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Revista Status 11

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EDIÇÃO #11 EMANUELA DE PAULA

EMANUELA DE PAULA

QUE ANGEL, QUE NADA! ELA É A BRASILEIRA MAIS QUENTE QUE A VICTORIA’S SECRET JÁ VIU

ANO 2 EDIÇÃO #11 MARÇO 2012 R$ 14,90

ENTREVISTAMOS O CARTUNISTA LAERTE:

“QUERO SER ENTERRADO DE VESTIDO. E COM AS UNHAS BEM PINTADAS, POR FAVOR” O CENTENÁRIO DE NELSON RODRIGUES MARÇO 2012

AS HISTÓRIAS SECRETAS DO ESCRITOR MAIS OBSCENO DA LITERATURA BRASILEIRA HOMEM DE FERRO

A INCRÍVEL FAÇANHA DO IRLANDÊS GERRY DUFFY, QUE CONSEGUIU FAZER DEZ TRIATLOS EM DEZ DIAS E MAIS: EMERSON FITTIPALDI E SUA FASE EVANGÉLICA, A ONDA DAS CERVEJAS EXTREMAS, A CIÊNCIA DA GASTRONOMIA, A BILIONÁRIA DISPUTA DE EIKE BATISTA COM CARLOS SLIM E A MANIA DE SURFAR EM TERRA FIRME EXEMPLAR DE

> ASSINANTE VENDA

PROIBIDA

TRAIÇÃO NA MÁFIA A SURPREENDENTE HISTÓRIA DO GÂNGSTER DE CHICAGO QUE SE ALIOU AO FBI PARA PRENDER O PRÓPRIO PAI

UMA NOITE MUITO LOUCA A FESTA DE FETICHE MAIS FAMOSA DA INGLATERRA DESEMBARCOU NO BRASIL. NOSSA REPÓRTER ESTEVE LÁ


17 60 64 Editorial Colaboradores Emerson Fittipaldi Lá em casa Chave de cadeia Moda Ícones de estilo Beleza Gastronomia Toys for Boys Corpo e Mente Ao ar livre Olimpíada Ensaio Vivi Confidencial Pornopopeia Flashback

08 15 76 86 100 104 112 114 118 122 124 126 128 130 142 144 146

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EDIÇÃO #11 EMANUELA DE PAULA

EMANUELA DE PAULA

QUE ANGEL, QUE NADA! ELA É A BRASILEIRA MAIS QUENTE QUE A VICTORIA’S SECRET JÁ VIU

ANO 2 EDIÇÃO #11 MARÇO 2012 R$ 14,90

ENTREVISTAMOS O CARTUNISTA LAERTE:

“QUERO SER ENTERRADO DE VESTIDO. E COM AS UNHAS BEM PINTADAS, POR FAVOR” O CENTENÁRIO DE NELSON RODRIGUES MARÇO 2012

AS HISTÓRIAS SECRETAS DO ESCRITOR MAIS OBSCENO DA LITERATURA BRASILEIRA HOMEM DE FERRO

A INCRÍVEL FAÇANHA DO IRLANDÊS GERRY DUFFY, QUE CONSEGUIU FAZER DEZ TRIATLOS EM DEZ DIAS E MAIS: EMERSON FITTIPALDI E SUA FASE EVANGÉLICA, A ONDA DAS CERVEJAS EXTREMAS, A CIÊNCIA DA GASTRONOMIA, A BILIONÁRIA DISPUTA DE EIKE BATISTA COM CARLOS SLIM E A MANIA DE SURFAR EM TERRA FIRME EXEMPLAR DE

> ASSINANTE VENDA

PROIBIDA

TRAIÇÃO NA MÁFIA A SURPREENDENTE HISTÓRIA DO GÂNGSTER DE CHICAGO QUE SE ALIOU AO FBI PARA PRENDER O PRÓPRIO PAI

UMA NOITE MUITO LOUCA A FESTA DE FETICHE MAIS FAMOSA DA INGLATERRA DESEMBARCOU NO BRASIL. NOSSA REPÓRTER ESTEVE LÁ

STATUS TAMBÉM NO IPAD, NO FACEBOOK E NO TWITTER WWW.REVISTASTATUS.COM.BR

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APPROACH

Gastronomia, festas, viagens, cinema, literatura, tecnologia, comportamento e os segredos do bem viver

ENTREVISTA

O cartunista Laerte, que virou travesti aos 60 anos de idade, revela que pensa em colocar silicone

TOP SECRET O dia em que a festa de fetiche mais famosa da Inglaterra desembarcou no Brasil

VAI ENCARAR? A incrível história do mafioso que se aliou ao FBI e traiu seu próprio pai

ESPECIAL

Nelson Rodrigues Filho em uma conversa franca sobre o centenário do escritor mais sacana do Brasil

ENSAIO CAPA Emanuela de Paula mostra por que é a angel mais brasileira da Victoria’s Secret

SANGUE-FRIO A história de superação do homem que fez dez triatlos em dez dias


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março 2012

Editorial

EDIT-

O D E S FI L E DA V I CTO RI A’ S S ECRET – a mais sexy, a mais provocante das grifes de lingerie de todo o mundo – acontece desde meados da década de 90, uma vez por ano, quase sempre em novembro. Um frenesi de sensualidade e erotismo percorre a plateia quando chegam à passarela, como se descessem do céu, as deslumbrantes angels, decoradas por asas brancas e peças sumárias. Em 1999, em transmissão por webcast, os acessos ansiosos chegaram a engarrafar o cyberespaço. Hoje, o esperadíssimo desfile é transmitido em tevê aberta pela CBS. O último evento teve audiência de mais de dez milhões de espectadores. Um anjo pousa agora nas páginas de Status. Emanuela de Paula faz parte desse que é o elenco mais sedutor do planeta. É, desde 2008, uma das angels da tia Victoria. Gisele Bündchen já foi do time. Adriana Lima e Alessandra Ambrósio ainda são. Aqui clicada pela câmera indiscreta de Bob Wolfenson, no hotel Faena, de Buenos Aires, a gloriosa Manu mostra, com deliciosa malícia, que até os anjinhos podem ter seu lado capetinha.

Esta edição de Status traz também a surpreendente história do gângster que se aliou ao FBI para prender aquele que era o mais procurado capo mafioso de Chicago: seu próprio pai. Outra história pai-e-filho tem enredo bem mais amoroso, ainda que não lhe faltassem eventuais sobressaltos no caminho. Tratase da relação de Nelson Rodrigues, cujo centenário está sendo lembrado este ano, com seu filho, Nelsinho. Nelson foi o dramaturgo que fazia a família brasileira, escandalizada, perder o sono. Nelsinho também quis promover, a seu jeito, uma revolução. Esse drama em família, mas com final feliz, marca a estreia em Status de nossa nova colaboradora sediada no Rio, a jornalista Camila Lamoglia. O cardápio variado, a despertar o apetite dos leitores (e das leitoras), inclui uma entrevista com o cartunista Laerte, o homem (?) que resolveu embaralhar as categorias sexuais, e uma imersão total na “Festa Fetiche”, que acaba de chegar ao Brasil, com competente, apimentado know-how inglês. Até abril! NIRLANDO BEIRÃO

-ORIAL

TOP REINALDO LOURENÇO, PULSEIRAS CAMILA KLEIN E FRANCESCA ROMANA DIANA


EDITOR E DIRETOR RESPONSÁVEL DOMINGO ALZUGARAY EDITORA CÁTIA ALZUGARAY PRESIDENTE EXECUTIVO CACO ALZUGARAY diretor editorial CARLOS JOSÉ MARQUES diretor editorial-adjunto LUIZ FERNANDO SÁ

diretor de projeto Nirlando Beirão diretor de redação Carlos Sambrana editores Bruno Weis, Fabrícia Peixoto e Piti Vieira editora de imagem Ariani Carneiro produção executiva Michelle Kimura diretora de arte Renata Zincone editores de arte Cinthia Behr e Pedro Matallo

colaboradores

fotografia agência istoé

apoio administrativo projeto gráfico tratamento de imagens e pré-impressão copy desk e revisão marketing

mercado leitor/assinaturas

operações

textos Camila Lamoglia, Carol Ramos, Mariana Rezende, Natália Mestre, Priscilla Portugal, Reinaldo Moraes, Suzana Borin, Tom Cardoso, Vanessa Barone e Vivi Mascaro ilustrações Luciana Bicalho e Manuela Eichner fotos Angelo Pastorello, Bob Wolfenson, Bruno Fernandes, Debby Gram, Gustavo Arrais, Joaquim Nabuco e Rogério Cassimiro produção Cesar Fassina, Clessi Cardoso consultoria tipográfica Ariel Cepeda e Billy Bacon/Boldº_a design company fontes Dalton Maag e Yomar Augusto editor executivo Cesar Itiberê editor Max GPinto repórteres fotográficos Adriano Machado, João Castellano, Massao Goto Filho (Rio), Pedro Dias e Rafael Hupsel gerente Maria Amélia Scarcello secretária Terezinha Scarparo assistente Cláudio Monteiro auxiliar Lucio Fasan Renata Zincone (colaborou Sergio Cury) Retrato Falado Giacomo Leone, Lourdes Maria A. Rivera, Mario Garrone Jr., Neuza Oliveira de Paula e Regina Grossi diretor Rui Miguel gerentes Débora Huzian e Wanderley Klinger redator Marcelo Almeida diretor de arte Eric Müller assistentes de marketing Marciana Martins e Thaisa Ribeiro diretor Edgardo A. Zabala diretor de vendas pessoais Wanderlei Quirino supervisora de vendas Rosana Paal diretor de telemarketing Anderson Lima gerente de atendimento ao assinante Elaine Basílio gerente de trade marketing Jake Neto gerente de planejamento e operações Reginaldo Marques gerente de operações e assinaturas Carlos Eduardo Panhoni gerente de telemarketing Renata Andrea gerente de call center Ana Cristina Teen gerente de projetos especiais Patricia Santana CENTRAL DE ATENDIMENTO AO ASSINANTE: (11) 3618-4566. De 2ª a 6ª feira das 9h às 20h30 outras capitais 4002-7334 demais localidades 0800-7750098 VENDA AVULSA diretor Gregorio França coordenador Jorge Burgatti analista Cleiton Gonçalves assistente sênior Thiago Macedo assistentes Aline Lima e Bruna Pinheiro auxiliar Caio Carvalho atendimento ao leitor e vendas pela internet Dayane Aguiar gerente geral Thomy Perroni assistentes Luiz Massa, André Barbosa e Fábio Rodrigo operações Lapa Paulo Paulino e Paulo Sérgio Duarte LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO DE ASSINATURAS coordenadora Vanessa Mira coordenadora-assistente Regina Maria

assistentes Denys Ferreira, Karina Pereira e Ricardo Souza publicidade

diretor nacional José Bello Souza Francisco diretor de publicidade Maurício Arbex secretária da diretoria de publicidade Regina Oliveira gerentes executivos Eduardo Nogueira, Erika Fonseca, Fabiana Fernandes, Katia Bertoli e Luiz Sergio Siqueira executivas de publicidade Priscila Brisquiliari e Rita Cintra assistente de publicidade Valéria Esbano coordenadora adm. Maria da Silva assistente adm. Daniela Sousa gerente de coordenação Alda Maria Reis coordenadores Gilberto Di Santo Filho e Rose Dias auxiliar Marília Gambaro contato publicidade@editora3.com.br RIO DE JANEIRO/RJ: diretor de publicidade Expedito Grossi gerentes executivas Adriana Bouchardet, Arminda Barone e Silvia Maria Costa coordenadora de publicidade Dilse Dumar. Fones: (21) 2107-6667. Fax: (21) 2107-6669 BRASÍLIA/DF: gerente Marcelo Strufaldi. Fone: (61) 3223-1205/3223-1207. Fax: (61) 3223-7732. CAMPINAS/SP: Wagner Medeiros – Parlare Comunicaçnao Integrada. Fone/Fax: (19) 82388808. RIBEIRÃO PRETO/SP: Andréa Gebin – Parlare Comunicação Integrada – Fone: (16) 3236-0016/8144-1155. BELO HORIZONTE/MG: Célia Maria de Oliveira – 1ª Página Publicidade Ltda. Fone/Fax: (31) 3291-6751. VILA VELHA/ES: Didimo Effgen – Dicape Representações e Serviços Ltda – Fone/Fax: (27) 3229-1986/8846-4493. CURITIBA/PR: Maria Marta Graco – M2C Representações. Fone/Fax: (41) 32230060/9962-9554. FLORIANÓPOLIS/SC: Anuar Pedro Junior/Paulo Velloso – Comtato Negócios. Fone/Fax: (48) 9986-7640/9989-3346. PORTO ALEGRE/RS: Roberto Gianoni/Thiago Soll – RR Gianoni Comércio & Representações Ltda. Fone/Fax: (51) 3388-7712. RECIFE/PE: Abérides Nicéias – Nova Representações Ltda. Fone/Fax: (81) 3227-3433. SALVADOR/BA: André Curvello – AC Comunicação. Fone/Fax: (71) 3341-0857/9937-3103. ARACAJÚ/SE: Pedro Amarante – Gabinete de Mídia – Fone/Fax: (79) 3246-4139/9978-8962. FORTALEZA/CE: Francisco Ribeiro – ARS Distribuidora Ltda. – Fone/Fax: (85) 3205-9250/8878-9147. MIAMI/EUA: Gilmar de Souza Faria – GSF Representações de Veículos de Comunicações Ltda - Fone: 55 11 9163-3062

marketing publicitário diretora Isabel Povineli gerente Maria Bernadete Machado coordenadora Simone F. Gadini assistentes Ariadne Pereira, Marília Trindade e Regiane Valente 3PRO diretor de arte Victor S. Forjaz redator Bruno Módolo

INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO

A Revista Status é uma publicação mensal da Três Editorial Ltda.. Redação e Administração: Rua William Speers, 1.088, São Paulo/SP, CEP: 05067-900. Fone: (11) 3618-4200 – Fax da Redação: (11) 3618-4324. São Paulo/SP. Sucursal no Rio de Janeiro: Av. Almirante Barroso, 63, sala 1510 Fone: (21) 2107-6650 – Fax (21) 2107-6661. Sucursal em Brasília: SCS, Quadra 2, Bloco D, Edifício Oscar Niemeyer, sala 201 a 203. Fones: (61) 3321-1212 – Fax (61) 3225-4062. 2016 não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos assinados. Comercializaçãoe distribuição: Três Comércio de Publicações Ltda, Rua William Speers, 1.212, São Paulo - SP. Distribuição exclusiva em bancas para todo o Brasil: FC Comercial e Distribuidora S.A., Rua Dr. Kenkiti Shimomoto, 1.678, Sala A, Osasco - SP. Fone: (11) 3789-3000 Impressão: Prol Editora Gráfica Ltda. Av. Luigi Papaiz, nº 581/CEP 09931-610, Diadema/SP


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março 2012

Conselho

O TIME DA STATUS Todo mês, nossos conselheiros se reúnem e discutem os assuntos mais relevantes para o nosso leitor e antecipam tendências ao redor do mundo

PAULO BORGES Empresário, diretor criativo do Fashion Rio e idealizador e diretor criativo do SPFW, semana de moda que conquistou o status de figurar entre as cinco mais importantes do mundo.

MARCUS ELIAS Dono da gestora Latin America Equity Partners, é especialista na recuperação de companhias em dificuldades. Adepto da meditação, faz duas horas de esporte por dia.

MARCOS CAMPOS Ele é sócio do club Disco e do bar Numero, ambos em São Paulo, e do Praia Cafe de La Musique, em Florianópolis. Também coordena a consultoria MC2 Managing Ideas.

MARIO BERNARDO GARNERO Arquiteto de negócios no mundo inteiro, traz o traquejo cosmopolita do pai, Mario Garnero, do Grupo Brasilinvest, e do avô Baby Monteiro de Carvalho.

VIVI MASCARO Colunista social do portal iG, circula nas mais disputadas festas. Adora reuniões informais com amigos e relaxa quando assiste a bons filmes ou pratica seu esporte preferido: pedalar.

JOÃO PAULO DINIZ O empresário investe em cultura, entretenimento, gastronomia e esporte. Também é triatleta e faz maratonas ao redor do mundo, com mais de 20 provas no currículo.

PAULO KAKINOFF Presidente da Audi Brasil, é o mais jovem executivo a liderar uma das filiais da marca alemã. Adora escutar Rolling Stones e praticar snowboard.

CONSELHO INTERNO Caco Alzugaray Carlos José Marques Luiz Fernando Sá Nirlando Beirão Carlos Sambrana José Bello ALBERTO HIAR Conhecido como Turco Loco, foi deputado estadual e vereador. Hoje comanda a grife de streetwear Cavalera e é sócio da V.Rom e da The Jeans Boutique.

ANUAR TACACH Ele é sócio da InvestPromo, empresa com participação nas agências Pepper, Led, Setter, Zicard e Retail. Nos tempos livres, corre maratonas e ainda toca guitarra.

ERNESTO SIMÕES O empresário é um dos donos da Ecman, companhia do setor de óleo e gás, e fundador da holding Petro Energy. Nas folgas, curte surfar ao redor do mundo.


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março 2012

Colaboradores

MANUELA EICHNER Importada de terras gaúchas há três anos, a artista plástica e designer gráfica colabora para diversas publicações no País. Atualmente finaliza seu primeiro curtametragem (Cambana), sobre os ciganos calón do Recôncavo Baiano. Seus traços podem ser vistos nas sessões Status Global e Chave de Cadeia.

CO CO LA LA BO BO RA RA DO DO TOM CARDOSO

Este paulistano de 39 anos tem os dois pés bem fincados no jornalismo cultural. Além das reportagens que costuma assinar para jornais e revistas, ainda encontra tempo para escrever livros, com três já publicados. O mais recente, O cofre do Dr. Rui – Como a VAR-Palmares de Dilma Rousseff realizou o maior assalto da luta armada brasileira, será adaptado para o cinema em 2012. É dele a divertida a entrevista com o cartunista Laerte, que você lê nesta edição.

CAMILA LAMOGLIA

MARIANA REZENDE Aos 28 anos, é editora do Creators Project da revista Vice Brasil, mas sempre encontra tempo para escrever sobre música, sexo e comportamento, seus assuntos prediletos. A pedido de Status, Mariana foi conferir a versão paulistana da Torture Garden, a festa de fetiche mais badalada de Londres.

ANGELO PASTORELLO Os editoriais de moda e as campanhas publicitárias são uma constante no currículo desse fotógrafo paulistano, mas belas mulheres também têm vez diante de suas lentes. Prova desse talento é o ensaio com a mineirinha Ana Rosa Tanos, que você confere nesta edição.

Formada em jornalismo e em publicidade, é dona da Trevo Comunicação, empresa de assessoria especializada em personalidades famosas. Já morou na Califórnia e em São Paulo, mas hoje está de volta a seu habitat natural: o Leblon. Ela e Nirlando Beirão entrevistaram Nelson Rodrigues Filho, especialmente para Status.

RES RES


APPRO CH

status global esquenta de bar em bar passaporte água na boca perigo ignição poder

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março 2012

v

APPRO CH AS COISAS BOAS DA VIDA 18 status global 22 esquenta 24 de bar em bar 26 passaporte 32 água na boca 34 perigo 35 ignição 38 poder 39 homem de status 40 design 42 o cara 43 lado B 46 play 48 projeção 49 entrelinhas 50 redenção 52 meninos e meninas 54 versus 55 desejo 56 brinquedos 58 caiu na rede

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foto Joaquim Nabuco


APPRO CH

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global

Ideias, tendências e o que acontece de mais legal no mundo

Por Bruno Weis

Las Vegas • Balada líquida Veneza • Xícaras de história A aguardada temporada de festas na piscina nos Estados Unidos começa em abril, quando finalmente o inverno por lá dá uma trégua. O centro da farra, claro, é Las Vegas, a cidade mais quente do país. Praticamente todo grande hotel ali promove a balada, famosa por piscinas lotadas de beldades de biquíni, coquetéis turbinados e muita azaração. A Liquid, uma das mais novas festas do gênero e em voga na cidade, rola em uma das quatro grandes piscinas redondas e cercadas por palmeiras do Aria Hotel e Cassino. A sorte está lançada. www.arialasvegas.com

A mais romântica das cidades italianas é também o lugar pelo qual o café chegou à Europa, via Império Otomano. Naturalmente, foi ali que a primeira casa para degustação da bebida foi erguida em 1645 e, desde então, os venezianos são vidrados na iguaria. Hoje, o Caffe Florian, o mais antigo estabelecimento do tipo da cidade, localizado em plena Piazza San Marco, é parada obrigatória para quem gosta de percorrer a pé as vielas e pontes da cidade e quer uma dose extra de energia, sabor e história. www.caffeflorian.com

Los Angeles •

Boliche com estilo

São Paulo • Homenagem à metrópole Grafites, vídeo, fotografia e instalação. Diversas formas de arte urbana estão presentes na segunda metade do mês de março no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em São Paulo, para homenagear a própria capital paulista. A exposição “São Paulo Mon Amour”, que em 2009 ocorreu em Paris, agora chega a SP apresentando olhares de artistas brasileiros e franceses sobre a vida na maior metrópole do País. Entre eles, o grafiteiro Zezão, o fotógrafo Gal Oppido (acima, uma de suas imagens que compõem a exposição), o pintor Paulo Ito e a artista multimídia Alessandra Cestac. www.mube.art.br

Nem todas as casas de boliche de Los Angeles têm dezenas de pistas ocupadas por barulhentos americanos bebedores de cerveja. The Spare Room, localizado no mezanino do Hollywood Roosevelt Hotel, é um moderno espaço de jogos e bar decorado com objetos e móveis que, de tão chiques e atemporais, estão transformando o lugar em uma atração turística em si. Ali você pode jogar boliche em uma das duas pistas de madeira, ou degustar drinques clássicos enquanto disputa amigáveis partidas de dominó, xadrez ou gamão. O clima de exclusividade é tanto que reservar o dia da visita é altamente recomendável. reservations@ spareroomhollywood.com


Rothes •

Destilando energia

É claro que a solução viria do uísque. Speyside, uma das mais famosas regiões produtoras do sagrado líquido escocês, vai aproveitar parte dos resíduos dos grãos utilizados no processo de destilação do malte para criar energia. A usina de biomassa deve contar com sobras de 16 destilarias da região (como a da foto ao lado), incluindo nomes sagrados do universo do uísque, como Glenlivet, Chivas Regal e Macallan. A usina tem previsão de funcionamento em 2013 e deve contar com potencial energético de 7,2 megawatts, o suficiente para abastecer nove mil residências nas proximidades da cidade de Rothes. Pois é, isso também é beber com responsabilidade.

Goa • ioga na boa

Accra • A festa do petróleo Gana vive um boom econômico por conta da recente descoberta de reservas de petróleo em alto-mar. Em sua capital, Accra, tudo sobe: o preço dos imóveis, o nível educacional, o otimismo da população. É claro que, nesse fervor de óleo, não poderia faltar um ponto noturno de celebração. E ele se chama Aphrodisiac night Club, onde os melhores DJs do país se apresentam e a seleção nacional de futebol bate ponto sempre que volta de algum jogo internacional. A noite de quinta, chamada de “Ladies Nite”, por reunir as mais belas gatas ganesas, vale a pena. www.clubaphro.com

Muitos praticantes de ioga desejam viajar à Índia para conhecer as raízes da milenar prática que promove bem-estar físico e espiritual. Mas parte dessa turma pode ter receio do que vai encarar ao pisar na superpopulosa e, muitas vezes, caótica terra de Gandhi. Pois no caso do Resort lotus Yoga Retreat não tem tempo ruim: o lugar, na região costeira de goa, é todo feito para garantir paz, beleza e tempo para seus hóspedes. Localizado à beira-mar, diante de uma baía visitada diariamente por golfinhos, o resort oferece vários módulos para a prática – intenso, leve ou moderado – das diversas vertentes de ioga, todas realizadas aos pés de uma montanha sagrada pelos hindus. www.lotus-yoga-retreat.com

Auckland • Se voar, não deixe de beber Se você gosta de vinhos, prepare a mala e reserve um voo pela Air New Zealand. isso porque, a partir do momento em que o passageiro embarca em um dos 777s da companhia, a equipe de bordo oferece o que seu país tem de melhor, especialmente em termos de terroir engarrafado. A lista contém tintos, brancos e espumantes produzidos ao redor de Auckland e demais regiões do país. Agora é torcer para que a companhia amplie seus voos para a outra banda do Hemisfério Sul. www.airnewzealand.com iluSTRAçãO MAnuElA EiCHnER | FOTOS DivulgAçãO


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esquenta

Baladas, festas e clubs do mundo

Metal

FESTA A BORDO OS CRUZEIROS CAÍRAM DE VEZ NO GOSTO DOS BALADEIROS. ROTEIROS COM TEMÁTICAS DEFINIDAS, COMO OS NAVIOS COM BANDAS FAMOSAS, DJS E FESTAS 24 HORAS POR DIA, SÃO OS PREFERIDOS E LOTAM AS EMBARCAÇÕES. VEJA ALGUNS QUE JÁ PERCORRERAM ÁGUAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS E FAZEM SEU RETORNO EM 2012

Os integrantes da banda Kiss confirmaram um novo Kiss Kruise em 2012, que acontecerá na época de Halloween. O primeiro cruzeiro da banda ocorreu em outubro do ano passado e lotou o navio de fãs. Os músicos fizeram algumas apresentações e andaram a caráter – e sem seguranças – pelo navio. Durante a viagem de Miami às Bahamas ainda aconteceram diversas atividades relacionadas à banda. QUANDO: entre 31 de outubro e 4 de novembro PREÇO: a partir de US$ 750 www.thekisskruise.com

Eletrônico

Indie

Kaskade, Booka Shade, Lovebirds, Phonique, Life is a Loop e Kings Of Swingers. Esses são alguns dos DJs e projetos de música eletrônica que se apresentam na 6ª edição do Music on Board Festival 2012. As mais de duas mil pessoas devem embarcar no luxuoso navio Vision of The Seas para assistir a 18 atrações musicais em mais de 50 horas de festas. Na noite do dia 10, com a lua cheia, será celebrada a Festa do Branco, assinada pelo badalado club Green Valley. QUANDO: entre 9 e 12 de março PREÇO: a partir de R$ 1.500 (mulher) e R$ 2.200 (homem) www.mobfestival.com.br

A marca de óculos Chilli Beans espera embarcar 2.900 passageiros em um cruzeiro exclusivo a bordo do Soberano dos Mares. Serão ao todo 36 horas de festa non stop, com programação musical que inclui a banda francesa Plastiscines e DJs set da Pitty, Boss in Drama, DataBase, Killer On The Dancefloor, Zegon, entre muitos outros. O roteiro da viagem começa e termina no Porto de Santos, em São Paulo, e passa por Angra dos Reis, sem paradas. QUANDO: entre os dias 8 e 10 de março PREÇO: a partir de R$ 999 (por pessoa) http://chillibeans.com.br/navio FOTOS DIVULGAÇÃO


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de bar em bar Os melhores ambientes e bebidas

RADICAIS CHIQUES EXAGERADAMENTE AMARGAS, ALCOÓLICAS E INVENTIVAS, AS “CERVEJAS EXTREMAS” ESTÃO REVOLUCIONANDO O PALADAR E ELEVANDO A BEBIDA PARA UM NOVO PATAMAR DE INTENSIDADE

MATURADA NAS PEQUENAS CERVEJARIAS ARTESANAIS dos Estados Unidos desde o começo dos anos 1990, a onda das chamadas cervejas extremas vem ganhando o mundo e também espaço nos bares do Brasil. Hoje, há cardápios repletos de ruivas e morenas complexas e saborosas, com gradação alcoólica muitas vezes superior a 10%. De tão amargas, essas “radicais chiques” são praticamente odes ao lúpulo, um dos ingredientes básicos da cerveja. “Quando colocado no início do cozimento, o lúpulo confere amargor. no final do processo, mais aroma”, explica luis fabiani, mestre cervejeiro da Cervejaria Nacional, em São Paulo. “Nessas versões extremas, lúpulos diferentes são colocados continuamente, levando o sabor final a outro patamar.” As novidades vêm embaladas em rótulos modernos e em inovações que incluem congelamento para aumentar a gradação alcoólica, envelhecimento em barris de madeira e receitas com pimentas, raízes e sementes. “As extremas são resultado da influência da inventiva escola belga nos euA, que carrega no dnA a tradição inglesa da cerveja amarga”, diz Paulo leite, dono do empório Sagarana (leia mais na outra página), em São Paulo. No mês passado, a BrewDog, cervejaria escocesa que leva a revolução das cervejas extremas às últimas consequências (e idem com os preços, pois uma long neck da marca pode custar R$ 600), desembarcou no Brasil. Status conversou com o dono da companhia, James Watt (foto ao lado), uma figura mezzo punk mezzo homem de negócios, sobre seus planos e seu amor pelo lúpulo.

