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LITERATURA DE BERÇO II - SOBRE A LITERATURA PARA AS INFÂNCIAS ENQUANDO DESCOBERTAS E ENCANTAMENTOS

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I IN L B N RIAa literatura para as infâncias Sobre BO TO DI Eenquanto descobertas e encantamentos

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Cássia V. Bittens (org.) NI BI IAL N BO ITOR ED

NI BI IAL N BO ITOR EDCOLEÇÃO

MEDIAÇÕES


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I COLEÇÃO IN L B N IA MEDIAÇÕES BO ITOR ED

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LITERATURA DE BERÇO II NI BI IAL N BO ITOR ED

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Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos NI BI IAL N BO ITOR ED

Cássia V. Bittens organizadora

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NI BI IAL N BONBINI BO ITOR ED EDITORIAL


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BONBINI EDITORIAL

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2026 © Cássia V. Bittens (org.)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Direção editorial Aloma Carvalho

BITTENS, C. Literatura de Berço II - Sobre a literatura I N para as infâncias enquanto descobertasBI e AL N RI encantamentos. / Cássia V. Bittens BO(org.). ITO 1ª edição. - São Paulo: Bon Bini Editorial,D2026.

I Assistente IN Leditorial NBJessica IA Spilla

BO ITOR Diagramação ED

Indaia Emília S. Pelosini

116 p. : 14 x 21 cm

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CDD 372.4 /373

978-85-5513-258-2 (impresso) 978-85-5513-259-9 (digital)

Capa Marcos Garuti Tratamento das imagens Laura F. Battocchio Maria Fernanda Medici A Coleção Mediações apoia a Aliança Global pela Alfabetização (Unesco) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 (ODSONU) ao publicar obras que promovem a reflexão sobre os livros para infância e juventude e estimulam a I diferentes meios e conleituraINem L B textos, seja N RIA na escola ou em casa, O Bcom a família. Nossos livros revelam ITO EoDpensamento e as ideias de pesquisadores, professores e estudantes de diversas partes do mundo, principalmente da América do Sul.

L NB IA BO ITORIndíces para catálogo Sistemático ED 1. Ensino da leitura.

Esta publicação, em seu todo ou nas suas partes, não pode ser reproduzida, reimpressa ou transmitida de qualquer forma ou por qualquerI IN L meio – eletrônico, mecânico, fotocóNa BpréIA pia, gravação ou outros – sem O B ITOR via autorização por escrito doDeditor.

E

1. Ensino da leitura. 2. Teoria e crítica literária. 3. Literatura infantil. 4. Livro para bebês. I Infância. I. Título. II. Autor. 5. Primeira IN

2. Teoria e crítica literária. 3. Literatura infantil.

I IN L B N IA 2026 - Todos os direitos reservados. BO ITOR D A Coleção Mediações integra oEcatálogo da

Bon Bini Editorial Ltda. / Editora Bamboozinho. Rua Dom Armando Lombardi, 777 - cj. 51 São Paulo/SP - Brasil - CEP. 05616-011 Conheça os nossos livros: www.bamboozinho.com.br Fale conosco: contato@bamboozinho.com.br NI

BI L B ITO @editorabamboozinho ED

A Acompanhe nossas novidades: ON RI


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Trata-se de instaurar o prazer de brincar com narrativas na interação lúdica com os livros, objetos surpreendentes que muitas vezes são reservados a uma minoria e confinados a uma I N concepção cultural restrita. Os livros devemNBI RIAL BO ITO estar presentes na vida cotidiana de todas as ED crianças, sem nenhuma restrição e sem buscar nenhum benefício imediato. I Marie Bonnafé BIN L N IA BO ITOR ED

