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Cultura de Paz - 6º ano

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Daniel Guimarães Valdenize Ferreira Lima

CULTURA DE PAZ

POR UMA ESCOLA MAIS SEGURA

6 João Pessoa • 1ª edição • 2017


Uma coprodução

Copyright © 2017 da Edição: Editora Eureka

Gerente admnistrativo: Marcelo Almeida Gerente comercial: Roberto Marques Editor executivo: Marco Saliba Editora: Luana Vignon Gerente de arte: Raphael Mendonça Projeto gráfico e diagramação: Rafael Mendonça

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Guimarães, Daniel; Lima, Valdenize Ferreira Cultura de paz: por uma escola mais segura - Ensino Fundamental II – 6º ano – Daniel Guimarães e Valdenize Ferreira. – Fortaleza: Egeiros Educacional, 2016. ISBN 978-85-92714-24-6

1. Escolas – Educação Sexual 2. Ensino Fundamental. Prática de ensino 4. I. JC Editora II. Luana Vignon. III. Título 12-06673

CDD-371.784 Índices para catálogo sistemático: 1. Saúde: Educação 372.8


Apresentação

Olá, bem-vindos(as)! Ao contemplarmos o passado e o presente da humanidade, percebemos muitas marcas de violência. Avançamos muito na implantação da democracia, na prática da solidariedade e do voluntariado, nos direitos humanos, no cuidado com o meio ambiente, na valorização da diversidade, entre tantas outras ações a favor da paz, no entanto, ainda há muito a ser feito. Nosso objetivo é fornecer informações para se fazer uma educação para a paz. Acreditamos que, assim, podemos criar um futuro cada vez mais harmonioso. Educar para a paz é uma aventura que vai além da simples transferência de conhecimentos. Significa empreender uma jornada pelo mundo exterior e interior. Uma viagem repleta de desafios e muitas paisagens. Pouco se fala da importância da educação emocional na jornada escolar, a importância de se identificar sentimentos e lidar com eles, saber que há momentos em que sentimos raiva, alegria, bem-estar, tristeza, insegurança, entre outros e o quanto é saudável olhar para cada uma dessas emoções com presença e honestidade. Aprender mais sobre isso e praticar cotidianamente contribui e muito para uma educação voltada para paz. Só assim, apenas quando pudermos reconhecer nossos próprios sentimentos seremos capazes de compreender e ter compaixão pelas emoções dos nossos amigos, pais e educadores, ou seja, aqueles que convivem conosco. Por onde iniciar esta jornada? Vamos olhar à nossa volta. A cultura molda nossas ideias e atitudes. Para construir uma cultura de paz necessitamos, portanto, de uma novo modelo: uma mudança em nossos padrões. Educar para a paz pretende semear o sentimento de querer bem ao outro. Sabemos que não há educação sem transformação interior, por isso nosso material pretende por meio de uma coleta de informações sobre diferentes temas promover essa reforma íntima, só assim a educação pode, de fato, promover uma mudança.

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Entre os temas aboradados na coleção, estão: • Educação emocional • Cultura de paz • A importância da comunicação não violenta • Princípios e valores humanos • Direitos Humanos (sociais, culturais, políticos, religiosos) • Diversidade cultural • Formas de violência • Cidadania No decorrer no livro, você encontará muitas propostas de atividades, que podem ser feitas em grupo ou individualmente. Não deixe de acessar todo o conteúdo extra, pelos QR Codes. Por meio deles, você poderá ler outros textos, assistir a vídeos, documentários e acessar novas informações. Esperamos que você possa refletir sobre a importância da cultura de paz em seu cotidiano, que você se sinta curioso para buscar mais sobre essa temática, que com base nessa leitura você possa se unir a seus colegas para saber mais sobre eles, olhar um pouco mais para o outro. Desejamos também que você tenha este material como um recurso para você saber mais sobre você mesmo e então dar mais valor às atitudes dos outros que dizem respeito ao seu ambiente escolar.

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Sumário Apresentação................................................................ 3 Capítulo 1 – Convivência.................................................6

Regras de convivência.................................................................................................................. 8 Prática da não violência...............................................................................................................22 Comunicação não violenta......................................................................................................... 24 Características da não violência.................................................................................................. 26

Capítulo 2 – Princípios e valores.................................... 30

Generosidade..............................................................................................................................32 Escuta......................................................................................................................................... 33 Solidariedade..............................................................................................................................34 Cultura de paz.............................................................................................................................36 Ética............................................................................................................................................38 Ética na escola.............................................................................................................................41

Capítulo 3 – Cidadania.................................................. 46

Conceito de cidadania................................................................................................................ 49 Direitos do cidadão.....................................................................................................................51 Deveres do cidadão.....................................................................................................................54 Como exercemos nossa cidadania...............................................................................................55 Escolas do mundo.......................................................................................................................59 Direito à infância.........................................................................................................................61 Amor, ensino e proteção.............................................................................................................63 O Estatuto da Criança e do Adolescente........................................................... 64

Capítulo 4 – Direitos Humanos......................................66 Declaração Universal dos Direitos Humanos............................................................................... 68

Capítulo 5 – Diversidade cultural................................. 100

Diversidade cultural do Brasil....................................................................................................104 Cultura indígena........................................................................................................................ 115

Referências................................................................127 Sites consultados........................................................127

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Cultura de paz

“O primeiro princípio da ação não violenta é a não cooperação com tudo o que é humilhante.” Mahatma Gandhi

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CAPÍTULO 1 Convivência

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Cultura de paz A boa convivência se baseia em respeitar os direitos dos outros, aceitar que existem direitos para todos e, também, deveres. Aprendemos as regras de convivência em casa, na escola, com nossos familiares e com todos aqueles que nos rodeiam. A diversidade está em todos os segmentos da nossa vida e um dos momentos mais importantes para o aprendizado é no dia a dia escolar. Os estudantes vão se deparar durante a sua vida escolar com vários tipos de diferença, sejam elas de religião, raça, valores, de configuração familiar, de gênero, entre outras. Desde os primeiros anos escolares é muito importante que se ensine o respeito que o estudante deve ter diante das diferenças no ambiente em que estuda. A família, os grupos sociais, os amigos, a mídia são os responsáveis por reforçar padrões culturais e influenciar a sociedade. O grande desafio é que as escolas procurem por propostas pedagógicas que contraponham frente às questões apresentadas como preconceituosas. A instituição toma um passo importante quando busca e tem interesse em desenvolver tais propostas. O trabalho educacional necessita fazer uma transformação da reação de seus alunos frente às diversidades. É preciso instigar os estudantes a questionarem sobre qual é a origem histórica e social, econômica, política, jurídica e cultural dos padrões estabelecidos. É preciso deixar claro que diferenças existem em qualquer lugar, o que não deve e não pode existir é a falta de respeito ao diferente.

Regras de convivência Você já imaginou como seria a vida em uma cidade sem regras? Pois é, para conseguirmos viver em grupo e em sociedade, precisamos de algumas regras que garantam o bem-estar individual e coletivo. Essas regras são referências para sabermos como agir nos diferentes contextos: família, escola, trabalho, trânsito, igreja entre outros. Para que sejam valorizadas e respeitadas, é muito importante que sejam construídas de forma coletiva e democrática e, é claro, praticadas no dia a dia.

Pare e pense Quais são as regras que você considera mais importantes na sua casa? No seu trabalho? Na sua escola? Entre seus amigos e colegas? Na sua comunidade? Elas têm sido respeitadas por você e pelos demais? O que você considera como boas maneiras? Relate acontecimentos ou situações em que os seus colegas de classe ou mesmo algum professor agiram com boas maneiras com relação a outras pessoas. Da mesma forma, relate alguma ocasião em que você presenciou uma cena de má-vontade, descaso ou mesmo de agressão na sua escola.

As regras de convivência são um conjunto de normas sociais que nos asseguram conviver em paz e harmonia, sem discórdia.

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Algumas dicas para boa convivência 1. Chegou? Cumprimente. 2. Vai embora? Se despeça. 3. Te fizeram um favor? Agradeça. 4. Te perguntaram algo? Responda. 5. Não é seu? Peça permissão. 6. Você tem? Compartilhe. 8. Você errou? Peça desculpas. 9. Estão falando com você? Escute. 10. Te emprestaram algo? Devolva. 11.Prometeu? Cumpra. 12. Não entendeu? Pergunte. 13. Sujou? Limpe. 14. Não gosta? Respeite. 15. Não tem como ajudar? Não atrapalhe.

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Cultura de paz

Conteúdo extra! Acesse o QR Code e assista a uma animação da Pixar sobre convivência e regras de convivência na escola.

Texto complementar Convivência escolar:a questão dos conflitos entre alunos É de conhecimento de todos que vivemos hoje em uma sociedade em que a interação com determinado grupo ao qual se pertence é um foco de grande atenção e valorização de cada indivíduo, sendo assim, não seria diferente quando o assunto é Educação. Mas então por que tantos alunos ainda são isolados pelo resto da classe? Quais os critérios usados pelos colegas para definir quem entra e quem sai do grupinho? O que define a qualidade de sua vida escolar? Complicadas relações se estabelecem diariamente na rotina escolar, sendo o aluno o principal foco de atenção, razão pela qual toda a preocupação é para ele direcionada, visando sempre o seu bem-estar biopsicossocial. Mas, nem sempre esses contatos são fáceis, uma vez que, embora o foco seja ele mesmo, as interpretações e compreensões podem ser destoantes dependendo da sua família de origem. Em uma época não muito distante, existia uma relação mais estável na qual a escola possuía um status de valorização em termos de instituição formadora acadêmica, que conferia seriedade e respeito, sendo assim encarada pela família, que depositava grande confiança nos atos e nas orientações daquela que oferecia aos seus filhos a instrução necessária para prepará-los para um futuro enquanto profissionais e enquanto cidadãos. Hoje, porém, devido aos novos métodos pedagógicos adotados pelas escolas, a Família assumiu esse papel principal, acolhendo as funções de nutrir, prover, orientar, integrar e socializar, com uma responsabilidade contínua no que se refere ao oferecimento de cuidado e proteção, dando garantias de subsistência e condições dignas de vida, bem como a educação ética e moral. Na sequência, podemos citar a ascola como a segunda instituição formadora de grande importância e significado na vida da criança, sendo de sua responsabilidade, além da formação acadêmica, a continuidade aos ensinamentos cultivados na família, o que proporcio-

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nará a inserção da criança em um meio social mais amplo; e, uma vez exposta a regras sociais, a criança vai adquirindo as habilidades necessárias para o convívio em sociedade. Entretanto, apesar de possuirmos esse conhecimento, sabemos que, na prática, a realidade não se apresenta dessa forma tão simples. Com as crises em que vivem as famílias atuais; os desencontros entre pais e filhos; a falta de referências para práticas educativas; as ausências físicas e emocionais; o uso de tecnologias avançadas com pouca ou nenhuma supervisão (Internet, com suas facilidades e, ao mesmo tempo, com seus “perigos” virtuais); o excesso de consumo e condutas materialistas aos quais os jovens são submetidos nos apelos publicitários, a superficialidade e rapidez com que se conduz os relacionamentos, são alguns dos motivos para essa crise atual, que é comprovada pelo grande número de publicações de livros de orientação para educação de filhos presente em nossas livrarias. E é nesse contexto que nos perguntamos: Que tipo de geração nós estamos preparando? Diante dessa situação, podemos perfeitamente compreender o porquê de muitas das funções da família não estarem sendo exercidas ou sendo exercidas de forma insuficiente, pois muitas dessas crianças, ao entrarem na escola, não estão respaldadas pela formação primária da Família, por isso ainda precisam ser preparadas. Mas será que a escola sozinha conseguirá cumprir bem esse papel? Afinal, a escola precisa dessa preparação prévia que vem de casa para que a criança esteja minimamente capacitada para novos avanços e novas propostas educacionais, inclusive para uma boa interação com os colegas de turma. Entretanto, muitos desses jovens problemáticos até buscam ajuda e apoio em suas famílias, porém não encontram. Assim, os relacionamentos desses jovens começam a se desencontrar e as funções a se misturarem, pois a escola passa a ser cobrada pela formação que deveria ser promovida pela família, e esta, como está “confusa” em seu papel, não aceita e cobra da escola aquilo que lhe é pedido. No meio dessa triste situação, estão as crianças e adolescentes em formação de personalidade precisando desesperadamente de modelos de boas condutas e formaçao de caráter. E qual referencial que essas crianças e adolescentes, que serão os adultos do amanhã, adotarão para suas atitudes paternais, profissionais, cidadãs e interpessoais no futuro? Quais os conceitos que serão passados para a próxima geração após eles? Enquanto família, precisamos buscar uma instituição escolar que possua princípios educacionais próximos aos nossos. Precisamos entender que um relacionamento “equilibrado” com a escola possui, como únicos beneficiários, os nossos filhos. Mas além disso, é preciso que busquemos o diálogo com nossas crianças e adolescentes

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Cultura de paz para ensiná-las a viverem em ambientes harmoniosos e a usar caminhos eficientes na resolução de conflitos com o seu próximo. Busquemos entender os porquês, só assim poderemos questionar, indagar, mas com a devida clareza de estarmos fazendo a nossa parte enquanto pais atuantes e responsáveis, para depois cobrarmos a parte que nós contratamos. Assim, com certeza, estaremos preparando nossos filhos para serem pessoas mentalmente saudáveis, com relacionamentos estáveis e com grandes chances de de sucesso da vida. Além de, claro, grandes companheiros nessa nossa jornada. Sobre a autora: Lycia Barros é autora do livro A Garota do Outro Lado da Rua, e atua apaixonadamente como escritora desde o lançamento do seu primeiro romance em 2010. Paixão essa herdada desde que cursou letras na UFRJ. A autora reside com o marido e os filhos em sua cidade natal: Rio de Janeiro. No ano de 2011, suas obras foram indicadas a vários prêmios literários no Brasil e, devido a sua popularidade, Lycia foi apresentadora âncora da primeira edição do evento literário CODEX DE OURO. Atualmente, além de escrever, a autora ministra cursos de escrita para novos autores e dá palestras sobre seus livros por todo Brasil. Fonte: Blog da editora Novo Século. Disponível em: http://www.novoseculo.com.br/ blog/?p=6005. Acesso em: 27 nov. 2016.

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O que é democracia? Democracia: do grego demos, ‘povo’, e kratos, ‘poder’. Segundo o Dicionário Aurélio: 1. Governo do povo; soberania popular; democratismo; 2.Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição igualitária do poder.

Democracia é o governo do povo, para o povo, pelo povo.

“Governo do povo” quer dizer governo com um sentido popular; “para o povo” significa que o objetivo é o bem do povo; “pelo povo” quer dizer realizado pelo próprio povo. Na democracia, é o povo quem toma as decisões políticas importantes (direta ou indiretamente por meio de representantes eleitos). A Democracia surgiu na Grécia onde o governo era realmente exercido pelo povo, que fazia reuniões em praça pública para tratar de vários assuntos e problemas, era a chamada Democracia Direta. Neste tipo de democracia, as decisões são tomadas em assembleias públicas. Com o crescimento das populações, as reuniões em praça pública ficaram impossíveis de acontecer, surgiu, então, um novo tipo de Democracia, a Democracia Representativa, onde o povo se reúne e escolhe – por meio do voto – os representantes que irão tomar decisões em seu nome. Este é o processo mais comum de tomada de decisão nos governos democráticos, também chamado de mandato político. A democracia se opõe à ditadura e ao totalitarismo e reúne princípios e práticas que protegem a liberdade do ser humano. Algumas características de uma democracia - liberdade individual; - igualdade perante a lei sem distinção de sexo, raça ou credo; - direito ao voto; - educação; - direito ao livre exercício de qualquer trabalho ou profissão. Hoje, todas as pessoas tem o direito ao voto, sem nenhum tipo de preconceito. No Brasil, os cidadãos a partir de 16 anos já podem votar, com exceção dos prisioneiros. Em alguns países, mesmo após a liberdade, dependendo do crime cometido, os detentos continuam sem o direito de votar.

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Cultura de paz

Democracia na escola Sabemos, então, o que é democracia. Vimos que se trata de uma forma de organização social e política, com a qual, inclusive, estamos de alguma forma habituados em nosso país, pois nós, no Brasil, vivemos em uma democracia, em que todo o cidadão é, pelo menos teoricamente, livre para ir e vir e para escolher sua profissão, tem direito ao voto, à dignidade e a ter seus Direitos Humanos respeitados. Mas se a escola é um espaço de convivência social e também política, pois é ali que estamos em contato com diferentes pessoas, como se dá essa prática de escuta? Essa “assembleia pública, como vimos que acontecia na Grécia Antiga, como se dá esse processo de decisão, de tomadas de ideias na prática: é de forma democrática, em que todos os envolvidos participam e podem opinar ou não?

Conteúdo extra! Assista a uma animação clássica sobre a convivência escolar e reflita sobre o que pode ser uma escola democrática.

A escola é, sem dúvida, um espaço de convivência e como tal implica uma participação democrática. Você já ouviu falar em escola democrática?

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Na escola democrática, todos têm direitos de decisão sobre o seu destino. O compartilhamento das responsabilidades e as decisões que podem alterar a posição de cada um no coletivo são tomadas em conjunto, incluindo gestores, educadores, funcionários, estudantes e pais. Cada um é, nesse sentido, responsável por si, mas também pelos demais. Essa perspectiva política e filosófica impacta diretamente todos os aspectos da organização escolar: seu modelo de gestão, sua espacialidade, seus tempos e, claro, seu currículo.

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Cultura de paz A aprendizagem na Educação Democrática baseia-se no estímulo e no exercício do desejo de conhecer e ensinar. Segundo a socióloga e diretora pedagógica da Cidade Escola Aprendiz, Helena Singer, são três os seus princípios: • O primeiro é a autogestão. As pessoas que participam de uma experiência de Educação Democrática são responsáveis por ela. • O segundo é o prazer do conhecimento. Acredita-se que o conhecimento traz alegria, prazer, e por isso as pessoas se envolvem com ele, não sendo necessárias punições ou disciplinas. • O terceiro é que não há hierarquia no conhecimento. O conhecimento científico, o conhecimento acadêmico, o conhecimento comunitário, o conhecimento tradicional, o conhecimento religioso, todos os conhecimentos são valorizados, respeitados e crescem justamente no seu contato.

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os seres humanos educam a si mesmos, mediatizados pelo mundo.” Paulo Freire

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ferença do povo. Sua maior di ão aç cip rti pa a m te ais ma político que m aioria do povo A democracia é o siste , que indica quem a m to vo ao ito re di o é o s de organizaçã undiais. entre os outros modelo políticos nas nações m as m te sis s tro ou s un . Mas, existem alg quer como governante sabia? em alguns países, você m da an m da ain s ha in dos os mandos Até reis e ra é obrigada a aceitar to ão laç pu po a , ra du ta ico das ma vigente é a di rir qual o sistema polít ob sc de e sa ui sq Em outros, onde o siste pe a manda. Que tal fazer um e descubra! e desmandos de quem ra! Reúna-se em grupo ob a s ão m o, tã En ? undo diferentes nações do m

Você sabia que, em 2013, foi lançado o manifesto Mudar a escola, mudar a educação: transformar um país. Este manifesto propôs, em síntese, aplicar a democracia no sistema de ensino, fazer com que o processo com que se tem encarado a educação seja reformado, que se possa refletir e transformar a sala de aula, as práticas de convivência entre educador e aluno, sobretudo.

