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ISTOÉ GENTE 678

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istoegente.com.br

Em vEnEza, Kate Hudson e outras estrelas ousam no look no festival de cinema

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Heloísa Périssé, Eliane Giardini e Fabíula Nascimento: três gerações de mulheres que brilham em Avenida Brasil

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Do DIVINo

I S SN

AS DIVINAS

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Du Moscovis: “Para o homem, sexo é bem mais descartável”

5/set/2012

ano 13 n° 678

R$ 9,90


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Que mulheres divinas! Três mulheres, três gerações, três maneiras distintas – e nada convencionais – de vencer preconceitos e lutar pela felicidade. Aprenda lições de como encarar a vida com esta poderosa trinca de Avenida Brasil , HeloísA PÉrissÉ, eliAne GiArdini e FABíulA nAscimenTo

POR Juliana Kalil fOtOS alê de Souza e FeliPe leSSa (PaRa aBÁ MGT)

• Ao questionar o papel da mulher na sociedade no seu livro O Segundo Sexo (1949), Simone de Beauvoir não poderia imaginar que o sexo frágil da época se tornaria tão forte em apenas seis décadas. Imagine sua surpresa, então, ao se deparar com esta trinca de mulheres – Eliane Giardini, Heloísa Périssé e Fabíula Nascimento –, de gerações tão distintas, mas igualmente corajosas em sua luta pela felicidade. Não à toa, as três estão no horário nobre da tevê. Em Avenida Brasil, da Globo, elas são Muricy, Monalisa e Olenka, respectivamente, do bairro do Divino, suas mais recentes e elogiadas performances. Mas, talvez, seja quando as câmeras são desligadas e as luzes do estúdio se apagam que elas se revelam ainda mais interessantes. Como mulheres. Eliane, 60 anos, foi casada por 25 com o ator Paulo Betti, e hoje preza por sua liberdade. Contrariando Tom Jobim, para ela é possível ser feliz sozinha, sim. “A liberdade que eu conquistei é muito importante”, afirma. Cheia de vitalidade, a atriz diz que se sente quarentona e brinca sobre as personagens fogosas que faz. “Até quando vão me fazer passar por isso?”

Heloísa, 46, é casada há dez com o diretor Mauro Farias e tem duas filhas. Tudo normal demais? Que nada. Heloísa e Mauro moram em casas separadas. “Ele tem o apartamento dele, com todas as coisas que gosta, mas dorme em casa todos os dias. Já até moramos juntos, mas preferimos assim”, assume. Por fim, Fabíula. Feminina, 34, apostou em um amor dez anos mais jovem – o ator George Sauma. Por conta dessa sua decisão por gostar de alguém, acabou sendo alvo de brincadeiras de amigos e ouviu comentários preconceituosos de quem vincula o amor à data de nascimento. “Não ligo, já até virou piada entre nós”, diz ela, dando de ombros. Eliane, Heloísa e Fabíula. O que diria a escritora francesa, autora da obra que é alicerce do movimento feminista, se as conhecesse hoje? A que conclusão chegaria a parisiense diante de histórias tão surpreendentes, vividas por estas mulheres deslumbrantes, clicadas com exclusividade a Alê de Souza neste ensaio poderoso de Gente? “Quelles femmes divine!”, certamente. Que mulheres divinas!


Vestido Lilly Sarti, brincos e anel Sara Joias e sapato Schutz

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“SeR Sexy dePOiS dOS 40 é uma cOnquiSta” Em ótima forma como a fogosa Muricy, ElianE Giardini chega aos 60 anos se considerando realizada. Foi casada por 25 anos com o ator Paulo Betti, teve duas filhas – Juliana e Mariana –, separou e, agora, preza por sua liberdade. Casar de novo? Fora de cogitação.

“Não me incomoda ser chamada para fazer essas mulheres fogosas. Acho até que é uma das bandeiras que levo da minha geração” eliane Giardini

• Como é a parceria com Marcos Caruso e também contracenar pela primeira vez com Juliana Cazarré? • Eliane Giardini. Marcos é uma pessoa que pode me ligar a qualquer hora que eu estarei pronta para ajudá-lo. E sei que ele faria o mesmo por mim. É um amigo para a vida inteira. E tenho um carinho imenso pelo Juliano. Ele é jovem, mas parece ter a minha idade. É culto, refinado. • Como é o clima na hora de fazer as cenas mais quentes? • São cenas sempre cômicas. Na cena da despensa, em que Muricy e Leleco foram pegos no maior amasso pelo Tufão, eu e Caruso rimos muito, é um deboche só nos bastidores. E o Juliano me deixa muito à vontade também para esse tipo de cena. Não me incomoda ser chamada para fazer essas mulheres fogosas. Acho até que é uma das bandeiras que levo da minha geração. • Essa não é sua primeira personagem fogosa na tevê. Incomoda? • Nem um pouco. Acho isso uma virtude. Você ser sexy aos 20, 30 é natural. Ser sexy depois dos 40 é uma conquista. Minha gera-