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ÍNDICE

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APRESENTAÇÃO

Literatura desde o berço: fabular, sonhar I IN e construir mundos possíveis

L NB IA BO ITOR ED

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4 5

6 INI L

NB IA BO ITOR ED

Aloma Carvalho

A literatura e o direito ao assombro

14

Juan Mata

I A N O ORI Fernanda Silva eBSouza T I ED

N O direito de fabular BI dosLmeninos negros

24

O movimento da criação: memória, imagem e leitura na primeira infância

38

Camila Carrossine

I IN L B N IA BO ITOR 48 ED

O direito das crianças à arte e à cultura Paulo Fochi

Infância na cidade: paisagens, quintais e os continentes das infâncias Gabriela Romeu I

IN L NB RIA O B ITO ED

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58


I IN L B N IA BO ITOR ED NI BI IAL N BO ITOR ED

6 7 8

Territórios culturais verdes: biblioteca pública, primeira infância e políticas do cuidado

66 I IN L B N IA BO ITOR ED

I Marta Nosé IN

L NB IA BO ITOR Bebetecas nos CEUs: política pública, ED

cidade educadora e primeira infância

74

Juliana Mutafi

NI L O Plano Municipal do Livro, Leitura, e BI Literatura N IA R O Biblioteca da Cidade de São BPaulo: TO uma política DI E pública, seus eixos e seus desafios

82

Aline Frederico

9

A curadoria como centro da mediação literária: I IN L curadoria do acervo, montagem do espaço e gesto B N RIA BO ITO de ler na primeiríssima infância D

I IN L B A ON ORI B T 94 DI E

AGRADECIMENTOS

112

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Cássia V. Bittens

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APRESENTAÇÃO I IN L B N IA BO ITOR ED

Literatura desde o berço: fabular, sonhar e construir mundos possíveis NI BI IAL N BO ITOR ED

Aloma Carvalho

A

I I IN L IN L reflexão sobre a leitura literária na primeiríssima B B N IA N IA BO ITOR BO ITOR infância segue ampliando seus horizontes no EBrasil. D ED

Se, há poucos anos, ainda discutíamos a legitimidade do livro para bebês como objeto cultural, hoje avançamos para questões mais complexas: que experiências estéticas queNI L da vida? Que concepções remos oferecer às crianças desde oBIinício N IA BO ITORQue políticas públicas, espaços de leitura sustentam nossas práticas? ED e gestos tornam possível o encontro entre bebê, livro e mundo? Literatura de Berço II – Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos é um livro que nasce desse I I movimento de aprofundamento. Se o primeiro volume daINsérie, IN L L B B A N RIA N RI O O Literatura de Berço – Sobre o livro para bebês e a leitura na priB ITO B ITO D Emeira infância consolidou fundamentos para pensarEoD livro e a literatura para bebês, esta nova edição amplia o campo, trazendo perspectivas que atravessam criação artística, mediação, curadoria, políticas públicas, espaços de leitura e formação de leitores. Entre olhares e narrativas, o queI se constrói aqui é também uma I refleIN L IN L B B N corpos N narrar IA IA — com palavras, imagens, xão sobre os modos Ode e BO ITOR B ITOR gestos — a experiência ED literária na primeira infância.ED


