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istoegente.com.br

PÓS-VERÃO: RESGATE A PELE E OS CABELOS IRMÃOS CAMPANA NO SP FASHION WEEK

FERNANDA YOUNG “o amor não é uma dor eterna” O BAÚ DE MILTON NASCIMENTO LEA T., SHIRLEY MALLMANN E ANA CLAUDIA MICHELS POR BOB WOLFENSON

MARÇO / 2013 ANO 13 Nº 695 > R$ 14,90 I S SN

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EXEMPLAR DE ASSINANTE VENDA PROIBIDA 9 7 7 1 5 1 6

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A BELEZA SEGUNDO HERCHCOVITCH o estilista traduz o belo e suas diferenças em um ensaio com

lea t., shirley mallmann e ana claudia michels


PORTFÓLIO

NA MIRA DE MiRO Aos 63 anos, Azemiro de Souza pinça alguns de seus retratos que ajudam a contar uma trajetória prestes à reinvenção. Miro sai de trás das lentes e mostra a sua cara, de novo. Afinal, fotografia também é arte de museu POR JÚLIA LEÃO / FOTOS MIRO

A exposição Máscaras consagrou Azemiro de Souza no cenário fotográfico brasileiro. Eram 40 estrelas sob seu olhar. “Nem existia a palavra celebridade, mas fotografei as pessoas que realmente aconteciam naquele momento”, conta Miro. De Marília Gabriela e Clodovil a Juscelino Kubitschek. “Não tinha produção alguma, era só um fundo preto. Seria a essência de cada um. A Maysa deu o que falar.” Durante a sessão de fotos, a cantora abriu uma garrafa de vodca e começou a tomar shots do drinque. Após algum tempo, ela, já bêbada, perguntava ao fotógrafo: “O que você quer de mim? Quer ver meus peitos?”, relembra o dono desse portfólio, com um sorriso puxado no lado esquerdo do rosto. Enquanto a artista falava, mostrava os seios e Miro clicava. Depois de alguns dias ele veio a descobrir que aquela angústia tinha um motivo. O filho de Maysa se casaria naquele fim de semana e ela não fora convidada.

Era meados dos anos 1970, quando o “Miro da publicidade” – como ficou conhecido – voltava de Paris com um portfólio repleto de beleza assinada para a Elle e a Vogue francesa, além dos contatos mais importantes da fotografia na agenda, como o de Peter Knapp, Helmut Newton e Sarah Moom. Após sete meses morando e trabalhando na França, chegou a São Paulo com a exposição dentro da pasta. “Vaidade. Esse seria o nome, até o jornalista Murilo Felisberto, meu amigo, me convencer a colocar o nome de Máscaras”, conta ele, sentado de pernas cruzadas, em uma cadeira de ferro, com o cigarro na ponta dos dedos, em seu estúdio na rua Turiassu, em São Paulo. “Depois do episódio da Maysa, não consegui colocar aquela foto dela na mostra. Não sei se por insegurança ou medo, coloquei uma mais convencional. Dizem que eu não sabia a dimensão do meu trabalho.” Além de Maysa, Clodovil também causou fris-


MAYSA | EXPOSIÇÃO MÁSCARAS | 1976 Istoé Gente

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EX P O S I ÇÃO P É RO L AS N EG RAS | SÃO PAULO | 20 12

MUB E | SÃO PAULO | 20 10


son durante o shooting. Só poderia ser fotografado de uma maneira: nu. “Acho que o nudismo daquela época era autoral. Hoje, acho vulgar. Perdeu-se a noção do que é um belo peito, uma bela perna e uma bela bunda”, afirma. Histórias que fazem parte de um portfólio e tanto. Miro é autodidata. Aos 20 anos de idade saiu de sua cidade natal, em Bebedouro, interior de São Paulo, para desbravar a capital paulista. Só havia brincado com uma câmera fotográfica uma única vez na vida. “Foi a de um amigo. Tirei duas fotos e não achei graça. Devolvi para ele”, relembra. Antes de chegar ao estúdio de José Daloia, na agência Standard Propaganda, onde arranjou seu primeiro estágio, ele trabalhou na relojoaria e joalheria do pai e serviu o Exército por um ano. “Acho que o dom de manusear artefatos puxei da minha família. E claro, esse olhar estético, deve ter vindo no gene também. Do Exército, deixei cravar na minha essência o perfeccionismo.” Com o tom de voz baixo e sem desviar o olhar de seu interlocutor, Miro explica como conseguiu encontrar equilíbrio entre a beleza ora irracional ora cartesiana em suas fotos de editoriais e propagandas. É craque em encontrar nuances sofisticadas em tudo que retrata. Ao longo de quase 40 anos de carreira, a percepção de seu alcance artístico elevou sua integridade autoral à máxima do talento nato. ame-o ou deixe-o em casa