ção descobriu que é possível ser bonita e sensual depois dos 40. • Sua sensualidade chama a atenção dos diretores... • Acho que o meu visual ajuda e acredito que eu esteja envelhecendo bem, mas não é só essa coisa de ser “bonita e gostosa”. A verdade é que estes papéis todos têm uma pegada cômica. Desde que interpretei a Nazira, de O Clone, descobri essa veia para o humor. O lado sensual é um tempero a mais. • Como encara a chegada dos 60 anos? • Sinceramente, não me sinto com 60 anos. Quando falo dessa idade parece que estou falando da minha avó. Me sinto com 42 anos. Mas também não fico paranoica com a idade chegando. Me sinto até mais leve agora, mais velha. Quando eu era mais jovem, era mais dura comigo mesma. • Voltando a Muricy, ela não encarou a separação de forma positiva. Como foi com você quando se separou do ator Paulo Betti, em 1997? • Fiquei supertranquila. Fui casada, morei junto, tive minhas filhas e, agora, gosto de viver sozinha. Graças a Deus me dou muito bem com ele, tenho ótima relação com a atual namorada do Paulo, a Mana Bernardes, e com os filhos dele. • Na vida real, você tem preferência por homens mais novos ou mais velhos? • Isso não é uma escolha. Não penso nisso quando me interesso por alguém. Primeiro tenho de me apaixonar e depois penso em quantos anos ele tem. Não há regra ou critério quando se está apaixonada. • Tem vontade de se casar de novo? • Estou solteira e não tenho essa vontade, não. Acho que existe um tempo certo para você casar, construir uma família, ter filhos... E isso já passou para mim. Não me vejo morando com outra pessoa. Pode até acontecer, já que não mandamos em nossos sentimentos, mas a liberdade que eu conquistei é muito importante para mim. Tenho muitos planos ainda para a minha vida. •


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“achamOS melhOR mORaR SePaRadOS” Tal e qual sua personagem Monalisa, HEloísa Périssé guarda certa independência dentro de seu casamento com o diretor Mauro Farias. Mas garante que é uma mãe muito mais equilibrada que seu alterego na tevê.

• Quando suas filhas saírem de casa, acha que sofrerá tanto quanto a Monalisa sofreu com a saída do Iran? • Heloísa Périssé. Não, porque não sou tão controladora. Aprendi com meus pais a amar com liberdade e que longe é um lugar que não existe. Minha família mora cada um em um canto do mundo e não é por isso que somos distante. • Você tem vontade de adotar uma criança? • Se eu não tivesse minhas filhas, talvez adotasse sim. Eu tenho um instinto maternal muito forte, não conseguiria viver sem ter filhos, adotados ou não. • Suas filhas assistem à novela? • Quem assiste mais é a Antônia, a mais novinha. Aliás, ela é minha parceira para ver novela, ir à padaria, ir à igreja. Luiza está na fase adolescente e assiste quando dá. O que me deixa impressionada é que a Antônia ama de paixão a Carminha. Uma vez ela estava assistindo novela comigo e perguntou: “Mãe, você conhece a Carminha? A Carminha me conhece?”. Eu disse que sim e ela pediu para ligar para a Adriana Esteves. Aí eu liguei, só que caiu na caixa postal e, então, Antônia deixou mensagem: “Carminha, o que eu tenho a dizer para você são só elogios. Eu te amo”. Foi a coisa mais fofa. • Você é casada há dez anos com seu marido, Mauro Farias, mas moram em casas separadas. Funciona? • Achamos melhor morar separados. O Mauro tem o apartamento dele com tudo o que gosta, mas dorme em casa todos os dias. A diferença é que na minha casa, eu faço o que quero nela. Já morei junto, mas preferrimos assim. •


“Se eu não tivesse minhas filhas, talvez adotasse sim. Eu tenho um instinto maternal muito forte, não conseguiria viver sem ter filhos, adotados ou não”

Vestido preto longo Daslu e brincos Maria Dolores

Heloísa Perrissé

14/01/2011

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“até viROu Piada PaRa a gente” FaBíula nasCiMEnTo já foi cabeleireira e até ajudante de bar antes de se tornar atriz. agora se diverte com sua personagem olenka e com o namorado mais jovem. sem crise com isso, aliás.

• Você faria como a Olenka e se relacionaria com o ex-namorado de uma amiga? • Fabíula Nascimento. Jamais! Se minhas amigas aparecem com namorado na minha frente, não passa em meus pensamentos nada de relação homem e mulher. É ali mesmo que começa minha amizade com ele e só.

• Antes de ser atriz, você teve um salão de beleza e um bar da sua família. Já foi cabeleireira, manicure, caixa, garçonete... • Eu cresci trabalhando no bar da minha família. Quando minha mãe resolveu abrir um salão, eu entrei de sócia. Fazíamos chapinha, escova, corte. Fiquei lá até meus 18 anos, quando resolvi realmente seguir a carreira artística. Coincidentemente são as duas profissões que tive na novela. • Seu namorado é dez anos mais novo que você. Isso já foi um problema? • Por um tempo sim, me incomodei já com os comentários. O preconceito existe. Mas hoje não mais. Até já virou piada para a gente. Você já foi casada. Pensa em altar de novo? • Casamento é difícil, tem de dividir o teto, os problemas, as angústias. Aos poucos, o relacionamento tende a ficar mais pesado. Namoro é mais suave. Só sai para se divertir, se liga à noite e cada um vai para sua casa depois. •

Body preto La Perla, saia NK Store, cinto Forum para Bia Zanny e brincos e anéis Sara Joias

• É verdade que já te perguntaram se você era filha da Eliane Giardini? • Sim. Ela já me disse que também já foi questionada sobre isso porque acham a gente parecida. Para mim, é uma honra. Se eu chegar com a beleza dela na idade dela, estou feita. Eliane é uma deusa! E agora vejo que ela é uma pessoa incrível também.


