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O nascimento de Jesus - contado por quem lhe pegou ao colo

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Adalberto Mainardi

O nascimento de Jesus

O nascimento de Jesus contado por aqueles que lhe pegaram ao colo

Sobre o autor:

Adalberto é um monge de Bose. Aprendeu russo, idioma a partir do qual traduziu diversos livros, incluindo o “Relatos de um peregrino russo”. Por diversas vezes, ­ ­ ontou às crianças a Paixão de Jesus, na celebração do Domingo de Ramos, no mosteiro de c Bose, ­localizado no Piemonte (Itália).

Rua Dr. Alves da Veiga, 124 4000-071 Porto Tel.: 22 53 657 50 Fax: 22 53 658 00 edisal@edicoes.salesianos.pt www.edisal.salesianos.pt

... contado por aqueles que lhe pegaram ao colo Ilustrações de Martina Peluso O nascimento de Jesus

O nascimento de Jesus, contado por aqueles que o conheceram em criança, e lhe pegaram ao colo. Maria, sua mãe, que o embalou; José, que tomou conta de Maria e do seu filho; Zacarias e Isabel, os pais de João Batista que caminhou à frente de Jesus; os pastores chegados a meio da noite; o ancião Simeão e a profetisa Ana; os Magos do Oriente, e as crianças de Belém. Sem eles, Deus nunca teria tido uma história entre os homens, como a que teve na vida de Jesus.


O nascimento de Jesus


Ficha técnica: © Adalberto Mainardi © 2016 Editrice Elledici © Edições Salesianas, 2017 Rua Dr. Alves da Veiga 124 4000-071 Porto Tel. 225 365 750 Fax. 225 365 800 edisal@edicoes.salesianos.pt www.edisal.salesianos.pt Publicado em Setembro de 2017 Ilustrações: Martina Peluso Capa: Editrice Elledici Paginação: João Cerqueira Impressão: Print Group ISBN: 978-989-8850-47-8 Depósito Legal: 429510/17


O nascimento de Jesus ‌ contado por aqueles que lhe pegaram ao colo de Adalberto Mainardi e ilustrado por Martina Peluso


Índice

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Uma carta pelo Natal

pag. 6

José, que sonhou com o anjo do Senhor

pag. 9

Zacarias, que ficou mudo como um peixe

pag. 19

Maria, que escutava no seu coração

pag. 29

Isabel, que foi mãe inesperadamente

pag. 35

Os pastores, que vigiavam naquela noite

pag. 41

Simeão e Ana, que esperavam a luz

pag. 51

Os magos do Oriente, que escutavam as estrelas

pag. 55

As crianças de Belém, que ficaram sem palavras

pag. 61


Esta carta está endereçada à Marta; foi ela a insistir, como um martelo, que eu lhe mandasse estas histórias. Mas o livro é também para ti e para todas as crianças que esperam o Natal e desejam a chegada de Jesus.

Adalberto monge de Bose

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Uma carta pelo Natal Minha querida Marta! Também este ano está a chegar o Natal e me pedes que te conte como aconteceu o nascimento de Jesus. «Ler faz bem», escreveste-me na tua carta – e acrescentas: «Gosto de ti». Deves saber que o início desta história está no seu fim. Jesus gostava dos seus amigos a ponto de dar a vida por eles na cruz. Mas a última palavra não foi dita pela morte mas pelo amor: Deus tinha ressuscitado a Jesus, o seu Filho. Ele vinha do silêncio do Pai. Jesus tinha prometido aos seus discípulos que havia de regressar. E assim, os discípulos, começando em Jerusalém, ­puseram-se a contar a todos a boa notícia da sua ­ressurreição. Dois deles, Mateus e Lucas, fizeram investigações sobre tudo o que acontecera desde o princípio e conseguiram fazer um ­relato ­ordenado do seu ­nascimento. Quando Ele veio ao mundo, os pequenos e os pobres de Israel estavam à espera.