“As pessoas acham que sou chapadérrimo, que fumo tudo, mas não. Falo assim porque não tenho a medida certa do tom de voz”, diz, explicando a lentidão. Aos 40 anos, descobriu que tinha tido otosclerose. Perdeu mais da metade da audição. Além dos ouvidos, ainda trata uma síndrome do pânico há mais de 30 anos. Mas só a autoanálise foi capaz de ajudá-lo a entender os passos de sua loucura genial. “Eu tinha uma maneira obsessiva de conduzir os trabalhos que pegava. Acompanhava desde a produção até a revelação e pintura das fotos. Virei refém das minhas próprias extravagâncias”, relembra. Certa vez estava fotografando Tânia Caldas para um comercial da Brastemp, e depois de analisar mais de 30 vezes, sem exageros, os flashes, Miro começou a clicar a atriz. Quando revelou os filmes, percebeu que as fotos não esta-

vam com a qualidade que queria. “Era uma campanha para a agência do Ênio Mainardi. Tinha que estar perfeita. Liguei para a Tânia, em off, e disse que tinha dado um pepino nas fotos. Convenci ela a vir novamente para São Paulo para refazer o comercial. Mas sem contar para ninguém. Paguei do meu bolso”, conta aos risos. No final deu tudo certo. “Já fiz isso várias vezes, o que gerou resultados antagônicos na minha carreira.” Apesar da perfeição, o atraso de trabalhos criou outra fama. “Perdi muitos jobs por conta disso. Não soube ganhar dinheiro. Essa aula faltei todos os dias na escola”, zomba de si mesmo.

”PERDEU-SE A NOÇÃO DO QUE É UM BELO PEITO, UMA BELA PERNA E UMA BELA BUNDA“ MIRO

intrigas da oposição

Na década de 1980, quando Miro vivia seus tempos áureos, surgiam também outros fotógrafos, que hoje dividem com ele o hall da fama. Em uma época onde o lema “paz e amor” era pregado a cada esquina, no mercado publicitário não era bem assim. “A publicidade cria uma concorrência forte entre os fotógrafos”, diz. Para ele, mais do que um sindicato, eram necessários encontros que favorecessem a profissão e a arte que produzem. “O Luiz Tripolli tentou colocar um piso para fotografarmos editoriais, mas como cada um pensa e trabalha de um jeito, não andamos para frente.” Nas palavras de Miro, fica-se estagnado. Com todo esse entorno, a competição só aumenta. “O que rola é que os próprios fotógrafos começaram a soltar gente no mercado, assistentes, que não se misturam. É uma panelinha, seja do Bob (Wolfenson), a minha ou do J.R. Duran.” as musas

Miro está sempre rodeado de mulheres. Já foi casado com Leda Senise, no início de sua carreira, com quem teve Marcela, hoje com 39 anos. Separou-se e em três meses trocava novas alianças e juras de amor com a mulher de sua vida, Gisela Porto, com quem está casado há 32 anos. Os dois tiveram Eduarda, hoje com 27 anos. “Minha eterna criança”, brinca ele. A admiração pelas mulheres é uma tônica que permeia seu trabalho. “Pessoalmente nunca vi duas mais belas que Vera Fischer e Luiza Brunet. Elas são lindas demais.” No mundo da moda, ele também tem sua pupila. O nome de Carol Trenti-

ni vem rápido. Para ele a melhor top no mercado. “Se você vê uma foto da Isabelli Fontana, não consegue tirar os olhos da cara dela. Modelo para mim é outra coisa”, explica. Segundo Miro, em editoriais, o que importa é a roupa, não quem a veste. E Carol sabe fazer isso com maestria. “A Gisele Bündchen já não é mais top model, ela é um ícone como a Naomi Campbell e a Kate Moss. Ela dá atitude para o produto e não o vende por si só.” E apesar de sua lista ser extensa, ele ainda tem três personalidades na sua wish list. Algo para acontecer antes que ele se aposente aos 90 anos: “Além do Ney Matogrosso, que é um sonho antigo, tem as atrizes Charlize Theron e a mais ítalo-brasileira do momento, Monica Bellucci.” o futuro a miro pertence

Low profile, Miro é a antítese do fotógrafo midiático. Desde a juventude, preferiu os momentos de solidão. “Achava melhor ficar fora da mídia. Gostava mais de ir às livrarias, sentar para ouvir música e ler revistas”, conta. Fontes de inspiração. Mas de uns tempos para cá, sua opinião mudou. Além de assinar campanhas políticas – Miro fez as fotos da ex-prefeita Marta Suplicy em sua segunda candidatura – ele aposta em novas exposições fotográficas. “Quero que as pessoas me conheçam, se lembrem que eu existo”, explica. A nova menina dos olhos de ouro é a mostra que está em cartaz no Museu Afro, em São Paulo, Pérolas Negras. Além dela, pretende montar ainda Renda-se, que vai abordar a manufatura nordestina. “As coisas se diluem com uma velocidade inexplicável. Viram nada. Por isso, depois de muitos anos fazendo o mesmo tipo de foto quero, hoje, ser outro artista. Por que não vender uma imagem por R$ 30mil?”, brinca. A cartada já foi dada. “Como diriam por aí: relaxa e goza”, conclui o fotógrafo. < Istoé Gente

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EX P O S I ÇÃO VAN IT ÉS | SÃO PAU LO | 19 89


FE RN ANDA TO RRES | Sテグ PAULO Istoテゥ Gente

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I SA B E LL A FI O R E N T I N O | T E M A C I N E M A – P E RSON AGEM DE AUDR EY HEP BUR N


