joss stone e seus 10 anos de carreira: “Hoje sou dona do meu nariz”
istoegente.com.br
na quinta-feira 8, a cantora foi à favela do cantagalo, no Rio
Fashion Rio: moda, RodRigo lombaRdi e a gaRota que leiloou a viRgindade mamãe é angel! alessandRa ambRósio e outRas tops bRasileiRas que têm filhos bRilham no desfile da victoRia’s secRet
lady gaga no Brasil
ela jogou FuteBol na Favela e comeu chuRRasco antes do show no Rio
flávia alessandra
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I S SN
Aos 38 anos, a atriz inaugura em janeiro de 2013 uma estátua em sua homenagem na orla de Arraial do Cabo (RJ), conta as influências do pai militar na sua educação e as aventuras de viver uma tenente na novela Salve Jorge
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Musa para sempre
12/nov/2012
ano 13 n° 688
R$ 9,90
Capa
A nossa
Brigitte Bardot Flávia alessandra, a tenente Érica da novela salve Jorge, da
Globo, está prestes a entrar para o seleto hall das personalidades eternas. Tal como aconteceu com a musa francesa do cinema em Búzios (rJ), a atriz vira nome de praia e ganhará estátua de bronze em arraial do Cabo, no norte fluminense. ela abre aqui mais de sua intimidade e fala do amor pelas filhas, da vaidade aos 38 anos e da importância do sexo no seu casamento POR Laís Gomes fOtOS aLê de souza
Capa
• O que Brigitte Bardot e Flávia Alessandra têm em comum? Além de lindas, ícones de beleza de suas gerações, atrizes talentosas e loiras, ambas ganharam estátuas em sua homenagem. Pois é, em janeiro do ano que vem, a brasileira terá sua figura esculpida em bronze na Praia Grande, a principal de Arraial do Cabo, balneário a 170 quilômetros do Rio de Janeiro. A coincidência é ainda maior: tal e qual Brigitte, eternizada em Búzios com sua figura em bronze e batizando uma das praias locais, Flávia também virou nome de praia – Orla Flávia Alessandra – e terá sua obra de arte assinada pela mesma artista plástica que retratou a francesa, Christina Motta. “O mais legal é que a Praia Grande era onde eu frequentava na minha adolescência. É um momento emocionante para mim. Sou nova e já recebi uma homenagem assim. Acho isso o máximo!”, vibra Flavia, carioca de nascimento, mas que passou a infância e a adolescência em Arraial, cidade natal de sua mãe, Rachel, e onde a família tem uma casa de veraneio e uma pousada. Envaidecida, ela suspira pela ótima fase que vive. Colhe os frutos de uma carreira sólida de 23 anos – com 17 novelas – e aventura-se no folhetim das 21h da Globo como uma tenente do Exército. Para viver Érica, a atriz precisou treinar tiro e pilotar veículos blindados em um quartel. Missão impossível? Que nada, ainda mais para ela, filha de um comandante de navio mercante cuja formação militar serviu de mastro principal na educação da atriz, nascida no interior do Rio. Em casa, outra situação sólida: seis anos de casada com o ator Otaviano Costa, duas filhas – Giulia, 12, e Olivia, 3 (a primeira, filha dela com o diretor Marcos Paulo, com quem fora casada por seis anos) – e a conquista de um certo equilíbrio na vida à dois. Explicando: aos 38, ela quer ver as filhas crescerem e manter o alto-astral na relação com o marido. Aquela coisa da paixão, está acesa sim, mas parece não ser o que mais aquece o amor do casal. Por exemplo, sobre
sexo, Flávia – um sex symbol da tevê que posou nua por duas vezes para revistas masculinas – acredita que o sexo não é o mais importante no casamento. Não no seu. “Não é o que pesa mais. Mas tem um peso bastante importante (risos)”, confessa. Flávia fala desta e de outras particularidades na entrevista franca que concedeu à Gente. É firme ao falar sobre a relação com a filha adolescente. Solidária quando apoia dividir a cena com o marido na mesma novela. Bem-humorada ao negar o fetiche por homem de farda – e seus colegas de elenco ficam “imponentes” de boina e coturno, segundo ela. Orgulhosa ao retratar o pai militar. E doce ao falar da amiga Adriana Esteves, a quem venceu em um concurso de interpretação no Domingão do Faustão, em 1989. Flávia é generosa, “gente fina”, como se diz. Sorte de Arraial. • É verdade que deram seu nome a uma praia em Arraial do Cabo (RJ)? • Flávia Alessandra. Pois é (suspira). Eles me fizeram uma homenagem linda! A orla já foi inaugurada, mas ainda falta inaugurar a escultura. Será uma escultura linda, da mesma artista plástica que fez a estátua da Brigitte Bardot, em Búzios. A Praia Grande foi batizada de “Orla Flávia Alessandra”. O mais legal é que a Praia Grande era a praia que eu frequentava na minha adolescência. Por tudo isso, este momento é emocionante para mim. Sou nova e já recebi uma homenagem assim. Acho isso o máximo! • Em Salve Jorge, você interpreta uma militar, a tenente Érica. Como faz para se manter feminina usando a farda? • Estive em Curitiba, num evento da novela realizado num quartel. E lá eu conheci a tenente Fernanda. Ela estava de uniforme e de boina, mas usava um lindo coque, rímel, delineador preto, unhas pintadas, blush, batom rosa e brincos. Ela é a prova de que não existe isso de as mulheres serem masculinizadas por estar de farda.