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Hoje BjáINnão L perguntamos apenas o que é um livro para bebês. N RIA O B ITO como ele é escolhido, como é oferecido, em que Perguntamos ED espaço é lido, que vozes o atravessam, que imagens o constituem, NI que políticas garantem seu acesso. Perguntamos, sobretudo, que BI IAL N R O ética sustenta o ato de ler com e paraBos Ibebês. Porque ler na priTO ED meira infância não é antecipar conteúdos, mas instaurar presença; não é ensinar algo previamente definido, mas criar condições para que a experiência estética aconteça. A construção de referenciais brasileiros para pensar o livro e aI N NI BI IAL BI IALo berço permanece urgente. Nossa produção editoleitura Ndesde N BO ITOR BO ITOR rial, nossas práticas culturais e nossas políticas públicas precisam D ED E dialogar com as especificidades da infância em nosso país, com nossas realidades sociais, com nossas desigualdades e potências criativas. Este livro reúne vozes que contribuem para esse debate NI de forma consistente, sensível e plural. BI IAL N O OR Inspirada nas palestras e Bdebates do 3º Simpósio da Literatura IT ED de Berço — realizado em 2025 com o apoio do Programa de Literatura e Crítica Literária da Pós-Graduação da PUC-SP — a presente publicação amplia o diálogo entre teoria e prática. I I Coordenado pela Profa. Dra. Cássia V. Bittens, o simpósio reuniu IN L IN L B B A A RI ON OcultuON ORI ilustradores, pesquisadores, mediadores e gestores B Bescritores, T T I DI ED e suas Erais que aqui compartilham seus percursos, suas inquietações descobertas. Em comum, a convicção de que a literatura na primeira infância é experiência fundante — estética, ética e política. JUAN MATA defende a literatura como direito ao assombro. Em I I IN L IN L B B Na experiênNqueIAa ficção amplia e enriquece IA seu capítulo, sustenta BO ITOR BO ITOR cia humana desde aEDinfância, oferecendo às crianças ED não apenas LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos | 7


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IN Lmundos possíveis. Ao refletir sobre personagens histórias, Bmas N IA BO ITOR tocas, dialogam com árvores ou sonham em voar, que atravessam ED o autor afirma que a leitura inaugura territórios de imaginação NI e a si mesmo. Para que permitem compreender melhor o mundo BI IAL N R ele, a literatura é espaço de sonhaçãoBeOresistência diante de uma ITO D E realidade utilitária, nutrindo a capacidade de maravilhar-se e de reinventar o mundo — condição essencial para formar sujeitos sensíveis, críticos e capazes de transformação. NI

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I L I L FERNANDA NB RaIA NB RIA SILVA E SOUSA aborda o direito de fabular O O B ITO B ITO partirEDdas infâncias negras, articulando literatura, sonho e existênED cia. Ao evocar cenas do romance Filho Nativo, de Richard Wright, e imagens do carnaval brasileiro, a autora propõe uma leitura que restitui às personagens negras — especialmente aos meninos NI L além da violência que os negros — a possibilidade de sonhar BI Ipara A N O OR circunscreve. Fabular, em seuBargumento, é um direito existencial, T I ED não apenas estético. A literatura, nesse contexto, torna-se espaço onde a imaginação sustenta vidas historicamente privadas de futuro, afirmando que sonhar é gesto de resistência e que a leitura I I território de liberdade, dignidade e reinvenção. podeINser IN

L NB RIA O B ITO ED

L NB RIA O B ITO ED

CAMILA CARROSSINE apresenta o processo criativo como movimento contínuo entre memória, imagem e leitura na primeira infância. Ao narrar a criação de uma ilustração inspirada em encontros de mães e bebês em torno dos livros, revela como o desenho nasce de experiências afetivas, atravessa esboços,IexperiI IN L IN L B NB Rimagem IA IA mentações e escolhasONcromáticas até consolidar-se como R O B ITO B ITO final. A autora destaca ED experiência ED a centralidade da visualidade na

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N L para quem a imagem é já território de leitura. leitora dosBIbebês, N IA BO ITORreafirma o poder emancipador da arte e da palavra, Sua reflexão ED defendendo que a experiência estética, desde cedo, constitui dimensão essencial da formação sensível. BINI L N IA BO ITOR ED

MARTA NOSÉ discute a biblioteca pública como território cultural, articulando primeira infância, políticas do cuidado e cidade. A partir da experiência da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, apresenta o projeto Territórios Culturais Verdes, que inte-I N NI BI IAL BI IAL gra sustentabilidade, mobilidade urbana e acolhimento das crianN N BO ITOR BO ITOR ças no percurso entre escola e biblioteca. Ao conceber a cidade D ED E como espaço educador e a biblioteca como núcleo de convivência e proteção, a autora sustenta que cuidar das crianças é cuidar de todos. Seu capítulo revela como políticas públicas podem mateNI rializar o direito à leitura ao transformar o espaço urbano em BI IAL N R O B ITO e pertencimento. ambiente de encontro, curiosidade ED