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Com base em uma cultura que mistura as disciplinas, que envolve a todos, que propõe uma troca afetiva, com uma proposta de educação emocional que, claro, valoriza e respeita os valores humanos necessários à boa convivência, com foco nos direitos e deveres individuais. Leia o manifesto e informe-se mais!

Conteúdo extra! Leia o Manifesto na íntegra pelo QR Code.

Biblioteca A Bolsa Amarela, Lygia Bojunga Romance de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela)- a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. Extraordinário, R. J. Palacio, Rachel Agavino August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade - até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente - convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

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Cultura de paz

Texto complementar A educação para a paz na escola Escolas públicas e privadas têm, entre suas demandas atuais, a questão das múltiplas formas de violência. Desde a violência direta das incivilidades (falta de respeito, grosseria) até a violência estrutural (desigualdades sociais) que perpassa as relações humanas, interpessoais e intergrupais, o cotidiano das convivências escolares pede novas formas de intervenção. Apontaremos algumas reflexões da educação para a paz nas escolas. Antes, é importante reafirmar que a educação não se limita mais à mera instrução. No século 21, a única educação possível é aquela que entende o aluno como ser humano, com suas possibilidades, limites, diferentes realidades e suas contradições. Nesse contexto, crescem os projetos relacionados à educação para a paz nas instituições escolares. Tais projetos têm alguns pontos a destacar. Primeiro, são considerados como um “tema transversal”, ou seja, não são fragmentados em uma “aula” de paz. É um movimento da escola, pensado desde a equipe de gestão, explicitado no projeto pedagógico, declarando que a escola, dentro da comunidade, assume o desafio do enfrentamento às violências, valorizando as convivências, entendendo que as relações humanas são essenciais para o aprendizado curricular e dos elementos da educação integral, como cidadania crítica, ética, solidariedade e respeito. O segundo ponto dos projetos de educação para a paz é o foco em uma pedagogia dos valores humanos. As relações não violentas dependem de valores de convivência sólidos, claros e construídos no coletivo. Insistimos que não basta falar de valores, é necessário vivê-los no cotidiano da escola. Valores universais precisam ser refletidos e dialogados no dia a dia e não tomados como “cartilha”. Construir ou reconstruir valores é fundamental. Aliás, o diálogo é o elemento chave que mostra a terceira dimensão da educação para a paz nas escolas, que é o entendimento pedagógico do conflito. Se conflitos são inerentes às relações humanas, entendidos como espaço onde pessoas ou grupos têm perspectivas diferentes, podemos dizer que os conflitos são traços marcantes das instituições educacionais, devido à diversidade da sociedade. Em educação, os conflitos precisam ser pensados como oportunidades de crescimento. Assim, práticas restaurativas e mediação de conflitos passam a figurar na agenda educacional atual. Igualmente importante, o quarto ponto é entender que projetos de educação para a paz não podem ser pensados apenas como o contrário às violências maiores na escola. É um erro supor a educação para a paz como antídoto milagroso para a violência, assim como outro

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erro é acreditar que desenhar pombinhas brancas e cantar belas músicas algumas vezes ao ano terão algum efeito. Paz não é o apenas o contrário de guerra ou de violência agressiva. Paz é o fortalecimento de situações positivas e saudáveis de convivência, expressa por uma civilização educada, crítica e consciente, que aos poucos substitui situações não desejadas por valores e atitudes desejadas, ou seja, mais respeitosas, solidárias, responsáveis – em uma palavra, humanas. Se a humanidade foi tão fecunda para aprender tantas formas de violência, podemos aprender igualmente a não violência. As instituições educacionais são muito importantes nesse caminho! Nei Alberto Salles Filho é coordenador do Núcleo de Educação para a Paz da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Pare e pense Vamos refletir sobre as seguintes questões: 1. Quais erros cometemos com frequência? 2. Por que, na sua opinião, continuamos cometendo esses mesmos erros? 3. Você aceitaria as desculpas de alguém que lhe fez algo de ruim? 4. Como você se sentiria se alguém agisse mal com você cotidianamente? 5. Como você agiria se precisasse reconhecer que errou com alguém? Você acha que consegue reconhecer suas falhas com seus amigos?

Texto complementar Meus lápis de cor são só meus A Lulu estava muito contente naquele dia. É que era o dia do aniversário dela. Quando ela chegou da escola já encontrou a mamãe preparando a festa. O bolo já estava pronto, os brigadeiros, as balas e os pirulitos. O papai estava enchendo as bolas e a tia Mari estava botando a mesa na sala. Todos almoçaram na cozinha para não atrapalhar as arrumações. Então Lulu tomou banho e vestiu sua roupa nova, que a mamãe tinha comprado para ela. E se arrumou toda e a mamãe botou nela um pouquinho de água de colônia.

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Cultura de paz O primeiro convidado que chegou foi o priminho da Lulu, o Miguel. Depois chegou a Taís, o Arthur e o Cauã e todos os colegas do colégio. E ficaram todos brincando no jardim. Aí todos entraram para abrir os presentes. Depois foram soprar as velinhas e cantar parabéns. Lulu gostou de todos os presentes, mas o que ela mais gostou foi da caixa grande de lápis de cor que se abria feito uma sanfona e que tinha todas, mas todas as cores, mesmo. Depois que todos foram embora a Lulu foi dormir e ela até botou a caixa de lápis de cor do lado da caminha dela. Então, logo de manhã, a Lulu já se sentou na mesa da sala, pegou o bloco grande de desenho e começou a fazer um desenho bem bonito, com seus novos lápis. Aí chegou o Miguel, que veio passar o dia com ela. Ele se sentou junto da Lulu e disse que também queria desenhar. Mas Lulu não quis nem por nada emprestar os lápis a ele. –

Os meus lápis de cor são só meus! – ela disse.

A mãe de Lulu ficou zangada: – Que é isso, minha filha? Os dois podem desenhar muito bem. Empreste os lápis para o seu primo! Mas o Miguel já estava enjoado dessa conversa, e foi para fora andar de bicicleta. A Lulu desenhou casinhas e desenhou bonecas e desenhou um pato e um elefante. E pintou todos os desenhos com seus lápis novos e mostrou para a mamãe. Mamãe disse que estavam todos ótimos, mas que ela guardasse os desenhos e os lápis que ela precisava preparar a mesa para o almoço. A Lulu juntou todos os lápis, mas, em vez de guardar na caixa, que é o melhor jeito para se guardar lápis, ela botou os lápis em cima do bloco e foi para o quarto, equilibrando tudo. Ela foi subindo as escadas, subindo as escadas, até que já estava chegando lá em cima, quando ela perdeu o equilíbrio e deixou os lápis caírem todos escada abaixo. Os lápis rolaram pela escada e foram batendo, batendo, batendo nos degraus. A Lulu desceu as escadas e viu que todas as pontas dos lápis estavam quebradas. Então ela começou a chorar, que os lápis estavam estragados e que nunca mais ela ia poder desenhar. O Miguel, que estava brincando lá fora, veio correndo apara ver o que tinha acontecido. Então ele disse à Lulu: – Não chore não, Lulu, eu vou buscar meu apontador lá em casa e eu aponto todos os seus lápis. E ele foi e logo ele chegou com o apontador.

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O Miguel apontou todos os lápis da Lulu. Então a Lulu convidou: –

Miguel, você não quer desenhar comigo?

E o Miguel veio e eles fizeram uma porção de desenhos, e o Miguel ensinou a Lulu a fazer um automóvel e a Lulu ensinou o Miguel a fazer um elefante. Aí o Miguel ensinou a Lulu a fazer um foguete que voava direitinho. E a Lulu ensinou o Miguel a recostar umas bonecas engraçadas. E a Lulu se divertiu muito mais do que quando ela ficava desenhando sozinha. Fonte: Meus lápis de cor são só meus. Ruth Rocha. Disponível em: <http://www. ruthrocha.com.br/livro/meus-lapis-de-cor-sao-so-meus>. Acesso em: 27 nov. 2016.

e Proposta de atividad s questões: Responda às seguinte só meus? Meus lápis de cor são ro liv do ra to au a é m • Que em principal do texto? • Quem é a personag xto? • Sobre o que fala o te z? como a Lulu alguma fe • Você já foi egoísta la? de egoísta na sala de au itu at a tim úl a su i fo l ua • Q sa? a atitude egoísta em ca • E qual foi sua últim m uma pessoa e seus colegas te acha qu ha ac cê Vo a? st oí pessoa muito eg • Você se acha uma egoísta? as? E o que você gosta? leg co us se m co ar lh rti a de pa solidárias e • O que você não gost ar a ter atitudes mais ss pa ra pa r ze fa de po a egoísta, o que • Se você se consider fraternas?

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Cultura de paz

Prática da não violência Nós humanos, assim como os primatas, somos sensíveis ao princípio de empatia, uma espécie de tendência para se colocar no lugar da outra pessoa. Esse sentimento nos faz solidários ao sofrimento das outras pessoas, sobretudo se formos nós os agentes dessa aflição. Nessas circunstâncias, experimentamos um misto de arrependimento, vergonha e compaixão. Pensamos em fazer qualquer coisa para voltar atrás e evitar o acontecido. Tal sensação, apesar de dolorosa, mostra a aspiração natural de não desejar prejudicar ninguém.

A violência, entretanto, nem sempre tem um alvo preciso ou um agressor identificável. Há violência nos preconceitos que impedem uma pessoa de exercer seus direitos e desenvolver suas potencialidades pelo simples fato de ter uma raça, um gênero, uma cultura, uma condição social, uma religião, uma capacidade física especial. Há violência nos sistemas políticos e econômicos que reforçam disparidades de oportunidades, erodindo o tecido social e gerando exclusão, desemprego, miséria e indignidade. Há violência nos desvios de recursos públicos que deveriam promover plena sociabilidade, fundada na segurança que nasce da liberdade e da igualdade de acesso aos bens naturais e culturais que são patrimônio de todos — e não apenas de alguns. Há violência nos discursos que domesticam e criam resignação, ao repetir uma e outra vez que "o mundo é assim mesmo, sempre houve guerra e injustiça", desencorajando qualquer proposta nova de organização social e de uma cidadania ativa e responsável. A violência não é uma expressão de justiça, de felicidade, nem de amizade. Estas promovem o acolhimento e a troca, buscam o convívio, o estar junto para partilhar e aprender, para criar, desafiar e construir futuros nunca imaginados, mas sempre possíveis. Esse desejo foi, até agora, o sustentáculo da nossa espécie — o que confirma e renova a nossa esperança.

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e d a id v ti a e d ta s o p o r P Hey Joe

lo Yuka)

o Ivo Meirelles e Marce

, versã (Música de Bill Roberts

ma aí você vai com essa ar “Hey, Joe, onde é que na mão a cono atalho pra sair dess Hey, Joe, esse não é dição ligado tiro que tiro Dorme com tiro acorda do lado meu irmão Trik-trak boom pra to impor minha moral Só desse jeito consegui anie visto sempre como um Eu sei que sou caçado mal

ria meu irmão Eu faço a minha histó dele e vou te dizer Aqui estou por causa ser a mas é assim que vai Talvez eu não tenha vid rpo fechado Armamento pesado co s do local Menos de 5% dos cara l ma atividade margina São dedicados a algu is do aparecem nos jorna E impressionam quan pos Tapando a cara com tra Com uma uzi na mão

(…)

(…)

do Mas eu vou me mandan da o curte o brilho intenso Hey, Joe, assim você nã manhã a fulho vai pensar quando Hey, Joe, o que teu fi maça baixar de revólver Fumaça de fumo fogo eu faço eu faço E é assim que eu faço

Sinto muito cumpadi Mas é burrice pensar Que esses caras biografia É que são os donos da ia Já que a grande maior Daria um livro por dia de e sacrifício”. Sobre arte, honestida

bém cial, racismo. Mas tam so o sã clu ex , cia lên vio bre ão e depois ões bastante atuais so upo para ouvir a canç gr o ir un re Esta música traz reflex em e ist ra ns ania. A atividade co que um cartaz com a let lo co se e qu ou ra let faz pensar sobre cidad pias da cessário que tenham có fazer um debate. É ne à vista de todos. úscia, responda: Depois de escutar a m ta música lhe traz? • Que sentimento es cou? ê você mais se identifi qu o m Co o? çã en at a su • O que mais chamou tada? tivos da realidade retra ga ne os e s ivo sit po os cia e • Quais são os aspect ntes em relação à violên re fe di ar ns pe de as rm eber, no texto, duas fo • Você consegue perc se identifica mais? à vida? Com qual você

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Cultura de paz

Comunicação não violenta Você já ouviu falar em comunicação não violenta?

Não seja assim!

Cala a boca e presta atenção!

Não chore!

Vou deixar você de castigo! Pare com isso!

Deixe de birras!

Senta lá!

Eu vou arrancar a sua língua!

Você é surdo? Já falei um milhão de vezes pra não fazer isso.

O que tem de tão familiar nessas frases? Todas essas frases foram tiradas do contexto da sala de aula. Elas são tão comuns que parece que já ouvimos isso em algum momento da nossa vida ou, quem sabe, até pronunciamos de vez em quando. Elas parecem desconsiderar completamente a violência que estão por trás de cada palavra e também o efeito que terão sobre a criança que está ouvindo. Costumamos pensar que a violência está intimamente ligada com alguma agressão física, mas peraí, se fizermos um micro esforço lembraremos de situações que são super violentas sem, contudo, incluir agressão física. Muitas vezes a comunicação pode ser uma das piores violências, pois ela pode marcar eternamente a vida de uma pessoa. A Comunicação Não Violenta (CNV), foi criada pelo americano Marshall Rosenberg, e é um método simples de comunicação. Uma comunicação que é clara, empática e que almeja encontrar um jeito para que todas as pessoas falem o importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo. É uma comunicação útil para resolver conflitos, conectar-se aos outros, e viver de um jeito consciente, presente e antenado ás necessidades vitais e genuínas de si mesmo e do mundo. Baseada na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e a capacidade de escutar verdadeiramente o outro a CNV cria uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los.

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Observação: Observamos as ações concretas que nos afetam. Sem julgamentos e sem juízo de valores. Apenas uma declaração do que estamos observando que pode (ou não) ter nos agradado. Sentimento: Identificamos e nomeamos o que estamos sentindo em relação ao que observamos. Ou seja, nos perguntamos: ” como me sinto diante disso? Frustrado? Alegre? Magoado?Irritado? Necessidades: Informamos para o outro as nossas necessidades, valores e desejos que estão conectados aos sentimentos que identificamos anteriormente. Em outras palavras, quais são as minhas necessidades, desejos ou valores que guiam meus sentimentos? Pedido: Pedimos para que algumas ações concretas sejam realizadas, de forma a atender nossas necessidades.

O educador como fonte de conhecimento, como aquele que media e compartilha as informações com a turma, deve conduzir e orientar a todos de maneira que a prática da comunicação não violenta seja, cada vez mais, uma ação cotidiana. Exiga uma postura adequada dos seus educadores!

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Características da não violência Vários conhecimentos que fazem parte do senso-comum de uma sociedade são características da não violência. Por isso, muito embora, o uso da não-violência numa luta social é algo radicalmente contrário às ideias convencionais sobre conflitos, sabe-se que: Sem o consentimento dos dirigidos não há dirigente. O poder dos que estão em um cargo de direção (presidente ou outro) depende da aceitação (ativa ou passiva) dos que são dirigidos (cidadãos comuns). As leis perdem força quando não encontram quem as execute (cidadão comum que a respalde) e, para pôr em prática os objetivos (justos ou não) estipulados pela classe dominante se faz uso de uma força policial, um exército ou de uma máquina burocrática. O poder depende da cooperação entre dirigentes e dirigidos, desta forma, a não-violência faz cair por terra o poder dos dirigentes quando consegue anular grande parte desta cooperação. Fazendo parte do senso-comum temos também o conceito de que “somente através de um meio justo conseguiremos alcançar um fim justo”.

Mahatma Gandhi, líder humanitário que dedicou a vida em busca da prática da não violência.

“A não violência é a maior força disponível da humanidade. É mais poderosa do que a arma mais poderosa de destruição já criada pela ingenuidade do homem.” Mahatma Gandhi Gandhi muito sabiamente comparou o meio a uma raiz, e o fim a árvore que se desenvolve através desta raiz. Desta forma, os que propõem a não violência sustentam que as ações tomadas no presente inevitavelmente constroem a forma como a sociedade se organizará no futuro. Assim, seria irracional desejar uma sociedade pacífica construída através do uso da violência (absurdamente clamando que “os fins justificam os meios”).

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Texto complementar Biografia de Mahatma Gandhi Maohandas Karamchand Gandhi ou, como ficou conhecido, Mahatma Gandhi, foi acima de tudo um ativista da não-violência. Formado em direito, foi um político e líder no movimento de independência da Índia, que era governada pelos ingleses. Nasceu em uma cidade do litoral ocidental, chamada Porbandar, no dia 2 de outubro de 1869. Seu pai era funcionário público, cargo herdado pela família por gerações. Ainda criança casou-se com Kasturba, com quem teve 4 filhos homens. Prestes a completar 19 anos, em 4 de setembro de 1888, Gandhi parte para a Inglaterra, com o objetivo de estudar Direito. Em 1891, recém-formado retorna à Índia. Sem muitas opções de trabalho na Índia, em abril de 1893, Gandhi parte para a África do Sul, para trabalhar como advogado em uma firma comercial indiana, que desenvolvia atividades naquele país. Foi na África do Sul que ele começou a lutar pelo direito dos hindus, e a atuar como pacifista. Retorna à Índia em 19 de janeiro de 1915 (aos 45 anos), sendo que em seu desembarque em Bombaim foi recebido como um herói, por suas lutas em favor dos indianos na áfrica do Sul. Ficava cada vez mais conhecido por sua luta pelos direitos do povo, sobretudo dos camponeses e operários mais pobres. Em 1922, enfrenta pela primeira vez o governo britânico, ao organizar uma greve geral. Sua estratégia era a não colaboração com o governo britânico sem violência e de forma pacífica. Em março desse ano foi preso, acusado de rebelião contra o governo, e condenado a 6 anos de prisão. Após 2 anos, em 1924, Gandhi foi solto, pois sofria de apendicite aguda, e precisava passar por uma cirurgia. Aos 60 anos, em 1929, Gandhi retoma sua luta pela libertação da índia. Nesse ano percorreu toda a Índia. Em 1931 Ghandi vai à Londres, para pedir aos ingleses que concedam a independência a Índia. Foi sua última visita à Inglaterra. Em 1932, novamente na Índia, volta a ser preso, sendo que, nessa época, mais de 32 mil pessoas foram condenadas por crimes políticos. Gandhi só foi solto em maio de 1933, isso porque temiam por sua vida, já que ele insistia em fazer jejum por longos períodos. Em 8 agosto de 1942, o Congresso Indiano aprovou a resolução “Saiam da Índia”, dirigido somente ao governo britânico, pois as forças armadas britânicas poderiam permanecer. No dia seguinte, Gandhi voltou a ser preso, assim como outros membros do Congresso. A situação então saiu do seu controle, e a violência passou a imperar. Sua esposa, Kasturba (chamada por ele de Ba = Mãe) ficou junto a Gandhi na prisão. Em 22 de janeiro de 1944, Kasturba morreu por complicações cardíacas e bronquite. Foi uma grande perda para Gandhi. Em 6 de

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Cultura de paz maio Gandhi é libertado, graças a pressões públicas e às advertências dos médicos (estava com ascilostomose, malária e disenteria amebiana). Essa foi a última passagem de Gandhi pela prisão. Em 1947, era grande a hostilidade entre os hindus e os muçulmanos. Uma Guerra Civil se estabeleceu, pois a violência vinha de ambas as partes. Enquanto isso Gandhi pregava a não-violência em suas incansáveis peregrinações. Para ele, a Índia deveria ser unificada. Em 15 de agosto de 1947, foi oficialmente proclamada a independência no território indiano, já estabelecendo a divisão entre Índia (hindus) e Paquistão (muçulmanos). Nesse dia, Gandhi estava em Calcutá, pois continuava viajando e pregando a paz. Embora a princípio hindus e muçulmanos tenham festejado a independência de braços dados, a paz não durou muito. Isso porque iniciou-se a maior migração cruzada da história. Aproximadamente 12 milhões de pessoas fugiam: os Muçulmanos que estavam na Índia fugiam para o Paquistão e os hindus que estavam no Paquistão fugiam para a Índia. Em um ano e meio morreram 500 mil pessoas.

