COLEÇÃO I IN L MEDIAÇÕES B N IA BO ITOR ED
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IN L Sobre os jovens autistas NB RIA O B ITO D e suas narrativas Edigitais I
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Maria Gabriela Alzueta Ana Cecilia Pierotti Mendes NI BI IAL N BO ITOR ED
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Sobre os jovens autistas I IN L e suas narrativas digitais NB IA BO ITOR ED
I Maria Gabriela Alzueta IN L B N RIA O B Ana TO Cecilia Pierotti Mendes DI
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NI BI IAL N BONBINI BO ITOR ED EDITORIAL
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EDITORIAL
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Copyright©2026 Maria Gabriela Alzueta Ana Cecilia Pierotti Mendes Direção editorial Aloma Carvalho
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação – (CIP)
I IN L B A ON ORI Ninguém é só um pouquinho! - B Sobre os T I jovens autistas e suas narrativas digitais.E/DMaria
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I L Assistente NB RIA editorial O Jessica Spilla B O
ALZUETA, M. G.
Indaia Emília S. Pelosini
Gabriela Alzueta, Ana Cecilia Pierotti Mendes. São Paulo: Bon Bini Editorial, 2026.
IT ED Diagramação
Imagem capa Melina Garza / MAGA @maga.blabla
128 p. : 14 x 21 cm
CDD 616.85882
ISBN 978-85-5513-292-6 (brochura) ISBN I978-85-5513-295-7 (digital)
A Coleção Mediações apoia a Aliança Global pela Alfabetização (UNESCO) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 (ODS-ONU) ao publicar obras que promovem a reflexão sobre os livros para infância e juventude e estimulam a leitura em diferentes meios e contextos, seja na escola ou em casa, com a família. Nossos livros revelam o pensamento e as ideias de I pesquisadores, IN L professores e estudantes B A de RI partes do mundo, principalONdiversas Bmente O da América do Sul. T I
IN L do Espectro Autista (TEA). N1.B RTranstorno IA O — Aspectos sociais. 3. Jovens autistas. B 2. IAutismo O T D Redes sociais digitais. 5. Identidade social. E4.
suas partes, não pode ser reproduzida, reimpressa ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio – eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou outros – sem a prévia autorização por escrito do editor.
A Coleção Mediações integra o catálogo da Bon Bini Editorial Ltda. / Editora Bamboozinho. Rua Dom Armando Lombardi, 777 - cj. 51 São Paulo/SP – 05616-011
D EEsta publicação, em seu todo ou nas
A Editora não se pronuncia, expressa ou NI implicitamente, a respeito da acuidade BI IAL N das informações contidas neste livro e BO ITOR não assume qualquer responsabilidade D legal em caso de erros ou omissões. E
6. Representação social. 7. Inclusão social. I. Título. II. Coleção Mediações. Indíces para catálogo Sistemático 1. Transtorno do Espectro Autista (TEA): Autismo 2. Jovens e redes sociais I 3. Consumo e juventude IN
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E se, ao contar suas próprias BINI L ON RI
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TO histórias nas redes, jovens Bautistas DI E
estivessem também transformando a maneira como todos nós aprendemos a enxergar o outro? NI BI IAL N BO ITOR ED
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SUMÁRIO
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APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO
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PARTE 1 • EU E O OUTRO
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CAPÍTULO 1 • IDENTIDADE
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CAPÍTULO 2 • REPRESENTATIVIDADE
