Skip to main content

ISTOÉ Gente 645

Page 1

DEPOIS DO AUTOTRANSPLANTE, OS DIAS DECISIVOS PARA REYNALDO GIANECCHINI

O deslize de Madonna

As mais elegantes A sofisticação de Natalie Portman

A campeã Angelina Jolie

do Globo de Ouro A escolha das três mais bem-vestidas por um time de especialistas e ainda as derrapadas nos looks das estrelas internacionais CONFIRA A ANÁLISE DOS SETE JURADOS DE GENTE:

Costanza Pascolato, Marcelo Quadros, Gloria Coelho, Lethicia Bronstein, Luis Fiod, Raphael Mendonça e Alê de Souza

A MODELO TRANSEXUAL CAROL MARRA CONTA TUDO: “ME ORGULHO DE NUNCA TER ME PROSTITUÍDO” I S SN

1 5 1 6 - 8 2 0 4

23/JAN/2012

ANO 13 N° 645

R$ 9,90

9 7 7 1 5 1 6

8 2 0 0 0 0

0

0

6

4

5

CAETANO VELOSO E REGINA CASÉ AGITAM O VERÃO BAIANO AO SOM DO CANTOR REVELAÇÃO MAGARY


Nesta edição do prêmio americano, Los Angeles viu um desfile de musas belíssimas e elegantérrimas. Gente escalou um time de especialistas para comentar e eleger quais delas se destacaram. E Angelina Jolie, mais uma vez, foi insuperável POR BIANCA ZARAMELLA E SIMONE BLANES

Costanza Pascolato, consultora de moda Gloria Coelho, estilista

O melhor do

Red Carpet

Lethicia Bronstein, estilista

Luis Fiod, stylist

Raphael Mendonça, stylist

Alê de Sousa, make-up artist e fotógrafo

Com 80% dos votos, a atriz foi eleita pelo júri de Gente a mais bem-vestida da noite. Ao lado do marido, Brad Pitt, ela sintetizou a elegância com um vestido de construção elaborada em uma silhueta reta

Steve Granitz / Getty Images

1º ANGELINA JOLIE

Marcelo Quadros, estilista


Em uma premiação repleta de tons naturais, a atriz trouxe mais cor e ousadia ao tapete vermelho, com seu tomara que caia pink.

3º CHARLIZE THERON Frederic J. Brow /AFP

2º NATALIE PORTMAN

Jason Merrit / Getty Images / AFP

Especial 69º Globo de Ouro

Ela soube ser exuberante, com decotes e fendas bem posicionadas, além da enorme cauda. Tudo sem cair no exagero.


LEVES E NATURAIS

ANGELINA JOLIE Vestido Atelier Versace, clutch vermelha e brincos da joalheira Lorraine Schwartz

MENOS É MAIS! LOOK MAIS SIMPLES, REALÇANDO AS JOIAS PODEROSAS

HEIDI KLUM Longo Calvin Klein, colar e anel com turquesas Lorraine Schwartz

Frazer Harrison / Getty Images / AFP

O MELH OR DA NOITE: A GOLA VERMEL H CONTRA A EM PO COM A S SIÇÃO ILHUETA NUDE

PON TO A LTO: D DRAP ECOTE EADO C FEND A SE OM XY

Fotos Jason Merrit / Getty Images / AFP

Frederic J. Brow /AFP

Os tons neutros foram os grandes protagonistas no tapete vermelho. Do nude ao bege, os vestidos foram enriquecidos com rendas, bordados, fendas estrategicamente posicionadas e joias poderosas. Um estilo luxuoso que tem tudo para se confirmar como tendência ainda neste verão.

CHARLIZE THERON Vestido Dior Haute Couture e joias vintage Cartier

Ficou perfeita assim sofisticada, com um vestido de alta-costura que tem a construção mais elaborada. Costanza Pascolato

Um pouco verão demais. O colar e o maxianel foram as grandes estrelas do look. Lethicia Bronstein

Ficou bom porque ela é muito alta e segura bem o decote, a fenda e a cauda. Ponto para os babados na lateral. Raphael Mendonça

A construção elaborada resultou numa silhueta simplificada e sintetizou uma imagem elegante e harmoniosa. Luis Fiod

Ela teve personalidade e seguiu uma linha mais clean. Acertou no colar com pedras azuis. Costanza Pascolato

Se não tivesse esse laço, teria amado o look. Ficou princesa demais com aquela tiara na cabeça. Lethicia Bronstein

Beleza perfeita com cabelos em coque clássico. O make-up tem foco nos lábios em vermelho com gloss por cima. Alê de Souza

Medonha. Não gosto de joias combinando e o colar e o anel ficaram pesados. Raphael Mendonça

Ela é deslumbrante, mas preferia um vestido com um tecido mais rígido, mais armado no corpo. Costanza Pascolato


Especial 69º Globo de Ouro Não amei o look. Usaria algo diferente. E alguma coisa me incomoda no vestido, não sei se a cauda ou o decote. Gloria Coelho Ela ficou ótima no tomara-que-caia bordado. A cauda de sereia e o brinco ficaram geniais. Costanza Pascolato A maquiagem está perfeita, com olhos discretos, foco nos cílios postiços e batom nude levemente rosado. Alê de Souza

RENDA-SE! O USO DO RECURSO E DAS TRANSPARÊNCIAS FOI SEU TRUNFO

SINTONIA: LOOK NUDE COMBINOU COM O MAKE MAIS DISCRETO

GOLDEN GIRL: TONS DE DOURADO DE RAM UM PLUS NO LOOK

JESSICA BIEL Vestido Elie Saab com joias Tiffany&Co

NICOLE KIDMAN Vestido Versace, clutch Roger Vivier e joias de Fred Leighton

JESSICA ALBA Vestido Gucci, clutch Roger Vivier e joias Bvlgari

Gostei da combinação dos tons dourados no vestido, nos acessórios e no próprio cabelo dela. Luis Fiod

