fugir de uma guerra levando consigo alguns poucos pertences, ignoramos o sofrimento que tiveram, as privações pelas quais precisaram passar, suas tristezas e angústias bem como a maneira como encontraram para subsistir; se havia crianças ou bebês de colo...

Sabemos que durante toda a história da evolução os seres humanos conviveram de perto com centenas de cataclismos naturais. Estes acontecimentos provocaram milhares de mortes, marcando para sempre as vidas daqueles que sobreviveram, e, de alguma forma precisaram seguir, reconstruindo e superando as marcas deixadas pela dor da perca de seus entes queridos além das provações impostas pela fome, doenças, entre grupos, etc.. A grande questão é que muitos destes sobreviventes - mesmo aqueles mais distantes, de milênios atrás - são de fato nossos antepassados. Consequentemente, tudo aquilo que viveram encontra-se armazenado em nossa memória familiar, faz parte de nossa própria história, influencia nosso desenvolvimento, interfere nas escolhas e tomadas de decisões! A Arqueologia Familiar auxilia na reconstrução de nossa rede sociométrica, analisando a expansão de nossa família como um todo, caminhos que os mais diversos membros seguirambem como os destinos que alcançaram - funestos ou de prosperidade. Tal reconstrução permite alcançar um parâmetro de equilíbrio e conformidade relacionado àquelas memórias que muitas vezes afetam nosso bem viver e - como já o dissemos - nos dificultam alcançar objetivos relacionados ao bem estar e realização pessoal.

Reconstrução do passado

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Texto complementar Memória e família: a construção afetiva do passado Bisa Bia, Bisa Bel, demonstra que jovens como Carlinhos e Bel fazem da matéria do passado parte da seu dia-a-dia. Coincidentemente, a convivência de Carlinhos com o avô e de Bel com a bisavó constitui o elo de acesso ao passado por meio da história familiar. Quero convidar você para refletir mais sobre a memória familiar, tema central do livro Bisa Bia, Bisa Bel. Para isso estou escrevendo esse texto. Porém, o conteúdo não está pronto, pois vai ser construído com a sua participação. Para tanto, vou fazer muitas perguntas a respeito das suas experiências de construção afetiva do passado. Para Isabel, o passado se tornou parte de seu cotidiano por meio da relação profunda que estabeleceu com Bisa Bia. Seu comportamento, seus hábitos alimentares, os objetos que a cercavam eram temas das longas conversas com Bisa Bia e tornavam-se objeto de comparação entre presente e passado, entre as experiências atuais das meninas e as vivências das mulheres em outros períodos históricos. Quando você fez a entrevista para conhecer mais sobre as escolas no passado, o entrevistado falou alguma coisa parecida com “no meu tempo era assim ...”, “no meu tempo era diferente” ou “muita coisa mudou desde o meu tempo”? Quando eu li as entrevistas, percebi muitas dessas expressões. Vale a pena refletir sobre os significados dessa expressão “meu tempo”, tantas vezes utilizada por pessoas mais idosas. Quando um senhor ou uma senhora se referem ao tempo, usando o pronome “meu”, isso significa que o passado faz parte de sua própria identidade. Ou seja, o passado foi vivido e experimentado, até constituir sua história de vida. Mais ainda, eles estão diferenciando a “tempo deles” do “nosso tempo”, estão comparando o passado onde viveram as principais experiências de vida com o presente no qual os jovens como vocês e os adultos como os pais de vocês estão construindo suas próprias histórias de vida. Geralmente os idosos estão afastados do trabalho, alguns já perderam o esposo ou a esposa e se encontram pouco com as pessoas de sua idade. Então, passam a viver uma nova fase da vida e a exercer funções diferentes na família. Muitos terminam indo morar com os filhos e passam a conviver mais com netos. E assim, tal como bisa Bia, passam a exercer o importante papel de transmitir a história familiar para as novas gerações. Na sua história de vida, há alguma pessoa idosa que sistematicamente converse com você sobre o passado? Conte para nós quem é essa pessoa.

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Cultura de paz Enquanto estou escrevendo, assim como ocorreu enquanto eu lia o livro Bisa Bia, Bisa Bel, fico lembrando da minha avó, ela chamava-se Leopoldina, ou melhor Vó Leopolda. Quando eu era criança, nós convivíamos muito e ela foi morar conosco quando eu era adolescente. Muitas vezes, ela contava sobre “o tempo dela”, ou seja, sobre o seu passado, sua infância e juventude, além de recuperar também muitas histórias de minha mãe quando tinha a mesma idade que eu. Como você deve ter percebido, Vó Leopolda exercia o mesmo papel que Bisa Bia. Claro que naquela época eu não conseguia interpretar, mas hoje percebo que ela foi o elo que me uniu às outras gerações da minha família. Hoje, eu guardo comigo histórias que são tecidas com a “memória emprestada”, quer dizer, narro histórias cuja trama são as lembranças que minha avó compartilhou comigo. Quando foi morar na minha casa, Vó Leopolda construiu um mundo próprio no seu quarto. Colocou muitas fotografias – entre elas a foto de uma irmã que ela tinha perdido quando ainda era adolescente – e objetos que haviam lhe acompanhado durante sua vida: uma santinha, uma caixinha de madeira, vidros de perfume com cheiros esquisitos, uma escova de cabelo e um pente com cabo de prata, um cisne de louça que servia como vaso, um pequeno castiçal. Ah, ela levou também os móveis do quarto, tinha até uma penteadeira. Hoje, na minha casa, a caixinha de madeira que ela deixou para mim ocupa um lugar especial (é muito parecida com aquela descrita no livro, na qual a mãe de Bia guardava as fotografias, vou levar para sala de aula para vocês verem!). Assim como minha vó, muitos idosos se cercam de objetos que lhes recordam pessoas ou momentos de suas vidas. São os chamados “objetos biográficos”, ou seja, aqueles que homens e mulheres usam ou guardam por muito tempo, com muito carinho, e que são suportes para suas lembranças. Ou sejam, são objetos que ajudam a perpetuar o passado e a construir narrativas a respeito da trajetória de vida daqueles que o preservam. No livro Bisa Bia, Bisa Bel, são muitos os móveis e objetos que servem para Bisa Bia contar para Bel como era o cotidiano no passado: geladeira de madeira, bufê, penteadeira, mosqueteiro, bibelô, urinol, entre tantos outros. Aquela pessoa que lhe conta sobre o passado, têm objetos biográficos? Ela usa esses objetos ou fotografias para lhe mostrar como era o passado? Conte sobre essas experiências para começar a escrever acerca dos objetos biográficos. Depois, revele quais são os seus próprios objetos especiais, que você guarda com zelo porque lhe recorda alguém ou algum momento de sua vida. Por último, converse com sua mãe, pai ou com a pessoa que toma conta da você e procurem listar os objetos que contam a história da família. Aliás, ia esquecendo de dizer uma coisa, você deve mostrar esse texto para seus pais e/ou para essa pessoa que lhe conta sobre o

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passado. Vamos precisar deles para montar um mosaico de histórias familiares. Ou seja, queremos que você exerça o ofício de historiador e construa a história da sua família, dividindo com os colegas e com as professoras essa aventura. Você deve convidar um membro da sua família para ajudar, pois a matéria do nosso trabalho será a memória afetiva da família. Fonte: Andréa Ferreira Delgado. Memória e família: a construção afetiva do passado.

Sua árvore genealógica Uma árvore genealógica é um histórico de certa parte dos antepassados de um indivíduo ou família. Mais especificamente, trata-se de uma representação gráfica genealógica para mostrar as conexões familiares entre indivíduos, trazendo seus nomes e, algumas vezes, datas e lugares de nascimento, casamento, fotos e falecimento. O nome se dá pelo fato da semelhança ao ramificar das árvores, que normalmente segue a Sequência de Fibonacci. A representação da árvore de uma ascendência, também chamada árvore de costados, tende a ter um crescimento exponencial de base 2.

Uma árvore genealógica também pode representar o sentido inverso, ou seja, partindo de um antepassado comum, sendo a raiz da árvore, até todos seus descendentes colocados nas suas inúmeras ramificações, que é chamada árvore de geração.

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Cultura de paz O uso destas se faz para prova de ancestralidade, o indivíduo que constrói árvores genealógicas, quando da própria família é denominado probandus ou de cujus. É também usada na medicina, para estudo de doenças de cunho genético, tais como adicção, gota, diabetes, etc. No caso especifico da representação dos descendentes diretos próximos é denominado pedigree ou linhagem, sendo que pedigree, tem por vezes denotações pejorativas.

A árvore genealógica é uma representação das pessoas que tiveram participação na existência de uma pessoa ou família, ou seja, é o histórico que levanta dados sobre os ancestrais dos mesmos de forma que fiquem conhecidas as conexões estabelecidas entre esses. Normalmente coloca-se o nome do ancestral mais antigo de que se conseguiu dados e, a partir desse, seus descendentes até chegar ao membro mais novo da família ou então até na pessoa que se tem interesse.

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e d a id v ti a e d ta s o p Pro

cestrais rir de onde vieram os an ob sc de te en am eir im da mãe de um nealógica é preciso pr s sobrenomes do pai e do em Para montar a árvore ge ig or a do an sc pode ser feito bu dos: de uma família, o que otados os seguintes da an r se m ve de te en rm indivíduo. Posterio ; as pessoas pesquisadas s da to de o et pl m co e Nom ento das mesmas; Data e local do nascim l; , constando data e loca Certidão de casamento tando data e local; da Certidão de óbito, cons títulos especiais, história e, ad id lar co es , ão ss ofi pr e cada indivíduo, como Informações gerais sobr e e mais. om en do nome, do sobr paterno, do família no Brasil, origem do pai, da mãe, do avô o, pl em ex r po , oa ss .É pesquisa de cada pe imas e sucessivamente pr , os im pr s, tia s da s, É importante separar a dos tio transmiterna, da avó materna, is existem pessoas que po r, ilia m fa ca avô materno, da avó pa fo fo é e ento. nguir o que é fato e o qu o assim o real conhecim nd lta cu fi importante saber disti di s, oa ss pe s rpadas sobre outra tem informações detu

A árvore genealógica é muito importante para as pessoas, pois através delas pode-se conhecer a origem familiar e ainda descobrir a origem de problemas, anomalias e doenças genéticas.

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e Proposta de atividad

s: a construção de um Resgatando história livro de memórias re iliares Falando com seus fam um aparelho que regist alg de ou , as st po re s ta da is e papel para tomar no - Esteja munido de láp – oq eu preferir. entrevistados - áudio s do tas que s ala s/f ta os sp re as ter em mente as pergun ve de cê vo o, iss ra Pa lher os entrevistados. - Seja criterioso ao esco nsistem as pretende fazer. entrevistado em que co ao ue iq pl ex cê vo e qu ta, é importante - Para iniciar a entrevis é o objetivo delas. ntar perguntas feitas e qual família, que saberão co da as lh ve ais m s oa ss r pe procure para entrevista - Aconselha-se que se ssado. oponha mais coisas sobre o pa vistado à vontade) e pr tre en o r ixa de a ar (p r es fáceis de responde - Comece com questõ as, vez. uma questão de cada e puder, peça fotografi qu ial er at m o do to e colet , reúna as informações, Depois de entrevistado s da vida etc. en sentimentos, passag de s to ntação. en im po de s, eo víd forma para sua aprese a um ie cr a, rm tu a su a o que coletou e de apresentar para ar em roda e levar tudo nt se o Se você sentir vontad m es m ou eo a poesia, um víd Pode ser um texto, um ões com seus amigos. aç rm fo in s sa es s da to para trocar e digerir

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A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Franz Kafka

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CAPÍTULO 3

Tolerância e solidariedade

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Cultura de paz A tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Do ponto de vista da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária de aceitar valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original. O conceito de tolerância se aplica em diversos domínios: • Tolerância social: atitude de uma pessoa ou de um grupo social diante daquilo que é diferente de seus valores morais ou de suas normas. Tolerância civil: discrepância entre a legislação, a sua aplicação e a impunidade. Tolerância segundo Locke : «parar de combater o que não se pode mudar». Tolerância religiosa: atitude respeitosa e convivial diante das confissões de fé diferentes da sua. Tolerância farmacológica ou medicamentosa: diminuição da responsabilidade a um fármaco, ou seja, a diminuição do efeito farmacológico com a administração repetida da substância. Tolerância técnica: margem de erro aceitável (ver Tolerância (engenharia)), ou capacidade de resistência a uma força externa. Tolerância: em gestão de riscos constitui o nível de risco aceitável normalmente definido por critérios pré-estabelecidos.

A prática da tolerância Tolerância é uma das tantas virtudes , necessárias para elevar o ser humano à condição de civilidade. Ela faz parte do processo de desenvolvimento ético de indivíduos e grupos, cuja meta é levá-los a manter a "disposição firme e constante para praticar o bem". Implica em dois sentidos. “Ser virtuoso”, tanto pode ser um sujeito com disposição de praticar o bem, como também pode ser "toda pessoa que domina em alto grau a técnica de uma arte" (Dic. Aurélio: p.1465), por exemplo, ser um "virtuose na arte de tocar violino".

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Na tradição da filosofia moral, a tolerância não é exatamente considerada uma "grande virtude" ou "virtude cardinal", tal como é a justiça, a coragem, a prudência e a temperança ou moderação. Contudo, ela não deve ser posta do lado das chamadas "pequenas virtudes", como é o caso da polidez. A tolerância deve ser vista numa posição especial, de entremeio das virtudes, sendo mais que respeito, polidez ou piedade. S.P. Rouanet, a vê "como passagem para um estágio mais civilizado e menos mecânico de convívio das diferenças". Sinaliza, no entanto, que "as diferenças não devem ser apenas toleradas, porque do contrário elas se reduziriam a um sistema de guetos estanques, que se comunicariam no espaço público; deve ser uma virtude que cause interpenetração entre os diferentes" (FSP, 9/2/03). Ou seja, a tolerância deve ser um ato constante de prevenção e educação. Alain, pensador sempre citado nos estudos sobre as virtudes, diz que a tolerância "é uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, esse terrível amor à verdade". No fundo, sinalizamos acima, ela é uma espécie de prevenção contra o dogmatismo, para que este não vire fanatismo (na dimensão pessoal), fundamentalismo (na dimensão religiosa) e totalitarismo (na dimensão de Estado ou de Governo). Localizada como virtude de entremeio, a tolerância é exercício necessário para se conquistar a Sabedoria. Na consideração de André Comte-Sponville, é uma virtude necessária para o exercício das coisas pequenas do cotidiano. Nela, existe uma espécie de prontidão e atividade; "prontidão" a favor de idéias e atos de tolerância e "atividade" contra tudo que se cerceia, reprime, oprime, discrimina, que não respeita as diferenças humanas, sejam étnicas, culturais, religiosas, etc. A democracia é um bom exemplo de exercício, ao mesmo tempo, de "prontidão" e "atividade" de tolerância, ou seja, "democracia não é fraqueza. Tolerância, não é passividade", assinala Comte-Sponville. Olgaria Matos lembra que “tolerare” quer dizer “levar”, “suportar” e também “combater”. Quem se pretende possuir "a verdade", ou melhor, "a certeza", termina sendo intolerante em aceitar outros posicionamentos, se fechando a escuta de tudo que apresente diferente ou incompreensível ao seu esquema conceitual de fala e ação. O moralista, por exemplo, é in-tolerante com os que possuem valores diferentes do seu; em verdade, sabemos se tratar de um moralista quanto sofremos a imposição de seus valores, baseado em sua “certeza moral”. O moralista carrega a ambição de impor a todos, universalizando seus valores como certos. Enfim, "toda intolerância tende ao totalitarismo" ("integrismo", em matéria religiosa). Ser intolerante é manter uma "atitude de ódio sistemático e de agressividade irracional com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções". Na medicina, a palavra "tolerância" é utilizada para significar a aptidão do organismo para suportar a ação de um medicamento, um agente químico ou físico. Desta forma, as diferentes espécies toleram de diferentes modos os microrganismos: alguns adoecem e morrem, a outros nada ocorre. Os níveis de tolerância à radiação têm tal limite. Tecnicamente, a tolerância é o limite do desvio admitido dentro das características exatas de um objeto fabricado ou de um produto e as características previstas. Não são todos que suportam os medicamentos, e algo que está fora das normas algumas vezes pode ser tolerado. E assim pode se falar também de suportar fisicamente ou mentalmente algo pesado; em tolerar erros gramaticais; assim, podemos descer um degrau, recebendo o conhecimento neste nível, o qual é mais tolerável; algo pode ser tolerável, inclusive indiferente, aceitável: "o almoço foi bastante tolerável". Até mesmo dentro da ecologia Odum (1953) no seu livro Fundamentos de Ecologia coloca exemplos de limites de tolerância dentro da natureza. Dentro das leis físicas, o universo tende a se desorganizar. Por outro lado, tudo que está vivo, tende a se organizar. Mas o homem, sendo livre, pode "ajudar" a desorganizar o mundo. Como num processo de tentativa e erro, as pessoas buscam soluções para viver consigo mesmo e com as demais. Às vezes parece que temos na mão um saco cheio de bolas, que tentamos arremessar e colocá-las dentro de