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viar o seu Mesen o id et om pr ha tin , s dos profetas em De facto, Deus, atravé os pecados e levantar qu ar ot rr de de z pa ca , so ro sias: um Salvador pode sombra da morte. estava esmagado pela numa história e rt pa ou m to va ra pe enos que O es de nós: «Gosto Cada um destes pequ um da ca a z di e vo po u eus visita o se maravilhosa, em que D amado!» de ti, tu és o meu filho ens como a que m ho os e tr en ia ór st hi ria tido uma Sem eles, Deus não te sus. sucedeu na vida de Je o Lucas e Mateus m co , ui aq s -o io op C . seus nomes Se calhar, já ouviste os contaram: e era tão pequeEl do an qu o nh ba u s, que lhe de Maria, a mamã de Jesu mão; nino que cabia numa só ela esperava o seu do an qu la de a nt co ia, que tomou José, o marido de Mar Menino; ando cresceu foi qu e qu , ão Jo de is pa e Isabel, os Zacarias, o sacerdote, frente de Jesus; preparar o caminho à eram para ir ter rr co s, jo an s do s ze vo ados pelas os pastores que, cham e nasceu; com Ele na noite em qu e qualquer outra qu do s ai m as si es M o sejava ver o velho Simeão, que de , que O esperava; coisa, e a profetisa Ana de uma Estrela; or am lo pe s do ha in m riente, enca os Magos vindos do O mpo de conhecer te am er tiv o nã e qu , de Belém e, por fim, as crianças ­Jesus. eu resumi para ti. e qu s, ia ór st hi as su as Estas são Também eu gosto de ti, o

Adalbert

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JosĂŠ

que sonhou com o anjo do Senhor

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História de José

Havia um homem justo, da casa de David. O seu nome era José. Na verdade, não era apenas justo. Era também um homem bom. Quando era pequeno, o seu pai Jacob explicava‑lhe a Lei do Senhor. Mas José gostava sobretudo das histórias que o avô Matan lhe contava. Matan tinha ouvido estas histórias do seu pai Eleazar (o bisavô de José), que as tinha ouvido do seu pai Eliud e por aí fora no tempo… ao longo de tantas e tantas gerações.

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O avô contava-lhe a história de Abraão e de Isaac e de Jacob; e como o Senhor amava o seu povo, Israel, e o tinha libertado da escravidão dos egípcios, através do seu profeta Moisés. Depois falava-lhe do rei David, que dançava de alegria ­diante do Senhor, porque O amava com todas as suas forças. E, quando lhe contava como o pequeno David ­tinha vencido o gigante Golias, José escutava cheio de medo e de espanto. «Deus – explicava o avô – tinha feito uma promessa a David: de ti nascerá o rei Messias, que dará alegria e paz ao meu povo, para sempre». Quando José soube que também ele ­descendia do rei David, o seu coração começou a bater com muita força. Naquele tempo, as coisas não corriam bem: havia ­guerra, as crianças morriam de fome, os pobres eram cada vez mais pobres… «Virá o Messias, – suspirava o avô – e vai endireitar tudo». ­Depois acrescentava: «Até os animais ferozes, quando Ele vier, vão ficar mansinhos». Com estas palavras, o pequeno José ­adormecia tranquilo e s­ onhava com o Messias.

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Quando cresceu, José trabalhava como ­carpinteiro. Tinha muito jeito e a ­ judava quem precisava. Por isso, era bem ­visto por toda a gente da aldeia. Estava a ­ paixonado por uma rapariga lá da terra. Era a mais linda das raparigas de Israel. Chamava-se Maria. Às vezes, ao pensar nela, ­espetava os pregos no sítio errado. Os ­amigos ­metiam-se com ele: «Ó José, que estás a fazer? Andas com a cabeça nas nuvens? Estás apaixonado?» Quando chegava a vigília de Sábado, para saudar o dia do repouso do Senhor, Maria e as outras

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raparigas dançavam com os seus pés, e traziam alegria a toda a casa. «O Senhor dá alegria», pensava quem a via tão alegre e feliz. Também José esperava o Sábado. Um dia, tinha visto Maria a dançar com as outras raparigas, bela como um lírio no meio das silvas. Tinha ficado encantado com a luz dos seus olhos. Tinham-no entusiasmado como um bando de pombas em voo. Maria tinha olhado para ele e, quando José percebeu, corou e ficou vermelho como uma cereja. Ela olhava para ele e o seu rosto estava todo concentrado a olhar; e o olhar dela iluminava todos os pensamentos dele. Naquela luz, José via mais claramente todas as coisas. Quando, depois, ganhou coragem e começou a falar com ela, percebeu melhor aquilo que o avô lhe ensinava quando era pequeno. Também Maria esperava o Messias. O resto da história vai ser contada por José, porque só ele é que a conhece bem.