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Em 1948 retornou a Delhi. Também lá assustou-se com as atrocidades cometidas, pois grupos de hindus expulsavam de forma violenta os muçulmanos que ainda restavam. Em cada surto de violência, Gandhi realizava outro jejum, em favor da união entre as comunidades. Interrompia o jejum quando o surto de violência passava. Os hindus temiam causar a morte de Gandhi, e os muçulmanos temiam as represálias, caso Gandhi morresse durante um desses jejuns. No dia 30 de janeiro de 1948, após o termino de um jejum que havia durado 5 dias, Gandhi foi assassinado com três tiros pelo hindu Nathuram Vinayak Godse, no jardim de sua casa, onde estava sendo realizada uma grande reunião de orações. Godse matou Gandhi por que era contra a tolerância religiosa pregada por ele, o que teria causado a criação do Paquistão, contra a qual era contra. O cortejo fúnebre, realizado no dia seguinte, durou 5 horas, em uma procissão acompanhada por milhões até o rio Yamuna, onde seu corpo foi colocado em uma jangada e incinerado, conforme a tradição hindu. Fonte: GOLD, Gerald. Gandhi: uma biografia fotográfica. Rio de Janeiro: F. Alves, 1983.

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A generosidade - o amor - é o fundamento de toda socialização porque abre um espaço para o outro ser aceito como ele é. E, a partir daí, podermos desfrutar sua companhia na criação do mundo comum, que é o social. Humberto Maturana 30 CULTURA DE PAZ 6 ANO.indd 30

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CAPÍTULO 2 Princípios e valores

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Generosidade Todos os dias nos beneficiamos de milhares de atos generosos e nem percebemos! Alimentos com maior valor nutritivo, roupas mais adequadas ao nosso clima, novos medicamentos para aliviar a dor ou erradicar uma doença, casas feitas com materiais mais baratos e ecologicamente sustentáveis. Isso acontece porque, todos os dias, centenas de fundações sem fins lucrativos oferecem seus recursos econômicos para incentivar a pesquisa e fazer descobertas cujo propósito é melhorar a vida das pessoas. A generosidade está presente mesmo nas coisas menos imediatas para a sobrevivência humana. Nos museus de arte, por exemplo, grande parte das obras, que estão lá para enriquecer nosso senso estético e cultural, vem de doações particulares. Famílias que têm o privilégio de possuir objetos valiosos abrem mão deles por entender que são demasiado preciosos para decorar apenas uma residência, onde seriam apreciados por poucas pessoas. Apesar desse “anonimato” característico de muitas ações generosas (quem ajuda não conhece o ajudado; quem recebe ajuda não sabe quem ajudou), felizmente, a generosidade, em si, está cada vez mais “visível”.

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Muitos adultos, jovens e crianças de todas as classes sociais, raças e crenças dedicam seu tempo e seu talento a ações comunitárias, populações menos favorecidas, doentes internados em hospitais, instituições que atendem crianças necessitadas de cuidados especiais, programas de reforço escolar e alfabetização eletrônica. Enfim, estão participando de propostas que abrem caminho para uma sociedade mais democrática, cujos recursos e conquistas possam ser usufruídos por todos. A generosidade não é um direito, tampouco um dever. Não é regida por leis. É fruto da nobreza de caráter, uma virtude que nos faz sentir parte de algo maior que nós mesmos, que nossa família ou que nosso país. Ela nos humaniza e nos mostra que, no essencial, somos todos iguais: evitamos sofrer; buscamos felicidade, paz, justiça, realização; desejamos ser queridos e respeitados. Ninguém fica indiferente ante as inundações na Ásia ou a miséria na África. Nos sentimos irmanados com esses povos, embora tão distantes, e sentimos vontade de fazer algo. Não importa a forma da contribuição — alimentos, conhecimentos, dinheiro, tempo, conforto espiritual. Só o fato de participar da reparação já renova nossas forças e fortalece àqueles que auxiliamos. Entretanto, a generosidade não se expressa apenas nos momentos de aflição. Na semana passada, uma colega de trabalho fez aniversário e nossa turma deu a ela uma caixa de bombons. Contente com a surpresa, ela abriu a caixa, pegou um e ofereceu o restante para nós, dizendo que eles eram mais gostosos quando compartilhados. Foi um gesto e tanto! Todos ficamos duplamente felizes: pela felicidade que proporcionamos Uma das características mais evidentes da generosidade é essa naturalidade que dispensa qualquer tipo de recompensa, que se satisfaz em si mesma. Outra é a liberdade: ninguém é obrigado a ser desprendido nem a estar disponível para os outros. Mas todos gostaríamos de ter essas atitudes porque inspiram confiança e criam uma atmosfera amigável à nossa volta. Isto nos leva a pensar que a generosidade também é contagiante. Envolve a quem dá e a quem recebe, eleva a autoestima de ambos. Do lado oposto, a avareza e o egoísmo causam distanciamento e desconforto. Os egoístas só pensam em seus próprios interesses; imaginam que o mundo foi criado para satisfazê-los e as pessoas, para servi-los. São incapazes de perceber as aspirações dos outros — “as suas são mais urgentes e importantes”. É como se estivessem ofuscados pelo brilho de si próprios, impedidos de enxergar os outros e, consequentemente, de criar vínculos afetivos sinceros e duradouros. Quem tem atitudes gananciosas machuca os que estão a seu lado e termina sozinho. Às vezes, somos egoístas e só vamos nos dar conta disso depois de ver o estrago causado, a pessoa querida magoada, a situação difícil de remediar. Se não ficarmos atentos, acabaremos incorporando esse comportamento que prejudica quem está à nossa volta e a nós mesmos! Para mudar esse quadro, é preciso ser forte. É necessário encarar a questão com honestidade e resistir à tentação de encontrar desculpas para manter esse hábito.

Escuta Em um diálogo não há a tentativa de fazer prevalecer um ponto de vista particular, mas a de ampliar a compreensão de todos os envolvidos. David Bohm Às vezes acreditamos já saber o que os outros têm para nos dizer. E com isso perdemos a magnífica oportunidade de aprender e experimentar coisas novas. Os preconceitos, a intolerância, os fanatismos, as supostas “certezas” são os maiores entraves para estabelecer linhas de comunicação e relacionamentos confiáveis, onde a reciprocidade e o respeito mútuo semeiam o terreno do entendimento.

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Cada um de nós dispõe de uma “janela” para ver e sentir o mundo. E tudo aquilo que percebemos vem “carregado” da nossa história particular e única. Isso é o que nos torna singulares. Porém, às vezes nossa “janela” fica estreita demais, não percebemos realmewnte o que acontece. Estamos tão ocupados com nós mesmos que somos incapazes de entender as pessoas.

Solidariedade “Quem faz o próximo sofrer pratica o mal contra si mesmo. Quem ajuda aos outros ajuda a si mesmo.” Leon Tolstoi A solidariedade nos distancia da angústia, do isolamento, e nos transporta para o aconchego do convívio: o chocolate quente compartilhado nas noites de inverno, o acalento da mãe ao choro da criança, o abraço amigo na perda de um ente querido. A solidariedade é a magia que nos faz pertencer a uma sociedade, e não a uma multidão de vidas desagregadas. Queiramos ou não, temos os mesmos interesses, traçamos em conjunto a mesma história. A solidariedade é, também, o alicerce que nos sustenta para enfrentar os conflitos que sempre fizeram parte da vida. Desacertos e sofrimentos estão presentes em todas as esferas: veja a terra árida após a queimada, os rios transbordando nas matas, a lava do vulcão petrificando os animais. A história da Terra, da humanidade, da nossa vida, é marcada por conflitos em diversas situações limites: doença, desemprego, desilusão amorosa, fracasso, morte e solidão. Cabe a cada um aprender a lidar com eles, apoiando e sendo apoiado por outros homens e mulheres.

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É preocupante pensar que os meios de comunicação desviam nossa atenção da solução dos problemas sociais mais urgentes: as dificuldades para sustentar uma família, a educação das crianças, as filas nos hospitais. Redescobrir a solidariedade é perceber que não somos indivíduos sem vínculos. Fazemos parte da espécie humana. Dependemos de nossa comunidade. Estamos ligados à nossa história e a nossos descendentes. Somos herdeiros e agentes de cultura. Somos cidadãos do planeta Terra. Temos pela frente o desafio de estar atentos a problemas mais essenciais de nosso tempo e de nossas vidas. É o momento de perguntar: estamos realmente envolvidos com os problemas sociais e ambientais? Consumo ou beleza equivalem a felicidade? Sou solidário com as pessoas, preocupado com a sociedade ou penso mais nos meus interesses pessoais? Estou disposto a ajudar as pessoas ao meu redor?

Videoteca Intocáveis É um filme francês, dirigido por Eric Toledano e Olivier Nakache, conta a história de Philippe (François Cluzet), um rico aristocrata que sofreu um acidente e ficou tetraplégico. Mesmo com diversos funcionários para auxiliar em seu dia a dia ele precisa de um assistente e contrata Driss (Omar Sy), um rapaz da periferia, pobre com muitos conflitos com a família e problemas pessoais. O rapaz não possui a mínima experiência, mas mesmo assim, foi contratado. Com o tempo ele aprende sua função e a amizade começa a crescer.

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Click Michael Newman (Adam Sandler) é casado e tem 2 filhos, porém anda passando muito tempo no trabalho e está com pouco tempo para a família, além de estar em busca de uma promoção no trabalho. Um dia ele resolve comprar um controle remoto universal, porém esse controle tem o poder de mudar sua vida, adiantar o tempo, paralisar as pessoas, tirar volumes de vozes, enfim ele passa a usar o controle para tudo em sua vida.

A fantástica fábrica de chocolate Direção de Tim Burton, o filme é um clássico da década de 1970 que foi reproduzido pelo diretor em 2005. Willy Wonka (Johnny Deep) é dono da fantástica fábrica de doces e chocolates, a maior do planeta. Há um sorteio pelo mundo e 5 crianças são escolhidas para passar o dia, entre eles há um garoto humilde, Charlie, que vai visitar e fica fascinado. O filme retrata sobre valores humanos, fantasia e muito mais.

Cultura de paz Este é o símbolo do Ano Internacional da Cultura da Paz, criado pela artista plástica alemã Bárbara Blickle e pelo designer gráfico espanhol Luis Sarda Abreu. As mãos entrelaçadas simbolizam a troca e o entendimento. Mas podem ser vistas também como continentes que se abraçam. O símbolo da cultura de paz sugere, ainda, o vínculo de duas pessoas ou de dois grupos, dois vilarejos, com uma só cabeça. Ou a união do Norte e do Sul, indicada por dois polegares que apontam para cima e para baixo. Esta imagem faz lembrar a convivência das várias culturas, que “se dão as mãos” no mais universal de todos os gestos de paz.

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Conteúdo extra! Acesse o QR Code e saiba tudo sobre o programa Abrindo espaços: educação e cultura para a paz, da UNESCO.

Texto complementar A professora que ensina o que é inspiração Gina Vieira Ponte nasceu em uma família de seis filhos, de mãe negra mineira e pai branco cearense. Os dois se encontraram no Distrito Federal, para onde se mudaram em busca de emprego e melhores condições de vida, ele vendedor ambulante, ela empregada doméstica. Formaram um lar em Ceilândia e ensinaram aos filhos que a educação era a chave para uma vida melhor. Viver o analfabetismo na pele fez os dois falarem sobre a escola como um privilégio que, se bem aproveitado, garantiria superpoderes aos filhos, poderes capazes de tirá-los da situação de privações econômicas para a vida que eles sonhassem. Porém, quando finalmente entrou na escola aos sete anos de idade, a pequena Gina não encontrou o conto de fadas que sonhava mas um ambiente carregado de racismo, no qual seus colegas caçoavam de seu cabelo e a excluíam de grupos e apresentações por causa de suas roupas puídas e seus sapatos velhos. “Meu sonho era ser uma criança invisível porque eu acreditava que se isso acontecesse eu não sofreria as agressões tão recorrentes”, conta. Tudo mudou no ano seguinte, quando foi aluna da professora Creusa, uma mulher negra como ela. Certo dia, Creusa pegou Gina no colo. Sua primeira reação foi se encolher porque até então proximidade física na escola era sinônimo de violência. Mas era carinho. Diante da chacota dos colegas, Creusa elogiava as tranças de Gina, dizia que ela era linda, silenciando o racismo em sala de aula. Creusa passou a incluir Gina em todas as apresentações e aos poucos seu olhar sensível a transformou completamente. Gina passou a se dedicar compulsivamente aos estudos para retribuir a esperança depositada nela pela professora. Ávida pela atenção de Creusa – que trabalhava muito com escrita autoral, colando cartazes com ilustrações para que as crianças escrevessem uma história sobre o desenho – Gina se antecipava e passou a praticar a escrita fora da sala de aula para se aprimorar. Inconscientemente, usou a escrita para elaborar o racismo e as outras discriminações que passava através de diários. “Ter me apropriado da escrita foi decisivo para minha formação. Eu não tinha condições de frequentar um acompanhamento

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Cultura de paz psicológico, mas a escrita se tornou meu espaço de organização das questões que me afetavam”, diz Gina. O olhar de Creusa impactou tanto Gina que ela mudou sua perspectiva sobre si e ganhou confiança. Concluiu que a coisa mais importante que um adulto poderia fazer na vida era marcar uma criança como Creusa havia lhe marcado. Passou, então, a sonhar em ser professora. Fonte: Think Olga.Disponível em: http://thinkolga.com/2016/10/06/professora-que-ensina-o-que-e-inspiracao/. Acesso em: 27 nov. 2016.

Ética O que é ética? O termo “ética” deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa) e é usado para definir um conjunto de valores morais e princípios que regem o comportamento do homem que vive em sociedade. Na teoria, a ética permite que haja um equilíbrio entre as pessoas, de forma que ninguém seja prejudicado. Segundo o teólogo Leonardo Boff, no grego existem duas formas e dois significados para o termo: um com a letra “e” em tamanho pequeno; e outro com épsilon, ou o “E” em tamanho grande. Assim, o ethos com o “e” pequeno significa a morada, o abrigo permanente, seja dos animais (estábulo) seja dos seres humanos (casa); com o “E” grande, ou o épsilon em grego, significa os costumes ou o conjunto de valores e hábitos consagrados pela tradição cultural de um povo. Ou seja, podemos entender que a ética é construída por meio dos valores culturais e históricos de uma sociedade. Ética também é o nome dado ao segmento da filosofia que se dedica aos assuntos morais. Dessa forma, ela é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos, está relacionada à justiça social, sem, entretanto, ser um código de leis. Cada sociedade e/ou cada grupo, possui seu próprio código de ética. Por exemplo: no Código Penal Brasileiro não existe nenhuma lei que nos proíba de faltar ao respeito com outra pessoa. No entanto, quando isso acontece estamos ferindo o código de ética. Outro exemplo: no nosso país existem leis específicas para os idosos, como assento preferencial no transporte público; em alguns outros países, como o Japão, isso não é necessário porque, culturalmente, eles já têm um respeito tão grande pelas pessoas mais velhas que esse comportamento é natural e sempre que um idoso entra no transporte público alguém, imediatamente, levanta para dar lugar para ele. Conseguiram compreender? Pois bem, além da conduta ética de cada país, estado ou cidade, existem os códigos de grupos específicos. Nessa subdivisão, podemos citar a ética médica, a ética profissional, a ética empresarial, a ética educacional, a ética esportiva, a ética jornalística, a ética política etc. Ultimamente, temos ouvido muito falar em “antiética” que é a conduta de quem não segue a ética do seu grupo ou sociedade. Vamos a mais um exemplo: pelo código de ética da medicina, um médico não pode contar a ninguém o que um determinado paciente possui, exceto se for alguém da família ou de sua equipe, que irá ministrar os cuidados necessários a ele. Os advogados também tem seu próprio código de ética que estabelece, entre outras regras, que as informações colhidas com um cliente só poderão ser reveladas quando ele autorizar, sendo que o contrário é uma ação antiética.

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Biblioteca Histórias sobre Ética – Coleção para Gostar de Ler Autores: Machado de Assis, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Álvaro Cardoso Gomes, Artur Azevedo, Guido Fidelis, Katherine Mansfield, Jean de La Fontaine, Lima Barreto, Lourenço Diaféria e Voltaire. Editora: Ática Editora Comuns a qualquer época e lugar, os dilemas éticos estão presentes em todas as sociedades. Suas nuances, porém, não são poucas: variam conforme o período, o povo e a cultura. A literatura, portanto, é terreno fértil para o debate e o questionamento desses elementos tão próprios dos humanos. Ética e consciência estão sempre em pauta nas grandes obras. Selecionadas por Marisa Lajolo, as obras desta coletânea são trabalhos exemplares na exploração da ética em seus diversos aspectos. As narrativas trazem personagens frente as mais variadas situações, como a do forte se sobrepondo ao fraco, a oposição entre honestidade e vantagem, a conformidade e aceitação de valores sociais impregnados de preconceitos, entre outros.

Ética social O tema da ética é amplo. Ao longo dos séculos, vários pensadores se dedicaram a estudá-la e a subdividi-la em tipos, para que pudéssemos a compreender melhor. Assim, podemos classificá-la em: Ética moral: significa respeitar os costumes, as escolhas, o modo de viver, enfim a vida. • Ética ambiental: é saber preservar o meio ambiente e os recursos naturais existentes. • Ética política: é preservar os direitos individuais e coletivos de todos. • Ética social: representa os deveres do homem em relação aos seus semelhantes. • Ética profissional: é cumprir com os deveres em seu ambiente de trabalho e com a sua profissão. O filósofo, professor, educador e escritor brasileiro Mário Sérgio Cortella define a ética como “o conjunto de valores e princípios que eu e você usamos para decidir as três grandes questões da vida, que são: “Quero – Devo – Posso”. De forma bem simples, para entender o que ele quer dizer, o filósofo nos pergunta: “Quais são os princípios que usamos em nossas vidas”? E responde: • Existem coisas que eu quero, mas não devo. • Existem coisas que eu devo, mas não posso. • Existem coisas que eu posso, mas não quero.

