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Imagens e actividades para Quaresma e Páscoa

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José Joaquín Gómez Palacios

Imagens e actividades para Quaresma e Páscoa

Edições Salesianas


© José Joaquín Gómez Palacios. 2006 © Editorial CCS. 2006 © Edições Salesianas. 2006 Rua Dr. Alves da Veiga, 124 4022-001 Porto Tel. 225 365 750 Fax. 225 365 800 edisal@edisal.salesianos.pt www.edisal.salesianos.pt Depósito legal: 238594/06 ISBN: 972-690-516-8 Tradução: Alcinda Marinho, Rui Alberto Paginação: rAP Capa: Paulo Santos Impressão: Edições Salesianas Acabamentos: Humbertipo


Quaresma


Quarta-feira de cinzas

Jesus de Nazaré ensina os Seus amigos a fazer o bem MONTE DAS BEM-AVENTURANÇAS (Galileia). Depois de proferir o Seu discurso acerca das bem-aventuranças perante centenas de pessoas, Jesus de Nazaré prossegue, mostrando o caminho de humildade e simplicidade que faz o agrado de Deus. As palavras de Jesus incidiram sobre a forma de praticar o jejum, a caridade e a oração. Jesus instruiu os Seus discípulos acerca da melhor maneira de praticar o bem: ocultando-o. Uma grande multidão, vinda das aldeias que circundam o Mar da Galileia, escutou com atenção as palavras do Mestre, esforçando-se por não perder pitada. Jesus realçou o facto do jejum, da caridade e da oração se deverem praticar em segredo, pois “Deus Pai, que vê tudo o que está escondido, recompensar-te-á”. Foi com especial ênfase que Jesus criticou o comportamento dos fariseus, a quem chamou hipócritas e sepulcros caiados, pois, embora por fora aparentem ser muito bons, por dentro são corruptos. Realçou também o facto de muitos dos

membros desta seita se dedicarem ao jejum e à oração com grande empenho, mas unicamente com o objectivo de serem vistos e admirados pelas ou­ tras pessoas. Este grupo religioso tinha recentemente publicado uma extensa lista de preceitos, englobando mais de seiscentos mandamentos e proibições. Jesus faz críticas constantes à sua falta de humildade e às dificuldades que criam às pessoas mais simples para se poderem aproximar de Deus. De acordo com testemunhas presenciais, Jesus reafirmou, igualmente, as antigas práticas do povo de Israel. A esmola, o jejum e a oração continuam a ser elementos de crucial importância para

nos aproximarmos de Deus. Porém, perante o olhar atento de quem ali O escutava, Jesus deu a estaspráticas um novo sentido: o bem deve praticar-se discretamente, sem nos deixarmos cair na tentação de trabalhar para as aparências. Esta atitude fá-Lo entrar constantemente em conflito com a seita dos fariseus, cujo nome significa “os eleitos” e cujo comportamento se caracteriza pela atitude de superioridade. Seguidamente, Jesus ensinou aos Seus amigos uma oração para se dirigirem a Deus como Pai. À medida que Jesus foi proferindo as palavras desta oração, a surpresa foi tomando conta da assistência: Ele falava com Deus com a simplicidade e a ternura com que um filho se dirige ao seu pai.


Sugestões e actividades Começar a Quaresma de mãos abertas

1. As aparências enganam — Frequentemente, tentamos parecer aquilo que não somos. Para atingir os nossos objectivos, compramos roupa de marca, fazemos coisas para os outros verem e pensarem que somos mesmo bons, mentimos... As nossas mãos não estão limpas.

2. Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita — Jesus convida-nos a sermos simples e humildes, a fazermos o bem sem o apregoarmos aos quatro ventos. — Nesta Quaresma, propomos-te fazer uma série de boas acções: confortar alguém que esteja a sofrer, colaborar numa campanha solidária, rezar, não insultar os teus colegas, ajudar nas tarefas de casa... — Jesus indica-nos de que forma fazer estas coisas: com discrição. — Nos cinco dedos da tua mão inscreve cinco coisas boas, uma para cada dedo, que poderias fazer durante esta Quaresma para seres uma pessoa melhor. Não te esqueças de que deves fazer estas coisas sem as publicitares para promover a tua imagem.