LOUCURA ENGARRAFADA

Quatro BrewDog que revelam a filosofia da cervejaria: James Watt, dono da BrewDog

“QUEREMOS CHOCAR” Qual a ideia por trás das cervejas BrewDog? Nós queremos revolucionar o mercado. Queremos chocar com uma atitude nova, mas não apenas isso: somos viciados em lúpulo, em nosso bar em Aberdeen (interior da Escócia) fazemos até pizza com ele, e usamos os melhores do mundo, incluindo americanos e neozelandeses. E você quer convencer o brasileiro a pagar R$ 600 por menos de 350 ml de cerveja? Por que as pessoas pagam pequenas fortunas por garrafas de vinho ou uísque e não podem pagar R$ 600 por uma cerveja especial? De fato, estamos elevando a bebida para outro nível, pois usamos sempre os melhores ingredientes e investimos em novas tecnologias, como o congelamento e o envelhecimento em barris de uísque. Qual o perfil de quem bebe BrewDog? Nossas cervejas são destinadas realmente para aficionados, não para o bebedor de cerveja comum, aquele que quer tomar dúzias de garrafas. Também não aconselhamos que vocês, brasileiros, gelem demais nossa cerveja, sob o risco de a complexidade de aromas e sabores se perder no frio.

HARDCORE IPA Essa Imperial IPA é “para loucos, ciganos e astros internacionais de xadrez”, segundo seus fabricantes, que garantem ser a cerveja com mais lúpulo e amargor do Reino Unido. Tem 9,2% de gradação alcoólica e preço a partir de R$ 18.

PUNK IPA A única que também vem em lata é uma American IPA com 6% de álcool e agressivamente amarga, com aroma frutado, incluindo notas de kiwi, morango e caramelo. A long neck custa a partir de R$ 15.

SINK THE BISMARK fruto da disputa com a cervejaria alemã Schorschbräu para ver quem produz a mais alcoólica cerveja do mundo, essa Imperial IPA chega a absurdos 41% de álcool. Resinosa e condimentada, contém quatro vezes mais lúpulo que uma IPA normal. A partir de R$ 600.

TOKYO Essa Imperial Stout tem 18,2% de gradação alcoólica, o que faz sua textura ser semelhante à do vinho. Sua elaboração inclui grandes quantidades de maltes, jasmim e cranberries, dose extra de lúpulo seco e envelhecimento com lascas de carvalho francês torrados por quatro semanas. A partir de R$ 60.


O canto das Minas escondido em uma esquina pouco movimentada da lapa, em São Paulo, o Empório Sagarana é um dos melhores bares para você desfrutar de cervejas artesanais com calma e conhecimento. Aberto como empório em agosto de 2009 e ampliado para bar poucos meses depois pelo mineiro Paulo leite e sua esposa, Priscila, o Sagarana é um respiro para fora do caos da metrópole, emoldurado pela simplicidade e capricho dos melhores empórios dos confins das Minas Gerais. Ali, você pode degustar alguns dos cerca de 100 rótulos de cervejas em um cardápio rotativo e sazonal, sem a balbúrdia

presente na maioria dos bares de SP. A equipe de garçons presta uma assessoria simpática sobre cada qualidade e categoria da bebida disponível no dia e indica iguarias para acompanhar – o sanduíche de pancetta com rúcula, queijo canastra e melaço de cana é, por exemplo, imbatível na harmonização com cervejas fortes. A oferta de cachaça também é generosa, assim como a de quitutes típicos do interior mineiro, como doce de leite, compotas e queijos. www.emporiosagarana.com.br

foRçA do inteRioR O mais novo lançamento da Cervejaria Colorado não será engarrafado. Depois de criar cervejas com mandioca, mel e café, os mestres cervejeiros de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, apostam em uma Imperial IPA não pasteurizada e com rapadura na receita: a Vixnu (pronuncia-se “vishnu”), com nome emprestado da mitologia hindu. O chopp acobreado é elaborado com lúpulos americanos, o que lhe confere um amargor forte e aromas cítricos, sobretudo de maracujá. Tem 9,5% de gradação alcoólica. “Esta cerveja é para quem gosta muito de malte, rapadura e lúpulo. Se você procura uma cerveja aguada, simples e rápida de tomar, não vai encontrá-la nesta garrafa”, aconselha Marcelo Carneiro, um dos donos da cervejaria. www.cervejariacolorado.com.br

RAiz dA Revolução Quem busca cervejas únicas e inovadoras provavelmente já se deparou com uma Rogue diante de si. Se for o seu caso, pode se considerar um sujeito de sorte. A empresa nascida em Newport, Oregon, está entre as pioneiras na revolução de sabor levada ao mundo pelas microcervejarias norte-americanas. Com mais de 50 variedades, cada uma delas marcada por um emblema mais bonito que o outro, a cervejaria não faz nada fácil ou em grande quantidade. Sua distribuição irregular, inclusive, adiciona um pouco mais de charme a sua fama. Além, é claro, de incríveis invenções à base de trigo sarraceno (a Morimoto Soba), avelã (Hazelnut Brown), zimbro (Juniper Pale Ale), pimenta (Chipotle Ale) e de adições generosas dos mais diversos e raros lúpulos. www.rogue.com


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Hotéis e viagens para seduzir

O VOO ATRASOU? SORTE A SUA

Por Natália Mestre

STATUS SELECIONOU OS DEZ MELHORES AEROPORTOS DO MUNDO E SUAS PRINCIPAIS ATRAÇÕES. CONFIRA A LISTA E BOA VIAGEM

1

CINGAPURA

CHANGI

Aquelas conexões intermináveis passam despercebidas no aeroporto Changi, em Cingapura. Primeiro, porque quase tudo ali é de graça, desde computadores com internet até confortáveis salas de tevê e cinema. Segundo, pela qualidade do entretenimento, que faz o lugar parecer um parque de diversões. Afinal, não é qualquer aeroporto que pode se dar ao luxo de ter um jardim com cachoeira, plantas carnívoras e um borboletário com mil insetos. Sem mencionar o tobogã de 12 metros, a brinquedoteca para bebês e crianças e o espaço para videogames, com jogos de PC, Xbox e Playstation. Não à toa, Changi vive sendo considerado o melhor do mundo. www.changiairport.com COREIA DO SUL

INCHEON

3 HOLANDA

SCHIPHOL

Se a sua namorada insiste em uma conexão em Amsterdã, na Holanda, tome cuidado: o aeroporto de Schiphol tem fama de casamenteiro. Suas capelas oferecem quatro tipos de cerimônia, desde a simples “Say yes and go” até as que dispõem de um avião inteiro alugado para a festa. Mas viajantes de outros perfis também vão gostar das atrações por lá, como a balada do Holland Cassino, o XpressSpa ou ainda a biblioteca do aeroporto, com literatura traduzida para mais de 20 idiomas, músicas e filmes gratuitos. www.schiphol.nl

FOTOS DIVULGAÇÃO

O ambiente de fachada moderna e interior arborizado, com jardins espalhados pelos terminais, denuncia as intenções do aeroporto de Incheon, a 30 minutos de Seul, capital da Coreia do Sul. A ideia ali é criar uma atmosfera perfeita para o passageiro relaxar – com direito a spas, vestiários para banho e espreguiçadeiras em uma área de descanso. Aproveite ainda para entrar em contato com a cultura local: bem ali no aeroporto está o Museu de Cultura Coreana e sua enorme escultura “Flying to the Future”, que simula uma nave decolando. Uma atração à parte é o campo de golf em tamanho oficial, aberto 24 horas por dia e durante todo o ano. www.airport.kr/eng


ALEMANHA

MUNIQUE

4

A próxima parada é no aeroporto de Munique? Então prepare a caneca. O aeroporto internacional da cidade ostenta o título de ser o único do mundo a ter sua própria cervejaria, a Airbräu, atraindo não apenas os viajantes, mas também moradores locais, que costumam ir até lá apenas para apreciar a bebida. Chegando ao restaurante, peça para sentar no jardim, encoberto por uma bela redoma de vidro e rodeado por muito verde. Mas, se estiver com as crianças, o melhor mesmo é deixar a cerveja de lado e seguir para a praça principal do aeroporto, com pista de patinação no gelo (à dir.), música ao vivo e mais de 50 lojas. www.munich-airport.de

CANADÁ

VANCOUVER Quando tudo parece remeter aos aviões e aos céus, eis que surge um gigantesco aquário na área de embarque, com 850 animais marinhos típicos do Oceano Pacífico. A atração faz do aeroporto de Vancouver um dos melhores para o público infantil, mas adultos também costumam ficar horas parados diante do imponente muro d’água. Não deixe de apreciar também a parede viva, com 18 metros de altura e mais de 20 mil tipos de plantas, na parte externa do aeroporto. www.yvr.ca MALÁSIA

7 Hong Kong (China): um arsenal de lojas de grifes renomadas para voar em grande estilo. www.hongkongairport.com

KUALA LAMPUR Construído em uma área de 100 km2 (quase sete vezes maior que Guarulhos), o aeroporto abriga um pedaço de floresta tropical, protegido por uma estrutura de vidro bem no pátio principal. Outra vantagem de ficar preso neste aeroporto é que não é preciso estar na primeira classe para aproveitar uma área vip. A partir de US$ 40 (duas horas), o viajante pode desfrutar de um espaço exclusivo, com buffet, spa, filmes, internet e outras facilidades no Premium Lounge. www.klia.com.my

6

8 San Francisco (EUA): aprecie as exposições do Museu de Arte Moderna, sem sair do aeroporto.www.flysfo.com 9 Hartsfield-Jackson, Atlanta (EUA): experimente o sushi do conceituado restaurante One Flew South. www.atlanta-airport.com 10 Pequim (China): arquitetura de cair o queixo, com teto de vidro. www.yvr.ca


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Hotéis e viagens para seduzir

MiL E uMA AtrAÇÕES

o tradicional da Jordânia

STATUS DEIXOU A PRIMAVERA ÁRABE DE LADO E EMBARCOU PARA DOIS DOS DESTINOS MAIS PROCURADOS NO ORIENTE MÉDIO. CONFIRA AS DICAS

MESMo oCiDEntALiZADo, o pAÍS MAntéM oS CoStuMES MiLEnArES QuE tAnto FASCinAM oS turiStAS por priscilla portugal, de Amã e de petra

enTRe mAssAGens e BAnHos TeRmAIs

RuÍnAs de TIRAR o FÔleGo

Petra ficou famosa depois de servir como cenário para as cenas finais de Indiana Jones e a última cruzada – mas seus atrativos vão muito além do que mostra a película. Localizada a 200 quilômetros da capital, Amã, a cidade é tomada por ruínas de construções grandiosas, que saíram das mãos de povos locais no fim do século vi a.C. Em geral, gasta-se um dia inteiro para conhecer a arquitetura local, mas, durante o verão (maio a agosto), é melhor dividir o passeio entre duas manhãs. para dormir, uma dica é o Mövenpick resort petra, logo na entrada da cidade. ALGO A MAIS: À noite, o caminho até o tesouro, uma das principais esculturas locais, é iluminado por nada menos que 1,8 mil velas. E, se quiser esticar, siga até o Cave bar, com música ao vivo e narguilé de boa qualidade.

A Jordânia é um país para se conhecer a pé, mas, se aventura e exercício não forem seu forte, há também algumas opções relax. Uma delas é o restaurante Tannoureen, na capital Amã, com seu banquete de comida libanesa ao ar livre e um imperdível pão árabe recém-saído do forno. se a ideia é sair da capital, vale aproveitar as águas termais de sainma’in, a 58 km de Amã (acima). o hotel da rede six senses, bem ali na região, tem um dos spas mais espetaculares do país, em meio às rochas. Algo A mAIs: E por falar em spas, o mar morto (que na verdade é um lago) tem resorts internacionais, como os das redes Kempinski e mövenpick (à dir.). Não perca seus templos de bem-estar e coloque a oleosidade da pele em dia com os tratamentos à base de lama.

um lugar ao sol O imponente deserto de Wadi Rum tem montanhas de arenito que chegam a 1,75 mil metros de altura e é patrimônio cultural e natural da Unesco. Um passeio de 4x4 – ou a camelo – por suas areias termina com a apreciação do pôr do sol detrás dos montes. ALGO A MAIS: À noite, hospede-se no Captain’s Camp, um acampamento com tendas individuais – ou para duas pessoas – feitas em lã de camelo, e aproveite para observar as estrelas cadentes, mais evidentes por lá. Mas, detalhe: por volta da meia-noite a eletricidade do lugar é cortada. FotoS DivuLgAÇÃo


Templos do consumo no Topo do mundo

A mais movimentada entre os sete emirados, a cidade de Dubai parece ter nascido para impressionar. Uma brincadeira entre os moradores resume bem o espírito local: “Pense em algo que nós temos. E se não temos, estamos construindo.” Para entender tal grandiosidade, uma dica é começar pelo restaurante At.mosphere, no 122º andar (isso mesmo) do futurista Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo. É que do topo dos seus 422 metros de altura, a vista realmente impressiona. E a comida também, com seus

frutos do mar e ingredientes orgânicos ALGO A MAIS: Vale a pena subir mais um pouco e chegar até o topo do prédio – com seus 160 andares e 828 metros de altura – para uma visão panorâmica do Emirado. O espaço fica ainda mais concorrido no pôr do sol. www.atmosphereburjkhalifa.com

Livre de taxas e impostos, Dubai te convida a gastar. Somente no Dubai Mall, o maior shopping center do planeta, são 1,2 mil lojas, incluindo as grandes grifes, como Prada e Armani, e uma praça de alimentação com 160 opções. Entre uma compra e outra, vale curtir um imenso aquário, com nada menos que 33 mil animais marinhos em exposição. Outra opção é o Mall of the Emirates, que possui redes de lojas internacionais, mas com preço mais acessível. ALGO A MAIS: Ainda no Mall of the Emirates, deixe o calor de lado e divirta-se em uma estação artificial de ski, com direito a aulas para iniciantes. www.malloftheemirates.com

A cidade dos superlativos HotéiS, gAStronoMiA E SHoppingS grAnDioSoS: DEixE-SE LEvAr pELoS ExAgEroS DE DubAi por natália Mestre, de Dubai

Mistura fina Impossível falar de Dubai sem mencionar o icônico Burj Al-Arab e suas suítes de R$ 35 mil, mas o hotel está longe de ser a única opção luxuosa da cidade. Na mesma rede, vale conferir o curioso Al Qasr, que, em sua parte exterior, simula a cidade de Veneza, na Itália – com direito a um canal e gôndolas trafegando em torno do hotel. Algumas suítes, inclusive, estão localizadas na beira da água, permitindo que os hóspedes tomem seu café da manhã na sacada, enquanto assistem ao passeio dos barcos. Já no interior, o cenário muda de figura: ali a inspiração volta a ser o mundo árabe, com estátuas douradas, almofadas e muita tapeçaria. Algo A mAIs: Com 550 metros quadrados, a suíte principal do hotel é a sensação da casa. Tem terraço particular, três quartos, sala de jantar, concierge privativo e, para completar, dá acesso a uma praia particular, a um sPA e a um mercado exclusivo para os hóspedes, com 75 lojas. o preço da mordomia gira em torno de R$ 11,5 mil por dia.


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água na boca

Só o cardápio não basta

Por Priscilla Portugal

Cozinha de autor Ela tem apenas 27 anos e sabe bem o que quer. Manu Buffara é chef e proprietária do restaurante curitibano Manu, que completou um ano. Ela falou com Status e passou a receita do lagostim no wonton, massa da cozinha chinesa normalmente recheada com carne de porco. ✥ Qual é seu estilo na cozinha? É tecnoemocional, com ingredientes locais e técnicas modernas.

De dar água na boca Se for à cidade do Porto, em Portugal, não perca essa: o Lingerie Restaurant é um ponto G-astronômico no mínimo interessante. Entre as opções de comida, os cardápios recebem nomes temáticos, como o Afrodisíaco e o Lingerie, e os pratos vão ainda mais direto ao ponto: “Swing Couple”, “Grelo da Maria”, “Oh si carinõ”, “Lábios Rosados”, “Linguado à Cicciolina”, “69 Italiano”, “Orgia de Carnes” e “Viúva Insaciável”. Com toda esta carga erótica, o menu é o que menos importa: as garçonetes atendem de lingerie e, de tempos em tempos, ainda fazem striptease ao longo da noite. Mas cuidado ao escolher quem vai lhe atender, porque os garçons também circulam por lá em trajes sumários. www.thelingerie restaurant.com

✥ Como faria um balanço de um ano do restaurante? Foi uma experiência nova para Curitiba, pois trabalhamos com menu-degustação, entre quatro e 12 pratos, com valores entre R$ 78 e R$ 168. Mas a aceitação me surpreendeu. ✥ Quais são as novidades para 2012? Pretendo trocar o cardápio a cada 15 dias, e não a cada mês. Também vamos realizar em junho a terceira edição do Food Experience. É um almoço especial, para dez pessoas. Já fizemos na praia e em uma fazenda. Para o próximo, queremos em um parque. ✥ Fale sobre o lagostim no wonton. Gosto de deixar o lagostim quase cru por dentro e o wonton levemente dourado. Para isso, frito no fogo médio e em óleo de girassol, que é mais leve.

Lagostim no wonton Ingredientes: 2 unidades de lagostim • 2 folhas de wonton • 1 maço de agrião selvagem (um tipo de agrião que nasce sem semente) • azeite de semente de uva • 30 g de castanha de caju salgada • 60 g de parmesão ralado • 2 dentes de alho • tampa de um limão-siciliano Modo de preparo: para fechar o wonton, faça uma massa líquida, utilizando um pouco de farinha e água e reserve. Limpe o lagostim e reserve. Prepare um pesto (no pilão ou no liquidificador) com o agrião selvagem, o parmesão, o azeite de semente de uva, o alho e a castanha de caju. Deixe emulsionar bem. Ele deve ficar liso e com uma cor verde-clara. Tire a tampa do limão para decorar. Sirva com o creme azedo. CREME AZEDO Ingredientes: 50 g de creme de leite • 10 g de iogurte • 10 g de limão • 10 ml de vodca Modo de preparo: bata o creme de leite, junte o iogurte, o limão e a vodca. Depois, deixe descansar na geladeira. Montagem: enrole o lagostim dentro do wonton e frite até a Montagem: massa ficar crocante. Decore com o pesto e o creme azedo. www.restaurantemanu.com.br

FOTOS DIVULGAÇÃO


SOB O CÉU DE BARCELONA Situado em um palácio do século XIV, o La Terrassa del Duquesa é perfeito para curtir a atmosfera de Barcelona. Do terraço, é possível avistar as famosas torres do Porto Olímpico e a praia da Barceloneta. Os coquetéis são responsabilidade do barman Josep Maria Gotarda, do Ideal Cocktail Bar. Não perca o gim tônica e os mojitos. Para petiscar, escolha as tapas: sanduíches e pequenas porções, como a de presunto ibérico e a de anchovas. Há opções de carnes na grelha, como Black Angus. ALGO A MAIS: A vista do Porto Olímpico, construído em 1992 para as competições de vela das Olimpíadas, permite contemplar construções modernas e os iates luxuosos que aportam na marina.

Da França para a Itália. E vice-versa

Acima, o retrato de Fellini no salão do Figurati. Ao lado, o tagliarini ao pesto do mesmo restaurante

Acaba de acontecer um movimento curioso em São Paulo. O casal Francisco Barroso e Nancy Mattos, com dez anos de experiência na gastronomia francesa (leia-se Le Vin e outras oito casas), agora aposta nos suculentos pratos italianos, no novo Figurati, no bairro de Cerqueira César. Ao mesmo tempo, o restaurateur Juscelino Pereira, do Piselli, inaugurou o francês La Cocotte, nos Jardins. No Figurati predomina a cozinha clássica, como nos aspargos salteados com ovo pochê e queijo Fontina, no tagliarini ao pesto e no brasato alla piemontese. O cardápio tradicional parece provocar o fantasioso diretor Federico Fellini, cujo retrato estampa uma parede do restaurante. Já o La Cocotte segue o caminho inverso. A decoração retrô, garimpada em acervos pessoais, é cenário para uma proposta divertida: servir alguns pratos em panelinhas coloridas, as cocottes. Dão água na boca os camarões à la provençale. Até as sobremesas chegam à mesa nesse formato. Prove as trufas de chocolate. www.figurati.com.br | www.lacocotte.com.br

COMIDA ESTRANHA E BALA ESQUISITA O divertido site Think Geek oferece opções “gastronômicas” no mínimo exóticas como drops de onion rings, goma de mascar de wasabi, pipoca com cafeína e doce em forma de chifre de unicórnio. E vamos combinar? Nem precisa ser geek para dar boas risadas com essas ideias malucas. www.thinkgeek.com


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perigo

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Limão

Homem na cozinha

Por Bruno Weis Corvina

Sal

Cebola roxa

Coentro Milho

Primenta dedo de moça

Preparar uma refeição saborosa neste calor inclemente sem usar fogo não é apenas uma boa opção. É a melhor oportunidade para você aprender a fazer um ceviche, o prato latino-americano mais famoso do momento. Refrescante, colorido e com texturas e sabores contrastantes, sua receita é fácil e rápida. Você vai precisar basicamente de ingredientes frescos e de uma boa faca. Na essência, trata-se de peixe cru

cozido no suco do limão e bem temperado por diversos complementos. “Peixes de carne firme, como corvina ou tilápia, são os mais indicados”, ensina o chef colombiano Dagoberto Torres, do Suri Ceviche Bar (www.suri.com.br). “Para uma tarde quente, o prato é ideal ao lado de uma cerveja bem gelada.” Incentivado por Alex Atala, com quem trabalhou por um ano no D.O.M., Torres abriu seu restaurante há dois anos em São Paulo e,

desde então, vê a onda dos peixes crus marinados crescer sem parar. Um dos responsáveis por essa tendência de raiz latina, Torres tem em sua carta sete versões da receita, incluindo ousadias com abacate, tamarindo e creme azedo. Aqui, o chef ensina a versão mais tradicional de prato de raiz peruana, com seus ingredientes clássicos, tudo cortado bem, mas bem miudinho. Tome nota e buén provecho!

GOSTO LATINO REFRESCANTE E COLORIDO, O CEVICHE É O MAIOR HIT DA CULINÁRIA DO NOSSO CONTINENTE. FÁCIL E RÁPIDO DE PREPARAR, É IDEAL PARA COZINHEIROS INICIANTES TESTAREM SUAS HABILIDADES NESTE VERÃO

CORES VIVAS Abra a sua geladeira e confira se está tudo lá: um filé limpo de corvina de 160 g, 70 ml de suco de limão, 40 g de cebola roxa, 30 g de milho cozido e 3 g de pimenta dedo de moça. Ah, não se esqueça do coentro (5 g) e da batata-doce (cerca de 80 g), o acompanhamento ideal.

DOCE CONTRASTE Descasque

FACA AFIADA Com uma boa

as batatas-doces e corte-as em bastões e cozinhe em água fervente. Dica: no final do cozimento, jogue um pouco de suco de laranja na água, desligue o fogo e reserve. Se não tiver o tubérculo em casa, ok, você pode substituí-lo pela brasileiríssima mandioca – o chef Torres garante que dá muito certo.

faca, corte o filé de corvina em cubos grandes, de cerca de 2 cm. Em seguida, coloque os cubos de peixe em uma pequena vasilha e adicione sal, a pimenta e o suco do limão para que o cozimento seja uniforme. Não deixe de tirar da pimenta todas as sementes e fibras brancas, para deixá-la mais suave.

COZIMENTO CONTÍNUO Em cinco minutos o prato está pronto, mas, se você preferir deixar o limão cozinhar o peixe por mais tempo – o que vai do gosto e da cultura de cada um –, deixe-o na geladeira por mais alguns minutos. Para terminar, acrescente a cebola e o milho cozido na hora e, justo antes de servir, adicione a batatadoce e finalize com o coentro.

FOTOS ROGÉRIO CASSIMIRO


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ignição

Os brinquedinhos dos sonhos

DUPLA PERSONALIDADE MUDANÇA BRUSCA O Quadski muda de cara rapidamente: na terra conta com tração nas quatro rodas e na água possui propulsão náutica parecida com a dos jet skis. E basta apertar um botão para as rodas se retraírem em apenas cinco segundos. Detalhe: sua autonomia é de 600 km, o que garante, no mínimo, duas horas de pura diversão.

VASTA EXPERIÊNCIA Para desenvolver veículos anfíbios, a Gibbs Technologies investiu mais de US$ 100 milhões. Além do Quadski, a empresa criou o carro esportivo Aquada, já homologado para venda na Europa, e está em fase de teste com o jipe Humdinga, pensado para o uso militar.

QUADSKI CAPACIDADE duas pessoas MOTOR 140 cavalos de potência VELOCIDADE 72 km/h

AUTONOMIA 600 km PREÇO US$ 50 mil FOTOS: DIVULGAÇÃO

O Quadski, veículo anfíbio que mescla quadriciclo com jet ski, foi lançado em 2006, mas os céticos de plantão apostaram que ele não passaria de um protótipo. Pois bem, o neozelandês Allan Gibbs, fundador da Gibbs Technologies, vai contrariar todas as previsões mais pessimistas. Até o fim do ano, o brinquedinho de gente grande começa a ser vendido ao público nos Estados Unidos. Ele promete fazer a alegria de quem gosta de diversão na terra e na água – cortesia de um motor a gasolina de 140 cavalos de potência. Seu preço estimado é de US$ 50 mil.


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poder

Quem tem, quem quer ter

POLÍTICA AFRODISÍACA

DÉCADAS DEPOIS DE MORTO, KENNEDY AINDA É PIVÔ DE ESCÂNDALOS SEXUAIS. MAS ELE NÃO É O ÚNICO

John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), o presidente americano que ocupou a Casa Branca entre 1961 e 1963, era conhecido muito mais pela sua insaciável fome de sexo do que pela sua habilidade no campo da política – apesar, é verdade, de ter triunfado na crise dos mísseis de Cuba. Jack, como era chamado pelos familiares e amigos mais próximos, levou para a cama um séquito de mulheres, de divas como Marilyn Monroe (1926-1962) a dezenas de anônimas, que, até hoje, surgem ganhando fama instantânea ao revelar um caso com Mr. President. A mais recente é Mimi Alford, de 69 anos, que trabalhou como estagiária na Casa Branca, quando contava apenas 19 anos. Ela acaba de lançar o livro de memórias Once upon a secret (Era uma vez um segredo), no qual revela suas aventuras com Kennedy. Mimi conta que perdeu a virgindade com JFK na cama em que ele dormia com Jackie Kennedy (1929-1994) na Casa Branca. E a relação, iniciada depois de receber um convite para um banho de piscina ao lado de Dave Powers, secretário de Kennedy, teria durado 18 meses. Durante esse tempo, ela se submeteu a todas as vontades de Kennedy, inclusive a “tomar drogas que deixavam o corpo mais relaxado”. “O fato de ser desejada por um dos homens mais poderosos do mundo fez com que a ideia de resistir aos seus avanços estivesse fora de questão”, diz Mimi. Certa vez, conta Mimi, o presidente pediu que ela fizesse sexo oral em Dave Powers, para que ele relaxasse. Ela prontamente atendeu ao pedido de JFK. Tempos depois, ele pediria que ela fizesse o mesmo com Ted Kennedy, seu irmão mais novo, o que Mimi se recusou a fazer. Dali em diante, a relação esfriaria. Histórias de presidentes e jovens amantes inebriadas pelo poder não são exclusividade de JFK. Listamos algumas:

BILL CLINTON Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, o democrata também fez do famoso Salão Oval o seu “parquinho de diversões”. É que o lugar foi palco de sessões de sexo oral e também outras brincadeirinhas envolvendo certos charutos com a estagiária Monica Lewinsky.

SILVIO BERLUSCONI O ex-premiê italiano protagonizou um dos maiores escândalos sexuais de um governante no poder: foi acusado de levar uma menor de idade para a cama e de fazer festinhas particulares regadas a bebida e muitas garotas, digamos, profissionais na arte da conquista.

FOTOS SHUTTERSTOCK | LIBRARY OF CONGRESS, AGENCIA BRASIL | DIVULGAÇÃO | MAURIZIO BRAMBATTI

JUSCELINO KUBITSCHEK (1902-1976) O presidente bossa nova não só governou o País entre 1956 e 1961 como deixou marcada a sua imagem de pé de valsa mulherengo. Uma de suas conquistas fora do casamento foi Maria Lúcia Pedroso, casada com seu correligionário, o então deputado José Pedroso. Sempre que se encontrava com Maria Lúcia, JK registrava em seu diário que estava em “audiências”.


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homem de status

Os maiores ícones masculinos de todos os tempos

WAGNER MOURA SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA, O ATOR BAIANO É UM DOS MAIS TALENTOSOS DE SUA GERAÇÃO E SIMBOLIZA A NOVA FASE DO CINEMA BRASILEIRO Se a chamada “retomada” do cinema nacional tem um rosto masculino, é o do ator baiano Wagner Maniçoba de Moura, 35 anos. Nascido em Salvador, formado em jornalismo, casado e pai de dois meninos, Wagner é um dos mais populares e premiados atores de sua geração. O atormentado Capitão Roberto Nascimento de Tropa de elite é seu mais famoso personagem, mas Wagner também encarnou outros tipos inesquecíveis em filmes como Carandiru, Deus é brasileiro, Cidade Baixa, Vips e O homem do futuro. E isso sem contar suas elogiadas atuações no teatro – Wagner foi forjado ator nos palcos amadores de Salvador–, como sua montagem de Hamlet, em 2008, e na tevê, como na novela Paraíso tropical, de 2007, na qual deu vida ao vilão Olavo Novaes. Na vida real, o ator é nada afeito a estrelismos e sempre deixa claro que prefere estar com sua esposa, Sandra, e seus filhos Bem e Salvador, em casa, do que sob os holofotes. Mas encontra tempo para se posicionar politicamente, sobretudo em defesa do meio ambiente, e manter a banda de rock Sua Mãe com amigos de colégio. Nem Hollywood resistiu ao talento do jovem ator: Wagner trabalhou nos últimos meses ao lado dos atores americanos Matt Damon e Jodie Foster no longa-metragem Elysium, previsto para 2013.