CAPÍTULO 3 • O OLHAR DO OUTRO NI BI IAL N BO ITOR PARTE 2 • O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ED CAPÍTULO 1 • TEA
30 I 33 IN L B N IA BO ITO36R ED 38
CAPÍTULO 2 • TEORIAS
41
CAPÍTULO 3 • EGO E NARCISISMO
45
PARTE 3 • AS REDES SOCIAIS: NI O GRANDE VEÍCULO BI IAL N DO SÉCULO XXI BO OR T DI SOCIAIS COMO UM NÃO LUGAR CAPÍTULO 1 • AS EREDES CAPÍTULO 2 • IDENTIDADE E REPRESENTAÇÃO NAS REDES SOCIAIS
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48 50 54
CAPÍTULO 3 • O NARCISISMO NA ERA DAS REDES SOCIAIS 56 I IN L CAPÍTULO 4 • A REPRESENTATIVIDADE COMO VEÍCULO B N IA PARA A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DE PESSOASBO ITOR ED COM DEFICIÊNCIAS NEUROLÓGICAS 59
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I IN L B N IA BO ITOR ED NI BI IAL N CAPÍTULO 5 • REDES SOCIAIS: FACILITAÇÃO OU BO ITOR EMPECILHO PARA A REPRESENTATIVIDADE? ED
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CAPÍTULO 6 • AS REDES SOCIAIS COMO UMA FERRAMENTA PARA A REPRESENTATIVIDADE
65
CAPÍTULO 7 • ANÁLISE DE PERSONALIDADES NI BI IALAO TEA DENTRO DO TIKTOK LIGADAS N BO ITOR ED 1. @PAIGELAYLE
68 70
2. @JAY_WILL_FLOAT_TOO
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3. @EVELYNJEANS
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CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE A OBRA SOBRE AS AUTORAS
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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102 116 119 120 I IN L B N IA BO ITOR ED
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APRESENTAÇÃO NI BI IAL N BO ITOR ED
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ste livro que agora está em suas mãos faz parte da coleção Mediações, criada para oferecer a educadores, estudantes e demais pessoas interessadas obras que oferecem estudos e NI abordagens de temas atuais e relevantes para nossa sociedade, BI IAL N R O B ITO focando-se em assuntos relacionados ao universo da criança e do D E jovem e a sua relação com o mundo ao seu redor. Em “Ninguém é só um pouquinho! - Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais” foi elaborado a partir de um trabalho que analisou diversos estudos acerca dos temas idenI I IN L IN (coletiva tidade e individual) e representatividade, explorando L B B A A N RI RI ONAutista. da psicanálise sobre o Transtorno do Espectro B BaO visão O O T T I DI ED e interEForam feitas pesquisas em bancos de dados nacionais nacionais, observando o que já existe sobre o tema, que possibilitaram oferecer a você uma obra que possui estatísticas e informações atuais e pertinentes. No decorrer do livro, traremos à tona a discussão de como, dentro da sociedade contemNI L NI porânea que será classificada BI Idigital, BI IAL como predominantemente A N N R R O desmitifio uso das redes sociais com o processoBde BO ITOcontribui TO I ED do Espectro Autista (TEA).EDA partir de cação do Transtorno 6 | NINGUÉM É SÓ UM POUQUINHO!
I uma pesquisa dentro da qual autores significantes IN bibliográfica B AL N I O ORFreud e Bauman puderam ser trabalhados, foi poscomo BHall, T DI sível a Eaproximação da questão central dos conceitos mencionados e do campo da psicanálise. NI BI IAL em um segundo Além da abordagem teórica sobre oNassunto, R BO as ITOredes sociais e o promomento, foi feito um estudo sobre D E cesso de coleta de dados para analisar o uso das redes sociais por pessoas com TEA, além da observação de como esses meios de comunicação e os conceitos de identidade e representatividade são transmitidos por meio destas personalidades. A análise foi I I IN L feita virtualmente e abordou dois perfis de pessoas que estão IN L B B N RIA N RIA inseridas Espectro