• Você compartilha da opinião de que homem de farda fica sexy? • Nunca tive essa visão porque meu pai é militar. E seria difícil achar meu pai sexy. Só Freud explicaria (risos). Mas acho que a farda dá uma imponência à pessoa. Os atores do nosso núcleo, por exemplo. Quando estão de farda, é uma loucura. Eu e as outras atrizes olhamos e dizemos: “Caramba! Está demais!” Daí, quando a gente saía à noite e eles aparecem de jeans e camisa polo... Sinceramente, não é a mesma coisa. Não por esse olhar sexy, mas pela imponência. • Já namorou algum militar? • Não. Estudei em colégio militar, mas nunca namorei um. Tive apenas paqueras de infância, mas nada sério. • Fez algum treinamento para a novela? • Sim. Fomos ao regimento da cavalaria, em Deodoro (zona oeste do Rio). Vimos como é a preparação que os militares fazem na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde passamos cinco dias, num hotel militar. No regimento, eram 1.800 homens para cinco mulheres. Você pode imaginar como eles ficavam “animados” (risos). A gente dormia no hotel, mas saía às 5h30 da manhã para a Aman. Ali, tomávamos café da manhã, fazíamos a marcha, o treinamento físico. Tudo de verdade. • O que você fez que achou mais interessante? • Pilotar blindado e dar tiros, que são coisas que nunca imaginei fazer na vida. É muita adrenalina. Além disso, como Érica é uma veterinária, aprendi a examinar os animais, como cachorro e cavalo, e a saber como proceder numa cirurgia. A Aman, em Resende, tem um hospital que é referência na especialidade. Também tive aulas de montaria e aprendi a me relacionar com os cavalos, como devo me aproximar deles. Virei uma encantadora de cavalos (risos).
Top Cori Vintage e hot pants Adriana Degreas
‘‘A orla já foi inaugurada (com o meu nome), mas ainda falta a escultura. Eles me fizeram uma homenagem linda!’’
Capa
14/01/2011
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Nesta página: body Alexandre Herchcovitch. Na página oposta, blazer Thierry Mugler vintage para Ateliê Carioca, hot pants Adriana Degreas e botas Martin Margiela para Casa Juisi
Capa
• Essa é a terceira novela onde você atua ao lado do seu marido, Otaviano Costa. Você tem dado dicas a ele? Qual o lado bom e o ruim de trabalhar juntos? • Nós conversamos sobre uma cena quando ela é mais difícil, trocamos palpites. O lado bom é que entramos de férias juntos (risos). O lado ruim não tem. • Você está casada há seis anos. Como faz para manter a relação aquecida? • A gente pula o muro (risos). Brincadeira. Acho que o segredo é que o Otaviano é muito alto-astral. Para nós dois, o humor está acima de tudo. Nós sempre dizemos que nossa relação não foi amor à primeira vista. Foi humor à primeira vista. De resto, além do amor, claro, acredito que é preciso ter cumplicidade, respeito, carinho e companheirismo. • E como fica o sexo nessa fase do casamento? • Seis anos é muito pouco! O problema é num caso como o da minha mãe, casada há 45 anos. Ela me diz: “É por isso que eu falo: a gente tem de botar silicone numa certa idade, para segurar. Imagina seu pai com a mesma mulher há 45 anos?” Aí deve ser difícil... • Qual a importância do sexo na relação? • Para alguns casais, conta mais colo e carinho. Para outros, o sexo é mais importante. • E no seu casamento? • Na nossa relação, o sexo não é o que pesa mais. Mas é bem importante (risos). • Você sempre chamou a atenção do público pelo corpo perfeita. Como faz para manter a forma aos 38 anos e duas filhas? • Controlo a alimentação e malho muito. É a única receita que dá certo. Malho três vezes por semana e controlo a boca. Até gosto de comida pesada, mas não dá. Fico na salada, arroz integral, feijão. E evito fritura.