PAULO FOCHI retoma a Carta dos Direitos das Crianças à Arte e à Cultura para refletir sobre o lugar da literatura, do teatro, I I da música abordaIN L IN L e das artes na formação humana. Criticando B B A A I RI ONestética, ON ORinstrumentalizadas e empobrecidas da experiência B Bgens O T T I I EDdo acesso EoDautor defende que nenhuma criança pode ser excluída à arte. Para ele, a fruição artística deve ser contínua e integrada à vida pública, e não restrita a eventos ocasionais ou datas comemorativas. Ao articular cidade, cidadania e cultura, afirma que a experiência estética equipaI simbolicamente a criança para Ihabitar IN L IN L NBa Ralegria NBrecursos IA IA o mundo, oferecendo para significar a dor, e R O O B ITO B ITO a convivência. ED ED LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos | 9


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N L JULIANA apresenta as bebetecas nos CEUs como BI MUTAFI N IA R O B pública política que integra leitura, cidade educadora e primeira ITO ED infância. Ao descrever a implementação desses espaços voltados NI a bebês de zero a três anos, destaca a concepção do “espaço do BI IAL N R O sim”, inspirado na Abordagem Pikler, privilegia autonomia, B que ITO ED movimento e acolhimento das famílias. A bebeteca é concebida como território cultural onde livro, corpo e encontro constroem o direito de estar no mundo desde o início da vida. O capítulo evidencia que políticas públicas se constroem coletivamente e que aI I N IN livro BI IAL Bdo presença na rotina das famílias fortalece vínculos e amplia AL N N I BO ITOR BO ITOR horizontes culturais. D ED E

GABRIELA ROMEU investiga as paisagens das infâncias, defendendo o direito das crianças às vastidões — externas e internas. NI A partir de sua escuta dos quintais BI IALbrasileiros e da experiência N O OR do projeto Mapa do Brincar,B reflete sobre o emparedamento das IT ED infâncias nas cidades e sobre a necessidade de reinventar espaços de expansão corporal e simbólica. A literatura, afirma, inaugura janelas para grandes paisagens e constitui subjetividades ao perI I mitirINque a criança veja o mundo e a si mesma. Ao entrelaçar IN terL L B B A N RIA N RI O O ritório, memória e imaginação, a autora sustenta que reinventar o B ITO B ITO D D E espaço de Equintal é reinventar o mundo, afirmando a cidade como criação e pertencimento. ALINE FREDERICO apresenta o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da Cidade de São PauloI como I N IN L BI IALcomo B Nlivro N RIA para garantir o acesso ao política pública estruturante O O B ITOR B ITO D direito humano. Organizado em cinco eixos — democratização ED E 10 | LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos


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IN L do acesso,Bformação de mediadores, valorização institucional da N IA R O leitura,B fortalecimento da economia do livro e centralidade da ITO ED literatura —, o Plano articula educação e cultura em ações concreI tas. Ao discutir seus desafios e estratégiasBde social, a IN participação L N IA R O autora convoca leitores, educadores Be gestores a se engajarem na ITO ED construção de políticas duradouras que assegurem bibliodiversidade, formação leitora e presença da literatura na vida pública.