“Se minhas amigas aparecem com namorado na minha frente, não passa em meus pensamentos nada de relação homem e mulher”

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA EM WWW.ISTOEGENTE.COM.BR

ediÇÃO de mOda • RODRIGO GRunFeld e alê duPRaT (PaRa aBÁ MGT) Styling • ARNO JR BeleZa • ALÊ DE SOUZA PROduÇÃO de mOda • RENATO TelleS e MaRCo FRiGe aSSitente de BeleZa • FELIPE RodRiGueS

Vestido verde FH por Fause Haten, brincos Sara Joias e bracelete Maria Dolores

Fabíula nascimento

5/9/2012

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Fotos Divulgação

Hollywood Lorem


A belA (e poderosA) dA vez Aos 39 anos, KAte BecKinsAle ganha cada vez mais força em Hollywood. no filme O Vingador do Futuro, faz par com colin Farrell, protagoniza cenas de ação e distribui pancadas. em entrevista a Gente, ela falou da carreira, do casamento e da relação com a filha

No filme, ela é dirigida pelo próprio marido

POR Cleide KloCK, de los Angeles

• Elegância inglesa. É assim que é possível definir a britânica Kate Beckinsale, 39 anos, que ficou conhecida pelo grande público no papel da vampira Selene, em Anjos da Noite. Agora, a atriz rouba a cena no telão no papel da vilã no remake de O Vingador do Futuro, em cartaz em todo o Brasil. O filme original virou um clássico dos anos 90 e teve Arnold Schwarzenegger como ator principal e Sharon Stone como coadjuvante. Desta vez, a dupla principal é interpretada pelo irlandês Colin Farrell e pela belíssima Kate. Eles dão vida a uma nova versão da história cheia de ação baseada no conto We Can Remember It For You Wholesale, do escritor Philip K. Dick. Jessica Biel, noiva de Justin Timberlake, também está no filme e troca socos e pontapés com Kate Beckinsale. As duas se mostram boas de briga. A atriz recebeu jornalistas em Los Angeles, nos Estados Unidos, para entrevistas de divulgação de O Vingador do Futuro e falou sobre como foi fazer tantas cenas de ação e lutas. Para Gente, revelou como é ser a primeira-dama do filme, já que ela é a mulher do diretor, Len Wiseman. Os dois estão

acostumados a trabalhar juntos. Eles se conheceram no set de filmagens de Anjos da Noite, em 2003. Mas imagine a sensação de beijar outra pessoa na frente do seu marido. Kate diz tirar de letra. E fala tudo isso com a voz sempre no mesmo tom, sentada, cheia de classe com seu vestido tomara que caia justíssimo e dourado, que exalta ainda mais a boa forma nos seus quase 40. Este ano, o público brasileiro já pôde ver a linda atriz em ação no filme Anjos da Noite – O Despertar. • Como é para você trabalhar com seu marido como diretor do filme? • Kate. É ótimo. Eu amo trabalhar com ele. Nós nos conhecemos em filmagens, eu como atriz e ele como diretor. Sempre tivemos um maravilhoso relacionamento. • E como é beijar outro homem na frente dele? • Já fiz isso antes (às gargalhadas). Quando faço filmes, nunca sou a responsável por escolher quem vou beijar. A pessoa que o meu marido escolhe está boa para mim (risos). 5/9/2012

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Hollywood

• O que é mais difícil para você: beijar outro na frente do seu marido ou lutar nas cenas violentas? • Lutar, com certeza. Beijar é muito fácil. • Dentro de casa, quem é o diretor? Você ou ele? • Acho que não temos muito isso. Mas ele nunca lembra quais os tipos de comida que gosta. Eu tenho de lembrá-lo. Ele diz: “Eu gosto de batatas.” E eu tenho de lembrá-lo de que ele não gosta de batatas. • O filme O Vingador do Futuro é cheio de cenas de ação, tiros, mortes, um tanto violento. Você assiste a esse tipo de filme com sua filha de 13 anos, Lily Mo Sheen (que teve no relacionamento com o ator inglês Michael Sheen)? • Ela, normalmente, não assiste a filmes que têm pessoas com a cabeça explodindo. Mas O Vingador do Futuro ela viu, sim. • O que a sua filha acha de ter uma mãe que mata outros no filme, que sabe lutar e é tão forte? • Acho que ela não perde nem um minuto pensando nisso. Só me vê como mãe dela e não presta atenção ao resto. Eu acho que ela deve pensar, lá no fundo, que se fizer algo de errado posso entrar em ação (risos). Mas isso jamais iria acontecer. • No filme, há vários brinquedinhos do futuro: telefone celular implantado na mão, painéis interativos, carros voadores. Qual é o seu favorito? • Sem dúvida, um carro voador. Acho que todos nós deveríamos ter um desses para poder chegar em qualquer lugar sem pegar trânsito. Um telefone implantado na mão também seria ótimo. Assim, nunca perderíamos o celular. Adoro mandar mensagens de texto. Mando o tempo todo. • Como foi fazer o mesmo papel de Sharon Stone, como Lori, neste remake? • Não penso muito nisso. Nossas versões são muitos diferentes. Não vejo como se eu a estivesse substituindo no filme. A atriz em ação, em cena do filme O Vingador do Futuro

• Você teve muito mais destaque no filme. Seu personagem foi muito maior do que o dela na versão original. • Esse era o meu plano (risos).