dentro de uma plataforma social eBOoITseu O BO ITOno ED ED principal foi verificar o impacto tanto da plataforma objetivo como do conteúdo relacionado ao TEA. Uma das características do Transtorno do Espectro Autista é a reclusão do indivíduo a si mesmo. Ou seja, a pessoa com NI L o mundo exterior e viver esse diagnóstico tende a se fechar BI para N IA BO ITisso, OR queremos entender de que em “seu próprio mundo”. Com ED possui a tendência a se fechar forma uma personalidade que para si consegue se expor nas redes sociais, de forma a contribuir com a criação de uma grande narrativa. Ao mesmo tempo, nossa análise nos ajudará a chegar no consenso de como estes I I IN pesIN L estão ajudando a desmistificar o TEA tanto para usuários L B B A N RIA N RI O O a Bsoas O TO de fora como para as de dentro do Espectro, Bde ITmodo D DI Emelhorar a recepção e a conscientização do públicoE atingido. Por isso, este livro apresentará análises de perfis de pessoas no Espectro dentro de uma rede social, além dos comentários e do engajamento que existe em suas postagens. Sabemos a importância das redes sociais como veículos NI NI de comunicação do mundo BI eIALcomo BI IAL atual, sobretudo na rotina N N O ORveículos canais de relacionamento BO ITOR entre jovens. Ao estudarBesses IT D ED oferecer a partir do viés da Erepresentatividade que eles podem Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 7
I a pessoas Bque no TEA e inspirar aquelas pessoas que não IN estão AL N I O OR estão, Bconsideramos que o tema é interessante e que pode ser IT D E amplamente abordado dentro de espaços educacionais, culturais e sociais, tornando a sua pesquisa ainda mais I relevante. IN L B Esperamos que você goste da leitura. Que A ela possa lhe ofeON ORI B recer boas considerações sobre o TEADIeT as redes sociais, que te E mova a conhecer outros olhares desses assuntos tão enriquecedores e que o livro te leve a fazer novas conexões!
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Aloma Carvalho BIN AL N I Diretora Editorial BO ITOR ED
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INTRODUÇÃO
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N NI uando BI IAL BI IAL foi que de repente nos vimos entrando em uma N N R R novaBOdécada? Os novos anos 20 com certeza serão (e BjáO são) ITO ITO D D E E completamente diferentes do que se viveu no mesmo decênio do século passado, ou até mesmo daquilo que se imaginava naquela época que estaríamos vivendo cem anos depois. Com seu início fortemente marcado por uma “inesperada” pandeNI mia global, esta nova Era vive atualmente o possível fim de um BI IAL N R O B ITOque também já desestruturou período de calamidade pública D nossa sociedade em outros Emomentos. Entretanto, desta vez não somos os mesmos. A vida no século XXI se distingue por uma característica evidente: a emergência de novos conhecimentos e, obviamente, I NI L tecnologias que vão modelar todas as esferas IN das dasBInovas L B A N RIA N RI O O a B ITjunto Bnossas O TO relações econômicas, políticas e sociais. E, claro, DI ED à nova Eisso, tudo que é antônimo de progresso também se adapta maneira que encontramos de nos relacionar. Este século também é demarcado pela crise do trabalho, pelas exorbitantes desigualdades sociais, por uma leva inimaginável de imigrações, pelos diferentes preconceitos (xenofóbico, racial, cultural, de gênero, I NI de sexualidade, para Bcom IN L as minorias, dentre outros), BI IAL pelo A N N I RaqueciR consumismo acirrado,BOpelo aumento da violência, BO ITOpelo ITO D D E de petróleo, E ao previsto, pelas várias crises mento global precoce 12 | NINGUÉM É SÓ UM POUQUINHO!
