Evangelho meditado
4ª Semana
Ano C
da Quaresma
15-18 Anos
Ligações Itinerário de educação à Itinerário Fé de educação à Fé
4ª SEMANA dA QUARESMA Introdução O capítulo 15 do evangelho de São Lucas oferece três parábolas muito conhecidas: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pródigo. Todas têm em comum a alegria de voltar para Deus. Elas aparecem numa situação em que aqueles que se dizem “bons” acusam Jesus de andar metido com gente “má”. Jesus reage contando estas parábolas e mostrando como a misericórdia de Deus é para todos. Como Se dissesse: “Eu ando com gente má porque Deus os ama e anda à procura deles”. Na semana passada escutámos o apelo que Jesus nos fez ao arrependimento, a mudar o coração; esta semana vamos poder descobrir o “episódio” seguinte: depois do arrependimento, há um Deus que Se alegra por Se voltar a encontrar connosco.
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PARA REZAR Dia 1 Lucas 15, 1-3: Aproximavam-se d’Ele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles». Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: NÃO PODE ACABAR ASSIM, mesmo que a parte seguinte seja a continuação, não faz sentido! Jesus está aí, no meio da vida. E fala do que Lhe vai no coração: da esperança, da alegria, da bondade de Deus para todos… E muitas pessoas se aproximam d’Ele. Mesmo gente pouco dada a estas questões da religião, sente-se atraída por este Jesus, pelo que Ele diz e faz. Há gente com histórias de vida marcadas pelo mal, pelo pecado, pela violência, que vão ter com Jesus. Sabem que Ele tem algo de interessante para lhes dizer. Mas há uns tantos, orgulhosos das suas próprias forças, que não suportam esta proximidade entre Jesus e os pecadores. Nos seus esquemas tem de haver uma barreira entre Deus, de um lado, e os malvados pecadores, de outro. Obrigado Jesus, por Te aproximares de mim. Obrigado por me mostrares como a bondade e a ternura de Deus são para mim também. Obrigado por me acolheres, apesar de eu ter andado longe de Ti e do teu Evangelho.
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Dia 2 Lucas 15, 11-13: Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: “Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.” E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada». Este filho está farto de estar em casa. E considera que, para ele, o pai morreu. Exige, já, a sua herança. Quer cortar com a casa onde cresceu. Está na hora de experimentar coisas novas. Convence-se que o pai, tudo o que aprendeu em casa, não lhe serve já para ser feliz. Vai para longe. E gasta todo o dinheiro do pai em farras e bebedeiras, neste desejo intenso de ser feliz. Com o meu pecado, com o meu afastamento de Deus, sinto-me como este filho mais novo. Acreditei que poderia ser feliz longe de Ti, meu Deus. Julguei que acumular coisas, experiências e prazeres me faria feliz. Isto da fé, da Igreja, começou a parecer-me pesado, antiquado. Até as tuas palavras, Jesus, me pareciam chatas e desinteressantes. Fui para longe de Ti. Troquei-Te por outras experiências e novidades que me pareceram mais atraentes. Perdão, meu Deus.
Dia 3 Lucas 15, 14-16: Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.» Acaba-se o dinheiro, acabam-se os amigos, acaba-se a festa. Chega a fome e o único emprego que este filho arranja é a guardar porcos. Para um judeu, é especialmente humilhante, porque o porco é considerado um animal impuro. 4
Há vidas assim: tudo começa bem, há uma série de decisões erradas e a vida torna-se uma miséria indigna. Senhor, sinto vergonha dos meus pecados. Desperdicei os dons que me deste. Feri os outros com o meu egoísmo. Perdi dignidade e valor. As mentiras em que apostei deixaram-me vazio. Sinto que não presto. Caí no fundo. Tem misericórdia de mim.
Dia 4 Lucas 18-20a: E, caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.” E, levantando-se, foi ter com o pai. No meio da fome, do abandono, das lágrimas, este filho ainda tem a coragem de procurar alternativas. Recorda a casa do pai e o respeito que era dado até aos trabalhadores mais humildes. E o filho tem de fazer uma escolha: volta a casa, cheio de vergonha, ou fica na miséria onde está? O que é que é maior: o sentimento de vergonha pelos erros cometidos ou o desejo de ter uma vida minimamente decente? Continuo a sentir-me como este filho. Volto para Ti, meu Deus, por ter fome e não por amor. Às tantas, não sei se acredito em Ti ou não; só sei é que já não aguento existir assim, sem amor nem dignidade. Como este filho eu digo a mim mesmo: “Vou levantar-me”. Já chega de me arrastar pela lama. E decido-me a procurar-Te. Tenho ideias confusas mas pressinto que Tu me podes oferecer uma qualidade de vida melhor do que a miséria em que estou mergulhado. Obrigado por vires ao meu encontro de tantas formas. Obrigado por estares disponível a dares a tua vida por mim. 5
Dia 5 Lucas 15, 20b-24: Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: “Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.” Mas o pai disse aos seus servos: ‘“Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.” E a festa principiou. O filho perdido volta a casa do Pai. Engoliu o orgulho, dispôs-se a reconhecer o seu erro. Mas o relato tem uma reviravolta. Até aqui, a história deste filho tem sido marcada pela miséria: a miséria de quem julga poder ser feliz consumindo e aparentando, a miséria de ter fome de tudo… Mas agora entra em cena o pai. E à miséria do filho, o pai oferece misericórdia. Maior do que o pecado do filho, mais forte do que a vergonha, é o amor sem limites deste pai que oferece abraço, beijos, festa. Obrigado, Deus, Pai de ternura. Tu viste-me ao longe. Tu decidiste que o amor que tinhas por mim era maior do que o castigo que eu merecia. Tu correste para mim. Em vez de censuras, deste-me abraços e beijos. Obrigado, Deus de coração misericordioso. Tu me dás roupa nova, anel e calçado; Tu me ofereces uma nova dignidade. Nos teus braços, volto a sentir-me filho amado. Está na hora de começar a ser quem Tu me chamas a ser: filho amado por Deus, disposto a colaborar contigo na criação da civilização do amor.
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