No longa, ela é uma espiã cuja missão é capturar o próprio marido, vivido pelo ator Colin Farrell

• Como se preparou para tanta ação, já que nesse filme você mostra um ótima forma, correndo, lutando? • Quando comecei a fazer O Vingador do Futuro, fazia apenas quatro dias que tinha terminado de filmar Anjos da Noite – O Despertar. Fui escolhida para o papel apenas duas semanas antes de as filmagens começarem. Por isso, emendei um filme no outro. Foram nove meses correndo, pulando, lutando boxe e malhando. Antes, eu tinha feito Contrabando, outro longa de ação. Faço muita ioga, que é o que me ajuda a ficar com o corpo mais flexível, e a não me machucar diante de tanta ação, o que seria muito fácil, pois realmente é um trabalho bruto. Nas filmagens, eu fiquei roxa, mas pelo menos não quebrei nenhum osso (risos).

• Você tem de se sacrificar para manter a forma? Precisa deixar de comer muita coisa ou a genética ajuda? • A genética da minha mãe foi muito legal comigo. Mas se estou fazendo um filme que requer, além de energia, uma ótima forma, deixo de lado os salgadinhos. Sou coerente, mas não militar, nesse aspecto. Odeio academia. Gosto apenas de ioga. Cresci fazendo balé e acho que isso também me ajudou muito. • Você acha que no futuro as mulheres serão mais fortes do que os homens? • As mulheres já são mais fortes do que os homens (risos). Brincadeira. Eu não penso nisso. Celebro nossas diferenças. Nós, mulheres, somos mais emocionais. Fico feliz que os homens sejam mais fortes. •

“Faço ioga, que me ajuda a ter o corpo flexível. Nas filmagens, fiquei roxa. Mas não quebrei nenhum osso” AssistA Ao trAiler do filme o VingAdor do futuro em WWW.ISTOEGENTE.COM.BR

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Diversão & Arte

cinema • teatro • música • livros • televisão • gastronomia

avalia: ★★★★★ indispensável ★★★★ muito bom ★★★ bom ★★ RegulaR ★ fRaco

teatro •

“O humOr ME ESCoLhEu”

bruno garcia Em novo texto cômico, o ator leva para o palco sua idolatria pelo cantor Michael Jackson e diz que o astro pop foi injustiçado em vida

Fotos Dalton Valério/Divulgação

Bruno Garcia e Pedro Henrique Monteiro contracenaM eM Michael e eu

Daniel Schenker

• Bruno Garcia gosta de Michael Jackson desde a infância. Ao longo dos anos, acompanhou a trajetória do ídolo pop sem, porém, embarcar nos boatos que reforçavam a excentricidade do astro. Não está, portanto, percorrendo terreno estranho em Michael e Eu, espetáculo dirigido por Ivan Sugahara que presta homenagem a Jackson, morto em 25 de junho de 2009. A peça é centrada no elo entre um adorador do cantor, Leo (Pedro Henrique Monteiro), e um psicanalista nada convencional, Doc (Bruno Garcia), que procura ajudá-lo a sair da depressão depois da morte do artista. Em entrevista à Gente, Bruno diz acreditar que a vida de Michael Jackson era bem menos farsesca do que a imagem constantemente divulgada mundo afora. • Você já tinha um vínculo afetivo com Michael Jackson? • Fui fascinado por ele na infância. A singularidade de Jackson sempre me encantou. Tinha uma aura de pessoa delicada e frágil, mas se transformava no palco. Era até natural que fosse visto como um ET. De qualquer maneira, sua excentricidade foi deturpada pela mídia. Nunca fez, por exemplo, tratamento para ficar branco. Ele tinha vitiligo e usava maquiagem branca para uniformizar o corpo.