3. A solidariedade de cada dia — Na vida quotidiana, há muitas pessoas que ajudam os outros de forma discreta, com gestos diários de solidariedade. — Elaborar, entre todos os elementos do grupo, uma lista de acções solidárias que não aparecem nos jornais nem na televisão. Procurar que a lista seja extensa e bastante concreta. — Por exemplo: • O António ajudou a D. Engrácia, que vive no seu prédio, a carregar os seus sacos de compras pelas escadas acima. • A Helena ensinou a sua amiga Vanessa a resolver um exercício de matemática. • A Marta e a Lúcia... • O senhor Álvaro...


1º Domingo de Quaresma. As tentações

Jesus passa quarenta dias no deserto, onde é tentado pelo diabo DESERTO DA PALESTINA (Israel). Confirma-se a notícia de que Jesus resistiu quarenta dias e quarenta noites no deserto, jejuando. Segundo parece, no fim deste longo período de solidão, quando a fome e a sede se faziam sentir mais intensamente, o diabo foi até Jesus para o tentar de diversas formas. Fontes próximas do Mestre de Nazaré confirmam o facto de Jesus, seguindo uma tradição de antigos eremitas judeus, se ter retirado para o deserto para preparar a Sua próxima pregação. O deserto da Palestina é um lugar terrível. A secura dos seus barrancos transforma este pequeno deserto num lugar impressionante, no qual apenas se aventura quem procura o abandono e a solidão. O local escolhido por Jesus encontra-se, mais precisamente, a Oeste do oásis de Jericó. Os discípulos afirmam que, durante esta experiência, Jesus foi tentado três vezes.

A primeira das tentações foi aquela que assalta qualquer pessoa que percorra um deserto no qual o alimento é inexistente. Vendo as pedras deste lugar, que são de calcário branco e se parecem com pequenos pães alvos, Jesus foi tentado por estas palavras: “Se és o Filho de Deus, faz com que estas pedras se transformem em pães”. Jesus, no entanto, venceu a tentação, respondendo-lhe: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. A seguir, a tentação tentou de novo derrotar Jesus, assegurando-Lhe que, se Se atirasse da cornija mais alta do Templo,

nenhum mal Lhe sucederia, pois era bom e Deus operaria um milagre. Jesus, porém, disse igualmente que não a esta ideia disparatada. Por último, a tentação ofereceu-Lhe todo o poder e riquezas do mundo, mas Jesus rejeitou estes privilégios, pois para Si tinha escolhido uma vida simples e humilde ao lado dos pobres da Terra. Desta forma, Jesus viveu a experiência por que antes passara o povo de Israel, na sua errância pelo deserto antes de entrar na terra prometida. Contudo, onde os antigos israelitas haviam sucumbido à tentação, Jesus saiu vencedor.


Sugestões e actividades 1. Também somos tentados Jesus foi forte e não se deixou vencer por aquelas tentações que o demónio pôs no Seu caminho, em pleno deserto, nos momentos em que Jesus se sentia esgotado pelo peso do jejum e da solidão. — Também nós somos alvo de tentações, embora diferentes daquelas que assediaram Jesus. No entanto, quando não somos capazes de as vencer, destroem a nossa personalidade, deixam-nos um sentimento de insatisfação e tristeza, fazem-nos sentir mal. — Sobre a imagem sem rosto aqui ao lado, inscreve as tentações que te rodeiam: a violência, a preguiça, o insulto, a mentira... Recorda que deixares-te cair nelas enfraquece a tua personalidade.

2. Vencer as tentações Para triunfares sobre as tentações que apontaste em cima precisas de ajuda. — Faz uma lista das pessoas e das situações que te ajudam a vencer as tentações. Por exemplo: seguir os conselhos dos teus pais. Lembras-te do último conselho que te deram? Aponta, também, outras coisas que aches que te podem ajudar. — Nunca te esqueças de que rezar a Deus é uma ajuda. Escreve uma oração pedindo a Deus força suficiente para seres sincero/a, responsável, amável para com os teus amigos e amigas, etc.

