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ISTOÉ GENTE 700

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GIRO NO MUNDO BERLIM, POR ALEX FLEMMING PARIS, POR ANNE FONTAINE HAVANA, POR FREI BETTO MICHELLI PROVENSI, TALYTHA PUGLIESI E MARIANA WEICKERT POR CRISTIANO MADUREIRA

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O DIA EM QUE O BRASIL TEVE A SUA PRIMEIRA PRESA POLÍTICA

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“a escrita vasculhou meus porões e melhorou a atriz que vivia amedrontada dentro de mim”

AGOSTO / 2013 ANO 13 Nº 700 > R$ 14,90

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michelli provensi, talytha pugliesi, mariana weickert e outras 40 pessoas presentes nas manifestações históricas celebram em um ensaio a energia das redes que acordaram o brasil


E d u Lo bo, CaEtano, GiL , Pau Lo au t r an | ri o d e jane i ro | 19 6 8


PORTFÓLIO

retratos de uma ÉPOCA Como escreveu Drummond no poema “Diante das fotos de Evandro Teixeira”, as imagens do fotógrafo carioca dão a temperatura de um tempo. Da passeata dos 100 mil à visita da rainha Elizabeth, em 1968, da pose relax de Vinicius, Tom e Chico aos noivos humildes de Paraty, Evandro registra com lirismo história e realidade POR IsAbelA FlórIdO / FOTOS eVANdrO TeIXeIrA

O ano era 1968. A ditadura militar brasileira recrudescia, prenunciando os anos de chumbo. O assassinato do estudante Edson Luís por policiais militares, em 28 de março, no restaurante universitário Calabouço, no Rio de Janeiro, comoveu o País e deflagrou intensas manifestações populares contra o regime militar. No velório e nos dias subsequentes, muitas mobilizações estudantis e forte repressão policial. As imagens dos soldados da cavalaria da PM investindo, a golpes de sabre, contra as pessoas que deixavam a igreja da Candelária, no Centro do Rio, logo após a missa em memória do estudante morto, correram mundo e ainda hoje, 45 anos depois, impressionam. Não apenas pelo registro de um dos momentos mais negros da história do Brasil, mas pelo paradoxal lirismo. Assim foram os demais flagrantes da Sexta-feira Sangrenta (21 de junho) e da Passeata dos 100 Mil (26 de junho), capturados pelas lentes de Evandro Teixeira, então fotógrafo do Jornal do Brasil. Registros antológicos de um profissional que empunhava sua máquina como instrumento de oposição à ditadura militar. “Era uma luta constante, uma luta com a minha câmera. Eu era contra aquele regime totalitário, mas não participava como manifestante. Estava lá sempre como jornalista, então tinha que me expressar através da minha fotografia, através do meu olhar. Demonstrava todo o meu posicionamento pelas imagens”, conta Evandro. Istoé Gente | 21


C h i Co b ua rq u E , to m J o b i m E Vi n テュ C i u s d E m o r aEs | rio de ja n eiro | 19 6 9

r a i n h a E Li za b Eth ii | Sテバ PaULo | 19 6 8


O engajamento e a arte do fotógrafo foram qualidades que inspiraram Carlos Drummond de Andrade a escrever a poesia “Diante das Fotos de Evandro Teixeira”, em 1983: (...) “Fotografia – é o codinome da mais aguda percepção que a nós mesmos nos vai mostrando e da evanescência de tudo, edifica uma permanência, cristal do tempo no papel. Das lutas de rua no Rio em 68, que nos resta mais positivo, mais queimante do que as fotos acusadoras, tão vivas hoje como então, a lembrar como a exorcizar?” (...) O tempo passou. Evandro Teixeira, 77 anos, já não atua mais na grande imprensa desde o fim da edição impressa, em agosto de 2010, do Jornal do Brasil (hoje publicado em versão digital) – mas está longe de pensar em parar. “Aposentadoria? Deus me livre! Por causa do meu joelho, não posso mais entrar na pauleira, pois não posso correr. Mas fiz fotos nos arredores das manifestações de agora”, diz ele, ignorando a idade, apesar de não aparentá-la. O menisco de seu joelho esquerdo, que deverá passar por uma cirurgia em breve, é o agente limitador. “Já tive que fugir muito de polícia naqueles tempos de ditadura. Baioneta calada era para valer. Era bala de verdade. Você não tinha o direito de reclamar. Hoje, os excessos da polícia estão sendo mostrados pelas redes sociais na internet”, compara o baiano de Irajuba, que, depois de uma rápida passagem pela capital baiana, no Diário de Notícias, seguiu para o Rio de Janeiro em 1958, quando estreou como repórter fotográfico do Diário da Noite. Em 1963, transferiu-se para o Jornal do Brasil, onde cunhou definitivamente o seu nome como um dos maiores do fotojornalismo, em 47 anos de JB. Tamanho reconhecimento rendeu-lhe frutos. São sete livros publicados – entre eles Fotojornalismo (1983), Canudos – 100 anos (1997), 68 Destinos – Passeata dos 100 mil (2008) –, e dezenas de láureas nacionais e internacionais – como o Prêmio Especial da Unesco no concurso internacional A Família (1993), o da Sociedade Interamericana de Imprensa e os prêmios do Concurso Internacional da Nikon, nos anos 1975 e 1991.

Também foram muitas as exposições individuais e coletivas no Brasil e no Exterior, além do documentário de Paulo Fontenelle sobre sua trajetória profissional (2004). Em 1992, suas fotos foram incluídas no acervo da Biblioteca do Centro de Artes Georges Pompidou, em Paris, França. Mestre em flagrantes históricos que fizeram história, Evandro registrou uma cena memorável do aniversário de 66 anos de Vinicius de Moraes, em outubro de 1979, na churrascaria Carretão, em Ipanema. Evandro fora pautado para fazer um ensaio do evento, que ocorreu dois meses depois da promulgação da lei da anistia. Foi o último aniversário de Vinicius. Ele morreu em julho de 1980. “Fotografei por algumas horas Vinicius, Chico Buarque e Tom Jobim cantando e bebendo, mas queria situações diferentes. Disse isso a Vinicius. Ele chamou os dois e se deitaram nas mesas no fundo da churrascaria. Imediatamente percebi uma grande foto”, relembra. Evandro gritou para o maître Teixeirinha, pedindo um banco para subir. De pé em um tamborete de cozinha, desequilibrou-se e caiu com a câmera. “O disparador travou. Consegui salvar um único fotograma da cena inusitada.” No dia seguinte, a foto ganhou a página inteira da capa do B, o caderno de cultura do jornal.

NOVOS LIVROS E novos livros sobre o seu trabalho vão ser lançados ainda este ano: Evandro Teixeira, Retratos do Tempo – 50 Anos de Fotojornalismo e Evandro Teixeira – Uma Biografia, escrita por Silvana Costa Moreira e Marcos Eduardo Neves. “Para o meu livro dos 50 anos de carreira, eu, Rogério Reis e minha filha Adryana pesquisamos 1.200 fotos, selecionamos 300 e editaremos com 250”, conta ele. “Ao mexer em meus arquivos para este projeto, achei fotos que nem lembrava, como a da rainha Elizabeth com Pelé no Maracanã em 1968.” Evandro também voltou a Canudos, como faz anualmente. Dessa vez, fez o registro das ruínas da igreja de Santo Antônio, do antigo povoado de Canudos, inundado pela represa de Cocorobó, que emergiram pela segunda vez, desde 1962, devido à pior seca do Nordeste dos últimos 50 anos. Evandro continua a cruzar o Brasil de norte a sul. Seja como convidado de palestras e workshops em universidades e escolas de fotografia, seja em ação, com suas Leicas ou Canons em punho.