Ousado e sofisticado, lhe deu uma silhueta jovem. Ela estava muito bonita. Gosto do modelo. Marcelo Quadros

O vestido é bonito e moderno, com as tachas douradas, mas este decote na frente não era o ideal. Lethicia Bronstein

A renda e a transparência deixaram o look fresh. Só o que me incomoda é a sandália aberta. Raphael Mendonça

É um Versace lindo, muito benfeito, com muitos elementos que são característicos da marca. Gloria Coelho

Está horrorosa! Vestido sem proporção, sumiu com o corpo dela. Parecia uma camisola. Costanza Pascolato


ROSAS E VERMELHOS

REESE WITHERSPOON Vestido Zac Posen, sapatos Christian Louboutin e joias Fred Leighton

Frazer Harrison / Getty Images / AFP

Jason Merrit / Getty Images / AFP

Cores fortes exigem cuidados na hora de escolher acessórios, cabelo e maquiagem. Natalie Portman acertou com este modelo Lanvin em tom pink e a clutch vermelha arrematou o look com elegância. Já Reese Witherspoon poderia ter escolhido uma beleza mais minimalista para valorizar o vestido com assinatura de Zac Posen. Confira os comentários.

COLOUR G: A BLOCKIN ÃO Ç A IN COMB COM O K IN P O D U HO FICO VERMEL ITA E F R E P

OPS! FALTOU PRENDER O CABELO E ESCOLHER UM LOOK ADEQUADO À PERSONALIDADE DELA

NATALIE PORTMAN Vestido Lanvin, sandálias Jimmy Choo, clutch Tiffany&Co e joias Harry Winston

Ficaria melhor se escolhesse um tecido mais fluido, que tivesse mais movimento, e que não fosse vermelho. Luis Fiod

Vestido encorpado e com volumes corretos. A cor é vibrante, super-sexy e contemporânea. Marcelo Quadros

Ela quis ser mais mulherão, mas não deu. O vestido vermelho também não funcionou. Lethicia Bronstein

Uma princesa. Remete a 1700 pelo volume, mas, ao mesmo tempo, é atual pelo tomara-que-caia. Gloria Coelho

Não é um dos meus prediletos. E, se ela estivesse com o cabelo preso, talvez ficasse mais elegante. Marcelo Quadros

Divina! Um mix de Marilyn Monroe e Audrey Hepburn. Usar cereja com o vermelho foi ótimo. Raphael Mendonça


Especial Especial 69º Globo de Ouro

TUDO AZUL

A cor saiu direto das passarelas internacionais como uma nova alternativa para brilhar no tapete vermelho. Seja em modelos de modelagem tradicional, seja em looks contemporâneos, a cor veio para ficar no closet das estrelas de Holywood.

Chiquérrima. Ela é linda, não precisa ser sexy, não precisa mostrar nada. O ponto alto é essa manga. Raphael Mendonça Romântica! Amo o cabelo curtinho com o leve volume após a faixa. Usaria um batom vermelho ou fúcsia. Alê de Souza

ORIGINAL: ELA FUGIU DOS VESTIDOS COM CAUDA DE SEREIA E APOSTOU NO TRADICIONAL

PRINCESA: O DESTAQUE FOI A TIARA, QUE CONFERIU UM AR ROMÂNTICO À ATRIZ

MICHELLE WILLIAMS Vestido Jason Wu, clutch Judith Leiber e joias Fred Leighton

Fotos Jason Merrit / Getty Images / AFP

FREIDA PINTO Vestido Prada e joias Chopard

Não gostei. Só o colar é lindo.

Frederic J. Brow /AFP

O vestido em si não é feio, mas não acho a tiara usada com o mesmo tecido uma boa opção. Gloria Coelho

MODE LAGE M EXC ROUP LUSIVA: A MIS TURO ALFAIA U TA ALTA-C RIA COM OSTU RA

TILDA SWINTON Vestido Haider Ackermann e joias Fred Leighton e Pomellato

Costanza Pascolato

Adoro! Um vestido sofisticado para uma mulher de personalidade como ela. Costanza Pascolato

Ela optou por uma atitude mais jovial, com um vestido de proporções mais clássicas. Luis Fiod

Ela trouxe o frescor da moda ao evento. É uma roupa-design, que olha para o futuro. Luis Fiod

Se o csbelo estivesse solto ou mais preso seria melhor. Gostei dos olhos na cor berinjela brilhante. Alê de Souza

Gosto da modelagem cachecour. É perfeito: com manga, drapeados e a cauda na medida. Marcelo Quadros


BLACK POWER

Frederic J. Brow /AFP

Quem aposta em vestido preto não erra. Será? Ele traz elegância para umas, mas pode deixar a silhueta sem graça para outras. Neste Globo de Ouro, esse dilema foi reconhecido por nossos especialistas.