• Você já posou nua duas vezes, em 2006 e em 2009. Faria de novo? • Recebi um convite recentemente, mas não tenho mais vontade. Fiz as outras duas vezes porque tinha vontade. Acho bonito. Queria que acontecesse quando eu já tivesse uma carreira estabelecida. Foi um sonho realizado. Desde menina eu falava que, um dia, posaria para aquela revista. Meu pai ficava doido (risos). Fiz o primeiro ensaio no mar, uma homenagem ao meu pai e ao meu avô, que era mergulhador. • Você se considera um símbolo sexual? • Eu nunca olhei por esse lado. Nunca construí minha carreira para isso. Fiz papéis que aconteceram dessa forma, sem premeditar. • Sua educação foi rígida por ter um pai militar? • Meu pai era comandante de navio da Marinha Mercante e nada conservador. Ele sempre me apoiou a ser atriz. Tem uma visão aberta, me ensinou viver com consciência e pés no chão. Talvez eu tenha um lado metódico, de organização de contas, de documentos e de contar sempre que o pior pode acontecer, o que é uma estratégia do universo militar. • E como você é com a educação de suas filhas, Giulia e Olivia? • No mundo de hoje, é difícil dar a elas a liberdade que eu tive. Mas não quero que vivam numa redoma. Por isso que Arraial do Cabo é uma fuga muito boa. Giulia ama ir para lá: vai a praia sozinha, fica até meianoite na pracinha com as amigas, coisa que no Rio não dá para deixar. Sou rigorosa na hora que tem de ser, de exigir estudo, resultado final. Mas, quando dá, sou mais leve. • Conversam sobre sexo, violência, drogas? • Sim. Falo para ela guardar o celular na bolsinha, não dar bandeira, não sair de relógio. Aos poucos, dou a responsabilidade e a liberdade para ela ter noção. Mas fico com o co-
ração na mão. Infelizmente, a droga faz parte do universo. Nossa novela está tratando do tráfico de pessoas, algo que acontece quando as meninas vão viajar, mesmo as de classe média. A Giulia está com planos de viajar nas férias, com uma amiga, para fazer intercâmbio. Daí, botei o filme Busca Implacável para ela assistir (o filme fala sobre tráfico de moças). Tipo tratamento de choque. • Como você ficou depois da maternidade? • Preenchida, completa, mais feliz. Minhas filhas são a razão da minha vida. Depois que a gente tem filho, a gente se move por ele. • Sua estreia na tevê foi em 1989 (em Top Model), depois de ter vencido Adriana Esteves num concurso realizado no Domingão do Faustão. Como é ver o sucesso que ela acabou de fazer em Avenida Brasil? • Acho a Adriana uma atriz maravilhosa. Ela é muito talentosa. Ela arrasou na novela. Eu e ela nos conhecemos desde que eu tinha uns 7 anos. Começamos fazendo trabalhos como modelo. Depois, fizemos uma dupla quase dinâmica, Taninha e Tininha, em Top Model. Engravidamos juntas do primeiro filho. Nessa época, convivemos muito, fazíamos ioga, preparação para o parto e só não nos visitamos na maternidade porque tivemos filho quase ao mesmo tempo. Tivemos saudáveis coincidências na vida. Até hoje, a gente se fala. •
EdiçãO dE mOda • Ale DuprAt e roDrigo grunfelD PROdUçãO dE mOda • renAto telles e MArco frigie bElEza • Alê De souzA tRatamEntO digital • octAvio DuArte
Ensaio
Tmuito udo
natural
A ex-modelo e consultora de estilo ChiArA GAdAletA levanta a bandeira da reciclagem, do consumo consciente e da produção sustentável de moda. tem tendência maior que essa? POR Bianca Zaramella, de maceió fOtOS Victor collor de mello
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Ensaio
‘‘Hoje posso trabalhar com comunidades artesãs de vários lugares e imaginar como transformar o lixo de moda das grandes cidades em novas economias. É fantástico!’’