”erA umA LuTa CONsTANTe COm A mINhA CâmerA“ EVandro tEixEira ÚNICO NA MORTE DE NERUDA Único fotógrafo a registrar com exclusividade o corpo de Pablo Neruda, ainda no necrotério do hospital em Santiago do Chile, e toda a preparação para o histórico funeral do poeta, morto 12 dias depois do sangrento golpe militar chileno, em setembro de 1973, Evandro aponta esse furo como o mais emocionante de sua carreira. “Estava em Santiago do Chile cobrindo o golpe, o clima era tenso, Salvador Allende (presidente deposto) estava morto, os militares tinham instituído o toque de recolher”, conta. Assim como outros jornalistas, Evandro tentava um contato com Neruda. Era um nome de peso daquele país, um Prêmio Nobel. Foi quando o fotógrafo soube por uma brasileira que ele havia sido internado na Clínica Santa Maria. Foi até lá, falou com o médico, mas não houve chance de falar com a mulher de Neruda, Matilde. Naquela noite o poeta morreu. No dia seguinte, com sua Leica escondida sob a camisa, voltou ao hospital. Entrou pelos fundos da clínica. Quando chegou ao porão do hospital, o corpo do Neruda estava lá e a viúva sentada ao lado. “Foi tocante. Pedi licença, dei-lhe as condolências e me identifiquei, lembrando-lhe que eu era ‘o fotógrafo de Jorge Amado’. Perguntei se poderia registrar aquele instante e ela disse: ‘Jorge Amado é nosso irmão. Pode fazer, é importante a sua presença aqui’”, conta ele. Foi o único fotógrafo a acompanhar o velório em La Chascona, sua casa em Santiago. Quando chegaram ao cemitério, a multidão o esperava declamando seus poemas. “Chorei de emoção.” Se o sepultamento do poeta foi o que lhe causou maior emoção em meio século de fotografia, um singelo registro de casamento é a sua foto preferida. Trata-se de Casamento em Paraty, de 1969, que faz parte do acervo do Centro Georges Pompidou. “É uma foto que gosto muito porque é de uma simplicidade, de uma generosidade. É a foto do jeca com a jeca, como disse o (jornalista) Fritz Utzeri. É de uma brasilidade que me emociona", diz. Depois da foto, os noivos entraram num boteco e foram comemorar o casamento. Compraram um litro de leite e um pacote de cream cracker. “Qual não foi a minha alegria uma vez que, estando em Paris para a Semana de Moda, fui ao Georges Pompidou e a foto estava em exposição”, diz ele. Com seus instantâneos e definitivos registros de vida, ainda que por vezes dolorosos, Evandro nos provoca e nos comove naquilo que temos de mais humano.

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n o i Vo s E m Pa r at y | Par at y (rj) | 1979

sE P u Lta mE n to d E Pa b Lo n E r u da | C hiL e | 19 89


sExta-f Eira sanGrEnta | rio d e jane i ro | 19 6 8

a quEda da moto | rio de jane i ro | 19 6 5 IstoĂŠ Gente | 25


Pass E ata do s 10 0 miL | rio de ja n eiro | 19 6 8


capa

#ÀmodadasredeS Michelli Provensi, Talytha Pugliesi, MarianaWeickert e outras 40 pessoas presentes nas manifestações de junho celebram neste ensaio a energia que emana das redes sociais e ajuda a mudar o Brasil por João Luiz Vieira e Simone BLaneS / FoToS CriStiano madureira Direção De ArTe eStúdio ÁrVore / eDição De moDA Luiz Henrique CoSta STyling Sator endo/ GLLoSS mGt / BelezA rauL meLo / CApA mGt


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Michelle chamou Mariana, que chamou Talytha, que chamou Patrícia, que chamou Guilherme, que chamou Bruna, que chamou Paula, que formaram um bloco uniforme de milhões de pessoas nas ruas. Como onda, manifestar virou tendência. A rua está na moda. E a moda nunca esteve tanto nas ruas. De posse de seus cartazes e palavras de ordem, as modelos Michelli Provensi, Talytha Pugliesi e Mariana Weickert ajudaram a florescer nas ruas a primavera brasileira em pleno junho invernal. Dias depois, dentro de um estúdio, vestiram-se à moda das redes para recriar, junto com outras 40 pessoas que também foram às ruas, a emoção que viveram na pele e no asfalto. “Você é uma modelo. Foi se manifestar com um monte de fotógrafos nas ruas e não passou nem um rímel?”, assim a irmã da modelo Talytha Pugliesi a provocou. “Não passei”, respondeu ela, com ares libertários. “Estava de óculos de grau, com a minha placa e ponto.” Talytha foi à manifestação que pedia a saída do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos deputados. “Sou contra a homofobia. Tenho amigos gays. Minha irmã é gay. Fiz questão de ir.” Os pais ficaram preocupados com a militância repentina. “Sou magra, frágil, e esse era o medo da minha família. Mas a causa era nobre. Não dava para perder. Nem pensei em vaidade.” Talytha vive pelas redes sociais. A mesma rede que embalou milhões de internautas e tirou o País do sofá. Como? A resposta estava no bolso. Ou na bolsa. Bastava ligar o celular. Os gritos, a fúria, o empurrão que faltava estavam lá. A começar pelo terceiro “país” do mundo em população chamado Facebook, com 1,1 bilhão de usuários – 73 milhões deles no Brasil. O balanço, o chacoalhar das redes também a tiraram da zona de conforto para marchar. “Essa coisa me deu muita esperança”, empolga-se Talytha. “Para os filhos e netos que talvez eu tenha. Para os meus sobrinhos.” Modelo que morou 12 anos em Paris, onde acompanhou inúmeras manifestações, Talytha, 31 anos, se emocionou ao ver pela tevê o que acontecia no País. “Na França, eles têm o hábito de sair às ruas. Aqui nunca entendi o porquê de haver tanta coisa errada e ninguém fazer nada.”

A modelo Michelli Provensi lhe faz coro. Na segunda manifestação em que esteve presente, não levou vinagre, como era recomendado. Convocou pelas redes e carregou com ela uns 30 amigos. “Como estava do lado de Alex Atala, lembrei que chef sempre tem vinagre (se precisasse se defender de gás lacrimogêneo)”, brinca. “Mais do que levar pessoas para a rua, queria que soubessem o que estava acontecendo e entendessem aquilo.” A modelo catarinense de 28 anos, artista e usuária de transporte público, decidiu ir para as ruas por morar perto da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. “Vi o que aconteceu naquela quinta-feira 13 de junho, quando a polícia atirou e jogou gás nas pessoas”, ela relata. “Estava acompanhando tudo pelo Facebook, mas até ali estava com medo. Depois daquele dia, fui a todas as manifestações seguintes.” A faceta revolucionária de Mariana Weickert, apresentadora de tevê de 31 anos, também brotou naqueles dias. De seu Twitter, descobriu e ficou tão assombrada quanto o País com as proporções do movimento. “Nas ruas, achei as pessoas corajosas por levarem crianças. Até então ninguém sabia se aquela manifestação seria pacífica”, diz. Não só decidiu ir à manifestação no Largo da Batata, em 17 de junho, a maior de todas que ocorreu em São Paulo no início daquele mês, como levou a equipe do seu programa A Liga, da Band. Para ela, seja qual for a explicação para a força que o movimento popular ganhou, uma coisa é certa: “aquilo estava na garganta de todos”. E foi assim que essa moda sem caras pintadas pegou, com Patrícia, que chamou Guilherme, que chamou Bruna, que chamou Paula, que, juntos e por trás de todas as redes, começaram uma revolução que leva as cores da moda para mudar o País.