Quanto mais na moita ficar o ator, mais críveis serão seus personagens” Wagner Moura, em declaração ao programa Roda Viva da TV Cultura FOTO JORGE BISPO/ACERVO TRIP

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design

Arte e decoração

Por Fabrícia Peixoto

Nas fronteiras da linguagem Lenora de Barros é uma dessas artistas de difícil definição, com uma obra que transita entre as artes plásticas e a poesia. Talvez por isso ela prefira ser chamada de artista visual – o que faz todo o sentido, considerando o forte peso das imagens em quase tudo que faz. Pois grande parte de seu trabalho pode agora ser conferida no recém-lançado Relivro (com direção de arte de Renata Zincone, da equipe de Status), incluindo os consagrados Poema (1979) e Procuro-me (2001). Aos 58 anos e 25 de carreira, a artista falou à Status: STATUS Você vê o Relivro como uma espécie de coletânea definitiva de suas obras? Lenora de Barros O livro reúne boa parte de minha trajetória, mas está longe de ser uma coletânea definitiva. Relivro foi realizado a partir da mostra Revídeo, que montei em 2008, no espaço Oi Futuro Flamengo, no Rio, e adaptado para ser um projeto que transcendesse aquela exposição e que pudesse ser curtido por si só. STATUS E quais são os planos para 2012? Lenora de Barros O ano passado foi muito intenso. Participei da 11a Bienal de Lyon, na França, fiz duas exposições individuais... A mais recente, Sonoplastia, aconteceu no fim do ano passado na Galeria Millan, onde desenvolvi uma instalação sonora. O universo da sonoridade e performance vocal tem me interessado muito e estou pensando em alguns projetos nessa direção.

EFEITO MOLA Com estrutura de aço e desenho bem pouco convencional, a cadeira Zigo, do designer israelense Ron Arad, proporciona uma leve sensação de mola ao sentar. Suas linhas finas e o revestimento em fibra natural fazem da peça uma boa opção para ambientes arejados, como varandas e jardins. No Brasil, a cadeira pode ser encontrada na Collectania. Preço: R$ 6.426 www.collectania.com.br FOTOS FABIANA DE BARROS

FOTOS DIVULGAÇÃO


GIBI NA PAREDE Vejam o que a paixão pelos quadrinhos é capaz de fazer. O técnico em audio Mike Alcantara, de Austin (Texas), buscava uma forma de admirar por mais tempo seus personagens favoritos. Foi então que teve a ideia de criar pôsteres para as paredes da casa, a partir do corte e cola de seus gibis. O resultado agradou tanto aos amigos que Mike resolveu vendê-los via internet – e graças ao boca a boca virtual, o técnico fez fama: seus painéis chegam a custar US$ 400. www.etsy.com/shop/Comiccollageart

NÃO É BRINQUEDO Feita em madeira e vidro, a cabana Fincube pode ser desmontada e montada em outro local, sem grandes mistérios. Além da praticidade, os designers do estúdio Aisslinger, da Alemanha, pensaram sobretudo no baixo impacto ecológico do projeto: graças a uma base de 2 m2, a estrutura não causa tanto estrago no solo. Já a cabana tem 47 m2 e vem completa. Ela possui sala de estar, quarto, banheiro, cozinha e um corredor externo que funciona como varanda. www.aisslinger.de

TORRES GÊMEAS A belíssima estante Twin não saiu da imaginação de um arquiteto ou designer – mas sim de uma equação de computador do escritório de criação gt2P, do Chile. O móvel é desenvolvido por uma complexa fórmula matemática, que define não apenas o formato das curvas, mas também a quantidade de subdivisões, seguindo as especificidades de espaço de cada ambiente. Feita em MDF laqueado, a estante tem duas partes idênticas, que podem ser usadas juntas ou separadamente. Preço sob consulta. www.gt2p.com


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o cara

Por que ele é invejado

RODRIGO HILBERT O ATOR DE 31 ANOS É CASADO COM A APRESENTADORA FERNANDA LIMA, MAS EM SEU CURRÍCULO DE CONQUISTAS AMOROSAS ESTÃO TAMBÉM OUTRAS ESTRELAS Aos 23 anos, o ator Rodrigo Hilbert já tinha namorado e ficado com algumas das mulheres mais cobiçadas do Brasil. Na lista estão Maria Paula, Mel Lisboa, Juliana Paes, Luana Piovani e até Gisele Bündchen. (Discretíssimo, ele nunca se pronunciou sobre nenhum desses casos.) Mas foi com a musa Fernanda Lima, 34 anos, que ele se casou e se tornou pai dos gêmeos João e Francisco, 3 anos. Os dois se conheceram nas passarelas em 2001, namoraram por uns tempos, com algumas idas e vindas no relacionamento, e, quando gravaram a novela Pé na jaca (2007), reataram a relação. Antes de virar ator, Rodrigo trabalhava como ferreiro na oficina do avô, em Orleans, interior de Santa Catarina. Aos 18 anos, foi descoberto em uma praia por uma agência de modelos. Viajou para o exterior, onde se tornou modelo de sucesso como um dos rostos da grife Versace. Na volta ao Brasil, quatro anos depois de ser descoberto, estreou na novela Desejos de mulher, e sua carreira de ator deslanchou. O catarinense já participou de sete novelas e fez os filmes Irmãos de fé e Flordelis – basta uma palavra para mudar.

FERNANDA LIMA Ela já fez de tudo na Rede Globo. Substituiu Angélica no Vídeo game, foi protagonista das novelas Bang bang e Pé na jaca, teve quadro no Fantástico e apresentou o Por toda a minha vida. Mas foi no comando de Amor & Sexo que Fernanda se encontrou. Em entrevista à revista IstoÉ Gente, Fernanda contou alguns truques para apimentar a relação com o marido: “Às vezes uso uma lingerie. O Rodrigo gosta e pede para eu botar. Aí eu boto, ele tira…”, revelou. FOTOS ALÊ DE SOUZA/ISTOÉ GENTE | DIVULGAÇÃO

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A outra versão da história

LEMBRANÇA EXPLOSIVA ALVO DOS NAZISTAS DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, LONDRES ATÉ HOJE ESCONDE DEZENAS (TALVEZ CENTENAS) DE BOMBAS E MORTEIROS QUE CAÍRAM SOBRE A CIDADE E NUNCA DETONARAM Há cerca de três anos, engenheiros comandavam uma das obras para os Jogos Olímpicos, na zona leste de Londres, quando um objeto de aproximadamente uma tonelada apareceu entre as escavações. Não havia dúvidas: tratava-se de mais uma bomba de origem alemã, jogada sobre a capital inglesa durante a Segunda Guerra Mundial. Não há uma estatística exata, mas o próprio governo britânico confirma a presença de pelo menos 100 desses artefatos adormecidos na cidade. São bombas que não explodiram e, no caos da guerra, acabaram ficando soterradas na reconstrução da cidade – muitas delas com endereço certo, como o cemitério Abbey Park, na zona norte de Londres. O próprio Estádio Olímpico, no bairro de Stratford, foi construído sobre uma área intensamente bombardeada durante a guerra. Em alguns casos, as bombas são retiradas e explodidas em segurança, mas a maioria fica mesmo onde está: segundo o Ministério da Defesa britânico, a remoção é indicada apenas quando o artefato apresenta algum indício de “instabilidade”. Para evitar riscos, só mesmo andando com detector eletromagnético...

NO ALTO, AVIÃO NAZISTA SOBREVOA LONDRES DURANTE A GUERRA. COM O FIM DO CONFLITO, BOMBAS QUE NÃO EXPLODIRAM COMEÇAM A APARECER (ACIMA). ALGUMAS DELAS TÊM ENDEREÇO CONHECIDO, COMO O CEMITÉRIO DE ABBEY PARK (AO LADO) FOTOS POPPERFOTO/GETTY IMAGES | HANS WILD/TIME & LIFE PICTURES/GETTY IMAGES | DIVULGAÇÃO


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play Discos, shows e o que mais interessar no mundo da música 1. KURT COBAIN O falecido cantor do Nirvana lançou moda com as camisas xadrezes e as calças rasgadas, mas ele adorava se apresentar usando saia.

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agenda

2. IGGY POP Em 2011, para celebrar a bolsa Lady Dior, o principal modelo da marca, a Dior organizou uma exposição em Xangai, na China, com personalidades usando o acessório. A imagem mais marcante é a do roqueiro vestido de mulher e usando uma Lady Dior de python.

OS MELHORES SHOWS DE MARÇO JUNIOR BOYS Dia 8, no Cine Joia, em São Paulo, acontece o show do duo canadense, banda predileta de todo mundo que mexe com música eletrônica. MORRISSEY Doze anos depois de sua última visita ao Brasil, o cantor inglês se apresenta no Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, no dia 7; na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, no dia 9; e no Espaço das Américas, em São Paulo, no dia 11.

TRAVESTIDOS DO ROCK Depois que o cartunista Laerte resolveu contar ao mundo que gosta de se vestir de mulher no seu dia a dia (leia a entrevista com ele nesta edição), o termo “crossdressing” caiu na boca do povo. No universo da música, homem usar roupa de mulher já vem de outros carnavais. Confira alguns casos de rock stars que já trajaram roupas do sexo oposto. 3. BOY GEORGE Nos anos 80, a patrulha do politicamente correto ainda não andava à solta por aí, e o então líder do Culture Club, normalmente andrógino, muitas vezes aparecia vestido como uma dama. Haja vista a capa do álbum Waking up with the house on fire. 4. DAVID BOWIE Quando o inglês se declarava bissexual e assumia personagens andróginos, resolveu posar para a capa de seu álbum The man who sold the world usando um vestido longo.

Por Piti Vieira

THE NAKED AND FAMOUS Apontada pela equipe da BBC como a promessa musical de 2012, a banda neozelandesa faz show no dia 15, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e no dia 16, no Cine Joia, em São Paulo.

5. QUEEN No videoclipe da música I want to break free, Freddie Mercury faz a dona de casa gostosona, enquanto os outros membros da banda assumem o papel de filha, tia e avó. 6. DAVE GROHL O líder do Foo Figthers vestiu-se como uma fã no videoclipe da música Learn to fly, enquanto o baterista Taylor Hawkins fez o papel da aeromoça. 5

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OS NOVOS DJS DA MADONNA Os irmãos brasileiros Sean (no detalhe, à esq.), 27 anos, e Anthony de Souza, 24, afilhados do estilista Valentino, foram escalados para colocar o som na pista de dança improvisada no chalé do padrinho, na estação de esqui de Gstaad, na Suíça, no Réveillon deste ano. Uma das convidadas da festa foi a cantora Madonna. A popstar se encantou pelo talento musical da dupla – filhos do relações-públicas e embaixador global da grife Valentino Cacá de Souza e da socialite Charlene Shorto – e pediu que eles gravassem as músicas do set em mp3 para ela. De volta aos Estados Unidos, Madonna convidou-os a viajar do Brasil para Nova York, para tocar na festa de lançamento de seu novo filme, W.E. A apresentação dos irmãos foi tão boa que ela os contratou (Sean, o primogênito, é modelo, iogue e ambientalista, e Anthony, o caçula, é engenheiro de som e fotógrafo radicado em Londres) para acompanhá-la na turnê mundial que fará neste ano para promover seu novo álbum. Os dois vão tocar em todas as festas pós-shows que a cantora pretende dar, inclusive no Brasil, no fim do ano.


GÊMEAS POP

Em janeiro, o duo australiano de DJs e produtoras NERVO se apresentou em São Paulo, Brasília e Florianópolis. Aproveitando a passagem das irmãs gêmeas pelo país, a Status conversou com Liv (à esq.) e Mim, coautoras de dois sucessos de David Guetta, When lov takes over e Night of your life. Como é ser uma das poucas mulheres que excursionam pelo mundo no mainstream da música eletrônica? É fantástico. Nós estamos acostumadas a isso e, como temos uma à outra, sempre nos divertimos. E os meninos são sempre muito legais com a gente. Eles ficam felizes em ver algumas meninas em turnê. Vocês já tinham vindo ao Brasil? É a primeira vez que eu venho, e a segunda da Liv. Mas é a primeira vez que nos apresentamos aqui. Estamos muito animadas. Ouvimos que o público daqui é o melhor do mundo e, pelo que vimos até agora, é verdade. O que vocês esperam da “noite” brasileira? Que seja louca, selvagem, divertida e inesquecível. E que acabe tarde. Vocês já receberam algum conselho sobre os homens brasileiros? Haha... Disseram para termos cuidado com o nosso coração. Os brasileiros são famosos por terem uma boa conversa! Hahahaaa!!!

A EVOLUÇÃO DA PLATEIA NOS SHOWS DE ROCK

PALINHA Um dos promissores nomes da música erudita brasileira, a jovem pianista Juliana D’Agostini, 25 anos, mostra suas preferências musicais • Música favorita do ano passado: Rolling in the deep, da Adele. • Três música antigas favoritas: Bette Davis eyes, da Kim Carnes, Your song, do Elton John,

FOTOS DIVULGAÇÃO

e Detalhes, do Roberto Carlos. • Artista novo favorito:

Marcelo Jeneci. • Minha colaboração dos sonhos: tocar um dos concertos de Rachmaninov com uma superorquestra. • Último grande show a que assisti: da Orquestra Sinfônica Brasileira com Yamandu Costa (violão) e Hamilton de Holanda (bandolim). Incrível!

• Equipamento musical ou instrumento favorito: baixo acústico. • Melhor cidade para se tocar: São Paulo, Rio e Nova York. • Coisa mais estranha que já recebeu de um fã: um arranjo de flores falsas. Por que falsas? Meu toque de celular: o tema do filme O poderoso chefão, do italiano Nino Rota.


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Os bastidores da sétima arte

Por Tom Cardoso

O PIANISTA

SANDY ESTRELANDO: A M LI E LUCAS e ingênuo SINOPSE: Jovem xona por uma músico se apai temente pura, mulher aparen ar convence a test mas que logo o is. íve ss es po todos os prazer RIOSOS

VELOZES E FU

GRAZI ESTRELANDO: ND CAUÃ REYMO E RA FE A MASS e s, sarados SINOPSE: Bonito es testam as el a, cheios de vid Kama Sutra 77 posições do horas. em menos de 12

Na indústria pornô? O príncipe William e a duquesa Kate Middleton, o casal real mais badalado do planeta, acaba de ser incluído na polêmica lista Hottest Couple, relação de pessoas famosas que a empresa de filmes pornográficos Vivid Entertainment sonha em ter em suas produções. Brad Pitt e Angelina Jolie também foram listados. Se a produtora americana desembarcasse por aqui, à procura de casais-celebridade, quais seriam os escolhidos? A coluna dá algumas dicas.

RO, SOU BRASILEI NUNCA O ST SI DE O NÃ A DIDONE

JULIAN ESTRELANDO: ZEO AZ M O E BRUN ia erótica éd m Co E: PS SINO a a saga nt co hilariante que busca em io ár de um banc ereção. de sua primeira

APERTEM OS CINTOS, O PILOTO BEBEU

Começaram as gravações do novo filme de Robert Zemeckis (Forrest Gump), Safe house. No longa, Denzel Washington interpreta um piloto com problemas de alcoolismo, que se vê numa situação de vida ou morte quando seu avião começa a apresentar problemas técnicos. JOSÉ ALDO NAS TELAS

O diretor de 2 coelhos, Afonso Poyart, começa a rodar em julho a cinebiografia do lutador José Aldo, estrela do MMA. Seu personagem será interpretado por um conterrâneo, também nascido em Manaus, que já começou as aulas de luta livre: Malvino Salvador.

DVD Capitães da areia

O cinema brasileiro tem produzido boas adaptações de clássicos da literatura. Capitães da areia, de Jorge Amado, não foge à regra. Dirigido por Cecília Amado, neta do escritor baiano, o longa evita clichês e tem o mérito de escalar atores amadores fora dos padrões globais, selecionados na periferia de Salvador.

O HOMEM QUE FILMAVA DEMAIS Selton Mello ganhou um concorrente à altura. O ator baiano João Miguel, estrela de filmes como Estômago, é um dos fominhas do cinema brasileiro. Em oito anos, rodou cerca de 20 filmes. E o ritmo continua frenético: João estará em cinco longas nos próximos dois anos. Ele e Selton disputam, palmo a palmo, o recorde do ator Wilson Gray (1923-1993), que atuou em 250 filmes. FOTOS JIM KEMPER/GETTY IMAGES | DIVULGAÇÃO


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Tudo sobre o mundo da literatura

MANHÃS CARIOCAS Nelson Motta, o sujeito que viveu intensamente a boemia e conviveu de perto com as estrelas da noite carioca, hoje é um pacato e caseiro sessentão que acorda às seis da matina para escrever seus livros e colunas. O produtor, escritor e jornalista nunca esteve tão produtivo. Lançou há pouco um livro sobre a infância e juventude do cineasta Glauber Rocha, colaborou no roteiro de Brado retumbante, minissérie exibida na TV Globo, e agora começa a escrever mais um romance. Nelsinho conversou com a coluna:

fácil. Eu tomei todos os cuidados possíveis quando escrevi sobre o Tim Maia e agora sobre o Glauber. Sentei com os herdeiros, deixei claro quanto eles iriam receber e fiz o meu trabalho. Ficção é outra história. É muito mais angustiante. Vou escrever o meu novo romance e não tenho a mínima ideia do que vai ser, apenas algumas imagens na cabeça.

Você viveu o Rio da bossa nova, das “Dunas da Gal”, do Dancing Days. Hoje é o Rio das UPPs, do Bope, da luta livre... Não tenho saudade. Detesto saudosismo. Naquela época, faltava água todo dia, a gente O Ruy Castro afirmou nesta coluna que está a um passo de abandonar a carreira demorava dez minutos para conseguir uma de biógrafo para se dedicar apenas à fic- ligação para fora do Rio, os morros não tinham ção. Ele não aguenta mais prestar contas luz elétrica, o fogão era na base do fogão-jacaré, da lamparina. Dá para ter saudade disso? aos herdeiros de seus biografados... Eu adoro o Rio de hoje, com net-gato e tudo. Para mim, fazer biografia sempre foi mais

O QUE ESTOU LENDO? GUILHERME FIUZA, ESCRITOR

Estou lendo o livro do Mauro Ventura, O espetáculo mais triste da terra (Companhia das Letras”), um relato muito bem apurado e divinamente escrito sobre a tragédia no Gran Circo Norte-Americano, ocorrido em 1961 e considerado o pior incêndio com vítimas do Brasil (503 mortos). Um belo livro.

SCHWARZENEGGER, O EXTERMINADOR A INVASÃO DO ALEMÃO EM LIVRO O ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (que inspirou o personagem Capitão Nascimento em Tropa de elite) prepara, para a editora Objetiva, um livro sobre a invasão do Complexo do Alemão, ocorrida no ano passado. Além de narrar detalhes da ação, Pimentel irá contar a disputa pelo poder na favela e de como o morro se tornou uma fortaleza do crime organizado. Um cineasta já tem prioridade para adaptar a história para o cinema: José Padilha.

NÃO PERCA

Se existe um sujeito que merece ser chamado de gênio é Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Escrito pelo historiador André Diniz, Pixinguinha – o gênio e o tempo (Casa da Palavra, 208 páginas, R$ 85), esse ensaio, além de reunir fotos inéditas que apresentam cenas do cotidiano do autor de Carinhoso, traz relatos curiosos sobre passagens da vida do flautista, saxofonista, compositor e arranjador que começou a tocar com 14 anos numa choperia do Rio e saiu de lá para virar do avesso a música brasileira.

Arnold Schwarzenegger já começou a escrever suas memórias. O ator e ex-governador da Califórnia promete não deixar nada de fora, nem mesmo detalhes sobre o seu divórcio de Maria Shiver, com quem viveu por 25 anos. O casamento terminou em maio, após Schwarzenegger confessar um caso com a empregada da família, mãe de um de seus filhos. Resta saber se o ator também irá incluir suas farras pelo Carnaval no Rio de Janeiro. Um vídeo (www.youtube. com/watch?v=jQZwshItUwk) mostra o ator “exterminando” algumas mulatas.


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Fotógrafos incríveis e suas mulheres maravilhosas

Nu artístico O fotógrafo americano Ralph Gibson, 73 anos, começou registrando imagens da Marinha dos EUA na década de 50 e, anos depois, abriu seu próprio estúdio em NY. Em 1999, lançou pela editora Taschen o livro “Deus ex machina”, que reúne fotos sensuais realizadas com sua câmera Leica ao longo de quatro décadas de

trabalho. Agora, ele lança pela mesma editora “Nude”, publicação que tem uma versão luxo, limitada a 100 exemplares. Cada livro tem uma página assinada pelo artista. A temática, como o próprio nome diz, é o nu. Gibson costuma dizer que ama fotografar mulheres e que a forma do corpo feminino é absoluta e perfeita. Ao olhar para essas imagens provocativas, alguém discorda?


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O que elas pensam de nós

POR VANESSA BARONE

ENCARNAÇÃO DA VAIDADE Homens que usam creme antirrugas, adoram moda e se depilam não assustam mais. Esses narcisos da nova era, que trocaram o barbeiro pelo coiffeur e o boxe pelo pilates, estão aí para ficar. Como o funk carioca, os livros de autoajuda e o vinho com tampa de rosca, os homens supervaidosos já deixaram de ser um modismo e perderam o medo de se mostrar. Mas aposto que nessas cabecinhas masculinas, de madeixas bem cuidadas, ainda paira a dúvida: até onde se pode ir com demonstrações de vaidade sem comprometer a reputação? Se me perguntarem, tenho um palpite: até a cueca vermelha. E olhe lá. Antes que alguém reclame, me acusando de censura à liberdade “fashion” dos homens, eu explico: não estou dizen-

Voltando à cueca vermelha, é preciso dizer que essa não é uma simples peça de roupa que, por um acaso, é da cor vermelha. Ela é a demonstração máxima do apreço que o sujeito tem por si mesmo e por suas partes íntimas. O vermelho é tão marcante que, segundo alguns consultores de imagem, é a cor ideal para falar em público, por garantir a atenção dos presentes. Sendo assim, fica clara a intenção do rapaz que aparece de cueca vermelha: sim ou com certeza (como diria a blogueira Katylene, o oráculo do submundo)? Sim, ele não quer apenas chamar a atenção: com seu underwear encarnado, ele faz promessas silenciosas de uma performance incendiária, que, não raro, pode acabar em água fria. O sujeito de cueca vermelha é aquele que se preocupa com

ACREDITE:

É DIFÍCIL MANTER A DIGNIDADE COM UM

“SMILE” NO TRASEIRO.

E DIGNIDADE É ESSENCIAL, SEJA NUMA ENTREVISTA DE EMPREGO,

SEJA NUMA CAMA DE MOTEL. do que toda cueca precisa ser branca. Até chegar ao preto, o outro extremo aceitável, há várias gradações de cinza: há o cinza-rato, o cinza-chumbo, o cinza-céu-de-São-Paulo, o cinza-fuligem, o cinza-cimento-queimado e por aí vai. Opções não faltam. Desde que sejam todas lisas, é claro. Porque estampas nas partes íntimas são sempre arriscadas para quem já passou dos 12 anos. Acredite: é difícil manter a dignidade com um “smile” no traseiro. E dignidade é essencial, seja numa entrevista de emprego, seja numa cama de motel.

a beleza plástica da coisa toda. Ele transa olhando para o espelho, para não perder um minuto de sua atuação. Tudo é calculado, até de que lado a gotinha de suor vai escorrer, para não arruinar o penteado. Ele tem certeza de que é lindo e gostoso e fica tão envaidecido de si mesmo que a parceira, coitada, vira mera coadjuvante. O ator principal é ele. O ato sexual é, antes de tudo, com ele mesmo – e com sua cueca vermelha, essa sim, a única companheira que merece fidelidade para o resto da vida.

FOTO ANA VITALE


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Rivalidade saudável

ALGUNS BILHÕES OS SEPARAM O empresário mexicano Carlos Slim, o mais rico do mundo, tem mais que o dobro da forturna de Eike Batista – mas o brasileiro, com seu forte apetite por riscos, vem subindo rapidamente no ranking e afirma que tomará o lugar de Slim até 2015. Conheça algumas diferenças entre os dois executivos:

Eike Batista Eike Fuhrken Batista é mineiro de Governador Valadares, mas mora no Rio de Janeiro desde jovem. Tem 55 anos e torce pelo Botafogo.

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Carlos Slim

Quem é quem

Carlos Slim Helú nasceu na Cidade do México e tem 73 anos. Descendente de libaneses, é fanático por baseball e torce para o New York Yankees.

Com seus US$ 30 bilhões, Eike é a oitava pessoa mais rica do mundo, segundo a Forbes. Há três anos, estava na 61ª colocação, com US$ 7,1 bilhões.

Fortuna

O homem mais rico do planeta tem uma fortuna de US$ 74 bilhões. Em 2009, Slim estava na terceira posição do ranking da Forbes, com US$ 31 bilhões.

CEO do Grupo EBX, com 12 empresas. O grosso da fortuna vem dos setores de petróleo e mineração, mas Eike também investe em saúde e gastronomia.

Império

Seus principais negócios são as operadoras de telefonia America Movil e Telmex, mas Slim tem participação acionária em mais de 200 empresas.

Eike foi casado com a icônica modelo Luma de Oliveira, de quem está separado desde 2004. Hoje namora a bela advogada Flávia Sampaio, 31 anos.

Estado civil

Slim casou-se aos 24 anos, mas em 1999 ficou viúvo. Os amigos costumam dizer que o mexicano é casado com o trabalho.

O brasileiro gosta de se expor na internet: além de um blog, mantém perfis bastante ativos no Facebook e no Twitter.

Estilo

O homem mais rico do mundo não tem computador no escritório e não usa sequer e-mail. Em reuniões, prefere papel e caneta.

É adepto das competições offshore (corrida com lancha em alta velocidade), esporte no qual chegou a ser campeão mundial em 1990.

Hobby

É um reconhecido colecionador de artes. Em 2011, inaugurou um museu, na capital mexicana, com 60 mil peças – a maior parte de seu acervo pessoal. FOTOS CHRIS GOODNEY/GETTY IMAGES | DIVULGAÇÃO


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O que dar para ela

CAIXINHA DE SEGREDOS É incrível a quantidade de itens de beleza que uma mulher consegue carregar em uma simples viagem de fim de semana. Nenhuma novidade até aí, certo? Mas, em vez de abrir uma nova (e infrutífera) discussão sobre o tema, que tal deixá-la ainda mais à vontade com seus apetrechos? A frasqueira Topas Tinanium, da grife alemã Rimowa, serve bem a esse fim. À base de alumínio, são leves, charmosas e ainda protegem o conteúdo contra a umidade. O detalhe fica por conta do cadeado, que ajudará a gata a manter seus segredos a sete chaves. Preço: R$ 2.695. SAC: 0800 746 6920. Foto Gustavo Arrais Por Ariani Carneiro Produção Michelle Kimura MODELO KALINE MACIEL (ELO MANAGEMENT) MAKE/HAIR ADILSON VITAL (GLLOSS) ASSISTENTE DE MAKE/HAIR DEL SANTANA (GLLOSS) ASSISTENTE DE FOTO RAFAEL SCHOENARDIE E CRIS GUEIROS | TRATAMENTO DE IMAGEM DANIEL COSTA


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Escaneando sites de relacionamento, blogs e o melhor da internet

A TRAJETÓRIA DO GOOGLE Em 1995, Larry Page, então com 22 anos, e Sergey Brin, com 21, se conheceram na Universidade de Stanford, quando faziam doutorado. Em 1996, lançaram o Google e mudaram a forma como o mundo procurava por informações na internet. Confira neste breve infográfico a trajetória da empresa que atualmente controla cerca de 80% do mercado de buscas online.

Por Piti Vieira

1999

2000

Larry, atual CEO do Google, e Sergey, diretor de projetos especiais, recebem seu primeiro grande aporte de um fundo de investimentos, no valor de US$ 25 milhões. Em poucos meses, mudam-se para o segundo escritório da empresa, em Mountain View, cidade do condado de Santa Clara, na Califórnia, uma das maiores do Vale do Silício. Também contratam o primeiro Google Chef, que cozinha para os funcionários. Usuários 248 milhões Funcionários 11

O site de buscas chega à sua 26ª língua, ganha seus dois primeiros Webby Awards, o Oscar da internet, e atinge a sua bilionésima página indexada, transformando o Google no maior site de buscas do planeta.

Usuários 719 milhões Funcionários 1.628

A INTERNET É NOSSA Um grupo de hackers anunciou que pretende lançar no espaço satélites orbitais com o objetivo de criar uma nova internet, privada, e que (ao menos em teoria) estaria livre das regras, leis e censura que regem atualmente a rede. Ela seria chamada de Hackerspace Global Grid. A proposta é ser algo parecido com a NREN (National Research and Education Network), que interliga instituições de ensino espalhadas ao redor do mundo para divulgar conhecimento, mas com o acesso menos restrito. A ideia do britânico Armin Bauer ainda está engatinhando, mas uma agência espacial alemã já trabalha com o grupo para custear parte do lançamento.