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Vamos a um exemplo prático do que isso quer dizer, para isso, reflita sobre a seguinte situação: “Minha irmã comprou uma blusa nova”. Eu quero usar a blusa pra sair, mas não devo fazer isso porque a blusa não é minha; Ah, acho que devo fazer isso porque ela sempre pega minhas roupas, mas acho que não posso porque não seria correto; Sim, eu posso fazer isso, ela nem se daria conta, mas não quero porque não estou sendo ética. Dessa maneira, Cortella nos ensina que ser ético é mais ou menos como ter “paz de espírito”. E isso só acontece quando aquilo que queremos é o que podemos e o que devemos fazer. Ele também nos ensina que a ética é definida pelos exemplos, pelos modos e pela sociedade, por meio dos princípios que vão sendo estabelecidos. Como exemplo, Cortella lembra que “há vinte anos, num auditório, algumas pessoas fumariam e outras não. Há dez anos haveria uma placa: ‘É proibido fumar’. Hoje, não é mais preciso nenhuma imposição, ninguém fuma por senso comum. Às vezes, isso surge como norma. Quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório no Brasil, havia gente que até vestia a camisa do time de futebol Vasco da Gama (que é branca com uma faixa transversal preta) só para enganar o agente da lei, tal a má vontade em obedecer a essa normatização. Hoje, todo mundo entra no carro e automaticamente coloca a faixa, sem nem se lembrar da multa. – Isso significa que a ética vai se construindo”.

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e Proposta de atividad em, Minha comunidade ncia do espaço onde viv ciê ns co am nh te s te an o que se faz jetivo de que os particip anças que desejam e ud m as am Esta atividade tem o ob eb rc pe e áticas, de forma qu refletindo suas problem s aconteçam. s, precisa de cola, revista necessário para que ela só cê vo de da ivi at a r nvolve participar, e para dese Todos da classe podem drográficas. onível, fita crepe e canetas hi s. Com o material disp oa ss pe co cin o, im áx m vivem e outra a-a em grupos de, no as comunidades onde o nd ta en Reúna sua turma e divid es pr re a um r duas colagens: cada grupo deverá faze fosse. zes na como gostariam que ela lhos, colando os carta ba tra us se ar nt se re o ap a distância os terminarem, deverã opinião do subgrupo, na , te en es Quando todos os grup pr re e qu entre eles um espaço parede, mas deixando s se tem e a desejada. quais as problemática entre a realidade que em ut sc di e te en m va em no sejado s, os subgrupos se reún tre a realidade e o de en cia ân st di a e Após as apresentaçõe qu ra pa ecisam ser resolvidas da comunidade que pr entre as duas desapareça. disponível, uma ponte ial er at m o m co i, tró uir as da subgrupo cons trabalhadas para dimin r se m isa ec pr e Depois da discussão, ca qu es tõ o, nessa ponte, as ques colagens, representand e se deseja. qu a se tem e e qu e ad id un m co a comunidadistâncias entre avaliando porque sua , am ar eg ch e qu a es es partilham as conclusõ tando em quais situaçõ on ap e is íve ss po as No final, os grupos com ernativ es gosjado, levantando as alt como os seus morador de jo se de do a de não é como o dese ond ta ica a comunidade, afas a falta de ética prejud tariam que ela fosse.

Ética na escola Como vimos, a ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para decidir “o que quero, o que devo e o que posso”. Isso quer dizer que uma simples atitude pode afetar toda a coletividade. Por exemplo: quando alguém joga o lixo na rua não está simplesmente sujando a via pública, mas prejudicando várias pessoas. O lixo jogado na rua pode ser arrastado pelas chuvas até um bueiro, que com o acúmulo de detritos poderá entupir. Uma vez entupido, a chuva não terá como escoar e a rua poderá alagar, inundando as casas. Entre elas, poderá estar a de quem jogou o lixo. Percebeu como uma simples atitude pode prejudicar muitas pessoas?

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Como disse o filósofo Mario Sérgio Cortella, ser ético é ter “paz de espírito”, ou seja, é estar com a consciência tranquila, sabendo que agiu corretamente, sem prejudicar ninguém. Ser ético também é ter coragem de assumir seus erros, ser humilde, tolerante e flexível. Claro que nos dias de hoje está difícil manter a ética, não é mesmo? Vemos muitos exemplos que corroboram essa dificuldade, mas da mesma forma que um só indivíduo jogando o lixo na rua pode prejudicar muitas pessoas, manter a ética neste mundo, que parece estar virado no avesso, também pode fazer a diferença. Por isso, ser ético também é ter coragem de ser diferente. É ser aquela pessoa que dá um basta no bullying que estão praticando com o colega, é ser o aluno que compreende que estudar de verdade representa um futuro melhor, é não jogar o lixo na rua em respeito ao próximo e ao planeta, enfim, é ser uma pessoa consciente de suas ações. Além de tudo isso, a ética é quase uma questão de prática. Quem realmente não acha certo praticar bullying contra alguém, não fica o tempo todo se policiando sobre isso, simplesmente não o faz e pronto. Dessa forma, as atitudes éticas vão sendo incorporadas no nosso cotidiano, em todos os ambientes que frequentamos, com todas as pessoas que conhecemos. E nada melhor para praticar do que o ambiente escolar, não é mesmo? Afinal, passamos grande parte do dia na escola e é nela que está a maioria das pessoas que nos relacionamos. Isso quer dizer que o respeito ao próximo deve englobar não apenas os colegas, mas também os professores e os funcionários. Um simples bom dia para a pessoa que faz a limpeza da escola já pode ser significativo, ela pode entender o seu cumprimento como o reconhecimento pelo trabalho que ela desenvolve, e que é muito importante para o bem-estar e a saúde de todos.

As questões éticas no cotidiano e a importância da ética no ambiente escolar Pode ser que você esteja pensando: mas qual a razão de se falar tanto em ética? Por que devo ser ético? Será que não vou parecer uma pessoa boba e inocente? Pois é, nosso país está vivendo um momento bastante complicado. Mas é exatamente porque faltou ética e moral em algumas pessoas que isso está acontecendo.

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Observe como tudo funciona como um ciclo: vamos fazer de conta que sua avó é diabética e não pode ficar sem tomar seus remédios diariamente; ela é aposentada e o valor que recebe não é suficiente para comprar os remédios, então ela os recebe gratuitamente no posto de saúde do bairro. Mas, alguém de algum departamento da saúde pública desviou a verba destinada para comprar os remédios que seriam distribuídos nos postos de saúde.

Sua avó, que necessita dos remédios para não morrer, fica sem eles porque alguém, que só pensou em levar vantagem, se esqueceu dos milhares de pessoas que dependem disso para viver. E se essa pessoa fosse você? Mesmo sabendo que a vida de inúmeras “avós” está em suas mãos, você teria coragem de ser antiético e desviar o dinheiro dos remédios? Entendeu porque ser ético não tem nada a ver com ser bobo? Muito pelo contrário: a “esperteza” de alguém pode interferir na vida de muitos. Agora vamos pensar no nosso universo, que é o da escola. Todas as instituições educacionais públicas recebem uma verba para que possam se manter e melhorar sua infraestrutura. Entretanto, em muitas escolas essa verba tem que ser usada apenas para consertar os estragos que alguns alunos fizeram, quebrando carteiras, pichando paredes ou destruindo banheiros. Ou seja, o dinheiro que poderia ser usado para a escola oferecer uma quadra de esportes mais legal, comprar mais bolas ou mesmo proporcionar algum passeio para os alunos, acaba tendo que ser usado na troca de carteiras ou na pintura de paredes. Tudo porque uma ou mais pessoas agiram de forma nada ética, prejudicando toda a coletividade, inclusive elas próprias. Além de tudo o que já relatamos, podemos dizer que, sem dúvida, uma pessoa ética é mais feliz e querida. Sabe por que? Porque simplesmente todos confiam nela. Afinal, uma pessoa ética uma pes-

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Cultura de paz soa ética não mente, não sai por aí espalhando os segredos que lhe foram confiados, não inferioriza ninguém, não tira proveito do outro, não faz para ninguém o que não gostaria que fizessem com ela. E ser assim faz um bem danado.

Videoteca A Corrente do Bem Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos, é incentivado pelo desafio do professor e cria um novo jogo, chamado “pay it forward”, em que a cada favor que a pessoa recebe ela retribui a outras três pessoas. Surpreendentemente, a ideia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado, e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar um novo sentido em sua vida.

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Você sabia? Estudos coordenados por Harvey James, economista da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, apontam que existe uma relação entre a satisfação pessoal e a baixa tolerância com a conduta não ética. Segundo o estudo, geralmente as pessoas que acreditam que uma situação ética não é aceitável são mais propensas a afirmar satisfação com a vida. A satisfação pessoal também está ligada a outros fatores além do conceito de ética, como felicidade e riqueza.

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Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre. Paulo Freire

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CAPÍTULO 3 Cidadania

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Cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição de um país. A cidadania também pode ser definida como a condição do cidadão, indivíduo que vive de acordo com um conjunto de regras pertencentes a uma comunidade. Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada e justa. Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações, garantindo que estes sejam colocados em prática. Preparar o cidadão para o exercício da cidadania é um dos objetivos da educação de um país. O conceito de cidadania também está relacionado com o país onde a pessoa exerce os seus direitos e deveres. Assim, a cidadania brasileira está relacionada com o indivíduo que está ligado aos direitos e deveres que estão definidos na Constituição do Brasil. Para ter cidadania brasileira, a pessoa deve ter nascido em território brasileiro ou solicitar a sua naturalização, em caso de estrangeiros. No entanto, os cidadãos de outros países que desejam adquirir a cidadania brasileira devem obedecer a todas as etapas requeridas para este processo. Uma pessoa pode ter direito a dupla cidadania, isso significa que deve obedecer aos diretos e deveres dos países em que foi naturalizada.

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Conceito de cidadania A palavra ‘cidadania’ vem do latim civitatem que significa cidade. Seu conceito tem origem na Grécia Antiga, aonde o termo “cidade” ia muito além de uma área urbanizada em que viviam aglomerados de pessoas, referindo-se aos direitos dos indivíduos que a habitavam. Entretanto, nessa época da história da humanidade, só eram considerados cidadãos aqueles que estavam capacitados para opinar sobre os destinos da sociedade. Dessa forma, ficavam de fora as mulheres, os escravos, os comerciantes e os estrangeiros que, por não poderem dar suas opiniões sobre o Estado, não eram considerados cidadãos.

Em termos de organização política, aquele era um regime aristocrático, ou seja, o poder era confiado apenas aos indivíduos da nobreza que apresentavam condições morais e intelectuais para opinar sobre os destinos da sociedade. Esse mesmo tipo de organização política ocorria na Roma Antiga, onde também os romanos não nobres e os estrangeiros tinham seus direitos limitados. Embora, hoje, a aristocracia daquela época possa parecer um sistema comandado por poucas pessoas, foi um grande avanço para combater a tirania, que era o sistema vigente na maioria dos países. Na tirania, somente uma pessoa decidia os rumos de todo um povo e, nem sempre, esse indivíduo tinha a formação necessária que o comando de uma sociedade exigia. Já na aristocracia, embora os destinos de um Estado não estivessem na mão do povo, os responsáveis pelas decisões eram pessoas preparadas para isso. Mas vale lembrar que foi também na Grécia Antiga que surgiu o primeiro modelo de democracia, na cidade de Atenas, em aproximadamente 590 a.C. Entretanto, com o passar do tempo, o conceito de cidadania foi modificando e sendo ampliado.

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Cultura de paz Mas, na Idade Média, tudo aquilo que os filósofos gregos defendiam, como a liberdade, a igualdade, a cultura, a ciência e a política, caíram por terra com o avanço do feudalismo. Este último era um sistema de organização social, político e cultural baseado no regime de servidão, em que o trabalhador rural era o servo do grande proprietário de terras, o senhor feudal. A Igreja católica era quem administrava o poder no feudalismo e, em geral, as decisões tomadas eram arbitrárias e incontestáveis. Com o fim do feudalismo e o início do Renascimento, no século XIV, a cidadania ressurgiu, embora também não fosse um direito de todos. Nesse período, a cidadania era privilégio da elite, pois só era considerado cidadão àquele que possuía o direito sobre as questões do Estado. Assim como a moral, a cidadania também foi se transformando. Com o início do século XVIII, o conceito de cidadania ganhou novo formato, a partir das revoluções ocorridas naquele eríodo. A Revolução Iluminista propôs a construção de uma sociedade alicerçada na vontade coletiva e não mais nas decisões da realeza. Filósofos da época, entre eles Locke, Montesquieu e Rousseau propõem uma sociedade baseada nos direitos do homem à vida, à liberdade e à propriedade, no limite do poder das autoridades e na igualdade de condições. Ao longo da história, inúmeros outros fatos foram marcantes para se chegar ao modelo de cidadania que conhecemos hoje. O mundo viveu de 1915 a 1919; e de 1933 a 1945, duas grandes guerras, que abalaram os pilares da cidadania, restringindo o direito à vida e à liberdade de milhares de pessoas. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e com o objetivo de coibir novas guerras entre os países, foi fundada, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) que, em sua primeira Assembleia Geral, realizada um ano após a sua fundação, elaborou um documento que garantia os direitos de todas as pessoas em todos os lugares do mundo.

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Com a colaboração de 50 países, em 1948, foi escrita a Carta de Direitos da ONU, garantindo que todos os homens são iguais perante a lei, independentemente de raça, credo e etnia. Desde 1948, quando a Carta de Direitos da ONU foi adotada, vários outros tratados internacionais foram elaborados para garantir os direitos humanos. Entre os principais documentos estão a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio (1948), a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1979), a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006), entre outras.

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Direitos do cidadão Direito de agir Você é livre para fazer, não querer fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, contanto que não prejudique a sociedade. É ilegal alguém obrigar você a fazer ou deixar de fazer algo quando a lei assim não ordenar. Também constitui constrangimento ilegal não deixar que uma pessoa faça alguma coisa quando for permitido por lei. Para sua proteção existem vários procedimentos legais: Habeas-Corpus - é garantia que pode ser usada por qualquer cidadão para impedir ou prevenir uma prisão ilegal; Mandado de Segurança - é a ação que defende o cidadão contra direito seu atacado ou ameaçado por desrespeito de agente público.

Direito à igualdade Você não pode ser discriminado por sua condição social, econômica, pessoal, sexual, idade, raça naturalidade, consciência política, fi losófi ca ou religiosa. Se a discriminação for feita por uma autoridade ou qualquer outro agente público, você pode impetrar um Mandado de Segurança. Se vier de cidadão comum, contra ele deve ser instaurado processo criminal. O promotor de justiça e o defensor público poderão ajudá-lo, se você não puder contratar um advogado.

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Direito à informação A imprensa é livre para conseguir e transmitir notícias ou informações em todo o país. As publicações não podem sofrer censura prévia, mas no caso de serem dirigidas a menores, podem receber orientações quanto a horários e locais de exibição. Você pode solicitar aos órgãos públicos qualquer informação que, por acaso, existam sobre você. Se as informações forem de ordem pública, o sigilo quanto à fonte é garantido, quando necessário ao exercício da profi ssão. A Constituição assegura ao cidadão o direito de conhecer todas as informações a si relativas, constantes de registros ou bancos de dados de órgãos públicos. Se houver recusa para fornecer a informação solicitada recorra o Habeas-Data, que é o documento dirigido a um juiz pedindo o conhecimento ou correção de informações.

Direito à integridade física Você e sua integridade física, são protegidos pela Constituição. Ninguém pode sofrer tortura ou tratamento degradante. Caso uma autoridade não respeite esse seu direito, estará praticando abuso de autoridade e deve ser processada. A violência física poderá ser comprovada com exame de corpo de delito, feito por dois médicos. Uma prisão só pode ser efetuada quando há ordem escrita de um juiz ou em caso de fl agrante delito perante testemunhas.

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Liberdade de trabalho e de livre expressão artística Você pode escolher livremente a sua profissão. Você pode manifestar seus pensamentos, suas ideias, suas habilidades, artísticas ou culturais sem que sofra nenhum tipo de censura.

Direito de ir e vir Você tem o direito de ir e vir em todo o Brasil, em tempo de paz. Se não houver nenhum impedimento judicial, qualquer privação à sua liberdade de locomoção será ilegal.

Direito das liberdades ideológicas Você pode optar por qualquer religião ou segmento político, contanto que o faça pacifi-camente.

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Deveres do cidadão • Votar para escolher os governantes • Cumprir as leis • Educar e proteger seus semelhantes • Proteger a natureza • Proteger o patrimônio público e social do País

Pare e pense Escolha um espaço de convivência da sua escola. O que é um espaço de convivência? A biblioteca, o pátio do recreio, a lanchonete e a secretaria são espaços em que você encontra e, obrigatoriamente, tem de se relacionar com pessoas diferentes de você e dos seus amigos. Você concorda que quando está na biblioteca há algumas posturas que devem ser adotadas, e essas posturas são diferentes das que você costuma ter quando está na sua casa ou quando vai passar o fim de semana na casa de um grande amigo?

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Como exercemos nossa cidadania • Respeitando o próximo e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. • Exigindo que a nossa Constituição Federal seja respeitada e que todo cidadão tenha o mínimo de condições (abrigo, alimentação, saúde, educação) para uma vida digna. • Não agindo de forma preconceituosa. Para isso, precisamos de educação, precisamos ter conhecimentos dessas leis para compreendermos nossos direitos e deveres e, assim, colocá-los em prática e exigir que os outros também o pratiquem.

Você não está sozinho Você vive isolado do mundo e das pessoas, fazendo o que quer, na hora em que bem entende? Provavelmente não, certo? Mesmo sem perceber, você já sabe o que é cidadania: todo mundo que vive em sociedade tem deveres para cumprir e direitos para serem respeitados. Cidadania é justamente essa relação de respeito com o meio em que a gente vive e as pessoas que fazem parte dele. Os deveres existem para organizar a vida em comunidade. Em casa, na escola, na rua, no shopping – em qualquer lugar a gente vai encontrar regrinhas, o que pode ser feito e o que não pode. Às vezes você perde a paciência com tudo isso, mas, se não fosse desse jeito, a convivência ficaria impossível. Os direitos existem para que cada um de nós tenha uma vida digna e decente, ainda que nem sempre eles sejam respeitados.

Como cidadão, todo ser humano já nasce com uma série de direitos: direito à vida, ao trabalho, à liberdade.