Thiago Reis – modelo. Camiseta acervo pessoal; calça Carmim; cinto TNG; pulseira Marco Apollonio; corrente acervo pessoal e bota Cavalera

João Zavaski – modelo. Colete de tricot Casa Juisi; bermuda Dzarm; suspensório H Presentes e tênis Puma para João Pimenta

Marcos Lacerda – booker. Colete Casa Juisi; camiseta

Casa Juisi; calça MCD e tênis Cavalera

TNG; bermuda GAP; bracelete Marco Apollonio e bota Ellus

Bruce Moreira. Colete King 55; camiseta Guilherme Silva – ator. Tricot Casa Juisi; camiseta

André Felipe – modelo. Macacão acervo

King 55 e bota Ellus

João Zavaski. Camisa jeans Colcci; saia jeans Joao Pimenta e bota West Coast André Almada – empresário. Camiseta H Presentes;

Hering; calça acervo pessoal; cachecol Hering e tênis acervo pessoal

calça Diesel; cinto Ralph Lauren; camisa amarrada na cintura Damyller e tênis Converse All Star

Talytha Pugliesi. Casaco camuflado Casa Juisi; regata de tela Douglas Harrys; regata camuflada Colcci; shorts Cavalera e bota West Coast

Ana Albanez – publicitária. Camisa acervo pessoal; colete Espaço Fashion; calça Colcci e bota acervo pessoal

Esdras de Lucia. Calça Osklen e tênis Converse All Star

Paula Zago. Manto jeans Casa Juisi; calça Canal e bota Lacoste

calça DTA; colar Juliana Manzini; brincos Teupin; pulseira Duza e sapatos Arezzo

Paula Zago – modelo. Colete Espaço Fashion; vestido camuflado Alexandre Herchcovitch; brinco Marco Apollonio e uncle boots Christian Louboutin

Nelson Kabarite – arquiteto. Camisa jeans Colcci; camiseta acervo pessoal; calça Colcci; boné Stussy e óculos Tom Ford

Talytha Pugliesi. Macacão Alexandre

Jéssica Pauletto – modelo. Abrigo Casa

Mariana Weickert. Camisa de couro Ellus;

calça Forum e bota Ellus

Esdras de Lucia – ator. Jaqueta A La Garcone;

camiseta Malwee; calça Osklen e bota West Coast

Bruce Moreira – músico. Blusa KNT;

calça Forum e tênis Cavalera

Heloisa Jorge – atriz. Camiseta Regina Salomão;

Herchcovitch e bota Ellus

Juisi e bota Lacoste

Talitha Bruzzi – modelo. Colete Triton; camiseta

Thiago Reis. Bota Cavalera

Ellus; calça Cavalera; brinco Maria Dolores; pulseira Juliana Manzini e bota Lacoste

Bruna Ribeiro – advogada. Camisa Ellus;

calça M. Officer e bota Tabita

Adriana Hitomi – figurinista. Vestido Spezzato e bota West Coast Guilherme Silva – ator. Jaqueta Malwee;

e bota Ellus

Michelle Provenzi. Casaco de couro

Gilda Midani; camiseta Ellus; shorts Ronaldo Fraga e bota Ellus

Michelle Provensi. Casaco Casa Juisi; camiseta

Edson Garcia – estudante. Calça Damyller; cinto H Presentes e bota Jorgito Donadelli Tiago Almeida – fotógrafo. Calça Damyller;

cinto H Presentes e bota Jorgito Donadelli

Ana Lucia Zambon – empresária. Camiseta Gilda

MCD; calça Cavalera e bota West Coast

Midani; calça acervo pessoal e bota Tanara

Talita Bruzzi. Camiseta Hering

Jéssica Pauletto – modelo. Camiseta Spezzato; calça Jeans acervo King 55; pulseira Marco Apollonio e uncle boots Christian Louboutin

e calça acervo pessoal

Raphael Sander – modelo. Jaqueta de nylon Diesel; calça Calvin Klein e botas Ellus

Raphael Sander. Colete King 55; saia João Pimenta e tênis Puma para João Pimenta Bárbara Brito – modelo. Casaqueto jeans estampa

floral Casa Juisi; calça jeans Affliction e bota acervo pessoal

Felipe Raia – estudante. Camiseta KNT; calça Calvin Klein e tênis Adidas Luis Monteiro – estilista. Tricot Ellus; calça acervo

pessoal; relógio acervo pessoal e tênis Nike


Raphael Sander. Camiseta H Presentes

e calça Forum

Thiago Reis. Macacão Alexandre Herchcovitch e bota Cavalera

Pedro Nogueira – corretor de seguros. Camiseta Casa

Talita Bruzzi. Macacão Flavia Aranha;

Juisi; calça Carmim e sapato acervo pessoal

cachecol Gant e sapato acervo pessoal

Bárbara Brit0. Camiseta A La Garcone;

Raphael Sander. Jaqueta Ellus; saia João

calça de couro Rober Dognani; óculos Givenchy para Vilvalle e bota Ellus

Jéssica Pauletto. Camiseta H Presentes; calça

Espaço Fashion e pulseira Juliana Manzini

Paula Zago. Camiseta H Presentes;

calça NEM e pulseira Duza

Talita Bruzzi. Camiseta A La Garcone; calça

Spezzato; pulseira Marco Apollonio e sapato acervo pessoal Ana Albanez. Calça Top Shop;

camiseta A La Garcone e bota Top Shop

André Felipe. Camiseta H Presentes;

macacão e óculos Alexandre Hercovictch para Chilli Beans e bota Ellus

Pimenta e tênis Puma para João Pimenta

André Felipe. Macacão Alexandre

Herchcovitch e bota Ellus

Raphael Sander. Jaqueta Calvin Klein Jeans;

calça Ellus; camisa na cintura Gant; lenço acervo pessoal; tênis Puma para João Pimenta e mochila Jansport

João Zavaski. Macacão acervo King 55;

máscara Casa Juisi e bota Ellus

Roberta Rizzardi – booker. Camisa Ellus;

camiseta e calça acervo pessoal; mochila Jansport e sapatilha Miu Miu

Bárbara Brito. Vestido jeans Alexandre

Gelbh Costa – booker. Camiseta acervo pessoal; calça Forum e tênis New Balance

João Zavaski. Jaqueta Ellus; saia João

Pimenta e bota West Coast

Bárbara Brito. Casaco Casa Juisi; camisa Ellus; shorts DTA e bota West Coast

Fábio Cador – ator. Tricot Ellus; calça Carmim e bota Ellus

Bruce Moreira. Camiseta acervo pessoal; calça

Alexandre Jabali – ator. Tricot Ellus;

Thiago Reis. Camisa Gant; camiseta acervo

Herchcovitch e bota West Coast

calça Colcci e tênis Puma

Hughes de Oliveira – modelo. Camiseta Yara

Simões; calça Carmim e bota Ellus

MCD; camisa na cintura Gant e tênis Cavalera

pessoal; calça Carmim; cinto TNG; colar e lenço na cintura acervo pessoal; mochila Jansport e bota Cavalera Renato Guedes – booker.