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Cultura de paz um buraco distante. De modo simplista, dizemos que podemos acertar ou não, mas na prática, as coisas não ocorrem bem assim. O acerto aparece como uma vitória. Foram centenas de arremessos, e um acerto! Tolerar é aceitar os limites, é na realidade ser paciente. A paciência é justamente aceitar o desagradável, com bom humor. Quanto à tolerância, costumamos atuar, como diz o provérbio, "com dois pesos e duas medidas": tendemos a ser muito complacentes com os desvios de nossa conduta (e isto quando os reconhecemos...) e implacáveis com os outros: não lhes damos o tempo necessário para mudar. De fato, abandonar um mau costume e atuar de modo completamente oposto é uma tarefa que exige esforço e pode durar meses ou anos... E, quanto aos outros, exigimos que tudo ocorra no mesmo instante, esquecendo que as coisas têm seu ritmo natural. Um feijão demora para germinar, crescer, florir, dar a vagem... e nós às vezes somos semelhantes às crianças, que deixam o feijão no algodão do pires com água, e no dia seguinte se decepcionam com a ausência de vagens. Para viver, deixar viver. O que leva duas pessoas a entrarem em discórdia? A invasão do direito alheio, o ultrapassar o limite de tolerância, a incapacidade de compreensão mútua ou própria, a falta de empatia, a nossa própria natureza, o nosso temperamento. Somos limitados, e isto se manifesta também no modo tosco com que nos relacionamos muitas vezes com as pessoas. A distância que existe entre as pessoas, em parte é criada por cada um. Às vezes percebemos que com alguns, já num primeiro momento, se consegue chegar perto, e falar sem gritar ou mandar mensageiros, mas nem sempre é assim. É preciso usar a inteligência, para encontrar o caminho da comunicação entre as pessoas. Inteligência e vontade de querer se comunicar... ou não.

e Proposta de atividad tras Trocando segredos se relacionar com as ou ao e nt se cê vo e qu e ad de papel uma dificuld ente. • Escreva no pedaço ex vontade de por oralm à e nt se se o nã e qu legas. pessoas, mas is escritos dos outros co pé pa os m co e ur ist m eio e tá escrito • Dobre o papel ao m novo papel, ler o que es um ar rte so ve de um is misturados, cada • Com todos os pape problema para si. u”. usando a 1ª pessoa “e em voz alta e tomar o l, pe pa no er tiv es e qu lema lerá em voz alta o prob Cada qual, por sua vez, o problema. gerir uma solução para su ve de l pe pa o m s co levarmos as cargas un Em seguida, a pessoa de ia nc rtâ po im a e br sem so is forem lidos, conver Quando todos os papé o nosso próximo. dos outros e ajudarmos tos: Possíveis questionamen descrever o problema? Como você se sentiu ao tra pessoa? icar o problema de ou pl ex ao iu nt se se o m Co pessoa? a foi relatado por outra lem ob pr u se o do an Como se sentiu qu

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a? preendeu seu problem m co tro ou o e qu ta di Você acre lugar da outra pessoa? no r ca lo co se de z pa Você foi ca ssoa? o problema da outra pe eu nd ee pr m co e qu iu Você sent grupo? aos outros membros do ão laç re em iu nt se se Como você nâmica? outros depois dessa di s ao ão laç re em s to en Mudaram seus sentim

Limites Nossas limitações são patentes. Não somos o que queremos, não fazemos tudo que sonhamos, não temos o dom de estar onde desejamos. Dentro destes limites é que nos movemos. Conhecer os limites pessoais e os dos outros pois somos seres que não se repetem - é uma tarefa que dura toda a vida. O limite também não é algo estático, as pessoas mudam. Logo, o sistema de comunicação entre as pessoas é algo dinâmico e tem suas "leis" próprias, que cabe a cada um descobrir em cada momento. Em vez de gastar tempo reclamando que não existe comunicação, poderemos empregá-lo, verificando como estabelecer esta relação.

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Expectativa Nossas atividades estão inseridas no contexto da expectativa. Spes em latim, significa tanto esperança como expectativa de algo feliz. Um novo emprego, um novo trabalho, uma nova amizade geram expectativas. Alguns defendem a postura de não ter expectativa de nada, e assim, o que ocorrer de bom nos fará felizes. Mas isto não condiz com a etimologia da palavra. Temos esperança de que se agirmos de um modo, seremos felizes. Se nos relacionamos com alguém, é porque precisamos deste alguém, ou gostamos de estar com ele. Quando um aluno se aproxima do professor para pedir um estágio, ambos têm uma expectativa. Explicitar estas expectativas um ao outro, evita a decepção. O combinado não sai caro, reza o ditado popular. Desta forma se evitaria a conhecida antropofagia... A antropofagia nos une, quando os interesses pessoais têm a possibilidade de serem supridos pelas habilidades alheias. Agumas vezes o aluno apenas quer uma bolsa, ou aprender uma técnica, publicar um trabalho, decidir sua vida profissional; ou talvez ele esteja querendo ficar no estágio uma semana, um mês, um ano... sua vida toda. E como iremos saber se não perguntarmos? O professor também

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Cultura de paz espera algo do aluno. Às vezes de modo possessivo, outras vezes de modo diferente, como mão de obra. Pode pensar também num talento para vida acadêmica, e se por um lado vê um discípulo, não pode deixar de encobrir as dificuldades pelas quais irá passar. Mas isto tudo, não passa de dúvidas. Um tem expectativa do outro, e nada mais lógico e razoável que exista um diálogo entre ambos, antes de iniciar as atividades. Alguém tem expectativa de alguém, mas ninguém não tem expectativa de ninguém... E os outros são para nós alguém... ou ninguém?!

Compreensão Compreender cada um como é, acaba sendo o melhor modo de interagir. As vezes as pessoas precisam de peixe, outras vezes, precisam de trabalho educativo sobre a pesca, e sempre atenção externa de outras pessoas. Todos precisamos de cúmplices em nossas atividades. Compreender, querer, perdoar. Esta tríade resume bem o relacionamento humano ideal. Da cultura popular somos capazes de lembrar: "Deus perdoa sempre, os homens de vez em quando, a natureza nunca" ou "Errar é humano, perdoar é divino". O perdão absoluto é divino. Nós podemos ter o ideal de perdoar, mas nem sempre conseguimos, como na terrível fórmula: "Perdoar, eu perdôo; mas esquecer, não esqueço...".

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O erro das pessoas leva às vezes a conseqüências sérias para um perdão imediato. A reação pessoal ou social contra aquele que errou, pode ser irasciva, vingativa, punitiva. Mas o que se quer mesmo, é que aquele que errou, e com isto de certa forma agrediu, reconheça e mude. Talvez precise sofrer as conseqüências do seu ato para merecer o perdão. Não reconhecer o próprio erro ou de certa forma encobri-lo já consiste em parte da pena, por não se adequar com a verdade. Perdoar antes porém, abre uma porta honrosa para o agressor, que não precisa gastar tempo se justificando. Aqui vale mais uma definição do ser humano: aquele que é capaz de se desculpar e justificar em todos os seus atos, mas que ficaria envergonhado de manifestar esta desculpa ou justificativa em voz alta para outros. Sim, as desculpas que damos a nós mesmos para fazer coisas erradas, não convencem... O castigo piora o ruim e melhora o bom, e como o bom deve ser melhorado, não se deve evitar o castigo. Mas, o ruim? Não merece o castigo, ou além do castigo precisa de algo para melhorar? Talvez precise também da compreensão... As pessoas aprendem também pelos erros, próprios ou alheios, históricos ou do presente. Quanto maior o erro, piores as conseqüências, e menores as chances de errar de novo. A evidência do erro para a sociedade mexe com os brios daquele que errou. A compreensão não pode ser confundida com a cumplicidade no erro; a cumplicidade está associada ao desejo de ser solidário com a pessoa que errou e disposição de ajuda para reverter esta situação. Esta aventura de compreender implica num compromisso. O amigo, é aquela pessoa que apesar de conhecermos perfeitamente como é, continua sendo amigo ou: "O amigo é o amigo do amigo". O perdão, pode ser imediato ou não, com consequências ou sem elas. Ora, o tempo é apenas uma convenção, mas nem por isto deixa de existir... As pessoas, como o bom vinho, melhoram com o tem-

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po ou, para continuar remetendo a provérbios: "O tempo é o melhor remédio". As pessoas, como já dissemos, buscam sempre uma justificativa para os seus atos, e também para perdoar. Em todos estes casos, é difícil ter a medida, pois a pena deve ser proporcional a ofensa, e o ofendido mostra que é grande, perdoando. As leis positivas neste sentido são como que a segurança da sociedade, na tentativa de se estabelecer uma medida; um verdadeiro protocolo social a ser atingido.

Conteúdo extra! Assista pelo QR Code a um vídeo sobre solidariedade.

Ignorância e preconceito As pessoas muitas vezes não atuam de modo errado por má fé, e sim por ignorância. Com certeza fariam de modo distinto, se soubessem como fazer. Esta tarefa não tem fim, e questionar-se sobre o empenho pessoal de diminuir o nível de ignorância, nos faria no mínimo reconhecedores da dívida social que carregamos. Aprendemos tanto, e por este motivo somos capazes de questionar as deficiências. Não são os professores e pais os únicos interessados. Ninguém dá o que não tem, e por isto sempre temos algo que dar a outrem, e assim diminuir a ignorância.

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Cultura de paz Outro ponto é o preconceito, que gera um prejuízo. Uma ideia pré-concebida cria uma barreira para compreender a realidade. Uma pessoa que não queira ouvir, ver ou escutar, tem muitas vezes o preconceito de não aceitar que os outros possam pensar de modo diferente.

Preconceito substantivo masculino 1. qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico. 2. sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.

Texto complementar Preconceito contra nordestinos - Por que ele ainda é tão forte no sul/sudeste? "A gente vem jogar na Paraíba e colocam um paraíba para apitar, só podia dar nisso". A declaração do jogador Edmundo em 1997, à época atuando pelo Vasco, após ser expulso por um juiz cearense em um jogo em Natal, evidenciou bem a generalização e o preconceito ainda existentes no país, especialmente no sul/sudeste e contra nordestinos. De lá até hoje, nada mudou. Políticos recentemente já atribuíram o aumento da violência em São Paulo à migração desenfreada, enquanto ps "paraíbas" e "baianos" (como são chamados os nordestinos em geral no Rio de Janeiro e em São Paulo) continuam a ser vistos e tratados com discriminação, seja ela explícita ou não, de modo que uma declarações como estas duas podem externar preconceitos que muitas vezes são considerados naturais por quem os profere. O porquê do preconceito O preconceito contra os nordestinos tem raízes no racismo, especialmente porque mulatos, negros e descendentes de índios compõem grande parcela da população das regiões norte/nordeste. A comparação com os imigrantes europeus e a maioria branca do sul/sudeste desenha um quadro de gritantes diferenças. Quantas vezes já ouvimos o Nordeste ser comparado à Índia, ao passo que o Sul/Sudeste teria paralelos com a Bélgica? A partir daí é gerado o monstro chamado "Belíndia", com elites favorecidas e pobreza infinita convivendo juntas. Mesmo nestas comparações, encobrimos com o preconceito áreas nordestinas que poderiam aparecer

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no país europeu e focos de miséria crescentes nos estados mais ricos do país. Após a origem no racismo puro e simples, o preconceito se disseminou e curiosamente passou a brotar de outras raízes: os migrantes começaram a ser vistos como a causa principal da pobreza nas metrópoles, quando na verdade contribuíam como mão de obra barata para o desenvolvimento destas regiões. São Paulo, por exemplo, pode ser considerada cidade mais nordestina do país, tamanho é o contingente de moradores naturais desta região do país. Mesmo assim, o preconceito existe e não é assumido, pelo contrário, os grandes contrastes sociais presentes especialmente na capital paulista e no Rio de Janeiro são sempre apontados como reflexos da migração em massa e descontrolada, nunca como resultantes da má distribuição de renda ou falta de oportunidades, características comuns ao Brasil há séculos. O mais curioso (e triste) de toda esta realidade: ao contrário de países envolvidos em conflitos ou guerras civis, o Brasil não tem divisão de etnias ou tribos, sendo o preconceito movido apenas por questões geográficas. Talvez por este motivo os embriões de movimentos separatistas sulistas nunca tenham ganhado mais do que algumas páginas na internet e manifestações isoladas, felizmente. Fonte: Oieduca. Disponível em: <http://www.oieduca.com.br/artigos/convivendo-com-a-diferenca/preconceito-contra-nordestinos.html>. Acesso em: 16 dez. 2016.

Preconceito, racismo e discriminação no contexto escolar Existe muito preconceito, racismo e discriminação no contexto escolar e este é um grande problema de todos nós.Vamos esclarecer um pouco sobre cada conceito Preconceito Preconceito é uma opinião que formamos das pessoas antes de conhecê-las.É um julgamento apressado e superficial e muito perigoso, pois ao invés de melhorar a nossa vida e da sociedade, acaba trazendo muitas situações complicadas e até mesmo violentas. Racismo As pessoas que não conseguem deixar de ser preconceituosas podem vir a se tornar racistas. Um racista acredita que existe raças superiores às outras, o que é grande tolice, pois na espécie humana, não podemos dizer que existam raças; a cor da pele, a forma do nariz, o tipo do cabelo, o tipo do sangue, o formato e cor dos olhos, a espessura dos lábios, não são suficientes para estabelecer diferentes tipos de raças entre os seres humanos, que biologicamente são iguais em quase tudo , restando pequenas diferenças ex-

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Cultura de paz ternas pouco importantes e que não servem para fazer com que uns sejam superiores ou inferiores aos outros e vice versa. Discriminação A pessoa que faz isso, geralmente, quer valorizar a si próprio e diminuir os demais mesmo “de brincadeira”.É insegura porque não tem capacidade de conviver com os outros e aceitar as diferenças naturais entre os seres humanos. Os preconceituosos e racistas têm dificuldades em aceitar e conviver com a diferença e. às vezes, suas atitudes chegam ao delírio e como são medrosos e inseguros, projetam sobre os outros que são inferiores a eles e que não podem ter os mesmos direitos – quando os racistas e preconceituosos agem dessa maneira estão tratando os que eles julgam como inferiores a ele de maneira discriminatória.DISCRIMINAÇÃO É PORTANTO TRATAR OS OUTOS COM INFERIORIDADE, SE JULGANDO SUPERIOR. Fonte: Geledés. Instituto da mulher negra. Autora: Flávia Cunha Lima. Disponível em: < http://www.geledes.org.br/preconceito-racismo-e-discriminacao-contexto-escolar/#gs.CnaWKfU>. Acesso em: 16 dez. 2016.