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Mas cidadania não é só esse monte de definições bonitas. Sabe por quê? Ser cidadão é também sair da toca e participar da vida em comunidade. Você pode até achar que esse papo não tem nada a ver com seu dia a dia, mas tem, sim! Cada vez que você agir pensando não só em si mesmo, mas também no bem-estar de todos, estará exercendo a cidadania. Porque a cidadania não é só direitos e deveres, mas também a consciência de que devemos nos esforçar para construir um mundo melhor, mesmo com pequenas ações. Toda vez que você jogar o lixo no lixo, fechar a torneira para não desperdiçar água, respeitar quem é diferente de você, ajudar quem precisa - seja auxiliando uma pessoa idosa a atravessar a rua ou doando roupas e brinquedos que você não usa mais, praticar atos que protejam o meio ambiente, você estará contribuindo para um mundo melhor e fazendo parte dessa coisa tão importante chamada cidadania.

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Cada pequena ação que realizamos transforma nossas vidas e as vidas de outras pessoas. Para ser um bom cidadão, basta perceber que não estamos sozinhos: vivemos em comunidade, seja em casa, na rua, na escola, na nossa cidade, no nosso país e no planeta Terra. Fonte: Banco da água. Disponível em: http://www.bancodaagua.com.br/cidadania/genteboa/index2.htm. Acesso em: 27 nov. 2016.

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Cultura de paz Alguns valores podem ser considerados como principais para a formação da cidadania. São eles: Cooperação O aluno percebe que a troca de conhecimentos e a sua participação são fundamentais para a concretização de uma atividade. Sinceridade Quando buscamos confiança nos outros, mas principalmente quando exercemos nossa própria sinceridade, estando certos ou não em nossas ações.

Perdão Perdoar é não guardar ressentimento contra ninguém, é se livrar das amarras impostas pelo rancor. Respeito Princípio básico para receber respeito. Quem não desenvolve o hábito de respeitar os outros, acaba não sendo respeitado.

Diálogo Para resolver impasses, divergências de opiniões, nada melhor que o diálogo, a conversa de qualidade que coloca os pingos nos “is”. Conversar, trocar ideias e buscar explicações sem acusar o outro é uma forma de se livrar dos embaraços. Não agressão Violência gera violência, isso todo mundo sabe, portanto não se deve agredir ninguém com palavras e muito menos fisicamente.

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Bondade Esta é uma forma de demonstrar respeito ao seu semelhante. Ser bondoso e atencioso com as pessoas só faz com que receba bondade dos outros. Bem diz o ditado “cada um colhe o que planta”, ou seja, a pessoa que causa o sofrimento do outro, receberá o mesmo tratamento.

e Proposta de atividad spira Semana da paz paz. Este mural não in de m ge sa en m sa es r be to a construir a oportunidade de rece r um que esteja dispos ue alq qu Outras pessoas terão em as m le, quem trabalha ne solidariedade apenas em remplo, para fazer inte um mundo melhor. ex r po ir, un re se m de paz, po não fosverão criar cenários de uações, como se elas sit as en qu pe r Você e seus colegas de na ce en , nto; podem tervalo entre as aulas que não sabem do assu les ue aq venções teatrais no in ra pa al re e ss recer como se fo cês. sem um teatro, fazer pa apos; a semana é de vo -p te ba or op pr , os xt paz te criar artes, músicas, e para fazer o mural da ad id un m co da s iro te grafi a inclusão é convidar Uma opção que gera nas paredes da escola!

Escolas do mundo Como é a sua escola? Tem cadeiras, mesa, lousa? Você tem um estojo com lápis, borracha, canetas? Tem quantos professores? Quantas disciplinas diferentes? Quantas pessoas frequentam e trabalham na escola que você estuda? Veja esta sequência de imagens e conheça um pouco mais sobre a realidade de muitas escolas do mundo.

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Afeganistão.

Nordeste, brasil

Rússia

Finlândia

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Japão

Cuba

Nigéria

Direito à infância Desde o momento em que nascemos, toda criança se torna cidadã. Por isso, criança também tem direitos. Não é porque são pessoas são crianças que são menos importantes! Ao contrário: elas devem receber atenção especial, pois a infância é a fase mais importante da vida.

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Para que todos tenham uma infância legal, a ONU criou um conjunto de direitos para as crianças. É a Declaração Universal dos Direitos da Criança, escrita em 1959.

Essa declaração assegura que todas as crianças tenham direitos iguais. Elas não podem sofrer distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição. Casa, comida e remédio não podem faltar.

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Desde o nascimento, toda criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, tem direito a crescer e se desenvolver com saúde, alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequadas. A Declaração diz também que as crianças com deficiências físicas ou mentais devem ter tratamento, educação e cuidados especiais. Mas não é só isso, não! Você conhece outros direitos da criança.

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Amor, ensino e proteção Toda criança precisa de amor e compreensão para o desenvolvimento de sua personalidade, ou seja, para ela decidir o que e como vai ser quando crescer. As crianças não podem ser separadas de suas mães. Amor de mãe não dá para trocar por nada nesse mundo. Para aquelas que não têm família, a sociedade deve dar cuidados especiais. Escola e ensino para todo mundo: a educação de primeiro grau deve ser obrigatória e gratuita.

Todas as crianças têm o direito de brincar e de não trabalhar até os 16 anos. Elas devem ser as primeiras a receber ajuda e proteção em caso de perigo. A criança deve ser protegida de qualquer forma de descuido, crueldade e exploração. Fonte: Canal Kids. Disponível em: <http://www.canalkids.com.br/cidadania/direitos/crianca2.htm>. Acesso em: 27 nov. 2016.

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O Estatuto da Criança e do Adolescente De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção sobre os direitos da criança, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) alguns dos direitos principais direitos das crianças e adolescentes são: • Ter uma educação de boa qualidade; • ter acesso à cultura e aos meios de comunicação e informação; • poder brincar com outras crianças da nossa idade; • não ser obrigado a trabalhar como adulto; • ter uma boa alimentação que dê ao nosso organismo todos os nutrientes que precisamos para crescer com saúde e energia; • receber assistência médica gratuita nos hospitais públicos sempre que precisarmos de atendimento; • ser livre para ir e vir, conviver em sociedade e expressar nossas ideias e sentimentos; • ter a proteção de uma família que nos ame, seja ela natural ou adotiva, ou de um lar oferecido pelo Estado se, por infelicidade, perdermos os nossos pais e parentes mais próximos; • não sofrer agressões físicas ou psicológicas por parte daqueles que são encarregados da nossa proteção e educação ou de qualquer outro adulto. Quanto aos nossos deveres, eles precisam começar pelo respeito ao direito das pessoas com quem convivemos, pois só assim poderemos esperar que elas também nos respeitem. Outro dever nosso é estudar e nos preparar para a vida adulta, quando a sociedade exigirá de nós uma série de responsabilidades que não temos hoje, enquanto somos crianças. Por exemplo, trabalhar para criar e educar nossos próprios filhos ou para ser capaz de votar, com discernimento, nos melhores representantes para governar nossas cidades e nosso país. Temos também o dever de respeitar as pessoas que são ou pensam diferente de nós. Como cidadãos de um país democrático, precisamos aprender, desde a infância, a lidar com as diferenças e aceitá-las. Como fazemos isso? Não discriminando pessoas que tenham alguma deficiência física ou mental, as mais pobres, que não receberam a mesma educação nem tiveram as mesmas oportunidades que nós, ou as que são diferentes porque têm outra religião, nacionalidade, etnia, idade, sexo, cor da pele, opção sexual ou outro partido político. É nosso dever respeitar os que são diferentes porque eles também são cidadãos e possuem os mesmos direitos e deveres que nós na sociedade brasileira. Enfim, temos direito a uma vida digna, saudável e feliz. Fonte: Ministério Público Federal. Disponível em: <http://www.turminha.mpf.mp.br/direitos-das-criancas/cidadania/quais-sao-os-direitos-e-deveres-da-crianca>. Acesso em: 27 nov. 2016.

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e d a id v ti a e d ta s o p o Pr

seu país texto ao dirigente de um a ev cr es e o xt te var o Cidadania, lei a cidadania para preser ar lic ap o m co de s Sobre o que vimos de ca o di e é ‘cidadania’ e dand cexplicando a ele o qu . tureza, e nosso meio ambiente das em preservar a na pa cu eo pr to ui m o tã árs aparentemente es tes é um lugar cheio de en m as ss no em m Hoje em dia as pessoa ve que portante? reza, a primeira coisa por quê o verde é tão im ar ns pe ra pa quando se fala em natu u ro pa já incipalmente, você amamos de vores, e muito verde, pr tais, aqueles que nós ch ge ve s do ília m fa neda todos os seres vivos que nós seres humanos io ên ig ox do o çã va Pois bem, as árvores e no e re Terra, quem sáveis pela fabricação parecerem da face da sa de s ta an pl plantas, são as respon as e s re r. Então, se as árvo cessitamos para respira igênio? o? Sigé que vai produzir o ox tar. O que significa iss en m ali ia de ca da ro nt na Terra ainsão seres produtores de esse outros seres vivos uv ho o nã Além disso, as plantas se , to ráen m em o seu próprio ali s seres, muito pelo cont tro ou de em nd pe de nifica que elas produz o s nã e as plantas breviveriam porque ela das plantas. Como é qu os m isa ec da assim as plantas so pr e qu é tese: ais e os outros anim chamamos de fotossín s nó e qu so es oc pr rio, nós seres humanos r um to? Elas fazem isso po produzem seu alimen inte: o oxigênio e é mais ou menos o segu e mais a água e produz ico ôn rb ca s gá o m co omem. do sol juntamente os animais que as cons ra As plantas usam a luz pa a vid dá e a viv m ta se manté posso a energia. Assim a plan plantas acabarem eu s sa es se e o, at m m e ne rco, não é? : eu não como árvore tão um belo pernil de po en ou , ha Mas você pode pensar lin ga de ço E o porco come o quê? boi ou um bom peda ê? qu o e m co ha lin ga a comer um belo bife de quê? E milho se manter vivo come o s, de mato, de capim, de ta an pl de m ta Até é, mas e o boi para en m ali eus leitão. idores primários que se bife, adeus frango, e ad s eu ad Todos eles são consum is, ta ge ve s se tureza, e sem es ianta ficar fae outros vegetais da na r a natureza, e não ad va er es pr a r da aju ar do ve isas mais, você de si mesmo, vamos cuid a ar ud m o nã cê Por essas e outras co vo se s agradecida ntar convencer os outro lta, assim a natureza vo a ss no à zendo discurso para te er tiv es e . e de todo verde qu rão a nossa existência ua et rp jardim da nossa escola pe e ão ar gr ale flores que nos retribuirá com frutos e

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Paz na escola

“Todos são iguais perante a lei” Artigo 5º da Constituição Brasileira

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CAPÍTULO 4 Direitos Humanos

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Cultura de paz

Declaração Universal dos Direitos Humanos A História nos ensina que já houve tempos muito difíceis. Tempos em que prevalecia a lei do mais forte. Tempos em que as pessoas corriam risco de vida por serem de determina cor ou etnia, por serem de religiões diferentes, elas não tinham garantias de comida e água, não tinham lugar para morar, eram proibidas de entrar em determinados lugares, eram escravizadas, mal-tratadas e humilhadas. Sabemos, por exemplo, que esse tipo de discriminação acometeu, e muito, a população negra de todo o mundo. Há certas coisas que nenhum ser humano pode ficar sem: estas coisas são o que resumem nossos direitos fundamentais. Liberdade, respeito, educação, dignidade e segurança, por exemplo, são tão importantes quanto comida e abrigo. Os Direitos Humanos estão em tudo que a sociedade faz, mas foram compreendidos aos poucos, ao longo da História, por gerações e gerações de pessoas que lutaram por seus direitos. Diante de tanta

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, são enumerados os direitos fundamentais que todo ser humano precisar ter respeitado para ter uma vida digna.

Conteúdo extra! Aponte seu smartphone e leia o documento oficial da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

desigualdade e de tanta luta, em 1948 foi assinado por vários países um documento muito importante: a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

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Você sabia? Cada emenda na constituição de um país, em respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma obrigação que cada nação tem com seus habitantes: os cidadãos. São, também, cabe lembrar, obrigações que nós, cidadãos, temos uns para com os outros. Aqui no Brasil, é a Constituição Federal garante esses direitos.

Constituição Federal é o conjunto de leis de determinado país. É, praticamente, o “manual de instruções” do Brasil. A Constituição Federal, baseada nos Direitos Humanos mudou muita coisa aqui no nosso país, por exemplo: antigamente os negros e as mulheres (inclusive as brancas) não podiam frequentar as escolas, eram discriminados, sofriam preconceito e não tinham os mesmos diretos que os meninos e homens brancos. Você consegue imaginar tamanho preconceito? Os negros eram escravizados pelos brancos, não tinham nenhum direito sequer, eram tratados como mercadoria, eram comprados e vendidos. As mulheres brancas eram criadas para aprender a cuidar da casa, dos filhos e dos seus maridos, não tinham direito à educação. Graças à Declaração Universal dos Direitos Humanos todo cidadão tem direito à escola e à educação. No entanto, é triste lembrar que, na realidade, não é exatamente assim que acontece. Em função da desigualdade social que acomete a maioria das nações, sabemos que ainda há muita gente em situação de miséria e pobreza extrema, assim como elevados índices de analfabetização, morte e trabalho infantil, entre outras situações que deveriam ser acolhidas e eliminadas se os Direitos Humanos fossem, de fato, respeitados.

Trabalho infantil Toda criança possui plena dignidade como ser humano. É esta uma verdade inquestionável, aceita e positivada universalmente, inscrita no texto da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada em 1989 pela ONU – Organização das Nações Unidas, que reconhece a todas as pessoas com menos de 18 anos de idade, os direitos humanos fundamentais, como a vida, a liberdade, a saúde, a assistência, a educação e a proteção.

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Cultura de paz

A criança, de qualquer raça, cor, sexo, origem social, religião ou etnia, é um ser humano íntegro, com a peculiaridade de se encontrar numa fase de desenvolvimento que enseja proteção especial em todas as áreas de sua vivência (física, familiar, moral, educacional, psicológica e social). No setor urbano, detecta-se o trabalho de crianças no ramo da tecelagem, na produção de artesanato, na indústria de calçados e de alimentos, em atividades desenvolvidas no espaço público (vendedores ambulantes, engraxates, catadores de lixo, jornaleiros), e, hoje, numa feição tão atual quanto perversa, em atividades inseridas nos domínios do turismo (exploração sexual) e da criminalidade (tráfico de drogas e pornografia).

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São assustadores os números oficialmente contabilizados, mesmo sabendo-se estarem bem abaixo da realidade existente: no Brasil trabalham aproximadamente 3,5 milhões de crianças entre 10 e 14 anos. A maioria (cerca de 2 milhões) não é remunerada e em quase 90% dos casos em que há algum tipo de pagamento o valor não alcança sequer o salário mínimo. “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

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Cultura de paz Talvez somente assim, pela força do número e do clamor das vozes, nós viéssemos a assumir a responsabilidade que nos cabe, e transformar a letra morta da lei em esperança para milhares de crianças, que poderiam ser os nossos próprios filhos.

“A crueldade do trabalho infantil é um pecado social grave em nosso país. A dignidade de milhões de crianças brasileiras está sendo roubada diante do desrespeito aos direitos humanos fundamentais que não lhes são reconhecidos: por culpa do poder público, quando não atua de forma prioritária e efetiva, e por culpa da família e da sociedade, quando se omitem diante do problema ou quando simplesmente o ignoram em decorrência da postura individualista que caracteriza os regimes sociais e políticos do capitalismo contemporâneo, sem pátria e sem conteúdo ético.” (Xisto T. de Medeiros Neto. “A crueldade do trabalho infantil”. Diário de Natal, 2000.)

Há diversas políticas públicas que nascem do intuito de atuar em conjunto com esses órgãos internacionais na tentativa de erradicar situações de trabalho infantil por exemplo.

Mortalidade infantil A taxa de mortalidade infantil é obtida por meio do número de crianças de um determinado local (cidade, região, país, continente) que morrem antes de completar 1 ano, a cada mil nascidas vivas. Esse dado é um aspecto de fundamental importância para avaliar a qualidade de vida, pois, por meio dele,

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é possível obter informações sobre a eficácia dos serviços públicos, tais como: saneamento básico, sistema de saúde, disponibilidade de remédios e vacinas, acompanhamento médico, educação, maternidade, alimentação adequada, entre outros. Esse é um problema social que ocorre em escala global, no entanto, as regiões pobres são as mais atingidas pela mortalidade infantil. Entre os principais motivos estão: a falta de assistência e de orientação às grávidas, a deficiência na assistência hospitalar aos recém-nascidos, a ausência de saneamento básico (desencadeando a contaminação de alimentos e de água, resultando em outras doenças) e desnutrição. As menores taxas de mortalidade infantil são dos países desenvolvidos – Finlândia, Islândia, Japão, Noruega e Suécia (3 mortes a cada mil nascidos). As piores médias são dos países pobres, especialmente das nações africanas e asiáticas. O Afeganistão apresenta a incrível média de 154 óbitos por mil nascidos vivos. No Brasil, assim como na maioria dos outros países, essa taxa está reduzindo a cada ano. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a mortalidade infantil no Brasil segue em declínio. Em uma década (1998 – 2010) passou de 33,5 crianças mortas por mil nascidas vivas para 22. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL POR MIL NASCIDOS VIVOS

36,7

28,9

2001

20,9

26,1

2011

18,5

21,2 15,6

Norte 15,7

Centro-oeste

18,3

Nordeste 12,3

16,4 10,9

Sudeste

Sul

Brasil Fonte: SIM/Ministério da Saúde

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Cultura de paz

Conteúdo extra! Aponte seu smartphone e assista a uma animação sobre a desigualdade social e os direitos humanos.

Todo tipo de preconceito (raça, etnia, religião, deficiência física, orientação sexual, classe social e econômica ou nacionalidade) é crime e fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal Brasileira.

Conteúdo extra! Acesse o QR Code e veja como a cultura de paz pode ser aplicada na educação, em escolas como a sua.

Quando um cidadão passa fome e dorme ao relento, estão desrespeitando sua dignidade. Para respeitar os direitos à educação, saúde, trabalho e moradia, o país presta serviços públicos, como os de saúde, educação e assistência social.

e Proposta de atividad rias palavras:

Defina, com suas próp • Preconceito

l • Desigualdade socia • Miséria es e ad ld • Igua brando que há diferent m Le z. ve a um alg a ceituos gros agiu de forma precon anifesta apenas com ne m se o nã ito ce Agora, reflita, você já on ec pr ys, lésbicas a discriminação, que o indígenas, orientais, ga s, ico fís , formas de expressar um ais tu lec te in m com deficientes ou pobres, mas també rma. entre outros. compartilhe com sua tu e te en lm ua at il as Br dos no grupos mais discrimina Faça uma pesquisa dos

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Biblioteca Malala – A menina que queria ir para a escola, Adriana Carranca Com a marca de primeiro livro-reportagem destinado ao público infantil, a jornalista Adriana Caranca conta a história da adolescente paquistanesa, Malala Yousafzai, baleada por membros do Talibã aos catorze anos por defender a educação feminina. No livro, a autora narra a história da região e a definição dos termos mais importantes para entender a vida da menina.

A esperança é uma menina que vende frutas, Amarita Dias Como uma das mais importantes representantes da arte folclórica indiana chamada Mithila, a autora Amrita Das, aproveita este espaço para falar sobre as dificuldades da sua infância pobre, a vida das mulheres na Índia, a luta pela liberdade em uma sociedade patriarcal, entre outros assuntos que, de uma forma ou de outra, nos envolve. Por meio de palavras e imagens, ela apresenta a sua história e dissemina a esperança.