Calça Forum e tênis Adidas Larissa Alvanhan – booker. Camisa Diesel;

calça Carmim; cachecol Gant e bota Arezzo

André Felipe. Camisa Gant; moletom

Alexandre Herchcovitch; cachecol Siberian; calça Carmim; bota Ellus e boné MCD

Alex Poisé – empresário. Look total Sumemo; tênis Converse All Star e relógio US Army

A La Garcone (11) 2364-3280; Adidas 0800-55 6277; Affliction (11) 2626-5147; Alexandre Herchcovitch (11) 4306-6475; Arezzo (11) 3081-4929; Acessórios Modernos (11) 3083-0011; Alexandre de Paris (11) 3097-0942; Antonio Bernardo (11) 3083-5622; Ara Vartanian (11) 3044-0133; Bo.Bô (11) 3062-8145; Camila Klein (11) 26194397; Carol Arbex (11) 3847-1676; Carrano (51) 3564 –1555; Calvin Klein (11) 38175702; Canal (11) 3823-2813; Carmim SAC: (11) 4063-5001; Cartier (11) 3081-0051; Casa Juisi (11) 3063-5766; Cavalera (11) 2268-1869; Chilli Beans: (11) 3818-3030; Christian Louboutin (11) 3032-0233; Colcci (11) 2524-5400; Converse All Star (54) 2851302; Diane Von Furstenberg (11) 3152-6979; Dona da Bijoux (11) 3333-3237; Damyller SAC 0800 484700; Diesel (11) 3082-4937; Douglas Harrys (11) 2362-1363; DTA (31) 3529-2300; Duza (11) 3063-0523; Dzarm 0800 47 3114; Ellus (11) 3061-2900; Espaço Fashion (11) 3021-6842; Flavia Aranha (11) 3031-1703; Forum (11) 30313593; Fossil SAC 3003-1070; Fila Concep Store (11) 3798-9054; Gant (11) 3083-3574; Gilda Midani (21) 25129331; Hirondelle (11) 3062-1586; H Presentes (11) 2339-6904; Hering SAC 0800 473114; Jansport (11) 30446480; João Pimenta (11) 3034-5501; Jorgito Donadelli (11) 3083-7878; Jimmy Choo (11) 3552-2052; Juliana Manzini (11) 5542-6935; King (11) 3045-2654; KNT Jeans (44) 3033-8800; Lacoste SAC 0800 77 44 999; Lulu Souto (79) 3217-9865; M. Officer (11) 3573-1342; Malwee (11) 3047-6282; Marco Apollonio (11) 3044-0514; My Gloss (11) 4371-3579; Maria Bonita Extra (11) 5181-6190; Maria Dolores (41) 3026-1302; Miu Miu (11) 55256370; NEM (11) 3045-2039; New Balance (11) 2186-9000; Ike SAC 0800 703 6453; Otavio Giora (11) 36633463; Osklen (11) 3083-7977; Puma (11) 3891-0711; Ralph Lauren (11) 3088-9433; Regina Salomão (11) 30452726; Rober Dognani (11) 3088-7700; Ronaldo Fraga (11) 3816-2181; Siberian (11) 3812-9931; Spezzato (11) 3078-4780; Sumemo (11) 4163-6443; Tabita (51) 3545-1600; Tanara (51) 3027-5787; S.Design (84) 3412-4401; Swatch (11) 3097-8750; Triton Eyewear (11) 5093-3892; The North Face SAC (27) 2127-4792; TNG SAC 0800 7211506; Tommy Hilfiger (11) 3898-2687; Top Shop (11) 3151-6002; Triton (47) 3390-5503; US Army (11) 55335019; Vitor Zerbinato (11) 3052-1033; Vide Bula (11) 3167-7787; West Coast (51) 3561-6600

Gabriela Almeida – booker. Camisa Affliction;

camiseta acervo pessoal; calça Carmim; mochila Jansport; sapato e pulseiras acervo pessoal

Coordenação de moda e estilo Bianca Zaramella Reportagem Simone Blanes Assistente de fotografia Renan Vitorino Tratamento de imagem Jorge Morabito Assistentes de beleza Alê Fagundes e Silmara Melo Camareira Flaviana Oliveira / Camarim SP Istoé Gente | 67


BAÚ

O batismO de sangue de Pagu Escritora, jornalista e comunista, Patrícia Galvão foi a primeira brasileira presa por motivos políticos no País. O episódio marcaria para sempre sua vida como militante. E os motivos vão além das grades. Gente relembra o dia histórico em que Patrícia subiu no palanque, foi presa, ganhou os noticiários e virou, para sempre, Pagu Por Marina rossi

Da esq. para a dir., Pagu, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, entre outros intelectuais, na Central do Brasil, Rio de Janeiro, 1929


Fotos Reprodução

Patrícia Galvão em 1931

Istoé Gente | 81


ABALADA, PORÉM LEAL àS ORDENS DO COMPANHEIRO, PAGU Dá CONTINUIDADE AO COMíCIO. “NãO SEI COMO FALEI, NEM O qUE FALEI” O tempo era instável, com alta nebulosidade, e o clima, ao menos no que se referia à meteorologia, era ameno. Na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, a temperatura oscilava entre 17 e 20 graus naquele domingo, 23 de agosto de 1931. No início da noite, o Socorro Vermelho Internacional – associação comunista criada na década de 1920 – daria início na Praça da República de Santos a um comício em homenagem ao quarto aniversário de morte dos italianos Sacco e Vanzetti, condenados à cadeira elétrica nos EUA por um crime que não cometeram. O evento estava marcado para as oito da noite. Horas antes, os últimos preparativos eram finalizados. Apesar de contrariada, uma mulher era escalada para fazer a abertura do comício. A jovem de 21 anos tinha nome e pinta de burguesa. Talvez por isso, a escritora, jornalista e comunista ferrenha Patrícia Rehder Galvão se apegara tanto ao apelido Pagu, recebido aos 19 anos do poeta Raul Bopp. Aceitando a missão do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual acabara de filiar-se, Pagu, intelectual e musa do Modernismo, se prepara. Por ser seu primeiro comício, pede orientação ao estivador comunista Herculano de Sousa. “Discurse em qualquer condição e não abandone a praça em nenhuma hipótese, mesmo se for invadida pela polícia”, orientou o companheiro, segundo a própria Pagu na autobiografia Paixão Pagu. A noite cai. A temperatura baixa um pouco, mas o clima esquenta. A Praça da República santista já está cheia de gente. O País assistia aos trabalhadores e operários se organizarem desde a Revolução de 1930, que tornara Getúlio Vargas chefe do Governo Provisório. Como consequência da organização do proletariado, a polícia já estava de prontidão em qualquer aglomeração. Naquele domingo não foi diferente. Dentro de um caminhão coberto com a bandeira do Socorro Vermelho, Pagu e outros camaradas adentram a praça. A polícia, sabendo que era aquela mulher quem abriria o comício, tenta detê-la. Herculano a arrasta para o palco e a empurra para falar. Num movimento orquestrado, em poucos minutos a polícia começa a atirar. Nesse momento, Herculano é atingido com um tiro nas costas. O companheiro cai nos braços de Pagu e balbucia suas últimas palavras antes de morrer: “Continue o comício!”. Abalada, porém leal às ordens do companheiro, Pagu dá continuidade ao comício. “Não sei como falei, nem o que falei”, relatou. E, para encerrar, pediu à multidão que cantasse o hino da Internacional Comunista, quando a cavalaria invadiu de vez a praça.