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Videoteca O urso e a solidariedade Thor é um urso-polar muito friorento. Um belo dia, recebe uma carta de seu tio Brandão, um velho urso-pardo que vive em terras quentes e precisa de sua ajuda. Será que Thor vai ajudá-lo ? Uma linda coleção que trata de valores e princípios éticos importantes para serem ensinados aos pequenos, como generosidade, solidariedade, amizade, respeito à diversidade e a importância da autoestima.

Pedagogia da solidariedade Em 'Pedagogia da solidariedade', Paulo Freire expõe não só suas ideias e seus ideais, mas nos leva a refletir que sem uma pedagogia crítica, voltada para o aperfeiçoamento dessa virtude em cada um de nós, não podemos construir um mundo mais bonito e verdadeiramente democrático, no qual a solidariedade possa ter um lugar privilegiado.

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A não violência nunca deve ser usada como um escudo para a covardia. É uma arma para os bravos. Mahatma Gandhi

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CAPÍTULO 4 Educação para a paz

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Cultura de paz A construção da paz começa a partir de uma atitude pessoal que pode se refletir depois em diversos campos da vida, no meio ambiente, na sociedade, na saúde coletiva entre outros. Essa discussão se fortalece a partir da crescente visão da interdependência global e da responsabilidade universal pela construção de um novo mundo e coloca este tema como uma das principais ações educativas, que promovem fontes efetivas de paz no mundo. A juventude hoje é que tem sido o maior alvo dos problemas sociais, políticos e ambientais que vem se acumulando dede o desenvolvimento do capitalismo. O surgimento da violência, do crime e dos comportamentos destrutivos, situações nas quais os jovens são vítimas potenciais, mostram a grande tarefa que a juventude tem de transformar estes padrões que tem promovido tanta guerra no mundo. Enquanto movimento, a Cultura de Paz iniciou-se oficialmente pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1999 e empenha-se em prevenir situações que possam ameaçar a paz e a segurança – como o desrespeito aos direitos humanos, discriminação e intolerância, exclusão social, pobreza extrema e degradação ambiental – utilizando com principais ferramentas a conscientização, a educação e a prevenção. De acordo com a UNESCO, a cultura de Paz “está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não-violenta de conflitos” e fundamenta-se nos princípios de tolerância, solidariedade, respeito à vida, aos direitos individuais e ao pluralismo.

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Não se pode falar de educar para a paz se, em primeiro lugar, não se favorecer a análise da realidade. Abrir os olhos, ser capaz de reconhecer as contradições do mundo em que vivemos, é fundamental. Uma educação para a paz não pode ser um processo que leva, de alguma forma, a velar a realidade,

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a calar as diferentes vozes, particularmente as dos excluídos, a não enfrentar a desigualdade e a exclusão crescentes na nossa sociedade. O primeiro passo para uma educação para a paz é andar com os olhos abertos, não se negar a enfrentar a realidade por mais dura e desconcertante que seja e não querer “ proteger” as crianças e adolescentes da dimensão dura da vida. No entanto, não basta ser capaz de ver, analisar, conhecer, é necessário também se situar diante desta realidade, compreender os mecanismos que perpetuam a exclusão e as desigualdades e produzem violência., assim como os esforços de tantas pessoas, grupos, organizações para criar uma realidade diferente. A paz não pode ser construída como um elemento isolado. É indissociável da justiça e da solidariedade. Paz, justiça e solidariedade constituem um conjunto e não se pode separar qualquer destes elementos dos demais. Querer a paz exige favorecer a justiça e construir solidariedade. A paz é um produto que se constrói com estes diferentes componentes. Não é somente uma meta a ser alcançada. É também um processo, um caminho. Neste sentido, é importante radicalizar a capacidade de diálogo e de negociação. Não construiremos a paz se não nos desarmarmos das nossas armas materiais, mas também se não desamarmos nossos espíritos, nossos sentimentos, tudo o que há em nós de negação do outro, de não reconhecimento, de prepotência, de exclusão dos “diferentes”. Para educar para a paz é fundamental desenvolver a capacidade de diálogo e de negociação sem limites. Sempre é possível conversar, expressar a sua palavra, resgatar o melhor de nossas experiências, ressituar as questões, construir plataformas de negociação no plano interpessoal, grupal e social. Trata-se de trabalhar muito a capacidade de escuta do outro, de deixar-se afetar, de repensar as próprias convicções, idéias, sentimentos, de desenvolver a capacidade de negociação, básica para construir com outros, conjuntamente. Em sociedades e culturas autoritárias como a nossa esta é uma dimensão fundamental. A cultura da violência está cada vez mais presente nos diferentes ambientes sociais, da família ao Estado. A escola não está imune a esta dinâmica. A solução para esta problemática é, em geral, buscada acentuando-se as políticas de segurança. As situações passam a ser exclusivamente uma questão de segurança, de responsabilidade da polícia. Mais polícia nas ruas e nas escolas, mais repressão e punição, mais controle. É reforçada a lógica da contraposição de forças, o que é antagônico a uma cultura de paz. Uma educação para a paz procura desenvolver uma cultura dos direitos humanos, que passa pelo reconhecimento da dignidade de cada pessoa, pelo resgate da memória histórica, por nomear os mecanismos que favorecem em cada um de nós e no corpo social as reações violentas, pela expressão de sonhos partilhados, pela construção de um horizonte comum de vida e de sociedade que assuma a diferença positivamente. Educação deve ser voltada para o diálogo e para a pluralidade.

Pluralidade Pluralidade Substantivo feminino 1. fato de existir em grande quantidade, de não ser único; multiplicidade, diversidade. "a p. de raças no Brasil" 2. o maior número; maioria. "eleito pela p. de opiniões"

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Cultura de paz

Texto complementar Ensinar Pluralidade Cultural ou viver Pluralidade Cultural? Pela educação pode-se combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e estigmatiza grupos sociais. Contudo, ao mesmo tempo que não se aceita que permaneça a atual situação, da qual a escola é cúmplice ainda que só por omissão, não se pode esquecer que esses problemas não são essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas das relações sociais, e que 138 como elas têm história e permanência.

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O que se coloca para a escola é o desafio de criar outras formas de relação social e interpessoal, por meio da interação o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se crítica e responsavelmente diante delas. O cotidiano oferece muitas manifestações que permitem o trabalho sobre pluralidade: os fatos da comunidade ou comunidades do entorno escolar, questões típicas de adolescência e juventude, as notícias de jornal, rádio e TV, pro-

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gramas e suplementos destinados a essa faixa etária específica, as festas locais. Além disso, a prática de intercâmbio entre escolas de diferentes regiões do Brasil e de diferentes municípios de um mesmo estado, e a consulta a órgãos comunitários e de imprensa, inclusive na própria comunidade, são instrumentos pedagógicos privilegiados a serviço da formação de crianças e adolescentes. Partilhar um cotidiano em que o simples “olhar-se” permite a constatação de que todos — alunos, professores e demais auxiliares do trabalho escolar — são provenientes de diferentes famílias, diferentes origens e possuem, cada qual, diferentes histórias, permite desenvolver uma experiência de interação “entre diferentes”, na qual cada um aprende e cada um ensina. Traz a consciência de que cada pessoa é única e, por essa singularidade, insubstituível. Aprender a posicionar-se de forma que compreenda a relatividade de opiniões, preferências, gostos, escolhas, é aprender o respeito ao outro. Ensinar suas próprias práticas, histórias, gestos, tradições, é fazer-se respeitar ao dar-se a conhecer. Esse respeito não é incompatível com o respeito às normas institucionais embora possa, às vezes, exigir flexibilidade em sua aplicação (por exemplo, os feriados religiosos, os horários de serviço do adolescente trabalhador).

A importância das tribos Você já ouviu falar em tribos? Tribo (do termo latino tribu) é o nome que se dá a um agrupamento humano unido pela língua, cos-

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Cultura de paz tumes, instituições e tradições. O termo era, originalmente, empregado para designar cada uma das trinta divisões da Roma Antiga (mais tarde, trinta e cinco) formadas por cidadãos plebeus. Passou a ser aplicado, posteriormente, às divisões dos povos da Antiguidade, como as doze Tribos de Israel, por exemplo. Nas épocas colonialista e neocolonialista, foi utilizado pela antropologia, passando a ter um sentido pejorativo de "agrupamento humano com cultura rudimentar". Porém, devido à imprecisão do termo, o mesmo deixou de ser usado tecnicamente pela antropologia. “As tribos urbanas são agrupamentos semi-estruturados, constituídos predominantemente de pessoas que se aproximam pela identificação comum a rituais e elementos da cultura que expressam valores e estilos de vida, moda, música e lazer típicos de um espaço-tempo.” (Maffesoli). São pessoas com hábitos, valores culturais, estilos musicais e ideologias semelhantes. Os vínculos duram enquanto se mantém o interesse pela atividade. Não há planos ou preocupação com o futuro da tribo. A ampla diversidade cultural auxilia na formação de diferentes tribos. As tribos levam os adolescentes do anonimato para o reconhecimento. Estética das Tribos: função de identificar e agrupar. • Fonte de socialização menos repressiva. • Fonte de identificação e referência comportamental. • Estes modelos influenciam na capacidade de reflexão e nas intenções do sujeito. Segundo estudiosos, os adolescentes buscam novos comportamentos. O compartilhamento de códigos, estilo e práticas sociais cria uma a ilusão de identidade. Os adolescentes de uma tribo possuem um caráter volátil de seus vínculos internos. Os mesmos migram de uma tribo à outra. Segundo Vygotsky, as funções complexas do comportamento humano são elaboradas conforme são utilizadas, a depender do conteúdo adjetivo sobre o qual incidem e das interações a partir das quais se constroem. Para Vygotsky, a natureza humana é essencialmente social, ter tribos ou grupos é culturalmente aceito.

Rock ‘n Roll

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Surgiu na década de 1950 nos Estados Unidos. Década de 1950 e 1960 - termos como “delinquência juvenil” foram substituídos por outros, como“cultura dos jovens”. Figuras importantes: Carl Parkins, Chuck Berry, Elvis Presley e Bill Haley

Hippies Surgiu no EUA na década de 1960. No Brasil na década de 1970. Nômades, comunhão com a natureza, "Paz e Amor", amor livre, não violência, igualdade e anti-militarismo. Culto pelo prazer livre, físico e sexual ou intelectual. Figuras importantes: Raul Seixas, banda Mutantes, Jimi Hendrix.

Punk´s Surgiu nos Estados Unidos, baseado do Rock’n’Roll. Ideias apartidárias e de liberdade. Estilo visual grosseiro, humor ácido e sarcasmo. Calças jeans justas, rasgadas, jaquetas de couro, coturnos, tênis converse, correntes, Moicano. Bandas: The Ramones, Sex Pistols, Bad Religion, The Cash.

Texto complementar Estereótipos Durante todas as relações do nosso dia, estamos julgando pessoas com base nos estereótipos delas. Uma moça com cabelo preso e saia longa é “crente”. Um guri com tatuagens é “rebelde”. E assim por diante. Contudo, a parte mais interessante é pensar que nós TAMBÉM estamos sendo julgados por nossos estereótipos, quer estejamos conscientes ou não. Vestir uma camisa é um ato que não se encerra em si mesmo. Pelo contrário, tem consequências durante todo nosso dia, definindo como nos olharão e nos julgarão, o tipo de tratamento inicial que receberemos e as oportunidades que conseguiremos. Se você, por exemplo, usar uma camisa de desenhos infantis, provavelmente será levado menos a sério do que se usar um terno. Uma ilustração muita sã do poder de um estereótipo é o filme “Prenda-me se for capaz”, com Leonardo DiCaprio. Nele, o ator norte-americano interpreta o falsário Frank Abagnale Jr., que consegue rios de dinheiro e influência com suas falcatruas. Abagnale é um mestre em usar o poder do estereótipo: em uma cena antológica, veste-se de piloto de avião comercial e, acompanhado de aeromoças vultosas, passa despercebido pela legião de policiais que queriam pegá-lo. Sacou? Roupa de piloto + moças bonitas = pessoa admirável, nunca um falsário desonesto. Está tudo no estereótipo.

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Cultura de paz Visto o poder imenso demonstrado pelo estereótipo, é de se esperar que muitas pessoas tentem controlar os seus. E, de fato, é o caso: uma pesquisa no Google para “Manual de Etiqueta”, um clássico estereótipo social, retorna nada menos que seis milhões de resultados. Coisa séria, portanto. E por que o adolescente, tão inserido no mundo como é atualmente, ficaria de fora dessa busca por controlar a própria imagem? Ele não fica, ora! Contudo, há um grande problema que o jovem deve enfrentar: pelas leis mais básicas da óptica, toda imagem pressupõe a existência de um objeto. Ou seja, para se passar algo por meio do estereótipo, é necessário primeiro que tenhamos uma essência consolidada e objetivos definidos. Algo a passar, enfim. Por exemplo: se parte da minha essência é “empreendedor” e o meu objetivo é “angariar sócios”, o estereótipo passado pelo meu terno nada mais é do que um reflexo dessas duas características. É a parte de mim que revelei para alcançar o que eu desejo. Portanto, o bom uso do estereótipo é usar a aparência para demonstrar ao mundo a nossa essência. Mas, ora, por excelência, nós adolescentes somos seres confusos. Qual nossa essência? Como você é com sua mãe? E com seus tios? E amigos? Talvez, com uns, seja mais respeitoso e fale menos palavrões, além de iniciar assuntos sobre novela. Cidadão-modelo. Já com outros, é despojado, boca-suja e gosta de falar de UFC. Cidadão rebelde. Assim, quem realmente é você? Se, ao depender da pessoa com quem está se relacionando, toma condutas e preferências distintas, quais são suas reais características? Modelo ou rebelde? Eis perguntas significativas. Sem respostas para elas, não sabemos quem somos. Não temos nenhum objeto para passar uma imagem. Com isso, fica impossível ter uma relação saudável com os estereótipos. Eles deixam de nos refletir e de nos auxiliar. No entanto, eles continuam lá. Assim, estão refletindo o que? Ora, simples: os outros. Os estereótipos nos adolescentes têm a tendência de não serem a essência deles, mas um mero meio de ser aceito socialmente por grupos de outros jovens. Comumente, na adolescência passa-se por mil estereótipos sociais, não tendo nenhum elo profundo com nenhum deles: no mês do Rock in Rio, se é Rockeiro; deixando o cabelo crescer se vestindo de preto, apenas porque todo mundo vai nos shows; no mês da visita do Papa, torna-se cristão convicto postando salmos aleatórios no Facebook, a fim de ganhar likes dos outros amigos da JMJ; em época de eleição, é o mais politizado homem do mundo (e, fora dela, acha discutir política um saco), a fim de parecer intelectual frente aos amigos que debatem na escola. Woddy Allen, sempre ele, dá um forte exemplo de como o estereótipo se manifesta no adolescente no seu filme “Zelig” (1983). Neste, o protagonista, Zelig, é um incrível “homem camaleão” que toma os trejeitos, tiques e posturas de qualquer um que está perto. Repare diferença