Styling • Chiara Gadaleta e GuStavo SilveStre AgRAdecimentOS • alaGoaS trend houSe
• Em um universo tão alinhavado ao luxo, ao consumo e ao glamour, pensar em moda sustentável parecia ser um desnível na passarela. Mas a consultora de estilo Chiara Gadaleta levantou essa bandeira e provou que o belo e criativo podem desfilar ao lado do consumo consciente, do comércio justo e da reciclagem. “Após criar minha própria marca comecei a me preocupar ainda mais com tudo que poderia ser reaproveitado diariamente no ateliê”, explicou ela, que foi proprietária da Tarântula, grife de roupas e acessórios exclusivos, e em 2010 criou o projeto Ser Sustentável Com Estilo. “Há dois anos lançamos o site e, no início de 2012, a TVSSE, com episódios semanais, onde mostramos como a moda, beleza e as artes podem fazer diferença na vida das pessoas e no meio ambiente”, explicou Chiara, que esteve em Maceió em setembro, a convite do evento Alagoas Trend House e lá posou para Gente. A proposta para o editorial de moda foi unir peças dos estilistas locais e itens vintage do próprio guarda-roupa de Chiara. “Gosto do desafio de propor uma peça antiga de maneira nova
e de conhecer designers de várias partes do Brasil. Temos muito para aprender com cada região. A sustentabilidade me deu novas possibilidades dentro do mercado. Hoje posso trabalhar com comunidades artesãs de vários lugares e imaginar como transformar o lixo de moda das grandes cidades em novas economias. É fantástico!”, disse ela.
• Crochê para acalmar
• Nascida em Nápoles, na Itália, essa ex-modelo estudou no famoso Studio Berçot em Paris, onde se formou em estilismo. No Brasil, se especializou em styling e imagem de moda, como editora e consultora de estilo e não parou mais. “Depois de conhecer como era o trabalho fora das passarelas achei que poderia fazer mais do que desfilar e posar para as câmeras”, diz ela, que também foi apresentadora do programa Tamanho Único, do GNT. Casada com o fotógrafo Daniel Klajimic, mãe de Gianluca, de 16 anos, e de Laila, de 8, Chiara tem um envolvimento com a causa sustentável que vai além do profissional. “Em casa, reciclamos nosso lixo e meus fi-
lhos são superconectados, evitam o desperdício em vários sentidos. A Laila usa seu lixo para fazer colagens, e o Gianluca me mantém informada do que está rolando com os adolescentes conscientes.” Seu ativismo inclui a não utilização de pele animal e uma dieta vegetariana, que, segundo ela, pode ser um dos seus segredos para manter a silhueta longilínea, aos 42 anos. “Não uso pele animal, a não ser couro de vaca, e se for de brechó. Também evito ao máximo o Made in China. No quesito beleza, ainda não encontrei produtos 100% orgânicos no Brasil, ainda preciso comprar fora do País, mas acho que isso vai melhorar.” E como artesanato também é parte do desenvolvimento sustentável, momentos antes das fotos, feitas na praia de Mucuripe, na capital alagoana, Chiara relaxou ao lado do estilista Gustavo Silvestre fazendo crochê e escutando mantras indianos. Os dois amigos resgataram o hábito de fazer trabalhos manuais dos tempos de suas avós. “Acalma e cria uma peça única”, explicou a consultora de moda. • (Colaborou Simone blaneS)
Diversão & Arte
cinema • teatro • música • livros • televisão • gastronomia
avalia: ★★★★★ indispensável ★★★★ muito bom ★★★ bom ★★ RegulaR ★ fRaco
cinema •
“RetRAtAR A classe c é neCessáRiO”
Paulo lins Dez anos após o lançamento de Cidade de Deus, o autor do livro que inspirou o filme diz que nada mudou na comunidade e afirma que falar da favela na tevê é uma urgência dos dias de hoje
Ernesto Rodrigues/AE
Juliana Faddul
Paulo lins afirma que o Preconceito com um escritor negro e que veio da favela ainda existe