3. Transformar as coisas em pão — Uma das tentações propostas a Jesus foi a de “transformar as pedras do deserto em pães”, de forma a saciar a fome que O assolava após quarenta dias de jejum. — Seria muito belo que pudéssemos converter muitos objectos desnecessários em pão para oferecer à parte da Humanidade que passa fome. — Imagina que, um dia, tens poder para transformar coisas prejudiciais ou supérfluas em comida, remédios, escolas... — Faz uma lista das coisas que transformarias para benefício das pessoas mais pobres da Terra.


2º Domingo de Quaresma

Jesus transfigura-Se diante dos Seus discípulos MONTE TABOR (Galileia). Segundo fontes fidedignas, Jesus e três dos Seus apóstolos viveram, há algumas semanas, uma experiência muito intensa, que até agora não tinha sido revelada ao resto do grupo. Os discípulos que acompanhavam Jesus nesta ocasião eram Pedro, Tiago e João, que assim se converteram em testemunhas privilegiadas do sucesso. Quando estavam todos no cimo do Monte Tabor, Jesus transfigurou-Se diante deles, enchendo-Se de luz resplandecente. Depois, Moisés e Elias desceram dos céus para falar com o Senhor. Embora as informações que chegam à nossa redacção sejam ainda bastante confusas, pelo que parece tudo aconteceu de improviso. Os quatro acabavam de chegar ao cimo do monte para rezar. Ainda respiravam de forma entrecortada devido à subida da encosta de perto de 600 metros, quando Jesus Se encheu de luz perante o olhar atónito dos três discípulos, que tinha escolhido para O acompanharem naquela ocasião. Um relato escrito de Mateus descreve o rosto de Jesus como “resplandecente como o sol” (em outras ocasiões, Jesus

foi nomeado com expressões como “o sol que nasce no alto”). De repente, irromperam por ali Moisés e Elias, confirmando a missão e o trabalho de Jesus. Há, até, quem afirme que se ouviu a voz de Deus. Parece que Pedro, sob o peso de tão inesperado acontecimento, e levado pelo dever de hospitalidade, sugeriu ao Mestre armar três tendas – uma para Jesus, outra para Moisés e outra para o profeta Elias. No entanto, ainda Pedro não tinha acabado de falar e já uma nuvem de luz

envolvia a cena, após o que tudo desapareceu. Os discípulos ficaram aterrorizados diante de tal aparição, mas Jesus apres­ sou-Se a dar-lhes ânimo e coragem para não recearem a proximidade de Deus Pai. Enquanto desciam o monte para irem ter com os outros, Jesus pediu aos três que não falassem desta aparição a ninguém até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos, afirmação que causou a todos grande confusão. Apesar de muitos dos pormenores desta notícia carecerem de confirmação, uma coisa parece certa nos círculos mais íntimos do Mestre de Nazaré: Jesus pretendeu, de alguma forma, mostrar o sentido de todo o Seu trabalho presente e dos possíveis sofrimentos que o futuro traria.


Sugestões e actividades 1. Os perigos da acomodação a)

Ao lado de Jesus de Nazaré aparecem duas outras pessoas: Moisés e Elias. És capaz de achar interessante conhecê-los um pouco melhor. Procura informações sobre as suas vidas, a sua importância no Antigo Testamento e tenta descobrir porque razão apareceram a Jesus nesta cena tão conhecida do novo Testamento.

b)

Após ter chegado ao cimo daquele monte, e presenciado a visão descrita nesta notícia, Pedro disse a Jesus: “Que bem que se está aqui! Se quiseres, armo três tendas...”. Quando nos sentimos bem num lugar ou numa situação, acomodamo-nos, mas é preciso vencer esta tentação de nos acomodarmos através da força de vontade. Não é uma coisa fácil, mas é preciso tentar. Ter força de vontade é sinal de maturidade e define as pessoas responsáveis. Vamos fazer um teste. Preenche o quadro seguinte de acordo com as frases no princípio de cada coluna:

Sinto-me muito bem quando...

PERIGO! Posso acomodar-me se...