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entre ele e Frank Abagnale: enquanto este usa conscientemente do estereótipo para alcançar objetivos, Zelig simplesmente mimetiza de forma espontânea todos ao seu redor, para se enturmar. É exatamente o que o adolescente faz. As consequências disto tendem a ser negativas. Primeiramente, o adolescente perde a noção dos seus reais gostos pessoais. Ele não sabe se gosta de rock, cristianismo ou política, se gosta dos três ou se não gosta de nenhum, pois só conhece essas três práticas superficialmente. Sem saber das próprias preferências, tende a se frustrar com muito mais facilidade. Não há figura mais comum do que o jovem entediado. O tédio advém de não retirar real prazer de nada do que pratica. A guitarra machuca muito os dedos, a reza não tranquiliza e Karl Marx não parece fazer sentido. Tudo é cinza. Ademais, há outra consequência evidente para qualquer um que já esteve nesta situação: eventualmente, todos os grupos que tentamos agradar percebem nossa falta de essência e se afastam. Os rockeiros riem de nós por não sabermos todas as músicas, os cristãos nos rechaçam por não praticarmos a palavra e os politizados notam nosso desconhecimento e deixam de nos levar em consideração. Portanto, na ânsia de se ser tudo, finda-se sendo nada. No desejo de ser fiel a todos, trai-se a si mesmo. Eis o maior drama adolescente. Assim sendo, é de responsabilidade de todo jovem lutar para evitar que se vire um Zelig. Ou seja, é necessário que cada adolescente descubra a própria essência e gostos pessoais, sob pena de virar um adulto imaturo, melancólico e desagradável. Então, como prosseguir? Na minha visão, o primeiro passo é respeitar a grandeza e história das ideologias e grupos que queremos implementar em nossa imagem. Isso envolve, sempre que temos um interesse mínimo por algo, fazer uma pesquisa, conhecer as origens e a filosofia de vida daquele grupo. O aspirante a rockeiro por exemplo, deve, ora, ouvir músicas de Rock, saber o que diferencia o rock de outras músicas. Com esse conhecimento em mãos, deve-se avaliar nossa relação com a tal ideologia, por meio de perguntas como “Eu realmente gosto disso?”, “Isso está de acordo com algum objetivo que tracei para a minha vida?”, “Se ninguém do meu ciclo de amigos gostasse de Rock, eu ainda me sentiria motivado a me vestir feito rockeiro?”. Caso a resposta para a maioria seja sim, use o estereótipo de rockeiro ^-^ Com certeza você estará de acordo com a própria essência e, assim, não ofenderá os outros praticantes e nem atentará contra a possibilidade. Desta forma, é possível que o adolescente tenha, finalmente, uma relação saudável com os estereótipos - controlando-os ao invés de ser controlados por esse - e dê um passo de importância ímpar para sua maturidade. Fonte: Cloudcoaching. Autor: Bruno Sales. Disponível em: http://www.cloudcoaching.com. br/os-estereotipos-e-os-adolescentes/post#.WFfP0lMrKUk. Acesso em: 16 dez. 2016.

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Cultura de paz

Videoteca Prenda-me se for capaz! Frank Abagnale Jr. trabalhou como médico, advogado e como co-piloto de uma grande companhia aérea, tudo antes de fazer 18 anos. Um mestre da fraude, ele era também um brilhante falsário. Aos 17 anos, Frank Abagnale Jr. se tornou o mais sucedido assaltante de banco na história dos Estados Unidos. Capturá-lo é a missão principal do agente do FBI, Carl Hanratty, mas Frank está sempre um passo à frente dele.

Zelig O filme, que se passa nas décadas de 1920 e 30, fala sobre Leonard Zelig, um homem desinteressante que tem a capacidade de transformar sua aparência na das pessoas que o cercam. É observado inicialmente numa festa, por F. Scott Fitzgerald, que percebe que, ao mesmo tempo em que circula entre os convidados louvando as classes afluentes num sotaque refinado e esnobe, Zelig se mistura aos criados na cozinha, vociferando enfurecidamente contra os "gatos gordos" num forte sotaque proletário. Rapidamente ganha fama internacional como um "camaleão humano".

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Cultura de paz e ações sócio-educativas: desafios para a escola contemporânea A paz não pode ser apenas garantida pelos acordos políticos, econômicos ou militares. No fundo, ela depende do comprometimento unânime, sincero e sustentado das pessoas. Cada um de nós, independentemente da idade, do sexo, do estrato social, crença religiosa ou origem cultural é chamado à criação de um mundo pacificado2. As palavras do Diretor Geral da UNESCO, Koïchiro Matsuur, pretendem mostrar a necessidade e importância de estarmos engajados no movimento pela Paz, construindo uma Cultura que permita conjugar atitudes individuais e coletivas em prol do bemestar dos cidadãos e do desenvolvimento humano. Mas, o que significa Cultura da Paz? Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças e os adultos de uma compreensão dos princípios e respeito pela liberdade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, individual e coletiva, da violência que tem sido parte integrante de qualquer sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da paz pode ser uma resposta a diversos tratados, mas tem de procurar soluções que advenham de dentro da (s) sociedade (s) e não impostas do exterior. Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado em seu sentido negativo, quando se traduz em um estado de não-guerra, em ausência de conflito, em passividade e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, condenada a um vazio, a uma não existência palpável, difícil de se concretizar e precisar. Em sua concepção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática da não-violência para resolver conflitos, a prática do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrática frente à vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação planejada e o movimento constante da instalação de justiça. Uma cultura de paz implica no esforço para modificar o pensamento e a ação das pessoas no sentido de promover a paz. Falar de violência e de como ela nos assola, deixa de ser a temática principal. Não que ela vá ser esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia-a-dia e temos consciência disto. Porém, o sentido do discurso, a ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de palavras e conceitos que anunciem os valores humanos que decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A violência já está bastante denunciada, e quanto mais falamos dela, mais lembramos sua existência em nosso meio social e ambiental. É hora de começarmos a convocar a presença da paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos. Um dos primeiros passos neste sentido, refere-se à gestão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencialmente violentos e reconstruir a paz e a confiança entre pessoas emergentes de situação de guerra, é um dos exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão estende-se às escolas, instituições e outros locais de trabalho por todo o mundo, bem como aos parlamentos e centros de comunicação, a lares e associações. O conflito é um processo natural e necessário em toda sociedade humana, é uma das forças motivadoras da mudança social e um elemento criativo essencial nas relações humanas3. Um outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento sustentado e o respeito pelos direitos humanos, reforçando as instituições democráticas, promovendo a liberdade de expressão, preservando a diversidade cultural e o ambiente.

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Cultura de paz

A cultura da paz está pautada em valores humanos que precisam ser colocados em prática, a fim de passarem do estado de intenção para o exercício da ação, transformando-se, concretamente, em atos. Tais valores, que se traduzem em éticos, morais e estéticos, nos encaminham para o despertar de expressões de amor e manifestações de respeito, que têm estado adormecidas, nos últimos tempos.

Os homens, ao definirem sua posição em relação ao amor, tradicionalmente têm definido também sua posição diante da vida, daí a importância do mesmo, já que esta necessidade claramente humana não se expressa exclusivamente no amor conjugal ... mas inclui, além disso, o amor aos filhos, aos pais, aos amigos, à pátria e outras formas de manifestação desse afeto que se encontra na base do comportamento humano.4 O amor, em seus diversos modos, vem sendo relegado a um segundo plano, pelas pessoas que acabam priorizando a necessidade de obter êxito em seu trabalho ou de resolver as dificuldades da vida diária. O que tem provocado, por um lado, ignorar o próprio potencial que temos para amar, e por outro, minimizar sua importância. Mostrar, livre e sem inibição, nossa capacidade de amar tem sido uma tarefa das mais difíceis, atualmente. Isto porque, idiosincrasias e identidades nacionais, além de influências sociais, acrescidas da idade, sexo, escolaridade, ocupação e outros constituintes da especificidade psicológica de cada um, repercutem sobre o modo como assumimos o amor. Assim, ele pode ser considerado como uma parte especial da cultura contemporânea, na qual encontram-se uma série de valores, atitudes e formas de comportamento. O amor é um sentimento que se caracteriza por envolver a personalidade como um todo, traduzindo-se em valorização pessoal e auto-estima. Ou seja, se converte em um motor que impulsiona e regula a conduta de alguém no sentido de compelir à realização ou propor coisas que antes não eram sequer cogitadas. Obviamente, não podemos perder de vista nosso contexto atual, pois, não há dúvida, que os processos de automação, a velocidade do cotidiano e, de um modo geral, os complexos e ameaçadores tempos

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que vivemos, estão latentes em nossa subjetividade e possuem um valor estressante, modificando a atitude e concepção do fenômeno amoroso. A isto se juntam velhos vícios que, ainda hoje, permeiam a educação e a orientação que os pais dão aos filhos, educando a menina e o menino com padrões psicológicos e morais totalmente diferentes. O que acaba se estendendo aos contextos escolares e funcionando como impedidores da manifestação do amor em sua versão mais simples. Compreendemos que é imprescindível que os meios de comunicação maciça, as escolas e universidades, assim como todos os que, a título individual ainda acreditam na necessidade deste sentimento, divulguem-no, educando e propagando-o sob formas de intercâmbio e comunicação entre casais, entre pais e filhos, com o resto da família e a sociedade em geral. O amor, entendido como um componente essencial da cultura é, não só, causador de um desfrute estético para quem o possui, como também provoca o bem-estar físico, psíquico e social, transformando-se em um poderoso meio promotor de saúde e autodesenvolvimento humano. É então no entrelaçamento paz - desenvolvimento - direitos humanos - democracia, que podemos vislumbrar a Educação para a Paz. Um processo educativo, dinâmico, contínuo e permanente, fundamentado no conceito de paz positiva e na perspectiva criativa do conflito, como elementos significantes e definidores, e que, através da aplicação de enfoques sócio-afetivos e problematizantes, pretende desenvolver um novo tipo de cultura, a cultura de paz, que ajude as pessoas a desvelar criticamente a realidade para poder situar-se frente a ela e, conseqüentemente, atuar.

Videoteca Um conto chinês (Sebastián Borensztein, 2011) Em Buenos Aires um dono de uma loja de material de construção cheio de manias e esquisitices, solitário e ranzinza acaba, sem querer, se tornando responsável por um imigrante chinês que não fala uma palavra de espanhol. Juntos, os dois desenvolvem uma estranha, mas sensível amizade a partir da difícil convivência diária.

Entre os muros da escola (Laurent Cantet, 2008) François Marin atua como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris, composta por estudantes de diversos países da África, do Oriente Médio e da Ásia. Sem reconhecer a identidade e a cultura dos estudantes, o docente insiste em ensinar pelo método tradicional, impedindo o diálogo e o efetivo aprendizado do seu grupo.

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Um filme falado (Manuel de Oliveira, 2003) Em uma viagem de navio, personagens de diferentes nacionalidades europeias e um norte-americano discutem, cada um em seu idioma, suas convicções políticas, sonhos, realidades e cotidianos, criando uma verdadeira Babel em alto-mar. Aos poucos, diferenças e semelhanças aparecem, e relações ora são de respeito, ora de intolerância.

Complexidade e transdisciplinaridade O paradigma da complexidade incita a distinguir e fazer comunicar, em vez de isolar e de separar, a reconhecer os traços singulares, originais, históricos dos fenômenos, em vez de ligá-los pura e simplesmente a determinações ou leis gerais, a conceber a unidade- multiplicidade de toda entidade, em vez de a heterogeneizar em categorias separadas ou de a homogeneizar em indistinta totalidade. As palavras de Morin nos levam a refletir sobre a necessidade de serem pensados, cientificamente e com consciência, os princípios que regem nossas práticas, seja em pesquisa ou estudos, seja no cotidiano. Um outro olhar está convocado a ser posto sobre o que fazemos ou investigamos. Alguns componentes deste desafio, e que podem ser nominados de Constituintes da Complexidade, são fundamentais para o nosso propósito imediato. A começar queremos chamar a atenção para a insuficiência do Princípio da Universalidade, que, partindo de concepções generalizadoras, estabelece como referência o que é homogêneo, nivelando e criando padrões a serem seguidos e ou acreditados como definitivos, sem que a relação espaço-temporal tenha qualquer relevância. Por outro lado, impede que sejam consideradas as diferenças como informações importantes e necessárias, para dedicar-lhe o status de insuficientes ou anômalas. Não podemos mais deixar de ter em conta a referência e a interferência da história e seu percurso; os atravessamentos sócio-culturais, político-econômicos não só pertencem, como integram a constituição e o desenvolvimento humanos. Logo, nos deparamos com a impossibilidade utilizar apenas o universal como parâmetro, pois que o dado singular também marca a sua presença. Em uma palavra, universal e singular coexistem. Assim, torna-se impraticável isolar unidades, pois elas já são dotadas de multiplicidade.

Conteúdo extra! Aponte seu smartphone e ouça Lia Diskin, cofundadora da Associação Palas Atena, que explica como a promoção da cultura de paz pode melhorar o ambiente escolar. "Não queremos uma sala de aula de quietinhos, pelo contrário, queremos que o aluno se sinta confiante para se autoexpressar", esclarece Diskin. Ela fala sobre a importância de inserirmos nas escolas - o que ela chama de - as novas tecnologias de convivência. "Precismos qualificar a nossa escuta", ensina.