SE DEU BEM O comediante Ray William Johnson, 30 anos, era ignorado pelas redes de televisão americanas. Para chamar a atenção e conseguir se manter financeiramente, Ray abriu um canal no YouTube, e hoje fatura mais de US$ 1 milhão por ano. Seus vídeos somam 1,5 bilhão de visualizações, com cerca de cinco milhões de acessos por semana (o Google paga até US$ 9 mil para cada dois milhões de visualizações). Ray se veste de pinguim, coloca o cabelo espetado e usa gráficos ousados em suas gravações. Além do site, o humorista mantém uma conta no Twitter (@RayWJ), em que escreve para seus mais de 820 mil seguidores.

FOTOS DIVULGAÇÃO


2012 2004 A dupla fundadora finalmente decide abrir o capital da empresa para fazer uma oferta inicial de ações (o chamado IPO), para arrecadar US$ 2,7 bilhões. No fim desse ano, o Google já valia US$ 13 bilhões. Hoje, o valor de mercado da companhia se aproxima dos US$ 200 bilhões. Usuários 817 milhões Funcionários 3.021 Receita US$ 399,11 milhões

2006 Para poder operar na China, o Google teve que aceitar as regras do governo chinês: censura em relação a determinado tipo de conteúdos, principalmente antigoverno.

Usuários 1 bilhão Funcionários 10.674 Receita US$ 3,077 bilhões

Em novembro do ano passado, o Google anunciou o aguardado lançamento de sua plataforma para a venda de músicas digitais no Google Music. O desafio para este ano é se tornar um competidor à altura do iTunes. Com tanto dinheiro em caixa, Larry e Sergey estão podendo errar. Usuários 2,1 bilhões Funcionários 31.353 Receita US$ 7,032 bilhões

AMIGOS, CHEGUEI

Na cEonO Â T N A T S IN int é uma máquin zaçãfiogouurapdoar

r li O Instap ar por uma loca stagram e, is u l In q s ia e c p s de so para tag na re , imprime as foto ia h s a h a o g um p lo m o n te c . A te o em Polaroid ta, já que de temp a m u o s com za tin desejada a Zink – não utili o papel para d pri a ró m a p – ch pelo sas cessada as saudo ro p te é n r e o m nt, a ac d a it ta s s po s In pri imitar pro existem alguma a agência s. Só st, um Polaroid à Breakfa York, m e c n e rt em Nova os e elas pe icação baseada a lg or sa d n mento p de comu a ip u q e ao rint.me que alug w.instap w w . il m US$ 5

A escritora americana Arlynn Presser, 51 anos, possui agorafobia – o medo de lugares lotados ou espaços públicos fechados – e nunca tinha viajado na vida. Em 31 de dezembro de 2010, ela resolveu sair da frente do computador e ir conhecer todos os seus 325 amigos virtuais do Facebook. No ano passado, Arlynn viajou durante 365 dias, em 39 voos para mais de 51 cidades em 13 países (como Coreia, Filipinas, Dubai, Itália, Irlanda e Alemanha), e conseguiu visitar 292 amigos. A escritora, que finaliza a viagem em 2012, decidiu fazer um documentário inspirado na ansiedade e no poder das mídias sociais para inspirar uma grande mudança pessoal. O projeto, sem data de lançamento, vai se chamar Face to Facebook.


E N T R E V I S TA

LAERTE COUTINHO UM DOS CARTUNISTAS MAIS FAMOSOS DO BRASIL, ELE VIROU TRAVESTI QUASE AOS 60 ANOS DE IDADE, AINDA NAMORA UMA MULHER E BRIGA PARA TER O DIREITO DE USAR O BANHEIRO FEMININO POR TOM CARDOSO


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Quando decidiu vestir apenas roupas femininas, há três anos, Laerte causou estranhamento até no público mais descolado, que o acompanha há mais de 30 anos. Ele foi apresentado como um adepto do “crossdressing”, termo politicamente corre-

pessoas que gostam de se vestir como o sexo oposto. Foi o próprio Laerte, pouco afeito a eufemismos, que acabou com a frescura: “Sou um travesti.” Ao mesmo

to e – moderninho – para classificar

tempo que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) luta para instituir o “Dia do Orgulho Hétero”, e em que aumentam os crimes contra

homossexuais, Laerte, o mais talentoso cartunista de sua geração, só quer ter o direito de fazer prevalecer

a sua vontade – a de fazer xixi sentado, por exemplo. Recentemente, ele foi impedido de usar o banheiro feminino pelo dono

de uma pizzaria, após este ouvir a reclamação de uma senhora, horrorizada com a presença de Laerte no

toalete. O cartunista, claro, não se intimidou. “Pretendo continuar reivindicando o direito de usar o banheiro que é adequado à minha identidade de gênero”, diz. É fácil entrevistar Laerte. Ele

diz o que é para ser dito, sem devaneios – difícil, sim, é encontrar qualquer ranço de hipocrisia nas suas respostas. O cartunista está tão à vontade como travesti que não descarta nem a possibilidade de colocar silicone. Mas não duvide que ele volte a comprar cuecas ou deixe a barba crescer. Tratando-se do criador

personagens inesquecíveis, tudo é possível. Aliás, a vontade de se vestir de mulher é antiga e só não ocorreu antes por causa da morte de seu filho, Diogo, de 22 anos, em um acidente de carro em 2004. Laerte entrou em crise profunda e demorou pelo menos três anos para sair do abismo. Ele deve parte da sua recuperação à decisão de se tornar travesti. A opção, porém, não determinou nenhuma mudança sexual – bissexual assumido, o cartunista namora a mesma mulher há sete anos, e decidiu travestir-se de mulher apenas para ter mais opções em seu armário. dos Piratas do Tietê, do Overman, do Hugo Baracchini e tantos outros

Hoje, aos 60

anos, Laerte só tem duas certezas: de que não fará a menor força para chegar aos 90 anos e que vai dispensar o paletó na hora de sua morte. “Quero ser enterrado de vestido. E com as unhas bem pintadas, por favor”. Com vocês, Laerte Coutinho: Status – O Angeli diz toda hora que o “Laerte é o melhor cartunista de sua geração, um gênio”, e, ao mesmo tempo, você dá uma entrevista dizendo que tem vergonha de quase tudo o que produziu em 40 anos de carreira. Quem está certo nessa história? Laerte Coutinho – Ninguém está certo. Eu tenho uma visão crítica sobre o meu trabalho. É assim que eu me vejo. É claro que o meu trabalho tem dimensões interessantes, mas “Deus” para mim é o Angeli. Ele que é o melhor da nossa geração.

– Voltando à pergunta anterior. Ao sair vestido de mulher você toma algum tipo de cuidado? Numa cidade em que gays e travestidos são agredidos com frequência nas ruas, é preciso ficar atento, não? – Comigo ocorreu uma situação oposta a que ocorre com grande parte dos travestis. Eu não passei a ser marginalizado. Pelo contrário. Tornei-me muito mais conhecido com toda essa história de me vestir de mulher. Já fui a diversos programas de televisão. E, como qualquer coisa que aparece na tevê passa a ser objeto de culto, virei celebridade. Quan– O que ele achou quando te viu pela primeira vez vestido de do ando pela cidade, sou tratado com certa reverência. Mas mulher? O Angeli é um histórico tirador de sarro... sei que sou exceção, por ser famoso. – Ele achou legal. A gente sai por aí, eu de mulher e ele de homem. Ele não está nem aí. Ou você acha que o Angeli, – Mas isso não o torna totalmente imune a possíveis ataques... com sua formação libertária, se importa com alguma coisa? – Sim, claro, tomo meus cuidados. Evito frequentar redutos machistas. Você não vai me encontrar tomando cerveja – Quando você sai vestido de mulher... num bar cheio de torcedores do Corinthians. Não sou idiota. – Não tem dia que eu saio de mulher – eu saio “todos” os dias vestido assim. Não vou colocar roupa masculina nunca – Recentemente, uma senhora deparou-se com você no banheimais, já doei todas as peças. ro feminino de uma pizzaria em São Paulo. Ela reclamou com o dono do estabelecimento, que o proibiu de usá-lo. É verdade que – Inclusive as cuecas? você vai à Justiça para ter o direito de usar o banheiro feminino? – Sim. Mas as cuecas eu não doei. Joguei fora. Cueca não – Não estou “abrindo processo”, acionando advogado, exise dá, né? gindo reparação nem nada disso. Estou interessada na evoFOTOS AUGUSTO GOMES/IG


“Não sou um transexual. Aceito o fato de ser homem. Aceito minha genitália masculina. Mas também tiraria numa boa se tivesse condições de saúde para isso. Tenho 60 anos. Silicone talvez eu coloque... Não sei. Estou considerando essas questões.”


lução de um processo de esclarecimento sobre direitos civis para a população transgênera. O órgão de Estado responsável por isso foi acionado, mas nenhuma medida punitiva está sendo posta em prática. Pretendo continuar reivindicando o direito de usar o banheiro que é adequado à minha identidade de gênero. – Quando iniciamos a conversa para marcar esta entrevista, você respondeu a todos os e-mails como se fosse uma mulher. Sempre no feminino. Agora, na resposta anterior, disse “estou interessada”. Você também está decidido a não usar mais roupas masculinas. Em que momento você se comporta como homem? – Eu sou uma pessoa com dupla cidadania. O fato de flexionar o feminino de vez em quando não quer dizer que eu tenha virado uma mulher. Ainda estou me compreendendo. Não me preocupo se estou “mais mulher” ou “menos homem”. – Você jamais pensou em operar, tirar o pênis? Ou colocar silicone. – Não sou um transexual. Aceito o fato de ser homem. Aceito minha genitália masculina. Mas também tiraria numa boa se tivesse condições de saúde para isso. Tenho 60 anos. Silicone talvez eu coloque... Não sei. Estou considerando essas questões. Gosto muito de cuidar das minhas unhas, da minha pele. Agora tomar hormônio, construir uma “neovagina”, eu não faria por causa da idade. – Mas se tivesse 20, 30 anos... – Talvez sim, talvez não.

– Você diz... – Sexualmente. – Não vou entrar nesse tipo de intimidade. – Por quê? – Porque é uma bisbilhotice, uma curiosidade inútil. Eu conheço uma travesti que operou e é casada com uma mulher. Eu não fico perguntando como elas trepam. A cabeça do macho não compreende como duas mulheres transam sem pau. Tanto que a principal fantasia pseudomachista é sempre com duas mulheres gostosas trepando. Por quê? Porque ele se imagina como a peça que falta ali. Ele não consegue enxergar nada além do pau na xoxota. É preciso, urgentemente, promover a revolução dos homens. – Revolução dos homens? – Sim, vocês estão em crise há muito tempo. A mulher pode sair de terno, de cueca numa boa. Elas já passaram por todos os movimentos, por tudo. Vocês, não. Não se libertaram. A crise em que vive o gênero masculino é muito grave. A (psicóloga) Christina Montenegro acabou de escrever um livro (Homem ainda não existe) explicando que os homens estão angustiados, em constante crise para se libertar da cultura binária, essa divisão do mundo entre homem e mulher. Quando você fala da mulher existe uma coletividade, uma identidade. O mesmo ocorre com o movimento gay, o movimento negro... – É, mas tem o movimento encabeçado pelo deputado Jair Bolsonaro, que criou “a parada do orgulho hétero”... – Pois é, os homens se refugiam atrás de gestos neuróticos, de afirmação quase selvagem. Esse bando de macho que bate no peito e diz que tem orgulho de ser homem. Ele tem é orgulho de ser violento, de ser preconceituoso.

– A impressão que eu tenho é que você tem uma relação muito bem resolvida com essa questão de se vestir de mulher. Você, inclusive, rejeita qualquer tipo de eufemismo. É o primeiro a dizer: “Sou um travesti”, apesar da tentativa da imprensa de rotulá-lo como um “adepto do crossdressing”, termo surgido recentemente para classificar pessoas que gostam de se vestir como o sexo oposto. – Pesquisas comprovam que as mulheres são mais prudentes na – É, eu diria, levando em conta as circunstâncias e conve- direção. Você se tornou um motorista mais cuidadoso depois que niências, que o crossdressing não passa de um travesti de passou a se vestir de mulher? classe média (risos). – Eu sempre fui um motorista tranquilo. Dirijo do mesmo jeito. E sem salto. Atrapalha muito (risos). – Você ainda frequenta as reuniões dos crossdressing? – Eu ia toda quarta-feira. Hoje vou menos. Mas continuo – Você disse que nunca almejou a longevidade e que sempre achou frequentando. que morreria cedo. Está no “lucro” chegando aos 60? O que mudou? Sente o peso da velhice de certa forma? – Não é todo mundo que pode freqüentar... – Eu não tenho muita reposta para isso. Eu achava mesmo – Não. São reuniões fechadas. A maioria não quer se expor... que não duraria muito – achava que aos 60 eu já estaria no lucro. Quando eu era bem jovem chegar ao ano 2000 era o – Mas não seria o primeiro passo para combater o preconceito? futuro do futuro. “Ah, os carros não vão ter roda, vão flutuar – A realidade é tirânica. Eu sou um artista, tudo é mais fácil num colchão de ar.” Eu fiz 50 anos no ano 2001. Os carros para mim. Pertenço “à camada de cima”. Essas pessoas são continuaram com roda, o lixo continuava em volta de mim, profissionais das mais diversas áreas, a grande parte de clas- os problemas continuavam os mesmos. Então desmistifiquei se média. Pessoas que têm prazer de se vestir como o sexo o marco simbólico do ano 2000. Hoje, aos 60, eu não vejo oposto, mas que não assumem essa realidade publicamente muitos motivos para chegar aos 90. Não vou me esforçar para por medo de perderem amizade, emprego, relações familiares. isso. Eu só sei o jeito que eu quero ser velado. – Você namora há sete anos – há três se veste de mulher. Mudou algo na relação entre você e sua mulher?

– Como? – De vestido. E com as unhas bem pintadas, por favor.


TOP SECRET

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março 2012

O JARDIM DAS DELÍCIAS A NOITE EM QUE SÃO PAULO CONHECEU OS DELÍRIOS DA FESTA DE FETICHE MAIS QUENTE DO MUNDO

por Mariana Rezende

ilustrações Pedro Matallo

fotos Kelsen Fernandes


Na Torture Garden, os fetiches são variados. Suspensão é um deles. O conceito principal é unir toda uma comunidade ao redor de preferências sexuais consideradas não convecionais


Uniformes eram amplamente usados pelos participantes e, dizem, aumentam o apetite sexual

D AV I D G R A N T , irlandês responsável pela vinda da festa Torture Garden ao Brasil, está acompanhado por sua namorada, uma caribenha de 26 anos, seios fartos que atende pela alcunha 38JJ TG. Seu nome de guerra é uma alusão ao tamanho do sutiã, que na métrica americana é um volume para lá de servido. Grant conta que a namorada atrai muita atenção de homens e mulheres ao redor de si na maioria das festas que frequentam, e que isso não é motivo para ciúme. “Deixo-a andar livre pelas festas, ela gosta de levar os meninos-cachorros e escravos pela coleira, além de deixá-los derramar seu ‘suco’ em seus seios enormes”, brinca ele, que é fetichista há seis anos. Quando perguntado sobre os limites da relação, Grant não titubeia: “Ela faz o que quiser, mas sou eu quem mantém o controle. Prefiro que se divirta nas festas sob o meu olhar do que saia por aí tendo casos pelas minhas costas.” A Torture Garden é uma festa itinerante que acontece há mais de 20 anos e foi fundada em Londres, quando a Inglaterra era marcada pela rigidez social e sexual. A ideia de celebrar os mais diversos tipos de fetiches começou no underground londrino, mas foi se tornando cada vez mais popular e ganhando novos adeptos a cada edição. Atualmente, além do Reino Unido, a Torture Garden vive em turnê e acontece nas mais diversas partes do mundo, como Canadá e Itália, por exemplo. Graças à Grant e ao sucesso universal da marca, a festa aterrissou em São Paulo e no Rio de Janeiro, em janeiro. “Temos uma regra: o que acontece na Torture Garden fica na Torture Garden”, declara ele. Grant passou o último ano vindo ao Brasil em busca das festas e público mais ativos neste universo. Surpreendeu-se com o entusiasmo

dos brasileiros em relação à maior festa de fetiche do mundo e decidiu seguir adiante com a empreitada. Em uma sexta-feira de verão chuvoso, a boate Blue Space, localizada na Barra Funda, zona oeste da capital, recebeu convidados ousados com tapete vermelho na entrada. A assessora da festa, conhecida por Maria naquela noite, trajava um vestido de látex estilo militar, e levou a equipe de Status para ser apresentada à Grant. Ele se mostrou empolgado com o evento e o público, que, aos poucos, ia se espalhando pelos diversos ambientes da casa, e parecia ter se empenhado no quesito vestuário. “Só recusei quatro pessoas na entrada por não estarem vestidas apropriadamente (entenda-se: tênis esporte, calça jeans, etc.). Não é justo com os demais frequentadores”, disse. Na visão de Grant é como se os quatro que estavam à paisana não tivessem levado em consideração o esforço dos demais, além de toda a equipe TG (como se refere à Torture Garden) ter “viajado meio mundo para se apresentar para eles”, delibera. Grant e sua parceira estavam devidamente caracterizados com a temática militar. Ela, com um vestido decotado que deixava em evidência


sua, digamos, pujança torácica, e ele, um uniforme alemão da SS – a Schutzstaffel, organização militar ligada ao partido nazista na Segunda Guerra Mundial. Grant, todavia, é taxativo ao afirmar que seu fetiche em nada se relaciona ao nazismo. “Não existe envolvimento algum com o nazismo. Não somos nazistas, fascistas ou simpatizantes de alemães. Só gostamos de nos vestir com uniformes!”, afirma ele, afastando qualquer tipo de comparação com Max Mosley, ex-presidente da Federação Internacional de Automobilismo (Fia), que em 2008 se envolveu em um escândalo sexual de conotações sadonazistas com cinco prostitutas. Ao redor do primeiro-casal da TG, inúmeros participantes trajavam uniformes completos que remetiam à SS. Desde as botas até o quepe, tudo apresentava uma fidelidade quase assustadora aos uniformes que até hoje amedrontam o mundo. A grande ideia por trás da fantasia militar é possivelmente a autoridade que inspira. As cores primordiais para os trajes são cinza, preto e vermelho, e em sua maioria os modelitos femininos são feitos de látex. David Grant, ou DavidTGBrazil, o “fetlife name” [nome de fetiche] que adotou por aqui, acredita que os trajes aumentam o apetite sexual de quem usa e de quem vê. “Faz com que nos sintamos melhores, podemos embarcar nas nossas fantasias e brincar uns com os outros por uma noite, é divertido”, discorre. PRELIMINAR PROLONGADA A festa, não tão cheia, foi bem animada. De acordo com especulações à boca pequena, o número moderado de participantes se deu graças às recorrentes desavenças entre os participantes das noites mais famosas de fetiche na cidade, a Luxúria e o Clube Dominna. Tanto fundadores quanto o séquito de cada um dos núcleos não se bicam, e Grant acredita que isso tenha enfraquecido o movimento. No segundo andar da Blue Space, um desfile de moda de látex acontece no palco. Alguns dos participantes assistem, aplaudem e assoviam para as moças. As roupas são sensuais e marcam o corpo das jovens que se voluntariaram para desfilá-los. “O látex aumenta o tesão, já experimentou? Ser agarrado por alguém quando você está vestindo

Quem foi à Torture Garden em São Paulo pôde percorrer os três ambientes da boate onde foi realizada a festa. Na pista, no alto à esq., o ambiente era escuro e casais se apalpavam pelos cantos


TOP SECRET

borracha ao redor do corpo é uma delicia”, diverte-se uma jovem na plateia, que prefere não se identificar. O sigilo, aliás, é uma das grandes marcas da festa. As pessoas preferem não divulgar seus nomes verdadeiros, a maioria utiliza-se de apelidos e é assim que a comunicação é travada. Por uma noite, pode-se ser quem bem entender. É o mote da festa. Afinal, o que acontece na TG fica na TG. “Aqui, não importa se você é médico ou advogado, a ideia é que você realize suas fantasias, sem amarras, como nomes ou profissões. Amarras só se você gosta de bondage”, ri a jovem de vestido tomara que caia – de látex, claro. Enquanto isso, no térreo, a brincadeira já seguia mais avançada: o estalido de chicotes evidenciava duplas de BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo) se exibindo para quem quisesse assistir. De um lado, a dominadora empunhava o instrumento de tortura e o balançava no ar, mirando a nádega da dominada, que por sua vez, com o rosto coberto por uma máscara de couro, recebia as fortes chicotadas em silêncio, numa sessão intensa que durou por volta de 20 minutos. Na pista de dança, por evidência um dos lugares mais escuros da festa, muitos casais se apalpavam nos cantos, alguns de maneira discreta, outros nem tanto. O clima, de maneira geral, é o mesmo de uma balada não fetichista: pessoas bebem, dançam, circulam e paqueram. Porém, aqui, a diferença é – além da seminudez, muito látex e couro – a atmosfera predominante de sedução e tesão. Todos vão ali para ver e ser vistos, e compartilhar suas taras mais secretas sem o julgamento de terceiros. Os fetiches são variados: podolatria, BDSM, humilhação, pet play (vestir-se de cachorro ou pônei e ser conduzido), suspensão e voyeurismo. O conceito principal é unir toda uma comunidade ao redor de preferências sexuais consideradas não convencionais e fazer com que elas se soltem e percam o pudor. Entretenimento puro e simples, afinal. “Para mim, a Torture Garden é sexo, prazer, pagar minhas contas e me divertir, creio que esse seja um ótimo modo de vida para DavidTGBrazil e

A namorada do dono da festa, que atende pela alcunha 38JJTG, por ter seios fartos, enlouquece homens e mulheres

38JJ!”, defende David Grant, que promove a ideia de que novos participantes são sempre bem-vindos. “Muita gente vai pela primeira vez e diz que esse não é seu lugar, mas, assim que se soltam, aproveitam e vêm me contar que querem voltar”, diz ele. Uma sessão de bondage acontece na pista de dança, onde um casal suspende uma jovem, imobilizando-a com cordas, uma mordaça, e submetendo-a a receber gotas escaldantes de cera de vela. A plateia se anima, admirando o espetáculo. Um homem de meia-idade, que também prefere não se identificar, diz que veio de Minas Gerais só para conhecer a festa e assistir a todas as cenas possíveis. “Não tenho uma tara específica, talvez assistir seja a minha tara. Não sei explicar, mas gosto de olhar”, conta. Nesse quesito do voyeurismo, a Torture Garden vai além dos limites da “Janela Indiscreta”, de Hitchcock. A ideia ali é estimular a contemplação, já que quem se exibe quer mesmo é impressionar seus espectadores. As manifestações sexuais explícitas, de maneira geral, são discretas. Muita gente prefere aguardar para se soltar no fim da noite nos dark rooms. Segundo conta Joana, uma praticante de podolatria (o fetiche por pés), “a finalidade aqui não é o sexo em si, é poder se sentir livre


David Grant, o responsável pela Torture Garden, em seu uniforme fetichista. “Não existe envolvimento com o nazimo. Só gostamos de nos vestir com uniformes.”

com as suas preferências sexuais um tanto quanto bizarras para quem vê de fora. A festa funciona como uma espécie de preliminar bem prolongada.” Na cena da podolatria, por exemplo, as roupas não são o principal, a turma prefere investir nos calçados, e quando em público quase sempre estão com o rosto coberto. “Muitos são juízes, advogados, políticos, e eles preferem não se identificar por causa da vida pública”, conta Joana. Reservado, David Grant evita falar de sua vida fora dos domínios da Torture Garden. “Na Escócia, tenho uma vida profissional que não está conectada à cena do fetiche de nenhuma maneira. Prefiro evitar que nossos clientes saibam o que faço lá fora”, conta ele. O clima de mistério certamente potencializa o tesão de quem participa e os liberta dos pudores mais mundanos. As pessoas se unem pelo único motivo de realizar uma fantasia. “Isso torna a vida muito mais prazerosa”, finaliza Grant, que pretende transformar a Torture Garden em uma festa mensal na capital carioca. “A festa no Rio vai ser melhor que a de São Paulo. Os sabores serão mais brasileiros e ainda mais ousados”, aposta. É certamente uma experiência que os novatos vão querer repetir.


Va i e n c a r a r ?

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março 2012

Frank calabrese Jr.:

o gângster

que negociou o pai Frank Calabrese Jr. estava destinado a levar uma vida que não queria – Como matador para uma das maiores Famílias da máFia nos eua. para esCapar, tornou-se inFormante do Fbi e traiu seu próprio pai por Ed Pilkington


U m a tat U a g e m q U a s e f e z c o m q U e f r a n k c a l a b r e s e f o s s e m o r t o . era uma tatuagem nas costas que ele fez enquanto estava preso na penitenciária milan, em michigan: tratava-se de um enorme mapa dos estados Unidos sobreposto por grades e mãos algemadas estendidas para fora das barras. Desenho feito por ele mesmo, ele conta, para enfatizar seu ponto de vista de que “você é livre nos eUa, mas não muito”. a tatuagem foi feita por um colega de cela, mesmo contra as regras da prisão, mas com a conivência de um guarda que foi subornado para fazer vista grossa. logo após ter feito a tatuagem, calabrese caminhava pelo pátio da prisão. ele estava escondendo um microfone, seu torso todo enrolado com fios de escuta e parecia uma árfoto fotovitamina

vore de natal. caminhando ao seu lado estava o homem mais perigoso do mundo – uma máquina de matar da máfia de Chicago cujo método preferido de executar suas vítimas era com corda e faca. calabrese havia acabado de conseguir com que esse homem relatasse uma série de crimes que ele havia cometido, incluindo o assassinato de tony “the ant” Spilotro e seu irmão Michael, imortalizados pelo filme Cassino. A confissão involuntária estava sendo captada e gravada para análise posterior pelo fbI.


Va i e n c a r a r ?

De repente, aquele homem pediu para ver a tatuagem de calabrese. “Por que você a está escondendo? Deixe-me vê-la”, pediu. seria uma sentença de morte imediata. se calabrese levantasse sua camisa e mostrasse o microfone, o homem, que, embora fosse mais baixo que ele, era muito forte, saberia que havia sido traído e o mataria ali mesmo com as próprias mãos. eles estavam a uns 270 metros do portão da prisão e calabrese calculou que não conseguiria escapar, e optou por “chamar o blefe”. ele puxou a camisa para baixo recusando-se a mostrar a tatuagem alegando que ela poderia trazer problemas para ele. o homem pensou por um instante, depois relaxou e o deixou em paz. se, naquele minuto, calabrese tivesse sido desmascarado como informante do FBI, a maior investigação da história sobre a máfia já feita nos estados Unidos teria ido por água abaixo. e foi dessa maneira que ele continuou gravando muitas outras conversas com o velho e conseguiu desbaratar a máfia de Chicago. O Outfit (A Unidade), como era conhecido o sindicato do crime organizado de al capone e que aterrorizava a cidade havia 100 anos, finalmente teve seu merecido castigo. Essa conversa no pátio da prisão teve enorme importância também por outro motivo, um motivo mais pessoal. O senhor cuja voz Calabrese estava gravando secretamente, e que acabou condenado a passar o resto de sua vida na cadeia, tinha o mesmo nome: frank calabrese. senior. seu pai. Hollywood revelou a frank calabrese Jr. a verdade sobre seu pai. até ele ver sua vida em família retratada na tela do cinema, frank pensava que vinha de uma família normal. a vida em família no bairro de elmwood Park, tipicamente italiano e frequentado pela máfia, era dominada pelas raízes sicilianas de seu pai. três gerações de ítalo-americanos – seu avós, pais, tios e tias, irmãos e primos – socados numa casa que eles chamavam de “complexo”. frank Jr. era o mais velho dos três filhos homens, e o favorito do pai. O que seu pai fazia durante o dia era um mistério para o jovem garoto. Quando os colegas de escola perguntavam como seu pai ganhava a vida, ele não sabia o que responder. “Diga que sou engenheiro”, dizia frank sr. “tipo engenheiro de trem?” “não, diz pra eles que sou engenheiro de operações”. Calabrese tinha 12 anos de idade quando o filme O poderoso chefão entrou em cartaz. a família corleone retratada era surpreendentemente parecida com a sua própria. arte imitando a vida, ou seria o contrário? seu pai tinha amizade com gianni russo, que desempenhou o papel de carlo rizzi, genro do Poderoso Chefão, no filme. Uma noite, ao ser entrevistado num show de tevê, russo tirou uma faca do bolso e disse ter sido presente de um mafioso. “Eu dei essa faca para ele”, disse Frank Sr., enquanto assistia ao programa. anos mais tarde, durante uma das conversas gravadas entre pai e filho, Calabrese Sr. mencionou que, no livro original, Mario Puzo descreve com perfeição a cerimônia de iniciação “homem iniciado”. “quem quer que

na casa de Frank calabrese sr., o Fbi encontrou arMas e us$ 2 Milhões eM diaMantes e dinheiro

tenha escrito aquele livro, tinha o pai, o avô ou alguém na organização,” afirmou Calabrese Sr., que, ele próprio um “homem iniciado”, sabia o que dizia. “Você quer dizer que eles furavam o dedo e tinha toda aquela coisa com velas?”, frank Jr. perguntou. “eram feitos cortes nos dedos, e todos colocavam os dedos juntos, e o sangue escorria. Depois eles tiravam fotos, colocavam as fotos nas mãos e as queimavam. fotos sagradas.” Alguns anos após o lançamento do filme O poderoso chefão, Frank Sr. começou a atrair seu filho para os negócios da família. Um processo lento, quase imperceptível. “ele passou a me envolver em pequenos negócios”, contou Calabrese. “Era assim, ‘filho, faça um favor para o seu pai. leve esse envelope para mim e o entregue na loja’.” calabrese foi encorajado a se manter à sombra. “aprendemos a nos misturar, voar sob o radar. Meu pai me disse para dirigir Fords e chevies, nunca cadillacs ou bMWs. usar boné de time de beisebol e não chapéus, jaquetas de esqui, não trenchcoats (sobretudos).” Aos 19, Calabrese já

tinha permissão para atuar nas atividades da máfia, começando a cobrar dinheiro de “shows de strip-tease” e depois passando a fazer a contabilidade. Era uma educação de ofícios. “Aprendi matemática por meio da agiotagem”. À medida que se tornou mais central

para os negócios ilícitos e de jogatina de seu pai, as lições passaram a ficar mais específicas. Calabrese recebeu de seu pai ensinamentos de como abraçar uma pessoa para saber se ela estava carregando uma arma ou usando escuta. calabrese abraçou sua nova vida. “quando entrei, entrei para valer. qualquer coisa que meu pai me pedisse, era isso que fazia. eu não tinha medo das autoridades, cadeia ou morte. se meu pai me mandasse bater com o carro a toda a velocidade num muro, eu o faria.” então, aos 26, calabrese recebeu um convite para participar de uma cerimônia de iniciação só para ele – assassinato de gangue.