CÁSSIA V. BITTENS encerra a obra refletindo sobre a mediaçãoI I N IN primeiríssima BI IAL literáriaNBna infância como curadoria de encontros AL N I BO ITOR BO ITOR estéticos. Para a autora, mediar é menos aplicar um método e mais D ED E sustentar uma ética da presença. A escolha do acervo, a organização do espaço e o gesto do adulto compõem uma cena em que bebê e literatura podem se reconhecer. Ao tratar o livro como NI L obra de arte e o bebê como sujeito competente, defende BI cultural N IA R O uma mediação que preservaB a Ipotência estética da experiência, TO ED criando condições para que a leitura se instale como forma de estar no mundo. Sua reflexão articula teoria, prática e política cultural, reafirmando o direito das crianças à literatura desde o berço. I I IN L IN L B B A N RIA N RI de Berço II – Sobre a literatura para as BOinfâncias BO ITOLiteratura ITO D ED o proEenquanto descobertas e encantamentos traz reflexões sobre

cesso criativo da imagem e sua potência narrativa; sobre a leitura como gesto corporal e sensível; sobre a mediação entendida como curadoria de encontros; sobre a organização de acervos e a montagem de espaços de leitura; I I sobre programas culturais e Npolíticas IN L L BI reinvenB A N N IA I públicas que sustentam o direito ao livro; sobre quintais BO ITOR BO ITOR D tados, cidades educadoras e territórios de infância. EEncontramos ED LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos | 11


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IN L também oBreconhecimento de que o bebê não é destinatário pasN IA R O B Isujeito sivo, mas estético ativo, leitor desde o início da vida. TO ED Ler com bebês é reconectar-se com a própria infância. É expeNI de atenção, outra rimentar outra temporalidade, outro regime BI IAL N R forma de presença. É reconhecer queBOa Iliteratura não começa na TO D E palavra decifrada, mas no encontro entre corpo, voz, imagem e silêncio. É também afirmar que o acesso à cultura desde o berço é direito, não privilégio. Literatura de Berço II integra e fortalece esse movimento.I I N IN Lreunir textos, este livro propõe uma rede de pensaBI IAL Bque Mais do A N N I BO ITOR BO ITOR mentos e práticas que se entrelaçam. Ele convida famílias, educaD ED E dores, bibliotecários, gestores públicos, artistas e pesquisadores a ampliarem o debate e a aprofundarem suas experiências. Que estas páginas inspirem novos olhares, novas narrativas e NI L novas narrações. Que fortaleçamBIpolíticas, práticas e vínculos. E N IA R O que reafirmem, sobretudo, aBliteratura como território de enconITO ED tro — desde o início da vida.

Aloma Carvalho I IN L B N IA BO ITOR ED

Diretora Editorial

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CAPÍTULO 1 I IN L B N IA BO ITOR ED

A literatura e o direito ao assombro NI BI IAL N BO ITOR ED

Juan Mata

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I IN A Aliteratura amplia e enriquece a experiência, L B N RI O B ITO alimenta a sensibilidade, a imaginação e o ED

pensamento. Permite compreender NI melhor o mundo e a si mesmo. BI L N IA BO ITOR ED

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O

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que oferece a literatura, a poesia, a ficção à vida das crianças? Sabemos a importância do alimento, do afeto, do apoio, dos cuidados, do jogo, de tudo I aquilo que protegeBIeNestimula um crescimento feliz. L N IA R O B ITela O agrega, o que adiciona às suas Mas o que é a literatura? O que ED vidas? O que acontece quando surge diante delas uma menina que cai em um buraco na terra enquanto persegue um coelho? Ou uma sereia que se enamora de um jovem? Ou uma menina I I pequena IN L IN L que vive sozinha com a única companhia de um Bmacaco B A A N RI RI ONe sonhos cavalo? Ou uma menina que guarda seus desejos B BeO um O O T T I DI ED Edentro de uma bolsa amarela? Ou um menino que dialoga com um pé de laranja-lima? Ou ainda uma criatura invisível que caminha rápido pelos bosques com os pés voltados para trás para confundir os caçadores? O que acontece quando essas figuras entram em suas vidas? NI NI L BI IALa um BI nascem, A N N I As crianças, quando chegam a uma natureza, BO ITOR BO ITOR D D espaço físico perceptível, a um mundo que pode serEvisto, tocado, E LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos | 15