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Seguindo esta diretriz, podemos perceber que a relação causal de condução linear, ou seja, a premissa "se isto, então aquilo", dá lugar a uma outra lógica de pensamento regida pelo princípio da endoexocausalidade. Isto é, a ênfase está no que se constrói a partir da relação entre o que é interno, individual, e o que é externo, coletivo. Assim, o critério de previsibilidade que oferece condição para a ciência controlar os fenômenos, necessariamente tropeça na imprevisibilidade que se efetiva como fato. E acontecimentos inesperados se colocam como pregnantes e indispensáveis de serem analisados. Tais pressupostos viabilizam abordar a diversidade cultural em bases que acompanham o rigor de qualquer estudo científico, sem engessá-la ou tentar enquadrá-la em modelos tradicionalmente instituídos como dotados de credibilidade. Para o ser humano, ainda que pareça uma aventura, passa a ser condição "sine qua non" reconhecer-se em sua humanidade e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo o que é humano. Deste modo, ele é singular e múltiplo em sua existência. Os que vêem a diversidade das culturas tendem a minimizar ou a ocultar a unidade humana; os que vêem a unidade humana tendem a considerar como secundária a diversidade das culturas. Ao contrário, é apropriado conceber a unidade que assegure e favoreça a diversidade, a diversidade que se inscreve na unidade.5 Responder a pergunta sobre "Quem somos?" não pode estar separado de onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. Em outras palavras, a unidade humana não está só no fato de pertencer à espécie e a diversidade humana não se encontra apenas nos conteúdos psicológicos, culturais, sociais, políticos, religiosos, mas é no movimento de entrelaçar todos os componentes que se constrói a rede interativa característica do desenvolvimento, verdadeiramente, humano. O ponto de partida de que falamos, pressupõe uma maneira de funcionar que possa legitimar sua proposta, estabelecendo métodos de proceder que unam a suposta teoria com a prática. Obviamente, este outro modo de perceber o ser humano carece de uma metodologia para abordá-lo e, por extensão o seu entorno, que leve em conta o que está para além de cada uma destas instâncias. Ou seja, ter a visibilidade do que transcende uma e outra, não sendo possível estudar separadamente cada facção, ou mesmo imprimir como determinante alguma das partes. Em uma palavra, utilizar a perspectiva transdisciplinar. Lançando mão do velho exemplo culinário para ilustrar o que dizemos, vamos descascar algumas frutas (banana, laranja, mamão e pêra, por exemplo), cortá-las em pedaços e colocá-las em um recipiente. Ao misturá-las, temos uma salada de frutas. Esta sobremesa, de sabor próprio, mantém seus constituintes reconhecíveis e, caso não se goste de alguma das frutas, podemos separá-la, e não comê-la. Caracterizamos com isto, a possibilidade de desconsiderar algo que pertence ao prato servido, ou priorizar uma parte para saborear. Agora, em vez de misturar os pedaços de frutas em um recipiente, vamos colocá-los no copo do liqüidificador e ligá-lo, fazendo uma vitamina. O que podemos constatar? A composição é outra e apresenta um novo sabor. As frutas que lá estão e que permanecem sendo as que coloquei na mistura anterior (banana, laranja, mamão e pêra, por exemplo), estão entrelaçadas de tal forma que não é possível separálas, eliminar alguma delas, ou priorizar qualquer uma das partes que constitui o composto, que é único e múltiplo a um só tempo. As frutas estão para além delas mesmas, transcendendo uma a outra. Com tal ilustração pretendemos apontar que a transdisciplinaridade se mostra como uma perspectiva metodológica possível para estudarmos o ser humano em sua amplitude, porque ela nos permite abordá-lo em sua complexidade, considerando a coexistência do que é individual e coletivo, singular e plural, específico e geral, respeitando a rede de interações que constituem a teia da própria vida.

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Saiba mais! Quem foi Paulo Freire? Por seu empenho em ensinar os mais pobres, Paulo Freire tornou-se uma inspiração para gerações de professores, especialmente na América Latina e na África. Pelo mesmo motivo, sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964-1985), sendo preso e forçado ao exílio. O educador apresentou uma síntese inovadora das mais importantes correntes do pensamento filosófico de sua época, como o existencialismo cristão, a fenomenologia, a dialética hegeliana e o materialismo histórico. Essa visão foi aliada ao talento como escritor que o ajudou a conquistar um amplo público de pedagogos, cientistas sociais, teólogos e militantes políticos. A partir de suas primeiras experiências no Rio Grande do Norte, em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias, Paulo Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização, adotado primeiramente em Pernambuco. Seu projeto educacional estava vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo João Goulart.

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A carreira no Brasil foi interrompida pelo golpe militar de 31 de março de 1964. Acusado de subversão, ele passou 72 dias na prisão e, em seguida, partiu para o exílio. No Chile, trabalhou por cinco anos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Nesse período, escreveu o seu principal livro: Pedagogia do Oprimido (1968).

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Em 1969, lecionou na Universidade de Harvard (Estados Unidos), e, na década de 1970, foi consultor do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), em Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional a governos de países pobres, a maioria no continente africano, que viviam na época um processo de independência. No final de 1971, Freire fez sua primeira visita a Zâmbia e Tanzânia. Em seguida, passou a ter uma participação mais significativa na educação de Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. E também influenciou as experiências de Angola e Moçambique. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil, onde escreveu dois livros tidos como fundamentais em sua obra: Pedagogia da Esperança (1992) e À Sombra desta Mangueira (1995). Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, foi secretário de Educação no Município de São Paulo, sob a prefeitura de Luíza Erundina. Freire teve cinco filhos com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira. Após a morte de sua primeira mulher, casou-se com uma ex-aluna, Ana Maria Araújo Freire. Com ela viveu até morrer, vítima de infarto, em São Paulo. Doutor Honoris Causa por 27 universidades, Freire recebeu prêmios como: Educação para a Paz (das Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (da Organização dos Estados Americanos, 1992).

Ações Sócio-Educativas O princípio que inspira as ações sócio-educativas parte do reconhecimento das diferenças entre pessoas e grupos. Ele vai nos dar a chave para realizar uma ação conjunta com todas as partes implicadas, para efetuar mudanças que incidam sobre a melhora da qualidade de vida. Fomentando a consciência crítica e favorecendo a transformação social, o processo educativo passa a ser responsabilidade não só das pessoas diretamente envolvidas com ele (pais e filhos, professores e alunos...), mas também da

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Cultura de paz comunidade a que pertencem. Intervenção que teria como finalidade possibilitar e promover estilos de vida alternativos, que favoreceriam o crescimento pessoal, tanto individual como o coletivo, ajudando e apoiando os menores e os jovens a realizar eleições responsáveis positivas e críticas.6 A implantação de ações sócio-educativas deve envolver mulheres e homens de todos os níveis da sociedade numa larga e cruzada rede de atividades, que permitam colocar em prática os pressupostos teóricos e os princípios metodológicos que regem a Cultura de Paz. As bases que alicerçam as ações sócio-educativas estão voltadas a: – Identificar formas de violência. - Adquirir hábitos de discussão e posicionamento crítico em relação às realidades sociais passadas e atuais. - Desenvolver o espírito de tolerância e a capacidade de diálogo. - Construir um quadro de valores humanistas em que a solidariedade surja como suporte lógico de todos os comportamentos individuais e coletivos. – Desenvolver atitudes de solidariedade em relação ao "outro": indivíduo, povo, cultura. - Adquirir hábitos de discussão e posicionamento crítico face a outros povos. - Identificar situações de violação dos direitos humanos. – Identificar as "justificativas" para atentados à liberdade individual e refletir sobre as mesmas. – Contribuir para a conscientização do papel de cada um e de todos no combate às diferentes formas de discriminação. - Identificar meios e profissionais da comunicação social que servem à defesa dos direitos dos cidadãos. – Identificar indicadores de violência – Relacionar o saber científico com as vivências sociais – Promover hábitos de pesquisa – Clarificar conceitos A Educação para a Paz está - tem de estar - presente em todas as palavras, todas as atitudes, todos os momentos de todos os dias. Como podem as idéias e os ideais ligados pela expressão "Cultura de Paz" serem transformados em políticas e ações, públicas e privadas, que mudem as vidas, onde quer que elas sejam ou estejam? Esta pergunta, que nos inquieta a todos, pode ser respondida com sugestões a serem exercidas na prática educativa, que têm como principal argumento as informações advindas do cotidiano. Tais ações, tipicamente sócio-educativas, estão pautadas na singularidade do desenvolvimento humano sustentado pela interação sujeito-mundo, a qual nos permite compreender a proposta pedagógica de Paulo Freire, por um lado, e as concepções psicológicas de Vigotski, por outro, proporcionando uma interpenetração pertinente à visão transdisciplinar. A ação educativa de alfabetizar como compreensão "da palavra e do mundo" (o texto e o contexto), por exemplo, se converte em praxis transformadora, porque, ao tomar conhecimento daquilo que o rodeia, o homem passa da esfera mecânica e passiva de apreensão da realidade para a dimensão crítica e participativa, na qual a consciência aflora como fruto do processo de ação-reflexão. A definição de Desenvolvimento Humano sugerida por Vigotski, sustentada pela interação das instâncias psicológicas, antropológicas e orgânicas, permite vislumbrar o sujeito em sua complexidade. Ademais, o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, definido também por ele, admite como ponto de partida, acreditar que somos dotados de potencialidades que, ao serem estimuladas, favorecem o aparecimento de manifestações imprevisíveis, inesperadas, alimento de nossa criatividade. A ação sócio-educativa baseada na interlocução Freire-Vigotski, advém do diálogo acerca dos problemas das pessoas, favorecendo a que elas expressem o mundo em que vivem a partir do seu modo

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de concebê-lo. E, nesta interação, tomar consciência do que é vivido pelo próprio grupo e a realidade concreta do dia-a-dia que o cerca. Assim, a ação sócio-educativa se efetiva através de dois princípios: o da realidade objetiva e o do interesse individual/coletivo. Toda ação educativa pretende alcançar um fim, um objetivo que não permite a neutralidade. Os principais problemas da educação não são exclusivamente questões pedagógicas, mas também questões políticas. No caso dos jovens, quando começam a não ir mais para a escola, quando a terminam mais mal do que bem e não têm perspectivas nem formativas, nem de trabalho, quando em seu grupo social restrito vivem como algo "normal" o estar sem fazer nada, isto gera um cotidiano isento de normas, de responsabilidade e de preocupações.

Conteúdo extra! Saiba mais sobre a vida e a obra de Paulo Freire, que tanto lutou pela paz e pela democratização no ambiente escolar.

Quando estes adolescentes e jovens, pontualmente algum(a) menor, interiorizam, estas formas de funcionamento em que se sentem livres das normas e limites do sistema social, sem se dar conta de que outras normas e outros limites estão movendo suas atuações, quando a rua se converte para eles(as) em um espaço enganoso de liberdade, educadores e educadoras, temos que recuperar a rua como um espaço livre e educativo. Educativo não no sentido que eles rechaçam, mas no de recuperar e reconstruir aqueles valores positivos, como a solidariedade e o companheirismo, que vão sendo esquecidos, ou quando existem, estão sendo manipulados pelas circunstâncias do próprio contexto; de torná-los conscientes da realidade "tão pouco livre" que vivem; de viabilizar alternativas para suas necessidade, carências e problemáticas. Mas, fundamentalmente, no sentido de conhecerem possibilidades diferentes de relação e atuação, em que é possível expressarem suas opiniões, transformando-se assim em protagonistas de suas próprias vidas. Deste modo, um dos passos para que o jovem se perceba socialmente produtivo é permitindo que participe do mercado de trabalho a partir de sua profissionalização. Entretanto, para que esta escolha seja valorizada, ela deve estar vinculada ao interesse do próprio jovem, ao respeito por sua opção de carreira a seguir, e não pela imposição do adulto que não quer mais lhe ver como um indolente. Só assim, eles estarão reconhecendo a existência de suas potencialidades, se apropriando de suas capacidades, seus afetos, modos de comportamento mais positivos, mais humanos, que transcendem a sua pessoa e o seu entorno. A perspectiva preventiva da ação sócio-educativa se faz a partir do momento em que é possível utilizar outras formas de se relacionar, de atuar e participar, ocorrendo uma leitura nova e positiva da bagagem pessoal que cada um traz consigo. Em resumo, esta ação quando pretende estimular as potencialidades do jovem, despertando e favorecendo seu papel de protagonista Constitui o momento do processo educativo no qual se vão traçar objetivos educativos que impliquem em responsabilidade, organização, normas e limites na convivência, no compartilhar... e tudo

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Cultura de paz isto com a finalidade de que descubram outras experiências que lhes façam sentir-se pessoas com capacidade de opção. Fonte: Scielo. Autor: Leila Dupret. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572002000100013. Acesso em: 16 dez. 2016.

Medidas para promover uma Cultura de Paz por meio da educação a) Revitalizar as atividades nacionais e a cooperação internacional destinadas a promover os objetivos da educação para todos, com vistas a alcançar o desenvolvimento humano, social e econômico, e promover uma Cultura de Paz; b) Zelar para que as crianças, desde a primeira infância, recebam formação sobre valores, atitudes, comportamentos e estilos de vida que lhes permitam resolver conflitos por meios pacíficos e com espírito de respeito pela dignidade humana e de tolerância e não discriminação; c) Preparar as crianças para participar de atividades que lhes indiquem os valores e os objetivos de uma Cultura de Paz; d) Zelar para que haja igualdade de acesso às mulheres, especialmente as meninas, à educação; e) Promover a revisão dos planos de estudo, inclusive dos livros didáticos, levando em conta a Declaração e o Plano de Ação Integrado sobre a Educação para a Paz, os Direitos Humanos e a Democracia3 de 1995, para o qual a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura prestaria cooperação técnica, se solicitada; f) Promover e reforçar as atividades dos agentes destacados na Declaração, em particular a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, destinadas a desenvolver valores e aptidões que beneficiem uma Cultura de Paz, inclusive a educação e a capacitação na promoção do diálogo e do consenso; g) Estimular as atividades em curso das entidades ligadas ao sistema das Nações Unidas a capacitar e educar, quando for o caso, nas esferas da prevenção dos conflitos e gestão de crises, resolução pacífica das controvérsias e na consolidação da paz após os conflitos; h) Ampliar as iniciativas em prol de uma Cultura de Paz empreendidas por instituições de ensino superior de diversas partes do mundo, inclusive a Universidade das Nações Unidas, a Universidade para a Paz e o projeto relativo ao Programa de universidades gêmeas e de Cátedras da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Conteúdo extra! Conheça a íntegra da Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz ONU/UNESCO, acesse o QR Code.

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Texto complementar Como o Brasil virou o 4º maior vendedor de armas de pequeno porte do mundo Armas e munições fabricadas no Brasil estão sendo usadas pelo mundo para reprimir protestos e para alimentar conflitos. Durante a Primavera Árabe, em 2011, por exemplo, as forças de segurança de diversos governos se valeram de armas fabricadas no Brasil. Dois anos depois, armamentos nacionais voltaram a ser utilizados na praça Taksim, em Istambul, onde manifestantes foram brutalmente combatidos por polícia e Exército turcos. Polícia e Guarda Nacional da Venezuela também empregaram artefatos não letais brasileiros para silenciar opositores. Recentemente, pesquisadores encontraram foguetes de fabricação brasileira na guerra civil do Iêmen. Essas armas de fragmentação podem ferir ou matar civis muito tempo depois de disparadas. Elas são projetadas de forma a se detonar ao atingir o solo; mas, às vezes, não explodem no momento do contato e permanecem inativas, à espera de vítimas desavisadas. A natureza imprevisível das armas de fragmentação levou cem países a proibir sua produção, armazenamento e uso. O Brasil não está entre eles. Gás lacrimogêneo, balas, armas e sistemas de foguetes fabricados no país estão surgindo em mais lugares conflagrados do que se imagina. Apesar dos inúmeros relatos sobre as nefastas consequências involuntárias de armas, os fabricantes continuam a negociá-las em grande quantidade. O resultado é que a reputação conquistada com muito esforço pelo país por promover a paz e prevenir conflitos sofre abalos. Para entender melhor esse quadro, é importante considerar alguns atores envolvidos. Tomemos o caso da Condor, fabricante com sede em Nova Iguaçu (RJ), que forneceu armas não letais a mais de 40 clientes, entre os quais os governos do Egito, da Turquia e de países do Golfo Pérsico. A Venezuela também é um cliente valioso da Condor, tendo adquirido da empresa, entre 2008 e 2011, 143 toneladas de produtos – pelo menos US$ 6,5 milhões (R$ 22,3 mi, em valores atuais) em bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.