CARO L RIBEIRO | Sテグ PAULO Istoテゥ Gente

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arte

CAMPANAS DO BRASIL Humberto e Fernando, os Irmãos Campana, assinam a cenografia da 35ª edição do São Paulo Fashion Week com materiais tipicamente brasileiros e contam como as aventuras da infância em Brotas (SP), entre cactos e bambus, ressurgem nas formas que eles imprimem no design POR Luciane angeLo / FOTO gabrieL cHiarasteLLi/ag. istoé Istoé Gente

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Cactos multiplicavam-se na fazenda em Brotas (SP), cidade onde Humberto e Fernando Campana cresceram e deram asas à imaginação em tardes solares cheias de travessuras, nos anos 1960. A inspiração brotava à noite, no escuro do Cinerama, sala de cinema cujo dono era um siciliano que lá morava e gostava de exibir filmes de arte. “Íamos ao cinema à noite e de dia nos divertíamos na natureza que rodeava nossa fazenda. Tínhamos o costume de brincar de recriar os cenários do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço usando os cactos e os bambus”, conta Humberto. “Quando éramos crianças construímos um universo pessoal, o que nos tornou criativos”, lembra Fernando. Da cena da infância dourada ao Olimpo do design a que pertencem hoje, no Brasil e no Exterior, passaram-se uns 40 anos. Mas, como um laço histórico e indissolúvel, os Irmãos Campana jamais perderam o fascínio pelos materiais naturais e recicláveis em seu trabalho. Ráfia, linha, plástico-bolha e tantos outros materiais antes desprezados pelo design tomaram formas únicas nas mãos dos Campana desde os anos 1990, muito antes do movimento eco-friendly. No mais novo projeto da dupla, a cenografia da 35ª edição do São Paulo Fashion Week, de 18 a 22 de março no prédio da Bienal, em São Paulo, os convidados poderão apreciar um pouco do conceito que consagrou a dupla no design mundial. O cenário do SPFW é um trabalho inspirado no Brasil, na sua natureza e na cultura indígena. “Utilizamos ráfia para cobrir os interiores e também madeira e cactos mandacaru com o intuito de levar o parque do Ibirapuera para dentro da Bienal”, diz Fernando. E não é que o cacto lá da infância em Brotas continua presente? E Humberto completa: “Há também papelão pintado com reflexos dourados para criar um contraste entre o glamour da moda e a pureza da natureza.” começo

A alternativa de utilizar materiais sustentáveis para imprimir personalidade nas obras assinadas tinha um sentido simples e objetivo: era uma saída para o baixo orçamento de que dispunham.“Quando começamos nossa carreira como designers, decidimos trabalhar com materiais baratos, uma vez que não podíamos pagar por matéria-prima cara. Hoje esta é uma escolha consciente, em razão das nossas preocupações com o meio ambiente”, reflete Fernando. Com o estúdio Campana montado em 1989 na capital paulista, era hora de decidir o futuro e trabalhar arduamente. “Foi um momento muito difícil, o telefone nunca tocava. Éramos só nós dois produzindo cada vez mais, mas sem ganhar nenhum dinheiro”, conta Humberto. Numa tarde, porém, a vida começou a mudar. O telefone tocou e era Massimo Morozzi, diretor de arte da empresa italiana de design Edra, interessado em produzir a cadeira Vermelha

“ÍAMOS AO CINEMA À NOITE E DE DIA NOS DIVERTÍAMOS NA NOSSA FAZENDA. BRINCÁVAMOS DE RECRIAR O FILME 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO USANDO CACTOS E BAMBUS” Humberto Campana


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Fotos Divulgação

”NO INÍCIO NÃO PODÍAMOS PAGAR POR MATÉRIA-PRIMA CARA. HOJE ESTA É UMA ESCOLHA CONSCIENTE, EM RAZÃO DAS PREOCUPAÇÕES COM O MEIO AMBIENTE” Fernando Campana Istoé Gente

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criada por eles. “A peça foi apresentada na feira de móveis de Milão em 1998, com uma incrível resposta dos compradores. Nossas vidas mudaram radicalmente a partir daquele dia”, conta Fernando. Antes de os dois se unirem, Humberto relutou em trabalhar com design e tentou até outra carreira nos tempos de faculdade. Cursou direito, enquanto Fernando optou de cara por arquitetura. “Eu realmente não estava destinado a ser advogado. Na verdade, eu era muito ruim e tive que encontrar outra coisa para ganhar a vida”, brinca Humberto, o irmão mais velho, hoje com 59 anos. Foi quando abriu um estúdio de artesanato e começou a criar objetos feitos com conchas para um amigo, no final dos anos 1970. Tempos depois, o caçula Fernando se interessou pela atividade de Humberto. “Um dia fui chamado apenas para ajudá-lo com as entregas e percebi que tinha muito o que realizar com meu irmão”, diz Fernando, 51 anos. Desde então, a parceria segue com sucesso. Deu tão certo que, quando se fala em Irmãos Campana, a sensação é de se tratar de uma só pessoa. Até a dupla sente isso. “Nós temos uma diferença de idade de oito anos, mas vivemos em simbiose. Às vezes, até aparecemos no estúdio usando roupas semelhantes. Nosso relacionamento é muito rico e apaixonante”, diz Fernando. Amigos, parceiros, cúmplices, cada um exerce sua função na hora da criação. “Eu sou mais intuitivo, enquanto Fernando é mais racional. Ele traz uma certa organização prática para o trabalho. Controla o meu caos”, confessa Humberto. A harmonia aliada ao talento deu forma à criações-ícones, como a cadeira Favela (1991), feita de sarrafos de madeira, e a Multidão (2002), de bonecas de pano nordestinas. As peças estão em exposição pelo mundo. Mas eles querem mais. Para essa dupla, que, nos primórdios exercitava a criatividade nas lúdicas casas de árvore e ganhou o mundo com criações tão originais, os sonhos não de-