I água, energia, outros (MEDEIROS, 2015). No geral, aqueIN entre B AL N I las crises BO ITque OR a própria sociedade humana segue impondo para D E ela mesma. As relações humanas se ajustam às ferramentas que estão I IN L B à sua disposição, de modo que os vínculos tendem a se adaptar A ON ORI B IT à Era em que estão inseridos. Os dispositivos móveis (sejam ED eles celulares, laptops, tablets e vários outros) nos possibilitam interagir com quem quer que seja, onde quer que seja e quando bem entendermos, mesmo que o mundo à nossa volta esteja passando por mudanças drásticas. Este fenômeno ficou I NI Llongo da pandemia do COVID-19, momento Bno IN L evidenteBIao A N RIA RI OaNsua qualBOboa parte da população global conseguiu alterar B O O T I IT ED ED de trabalho, estudo e de outras interações presenmaneira ciais para o formato remoto apenas em uma questão de dias. E, claro, junto disso, automaticamente também mudamos a forma como nos relacionamos com as pessoas. Nunca foi tão I IN L uma ideia ou buscar por simples conversar com alguém,Bexpor A N RI BO Ida alguma informação por meio TO internet, e é por causa deste D acesso descomplicado que Ehoje em dia é possível manter-se informado com facilidade. A falta de complexidade possibilitada pelas interfaces digitais permitiu que ficássemos ainda mais conectados, além de I NI L IN L proporcionar um entretenimento superficial e que exigeBIpouco B A A RI As já tão conhecidas “telas digitais” nos trouxeram ON OaRIposON nós. B Bde O T T DI DI Esibilidade de passar o tempo de um jeito muito maisE simples e confortável do que antes. Veja o exemplo: você está esperando para ser atendido em um consultório médico, mas infelizmente chegou meia hora mais cedo do que o previsto. Você trouxe um livro de casa, mas está cansado depois de um dia longo de traI NI balho e não está comBcabeça IN L para leitura neste momento. BI IAL As A N N I R chances mais plausíveis fora BO ITOpara BO ITORseriam de você ficar olhando D D E E pela janela e pensando na vida e nos vários problemas que ela Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 13
I traz consigo de alcançar em seu bolso o celular e dar uma IN ou B AL N I R está acontecendo por meio das redes sociais? Não olhadaBOnoTO que I D E se preocupe, você não é o único. As redes sociais intermediadas pelosI nossos dispositivos IN L móveis são um entretenimento extremamente simples e que NB RIA O B O IT exige pouquíssimo raciocínio ou preocupação da nossa parte. ED Elas são um consumo de conteúdo que vai depender da nossa capacidade de arrastar uma tela com frequência e da nossa atenção limitada a um pequeno monitor. Com esse acesso à informação literalmente “na nossa cara”, há uma possibilidade I I IN L infinita Bde que podem aparecer na telinha do seu IN conteúdos L B N RIA N IA celular, BO Inos BO ITeOReste fenômeno vai permitir que cada vez mais TO ED ED deparemos com coisas que talvez nem sequer havíamos pensado antes. Isso tudo, aliado à tecnologia que também entrega o que pode nos parecer mais interessante – visto que os algoritmos se valem de nossas pesquisas iniciais e também nos oferecem NI L conteúdos similares àqueles que e mais visualizamos BI curtimos N IA R O B ITO pelas redes sociais sejam mais – faz com que as nossas excursões D “confortáveis”, direcionadasEe de consumo fácil, o que implica no aumento do tempo que gastamos nesse tipo de atividade. Já que disponibilizam um ambiente ilimitado para compartilhamento de ideias, informações e opiniões, as plataforI I IN L INde Lrede social abrem portas para uma enorme circulação mas B B A A RI teúdo, o que possibilita que algo que eu publique ON ORIhoje ON con B Bde O T T DI DI Echegue nas telas de muitas pessoas em questão deE minutos. Claro que este fenômeno tem seus pontos negativos, pois ele introduz desde o anonimato, que abre portas para o assédio, até campanhas de ódio e notícias falsas, possibilitando o acesso de usuários que disseminam ódio e a falta de pudor. Felizmente, I NI L interação e divulgação deINconteúa ampliação do espaçoBIpara B IAL A N N I dos também traz consigo eRampliaBO ITO BO ITOR a possibilidade de educação D D E E ção dos nossos conhecimentos. Fica muito mais fácil propagar 14 | NINGUÉM É SÓ UM POUQUINHO!