ROONEY MARA Vestido Nina Ricci, sandálias Christian Louboutin e anel Fred Leighton

SAMBA DE UMA NOTA SÓ: FALTARAM ADEREÇOS PARA DAR MAIS BOSSA AO LOOK

AS: S LATIN RAÍZE AR NO APOST COM OUR GLAM ÉTNICO E U TOQ ERTO UPERC S U E D

SALMA HAYEK Vestido Gucci

Jason Merrit / Gettyimages / AFP

JULIANNE MOORE Chanel

Frazer harrison / Gettyimages / AFP

TOUCHÉ! BRINCOS DE ESMERALDA REALÇADOS COM OS CABELOS RUIVOS DELA

Minimalismo tem limite. Ela chegou perto porque poderia ter colocado algo da personalidade dela nesse look. Luis Fiod

Os brincos de esmeralda ornaram perfeitamente com o seu colorido natural. Lethicia Bronstein

Estava bonita com esse geométrico de inspiração art déco. Gostei do cabelo que lhe deu um ar latino. Costanza Pascolato

Vestido divino. Mas eu colocaria um brinco ou uma pulseira para dar luz ao cabelo a la garçon. Raphael Mendonça

Gostei dos cabelos soltos com risca lateral e fios levemente desestruturados. Alê de Souza

A roupa valorizou a beleza dela, mas a cauda está um pouco dramática. De qualquer forma, está bonita. Gloria Coelho

Look bom para quem tem menos busto e uma figura longilínea como ela. Chique mesmo sem joias. Lethicia Bronstein

Ficou elegante em uma silhueta mais seca. O modelo sereia a deixou ainda mais esquia. Marcelo Quadros

Ela valorizou a silhueta e incorporou o glamour do evento. O preto com dourado ficou muito elegante. Luis Fiod


Especial Especial 69º Globo de Ouro

PRETO NO BRANCO

Uma combinação clássica que voltou a ser repaginada no tapete vermelho. Com tecidos nobres e em peças lisas, ganhou imagem aristocrática. Não foi muito visto nesta edição do evento, mas foi aplaudido quando apareceu.

AUSTERIDADE: LOOK COM MENOS GLAMOUR NÃO SIGNIFICA MENOS ELEGÂNCIA

CLAIRE DANES Vestido P&B J.Mendel e clutch Tiffany&Co

Frederic J. Brow /AFP

Frederic J. Brow /AFP

GEOMETR IA: OS RECORTE S DER UM CHAR AM ME A MAIS N A PRODUÇÃ O

KATE WINSLET Blusa e saia Jenny Packham, clucth e joias Fred Leighton

Gostei muito do modelo preto e branco clássico, mas com um toque de vanguarda. Muito elegante. Luis Fiod

A roupa tem um quê dos anos 30, com menos glamour, e interpreta sutilmente os anos de depressão e renascimento. Costanza Pascolato

Ela não tem busto e acerta nos decotes fechados. O charme do vestido está nos bordados. Lethicia Bronstein

Gosto muito do look. Impossível dizer o que não está bom, mas talvez eu reduzisse o decote. Gloria Coelho

O look poderia ter favorecido mais as formas da atriz. Achei que a geometria não ajudou. Marcelo Quadros

Uma mulher acima do peso nunca pode usar cetim, que marca demais. Além disso, a parte de cima repartiu o peito. Raphael Mendonça


Especial 69º Globo de Ouro

METALIZADOS

Chris Pizzello /AP

Quem é rainha nunca perde a majestade, mas o efeito metalizado exige cuidados e Madonna cometeu um deslize na hora de compor seu look. A luva, direto dos anos 80, era dispensável e o exagero de texturas comprometeu a imagem de moda da cantora e ícone pop. Nicole Ritchie foi outra que mostrou estar nos anos 90, com cabelo e make comprometedores neste look prata.

TÚNEL DO TEMPO: DE LUVINHA E TUDO, A POPSTAR EXAGEROU NAS REFERÊNCIAS AOS ANOS 80

NICOLE RICHIE Vestido Julien Macdonald, sapatos Jimmy Choo e joias Neil Lane

Matt Sayles / AP

MADONNA Reem Acra

PASSOU DO PONTO: MUITA INFORMAÇÃO EM UM LOOK MUITO JUSTO. NÃO DEU CERTO

LEA MICHELLE Vestido Marchesa e sapatos Jimmy Choo

Não gosto do vestido, mas para quem sabe ler, percebeu que ela interpretou uma personagem. Costanza Pascolato

Não me agradou tanto. Não sei se é o cabelo que não se adequou ou esta malha de metal que ficou exagerada. Marcelo Quadros

O vestido tem ornamentos demais, é metalizado e tem a silhueta muito justa. Ficou pesado. Luis Fiod

Está muito Like a Virgin revisitado com essa luvinha e a parte de baixo parece um edredom feito em saia. Raphael Mendonça

Sem comentários. Achei tudo um horror!

Não gostei. Vestido metalizado não é novo e as transparências e aplicações estão exageradas. Marcelo Quadros

Amo as pulseiras e gostei das cores, mas o vestido é exagerado e ela não precisa disso. Gloria Coelho

Ela estava bem, afinal. Eu gostei porque combinou com ela. Costanza Pascolato

23/1/2012

| 40

Alê de Souza

Gosto da maquiagem clássica com foco nos iluminadores que deixam a pele radiante e poderosa! Alê de Souza

Frazer harrison / Gettyimages / AFP

PANE GERAL: PANE GERAL: NEM O CABELO NEM O VESTIDO AGRADARAM


Diversão & Arte

cinema • gastronomia • livros • música • teatro • televisão

AVALIA: ★★★★★ INDISPENSÁVEL ★★★★ MUITO BOM ★★★ BOM ★★ REGULAR ★ FRACO

CINEMA

Ana Lontra Jobim

TOM FOI CANTADO PELOS GRANDES NOMES DA MÚSICA MUNDIAL, DE JUDY GARLAND A DIANA KRALL

O MUNDO DE TOM Documentário de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim não tem depoimentos, não tem legendas, não tem interferências de espécie alguma. Tem apenas cantores de várias partes do mundo cantando Tom Jobim Aina Pinto

• Tom Jobim faria 85 anos em 25 de janeiro e será homenageado na edição do Grammy deste ano. O prêmio pela obra é uma distinção que já coube a Paul McCartney, John Coltrane e Frank Sinatra – que gravou um disco inteiro com Tom em 1967. Cenas do especial de Sinatra de que o brasileiro participou estão no documentário A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, neta do maestro. O filme não tem legendas identificando quem aparece na tela nem entrevistas sobre ele. Há apenas música, cantada por gente como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Judy Garland. João Gilberto aparece tocando violão para Elizeth Cardoso. “O material dele estava comprometido com outro filme (um documentário sobre ele).