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Cultura de paz Em janeiro de 2016, produtos da Condor foram empregados para reprimir protestos pacíficos no Bahrein, país criticado recorrentemente pela prática de detenções ilegais e de tortura. Em 2011, quando imagens divulgadas por opositores da monarquia barenita mostraram bombas de gás lacrimogêneo idênticas às da Condor que teriam sido usadas pela repressão, a empresa fluminense soltou comunicado em que afirmava nunca ter exportado itens para a ilha. Mas ressalvava: "[...] tropas de pelo menos cinco países da região estão operando no Bahrein a pedido do governo". Consideremos também a Avibras Indústria Aeroespacial, sediada em São José dos Campos (SP), que produz o Astros, um sistema de lançadores múltiplos de foguetes usado recentemente na guerra civil iemenita. Investigadores associados à Anistia Internacional descobriram munições não detonadas em uma área agrícola do Iêmen depois de um ataque com foguetes de fragmentação. A empresa afirma estar investigando o incidente, mas ainda não esclareceu comosuas armas foram parar no país. Os artefatos parecem ter sido usados por forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita no fim de 2015, ferindo várias pessoas, inclusive uma menina de quatro anos. Traficante A Forjas Taurus, maior empresa do ramo na América Latina, negociou armas com regimes que violam direitos humanos. Em maio de 2016, o Ministério Público Federal denunciou dois ex-diretores da corporação por venderem 8.000 pistolas a um reconhecido traficante de armas iemenita, em 2013. Os executivos acertavam uma segunda remessa, em 2015, quando a transação foi interceptada. Em nota de setembro passado, a empresa diz repudiar "veementemente a alegação de que estaria envolvida em qualquer operação irregular" e afirma que o destinatário do lote de 2013 era o governo do Djibuti, país sobre o qual não incidem embargos comerciais. Informa também ter cancelado negociações com o país africano, determinado a retenção da mercadoria em trânsito e devolvido o pagamento ao referido governo ao tomar conhecimento das suspeitas contra o intermediador iemenita. Essas empresas, além de outras, como a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), fizeram do Brasil um dos maiores fornecedores de armamento do planeta. Nos últimos anos, o país tem figurado como o quarto maior exportador mundial de munição e armas de pequeno porte. Entre 2001 e 2012, enviou para o exterior um total de US$ 2,8 bilhões (R$ 9,6 bi) em produtos desse tipo. Só EUA, Itália e Alemanha venderam mais. Diferentemente do que ocorre nesses três países, que impõem mecanismos para limitar vendas a regimes suspeitos e adotam salvaguardas para evitar e investigar o desvio ilegal de armas a terceiros,

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os itens brasileiros estão cada vez mais sendo encontrados em países com históricos alarmantes de violações de direitos humanos. O desejo do governo de promover o crescimento da indústria armamentista está em desacordo com sua política externa oficial. Tomemos como exemplo o caso do conflito iemenita, que matou mais de 10 mil pessoas e deslocou cerca de 3 milhões. O Brasil condenou os ataques na Península Arábica. Em acordo bilateral, ofereceu assistência. Mas longe de colaborar para o fim do conflito, a venda de armas brasileiras agrava a situação, já preocupante. Ou seja, as políticas de comercialização de armas do Brasil solapam esforços diplomáticos e humanitários. O país envia armas para a Arábia Saudita, que lidera campanha devastadora de bombardeio no Iêmen para eliminar combatentes rebeldes houthis, contrários ao governo apoiado pelos EUA e pela própria Arábia Saudita. Só no ano passado, o Brasil exportou para lá o equivalente a mais de US$ 100 milhões (R$ 344,4 mi) em artefatos. Depois de anos apoiando o regime saudita, Reino Unido e EUA estão sendo fortemente pressionados a reconsiderar a maneira como as vendas de armas contribuem para o desastre humanitário iemenita. No Brasil, poderosos interesses bloqueiam mudanças no status quo do setor. O lucro – e não imperativos de política externa – é o fator decisivo quando se trata de exportações de armas no Brasil. Em meados dos anos 1980, por exemplo, o país vendeu artefatos tanto para o Irã quanto para o Iraque, armando Estados adversários e ajudando a alimentar uma guerra que se arrastou por oito anos. O programa oficial de exportação de armas e as relações cordiais entre agências e empresas têm origem na ditadura. Desde sua criação, em 1974, a Política Nacional de Exportação de Material de Emprego Militar (PNEMEM) sofreu quatro reformas: em 1981, 1983, 1990 e 1993. Nenhuma delas resultou em mais transparência ou maior controle das exportações. Ao contrário, a CBC e a Taurus fizeram um lobby bem-sucedido em 1981 para abrandar a PNEMEM, de modo a permitir vendas de armas a compradores privados estrangeiros, e não apenas a governos. A política de exportação de armas do Brasil também passou essencialmente ilesa à Constituição de 1988 – e até adotou a linguagem da Constituição de 1967. A volta à democracia não trouxe nenhuma mudança fundamental. Aliás, se houve alguma, foi o aumento da produção e da venda. Os governos do PT estavam fortemente comprometidos com o fomento da indústria de defesa. Na gestão Lula, a Estratégia Nacional de Defesa (END) propôs uma reorganização radical da indústria. O texto recomendava que o Ministério da Defesa propusesse modificações legislativas que franqueassem aos fabricantes acesso a linhas de crédito especiais do BNDES. No entanto, mesmo quando a economia do Brasil vivia um

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Cultura de paz forte crescimento e o país surfava a onda das commodities, alguns fabricantes de artigos de defesa, como a Avibras, enfrentaram dificuldades. Em setembro de 2011, a então presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso uma Medida Provisória para fortalecer e incentivar o setor de fabricação de armas. Seis meses depois, provou-se a Lei n0 12.598/2012, criando isenções de IPI, PIS/Pasep e Cofins em todas as compras do governo de produtos de defesa, bem como suspendendo o imposto de importação sobre matérias-primas. Os incentivos representaram economia de 13% a 18% no balanço dessas empresas. Empréstimos Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação revelam que, de 2008 a 2015, a Forjas Taurus recebeu R$ 53.403.381 em empréstimos a juros baixos do BNDES, mais do que qualquer outra empresa. Apenas em 2013, ano em que, segundo o Ministério Público Federal, a Taurus vendeu as 8.000 pistolas ao traficante de armas iemenita, a corporação obteve R$ 31.928.961. A CBC, que comprou a Taurus em 2014 e é hoje sua acionista majoritária, recebeu R$ 9.232.674 entre 2008 e 2014. Nesse mesmo período, todo o setor de defesa do país – com exceção do subsetor da Aeronáutica – se beneficiou de R$ 225.504.671 em empréstimos, atingindo picos em 2009 (R$ 35.212.709), 2012 (R$ 40.242.637) e 2013 (R$ 58.160.835). Em 2014, os empréstimos caíram bruscamente. O Brasil pode salvar sua reputação de promotor da paz se reforçar sua regulação sobre armas. Há sinais nessa direção. Em 2013, o país foi um dos primeiros a assinar o Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA), acordo mundial legalmente vinculante que compromete signatários a alinhar políticas de exportação de armas a padrões de respeito a direitos humanos. Porém, apesar de ter rubricado o documento, o Brasil não está dando seguimento ao processo de ratificação, hoje parado na Câmara dos Deputados. Por isso, o país ficou fora das últimas deliberações do acordo. Durante a Segunda Conferência dos Estados-Parte, os diplomatas brasileiros foram relegados à condição de observadores e não tiveram nenhum poder de influenciar o processo. Nesse meio-tempo, o Brasil emitiu declaração previsível de que "adotou um sistema nacional de controle de exportação de armas que cumpre, em grande medida, as obrigações do TCA". Outro ator importante que se opõe a uma regulação sensata das armas, tanto no circuito internacional quanto dentro do país, é a chamada bancada da bala. Desde sua formação, há mais de uma década, esse conjunto de parlamentares trabalha para abrandar as leis que regulam as armas e para expandir o acesso a elas.

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Entre seus membros, todos ultraconservadores, há ex-militares e ex-policiais que receberam contribuições de campanha substanciais de empresas do setor de defesa. Só a CBC doou R$ 615 mil a 16 candidatos de nove siglas na campanha de 2014. A bancada da bala havia conseguido, em 2005, com apoio da National Rifl e Association (NRA), dos EUA, derrubar a proibição à compra de armas por civis em um referendo nacional. Como era de se esperar, esses deputados repudiaram abertamente o TCA. Há algumas medidas práticas que o Brasil pode tomar para melhorar o modo como lida com o controle das transferências de armas. Para começar, precisa ratifi car o TCA. O governo também tem de promover a reforma da PNEMEM para alinhá-la aos padrões internacionais. Isso inclui o fortalecimento da transparência e da responsabilização no processo de licenciamento e exportação a cargo do Exército e a integração de sua base de dados de exportação de armas, o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), com a da Polícia Federal, o Sistema Nacional de Armas (SINARM). O Brasil deveria, ainda, implementar um programa de "compliance" (responsabilização legal) do usuário fi nal por meio de suas embaixadas. E, fi nalmente, para evitar uma interferência indevida nas políticas de exportação de armas, é fundamental limitar o financiamento de campanhas por representantes do setor de defesa. Se o país quer verdadeiramente promover a paz, precisa de uma regulação das armas responsável. É contraproducente buscar soluções diplomáticas por um lado e alimentar confl itos por outro. Fonte: Folha de S. Paulo/ Ilustríssima. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/11/1833170-como-o-brasil-virou-o-4-maior-vendedor-de-armas-do-mundo.shtml.Acesso em: 1 dez 2016.

e Proposta de atividad

untas m em conjunto às perg da on sp re e as leg co us se faça uma reflexão com Depois de ler os textos abaixo: cê? 1. O que é paz para vo 2. Existe paz no Brasil? ndem a paz? são os atores que defe em qu r ca tifi en id ue 3. Você conseg defesa da paz? 4. O que é para você a

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Cultura de paz

Campanha do desarmamento

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A partir do Estatuto do Desarmamento elaborado em 2003, foi instituída a Campanha do Desarmamento, visando à população portadora de armas sem registro o prazo de 180 dias para regularização de registro ou porte perante a Polícia Federal, ou entrega de boa-fé da arma de fogo com direito a indenização, à contar de 23/06/2004, conforme a Lei 10884 de 17/06/2004. Segundo dados do Ministério da Justiça, a campanha resultou na entrega de 443719 armas de fogo, que foram destruídas pelo Comando do Exército, número que constatou o sucesso da campanha, que tinha por meta recolher 80 mil armas, com ampliação desta meta para 200 mil até dezembro de 2004. Como esse objetivo foi superado, o Governo Federal estendeu a Campanha do Desarmamento até 23 de outubro de 2005, data do referendo onde se questionou a proibição ou não-proibição da comercialização de armas de fogo ou munição (com a vitória do "Não"). Fonte: Ministério da Justiça

Desarmamento no mundo Argentina

O cidadão se habilita a portar uma arma através de curso, prova e teste psicotécnico. A cada dois anos, a habilitação é renovada, com a realização do exame psicotécnico. A lei restringe bastante o uso. Apesar disso, há algumas habilitações fraudadas que aumentam o número de armas em circulação. Austrália

Desde 1996, está proibida a venda de armas semi-automáticas e foi restringida a concessão de porte de arma.

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Cultura de paz Canadá

Armas automáticas e semi-automáticas são proibidas. Para comprar uma arma, o cidadão precisa fazer um treinamento e apresentar um documento provando que o cônjuge concorda. Estados Unidos

Os estados são autônomos para legislar sobre o assunto. Em alguns deles, como Massachusetts, a venda e o porte de arma são proibidos. No entanto, na maioria dos estados, o uso e a venda de armamentos pessoais são permitidos. Em alguns estados, o debate se dá em torno da proposta de limitar a venda de armas a 20 unidades por pessoa. Se o usuário quiser mais do que isso, necessitará de uma licença especial. O país historicamente tem uma filosofia política contrária a esta prática, desde a época de James Madison e Thomas Paine.[1] França

Armas de uso pessoal são proibidas, apenas armamentos de caça são permitidos. Jamaica

A compra e a posse de qualquer tipo de arma de fogo ou munição por civis foram proibidas em 1974.

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Japão

A venda e o uso de armas são proibidos México

A lei permite que os mexicanos tenham armas em casa, mas a Secretaria de Defesa não concede permissão para fabricação, porte ou posse. Reino Unido

A venda e o porte de armas são proibidos. Apenas armamentos de caça podem ser vendidos e usados. A legislação relativa às armas de uso pessoal se tornou mais rigorosa a partir de 1996, quando Thomas Hamilton invadiu uma escola primária na cidade escocesa de Dunblane e assassinou 15 crianças e uma professora. Até mesmo a prática de tiro esportivo é proibida, e a equipe que representa o Reino Unido tem de treinar em países vizinhos. Suíça

Não há restrições sobre a venda de armas. Todo reservista guarda em casa o armamento recebido do Exército.

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Cultura de paz A paz se aprende na escola

Uma chance de construir um mundo sem violência está na mão dos professores – eles criam condições para gerações e culturas diferentes dialogarem. Conheça essa e outras ideias do mestre Ubiratan D’Ambrosio, homem com um olhar, sempre apaixonado, para o futuro Transdisciplinaridade é uma palavra esquisita e guarda um conceito ainda novo para nossos ouvidos leigos, mas vem recebendo a atenção da academia há tempos. O professor Ubiratan D’Ambrosio é um dos primeiros a falar disso no Brasil. “Trans” é mais que “multi”. É para “além de”. É um universo em que as disciplinas – matemática, literatura, geografia etc. – não só se complementam, mas principalmente incluem o indivíduo, o que sente e pensa. Nessa abordagem, a escola tem um papel fundamental na educação para a paz Professor emérito de matemática da Universidade Estadual de Campinas e, atualmente, da pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Universidade de São Paulo, este paulistano do bairro do Brás é um resgatador de esperança. “Só quem pode surgir com o novo é o novo. E o novo são as crianças. Com elas, poderão vir as respostas que não encontramos”, declara. “Violência vem de medo. Medo, de incompreensão, que vem de ignorância. E ignorância se combate com educação.” O senhor costuma citar essa frase da professora americana Leah Weels. Como a sala de aula pode contribuir para a paz? Educação é preparar para o futuro. Os governantes pensam que isso é instrumentalizar mão de obra para uma indústria que está se desenvolvendo, instruir para a cidadania de modo que o sujeito seja cumpridor de leis. Mas, se só pensarem desse jeito, nós não teremos muito futuro. Corremos o risco de formar uma geração, duas, três para viver como nós, e esse é um mundo inviável. Um bom engenheiro, um bom agricultor, o que eles vão fazer? Abrir mais terreno para plantar mais. E isso sabemos que tem impacto no meio ambiente. Você tem que produzir mais alimento, claro, mas não deve sacrificar uma fonte vital, como a água e as árvores. O que cabe a nós, educadores, engenheiros, cientistas? Encontrar alternativas. Por onde se começa? Incluindo os aspectos emocional e espiritual. Na hora em que você faz uma usina hidrelétrica e cobre um lugar onde estavam as raízes de muitas pessoas, nem percebe a angústia que gerou. A transposição do rio São Francisco é o caso mais recente. O rio, se passasse por outra região, beneficiaria mais gente. Há méritos nisso. Por outro lado, as pessoas que hoje estão perto dele sentirão um vazio quando ele mudar de lugar. E não estamos pensando no impacto desse vazio a médio e longo prazo. É mais ou menos o que acontece com uma árvore sem raiz. Se bate um vento forte, ela tomba. Assim se dá com o indivíduo que imigrou para fugir da seca, para fugir da violência, para buscar novas oportunidades. O que acontece com ele? Como fica seu passado e sua tradição? Ele carrega tudo consigo, não? Isso desaparece. Mesmo na cozinha. Os filhos começam a comer mais fast food do que a comida tradicional dos pais. Então, a escola básica tem como responsabilidade valorizar a cultura dos pais. Estimular a curiosidade da criança, pedindo para ela perguntar, por exemplo, como era a vida deles ou com o que o pai brincava quando tinha a idade dela. Dificilmente uma criança vai para casa perguntar uma coisa que só os pais sabem.