SOLUÇÃO

Me sento a ver televisão enquanto lan- Decido ficar em frente à TV em vez de ir Estabeleço uma hora limite para começar cho. fazer os trabalhos de casa. a trabalhar e, então, independentemente de tudo, levanto-me e vou fazer os deveres.

c) — — — —

Nesta Quaresma, assume o compromisso de resolver este tipo de situações de acordo com as propostas da última coluna. No fim da Quaresma, deverias rever este assunto, respondendo às seguintes questões: Custa muito ser responsável? Falhaste em alguma das coisas que te propuseste fazer? Vale a pena ser uma pessoa responsável? Sentes-te bem quando sabes que estás a cumprir as tuas obrigações, apesar de, nesse momento, te apetecer estar a fazer outras coisas?


3º Domingo de Quaresma

Uma mulher samaritana conversa com Jesus e reconhece-O como enviado de Deus SICAR (Samaria). Junto ao poço de Jacob, situado na terra da Samaria, deu-se um novo acontecimento que veio reforçar a mensagem profunda e aberta de Jesus. A protagonista foi uma mulher samaritana, que, após uma longa conversa com o Mestre, acabou por afirmar que Jesus era o enviado de Deus. Os factos ocorreram ontem de manhã, perto da aldeia de Sicar, numa região que Jesus percorre actualmente por entre grandes dificuldades. É do conheci­mento geral que entre os povos samaritano e israe­lita existem conflitos ancestrais. As diferenças existentes entre judeus e samaritanos podem ser resumidas em vários pontos. A população da Samaria é composta por antigos colonos estran­geiros que vieram revitalizar uma população judia em decadência. Este repovoamento deu origem a progressivas diferenças étnicas e religiosas em relação aos judeus. Os samaritanos adoram Iavé, mas adoram igualmente outros deuses, em honra dos quais constróem 10

santuários. Os judeus, por sua vez, des­ prezam profundamente os samaritanos, chamando-lhes impuros e pagãos. Jesus sempre tratou o povo samaritano com carinho e simpatia; prova disso foi o que se passou ontem. Encontrando-se junto ao poço de Jacob, Jesus pediu de beber a uma samaritana que ali tinha ido encher de água a sua bilha. A mulher ficou muito surpreendida ao ver um homem judeu dirigir-lhe a palavra, uma vez que, nesta época e lugar, não é muito normal que dois seres de sexo diferente conversem um com o outro, a não ser quando pertencem à mesma família. Porém, a samaritana não se recusou a escutar o profeta da Gali-

leia. Jesus foi-lhe revelando a profunda insatisfação da sua vida, como mulher e como crente. Ao princípio, a mulher não percebeu a Sua mensagem, mas depois acabou por interiorizar a profundidade das palavras que Jesus lhe dirigia. Admirando a mensagem de libertação ofere­ cida por Ele, exclamou no fim: “Senhor, vejo que és um profeta”. Quando os discípulos chegaram ao poço, repreenderam Jesus por ter falado com uma samaritana. Ela, porém, corria já em direcção às muralhas da sua cidade, a gritar que tinha conhecido o Messias. Foram muitas as pessoas de Sicar que aceitaram Jesus e Lhe rogaram que ficasse ali com eles. Jesus ficou dois dias, anunciando aos samaritanos a bondade e a misericórdia de um Deus que não conhece fronteiras, nem faz distinções entre raças e culturas.


Sugestões e actividades 1. Reconstrói a frase

A samaritana é uma boa mulher. Jesus ensinou-lhe o caminho da paz e da felicidade. Com as palavras da linha de baixo, faz uma frase sobre o encontro da samaritana com Jesus:

DEUS · SAMARITANA · A · DE · FORÇA · A · ALEGRIA · ENCHEU · DE

2. A água da vida

Os primeiros cristãos que registaram este encontro com a samaritana sublinharam a importância da “Água” utilizando maiúsculas. A água a que se referiam simbolicamente é a Palavra de Jesus, o baptismo... Elementos que nos põem em contacto com um Deus bom, que nos perdoa e faz de nós Seus filhos. • Investiga o dia do teu baptizado. Pergunta aos teus pais como foi aquela data, que aconteceu, em que paróquia foste baptizado, como te portaste... Procura, também, uma fotografia do teu baptismo. • Nesta celebração foram utilizados vários símbolos de significado importante para os cristãos. Em conjunto com os teus colegas, investiga o significado dos elementos utilizados no baptismo: • Água • Azeite consagrado • Roupas brancas • Vela acesa • Como podemos agradecer a Deus por nos ter tornado Seus filhos?