O que é liberdade? Renata Bueno O passarinho pode até ser o símbolo da liberdade, mas será que ele é livre mesmo? E o que é liberdade? Pensando nesse conceito tão difícil de explicar, Renata Bueno escreveu uma obra recheada de diálogos curiosos entre o passarinho e outros personagens como o camaleão, o espelho e o mágico. Com um tanto de poesia nas respostas o passarinho, e os leitores, percebem que a sensação de liberdade pode ser diferente para cada um.

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Acompanhando meu pincel Ao percorrer as delicadas e vibrantes ilustrações nas páginas deste livro, o leitor conhece a história de como a sua autora, a indiana Dulari Devi, se tornou uma artista. Nascida em uma família pobre, de tradição pescadora, ela precisou trabalhar na infância, ajudando a mãe na plantação de arroz, cuidando dos irmãos mais novos em casa, fazendo trabalhos domésticos para os vizinhos. O que mais gostava de fazer, no entanto, era parar no caminho para ver as crianças brincarem.

10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Data instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal dos Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas.

Igualdade e preconceito O preconceito é uma ideia ou uma opinião negativa sobre um grupo de pessoas ou sobre um determinado assunto, formadas de modo precipitado, sem conhecimento empírico e profundo. O preconceito leva à discriminação, à exclusão e à violência. A discriminação é o tratamento desigual às pessoas com direitos iguais, negando a elas o mesmo tipo de tratamento e de oportunidades. A discriminação pode ser sofrida por minorias étnicas, religiosas e grupos de tradições culturais. E, muitas vezes, também é dirigida a idosos, mulheres, pobres, deficientes ou indivíduos com diferentes orientações sexuais. O pensamento preconceituoso e as atitudes de discriminação revelam e acentuam as desigualdades entre as pessoas. A Constituição Federal, lei máxima em nosso país, afirma que todos nós somos iguais perante a lei, não sendo admitidos preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação. Combater o preconceito e a discriminação é ajudar a construir uma sociedade mais democrática e igualitária.

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Estereótipos Estereótipos são conjuntos de crenças ou modos de pensar que generalizam ou atribuem a todos os indivíduos de um grupo as mesmas características que, muitas vezes, são encontradas apenas em alguns. Os estereótipos podem ser positivos ou negativos e possuem diferentes vantagens e desvantagens. Vantagens Manifestam elevado poder preditivo, o que permite que possamos nos movimentar com segurança no grupo social e fazer antecipações em relação ao que pode acontecer. Apresentam uma enorme eficácia quanto à integração social dos indivíduos, já que são características aprendidas no contato social entre os indivíduos e sua utilização faz com que nos sintamos devidamente integrados no grupo. Integram-nos ao grupo a que pertencemos, assegurando a sua coesão e unidade frente a outros grupos. Desvantagens Assinalam o triunfo das aparências sobre a realidade. Podem ser fatores de tensão e de conflito entre grupos. Exprimem uma moralidade fechada e muitas vezes errônea. Inibem ou impedem que consideremos os membros dos outros grupos enquanto indivíduos. Limitam as nossas expectativas quanto às atitudes e comportamentos dos membros do grupo estereotipado.

O preconceito está em nós Nossa sociedade estimula o individualismo, vê a solidariedade como se fosse um favor e a tolerância, como covardia. Devemos ter uma posição mais consciente e deliberada contra essa cultura de agressividade, começando por identificar e combater atitudes que comprometem o convívio e envenenam a vida social.

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Cultura de paz O preconceito não é só coisa de grupos sectários, como skinheads, pois surge, às vezes, da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas religiosas, estéticas, desportivas ou musicais. Ele pode se manifestar, às vezes, disfarçado de humor, como na humilhação – ou bullying – de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Admitir posturas como essas abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe. É difícil não discriminar, pois, ao generalizar experiências pessoais, já prejulgamos. Mais complicado ainda é reconhecer como desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem estranhamos. Ao nos referirmos a jovens da escola privada como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, estamos revelando nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos – e é bom ter consciência disso. Os julgamentos preconceituosos, no entanto, nem sempre são definitivos, assim como as afirmações científicas. O que parecia bem compreendido há alguns anos, como a constituição e a expansão do Universo, hoje apresenta vários pontos obscuros. Por isso, devemos valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório sem propagar outro mito, o da neutralidade absoluta. Fonte: Planeta Sustentável. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_401542. shtml>. Adaptado. Acesso em: 27 nov. 2016

e Proposta de atividad

isobre o que é preconce lar fa ra pa de da ivi iat e sua cr ntra o preconceito. Us Crie sua campanha co itá-lo. e pode ser feito para ev qu o e urar elea oc ov pr e qu o , to lhetos, ou mesmo mist fo s, ze rta ca s, ho rin ens, histórias em quad Você pode fazer colag rma clara. r sua mensagem de fo mentos para transmiti

Pare e pense Preconceito Opinião formada antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. Trata-se de um prejulgamento, isto é, algo já previamente julgado. Discriminação

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Separar, distinguir e estabelecer diferenças. A discriminação racial corresponde ao ato de apartar, separar, segregar pessoas consideradas racialmente diferentes, partindo do princípio de que existem raças “superiores” e “inferiores”, o que a ciência já comprovou que não existe.

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Racismo Teoria que sustenta a superioridade de certas raças em relação a outras. Defende a segregação racial e até mesmo a extinção de determinadas minorias. De acordo com essas definições, o preconceito se expressa na sociedade, mas não necessariamente segrega ou discrimina; já a discriminação promove, baseada em certos preconceitos, a separação de grupos ou pessoas. Por outro lado, o racismo mata, produz o ódio entre grupos e indivíduos.

Existe uma preocupação mundial em combater o racismo e a intolerância racial. Essa preocupação se manifesta através da realização de múltiplos eventos, nacionais e internacionais, com a participação de entidades governamentais e não governamentais, buscando a união dos povos contra toda forma de racismo, intolerância e discriminação, não apenas como caminho de preservação e respeito aos direitos humanos mais básicos, mas também como medida de minimização e erradicação de revoltas, guerras e conflitos sociais. Nesta imagem, vê-se entradas diferentes para o metrô para separar o trajeto de negros e brancos.

Martin Luther King, líder do movimento pela libertação do povo negro.

Na imagem, há uma placa, em que se diz: área para brancos; área para negros. Ato típico de discriminação racial.

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Cultura de paz Apartheid O apartheid foi uma rigorosa legislação separatista implantada durante anos na África do Sul. O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito a voto, detinha todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente à legislação separatista. A política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder. O apartheid não permitia o acesso dos negros às urnas e os proibia de adquirir terras na maior parte do país, obrigando-os a viver em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos. A oposição ao apartheid teve início de forma mais intensa na década de 1950, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, lançou uma desobediência civil. Em 1960, a polícia matou 67 negros que participavam de uma manifestação. O Massacre de Sharpeville, como ficou conhecido, provocou protestos em diversas partes do mundo. Como consequência, a CNA foi declarada ilegal e seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.

Nelson Mandela Fonte: Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/geografia/apartheid.htm. Acesso em: 27 nov. 2016.

Texto complementar Biografia de Martin Luther King "Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele." Este é um trecho do famoso discurso de Martin Luther King em Washington, capital dos Estados Unidos, proferido no dia de 28 de agosto de 1963, numa manifestação que reuniu milhares

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de pessoas pelo fim do preconceito e da discriminação racial. Martin Luther King Jr. era filho e neto de pastores protestantes batistas. Fez seus primeiros estudos em escolas públicas segregadas e graduou-se no prestigioso Morehouse College, em 1948. Formou-se em teologia pelo Seminário Teológico Crozer e, em 1955, concluiu o doutorado em filosofia pela Universidade de Boston. Lá conheceu sua futura esposa, Coretta Scott, com quem teve quatro filhos. Em 1954 Martin Luther King iniciou suas atividades como pastor em Montgomery, capital do estado do Alabama. Envolvendo-se no incidente em que Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar para um branco num ônibus, King liderou um forte boicote contra a segregação racial. O movimento durou quase um ano, King chegou a ser preso, mas ao final a Suprema Corte decidiu pelo fim da segregação racial nos transportes públicos. Em 1957 tornou-se presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul, intensificando sua atuação como defensor dos direitos civis por vias pacíficas, tendo como referência o líder indiano Mahatma Gandhi. Em 1959, King voltou para Atlanta para se tornar vice-pastor na igreja de seu pai. Nos anos seguintes participou de inúmeros protestos, marchas e passeatas, sempre lutando pelas liberdades civis dos negros. "Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo caráter, e não pela cor da pele." Os eventos mais importantes aconteceram nas cidades de Birmingham, no Alabama, St. Augustine, na Flórida, e Selma, também no Alabama. Luther King foi preso e torturado diversas vezes, e sua casa chegou a ser atacada por bombas. Em 1963 Martin Luther King conseguiu que mais de 200.000 pessoas marchassem pelo fim da segregação racial em Washington. Nesta ocasião proferiu seu discurso mais conhecido, "Eu Tenho um Sonho". Dessas manifestações nasceram a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965. Em 1964, Martin Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz. No início de 1967, King uniu-se aos movimentos contra a Guerra do Vietnã. Em abril de 1968, foi assassinado a tiros por um opositor, num hotel na cidade de Memphis, onde estava em apoio a uma greve de coletores de lixo. Fonte: UOL Educaçõ. Disponível em: < http://educacao.uol.com.br/biografias/martin-luther-king.htm>. Acesso em: 27 nov. 2016.

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Cultura de paz

Conteúdo extra! Acesse o QR Code e assista a um documentário sobre Martin Luther King

Biblioteca Todas as cores do negro, texto e ilustrações de Arlene Holanda. Aborda em linguagem de prosa poética o universo da cultura e herança dos povos africanos no Brasil. Passeia pelo processo histórico da escravidão, com foco na resistência e se demora no período pós-abolição: as condições de abandono a que foram submetidos os negros, as estratégias de sobrevivência, o preconceito, a segregação social.

Menina bonita do laço de fita, texto de Ana Maria Machado e Ilustraçõeso de Claudius. Traz uma linda história de valorização da beleza negra, onde um coelho branquinho queria casar-se e ter uma filha “bem pretinha”. Durante a obra, o coelho tenta descobrir o segredo para conquistar o seu tão sonhado desejo. Leia o livro e acompanhe a busca do coelhinho!

Obax, texto e ilustrações de André Neves Quando o sol acorda nos céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira. O dia aquece e é hora de descobrir muitas aventuras. OBAX percorre a savana africana com a sua imaginação. Ela conhece girafas e outros animais selvagens, mas o seu passatempo preferido é contar histórias! Algumas delas são tão incríveis que mais parecem um sonho. As ilustrações são excepcionais e o texto nos proporciona um passeio pela diversidade e pluralidade do continente africano.

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Violência contra a mulher

ONU Mulheres Fim da violência contra as mulheres A violência contra mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Seu impacto varia entre consequências físicas, sexuais e mentais para mulheres e meninas, incluindo a morte. Ela afeta negativamente o bem-estar geral das mulheres e as impede de participar plenamente na sociedade. A violência não tem consequências negativas para as mulheres, mas também para suas famílias, para a comunidade e para o país em geral. A violência tem ainda enormes custos, desde gastos com saúde e despesas legais a perdas de produtividade, impactando os orçamentos nacionais e o desenvolvimento global. Décadas de mobilização da sociedade civil e dos movimentos de mulheres têm colocado o fim da violência de gênero no topo das agendas nacionais e internacionais. Um número sem precedentes de países têm leis contra a violência doméstica, agressão sexual e outras formas de violência. No entanto, os desafios persistem na implementação dessas leis, limitando o acesso de mulheres e meninas à segurança e justiça. Em geral, não há iniciativas eficazes de prevenção da violência contra a mulher e, quando esta ocorre, muitas vezes os culpados permanecem impunes ou são condenados a penas brandas.

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Cultura de paz Nosso trabalho A ONU Mulheres vai priorizar o apoio à Secretaria de Políticas para as Mulheres para garantir a aplicação da Lei Maria da Penha e do programa recém-lançado “Mulher, Viver sem Violência”, que visa aumentar o acesso de mulheres e meninas vítimas e sobreviventes da violência para a rede de prestadores de serviços em todo o país. A ONU Mulheres vai promover a utilização das Tecnologias de Informação para aumentar o acesso à informação sobre direitos e serviços, bem como a aplicação de uma metodologia para medir a tolerância institucional ao sexismo e racismo nas instituições que fazem parte da rede de prestadores de serviços. Esta iniciativa inovadora também abre uma janela de oportunidades para abordar a violência obstétrica.

A ONU Mulheres apoiará a produção de dados e estatísticas nacionais, incluindo um estudo sobre o feminicídio que dá visibilidade a este crime e articula argumentos a favor da sua tipificacão no Código Penal. No Rio de Janeiro, a ONU Mulheres, em parceria com a ONU-Habitat e UNICEF, irá promover o acesso de mulheres e meninas a serviços de qualidade e de auditoria social sobre políticas e orçamentos municipais. Estas iniciativas são estratégicas e oportunas, já que a cidade esta prestes a sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2016. No âmbito da campanha de Secretário-Geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, a iniciativa regional “O Valente não é Violento” foi lançada em uma campanha em estádios de futebol durante o Campeonato Brasileiro de 2013 e continuará a ser implementada nos grandes eventos esportivos no Brasil. Por fim, a ONU Mulheres pretende desenvolver um modelo de serviços que são culturalmente apropriados para mulheres e meninas indígenas, com base nas experiências de outros países da região.

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Conteúdo extra! Acesse o QR Code e entre no site da ONU Mulheres, lá você vai encontar muitas informações sobre esse assunto.

Algumas ações da ONU Mulheres Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero Uma em cada três mulheres sofre violência de algum homem ao longo da vida. Entre as 500 maiores empresas do mundo, menos de 5% possuem CEOs mulheres. Dados como estes levaram a ONU Mulheres e o portal PapodeHomem, com viabilização do Grupo Boticário, a realizar uma pesquisa nacional para entender como os homens podem participar do diálogo pela igualdade de gênero. O levantamento quer identificar também como as mulheres percebem o papel dos homens na sua vida e na sociedade hoje, apontando as principais tensões culturais que geram sofrimento e desigualdade entre os gêneros. Realizada em dois módulos, no primeiro semestre de 2016, a pesquisa começou com uma etapa qualitativa, que já passou por Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, em busca de histórias inspiradoras – e também aprofundando o tema com especialistas e pessoas comuns. A segunda etapa é quantitativa de âmbito nacional. O resultado da pesquisa quantitativa e as entrevistas farão parte de um documentário sobre o tema, que será divulgado mundialmente ainda este ano. O trabalho faz parte do movimento global ElesPorElas (HeForShe), lançada pela ONU Mulheres em 2014 por meio de um vídeo de grande popularidade com a atriz Emma Watson. Uma das propostas centrais é investigar como se formam, se sustentam e de que modo é possível enfrentar os estereótipos masculinos nocivos, que perpetuam a desigualdade de gênero.

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Cultura de paz Uma vitória leva a outra

Empoderamento de Meninas: “Uma Vitória Leva à Outra” é um programa conjunto entre ONU Mulheres e o Comitê Olímpico Internacional É um programa conjunto entre ONU Mulheres e o Comitê Olímpico Internacional que tem como objetivo criar espaços seguros para que meninas de 10 a 14 anos possam praticar esportes, se conhecer melhor e adquirir habilidades para a vida. Atualmente, o programa acontece no município do Rio de Janeiro e vai beneficiar 2.500 meninas.

A intenção é que o programa seja expandido para outras cidades e estados brasileiros a partir do segundo semestre de 2016. No Rio de Janeiro, o programa conta ainda com a parceria das ONGs Women Win, Instituto Bola Pra Frente e Instituto Agenda. E tem o apoio local da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer; Secretaria Municipal de Educação; Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

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Volta às aulas sem machismo Iniciativa “O Valente não é violento”, que atua pelo fim de estereótipos de gênero e comportamentos machistas, produz conteúdo pedagógico livre, para colaborar na formação de estudantes no Brasil. A oferta pública de materiais se integra ao Dia Laranja deste mês, celebrado a cada dia 25 no mundo inteiro, pela campanha do Secretário Geral da ONU “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres”.

Para prevenir a violência decorrente do machismo nas escolas, a iniciativa O Valente não é Violento, integrada à campanha do Secretário-Geral da ONU “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, traz um Currículo de Gênero para conscientizar meninos e meninas sobre o direito das mulheres de viver uma vida livre de violência. As aulas abordam os seguintes temas: Sexo, gênero e poder; Violências e suas interfaces; Estereótipos de gênero e esportes; Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades e Vulnerabilidades e Prevenção. O projeto foi financiado pelo União Europeia e revisado pela área de Projetos de Educação da UNESCO. A campanha da ONU reconhece as instituições de ensino como contextos privilegiados para uma formação integral de meninos e meninas e para o exercício da cidadania, considerando seu papel central na promoção de mudanças sociais. Para a elaboração do currículo, foram pesquisados marcos legais e políticos que apontam para a necessidade da inclusão de discussões acerca desses temas no espaço escolar e experiências de trabalho capitaneadas pelas políticas públicas e por organizações da sociedade civil. O programa considera as diretrizes do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM 20132015), que apontam para a necessidade de promover a inserção de temas voltados para a igualdade de gênero e valorização das diversidades nos currículos, materiais didáticos e paradidáticos da educação básica. O PNPM destaca, ainda entre os seus objetivos, a necessidade de “consolidar na política educacional as perspectivas de gênero, raça, etnia, orientação sexual, geracional, das pessoas com deficiência e o respeito à diversidade em todas as suas formas, de modo a garantir uma educação igualitária e cidadã”. A ONU Mulheres vê a inclusão de discussões sobre as temáticas de gênero nos currículos necessária para a formação de professoras e professores do ensino médio, favorecendo análises e processos de reflexão sobre as desigualdades de gênero, étnicorracial, geracional, diversidade sexual, identidade de gênero e as violências.

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A vida da menina adolescente

Você conhece a campanha ‘Chega de fiu fiu’? Inicialmente, foram publicadas ilustrações com mensagens de repúdio a esse tipo de violência. As imagens foram compartilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais, gerando uma resposta tão positiva que acabou sendo o início de um grande movimento social contra o assédio em locais públicos.

Chega de fiu fiu é uma campanha contra o assédio sexual em espaços públicos Nascida em 24 de julho 2013, a Chega de Fiu Fiu é uma campanha de combate ao assédio sexual em espaços públicos lançada pelo Think Olga.

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Mas o que é esse assédio? Todos os dias, mulheres são obrigadas a lidar com comentários de teor obsceno, olhares, intimidações, toques indesejados e importunações de teor sexual afins que se apresentam de várias formas e são entendidas pelo senso comum como elogios, brincadeiras ou características imutáveis da vida em sociedade (o famoso “é assim mesmo…”) quando, na verdade, nada disso é normal ou aceitável. O número de mulheres que apoiaram a campanha em seu início eram um forte sinal disso, mas, para provar esse ponto de maneira ainda mais contundente, a jornalista Karin Hueck elaborou um estudo online, lançada pelo Think Olga para averiguar de perto a opinião das mulheres em relação às cantadas de rua.