• Quais os fatos da vida de Jackson que você considera mais marcantes? • A infância de Jackson foi roubada. Passou a vida trabalhando. Ficou 30 anos sem ir ao supermercado. Queria tanto que alugou um, chamou parentes para fazer figuração e foi às compras. Ele tinha tudo e, ao mesmo tempo, nada. Era tão amado, mas se via obrigado a ficar sozinho no quarto de hotel. Sofria com esse paradoxo. Era gentil com a equipe. Detestava sair em turnê. E teve um casamento verdadeiro com Lisa Marie Presley, que só acabou porque ele queria ter filho e ela, não. • Na montagem, você interpreta um psicanalista. Tem alguma experiência nessa área? • Eu fazia análise. Dei uma parada, mas quero retomar. Como se trata de uma ficção, não tive a preocupação de construir um psicanalista fiel à realidade. Até porque o personagem propõe uma terapia bem fora dos padrões. Por outro lado, procurei conceber uma figura crível. • Você fez muitos trabalhos filiados à comédia. É uma escolha? • No Brasil, não existe muito escolher personagens. Fui contratado pela Rede Globo em 2005. Então, só de poucos anos para cá é que pude começar a me dar ao luxo de aceitar ou não convites. Também fiz papéis dramáticos, como na minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, quando precisei perder vários quilos. Mas, de fato, o humor me escolheu. É natural no nosso país, que tem tradição no terreno da comédia. • Você já completou 30 anos de carreira. Como tudo começou? • Sim. Conto a partir dos 11 anos, quando recebi meu primeiro salário. Foi na montagem de O Rapto das Cebolinhas, de Maria Clara Machado, encenada no Pará, onde morei durante dois anos (em Tucuruí). Meu pai (o bailarino João Demilton) foi para lá para participar da construção de uma usina hidrelétrica, era responsável pelo setor de lazer. Ele dirigiu essa versão. Não queria que os

adultos fizessem personagens infantis e, então, perguntou se eu desejava participar. Depois me chamou para fazer o Auto de Natal. Quando voltamos para Olinda, continuei envolvido com teatro. • Como foi a sua vinda para o Rio de Janeiro? • Cheguei, pela primeira vez, em 1986 para apresentar O Pequenino Grão de Areia, de João Falcão, no Festival de Ponta Grossa. Eu me encantei pela beleza do Rio de Janeiro. A madrugada na cidade era intensa. Voltei para o Recife e desembarquei, de novo, no Rio, em 1989 para participar do Festival de Teatro da Caixa Econômica Federal. João Falcão dirigia um grupo do Recife e convidou dois atores profissionais – eu e Livia Falcão – para participar de uma montagem feita a partir de uma compilação de textos de Woody Allen. Retornei ao Recife, e uma amiga me disse: “Se você quiser mesmo se mudar para o Rio, marque uma data e compre a passagem”. Escolhi o dia 25 de março de 1991, um dia depois do aniversário de uma das minhas irmãs, Rebeca. • Era difícil viver da profissão no Recife? • Na verdade, eu era um dos poucos atores que conseguiam viver da profissão por lá por causa da publicidade. Eu tinha duas opções: ficar no Recife e abrir minha produtora ou vir para o Rio e começar tudo de novo.

“No Brasil, não existe muito escolher personagens. Fui contratado pela Rede Globo em 2005. Então, só de poucos anos para cá é que pude começar a me dar ao luxo de aceitar ou não convites”

Quando cheguei aqui tive muita ajuda da Yolanda Rodrigues, produtora de elenco da Globo, que mostrou o meu videobook para a emissora inteira. Fui chamado para fazer um especial, Marina, e depois a primeira novela, Felicidade, de Manoel Carlos. • Você já tem outros projetos? • Quero montar O Livro de Tatiana, texto infanto juvenil que escrevi. E filmei recentemente De Pernas pro Ar 2. Também pretendo continuar dirigindo em teatro para não me distanciar tanto do palco por causa dos compromissos na televisão e no cinema. • Teatro do Leblon – Sala Marília Pêra – r. Conde Bernadotte, 26, Rio, tel. (21) 2529-7700. Até 30/9. (12 anos) 5/9/2012

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Saúde

HEBE sE rEcupEra BEm da quimiotErapia

Com fé, garra e otimismo, a rainha da televisão enfrenta novamente o câncer no peritônio. Após duas semanas de internação, a apresentadora festeja a volta para casa e descansa durante o tratamento

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Hebe recebeu a visita de Isabella e Helena, filhas de Luciano, irmão de Zezé Di Camargo, na sexta-feira 24, no hospital

• Internações

• Hebe descobriu o câncer no peritônio no início de janeiro de 2010. Na época, ela foi submetida a uma cirurgia para a retirada de nódulos, fez sessões de quimioterapia para eliminar os tumores e cerca de quatro meses depois comemorou a cura da doença. Em março, contudo, a apresentadora foi internada às pressas para uma cirurgia que retirou um novo tumor. Em 14 de junho, Hebe passou por uma nova cirurgia para retirada da vesícula. Um mês depois, em julho, ela passou uma semana hospitalizada, mas o motivo não foi divulgado pela família e pelos médicos. Na última internação, ela deu entrada no Albert Einstein no dia 14 de agosto. Afastada das gravações de seu programa na Rede TV! há mais de dois meses, Hebe tem contrato vigente com a emissora até dezembro. Não há previsão de volta ao trabalho.