No meio da confusão e sem Herculano para protegê-la, Pagu é pega. “Senti um sapato no pescoço e não podia mais respirar”, contou no livro. Assim, é levada para o cárcere 3 da Cadeia Velha, na Praça dos Andradas, em Santos, “a pior cadeia do continente”, como disse em certa ocasião o general Miguel Costa, secretário de Segurança em São Paulo. Era a primeira brasileira presa por motivos políticos no País. E a primeira das mais de 20 vezes que Pagu iria para trás das grades.

Frio e canto “Tinha o pescoço dolorido, a garganta ardendo, muita vontade de me atirar num chão e dormir. Mas não podia sequer encostar nas paredes da cela”, escreveu Pagu. “Nesse momento, ela começou a cantar para espantar o frio e o medo”, conta Tereza Freire, autora do livro Dos Escombros de Pagu. E assim seguiu até ficar rouca e exausta. “Pagu cantou até perder os sentidos, quando foi transferida para outra cela, com outras mulheres”, diz Tereza. Na manhã seguinte, a jovem acordara sem voz e com dor de garganta, no meio de uma briga entre as companheiras de cela, que disputavam um cobertor que havia sido jogado sobre sua cabeça. “Era a primeira vez que me encontrava realmente na prisão, num ambiente que não conhecia”, relatou Pagu. Enquanto isso, seus pais são avisados pelo escritor modernista Oswald de Andrade, seu marido na época. Pagu era a ovelha negra de uma família com valores “pequeno-burgueses”, como ela mesma definira certa vez. “Para eles foi um verdadeiro choque”, conta Lúcia Freire, biógrafa de Pagu. “Mas mesmo assim, seu pai a apoiou, comparecendo com ela em sua primeira audiência e contratando seu advogado de defesa.” Do lado de fora das grades, jornais como A Tribuna de Santos relatavam o “sangrento” episódio, tratando Pagu como “agitadora que teve parte saliente no comício”. Enquanto a notícia corria, Pagu foi transferida da Cadeia Velha, construída de pedra e cal no Segundo Reinado e hoje tombada como patrimônio nacional, para a Imigração do Porto de Santos, que, na época, havia sido trans-

formada em presídio. Numa tentativa de ajudá-la, Oswald se passa por seu advogado, mas é desmascarado e preso pela polícia, sendo em seguida libertado. Por um mês, Pagu é mantida incomunicável. “Não tinha livros, não tinha jornais, nem roupas, nem o que fazer”, relatou. “Contei tábuas no chão, do teto, cantei, dancei, fiz ginástica... Pensava na vida...”. No aniversário de um ano do filho Rudá, em 25 de setembro daquele ano, o tenente e amigo pessoal Emydio Miranda consegue uma autorização para que a criança vá visitar a mãe. Rudá estava aprendendo a dar seus primeiros passos. “Concederam-me apenas cinco minutos para abraçar o garotinho”, narrou a jornalista. Pouco mais de um mês, Pagu é solta em caráter provisório e responde a processo em liberdade. É liberada da prisão numa madrugada de novembro, acompanhada por um tira que a deixa na porta de um hotel. Assim que o policial vai embora, Pagu sai em disparada rumo à casa de Oswald, em São Paulo, onde são perseguidos pela polícia e por credores e oficiais de justiça e fogem para a cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba. Depois desse episódio, Pagu, “um anjo indisciplinado e rebelde”, como certa vez o teatrólogo Plínio Marcos a descreveu, ainda seria presa mais de 20 vezes, sendo a última entre 1936 e 1940. Tornou-se amarga e calada, fumando e bebendo muito, até a morte por um câncer de pulmão, em dezembro de 1962, aos 52 anos. “Geraldo frequentemente ia buscá-la nos bares, bêbada de gim”, conta Tereza, sobre os episódios em que o último marido de Pagu, Geraldo Ferraz, tomava conta da mulher. A amargura do final da vida foi consequência da série de prisões que sofreu. Mas um de seus piores castigos não se limitava às grades de uma cela. Assim que foi libertada após o episódio da Praça da República, Pagu foi obrigada pelo PCB a assinar um documento responsabilizando-se pelo acontecimento e declarandose “uma agitadora individual, sensacionalista e inexperiente”. Aquele sim foi seu primeiro e grande balde de água fria.


Foto Karmina Sans Light

Em sentido horário: Pagu quando foi presa pelo DOPS, em 1936; na década de 1920; posando em estúdio em 1927, ainda adolescente; e em Santos com o filho Rudá (foto sem data)


GENTE ENTREVISTA

Nas asas de Maitê No palco, nas páginas de seu livro, na internet ou na tevê, Maitê Proença voa longe. A atriz, que estreou sua peça em São Paulo em pleno junho efervescente, diz que queria estar nas ruas em sintonia com o despertar das multidões. Ela fala sobre a vida, o envelhecimento e seus desejos não realizados, como dar a volta ao mundo num veleiro Por Marina rossi / Fotos Pedro dias / ag istoÉ styling sator endo / Beleza renner souza (aBá Mgt)]

A uma hora de subir no palco, Maitê Proença entra na dança. “Eu não tinha ritual nenhum, mas agora são vários”, diz a atriz. Ela numera: “Dançamos ao som de Raul Seixas e Elza Soares, e depois passamos para músicas da umbanda.” O rito inclui certo misticismo como “soprar umas bandeirinhas budistas” e rezar um mantra tibetano, “onde ninguém sabe o que está falando, mas é algo indispensável”. Depois, vêm os procedimentos de ordem prática: “Me encho de gelo. Tenho um ombro e um joelho ruins.” Quando as luzes se apagam, a voz de Maitê muda. O olhar também. É como se, com o xale que a atriz joga sobre os ombros, lhe caísse um peso de mais 30 anos. Ela está em cartaz em São Paulo com a peça À Beira do Abismo me Cresceram Asas, escrita e dirigida por ela mesma. Maitê interpreta Terezinha, de 86 anos. Ao lado da amiga de asilo, ela desenrola histórias sobre a vida, o tempo e a morte. “A velhice não é para os covardes”, diz sua personagem. Aos 55 anos, a atriz, escritora e diretora Maitê Proença Gallo vive como se a vida, essa sim, não fosse para os

covardes. E parece ter o tempo como seu aliado. “Todos os dias penso em fazer coisas que nunca fiz. Fico animadíssima com as possibilidades”, conta Maitê. Ela também acaba de lançar o livro É Duro Ser Cabra na Etiópia, “assim mesmo, nonsense”, resume. Nesta entrevista, a atriz pediu para responder às perguntas por e-mail. Olhando suas múltiplas facetas, é fácil entender o porquê. A internet tem sido importante para a realização de projetos. Ela mantém um site, um blog, uma página no Facebook e seu livro foi criado a partir de um portal, com conteúdo colaborativo. Mas Maitê não é hiperconectada. ”Reconheço os benefícios, mas eu mesma não gosto da internet, ela me aflige e dispersa”, diz. Por e-mail. Veloz na realização de projetos, Maitê é discreta. Seus profundos olhos azuis são sempre focados num ponto que não sabemos exatamente qual é. Mas ela certamente sabe. Anda com uma postura de quem ainda tem um longo caminho para trilhar e é direta. “Sou aquariana, não fico fazendo joguinhos”, disse certa vez. Na vida real, Maitê não representa. Istoé Gente | 85