“do Fundo do Meu coração,

sei que, no dia eM que Meu pai Morrer, ele vira Me assoMbrar”

embora fosse testemunha de acusação de um importante caso contra a máfia que derrubou 14 chefões, frank calabrese Jr. passa a impressão de estar tremendamente relaxado. ele não faz parte de nenhum esquema de proteção à testemunha, vive sob seu nome verdadeiro, e quando eu o visito em seu apartamento num condomínio nos arredores de Phoenix, no arizona, ele abre a porta imediatamente e me convida para entrar sem sequer me revistar. como ele sabe que não sou um matador enviado por chicago para uma vingança? “eu não sei”, diz ele. calabrese tem a aparência de um homem mau de chicago. cabeça raspada acentuando suas orelhas grandes e olhos azuis penetrantes. ele usa calças e um colete sem mangas, o que evidencia o número de horas que ele passa fazendo musculação. quando fala, no entanto, calabrese o faz com surpreendente maciez e certa introspecção. É mais ou menos como ouvir tony soprano falando com seu analista (Calabrese é fã dos Sopranos – ele assistiu à série inteira com sua mãe e ex-mulher, estremecendo a cada paralelo traçado com sua própria família). Na parede de seu apartamento há fotos emolduradas de frank sinatra, Dean martin, Peter lawford e de sammy Davis Jr. do original Ocean’s 11 (11 homens e um segredo).

fotos fotovitamina | aP/fBi U.s.marshalls | aP/m. sPencer Green

seu pai, ele explica, tinha amizade com o guarda-costas de sinatra. frank calabrese sr. – também conhecido como frankie breeze – nasceu em 1937 em uma família italiana pobre da zona oeste de chicago. ele deixou a escola aos 13 anos e mal sabia ler e escrever. Aos 16, ele já estava ganhando dinheiro como ladrão, e, posteriormente, iniciou um negócio de agiotagem, exigindo taxas exorbitantes. era um negócio lucrativo: no seu auge ele tinha Us$1 milhão em empréstimos na praça e recebia 10% por semana. após o julgamento, o Calabrese mais velho recebeu várias sentenças consecutivas de prisão perpétua, o fbI fez uma busca em sua casa e encontrou diamantes no valor de Us$ 2 milhões, quase Us$ 800 mil em dinheiro e escrituras de imóveis. Em 1964, Calabrese Sr. foi levado para o

Outfit pelas mãos do segundo em comando na máfia, um homem muito temido chamado Angelo “The Hook” LaPietra. (Ângelo “O Gancho” LaPietra). O apelido vinha do método que LaPietra utilizava para lidar com homens que atrasavam o pagamento dos empréstimos: pendurava o devedor num gancho de carnes e o torturava com um bastão de choque para gado ou maçarico. cau-

sa da morte – sufocamento de tanto gritar. O jovem Calabrese cresceu se referindo a laPietra como “tio ang”. Junto com laPietra e seu próprio irmão, nick, calabrese sr. desenvolveu um papel de especialista dentro do esquadrão de assassinos do Outfit. Calabrese Jr. percebeu isso ainda adolescente quando numa noite seu pai chegou em casa e mandou-o que fosse rapidamente para o banheiro. com o ventilador ligado e a água correndo para que ninguém o ouvisse, ele meio sem fôlego relatou o assassinato que acabara de cometer. “Pegamos o cara… o sujeito


Va i e n c a r a r ?

não estava prestando atenção às regras, então o apagamos.” Dentre aqueles que foram “aposentados” por calabrese sr. e seu irmão estavam michael “bones” albergo; John mendell, que impensadamente assaltou a casa do consigliere do Outfit, Tony “Big Tuna” Accardo; um rival nos negócios chamado michael cagnoni, que explodiu dentro de seu carro; um gângster independente chamado richard ortiz; e emil Vaci, um gângster de las Vegas que o Outfit temia que estivesse falando demais. Ainda havia os famigerados Spilotros dos Cassinos. Tony Spilotro era o chefe da facção de Las Vegas do Outfit que operava um negócio de apostas e sonegação (desviando o lucro dos cassinos sem notificar as autoridades fiscais). Ele cresceu demais, e quando os chefes descobriram que ele estava tendo um caso com a mulher de um “integrante iniciado”, pediram sua cabeça. tony spilotro e seu irmão foram atraídos para chicago sob o pretexto de que michael seria “iniciado” e tony seria promovido a capo. em vez disso, foram estrangulados – a famosa “gravata de calabrese”. o quase envolvimento do jovem Calabrese com assassinatos aconteceu em 1986, quando foi escolhido para participar do assassinato de John “Big Stoop” Fecarotta. Ele deveria ficar no banco traseiro do veículo de fuga. “estava pronto para matar por meu pai,” relembra calabrese Jr. “Você sempre precisa de dois caras dentro do carro, e eu deveria ter ido com meu tio nick. se eu tivesse dado esse passo, não teria volta. Mas meu tio me convenceu a ficar fora. Ele me disse: ‘Isso não é para você. Você não quer essa vida.’ Ele me salvou.” Aquele foi um momento de virada para Calabrese, tanto em seu relacionamento com a máfia quanto, por extensão, com seu pai. Quando era jovem, seu pai era amoroso, sempre pronto para dar um abraço. entretanto, à medida que calabrese sr. se via cada vez mais sob a influência assassina de LaPietra, ele começou a mudar, tornandose mais frio e brutal em relação ao filho. “Seu temperamento ficou explosivo, rapidamente partindo para a violência. ele não pensava duas vezes antes de lhe dar uns tapas na cara, e passou a ficar mais controlador.” O jovem Calabrese veio a perceber o quanto seu pai era manipulador: ele alternava personalidades ao estalar dos dedos. “se você estivesse sentado com ele aqui agora, você se apaixonaria por ele. ele o seduziria. mas, assim que você saísse, a sua segunda personalidade assumiria – um pai abusivo e controlador. e sua terceira personalidade era a de um matador.” Para ten-

tar se desvencilhar dos laços sufocantes de seu pai, Calabrese Jr. começou seu próprio negócio. Ele abriu restaurantes italianos e, posteriormente, começou a traficar cocaína. Ele manteve esse fato escondido de seu pai, sabendo que, se fosse descoberto, “o velho teria me matado”. Ele também manteve em segredo sua própria dependência das drogas. num ato desesperado para se libertar e, ao mesmo

tempo, manter sua dependência alimentada, calabrese começou a roubar uma quantia de aproximadamente Us$ 700 mil em notas de Us$ 50 que seu pai havia escondido atrás de uma parede no porão da casa de sua avó. não foi uma boa ideia. quando seu pai deu pela falta do dinheiro, e descobriu o responsável, decretou: “Daqui para a frente, você me pertence”, disse ao filho. “Os restaurantes são meus, sua casa é minha, tudo é meu.” Alguns meses depois, seu pai o convidou para tomar um café. eles se encontraram numa garagem usada pela gangue. “assim que abri a porta, pensei – merda! É uma armadilha. Ele fechou a porta, virou-se e enfiou uma arma na minha cara. Depois disse: ‘Prefiro você morto ao vê-lo me desobedecer.’ ” Calabrese

eM 100 anos, a MáFia de chicago

coMeteu 3 Mil assassinatos começou a chorar e implorar por perdão. “não sei como saí daquela garagem. ao irmos para a caminhonete, ele começou a me dar socos e tapas na cara. Minhas lágrimas jorravam e tudo o que eu podia pensar era como eu nunca mais poderia confiar naquele homem. Daquele dia em diante, nunca mais confiei em ninguém. Ninguém.” a decisão de se tornar informante contra seu pai foi tomada em 1998, dentro da penitenciária milan, onde ambos os frank calabreses foram enviados após serem considerados culpados de extorsão e jogo ilegal. A prisão foi a melhor coisa que aconteceu ao jovem. Isso permitiu que ele deixasse o vício da cocaína e se tornasse saudável novamente. mais importante: o libertou do controle do pai. ele meteu na cabeça que logo que fosse libertado, traçaria uma nova vida para si. “Decidi que abandonaria o Outfit. Eu acabei na cadeia por causa das drogas. Isso não era o que eu queria. tinha que encontrar uma forma de me endireitar quando saísse.” mas ele sabia que havia um enorme obstáculo em seu caminho: seu pai. ele tinha duas opções: poderia esperar até que ambos fossem libertados, e então confrontaria seu pai e diria a ele que queria deixar o negócio da família. nesse caso certamente haveria um brutal confronto entre eles e um acabaria morto. ou poderia cooperar. o fbI chamou sua investigação de operação Segredos de Família. O julgamento de 2007 du-

Frank calabrese sr. era uM assassino Frio e até hoJe cuMpre pena de prisão perpétua


rou três meses e julgou 18 casos de assassinato. além das sentenças de prisão perpétua de seu pai, longas penas de prisão foram posteriormente dadas a sete outros chefões do Outfit. Foi um resultado extraordinário, considerando a história da máfia de Chicago. Em seus 100 anos, o Outfit cometeu mais de três mil assassinatos. no entanto, antes desse episódio, apenas 12 condenações haviam sido feitas. até calabrese Jr. depor, apoiado por seu tio nick, que também foi testemunha de acusação, nenhum iniciado jamais havia sido responsabilizado. Durante o julgamento, o jovem calabrese depôs contra seu pai a apenas poucos metros de distância dele no tribunal. “a única coisa para a qual eu não estava preparado foi a parte emocional. entrar no tribunal foi o sentimento mais estranho que já tive na vida. Lá estava meu pai. Parte de mim queria ir até ele e abraçá-lo e dizer: ‘Pai, vou cuidar de você. Está tudo bem.’ Cara, eu não estava preparado para isso.”

Ao sair da sala de audiência no final de seu depoimento, “as lágrimas jorravam. Um agente me perguntou: ‘Você está bem?’ E eu disse: ‘Não, acabo de perceber que essa foi a última vez que vi meu pai”.’ Ele tinha razão. O Calabrese mais velho, hoje com 74 anos, está cumprindo pena numa prisão de segurança máxima no Missouri, onde está sendo mantido em isolamento quase total há dois anos. não tem

permissão para receber visitas nem contato com outros internos; um regime reservado apenas para um punhado de terroristas e assassinos em série mais perigosos. calabrese Jr. deixou chicago após o julgamento e mudou-se para Phoenix, em parte para recomeçar a vida longe de seu passado e, em parte, porque o ar quente e seco do arizona é bom para sua saúde. Há alguns anos descobriu que sofria de EM (esclerose múltipla). Embora mantenha a doença sob controle com exercícios, ela faz com que ele manque. Hoje vive com seus dois filhos, Kelly e Anthony, e ganha a vida como palestrante motivacional, relatando a policiais e grupos de autoajuda como deu a volta por cima. ele está solteiro, mas sua exmulher lisa mora perto e continuam amigos. ela ainda tem muito medo, diz ele, de que o pai dele busque vingança, e implora para que ingresse no programa de proteção à testemunha. mas ele con-

a tatuageM do Mapa dos eua Feita no presídio quase Fez coM que ele Fosse descoberto espionando o próprio pai

tinua a se recusar. como escreve em seu livro: “sou pragmático. se as pessoas conseguem matar presidentes, elas conseguem me matar. ninguém é invencível e está seguro no mundo de hoje.” Quando peço para ver a tatuagem que quase causou sua morte, ele levanta a camisa e revela que suas costas apresentam não só o mapa dos estados Unidos com as grades, mas também sete pequenas tatuagens representando buracos de bala – como as que a gente vê em pôsteres de cowboy. “estou sempre olhando para trás”, ele explica, “portanto, esses buracos de bala são um lembrete para que eu esteja em alerta todos os dias”. arrependimentos, ele tem alguns. ainda considera difícil lidar com o fato de que cometeu o pior pecado que se pode cometer na máfia: dedurou os colegas. E, embora esteja convencido de que tomou a decisão certa, ele ainda está profundamente perturbado com o resultado. “a essa altura de sua vida, à medida que papai envelhece, eu queria poder cuidar dele. queria ser seu protetor, não seu executor.” Pode haver perdão entre os frank calabreses? “Consigo perdoar meu pai. Amo meu pai até hoje, apenas não amo seus métodos. mas não acho que ele possa me perdoar. realmente não acho. gostaria que ele conseguisse.” Calabrese diz aceitar a influência que seu pai exerce e sempre exercerá sobre ele. “sei no fundo do meu coração que no dia em que meu pai morrer, ele virá me assombrar”, diz ele. “será assim por toda a eternidade. não sei o que esperar na próxima vida, mas sei que onde quer que seja, ele estará esperando por mim. E não estará feliz em me ver.” Copyright Guardian News & Media Ltd 2011

fotos AP/ChiCAgo Crime Commission | fotovitAminA


personagem

por Bruno Weis

foto Rafael Hupsel

e ma


Emerson fittipaldi

Status – Este ano você comemora 40 anos de seu primeiro título na Fórmula 1. Sente saudade dos tempos de piloto? Emerson Fittipaldi – Para mim parece que foi ontem. Essas quatro décadas passaram tão rápido... E o que me deixa muito orgulhoso é que foram 40 anos de brasileiros no pódio, com o Nelson Piquet, o Ayrton (Senna), e até hoje. É muito difícil um país permanecer tanto tempo no topo desse esporte, ganhando corridas e campeonatos. Verdade que, desde que o Ayrton morreu, ninguém mais ganhou um título, mas sempre tivemos pilotos competitivos, como o Rubinho (Barrichello) e o Felipe (Massa). – O que está faltando para termos novamente um piloto campeão? – É difícil ganhar o campeonato de F-1. O Felipe (Massa) não ganhou por 16 segundos, teve muito azar naquele dia, coitado (em 2008, Massa ficou em segundo lugar no campeonato, a um ponto do campeão Lewis Hamilton). Você tem que estar dois ou três anos entre os três melhores e ver um ano acontecer de maneira especial. Tudo tem que dar certo, desde que você esteja frequentando o topo há algum tempo, aí um dia você ganha o campeonato. Falta um pouco de constância de performance para nossos pilotos. – O acidente que Massa sofreu pode ter afetado seu arrojo na direção? O Piquet disse que, desde aquele episódio em 2009 (Massa foi atingido durante um treino por uma mola que se soltou do carro de Barrichello, que andava a sua frente), ele não foi mais o mesmo piloto. – Eu não concordo com o que o Nelson disse. O que aconteceu com o Felipe foi diferente, foi como tomar um tiro, uma porrada localizada, e ele não bateu porque errou, foi um azar. Isso não afeta seu desempenho. Se você bate porque errou, aí, sim, isso pode causar um trauma. O meu acidente em Michigan, por exemplo, me causou um trauma (em 1996, correndo pela Fórmula Indy, Fittipaldi sofreu um grave acidente durante o Grande Prêmio de Michigan e chegou a fraturar a coluna). Foi muito sério, quebrei todas as costelas, tive perfuração no pulmão, hemorragia interna, quase morri asfixiado... Então, se hoje eu entrar em uma pista oval com muro, não vou andar como andava. – Você acha que o Massa ainda pode ser campeão? – O Felipe tem vontade de acelerar, se diverte e não está traumatizado. Ele ainda não acertou os pneus Pirelli, que são muito difíceis. O estilo de pilotagem do Felipe é muito agressivo, ao contrário do estilo do Fernando (Alonso), então ele queima muito pneu na corrida, até porque o carro não está adaptado para ele. Mas acho que em 2012 ele vai andar forte. Ele tem muito talento, ninguém tirou isso dele.

“Por tudo que passei na vida, cada minuto a mais é como se fosse um bônus”

aos 65 a nos, o bicam peão O Brasil comemora este ano quatro décadas de seu primeiro campeonato mundial de Fórda fórm ula 1 mula 1. O responsável por isso, Emerson Fittipaldi, é ainda hoje um dos esportistas mais emblemáticos do País. Aos 65 anos, pai de sete filhos (a menor, Vittoria, tem 1 ano de idade) comemo e ra avô de cinco netos (o mais velho, Pietro, 15 anos, já corre na categoria Nascar nos Estados Unidos), Fittipaldi não para. Além de gerenciar sua poderosa grife, que movimenta cerca de 40 anos de R$ 100 milhões por ano, é empresário com investimentos em ramos que vão de suco de laseu prim a motocicletas. No fim do ano passado, abriu uma nova agência de marketing esportivo eiro eranja ainda foi homenageado pelo lançamento de um modelo luxuoso de óculos escuros, o Evoke título X Fittipaldi, parecido com o que usava em sua época de campeão. Fittipaldi é dos poucos brasileiros que se referem a Ayrton Senna apenas por Ayrton. O trimundia campeão, por sinal, foi lembrado diversas vezes durante a conversa entre o ex-piloto e a Status, l realizada em seu amplo escritório em São Paulo. Fittipaldi também fala por que ainda acredita em fase que Felipe Massa possa dar um novo título mundial de F-1 ao Brasil, conta por que se tornou evangélico e macrobiótico e revela detalhes inéditos da pouco conhecida amizade que manteve por evangél ica e muitos anos com o beatle George Harrison, a quem chama simplesmente de George. Acompanhe: macrob iótica


no alt Para fittip aldi, felipe o, fittipaldi e seu a migo massa prec isa aprend george harrison caminham er a acerta pe r sua ferr ari para te lo circuito de interl r chance de ser cam agos, em são paulo , peão com o ele, sen nos anos 1970 . na e piquet foram

personagem

– E quem você considera mais piloto, o Massa ou o Barrichello? – Acho difícil comparar, pois ambos são muito bons. Tecnicamente, o Rubinho é muito bom em acertar o carro, e o Felipe é mais agressivo e rápido. A primeira vez que o Felipe testou uma Ferrari, antes mesmo de ir para a Sauber, todos os mecânicos da escuderia de quem sou amigo me falaram o quanto estavam impressionados com seu talento. – E quem foi mais piloto, Piquet ou Senna? – O Ayrton era muito mais arrojado e rápido, guiava o carro fora dos limites. O Nelson era mais técnico. Ambos foram tricampeões, dirigiam demais, e é muito difícil comparar pilotos. Mesmo assim, penso que o maior piloto que já vi em uma pista foi o Ayrton. – O que um aspirante a piloto precisa ter para chegar à Fórmula 1? – É um caminho muito difícil, sempre foi e sempre será. Um exemplo: na época de glamour dos Grand Prix, lá na década de 1930, os pilotos eram em sua maioria nobres, como príncipes, barões e lordes. Só assim para comprar um carro e ter tempo para correr. Os demais estavam lá por mérito de talento. No pós-guerra diminuiu a nobreza e aumentou a presença do mérito. Na minha época, tinha muita gente de talento correndo junto. Hoje, com a crise global, o piloto precisa também trazer dinheiro para o negócio.

– Você foi muito amigo do beatle George Harrison. Como nasceu essa amizade? – Pouca gente sabe, mas o George, quando tinha por volta de 15 anos, começou a ir com o pai assistir a corridas de automóvel em Liverpool. Desde então, se tornou um apaixonado pelo esporte. A gente se conheceu durante o GP da Inglaterra, em 1971 ou 1972. Ele era quase um piloto frustrado e gostava muito desse universo. E depois veio ao Brasil escondido, fomos ao Guarujá para passar uns dias na minha casa. Anos depois, quando sofri o acidente, ele foi muito carinhoso e até gravou uma versão especial de “Here Comes the Sun”. Depois acompanhava minhas corridas na Indy, nos falávamos sempre.

– Você o visitava também? – Sempre. A cada ano eu ia até sua casa na Inglaterra, meus filhos também foram várias vezes. Ele era um cara muito especial. Aparentemente, um sujeito muito fechado, mas tinha o coração enorme. É que ele se protegia muito, tinha ficado assustado com o que aconteceu com o John Lennon, então andava com um monte de seguranças. E depois acabou que foi atacado por um cara na sua própria casa. Isso foi terrível, e ele ficou traumatizado.

– E você, em São Paulo, anda com seguranças? – Nada, nada. Só com Deus. Tenho uma relação muito especial com Ele. Todo dia de manhã, faço minhas orações. Há 15 anos me converti e hoje sou evangélico. E foi muito legal, pois fiz isso antes de o George ir e consegui levar um pastor até a Suíça, onde ele estava muito doente. Ele aceitou Cristo e fez a oração conosco. Foi a última vez que o vi. – Você hoje, aos 65 anos, segue em forma. O que faz para cuidar do corpo e da mente? – O que me encanta muito é a dieta macrobiótica, que faço há seis anos. Minha alimentação se baseia em arroz, grãos, legumes, muita alga marinha, frutas cozidas e peixe. Não como carne vermelha desde 1986. Também não consumo álcool. E eu acordo e durmo cedo todo dia e tenho muita disciplina com alimentação e ginástica. Por tudo que passei na minha vida, acho que tenho muita sorte de estar vivo, então cada minuto a mais é como se fosse um bônus. Fiz uma conta e percebi que, do tempo que comecei a correr até parar, perdi 35 colegas. A morte do Ayrton, que conheci quando era um garoto correndo de kart, me marcou muito. Eu nunca achei que ele fosse morrer na pista.


ESPECIAL

por Camila Lamoglia e Nirlando Beirão

80

março 2012

retrato Daryan Dornelles

nelson e nelsinho O pai fez uma revOluçãO nO palcO – anjO pOrnOgráficO a tirar O sOnO das famílias carOlas. O filhO quis fazer uma revOluçãO de arma na mão. O centenário de nelson rodrigues promove aqui o reencontro amoroso de nelsinho com o “velho”, cujo pendor para a polêmica e a provocação apenas disfarçava a alma derretida de pai irrestrito, capaz de aceitar, para ele e para os filhos, a liberdade de ser e de pensar diferente


uo ar as is 達o

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en-

nas

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ESPECIAL

o “Velho”, em pose clássica, e com Jofre e nelsinho, torcendo para o fluminense no Maracanã (Jofre, não; bandeou-se miseravelmente para o flamengo)


O pa i d e N e l s i N h O – o “Velho”, como o filho o chama – foi um profissional da provocação e do deboche, santo padroeiro dos canalhas e das vadias, artífice de todas as aberrações morais, escrutinador do incesto e das taras, autor de vanguarda que preferiu ser um escrevinhador copioso e maldito, chegando a chafurdar em relatos pornôs com pseudônimo de mulher (“Suzana Flag”). Um Marquês de Sade do su-

búrbio, encharcado de lascívia, de degradação e de baixeza, crua-

mente solidário aos obscenos monstros do cotidiano, ele próprio deliciando-se com sua estética dramaticamente embebida em, frase dele, “elementos atrozes, fétidos, hediondos ou o que seja”. É, não devia ser fácil ser filho do “Velho”. E o “Velho”, Nelson Falcão Rodrigues, o mais carioca dos pernambucanos, jamais se empenhou em preservar a própria família dos respingos de suas frases desagradáveis, de sua incontrolável tentação para desempenhar, nas palavras de um crítico, o papel de “caçador de escândalos”. Mesmo em casa. Sobre filhos, por exemplo, escreveu: “Quando o sujeito é uma besta e não é capaz de fazer nada, faz filhos.” Da família, “o inferno de todos nós”, disse: “Toda família

tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser

a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.” Não devia mesmo ser fácil ter Nelson Rodrigues nas melindrosas funções de pai. Nada disso, contra-ataca Nelsinho, o segun-

fOtOs reprOduçãO | arquivO editOra três

do filho do casal Nelson e Elza (o mais velho, Jofre, cineasta, morreu em agosto de 2010 das sequelas de uma cirurgia no coração) – e Nelsinho o diz com a convicção discreta, mas carinhosa de quem, este ano, no centenário do pai, pretende fazer o possível e o impossível para resgatar para “o autor multifacético”, dramaturgo, romancista e cronista, o lugar que verdadeiramente lhe cabe na cultura brasileira, muito além das incompreensões e dos preconceitos: o de pensador fora do comum, agudo filósofo do dia a dia. Se tem gente que ainda vê o “Velho” como um sátiro desvairado, Nelsinho não está nem aí. O Ano Nelson Rodrigues já começou com uma exposição no teatro Glauce Rocha, no Rio, mas “o recheio do bolo”, como diz Crica Rodrigues, filha de Nelsinho e neta do “Velho”, será um festival com as 17 peças escritas pelo avô encenadas por trupes diferentes. “A gente quer que venham companhias do Brasil todo”, diz Crica. Será em agosto, mês em que nasceu Nelson. Se o recheio do bolo são as peças, a cereja haverá de ser a publicação do livro em que Nelsinho descreve a relação com o pai monstro sagrado. Mas é bastante improvável que o filho dê conta do prazo, já que, engenheiro de formação, ainda tem a mania de se exprimir com lápis, papel e borracha. “Sou uma besta informática”, diz, num tom reconhecidamente rodrigueano. “Tivemos uma relação de muita discussão, de pontos de vista diferentes e também de pontos de vista convergentes”, lembra Nelsinho. “Mas a gente se aproximou mesmo foi pela via do amor.” Dá para pedir coisa melhor a um pai? O “Velho” e Nelsinho compartilha-

ram de boas experiências e de momentos sofridos – tais como a separação do pai e da mãe e a prisão do filho envolvido na guerrilha. Mas o que os dois tinham de melhor em comum era a prazerosa facilidade em ceder à aventura impulsiva das paixões. “Flor de obsessão”, disse de Nelson Rodrigues um amigo dele. A pecha também caberia facilmente ao filho. Nelsinho é uma figura. “Parei de beber, como pouco, emagreci 33 quilos nos últimos dois anos”, comenta, enquanto toma água sem gás à mesa de um restaurante no Jardim Botânico. O resultado é uma figura alta e esquálida, peito afundado no que lhe resta de caixa torácica, com uma bar-

ba que desce para baixo da última costela (“não corto desde 1972”) e um cabelo liso que

quase lhe chega ao cós da calça. Não por acaso, o seu empreendimento mais conhecido, depois de dois anos de clandestinidade e sete anos de cadeia (eventualmente salpicado de tortura e solitária), foi um bar chamado Barbas, em Botafogo, no início da década de 80. A esquerda reunia os cacos e o samba comparecia na figura de Monarco, de Chico Buarque, de Beth Carvalho. Ainda hoje, mesmo com o bar extinto há anos, o Bloco do Barbas evolui por ali antes do Carnaval, arrastando multidões ao sabor da mais completa improvisação e anarquia. O corpo de faquir, quer dizer, a dieta de faquir de Nelsinho se deve ao imperioso compromisso que ele tem com outra de suas paixões. Aos 66 anos, está louco para voltar a correr atrás de uma bola. “Em maio, eu volto”, diz, com convicção. Futebol é um pen-


ESPECIAL

dor atávico, mais fora do gramado do que dentro dele. O “Velho” foi incontestavelmente o mais divertido, talentoso e exuberante cronista esportivo de todos os tempos, a quem só mesmo João Saldanha, que chegou a técnico da Seleção, pode se comparar, e apenas no quesito popularidade. Saldanha e Nelson eram amigos de fé – um, comunista, o outro, ferrenhamente anticomunista. Pois é, acontece. “Para me encontrar, é fácil: é só reparar numa enorme bandeira do Fluminense na janela do prédio do Leme”, orgulha-se Nelsinho. Ele mora no apartamento que foi do “Velho”. É a única herança, além da máquina de escrever Remington na qual o pai vertia fel e mel. O “Velho”, vocês sabem, era obcecadamente Flu. Na família, só Jofre, o primogênito, renegou o DNA. Virou Flamengo. Prova maior de tolerância não poderia haver, da parte de quem viveu 70 anos, como o “Velho”, carregando no peito o crachá de intolerante. Na verdade, era o ímpeto da polêmica que movia o “Velho”. A intransigên-

cia dele costumava ser da boca para fora, assegura Nelsinho

– e não há ninguém tão credenciado como o filho para atestar, por trás da fachada promocional, propositalmente caricata do “Velho”, os seus momentos de doçura, nos quais a alma aparentemente durona e cínica se derretia feito manteiga. A pergunta que nunca

quis calar: como se sentia o assumido portabandeira dos reacionários, o anticomunista militante, amiguinho dos militares, ao saber que o filho era espancado nos cárceres brutais da ditadura? Nelsinho tem essa história muito bem resolvida. Ainda que combatendo em trincheira diferente, o fato é que nun-

ca se sentiu desamparado pelo afeto paterno – mesmo quando os amigos não conseguiam entender como isso era possível. “ele

sempre foi a favor da liberdade, no sentido mais amplo da palavra”, diz Nelsinho. Só podia ser um libertário um sujeito que escrevia aquelas barbaridades que ele escrevia. Já o Nelsinho buscava a liberdade, a seu jeito. Imbuído do mesmo terror que o pai nutria pelo stalinismo, ele foi se desviando lentamente para uma trilha de esquerda. Ao terminar a faculdade, em 1969, percorreu a Europa do capitalismo e a do socialismo, abriu os horizontes e, de volta à casa, sete meses depois, horrorizou-se com a mediocridade truculenta da ditadura e foi se engajando na resistência. Coisa de jovem, poderia dizer o “Velho”. Quem ouve Nelsinho recapitular o passo a passo de sua conversão à luta armada fica propenso a dar razão ao “Velho” quando declarou: “O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.” Só faltaria dizer que, no caso de

Nelsinho e de tantos outros, além de certa imaturidade, havia tanto o impulso de uma generosidade sincera. De repente, Nelsinho estava com um Taurus 38 na mão participando de ações do MR-8 graças à expertise de excelente motorista. Mais de dois anos de clandestinidade – e, ao mesmo tempo que elogiava os milicos, o “Velho” via a angústia crispar dentro dele como uma víbora (desculpem, a metáfora é do próprio Nelson). Não tinha como falar com Nelsinho, a não ser quando ele ligava de surpresa de algum orelhão. Mas o “Velho” acabou arrumando um jeito de “marcar um ponto” (na linguagem da guerrilha) com a cria. Rodou a cidade, trocou inúmeras vezes de rotas e de carros com placas frias, e afinal chegou ao destino, um restaurante na zona norte onde o esperava o “Prancha”, codinome de Nelsinho. O “Velho” não perdeu a

piada: “Emocionante. Me sinto num filme.”