3. Descobre os muros que nos dividem Judeus e samaritanos eram dois povos em conflito. Os samaritanos odiavam os judeus, e estes desprezavam profundamente os samaritanos. Jesus não fez caso destas quezílias antigas e, ao mostrar-Se amável para com a samaritana, quis enviar aos Seus discípulos uma mensagem de respeito e tolerância. •

Também nós erguemos muros que nos separam das outras pessoas...

Nas aulas, construímos muros que nos separam dos colegas, utilizando por “tijolos” os insultos, as críticas, as alcunhas, o desprezo... Em casa, com a nossa própria família, também levantamos barreiras, e de igual modo procedemos com as pessoas que nos rodeiam no bairro que habitamos... Dá um nome às pedras ou tijolos que usamos para erguer os muros que nos separam e dividem.

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4º Domingo de Quaresma

Jesus devolve a visão a um cego de nascimento JERUSALÉM (Israel). Na cidade de Jerusalém, Jesus curou da sua doença um homem que tinha nascido cego. Este facto valeu-Lhe grandes críticas por parte dos fariseus e da classe dirigente, porque Jesus realizou este milagre num sábado, dia em que, pela lei judaica, estava proibida qualquer actividade laboral. De acordo com testemunhas do milagre,

tudo aconteceu de repente. Jesus observou o mendigo cego que, diariamente, pedia esmola na Porta de Damasco. Sentindo compaixão por ele, imediatamente cuspiu no chão e fez com o barro do solo uma pasta, que esfregou nos olhos do mendigo. E, depois, ordenou-lhe: “Vai-te lavar no tanque de Siloé”. O tanque de Siloé recebia as águas que corriam para o interior da cidade através do túnel subterrâneo que o rei Ezequias mandara escavar para abastecer a localidade. O cego fez o que Jesus mandou e, quando regressou, tinha recuperado a vista. Aqueles que estavam acostumados a 12

vê-lo pedir esmola todos os dias na Porta de Damasco ficaram assombrados. Os fariseus, no entanto, iniciaram uma campanha contra Jesus por ter curado num sábado. Este sucesso despoletou um aceso debate. A gente do povo não pára de proclamar que Jesus é o enviado de Deus. Os dirigentes da cidade, ao invés, juntaram-se ontem às críticas dos fariseus. Por sua vez, o mendigo não se cansa de louvar a bondade do Mestre que lhe devolveu a visão, integrando-o na sociedade. Depois de curado, o homem foi de novo para a Porta de Damasco, desta vez para proclamar o sinal que Jesus operou nele.

Os fariseus e os dirigentes tentaram, em vão, silenciar o mendigo, mas de nada lhes valeram as suas ameaças e desprezo. Perante o fracasso do seu intento, reuniram-se ao início da tarde e decidiram expulsar o pedinte da cidade. Ao ter conhecimento desta notícia, Jesus foi em busca do homem. Quando o encontrou, perguntou-lhe, olhando fixamente nos seus olhos agora sãos: “Crês no Filho do Homem?”. E ele, prostrando-se por terra e ignorando todas as ameaças recebidas, respondeu: “Senhor, eu creio”. Segundo informações de diversas fontes, o mendigo ingressou no grupo de acompanhantes de Jesus. O mestre aproveitou este episódio para dar uma lição aos Seus discípulos: “Muitos de vós estão cegos para o Reino de Deus e para o Filho do Homem. É necessário ver a vida com os olhos da fé, como fez este bom homem. A partir de hoje, caminhará connosco”.