• Por que os cantores não são identificados no momento em que aparecem, mas apenas nos créditos finais? • Nelson Pereira dos Santos – A ideia era não repetir o que se faz na televisão, que tem a necessidade de identificar tudo. Fizemos um filme. E alguém já viu os atores serem identificados durante um filme? Se não sabe quem é, fica ali, curte a música. Além disso, qualquer coisa escrita na tela cortaria a relação com o espectador. • Por que o filme começa com Gal Costa? • Dora – Por causa da cronologia da música. “Se Todos Fossem Iguais a Você” foi uma das primeiras. Não tínhamos imagens da época em que foi composta. E também porque a Gal sempre foi uma pessoa muito próxima dele e, no final, ele aparece no palco. Parece que ela está cantando para ele. Tinha esse charme de já apresentá-lo no início do filme. • Qual a lembrança mais forte que vocês guardam dele? • Dora – Eu tenho diversas lembranças, mas elas vêm de acordo com o momento. Ele era um cara muito comunicativo, gostava de estar sempre rodeado de gente. Eu tinha 18 anos quando ele morreu. Meu pai tocava na banda, eu frequentava a casa, os ensaios... • Nelson – Eu sempre me dei bem com ele. O Tom estudava a vida dos urubus. Naquele tempo, não existiam essas câmeras pequeníssimas. Então, toda vez que ele conhecia um cineasta, ele dizia: “Como você faz para filmar um urubu voando?” Ele queria o ponto de vista do urubu. Todo aquele convívio com o Tom, no tempo do programa de tevê que fiz com ele (em 1985), foi muito importante. Ele mudava de ideia a todo instante. Foi um momento rico de trabalho, de acompanhar o procedimento de um artista.

Gustavo Otero

Mas a importância dele está registrada”, explica Nelson. Eles contam que não houve problemas com herdeiros dos cantores para a cessão de imagens. “A família do Sammy Davis Jr. chegou a mandar uma carta dizendo que estava honrada de ele estar no filme”, conta Paulo Jobim, filho e diretor musical do longa.

DORA E NELSON OPTARAM POR NÃO COLOCAR LEGENDAS PARA NÃO QUEBRAR A RELAÇÃO DO PÚBLICO COM O QUE SE VÊ NA TELA

‘‘Depois que ele morreu, não era mais o vovô. Era um personagem de quem as pessoas falam a todo instante. Me surpreendeu quando a Amy Winehouse gravou uma música dele” Dora Jobim • Dora, quando você teve ideia da importância de seu avô? • Desde pequena eu sabia que ele fazia música, mas não tinha muito essa ideia do reconhecimento. Na escola, nos anos 80, estava meio fora de moda essa coisa da bossa nova. Entre os meus amigos, ninguém perguntava nada. Isso era mais coisa das professoras. Depois eu vi isso se manifestar mais diretamente, com a repercussão internacional. Depois que ele morreu, não era mais o vovô. Era um personagem de quem as pessoas falam a todo instante. Me surpreendeu quando a Amy Winehouse gravou uma música dele. É impressionante. • As músicas dele nunca deixaram de ser gravadas, todo o material dele está disponível no Instituto Antonio Carlos Jobim. Qual é o critério da família para autorizar o uso da obra dele? • Dora – A Ana (viúva de Tom) tem alguns critérios. Não gosta que façam propaganda de bebida, de cigarro. Mas não tem muita restrição de qualidade.

Vamos falar que pode ou que não pode por causa da qualidade de uma gravação? Isso é muito relativo. Acho bom que seja aberto, que possam gravar. Logo depois que ele morreu, papai fez o instituto. Está tudo certinho, registrado como ele (Tom) queria. E a Jobim Music representa o lado comercial. Versão de música é uma coisa que a Ana não gosta muito que se faça, porque ele não gostava. Inclusive, tem versionista que depois causa problemas. • Vocês estão em meio a um processo contra um versionista americano, Norman Gimbel, que fez versões importantes para “Garota de Ipanema” e “Insesatez”. • Dora – Sim, há um processo gigante, há anos. Eu nem sei dar detalhes sobre isso. Ele trabalhava para a editora, fez versões das músicas do vovô e de muitos compositores brasileiros. Em um dado momento, ele virou dono também da edição. No fim das contas, ele vira o compositor da música, sem nunca ter ido a Ipanema. • 14/01/2011

| 101


Túnica de seda com maxiestampa étnica e plumagem de pássaros Alessa


Ensaio

Vtriunfal olta

Após 12 anos vivendo em Paris, Talytha Pugliesi retorna ao Brasil com pique total nas passarelas, sonhando alto com a tevê e solteira pela primeira vez desde 2003 POR Gustavo autran fOtOs daniel benassi / aG. istoÉ styling alexandre schnabl COnCeitO bianca Zaramella

23/1/2012

| 49


Vestido longo de crepe com estampa tribal Sta. Ephigênia, pulseiras de madeira Fiszpan e sandálias de couro bronze Schutz

“Aqui no Brasil tem esse preconceito de dizer ‘ah, ela é ex-modelo’. Para começar, eu não sou ex-modelo, sou veterana”