Em sentido horário: Humberto em ação. Fernando pesquisa projetos. A cadeira Vermelha, primeira peça dos irmãos, que fez sucesso no mundo do design

vem ter limites. Eles se divertem imaginando que podiam criar uma máquina de desmaterialização humana. Se na infância um queria ser índio e o outro astronauta, brincando entre cactos que reproduziam o cenário do filme de Stanley Kubrick, exercitar o pensamento sonhador para o que poderiam ser hoje se não fossem designers tem lá sua função criativa. Aqui vai a resposta: Humberto diz que seria jardineiro e Fernando, pássaro ou avião. Quem sabe, a partir dessa confissão, não surge uma nova cadeira maravilhosa com a assinatura Irmãos Campana? Aguardem-os. <


GENTE ENTREVISTA

Fernanda, além da louca Tímida e espalhafatosa, a multifacetada Fernanda Young diz que não tem pudores para falar sobre sexo, mas tem mania de eternidade e dificuldade em dar o ponto final

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POR JOÃO LUIZ VIEIRA FOTOS PEDRO DIAS/AG. ISTOÉ / BELEZA CELSO FERRER/ABÁ MGT

“Quer uma cerveja? Adoro tomar uma em trailer. Sou maloqueira”, disparou a niteroiense Fernanda Young, 42 anos, assim que o repórter chegou a seu apartamento, um dúplex no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A cerveja na mão e o apartamento quebram e/ou reforçam lendas sobre a escritora, roteirista, apresentadora e atriz, funções que, aliás, ela executa quase ao mesmo tempo. O convite para bebericar derruba a tese, que os apressados compraram, de que é ela uma mulher de temperamento difícil. Ter personalidade forte e defender pontos de vista é ser complicada? Então tá. A casa não mente sobre sua dona: repleta de símbolos da cultura pop, ela é um invólucro perfeito para quem tatuou na pele referências musicais, cinematográficas e literárias. Há livros por todos os lados. De cara, avista-se um sobre Madonna, que não briga com o de Lady Gaga, e disputa o centro com The Beatles e Elvis Presley. Pendurado no teto, um par de All Star surrado. Encostada na parede, uma barbearia sem uso, assim como um telefone e máquina de escrever já maduros. Sem falar das dezenas de miniaturas de brinquedos e seus célebres autorretratos. Parece que mesmo sós havia uma multidão testemunhando nosso bate-papo. Mesmo em silêncio, é uma casa que conversa. Fernanda é meio isso, uma casa que conversa, sente prazer na vastidão e nos paradoxos. Ela tanto é mãe de quatro crianças artisticamente batizadas – três

“A GENTE VÊ O AMOR COMO UMA TRAMA QUE INCLUI REJEIÇÃO, TRAIÇÃO E O CONCEITO DE ETERNIDADE” meninas, as gêmeas Estela May e Cecília Madonna, 12 anos, Catarina Lakshimi, 4, e um menino, John Gopala, 3, e mulher do mesmo homem há duas décadas, o publicitário e roteirista Alexandre Machado –, quanto personagem despudorada. Daquelas que não ri – gargalha, dá entrevista descalça e, cercada por ela mesma, nua e enquadrada, bebe cerveja no gargalo e diz que cansou dos vivos. Agora só pensa em Bate-Papo com o Além, seu novo projeto, desta vez para a internet.


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“MINHA TIMIDEZ É TÃO GRANDE QUE COMECEI A ME FOTOGRAFAR” Gente – Você apresentou e roteirizou dois programas sobre o fim do mundo – Confissões do Apocalipse, no GNT, e Como Aproveitar o Fim do Mundo, na Globo – que acabaram. O mundo, porém, continuou depois de 21 de dezembro. E agora? Fernanda Young – Ele acabou de certa maneira. É que as pessoas não têm um pensamento circular. A imaginação é sempre linear. Teve uma história que o mundo ia acabar no Rock in Rio 1, e eu não fui por causa disso. Minha mãe não deixou. Tinha até os convites que um boyzinho me deu, mas não fui porque Nostradamus previu que ia acabar lá. (ri) O fato é que as coisas acabam e recomeçam, é a tal da lei do retorno. Tem de finalizar pra renascer. É que nós, ocidentais, não gostamos do termo morte. Eu tenho muitos problemas a respeito de términos. Talvez meu casamento seja muito longevo por causa disso. Tenho dificuldade de terminar com as pessoas. Tenho mania de eternidade. O fato é que o mundo está em transformação plena, com mudanças coletivas importantes que também pedem leituras internas. É uma época muito interessante. Nem um pouco fácil. Gente – O que pretende fazer este ano? Fernanda – Quero atuar, fazer comédia. Estou um pouco impaciente com entrevistas. Só quero entrevistar agora gente morta. Esse é o mote do meu novo programa, só que pra internet porque, infelizmente, nenhum canal teria coragem para isso. Chama-se Bate-Papo com o Além e terá duas médiuns e um convidado. Eu serei Rúbia, a outra, Alma (a estilista Carolina Glidden-Gannon). Quero trazer Chanel, Clarice Lispector, Cazuza, Vinicius de Moraes. Tem muita gente interessante morta com quem conversar. Elas viriam através do copo. (ri) Isso ressurgiu com as minhas filhas. Todo mundo brincou de copo, né? Tipo “quem está aí?” Morria de medo. Perguntava se ia ficar com fulano, se é espírito de luz. Aqui neste apartamento deve ter um monte de gente morta. É antigo à beça! Tudo meu é antigo. Aquela barbearia, que é do século passado, tava no meu quarto, mas achei que ela tinha espírito obsessor, comecei a ter pesadelos, e a coloquei na