• Há quem diga que você pode tirar um suburbano do subúrbio, mas o subúrbio não sai do suburbano. Isso pode soar preconceituoso e pejorativo, mas não para o escritor Paulo Lins, 54 anos. Nascido e criado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ele se mudou de lá há mais de 20 anos, mas a periferia ainda está presente em seu dia a dia por meio de sua obra. Primeiro com o livro Cidade de Deus, que originou o filme homônimo dirigido por Fernando Meirelles em 2002. E, hoje, com uma temática menos violenta, mas não menos importante, ele volta a falar da vida na favela. Desta vez, na telinha. Paulo assina, ao lado do diretor Luiz Fernando Carvalho, a série Suburbia, na Rede Globo. Ambientada nos anos 90, a trama gira em torno de Conceição (interpretada por Débora Nascimento durante a infância e Érika Januza na fase adulta), moça pobre que sai aos 12 anos de Minas Gerais, após a morte do irmão, vítima de uma explosão numa mina de carvão, rumo ao Rio. • Como foi o chamado para trabalhar em Suburbia? • Eu topei desenvolver uns roteiros para a Globo. O Luiz Fernando Carvalho me ligou falando sobre uma ideia que tinha há anos. Existem projetos que ficam na gaveta da gente. Artista pega alguns tra-
balhos de uma hora para outra e outros demoram mais de 15 anos. No caso do meu livro (Cidade de Deus) demorei mais de 20 anos pra escrever. O Luiz Fernando estava com esse projeto sobre a mãe preta adotiva dele. Não é um retrato da vida dela, mas inspirado no que ela viveu. • Como é a sua relação com o Luiz? • Trabalhei dois anos com o Luiz, foi muito prazeroso. Escrever a quatro mãos é mais fácil. Uma série com oito episódios parece fácil, mas não é. O bom é que o Luiz é muito ligado em literatura, assim como eu. Temos as mesmas referências. Pesquisei muito na sociologia, filosofia, críticos, literários. • Por que a série se passa nos anos 90? • As histórias que o Luiz ouvia eram todas dos anos 90. Eu ditei a saga da personagem, do nascimento, infância, até a morte. Se fosse fazer agora tinha que avançar para o futuro. E para esse trabalho não caberia isso, fazer algo tão fictício num projeto que clama pelo naturalismo. Clama pela verdade e pela negação do estereótipo. • Acha que a série foi produzida por causa do sucesso de Avenida Brasil, que também retratou a classe C? • A gente começou a escrever o seriado antes de Avenida Brasil. A gente não conhecia, não sabia a trama da novela. Quando a novela foi ao ar, eu estava na minha casa já trabalhando nisso. • O que você acha da representação dessa classe social? • Eu acho necessário. A literatura já falava disso, o cinema já tratava disso. A tevê também tinha de fazer. É uma urgência da época, é histórico, natural. Quando o cinema começou falar de violência? E a literatura? Depois da ditadura. Depois desse período, todo mundo começou a falar: a arte, a academia., a sociologia. A primeira a falar sobre o racismo foi a ciência. Depois migrou para o cinema, literatura e agora a tevê. A literatura é para poucos, são poucos os brasileiros que leem. O resto era censurado, o cinema brasileiro não existia na ditadura.
Cena de Cidade de Deus (2002)
• Recebeu recomendações da Globo? • Não. Nem do Luiz. Muito pelo contrário. Quanto mais eu podia criar melhor. Eu vou fazer televisão, eu sei o público que vou lidar. Eu faço o que me der na telha. A melhor coisa do trabalho artístico é não pensar no público. Quando você pensa muito, perde a essência. A minha conversa é com os poetas que eu li, com a literatura que eu gosto. Claro que não vou colocar cena muito violenta. Não vou fazer coisa estúpida ou escrever uma cena de sexo explícito, sabendo que tem crianças e senhoras assistindo. Tem de ter bom senso. Você não vai colocar palavrão, por exemplo, numa matéria. É a mesma coisa. • Você era morador da Cidade de Deus e agora escreve roteiros para a Globo. Como vê essa mudança? • Quando escrevi o livro já estava fora da favela. Já tinha feito pós-graduação, era professor. A questão social não está atrelada só ao dinheiro. Muita gente associa dinheiro à mobilidade social, mas também tem a ver com o desenvolvimento humano. A única coisa que mudou é que fiquei famoso. Não é a melhor coisa da vida, é como sabão Omo. Sabão Omo também é famoso. A melhor coisa da vida é desenvolver a inteligência e o lado espiritual. • Ainda existe preconceito? • Existe. Eu entendo porque sou negro, favelado. A maioria dos escritores é de classe média. Fui pioneiro ao narrar a vida na favela. Foi só um pontapé inicial. • Dá para viver de literatura num país onde não se lê? • Ah, sempre deu. Rico não dá para ficar, mas viver dá. Só preciso de uma casa, estabilidade, estar com tudo pago. Não preciso de muito. Além do mais, também