Ensaio

Bolero de couro vazado Patrícia Vieira sobre chemise de animal print C&A e saia de seda de estampa étnica André Lima para Alberta

• Tudo bem que o porte elegante e a beleza aristocrática sempre foram grandes aliados da top Talytha Pugliesi. Mas, de dois anos para cá, o mundo fashion ficou pequeno para a modelo de 29 anos, integrante de uma geração de beldades brasileiras que brilhou nas passarelas mundo afora. Sua participação na primeira temporada do programa Esquenta!, comandado por Regina Casé aos domingos, deu tão certo que ela foi novamente escalada para ocupar o posto de jurada e comentarista da atração, no ar desde dezembro. Ainda que sob a desconfiança do público, que a identifica com marcas de alto luxo como Dior, Chanel e Gucci, o que contrasta com sua presença em uma atração popular. “A Regina brinca que eu faço parte da cota de brancos do programa (risos). Mas a verdade é que eu me divirto muito e adoro tudo o que é falado ali. Amo samba desde criança e sonho em desfilar no Carnaval. E, por incrível que pareça, eu sei sambar muito bem!”, garante. A própria Regina brinca com essa paixão de Talytha. “Ela é neguinha! É branca, mas é neguinha”, diverte-se a apresentadora, amiga de longa data da modelo. O redirecionamento na carreira faz parte de um pacote de mudanças no plano pessoal. Depois de 12 anos morando em Paris, em um charmoso apartamento a cinco minutos do Louvre, no 1º arrondissement, a modelo decidiu voltar para o Brasil, no fim de 2010. “Comecei a sentir muita falta daqui. Vinha para cá e não queria mais voltar. Dá para imaginar alguém arrasada porque está voltando para Paris?”, indaga. Por aqui, as agendas de modelo e comentarista de tevê são conciliadas. Talytha fez curso de interpretação em São Paulo no ano passado, mas não pretende abandonar as passarelas. “Jamais sacrificaria a carreira de modelo porque amo muito o que faço. Aqui no Brasil tem esse preconceito de dizer ‘ah, ela é ex-modelo’. Para começar, eu não sou ex-modelo, sou veterana, mas graças a Deus eu trabalho bem ainda”, dispara. De fato. Talytha foi figura constante na Fashion Rio 2012 e na Fashion Business, também na capital fluminense, com cinco participações. Suas apresentações são sempre elogiadas. “Ela tem identidade, seja na maneira de andar, seja em sua expressão. Além disso, a Talytha é extremamente elegante. Tudo o que ele veste fica mais atraente”, avalia o estilista Lino Villaventura. 23/1/2012

| 51


“Ele (o exmarido Michko Zivanovic) é uma das pessoas mais incríveis que conheci, mas não estávamos conseguindo fazer com que desse certo”

Minivestido de malha com plumas negras, Triton, maxicolares de sementes Victor Dzenk e sandálias de couro bronze Schutz

• Solteira e feliz

• No curso das mudanças pessoais, a mais importante foi a separação do construtor Michko Zivanovic, 42 anos, um francês de ascendência sérvia, com quem estava casada há três anos. Os dois se conheceram em 2003 e oficializaram a união numa cerimônia católica ortodoxa para 150 convidados, realizada numa pequena capela na cidade de Loznica, ao sul da Sérvia. “Ele é uma das pessoas mais incríveis que conheci, mas não estávamos conseguindo fazer com que desse certo”, conta ela, solteira há três meses. O rompimento, claro, adiou por tempo indeterminado seus planos de ser mãe. A vontade vinha crescendo de um ano para cá, principalmente depois que soube da gravidez de sua irmã Nataly, 27 anos. “Minha sobrinha já deve até me conhecer de tanto que eu converso com a barriga da minha irmã. Quero ser mãe um dia”, diz. Mas nada de ansiedade, tampouco depressão pela separação em si. Talytha garante que está tudo bem. “Já tive momentos de tristeza, claro, mas não tenho tendência para ser depressiva. Sou uma pessoa feliz e estou mais feliz aqui no Brasil.” • Beleza • Carol BiCudo assistentes de PROduçãO • luCas Magno, Jessica maGdalena e tamara lacerda assistentes de fOtOgRafia • Henrique madeira e João Pacca agRadeCimentO • FáBriCa BHering (21) 3622-4300 www.FaBriCaBHering.CoM


Segunda pele de tule de estampa étnica Victor Dzenk sob vestido de trama rústica Tufi Duek e sandálias de couro bronze Schutz. Mix de colares de estanho Sacada e de couro com osso Manuca Vieira

Ensaio

23/1/2012

| 53


“Sou uma mulher presa em um corpo de homem” A modelo transexual Carol Marra conquista seu espaço na moda nacional e confirma a vocação do Brasil de produzir beldades em qualquer gênero. Aos 24 anos, ela fala de preconceito, diz que teve medo de ser agredida e que foi deletada do Facebook por uma grande paixão depois que ele soube de seu segredo pelas revistas POR SIMONE BLANES FOTOS ALÊ DE SOUZA