I dentre os Busuários por meio de um conteúdo lúdico o tipo de IN L A N I informação BO ITORque é realmente útil e, principalmente, que terá um ED real impacto neste consumidor final. E não só isso, as plataformas digitaisI dão a possibilidade IN L de que as pessoas passem a compartilhar sobre si NB Rinformações IA O B O mesmas ou sobre temas relevantes queDITde alguma forma fazem E parte de suas vidas, com o intuito de conscientizar seus espectadores, o que permite a exposição por meio do próprio usuário. Com elas, qualquer um pode falar sobre qualquer coisa, o que instiga discussões que muitas vezes fazem com que premissas I I IN L antiquadas postas em xeque. Este fenômeno se aplica, por IN sejam L B B N IA N RIA exemplo, visões ultrapassadas que existem sobre determinaBO ITOR BO ITOa D ED dos grupos marginalizados ou das chamadas minorias, Etermo utilizado para se referir a um grupo de pessoas que é considerado “diferente” por possuir características consideradas como fora de um determinado padrão imposto ou valorizado por uma NI sociedade. Por meio das redes sociais, BI IAL estas comunidades têm a N R BO ITOolhar oportunidade de criar um novo ou até mesmo uma nova D E narrativa para si mesmas. O tema central de discussão deste livro surgiu, dentre várias coisas, de um interesse mútuo após nós, autoras, assistirmos à série Atypical (série dirigida por Seth Gordon e transmitida na I I INindiIN L plataforma Netflix desde o ano de 2017), que trata de um L B B A N RIA N RI O O Bvíduo TO com Transtorno do Espectro Autista (TEA)Be sua ITO vida DI ED o traEcotidiana, suas relações com família e amigos, a escola, balho e como o TEA acaba afetando estas esferas. Sam (Keir Gilchrist), um garoto de 18 anos, passa por um momento crucial de sua adolescência, no qual inicia sua jornada em busca de uma namorada. Os vários dilemas que ele vive em seu dia a dia fazem NI L jeito NI com que o espectador acabe BI um BI IAL se identificando com ele Nde N IA ou de outro, principalmente quando são abordados BO ITos BO ITOR ORprobleED ED amigos. De um jeito leve e sensibilizado, mas familiares e entre Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 15
I o EspectroBINAutista é colocado dentro do cotidiano do garoto, AL N I trazendo BO ITuma OR mãe superprotetora, um ambiente escolar pouco D E preparado para abranger a inclusão e a falta de consciência das diferenças, que existe por grande parte dasI pessoas no entorno IN L de Sam. NB RIA O ITO Após quatro anos estudandoB DCiências Sociais e do E Consumo, pudemos obter um conhecimento aprofundado acerca dos diferentes nichos e grupos sociais que existem hoje em dia, além da questão da organização social baseada no consumo e como ela influencia o modo de viver de todos estes I I IN L grupos inseridos no capitalismo ocidental moderno. Por meio IN L B B N RIA N IA de noções BOdiviBO ITOR de antropologia, sociologia e psicanálise, as ITO D ED sões Esociais podem ser analisadas com o intuito de aumentar positivamente o entendimento das diferenças e das relações entre o Eu e o outro, principalmente em um mundo de globalização acentuada e interconexões cada vez mais facilitadas NI pela tecnologia. BI IAL N R BO desvantagem Um grupo de pessoas em ou em uma relação ITO D E de dependência frente a outros, em qualquer relação social, encaixa-se dentro daquilo que chamamos de uma minoria. Uma minoria social, portanto, engloba aqueles que estão marginalizados por algum motivo da sociedade, logo, pode-se entender que I NI L IN L estaBIparcela esteja de alguma forma mais afastada da socialização B A A 1 ON ORI ON ORI . Tendo essas noções em vista, podemos considerar B B(PORFÍRIO) T T I DI ED Eque o grupo de pessoas com TEA se encaixa nesse conceito, já que com um total de, aproximadamente, 7,9 bilhões de habitantes2, apenas 1% da população mundial é diagnosticada com
1 2
I Fonte: Brasil Escola. ArtigoNdisponível em: https://brasilescola.uol.com.br/socioNI BI IAL BI Acesso AL em: 8 nov. 2021. logia/minorias-sociais.htm. N N I O OR O OR Fonte: WorldometerB estatística populacional. Disponível Bem:IThttps://www. IT D ED E Acesso em: 22 abr. 2024. worldometers.info/br/.