“Muita gente associa dinheiro à mobilidade social, mas também tem a ver com o desenvolvimento humano. A melhor coisa da vida é desenvolver a inteligência e o lado espiritual” trabalho com cinema, televisão, dou aula, palestra, escrevo artigo. A gente se vira. • Costuma reescrever passagens de livros que você gosta por hobby. Quanto tempo dedica a isso? • Eu faço isso todo dia. quando não estou trabalhando. Vou reescrevendo aquele texto, faço isso com alguns amigos. Fico brincando. Reescrevi uma passagem de Dois Irmãos, do Milton Hatoum. Até falei isso pra ele. Faço com Machado de Assis, todos. • este ano faz 10 anos que o filme Cidade de Deus foi lançado. O que mudou na comunidade nesse período? • O que mudou foi a entrada da polícia. A mudança foi só essa, não teve melhoria na escola, em saneamento básico, em atendimento médico. Não teve melhoria em desenvolvimento humano. Tudo isso devia ser trabalhado primeiramente, assim não teria necessidade da polícia. Se tivesse uma escola de qualidade, um atendimento médico de qualidade, uma melhor distribuição de renda, não precisaria de uma parte vigiada pela polícia. Se a polícia sair, volta tudo como era antes. Ela tinha de entrar e sair e tudo ficar pacificado. A pacificação veio por meio das armas e isso é não é bom. • 14/01/2011 12/11/2012
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“Hoje sou dona do meu nariz” Nove anos após o lançamento do primeiro disco, que lhe deu fama mundial, a cantora Joss stoNe lança the soul sessions 2, considera-se finalmente independente e volta ao Brasil em turnê POR Thaís BoTelho
desembarca no Brasil para apresentações em São Paulo (dia 11, no Credicard Hall), Belo Horizonte (dia 13, no Chevrolet Hall), Rio de Janeiro (dia 15, no Citibank Hall) e em Florianópolis (dia 17, no Stage Music Park). Joss conta o que mudou desde que lançou o primeiro disco e diz se sentir mais segura e independente. • Como você se sente sobre o primeiro álbum, The Soul Sessions, e por que decidiu fazer um segundo volume? • Joss. Acho que o novo trabalho vem de uma Joss mais madura e segura musicalmente. Quando comecei, havia muita gente para mandar e eu só obedecia. Agora conheço mais do meio musical, sei o que gosto e quero, e como quero. Trabalho com pessoas maravilhosas e aprendi muito nestes últimos dez anos. Hoje sou capaz de fazer um disco. Este segundo traz clássicos da soul music. Steve (Greenberg, produtor musical) brilhou nas escolhas do novo álbum.
“Ainda não falo português. Sei só ‘obrigada’. Agora é a vez do Brasil e mal posso esperar para chegar ao seu país. As pessoas são extremamente amáveis e calorosas”
Fotos Venni/Divulgação
• “Olá, tudo bem? Me espera um segundo? Alguém está batendo à minha porta”, pede Joss Stone momentos antes de conceder esta entrevista. A cantora estava em um hotel de Bruxelas, na Bélgica, onde foi uma das estrelas do tradicional Festival Leffingeleuren. “Meu Deus, me trouxeram mais um café por engano”, diz, antes de soltar uma gargalhada e aceitá-lo: “Fico com ele. Assim, estarei ainda mais animada para o show de hoje à noite.” A mesma naturalidade que ela demonstra durante a entrevista pautou também a sua carreira. A inglesa de 25 anos tinha 16 quando foi alçada à fama com o lançamento de The Soul Sessions, que vendeu cinco milhões de cópias. De lá para cá, lançou outros quatro discos, fez cinema e tevê, brigou publicamente com sua ex-gravadora e agora gerencia o próprio trabalho. É pelo seu selo, o Stone’d Records, distribuído no Brasil pela Warner, que ela lança The Soul Sessions Volume 2, com clássicos da black music dos anos 1960 e 1970. Este mês, ela