• Em um país que se tornou conhecido internacionalmente por exportar beldades para o mercado da moda, tudo leva a crer que o Brasil, agora, tem um novo e recém-descoberto potencial. Afinal, qual país consegue ter duas transexuais nas passarelas? Após Lea T., que foi apadrinhada por pesos pesados do circuito fashion, é a vez de Carol Marra abrir alas por aqui. Aos 24 anos, a mineira de 1,79 m, nascida Cláudio, apareceu sob os holofotes na última edição do Minas Trend Preview, em julho de 2011. E, de lá para cá, a expectativa por vê-la nos desfiles do eixo Rio-São Paulo só aumentou. Uma carreira que começou por acaso. Carol era produtora de moda, sempre circulou pelos backstages, entre fotógrafos e maquiadores, e sempre chamou a atenção pela feminilidade. “Mas eu tinha pavor de câmera. Só que insistiram tanto que eu fiz um catálogo e acabei sendo contratada por uma agência em Minas”, conta. Apesar da familiaridade com esse universo, Carol não teve vida fácil no começo e garante

que sofre preconceito até hoje nos castings que faz para os trabalhos. Isso, porém, não a desanima. Tampouco a fama repentina a envaidece. “Não me deslumbro, mas quero ser respeitada. Amo salto alto, mas tenho o pé no chão”. É esta figura bem resolvida que conversou com Gente e posou para as lentes de Alê de Souza no começo do mês. A seguir, Carol fala da família, dos amores, de como se descobriu mulher, da comparação com a colega Lea T. e da vontade de fazer a cirurgia que a libertaria definitivamente de sua “prisão”. • Em primeiro lugar, como você se define hoje: transex ou travesti? • Carol. Sim. Nasci com muito hormônio feminino, penso como mulher e, consequentemente, ajo como uma. Sou uma mulher com alma feminina presa em um corpo de homem. É isso. • E quando descobriu essa sua alma feminina? • Já na infância. Eu sempre fui uma criança


Gente entrevista

23/1/2012

| 55


“Nasci com muito hormônio feminino, penso como mulher e, consequentemente, ajo como uma”

“Não tinha contado a ele que eu era transex. Vim para a sua casa em São Paulo e numa manhã, indo tomar café, cruzamos com um travesti e ele comentou: ‘nossa, deveriam fazer uma limpeza e matar esses lixos humanos’. Aquilo foi como uma faca no meu coração”


“Tenho orgulho em dizer que nunca me prostituí”

andrógina. Lembro que quando eu saía com os meus pais, todo mundo dizia: “nossa como essa menina está grande!” E minha mãe ficava desconcertada em dizer que eu era, na verdade, seu filho. • Seus pais não aceitavam? • Me colocavam de castigo e eu não sabia o porquê. Por exemplo, toda vez que eu brincava de boneca com a minha irmã ou quando imitava a Xuxa era castigo na certa. Aí me colocaram em uma psicóloga que logo de cara me colocou em uma sala cheia de brinquedos. E eu fui logo nas bonecas, não teve jeito. Meus pais eram funcionários públicos federais e na verdade, com o tempo, percebi que a preocupação deles é que não queriam que eu sofresse. Hoje, eles entendem melhor, me respeitam, me apoiam, sei que me amam. E têm orgulho de me ver nas revistas. • E na escola, como era sua vida? • Era horrível. Naquela época não se falava em bullying, mas eu sofri muito. Ficava com as meninas porque os meninos não me aceitavam nem eu queria a companhia deles. Não ia ao banheiro de jeito nenhum, com medo que me batessem, e não fazia educação física jamais. • Na faculdade, a coisa mudou? • Também foi difícil. Quando os meus interesses sexuais começaram a despertar, eu ficava atraída pelos namorados das minhas amigas. Era muito confuso. Não me achava gay. Pensava que era hétero. Mas como poderia ser hétero, se não era mulher? Mas a terapia me ajudou a entender o que eu era e minha vida começou a caminhar. Eu comecei a ser feliz. • Como foi sua primeira experiência sexual? • Foi aos 22, com um homem que me entendeu, me respeitou, me tratou como mulher. Mas o namoro não durou porque ele não tinha estrutura para me assumir publicamente. • E na balada como é a abordagem deles? E como eles reagem ao saber? • Já aconteceu de eu estar na balada, aceitar uma carona e o cara vir com beijos e abraços até perceber que tinha um volume. Lembro que ele disse: “isso é um saco, vou te bater”. Aí vi aqueles braços imensos e pensei: e agora? Mas fiz a atriz e disse: “desculpe, mas se você não sabe diferenciar um saco de um absorvente, para mim, você não é homem”. Ele ficou sem graça e pediu desculpas.

• Você não conta que é transex? • Hoje, já no papo, eu conto. Alguns reagem bem, outros vão embora. E a maioria acha que é mentira. Outro dia, chegou um cara querendo puxar conversa. Aí ele me perguntou quem eu era porque era linda, e eu pedi para ele colocar meu nome no Google e descobrir. Ele fez na hora pelo celular, me olhou, bateu no meu ombro e disse: “valeu”. Depois, ficou no bar a noite inteira me olhando. Aí ele voltou e me perguntou se era verdade. E eu disse: “sim, é”. • Já se apaixonou alguma vez? • Sim. Por um rapaz que conheci em Jurerê Internacional, em Santa Catarina. Esse foi uma das minhas grandes paixões. Mas não tinha contado que eu era transex. Vim para a casa dele em São Paulo e numa manhã, indo tomar café, cruzamos com um travesti e ele comentou: “nossa, deveriam fazer uma limpeza e matar esses lixos humanos”. Aquilo foi como uma faca no meu coração. • E o que aconteceu depois, quando contou a ele? • Não contei. Naquele dia mesmo pedi para ir numa farmácia comprar absorvente e justificar não fazer sexo com ele e desapareci. Ele me mandava e-mails desesperados perguntando o que tinha me feito e por que sumi. Depois de muito tempo, eu respondi que simplesmente não estava bem e que preferia ficar sozinha. Nunca mais nos falamos. Isso foi há dois anos. • E hoje ele sabe? • Ele soube. Percebi quando recentemente ele me deletou do Facebook dele. Deve ter ficado sabendo pelas revistas porque eu mesma nunca contei.