A expectativa era de algumas dezenas de respostas, mas em apenas duas semanas, foram quase 8 mil participantes – e os números encontrados eram parte surpreendentes e parte esperados: 98% delas já haviam sofrido assédio, 83% não achavam legal, 90% já trocaram de roupa antes de sair de casa pensando onde iam por causa de assédio e 81% já haviam deixado de fazer algo (ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé) por esse motivo. Você confere a pesquisa completa aqui. Foi com a divulgação desses dados que a campanha deslanchou. Grandes veículos de mídia divulgaram a pesquisa e, de repente, o que era óbvio para a grande maioria das mulheres de maneira particular, havia virado notícia em grandes jornais e revistas. Com a popularidade, a campanha passou a receber milhares de mensagens via comentários, emails e Facebook. Elas vinham de três públicos principais, em ordem de recorrência: mulheres que se identificavam com a campanha, homens surpresos com os dados e uma incômoda, mas significativa minoria de mensagens de ódio e até ameaças de estupro vindas de homens revoltados com a campanha – uma reação infelizmente muito comum à mulheres que se posicionam contra privilégios masculinos.

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O próximo passo foi a criação do Mapa Chega de Fiu Fiu, uma ferramenta para tornar as cidades mais seguras para as mulheres ao relacionar geograficamente os locais e motivos que aumentam a incidência de casos de assédio em determinadas áreas em busca de soluções que mudem essa realidade.

Conteúdo extra! Acesse o QR Code e assista a uma palestra superinteressante da idealizadora da campanha Chega de fiu fiu.

Com o expertise da campanha, o Think Olga tornou-se uma das vozes mais importantes contra o assédio em locais públicos no Brasil, estabelecendo parcerias para a criação de diversas iniciativas para o aumento da conscientização da importância do tema, tais como o ebook Meu Corpo Não é Seu, a cartilha informativa do Ministério Público de São Paulo, entre outros. Em breve, será lançado o documentário Chega de Fiu Fiu, um sonho que está se tornando realidade e cujo objetivo é ser uma ferramenta de educação contra o assédio.

Você sabia? Cartilha ensina como se defender de abusos sexuais A Organização não governamental Ceafro elaborou uma cartilha em parceria com o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia respondendo a perguntas feitas por trabalhadores domésticos com menos de 18 anos. Veja algumas das perguntas feitas pelas jovens.

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No caso de uma adolescente de 12 a 18 anos ser estuprada, qual é o seu direito além de registrar a queixa? Em primeiro lugar é preciso entender que o estupro é um crime definido por lei. Esta lei é o Código Penal, que diz que o crime de estupro é: constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça. Pena de reclusão: de três a oito anos. O estupro é, pois, uma relação sexual forçada, imposta por pessoa do sexo masculino à menina/mulher, sem que ela possa se defender.

O trabalho doméstico é um dos trabalhos mais antigos do mundo, tendo sido, e continua sendo, essencial para a construção do patrimônio da humanidade. Todas as riquezas, as produções culturais e demais realizações de mulheres e homens na História dependeram e dependem diretamente do trabalho doméstico. Cartilha do Ceafro Se o estupro for cometido pelo pai, padrasto, pai adotivo, tutor ou por homem em que a vítima confia e de quem não esperava tal comportamento, o estupro é considerado pela lei um crime ainda mais grave. A vítima de estupro só pode ser uma mulher (de qualquer idade). E, quando meninas, com menos de 14 anos, são levadas a ter uma relação sexual, mesmo que não seja com violência, essa relação é também considerada estupro. Porque se entende que, até essa idade, a menina está em uma fase de desenvolvimento físico e psicológico, e que não pode ainda escolher essa relação. Por isso, se presume violência por parte do autor. Em todos os casos considerados crime, cabe às autoridades a investigação (em inquérito feito pela polícia) e o julgamento (em processo que corre na justiça). Como são questões delicadas que afetam a intimidade da jovem/mulher, a iniciativa da queixa é dela, representada ou assistida por seus pais. Quando o crime de estupro causa lesão corporal, cabe ao Ministério Público denunciar e não somente a vítima ou seu representante legal. Quando os pais não podem arcar com despesas de advogado ou quando o crime for cometido por pai, padrasto, tutor ou outro maior responsável pela vítima, o Ministério Público (Promotor de Justiça) provoca o processo na Justiça. O que deve fazer uma jovem/mulher ameaçada de estupro ou estuprada? Gritar por socorro. Ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher ou à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, registrar a ocorrência e solicitar guia para exame médico legal. Não se medicar por conta própria nem lavar ou tomar qualquer medida de higiene antes do exame médico. Isto é importante para a comprovação do crime e identificação do criminoso;

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Cultura de paz Depois do exame médico-legal, procurar um ginecologista para verificar se houve contágio de doenças sexualmente transmissíveis; Se do estupro resultou gravidez, pode-se fazer aborto legalmente, por isso é importante ter o laudo do exame médico-legal; Procurar assistência psicológica em organizações que prestem este tipo de serviço a meninas/mulheres; Procurar assistência jurídica - através de serviços como Defensoria Pública ou o SAJU Serviço de Assistência Judiciária, para integrar na Justiça com ação e indenização pelos danos sofridos. Além do estupro quais são os outros crimes sexuais? Além do estupro, a Lei (Código Penal) prevê outros crimes contra a liberdade sexual. São alguns deles: - Assédio sexual - Atentado violento ao pudor - Posse sexual mediante a fraude - Sedução Além dessas formas de assédio que se dão no trabalho realizado em empresas ou firmas, ocorrem outras modalidades, entre as quais o assédio que se dá no âmbito doméstica, quer por empregadores/as quer por parentes e amigos/as. Esses tipos de assédio não foram incluídos como crime a ser punido pela lei contra o Assédio Sexual acima referida. Mas é possível condenar o assediador. Por exemplo: por ameaça, constrangimento ilegal, ou outros crimes.

No Brasil, o trabalho doméstico está diretamente relacionado à escravização do povo negro. A exploração do trabalho de negros e negros durante séculos gerou todo o desenvolvimento do país (sendo hoje a oitava maior economia do mundo) e, ao mesmo tempo, condenou o povo negro à exclusão e ao nãoreconhecimento de suas importantes contribuições. Sabe-se que muitas mulheres, inclusive crianças e adolescentes, são assediadas por parentes: pais padrastos, tios, vizinhos e outros homens com quem convivem diariamente. Da mesma forma, o assédio ocorre no trabalho doméstico por parte dos empregadores e seus familiares, seus parentes e, às vezes, seus amigos. Independente de qual lei possa defender a assediada, ela deve adotar todos os procedimentos abaixo para se defender: é precisa prestar atenção, no entanto, para não confundir qualquer "cantada" com assédio. Quando acontecer, é preciso provar, para que o assediador seja condenado. O que fazer para se defender do assédio?

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A primeira coisa é evitar dizendo logo NÃO! De forma a mostrar claramente que não lhe interessa. Dizer ao assediador: Eu vou te denunciar! Eu vou te processar com base na lei do assédio sexual! Reunir provas como bilhetes, presentes, etc. Conversar com alguém em quem confie, imediatamente, contando o que ocorreu Denunciar na Delegacia de Proteção à Mulher. Fonte: Garantia de direitos. Cartilha para adolescentes, trabalhadoras domésticas e mulheres negras. Ceafro. São Paulo: SP.

Bullying na escola Bullying é um termo da língua inglesa (bully quer dizer “valentão”) que se refere a todas as atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa que não tem a possibilidade ou capacidade de se defender. Estabelece-se, dessa forma, uma relação desigual de força e poder.

Para que o bullying ocorra, é necessário que exista uma vítima, que é o alvo das agressões e da violência, e também um autor, que é quem pratica o bullying através de atos, em geral repetidos e constantes, contra a mesma pessoa. Muitas vezes, existem também espectadores, que assistem ao que acontece, geralmente sem saber o que fazer.

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Cultura de paz Vítima As vítimas do bullying são extremamente prejudicadas, pois sofrem as consequências do comportamento agressivo das outras pessoas. Elas, normalmente, passam a demonstrar sentimentos de insegurança e de inferioridade que são incrementados com a intimidação sofrida, o que as impede de reagir ou solicitar ajuda.

A baixa autoestima das vítimas de bullying é agravada pelas intervenções críticas ou pela indiferença por parte dos adultos em relação ao seu sofrimento, o que faz com que algumas acreditem ser merecedoras do que lhes é imposto. As vítimas, de modo geral, possuem o aspecto físico mais frágil, têm poucos amigos, são tímidas, pouco sociáveis, quietas e encabuladas. Ao sofrer os efeitos do bullying, elas têm queda no desempenho escolar, recusando-se a ir para a escola. Muitas vezes, chegam a simular doenças, trocam de colégio ou abandonam os estudos. Agressor Os autores, ou agressores, são pessoas que, comumente, manifestam pouca empatia. Frequentemente, pertencem a famílias desestruturadas nas quais há pouco relacionamento afetivo, quase não havendo cuidado e preocupação com o comportamento problemático dos filhos. Além disso, o modelo para solucionar conflitos é uma referência agressiva ou explosiva.

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Pare e pense Há dois anos, uma montagem com uma foto minha foi publicada em um site pornô. Mandaram o link para várias pessoas da escola, entre elas, meu namorado. Ele não acreditou que a imagem era falsa e terminamos. Fiquei tão envergonhada que não consegui contar para meus pais. No fim, foi meu irmão que contou. Eu chorava feito criança e não queria ir à escola. Não suportava a ideia de as pessoas olharem para mim e se lembrarem da foto. Cheguei a faltar uma semana! Me fastei de meus amigos e quase não saía de casa. Tive até que começar a fazer terapia. Só voltei com meu namorado quatro meses depois. Até hoje, tenho muita dificuldade de confiar nas pessoas.” Depoimento dado por Ana Eloisa com 18 anos, em 2010. Fonte: Educar para crescer. Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/me-zoaram-internet-565074.shtml>. Acesso em: 27 nov. 2016.

Espectador Já os espectadores, ou testemunhas, são pessoas que não sofrem e nem praticam o bullying, mas convivem em um ambiente onde esta prática se faz presente. Normalmente, calam-se, pois têm medo de se tornarem as próximas vítimas.

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Cultura de paz Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitos deles podem se sentir incomoda dos com o que veem e inseguros sobre o que fazer. Alguns reagem negativamente diante do bullying, pois esperam que a escola seja um ambiente seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode prejudicar sua capacidade de progredir acadêmica e socialmente.

Texto complementar Contra injustiças e preconceito, usuários atacam praticantes de bullying nas redes sociais Episódios como o do obeso ridicularizado por dançar em uma festa motivam reações de solidariedade em massa O britânico Sean O B ́ rien virou celebridade depois de ser atacado em uma postagem na internet.

Duas fotos postadas em um fórum online arrancaram o londrino Sean O’Brien do conforto do anonimato: obeso, ele provocou o riso de frequentadores de uma casa noturna ao exibir seus movimentos superlativos na pista de dança. “Avistei esse espécime tentando dançar”, debochou o autor do post que se tornou viral nos últimos dias. Na primeira imagem, Sean está agitando os braços ao som da música. A segunda, mostrando o homem envergonhado, com o queixo enterrado no peito, foi captada no momento em que ele percebeu o deboche. Em meio aos que salivaram diante da possibilidade de massacrar mais uma presa, brotou com força a comoção dos que se apiedaram de Sean

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e decidiram lhe oferecer uma festa com a participação de pelo menos 1,7 mil mulheres, além de celebridades como o cantor Pharrell Williams e o DJ Moby. “Queremos vê-lo dançar livremente”, escreveu a idealizadora da iniciativa. Trata-se de mais um episódio típico dos dias de hoje: uma patrulha virtual do bem tentando neutralizar o poder devastador do cyberbullying.

São inúmeros os exemplos de personagens que, ao mesmo tempo em que se tornam alvo do ódio e do preconceito dos chamados “haters”, motivam uma reação positiva que irmana usuários sem qualquer ligação entre si. Paula Jung, pesquisadora da área de comunicação e cybercultura, observa uma sazonalidade nesse tipo de ocorrência – as “correntes do bem” não estariam mais fortes e numerosas, capazes de abafar ou até converter os ofensores compulsivos, mas sim atreladas aos altos e baixos da vida dos usuários. Submersas em más notícias, as pessoas aproveitam exemplos inspiradores para relaxar e se emocionar. Ainda que os “haters” sejam mais polêmicos e barulhentos, quem contra-ataca em prol das vítimas de bullying tem o poder do coletivo, destacando boas práticas e disseminando mensagens positivas. – O estar junto virtual é mais fácil do que o presencial. As pessoas se comovem com esse tipo de coisa e se protegem –, comenta

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Cultura de paz Paula. Na opinião da psicóloga Fernanda Hampe, professora da Unisinos, a solidariedade humana é muito mais evidente e alardeada no ambiente virtual. No “mundo real”, o vigor do ativismo digital se dissolve, e o mais comum em situações de violência e preconceito é a omissão por parte de quem as testemunha. – É um desafio: que as pessoas possam ampliar essa postura e também fazer isso no cotidiano. A pessoa politicamente correta na escrita, como ela é nas suas relações? Será que ela escuta o que o outro está falando, cumprimenta a pessoa que está servindo o seu almoço? As pessoas estão muito silenciosas e individualistas. Temos que pensar no bem comum, no tipo de cultura que queremos construir –, afirma Fernanda. Fonte: ZH. Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/03/contra-injusticas-e-preconceito-usuarios-atacam-praticantes-de-bullying-nas-redes-sociais-4716161.html>. Acesso em: 27 nov. 2016. (Adaptado.)

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Ser livre é conseguir flutuar entre a diversidade e a multiplicidade, sem perder a própria identidade. Dimos Iksilara

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CAPÍTULO 5 Diversidade cultural

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Cultura de paz Da mesma forma que a riqueza da natureza está em sua biodiversidade, a riqueza da humanidade está em suas múltiplas culturas. As diferentes histórias dos povos articulam saberes, experiências, modos de ver e de sentir o mundo pela tradição oral ou escrita, pela arte, pela espiritualidade, pela ciência. Seria impossível compilar a trajetória de todas as culturas porque muitas já desapareceram completamente. Outras deixaram fragmentos de suas atividades e aspirações por meio dos quais nos comunicam um repertório de informações.

Povos pré-históricos, por exemplo, “falam” conosco em suas pinturas feitas nas cavernas: contam sobre suas estratégias de caça, seus alimentos, suas crenças e sua organização social.

Comunicar, transmitir vivências e habilidades é uma característica da condição humana — o que permite a cada geração apresentar novos desafios. Somos curiosos e criativos — quando não estamos atrás de respostas para nossas dúvidas, levantamos novas dúvidas para responder. Entretanto, compreender o passado e mesmo o que está hoje à nossa volta requer de nossa parte uma abertura, uma disposição para estabelecer pontes de ligação e nos aproximarmos dos outros, sejam eles pessoas, culturas, animais ou a própria natureza. Tudo e todas as coisas, pela simples presença, estão “expressando”, “comunicando” algo que podemos compreender se estamos receptivos. Se estamos disponíveis ao diálogo, que não precisa ser constituído por palavras. Em certas ocasiões, olhares, gestos, toques e até silêncios são mais eloquentes que discursos! A cultura de um povo é formada por vários elementos, como crenças, ideias, mitos, valores, danças, festas populares, alimentação, modo de se vestir, entre outros fatores. A diversidade cultural também conhecida como pluralidade cultural, nos leva às nossas origens como povo brasileiro, à nossa diversidade e ao nosso próprio olhar sobre nós mesmos bem como às nossas múltiplas culturas. Você já pensou: Quem eu sou? Quem são meus ancestrais? De onde vieram? Sou descendente de quem? Quais são os costumes da minha família? Que tipo de música nós gostamos? Qual a nossa comida preferida? Como nos vestimos? Temos algum sotaque?

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Isso tudo é cultura! E existem muitas, diversas, por isso falamos aqui em Diversidade Cultural ou Pluralidade Cultural.

Biblioteca Esta é Sílvia Sílvia é uma menina que faz cara feia e bonita, canta, brinca de gangorra e de pirata com a mamãe, faz travessuras, fica de castigo, dança com o vovô e cavalga com o papai, nada como um peixe... e tudo em uma cadeira de rodas!

Ninguém é igual ninguém Que ninguém é igual a ninguém todo mundo já sabe. A novidade do texto é que ele mostra como é gostoso a gente ser o que é, sentir o que sente e viver como vive, apesar da opinião dos outros.

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Diversidade cultural do Brasil A terra de todos os povos, assim o Brasil é conhecido. Dividido em cinco regiões geográficas, Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sul e Sudeste, o Brasil apresenta diferentes características em cada uma dessas regiões. As diferenças entre elas vão muito além da geografia, envolve crenças, comidas típicas, gírias, sotaque, danças, costumes, religões, entre outros.

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Região centro-oeste A região Centro-oeste é composta pelos estados de: Goiás; Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. No mapa Características geográficas Área (2010) - 1 606 403,506 km² População (2016) - 15 660 988 hab. Densidade - 9,75 hab./km² A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, recebe contribuições, principalmente, dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no estado de Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha, angu, cural, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros.w

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A vegetação do cerrado é a paisagem típica da região.

Muitos cultivos, antes restritos às regiões Sul e Sudeste, mostram-se promissores em áreas do Centro-Oeste. É o caso da soja, do trigo e do café. Na fotografia, aparecem os grãos torrados de Coffea arabica.

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Região nordeste A Região Nordeste é a região brasileira que possui o maior número de estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco (incluindo Fernando de Noronha e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo), Rio Grande do Norte (incluindo o Atol das Rocas) e Sergipe. No mapa Entre as manifestações culturais da região estão danças e festas como o bumba-meu-boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira. Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é outro elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representado pelos trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros.

Festa do Bumba-meu-boi.

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Belezas como esta compõem o cenário natural do Nordeste. Na imagem, Parque Nacional dos Lençóis maranhenses, no estado do Maranhão.

Tradiconal da bahia, festas em homenagem à grande mãe, Iemanjá.

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Região norte A região Norte é a região mais extensa, formada por sete estados: Acre; Amapá; Amazonas; Pará; Rondônia, Roraima e Tocantins. No mapa Aqui está localizado um importante ecossistema para o planeta, a Amazônia.

Digna de grande diversidade na fauna, flora, a Amazônia é considerada o pulmão do planeta. A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém (PA); o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas. Outros elementos culturais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a folia de reis e a festa do divino. A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Outros alimentos típicos do povo nortista são: carne de sol, tucupi (caldo da mandioca cozida), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro.

Imagem típica das regiões ribeirinhas do Norte do país, mais precisamente, na região amazônica

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Vista panorâmica da Floresta Amazônica.

Festival de Parintins

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Região sul A região Sul é a menor do país e é composta pelos seguintes estados: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Esta região é a única localizada quase que totalmente abaixo do Trópico de Capricórnio e, por isso é a mais fria do Brasil. No mapa O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: o fandango de influência portuguesa, a tirana e o anuo de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho.

Vista aérea das Cataratas do Iguaçu (PR), na fronteira do Brasil com a Argentina.