Emoção é que não ia faltar ao pai cardíaco. “Tivemos uns quatro ou cinco encontros”, lembra Nelsinho. Nos bastidores, o “Velho” acionou seu instinto de pai para tentar tirar o filho da guerrilha – e do Brasil. Chegou a falar com o presidente Médici, de quem ficara amigo nas domingueiras do Maracanã. Se Nelsinho quisesse, ganharia um passaporte e sairia ileso para onde desejasse. Jofre, o irmão mais velho, levou o recado. Nelsinho relutou:

nelson, a bordo de sua devastadora Remington, e a família, no seu enterro, em 1980


“Não acho justo deixar os companheiros na mão.” Como último recurso, o “Velho” despachou Hélio Pellegrino para uma conversa ao pé do ouvido com o filho – menos pelo fato de o amigo ser psicanalista e mais por ser de esquerda. O mensageiro blefou: “Sai, vai embora, nem que seja para fazer um curso de treinamento em Cuba.” Nada feito. O “Prancha” foi preso em março de 1972 e o levaram para o malfalado Codi da rua Barão de Mesquita. Ficaria encarcerado até 1979. O autoproclamado

do presídio, acompanhou no hospital o nascimento de Cristiane, filha de Nelsinho, sua neta. “Fui concebida na prisão, numa visita íntima”, conta Crica. O “Velho” desabou. Nelsinho e Crica resgataram recentemente uma carta que Nelson datilografou, “na tarde de 7 de março de 1939”, para a sua amada, Elzinha. Começa sinistra: na descrição de visitas a cemitérios, descobre “a poesia de criancinhas mortas”. “Floresceu em mim o desejo do aniquilamento [...] Então, chegaste”, diz à futura mulher. Parece poema parnasiano: a

“reacionário” peregrinou doce redenção pelo amor. de calabouço em calabou- Não pode ser de todo mau um sujeito capaz ço, visitando o filho comu- de escancarar assim seu coração. nista e os amigos do filho comunista. Aprendeu, ao vivo, que

não vale um tostão furado o que diz um ditador. Meses antes, durante uma partida de futebol, Nelson perguntou a Médici: “O sr. garante que, ao contrário do que dizem, não há tortura no Brasil?” O general-presidente deu-lhe a palavra de honra que não. “De todo modo, eu era um preso especial”, diz Nelsinho. “Um incômodo para o regime. Imaginem só se me matassem na prisão, que complicação!” Nelsinho foi condenado a 84 anos. Uma mudança na Lei de Segurança Nacional – e não a anistia – é que abreviou esse martírio. O pai nunca perdoaria a repressão. Sempre disse que torturador não devia ser anistiado. O “Velho” foi um poço de contradições – e tinha prazer nisso. “O anjo pornográfico”, em sua própria definição. Moralista ambíguo, odiava a hipocrisia do preto no branco. A melhor síntese de seus personagens são o cafajeste que espreita dentro do santo e o santo que escamoteia o cafajeste; as putas que se acendem à luz da virtude e as virtuosas prestes a cair no lodaçal do vício. Talento superior do teatro, Nelson divertia-se em envergar as múltiplas máscaras da encenação. No entanto, como pai, insiste Nelsinho, ele foi uma persona só – bonachão, extremoso, até piegas. A maior emoção de sua vida, confessou o “Velho”, não veio de nenhuma consagração artística; aconteceu no dia em que, ao lado do filho algemado, liberado um par de horas

fotos antonio augusto fontes | agência o gloBo


Lá em casa

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novembro 2011

Balada, só lá fora acostumado à vida noturna, o empresário cacá riBeiro fez de sua coBertura em Higienópolis um refúgio, à Base de muito espaço e silêncio por Fabrícia Peixoto

fotos Rafael Hupsel

na parede Preferência por artistas paulistanos

Sobre a mesinha de canto, peças com cara retrô, compradas em feiras e brechós

O empresáriO da nOite paulistana Cacá ribeiro, sócio dos badalados clubs Lions e Yatch, não tem aparelho de som em casa. pelo menos não se vê um, tampouco Cds ou Lps, em sua cobertura no bairro de Higienópolis, em são Paulo. Não por falta de espaço, claro. Afinal, estamos falando de um imóvel triplex com 230 metros quadrados e uma vista convidativa para belas festas, regadas a uns bons drinques. mas o agito Cacá prefere deixar mesmo para os três dias da semana, em média, dedicados à madrugada dos clubs. “preciso de silêncio”, diz o empresário de 49 anos. “sou, sim, um sujeito notívago, mas casa é refúgio, tem que ser um outro universo”, completa. isso explica, em grande parte, sua escolha por uma decoração que privilegia o espaço em detrimento do aperto entre móveis e objetos. a área de cada um dos três andares


janeiro 2012

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nem é tão grande assim, mas no corredor da sala, por exemplo, a sensação é de que ali podese andar de patins. a parede que divide a sala de jantar da cozinha foi transformada em uma porta de correr, contribuindo ainda para tornar o ambiente mais espaçoso. “a decoração aqui é bem simples e intuitiva. Uma coisa meio típica de homem”, define. Cacá teve a sorte de encontrar o apartamento já com dois detalhes que lhe fizeram saltar os olhos. Um deles é o piso, todo em pastilhas de vidrotil – um revestimento mais comum em banheiros e que, aplicado à sala, dá ao projeto um ar descolado. A outra curiosidade fica por conta da inclinação de uma das paredes, graças ao projeto do próprio prédio, assinado pelo arquiteto eduardo Longo. mas, apesar de fazer o tipo mais desencanado – não houve, por exemplo, um projeto de decoração específico para o apartamento –, o empresário admite que gosta, sim, de garimpar peças que sejam a sua cara. muitas delas estão na parede: são ilustrações, fotos e quadros, praticamente todos eles de artistas paulistanos, desde nomes mais conhecidos, como edgar de Camargo, até artesãos de rua. apesar de viajar bastante, Cacá não tem o costume, muito comum, de trazer peças de outros países. Faz questão de prestigiar artistas locais. “sou o típico paulistano: ansioso, pilhado, cheio de ideias. alguma coisa aqui em casa tinha que refletir isso”, conta.

fora dos padrões Cacá encontrou o apartamento com piso em pastilhas de vidrotil e curtiu a ideia, pouco convencional. A inclinação de uma das paredes também contribui para um ar mais despojado


c a pa

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março 2012

emanuela de paula O anjO cOm sabOr de pecadO cOmO nem a victOria’s secret OusOu mOstrar Fotos BoB WolFenson Edição AriAni CArnEiro | Styling HElEno MAnoEl

A n j o S p o d E M S E d i S fA r ç A r d E M i l M A n E i r A S . Um anjo foi flagrado em Cabo de Santo Agostinho, litoral de Pernambuco, na pele de uma linda menina negra criada por uma tia doceira. A tentação dos quindins e das cocadas não produziu nenhuma daquelas conhecidas sequelas gulosas, mesmo porque anjos não precisam brigar contra a balança. O resultado é que este serafim, aos 22 anos, 1,76 metro de altura, conserva da adolescência as medidas perfeitas de uma silhueta esguia, mas suculenta (84 cm de busto, 59 de cintura, 89 de quadris). Emanuela de Paula – ela propõe a Status a intimidade do “Manu” – é angel desde 2008. Acostumou-se, nos desfile da grife Victoria’s Secret, a exercitar a missão de exibir sua sedutora plástica a bordo de nada mais que asas e duas peças de lingerie, ela que se diz uma mulher “particularmente envergonhada”. Quem a vê, aqui ou na passarela, não há de notar timidez alguma. “É que mergulho no papel, no enredo, sempre com uma alegria enorme”, explica Manu (não há nela o mais vago traço do sotaque nordestino, mas, se chega a Cabo de Santo Agostinho, começa a dizer, “oh painho, oh mãinha”). Essa capacidade deve ter a ver com um já longo aprendizado nas artes de ser observada, mas também de observar. Manu, que já posou para as lentes de Patrick Demarchelier, de Peter Lindbergh e da dupla Mert & Marcus, é, ela também, fotógrafa, dona de uma ativa Leica M9 – “digital, mas com qualidade de filme” – e, nesse jogo de espelhos, fica mais fácil lidar com os dois lados da câmera. “Não fotografo moda, documento minhas viagens, as ruas, os prédios e as pessoas”, diz. E viagem é o que não lhe falta. Entre a Tailândia e o Brasil, entre Paris e a Cidade do México, entre Londres e Los Angeles, ela entrega seis meses do ano, por aí. O resto ela dedica, em Nova York, ao apartamento que há quatro anos ela chama de seu. “É meu porto seguro”, comenta. “Olho para ele, sinto-me acolhida e lembro quanto tive de ralar para chegar até aqui.” Ser do exclusivo, invejado time da Victoria’s Secret deu um upgrade na carreira de Manu. “É um privilégio”, define. “Mesmo porque tem muita menina linda por aí querendo nosso lugar e a gente tem de se superar.” Do time já fez parte Gisele Bündchen. Alessandra Ambrosio e Adriana Lima ainda fazem, defendendo com a Manu a duradoura mística das “Brazilian tops” e nossa vocação para a diversidade multiétnica. Loiras, morenas e a Manu. “Sou feliz de ser negra.”

Emanuela de Paula chegou a ser anunciada este ano como destaque da Vila Isabel. O anjo seria rainha: Ginga, heroína no enredo “O Canto Livre de Angola”, assinado por Martinho da Vila (“Vem ver a lua de Luanda nos guiar/reina Ginda, é Matamba/negra de Zambi/sua terra, seu altar”). A escola tinha sondado antes, muito apropriadamente, a angolana Leila Lopes, atual Miss Universo. Mas ela pediu um cachê de 50 mil dólares. Manu desfilaria de graça. “Adoro Carnaval, já fui a Salvador, subi no trio de Ivete Sangalo, mas nunca tinha assistido ao desfile do Sambódromo.” A animação se transformou em decepção ao perceber um inesperado problema no passaporte. A angelical majestade que a Manu encarna mereceu de Status, além dos cliques inspiradíssimos de Bob Wolfenson, um cenário à altura: o Faena, de Puerto Madero, em Buenos Aires. O hotel tem a assinatura do überdesigner Philippe Starck. Agora, reparem na nossa querubim de ébano e me digam se aquela boca sexy, aquelas curvas hiperderrapantes, aquele recheio também não foram desenhados por um projetista de inspiração celestial.

Nirlando Beirão


novembro 2011

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Jaqueta Angela di Verbeno | vestido R Rosner | botas Santa Lolla | lingerie American Apparel | anel Naye Quiros Buenos Aires


Top R Rosner | saiote FH por Fause Haten | sapatos Studio TMLS


Segunda pele Vitor Zerbinatto | short Letage


Lingerie American Apparel | pulseiras Camila Klein e Francesca Romana Diana | anel Naye Quiros Buenos Aires


Maxi colar Camila Klein


Palet贸 Ale Brito | lingerie American Apparel


Casaqueto Vitor Zerbinatto | lingerie American Apparel | pulseiras Camila Klein e Francesca Romana Diana


BELEZA CáTIA MArQUES | PrODUçãO DE MODA ALExANDrA ThOMAZ | PrODUçãO ExECUTIVA MárCIA OrSINI (BUENOS AIrES) E MIChELLE KIMUrA | ASSISTENTES DE FOTO PEDrO BONACINA E rENATA TErEPINS | AGrADECIMENTO ESPECIAL FAENA hOTEL BUENOS AIrES - CALLE MArTA SALOTTI 445 - PUErTO MADErO

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trAtAMEnto dE iMAgEM rg iMAgEM


C H AV E D E C A D E I A

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março 2012

ilustração Manuela Eichner

GATA NO CIO RUBENS* RECEBEU MAIS DO QUE ORIENTAÇÕES MÉDICAS AO LEVAR SUA AFLITA GATINHA AO CONSULTÓRIO DA VETERINÁRIA...

Q UA N D O D E C I D I A D O TA R uma gatinha ainda neném, para me fazer companhia no meu novo apartamento em São Paulo – havia me mudado do interior do Estado semanas antes para a cidade grande por conta de trabalho e morria de medo da solidão –, nunca imaginei que a bichana me daria tanta dor de cabeça. E, a bem da verdade, alguma diversão. Com menos de um ano de idade, a gatinha, batizada de Branquinha, por ser alva da cauda às orelhas, começou a miar de maneira compulsiva e enlouquecedora. Um miar que vinha das entranhas, desesperado. Nos primeiros dias, achei que fosse adaptação ao apartamento, a seu novo espaço, sei lá – o fato é que nunca havia tido um animal de estimação, então entendia pouco do assunto. Primeiro cogitei que fosse fome ou sede. Mas, por mais que eu colocasse ração e água, Branquinha continuava a emitir aquele som gutural, profundo e extremamente irritante. Durante as madrugadas, a situação ficava crítica: ela, miando de um lado; eu, na cama sem conseguir dormir, do outro, sem saber o que fazer. Finalmente, pensei: minha gatinha está doente, tenho que levá-la ao veterinário. Na primeira manhã livre que tive, eu a coloquei no carro e fomos à clínica mais perto do apartamento. Nem marquei hora, mas por sorte fui prontamente atendido e encaminhado ao consultório. Quem abriu a porta foi a doutora Lúcia, uma veterinária já com seus 40 e poucos anos, loira de cabelos tingidos, daqueles com as raízes


de ração especial que todo cliente nosso tem direito. Teria como você dar uma passada aqui, agora? É pênalti, pensei. Pe-na-li-da-de máxima! Igual quando você recebe uma mensagem privada no Facebook de uma menina que mal conhece. Ou você acha que ela – Fique sossegado, Rubens, sua está realmente querendo ser sua amiga? gata está totalmente saudável. O No caso, também não era de ração graque acontece é que ela já entrou tuita que se tratava. Como centroavante no cio. E gata no cio, você sabe, é trombador que sou, fui colocar a bola na igual mulher, só fica bem depois rede. Passei no consultório antes de rude, bem, de arranjar um gatinho mar para o escritório e, ao entrar na sala da doutora Lúcia, encontrei a veterinápara... bem, para trepar. ria em pé, de jaleco, encostada na maca. Junto com o diagnóstico preciso e com – Vem cá, menino, vem pegar sua ração... a escolha exata das palavras, a doutora Quando me aproximei, prome lançou um sorriso de canto de boca e um olhar cúmplice, como se eu soubesse curando o pacote em suas mãos, Lúcia estendeu a mão rapidamesmo do que ela estava falando. – O problema é que ela vive em aparta- mente e agarrou o meu pacote, mento, não tem nenhum gato por perto, aquele entre as pernas. – Eu também sou uma gatinha lamentei, prevendo muitas outras noites no cio, vem cá me aplacar, susmaldormidas. – O jeito vai ser castrá-la, afirmou a es- surrou a doutora no meu ouvido, pecialista, como se estivesse decretando antes de me dar uma lambidinha no canto da orelha. o sacrifício do animalzinho. Gatinha ou cadela, o fato é que a douto– Espere ela completar um ano e pode operar. Uma pena para ela, que vai ficar ra Lúcia estava realmente querendo dar, pois mal tive tempo de falar algo que já sem o maior prazer que existe... Ao completar a frase, novamente Lúcia me encontrei com a boca em seus seios me mirou com olhos pontudos, como se perfumados e generosos. Seio de mulher buscasse entender se eu havia entendido vivida, talvez mãe, mas seios ainda com firmeza e viço. Fiquei imediatamente louo que dizia. Continuei sério, porém, e agradeci o co de tesão e começamos a nos esfregar encaminhamento médico, garantindo que freneticamente. Ao abrir totalmente o jaleco, vi que em breve levaria Branquinha para a mesa estava apenas de jaleco e lingerie, muito de cirurgia e tudo ficaria resolvido. – Muito bem, disse ela. Só me ligue safadinha! Mulherão de ancas largas e coxas grosdepois para contar se tudo correu bem. Me despedi da doutora com um aperto sas, Lúcia não perdeu tempo e virou-se de de mãos formal, mas a dona logo ofereceu costas, apoiada na maca. Tirou a calcinha a lateral do rosto para um beijo. Ao tocar a rendada com os pés e subiu uma das perpele com a boca, senti um perfume doce e nas na mesa de metal. – Me come, gatinho, agora. uma temperatura alta. Ao sair da clínica, Obedeci prontamente, e fizemos um falei para mim mesmo: sexo animal, com o perdão do trocadilho. – Essa mulher está pegando fogo... Meu diagnóstico também foi preciso. Ficamos naquele vai e vem frenético por Gata ou mulher no cio, pelo visto, é igual- longos minutos, eu endoidecido de tesão mente flagrante. No dia seguinte, saio do pela situação inteira; ela, mordendo um banho antes de ir para o trabalho com o pedaço de pano para não gritar de prazer. celular tocando. Era a doutora Lúcia, com Quando não aguentava mais e estava a ponto de explodir, saí de dentro da doua seguinte conversa: – Rubens, como vai a gatinha? Olha tora, que, deitada na maca, empinava a só, esqueci de lhe dar ontem um pacote bunda quase a tocar no teto. escuras aparecendo, vestindo o tradicional jaleco branco de todo profissional da medicina e com uma sutil cara de ressaca. A doutora olhou a gatinha, examinou seus olhos, dentes, pelos, tirou sua temperatura e, ao examinar a pequena vulva levemente inchada do bicho, cravou, sem pestanejar:

Mal havia recuperado o fôlego, contudo, Lúcia se ajoelhou diante de mim e me abocanhou com gula. Queria me levar aos céus, e estava conseguindo, quando de repente seu celular tocou. Sem parar de me chupar, ela bateu os olhos no visor do telefone e engoliu a própria saliva a seco. Levantando-se pálida, me falou: – Meu namorado está aqui na frente da clínica, veio me pegar para almoçar. Não sabia que viria tão cedo! Vamos, se veste agora! A campainha tocou junto com sua última frase, tornando a ameaça de flagra real, bem real. Subi as calças enquanto via a muy sacana doutora colocando um vestido que estava sobre a cadeira. Me entregou dois sacos pequenos de ração para gatos e, praticamente me tocando para fora da sala, abriu a porta dizendo: – Bom, rapaz, cuide bem da sua gatinha, não a deixe desesperada por muito tempo. Agradeci a consulta com o aceno de cabeça e, atordoado pela enrascada em que havia me metido, saí sem dizer adeus. Ao pisar na rua, com o cabelo todo desgrenhado, a braguilha aberta e todo suado, me deparo com um sujeito enorme, cabelo raspado e camiseta justa, onde se lia o seguinte emblema: “jiu-jítsu – competidor”. Dobrei para o lado de cabeça baixa, elevando os sacos de ração à altura do peito, sem soltar a respiração. Era só o que faltava, pensei: o namorado da doutora no cio é um desses animais ferozes que esmagam com os dedos qualquer desafeto... Andei até o carro sem olhar para trás e só relaxei ao dar a partida.

Até hoje não castrei minha gatinha, mas para evitar maiores problemas de saúde (para mim) resolvi mudar de clínica e de veterinária – afinal, mais valem noites maldormidas do que arrumar confusão com um namorado em forma de pit bull! *Rubens, 32 anos, é empresário em São Paulo

VOCÊ JÁ SE METEU EM ALGUMA ENRASCADA NA VIDA PESSOAL OU PROFISSIONAL? MANDE PARA O CHAVEDECADEIA@REVISTASTATUS.COM.BR. SE A SUA HISTÓRIA FOR BOA MESMO, PUBLICAREMOS AQUI


MODA

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março 2012

encontro marcado a elegância do minimalismo retorna ao guarda-roupa masculino. Aposte nos clássicos Cinza e preto para fazer bonito na noite FOTOS DEBBY GRAM | Edição de moda Cesar Fassina

Jaqueta de couro Dudalina R$ 1.699,90 | Polo HighStil R$ 139 | Calça Cavalera R$ 366 | Relógio Omega para Amsterdan Sauer R$ 11.680


Ele veste terno Garoa R$ 1.580 | Camisa Canali R$ 750 | Lenço Lanvin para Petulan R$ 390 | Cinto Aramis R$ 139 | Sapatos Salvatore Ferragamo R$ 2.690 | Relógio IWC para Sara Joias R$ 19.300 | Óculos Fendi para Ótica Midani R$ 1.152 Ela usa vestido NK Store R$ 4.990 | Bolsa Hermès R$ 14.100 | Sapatos Studio TMLS R$ 470 | Argolas Noor R$ 38.479,80 | Anel Carla Amorim R$ 17.480


Ele veste paletó Z Zegna R$ 3.695 | Calça Gant R$ 404 | Camisa Tommy Hilfiger R$ 318 | Cardigã Penguin R$ 299 | Relógio Panerai para Sara Joias R$ 20.900 | Sapatos Daslu Homem R$ 650 | Meias Lupo (preço sob consulta) Ela usa blusa Brooksfield Donna R$ 590 | Saia Maria Valentina R$ 436,60 | Bolsa Zeferino R$ 1.137 | Cinto NK Store R$ 795 | Sapatos Studio TMLS R$ 485 | Brincos de ônix e ouro amarelo R$ 27.631,93, anel de ônix, diamantes e ouro amarelo R$ 16.102,80 Noor


Agradecimentos especiais: Bar Numero 11 3061 3995, Chandon Brasil www.chandon.com.br , Escarlate Flores 11 3085 1704 e Martha Medeiros 11 3062 7907

Blazer Alexandre Herchcovitch R$ 1.649 | Pul么ver de cashmere Garoa R$ 590 | Cal莽a Colcci R$ 264


Ele veste cardigã Missoni R$ 2.690 | Camisa Hermès R$ 1.350 | Calça Armani Exchange R$ 429 | Cinto Crawford R$ 129,90 | Sapatos Jorgito Donadelli R$ 359 | Relógio Rolex para Corsage R$ 27.500 Ela usa vestido Atelier Giulia Borges (preço sob consulta) | Sapatos Zeferino R$ 1.198 | Brincos R$ 7.638,12 , pulseira R$ 66.565,80 e anel R$ 13.114,08 Noor


Coordenação Ariani Carneiro | Beleza Raul Mello (Capa Mgt) | Produtor de moda Clessi Cardoso | Assistente de beleza Silmara Melo (Capa Mgt) | Produção executiva Michelle Kimura | Assistente de foto Fábio Amaro | Modelos Vinícius Naval e Ana Hartmann (Oca Models) | Tratamento de imagem Photouch/Regis Panato

Blazer de veludo Ricardo Almeida R$ 2.658 | Camisa Penguin R$ 209 | Calça Canali R$ 950 | Cinto Salvatore Ferragamo R$ 1.190 | Sapatos Democrata R$ 505


Onde encontrar: Armani Exchange 11 3323 3515, Canali 11 3552 1020, Carla Amorim 11 2146 1250, Carolina Herrera 11 3552 7778, Colcci 47 3247 3000, Crawford 11 3083 7888, Daslu Homem 11 3044 2490, Democrata 0800 341500, Ermenegildo Zegna 11 3031 4771, Garoa 11 3061 1362, Gant 11 3083 3574, Herchcovitch;Alexandre 11 3063 2888, Hermès 11 3552 4500, HighStil (www.highstil.com.br), Lupo 16 3303 4000, Maria Valentina 44 3351 5000, Missoni 11 3034 6469, Ótica Midani 11 5181 6104, Penguin 11 5181 0478, Petulan 11 3812 95731, Salvatore Ferragamo 11 3758 4791, Sara Joias 11 3081 8125, Siberian 11 3086 2109, Studio TMLS 11 3063 5352, Tommy Hilfiger 11 3596 7551, VR 11 3081 2919, Zeferino 11 3064 1006

Michelle Kimura | Assistente de foto Fábio Amaro | Modelos Vinícius Naval e Ana Hartmann (Oca Models) | Tratamento de imagem Photouch/Regis Panato

Ele veste parka Carolina Herrera R$ 1.080 | Camisa VR R$ 279 | Calça Armani Exchange R$ 429 | Cinto Siberian R$ 199,90 | Sapatos Garoa R$ 360

Ela usa vestido Printing e sapatos Vide Bula (preços sob consulta)


ÍCONES DE ESTILO

por Suzana PriscillaBorin Portugal

DUPLA DE HERÓIS

NOS CINEMAS, ELES VESTIRAM OS UNIFORMES DE HOMEM DE FERRO E DE BATMAN. LONGE DAS CÂMERAS, PORÉM, OS ATORES ROBERT DOWNEY JR. E CHRISTIAN BALE TÊM POUCO EM COMUM QUANDO SE TRATA DO VISUAL. CONHEÇA AS PREFERÊNCIAS DE CADA UM TIPO GAROTÃO

Diversão é a palavra-chave quando se trata do figurino do americano Robert Downey Jr. Aos 46 anos, o ator – que deu vida ao personagem Homem de Ferro e já filma a terceira sequência – é do tipo que brinca com os elementos da moda. Seu guardaroupa é dominado por peças de cores fortes e, principalmente, com uma forte influência “jovem”. O resultado é um visual sem compromisso com as novidades da moda, mas nem por isso descuidado.

REBELDIA COM CHARME

Downey Jr. é uma dessas figuras controversas de Hollywood, com histórico de drogas e passagens por clínicas de reabilitação. Ao mesmo tempo, o seu físico enxuto e a indiscutível qualidade de seu trabalho colocam o ator naquela tênue fronteira do rebelde charmoso. No dia a dia, suas roupas parecem refletir exatamente essa imagem: Downey Jr. abusa, por exemplo, das camisas xadrezes – consagrada nos anos 90 pelas bandas grunje e que até hoje carrega um certo ar transgressor.

Visual retrô O mix de cores e estampas, aliado a tecidos sintéticos e modernos, estão entre suas escolhas frequentes. Mesmo quando vestido em um conjunto tradicional, como um terno, o ator consegue surpreender, aparecendo em uma tonalidade incomum, como o azul-claro. “Ele acerta quando opta por ternos com um toque retrô, em cores interessantes e cortes justos. Na escolha do tênis, o ideal é que eles não sejam esportivos demais para não destoar do look”, diz a stylist Manoela Fiaes.


março 2012

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LEVE E SOLTO

Enquanto seu personagem Batman, que volta às telonas em julho deste ano, parece não se incomodar com as roupas coladas ao corpo, Bale opta pelo conforto. O resultado é um guarda-roupa sem extravagâncias e com peças de fácil combinação. “Ele inova, principalmente, nas peças de alfaiataria”, explica Endo.

Tapete vermelho Mesmo em eventos formais, o ator não abre mão de sua cor preferida – como na entrega do Oscar, no ano passado, quando conquistou os críticos de moda ao aparecer na festa do prêmio com um look 100% preto. O modelo escolhido por Bale, do tipo ajustado, deixou o ator com um ar moderno, mas mantendo a discrição que ele tanto valoriza. “Escolhas como essa alongam a silhueta e ajudam a disfarçar uma possível gordurinha extra”, diz o stylist Sator Endo, da agência Abá Mgt. O único porém desse visual ficou por conta da barba, que parecia um pouco descuidada.