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Em qualquer extrato social? Os filhos dos engenheiros, dos professores, dos jornalistas enfrentam o seguinte problema: a falta de tempo dos pais. O pai paga o professor particular, dá um computador melhor, mas não estuda com o filho. A comunicação continua interrompida entre as gerações. Ao trabalhar com isso, a escola devolve a dignidade. Quando os pais se tornam detentores de um conhecimento que interessa ao filho, ambos se beneficiam. Isso valoriza a geração mais velha e dá às crianças legitimidade para admirar os pais. “Poxa, até que essa geração mais velha tem algo a oferecer”, pensam. E é nisso que se inserem as tradições. A escola pode ajudar? Mas é claro. Fonte: Planeta sustentável. Disponível em: < http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_349016.shtml>. Acesso em: 16 dez. 2016.

Saiba mais!

Ubiratan D'Ambrosio nasceu em São Paulo, 8 de dezembro de 1932, foi um matemático e professor universitário brasileiro. Doutor em matemática, teórico da educação matemática e um dos pioneiros no estudo da etnomatemática. Em 2001, foi laureado pela Comissão Internacional de História da Matemática com o Prêmio Kenneth O. May por contribuições à história da matemática. Em 2005, ganhou da Comissão Internacional de Instrução Matemática a medalha Felix Klein pelo reconhecimento de suas contribuições no campo da educação matemática. É professor emérito de Matemática da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente, é professor do Programa Pós-Graduados em Educação Matemática da Universidade Bandeirante de São Paulo. Lecionou no programa de História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC); professor credenciado no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo; professor do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP); e professor visitante no Programa Sênior da FURB / Universidade Regional de Blumenau. Seu nome figura como signatário de importantes documentos no mundo da ciência, como a Declaração de Veneza de 1986 e Carta da Transdisciplinaridade de 1994. Junto com Edgar Morin e Bassarab Nicolescu fundou o Centre International de Recherches et Études Transdisciplinaires (CIRET).

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A vida da terra depende da vontade humana. A terra será o que os homens nela farão. Nós vivemos, desde agora, este momento histórico decisivo da evolução terrestre. Rudolf Steiner

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CAPÍTULO 5

Desenvolvimento sustentável

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A paz e o meio ambiente Paz e estabilidade são elementos fundamentais para promover o desenvolvimento sustentável. Essa foi a mensagem deixada pelos participantes do debate realizado pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, que terminou no dia 25 de abril. No encontro, foram apresentados possíveis temas para agenda da ONU pós-2015, ano em que será finalizado o prazo para o cumprimento das metas de combate à pobreza conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs).

Assembleia-Geral da ONU durante reunião sobre cultura de paz e estabilidade

Texto complementar De olho no Lixo A meta do projeto “De Olho no Lixo: transformando resíduo em arte, cultura e educação” é desenvolver um trabalho de manejo correto dos resíduos na comunidade da Rocinha para diminuir o impacto negativo provocados pelo lixo. O projeto foi elaborado pelo Viva Rio Socioambiental, com orientação técnica do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e financiamento da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj).

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O ‘De Olho no Lixo’ considera que para conseguir resultados efetivos diante de um dos maiores problemas ambientais da atualidade – o manejo inadequado dos resíduos e seus impactos – precisa considerar aspectos estruturais (infraestrutura física, operacional e logística) e estruturantes (educação e comunicação para o ambiente, com promoção da arte e da cultura), utilizando metodologias de participação, para a promoção de geração de renda local. O projeto pretende sensibilizar e envolver o morador da Rocinha, nas questões ligadas ao tema Gestão de Resíduo, incentivando uma transformação na cultura do lixo – um grande problema ambiental -, em cultura do resíduo – onde há valor agregado, com geração de renda, produção artística, comunicação e educação para o ambiente. Pretende-se, deixar como legado na Rocinha, projetos sustentáveis com utilização de tecnologias sociais, tanto em unidades escolares quanto na comunidade.

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O papel da cultura A cultura do Brasil é uma síntese da influência dos vários povos e etnias que formaram o povo brasileiro. Não existe uma cultura brasileira perfeitamente homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. Naturalmente, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana.

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É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: apesar do povo brasileiro ser um mosaico étnico, quase todos falam a mesma língua (o Português Brasileiro, além de muitas outras, principalmente indígenas ) e a maioria é cristã, com largo predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país de grande tamanho como o Brasil, especialmente em comparação com os países do Velho Mundo. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa (antes da chegada dos portugueses aqui era falado Tupi-Guarani). É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana. No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na língua, culinária, música e outros aspectos. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada.

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Texto complementar Cultura brasileira: da diversidade à desigualdade Mesmo admitindo a existência de diversos estudos e discussões antropológicas sobre o conceito de cultura, podemos considerá-la, grosso modo, da seguinte forma: a cultura diz respeito a um conjunto de hábitos, comportamentos, valores morais, crenças e símbolos, dentre outros aspectos mais gerais, como forma de organização social, política e econômica que caracterizam uma sociedade. Além disso, os processos históricos são em grande parte responsáveis pelas diferenças culturais, embora não sejam os únicos fatores a se considerar. Isso nos permite afirmar que não existem culturas superiores ou inferiores, mas sim diferentes, com processos históricos também diversos, os quais proporcionaram organizações sociais com determinadas peculiaridades. Dessa forma, podemos pensar na seguinte questão: o que caracteriza a cultura brasileira? Certamente, ela possui suas particularidades quando comparada ao restante do mundo, principalmente quando nos debruçamos sobre um passado marcado pela miscigenação racial entre índios, europeus e africanos. A cultura brasileira em sua essência seria composta por uma diversidade cultural, fruto dessa aproximação que se desenvolveu desde os tempos de colonização, a qual, como sabemos, não foi, necessariamente, um processo amistoso entre colonizadores e colonizados, entre brancos e índios, entre brancos e negros. Se é verdade que portugueses, indígenas e africanos estiveram em permanente contato, também é fato que essa aproximação foi marcada pela exploração e pela violência impostas a índios e negros pelos europeus colonizadores, os quais a seu modo tentavam impor seus valores, sua religião e seus interesses. Porém, ao retomarmos a ideia de cultura, adotada no início do texto, podemos afirmar que, apesar desse contato hostil num primeiro momento entre as etnias, o processo de mestiçagem contribuiu para a diversidade da cultura brasileira no que diz respeito aos costumes, práticas, valores, entre outros aspectos que poderiam compor o que alguns autores chamam de caráter nacional. A culinária africana misturou-se à indígena e à europeia; os valores do catolicismo europeu fundiram-se às religiões e aos símbolos africanos, configurando o chamado sincretismo religioso; as linguagens e vocabulários afros e indígenas somaram-se ao idioma oficial da coroa portuguesa, ampliando as formas possíveis para denominarmos as coisas do dia a dia; o gosto pela dança, assim como um forte erotismo e apelo sexual juntaram-se ao pudor de um conservadorismo

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Cultura de paz europeu. Assim, do vatapá ao chimarrão, do frevo à moda de viola caipira, da forte religiosidade ao carnaval e ao samba, tudo isso, a seu modo, compõe aquilo que conhecemos como cultura brasileira. Ela seria resultado de um Brasil-cadinho (aqui se fazendo referência àquele recipiente, geralmente de porcelana, utilizado em laboratório para fundir substâncias) no qual as características das três “raças” teriam se fundido e criado algo novo: o brasileiro. Além disso, do ponto de vista moral e comportamental, acredita-se que o brasileiro consiga reunir, ao mesmo tempo, características contraditórias: se por um lado haveria um tipo de homem simples acostumado a lutar por sua sobrevivência contra as hostilidades da vida (como a pobreza), valorizando o mérito das conquistas pessoais pelo trabalho duro, por outro lado este mesmo homem seria conhecido pelo seu “jeitinho brasileiro”, o qual encurta distâncias, aproxima diferenças, reúne o público e o privado. Ainda hoje há quem possa acreditar que nossa mistura étnica tenha promovido uma democracia racial ao longo dos séculos, com maior liberdade, respeito e harmonia entre as pessoas de origens, etnias e cores diferentes. Contudo, essa visão pode esconder algumas armadilhas. Nas ciências sociais brasileiras não são poucos os autores que já apontaram a questão da falsidade dessa democracia racial, apontando para a existência de um racismo velado, implícito, muitas vezes, nas relações sociais. Dessa forma, o discurso da diversidade (em todos os seus aspectos, como em relação à cultura), do convívio harmônico e da tolerância entre brancos e negros, pobres e ricos, acaba por encobrir ou sufocar a realidade da desigualdade, tanto do ponto de vista racial como de classe social. Ainda hoje, mesmo com leis claras contra atos racistas, é possível afirmarmos a existência do preconceito de raça na sociedade brasileira, no transporte coletivo, na escola, até no ambiente de trabalho. Isso não significa que vivamos numa sociedade racista e preconceituosa em sua essência, mas sim que esta carrega ainda muito de um juízo de valor dos tempos do Brasil colonial, de forte preconceito e discriminação. Além disso, se a diversidade cultural não apagou os preconceitos raciais, também não diminuiu outro ainda muito presente, dado pela situação econômica-social do indivíduo. É preciso considerar que a escravidão trouxe consequências gravíssimas de ordem econômica para a formação da sociedade brasileira, uma vez que os negros (pobres e marginalizados em sua maioria) até hoje não possuem as mesmas oportunidades, criando-se uma enorme distância entre as estratificações sociais. Como sugere o antropólogo Darcy Ribeiro, mais do que preconceitos de raça ou de cor, têm os brasileiros um forte preconceito de classe social.

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Dessa forma, o Brasil da diversidade é, ao mesmo tempo, o país da desigualdade. Por isso tudo é importante que, ao iniciarmos uma leitura sobre a cultura brasileira, possamos ter um senso crítico mais aguçado, tentando compreender o processo histórico da formação social do Brasil e seus desdobramentos no presente para além das versões oficiais da história. Fonte: Autor: Paulo Silvino Ribeiro. Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/cultura-brasileira-diversidade-desigualdade.htm. Acesso em: 12 dez. 2016.

Conteúdo extra! Aponte O poder da cultura para o desenvolvimento sustentável

Sustentabilidade Segundo a ONU: “A Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável possui em sua essência uma idéia simples com implicações complexas, pois, após vivermos durante séculos sem nos preocupar com o esgotamento dos recursos naturais do planeta, temos que aprender, agora, a viver de forma sustentável.

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Cultura de paz O conceito de sustentabilidade Sustentável - do latim sustentare significa sustentar; defender; favorecer; apoiar; conservar ou cuidar. O conceito de sustentabilidade tem sua origem relacionada ao termo “desenvolvimento sustentável”, definido como aquele que atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades.

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Diante da evidência da fragilidade humana no quadro atual de degradação e riscos provocados por estilos de vida e de produção incompatíveis com a permanência dos recursos naturais, a sustentabilidade passou a ser o principal desafio para o desenvolvimento social. É fundamental salientar alguns pontos sobre a responsabilidade do homem em relação ao meio ambiente, pois é preciso: • Respeitar os ciclos naturais, o tempo de recomposição dos recursos e os limites que os regem. • Conservar a integridade do ambiente. • Consumir sem ultrapassar a capacidade de renovação dos recursos. • Respeitar a diversidade humana, que produz formas diferentes de existência. A concepção de sustentabilidade pressupõe uma relação equilibrada com o ambiente em sua totalidade, considerando que todos os elementos afetam e são afetados reciprocamente pela ação humana.

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A sustentabilidade, portanto, diz respeito às escolhas sobre as formas de produção, consumo, habitação, comunicação, alimentação, transporte e também aos relacionamentos entre as pessoas e delas com o ambiente, considerando os valores éticos, solidários e democráticos. Reciclar para cooperar

Nos anos 1970 já havia a preocupação com a preservação ambiental e foi nesse período que surgiu o conceito de reciclagem. Nessa época teve inicio o processo industrial de reaproveitamento de diversos tipos de materiais e o que antes era destruído passou a ser reciclado ou reaproveitado. Reciclar faz parte das atitudes sustentáveis cujo principal objetivo é a defesa e proteção do meio ambiente. A reciclagem é a soma de varias ações que visam aproveitar detritos que teriam como destino o lixo, ou a utilização dos que foram dispensados, mas podem ser recuperados ou transformados. A produção de lixo aumenta a cada dia. Para ter uma ideia da quantidade, basta imaginar a quantidade de lixo que gera um recém-nascido, com o uso de fraldas descartáveis e outros utensílios que são dispensados ao longo do tempo – chupetas e bicos de mamadeiras, que são feitos de borracha, ou os lenços de papel. O fato é que milhares de toneladas de lixo são recolhidas diariamente nos hospitais, nas escolas, fábricas e residências e a tendência é aumentar mais a quantidade de lixo produzido. A sustentabilidade passa por medidas que estimulam as formas alternativas de reciclagem, armazenagem em local autorizado para tratamento e, em último caso, a incineração.

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Porém, a incineração só deve ser aplicada em casos extremos devido à poluição da atmosfera. Já a reciclagem é a solução para o lixo inorgânico. A importância dessa atitude se traduz no reaproveitamento de papéis, vidros, plásticos e metais, o que resulta em economia e geração de emprego e renda, além da redução significativa do consumo de matéria-prima. Ela é feita em empresas especializadas e de grande porte e possuem a infraestrutura necessária para atender a grande demanda de material que recebem diariamente. No entanto é possível reciclar em menor escala na própria casa utilizando pouco espaço e aproveitando materiais reutilizáveis. E esse hábito proporciona a oportunidade de criar um passatempo saudável e a consciência de preservação da natureza. Uma forma simples de fazer a reciclagem doméstica é reaproveitar as garrafas de plástico, uma vez que é possível fazer peças decorativas e de utilidade com esse tipo de material. Outro exemplo é o óleo de cozinha ou óleo de fritura que pode virar sabão de ótima qualidade. E, por fim, aqueles que moram em áreas com quintal grande e, com bastante terra, poderão também enterrar boa parte do lixo orgânico, que irá se transformar em adubo natural. Fonte: Atitudes sustentáveis. Disponível em: < http://www.atitudessustentaveis.com.br/artigos/importancia-reciclagem/>. Acesso em: 16 dez. 2016.

Conteúdo extra! Assista a um vídeo sobre reciclagem pelo QR Code.

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Símbolos dos diferentes campos da reciclagem.