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N ouvido, sentido. BI IAL Mas chegam também a um mundo de rostos, N R BO ITOem de pessoas quem confiam, a quem se entregam, de quem se D E apegam e que se tornam seus referentes. Chegam a uma cultura, NI a um modo particular de entender e se relacionar com o mundo. BI IAL N R O Chegam a uma história, a uma fantasia, B ITaOuma moral, a um símED bolo, a uma memória. Ou seja, chegam a um mundo já feito, que precisam aprender a decifrar e no qual precisam aprender a viver. Chegam também a uma língua, a um mundo de sons e palavras, palavras que os ajudam a nomear esse mundo. Nomear o mundoI N NI BI IAL BI IALde descobri-lo e de apropriá-lo. é uma forma N N BO ITOR BO ITOR AEDlíngua é um lugar, é uma casa. Habitamos nela. Ou podería­ ED mos dizer que a língua nos habita e nos conforma. Somos as palavras que possuímos. Vemos, sentimos e pensamos com as palavras que temos, aquelas que o entorno nos oferece. Entramos no I IN L mundo através das palavras, e os Bmundos são diferentes conforme N IA R O as palavras que os nomeiamBsão ITOdiferentes. Na língua oral, nos ED livros, nos relatos antigos e nos contos modernos, na literatura, está condensado o mundo. Através das palavras — o idioma literário, o idioma da ficção ou da poesia — nos são oferecidas muitas I I das imagens, dos símbolos, das metáforas com as quais pensamos IN L IN L B B A A N RI RI ON tornam a visão que temos do mundo. Essas palavras B BeO modelamos O O T T I DI ED Epossível que nosso mundo interior tome forma, se manifeste e adquira sentido. A literatura é uma das vias principais pelas quais os seres humanos fazem o mundo. Fazemos o mundo com palavras, assim como o fazemos com ou I I pintura, música, dança, cinema IN L IN L B B A N N Nelson Inossos IA teatro. Como defendia Guzmán, construímos BO ITOR BO ITOR mundos com as palavras, mundos que surgem noEDinterior dos ED 16 | LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos


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N mundos reais, BI IALcomo flores que aparecem nas gretas do asfalto. N BO ITOR numa calçada, brota uma planta, uma flor, um De repente, ED mundo inesperado. Esses mundos literários são diferentes dos NIsatisfatórios, podem mundos conhecidos, mas podem ser mais BI IAL N R servir de refúgio, ajudar a crescer, BaOter esperança, a adquirir ITO D E confiança, a receber estímulos para viver. São mundos criados por nós ou por outros para nosso prazer, e a eles se acede pela imaginação, pela contemplação, pela sonhação. Ou seja, através da arte, da literatura, da música, do cinema, da poesia,I N NI BI IAL BI IAL do teatro. N N BO ITOR BO ITOR As crianças têm o direito de saber que a lua é um corpo D ED E celeste que gira ao redor da Terra e reflete a luz do Sol. Mas também têm o direito de saber que a lua pode ser um espelho, um relógio no céu, um farol. Além dos dados objetivos e verifiNI L cáveis, devem crescer sabendo que não é apenas um insBI aIAlíngua N R O B pode trumento referencial, mas que ITO estabelecer relações poéticas, ED insólitas, inesperadas e emocionantes. Escutar contos, ler contos, é transitar por mundos frágeis feitos de palavras, viver em outro território que não é a realidade imediata, mas que a ilumina. É o I I território IN L IN L do devaneio, dos sonhos diurnos. B B A N N RI IA devaneio poético nos afasta do mundo da utilidade BO ITORe nos BO ITOO D ED Esitua no mundo da gratuidade. O sistema social e econômico, inclusive o educativo, nos empurra para o produtivo e para o útil. Mas os seres humanos precisam de espaços de resistência, de jogo, nos quais o inútil e o improdutivo possam ser dominantes. Precisamos de descanso, de I trégua, de abandono, de momentos NI L IN L BI IAsimuB A a imaginação, usar máscaras, N N I em que possamos desatar BO ITOR BO ITOR D realidade, D lar, ser outros. Precisamos de calma e de distânciaEda E LITERATURA DE BERÇO II • Sobre a literatura para as infâncias enquanto descobertas e encantamentos | 17