Sugestões e actividades 1. A frase agradecida de um homem simples Imagina que és o mendigo cego que, antes de ser curado por Jesus, pedia esmola todos os dias na Porta de Damasco, uma das entradas da cidade de Jerusalém. Junto a ele havia um cartaz, onde se podia ler: “Dê uma esmola a este pobre cego. Iavé há-de retribuir-lhe”. Agora, imagina que Jesus já o curou. O mendigo, com a vista recuperada, regressa à Porta de Damasco. Já não está cego, e agora tem um cartaz onde se pode ler uma frase de agradecimento a Jesus por o ter curado. • Organizemos uma mostra de possíveis frases de agradecimento. Tentemos imaginar quais podem ter sido as palavras emocionadas que o mendigo mandou escrever sobre aquele pedaço de cartão velho, para que todos louvassem Deus na Sua glória pelo milagre que nele tinha operado. • Depois, juntamos todas as frases e fazemos com elas a “Oração do mendigo cego agradecido”.

2. Continua a história do cego curado por Jesus Imagina que o Evangelho continuava a contar a história deste homem que Jesus curou... O mendigo entrou para o grupo que acompanhava Jesus. Caminhou com Ele. Um belo dia, à entrada de outra cidade, encontrou um cego. Levado pela sua compaixão e pelo seu desejo de fazer o bem, tentou curá-lo, mas sem sucesso... e viu-se obrigado a recorrer a Jesus. Jesus aproveitou esta ocasião para lhe ensinar uma lição... Como foi? Escreve esta ou outra história que se pudesse ter passado com o mendigo.

3. Óculos para ver a realidade Jesus compadeceu-se daquele cego de nascimento que pedia esmola, devolvendo-lhe a visão. Frequentemente, os nosso olhos fecham-se para a realidade e tornamo-nos frios e indiferentes face ao sofrimento das outras pessoas. Não o queremos ver; só temos olhos para os nossos caprichos. • •

No mapa de baixo, assinala com um ponto vermelho os lugares onde sabes que há pessoas a sofrer. Indica a razão do seu sofrimento: doenças, falta de comida, guerras, seca, abusos... Porém, não há só indiferença no planeta. Também há gente boa que ajuda os outros. Faz uma lista de pessoas e organizações que trabalham para melhorar estas situações que degradam o nosso mundo.

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5º Domingo de Quaresma

Jesus ressuscita o Seu amigo Lázaro em Betânia BETÂNIA (Judeia). Jesus ressuscitou o Seu amigo Lázaro na localidade de Betânia, milagre confirmado pelas numerosas testemunhas que presenciaram a cena. O cadáver de Lázaro tinha sido sepul­tado há quatro dias e começava a entrar em decomposição. Porém, perante a chamada poderosa de Jesus, o morto surgiu do sepulcro, envolto no sudário e nas faixas com que o tinham ligado. Os seus amigos e familiares foram tomados de espanto e medo. Lázaro é irmão de Marta e de Maria. Os três residem em Betânia, a uns escassos três quilómetros de Jerusalém, e Jesus costuma hospedar-se em casa deles quando vai a esta cidade. Na terça-feira passada, Lázaro adoeceu subitamente. Os médicos nada puderam fazer, e Lázaro morreu. As suas duas irmãos sepultaram-no chorando e Betânia em peso acudiu ao enterro. Quando Jesus chegou esta manhã às imediações de Jerusalém e soube da notícia, dirigiu-se a toda a pressa para a casa dos Seus amigos. Várias testemunhas afirmam que Jesus chorou amargamente durante todo o percurso. 14

Ao entrar em casa de Marta e Maria, Jesus encontrou-as sofrendo. Marta criticou Jesus por não ter estado ali para curar o irmão, acreditando que a presença do Mestre teria evitado o fatal desenlace. Jesus, de rosto sério, respondeu­-lhe: “O teu irmão vai ressuscitar”, após o que Se dirigiu a passos largos para o cemitério. Marta e Maria seguiram-n’O. Ao chegar ali, mandou que retirassem a pedra que tapava o sepulcro, perante a estranheza de toda a assistência.