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a condiçãoBI3N, IdeL acordo com o Centro de Controle e Prevenção N IA de Doenças BO ITORdos Estados Unidos. Além disso, de acordo com a ED Organização Mundial de Saúde (OMS): NI
I L Todas as pessoas, incluindo asNBpessoas A com autismo, têm RI O B O direito ao gozo do mais alto ITpadrão possível de saúde ED física e mental. E, no entanto, as pessoas com autismo estão frequentemente sujeitas ao estigma e à discriminação, incluindo a privação injusta de cuidados de saúde, educação e oportunidades de se envolver e participar nas I I suas comunidades (OMS, 2021)4. IN IN
L L NB IA NB IA BO ITOR BO ITOR ED estes e diversos outros motivos relacionados aoED Por lugar
de fala, devemos buscar sempre trazer um olhar sensível e ponderado que não traga apenas opiniões pessoais, mas sim todo um contexto histórico e social que existe por trás do tema. I Levando em conta que não nosBINencaixamos como indivíduos L N IA R O B ITO convivência para falar com com TEA, nem temos tamanha ED neste livro consiste principalpropriedade, o material trazido mente em uma extensa pesquisa acadêmica e de uma análise de conteúdo via on-line. Por este motivo, apesar de ser um tema que nos toca e nos instiga a conhecer cada vez mais, o I I IN Lde queBINcolocamos aqui não provém de opinião pessoal nem L B A A ON ORI de ON ORI nossos, mas sim de uma coleta profunda B Bentendimentos T T DI DI Emateriais diversos, sempre transparecendo que nãoE é o nosso lugar de fala. 3
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Fonte: Therapeutic Pathways, instituição americana de pesquisa e tratamento para crianças com autismo. Disponível em: https://www.tpathways.org/faqs/ how-many-people-have-autism/. NI L NI Acesso em: 22 abr. 2024. BI Iartigo BI IAL (Organização Mundial da Saúde), A Fonte: World Health Organization soN N R BO ITOR BO Iem: TO https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ bre o TEA. Disponível ED ED Acesso em: 22 abr. 2024. autism-spectrum-disorders. Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 17
I Dentro INde Lnossa perspectiva, sempre vamos tratar o autismo B A RI ON estruturador como Bum de uma forma de vida, uma entidade com O T I D E a qual uma em cada 160 crianças convive ao longo de seu desenvolvimento5, e como uma característica deI um grupo minoriIN L tário e que, como todos os outros, deve seu espaço e NB Rganhar IA O B O IT um todo. Tendo isso conscientização dentro da sociedade como ED em mente, o objetivo geral da nossa pesquisa vem de um interesse em entender como as redes sociais podem ajudar na recepção de pessoas com TEA pela sociedade e na desmistificação sobre o tema para pessoas fora do espectro. Por possuir um conI NI L IN L junto deBIferramentas com grande presença no nosso dia a dia, B N RIA N RIA as redes BO com BO ITtêm O a capacidade de ditar modos de vida, de fazer ITO ED da ED que pessoas influenciem umas às outras sem a interferência distância, dos aspectos do que um dia entendemos como cultura e, principalmente, de trazer à tona para discussão questões que já foram tabu. I IN L Para dar início a este livro,Btraremos um primeiro capítulo N IA R O em que vamos explorar as Bnoções TO de identidade e como funDI E cionam os processos de identificação desde o ponto de vista da psicanálise freudiana até as noções de consumo e organização de grupos identitários. Em seguida, traremos um capítulo que abordará os teóricos Hall, Goffman e novamente Freud, para I I IN L IN L entendermos um pouco mais sobre a representatividade Bquando B A A RI de autismo, assim como uma análise mais aprofundada ON ORI ONtrata B Bse O T T I DI ED teórica, Equanto ao lado psíquico do TEA. Após essa abordagem explanaremos de modo mais aprofundado a relevância e o uso das redes sociais nos dias atuais, chegando, por fim, a uma análise do perfil de algumas personalidades atuantes nessas redes. Nossa metodologia de pesquisa consiste em uma técnica de 5
NI NI BI IAL BI IAL N N Fonte: Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) 2017,O artigo sobre o R B ITOR BOhttps://www.paho.org/pt/topicos/transtorno-do-espectroTEA. Disponível em: ITO D D E autista. Acesso em: 22Eabr. 2024.