sala. Diz um amigo meu que minha casa é autorreferente. Não é. Essas fotos (mostra a dúzia de imagens nas quais ela aparece pelas paredes da sala de estar), por exemplo. Meu maior prazer foi ter sido fotografada por grandes nomes. O fato é que foi um golpe que dei neles, né? Eles estavam me clicando, mas, na verdade, queria uma foto de cada um. Poderia ser uma paisagem, por acaso sou eu. Gente – Você também se fotografa muito. É prazer ou egocentrismo? Fernanda – Sou tímida. Se não fosse escritora, seria fotógrafa, mas não consigo tirar foto de alguém sem prepará-la, avisá-la antes. Minha timidez é tão grande que eu comecei a me fotografar. Tenho muitos autorretratos, alguns comigo chorando. Acho uma maneira ótima de tentar se enxergar, mas comecei por pura timidez. Tenho referência forte da Frida Khalo. Às vezes até me visto como ela, só que de maneira punk. Ela é monotemática como eu, só fala sobre o amor. E eu também só falo sobre o amor na minha literatura, e ela é ferida. Muitas vezes me sinto muito ferida, embora não tenha passado pelas dores físicas pelas quais ela passou. Gente – Qual trabalho seu foi o mais doloroso de realizar? Fernanda – Esse das noivas (A Louca Debaixo do Branco, Editora Rocco). Foram dois anos até concluir. Eu me vesti como 100 noivas diferentes, tendo equipe mínima comigo. Tinha dia que vestia cinco figurinos para um só fotógrafo. Convivi, por baixo, com 100 pessoas. Vendo o trabalho hoje, talvez não tivesse feito. Minha vantagem em relação aos meus trabalhos talvez seja minha ignorância. Acredito na teoria quantitativa. Quanto mais coisas você fizer, mais

chance terá de acertar. Não é que consigo fazer tudo que quero e nem tudo que faço é bom, mas eu vou tentar ao máximo. O livro parece egoico, mas não é. Eu questiono o que está por baixo do branco, da perfeição. Há sempre alguém com medo, ferido, com raiva. Nós somos feitos de sentimentos opostos. Gente – Você diz que A Louca Debaixo do Branco, de certa forma, é a construção do amor. Em sua obra, a busca do romance é mais forte que o sexo. Para você o que é uma coisa e o que é a outra? Onde você sente mais prazer? Fernanda – A minha obra, dizem, é muito erótica. Agora querem me publicar em Portugal de novo por causa dessa onda dos não sei quantos tons de não sei o quê. O fato é que nunca quis ser conhecida como tal. Não tenho pudores em falar sobre sexo se os personagens estiverem envolvidos com isso na trama. Não acho que seja um assunto divertido, é engraçado para introduzir questões. Toda a psicanálise vem desse princípio. O amor é mais complexo. Ele é um olhar cultural. É uma criação nossa. E somos induzidos ao estágio do amor romântico. É muito difícil para nós pensarmos no amor sem a competitividade, o ciúme, a possessividade, sem esses sentimentos primitivos. A gente vê o amor como uma trama que inclui rejeição, traição e o conceito de eternidade. Tudo muito impossível de ser cumprido, tudo fadado a uma grande decepção. Tenho muita compaixão por pessoas que sofrem por amor. Ele não é fácil. Mas parece que a dor é eterna. Só que não é. <

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Gente EM CASA

Almofada em algodão

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DOLCE VITTA Consuelo Blocker abre seu apartamento em uma autêntica villa em Florença, na Itália. A construção histórica pertenceu a Américo Vespúcio

Arquitetura Décor Design Garimpo Estética Lifestyle Paisagismo Arte em casa •

Foto Roberto Leone/Divulgação

A blogger Consuelo Blocker no jardim de sua casa, repleto de oliveiras, na Toscana

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Construída no século 19, a casa de Iuri Sarmento, em Salvador, foi totalmente restaurada pelas mãos do artista plástico, que resgatou a pintura original da época nos espaços principais, como a sala de jantar


Gente EM CASA POR SILVIANE NENO

Sob o céu da Toscana Uma autêntica villa florentina, que pertenceu à família do navegador e explorador italiano Américo Vespúcio, abriga a casa de Consuelo Blocker. É aqui, em meio às paisagens da Toscana, que a blogger escreve sobre moda, lifestyle e afins bem ao seu estilo REPORTAGEM BIANCA ZARAMELLA, DE FLORENÇA / FOTOS ROBERTO LEONE