Oktoberfest, festa tradicional da região Sul.

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Região Sudeste E por fim, a região Sudeste, a mais populosa do Brasil. Ela é composta pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No mapa Os principais elementos da cultura regional são: festa do divino, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, folia de reis, caiapó. A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza etc.

e d a id v ti a e d ta s o p Pro crível. Árvore genealógica uma riqueza cultural in de e as ur ist m s ta ui m país de ncia? O Brasil é realmente um ? Qual é a sua descendê es um st co us se m vê res já sabem de onde trevista E você e os seus familia . Para isso, faça uma en ca gi aló ne ge re vo ár a isso construindo a su Vamos pesquisar tudo to. com seus familiares. a Certidão de Nascimen su da ) ox er (x a pi có a responsáveis um nário a seguir: 1º passo: solicitar aos to e complete o questio en im sc Na de o dã rti mente a sua Ce 2º passo: leia atenciosa 1. Dia do nascimento 2. Hora do nascimento onde nasceu 3. Nome do Hospital 4. Cidade onde nasceu 5. Estado Pai / Nome da Mãe 6. Filiação: Nome do

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1. Seu nome

nealógica. se da nossa Árvore Ge ba da es m no os eir o im dos, já temos os 3 pr mília para preencher da fa s a se m es co m e co -s ar o: nt ss se pa a 3º seguid primeiros nomes e em os. vista com os mais velh Vamos preencher os 3 tre en a r ze fa e ca gi re genealó e dos restante da nossa árvo te aos seus avós o nom un rg pe , ós av us se os ja, cê conseguir is dos seus pais, ou se s os familiares que vo do to m co Colete o nome dos pa e et pl m co , s, primos, primas pais deles, seus tios, tia au obter informações. alógica até o último gr ne ge re vo ár a su da s pessoa et. deve ser feita com as por telefone ou intern ta vis tre en 4º passo: a entrevista a r ze fa e morarem longe, tent de parentesco vivo. Se untas a eles: Faça as seguintes perg 2. Sexo

Nome

scimento Cidade e estado de Na oram atualmente: Cidade e estado que m imento is do seu local de nasc ra ltu cu s ica íst er ct ra Ca atualmente is do local onde mora ra ltu cu s ica íst er ct ra Ca as, músicas) s, vestimentas, comid ira de ca rin (b ia nc fâ in Lembranças da s)? o) sua(s) descendência( sã é( is) al( qu be sa cê Vo Elas podem ser: • indígena • espanhola • italiana • portuguesa • asiática • holandesa • africana

e • árabe ? Relate um pouco sobr em ig or a su e cê vo e ais sobr obrir um pouquinho m E então, como foi desc ações. vista e coleta de inform tre en de so es oc pr u o se mos capazes de: Com esta atividade, fo tidade. o melhor a nossa iden nh ui uq po um ir tru ns • Entender e co entre nós. renças e semelhanças fe di as er ec nh co Re • cultural. com tanta diversidade ís pa um é il as Br o e renças qu • Entender por er a respeitar essas dife nd re ap e s tro ou s do s mos tão diferentes un • Entender por que so tão bonitas.

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Cultura de paz

Videoteca Formiguinha Z Desenho animado sobre uma formiguinha questionadora, que busca um lugar melhor para viver. Z deseja, na verdade, uma transformação, de maneira espontânea e desinteressada. Ela não concorda com a discriminação no formigueiro. Outra coisa que chama a atenção é o fato de Z ser uma formiga operária, ou seja, integrante da comunidade que antes era tida como “uma qualquer” e que teve a capacidade de interferir no mundo à sua volta.

Biblioteca Lembre-se que a Leitura amplia o nosso conhecimento geral, aumenta o vocabulário, estimula a criatividade, emociona e causa mudanças em sua vida, facilita a escrita e nos permite entender melhor o mundo e as pessoas. Rodrigo Enxerga Tudo A história de Rodrigo é contada pelo seu melhor amigo, André, o primeiro a perceber que ele era cego, mas podia enxergar tudo. Ele não vê desde bebê, mas cresceu empinando pipa e brincando de carrinho de rolimã. Só mais tarde conheceu o preconceito e viu que, em parte, ele se deve à desinformação.

Matheus e seu gato vermelho Mateus ganhou de presente um caderno com páginas branquíssimas, sem linhas: um verdadeiro convite para desenhar. O menino não perdeu tempo e, com seu lápis vermelho, começou a traçar um gato alegre. Com o passar do tempo, no entanto, o bichano foi perdendo seu sorriso. Mateus, preocupado, decide desenhar tudo o que um gato pode precisar para ser feliz até mesmo um ratinho para lhe fazer companhia, mas nada parecia funcionar por muito tempo. O que mais o menino pode fazer para que seu gato vermelho volte a sorrir?

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Na minha escola todo mundo é igual Uma escola onde alunos especiais, portadores de síndrome de Down, deficiência física e autismo, convivem harmonicamente com os colegas considerados "normais". Lá, a vida é valorizada, o aprender é divertido e a solidariedade, o respeito e o carinho fazem parte do cotidiano de meninos e meninas.

Cultura indígena Hoje o Brasil é um país considerado multicultural. Isso porque nos formamos a partir da influência de diferentes culturas: europeia, africana e, principalmente, indígena. A herança que nos deixaram está presente no nosso dia a dia por meio de objetos, animais domésticos, técnicas de manejo do meio ambiente e palavras.

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Cultura de paz

Você pode até não saber, mas muitas palavras do nosso vocabulário têm origem nas línguas indígenas. Veja algumas: Biboca (do guarani yvyoca) = casa de barro. Canoa (do caribe canuaua) = embarcação. Pereba (do guarani peré) = cicatriz, vestígio, mancha. Pipoca (do guarani popó) = saltar, brincar. Pitar (do guarani pitá) = fumar.

Texto complementar A criança indígena Como o espírito de comunidade é muito forte entre os indígenas, cabe a todos os adultos ensinarem às crianças o senso de responsabilidade e o respeito às regras sociais da aldeia. Mas não pense que a criança indígena não vai para escola. Ela vai sim, mas é uma escola um pouco diferente daquela que conhecemos,

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porque a realidade do povo indígena não é igual à das pessoas que vivem nas cidades ou nas áreas rurais.

A primeira grande diferença é que a própria comunidade pode escolher o professor que ela quer para educar seus filhos. Por isso, o eleito sempre é alguém do seu próprio povo. Dessa forma, a aldeia garante que suas crianças aprenderão o conteúdo necessário para o seu futuro profissional sem esquecer de suas raízes, o que inclui até mesmo o aprendizado da língua materna da aldeia. É também na escola indígena que a criança aprende sobre ética e comportamento. Os cuidados com a família são outro aspecto muito importante na educação indígena. Ao contrário do que vemos nas grandes cidades, em uma aldeia nenhuma criança é maltratada ou abandonada. Se ela ficar órfã, imediatamente algum outro membro da família assume os cuidados; e, também, quando algum vovô ou vovó fica velhinho, um filho ou neto fica com ele para ajudá-lo. O respeito aos mais velhos é outro assunto tratado dentro de casa e nas escolas. Por isso, os pequenos gostam tanto de aprender com o vovô e a vovó, que sabem histórias e lendas muito antigas, que vão passando de geração em geração. Eles também aprendem desde pequenos os ritos e cantos de sua tribo e a importância das cerimônias ministradas pelo pajé da aldeia.

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Cultura de paz

Da infância à adolescência

Vilmar Guarani é da etnia guarani, nasceu na Ilha do Bananal, em Tocantins, e é professor e advogado, além de militante das causas indígenas. Para ele, a primeira confusão que as pessoas fazem com relação aos índios é não perceber que esse universo é muito mais amplo do que o homem branco consegue captar. Vilmar diz: “Algumas pessoas conhecem uma comunidade indígena ou um índio e acham que essa é a realidade indígena brasileira, quando na verdade são mais de 225 etnias ou povos diferenciados entre si. E esses povos falam no mínimo 180 ínguas. Então, a prática de vida, a espiritualidade, tudo totalmente diferente. Acho que seria, hoje, as pessoas verem o mundo asiático e pensar que japonês, chinês, coreano, vietnamita são o mesmo povo.” Esse mesmo pensamento vale quando falamos na passagem da criança e do adolescente para a vida adulta. Cada tribo tem seu próprio ritual para isso, lembrando que, na maioria delas não existe uma divisão clara quanto à adolescência. O índio apenas deixa de ser criança e se torna adulto. Simples assim... Entre os índios karajás, o ritual de passagem ocorre no primeiro dia da primeira menstruação da índia. A partir desse dia, e enquanto durar o ciclo menstrual, ela ficará isolada em sua casa, sob os cuidados da mãe, da avó e das tias. Enquanto a avó e as tias fazem os enfeites para a festa que marca o

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ritual de passagem, o avô e os tios caçam e pescam o que será servido para a moça e para os convidados, que são os parentes da mesma aldeia e das aldeias amigas. As tias cortam o cabelo da moça e a ensinam sobre suas responsabilidades de adulta, como casar, ter filhos e fazer artesanatos típicos da cultura karajá. No dia da festa, toda a família se pinta com a mesma tinta que a moça e come a mesma comida que ela. Não faltam ainda o ritual, as danças e os cantos dos karajá. Fonte: Brunstein, Adriana. Cidadania em ação. Editora Eureka. São Paulo, 2015.

e d a id v ti a e d ta s o p o Pr rimentar ouJogos indígenas reunir sua galera e expe l ta e qu s, na ge dí in s eceu alguns jogo Agora que você já conh Vamos brincar? s das aldeias gostam. ça ian cr as e qu s go jo tros ais ou Corrida do Saci m uma distância de m co , ão ch no s ha lin as du seguida, cada você só precisa traçar a outra de chegada. Em e da rti Para essa brincadeira pa de ha lin r de pé a elas. Uma será um saci. Não vale troca o m co , pé só um menos 100 metros entre em rrer de um ponto a outro ais longe. participante deverá co ha de chegada ou for m lin a ar ss pa tra ul em qu e durante a corrida. Venc s Sacis aci-rei”. Os outros “sa“S Brincando no Reino do o ca fi de on io lác pa área o num pé car num canto de uma cis dirigem-se, pulando sa os o, íci in de Para isso, é preciso mar al sin tá zangado!” e sai tam ntade pelo campo. Ao es vo i à re e -s “O : m cia sa er un sp an di ” ele cis pente, dante e a ra provocar o rei. De re pegar se torna seu aju ele e qu o eir im só, ao palácio real, pa pr O . ra pegar os outros sacis ndo os outros. bém em um pé só, pa rei e seu ajudante pega ciSa o m co a or ag s as m momento os jogadore brincadeira recomeça, um nh ne Em i. re cieado Sa for pego, ele será nom ro do palácio. Quando o último saci só quando estão dent , ão ch no s pé is do os podem colocar m se mePeixe Pacu . As crianças da fila deve or ad sc pe o rá se e ra qu em fila, exceto uma, ha, representando a va rin va a um m co s -la cá Todas as crianças ficam ar to jetivo. e o pescador deve tent o consiga atingir seu ob nã or ad sc pe o xer como uma serpente e qu ra gadores se ajudam pa de pescar. Todos os jo r também Briga de Galo cidade é possível brinca na , as m , rio no lo Ga com s brincam de Briga de uilibrar em um só pé e eq se m ve de e qu s, Na floresta, as criança te an os. Vence mpre entre dois particip ário usando só os ombr rs ve ad o r ra no chão. A disputa é se ilib qu se peito. O objetivo é de as mãos grudadas no uilíbrio. quem não perder o eq

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Cultura de paz

Cultura Afro O Brasil é o país, fora do continente africano, que mais concentra pessoas negras ou pardas. Os dados são do último Censo realizado pelo IBGE em 2010, que revelou que mais de 50% da nossa população é composta por afrodescendentes. Não podemos nos esquecer de que muito da cultura africana foi transmitido a nós, de geração em geração, por meio da contação de histórias. De um lado, os escravos não sabiam ler nem escrever nossa língua e, por outro, somente os brancos muito ricos tinham acesso aos estudos. Dessa maneira, naquela época não foram escritos livros para registrar o que era da cultura africana ou da brasileira. Por isso mesmo, algumas influências que recebemos dos escravos não possuem uma origem totalmente esclarecida. Um exemplo disso é a capoeira, alguns historiadores afirmam que ela nasceu aqui no Brasil, enquanto outros garantem que ela veio da África e outros ainda dizem que ela era uma tradição dos índios que aqui viviam. E foi assim, com o conhecimento passando das pessoas mais velhas para as pessoas mais novas, que as duas culturas foram se misturando, para dar espaço para uma totalmente nova, a cultura afro-brasileira. Ainda bem, porque, com certeza, não seríamos tão ricos culturalmente se não fosse essa feliz miscigenação de sabores, aromas, ritmos e crenças. Para se ter uma ideia da importância desse assunto, em 2003 foi aprovada a Lei nº 10.639, que tornou obrigatório em todas as escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio, tanto da rede pública e quanto da particular, o ensino do tema “História e Cultura Afro-brasileira e Africana”. Além disso, a Unesco, por meio de sua Resolução nº 68/237, de 23 de dezembro de 2013, proclamou a Década Internacional dos Afrodescendentes, com início em 1º de janeiro de 2015 e fim em 31 de dezembro de 2024, com o tema: “Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. A representatividade africana nos influencia na moda, na alimentação, na música, no idioma, nas matrizes religiosas e nos nossos jogos e brincadeiras. Capoeira A capoeira ou capoeiragem é uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Desenvolvida no Brasil principalmente por descendentes de escravos africanos, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando primariamente chutes e rasteiras, além de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas, acrobacias em solo ou aéreas.

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Uma característica que distingue a capoeira da maioria das outras artes marciais é a sua musicalidade. Praticantes desta arte marcial brasileira aprendem não apenas a lutar e a jogar, mas também a tocar os instrumentos típicos e a cantar. Um capoeirista que ignora a musicalidade é considerado incompleto. Outras expressões culturais, como o maculelê e o samba de roda, são muito associadas à capoeira, embora tenham origem e significados diferentes. A Roda de Capoeira foi registrada como bem cultural pelo IPHAN no ano de 2008, com base em inventário realizado nos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, considerados berços desta expressão cultural. Em novembro de 2014, a Roda de Capoeira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

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Cultura de paz Quilombo

Negras quilombolas no lançamento da Agenda Social Quilombola e do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Antônio Cruz/ABr

Os quilombos constituíram-se em locais de refúgio dos escravos africanos e afrodescendentes em todo o continente americano. Eram entendidos pelo Conselho Ultramarino do governo português em 1740 como todo “agrupamento de negros fugidos que passe de cinco, ainda que não tenham ranchos levantados em parte despovoada nem se achem pilões neles”. A definição antropológica da Associação Brasileira de Antropologia de 1989 para esse agrupamento é: toda comunidade negra rural que agrupe descendentes de escravos, vivendo de cultura de subsistência e onde as manifestações culturais têm forte vínculo com o passado. No Brasil, abrigavam também minorias indígenas e brancas. Ao longo da América, tinham diversas denominações: cimarrones em algumas partes da América espanhola; palenques em Cuba (1677, 1785 e 1793) Colômbia (1600); Maroons na Jamaica (1685) e Suriname (1685 com a fuga do seu fundador); marrons no Haiti (1665, independente em 1804); Cumbes na Venezuela (1552, 1763, 1765). Os escravos fugiam das fazendas entre os séculos XVI e XIX, e se abrigavam nos quilombos para se defenderem da escravidão e resgatarem a cosmovisão africana e os laços de família perdidos com a escravização. Neles, existiam manifestações religiosas e lúdicas, como a música e a dança. O mais famoso deles na história do Brasil foi o de Palmares. Denominam-se ‘quilombolas’ os habitantes dos quilombos. Atualmente, as comunidades quilombolas passam por um processo de reconhecimento legal de sua existência por parte dos governos nacionais e das organizações internacionais.

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Culinária africana A África tem um importante papel na culinária brasileira,pois muitos alimentos que comemos hoje e achamos uma delicia tem haver com a influencia dos africanos. A cozinha negra pequena mais forte fez valer seus temperos, os vedes e sua maneira de cozinhar. Tudo começou ao serem trazidos ao Brasil pois já dotavam uma vasta sabedoria culinária. A comida africana modificou pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. Um dos pontos principais para a criação da gastronomia afro-brasileira foi as condições que os negros enfrentavam aqui. Eles foram aprisionados não podendo trazer bagagens, muito menos ingredientes culinários. Isso reforçou a necessidade de improvisação de temperos e ingredientes, por exemplo na falta do inhame, usaram a mandioca; carentes das pimentas africanas, usaram e abusaram do azeite-de-dendê O azeite de dendê é um bom exemplo de uma das comidas de maior contribuição para nossas culinárias seu uso é indispensável em pratos famosos aqui mesmo do Brasil tanto diretamente como indiretamente A Feijoada A feijoada prato bastante popular aqui no brasil é de influencia africana pois antigamente os negros ficavam com as sobras das comidas de seus senhores, mas, com criatividade, faziam comidas gostosas. Enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores, os escravos ficavam com as sobras. Pés, orelhas, carne seca, rabos, costelinhas e outras partes do porco, misturadas ao feijão preto, deram origem à nossa tradicional feijoada.

Conteúdo extra! Acesse o QR Code e assista a um pequeno documentário sobre a cultura africana.

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Cultura de paz

“Viver em uma Cultura de Paz significa repudiar todas as formas de violência, especialmente a cotidiana e promover os princípios da liberdade, justiça, solidariedade e tolerância, bem como estimular a compreensão entre os povos e as pessoas.” (UNESCO, 2003)

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PARA ENCERRAR 125 CULTURA DE PAZ 6 ANO.indd 125

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Cultura de paz

A cultura de paz, como vimos, está relacionada com a presença e a resolução de conflitos de forma não violenta. A vivência da Cultura de Paz está entrelaçada às práticas cotidianas da tolerância, do respeito e da solidariedade, assim esta coleção pretende fundamentar os valores e da não violência, como instrumento de intervenção preventiva. A escola necessita criar ambientes que promovam a convivência pacífica para construção da Cultura de Paz.

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Referências GARDNER, H.(1996). Mentes que criam. Porto Alegre: Artes Médicas. GOSWAMI, A. (2008). Criatividade quântica: como despertar o nosso potencial criativo. São Paulo: Aleph. KROWCZUK,E.R. (2005). Criatividade e adolescência. In: Drogadicção na adolescência, políticas de ação e modelos educativos de prevenção: estudo comparativo entre estudantes da rede de ensino médio de Porto Alegre-RS-Brasil. [Teses doutor]. Santiago de Compostela, España-ES, Universidade de Santiago de Compostela, 2004,USC 26 Servizo de Publicacións e Intercambio Científico, 2005. 643p. Edic.Téc. Unidixital, Adobe PDF. ISBN: 84-9750-567-0, D.L.C-202-2005.

Sites consultados Adolescência. Disponível em: http://www.adolescencia.org.br/site-pt-br/direitos-das-pessoas-vivendo-com-hiv Arquivos MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf Ministério da Saúde. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pagina/direitos-fundamentais UNICEF. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/br_sabrep11.pdf

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