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I coleta de Bmateriais, dentro da qual vamos trazer a análise de IN L A N I conteúdo BO ITvia OR on-line de usuários de redes sociais ligados à quesD tão do Eautismo, além do método de levantamento bibliográfico e pesquisas acadêmicas que nos permitirão I abordar temas e IN L B entendimentos já trabalhados previamente Apor outros autores ON ORI B IT dentro da nossa pesquisa. ED Vale ressaltar que, ao longo de todo o trabalho, o questionamento explorado e que instiga o projeto nos leva a querer entender se as redes sociais são ou não uma ferramenta que contribui com a representatividade, interação e comunicação de pessoas I I com TEA. a ideia que nos norteia nessa pesquisa BéINa AL INEntretanto, L B N I N RIA de que um paradoxo neste contexto: a palavra “autismo” BO ITOR BO Iexiste TO ED EDdo termo “autos”, cujo significado etimológico é voltar-se deriva para si. Ora, se esse é o significado lato, então por qual motivo estes indivíduos são levados a expor o seu Eu ao outro (considerando-se aqui os níveis em que o indivíduo com TEA consiga NI Lsi)? A busca por reconhechegar a se manifestar para fora BI de A N RI cimento exige se abrir, e atéBOentão TO o entendimento era de que I D essas pessoas buscavam maisE o olhar para dentro do que para fora, mas postar nas redes é o oposto de se fechar, e esta grande questão acompanhará este trabalho do começo ao fim. I I IN L IN L B B A N N IA I BO ITOR BO ITOR ALGUMAS QUESTÕES NORTEADORAS ED ED
De que forma a exposição do Espectro Autista e do Transtorno do Espectro Autista (TEA) dentro das redes sociais interfere na desmistificação e na criação de uma nova narrativa para o tema dentro da sociedade? E como isso desencadeia em um aumento da conscientização sobre o Espectro I NI L para pessoas que não estão nele, ao mesmo tempo B que IN traz L BI IAinseridas N N IA uma a representatividade BO ITOR BO ITORpara o grupo que está? ED ED Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 19
I No decorrer IN L deste livro, um de nossos objetivos será exploB N IA rar a exposição do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas BO ITOR D E plataformas de redes sociais e a possibilidade de representatividade de pessoas com TEA a partir das interações dentro dos NI BI IAL indivíduos como meios de comunicação digitais tanto Ndestes O OR T dos de fora do Espectro. AnalisandoBasDIredes sociais como meio E de expressão, comunicação e encontro de conceitos como identidade individual; identidade coletiva; estereótipos; estigmas; representatividade e conscientização, pretendemos analisar o papel delas na disseminação de conhecimento sobre o TEA e I I IN L na criação IN deL uma comunidade das pessoas no Espectro. Com B B A A ON ORI ON ORI isso,Bpretendemos chegar a uma conclusão, por meio de dados; B T I IT ED ED livros e estudos de caso, de como as redes sociais permiartigos; tem a desmistificação e a criação de uma nova narrativa para o Espectro Autista e como isso contribui com o aumento da inclusão de pessoas com TEA na sociedade atual. NI BI IAL N BO ITOR ED
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SOBRE A OBRA
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I IN L B N RIA ste em suma, um livro para construir debates. A partir de BOé, ITO D E uma exploração de temáticas que envolvem identidade, repre-
sentatividade e redes sociais, a obra tem a intenção de conversar NI L BI constroem com o leitor e levá-lo a observar comoNse as relações A O ORI B em nossa sociedade atual, percebendo DoITquão importante é olhar E para o outro, para nós mesmos e também por quais veículos os relacionamentos são formados. As redes sociais têm sido um suporte essencial para a formação desses relacionamentos, não apenas de interação, mas também I I IN L de inspiração IN Le conscientização. O estudo apresentado neste livro B B N RIA N RIA revela, de uma análise prática de perfis em redes sociais, BO ITOo BO aITpartir O ED ED a experiência do outro pode ser importante e inspiradora quanto para muitas pessoas, próximas ou distantes. Ainda que haja o lado negativo da exposição, sobretudo para aqueles que resolvem fazer de suas experiências o mote para as suas postagens, a interação NI mostra-se uma ferramenta de alcance BI IAeL de conhecimento que pode N BO ITOR fazer a diferença na vida de muitos. D Muito se fala sobre umaE sociedade inclusiva, mas ainda há muito a ser explorado sobre o assunto. Na esfera da educação, os educadores e gestores necessitam encontrar metodologias para que as salas de aulas atendam aos alunos neurodivergentes com I I IN L a IN Le com um olhar sensível para as diferenças, entendendo cuidado B B A A RI ON OtrabaON ORI como um processo contínuo de acolhimento.BEste Binclusão T T I DI ED Elho se propõe a mostrar um caminho para a reflexão acerca desse assunto, percebendo, a partir das interações de um público jovem e engajado, como o olhar sensível, o conhecimento e o respeito pelo outro podem fazer com que uma pessoa se sinta acolhida. Afinal, essa é a palavra que norteia não somente o estudo que deu I NI L origem a este livro, mas é o objetivo explorarBoINassunto BI também AL A N N I RI é tão R e abrir novas conversas que todos recebam aquilo BO ITOque BO ITOpara ED ED em sociedade: respeito. importante para a vida 118 | NINGUÉM É SÓ UM POUQUINHO!