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“NASCI, CRESCI E CASEI EM FAMÍLIAS QUE RESPIRAM E PRODUZEM MODA” Consuelo Blocker

Tela do artista plástico carioca Eduardo Suede

PREÇO SOB CONSULTA www.escritoriodearte.com.br


Uma estrada estreita cercada pela vegetação típica da Toscana leva ao paraíso particular de Consuelo Blocker. O lugar, entre as belíssimas colinas florentinas tem valor histórico curioso. O edifício, com jeito de villa italiana, foi construído no século XV pela família do famoso navegador e explorador Américo Vespúcio para abrigar sua enorme estufa de plantas durante o rigoroso inverno da região. Cercada por oliveiras centenárias e um pôr do sol deslumbrante, foi ali que Consuelo encontrou o cenário ideal para morar e escrever os posts de seu blog de lifestyle, o consueloblog.com. O faro para escolhas de bom gosto vem de berço. Consuelo é filha de Costanza Pascolato, que dispensa apresentações quando o assunto é moda e elegância. Consuelo cresceu entre o Brasil e a Itália, país de origem da mãe. Nascida em São Paulo, ela conta que era impossível não refletir em casa o olhar estético apurado da família. “Nasci, cresci e casei em famílias que respiram e produzem moda (Tecelagem Santaconstancia e Magliaria BP Studio). Do lado do meu pai, apesar Istoé Gente

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Consuelo posa ao lado do namorado, o fot贸grafo Roberto Leone, no alto de uma colina em Floren莽a


Uma estrada ladeada por árvores centenárias leva à entrada da villa onde mora a blogger. À esquerda, a biblioteca abriga a coleção de livros, retratos de família e os trabalhos de escola dos filhos Cosimo, 19 anos, e Allegra, 16.

de ser business, também há um profundo respeito e admiração pela estética e qualidade”, explica. Estamos num daqueles dias em que o sol ajuda a amenizar o friozinho do início de outono e as árvores centenárias que cercam a estrada já nos dava uma prévia do que íamos encontrar pela frente. “Este prédio tem um valor arquitetônico muito importante. Era chamado de Limonaia, ou seja, era o espaço que abrigava os pés de limão que deveriam ficar expostos ao sul por conta do sol”, conta Consuelo ao receber Gente em sua casa, ao lado do namorado, o fotógrafo Roberto Leone, que assina as fotos desta reportagem. Ela explica que, com o passar do tempo, o espaço teve suas alas restauradas, modernizadas internamente e foi dividido em quatro partes dando origem a elegantes apartamentos com vista para as colinas da região. Consuelo mora ali há pouco mais de 20 anos, com os filhos Cosimo, 19, e Allegra, 16, de seu primeiro casamento com o empresário Francesco Barrontini. “Logo depois que me separei, refiz toda a decoração com a ajuda de Cristina Allegri, decoradora de São Paulo. A maioria dos móveis foi herdada do meu pai, como estes

sofás brancos bem profundos em que adoro tomar café”, diz antes de começar a preparar a bebida quentinha em sua pequena cozinha. “Impossível não se render à Toscana. Já fotografei quase tudo por aqui. Veja os pinhos! São mais de mil, e todos são contados e protegidos pelo Estado italiano”, explica. O apartamento é aconchegante e solar. Por causa da luz ela explica que optou por tons claros para dar maior dimensão ao espaço. Um de seus locais preferidos é a pequena biblioteca onde guarda os livros que adquiriu ao longo dos anos e uma capa da revista Interview, que ganhou do próprio Andy Warhol. “Eu morava em Nova York em 1986 e era comum vê-lo andando com exemplares debaixo do braço. Me encontrei com ele em frente à Bloomingdale's e pedi uma revista. Andy assinou e me deu esta aqui”, mostra. As prateleiras também guardam os porta-retratos da família e trabalhos que os filhos fizeram na escola. “Sou primeiro mãe, depois blogueira. Tam-

bém adoro meu trabalho com a Santaconstancia, nossa tecelagem que fica no Brasil, e ainda acompanho minha mãe nas semanas de moda o ano todo.” O toque brasileiro também passeia por ali. Nas paredes, telas do carioca Eduardo Suede, um de seus artistas preferidos. “Esses quadros são estranhos para quem é de Florença. Eles geralmente preferem aqueles datados de 1800, mas eu gosto dos brasileiros. Também tenho vasos do Xingu”, conta, acomodada em várias almofadas coloridas, Pucci e Etro, que ganhou em muitos desfiles de moda. “Sei que sou privilegiada e acho que dividir isso com as pessoas é transferir conhecimento. Procuro ser real e amo compartilhar informações.” Mezzo brasileira mezzo florentina, Consuelo diz que o lifestyle acompanha o modo leve e divertido dos que sabem viver ali: “Se for com um vinho e uma bella pasta, melhor ainda!”, brinca. < Istoé Gente

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GENTE EXPLORA

Nos passos de

CLEÓPATRA A curiosidade pela cultura milenar da Jordânia levou a modelo Annelyse Schoenberger a conhecer a beleza dos desertos e mares do país exótico. De quebra, a top trouxe na bagagem a memória da melhor viagem de sua vida POR JÚLIA LEÃO / FOTOS ARQUIVO PESSOAL