Twitter

• “Gente, que alegria voltar para minha casa! Me sinto num palácio. Beijos a todos que torceram por mim”, postou a dama da tevê em seu Twitter na segunda-feira 27, dia em que deixou o Hospital Israelita Albert Einstein. A volta para casa, após 15 dias de internação, trouxe otimismo para a apresentadora na luta contra o câncer. “O câncer voltou, mas está estável. A esperança é que regrida de tamanho com as novas sessões”, contou à Gente na quarta-feira 29 um amigo próximo à família. Gente apurou que Hebe voltou a fazer sessões de quimioterapia em consequência da recidiva do câncer no peritônio – membrana que reveste os órgãos da região abdominal. A apresentadora segue uma dieta hiperproteica e faz sessões diárias de fisioterapia. Mesmo abatida, Hebe tem se mostrado tranquila e otimista com sua recuperação. Depois de receber a visita de amigos, como as atrizes Glória Pires e Lolita Rodrigues, no hospital, ela descansa em sua mansão do Morumbi, sob os cuidados do sobrinho e empresário Cláudio Pessutti, do filho Marcelo Camargo, e de Helena Caio, mulher de Pessutti e sócia do restaurante A Bela Sintra. O diagnóstico divulgado pelo Hospital Albert Einstein é de que a apresentadora passou por um tratamento de suporte nutricional, já que estava bastante debilitada em decorrência de uma cirurgia para a retirada da vesícula, no dia 14 de junho.

Nesse período longe das telinhas, a apresentadora fez algumas gravações de sua casa, como a entrevista com o cantor Pedro Leonardo em 7 de agosto, e postou algumas fotos em seus perfis no Twitter e Facebook. Há cerca de dez dias, Hebe mandou um recado tranquilizando os fãs. “Hoje é um dos dias em que estou me sentindo melhor. Disseram que eu estava mal, mas é tudo mentira. Eu estou em tratamento. Graças a Deus, com a riqueza de médicos que temos, estou me cuidando. Pena que não é todo mundo que pode. Espero que o público não se deixe enganar nas eleições”, disse ela, em entrevista por telefone a Carlos Nascimento no SBT. Na mesma ocasião, ela alfinetou sua atual emissora, dizendo: “Silvio nunca atrasou meu pagamento.” A RedeTV! não comenta os atrasos e informa que as cifras divulgadas de R$ 3,5 milhões são inverossímeis. •


“Mulher é um bicho muito estranho”

Com novo longa em cartaz, Corações Sujos, Eduardo MoSCoviS revela não gostar da fama de entendedor da alma feminina, mas não a contradiz. E fala, ainda, das críticas ao filme, de família, carreira, sexo e, claro, mulheres POR Júlia leão fOtOS Pedro dias / ag. istoÉ

• No cinema, o mais novo trabalho de Eduardo Moscovis, 44 anos, fala de amor, alegrias, paixões, tristezas. Na pele de um subdelegado, o ator aborda, no longa Corações Sujos – do diretor Vicente Amorim, adaptado do livro homônimo de Fernando Morais –, temas nos quais transita de forma fluente na vida pessoal. “Sou muito emotivo. Tenho esse lado em que o psicológico e o coração mexem comigo”, diz. O filme se passa em 1945, no pós-guerra, e mostra a dificuldade dos japoneses que fugiram do seu país em se adaptar à vida no Brasil. Em cartaz também no teatro, com a peça Corte Seco, com a qual viaja pelo País, o ator se prepara para a segunda temporada da série Louco por Elas, na Globo, que protagoniza ao lado de Deborah Secco. Em entrevista exclusiva a Gente, Du Moscovis fala do novo filme, da infância e da relação com os filhos: Gabriela, 13 anos, Sophia, 11 – do relacionamento com a produtora Roberta Richards –, Manuela, de 4, e Antônio, 6 meses, ambos da atual mulher, Cynthia Howlett, 35. E conta, ainda, como foi sua primeira vez no sexo e como ganhou a fama de entendedor da alma feminina.

• Como surgiu o convite para o filme? • Moscovis. Eu e o Vicente (Amorim, diretor) tínhamos um antigo desejo de trabalhar juntos. Ele já havia me chamado para fazer um filme, mas acabou não rolando. Quando viu que o Corações Sujos podia dar certo, me chamou. Topei na hora. • O que achou do seu personagem? • Tudo nele é interessante. Como o fato de não ter nome. É o subdelegado o que acho charmoso. Ele sempre pondera as situações, acaba virando o estrangeiro dentro da história, apesar de ser um dos poucos brasileiros na trama, que é contada no Brasil. Apesar da atuação do meu personagem ser pequena, traduz um pouco o olhar da sociedade naquele momento de pós-guerra. • Você falou que seu personagem sempre pondera as situações. Você também é assim? • Sempre fui tranquilo. Por isso, me considero um cara ponderado. Tento analisar as situações com atenção, sendo flexível, seja com a família, filhos, esposa, trabalho. Acho importante agir dessa maneira. Saber contemporizar ajuda nas relações e na condução da vida.