A laje foi removida no meio de um silêncio de estremecer, que só os gemidos das irmãs perturbavam. Depois, Jesus gritou, com voz potente: “Lázaro, vem cá para fora”. Passaram vários segundos, o silêncio tornou-se mais pesado... E, de repente, Lázaro saiu do sepulcro, envolto em panos e com a cabeça coberta pelo sudário. Alguns dos presentes fugiram a correr. Outros prostraram-se no chão, cheios de temor face a Jesus, que reconheciam como o enviado de Deus. Por alturas do fecho desta edição, Jesus estava hospedado em casa de Lázaro. Algumas fontes asseguram que os diri­ gentes religiosos de Jerusalém se reu­ nirão, durante as próximas horas, para encontrar uma forma de eliminar o Mestre de Nazaré e o Seu amigo, devido à notoriedade que estão a alcançar na cidade.


Sugestões e actividades 1. Os lugares de Jesus Jesus de Nazaré viveu numa terra concreta, conheceu outras pessoas, ajudou quem precisava de ajuda, chorou amargamente a morte do Seu amigo Lázaro... Sobre este mapa do país de Jesus, tenta assinalar alguns dos locais em que Ele levou a cabo a Sua missão. Situa as seguintes cidades: • Jerusalém, local onde morreu Jesus. • Betânia, onde Jesus ressuscitou o Seu amigo Lázaro. Fica a 3 quilómetros de Jerusalém. • Belém. Pequena povoação onde Jesus nasceu, a 7 quilómetros a sul de Jerusalém. • Cafarnaúm. Centro da pregação de Jesus. Situa-se na parte norte do Mar da Galileia. • Nazaré. Aldeia onde Jesus passou a sua infância, nos arredores do Mar da Galileia.

2. O bom fariseu que defendeu Jesus O Evangelho diz que, quando Jesus ressuscitou Lázaro, os dirigentes religiosos de Jerusalém se reuniram para discutir como podiam eliminar Jesus e o Seu amigo. Imagina que és um fariseu bom e que admiras Jesus pelas boas obras que realiza. Estás presente nesta reunião secreta onde se debate a maneira de eliminar o Mestre: • Que dirias para defender Jesus? De que forma tentarias convencer as outras pessoas de que Jesus é um bom homem? Que boas acções de Jesus citarias, para demonstrar que Ele faz o bem à gente simples? • Fizeram algum caso de ti? Como terminou a tua defesa de Jesus? • Redige o relato desta situação. 15


Domingo de Ramos

Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão JERUSALÉM (Israel). Jesus de Nazaré fez uma entrada triunfal na cidade de Jerusalém. Percorreu os cerca de três quilómetros que separam a aldeia de Betfagé da capital no dorso de um pequeno burro branco, por entre os gritos e aclamações de uma imensa multidão. De acordo com informações confirmadas por um porta-voz do Mestre de Nazaré, uma numerosa multidão da capital, ao saber dos últimos milagres operados por Jesus, foi ontem, pela manhã, buscá-Lo ao local onde Se encontrava, nas imediações de Betfagé. Esta pequena povoação é célebre pelas numerosas plantações de figueiras que crescem nos seus campos, bem como pela próspera indústria de fabrico de pão de figo e do muito apreciado licor que se obtém a partir deste fruto. Rodeado pela fervorosa multidão, Jesus montou num pequeno burro branco, forne­cido pelos discípulos, e assim foi percorrida a curta distância que separa 16

Betfagé das muralhas de Jerusalém. Alguns dos que acompanhavam Jesus estendiam os seus mantos no caminho diante d’Ele, símbolo da sua entrega incondicional ao Mestre. Outros forravam as ruas de Jerusalém com ramos de oliveira e folhas de palmeira. Todos gritavam: “Bendito Aquele que vem em nome do Senhor” e “Hosana ao Filho de David”. Alguns dos discípulos tentaram, em vão, fazer com que a multidão calasse aqueles gritos, de graves conotações religiosas e políticas do ponto de vista dos Sumos Sacerdotes e dos saduceus de Jerusalém. Todos faziam parte da classe sacerdotal e eram inimigos ancestrais de todo aquele

que se declarasse descendente do Rei David. Porém, apesar da gravidade do momento, Jesus entrou na cidade com um rosto sereno e cheio de humildade. À questão sobre as pretensões políticas e messiânicas de Jesus, o Seu porta-voz clarificou o significado do percurso agora realizado pelo Mestre: “Penetrar na cidade santa sobre o dorso de um burro faz referência a uma antiga profecia do profeta Zacarias, que diz: ‘Cidade de Jerusalém, não temas. O teu rei chega humildemente, montado num pequeno burro. Eliminará os carros de guerra e os arcos; proclamará a paz entre todas as nações’. Jesus apenas deseja a paz”.