Petra, a cidades das pedras, é famosa também por sua beleza noturna. Abaixo, Annelyse aproveitou a tarde no deserto de Wadi Rum para fazer um passeio de camelo. Ao lado, panorâmica do Mar Morto

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Cleópatra já foi figurinha assídua da Jordânia. A rainha abusava dos tratamentos naturais, oferecidos in natura no Mar Morto, para manter sua pele, de beleza memorável, sempre jovem. Depois dela, centenas de anos depois, o destino virou hot spot de novas princesas, que buscam em suas férias um centro afastado do Velho Continente com resorts de luxo e serviço discreto. Oficialmente chamado Reino Hachemita da Jordânia, cercado por Síria, Iraque, Arábia Saudita e Israel, o país é um destino exótico que barganha sua localização conflituosa com o turismo de aventura, espiritual e de embelezamento. Acostumada com o eixo Paris-MilãoNova York, a top model Annelyse Schoenberger logo se entusiasmou com a possibilidade de conhecer o país, aproveitando uma viagem de trabalho. Com a equipe da MOB, ela mergulhou por uma semana no único território do Oriente Médio que não está em guerra desde o ano 2000. “Ele não tem petróleo, então não oferece ameaça ou interesse aos vizinhos. Sua joia rara é a beleza do ecossistema e da geografia, o que não se pode permutar”, explica a modelo. Foram seis dias sendo clicada para a nova coleção da marca. E, apesar da rotina cheia de compromissos, curiosa, ela arranjou tempo para conhecer a confluência entre a natureza do deserto e os tratamentos rejuvenescedores que só o local oferece. paraíso cosmopolita

O tour da modelo começou em Aqaba, cidade costeira. A principal atração é o Mar Vermelho, cartão-postal do povoado. Historicamente conhecido por sua espiritualidade (de acordo com a Bíblia, Moisés o dividiu em dois para o povo judeu atravessar em fuga do Egito), foi o refresco para Annelyse. “Dei alguns mergulhos. Se ele é místico ou não, impossível afirmar. Só sei que me senti renovada”, revela. Lá, ela conta que viu a religião islâmica de maneira mais veemente em todo o percurso. Todos os dias era acordada com as orações às cinco horas da manhã. “O país é muito machista. As

mulheres só podiam rezar a partir das 5h30. A sonoridade era tão alta que ficava impossível voltar a dormir.” Extremamente turístico, o destino saltou aos olhos de Annelyse. Além das feirinhas de rua, a gastronomia levantina (como é chamada a cozinha da Jordânia) foi um deleite à parte na viagem da top. “Além das carnes, frutos do mar, pastas frescas e especiarias, a abundância de legumes no cardápio me chamou muita atenção. Adorei.” céu rasante

Impossível visitar a Jordânia e não passar por Petra, Mar Morto e o deserto de Wadi Rum, também conhecido como o Vale da Lua. Tombada pela Unesco, a cidade em pedras é uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. “O tom terroso, as mulheres de burca e o céu azul transformam o local, que é extremamente humilde, em um baú de tesouro”, conta Annaelyse. De lá, ela seguiu para o oásis da beleza. Hospedada no Mövenpick Resort, a top experimentou os tratamentos de climatoterapia, helioterapia e talassoterapia do spa. “Além das massagens, mergulhar em uma piscina dentro do seu hotel , com a água do Mar Morto, não tem preço”, ressalta. Annelyse não deixou de fazer turismo de aventura. No Vale da Lua, além de andar de camelo e fazer um tour pelas dunas, a top teve sua primeira experiência de camping. “Nunca vi um céu tão iluminado como o da noite que passei no acampamento beduíno. Uma experiência inigualável.” <

DICAS DE ANNELYSE passeios Além do Mar Vermelho, em Aqaba, e do Mar Morto, não deixe de visitar o deserto de Wadi Rum. A 1.750 m acima do nível do mar, o turismo de aventura, como hikking e trekking nas formações rochosas – que vêm sendo esculpidas pela ação do vento –, são imperdíveis. Não deixe de reservar uma noite em um acampamento beduíno. O céu e a experiência são mágicos. onde comer A cozinha do Oriente Médio é extremamente rica. Impossível visitar a Jordânia e não reservar um jantar no Petra Kitchen. Você pode pedir o menu normal, com os pratos típicos da região – como o Sish Kabab – ou desfrutar de uma noite gastronômica, na qual, além de aprender sobre as comidas levantinas, você cozinha seu próprio prato.

durma como a cleópatra do séc. xxi Situado às margens do Mar Morto, o Mövenpick Resort SPA Dead Sea é um cincoestrelas que esbanja a tradição da hotelaria suíça em um território de civilizações fenícias, gregas e romanas. Além das luxuosas suítes, destaque para as 24 salas de tratamento especiais. As piscinas e as termas são um deleite à parte. é bom saber Como o país tem uma tradição machista muito forte, não é comum ver mulheres passeando sozinhas, principalmente à noite – quando o cenário local é extremamente masculino. Prefira calças compridas e blusas sem decotes. Vale sempre ter um lenço na bolsa, para cobrir a cabeça quando entrar em um templo.