”a escrita Vasculhou Meus Porões, trouxe à tona uma maitê mais verdadeira e melhorou a atriz que vivia um pouco amedrontada e comportada dentro de mim” Gente – Você já disse que sua avó não estava pronta para a morte aos 103 anos. Como é estar pronta para a vida na velhice? Maitê – Essa pergunta pode ser mais bem respondida por Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Niemeyer, Chico, Caetano, o Papa Francisco. Essa gente certamente tem a chave. A avó que você citou aos 100 anos se indignava com a ideia do fim, tinha um grande apego à vida, imenso desejo de trocar experiências, contar casos e piadas, de ler, tomar sorvete, falar francês, tudo a encantava. O que destrói é colocar o chinelão e ficar na frente da tevê invejando a vida dos outros e achando que a “alegria é uma grande injustiça mal distribuída”, como diz Valdina, a velha da minha peça. Mas isso serve para qualquer idade. Gente – Como lida com o envelhecimento da beleza? Maitê – Gostaria que a beleza durasse para sempre. Mas seria uma luta inglória, então trato de acentuar outras características que irão comigo até o túmulo. Gente – Até que ponto ter beleza ajuda a envelhecer com mais energia? Maitê – Eu não tenho o distanciamento necessário para responder honestamente. Em geral, quando olho no espelho, reparo no que não está bom. O que está em ordem não me chama a atenção. Passo meus dias estudando e trabalhando. Tento me alimentar bem, no sentido da saúde física, mas, sobretudo, buscando algo que me estimule os sentidos; a comida deve ser deliciosa e lindamente apresentada. O espírito fica alegre quando se come e se bebe dignamente. Difícil para um artista produzir algo que preste depois de tomar uma sopinha insossa. O horizonte, uma cachoeira, o mar limpo, o exercício, a música e a dança também alegram. Então, sim, a beleza gera muita energia. Gente – O que a torna feliz hoje? O que a faz sentir-se viva? Maitê – Eu escrevi mais uma peça, que, desta vez, também dirigi ao lado de Clarice Niskier e em que divido o palco com a Clarisse Derzié. O espetáculo dura uma hora e quinze minutos. Quando começamos a encená-la, no Rio, ela demorava três horas para passar. Agora, depois de cinco meses viajando, e tendo

encontrado o caminho certo, dura três minutos. O prazer de atuar no meu melhor e de dizer coisas que me parecem relevantes faz brotar tanta felicidade que o tempo se relativiza e passa num átimo. Sentar à mesa e dividir uma refeição com minha filha ou um amigo querido também me alegra muito. Dormir na hora certa e acordar cedo me deixa alegríssima. Assistir a um documentário genial, uma série, um filme, nadar no mar... a lista é longa.

Gente – Sobre o livro que você acabou de lançar, como foi a experiência de utilizar a internet como ferramenta? Maitê – Criei um site para recepção do material. Inventei categorias classificatórias e outras em que dava notas a cada texto pré-aprovado. Chegaram mais de dois mil textos até eu fechar as porteiras. Alguns não respeitavam as regras e caíam numa espécie de lixeira. Eu lia estes também porque muita coisa boa foi parar ali. Escrevia para a pessoa e pedia que se adequasse e reencaminhasse o material. Editei e submeti ao autor desconhecido para que aprovasse e seguisse naquela linha, evitando vulgaridades desnecessárias. As pessoas confundem palavrão com humor. Podia tudo, até escatologia, contanto que fosse genial. É um livro de humor, e muitas vezes essa condição esbarrou em terreno perigoso. Foi mais complexo do que eu supus, mas saiu. E virou um livro com uma pegada de arte, graficamente excitante. Foram três anos. Quem lê se surpreende e adora. Além da participação inestimável de Carlos Heitor Cony, Agualusa, Mario Prata, Jorge Forbes e Tatiana Levy, foi delicioso dar visibilidade a muita gente de talento. Gente – Quanto a internet a mobiliza? Maitê – Reconheço seus benefícios, mas eu mesma não gosto da internet, ela me aflige e dispersa.

Gente – Por quê? Maitê – A troca de e-mails ocupa uma imensidão de tempo que poderia ser usado para funções muito mais criativas. A internet, para uma pessoa de interesses diversificados, como são os meus, pode ser um perigo. Em vez de ajudar a aprofundar, pode levar a pessoa a se perder nas marolinhas superficiais que conectam um assunto ao outro. Gente – As redes sociais têm sido vistas como a glória da coletividade e a tragédia da privacidade. O que tem pensado a respeito? Maitê – Todo mundo concorda que há um lado benéfico que é o da democratização da informação. Mas há que se criar uma ética para o comportamento das pessoas na web. Ela é também o paraíso dos covardes. Aquele sujeito que nunca levantou a mão na sala de aula, recalcado e de má índole, hoje pode caluniar e injuriar, causando imensos danos escondido atrás de um perfil falso. Gente – A estreia da peça coincidiu com o momento agudo das manifestações. Você até brincou que a avenida Paulista tinha virado um Muro de Berlim, dificultando os acessos. O que mais a mobilizou nos dias de protestos? Maitê – Eu queria estar nas ruas, queria ver pela tevê, queria estar em sintonia com aquele despertar. Tive medo que ninguém fosse ao teatro. Eu mesma, se não tivesse distribuído os convites, não estaria ali. Os aeroportos estavam fechados, sem teto para voar. Entrar em São Paulo evitando as vias interrompidas pelas manifestações foi uma arte, a imprensa se atrasou, demos entrevistas minutos antes de entrar em cena. E fizemos o pior espetáculo da carreira da peça até então! Havia algo no ar que nos impediu de penetrar na história que queríamos contar. Ainda assim os


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Macacão Diane Von Furstenberg, sapato Jimmy Choo, brincos Ara Vartanian, anel de ouro branco com diamantes negros, Ara Vartanian, e de ouro branco, Antônio Bernardo

Terezinha e Valdina, interpretadas por Maitê e Clarisse Derzié no espetáculo À Beira do Abismo me Cresceram Asas

Coordenação de produção: Simone Blanes Assistente de fotografia: Felipe Gabriel

“enVelheÇo todo dia uM Bocadinho, com olhos Bem aBertos” convidados gostaram porque tem uma parte cômica que se sustenta mesmo quando a densidade se dilui.