NI SOBRE AS AUTORAS BI L N IA BO ITOR ED
Maria Gabriela Alzueta: guiada pela influência de uma mãe NI L BI comunicação. escritora, considera-se uma entusiasta Nda Iniciou A O ORI B IT Ciências Sociais, que a trajetória acadêmica no campo das ED desde então tem sido marcada por pesquisas e uma empolgante jornada profissional em empresas multinacionais como profissional de comunicação. Concluiu a graduação com estudo desafiador sobre “A Desmitificação e a Construção da I I IN L Representatividade de Pessoas com Transtorno do Espectro IN L B B N IA N RIA Autista BO ITOR BO ITem O uma Sociedade Digital”, tese que explorou profunED ED a interseção entre inclusão, tecnologia e comunicação damente na era digital, e que inspirou este livro. Logo em seguida, embarcou em uma jornada no exterior, conquistando um mestrado em Comunicação Estratégica na London School of Economics and NI Political Science. A jornada profissional de Maria Gabriela se BI IAL N R O B campo destaca por contribuições no da comunicação corporaTO DI E tiva e, atualmente, ela atua como Especialista em Comunicação Interna. Busca constantemente integrar a riqueza do conhecimento acadêmico à prática empresarial, sempre com o propósito de influenciar positivamente a comunicação estratégica em NI NI diversas BI AL BI AL esferas.
N N I I BO ITOR BO ITOR D ED EAna Cecília Pierotti: é graduada em Ciências Sociais do
Consumo pela ESPM. Sempre gostou muito de entender o comportamento humano e este livro, voltado para o Espectro Autista, reflete muito isso. Estudar para esse trabalho abriu portas para um conhecimento muito especial e agregador, e o NI NI L resultado a deixou muito BI L BI satisfeita. N IA BO ITOR ED
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Sobre os jovens autistas e suas narrativas digitais | 119
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NOSSA MISSÃO I
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L Publicar livros qualidade NB deIA BO ITORna mente dos que permaneçam nossos leitores EDcomo fonte preciosa de conhecimento e de entretenimento.
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NI BI IAL N BONBINI BO ITOR D EDITORIAL E
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HÁ HISTÓRIAS QUE SÓ GANHAM CORPO QUANDO ENCONTRAM ESPAÇO PARA SER CONTADAS. EM NINGUÉM É SÓ UMINPOUQUINHO!, JOVENS AUTISTAS OCUPAM AS REDES, INI I NB IA DI
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DESAFIAM ESTEREÓTIPOS E TRANSFORMAM EXPERIÊNCIA BO ITOR BO TOR E
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EM PRESENÇA. ENTRE IDENTIDADE, PERTENCIMENTO E REPRESENTAÇÃO, O LIVRO REVELA COMO AS
NARRATIVAS DIGITAIS PODEM ABRIR FRESTAS DE ESCUTA, NI
I L RECONHECIMENTO E INCLUSÃO NB RIA — E MUDAR O MODO BO ITO COMO OLHAMOS O OUTRO. ED
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BONBINI EDITORIAL
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