A top visitou os templos construídos nas falésias de Petra. Abaixo, ela e o beauty artist Lavoisier posam para a foto

Durante a tarde, ela aproveitou para relaxar no Mar Morto

O tratamento com lama fez parte do seu dia de beleza. Ao lado, a top no jantar em que aprendeu a fazer comida típica da Jordânia, no restaurante Petra Kitchen


GASTRONOMIA

À moda do chef Com uma infinidade de ingredientes disponíveis e a responsabilidade de elaborar os cardápios para quatro casas em São Paulo, o chef Leo Botto criou, especialmente para Gente, um único prato que fosse capaz de refletir todo seu estilo. O resultado provou, mais uma vez, que simplicidade nunca sai de moda POR MARINA ROSSI / FOTOS RAFAEL HUPSEL/AG. ISTOÉ

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Assim como as passarelas apresentam, de temporada em temporada, o que estará nas ruas na próxima estação, a gastronomia também tem suas tendências. Porém, diferentemente da complexidade dos looks desfilados, a moda gastronômica pode ser traduzida em fórmulas bem simples. O que está em alta na gastronomia hoje? Para responder a essa difícil pergunta, fomos atrás de um dos chefs mais fashion no País, Leo Botto, para que ele nos contasse alguns dos segredos que agradam aos mais antenados paladares. “Não sigo modismos na cozinha”, avisou o chef, enquanto preparava um polvo grelhado com legumes orgânicos na chapa. “Mas a discussão dos alimentos orgânicos, por exemplo, está na moda”, disse. A preocupação em escolher ingredientes com procedência, livres de agrotóxicos, e que foram elaborados com consciência ambiental e social, é uma tendência que tem chegado aos poucos às mesas mundo afora. “Em cinco anos, meu fornecedor, que antes atendia dois restaurantes, hoje trabalha para 35 casas”, diz Leo, sobre a fazenda no interior de São Paulo que fornece parte dos alimentos orgânicos utilizados nos cardápios das casas do Grupo Chez. Mas para ele isso não é novidade. “Já faz cinco anos que trabalhamos com esses ingredientes.” Leo é um dos sócios e o chef responsável pela cozinha das quatro casas do Grupo Chez: o Bar Secreto, a Casa Nero, o Chez Lorena e o Chez Mis, todas em São Pau<<

lo. Além dos espaços, a empresa franco-brasileira composta por cinco sócios também é ligada à fazenda fornecedora de alguns ingredientes orgânicos que vão parar nos menus do profissional, o que reforça a preocupação do grupo com essa tendência que, pelo jeito, não deve sair de moda tão cedo. Para ele, a grande sacada na cozinha é “tirar o melhor do produto”. E sem restrições. “O cozinheiro tem a obrigação de cozinhar de tudo e com respeito. É uma obrigação social”, diz Leo, que escolheu um prato simples para traduzir o seu próprio estilo. “O polvo é superfotogênico e tem charme. Além disso, o prato tem cores fortes e os ingredientes da fazenda.” Segundo a filosofia de Leo Botto, é essa mistura de ingredientes e sabores mais a preocupação com a procedência e a qualidade dos alimentos que se destacam na gastronomia. Por outro lado, assim como o tomate seco, também existem outros ingredientes não muito queridos no momento. “Mascarar uma receita, dar um olhar errado a um ingrediente, isso está fora de moda”, diz. “Não precisa ter muita interação. Se você tiver um bom sal, um bom azeite, já está bom. Na cozinha, menos é mais.” <

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“SE VOCÊ TIVER UM BOM SAL, UM BOM AZEITE, JÁ ESTÁ BOM. NA COZINHA, MENOS É MAIS“ Leo Botto , chef

POLVO À LA PLANCHA 140 gramas de polvo cozido (mais ou menos duas pernas); 3 cenouras baby; 3 ervilhastortas; ½ tomate italiano orgânico; 110 gramas de batata-doce assada; folhas novas de cenoura picadas grosseiramente; ¼ de flor de sal; 2 rodadas de pimenta do reino; 2 dentes de alho; 1 folha de louro Preparo do polvo Numa panela grande, com água até a metade, colocar dois dentes de alho, uma folha de louro, levar à fervura e mergulhar o polvo inteiro por 3 vezes. Na última vez, deixar o polvo na água em fogo médio, cozinhando por 40 minutos. Retirar, cortar os tentáculos, limpar com um pano a pele que envolve as pernas e reservar. Preparo do aioli 1 colher de chá de alho bem esmagado; ¼ colher de chá de sal grosso moído; 1 xícara de azeite extra; 1 colher de chá de suco de limão queimado; 1 colher de chá de água gelada; ½ colher de chá de suco de limão-siciliano; 1 colher de chá de suco de laranja. Em um bowl bata com o fuet o alho com o azeite em fios até engrossar. Ainda batendo, junte os sucos e a água. (Rende 7 porções) Preparo do prato Numa chapa ou frigideira quente coloque um fio de azeite, o tomate, a cenoura, a batata e o polvo até obter crosta dos dois lados. Quando estiver quase pronto, junte a ervilha-torta para dourar. Sirva em uma travessa grande abrindo todos os vegetais e tempere com flor de sal, pimenta-do-reino, rama da cenoura picada grosseiramente e finalize com um fio de azeite extravirgem e o aioli.


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