VOU ALI E JÁ VOLTO

Aos 38 anos, Bale não tem uma preocupação excessiva com o que veste. Nos momentos de lazer, costuma ser flagrado com peças como moletons, camisetas básicas e jeans desbotados. Em um visual tão básico como este da foto, o ator inglês consegue até passar despercebido pelas ruas de Londres.

ILUSTRAÇÃO PEDRO MATALLO | FOTOS JB LACROIX/WIREIMAGE | ERNESTO RUSCIO/WIREIMAGE | STEVE GRANITZ | CHINAFOTOPRESS/GETTY IMAGES


BELEZA

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por Suzana Borin

março 2012

ilustração Luciana Bicalho

NO CAMPO OPONENTE

OS PRODUTOS DELA DOMINAM A BANCADA DA PIA, OS ARMÁRIOS E AS PRATELEIRAS? NÃO SE DEIXE ABATER: MUITA COISA ALI TAMBÉM SERVE PARA VOCÊ TODOS AQUELES PRODUTOS femininos reunidos, de cores, formatos e tamanhos dos mais variados, parecem formar um verdadeiro exército da beleza. Acuado com sua escova de dentes e aparelho de barbear, você mal se atreve a ultrapassar o campo oponente. Antes de entrar em uma luta inglória por mais espaço, saiba que é possível tirar proveito dessa situação. O arsenal de tubos ali em frente esconde produtos que não precisam necessariamente ficar restritos ao universo feminino. Entre perfumes adocicados e fórmulas antirrugas estão itens de uso específico, como gel antiespinhas e pomada para os cabelos, que podem ser usados por qualquer homem. As informações estão ali na embalagem – com um pouco de paciência e uma certa dose de curiosidade, você vai descobrir que muita coisa ali interessa a você. “Normalmente as mulheres são mais cuidadosas que os homens e acabam optando por produtos de boa qualidade. O segredo é saber escolher”, diz o dermatologista Emerson Andrade Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e usuário confesso dos produtos da prateleira da esposa. “De uma maneira geral, todos os cosméticos utilizados por mulheres podem também ser usados por homens.” Selecionamos alguns frascos que podem lhe interessar – sem que você tenha, obviamente, de usar aqueles produtos só para meninas.

1. REDNESS SOLUTIONS URGENT RELIEF CREAM, CLINIQUE Elementos como poluição, intolerância a certos tipos de alimentos e o sol podem fazer aparecer manchas vermelhas na pele – as chamadas rosáceas. Você pode minimizá-las com esse produto da Clinique. Preço:R$ 175

4. ARANCIA DI CAPRI, ACQUA DI PARMA Mesmo as mulheres que preferem os perfumes adocicados costumam ter alguma opção mais cítrica ou amadeirada em seu arsenal. Esse da Acqua di Parma é à base de laranja e mandarim siciliano, deixando-o com uma fragrância mais unissex. Preço: R$ 201

7. GEL SECATIVO RAPID CLEAR, NEUTROGENA Os produtos de uso emergencial são os preferidos do público masculino. É o caso desse gel secativo para espinhas: basta uma simples aplicação pela manhã para atenuar a irritação, sem danificar a pele. Seca rapidamente e é transparente. Preço: R$ 26,64

2. HYDRA LIFE SKIN ENERGIZER, DIOR Os homens são avessos à hidratação do corpo todo, mas quem quiser arriscar, a dica é optar por produtos de textura mais fluida, que não deixam o corpo pegajoso. Este da Dior ainda promete energizar a pele depois de extrema fadiga ou estresse diário. Preço: R$ 268

5. XAMPU A SECO ROCKAHOLIC, TIGI Não teve tempo para lavar os cabelos? Sem crise: este xampu a seco promete limpá-los, retirar a oleosidade e os odores com apenas uma aplicação. O melhor: é em formato spray e não precisa de enxágue. Preço: R$ 100

8. GEL PROTETOR DE CALOS E BOLHAS, GRANADO Não se assuste com o frasco rosa-pink: este gel da Granado previne calos em qualquer pé. Tem cheiro um pouco doce, mas dentro do sapato ninguém (nem você) vai sentir. Preço: R$ 21,50

3. SEA RESULTS ESPUMA DE LIMPEZA FACIAL 3 EM 1, H2O PLUS Resolva logo três problemas de uma única vez: além de lavar o rosto, os sabonetes com textura de musse eliminam as impurezas da pele e reduzem a oleosidade. Preço: R$ 52

6. POMADA MODELADORA PLIABLE SHINE, SENSCIENCE Essa não é oleosa, o que a deixa mais ao gosto masculino. Ideal para os cortes mais curtos, pode ser usada tanto no cabelo seco quanto no molhado. Preço: R$ 100

9. MANTEIGA DE KARITÉ ORGÂNICA, L’OCCITANE Os cremes à base de manteiga de Karité, por terem uma textura mais forte, são perfeitos para ser utilizados em peles extremamente secas – como joelho e cotovelo. Eles hidratam, nutrem e suavizam a pele. Preço: R$ 169


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acessório

N ã o o c h a m e d e o c u l i s ta . ele prefere “visagista”, um expert em ressaltar as qualidades do rosto (visage, em francês) e, por outro lado, minimizar seus defeitos. miguel Giannini, 69 anos, é o especialista em armações de óculos mais celebrado do Brasil e que, há vários anos, define as molduras para os olhos de inúmeras personalidades do País, incluindo os ex-presidentes luiz inácio lula da silva e Fernando henrique cardoso. Na prática, Giannini presta um serviço que chega muito perto da consultoria de imagem. em seu casarão no bairro da Bela Vista, em são Paulo, Giannini explica que não é apenas o formato do rosto que define cada armação, mas também a personalidade e o estilo de vida do cliente. Por isso, quem abre uma das delicadas gavetas de seu escritório pode encontrar exemplares minimalistas que, de tão leves, quase somem no rosto. ou modelos de estilo étnico ou, ainda, verdadeiras joias em estilo art nouveau. “escolher óculos para alguém é mexer com sua autoestima, pois muita gente se assusta com a ideia de ter que usar”, diz. “os óculos dele têm uma qualidade absurda, você pode sentar em cima que não quebra. Para mim, escolheu um modelo verde flúor todo feito em titânio. Ele é assim, analisa seu rosto, seus ângulos e define algo que sempre cai muito bem”, conta andré hidalgo, sócio do clube Glória, em são Paulo.

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O processo de definição dos óculos ideais para cada rosto feito por Giannini e sua equipe começa com a análise das dimensões da face do cliente, altura do nariz, formato das sobrancelhas e cor dos olhos e do cabelo. O perfil da pessoa também pesa na balança. em 15 minutos o procedimento é concluído e o cliente só retorna à loja para buscar o produto e, se necessário, fazer algum ajuste. os óculos levam até dez dias para ficar prontos, e os preços podem variar de R$ 200 até R$ 15 mil, no caso de uma armação de platina com diamantes negros. Giannini diz que, com seu trabalho, procura trazer o que o cliente tem de melhor, como se a lente fosse a janela da alma. “os óculos certos descansam a vista, suavizam a expressão, camuflam as imperfeições e deixam os olhos brilhantes.” a maioria dos exemplares vendidos em sua loja vem de Paris e milão. outros modelos, o próprio visagista desenvolve.

linhas de óculos adequadas para quatro estilos de homens diferentes, segundo o especialista: esportista modelos que reúnem materiais resistentes, como o trivex ou o policarbonato, são os mais indicados. o design pode ser mais arrojado

intelectual um homem acadêmico combina com o modelo retangular clássico, mas, em vez de preto, que é mais pesado, pode optar por um marrom-escuro tipo casca de tartaruga

fotos Jairo


um homem de visão FHC e LuLa têm aLgo em Comum aLém de terem sido presidentes da repúbLiCa: são CLientes de migueL giannini, o mais CeLebrado designer de óCuLos do país por CaroL ramos | Fotos raFaeL HupseL

autodidata, Giannini trabalha em ótica desde os 13 anos. abriu sua primeira loja aos 23 anos. após algum tempo, encontrou-se insatisfeito com as armações tradicionais e criou seus primeiros modelos exclusivos, intuindo que a nova metodologia poderia dar certo. assim surgia seu sistema de atendimento sob medida para cada cliente, à época uma enorme ousadia no mercado de óculos. Giannini contabiliza ter atendido mais de 550 mil clientes ao longo da carreira. também criou, em 1996, o museu dos Óculos, no andar de cima do casarão, dedicado à história do acessório. lá, ele reúne cerca de 300 das 600 peças de sua coleção particular. entre os destaques do espaço, estão modelos históricos como um lornette, primeira peça exclusiva para mulheres, os primeiros óculos com haste fixa e exemplares que pertenceram a personalidades como José Wilker, Boris casoy e elis Regina.

o que giannini diz soBre três clientes famosos:

executivo Este perfil permite dois óculos diferentes, um mais sério para trabalhar, com haste de metal e armação com fio de náilon, e outro para as horas de lazer; sóbrio, mas com design

fotos Jairo goldflus/divulgação | Julio Bittencourt/valor/folhapress | divulgação

rita lee “sem óculos, ela não é a rita Lee, ninguém conhece. é uma pessoa aberta a propostas e adora lentes coloridas. Hoje, ela se preocupa mais com os óculos do que com o guarda-roupa.” fhc “ele prioriza a leveza e o conforto, sem deixar os óculos roubar a cena.”

lula “ele tem vista cansada, e, por ter base nasal larga, consegui o equilíbrio com um modelo discreto, que deixa os óculos em segundo plano.”

artista por ser mais casual, permite um estilo mais livre, inovando nas cores e linhas


GASTRONOMIA

lAborAtÓrio nA

coZinHa como a ciÊncia pode eXplicar o sabor e a teXtura de alimentos preparados por grandes cHeFs por Priscilla Portugal

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n at H a n m Y H r V o l d é u m p r o F Í c u o i n V e n t o r , com mais de 250 produtos patenteados. ele é formado em matemática, geofísica e física espacial, e também trabalhou por 14 anos na microsoft como cfo (chief technology officer). mas nutria duas paixões que, a princípio, pareciam estar bem longe da ciência: a fotografia e a gastronomia. depois de mais de dois anos estudando técnicas de cozinha ao lado de chefs profissionais e amadores, ele uniu todos os seus conhecimentos e lançou o livro Modernist cuisine (taschen). A publicação pode ser definida como a bíblia da gastronomia pelo viés da ciência, ou simplesmente como um dos mais revolucionários livros de culinária dos últimos anos. os números impressionam: são seis volumes, num total de 2.440 páginas, e 300 delas dedicadas a receitas. “Na microsoft, eu aprendi a administrar grandes projetos e a conseguir o melhor da minha equipe. Ambas as coisas foram necessárias para fazer o livro”, diz o autor. entre os estudos minuciosos, os anúncios mais surpreendentes envolvem mitos conhecidos da culinária. um deles é o de que o glutamato monossódico (presente no famoso tempero pronto e em caldos de cubinhos) faz mal. esse realçador de sabor vem sendo criticado ferozmente pelo alto teor de sódio. “Procurei na literatura médica e fiquei surpreso ao descobrir que, na verdade, não há evidência científica de que é ruim para a saúde”, diz myhrvold. e, ao que tudo indica, em termos de sabor também não. “fizemos provas às cegas e os pesquisadores viram que as pessoas que provaram os pratos não souberam identificar quais deles tinham o composto”, afirma.

outra descoberta do livro diz respeito à técnica francesa conhecida como confit, muito empregada para cozinhar a carne de pato. como ela é mais seca, costuma ser preparada imersa em gordura em baixa temperatura. os pesquisadores do Modernist cuisine concluíram que deixar a carne no vapor e regá-la levemente com óleo produz o mesmo sabor e a mesma textura. essa busca incessante pela composição dos alimentos não é exclusividade de myhrvold. A ciência da gastronomia é um assunto que instiga a humanidade há décadas. um dos precursores dessa área é o físico-químico francês hervé this, que, nos anos 80, antecipou a tendência que ficaria conhecida como gastronomia molecular, e seria divulgada amplamente por chefs como ferran Adrià (leia texto exclusivo para Status) e heston blumenthal. os estudos científicos dos alimentos e de métodos precisos também são empregados por

acima, os TesTes na coZinHa e naTHan mYHrvold em aÇão. aBaiXo, esTUdos do modo ideal de assar a carne


as espUmas (acima) e aTé o modo de preparar o macarrão precisam de fUndamenTos cienTíficos para cHegar ao ponTo ideal

miTos e verdades da gasTronomia Além de NAthAN myhrvold, outros chefs brAsileiros e estrangeiros contam que nem toda sabedoria popular é verídicA No quesito culiNáriA. sAibA mAis:

legUmes • o miTo: é mais saudável cozinhá-los no vapor. • a verdade: “ficamos chocados ao descobrir que eles cozinham mais rapidamente em água fervente”, conta Nathan myhrvold. “fizemos experimentos, coletamos dados, refinamos nossos testes para eliminar possíveis fontes de erro. isso faz com que os legumes percam menos nutrientes.”

confiT

Um dos precUrsores dessa área é o físico-qUímico francês Hervé THis, qUe, nos anos 80, anTecipoU a Tendência qUe ficaria conHecida como gasTronomia molecUlar

• O mitO: cozinhar carnes como a de pato submersas em gordura é a melhor forma de mantê-las macias e saborosas. • A verdAde: a tradicional técnica de cozimento francesa foi desmentida no Modernist cuisine. segundo o livro, cozinhar a carne no vapor – sob a mesma temperatura do confit e durante o mesmo tempo – e regá-la levemente com óleo produz o mesmo efeito em termos de sabor e textura.

sUflês • O mitO: para que eles cresçam, é preciso bater as claras em neve por muito tempo. • A verdAde: o físico-químico francês hervé this jura que o que faz o suflê inflar não são as bolhas de ar formadas nas claras em neve, mas sim o vapor em seu interior. Para evitar que a umidade evapore, faça sobre as claras batidas uma crosta (com açúcar, se o suflê for doce, ou com queijo ralado), pois evita que o vapor escape.

massas • O mitO: antes de colocar o molho sobre a massa, deve-se passá-la na água fria. • A verdAde: esse hábito não faz nenhum sentido. “lavando o macarrão, ele perde o amido, que ajuda a dar a liga perfeita em muitos molhos”, explica o chef felipe bronze. Junto com o amido, o que vai para o ralo é a característica “esponjosa” da massa, que a faz absorver perfeitamente o molho.


A esferificAção de feijoAdA de helenA rizzo que chAmou A Atenção de ferrAn Adrià

ferran adrià, o criador de novidades A pedido de sTaTUs, o chef cAtAlão fAlou sobre suAs experiênciAs e As técnicAs que descobriu nA cozinhA de seu elbulli Durante minha carreira tive muitas surpresas na cozinha. Elas apareceram de formas diferentes, mas todas tiveram dois denominadores em comum: foram fruto de um trabalho sério e rigoroso e foi muito importante saber contextualizar essas descobertas. Poderia citar várias e dividi-las em dois grupos: • as que buscamos intencionalmente • as que apareceram de surpresa, e nos demos conta de sua importância e pudemos contextualizar

grandes chefs brasileiros, como helena rizzo, do restaurante maní, Alex Atala, do badalado d.o.m., e felipe bronze, do oro. Aliás, helena chamou a atenção do próprio Adrià quando o catalão esteve no brasil, em 2008, e experimentou sua esferificação de feijoada, feita com um composto químico chamado alginato de sódio – o que conferiu o aspecto gelatinoso ao grão e possibilitou esse novo formato, que propicia uma explosão de sabores. Atala pautou sua carreira na constante busca por ingredientes tipicamente brasileiros e por reproduzir – ou, em alguns casos, subverter – modos de prepará-los. felipe bronze apresenta menus inusitados em seu oro, em que altera a textura de alguns alimentos. em um de seus pratos, serve lulas preparadas de duas formas diferentes: em uma, ela é marinada no “leche de tigre” (caldo peruano à base de peixe, coentro e pimenta), e no outro, passa por uma cura mecânica com água salgada gelada. No primeiro caso fica macia, e no segundo, crocante. bronze também criou um procedimento que intensifica o sabor das ostras. ele chegou a esse resultado depois de estudar o processo de transpiração do molusco e, claro, realizar diversos testes na cozinha. bronze, que tem em sua estante um exemplar de Modernist cuisine, é um adepto dos conceitos defendidos por Nathan myhrvold. e qual seria o mais importante dentre eles? quem responde é o próprio autor. “A ciência informa e nos permite cozinhar sabendo bem o que fazemos, mas não é uma substituição para as habilidades de um chef e para um certo grau de experimentação”, diz.

Um bom exemplo das que foram buscadas intencionalmente são as espumas. Fazia muitos anos que queríamos conseguir uma musse aerada, mas com o sabor fiel ao produto-base. Normalmente, as musses levam muita nata ou clara de ovo, o que “dissimula”, em grande parte, o sabor puro do ingrediente em questão. Até o dia em que pensamos em utilizar um sifão de óxido nitroso (N2O) para incorporar o ar, com estabilidade, a uma mistura em pó. O resultado foi surpreendente, e deu origem às espumas, uma das técnicas que viraram a referência do elBulli. E foi o fruto desta busca, com um fim determinado. Por outro lado, um exemplo das descobertas que apareceram de surpresa e soubemos contextualizar é a dos ares. Estávamos emulsionando um suco de cenoura batido, quando nos demos conta de que na parte superior se formou uma textura muito aerada e estável. Durante muitos anos, emulsionamos em nossa cozinha sucos de cenoura para fazer outras elaborações, mas nunca tínhamos nos focado na genialidade do “ar” que se forma na sua parte superior. Depois, em nosso desejo de reproduzir esta textura mágica com outros ingredientes, descobrimos que era possível fazer o mesmo com outros líquidos, acrescentando lecitina de soja. Graças a este “acaso”, nasceu a técnica dos ares, que representa bem nossa cozinha.


toys fo r boys

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Vintage renascida AcompAnhAmos de perto A trAnsformAção de umA motocicletA YAmAhA 1975 em umA máquinA prontA pArA AcelerAr nA AreiA por Suzana Borin

O D O c u m E n TA r I S TA PA u l I S TA n O markus Bruno tinha uma preciosidade parada em sua casa de praia, no litoral norte de São Paulo, e não sabia ao certo o que fazer com ela. Era uma Yamaha DT 125, 1975, que, por sua falta de tempo, estava adormecida na garagem. recentemente, porém, ele resolveu resgatá-la do limbo e dar uma nova vida a essa máquina vintage. “Como viajo bastante e vejo muito do estilo Surfbike no Exterior, decidi transformar a minha moto para que pudesse utilizá-la mais. O problema era achar alguém que me entendesse”, explica. Foi aí que ele encontrou Fábio Diniz, proprietário da loja de customização de motos rock’n cycles. “Após algumas buscas pela internet encontrei a loja. Marquei uma reunião e quando cheguei me identifiquei na hora com o trabalho de Fábio. Dei carta branca para ele tocar o projeto”, conta Bruno. Depois de algumas conversas o novo estilo foi decidido e a única exigência do documentarista era ter uma ilustração do tridente de netuno, o deus do mar na mitologia romana, no tanque de combustível. “Pretendo, aos poucos, sair da capital e

ir morar no litoral. Ela vai virar a titular, não pretendo usar meu carro lá”, explica. Status acompanhou todo o processo de restauração. Da antiga DT 125, só restou a lembrança. Em apenas um mês dentro da oficina localizada no bairro do Itaim, em São Paulo, a Yamaha ganhou personalidade e identidade própria. “De uma ‘DT’ capenga, a motocicleta agora tem nome e sobrenome: é a Yamaha Neptune Surfbike,” comenta Diniz. No momento em que os três especialistas, incluindo Diniz, estavam fazendo os ajustes finais, Bruno chegou de sua última viagem pela Indonésia e África, onde estava filmando. De bermuda e chinelo, foi acertar os últimos detalhes do encaixe da prancha. Isso mesmo, um suporte em uma altura ideal foi acoplado para suportar uma prancha de surf. “Não fizemos uma showbike, mas sim uma moto para usar. Como ele é surfista, quisemos deixá-la a sua cara”, explica Diniz. O suporte não foi a única novidade. Além de

abaixo, diniz acompanha os últmos detalhes antes de a moto receber o tanque. na pág. ao lado, peças espalhadas , o projeto e a yamaha recebendo o nome no escapamento


na sequÊncia, a dt recebeu um trato no chassi e no motor; noVas rodas, pneus e pintura customizada no tanque

É só acelerar Status passou um mês acompanhando a transformação da yamaha 1975. no total de 20 horas de trabalho, foi possível verificar todos os passos para essa mudança. Confira o que foi feito em cada etapa. 1º passo despindo a magrela: o motor é retirado para restauro e o chassi recebe nova pintura 2º passo Momento de escolha: hora de definir quais serão as rodas, os pneus e o guidão 3º passo ter o seu chassi tubular reformado e repintado, a moto recebeu pneus mais largos, com medidas 120/80 r 18, agora de uso misto, ou seja, ideal tanto para off road quanto para asfalto. Ganhou ainda novo guidão, mais invocado, manoplas e uma transmissão com coroa maior, cujo resultado é mais força durante a arrancada. O motor 125 original, de dois tempos, foi refeito, passando para 145 cc. A suspensão traseira ainda cresceu uma polegada e parafusos de aço inoxidável foram instalados, protegendo a moto da maresia. Para finalizar, a pintura com o tridente de netuno e o nome, neptune, foram inseridos no escapamento. O custo de tudo isso? Diniz responde: “Os valores variam dependendo do projeto. Na linha de baixa cilindrada vão de R$ 14 mil a R$ 20 mil, já para altas cilindradas, na faixa dos r$ 200 mil,” explica o proprietário. Inaugurada em setembro de 2011 a Rock’n Cycles já customizou por completo sete motos. “Fazemos de acordo com o gosto do cliente, imprimindo o melhor estilo Old School. ninguém vai ter uma moto igual à sua”, finaliza. Fotos bruno Fernandes e joÃo castellano

Fotos diVulgaçÃo

pensar no conforto: chegou o momento de mexer na traseira e no banco, fazendo com que a motocicleta fique confortável para o piloto e sua garupa 4º passo deixando a cara do cliente: o suporte para a prancha de surf foi acoplado ao chassi. “Para isso precisamos que o cliente esteja junto, pois este suporte é colocado em uma altura ideal, para que o piloto tenha agilidade na hora de tirar e pôr a prancha”, diz diniz 5º passo Toque final: a exigência do cliente é estampar o tridente de netuno no tanque, que recebeu apenas um verniz e manteve a cor original do aço


corpo e mente

SUrFaNDo No SeCo

Um eqUipamento qUe imita Uma prancha de sUrf e simUla os movimentos do esporte fora da ágUa promete o mesmo condicionamento e a tonificação mUscUlar de qUem está acostUmado a pegar onda por piti vieira


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o a m e r i c a n o m i k e h a r t w i c k , 28 anos, aprendeu a surfar quando ainda era criança, em long Island, Nova York. Jogador profissional de hockey na Inglaterra, ele conhecia bem as vantagens do esporte e adorava o preparo físico que ganhava após as semanas de férias que passava na praia. quando precisava voltar à temporada de hockey no Reino Unido, porém, ele perdia a forma adquirida em cima da prancha e não conseguia obter o mesmo resultado com a sua profissão e nenhum outro exercício de academia. Após se aposentar, Hartwick resolveu desenvolver um equipamento que reproduzisse os movimentos do surf fora do mar. criou então a surfset fitness (www.surfsetfitness.com), empresa que fabrica o RipSurfer X, uma prancha de surf afixada em cima de medicine balls (bolas com peso) infláveis, que simula a instabilidade do oceano e permite fazer os movimentos do esporte – sempre ao som de rock ou surf music –, e imagens de surfistas projetadas na parede. “O objetivo não é necessariamente ensinar aos participantes a surfar, mas simular o exercício do esporte por 40 minutos”, conta Hartwick. O programa é focado em força, resistência e agilidade. a parte da frente da prancha possui alças presas a cabos e polias que oferecem a mesma resistência que a água a cada impulso. Isso faz com que você se sinta como se estivesse remando para pegar uma onda. A aula também conta com movimentos em pé, de joelhos, de costas e de bruços, todos alternados para não forçar demais a musculatura.

O aparelho não substitui o prazer de cair no mar e conseguir realizar manobras nas ondas, mas é uma boa alternativa para manter a forma e o condicionamento, especialmente para quem não mora na praia. “Não há nada que você possa fazer na academia que imite o surf da mesma forma que ele é na água. Em um treino com a RipSurfer X, quando se está imitando os movimentos exatos, você está desenvolvendo uma memória muscular que o ajudará depois”, diz Sarah Ponn, diretora de fitness da SurfSET. “O resultado é uma aula que combina a tonificação muscular do pilates com o treinamento de circuito do spinning, mantendo constantemente o seu ritmo cardíaco”, completa Hartwick. O certo mesmo é que, quando a aula acabar, você vai estar cansado, com os braços doloridos e encharcado de suor. Por enquanto, os equipamentos só estão disponíveis nos Estados Unidos. Para promover o RipSurfer X, a SurfSET está em turnê por 11 cidades americanas nos próximos meses, rebocando 15 máquinas em um trailer. Cada aula custa US$ 35 e, futuramente, as pranchas-máquinas também serão vendidas por US$ 765 cada. A SurfSET Fitness hoje também conta com outro equipamento que imita os movimentos do stand Up paddle.

MOVIMENTOS DA PRIMEIRA AULA CavaDa É o mais básico. Trata-se de transferir o peso do seu corpo para a frente ou para trás na prancha, para se mover para cima ou para baixo ao longo de uma onda. FiCar eM pÉ Deitado de barriga para baixo, rapidamente move-se para uma posição de agachamento e depois em pé, equilibrando-se para não cair da prancha.

o programa Da ripsurfEr x É focaDo Em força, rEsisTência E agiliDaDE E conTa não só com movimEnTos quE simulam o surf. o rEsulTaDo É uma aula quE combina a Tonificação muscular Do pilaTEs com o TrEinamEnTo DE spinning. no alTo, o aparElho quE simula os movimEnTos Do sTanD up paDDlE

foTos Divulgação

FUrar UMa oNDa Empurra-se a prancha para baixo para passar sob uma onda imaginária, mantendo essa posição por alguns segundos, como se faria na água, antes de emergir.


CORPO E MENTE

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AO AR LIVRE

EQUIPAMENTOS E EVENTOS PARA MELHORAR SUA PERFORMANCE FÍSICA E MENTAL

PÉS DE OURO A sapatilha de bicicleta Genius 6.6, da marca italiana Sidi, é a Ferrari dos calçados de ciclismo. Feitas em Lorica e malha de náilon, conta com o solado Carbon Lite para torná-las ainda mais leves e resistentes. As sapatilhas usam uma combinação de materiais compostos inovadores e um mecanismo de fechamento exclusivo com uma trava e dois velcros para melhor rigidez. PREÇO: R$ 1.500 www.sidisport.com

COMPACTA Atualização da câmera Playfull, a Playfull Aquática é mais compacta e mais leve que o modelo tradicional. Além disso, é capaz de resistir a quedas de 1,5 metro e imersões de até 3 metros de profundidade. Sua tela da LCD possui 2 polegadas, e a filmadora conta ainda com botão Share, saída HDMI, interface USB 2.0 e slot para cartões microSD de até 32 GB. A qualidade de gravação de vídeos é de 720p (HD). PREÇO: R$ 350 www.kodak.com.br

AGENDA • No dia 11 de março, em Itu, interior de São Paulo, acontece a 8a edição da Pedalada das Meninas. São 26 quilômetros de mountain bike, em estradas de terra e asfalto. Homens também são bem-vindos. www.pedaladadas meninas.com.br • No fim de semana dos dias 17 e 18 de março, o circuito de corridas de aventura de curta distância Adventure

VIAGEM DIGITAL Virtual Active é um aplicativo que pode ser baixado em seu iPad ou diretamente na tela da bike ergométrica ou da esteira. Por meio de vibrações durante os exercícios, o app consegue simular percursos, como trilhas, estradas, ruas e até paisagens, projetando imagens capturadas de vários lugares do mundo. Puro deleite para dias de chuva ou de muita pressa. PREÇO: US$ 7,95 (corrida pelo norte da Itália) www.vafitness.com

Camp realiza a primeira prova do ano, em Mogi das Cruzes, interior paulista. www.adventurecamp. com.br • Também no dia 17, mas em Florianópolis, Santa Catarina, será realizada a 6a edição do Multisport Brasil, prova que cruza a ilha por 90 quilômetros em corrida em trilha, canoagem e ciclismo. www.multisportbrasil. com.br

SILENCIOSO Acionado por controle remoto sem fio, que serve como acelerador e freio, o skate elétrico, modelo Sk8 Tronik 800W, da marca DropBoards, é totalmente silencioso. O motor permite passeios de até 45 km/h. A bateria dura em média 90 minutos, ou 45 quilômetros em percursos planos. À venda em todas as lojas da rede Star Point. PREÇO: R$ 3.100 www.starpoint.com.br

FOTOS: DIVULGAÇÃO


JOGOS OLÍMPICOS

TEMPO DE

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SEM IMAGENS E COMPUTADORES, A VITÓRIA DA AMERICANA DEVERS SOBRE A JAMAICANA OTTEY POR 0.005 SEGUNDO, NOS JOGOS DE ATLANTA, EM 1996, PODERIA NÃO TER SIDO DETECTADA

VENCER DIANTE DE GRANDES ATLETAS OLÍMPICOS, O CRONÔMETRO PODE SER CONSIDERADO UM MERO DETALHE. MAS MUITAS VEZES É ELE QUE SEPARA OS CAMPEÕES DOS PERDEDORES

FOTOS REPRODUÇÃO


E S P Í R I T O O L Í M P I C O À PA R T E , para os 10.500 atletas que vão a Londres disputar os Jogos Olímpicos entre julho e agosto deste ano, vencer é a glória absoluta. Para muitos, subir ao degrau mais alto do pódio significa a coroação máxima para toda uma carreira de superação e sacrifício. E muitas provas, principalmente no atletismo e na natação, podem ser decididas por milésimos de segundo. Que o diga a corredora americana Gail Devers, que, durante a Olimpíada de Barcelona, em 1992, foi campeã dos 100 metros rasos por 0.01 segundo e, quatro anos depois, em Atlanta, repetiu a façanha ao bater a jamaicana Merlene Ottey por 0.005 segundo, uma fração de tempo impossível de ser detectada a olho nu. Não à toa, a americana foi apelidada de “rainha dos milésimos”. Medalhas de ouro como a de Gail Devers são forjadas também por uma tecnologia desenvolvida ao longo dos últimos 80 anos e que ajudou o esporte a ser mais justo, preciso e confiável, possibilitando inclusive aos atletas estudar seus desempenhos para melhorá-los. Uma das responsáveis por essa história de evolução tecnológica, ao lado do Comitê Olímpico Internacional e dos próprios atletas, é a empresa de relógios suíça Omega, que, em 1932, enviou para Los Angeles um técnico com 30 cronômetros manuais para realizar a primeira cronometragem padronizada dos Jogos. De lá para cá, muita coisa mudou. A recente Olímpiada de Pequim, em 2008, contou com vídeos para auxiliar os juízes em suas decisões em um número crescente de modalidades. Isso sem contar os 450 técnicos e 420 toneladas de equipamentos que foram à China dar precisão para cada milésimo de segundo disputado.