“Eu me considero um cara ponderado. Tento analisar as situações com atenção, sendo flexível, seja com a família, filhos, esposa, trabalho. Saber contemporizar ajuda nas relações e na condução da vida”


“Há dias em que nada que você faz ajuda. Já aconteceu de eu levar um chocolate para a minha mulher, e ela reclamar, dizendo que eu queria deixá-la gorda” Elogiado no Japão, o filme Corações Sujos foi criticado no Brasil. “Cada um enxerga de uma maneira. Críticas, positivas e negativas sempre vão existir”, diz Du Moscovis

• A maior parte do elenco do filme é de japoneses. Como foi essa experiência? • Foi interessante. A relação deles com o mundo é muito diferente da nossa. Eu já tinha atuado ao lado de estrangeiros no filme Bela Donna (1998), que tem atores canadenses. Mas com os japoneses foi muito mais interessante. Eles são sérios, estão sempre disponíveis e mantêm uma sobriedade admirável. • Prefere atuar ao lado de japoneses ou de brasileiros? • Tem muito japonês melhor do que atores brasileiros (risos). Eles não falam alto, são respeitosos. O que não acontece muito em diversos sets de filmagem no Brasil. • Houve alguma situação pitoresca durante as filmagens de Corações Sujos? • O set parecia uma colônia japonesa. Mas a situação que mais me marcou foi uma cena que mexeu com o meu emocional. Na cena, meu personagem e seus soldados queimam os livros de uma escola japonesa. Além da forte cena de colocar fogo em livros, que já diz muita coisa metaforicamente falando, tive de ser forte ao ver a personagem Akemi (vivida pela atriz Celine Miyuki) cantar, com dor, o hino nacional japonês. Engoli o choro. • O filme tem recebido muitas críticas. • Cada um enxerga de uma maneira. O Vicente (Amorim) leu o livro e quis fazer o filme. A ideia de um diretor brasileiro contar uma historia em japonês é estranha por si só. A força da história é que ela realmente aconteceu. Por isso, no Japão o filme mexeu tanto com os expectadores e foi um sucesso. Críticas, positivas e negativas, sempre vão existir.


• O que mais gostou no filme? • As relações amorosas. Os casais que se amam, se respeitam, se apaixonam. Tudo isso mexe comigo. Sou muito emotivo. Tenho esse lado em que o psicológico e o coração mexem comigo. É como a literatura. É bom ler, manusear um livro. O toque, a inspiração, tudo isso mexe com o ser humano. • Gosta de ler para seus filhos? • Sim. Eu e as meninas sempre sentamos para ler livros. Faz bem para a relação pai e filho. • Tem algo na sua infância que marcou sua vida? • Uma imagem que tenho gravada na minha mente, e que, para minha sorte, ainda continua acontecendo, é o retrato dos meus pais juntos. Eles são vivos e casados até hoje. O contato de pai, mãe e filhos na minha casa sempre foi muito forte. Meus pais sempre deram muita importância às festas de final de ano. Viajávamos para passar o Natal juntos. Hoje, faço isso com a minha família. • Você tem fama de bom entendedor de mulheres. Por que acha que recebeu esse rótulo? • Isso surgiu quando me chamaram para participar do programa Saia Justa, no GNT (em dezembro de 2010). Mas não quero esse rótulo. Mulher é um bicho muito estranho, que até sangra. • Por conviver com quatro mulheres em casa (a esposa, Cynthia Howlett, e as três filhas, Gabriela, Sofia e Manuela), que dica você daria para os homens se relacionarem bem com o sexo oposto? • Fazer agrado é bom, mas nem sempre adianta. Há dias em que nada que você faz ajuda. Já aconteceu de eu levar um chocolate para minha mulher e ela reclamar, dizendo que eu queria deixá-la gorda (risos). O agrado é mais na compreensão da situação do que em dar presentes. Acho primordial sacar a pessoa com quem você está, seja amiga, namorada ou esposa. O homem precisa ser mais sensível, ouvir mais, saber a hora de sair de perto. Eu, pelo menos, tento entendê-las.

• O que mais gosta e o que menos gosta numa mulher? • Eu acho lindo mulher de saia longa. Gosto de mulher com maquiagem leve, tipo cara lavada. Mas se ela aparecer com um batom vermelho e tiver estilo, posso ficar boquiaberto. O que não gosto mesmo é de perfume doce. Isso me deixa enjoado. Mas tudo depende do momento. Por exemplo, eu não gosto de gloss na boca. Mas se minha mulher coloca um dia, por alguma ocasião especial, vale a pena. • Quando foi a sua primeira vez no sexo? • Perdi a virgindade aos 13 anos, com uma namoradinha. Iniciação é iniciação. Não tive papo com meus pais. Mas falava com meus amigos e tinha visto muitos filmes com cenas de sexo. Para o homem, sexo é bem mais descartável do que para a mulher. Eu não pirei na minha primeira vez. Com o tempo, você vai ficando bom, mais experiente, conhecendo seu corpo e o das mulheres, aprendendo a arte do sexo. •

ASSISTA AO TRAILER DO FILME CORAÇÕES SUJOS EM WWW.ISTOEGENTE.COM.BR

O ator no papel do subdelegado do filme Corações Sujos: “Meu personagem traduz o olhar da sociedade naquele momento de pós-guerra”

“Perdi a virgindade aos 13 anos, com uma namoradinha. Para o homem, sexo é bem mais descartável do que para a mulher. Com o tempo, você vai ficando bom, mais experiente, aprendendo a arte do sexo”


Estilo Casa • Por Silviane Neno

O BAIANO do Rio

O apartamento do arquiteto David Bastos no Rio é a prova de que não existe limites para a ousadia no décor. Mas só os bambas sabem fazer isso com bossa, simpatia e sofisticação FOTOS Tucá Reines e Masao Goto Filho

Nizan lê jornal em sua ampla sala, predominantemente branca, decorada com fotos de Pierre Verger e um desenho de carvão sobre papel de Carybé


Estilo Casa

O ambiente de jantar tem mesa Trevi, de Roberto Barbieri, cadeiras Strip, de Carlo Colombo, (Casual M贸veis). Tapete By Kamy. O grafite na parede 茅 de Binho Ribeiro.