Gente – Que leitura faz do momento ? Maitê – É um fenômeno mundial, faz parte de uma nova ordem no mundo que se globaliza através da web. A Primavera Árabe começou com um camelô que pôs fogo no próprio corpo porque a polícia da Tunísia disse a ele que não poderia mais vender seus produtos na praça. A foto do corpo em chamas publicada na internet foi a fagulha viral que detonou o movimento e se alastrou pelos países árabes. Aqui o que mobilizou a juventude foi o aumento das passagens. Foi surpreendente e lindo. Gente – E esse momento inspira ou aflige? Maitê – Inspira. E contribuiu para o trabalho. Tenho um projeto encaminhado com uma ONG internacional ligada à inclusão digital. O que aflige é ficar só na indignação, no protesto. A sociedade tem que cobrar do governo tudo que ele promete, mas não oferece, mas tem que se organizar, para encontrar suas próprias soluções. Gente – Você esteve em alguma manifestação? Você tem uma filha jovem. Ela participou? Maitê – Eu me manifestei escrevendo e emitindo opiniões através de meu blog e Fan Page. Maria, minha filha, esteve nas ruas e vibrou por poder gritar, por perceber que, ao contrário do que parecia, uma multidão percebia e se indignava com as injustiças da mesma forma que ela. Gente – Você ja disse que velho tem autoridade para falar de tudo. Aos 54 anos, quanto essa maturidade precoce já lhe deu essa autoridade?

Do que ainda não falou e espera falar? Maitê – Vou envelhecendo todo dia um bocadinho. Com olhos bem abertos. À medida que as ideias forem se formulando, elas aparecerão nos meus trabalhos. Não dá para saber o que virá, mas virá. Gente – Certa vez você disse que a vida não acontece do modo como se planeja aos 18. Diria que saiu do script de sua vida? O que gostaria de ter sido e não foi? Maitê – Imaginei que faria algum trabalho de cunho social forte. Teria gostado de viver em comunidades indígenas ou de trabalhar na África com gente de uma cultura distinta da minha, ou que vivesse no limite da subsistência. Essa, eu imaginava, era minha vocação. Por um tempo também pensei em ser mímica, que é uma arte sem palavras. Acabei dedicada à palavra e distante de um contato íntimo com as pessoas, pela natureza do meu trabalho, que me coloca numa espécie de pedestal e me isola. Gente – Como cantou Roberto Carlos, na canção “Outra Vez”, de Isolda, qual foi o melhor dos seus planos e o pior dos enganos? Maitê – Sem querer parecer contraditória, mas não tendo como evitar, o melhor dos meus planos foi partir para a escrita. Ela vasculhou meus porões, trouxe à tona uma Maitê mais verdadeira e, indiretamente, melhorou demais a atriz que vivia um pouco amedrontada e comportada dentro

de mim. Tudo desabrochou. O pior dos enganos perdeu-se no baú dos equívocos.

Gente – Como se imagina aos 80 anos? Maitê – Simples, relaxada, respeitosa dos seres à minha volta, interessada na evolução do mundo, seja lá como ele for. Gente – Quais são seus novos projetos ? Maitê – Não falo do que não fiz. Ideias eu tenho algumas, mas também estou curiosa para saber quais delas vingarão e quais despencarão na grande arca das ótimas ideias naufragadas. Gente – Como anda o coração? Maitê – Em paz. Gente – O que ainda gostaria de ser? Maitê – Todos os dias penso em fazer coisas que nunca fiz. Fico animadíssima com as possibilidades. Concebo performances de arte contemporânea, desenho captadores de água da chuva para o meu sítio, sistemas de autossustentabilidade com minhocários e composteiras que adubam hortas circulares, mudo a decoração da casa, crio viagens a pé pelo Oriente. Quero dar a volta ao mundo num veleiro, parando para morar nos lugares que mais me encantarem. Gostaria de passar uma temporada na Itália ou Inglaterra, como aluna de cursos universitários. E há livros e peças para serem escritos...


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Gente EM CASA

Black total Esta cadeira de jantar, feita de madeira e couro, é desenhada por Maarten Baas. Preço sob consulta. micasa.com.br

Foto Marcelo Navarro

Arquitetura

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Décor

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Design

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Garimpo

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Estética

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Lifestyle

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TOQUE PESSOAL Tradição e viagens são dois temas que dominam a decoração do lar da estilista. E o amarelo, sua cor predileta, pontua todos os ambientes

Paisagismo

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Arte em casa

Isabella Giobbi organiza revistas e livros nas prateleiras da sala de seu apartamento, nos Jardins, em São Paulo


O amarelo, cor predileta de Isabella Giobbi, pontua toda a casa decorada com mobiliรกrio italiano e garimpo de viagens pelo mundo


Gente EM CASA

A CASA AMARELA

Sem economizar nos excessos e na sua cor preferida, a estilista Isabella Giobbi faz questão de decorar seu apartamento com objetos da família e lembranças de viagem. O resultado é a prova de que misturar também é uma forma de arte POR LUciane anGeLo / FOTOS MaRceLo naVaRRo Istoé Gente | 93


Acima, a poltrona de couro preto inspirada em sela de cavalo, de Vico Magistretti, divide as duas salas. Na página ao lado, a coleção de pratos de Fornasetti

Sem minimalismos, por favor. Com perdão do clichê, o apartamento da estilista Isabella Giobbi é a cara da dona: chique, repleto de informações, falante e solar. Isabella divide o espaço de 240 metros quadrados com a filha Catarina, de 6 anos, e o buldogue francês Lapo. O apartamento de três quartos – um deles era antes ocupado por Allegra, sua filha de 19 anos, que agora se aventura em morar sozinha – foi inteiro decorado por ela mesma. “Gosto do caos, de objetos únicos. Todas as minhas peças têm história e não gosto de nada muito tempo no mesmo lugar. Adoro mudar!”, conta a estilista. Grande parte de sua mobília veio da Itália, onde morou durante alguns anos. O espelho veneziano, em destaque na sala, foi de sua avó e tem em torno de 500 anos. Duas cadeiras, no mesmo ambiente, também foram forradas com um casaco de pele da matriarca da família.

Outra parte de seu acervo veio de viagens pelo mundo afora. Do Japão, África do Sul, China e outros pontos do planeta. Entre os destaques estão as cabeças de marfim trazidas da África e uma marmiteira chinesa, ambas sobre uma caixa de vitrola comprada em antiquário. E, claro, pontos de amarelo, sua cor predileta, em todo o apartamento, além de flores e velas. “Na minha casa sempre tem flores e, assim que chego, eu acendo as velas para aromatizar o ambiente.” Os espaços são recheados de revistas e livros de arte e moda. Os já lidos ela coloca em uma estante e os ainda intactos, deixa nas mesas da sala para atualizar a leitura. E Isabella mescla os dois assuntos muito bem na decoração, enfeitando com colares de coral algumas esculturas como a de latão no chão e o veado de porcelana pendurado na parede. “Adoro coral e brinco com os objetos. Até o Buda ‘usava’colar.”