Gente entrevista

“O cara veio com beijos e abraços até perceber que tinha um volume. Lembro que ele disse: “vou te bater”. Aí vi aqueles braços imensos e pensei: e agora? Mas fiz a atriz e disse: “desculpe, mas se você não sabe diferenciar um saco de um absorvente, para mim, você não é homem”. Ele ficou sem graça e pediu desculpas”

‘‘Tem muitos stylists que dizem não querer travesti no casting. Por quê? Acho lamentável, ainda mais vindo deles que são, em sua grande maioria, todos gays’’

• Mesmo com seu trabalho estabelecido como modelo, ainda sofre muito preconceito desse tipo? • Sim, até mesmo no Facebook teve muita gente que me deletou depois de saber, me perguntando por que não contei antes. Não acho que deva ficar falando disso, até porque eu sou uma pessoa normal, como qualquer outra. Teve um cara que me perguntou se eu era um “pé de alface”. A criatura deve ter confundido a palavra “transgênero” com “transgênico”. E eu postei: “não, meu amor, sou um morango bem vistoso.” 23/1/2012

| 57


Gente entrevista

“Teve um cara que me perguntou se eu era um “pé de alface”. A criatura deve ter confundido a palavra ‘transgênero’ com ‘transgênico’. E eu postei: “Não, meu amor, sou um morango bem vistoso” • No trabalho, já passou por alguma situação de preconceito? • Sim. Sou contratada pela agência Ello Management, do Rio, que foi a única que me recebeu de portas abertas, com o maior carinho e respeito. Mas sabe o que acontece que eu não entendo? Tem muitos stylists que dizem não querer travesti no casting. Por quê? Acho lamentável, ainda mais vindo deles que são, em sua grande maioria, todos gays. Mas graças a Deus estou arrasando em desfiles e espero conseguir muito mais trabalhos. • E a incomoda ser comparada com a Lea T.? • Adoro a Lea T., ela é incrível, uma referência para mim. Só que ela é mais andrógina, eu sou mais feminina. A pioneira, na verdade foi a Roberta Close, depois veio a Lea T. e agora eu, mas cada um tem o seu caminho. E tem lugar para todo mundo trabalhar. • Já fez a operação de mudança de sexo? • Ainda não fiz porque não tive oportunidade. Mas eu quero fazer. Agora não porque preciso de um tempo para me recuperar da cirurgia de prótese de silicone que eu fiz. Coloquei 240 ml com o mesmo médico que coloca as próteses das misses. Ele teve o bom senso de colocar uma prótese pequena porque sabe que eu sou modelo fashion. Mas ficou linda. • Faz planos para o futuro? • Quero conquistar a minha independência financeira e vencer os preconceitos. Eu tenho orgulho em dizer que nunca me prostituí e quanto é bom ter uma família boa, que teve condições de me dar estudo e me pagar uma faculdade (de jornalismo). Quero que a minha história sirva de inspiração para outras como eu. Se isso acontecer, sei que vai ter valido a pena tudo o que eu sofri. • 23/1/2012

| 58

“Quero que a minha história sirva de inspiração para outras como eu. Se isso acontecer, sei que vai ter valido a pena tudo o que eu sofri”


Acima, o designer André Bastos sentado na estante projetada por Jean Pierre Tortil. A disposição dos móveis foi pensada para abrir espaço para receber convidados. À esq., detalhe da pia no quarto do anfitrião


Estilo Casa • Por Silviane Neno

A casa do designer André Bastos é o retrato dos anseios de um jovem paulistano que gosta de morar bem e estar perto de tudo. Do lado de dentro, muito design, e, lá fora, a avenida Rebouças

Janela para a cidade

Juliana Faddul FOTOS Juca Rodrigues/Ag.IstoÉ 14/01/2011 23/1/2012

| 77


POST-IT Canto preferidasosistir a filmes na o “Meu quarto. Ador a” lin gio poltrona Mag

Achado de décor e ais de 100 anos qu m “Uma prataria com te de uma amiga” en es pr de ei nh eu ga

Na wish list

ilson. Ainda vou ter

“Uma obra do Leon

O lustre Bird, de Ingo Maurer: poesia e arrojo. A iluminação indireta que pontua toda a casa tem projeto da La Lamp, onde André é curador

”


Estilo Casa

Na cozinha, quadros de J. Borges e referências à literatura de cordel. Abaixo, as amplas janelas com vista para a avenida Rebouças. Ao lado, o lavabo e o quarto do designer: quadros comprados em Londres, marmiteira da China e a cadeira-xodó Maggiolina

• Está escrito. Quando alguém nasce predestinado a viver de arte é difícil fugir. Logo na infância, a paixão de André Bastos pelas formas e cores dos objetos já era denunciada por meio de seus desenhos, que se destacavam entre os de outras crianças. Mesmo assim, ele insistiu em tentar a medicina. Conseguiu frequentar o curso por quatro anos no Rio Grande do Sul. Mas foi só. Decidiu viver de arte e mudar de cidade. Em terras paulistas montou uma loja multimarcas, a Vila Due. “Não adianta tentar negar. Mesmo eu nunca tendo sido estilista, trabalhar com moda é estar perto de um mundo muito mais criativo”. Tempos depois fechou a loja, e depois de um período sabático, decidiu montar ao lado do amigo Guilherme Leite Ribeiro o estúdio Nada Se Leva. “Queríamos montar um negócio com os objetos que queríamos ter”, conta. Todavia, o lar que divide com o amigo Eduardo Gaidies, num charmoso prédio dos anos 1960 nos Jardins, não é uma “extensão da galeria de design”, como ele mesmo explica. Com um espaço de 250 m², o lar, doce lar é uma junção de dois imóveis. O projeto, claro, ficou inteiramente a cargo de André, que tratou de derrubar paredes para ampliar a sala e transformar os cinco dormitórios em três. “Eu adoro uma obra. Pegamos um apar-