Texto complementar O Brasil ocupa o 4º lugar entre os principais países emissores de gases do efeito estufa. Erradicando o desmatamento, o País passaria a ocupar o 18º lugar. Além das áreas protegidas, outra forma de conter o desmatamento e, conseqüentemente as mudanças climáticas, é desenvolver atividades econômicas sustentáveis nas florestas, de modo a fortalecer as comunidades locais e aproveitar os recursos disponíveis nas regiões. O apoio a projetos de manejo florestal comunitário e empresarial, manejo de pesca, iniciativas de capacitação, educação e conscientização ambiental e ações de comunicação e políticas públicas. Com esse objetivo, o WWF-Brasil criou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (PADS). Os projetos do PADS ajudam famílias a viver da coleta de castanha-do-Brasil, óleo de copaíba, artesanato, ecoturismo e outros produtos florestais, sem ter que derrubar árvores para retirar madeira ou abrir pastagens, assegurando, desta forma, a conservação da floresta e da biodiversidade. Além disso, lidar com o desenvolvimento sustentável na floresta é desenvolver e incentivar capacidade adaptativa às futuras mudanças do clima, que se dão gradualmente, na medida em que o planeta aquece

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Pare e pense O que é efeito estufa? Efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Sem o efeito estufa natural, a Terra seria muito fria, dificultando o desenvolvimento das espécies. No entanto, através de ações irresponsáveis dos seres humanos, o efeito estufa está se tornando cada vez mais intenso, o que passa a ser bastante prejudicial para a vida na Terra. Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta. Com a eliminação de muitos gases poluidores, como o monóxido de carbono e outros que provocam o efeito estufa, mais da metade da radiação acaba por ficar retida na superfície do planeta, devido a ação refletora dessa camada de gases. O excesso dos gases estufa, que agem como isolantes por absorver a energia irradiada, formam uma espécie de "cobertor térmico" em torno do planeta, impedindo que o calor volte para o espaço. O fenômeno do efeito estufa também acontece em outros planetas. No caso de Vênus, por exemplo, a temperatura é superior a 470ºC devido ao acumulo de anidrido carbônico contido na sua atmosfera. A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a ação das indústrias, são alguns exemplos que auxiliam o aumento da poluição do ar. Esse excesso de camada está fazendo que parte desses raios não consiga voltar para o espaço, provocando uma elevação na temperatura de todo o planeta, o aquecimento global. Saiba mais sobre o significado de Aquecimento global. Em 1997, visando diminuir as emissões dos gases, a Organização das Nações Unidas (ONU) convocou vários países para assinarem um tratado chamado de Protocolo de Kyoto, que determina que os países industrializados diminuam suas emissões de gases poluentes a um nível 5,2% menor que a média de 1990. O Brasil está em 6º lugar no ranking dos países que mais emitem gases de efeito estufa na atmosfera, a maior parte por conta dos desmatamentos. Efeito estufa e aquecimento global Apesar de alguns cientistas acreditarem que o aquecimento global acontece por causas naturais, a grande maioria afirma que ocorre devido as emissão excessiva de gases estufa na atmosfera terrestre. Estes gases destroem a camada de ozônio, deixando o planeta Terra mais vulnerável aos raios ultravioletas do Sol.

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Saiba mais sobre o significado de Ozônio.

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Causas e consequências do efeito estufa O efeito estufa é causado pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases (como o metano) na atmosfera terrestre. A camada desses gases ficou mais espessa a partir da Revolução Industrial, sendo que a temperatura começou a subir significativamente. As altas temperaturas provocadas pelos gases do efeito estufa desequilibram o sistema climático da Terra. Algumas das consequências são: elevação do nível médio dos oceanos, aumento da frequência das tempestades, ondas de calor, alteração do sistema de chuvas e etc.

ORGÂNICO

PLÁSTICO

BATERIAS

VIDRO

METAL

PAPEL

e Proposta de atividad

monser feita uma oficina de de Po l. pe pa de cio dí er co de folhas de focada para o não desp roveitar o lado em bran ap re de Façam uma campanha a rm fo a um o anotação, com tagem de bloquinhos de re outros. provas, relatórios, dent

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Água A importância da sustentabilidade da água nos dias de hoje Como apenas 0,01% de toda água do planeta disponível é própria para o consumo, o cuidado em economizar esse recurso é grande A água é um recurso natural essencial para vida. Porém, com o passar dos anos a sociedade foi usando a água cada vez mais sem a consciência de que um dia ela pode acabar, seja em virtude da poluição, da degradação ambiental e das mudanças climáticas, provocada pelas atividades humanas. O volume de água no planeta é estável, mas a sua disponibilidade varia bastante, de acordo com a região. Cerca de 97,5% de toda água na Terra é salgada. Apenas 2,5% é doce, sendo que desta parcela, 1,72% está congelada nos polos Sul e Norte e geleiras no alto de montanhas e 0,75% são águas subterrâneas. Faz parte da constituição das plantas e animais, 0,02%, restando apenas 0,01% de toda água do planeta disponível em rios, lagos e represas. O Brasil detém 13% das reservas de água doce do planeta, porém a taxa de desperdício é elevada e a situação se agrava diante da crise hídrica que o país

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enfrenta. Não é raro encontrar a despreocupação de escovar os dentes com a permanência da torneira aberta, lavagem de ruas e calçadas com jatos d’água ou a lavagem de veículos com água tratada. Porém, no mundo, estima-se que atualmente, 1,7 milhão de pessoas sofrem com a escassez de água. Esta dificuldade também pode estar associada a fatores qualitativos, ocasionados, por exemplo, pela disposição inadequada de resíduos sólidos, comumente chamado lixo. O comprometimento da qualidade da água pode inviabilizar o uso ou tornar impraticável o tratamento, tanto em termos técnicos quanto financeiros. Diversas são as substâncias tóxicas geradas nas diferentes atividades humanas. Nas práticas agrícolas, por exemplo, o uso sem controle de defensivos químicos pode representar um grande perigo ao meio ambiente, aos ecossistemas e à saúde humana. Dessa forma, é preciso que haja a racionalização de consumo, acrescida do estabelecimento de estratégias de reuso, tanto nas práticas agrícolas quanto nas atividades cotidianas residenciais, comerciais e industriais. Porque o consumo sustentável quer dizer saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades e aspirações das gerações futuras. Fonte: Pensamento verde. Disponível em: < http://www.pensamentoverde.com.br/sustentabilidade/ importancia-da-sustentabilidade-da-agua-nos-dias-de-hoje/>. Acesso em: 16 dez. 2016.

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Videoteca Home – Nosso Planeta, Nossa Casa (2009)

Home - Nosso Planeta, Nossa Casa é uma experiência original que registra uma viagem única pelo planeta Terra. Filmado inteiramente do ponto de vista de cima, pelo consagrado fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, HOME visa sensibilizar, educar e conscientizar as platéias de todo o mundo sobre a fragilidade de nosso lar, ao demonstrar que tudo que é vivo e belo sobre nosso planeta está interligado. HOME estréia 5 de junho, dia mundial do meio ambiente, em mais de 50 países, com uma missão: alertar que, apesar dos males que causamos nos últimos 50 anos à Terra, ainda há chance de salvarmos nossa casa.

A Era da Estupidez (An Inconvenient Truth - 2009) A Era da Estupidez mostra a que ponto chegou a destruição ambiental no mundo e alerta para a responsabilidade de cada indivíduo em impedir a anunciada catástrofe global. Misturando documentário e ficção, o filme é estrelado pelo ator indicado ao Oscar, Pete Postlethwaite, que interpreta um velho sobrevivente no devastado mundo de 2055. Ao analisar cenas das muitas tragédias ambientais ocorridas no início do século 21, ele se pergunta por que os seres humanos não se salvaram quando ainda tinham a chance.

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a Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth - 2006) A maioria conhece o político Al Gore somente pelo fato dele ter sido derrotado por George W. Bush na campanha eleitoral pela presidência dos EUA em 2000. Aqui, o cineasta mostra seus esforços de Gore a fim de alertar a população mundial em relação ao superaquecimento global.

A Enseada (The Cove - 2009) Nos anos 1960, Richard O'Barry era a maior autoridade mundial no treino de golfinhos, trabalhando no cenário da popular série de televisão Flipper. Diariamente, O'Barry mantinha os golfinhos a trabalhar e os tele-espectadores a sorrir. Mas um dia, tudo acabou de forma trágica. The Cove, conta-nos a incrível e verdadeira história de como Richard O'Barry, o realizador Louie Psihoyos e uma equipa de activistas, cineastas e mergulhadores de elite embarcam numa missão secreta para penetrar numa enseada escondida no Japão, trazendo para a luz do dia uma terrível e negra realidade

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A G uer r a pel a água Pode ser difícil de imaginar, mas houve um momento em que Leonardo da Vinci, aquele considerado uma das mentes mais criativas na História humana, e Nicolau Maquiavel, cuja derivação de seu nome se tornou sinônimo de manipulação, uniram forças e usaram da água como instrumento de guerra. Antes de os dois gênios da Renascença criarem as obras que imortalizariam seu nome ao longo dos séculos, eles criaram um plano para cortar o abastecimento de água de Pisa, cidade vizinha que estava em conflito com a Florença dos dois, criando diversos canais e barragens pelo vale do rio Arno. Apesar de o plano “maquiavélico” não ter dado certo, isso só mostra que tensões violentas por conta da água, ou pela falta dela, não são novidade alguma. No momento em que a principal cidade brasileira e a maior da América do Sul passa por uma severa falta d’água, principalmente pela contínua má gestão do governo estadual ao longo dos últimos anos, um cenário distópico já está sendo visualizado pela população da cidade que conta com mais de 10 milhões de habitantes. Para Brahma Chellaney, autor de Water, Peace and War: Confronting the Global Water Crisis, a água cria instabilidade de maneiras surpreendentes e mesmo que, até o momento, as guerras modernas ainda não tenham sido travadas pela água em si, o elemento foi um fato decisivo em muitas delas. Como exemplo, Chellaney cita que a água foi uma das fagulhas que incendiou, ironicamente, a Primavera Árabe – uma vez que a crise que elevou o preço dos alimentos alguns anos antes foi causada pela escassez de água potável. Outro caso é exemplificado numa espécie de “teoria do caos”: a falta de terras com recurso hídricos fez a empresa Daewoo, da Coreia do Sul, impulsionar a queda do presidente da distante ilha de Madagascar, na África, em 2009.

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Três dos conflitos mais famosos que tiveram a água como grande “incendiário”: Bolívia: até mesmo a chuva Em 2000, na cidade de Cochabamba, ocorreu a privatização da água e do já precário sistema de abastecimento e redes de esgoto, que ficou a cargo da Aguas del Tunari, um consórcio criado com capitais estrangeiros. Da noite para o dia, a população com cerca de 700 mil habitantes aumentou as tarifas em até 300% sem que houvesse sequer melhora nos serviços ou ampliação da área de cobertura para as zonas mais pobres. Quando, de uma hora para a outra, a água, que assim como o ar deveria ser considerado um bem comum, se transformou em uma mercadoria cara ou simplesmente inacessível para a pobre população, as pessoas foram proibidas inclusive de coletar a água da chuva, não tendo outra escolha a não ser irem para as ruas protestarem. Após dias de conflito das forças armadas bolivianas lutando contra os próprios bolivianos em nome dos lucros de uma empresa estrangeira, um jovem de 17 anos morreu com um tiro de sniper do exército boliviano. O presidente Hugo Banzer cedeu à pressão popular e anulou o contrato de concessão, retornando à prefeitura de Cochabamba o controle da água e a infame lei 2029, que previa a privatização de toda a água da Bolívia, caiu.

China e Tibete: água é controle Em uma reportagem sobre os problemas de escassez de água, a revista The Economist apontou que palavra chinesa para “política” (zhenghzi) tem um de seus caracteres similar a uma imagem parecida com gotas de água próximas a uma plataforma ou barragem. A sugestão do parágrafo inicial do texto, de que para os chineses a política e o controle de água são equivalentes, é justificável: como Maquiavel e da Vinci almejaram em Florença 500 anos atrás, a China tem em suas mãos o destino da população de seus vizinhos, pois os principais rios da Ásia (Mekong e Ganges) nascem na terra de Dalai Lama. Esse é um dos maiores motivos pelo qual o exército chinês entrou e se instalou no Tibete há mais de 50 anos. Não foi exatamente por morrer de amores pelos monges budistas da região, mas sim por esta se tratar de um ponto estratégico geograficamente. Myanmar, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Bangladesh e, principalmente, Índia, são todos países que dependem dos rios que descem as geleiras do Himalaia e desafogam suas águas no Oceano Índico.

Oriente Médio: a guerra dos seis dias que dura 50 anos Quando a Síria anunciou seu plano de obstruir um dos afluentes do Rio Jordão e desviá-lo para irrigar suas plantações, foi dado o primeiro passo para os seis dias de junho de 1967 que colocariam Israel contra a Síria, Egito e Jordânia, naquilo que ficou conhecido como a Guerra dos Seis Dias. No momento em que o último tiro foi dado, o Egito tinha a Faixa de Gaza e o deserto do Sinai; a Síria ficou sem as colinas de Golã – onde nasce o Jordão, vital para o abastecimento de água em Israel; e a Jordânia, que só entrou na guerra na última hora, perdendo tudo o que anexara em 1948. Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental e foi o grande vencedor da guerra-relâmpago.

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E o futuro? Cada vez mais estudos apontam que a escassez de água potável levará, invariavelmente, que países entrem em conflito – diplomático ou armado – por regiões abundantes de recursos hídricos. Veja no mapa abaixo, os “pontos quentes” que poderão vivenciar guerras pela água no futuro. Fonte: Revista fórum. Disponível em: < http://www.revistaforum. com.br/2015/01/29/guerra-pela-agua-ja-e-uma-realidade/>. Acesso em: 16 dez. 2016.

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A água é o recurso natural mais abundante do planeta. De maneira quase onipresente, ela está no dia a dia dos 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta. Além de matar a sede, a água está nos alimentos, nas roupas, nos carros e na revista que está nas suas mãos — se você está lendo a reportagem em seu tablet, saiba também que muita água foi usada na fabricação do aparelho. Mas o recurso mais fundamental para a sobrevivência dos seres humanos enfrenta uma crise de abastecimento. Estima-se que cerca de 40% da população global viva hoje sob a situação de estresse hídrico. Essas pessoas habitam regiões onde a oferta anual é inferior a 1 700 metros cúbicos de água por habitante, limite mínimo considerado seguro pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse caso, a falta de água é frequente — e, para piorar, a perspectiva para o futuro é de maior escassez. De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar, com sede em Washington, até 2050 um total de 4,8 bilhões de pessoas estará em situação de estresse hídrico. Além de problemas para o consumo humano, esse cenário, caso se confirme, colocará em xeque safras agrícolas e a produção industrial, uma vez que a água e o crescimento econômico caminham juntos. A seca que atingiu os Estados Unidos no último verão — a mais severa e mais longa dos últimos 25 anos — é uma espécie de prévia disso. A falta de chuvas engoliu 0,2 ponto do crescimento da economia americana no segundo trimestre deste ano. A diminuição da água no mundo é constante e, muitas vezes, silenciosa. Seus ruídos tendem a ser percebidos apenas quando é tarde para agir. Das dez bacias hidrográficas mais densamente povoadas do mundo, grupo que compreende os arredores de rios como o indiano Ganges e o chinês Yang-tsé, cinco já são exploradas acima dos níveis considerados sustentáveis. Se nada mudar nas próximas décadas, cerca de 45% de toda a riqueza global será produzida em regiões sujeitas ao estresse hídrico. "Esse cenário terá impacto nas decisões de investimento e nos custos operacionais das empresas, afetando a competitividade das regiões", afirma um estudo da Veolia, empresa francesa de soluções ambientais.” Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/populacao-falta-agua-recursos-hidricos-graves-problemas-economicos-politicos-723513.shtml

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Cultura de paz

Referências

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Sites consultados VivaRio - http://vivario.org.br/ Unesco - http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/culture-and-development/culture-in-sustainable-development/ Brasil escola - http://brasilescola.uol.com.br/

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