Sugestões e actividades 1. Ramos de oliveira pela paz Nas tradições judaicas e cristãs, a oliveira está carregada de um profundo simbolismo, que pode ser utilizado na preparação da Quaresma e da Semana Santa. No fim do Dilúvio, a pomba de Noé trouxe-lhe um ramo de oliveira no bico, como símbolo da paz e da vida que renasce. O Novo Testamento apresenta Jesus sendo aclamado com ramos de oliveira ao entrar na cidade de Jerusalém. Mais adiante, num dos momentos mais importantes da Sua vida, Jesus rezará no Horto das Oliveiras. Unindo estes significados simbólicos, fazemos da oliveira um símbolo para acolher as nossas orações pela paz.

a) Preparação do material O “cenário” sobre o qual vão ter lugar as orações será um ramo de oliveira desenhado e recortado em papel de lustro verde. O ramo de oliveira deve ser colocado sobre um fundo de uma cor adequada, para o fazer sobressair. À direita do ramo de oliveira desenha-se uma pomba da paz. O ramo de oliveira deve ter tantas folhas quantos os participantes nesta experiência de oração. Cada folha deve ter espaço suficiente para colocar uma fotografia ou desenho, bem como uma pequena oração escrita.

b) Procedimento Em cada sessão, um menino ou uma menina, ajudado pelo educador, trará para a aula ou catequese a fotografia ou desenho de uma arma ou de outro instrumento utilizado para destruir e dominar, transformando este mundo num lugar de ódio e violência. Exemplos: uma metralhadora, uma espingarda, uma navalha, um bombardeiro, um tanque, uma pistola, uma flecha, uma lança, uma bomba, um chicote, um míssil, um garrote... A criança que trouxer o desenho ou fotografia explicará aos colegas o uso que as pessoas fazem daquele instrumento, bem como o tipo de dor ou morte que pode infligir. Depois de dada esta explicação, reza-se uma breve oração, pedindo pela paz e o perdão, e pela abertura ao tempo novo que Deus nos convida a construir. A criança que trouxe a imagem da arma ou instrumento de violência deve, de seguida, colá-la numa das folhas do ramo e, por baixo do desenho, escrever um resumo das orações que as restantes crianças fizeram a este propósito.

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Índice

3 4 6 8 10 12 14 16

Quaresma Quarta-feira de cinzas 1º Domingo de Quaresma. As tentações 2º Domingo de Quaresma 3º Domingo de Quaresma 4º Domingo de Quaresma 5º Domingo de Quaresma Domingo de Ramos

19 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46

Semana Santa A última ceia Jesus lava os pés aos Seus amigos Oração no Horto das Oliveiras Judas trai Jesus Jesus perante o Sinédrio Pedro nega Jesus Pilatos lava as mãos Jesus coroado de espinhos Jesus é açoitado Jesus carrega a cruz Jesus é pregado na cruz Jesus despede-Se da Sua mãe Jesus morre na cruz Jesus é enterrado num sepulcro novo

49 50 52 54 56 58 60 62 64 66

Páscoa O sepulcro estava vazio Domingo de Páscoa. Viu e acreditou 2º Domingo da Páscoa. Tomé viu e acreditou 3º Domingo da Páscoa. Os discípulos de Emaús 4º Domingo da Páscoa. Eu sou o Bom Pastor 5º Domingo da Páscoa. Jesus aparece 6º Domingo da Páscoa. O Espírito Santo Ascensão do Senhor Pentecostes. Recebei o Espírito Santo

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