tamento de três quartos e o outro de dois. Só fiz uma redisposição. Adoro pegar o feio e transformá-lo em belo.” No hall da entrada uma cadeira Aurélio Flores amarela contrasta com o tom escuro do jacarandá que reveste as paredes do prédio. A ampla sala foi pensada para receber convidados, muitos, inclusive. A dupla adora receber os amigos. Destaque para a caveira de metal, do Nada Se Leva, e o lustre Bird, do artista Ingo Maurer, vedete do ambiente. Outro móvel que chama a atenção é a estante projetada pelo amigo Jean Pierre Tortil, um dos mais interessantes da casa. Ela se funde com um sofá, emoldura a vista para a avenida Rebouças e agrada aos fumantes e amantes da paisagem. Do outro lado, uma tela pintada por Renato Dib completa a cena. A cozinha, intimista, ganha as cores dos quadros desenhados por J. Borges e a prateleira arrematada no bairro do Bixiga. Migrando para o quarto de André, toques modernos se mesclam com lembranças de viagens. Por lá, a marmiteira da China chega a ser divertida. Ao lado dela, poltrona Maggiolina e a luminária Gamela de Pé, da série Brasileirinhos, também do Nada Se Leva. “Modernidade é essa mistura. Um mix de memórias e objetos que demonstram a sua personalidade.” Tá falado. • 23/1/2012

| 79


os dias decisivos de Giane O ator Reynaldo Gianecchini, que passa bem depois do autotransplante, entra na fase mais importante do tratamento do câncer que o acomete desde 2011. Para especialista, o diagnóstico de cura só poderá ser confirmado daqui a um ano POR Bruna narcizo e Thaís BoTelho

• Após se submeter ao autotransplante de medula óssea na segunda-feira 9, como Gente antecipou na edição 644, Reynaldo Gianecchini segue internado no hospital SírioLibanês, em São Paulo. “Deu tudo certo e a família está otimista, mas continuam pedindo orações para ele”, contou uma amiga da família, na tarde da segunda-feira 16. O boletim sobre o estado de saúde do ator, divulgado na quinta-feira 12, confirmou o procedimento. Agora, é preciso aguardar a chamada “pega”, que é a reação positiva da medula ante o transplante. “É muito raro não ‘pegar’, mas, caso aconteça, é possível realizar uma nova tentativa. O paciente não morreria por isso”, explica o oncologista Sérgio Simon, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

• Próximas semanas • A confirmação do sucesso do transplante

só será conhecida em 12 meses. “O período para saber o resultado é longo, talvez um ano”, alerta Simon. Enquanto isso, o estado

de Giane inspira cuidados. Como está com o sistema imunológico muito baixo, ele deve permanecer três semanas em um local isolado do hospital. “Mas ele pode ter um acompanhante que o auxilie o tempo todo. Fora do Brasil, o paciente pode se hospedar próximo ao hospital e ir lá apenas para tomar os medicamentos”, explica o especialista. Neste período, será necessária ainda a administração de medicamentos que evitem infecções ou hemorragias. “Quando o exame de sangue apresentar um nível satisfatório de plaquetas e o paciente já estiver se alimentando melhor, ele poderá voltar para casa.” Diagnosticado com câncer nos gânglios linfáticos em agosto passado, Gianecchini se submeteu ao autotransplante, que reimplanta no paciente as células progenitoras da medula óssea coletadas anteriormente. Depois das altas doses de quimioterapia ministradas no primeiro dia, as células sadias armazenadas são devolvidas ao paciente e a medula se recupera em duas ou três semanas. •


Drama

O passo a passo pós-transplante • • • • •

Durante três semanas o ator vai esperar o restabelecimento da medula Nesse período ele ficará isolado no hospital Serão ministrados medicamentos que evitem infecções ou hemorragias Quando aumentar o nível de plaquetas no sangue, ele será liberado Só é possível saber se deu certo após cerca de um ano

Entrada principal do hospital paulistano Sírio-Libanês, onde o ator permanecerá internado pelas próximas três semanas

23/1/2012

| 23


ASSINE AGORA ISTOÉ GENTE DEPOIS DO AUTOTRANSPLANTE, OS DIAS DECISIVOS PARA REYNALDO GIANECCHINI

O deslize de Madonna

As mais elegantes A sofisticação de Natalie A campeã Portman Angelina Jolie

do Globo de Ouro A escolha das três mais bem-vestidas por um time de especialistas e ainda as derrapadas nos looks das estrelas internacionais CONFIRA A ANÁLISE DOS SETE JURADOS DE GENTE:

Costanza Pascolato, Marcelo Quadros, Gloria Coelho, Lethicia Bronstein, Luis Fiod, Raphael Mendonça e Alê de Souza

A MODELO TRANSEXUAL CAROL MARRA CONTA TUDO: “ME ORGULHO DE NUNCA TER ME PROSTITUÍDO” I S SN

1 5 1 6 - 8 2 0 4

23/JAN/2012

CAETANO VELOSO E REGINA CASÉ AGITAM O VERÃO BAIANO AO SOM DO CANTOR REVELAÇÃO MAGARY

ANO 13 N° 645

R$ 9,90

9 7 7 1 5 1 6

8 2 0 0 0 0

0

0

6

4

5

CLIQUE AQUI


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
ISTOÉ Gente 645 by Editora 3 - Issuu