Acima, detalhe do hall de entrada. O piso é original do prédio de 1935. Quem chega é convidado a tirar os sapatos

Detalhe da mesa do escritório. Os projetos de clientes cariocas são feitos no Rio

• Em dezembro do ano passado, o arquiteto David Bastos decidiu que passaria o AnoNovo no Rio. Estava ansioso para ver 2012 chegar da janela de seu novo lar de frente para a praia de Ipanema. Na véspera do último dia do ano, o apartamento de 200 metros quadrados parecia estar pronto para a noite do Réveillon. O décor, todo branco, só contribuía para a atmosfera mais que perfeita. Os dois quartos de hóspedes estavam ocupados por amigos queridos e David, como bom baiano, era aquele anfitrião sem formalidades, impecável e sem frescura. Apesar da casa linda, espaçosa e convidativa, ele decidiu que não faria uma festa. A cozinheira, vinda de sua casa em Salvador, prepararia uma ceia e depois cada um tomaria o rumo que desejasse noite adentro. Acontece que os amigos foram chegando e a turma aumentando. Alguns tratavam de convocar outros pelo celular. O estilista e empresário Rodrigo Trussardi trouxe seu iPod. E, assim que a primeira música tocou, estava decretado que a festa seria ali mesmo. A essa altura, 80 pessoas já haviam tirado os sapatos no hall de entrada. Não se tratava de nenhuma superstição, e sim uma questão de respeito ao enorme tapete branco que cobria todo o salão com vidraças abertas para o mar. Rodrigo desligou o iPod às 7h da manhã. Foi a festa descalça mais chique e animada daquele Réveillon no Rio de Janeiro. A história serve para ilustrar o clima do lugar onde há um ano e meio David Bastos passa todos os fins de semana. De segunda a sexta-feira, ele dá expediente em seus movi5/9/2012

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Acima a suíte principal e a preciosa coleção de imagens feitas na África pelo fotógrafo Christian Cravo. No banheiro, a cortina de veludo complementa o luxo do mármore negro

mentados escritórios de arquitetura em São Paulo e em Salvador. Na sexta-feira, chova ou faça sol, ele pega o avião com destino ao Santos Dumont. Viaja de branco, como sugerem os orixás, e carrega apenas uma mochila. Afinal, já existe um guarda-roupa pronto na caixa postal de Ipanema. Aliás, o endereço não poderia ser mais carioca. No predinho, construído em 1935, na esquina da rua Joana Angélica, também mora a jornalista Danuza Leão e, reza a lenda, viveu o poeta Vinícius de Moraes. Pelo menos é o que diz a placa de bronze instalada ao lado da portaria principal. Há um ano David já procurava um imóvel na cidade para chamar de seu. Uma amiga avisou que havia um apartamento ótimo num prédio antigo em Ipanema, mas que precisava de uma boa reforma. A frase soou como um acorde de Tom Jobim aos ouvidos do baiano. David partiu para lá e quando viu aquele vão em ruínas, mas banhado de luz natural com vista para a Vieira Souto, fechou negócio na hora. Dois meses depois o mofo nas paredes deu lugar a dois enormes grafites de Binho Ribeiro, que teve carta branca para pintar o que quisesse. A carpa gigantesca alcança o teto e as escamas cobrem até parte do ar-condicionado. Uma ousadia de quem sabe que pode arriscar.


E David sabe como poucos brincar com o luxo e o novo. O mobiliário, predominantemente branco, foi escolhido prevendo a dinâmica de quem gosta de receber, de dia e de noite. A prioridade é o conforto. A suíte principal ocupa o espaço mais privilegiado do apê com seus janelões de frente para a praia. Além da vista, o destaque são as fotos de Christian Cravo que cobrem todas as paredes do quarto. As belas imagens, feitas na África, interrompem a hegemonia branca com seu claro e escuro étnico e sofisticado. Os fins de semana ali têm feito um bem danado ao dono da casa. Dia desses, voltando da praia, David cruzou com o zelador e decidiu perguntar em qual andar viveu Vinícius de Moraes. O homem devolveu de bate-pronto: “Ele nunca morou nesse prédio não. Quem morou aqui foi uma namorada dele”, entregou. Está certo que há verdades que até podem arranhar o mito, mas nunca roubar seu charme por completo. Outra delas poderia revelar o porquê de o arquiteto ter decidido também abraçar o Rio. A resposta (ou o segredo) está impressa em seu RG. O baiano David Bastos nasceu no dia 7 de dezembro de 1955... na cidade do Rio de Janeiro. •

A placa na portaria do prédio conta que o poeta viveu ali. Ao lado, uma das janelas da suíte principal

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AS DIVINAS

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Du Moscovis: “Para o homem, sexo é bem mais descartável”

5/set/2012

ano 13 n° 678

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