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“(Estou mais) Segura de mim, com mais liberdade para criar como artista e dona do meu nariz. Estou mais madura musicalmente” • Como as músicas das décadas de 1960 e 1970 representam uma jovem como você? • Sempre ouvi essas músicas e gosto muito, são sensíveis e era o que eu queria cantar. Há muitas cantoras dessa época que me influenciaram, como Aretha Franklin. • Você hoje cuida da sua própria carreira, mas no passado teve problemas com sua antiga gravadora, que você criticou publicamente. Como foi isso? • Sim, é verdade, mas eu mudei muito de lá para cá. Eu era muito jovem, não sabia de nada. Não vejo as coisas só como produto. Estava ainda descobrindo minha voz, meu lugar, como seria tudo. Cresci musicalmente e hoje sei o que funciona ou não para mim. Opino e faço o que quero. • Em algum momento você já se arrependeu de alguma decisão que tomou? Alguma vez pensou algo como: “Ok, vou deixá-los decidir por mim, já que estão no meio há mais tempo que eu”? • De verdade? Não! Não me arrependo de nada e os erros trazem maturidade. Talvez, se não tivesse vivido o que vivi eu não estaria com esse novo projeto, que tem totalmente a minha cara. Quando comecei eu mal sabia o que estava fazendo. Hoje sou dona do meu nariz. • Você trabalhou com Mick Jagger, Stevie Wonder, Ringo Starr, Tom Jones. Com quem ainda sonha trabalhar e por quê? • Certamente com Beverley Knight. Nós já falamos muito disso, de gravar juntas, de nos encontrar. É sempre difícil conciliar agendas, mas isso ainda é uma coisa que eu quero fazer acontecer. • E esse “ritual” de tirar os sapatos que você ainda mantém antes de subir ao palco? Por quê? • Acho engraçado como isso ainda gera curiosidade nas pessoas, mas essa sou eu. Eu entro no estúdio de sapatos. Mas na hora de gravar, tiro. As pessoas acham isso um hábito muito curioso, mas é simples. É quem eu sou. • Como foi a experiência de ir ao casamento real britânico? Como é sua relação com a família? • Foi lindo e me senti lisonjeada. Já cantei para eles em outras ocasiões e nos falamos, mas não com a frequência que as pessoas acham. Não sou melhor amiga dos meninos (os príncipes William e Harry) e não vamos
tomar cerveja juntos. Tenho uma boa relação com eles e a família toda é muito amável. • Como foi o show no Rock in Rio Lisboa este ano? Aprendeu alguma coisa em português? • Adorei, mas ainda não falo português. Sei só “obrigada”. Agora é a vez do Brasil e mal posso esperar para chegar ao seu país. As pessoas são extremamente amáveis e calorosas. • Você namorou um brasileiro. Ainda se falam? • É verdade (risos) Mas não vou dizer quem é ele ou se é famoso, Ok? Não nos falamos com frequência, mas foi uma das melhores pessoas que já conheci. • Você sempre disse que pode ser quem você quiser ser. Quem é a Joss Stone hoje? • Segura de mim, com mais liberdade para criar como artista e dona do meu nariz. Estou mais madura musicalmente. Acho que é isso. •
“Quando comecei, havia muita gente para mandar e eu só obedecia. Agora conheço mais do meio musical, sei o que gosto e quero, e como quero. Sou capaz de fazer um disco”
Joss Stone se apresenta em quatro capitais brasileiras este mês
Sociedade
Grife al mare
Gente acompanha o lançamento do superbarco da Prada, com direito a festa na Nova Zelândia e uma conversa rápida com a toda-poderosa Miuccia Prada POR Natália Mestre, de aucklaNd (Nova ZelâNdia)
• “Hoje a noite é do meu marido, a festa é dele. Eu não entendo nada de barcos, apenas de roupas”, respondia, bem-humorada, a empresária Miuccia Prada ao séquito de fãs e admiradores que a todo momento a cercavam na tenda armada pela maison na marina de Auckland, na Nova Zelândia. O que a boss da Prada fazia tão longe de casa? Como a própria disse, Miuccia acompanhava o marido, Patrizio Bertelli, no lançamento do Luna Rossa, um super catamarã de 22 metros de comprimento da Prada e que vai competir na lendária America’s Cup, em setembro de 2013. O coquetel de lançamento aconteceu no dia 26 de outubro e Gente acompanhou o evento com exclusividade para o Brasil. Miuccia estava diferente do que se está acostumada a vê-la. Cabelos soltos ao vento fresco – e que vento bate por lá! Não à toa é considerada a cidade da vela mundial –, roupas esportivas, pouca ou quase nenhuma produção. Adequada ao evento, que reuniu velejadores e amantes dos esportes náuticos, todos fascinados com o barco apresentado. Horas antes, ela e Bertelli fizeram o batismo do Luna Rossa, com a tradicional quebra de uma garrafa de champanhe – no caso, um Dom Pérignon.