Antes disso, porém, cada Olimpíada representou um salto para o aprimoramento das medições esportivas. Em Helsinque-52, por exemplo, a era dos equipamentos eletrônicos teve início com a utilização dos cronômetros de quartzo de alta velocidade, que operavam com bateria e redimiam decisões controversas feitas pelos juízes a partir de tempos tomados manualmente. Apenas em 1968, no México, todas as competições foram cronometradas eletronicamente. Na natação, a inovação foi ainda maior: as placas de contato passaram a permitir que os próprios nadadores parassem o cronometro ao tocá-las na linha de chegada. Anos depois, em Los Angeles-84, tecnologia similar foi implementada para detectar falsas largadas, tanto na natação quanto no atletismo. Em Seul, em 1988, o salto tecnológico foi total: os coreanos receberam os primeiros Jogos Olímpicos totalmente computadorizados da história. As máquinas mediam e imprimiam os tempos, armazenando todos os dados sobre o desempenho de cada atleta. Os vencedores das provas de atletismo, inclusive, recebiam uma foto de sua vitória, para ser assinada. Nos 100 metros rasos, o canadense Ben Johnson assinou, mas não levou: comprovado seu doping, ele foi limado da foto que acabou sendo assinada pelo novo vencedor da prova, o americano Carl Lewis. Quatro anos depois, em Atlanta, a precisão da cronometragem foi fundamental para definir a vitória do nadador russo Alexander Popov sobre o americano Gary Hall Junior, tanto na prova dos 100 metros livres (0.07 segundo à frente) como nos 50 metros livres (0.13 segundo de diferença). Para Gary Hall Junior, assim como para todos aqueles cujos resultados não estão no topo, resta o consolo de que, afinal, é sim importante competir.

EM SEUL-88, PRIMEIRA OLIMPÍADA TOTALMENTE COMPUTADORIZADA, A TRADICIONAL FOTO ASSINADA PELO VENCEDOR DOS 100 METROS RASOS TEVE QUE SER REFEITA APÓS BEN JOHNSON (DE BRAÇO ERGUIDO) SER PEGO NO ANTIDOPING, FAZENDO JUSTIÇA AO VERDADEIRO VENCEDOR DA PROVA, O AMERICANO CARL LEWIS

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ENSAIO

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trem

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sÔ!

a mineirinha ana rosa é daquelas joias em estado bruto que apenas o interior do brasil tem: corpo de pantera e jeito de menina que sÓ sai da casa dos pais para casar Hair/Make Bruno Miranda (Capa MGT) | Styling Ganzaro (Godiva Art Studio)

Lenço listrado Minha Avó Tinha | Colar Otávio Giora Pulseira Claudia Marisguia | Calcinha Fruit de La Passion

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A p e q u e n A c i d A d e de São João nepomuceno, na Zona da Mata mineira, é famosa por seu café de primeira e pela forte produção têxtil. Sua maior preciosidade, porém, é a apresentadora de tevê Ana Rosa Tanos, nascida na cidade e que, apesar de viver em São paulo há anos, preserva o acento caipira e o jeito “capiau” típicos do interior. “passei meus primeiros anos lá e sempre volto nas férias”, diz ela, orgulhosa de suas raízes. Jeito capial, entenda-se, é ficar ruborizada ao ser elogiada ou garantir que, nunca, jamais, se entregaria a um homem na primeira noite. “Sexo para mim é algo muito íntimo, não pode ser banalizado.” para complicar, Ana ainda mora com seus pais e gosta de namoros longos e fartos em romance. “Sou mulher para casar”, afirma, certeira. É bom acreditar nela. Obstinada, Ana formou-se em direito e chegou a prestar concurso para ser delegada de polícia. diga lá, quem não toparia co-

o boxe é o único esporte corpo de ana. ela afirma nunca, jamais, iria na primeira noite. muito íntimo e sou

Camisa Dzarm | Cordões Minha Avó Tinha | Calcinha Dois Rios | Brinco Argola Lázara Design

q c p “ m


que moldou o categoricamente que para a cama “sexo é algo mulher para casar”.

meter qualquer delito apenas para ser enquadrado por ela? Mas sua atração pelas câmeras – ou das câmeras por ela, mais provavelmente – falou mais alto e, por dois anos, a bela mineira exibiu suas curvas e sorriso perfeito como assistente de palco no programa Brothers, da RedeTV!, ao lado dos irmãos Supla e João Suplicy. Hoje ela apresenta na TV Gazeta o programa de jogos Hot Quiz, além de enfeitiçar a todos com participações em outras emissoras, eventos e trabalhos em publicidade. Também, pudera: é difícil resistir ao charme e sensualidade da moça no auge de seus 25 aninhos. para quem quiser tentar, busque-a nas mais dançantes baladas country de São paulo ou nos melhores restaurantes de frutos do mar, sua comida predileta. Mas não venha com elogios fáceis. Ana gosta de homem inteligente, que evita papo óbvio e sempre busca uma conversa original, autêntica. Ao abrir a boca, e você tem que ter dentes de propaganda de pasta de dente, predicado do qual a gata não abre mão, tente desfilar seus conhecimentos sobre boxe, o esporte que Ana pratica há anos e que, ela jura de pés juntos, é a única contribuição externa a sua genética abençoada. Suas medidas (62 cm de cintura, 98 cm de quadril e 90 cm de busto) são todas obra da natureza generosa das Minas Gerais. eh trem bão, sô!

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sangue-frio

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por Piti Vieira

homem d ex-fumante inveterado e com exceSSo de peSo, Gerry duffy completou dez ironmanS em dez diaS. Saiba o que acontece quando Se atinGe o ápice de Seu potencial atlético

G e r r y D u f f y n ã o e s tava n a D a b e m no dia em que falou com a Status, por telefone, de sua casa em mullingar, na Irlanda. ele não comia havia mais de 12 horas em virtude de uma intoxicação alimentar na noite anterior. mas um dos triatletas mais famosos do mundo disse não estar cansado. Ele só tinha fome. Aos 44 anos, este ex-obeso é extremamente otimista, como ele se define, ao refletir sobre a dimensão de sua realização. No ano passado, Duffy venceu o Desafio Deca Ironman UK, ao nadar quatro quilômetros em um lago, pedalar por 180 quilômetros e correr uma maratona completa (42 quilômetros), o circuito da prova. Como se já não fosse o suficiente, ele fez isso uma vez mais no dia seguinte e tornou a repetir por mais oito dias, em um feito de força de vontade e resistência física inacreditáveis. “Eu realmente pensei que era um erro de impressão quando li pela primeira vez que essa prova existia”, diz Duffy. Não é de surpreender que apenas três dos 30 participantes da competição tenham completado o desafio na área arborizada do centro de recreação Avon Tyrrell, em Hampshire, na Inglaterra. “Eu senti que poderia completar a prova por causa de todas as experiências que eu tive (Duffy também correu 32 maratonas em 32 dias consecutivos, em 2010), mas realmente subestimei o desafio”, admite ele. “Quando chegamos lá e vi o circuito, não podia acreditar o quanto difícil seria. O trajeto de bike era uma volta de 18,5 quilômetros com uma subida de 1,6 quilômetro no final de cada volta”.


de ferro

o irlandÊS Gerry duffy, 44 anoS, no penÚltimo dia de prova, pouco anteS de nadar quatro quilÔmetroS no laGo do centro de recreaÇÃo avon tyrrell, em hampShire, na inGlaterra


sangue-frio

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Para colocar apenas um Ironman em perspectiva, a parte de natação é igual à largura média do rio Amazonas (4 km); a de ciclismo é a distância entre Campinas, no interior paulista, e Santos, no litoral (180 km); e a de corrida é igual ao comprimento da mais longa ponte sobre o mar do mundo, em Qingdao, na China (42 km). Para se preparar, Duffy começou nadando, pedalando e correndo uma média de 21 horas por semana, até chegar a um volume máximo de 31 horas, já próximo do evento. “eu ia para a cama às dez da noite, levantava às cinco da manhã, e já tinha corrido duas horas e meia antes das oito horas. multiplique isso por seis, e temos 14/15 horas de treino semanal, com mais à noite”.

crucificaÇÃo peSSoal arrastar-se pelo escuro em trilhas no meio da mata, com muitas raízes de árvores, usando apenas uma lanterna para iluminar o caminho, impõe exigências extraordinárias ao corpo. Permanecer saudável a isso é em parte físico, em parte loteria. No sétimo dia de prova, Duffy lesionou a canela. O machucado começou como um incômodo, mas, durante o nono dia, as pontadas tinham virado uma dor severa. ele suportava nadar e pedalar, mas, já no início da nona maratona, cada passo era uma crucificação pessoal. É nos momentos de crise, quando a maioria de nós tremeria, que Duffy parece abraçar com mais vigor tudo o que ele aprendeu durante os cansativos dias de treinamento. e, não surpreendentemente, os testes foram maiores no final. Como se a lesão na canela e o cansaço dos nove dias anteriores não fossem suficientes, o último dia de competição amanheceu com uma tempestade de proporções bíblicas. “Antes de largar, eu já estava encharcado. aí, pode-se escolher acreditar que o dia será horrível, ou que alguém resolveu me passar mais um teste inesperado. estaria eu à altura de dizer sim? Não duvide disso”, afirma ele, que mudou de roupa quatro vezes naquele dia. Quando a linha de chegada começou a ficar mais próxima, Duffy fez uma conta rápida de que ainda tinha 11 horas até o corte, e prometeu que, mesmo que tivesse de rastejar, ele iria fazer isso. “A única coisa que pensava naquela hora era como eu iria chegar até o final”, lembra ele. Mas não foi preciso se rebaixar. sete longas horas de corrida, intercaladas com pequenos intervalos para sessões de gelo na lesão a cada 20 minutos, foram o suficiente. “Eu pareço ter uma tolerância para esse tipo de resis-

correr, pedalar e nadar é uma delÍcia, maS tente fazer iSSo durante dez diaS com aS diStânciaS de um iroman. “aprendi muito Sobre a dor no deca ironman, maS canalizei o martÍrio em enerGia poSitiva”, diz duffy

IDADE 44 anos ALTURA 1,75 metro PESO 73 quilos CURIOSIDADE ele jogou golfe profissionalmente, chegando a ter handicap 4 (o handicap é um sistema que possibilita a jogadores de diferentes qualidades disputar uma partida entre si. Varia de 0 a 40,

e, conforme o jogador progride no esporte, vai baixando esse número até chegar a zero), mas nunca tinha corrido uma maratona até cinco anos atrás. DESAFIO Para o Deca ironman, ele nadou quatro quilômetros em um lago, pedalou por 180 quilômetros e correu uma maratona completa (42 quilômetros), o circuito da prova, por dez dias consecutivos.


tência, não sei o que é”, diz o atleta em um tom quase evangélico. “aprendi muito sobre a dor no Deca Ironman. Sofri muito durante os últimos três dias, mas é uma decisão que se tem de tomar: eu não ia desistir; então, ou optava por ficar me lamentando o dia inteiro ou canalizava o martírio em energia positiva. não precisei de muito para decidir pela segunda e, para mim, mais óbvia opção.”

pânico Quem observa o desempenho de Duffy nessa prova nem imagina o que ele passou. Em 1995, o hoje ironman, pesava quase 110 quilos e fumava 50 cigarros por dia. Depois de anos de abuso de seu corpo, ele finalmente foi inspirado a perder peso depois de ver uma foto de si mesmo na qual ele mal se reconhecia. “Às vezes, é só na reflexão que você percebe que aquele foi um momento seminal”, conta o irlandês. Perder peso e parar de fumar foram nada comparado ao medo paralisante que ele tinha de falar em

fotos Bolger Patrick

público. O que é notável, dada a sua bem-sucedida nova carreira como palestrante motivacional. Quando ainda trabalhava em uma companhia de seguros, Duffy foi encarregado de fazer uma apresentação para uma plateia de... quatro pessoas. Ele entrou em pânico. Para sair de sua zona de conforto, contratou um terapeuta para hipnotizá-lo. Só depois conseguiu entrar na sala e enfrentar aquele desafio. “Eu tinha passado de office-boy a gerente de vendas – tanto quanto eu podia progredir, realmente”, conta sobre sua decisão de pedir demissão da antiga firma. Começou então a frequentar seminários motivacionais, alimentando sua fome de energia positiva, e a participar de competições de triatlo, gravitando em torno do esporte que ajudaria a definir o novo e bem melhor Duffy. Mas o que fazer agora, quando os desafios estão começando a definir quem ele é? Criar novos pode ser tão desafiador quanto encontrar a coragem para concluí-los. “Eu fiz duas coisas únicas, e agora tive uma ideia para um desafio de três anos que eu acho que pode ser único, e eu poderia fazê-lo, mas não estou dizendo que isso será a próxima coisa que vou fazer”, diz ele, evasivo sobre seu novo projeto. “Não tenho vontade alguma em fazê-lo agora, mas há três tipos de pessoas no mundo: aqueles que dizem ‘Isso não pode acontecer’, que são a maioria, aqueles que fazem acontecer, e aqueles que dizem ‘o que aconteceu?’. Eu pertenço ao grupo do meio. Nem sempre fui assim, mas agora sou, e pretendo ser para o resto da minha vida. somos capazes de fazer coisas muito maiores do que pensamos.”


confidencial

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março 2012

Por ViVi mascaro

O que J. LO estava fazendO Lá nO camarOte de uma cerveJa cOm a cara de quem sOfre dO fígadO? Ou entãO curtia uma tremenda rebOrdOsa? Preferiu ficar nO cercadinhO dO segundO andar do camarote da Brahma, domingo de Carnaval, nunca trocando mais do que meia dúzia de palavras com quem chegasse por perto, mesmo quando foi a vez do prefeito Eduardo Paes. Aquela que tinha sido escalada para ser a star do Sambódromo, a queridinha de todo o Carnaval carioca de 2012, parecia emburrada. Deu para contabilizar uns três ou quatro sorrisos. Fiquei intrigada. Afinal, ninguém que carrega o nome Jennifer Lopez, sangue latino e uma ginga até que razoável – pelo que mostrou no comercial da cerveja – haveria de ficar indiferente ao contagiante espetáculo das baterias e dos passistas. Ela não tinha prometido “sapucar” ao Zeca Pagodinho? Será que J. Lo nunca sacudiu aqueles imponentes quadris ao ritmo de uma salsa, de uma rumba? Enquanto o namorado se esbaldava, mergulhado na barafunda do camarote, ela se segurava. O namorado é o dançarino Casper Smart, que aproveitou o conveniente anonimato para circular sem ser incomodado. Só não superou em entusiasmo a insuperável Narcisa Tamborindeguy, desfrutando seu momento superceleb por causa daquele reality show delirante da Band. No camarote rival, da Devassa, a cantora Fergie, abundantemente loira, também fez sua parte, distribuindo tanta simpatia, e até ensaiando frases em português, que alguém podia pensar que ela nasceu na Vila Isabel ou no Méier. Como o senso da curiosidade profissional ainda borbulha de vez em quando nas veias desta aqui que vos escreve, saí a investigar o porquê do bode da rechonchuda J. Lo. Pois é, gente, não foi chilique de diva, mesmo porque o cachê de dois milhões de dólares para dar o ar da graça é o tipo da coisa que desestimula qualquer estrelismo. Ela estava contrariada porque, me disse fonte segura, os patrocinadores queriam submetê-la a mais do que previa o contrato. O contrato falava em duas horas no Sambódromo. Resultado: Jay Lo ficou exatamente uma hora e cinquenta e seis minutos debruçada na sacada, suficiente para ver uma escola e meia, checou o relógio e levou mais quatro minutos vencendo a barreira de cotovelos à sua volta para abandonar o camarote. Duas horas em ponto. Palavra dada, palavra cumprida.

J. Lo tem contrato com a Endemol, a megaempresa de entretenimento que criou, por exemplo, a franquia Big Brother. A Endemol foi quem negociou os direitos de imagem da atriz para o Carnaval deste ano. Mas como a empresa está associada hoje, aqui, à Rede Record (e prepara um programa em que J. Lo vai contracenar com Rodrigo Faro, no fim de março, O Melhor do Brasil), a atriz não podia dar entrevista a nenhuma emissora concorrente. Quem acabou tomando um chá de cadeira de duas horas – e nada feito – foi Luciana Gimenez, da Rede TV! Nem sei se Luciana chegou a pensar em usar a credencial de ter um filho de Mick Jagger. “A Jennifer é um amor, easy going, tem um senso de humor maravilhoso”, comentou minha amiga Cristiana Arcangeli, que teve o privilégio de, no dia seguinte, levar o casal J. Lo para um passeio de iate em Angra. Foram também o namorado de Cristiana, Álvaro Garnero, e a diretora-geral da Endemol, Daniela Busoli. A superstar, num biquíni que não chega propriamente a lembrar o estilo Victoria’s Secret, curtiu o sol da extraordinária baía das 365 ilhas sem que nenhum escasso paparazzo viesse lhe aborrecer. Acredito que tem muito mais a ver com o passeio no iate da Cristiane do que com o barulho da Sapucaí a frase festiva que J. Lo tuitou, na despedida: “O Rio foi incrível! Obrigada! Eu sempre me lembrarei do carnaval de 2012”. Educada a moça é. Estou enganada ou o Carnaval está ficando mais


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1- ricardO amaraL e christiane tOrLOni na feiJOada dO amaraL. 2 - fergie nO camarOte da devassa. 3 - J. LO nO camarOte da brahma. 4 - O PrefeitO eduardO Paes e micheL teLó. 5 - sharOn stOne em saLvadOr. 6 - narcisa tambOrindeguy e brunete fraccarOLi

internacional? Ou é o Brasil, todo ele, que está ficando mais internacional? Sei que teve época em que o Jorginho Guinle fazia um arrastão de estrelas em Hollywood e servia de anfitrião a elas (às vezes, mais que isso) nos bailes do Copa e do Municipal. Não vivi esse momento. Mas a impressão é de que o Carnaval andava meio caído, entregue às periguetes e ao elenco de Malhação. Mas quando você vê no camarote da Devassa o lindo, fino e chique Dimitri Mussard, herdeiro da Hermès, levantando a poeira ao lado de sua Maria Sole, dá para pensar: a coisa está ficando séria. E a Sharon Stone em Salvador? A moça se jogou. Ganhou – me disse um indiscreto – cachê dez vezes menor do que o da J. Lo mas parecia, de tão frenética que estava no camarote, ter feito graduação na Timbalada e mestrado no Ilê Aiyê. Ah, os bailes... O glamour está de volta. Ninguém mais vai achar que quem faz os convites é a mesma pessoa que faz o casting da novela das 7. Não tem ex-BBB nem profissionais da alcova. O Baile da Cidade abriu a saison, na quinta-feira, no Jockey Club da Gávea. Agora, quem organiza é um time de craques do fotos rafael andrade | divulgação

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entretenimento: Ricardo Amaral, o filho dele, Bernardo, Alexandre Accioly e Luiz Calainho. Se eles estão nessa, é porque passaram a enxergar no Carnaval um ótimo negócio (A Feijoada do Amaral, sábado, também no Jockey, levou quase quatro mil pessoas, a R$ 500 por cabeça). O Baile do Copa rolou na madrugada da segunda-feira. Para quem não viu, fica um breve resumo: luxo, diversão, alegria, black tie e fantasias deslumbrantes. Entre as mais chiques, Donata Meirelles, de Azzaro, a designer argentina Concepción Cochrane, usando vestido de sua grife e a pérfida Christiane Torloni, orgulhosa de poder envergar um modelito feito pelo Markito, estilista que, como vocês sabem, morreu nos anos 80. Ainda cabe nela como uma luva. A Prefeitura calcula que 800 mil visitantes estiveram este ano no Carnaval do Rio. O clima foi tranquilo, o ambiente sossegado – ainda que a animação, total. O cálculo que a CBF faz é de que a Copa do Mundo deve atrair 700 mil estrangeiros em 2014. Quer dizer, não tem que ficar preocupado. Se o Carnaval segura a onda, o futebol também pode segurar.


PORNOPOPEIA

POR REINALDO MORAES

Uma história

velha inglesa

Duas exuberantes loiras doidas para fazer tudo em um quarto de hotel barato. Mas, atenção! O que vem fácil demais... Q U A N D O O S P O L I C I A I S entraram de manhã naquele quarto de hotel, em Earl’s Court, no centro de Londres, acionados pelas camareiras que tinham ouvido gritos abafados de socorro (“Helff! Helff!) vindos lá de dentro, encontraram um jovem Adônis, aparentando cerca de 25 anos, amordaçado e atado à cama com fita adesiva. Nu, recendendo a vodca barata e com o membro viril em petição de miséria, sugerindo ter sido flagelado por fricções severas e sucções alucinadas, o rapaz parecia ter passado por maus bocados na noite anterior. No chão, ao lado da cama, jazia um aterrorizante vibrador tamanho família. Em outro canto foi encontrada a embalagem de plástico metalizado de um remédio contra a disfunção erétil, ainda novidade na época. Antes de entrar no quarto, polícia e funcionários do hotel já tinham reparado nos garranchos grafados à mão sobre o aviso de “Do not disturb” pendurado na maçaneta do lado de fora. Os garranchos anunciavam:

“Viagra rape squad strikes again!” – “O esquadrão Viagra de estupro ataca novamente!” Bastante chapado, com baba a lhe escorrer pelas comissuras da boca e as pupilas dilatadíssimas, o jovem hóspede sem bagagem não falava coisa com coisa, segundo constava no B.O. Antes que ele recobrasse a plena consciência, o recepcionista da noite, prontamente requisitado, informou às autoridades que a vítima do tal “rape squad” chegara ao hotel, tarde da noite, abraçado a duas loiras que mais pareciam suas muletas, tão mamado ele estava. O recepcionista relatou não ter se espantado com a cena, pois, afinal de contas, era dezembro, mês das dionisíacas “festas da firma”, subsidiadas pelo patrão, quando a turma do escritório, homens e mulheres, se enfia no pub mais próximo e enche a caveira até “the ass turns itself into a beak”, como diria o Millôr Fernandes. Ou, se preferir, até o cu fazer bico. E, ao serem chutados pra rua, depois do badalar do sino nos pubs, é normal que os mais chumbados, sem condi-

ILUSTRAÇÃO PEDRO MATALLO


ções de dirigir, caminhem até o metrô ou peguem um táxi – taxista nenhum aceitaria um vomitador em potencial, quando não já ensopado de vômito –, é normal, repito, que busquem abrigo nos pequenos hotéis próximos, pois apagar na rua em pleno inverno londrino equivale a uma condenação à morte por hipotermia. O trio, contou o recepcionista, solicitou um quarto, pago em espécie por uma das loiras, e seguiu cambaleante pro elevador. Deve ter suspirado fundo, o honesto funcionário, pensando que, enquanto ele estaria ali de vigília a noite toda naquela droga de hotel, por um salarinho de merda, o puto daquele bebum, em sua vigorosa juventude e gritante boa pinta, ia se esbaldar com aquelas impudicas libélulas num bem aquecido quarto, com o frigobar repleto de cerveja, até o derradeiro apagão, em total conforto e segurança. Rangendo os dentes de raiva, só lhe restaria prosseguir vendo na sua minitevê uma reprise do Birmingham versus Southampton pela England League Championship, a segunda divisão do campeonato inglês de futebol. What a fucking bloody life! A missa toda foi contada pelo próprio rapagão, quando pôde, afinal, juntar sujeito, verbo e predicado numa mesma frase. Executivo júnior, ele comemorava, de fato, o fim de ano numa típica festa da firma. Ao sair do banheiro do pub, depois de dar baixa nos litros de Guiness que lhe estufavam a bexiga, foi abordado pelas duas loirosas nunca dantes por ele vistas nem mais loiras nem mais disponíveis, as quais logo entabularam com ele alegre e desabrida conversação, oferecendo-lhe, clandestinamente, fartas doses de uma suspeitíssima garrafa de

vodca que uma delas trazia na bolsa. Dali, com o moço já chamando urubu de meu louro e dando nó em pingo d’água, seguiram para um hotelzinho das imediações, por insistente sugestão das moças.

No quarto, a camaradagem rolou solta e consensual, entre copos e gargalhadas, até que as duas vieram com aquele papo de “fecha os olhinhos e abre a boca, honey”, depositando em sua língua o que pareciam ser umas tantas pílulas ou balinhas, que ele foi instado a engolir com vodca.

Relata o moço, pobre moço, que, a partir daí, suas desenvoltas companheiras propuseram amarrá-lo, nuzinho da silva, com fita adesiva, de modo a apimentar a transa com algumas pitadas de sadomasoquismo cênico, ao que o belo bestalhão começou demonstrando relutância. Mas vá você relutar muito em aceder a seja lá que proposta lhe seja feita por duas loiras peladas num quarto de hotel, estando você inteiramente bêbado, peladão também e acometido, quase que à sua revelia, por uma estranhíssima animação sexual. Quando deu pela coisa, já estava todo amarrado e padecendo de um priapismo atroz. Ato contínuo, passou a ser abusado sem piedade nem descanso pelas loiras-diabas, por horas a fio e de cabo a rabo. Sim, o rabo do cara também deve ter entrado com tudo na dança, como parecia atestar a presença daquele feroz vibrador ali no chão. Nunca se soube, em toda a profusa riqueza de detalhes, o que se passou naquele quarto inglês no remoto e gélido dezembro de 1998. (A história é velha, mas é boa, fala a verdade.) O que se pôde constatar, de qualquer forma, é que a dilatação excessiva e prolongada das pupilas do garotão era um sintoma compatível com os efeitos causados por drogas da famí-

lia da metilenodioximetanfetamina (MDMA), também conhecida nas raves da vida como ecstasy. O estado de confusão mental do rapaz, ao ser resgatado, sugeria a mesma coisa. E sabe-se que altas doses de Viagra associadas ao ecstasy podem levar ao mais hediondo priapismo involuntário. O esquadrão de estupradoras nunca foi identificado, muito menos localizado. E a própria vítima não quis prestar queixa na delegacia, preferindo o anonimato. Mesmo os abelhudos tabloides sensacionalistas não conseguiram identificar a vítima, que logrou se pirulitar do hospital para onde foi levado antes que os flashes pudessem espoucar na sua cara. Além disso, como se verificou depois, ele tinha se registrado com um nome falso no hoteleco, onde também não havia câmeras de segurança, como certamente haveria hoje.

Pergunto-me se o abusado mancebo terá levado embora, de lembrança, o tal vibrador , mas esse pormenor – menor, mas tamanho XG, segundo testemunhas – também permanecerá em eterna obscuridade. Para a polícia ingle-

sa, no entanto, configurou-se ali um claro, embora raro, caso de estupro de macho perpetrado por agressoras do dito sexo frágil. Sendo assim, meu chapa, se fores abordado por duas loiras festivas num ruidoso pub londrino, a mais elementar prudência recomenda: take it easy, boy!


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março 2012

Flashback BRINCADEIRA DE CRIANÇA SETEMBRO DE 1975 P R A I A E D I A D E S O L é a combinação ideal para aproveitar o verão. Ainda mais quando uma mamãe disposta a fazer topless leva seus filhos para brincar na areia. Nosso marcianinho, sabido que é, pegou carona na folia dos pequenos e se divertiu de um jeito muito peculiar. Ao que parece, a mamãe gostou.

FOTO REPRODUÇÃO


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