Livros de moda, fotografia e arte enfeitam a mesa central do espaço. Ao fundo, esculturas ganham colares de coral. Na página ao lado, almofadas dão o tom colorido na sala

“Gosto do caos, de objetos únicos. Todas as minhas peças Têm hisTória e não gosTo de nada muiTo Tempo no mesmo lugar. adoro mudar!” isabella giobbi


Na página ao lado, os corais, paixão da estilista, ganham destaque. Acima, as flores amarelas e objetos garimpados pelo mundo completam o mix da decoração. À dir., o espelho veneziano, de cerca de 500 anos, é herança de sua avó

Um xodó na sua sala de jantar são os pratos Fornasetti. “Comecei a comprar esses pratos quando eu era estudante na Itália. Foi um por vez. Até que consegui bastante”, olha orgulhosa para sua coleção. O quadro Cempasúchil, de Mauro Piva, presente de aniversário do marido, o galerista Eduardo Leme, também está entre seus itens preferidos. “É uma ode à vaidade, como se a flor amarela estivesse olhando num espelho.” E a cadeira de couro preto, de Vico Magistretti , inspirada em uma sela de cavalo, posiciona-se no centro do ambiente e completa o décor. Mesmo tendo peças únicas em sua casa, Isabella não se apega. “Gosto de casas boêmias, com móveis usados. Aqui todo mundo senta, põe o pé na mesa, apaga cigarro nos cinzeiros. Se quebrar, quebrou. A gente compra outro e se não comprar também não faz mal”, conta a designer mostrando seus cinzeiros espalhados pela casa. Casados há pouco mais de dois anos, Eduardo e Isabella moram em casas diferentes e imprimem seu estilo de decoração de forma independente. E ambos

terão o desafio de conciliar os gostos caso resolvam dividir o mesmo endereço. “Vamos ter que fazer um traço no chão e delimitar o espaço de cada um na hora de decorar. O Edu é superminimalista e eu sou o contrário. Mas nós adoramos quadros. Faltaria parede para pendurarmos todas as obras”, brinca. Como uma fiel integrante de um clã italiano, Isabella adora cozinhar. E sua especialidade é, lógico, massa! “Adoro fazer jantares para meus amigos. Sou especialista em pasta e risoto. Cozinho todo dia. Chego em casa e preparo o meu jantar e o da Catarina. Ela me ajuda no preparo e não vivo sem um escorredor de macarrão.” Entre obras de arte, revistas, lembranças de viagens e utensílios domésticos, Isabella organiza muito bem seu extraordinário caos particular.

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GENTE EXPLORA

O paraíso é aqui! Destino de luxo, St. Barth atrai turistas, como a relações-públicas carioca Patrícia Brandão, que buscam conforto e serviços exclusivos, além, claro, de belas paisagens por luciane angelo


Fotos Arquivo pessoal

Na página ao lado, a vista da marina de Gustavia. Nesta página, Patrícia Brandão curte a tarde em Baie des Flamands. Abaixo, o lounge das piscinas do Hotel Saint-Barth Isle De France e a natureza local

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Destino certo do jet set internacional – as tops Kate Moss e Naomi Campbell e a cantora Beyoncé são assíduas –, St. Barth, no Caribe, atrai turistas do mundo todo com sua temperatura que varia de 27 °C a 35 °C o ano inteiro. Foi para lá que a relações-públicas Patrícia Brandão seguiu para dias de dolce far niente. “St. Barth é, sem dúvida, a melhor ilha do Caribe. Um lugar tão espetacular que os moradores, mesmo os franceses, vivem de bom humor, são sorridentes.” Mas, além de exuberante, essa ilha tem história. Ela teve a primeira bandeira fincada em seu solo em 1493, por Cristóvão Colombo – o nome foi uma homenagem ao seu irmão Bartholomeu. Depois de muitas invasões de piratas, em 1784 a França cedeu Saint Barth à Suécia, de Gustavo III. Daí, surgiu o nome de sua capital, Gustavia. St. Barth, colônia sueca por mais de 100 anos, voltou ao domínio francês e tornou-se realmente famosa e exclusiva, em 1957, quando o bilionário americano David Rockefeller adquiriu uma propriedade, elevando a reputação da ilha e transformando-a em um destino turístico de luxo. E que luxo! As principais marcas do setor estão por lá. “Em St. Barth há de tudo: Louis Vuitton, Rolex, Dior. Mas minhas lojinhas preferidas são as charmosas Loli-

ta Jaca e Poupette, Human Steps, com uma seleção incrível de sandálias e bolsas de todas as marcas descoladas com ótimos preços e descontos.”

Dicas Da patrícia Ar livre

paladar de luxo E já que o local é convidativo para descansar, por que não comer também? Opções de alto nível não faltam. “Você saboreia uma variedade de pratos derivados da cozinha francesa ou uma deliciosa culinária caribenha. A gastronomia é considerada como uma arte de viver bem muito além do simples ‘comer para viver’.” E, carioca de bom gosto, Patrícia lista ótimas opções como o L’Isola (lisolastbarth.com), com receitas italianas; Le Restaurante des Pêcheurs (lesereno.com), que oferece peixes frescos servidos à beira da praia; e o Bagatelle St. Barts, com clima de brasserie. Todos os hotéis em St. Barth, embora com pequenas estruturas, asseguram tranquilidade e discrição a uma clientela de classe AAA. As diárias são elevadas, principalmente na alta temporada de dezembro a fevereiro. “Meu lugar na ilha, sem dúvida, é o Hotel Saint-Barth Isle De France. Você pode escolher se hospedar em quartos de luxo, com vista para o mar, ou no Jardim Tropical. No topo da propriedade há um Bungalow Hillside, tipo poder.”

“As belezas naturais sugerem, além de descanso, muitas atividades na água, como mergulho, pesca em alto-mar, e passeios de barco, jet ski e kite surf. O passeio de catamarã para assistir ao pôr do sol na Shell Beach, é inesquecível.”

ComprAs “A ilha é um paraíso para as compras de produtos de luxo, pois é isenta de taxas. Há grandes marcas, como Hermès, Cartier, Dior. Vá à Clic Gallery: Rue de la République - Gustavia.”

pArA fiCAr

“St. Barth é Sem dúvida a melhor ilha do CariBe. um lugar tão espetacular que oS moradoreS, meSmo oS franCeSeS, vivem de Bom humor, São SorridenteS.” Patrícia Brandão

“O Hotel Saint-Barth Isle De France é um dos meus preferidos. Está localizado em uma das mais belas praias, Baie des Flamands, a cinco minutos de carro do aeroporto e do centro de Gustavia. A vista é linda e o suco detox (na foto) que eles oferecem toda manhã é divino!”

Comer, Comer! “Bonito Restaurant é um dos redutos mais famosos da ilha. Conhecido por seus deliciosos ceviches e pratos de frutos do mar, você encontra o melhor Mari-Mari do Caribe. Bonito é o restaurante de referência em St. Barth, com uma vista deslumbrante para a enseada de Gustavia.” ilovebonito.com


A pista de aviões tão perto da água impressiona os turistas. À direita, o passeio pelo centro de Gustavia. Bugues e Mini Coopers são os carros mais usados para a locomoção por lá. Abaixo, a Clic Gallery, que é um mix de livraria e galeria. E, para finalizar, a Shell Beach, onde vale a pena ver o pôr do sol

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