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José conta

Íamos casar-nos dentro de pouco tempo. Finalmente, tinha conseguido encontrar uma casa: pequena mas muito simpática. Vamos pagá-la em prestações, com o meu trabalho e o da Maria. Maria gostava muito de flores. Eu tinha apanhado um ramalhete com as cores mais belas: margaridas, ervilhas de cheiro, aveia, trevos ­vermelhos, chicória, girassóis amarelos. Era Primavera e eu estava feliz. Quando voltei a casa, o sol estava a pôr-se. «José», disse-me ela naquela tarde, «estou à espera de uma criança». Deixou-me gelado. De facto, ainda não tínhamos começado a viver juntos. Não me disse: «Não quero saber de ti». Nem me disse: «Quero casar com outro». Só disse: «Espero uma criança».

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Aquilo que não tinha dito era mais importante do que aquilo que tinha dito. Mas tinha-o guardado para si. Eu não disse nada. Não lhe perguntei nada. Tinha aprendido a escutar o seu silêncio. Voltei triste para casa. No meu coração pensava e não encontrava paz. Se digo em público que não quero casar com a Maria, todos vão pensar que ela se portou mal. Ninguém mais lhe dará trabalho. Sem falar dos fanáticos religiosos que são capazes de ir atrás dela para a apedrejar, achando que estão a fazer o que Deus quer. Se finjo que não sucedeu nada e caso com ela, faço-a infeliz. Por outro lado, se a mando embora, não haverá ninguém para tomar conta dela e da criança. Estes pensamentos atormentavam-me. Sem dizer nada a ninguém, decidi desfazer o noivado em segredo e deixá-la livre: eu iria à minha vida, noutra cidade. E, enquanto estava a caminhar, eis que já não caminhava mais. Olhei para o ar e o ar não se mexia; olhei para o céu e os pássaros estavam imóveis. E reparei nas ovelhas a caminho do pasto, que não se mexiam e estavam paradas; e os cabritos tinham apoiado o focinho na corrente do rio mas não bebiam; e os operários que estavam a comer, tinham o garfo imóvel no ar; as bocas estavm abertas mas não mastigavam… resumindo, tudo ficou em suspenso. Havia crianças a brincar na beira da estrada.

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Alguns tocavam flautas e os outros escutavam: o primeiro a rir-se perdia o jogo. Depois, o resto do grupo entoava um canto triste, e o primeiro que começava a chorar perdia. Enquanto olhava para eles, cheio de curiosidade, um deles veio ter comigo. Estava vestido todo de branco e tinha caracóis louros que lhe desciam para a testa. Disse-me: «José, filho de David, não tenhas medo de tomar contigo Maria, tua esposa, porque o Menino que ela espera vem do Espírito Santo. Maria dará à luz um filho e tu vais dar-lhe o nome de Jesus, que quer dizer “Deus salva”: de facto, Ele salvará o seu povo dos seus pecados». E, ao dizer isto, desapareceu. Foi então que acordei. Sem me dar conta, tinha adormecido. Tinha sonhado com o anjo do Senhor. Regressei cheio de alegria a Maria, e tomei-a como minha esposa. Disse-lhe o nome do Menino mas ela já o conhecia (como?). Seria chamado Jesus!

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Zacarias

que ficou mudo como um peixe

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Adalberto Mainardi

O nascimento de Jesus

O nascimento de Jesus contado por aqueles que lhe pegaram ao colo

Sobre o autor:

Adalberto é um monge de Bose. Aprendeu russo, idioma a partir do qual traduziu diversos livros, incluindo o “Relatos de um peregrino russo”. Por diversas vezes, ­ ­ ontou às crianças a Paixão de Jesus, na celebração do Domingo de Ramos, no mosteiro de c Bose, ­localizado no Piemonte (Itália).

Rua Dr. Alves da Veiga, 124 4000-071 Porto Tel.: 22 53 657 50 Fax: 22 53 658 00 edisal@edicoes.salesianos.pt www.edisal.salesianos.pt

... contado por aqueles que lhe pegaram ao colo Ilustrações de Martina Peluso O nascimento de Jesus

O nascimento de Jesus, contado por aqueles que o conheceram em criança, e lhe pegaram ao colo. Maria, sua mãe, que o embalou; José, que tomou conta de Maria e do seu filho; Zacarias e Isabel, os pais de João Batista que caminhou à frente de Jesus; os pastores chegados a meio da noite; o ancião Simeão e a profetisa Ana; os Magos do Oriente, e as crianças de Belém. Sem eles, Deus nunca teria tido uma história entre os homens, como a que teve na vida de Jesus.


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