Fotos carlo Borlenghi/divulgação
O catamarã Luna Rossa na baía de Auckland, na Nova Zelândia, na noite de lançamento do barco
O casal Miuccia Prada e Patrizio Bertelli e o momento do batismo
Elegante em seu paletó azul-marinho, Patrizio Bertelli passou parte da festa admirando sua criação na marina, com aquele olhar orgulhoso de sua obra de arte. “O Luna Rossa é muito mais que uma embarcação. É um sonho realizado que chega com um incrível design, um produto de alta tecnologia que envolveu milhares de pessoas em sua fabricação. E tudo só foi possível pessoal porque a Nova Zelândia tem uma grande tradição náutica”, disse ele. Na roda de amigos que se formou em volta do casal, Miuccia e Patrizio – juntos há 30 anos – falavam do hobby que tem com barcos. “Não entendo de barcos, mas adoro velejar com ele”, disse a empresária referindose ao marido. A ideia de construir o supercatamarã partiu do filho mais velho deles, Lorenzo, o que fez o pai – reconhecidamente sisudo como CEO da Prada – sorrir mais do que de costume. Por ser um barco de competição, o Luna Rossa não conta com um acabamento interno refinado. Afinal, o menos aqui é mais: quanto menor a decoração, maior a performance sobre a água. Ele consegue abrigar 11 velejadores, foi projetado por 70 pessoas e precisou de outras 300 para ser construído. Um investimento de US$ 45 milhões. Coisa de gente grande. •
Uma tenda foi armada na marina da Prada na cidade para o coquetel de apresentação do novo barco
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Estilo Casa • Por Silviane Neno
Chega de saudade O designer de interiores Gil Cioni trocou sua cobertura com vista deslumbrante de São Paulo pelo agito de um bairro mais pulsante. Mas não aguentou ficar longe da antiga casa e mudou de volta, repaginando cada um dos 320 m² do imóvel. O resultado? Ambientes dinâmicos e aconchegantes Por Júlia Leão FoToS Marcelo Navarro / Ag.IstoÉ
O espaço zen, na cobertura, é o canto preferido de Gil. À esquerda, o designer de interiores e uma de suas mascotes, a scott terrier Rafaela. Abaixo, a poltrona B&B Itália
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Estilo Casa
A cozinha deixou o ambiente mais amplo ao ser incorporada Ă sala de estar. No detalhe, esculturas das duas cachorras de Gil. Abaixo, as almofadas Missoni e a poltrona Mole, de SĂŠrgio Rodrigues, toque refinado ao home
POST-IT Para aproveitar a vista, Gil fez uma piscina com queda d’água. É no terraço que rolam as grandes festas e petits comités
• Há quatro anos, talvez por sua natureza inquieta, o designer de interiores Gil Cioni decidiu trocar a vista verde e tranquila que tinha da piscina de sua cobertura, no bairro do Brooklin, em São Paulo, pela agitação das ruas do Itaim. Como festeiro assumido que é, a mudança o animou ainda mais... mas, durou pouco. A saudade da antiga morada foi tanta que ele não pensou duas vezes e voltou para sua antiga cobertura. Feliz da vida, Gil ainda se propôs a repaginar cada um dos 320 m² do imóvel. E, claro, arregaçou as mangas e fez isso ele mesmo. “Gosto de mudar, sou muito inquieto. E não tenho crise de derrubar tudo e construir de novo. Comigo não existe essa história de ‘casa de ferreiro, espeto de pau’. Eu me jogo nas tarefas mesmo e faço questão de mexer em tudo”, explica. Seguindo o conceito que imprime nos projetos do escritório de arquitetura e decoração que comanda, o Sá&Cioni, com o sócio Olegário de Sá, o designer criou ambientes amplos, iluminados e, sobretudo, ótimos para receber os amigos. “Adoro bagunça de amigos. Faço desde petits comités a festas para até 200 pessoas.” Para tanta animação at home Gil interligou a cozinha com a sala e transformou uma das suítes em mais um ambiente da área comum. A varanda, que foi recoberta com a mesma cor de piso da sala – madeira pintada de
ido Canto prefemrantém grande parte da á Espaço Zen. L ração, que revistas de deco de o sua coleçã is do trabalho lê todo dia depo
branco – parece mais um espaço dentro da casa. “Gosto de aproveitar a vida, por isso quis usar o espaço da cobertura para ambientes propícios para festas de dia, à noite, no verão e no inverno”, afirma Gil.
• Móveis reciclados
• Outro detalhe que chama a atenção é o reaproveitamento de mobiliário. A geladeira antiga da família virou uma estante de livros ao lado da piscina com queda d’água e do espaço gourmet. A estante de louça da antiga cozinha tem hoje nas prateleiras peças garimpadas em feiras de Milão, bibelôs de antiquários nova-iorquinos e até brinquedo de infância. “Repagino a mobília antiga e dou uma nova cara àquela peça. É fazer arte no décor”, explica ele, que usou também relíquias de família, como o vaso de murano da década de 1950 e um trenó de 1910 – que virou revisteiro. Para misturar com toda essa personalidade, Gil escolheu a dedo peças de design assinados. E, neste caso, há uma disputa curiosa de preferência. Seu xodó na sala de estar é uma poltrona italiana B&B Itália, em forma de corpo de mulher. Mas ele morre de amores também pelo sofá de lona de caminhão, da loja Decameron, no terraço, onde aproveita os fins de tarde. “Com o horário de verão consigo ler até escurecer e algumas vezes até cochilo!” •
écor Achado de dChair, que se apaixonou A poltrona Spun pode ser em Milão. Ela na Fuori Fiera como cooler usada também
Na wish listi e da Tarsila do Amaral ar Telas do Portin
12/11/2012
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