AGRADECIMENTOS I IN L B N IA BO ITOR ED NI BI IAL N BO ITOR ED

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À

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minha família nuclear, Martin e Zoe, presença cotidiana que sustenta e dá sentido ao meu caminhar. Às mulheres que me antecedem e me acompanham NI na vida: minha mãe, BI IAaLmãe de minha mãe e a mãe N BO ITOR da mãe de minha mãe… ED À Professora Doutora Diana Navas, que generosamente acompanha minha trajetória acadêmica e intelectual, sempre incentivando novos caminhos de investigação. I Doutora Bettina Kümmerling-Meibauer, NI Professora IN cuja IÀ L L B B A N RIA N RI O O escuta sensível e pensamento inspirador continuam a iluminar B ITO B ITO D ED Ereflexões e percursos. Ao Grupo de Pesquisa (CNPq) “A voz escrita infantil e juvenil: práticas discursivas”, espaço fundamental de diálogo, investigação e construção coletiva de conhecimento. Às pesquisadoras que da I I integram o Grupo de Estudos IN L IN L B B N sustentam N entusiasmo, IA IA Literatura de Berço,Ocujo rigor e dedicação BO ITOR B ITOR a continuidade e o aprofundamento desta pesquisa.ED ED


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N À Camila BI IALCarrosine, que participou das primeiras vivências N BO ITOR de Berço quando tudo ainda era experiência antes da Literatura ED de se tornar teoria, e que agora nos presenteia com uma ilustração NI sensível que guarda a memória desses encontros. BI IAL N Às autoras e aos autores que compõem BO ITOR este livro, represenED tantes do conhecimento teórico que sustenta e amplia este campo de estudos. Às famílias que participam das vivências de leitura literária com seus bebês, presença essencial que nos lembra que toda refle-I N NI L BI IAL BIdaIAexperiência xão nasce viva da leitura compartilhada. N N BO ITOR BO ITOR Às pedagogas, psicólogas, bibliotecárias, contadoras de hisD ED E tórias, fonoaudiólogas... que, em diferentes espaços de mediação, tornam esta investigação verdadeiramente transacadêmica, aproximando universidade, cultura e sociedade. NI À equipe da Editora Bon Bini BI IA/LBamboozinho, que acrediN BO ITOaRpublicação do primeiro livro e tou na Literatura de Berço desde ED renova agora essa confiança com este segundo volume. Porque, antes do sentido, há o encontro, e é ali que a literatura aprende a co-respirar. I IN L B N IA BO ITOR ED

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NOSSA MISSÃO Publicar livros de qualidade I que permaneçamINna mente dos AL preciosa NB RIfonte nossos leitoresOcomo B O de conhecimento eITde entretenimento.

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NI BI IAL N BONBINI BO ITOR D EDITORIAL E

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NI L BEBÊS? POR QUE LER COM BI IAOS N R BO ITOLITERATURA POR QUE OFERECER NA D E PRIMEIRA INFÂNCIA? NESTE LIVRO DA COLEÇÃO MEDIAÇÕES, VAMOS REFLETIR SOBRE AS DESCOBERTAS I N NI L I BI IAL B IA N N E OS ENCANTAMENTOS QUE OS LIVROS BO ITOR BO ITOR D E PROPORCIONAM AOS RECÉM-CHEGADOSED AO MUNDO…

BONBINI EDITORIAL

NI BI IAL N BO ITOR ED

NI BI IAL N BO ITOR ED 9 788555 132582


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